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Terremoto no Haiti: Itamaraty diz que, por ora, não há registro de vítimas brasileiras

Segundo Ministério das Relações Exteriores, comunidade brasileira no Haiti é estimada em 50 pessoas. Tremor de magnitude 7,2 deixou mais de 300 mortos no país caribenho. VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que, até a noite deste sábado (14), não havia registro de brasileiros entre as vítimas do terremoto de magnitude 7,2 que atingiu o Haiti.
De acordo com o balanço mais recente da defesa civil haitiana, pelo menos 304 pessoas morreram em decorrência do tremor. As cidades de Cayes e Jérémie, no sudoeste da ilha, foram as mais afetadas. Autoridades locais dizem que centenas de haitianos estão soterrados ou desaparecidos.
Em nota, o Itamaraty afirmou que a comunidade brasileira no Haiti é de aproximadamente 50 pessoas, a maioria religiosos. No documento, o governo brasileiro manifesta solidariedade ao povo haitiano e diz ter compromisso com “a continuidade da ajuda humanitária” ao país caribenho.
O Ministério das Relações Exteriores afirma ainda que acompanha a situação por meio da embaixada brasileira em Porto Príncipe, capital haitiana.
Brasileiro no Haiti: “Sensação na capital é de muita apreensão”
Nota
Leia a íntegra da nota divulgada, por volta das 20h deste sábado, pelo Itamaraty sobre o terremoto no Haiti:
Ao tomar conhecimento com consternação do terremoto que atingiu o Haiti na manhã deste sábado, 14 de agosto, o governo brasileiro manifesta sua solidariedade ao povo haitiano e reafirma seu firme compromisso com a continuidade da ajuda humanitária prestada àquele país.
Até o momento, não há registro de brasileiros vitimados pelo abalo sísmico. A comunidade brasileira no Haiti é estimada em 50 pessoas, a maioria de religiosos.
O Itamaraty seguirá acompanhando a situação por meio da Embaixada em Porto Príncipe. Os telefones de plantão daquela Embaixada (+509 31629513) e, no Brasil, da Divisão de Assistência Consular do MRE (+55 61 8197-2284) estão abertos para informações e esclarecimentos a familiares de brasileiros no Haiti.

Fonte: G1 Mundo

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Talibã toma principal cidade do norte do Afeganistão e fecha cerco à capital Cabul

