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Como será a vida no Afeganistão sob controle do Talibã?


Que tipo de nação será o Afeganistão depois de 2021? John Simpson, ex-correspondente no país e editor de notícias internacionais da BBC, analisa a questão. Combatentes do Talibã na província de Laghman em 15 de agosto de 2021
Getty Images via BBC
“Graças a Deus vocês vieram”, gritou um homem idoso quando eu e meus colegas jornalistas entramos em Cabul em 14 de novembro de 2001, lutando para abrir caminho na multidão alegre.
As forças anti-Talibã da Aliança do Norte do Afeganistão, que tinham o apoio dos Estados Unidos e de outros países ocidentais, haviam cercado a cidade, e o Talibã havia fugidou.
Cinco anos da mais extrema ditadura religiosa dos últimos tempos tinham acabado.
Sob o Talibã, o Afeganistão havia se tornado um buraco negro no qual todos os tipos de extremismo podiam prosperar.
Apenas dois meses antes, Osama Bin Laden e seu grupo extremista Al-Qaeda havia orquestrado os ataques de 11 de setembro em Nova York e Washington.
‘Não há dúvida de que os EUA perderam essa guerra’, diz analista sobre saída do Afeganistão
Na época não me passava pela cabeça que o Talibã pudesse voltar a dominar o país.
Agora que o grupo extremista reconquistou praticamente o país todo, todo mundo está tentando entender os motivos disso ter acontecido. Não é difícil.
Os governos dos dois presidentes pós-Talibã, Hamid Karzai e Ashraf Ghani, foram eleitos democraticamente, mas nunca foram fortes, e a corrupção era o sistema que funcionava melhor.
No entanto, o presidente Ghani ainda estaria em seu palácio e o exército estaria circulando em seus caros veículos ocidentais, se Donald Trump não tivesse decidido que precisava de um sucesso de política externa antes das eleições de 2020.
John Simpson no Afeganistão em 2001
BBC
A estratégia foi começar o encerramento de uma guerra de longa duração, da qual os americanos já estavam cansados.
Vários políticos e jornalistas afegãos que conheço ficaram horrorizados com a conclusão das negociações dos EUA com a liderança política do Talibã em Doha em fevereiro de 2020. E ainda mais quando o novo presidente democrata, Joe Biden, deixou claro que iria cumprir o acordo.
Me disseram que, por mais moderados e pacíficos que os líderes em Doha pudessem prometer ser, os combatentes do Talibã não sentiriam nenhuma obrigação de seguir o que foi acordado.
Logo depois das tropas americanas, britânicas e ocidentais começarem a se retirar, os combatentes do Talibã em todo o Afeganistão começaram a atuar. Relatos de prisioneiros sendo executados geraram uma atmosfera de pânico cego em uma cidade após a outra, até que a própria Cabul sucumbiu e oficiais e soldados lutavam para deixar o país através do aeroporto.
Afegãos formaram filas no serviço de emissão de de passaportes antes da tomada de Cabul
Getty Images via BBC
Talvez o Talibã cumpra os termos do acordo e siga as promessas que tem feito para acalmar os ânimos, prometendo não se vingar de ninguém e apelando à polícia, aos militares e aos servidores públicos para que permaneçam no cargo.
Eles podem achar que é mais seguro não provocar o Ocidente e levar a uma segunda intervenção.
Mas que tipo de país será o Afeganistão controlado pelo Talibã desta vez?
A única referência que temos é o período de cinco anos a partir de 1996, quando (em questão de poucos dias – é assim que essas coisas acontecem no Afeganistão) o Talibã expulsou o governo mujahidin moderado controlado por Ahmad Shah Massoud.
Talibã: entenda as caraterísticas e quem controla o grupo extremista
Passei muito tempo no Afeganistão durante o período em que o Talibã estava no poder e foi uma experiência profundamente assustadora.
A Sharia (lei religiosa) em suas formas mais violentas estava em vigor no país todo. Execuções públicas, apedrejamentos e chicotadas eram comuns.
Gangues paramilitares circulavam nas ruas, atacando homens que mostravam os tornozelos ou usavam qualquer tipo de roupa ocidental.
As mulheres só se aventuravam a sair se tivessem permissão por escrito dos homens e, é claro, tinham que usar a burca, que as cobria completamente.
Cabul passou por uma enorme transformação nos últimos anos
Getty Images via BBC
O ministro da saúde do Talibã, Mullah Balouch, reclamou para mim que a Cruz Vermelha Internacional recusou seu pedido de fornecer cirurgiões para cortar mãos e pés de ladrões condenados, então ele teve que fazer o trabalho pessoalmente; embora ele parecesse gostar bastante.
Trabalhar para a televisão era um pesadelo, porque registrar a imagem de qualquer ser vivo era expressamente proibido por motivos religiosos.
As livrarias eram regularmente revistadas em busca de ilustrações e qualquer livreiro culpado era açoitado.
Quando o regime começou, a maioria das pessoas fugiu da cidade e a maioria das lojas foi fechada.
O Talibã não podia pagar para importar petróleo, então as luzes mais fortes à noite eram as velas que as pessoas colocavam em suas janelas, e o barulho mais alto eram os latidos de matilhas de cães abandonados por seus donos nas ruas.
Depois do Talibã ter sido tirado do poder, no início dos anos 2000, a vida comercial floresceu em Cabul e em outras cidades, apesar de todos os fracassos dos sucessivos governos afegãos e de seus apoiadores ocidentais.
VÍDEO: Helicópteros sobrevoam Cabul enquanto o Talibã chega à capital afegã
O padrão de vida melhorou, carros lotavam as ruas antes vazias. As escolas floresceram, especialmente para as meninas. Sob o Talibã, a educação de meninas era expressamente proibida. A música, também banida pelo Talibã, explodiu em todos os lugares.
Hoje existem novos edifícios em todos os lugares e não se sabe o que vai acontecer com eles.
A última vez que estive no país não consegui nem encontrar o lugar por onde eu e meus colegas da BBC entramos na cidade em 2001; toda a área foi reconstruída.
A maioria dos afegãos deve considerar a recente vitória do Talibã uma catástrofe para eles e para seu país.
A principal questão agora é: o Talibã seguirá seus instintos e levará o Afeganistão de volta ao passado tão radicalmente quanto antes da libertação, há 20 anos? Ou será que eles aprenderam uma lição?

