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Talibã no poder: quais são os primeiros sinais de que mulheres podem enfrentar um retrocesso


Há relatos de incidentes em áreas que foram dominadas pelo grupo insurgente nas últimas semanas. Porta-voz do Talibã afirmou que os direitos das mulheres serão respeitados. VÍDEO: Guerra ao Talibã já dura 20 anos; entenda
Horas após o Talibã tomar o poder em Cabul, a capital do Afeganistão, algumas imagens de publicidade com fotos de mulheres começaram a ser retiradas das fachadas das lojas.
No domingo (15), fotógrafos da agência Kyodo fizeram imagens de painéis com fotos sendo retirados, aparentemente, por pessoas que não são membros do grupo insurgente. Em redes sociais foram publicadas imagens semelhantes, mas sem indicação do local ou da data.
O Talibã tomou Cabul e voltou ao poder no Afeganistão no domingo, 20 anos depois de terem sido destituídos por uma coalizão militar internacional. O presidente fugiu do país, e o palácio presidencial foi tomado pelos combatentes do grupo extremista.
Imagem sem data publicada em rede social mostra uma fachada de loja sendo repintada
Reprodução/Twitter/Lotfullah Najafizada
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Antes disso, o Talibã já tinha controlado quase todo o território.
A maioria (cerca de 80%) das pessoas do Afeganistão que tiveram que deixar suas casas por causa do avanço do Talibã é de mulheres e crianças, de acordo com a agência para refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU).
Imagem de rua de Cabul, no Afeganistão, do dia 7 de agosto, cerca de uma semana antes do Talibã invadir a cidade
Sajjad Hussain/AFP
Há medo que o Talibã volte a impor leis baseadas na interpretação que o grupo faz do islamismo, pela qual mulheres quase não têm direitos.
O grupo fundamentalista governou o país durante cinco anos, até 2001, quando a coalizão liderada pelos Estados Unidos tirou os extremistas do poder.
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Nos anos que antecederam a invasão pela coalizão, as meninas não podiam estudar, as mulheres não podiam trabalhar e nem mesmo sair de casa se não estivessem acompanhadas de um parente.
O governo do Talibã também promovia apedrejamento de mulheres acusadas de adultério.
Além dessas regras relativas a mulheres, os talibãs também faziam execuções públicas e, como medida de punição, cortavam as mãos de quem eles diziam ser ladrões.
Nos 20 anos desde que o Talibã esteve fora do poder, houve avanços nos direitos das mulheres, ainda que a sociedade afegã seja conservadora em relação a essa pauta. As meninas entraram nas escolas, e há mulheres no Parlamento, no governo e em empresas.
O avanço nas áreas urbanas foi significativo, afirma Marianne O’Grady, vice-diretora da organização Care Internacional. Ela diz que mesmo com a volta do Talibã ao poder, a situação anterior a 2001 não vai se verificar: “Não é possível ‘deseducar’ milhões de pessoas, e se as mulheres agora estão atrás das paredes e não podem mais sair tanto, elas ainda podem dar aulas aos parentes e vizinhos e filhos, o que não acontecia há 25 anos”.
Mesmo assim, há relatos a respeito de uma sensação de perda de direitos entre algumas mulheres.
Ainda não há relatos de que as regras do Talibã para mulheres já voltaram a ser implementadas nas regiões que o grupo tomou desde maio deste ano. A agência Associated Press afirma que pessoas que fugiram dessas áreas contaram que alguns militantes tomaram casas e que botaram fogo em uma escola.
Algumas das famílias que foram a Cabul na semana passada, antes da invasão da capital, disseram que, nas regiões que os insurgentes já tinham dominado, no norte do país, já havia alguns episódios que podem ser indicativos do que acontecerá com as mulheres. Em uma cidade, militantes gritaram com mulheres que usavam “sandálias muito reveladoras”. Um professor disse que as mulheres foram proibidas de ir ao mercado sem um homem para acompanhá-las.
Talibã diz que vai proteger direitos das mulheres
O Talibã diz que quer uma transição de poder pacífica nos próximos dias, disse o porta-voz da organização, Suhail Shaheen.
Ele também afirmou que o grupo insurgente vai proteger os direitos de mulheres, assim como a liberdade para os profissionais de mídia e diplomatas.
Em uma entrevista à rede BBC, ele afirmou que eles garantem, especialmente aos moradores de Cabul, que suas propriedades e suas vidas estão seguras.
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Fonte: G1 Mundo

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EUA interrompem voos de evacuação de Cabul, diz agência

Decisão foi tomada para retirar as pessoas que invadiram a pista do aeroporto internacional, segundo a autoridade, que falou à Reuters sob condição de não ter a identidade revelada. Afeganistão: EUA suspendem retirada de cidadãos; ONU convoca reunião extraordinária
Os Estados Unidos interromperam temporariamente os voos de evacuação de Cabul, capital do Afeganistão, afirmou uma autoridade americana à agência de notícias Reuters nesta segunda-feira (16).
A decisão foi tomada para retirar as pessoas que invadiram a pista do aeroporto internacional, segundo a autoridade, que falou à Reuters sob condição de não ter a identidade revelada.
Não foi informado quanto tempo duraria esta pausa.
Um tumulto no aeroporto internacional de Cabul deixou mortos e causou o cancelamento de todos os voos comerciais (veja no vídeo acima e nas imagens abaixo).
Tumulto em aeroporto de Cabul deixa mortos
Vídeos publicados nas redes sociais mostram pessoas tentando entrar nos aviões para deixar o país e tiros sendo disparados para tentar conter multidão.
O número de óbitos não foi confirmado. O jornal americano “The Wall Street Journal” fala em três mortos e a Reuters, em cinco.
VÍDEO: Tiros são ouvidos durante tumulto no aeroporto de Cabul
VÍDEO: Multidão no aeroporto de Cabul tenta deixar o Afeganistão
Mais de 60 países, incluindo EUA, Alemanha, Japão e França, divulgaram um comunicado no domingo (15) em que apelam para que cidadãos afegãos e estrangeiros tenham permissão para deixar o país em segurança.
A declaração conjunta também diz que estradas, aeroportos e passagens na fronteira devem permanecer abertas — e que a calma deve ser mantida.