Mazar-i-Sharif é a quarta maior cidade do país, e onde vivem cerca de 500 mil pessoas; em Cabul, homens já deixam barbas crescer e mulheres temem perda de direitos. Joe Biden autorizou o enviou de mais tropas para auxiliar na retirada emergencial dos norte-americanos que ainda estão no país e também de aliados estrangeiros. VÍDEO: O avanço do Talibã no Afeganistão
O Talibã tomou neste sábado (14) Mazar-i-Sharif, grande cidade do norte do Afeganistão, “sem encontrar grande resistência”, o que representa um grande passo para a ofensiva dos insurgentes que se estende por todo o país e ameaça a capital Cabul.
Entre as maiores cidades do país, o governo agora controla apenas Cabul e Jalalabad.
Na quinta-feira, o grupo tomou Kandahar e Herat, segunda e terceira maiores cidades do país.
Norte e Sul
Mazar-i-Sharif, no norte, é a quarta maior cidade do país, e onde vivem cerca de 500 mil pessoas. “Os combatentes tomaram Mazar-i-Sharif e todos os edifícios oficiais estão sob seu controle”, garantiram os talibãs em comunicado.
O marechal Abdul Rashid Dostom, ex-vice-presidente afegão, e Atta Mohammad Nur, ex-governador da região de Balj, cuja capital é Mazar-i-Sharif, que haviam tomado o comando da resistência local diante do avanço talibã, fugiram para o vizinho Uzbequistão, segundo pessoas próximas.
Algumas horas antes, uma importante cidade no sul também foi tomada pelo Talebã: Pul-e-Alam, – capital da província de Logar –, a 70km de Cabul.
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Os insurgentes estão a apenas 50 km da capital e não dão sinais de que vão diminuir o passo. Neste sábado, também tomaram a província de Kunar, no leste do país, e logo poderão se aproximar da capital pelo norte, sul e leste.
Mas também neste sábado, o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, garantiu que o combate contra o Talibã continuava.
“A remobilização de nossas forças de segurança e defesa é nossa prioridade número um e medidas sérias estão sendo tomadas para esse fim”, disse Ghani, em um discurso à Nação.
Ele não fez alusão, porém, a uma possível renúncia, exigida por alguns, mas especificou que tinha iniciado “consultas” dentro do governo, com dirigentes políticos e parceiros internacionais, para encontrar “uma solução política em que a paz e a estabilidade” sejam preservadas.
Horas depois, o governo declarou que irá formar uma delegação que “estará pronta para negociar”.
Paralelamente, o governo do Catar, emirado que tem sido sede de negociações infrutíferas entre talibãs e autoridades afegãs há meses, pediu aos insurgentes “um cessar-fogo, o que contribuiria para acelerar os esforços para alcançar um acordo político integral que garanta um futuro próspero ao governo e ao povo afegão”.
Crescer a barba por precaução
As ruas da capital se mostraram movimentadas neste sábado, mas longas filas se formam do lado de fora dos bancos, e alguns homens disseram à agência France Presse que começaram a deixar a barba crescer, em antecipação à chegada iminente do Talibã na cidade.
Muitos afegãos – mulheres em particular -, acostumados com a liberdade de que desfrutaram nos últimos 20 anos, temem um retorno ao poder do Talibã.
Quando governou o país entre 1996 e 2001, antes de ser expulso do poder por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, o Talibã impôs sua versão ultraconservadora da lei islâmica.
As mulheres eram proibidas de sair sem um acompanhante masculino e de trabalhar, e as meninas de ir à escola. Mulheres acusadas de crimes como adultério eram açoitadas e apedrejadas até a morte.
“É particularmente horrível e doloroso ver os direitos duramente conquistados de meninas e mulheres afegãs sendo retirados delas”, disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, na sexta-feira.
Tropas extras dos EUA e retirada de estrangeiros
Neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, autorizou o enviou de mais tropas para auxiliar na retirada emergencial dos norte-americanos que ainda estão no país e também de aliados estrangeiros.
No total serão 5 mil soldados: mil que já estão lá, mil que serão deslocados do Kwait para o Afeganistão e 3 mil que já estão a caminho, segundo o Pentágono.
O Reino Unido anunciou também a redistribuição de 600 soldados para ajudar os britânicos a partir.
Vários países – Holanda, Finlândia, Suécia, Itália e Espanha – também anunciaram na sexta-feira a redução ao mínimo de sua presença no país, bem como programas de repatriação para seus funcionários afegãos.
Outros, incluindo Noruega e Dinamarca, preferiram fechar temporariamente suas embaixadas.
Neste sábado, o governo alemão informou que o exército ajudará a evacuar a embaixada da Alemanha em Cabul e seus funcionários “que precisam de proteção da Alemanha”. A sede diplomática será reduzida ao mínimo necessário, segundo essas fontes.
‘Não aceitável’
No comunicado em que divulgou a autorização do envio das tropas, Biden reafirmou sua decisão de retirar os militares dos EUA do país e afirmou que não acha “aceitável” uma presença sem fim em um conflito externo.
“Durante os 20 anos de guerra de nosso país no Afeganistão, os Estados Unidos enviaram seus melhores jovens, investiram quase US$ 1 trilhão, treinaram mais de 300 mil soldados e policiais afegãos, equiparam-nos com equipamento militar de última geração e mantiveram sua Força Aérea como parte da guerra mais longa da história dos EUA, disse.
“Mais um ano, ou mais cinco anos, de presença militar dos EUA não teria feito diferença se os militares afegãos não pudessem ou não quisessem manter seu próprio país”, acrescentou Biden.
“Quando cheguei ao cargo, herdei um acordo feito por meu antecessor – ele convidou o Talebã para discutir em Camp David na véspera de 11 de setembro de 2019 – o que deixou o Talebã em sua posição militar mais forte desde 2001 e impôs um prazo de 1º de maio 2021 para a retirada das forças dos EUA. Pouco antes de deixar o cargo, ele também reduziu as forças dos EUA a um mínimo de 2.500”, lembrou.
“Portanto, quando me tornei presidente, enfrentei uma escolha – cumprir o acordo, com uma breve extensão para retirar nossas forças e as forças de nossos aliados com segurança, ou aumentar nossa presença e enviar mais tropas americanas para lutar novamente em outro conflito civil do país”, ressaltou.
“E uma presença americana sem fim no meio do conflito civil de outro país não era aceitável para mim”, afirmou Biden. “Fui o quarto presidente a comandar uma presença de tropas americanas no Afeganistão – dois republicanos e dois democratas. Eu não iria, e não irei, passar esta guerra para um quinto”, concluiu.

Fonte: G1 Mundo

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Haitiana no Brasil relata desespero da família ao saber de terremoto e não conseguir contato com irmão: ‘Ele perdeu o celular enquanto corria’