Fonte: G1 Mundo

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Sobe para 62 número de mortes causadas por enchentes na Turquia


Inundações e deslizamentos destruíram edifícios, fecharam estradas e cortaram a eletricidade em centenas de aldeias. Cerca de 2 mil pessoas foram evacuadas em toda região. Veículos danificados após enchentes na cidade de Ilisi, Turquia
Mehmet Emin Caliskan/Reuters
Ao menos 62 pessoas morreram por causa das enchentes na costa da Turquia neste domingo (15). Segundo autoridades locais, os esforços de busca e resgate para encontrar pessoas desaparecidas continuam.
As chuvas torrenciais atingiram as províncias de Bartin, Kastamonu e Sinop no Mar Negro na quarta-feira (11).
Vídeo: Imagens feitas com drone mostram resgate de mulher isolada em enchente na Turquia
Das 62 mortes registradas neste domingo, 52 foram na província de Kastamonu, 9 pessoas morreram em Sinop e uma em Bartin, notificou a Direção de Gestão de Desastres e Emergências (AFAD).
Mais de 2 mil pessoas foram evacuadas das áreas afetadas, algumas com a ajuda de helicópteros e barcos.
Enchentes no norte e incêndios no sul
As enchentes trouxeram o caos às províncias do norte da Turquia no momento em que as autoridades enfrentam incêndios florestais no sul do país.
Enchente destruiu várias cidades na região turca do Mar Negro
Mehmet Emin Caliskan/ Reuters
Lideranças políticas e associações pediram ao governo turco que tome medidas radicais para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, já que atribuem estes desastres à mudança climática.
Grécia e Turquia enfrentam situação crítica pelos incêndios
A Turquia não ratificou o Acordo de Paris sobre o Clima de 2015, que estabeleceu metas a serem atingidas para se conter o aquecimento global.