Fonte: G1 Mundo

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China diz que deseja ‘relações amistosas’ com os talibãs

China já negocia com o Talibã desde 2019. O país tem uma fronteira de 76 quilômetros com o Afeganistão. Especialistas analisam retomada do Afenenistão pelo Talibã
A China afirmou nesta segunda-feira (16) que deseja manter “relações amistosas” com o grupo extremista Talibã, que tomou o poder no Afeganistão depois do colapso do governo do país.
A China e o Afeganistão são países vizinhos e têm 76 quilômetros de fronteiras comum.
VÍDEO: Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
A China “respeita o direito do povo afegão a decidir seu próprio destino e futuro e deseja seguir mantendo relações amistosas e de cooperação com o Afeganistão”, afirmou à imprensa a porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying.
“Os talibãs indicaram várias vezes a esperança de desenvolver boas relações com a China”, completou a porta-voz, antes de afirmar que a embaixada chinesa em Cabul “continua funcionando normalmente”.
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O governo chinês classificou nas últimas semanas de “irresponsável” a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão, por temer uma guerra civil no país vizinho.
O governo chinês iniciou, em setembro de 2019, conversas com os talibãs. Uma delegação do movimento foi recebida na época na China.
Pequim incluiu, em 2016, o Afeganistão em seu grande projeto de infraestruturas, as “Novas Rotas da Seda”. Mas, por falta de segurança, os investimentos chineses foram modestos no país: 4,4 milhões de dólares em 2020, segundo o ministério do Comércio.
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Fonte: G1 Mundo

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Afeganistão: as imagens que mostram o caos e o desespero dos afegãos após a entrada do Talibã em Cabul


Combatentes do Talibã entraram na capital do Afeganistão, Cabul, e tomaram palácio presidencial no domingo. Presidente afegão Ashraf Ghani fugiu do país. Cenas de caos no aeroporto de Cabul, no Afeganistão
BBC
Cenas de caos e desespero foram vistas no Aeroporto Internacional de Cabul, no Afeganistão, em meio à tentativa de fuga em massa depois que o grupo fundamentalista Talibã entrou na capital e tomou o controle da totalidade do país.
“Levei 5 horas para chegar ao aeroporto”, disse um estudante de 22 anos à BBC. “Meus pés estão doendo, estão com bolhas e é difícil para eu ficar de pé”.
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“Era como uma cidade militar: as pessoas usavam roupas tradicionais, mas tinham armas e atiravam para o alto. Isso me lembrou da Jihad [guerra religiosa] que ouvi de meus pais”, disse desesperado.
O jovem está prestes a iniciar um mestrado em Istambul, na Turquia. Ele voltou a Cabul para passar um tempo com sua família antes do início do curso, mas ficou surpreso ao ver que o governo estava desmoronando.
“Agora que vou embora, penso na minha família. Eles não têm como escapar, não vejo futuro.”
O jornalista Bilal Sarwary compartilhou um vídeo gravado na madrugada desta segunda-feira (16) que mostra pessoas tomando a plataforma de estacionamento do aeroporto internacional de Cabul.
Pessoas tentam entrar em aviões para fugir do Afeganistão no aeroporto internacional de Cabul
Sahar Rahimi/BBC
Os Estados Unidos e outros países estavam tentando evacuar seus funcionários da embaixada, e muitos afegãos aterrorizados também tentavam deixar a capital.
Uma testemunha descreveu a sala de embarque do aeroporto se transformando em um caos depois que as pessoas disseram que os cartões de embarque estavam sendo impressos secretamente para celebridades, parlamentares e autoridades.
“Esperamos quase oito horas, até que o pessoal do aeroporto começasse a sair dos balcões, primeiro os balcões de check-in e depois os balcões de imigração e passaporte”, diz.
“Não houve verificação de segurança. Passamos e vimos que as grandes portas de vidro estavam quebradas. As pessoas correram em direção ao último avião. Foi quase uma debandada.”
Os Estados Unidos enviaram helicópteros militares para evacuar o pessoal de sua embaixada em Cabul.
Após várias horas de cerco nos arredores da cidade, o Talibã ordenou que seus combatentes entrassem em Cabul no domingo.
Segundo porta-vozes do grupo, a medida foi tomada para evitar o caos e os saques depois que as forças de segurança deixaram partes da capital.
Quando isso aconteceu, centenas de moradores de Cabul tentaram sair da cidade com os pertences que conseguiram reunir.
Muitos tentavam escapar de Cabul a pé por medo de retaliação por parte dos combatentes do Talibã e pela incerteza diante de uma potencial onda de violência.
Escapando de Cabul
Durante todo o domingo, as pessoas fizeram longas filas em frente aos bancos em Cabul para sacar dinheiro, com medo do confisco de suas economias.
Afegãos fogem para o Paquistão após avanço do Talibã
Algumas famílias chegaram ao campo de refugiados do Parque Hasa-e-Awal em Cabul no sábado (14/8), fugindo dos combates fora da capital.
Nooria, 35 (embaixo à esquerda), deixou sua casa em Kunduz depois que um foguete a destruiu e feriu um de seus filhos.
Mulheres deslocadas pelos combates em Kunduz se refugiaram em uma mesquita em Cabul, enquanto o Talibã continuava avançando em direção à captura da capital.
A BBC recebeu mensagens e testemunhos de mulheres que temem o que pode acontecer com suas vidas sob um governo islâmico do Talibã.
Elas estão preocupados com a volta do mesmo tipo de governo que o grupo instaurou na década de 1990, quando estava no poder.
Algumas das que fugiram de áreas controladas pelo Talibã disseram que os militantes exigiam que as famílias entregassem meninas e mulheres solteiras para se tornarem esposas de seus combatentes.
Mulheres de áreas controladas pelo Talibã também descreveram ser forçadas a usar burcas — veste que cobre todo o corpo, e apresenta uma estreita tela, à altura dos olhos, através da qual se pode ver — e militantes espancaram pessoas por infringirem as regras sociais.
A vida sob o Talibã na década de 1990 forçou as mulheres a usar a vestimenta. Os islamistas radicais restringiram a educação para meninas com mais de 10 anos e punições brutais foram impostas, incluindo execuções públicas.
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VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Após tumulto, voos comerciais são cancelados no aeroporto de Cabul