Franceline Lorgeant, moradora de Várzea Paulista (SP), diz que o irmão ficou sem contato por horas após perder o celular enquanto corria do terremoto, mas conseguiu se salvar. Tremor de magnitude 7,2 foi sentido também na República Dominicana, Jamaica e Cuba. Casas ficaram destruídas após terremoto no Haiti
Arquivo pessoal/Franceline Lorgeant
A haitiana Franceline Lorgeant, moradora de Várzea Paulista, interior de São Paulo, relatou ao G1 que a família ficou desesperada por não conseguir contato com o irmão após o terremoto de magnitude 7,2, registrado neste sábado (14) no Haiti, de acordo com um balanço preliminar divulgado pela defesa civil do país.
Segundo Franceline, seu irmão trabalha em Jérémie, região sul do Haiti, de segunda-feira a sábado. Quando a família ficou sabendo do terremoto com mais de 200 mortos, tentou contato pelo telefone por horas, mas sem sucesso.
“Ele falou para a gente que saiu para poder resolver um negócio antes de ir embora da cidade, e na hora de voltar para a casa, aconteceu o terremoto e tudo caiu. Ficamos desesperados. “, diz.
Franceline Lorgeant contou ao G1 que a família ficou desesperada ao perder contato com o irmão, que mora no Haiti
Reprodução/TV TEM
Foi então que no fim da tarde o irmão entrou em contato e explicou que havia perdido o celular durante a fuga para se salvar do terremoto. Agora, a haitiana diz que se sente aliviada de saber que o irmão está bem.
“Ele ficava no terceiro andar de uma casa casa enquanto trabalhava e perdeu tudo. Graças a Deus ele só machucou o pé. Ele perdeu o celular enquanto corria e as coisas que estavam na casa, mas ele está bem”, completa.
VÍDEO: Veja imagens da destruição causada por terremoto no Haiti
Terremoto
Parte de edifício desabou em Jeremie, no Haiti, devido ao terremoto
JComHaiti/cortesia via Reuters
O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, decretou estado de emergência por 30 dias. Henry lamentou as mortes e disse, em nota, que já mobilizou recursos do governo para dar apoio às vítimas.
“Meus sentimentos aos parentes das vítimas deste sismo que gerou tantas perdas de vidas humanas e materiais em vários departamentos [equivalente a estados] do país”, escreveu Henry.
“Faço um apelo ao espírito de solidariedade e compromisso de todos os haitianos, a fim de nos unirmos para enfrentar esta situação dramática que vivemos”, seguiu o mandatário. “A união faz a força.”
Terremoto de magnitude 7,2 afeta Haiti
Fernanda Garrafiel / Arte G1
O forte tremor pôde ser sentido também na República Dominicana, Cuba e Jamaica, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, da sigla em inglês).
Segundo a agência americana, não há mais riscos de tsunami na região. Mais cedo, as autoridades chegaram a emitir um alerta para maremotos, mas foi retirado.
O presidente norte-americano, Joe Biden, autorizou ajuda imediata ao Haiti e designou para a função Samantha Power, diretora da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês).
Igreja em Les Cayes ficou destruida após terremoto no Haiti neste sábado (14)
Delot Jean/AP
O epicentro do terremoto foi identificado a 8 km da cidade de Petit Trou de Nippes (no oeste da ilha), a cerca de 150 km da capital Porto Príncipe, e a uma profundidade de 10 km.
Um terremoto levemente maior que o ocorrido em 2010, de magnitude 7,0 — diferença de 0,2 na Escala Richter —, que deixou cerca de 300 mil mortos e 1,5 milhão de pessoas desabrigadas. A expectativa é que o tremor atual não tenha o mesmo impacto do de 2010, que teve seu epicentro muito mais próximo de Porto Príncipe, a parte mais povoada do Haiti, a uma distância de apenas 25km.
Veja mais notícias da região no G1 Sorocaba e Jundiaí
*Sob supervisão de Paola Patriarca
VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Fonte: G1 Mundo

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Eremita sérvio se vacina e incentiva outros a seguirem seu exemplo


Panta Petrovic se mudou para uma pequena caverna há quase 20 anos, e faz poucas visitas à cidade. Ele soube da pandemia no ano passado e se vacinou assim que descobriu que poderia fazê-lo: O vírus ‘não escolhe, também vai chegar aqui…Quero receber as três doses (da vacina), incluindo a adicional’, diz. Panta Petrovic come em sua caverna perto da cidade de Pirot, em foto de 9 de agosto
Oliver Bunic/AFP
Quase 20 anos atrás, Panta Petrovic transformou o distanciamento social em seu estilo de vida, ao se mudar para uma pequena caverna na Sérvia para evitar o contato com a sociedade.
No ano passado, em uma de suas visitas à cidade, o homem com tranças e barba comprida descobriu que havia uma pandemia. Ele se vacinou assim que soube das vacinas contra a Covid-19 e agora pede que todos façam o mesmo.
O vírus “não escolhe, também vai chegar aqui, na minha caverna”, disse o homem de 70 anos à agência France Presse na montanha de Stara Planina, no sul da Sérvia.
Panta Petrovic deixa sua cama improvisada em sua caverna perto da cidade de Pirot, em foto de 9 de agosto
Oliver Bunic/AFP
A caverna onde Petrovic vive pode ser alcançada apenas depois de uma subida íngreme, e não é para corações fracos.
É equipada com uma banheira enferrujada que ele usa como banheiro, alguns bancos e um fardo de ferro que serve de cama.
Petrovic vem da cidade vizinha de Pirot, onde trabalhou como peão no mercado clandestino, como fez no exterior por algum tempo. Casou-se várias vezes, em um estilo de vida que considera “frenético”.
Panta Petrovic descansa em sua caverna perto da cidade de Pirot, em foto de 9 de agosto
Oliver Bunic/AFP
Este amante da natureza descobriu gradualmente que se isolar da sociedade lhe fornecia uma liberdade que não conhecia antes.
“Eu não era livre na cidade. Sempre tem alguém no teu caminho, você discute com a esposa, os vizinhos, ou a polícia”, explicou Petrovic à AFP, enquanto descascava vegetais para seu almoço.
“Aqui ninguém me incomoda”, acrescentou com um sorriso.
Suas visitas à cidade se tornaram mais frequentes recentemente.
Depois que os lobos mataram alguns dos animais que tinha perto da caverna, Petrovic decidiu levá-los para uma cabana que construiu nos arredores da cidade, onde acredita que estarão seguros.
Panta Petrovic brinca com Mara, uma porca selvagem de 200 quilos, em sua casa improvisada perto da cidade de Pirot, em foto de 9 de agosto
Oliver Bunic/AFP
Petrovic recebe assistência social, mas também depende de doações de alimentos e suprimentos para os animais.
Quando a vacina se tornou disponível, arregaçou as mangas para tomá-la.
Petrovic diz não entender as queixas de alguns céticos e acredita em um processo que busca erradicar as doenças.
Panta Petrovic escala seu pombal na cidade de Pirot, em foto de 9 de agosto
Oliver Bunic/AFP
“Quero receber as três doses, incluindo a adicional. Peço a todos os cidadãos que se vacinem, cada um deles”, expressou.
Antes de se isolar, Petrovic doou todo dinheiro que tinha para a comunidade, para financiar a construção de três pequenas pontes na cidade.
“O dinheiro é uma maldição, estraga as pessoas. Acredito que nada corrompe as pessoas tanto quanto o dinheiro”, afirmou.
Em uma das pontes, Petrovic construiu um pombal que, apesar de sua idade avançada, escala para deixar migalhas de pão.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