Fonte: G1 Mundo

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Premiê britânico diz que países não devem reconhecer o Talibã como novo governo afegão


Primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse esperar uma ‘posição unida’ da comunidade internacional para dialogar com o grupo extremista islâmico. Boris Johnson anunciou que o uso de máscaras e as regras de distanciamento não serão mais obrigatórios na Inglaterra
Reuters/BBC
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou neste domingo que nenhum país deverá reconhecer o Talibã como governo do Afeganistão.
O conservador disse ainda que está bastante claro que o país do Oriente Médio terá um novo governo em breve, após a retomada de Cabul pelos insurgentes e a fuga do presidente Ashraf Ghani.
“Não queremos que ninguém reconheça bilateralmente o Talibã”, disse Johnson em um pronunciamento em vídeo.
Ele afirmou esperar uma “posição unida” da comunidade internacional para dialogar com o grupo extremista islâmico.
“Queremos uma posição unida entre os que pensam da mesma forma, o tanto quanto pudermos”, disse o chefe do governo britânico.
Mais cedo, o governo da Rússia anunciou que ainda não reconhece os insurgentes do Talibã como a nova autoridade legal do Afeganistão, segundo a agência de notícias estatal RIA.
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Malala: ‘estou profundamente preocupada’
O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, deixou o país neste domingo (15), horas depois de o grupo extremista Talibã cercar Cabul, a capital do país.
O Talibã diz que tomou controle do palácio presidencial em Cabul após fuga de presidente Ghani. O grupo extremista defendia uma rendição pacífica do governo.
A tomada de Cabul pelos talibãs ocorre 20 anos depois de o grupo extremista ser expulso da capital afegã pelos Estados Unidos, que invadiram o país dias após os ataques de 11 de setembro de 2001, e em meio à retirada dos militares norte-americanos do país.
VÍDEOS: Talibã avança no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

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Talibã volta à capital do Afeganistão 20 anos após ser expulso pelos Estados Unidos