Vídeos publicados nas redes sociais mostram cidadãos afegãos tentando entrar em aviões para deixar o país. Militares norte-americanos dispararam para o alto para conter multidão. Afegãos se aglomeram na pista do aeroporto de Cabul no dia 16 de agosto para tentar fugir do país após o Talibã assumir o controle do Afeganistão
AFP
Os voos comerciais no aeroporto de Cabul foram cancelados nesta segunda-feira (16) após o registro de cenas caóticas com cidadãos tentando embarcar em aviões para deixar o Afeganistão, agora dominado pelo Talibã. Os voos militares continuam operando.
“Por favor, não venha para o aeroporto”, disse uma autoridade do aeroporto.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram várias pessoas tentando entrar em aeronaves que estavam prestes a deixar o Afeganistão.
Durante o tumulto, agentes das tropas dos Estados Unidos, que estavam no aeroporto para ajudar os norte-americanos a embarcarem, atiraram para o alto.
“A multidão estava fora de controle”, afirmou um oficial à agência de notícias Reuters. “O disparo foi feito apenas para neutralizar o caos.”
Mais de 60 países, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Japão e França, publicaram um comunicado em que fazem um apelo para que cidadãos afegãos e estrangeiros tenham permissão para deixar o Afeganistão em segurança.
VÍDEO: Veja cronologia da tomada de poder do Talibã no Afeganistão
‘Situação pacífica’
Autoridades do Talibã disseram nesta segunda que não receberam relatos de confrontos em todo o país desde que tomaram Cabul.
“A situação é pacífica, de acordo com nossas informações”, disse um dos principais membros do grupo extremista.
VÍDEO: Entenda o que é o Talibã, grupo extremista que tomou a capital do Afeganistão
Rápido avanço do Talibã
A queda do governo afegão para o Talibã ocorre 20 anos depois de o grupo extremista ser expulso de Cabul pelos Estados Unidos, que invadiram o país dias após os ataques de 11 de setembro de 2001.
Em abril, o presidente Joe Biden havia anunciado a retirada de todas as tropas do país até 11 de setembro deste ano.
O Talibã avançou rapidamente depois de que a maior parte das forças lideradas pelos Estados Unidos deixaram o país em julho, e a queda de Cabul ocorre antes do previsto pelas autoridades norte-americanas.
Segundo a Reuters, a estimativa dos serviços de inteligência norte-americanos era de que o Talibã chegasse a Cabul em setembro, com uma possível tomada do poder em novembro.
Talibã toma o poder no Afeganistão
G1

Fonte: G1 Mundo

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Número de mortos por terremoto no Haiti passa de 1.200