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O polêmico plano dos EUA para combater racismo desativando estradas


Amplo pacote de infraestrutura que busca mitigar desigualdade vem dividindo opiniões entre seus supostos beneficiários. Interestadual 81, que os críticos chamam de “racista”, divide um bairro de Syracuse em dois
Getty Images/BBC
Incluído no grande projeto de infraestrutura do presidente Joe Biden está um plano para derrubar estradas “racistas” que, segundo ele, prejudicam as comunidades minoritárias — mas nem todos que ele está tentando ajudar concordam.
Uma fina camada de fuligem cobre a tinta amarelo-palha das casas de madeira que margeiam a Interestadual 81, uma rodovia no centro de Syracuse, no estado de Nova York, sustentada por vigas de aço enferrujadas e pilares de cimento sujos.
A estrada, de onde saem os escapes dos carros que sufocam os moradores do entorno e na qual o som dos pneus dos caminhões pode ser ouvido dia e noite, corta o bairro em dois.
Um conjunto habitacional — Pioneer Homes — fica a leste, na base de uma colina. A oeste, há mais moradias públicas junto com as casinhas amarelas, principalmente de propriedade de minorias, e alguns negócios.
Ativistas de direitos civis chamam esse trecho da interestadual de “rodovia racista” porque estradas como esta dividem bairros de minorias e poluem essas comunidades. Os planejadores urbanos querem demoli-lo — e, agora, o presidente Joe Biden também tem isso em vista.
Biden vem apoiando um imenso plano de infraestrutura de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões) que, se aprovado, se tornaria o maior investimento em estradas, pontes e ruas dos Estados Unidos em décadas.
Interestadual 244 corta o bairro de Greenwood em Tulsa
Getty Images/BBC
Um enorme empreendimento político, o pacote não apenas trataria de consertos em velhas linhas de energia e estradas esburacadas, substituiria encanamentos de água potável e ampliaria o acesso à banda larga, mas também visaria mitigar as mudanças climáticas e as desigualdades raciais.
O projeto inclui US$ 1 bilhão para “reconectar comunidades”, o que significa demolir rodovias urbanas que passam por bairros como o de Syracuse.
Mas se derrubar estradas ao longo das quais viveram gerações de americanos é um caminho para o progresso racial é uma questão em aberto — e há muitos críticos.
A Casa Branca argumentou que tais “megaestradas”, que existem em todos os Estados Unidos, causaram sofrimento e arruinaram comunidades, primeiro destruindo negócios de propriedade de negros e forçando as pessoas a deixarem suas casas quando foram construídas e, mais tarde, através do ruído e da poluição atmosférica gerados pelo tráfego.
“Há racismo fisicamente embutido em algumas de nossas rodovias”, disse Pete Buttigieg, o secretário de transportes dos Estados Unidos.
Os especialistas dizem que há alguma verdade nessa afirmação. Quando o sistema de rodovias dos Estados Unidos estava sendo construído nas décadas de 1950 a 1970, os planejadores urbanos muitas vezes os projetavam para cortar bairros onde “os valores das propriedades eram mais baixos, porque essas casas eram as mais baratas de comprar”, disse Mark Rose, professor de História da Flórida Atlantic University em Boca Raton e autor de um livro sobre rodovias interestaduais.
Frequentemente, essas casas eram de americanos negros e outras minorias. Embora ativistas de Syracuse a Los Angeles tenham lutado contra a construção dessas estradas, elas foram construídas e deixaram comunidades destruídas — bombardeadas com barulho e poluição, e divididas ao meio. Estabelecimentos comerciais foram destruídos e nunca mais voltaram.
Enquanto isso, as estradas permitiam que o tráfego fluísse dos centros das cidades para os subúrbios para os passageiros de classe média que podiam pagar por esse estilo de vida.
Isso deixou um legado sombrio. Estudos descobriram que morar perto de uma rodovia nos Estados Unidos está associado a uma maior probabilidade de sofrer ataques cardíacos e asma. Quase 40% dos residentes no bairro ao redor da New Orleans Claiborne Expressway vivem abaixo da linha da pobreza, em comparação com 25% para a cidade como um todo.
Uma rodovia construída através do outrora próspero bairro negro de Greenwood em Tulsa, Oklahoma, significa que apenas um único bloco de estabelecimentos comerciais existe hoje. No seu auge, antes da construção da Interestadual 75 na década de 1950, havia 40 mercearias e 35 blocos de lojas e residências.
“Como um filho do Bronx, costumava estar em três lugares”, lembrou Ritchie Torres, um congressista de South Bronx, por onde passa uma grande estrada conhecida, a Cross Bronx Expressway. “Estava em casa, na escola e na sala de emergência, porque era repetidamente hospitalizado por asma.”
A “epidemia de asma” no Bronx foi uma consequência da via expressa, que é “literal e metaforicamente uma estrutura de racismo”, argumentou.
Quando a Interestadual 81 estava sendo construída através de Syracuse em meados do século 20, empresas de propriedade de negros foram demolidas para dar lugar à rodovia. Mais de mil residentes tiveram que deixar suas casas, de acordo com uma associação histórica local.
Buttigieg visitou a cidade em junho e falou em demolir o trecho da zona central. Um bulevar seria construído em seu lugar e o tráfego seria desviado para outro lugar.
O projeto custaria cerca de US$ 2 bilhões e poderia receber fundos federais.
O investimento federal em obras públicas costuma ser canalizado para os governos estaduais e locais, aumentando seus orçamentos.
Os membros do Congresso retiram boa parte do dinheiro federal para investir em seus próprios estados. Em alguns casos, isso pode ajudá-los a ganhar a reeleição ou a conseguir a adesão de constituintes.
Para Biden, a ênfase na igualdade racial fez parte de sua campanha e o ajudou a vencer a eleição. Abordar isso no projeto de lei de infraestrutura “cumpre muitas promessas de campanha e de governo”, disse Jon Reinisch, um estrategista democrata de Nova York.
Interestadual 244 corta o bairro de Greenwood em Tulsa
Getty Images/BBC
O governo trabalhou muito para vender o pacote, e sua amplitude faz parte de uma estratégia para “ampliar o apelo do projeto de lei”, disse Lawrence Levy, do Centro Nacional de Estudos Suburbanos da Universidade Hofstra, em Nova York.
“É um trabalho pesado”, disse Levy, exigindo que a Casa Branca “alcance o maior número possível de pessoas e as convença a ver [a infraestrutura] de uma forma que não haviam pensado antes”.
Keith Moody, um instrutor de fitness, diz que a rodovia é uma praga no bairro
BBC
O projeto foi aprovado no Senado e segue para a Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil).
Mas poucas pessoas em Syracuse acreditam que ela alcançará o que o presidente está prometendo.
“Parece bom no papel”, resmungou o caminhoneiro Alex Londono, 39. Seria melhor consertar a rodovia e ajudar o comércio local, disse ele.
Derrubar a rodovia seria apenas “sinalizar a virtude” — mostrar os próprios princípios, sem melhorar as coisas, disse ele.
Joquin Paskel, 28, concorda que a rodovia é racista. Um empresário que aluga casas infláveis ​​para festas infantis, lamenta que a estrada isola seu bairro do restante da cidade. “Isso só cria divisão”, disse ele, comparando a estrada a uma linha vermelha que demarca uma espécie de segregação.
Demoli-la, portanto, pode ajudar, diz ele, mas “não acho necessariamente que acabará com o racismo”.
Enquanto isso, sua namorada, Debowrah Yisrael, de 20 anos, se pergunta: “Para onde iremos durante as obras?”
Debowrah Yisrael, à esquerda, e Joquin Paskel se perguntam o que acontecerá se a rodovia for demolida
BBC
Gainnis Brown, de um ano, pedala seu triciclo laranja e preto por uma rua perto da rodovia — ela é a quinta geração de sua família a morar perto da estrada.
Apesar de seus aspectos indesejáveis, é um lar, diz a tia-bisavó de Gainnis, Kathy Gaston.
A irmã dela mora no quarteirão, e outros parentes também. No fundo de sua casa, ela tem um pessegueiro e um quintal exuberante. “Eu fiz todas as cercas vivas”, diz ela. “Veja como são bonitas.”
Gaston, de 61 anos, apoia o presidente — mas ela diz estar mais preocupada com os assuntos do dia-a-dia do que com as promessas de campanha. A poeira, soprada da rodovia, cobria a mobília.
“Uso estes lenços umedecidos de limpeza”, disse ela, passando o dedo sobre a mesa. “Fico andando pela casa, fazendo isso todos os dias.”
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Fonte: G1 Mundo