Grupo extremista islâmico defende uma rendição pacífica do governo afegão. O Talibã foi expulso da capital Cabul pelos Estados Unidos em 2001, dias após os ataques do 11 de setembro. Foto de 2001 mostra as forças da Aliança do Norte entrando em Cabul, na derrocada do regime Talibã
Shah Marai/AFP
O Talibã voltou, neste domingo (15), à capital do Afeganistão, Cabul, 20 após ser expulso pelas tropas dos Estados Unidos. A retomada da cidade ocorre em meio à retirada dos militares americanos do país.
Em 2001, os norte-americanos agiram contra o Talibã em reação aos ataques de 11 de setembro, se juntando à Aliança do Norte, uma organização desenvolvida pelo Afeganistão para unir a população e combater o grupo extremista.
Naquela época, o Talibã, então liderado por Mohammed Omar, controlava 90% do Afeganistão, embora nunca tenha sido reconhecido como governo pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os únicos países que reconheciam a autoridade dos talibãs eram Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Paquistão.
O então presidente americano, George W. Bush, foi quem ordenou a invasão do país depois que o os talibãs se recusaram a entregar Osama bin Laden, o arquiteto do atentado às Torres Gêmeas. Bin Laden morreu em 2011, em uma operação dos Estados Unidos no Paquistão, já no governo de Barack Obama.
O Paquistão e Arábia Saudita se tornaram aliados regionais dos EUA, e os talibãs passaram à luta armada contra os americanos e o novo governo afegão constituído.
Segundo a ONU, mais de 100 mil civis foram mortos ou feridos no conflito apenas na última década. Desde o início dos conflitos, os EUA gastaram mais de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,2 trilhões) em despesas militares no Afeganistão.
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Soldados da Otan guardam local de confronto com grupo talibã em março de 2013.
Omar Sobhani / Reuters
Acordo de trégua
Ainda no governo de Barack Obama, alguns prazos foram estipulados para a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão.
A princípio, até janeiro de 2017, data da troca de presidentes nos Estados Unidos, o país não teria mais soldados em território afegão. Contudo, na época, Obama declarou que o Afeganistão não estava pronto ainda para a retirada completa das tropas e apenas reduziu o contingente para 9 mil militares.
Sob o governo de Donald Trump, os americanos e o Talibã assinaram em fevereiro de 2020 um acordo que previa a retirada completa, em 14 meses, das tropas americanas e da Otan do território afegão.
Abdul Ghani Baradar, líder da delegação do Talibã, e Zalmay Khalilzad, enviado dos EUA para a paz no Afeganistão, se cumprimentam depois de assinar acordo em Doha, no Catar, em 29/02/2020.
Ibraheem al Omari/Reuters
A retirada das tropas americanas do Afeganistão dependia do cumprimento, pelo Talibã, de compromissos previstos no acordo – como não permitir que a Al-Qaeda ou qualquer outro grupo extremista opere em áreas controladas por ele.
Os talibãs também se comprometeram a não enfrentar tropas estrangeiras, mas seguiu com ações contra o exército afegão durante este período.
Durante a gestão de Joe Biden, o governo americano anunciou uma mudança no cronograma de saída das tropas: a retirada completa das tropas ocorreriam não mais até 1º de maio, mas sim em setembro de 2021.
Em julho deste ano, os soldados dos Estados Unidos deixaram a base aérea de Bagram e entregaram o espaço para a administração do governo afegão.
Apesar de um número não identificado de militares ainda permanecer no país, a ação marcou o fim dos quase 20 anos de guerra desde os atentados de 11 de setembro de 2001.
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Cronologia recente do avanço talibã
14 de abril – O presidente Joe Biden anuncia que as tropas dos EUA se retirarão do Afeganistão a partir de 1º de maio.
4 de maio – os combatentes do Talibã lançam uma grande ofensiva contra as forças afegãs na província de Helmand, no sul. Eles também atacam em pelo menos seis outras províncias.
11 de maio – O Talibã toma o distrito de Nerkh nos arredores da capital, Cabul, enquanto a violência se intensifica em todo o país.
2 de julho – as tropas americanas saem silenciosamente de sua principal base militar no Afeganistão, a base aérea de Bagram, a uma hora de carro de Cabul. Isso efetivamente termina com o envolvimento dos EUA na guerra.
5 de julho – O Talibã afirma que poderia apresentar uma proposta de paz por escrito ao governo afegão já em agosto.
21 de julho – Os insurgentes do Talibã controlam cerca de metade dos distritos do país, de acordo com o general dos EUA, destacando a escala e a velocidade de seu avanço.
14 de agosto – O Talibã toma a maior cidade do norte, Mazar-i-Sharif, e, com pouca resistência, Pul-e-Alam, capital da província de Logar, apenas 70 km ao sul de Cabul.
15 de agosto – O Talibã toma a cidade de Jalalabad, no leste, sem lutar. Os insurgentes cercam a capital Cabul.
Afegãos fogem para o Paquistão após avanço do Talibã
Veja fotos da volta do Talibã a Cabul
Presidente do Afeganistão deixa o país
O que é o Talibã?
O Talibã surgiu em um momento de lutas internas dentro do país. Voltando um pouco no tempo: o Afeganistão foi unificado em 1747 e foi motivo de briga entre os impérios britânico e russo até sua completa independência, em 1919.
Após experimentar a democracia, um golpe em 1973 inaugurou um período de conflitos que dura até hoje no país. Em 1978, um contragolpe comunista estabeleceu a República Democrática do Afeganistão.
De olho no país, a ex-União Soviética invadiu o território no ano seguinte, com 30 mil homens e ajudou os comunistas numa luta ferrenha contra os rebeldes tribais muçulmanos. O número de soviéticos no país chegou a 115 mil, e, nessa época, muitos refugiados foram para o Paquistão e para o Irã.
As guerrilhas rebeldes, conhecidas como Mujahideen (‘santos guerreiros’), não estavam unidas, e de nada adiantava a ajuda em armas e dinheiro enviada pelos EUA aos guerreiros, que estavam concentrados em sua maioria no Paquistão.
A saída dos soviéticos ocorreu em 1989, mas as diferenças entre os grupos fizeram com que a guerra civil continuasse. Em 1992, os Mujahideen tomaram o poder, e um acordo permitiu a governança até 1994, quando a crise entre as diferentes facções guerreiras explodiu novamente.
Ao mesmo tempo, no sul do Afeganistão, surgiu um outro grupo militante, liderado por Mullah Mohammed Omar e que envolvia aprendizes do Islã sunita que pegavam em armas: o Talibã.
Ele logo conquistou as cidades de Kandahar e Charasiab.
Com financiamento paquistanês, eles foram derrotados na primeira tentativa de conquistar Cabul, mas continuaram os bombardeios à cidade, tomando-a por completo em setembro de 1996 e impondo um governo islâmico radical no país.
VÍDEO: O avanço do Talibã no Afeganistão
Apogeu e convivência com a al-Qaeda
Num país assolado por anos seguidos de guerras, a rigidez do Talibã trouxe uma certa calmaria à região. A maioria dos líderes tribais havia sido derrotada, e seus líderes foram enforcados. A população foi desarmada, e as ruas foram desbloqueadas, facilitando o comércio.
O grupo aplicou no país uma interpretação rígida da Sharia, a lei islâmica. Logo as escolas de meninas foram fechadas, e as mulheres foram proibidas de deixar suas casas até para fazer compras. Fontes de entretenimento como música, TV e esportes também foram banidas.
O Talibã proíbe música, maquiagem e proíbe que as meninas de 10 anos ou mais vão à escola
Getty Images via BBC
A aproximação com o líder da rede terrorista da al-Qaeda, Osama bin Laden, não tardou. A princípio um opositor do Talibã, Bin Laden mudou de lado após um encontro com Mullah Mohammed Omar em 1996. Com o apoio de Omar, sua al-Qaeda estava segura para agir no Afeganistão.
Talibã avança no Afeganistão; veja vídeos

