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Sobe para 44 número de mortes causadas por enchentes na Turquia


Cerca de 2.250 pessoas foram evacuadas em toda a região. Cientistas apontam que acontecimentos do tipo estão sendo causados pelas mudanças climáticas. Sobe para 44 número de mortos por enchentes na Turquia.
Ismail Coskun/IHA via AP
O número de mortos em graves inundações e deslizamentos de terra na costa da Turquia subiu para pelo menos 44, informou a agência de emergência e desastres do país no sábado.
As chuvas torrenciais que atingiram as províncias de Bartin, Kastamonu e Sinop no Mar Negro na quarta-feira (11) causaram inundações que demoliram casas, cortaram pelo menos cinco pontes, varreram carros e tornaram várias estradas intransponíveis.
A agência turca de desastres AFAD disse que 36 pessoas morreram em Kastamonu, sete em Sinop e uma em Bartin.
Nove pessoas permaneceram hospitalizadas em Sinop, segundo a agência. Alguns moradores de Kastamonu disseram nas redes sociais que há centenas de desaparecidos, uma declaração também feita por um legislador da oposição. Mas o gabinete do governador provincial disse na sexta-feira que relatos de cerca de 250 corpos não identificados eram falsos.
Equipes de resgate e cães farejadores continuaram a árdua tarefa de tentar localizar os residentes. A AFAD disse que 5.820 pessoas, 20 cães de resgate, 20 helicópteros e dois aviões de busca estavam nos locais do desastre.
Cerca de 2.250 pessoas foram evacuadas em toda a região antes, durante e depois das enchentes, algumas levantadas de telhados por helicópteros. Muitos estavam sendo temporariamente alojados em dormitórios estudantis, disseram as autoridades.
Vídeo: Imagens feitas com drone mostram resgate de mulher isolada em enchente na Turquia
Arquitetura pode ter influência no desastre
Cientistas climáticos afirmam inequivocamente que a mudança climática está causando estes eventos extremos à medida que o mundo esquenta por causa da queima de carvão, petróleo e gás natural. Espera-se que tais calamidades aconteçam com mais frequência à medida que o planeta se aquece.
Especialistas na Turquia, no entanto, dizem que a interferência com os rios e a construção inadequada também contribuíram para os enormes danos das enchentes.
Geólogos disseram que a construção estreitou o leito do rio e a planície aluvial circundante do riacho Ezine no distrito de Bozkurt em Kastamonu, onde os danos foram mais graves, de 400 metros (1.312 pés) a 15 metros (49 pés). Os edifícios residenciais foram construídos ao longo da orla marítima.
Durante chuvas fortes, o córrego contraído tem uma área limitada para se mover e pode transbordar.
Vídeos postados por residentes mostraram água correndo rio abaixo em Bozkurt enquanto os prédios e estradas ao redor inundavam.
Um geólogo, Ramazan Demirtas, explicou o estreitamento do leito do rio no Twitter e disse que os humanos eram os culpados pelo desastre desta semana.
Prédio parcialmente desabado, pois a área foi atingida por enchentes que varreram cidades na região turca do Mar Negro.
REUTERS/Mehmet Emin Caliskan
Em Sinop, as enchentes destruíram quase completamente o vilarejo de Babacay, deixando casas destruídas, pontes danificadas e escombros em seu rastro. Um prédio de cinco andares construído no leito de um rio foi destruído. A emissora turca CNN Turk mostrou apenas uma porta de entrada e uma parede restantes. Casas mais distantes e construídas mais altas pareciam ser seguras.
As inundações ocorreram na sequência de incêndios florestais no sul da Turquia que devastaram as florestas nas províncias costeiras de Mugla e Antalya, que são populares entre os turistas. Pelo menos oito pessoas morreram e milhares de residentes foram forçados a fugir.
Enchentes e incêndios ao mesmo tempo
Ao mesmo tempo, o sul do país enfrenta uma seca e incêndios que já queimaram milhares de quilômetros quadrados de florestas. Vários turistas e moradores foram evacuados das áreas afetadas.
Grécia e Turquia enfrentam situação crítica pelos incêndios
Lideranças políticas e associações pediram ao governo turco que tome medidas radicais para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, já que atribuem estes desastres à mudança climática.
A Turquia não ratificou o Acordo de Paris sobre o Clima de 2015, que estabeleceu metas a serem atingidas para se conter o aquecimento global.

Fonte: G1 Mundo

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Estudante atira em colega em escola no Novo México, nos Estados Unidos