Mais de 2.800 pessoas estão feridas e quase 3 mil construções foram destruídas; situação é pior no sul do país, onde mais de 500 morreram. Primeiro-ministro decretou estado de emergência por 30 dias e novo tremos foi registrado neste domingo. Pessoas caminham entre escombros de casas destruídas pelo terremoto em Les Cayes, no Haiti
Jose Flecher/cortesia via Reuters
Subiu para 1.297 o número de mortes após forte terremoto de sábado no Haiti, segundo atualização das autoridades feita na noite deste domingo (15). O número de feridos passa de 2.800.
Segundo o chefe da agência de proteção civil, Jerry Chandler, a situação é mais grave no sul do país, onde mais de 500 pessoas morreram.
O terremoto destruiu 2.868 edificações e danificou 5.410, disseram ainda as autoridades. A situação deixou no limite os hospitais e os danos bloquearam estradas por onde são transportados suprimentos vitais para as vítimas.
Neste domingo, um novo terremoto de magnitude 5,9 foi notificado pelo o Centro Sismológico Europeu do Mediterrâneo (EMSC, na sigla em inglês). O tremor aconteceu a uma profundidade de 8 km (4,97 milhas), disse a EMSC.
Número de mortos em terremoto no Haiti passou de 700
Joseph Odelyn/AP
Também neste domingo, máquinas pesadas, caminhões e retroescavadeiras trabalhavam para limpar os escombros na cidade de Les Cayes, perto do epicentro do terremoto de sábado, a cerca de 160 km da capital haitiana, Porto Príncipe.
Veja FOTOS dos estragos provocados pelo terremoto
Entenda a tragédia que atinge o Haiti em meio crises política e humanitária
As cidades de Cayes e Jérémie, no sudoeste da ilha, foram as mais atingidas.
VÍDEO: Os estragos do terremoto no Haiti
O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, decretou estado de emergência por 30 dias. Henry lamentou as mortes e disse, em nota, que já mobilizou recursos do governo para dar apoio às vítimas.
“Meus sentimentos aos parentes das vítimas deste sismo que gerou tantas perdas de vidas humanas e materiais em vários departamentos [equivalente a estados] do país”, escreveu Henry. “Faço um apelo ao espírito de solidariedade e compromisso de todos os haitianos, a fim de nos unirmos para enfrentar esta situação dramática que vivemos”, seguiu o mandatário. “A união faz a força.”
Crise política e humanitária
O terremoto atinge o Haiti em um momento de forte crise política, que é anterior até mesmo ao assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho deste ano.
Moïse dissolveu o Parlamento e governava por decreto havia mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas, e queria promover uma polêmica reforma constitucional.
VÍDEO: presidente do Haiti é assassinado em ataque em casa
Depois do assassinato do presidente por um grupo de mercenários, um governo interino assumiu o controle do país até a realização de novas eleições.
A nação mais pobre das Américas tem um longo histórico de ditaduras e golpes de Estado.
Haiti
Amanda Paes/G1
Nos últimos meses, o Haiti enfrentava também uma crescente crise humanitária, com escassez de alimentos e aumento nas taxas de violência.
O PIB per capita do país é de US$ 1,6 mil por ano (cerca de R$ 8,5 mil), e cerca de 60% da população vive com menos de US$ 2 por dia (pouco mais de R$ 10).
O Haiti tem 11,3 milhões de habitantes, faz fronteira com a República Dominicana na ilha Hispaniola, no Caribe, e tem um dos menores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo: 0,51.
Moradores observam casas que desabaram com o terremoto em Les Cayes, no Haiti
Ralph Tedy Erol/Reuters

Fonte: G1 Mundo

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O que foi a ‘grande renúncia masculina’, curiosa consequência da Revolução Francesa


As vestimentas dos homens nunca mais voltaram a ser as mesmas depois do século 18. Mas por quê? Ilustração mostra moda mais “simples” na França durante penúltima etapa da Revolução Francesa (1795-1799)
Getty Images/BBC
Liberdade, igualdade, fraternidade… e uma grande renúncia, em um aspecto da vida cotidiana que nem sempre é associado imediatamente à Revolução Francesa.
Como Paris foi o epicentro desse terremoto social, não causa surpresa que as ondas sísmicas sacudissem um mundo onde a cidade ditava as regras: o da moda.
Ao longo da história, homens e mulheres no Ocidente usaram roupas e acessórios de luxo para denotar status.
Tecidos luxuosos, cores vivas, joias cintilantes, perucas enormes… um visual extravagante e pouco prático costumava ser usado para mostrar o quão rica era uma pessoa.
Mas a Revolução Francesa estourou e tudo mudou, inclusive sociedades como a britânica, em que a aristocracia rejeitava a destruição do seu modo de vida no outro lado do Canal da Mancha.
Nada parecidos com a nobreza
A mudança já havia começado com o movimento intelectual conhecido como Iluminismo, que trouxe um novo respeito pelo racional e útil, e uma ênfase na educação em vez dos privilégios.
A moda masculina se voltou para roupas mais práticas, e até mesmo os aristocratas ingleses começaram a usar vestimentas simples mais em sintonia com seus trabalhos na administração de suas propriedades no campo.
A Revolução Francesa reforçou essa tendência à simplicidade e foi ainda mais longe.
Em seu ápice, até os objetos e os costumes mais comuns se tornaram emblemas políticos e fontes potenciais de conflito político e social, e as roupas se tornaram uma forma de expressar uma visão política.
As vestimentas masculinas se tornaram particularmente emblemáticas. O traje característico dos mais militantes do movimento, os sans-culottes, eram calças largas compridas com pregas na parte inferior, uma jaqueta curta (carmagnole) e um barrete frígio (uma espécie de touca). Esses itens se tornaram um símbolo do igualitarismo jacobino.
À medida que os radicais e os jacobinos se tornaram mais poderosos, a repulsa contra a alta costura cresceu, em razão de sua extravagância e sua associação com a realeza e a aristocracia. Os cavaleiros tinham que parecer homens de ação e revolução, nada parecidos com a odiada nobreza, nem em estilo nem em substância.
Assim, as calças compridas substituíram as calças de seda na altura dos joelhos usadas pela classe alta, e detalhes como grandes fivelas de metal elaboradas com joias falsas “ao estilo parisiense” foram abandonadas, assim como as cores brilhantes.
E embora a alta moda e a extravagância tenham voltado à França durante a era do Diretório (fase da revolução entre 1795-1799), a maneira como os homens se vestiam havia mudado para sempre.
George “Beau” era considerado uma influência para outros homens
Getty Images/BBC
O “influenciador”
Na Inglaterra, o jovem George “Beau” Brummel (1788-1840), amigo do príncipe de Gales e referência de moda masculina na região, percebeu que a mudança tinha muito em comum com vários dos valores tradicionais ingleses, como a modéstia e a moderação.
Ele, então, desenvolveu um estilo totalmente novo e discreto. Um cavalheiro, ele disse, deve ser muito limpo, magro e elegante.
Suas roupas deveriam ser admiradas pela perfeição de seu corte e ajuste, e feitas em tons sutis e suaves.
Em suma, os homens deviam mostrar seus valores por meio da atenção aos detalhes, seus conhecimentos e suas obras, e não simplesmente se cobrindo de símbolos de riqueza.
Em detalhes, seu uniforme era um casaco azul com um colete de camurça, camisa de linho esbranquiçada com uma gravata branca, calças de camurça e botas escuras de montaria. À noite, colete branco, calça preta, meias listradas de seda e sapatos pretos.
Além disso, Beau substituiu a dependência de perfumes e pós usados para higiene pessoal pelo conceito de banho diário.
Seu estilo se espalhou de forma semelhante ao que acontece hoje: alguém influente inova e todos em seu círculo — que no caso de Beau correspondia a 1% da sociedade britânica, graças à sua amizade com a realeza britânica e ao seu charme — o imitam.
As roupas de Beau representavam uma elegância discreta que incluía um desdém por qualquer coisa “exagerada”. O que ele fez no início dos anos 1800 ainda dá forma ao consenso de muitos sobre como é o bom gosto em roupas masculinas.
Entre objetivos de movimento Men’s Dress Reform Party, criado no início do século 20, estava “liberar o pescoço” usando “estilo Byron” (como o poeta da imagem)
Getty Images/BBC
Atroz
A mudança não agradou a todos, é claro.
Alguns acharam isso tão atroz que em 1929, no Reino Unido, surgiu o Men’s Dress Reform Party, ou o movimento pela reforma do vestuário masculino, para o qual períodos como a Revolução Francesa promoveram uma forma “deprimente” de se vestir e sem criatividade, que impedia a individualidade.
O psicólogo John Carl Flugel (1884-1955), um dos membros desse movimento, dizia que desde o final do século 18 os homens haviam deixado progressivamente de usar formas de ornamentação mais brilhantes, elaboradas e variadas, “fazendo de sua própria alfaiataria a mais austera e sem novidades das artes”.
Foi ele quem deu a esse acontecimento o nome de “a grande renúncia masculina”, ou a ocasião em que os homens “abandonaram a pretensão de serem considerados belos” e “desde então aspiraram apenas a ser úteis”.
Esse movimento defendia a melhoria da saúde e da higiene dos homens, mudando os estilos e materiais das roupas masculinas, que consideravam como cada vez mais restritivas e nocivas, em contraste com as roupas “emancipatórias” das mulheres.
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Fonte: G1 Mundo