Fonte: G1 Mundo

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Sob o comando do Talibã, o Afeganistão retorna aos seus dias mais sombrios


Retirada americana acelerou o colapso do governo afegão, que já era visto como inevitável. Membros do Talibã na província de Laghman, Afeganistão, em 15 de agosto de 2021
AFP
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Vinte anos após ser expulso por tropas lideradas pelos Estados Unidos sob a insígnia da Otan, o Talibã retornou vitorioso à capital Cabul, numa meteórica e bem-sucedida operação para retomar o controle das principais cidades do Afeganistão.
Diante da inevitável rendição das tropas do governo, dos relatos de fuga do presidente Ashraf Ghani e da inevitável transferência de poder, fica a pergunta: o que os EUA, o Ocidente e os civis afegãos ganharam com essa intervenção?
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Malala: ‘estou profundamente preocupada’
Ao longo de duas décadas, quatro governos dos EUA mobilizaram um contingente de 98 mil militares no país e investiram US $83 bilhões apenas para treinar e equipar as forças de segurança afegãs. Até optar, durante o governo Trump, pela retirada das tropas do país.
VÍDEO: O avanço do Talibã no Afeganistão
Com todas as diferenças evidenciadas em relação ao antecessor, o presidente Joe Biden coincidiu nesse ponto, ao reforçar a retirada total até 31 de agosto. Senador, ele apoiou a invasão americana ao país, como retaliação aos 3 mil mortos nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
Afeganistão: Retirada dos EUA foi pior decisão de Biden?
Vice-presidente nos oito anos do governo Obama, Biden viu a missão do Afeganistão como ineficaz e foi defensor da saída.
Na campanha reforçou a tese de que as forças armadas dos EUA não têm capacidade “para resolver os problemas internos do mundo”. Empossado presidente, em abril ele confirmou a retirada das tropas, baseado num acordo firmado ano passado entre o governo Trump e o Talibã.
O grupo insurgente prometia a paz em troca da saída dos EUA do país. Não foi o que ocorreu. Sem respaldo e legitimidade, naufragado em denúncias de corrupção, o governo afegão sucumbiu rapidamente.
Talibã patrulha cidade de Ghazi, perto de Cabul, no Afeganistão, nesta quinta-feira (12)
Gulabuddin Amiri/AP Photo
O caos se acelerou depois que os militares americanos deixaram o Afeganistão. O colapso do governo afegão já era previsto pelo Pentágono, mas a sua velocidade surpreendeu até os mais pessimistas.
Em uma semana, bastiões como Kandahar, Herat, Mashar al Sharif e Jalalabad se renderam. As forças afegãs debilitadas, sem apoio financeiro, simplesmente desistiram. Soldados famintos ou amedrontados entregaram armas ou debandaram para o lado talibã.
O governo americano enviou reforço de cinco mil militares para proteger a saída de seus cidadãos que ainda estão em território afegão. Diante da deterioração, o secretário de Estado, Anthony Blinken, descartou qualquer comparação com o fim da Guerra do Vietnã.
“Isto não é Saigon”, assegurou à CNN, alegando que os EUA cumpriram a missão de levar os responsáveis pelos ataques do 11 de Setembro à Justiça.
A despeito dos danos dessa longa intervenção à imagem dos EUA, 20 anos depois, o Afeganistão está de volta à sua era mais sombria: a de Estado falido comandado por um grupo radical que submete cidadãos ao regime de terror para impor a sua versão da lei islâmica.
VÍDEOS: Talibã avança no Afeganistão

Fonte: G1 Mundo

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Afeganistão: Retirada dos EUA foi pior decisão de Biden?