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Brasileiro fala sobre clima no Haiti após terremoto: ‘muita apreensão’

Neno Garber, diretor do Centro Cultural Brasil-Haiti, disse que na capital as pessoas estão buscando informações sobre familiares, mas que a rede telefônica não está suportando tantas ligações. Brasileiro no Haiti: “Sensação na capital é de muita apreensão”
Um brasileiro que reside no Haiti relatou à GloboNews como está a situação no país após o forte terremoto deste sábado (14). Neno Garber, diretor do Centro Cultural Brasil-Haiti, mora na capital Porto Príncipe e disse que mesmo na cidade, que não foi atingida diretamente, o clima é de preocupação.
“Por enquanto aqui na capital a situação é de muita apreensão. As pessoas procurando informações sobre seus familiares, já tem a informação sobre um ex-senador que faleceu, hotéis que caíram… A tentativa de ligar também está sendo muito difícil, porque a gente não tem uma rede tão boa. Ela não foi danificada, mas a quantidade de ligações não passa, as ligações não passam”, disse o brasileiro Neno Garber, em Porto Príncipe.
FOTOS dos estragos causados pelo terremoto
Além disso, ele explicou que a apreensão em grande parte decorre das lembranças do terremoto catastrófico ocorrido em 2010. O país ainda tenta se recuperar do terremoto de magnitude 7 que ocorreu na região da capital há 11 anos, deixando milhares de mortos e vários prédios destruídos.
VÍDEO: Terremoto de 7,2 de magnitude deixa mortos no Haiti

Fonte: G1 Mundo

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Terremoto de forte magnitude deixa mortos no Haiti; FOTOS