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Quem são os descendentes da nobreza inca que vivem até hoje no Peru


Embora professores de História no Peru costumem se referir a famílias reais Incas como elite que desapareceu com chegada dos colonizadores espanhóis, a verdade é que eles não apenas existem, como seguem ocupando posições de liderança em suas comunidades. Dezenas de descendentes da nobreza Inca seguem vivendo no Peru
Luis Miranda/BBC
Os professores de História no Peru costumam se referir à nobreza inca como uma elite que desapareceu com a chegada dos colonizadores espanhóis.
A verdade, porém, é que descendentes das famílias reais incas não apenas existem, mas mantiveram certos privilégios durante o Vice-Reino e, desde 1980, vêm sendo eleitos para cargos públicos no país.
Alguns historiadores seguiram os rastros desses herdeiros da linhagem inca, a maioria deles na época colonial. Mas o holandês Ronald Elward Haagsma atualizou esses trabalhos.
Em 2009, ele chegou ao Peru com a intenção de descobrir o que aconteceu com os herdeiros dos governantes incas durante os últimos anos da Colônia e as primeiras décadas de independência.
Como resultado de sua pesquisa, escreveu o livro Os Incas Republicanos, publicado em 2020.
Elward, que é engenheiro, revisou mais de 150 mil documentos e entrevistou cerca de 35 famílias que ainda vivem perto de Cusco, a antiga capital do Império Inca.
Nesta entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, ele compartilha algumas de suas descobertas.
Alguns descendentes da nobreza Inca ainda ocupam posições de liderança em suas comunidades
Luis Miranda/BBC
BBC News Mundo: Por que o Sr. escolheu estudar os descendentes da nobreza inca?
Ronald Elward Haagsma: Apesar de Machu Picchu ser uma das maravilhas do mundo, não há tantas informações sobre os incas e seus descendentes — e as que existiam paravam no período da Independência, em 1821.
Agora, pude usar minha experiência para analisar fontes nos arquivos de Cusco, que contêm tesouros documentais que datam desde o século 16.
BBC News Mundo: O que o Sr. descobriu sobre como a elite inca era vista pela população indígena não nobre durante o período colonial?
Haggsma: Essa pergunta não é fácil de responder, porque não sabemos o que as pessoas estavam pensando diretamente. Não há diários, cartas ou testemunhos da época colonial.
O que existe desse período são muitos dados sobre litígios, em que os “índios tributários” se queixam não apenas dos espanhóis, mas também dos caciques.
Portanto, pode-se deduzir que nem todos estavam satisfeitos com seus líderes.
Ao mesmo tempo, porém, há também documentos que mostram que havia caciques pagando os impostos dos indígenas com sua própria renda.
Ronald Elward Haagsma é engenheiro, mas sempre se interessou por História
BBC
BBC News Mundo: No livro, o Sr. diz que alguns indígenas, paradoxalmente, tiveram mais liberdade durante o período colonial do que durante a República. Por quê?
Haggsma: A população indígena, em certa medida, tinha maior autonomia na época colonial porque tinha lideranças próprias, que mantinham uma identidade mais independente.
Não devemos esquecer que no século 17 houve um Renascimento Inca. É nessa época que surge a pintura cusquenha, a prataria se expande e a arquitetura se desenvolve. Além disso, foram criadas peças de teatro em quíchua, e a arte e os produtos com identidade indígena começaram a ser exportados para toda a região. Tudo isso criou muitos empregos.
Naquela época, Cusco chegou a ser a terceira cidade do Vice-Reinado, depois de Lima e Quito.
É claro que não podemos romantizar esse período, porque também houve bastante abuso. Havia a mita, um sistema que institucionalizou o trabalho forçado e o pagamento do tributo obrigatório.
Em todo caso, com a Independência, eles perdem seus líderes ou representantes, os caciques, e começa um período de expropriação de terras ancestrais, que passam para as mãos de crioulos e mestiços.
Ronald Elward Haagsma publicou “Os Incas Republicanos” em 2020
BBC
BBC News Mundo: O Sr. também diz que com a Independência o racismo se intensificou.
Haggsma: Na verdade, foi um processo que durou quase todo o século 19.
Após a Independência, vários membros dessas famílias nobres indígenas apoiaram ativamente a nova República e até participaram da política nacional durante os primeiros anos.
Talvez esse tenha sido o único momento no Peru em que indígenas, mestiços e crioulos brancos compartilharam um projeto conjunto de nação. Por diversas razões, no entanto, os indígenas acabaram sendo excluídos e invisibilizados.
No fim do século, a população indígena, já desvinculada de seu passado, quase não tinha direitos [por exemplo, não podiam votar], e esse racismo, então politicamente articulado, infelizmente não desapareceu.
Lembro que quando comecei a publicar alguns artigos em um jornal peruano, fiquei muito chocado ao receber uma mensagem de uma pessoa me avisando que “seria melhor não falar mais sobre esse tema, porque não queremos que os índios achem que são importantes”.
BBC News Mundo: Por que o Sr. afirma que, depois da Independência, a colonização mental continuou no Peru?