Decisão de presidente americano Joe Biden de retirar tropas do Afeganistão pode ser a mais importante de sua presidência, escreve Jon Sopel. Foto de 2009 mostra soldados dos EUA no Afeganistão
Manpreet Romana/AFP
O que poderia dar errado com a decisão de Joe Biden de retirar as tropas dos EUA do Afeganistão em 11 de setembro de 2021, exatamente 20 anos após o ataque às Torres Gêmeas?
Nos EUA de hoje em dia, muitas vezes existe a sensação de que tudo leva ao 11 de setembro, o evento mais marcante — e doloroso — desde Pearl Harbor, o ataque surpresa dos japoneses no Pacífico, que terminaria com os Estados Unidos se envolvendo na Segunda Guerra Mundial.
Ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro
The New York Times/Reprodução
E foi assim que o 11 de setembro levou à guerra mais longa que este país já travou na história. O ataque às Torres Gêmeas, o avião que se chocou contra o Pentágono e o que caiu em um campo da Pensilvânia insuflaram o nacionalismo americano.
Os jovens — na verdade, pessoas de todas as idades — compareceram em grande número às unidades de recrutamento para se alistar. Os Estados Unidos foram atacados; esses patriotas queriam lutar para defender o país, a “terra da liberdade”, e se vingar daqueles que queriam prejudicar os Estados Unidos.
E não confunda isso com uma espécie de chauvinismo irracional. Não foi isso. Conheci muitas pessoas — não apenas americanos — que, embora tivessem uma mente liberal e não fossem grandes fãs de tudo que a América fazia, tinham a sensação de que aquele era o momento de “vestir a camisa” do país.
Membros do Talibã na província de Laghman, Afeganistão, em 15 de agosto de 2021
AFP
Não havia meio-termo. Ou você estava do lado do Estado de Direito, eleições livres e justas, da legalidade, da igualdade de gênero e da educação universal ou você estava do lado daqueles que jogavam aviões contra prédios, apedrejavam pessoas até a morte, jogavam homossexuais de prédios e negavam educação para meninas.
Se isso soa como uma simplificação exagerada, talvez seja, mas quando aconteceu o 11 de setembro, foi assim que muitos americanos o encararam.
De cruzada nacional a “guerras sem fim”
Mas em 2016 as guerras exacerbadas pelo nacionalismo já haviam perdido sua força.
E foram um dos fatores que levaram à eleição de Donald Trump: o cansaço das “guerras sem fim”, que era como o candidato Trump se referia ao atoleiro em que se tornaram os conflitos no Afeganistão e no Iraque naquela época.
Foto de arquivo mostra soldado afegão em guarda na província de Logar, em foto de 2016
Omar Sobhani/Reuters/Arquivo
Os americanos, compreensivelmente, queriam levantar a ponte levadiça: trazer as tropas para casa, deixar o povo desses países resolver seus próprios problemas e, finalmente, desistir da ideia de que o modelo americano de democracia liberal era um produto exportável que poderia ser imposto. A cruzada liberal intervencionista acabou.
Trump, se tivesse vencido em novembro passado, provavelmente teria retirado as tropas americanas mais rapidamente. Joe Biden espera cumprir a promessa de Trump.
Foto de arquivo – Donald Trump em 2018 durante demonstração com as tropas da 10ª Divisão de Montanha do Exército dos EUA
Carlos Barria/Reuters/Arquivo
Mas, em termos políticos, a coisa mais pragmática teria sido continuar a preencher cheques para pagar a estadia dos militares americanos no Afeganistão por mais um ano. E depois outro. E talvez mais outro.
A pressão política para a retirada das tropas americanas do país não foi esmagadora. Funcionários do alto escalão de defesa, o establishment da política externa e os aliados dos EUA no exterior pensaram que qualquer coisa diferente do status quo no Afeganistão seria imprudente.
Mas uma pergunta atormentou a mente do novo presidente Biden, e foi a feita por Hilel, o Ancião, nos tempos bíblicos: “Se não for agora, quando?”
Biden — que em 2009 aconselhou o presidente Barack Obama a não enviar mais tropas — se decidiu por ora. E retirará as tropas do Afeganistão. E essa pode muito bem ser a decisão mais importante de sua presidência.
O então presidente dos EUA, Barack Obama, ouve seu vice-presidente, Joe Biden, durante evento na Casa Branca, em foto de 13 de dezembro de 2016
AP Foto/Carolyn Kaster
20 anos… perdidos?
Quando o ataque às Torres Gêmeas aconteceu, era correspondente da BBC em Paris e estava no norte da França a caminho de um centro de refugiados que viajavam ao Reino Unido. Estava dirigindo em direção a Calais quando recebi um telefonema de um colega me dizendo para parar no posto de gasolina mais próximo para assistir à TV e ver o que estava acontecendo.