As cidades de Cayes e Jérémie, no sudoeste da ilha, foram as mais afetadas pelo tremor. Relatos iniciais falam em dezenas de vítimas. Pessoas observam a residência do bispo católico em Les Cayes, que ficou destruida após terremoto no Haiti neste sábado (14)
Delot Jean/AP
Igreja em Les Cayes ficou destruida após terremoto no Haiti neste sábado (14)
Delot Jean/AP
Ao menos 29 pessoas morreram no Haiti após um terremoto de magnitude 7,2 registrado neste sábado (14), segundo um balanço preliminar divulgado pela defesa civil do país. As cidades de Cayes e Jérémie, no sudoeste da ilha, foram as mais afetadas pelo tremor.
Igreja em Les Cayes ficou destruida após terremoto no Haiti neste sábado (14)
Delot Jean/AP

Fonte: G1 Mundo

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A ilha mediterrânea que surgiu ‘do nada’ e desapareceu em apenas 5 meses


Breve surgimento de nova ilha no Mediterrâneo desencadeou incidente internacional — e inspirou escritores internacionais como Júlio Verne. Uma pintura da época retrata a formação da ilha conhecida como Ferdinandea, Graham ou Julia na costa da Sicília.
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Um grupo de pescadores percebeu que algo estranho estava se formando no fundo do Mar Mediterrâneo.
Até 1831, as águas da costa sudoeste da Sicília eram mais conhecidas por seus corais, que ainda hoje são apreciados por fabricantes de joias.
Em julho daquele ano, no entanto, pescadores sicilianos começaram a observar cardumes de peixes mortos subindo à superfície do oceano — como se tivessem sido cozidos pela água.
Os peixes eram comestíveis, mas fediam a enxofre. (O cheiro era aparentemente tão forte que alguns pescadores perderam a consciência.)
A causa da mortandade ficou clara alguns dias depois, na noite de 10 de julho, quando marinheiros notaram que a boca de um vulcão havia surgido acima das ondas, soltando fumaça, cinzas e lava.
Ele não parava de crescer e, em agosto, uma ilha inteira havia se formado.
A ilha era pouco maior do que um rochedo — tinha cerca de 800 m de diâmetro e estava a 60 m acima do mar —, mas era repleta de possibilidades; muita gente acreditava até que estava testemunhando o nascimento de um novo continente.
Localizada no coração das rotas marítimas europeias, a ilha logo gerou uma disputa internacional, à medida que a França e o Reino Unido competiam com os sicilianos pela posse da ilha.
A briga foi em vão, no entanto.
Em cinco meses, a ilha havia afundado de volta para debaixo da superfície do oceano, levando alguns a chamá-la de “L’isola che non c’è” (a ilha que não existe) ou “L’isola che se ne andò” (a ilha que foi embora).
Este mês (julho) marca o 190º aniversário do surgimento da ilha.
Os vulcanologistas conseguiram mapear o fundo do mar ao redor do estreito da Sicília com detalhes extraordinários, revelando imagens surpreendentes desta efêmera Atlântida.
O trabalho deles pode nos ajudar a entender por que ela emergiu e desapareceu — e se uma nova ilha pode surgir em seu lugar.
O sumiço de 130 crianças alemãs por trás da lenda mágica do flautista de Hamelin
As lendas
A história da Sicília se confunde com a atividade sísmica da região. Os historiadores descobriram escritos gregos de mais de 2,7 mil anos atrás que se referem às erupções no Monte Etna, que continua sendo um dos vulcões mais ativos do mundo.
Acredita-se que duas das piores erupções do Etna, nos séculos 12 e 17, tenham causado dezenas de milhares de mortes.
A Sicília também foi abalada por graves terremotos, incluindo o famoso terremoto de Val di Noto de 1693, que matou 60 mil pessoas e destruiu a cidade de Catânia, e o terremoto de 1908 em Messina, que tirou 82 mil vidas.
Sem a compreensão moderna da sismologia, a população da Sicília criou uma rica mitologia para explicar esses trágicos eventos.
“As lendas ajudam as pessoas a conviver com esse medo ancestral e justificar a existência dos fenômenos”, explica a escritora Marinella Fiume, cujo livro Sicilia Esoterica analisa o folclore e as tradições da Sicília.
De acordo com uma lenda, havia um jovem pescador, Cola, que era famoso por sua capacidade de permanecer debaixo d’água por longos períodos de tempo, o que rendeu a ele o apelido de Colapesce — Cola, o peixe.
Ao ouvir sobre seus talentos, o rei desafiou Colapesce a recuperar vários objetos do fundo do mar.
Em uma dessas missões submarinas, o pescador descobriu que uma das colunas, que supostamente sustentava a ilha, havia sido danificada pelo fogo do Monte Etna.
Para evitar que a Sicília afundasse sob as ondas, Colapesce tomou a iniciativa de substituir a coluna quebrada.
“Em algumas versões da lenda, Colapesce sobe à superfície a cada cem anos para ver a terra novamente — e são esses movimentos que provocam terremotos e tremores”, conta Fiume.
Hoje, sabemos que a Sicília e suas águas estão localizadas na divisa entre as placas tectônicas da Eurásia e da África.
O movimento das placas pode causar aumento de tensão na crosta terrestre, o que resulta em terremotos.
O movimento contínuo força a placa africana para baixo da Eurásia, enquanto a empurra para o manto. Isso leva ao acúmulo de rocha derretida, que pode irromper por pontos fracos na superfície da Terra, levando a erupções vulcânicas.
Embora dramático, nascimento da ilha foi considerado espécie de distração em meio a período tumultuado na Sicília
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O Monte Etna e o Monte Vesúvio são os exemplos mais evidentes disso, mas as erupções também podem ocorrer debaixo d’água, à medida que o magma emerge por meio de vulnerabilidades na crosta abaixo do fundo do mar.
Uma série de cones vulcânicos submarinos podem ser encontrados a cerca de 40 a 64 km da costa sudoeste da Sicília.
São “monogenéticos”, explica Danilo Cavallaro, do Observatório Etna, em Catânia, que faz parte do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália.
Isso significa que cada cone resulta de uma erupção única.
“O magma sobe por um canal — e após a erupção, ele esfria e se cristaliza, formando uma rocha muito dura”, diz ele.
Durante quaisquer outras erupções, o magma fluirá ao redor e irromperá pela rocha mais macia circundante, produzindo um cone novo em folha.
Vídeo: Vulcão Etna registra nova erupção em 09/08/21
Cólera e caos
A erupção de 1831 ocorreu em um momento tumultuado da história da Sicília.
A Itália, como um país unificado, ainda não existia, e a ilha da Sicília fazia parte de um estado que abrangia o sul da península.