Haggsma: Costuma-se pensar que o fim da era colonial aconteceu em 1821 (em Lima) ou em 1824 (após a Batalha de Ayacucho), com a criação da nova república. Há historiadores, porém, que argumentam que depois da Espanha, o Peru passou a depender da Inglaterra e da França e, posteriormente, dos Estados Unidos. Uma dependência não apenas material e política, mas também mental.
A independência não resultou em uma nação mestiça. O que aconteceu foi que um pequeno grupo de origem europeia, e proprietários de terras de origem mestiça e europeia, assumiram o controle total do Estado, criando hierarquias sociais baseadas na cor da pele, sobrenomes, costumes, idioma – tudo relacionado ao Ocidente e visto como algo superior.
A cultura local terminou por ser estigmatizada como inferior, ou seja, uma colonização mental.
BBC News Mundo: Por que o Sr. acha que não há muita consciência entre os peruanos de que a linhagem indígena continua entre eles? É a narrativa dos historiadores, que falam dos Incas como algo extinto, que causa isso?
Haggsma: Acredito que essa colonização mental tenha resultado na invisibilidade da população indígena como cidadãos.
Porque o que aconteceu é que a sua identidade e a sua história deixaram de existir. Eles se transformaram em objetos colecionáveis ou em folclore e deixaram de ser pessoas de carne e osso, com sentimentos, opiniões, direitos e histórias que vivem no presente.
A mesma historiografia peruana, nas poucas ocasiões em que investigou o tema, preferiu vê-la como algo perdido ou extinto, sem qualquer continuidade. Mas a realidade é que gerações de descendentes seguiram em posições de influência em suas comunidades, e vários deles ocupam cargos públicos até hoje.
Nobreza Inca não acabou com colonização
BBC
BBC News Mundo: Os atuais descendentes dos incas que o Sr. conheceu são reconhecidos como tais por seu entorno?
Haggsma: Sim. Entre as quase 50 famílias que existem hoje, encontrei e conversei com representantes de 35.
Nos distritos que conhecemos hoje como San Sebastián e San Jerónimo, a 15 e 20 minutos da cidade de Cusco, elas mantiveram posições de prestígio ao longo do tempo, um sinal de sobrevivência dessa memória.
Em outros lugares, sua ascendência imperial gradualmente se tornou uma lenda familiar, até se perder.
Em 2014, participei de uma investigação sobre o DNA dos incas, conduzida pela Universidade San Martín de Porres e patrocinada pela National Geographic (revista americana), e os resultados foram publicados em um artigo científico.
O que descobrimos é que representantes de cinco famílias diferentes de San Jerónimo e San Sebastián tinham um ancestral comum que viveu no século 15, em meados do Império Inca.
BBC News Mundo: Por que esses descendentes dos incas não tentaram reivindicar seu lugar ou criar consciência sobre sua existência?
Haggsma: Existem e existiram várias iniciativas, em geral de um grupo limitado, que não geram muito interesse.
Mas imagino que nada mais tenha sido feito porque não havia evidências documentais de suas linhagens.
Em um contexto em que a narrativa oficial do país dizia que eles não existiam, era difícil que qualquer movimento tivesse alguma legitimidade.
Alguns membros da nobreza espanhola se casaram com integrantes da nobreza inca, como mostra a pintura “Casamento de Martín de Loyola com Beatriz Ñusta e de Juan de Borja com Lorenza Ñusta de Loyola (filha do primeiro casal)”
BBC
BBC News Mundo: Como as elites Incas são vistas hoje em suas comunidades?
Haggsma: Com a chegada dos espanhóis, no século 16, as famílias imperiais Incas foram expulsas de seus palácios — localizados no que hoje é o centro da cidade de Cusco, e enviadas para reduções jesuíticas nos arredores.
Em duas delas (nos distritos de San Sebastián e San Jerónimo), se concentraram metade das linhagens dos governantes Incas.
Nessas regiões, ao longo de 500 anos, um nível surpreendente de continuidade foi mantido. Tanto é que, quando os indígenas conquistaram o direito de voto, em 1980, elas passaram a eleger vários descendentes dos antigos imperadores para prefeitos.
Isso mostra não apenas uma continuidade de liderança, mas também de uma certa popularidade. Como digo no livro, os incas voltaram ao poder por meio das urnas, mas dessa vez em nível local.
BBC News Mundo: Em seu livro, um dos descendentes conta que não tinha plena consciência de sua origem nobre. Como foi esse processo?
Haggsma: As reações que as pessoas têm ao se reconectar com o passado são bastante diversas.
Em San Sebastián e San Jerónimo, todos ficavam muito felizes, mas em Cusco, às vezes, eu precisava explicar em muitos detalhes a ligação com os ancestrais de origem Inca, e as pessoas demoravam a se acostumar à ideia.
Para mim, foi algo inesperado. No começo, via o assunto como uma investigação histórica, mas isso foi rapidamente ganhando contornos muito pessoais, relacionados à identidade e à exclusão.
Vários descendentes que entrevistei falaram sobre serem zombados por seus sobrenomes quando estavam na escola, em Cusco, e sobre a discriminação em vários níveis.
Imagine que, em Cusco, ter um sobrenome espanhol ou de outra origem europeia é mais bem-visto do que ter um sobrenome inca ou indígena!
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