Não sabíamos o que aconteceria a seguir ou onde iríamos parar. Um ano depois do otimismo do novo milênio, uma nova história se escrevia diante dos nossos olhos e ela não era exatamente feliz: a guerra contra o terrorismo, um choque de civilizações. Chame do que quiser.
Vale a pena lembrar por que os Estados Unidos, o Reino Unido e outros países invadiram o Afeganistão. O Talebã, na verdade, se tornou uma escola para islâmicos que queriam travar a Jihad (guerra islâmica) contra o Ocidente.
Ataque às Torres Gêmeas
Os aspirantes à Al Qaeda se dirigiam ao país para treinar para a guerra santa. Os terroristas do 11 de setembro aprimoraram suas habilidades e traçaram seu plano por lá. A eliminação do Talebã e a luta contra a Al Qaeda tornaram-se elementos essenciais para a segurança mundial.
Os afegãos sofreram o maior impacto com o conflito, com milhares de mortes
Reuters via BBC
Poucas semanas depois do 11 de setembro, estava no norte do Afeganistão. Seguimos com as tropas da Aliança do Norte, apoiadas pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, enquanto a coalizão internacional expulsava o Talibã do poder.
Passamos o primeiro dia viajando de Khoja Bahauddin, então sede da Aliança do Norte, por uma estrada onde o Talibã havia matado vários jornalistas em uma emboscada dois dias antes.
Depois de uma noite, acabamos em uma cidade chamada Taleqan. O Talibã havia perdido o controle do local na noite anterior à nossa chegada. Uma das fotos emblemáticas era a de uma sala de aula de uma escola para meninas que havia se tornado um depósito de armas para os foguetes do grupo extremista, que em sua retirada apressada seus militantes deixaram para trás.
A última fortaleza do Talibã na época era Kunduz, um corredor de comunicação vital entre as cidades de Cabul e Mazar-i-Sharif, e a fronteira com o Uzbequistão ao norte.
Agora, tanto Taleqan quanto Kunduz estão de volta sob o controle do Talibã, e o grupo cerca Cabul, preparando-se para dominar a totalidade do país.
E isso representa um dilema muito incômodo para Joe Biden e sua política “se não agora, quando?”.
Vinte anos depois, com tantas vidas perdidas e tantos bilhões de dólares gastos, para que serviu? O que foi alcançado? O que você diz às famílias de todos aqueles soldados mortos pelo Talebã? Que os Estados Unidos agora se rendem?
O que vai impedir os grupos extremistas de restabelecer seus campos de treinamento de jihad? Na audiência do Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira passada, foi relatado que até 20 grupos diferentes de extremistas, envolvendo milhares de combatentes estrangeiros, já estão lutando com as forças do Talebã.
Uma segunda guerra no Afeganistão?
Tenho certeza de que, enquanto escrevo isto, mais famílias de civis afegãos estarão empacotando seus pertences com medo do que significará o controle do Talibã, talvez indo para o norte da França e depois para o Reino Unido. As escolas femininas voltarão a ser depósitos de armas?
População do Afeganistão atravessam uma barreira de segurança ao cruzar a fronteira, em Chaman, Paquistão.
ASSOCIATED PRESS
As cicatrizes do 11 de setembro são evidentes em todos os lugares: milhares de militares voltaram para casa com próteses e mentes perturbadas. As taxas de suicídio aumentaram. Famílias perderam entes queridos. Nas ruas dos Estados Unidos há homens com copos de plástico vermelho pedindo esmolas, muitos deles segurando cartazes dizendo que são veteranos do Iraque e do Afeganistão.
O desejo de ir para casa e se isolar de um mundo conturbado é totalmente compreensível. Não foi em vão que o slogan “América em primeiro lugar” teve tanta ressonância.
Também há uma diferença entre impor sua vontade como polícia do mundo e ser um guardião da paz. Milhares de soldados americanos ainda estão estacionados na Coreia do Sul, embora a Guerra da Coreia tenha ocorrido há 70 anos. Os presidentes americanos parecem ter aprendido que uma paz tensa é melhor do que uma guerra em andamento ou uma região desestabilizada.
Joe Biden esperava que sua decisão levasse a manchetes como “A guerra do Afeganistão acabou” ou “A guerra mais longa dos Estados Unidos acabou”.
O que poderia dar errado? Após 20 anos, e com a retomada do controle pelo Talibã, os historiadores poderão dizer no futuro que o 20º aniversário do ataque às Torres Gêmeas marcou o início de uma segunda guerra no Afeganistão?