Isso incluía Nápoles, que, historicamente, também era conhecida como Sicília, levando o estado a ser chamado de Reino das Duas Sicílias, e era governado pelo rei Fernando 2º, que havia chegado ao trono em novembro de 1830.
O novo rei não foi aceito por todos, no entanto, e em 1831, parte da população já estava conspirando contra sua soberania, diz Filippo D’Arpa, jornalista e autor do livro L’isola che se ne andò (“A Ilha que foi embora”, em tradução livre).
O povo também enfrentava a ameaça de uma epidemia de cólera, para a qual não havia cura comprovada e tampouco um fim à vista — uma situação que pode parecer muito familiar para os leitores hoje.
Em meio a essa turbulência, o surgimento da nova ilha na costa sudoeste da Sicília parecia uma espécie de distração para o cidadão comum.
“Os acontecimentos foram vistos como um problema para os nobres”, diz D’Arpa.
A localização da nova ilha, no entanto, significava que era de grande interesse para o rei Fernando 2º — e para os governos de outros países europeus.
“É preciso lembrar que o Canal de Suez ainda não havia sido criado”, observa Nino Blando, historiador da Universidade de Palermo, na Itália.
“E a posição da ilha era particularmente favorável para controlar as passagens comerciais ao longo da rota para o Oriente Médio.”
Ainda mais importante, as águas ao redor da ilha estavam infestadas de “corsários” — navios autorizados pelo estado que tinham permissão para saquear navios mercantes de países inimigos.
A Inglaterra, a França e o Reino das Duas Sicílias tinham seus próprios corsários, que em sua maioria estavam envolvidos em uma “guerra” com navios do Império Otomano.
A faixa de terra recém-surgida, ao largo da costa da Sicília, poderia, portanto, ajudar seus proprietários a ganhar o controle das águas.
Não é de se admirar que cada país tenha tentado reivindicar a ilha para si.
Dada a localização da ilha, o Reino das Duas Sicílias podia parecer ter o argumento mais convincente.
A ilha ficava entre a cidade costeira de Sciacca e Pantelleria, outra ilha vulcânica, muito mais antiga, que já fazia parte dos territórios do reino.
Eles a chamavam de Ferdinandea, em homenagem ao rei Fernando 2º.
Infelizmente para os sicilianos, os marinheiros ingleses alegaram terem sido os primeiros a pisar na ilha recém-formada.
Eles afirmaram que era terra nullius — livre para qualquer pessoa ocupar — e fincaram sua bandeira.
Chamaram a ilha de Graham, em homenagem ao Primeiro Lorde do Almirantado, Sir James Graham. (Graham nunca havia visitado a ilha, na verdade.)
A França também não quis perder a oportunidade.
O país enviou agrimensores para mapear o terreno, e fincou sua bandeira no ponto mais alto da ilha. Eles a chamavam de Julia — uma homenagem ao mês de nascimento da ilha.
A disputa continuou por cinco meses, período durante o qual a ilha com outrora 61m de altura já havia começado a afundar.
“No fim de setembro, tinha cerca de 18 metros de altura. Um mês depois, apenas alguns metros de altura. E, finalmente, entre dezembro de 1831 e janeiro de 1832 — desapareceu completamente”, conta Cavallaro.
O problema, diz ele, é que a base da ilha era formada principalmente por uma rocha vulcânica chamada escória.
“São muito frágeis e podem ser facilmente corroídas pelas ondas do mar”, diz Cavallaro.
Surpreendentemente, os levantamentos feitos pela França haviam alertado sobre essa possibilidade, mas o país continuou a reivindicar a propriedade do pedaço de rocha que desaparecia rapidamente.
Em busca da Terra do Nunca
Acredita-se que Ferdinandea pode ter sido inspiração para ‘Terra do Nunca’, nos famosos contos de Peter Pan de JM Barrie
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A promessa de outro ponto de apoio estratégico no Mediterrâneo pode ter terminado em decepção para as três partes, mas a efêmera ilha provou ser uma inspiração para muitos escritores, incluindo Júlio Verne.
“Ele soube da história da ilha porque ela era bem conhecida na França entre a societé geologique”, diz Salvatore Ferlita, professor de literatura italiana na Universidade Kore de Enna, na Itália.
O escritor mencionou a ilha no romance Os Filhos do Capitão Grant e ela se tornou a ilha do tesouro em seu romance posterior, Captain Antifer.
É até possível que a Terra do Nunca de JM Barrie — cenário de sua criação mais famosa, Peter Pan — tenha sido inspirada “na ilha que não existia”, diz Ferlita.
Entre mitos e lendas, e apesar do seu desaparecimento, a ilha nunca saiu do imaginário popular e, ao longo dos dois séculos subsequentes, sinais aparentes de atividade vulcânica aumentaram a esperança de que a ilha — ou algo parecido — pudesse um dia retornar ao Estreito da Sicília.
Um dos eventos mais notáveis ​​ocorreu em 1968, quando um terremoto na região foi seguido pela aparente ebulição da água do mar em torno da antiga localização da ilha.
Isso levou algumas pessoas a acreditar que os eventos de 1831 estavam prestes a se repetir.
Os sicilianos não iam correr o risco de perder a propriedade da ilha, e Blando conta que eles colocaram uma placa de pedra nos vestígios da ilha para fazer valer seus direitos.
Estava escrito:
“Esta faixa de terra, outrora Isola Ferdinandea, pertenceu e sempre pertencerá ao povo siciliano.”
A ilha nunca se materializou, no entanto. As bolhas na água do mar, diz Cavallaro, eram simplesmente o resultado do gás, preso entre as camadas de rocha, que havia subido à superfície do oceano.
Isso criou a ilusão de que uma erupção estava se formando, mas nunca houve realmente a possibilidade de a ilha voltar.
Quando houver outra erupção nesta área, ela vai acontecer em um local diferente, diz ele — já que a rocha da explosão anterior teria bloqueado o canal do magma.
A equipe de Cavallaro mapeou recentemente o campo vulcânico no fundo do mar do Estreito da Sicília. As imagens obtidas incluem os restos da ilha, que estão próximos a um cone vulcânico muito mais antigo, de cerca de 20 mil anos atrás.
Hoje, a Isola Ferdinandea está localizada a cerca de 9 m abaixo do nível do mar e 137 m acima do leito oceânico.
“É um cone truncado quase perfeito com encostas muito íngremes”, diz Cavallaro.
Há um pico no meio, segundo ele, que marca a parte superior do canal por meio do qual o magma irrompeu pela primeira vez.
Hoje, é totalmente colonizado por corais, diz ele — sendo lar de muitas espécies de peixes.
A ilha pode nunca mais se erguer acima das ondas — mas sua história nos ajuda a lembrar das enormes forças geológicas que moldam nossa paisagem, para o bem e para o mal.