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Por que ocorrem tantos terremotos no Haiti?


Forte terremoto ocorrido neste sábado voltou a mostrar fragilidade geológica da ilha de Hispaniola, onde estão Haiti e República Dominicana, mas que atinge principalmente território haitiano. Terremoto de magnitude 7,2 atingiu sul do Haiti, deixando pelo menos 724 mortos e 1,8 mil feridos
Reuters/BBC
Na manhã deste sábado (14), um forte terremoto de magnitude 7,2 atingiu o sul do Haiti, deixando pelo menos 724 mortos e mais de 1,8 mil feridos.
Tremores como esse não são novidade no pequeno país, um dos mais pobres do mundo e afundado em crises.
Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de magnitude semelhante devastou Porto Príncipe, capital do país, causando a morte de mais de 200 mil pessoas. Mais de 300 mil ficaram feridas.
E isso já havia acontecido em 1887, 1842, 1770 e 1751.
VÍDEO: Terremoto de 7,2 de magnitude deixa mortos no Haiti
Mas por que tantos terremotos ocorrem no Haiti?
Uma das respostas pôde ser encontrada naquela tarde de 12 de janeiro de 2010, quando especialistas souberam imediatamente que o tremor seria um dos piores desastres naturais da história recente daquele país.
Além de ter atingido uma das nações mais pobres do Ocidente — e, portanto, uma das menos preparadas para enfrentar eventos desse tipo, o terremoto ocorreu em uma região onde se localiza uma complexa rede de placas tectônicas e falhas geológicas.
O Haiti está situado em meio a um vasto sistema de falhas geológicas que resultam do movimento da placa caribenha e da enorme placa norte-americana.
Como em outras áreas onde as placas tectônicas são contíguas, nos limites da placa do Caribe há uma atividade sísmica significativa devido a essas falhas.
VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti
E foi o súbito deslizamento de uma delas, a falha de Enriquillo-Plantain Garden, que levou ao desastre.
Estima-se que o epicentro do terremoto, de magnitude 7, ocorreu a cerca de 15 quilômetros de Porto Príncipe. E o hipocentro (local no interior da Terra onde se inicia a ruptura do material rochoso ocorrendo a libertação de energia sob a forma de ondas sísmicas) estava a apenas oito quilômetros da superfície.
Já o que foi registrado neste sábado tinha magnitude de 7,2 e a 10 quilômetros da superfície, mas teve seu epicentro no sul da ilha.
Essa proximidade com a superfície, dizem os especialistas, garantiu que as forças de choque do solo fossem mais intensas e destrutivas.
Sem amortecimento
Edifícios em zonas sísmicas em países desenvolvidos são construídos com sistemas de amortecimento que lhes permitem “resistir” aos tremores, não apenas deixando-os balançarem para frente e para trás, mas também fazendo-os girar junto com o movimento da terra.
Mas as estruturas simples de concreto das cidades haitianas desmoronam quando submetidas a essa pressão.
“A proximidade com a superfície é um dos fatores mais sérios que contribuem para a gravidade de um tremor causado por um terremoto de qualquer magnitude”, disse David Rothery, cientista planetário da Open University no Reino Unido, à BBC.
“Além disso, o terremoto tende a ser maior se estiver mais perto da fonte. Nesse caso (o terremoto de 2010), o epicentro estava a apenas 15 quilômetros do centro da capital e por isso foi tão destrutivo.”
Então, uma série de tremores secundários fortes — mais de 10, todos com magnitude superior a 5 — ampliou a devastação.
Mas, apesar do fato de que o Haiti está em uma área de alto risco para terremotos, o último grande terremoto antes da catástrofe de 2010 havia ocorrido 150 anos antes.
A costa norte do país está localizada no limite das grandes placas tectônicas do Caribe e da América do Norte, onde vastos blocos da superfície terrestre se movem esfregando-se uns contra os outros em um movimento horizontal.
Acredita-se que a placa do Caribe esteja se movendo para o leste a uma taxa de cerca de 2 centímetros a cada ano.
Esperado
E, como os especialistas apontam, antes de 2010, um deslizamento era esperado há muito tempo na falha de Enriquillo-Plantain Garden.
“Ela se manteve firme nos últimos 250 anos”, disse Roger Busson, do Serviço de Pesquisa Geológica Britânica, à BBC sobre o terremoto de 2010.
“Todo aquele tempo estava armazenando pressão enquanto as placas deslizavam umas sobre as outras, e era realmente apenas uma questão de tempo para que essa liberação de energia ocorresse.”
“A pergunta que nos fazíamos era se toda aquela energia ia ser liberada de uma vez ou em uma série de pequenos tremores. A resposta é que foi tudo de uma vez.”
Em 2010, a superfície ao longo da falha estava, em algumas partes, separada por até um metro ou mais.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) afirma que a falha de Enriquillo-Plantain Garden pode ter sido a fonte de vários terremotos importantes ao longo da história: os de 1860, 1770, 1761, 1751, 1684, 1673 e 1618.
E também do que aconteceu neste sábado.
“Como no evento de 2010, o mecanismo que produz este terremoto indica uma falha de empuxo oblíqua ao longo da zona da falha Enriquillo-Plantain Garden”, informou o USGS em seu site.