Fonte: G1 Mundo

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Número de mortos no Haiti passa de 700

Forte terremoto atingiu o Haiti no sábado (14); equipes buscam por sobreviventes. Ao menos 724 pessoas morreram no forte terremoto no Haiti, informou as autoridades neste domingo (15), atualizando o número de vítimas da catástrofe.
De acordo com a agência de notícias France Presse, outras 2.800 pessoas ficaram feridas no tremor de magnitude 7,2 que ocorreu na manhã de sábado (14).

Fonte: G1 Mundo

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Afeganistão: Talibã volta a Cabul; veja imagens


O grupo extremista chegou neste domingo à capital. O grupo defende uma rendição pacífica do governo. O presidente, Ashraf Ghani, deixou o país. O Talibã chegou neste domingo (15) à capital afegã, Cabul, informou o Ministério do Interior do Afeganistão. O grupo terrorista defende uma rendição pacífica do governo afegão.
Após a tomada das demais grandes cidades do país, caso da Jalalabad, que ainda estavam sob controle afegão, e os Estados Unidos esvaziar a sua embaixada no território, o presidente do país, Ashraf Ghani, embarcou para o Tajiquistão, que faz fronteira com o sul do Afeganistão, de acordo com um alto oficial do Ministério do Interior afegão à agência de notícias Reuters.
A retorno do Talibã a Cabul ocorre 20 anos depois de o grupo extremista ser expulso da capital pelos Estados Unidos, que invadiram o país dias após os ataques de 11 de setembro de 2001.
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Veja fotos da volta do Talibã a Cabul:
Membros do Talibã na província de Laghman, Afeganistão, em 15 de agosto de 2021
AFP
Homem cobre de tinta fotos de mulheres pintadas em muro de Cabul
Lotfullah Najafizada/Twitter
Pepolação afegã espera por horas em filas para tentar sacar dinheiro na frente do Banco de Cabul.
ASSOCIATED PRESS
O comercio de Cabul, capital do Afeganistão, fechado, enquanto a população espera em fila para sacar dinheiro no banco
ASSOCIATED PRESS
Pessoas chegam para tentar cruzar a fronteira com o Afeganistão, em uma passagem com Chaman, no Paquistão.
ASSOCIATED PRESS
População do Afeganistão atravessam uma barreira de segurança ao cruzar a fronteira, em Chaman, Paquistão.
ASSOCIATED PRESS
Soldado afegão patrulha em um veículo militar na capital Cabul
REUTERS/Stringer
Pessoas se encaminham ao aeroporto de Cabul, no Afeganistão.
REUTERS/Stringer
População afegã atravessa a fronteira
Reuters
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Afegãos fogem para o Paquistão após avanço do Talibã
Talibã avança no Afeganistão:

Fonte: G1 Mundo

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Talibã avança no Afeganistão: VÍDEOS

Fonte: G1 Mundo

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VÍDEOS: grupo extremista Talibã cerca Cabul, capital do Afeganistão

Fonte: G1 Mundo