Fonte: G1 Mundo

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Avião russo de combate a incêndios cai na Turquia e deixa 8 mortos


O exército russo disse mês passado que um avião Be-200, parte da força aérea naval do país, havia sido enviado para ajudar no combate a incêndios florestais nas regiões costeiras do sul. Avião russo de combate a incêndios cai na Turquia e deixa 8 mortos.
Anadolu Agency – Reuters / Reprodução
Oito pessoas morreram na queda de um avião russo de combate a incêndios Be-200 neste sábado (14) na Turquia, informou o ministério da Defesa da Rússia à agência de notícias Interfax.
O exército russo disse mês passado que um avião Be-200, parte da força aérea naval do país, havia sido enviado para ajudar a Turquia a combater incêndios florestais nas regiões costeiras do sul.
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A Turquia tem combatido os incêndios nas últimas duas semanas. A maior parte está agora sob controle.
Cinco tripulantes do Exército russo e três cidadãos da Turquia que estavam identificando epicentros de incêndio morreram, disse o ministério.
O ministério da Defesa da Turquia afirmou que outro avião militar e um helicóptero foram enviados ao local para ajudar a operação de busca.   

Fonte: G1 Mundo

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Desabamento em mina de carvão na China deixa um morto e 19 trabalhadores presos

Acidente ocorreu após um “desabamento de lama”. As autoridades não informaram sobre o estado das outras pessoas dentro da mina. Um mineiro morreu e outros 19 permanecem presos no subsolo, após um colapso em mina de carvão neste sábado(14) na China, informaram autoridades locais e um veículo oficial.
O incidente ocorreu pouco depois do meio-dia (7h em Brasília) na prefeitura autônoma tibetana de Haibei, no noroeste da província de Qinghai, informou o gabinete provincial de gerenciamento de emergência.
Dois mineiros foram retirados da mina localizada na cidade de Reshui. Segundo o gabinete, um deles morreu.
Equipes de resgate e bombeiros estão trabalhando no local da tragédia.
As autoridades não informaram sobre o estado das pessoas presas no subsolo, nem especificaram a profundidade que podem estar.
Terremoto de magnitude 7,2 atinge o Haiti; não há mais risco de tsunami
De acordo com o gabinete de Gestão de Emergências, a mina sofreu “desabamento [de uma camada] de lama”. A televisão pública CCTV também utilizou este termo, mencionando também uma “infiltração de água”. Já a agência Xinhua afirmou que houve uma “inundação”.
A segurança das minas melhorou nas últimas décadas na China, no entanto, os acidentes ocorrem regularmente, devido à natureza perigosa do setor e à falta de rigor na aplicação das normas de segurança.

Fonte: G1 Mundo