Fonte: G1 Mundo

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Justin Trudeau convoca eleições antecipadas no Canadá


Votação será em 20 de setembro, menos de dois anos após as últimas eleições federais. Premiê diz que país vive um ‘momento histórico’ e por isso é ‘extremamente importante que os canadenses possam escolher como sairemos desta pandemia e como nos reconstruiremos melhor’. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, fala à imprensa em Ottawa, no domingo (15)
Sean Kilpatrick/The Canadian Press via AP
O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, anunciou neste domingo (15) eleições antecipadas para 20 de setembro, menos de dois anos após as últimas federais, estimando que com a pandemia o país atravessa um momento “histórico”.
“A governadora-geral aceitou meu pedido para dissolver o Parlamento. Os canadenses, portanto, irão às urnas em 20 de setembro”, disse da capital federal, Ottawa.
Segundo Trudeau, o país vive um “momento histórico” e por isso é “extremamente importante que os canadenses possam escolher como sairemos desta pandemia e como nos reconstruiremos melhor”.
“Agora, tomaremos decisões não somente para os próximos meses, mas para as décadas que virão”, disse Trudeau, de 49 anos.
“Peço que apoiem um governo progressista e ambicioso” que defenda “um sistema de saúde forte, moradia acessível e um meio ambiente protegido”, declarou, lançando alguns dos principais temas de sua campanha.
À frente de um governo minoritário desde outubro de 2019, o que o torna dependente dos partidos de oposição para aprovar suas reformas, Justin Trudeau pretende aproveitar as pesquisas favoráveis, sua gestão da pandemia e o sucesso da campanha de vacinação.
Mas os outros partidos, todos contra a realização de uma votação neste verão, iniciaram as hostilidades e denunciaram um cálculo político, enquanto a pandemia ainda não acabou.
Como outros países, o Canadá anunciou recentemente que enfrenta uma quarta onda epidêmica, devido à variante Delta, que é mais contagiosa.
No entanto, o país tem uma das melhores coberturas vacinais do mundo – 71% dos 38 milhões de canadenses receberam a primeira dose e 62% estão totalmente imunizados.
“Era a única janela para Justin Trudeau, porque com o retorno às aulas em duas semanas, os casos de covid inevitavelmente aumentarão”, comentou à AFP Félix Mathieu, professor de ciência política da Universidade de Winnipeg.
“E já dura 18 meses, que é o tempo médio de vida de um governo minoritário”.
Mas é uma “aposta arriscada”, acredita Daniel Béland, professor de ciência política da Universidade McGill, tendo em vista as pesquisas atuais que não lhe garantem a maioria.
Para liderar um governo majoritário, seu partido, que tem 155 membros eleitos, terá de obter pelo menos 170 das 338 cadeiras na Câmara dos Comuns, a câmara baixa do Parlamento.
Participação incerta
“A eleição pode ser disputada em algumas cadeiras”, acrescenta ele e “como esta eleição é claramente uma decisão de Trudeau, se ele falhar, pode custar caro em termos de liderança”.
Diante dele, Erin O’Toole, líder dos conservadores, único outro partido capaz de formar um governo – atualmente 119 deputados – sofre de falta de notoriedade entre a opinião pública, mas poderá contar com as províncias rurais como reservatório de votos.
Neste domingo, para o lançamento oficial de sua campanha, O’Toole apostou em seu discurso na promessa de uma “economia forte” em contraste com a política liberal de “mais dívida, mais gasto”. Também denunciou de maneira enfática a decisão de Trudeau de convocar eleições.
“Não devemos colocar em risco nossos esforços por jogos ou benefícios políticos”, disse O’Toole em coletiva de imprensa.
Jagmeet Singh, que dirige o Novo Partido Democrático (NDP), é o outro rival de Trudeau e pode angariar votos entre os jovens e moradores urbanos.
Denunciando uma “decisão egoísta” de Trudeau, Singh afirmou neste domingo que estava disposto “a lutar pelos trabalhadores, para obrigar os super-ricos e as grandes empresas a pagar sua parte justa, e para construir uma recuperação que beneficie a todos”.
Prevê-se que a campanha eleitoral, anunciada para durar apenas 36 dias, gire em grande parte em torno da gestão da pandemia e dos amplos programas de ajuda emergencial implantados pelo governo, bem como do plano de recuperação pós-pandemia de 101 bilhões de dólares canadenses em três anos.
Mas as questões ambientais e de reconciliação com os povos indígenas também serão cruciais para estas eleições, que promete ser inédita.
As medidas sanitárias ainda em curso em vários estados limitarão os comícios eleitorais e a grande incerteza será a participação, sabendo que “uma baixa participação reduziria a legitimidade do próximo governo”, acrescenta Félix Mathieu.
Além disso, se a votação por correspondência se sobressair, como é esperado devido à pandemia, o resultado da votação pode demorar a ser conhecido.
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Fonte: G1 Mundo