Um aluno morreu e o outro está sob custódia da polícia. O tiroteio foi o segundo na cidade de Albuquerque em menos de 24 horas. Estudante sob custódia da polícia após atirar em colega em escola no Novo México, Estados Unidos.
KOB 4 TV / Reprodução
Um estudante de 13 anos atirou em um colega, na sexta-feira (13), dentro de escola localizada no maior distrito do Novo México, nos Estados Unidos. O tiroteio deixou um aluno morto, o outro está sob custódia da polícia.
O tiroteio na Washington Middle School marcou o segundo tiroteio em Albuquerque em menos de 24 horas. Com a cidade a caminho de quebrar seu recorde de homicídios este ano, as principais autoridades estaduais disseram estar com o coração partido pelo que descreveram como um flagelo.
“Essas tragédias nunca deveriam ocorrer. Isso nos diz que há mais trabalho a ser feito ”, disse a governadora Michelle Lujan Grisham.
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O subcomandante da Polícia de Albuquerque, Kyle Hartsock, descreveu o tiroteio como um incidente isolado entre dois estudantes que se acredita terem cerca de 13 anos. Ele disse que um oficial de recursos da escola correu em direção aos dois meninos após o início do tiroteio e evitou qualquer outra violência enquanto cuidava do menino que foi baleado.
Os investigadores estavam tentando determinar como o estudante obteve a arma e o que pode ter provocado o tiroteio, disse Hartsock. Outros estudantes estavam sendo entrevistados enquanto detetives tentavam descobrir o que aconteceu, disse ele.
Dezenas de pais preocupados se reuniram do lado de fora da escola na sexta-feira à tarde, enquanto esperavam a liberação de seus filhos.
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Sexta-feira marcou o terceiro dia de aulas para o distrito escolar público de Albuquerque. Embora os alunos não voltem até terça-feira, o superintendente Scott Elder disse que a equipe fará os preparativos para garantir que os alunos tenham acesso a aconselhamento e a quaisquer outros serviços de apoio de que necessitem.
“É claro que é extremamente difícil”, disse ele sobre algo assim no início do ano letivo. “Há muita pressão na comunidade. As pessoas estão nervosas. Foi um incidente terrível que aconteceu entre duas pessoas. Nunca aconteceu… Isso não deveria acontecer na comunidade. Certamente não deveria acontecer em uma escola. ”
A polícia disse que mais policiais estarão presentes quando os alunos retornarem, na esperança de proporcionar uma sensação de segurança e caso os alunos tenham mais informações sobre o tiroteio que desejam compartilhar.
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Na noite de quinta-feira (12), outro tiroteio ocorreu na cidade em um bar e restaurante de esportes perto de um movimentado distrito comercial de Albuquerque. A polícia disse que uma pessoa foi morta e três ficaram feridas depois que alguém sacou uma arma durante uma luta.
Nenhuma prisão foi feita nesse caso. Os investigadores estavam revisando o vídeo de vigilância e entrevistando testemunhas.
As autoridades identificaram o homem morto como Lawrence Anzures, um boxeador de 30 anos de Albuquerque.
Um memorial improvisado de flores e velas cresceu na sexta-feira do lado de fora do restaurante, fornecendo mais evidências da frustração que as famílias têm sentido.
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Os tiroteios ocorreram no momento em que o prefeito Tim Keller convocou sua última sessão com outras autoridades para falar sobre a redução da violência e do crime na cidade. Seu governo espera apresentar recomendações para melhorar o sistema de justiça criminal e resolver o problema da reincidência.
O gabinete do prefeito observou que, para a maioria dos homicídios de Albuquerque este ano, mais de 45% dos criminosos acusados ​​e quase 60% dos suspeitos têm antecedentes criminais.
“Para os infratores de baixo escalão, precisamos reforçar os programas de desvio e o acesso real a recursos para mudar suas vidas”, disse Keller em um comunicado. “Mas para criminosos violentos, temos que parar a porta giratória.”

Fonte: G1 Mundo

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Presidente da Argentina se desculpa por festa clandestina; oposição pede impeachment


O líder era acusado de ter violado as regras de quarentena do país ao realizar uma pequena festa de aniversário em sua residência oficial. Fotos da festa ocorrida na moradia presidencial vieram a público. Festa clandestina durante a pandemia na residência oficial da presidência argentina
Reprodução
Encurralado pela aparição da foto de uma festa de aniversário clandestina na residência oficial, o presidente Alberto Fernández não teve mais remédio a não ser admitir a reunião social que antes tinha negado.
Porém, quando havia a expectativa no país de um pedido de desculpas e até de uma autodenúncia na Justiça, Fernández minimizou a violação das regras de isolamento social e optou por concentrar a culpa na sua mulher.
“Lamento o que aconteceu. Não vai voltar a acontecer”, disse o presidente.
O evento teria ocorrido enquanto estava em vigor um decreto, por ele mesmo assinado, que proibia as reuniões e a circulação de pessoas enquanto obrigava o uso de máscaras e o distanciamento social.
“Fabiola [Yañez, primeira-dama] convocou uma reunião para um brinde com os amigos que não deveria ter feito. Definitivamente, percebo que não deveria ter feito”, disse Fernández.
O deputado Mario Negri, líder da oposição na Câmara e um dos autores de um pedido de impeachment, criticou o presidente argentino: “Não é de um cavalheiro culpar a sua esposa. Não foi um descuido”, afirmou.
“O presidente não explicou por que mentiu aos argentinos ao negar as reuniões sociais e entrou mais no seu próprio labirinto”, disse Negri.
“Um pedido de desculpas para um delito não teria sido suficiente. Mesmo assim, o presidente só disse que lamentava como se isso fosse suficiente”, acrescentou o deputado opositor Facundo Suárez Lastra.
Desigualdade perante a lei
A fotografia, do dia 14 de julho de 2020, aniversário da primeira-dama, Fabiola Yañez, revela uma festa clandestina e sem medidas de proteção. Na imagem, aparecem 11 pessoas, além da que tirou a foto, em volta de uma mesa com jantar, bolo de aniversário e champanhe.
Na época, o governo tinha divulgado que “o aniversário da primeira-dama, por ser em plena pandemia, será por ‘zoom’ e com máscaras”. A divulgação acompanhava uma foto de Fabiola Yañez solitária com arranjos florais.
A verdade agora revelada não é a única evidência de infrações. A divulgação de uma lista de frequentadores da residência presidencial, durante o auge do confinamento na Argentina, inclui uma série de convidados durante a noite de aniversário do próprio Alberto Fernández, em 2 de abril de 2020.
Há registro de dezenas de visitas de cabeleireiros para a primeira-dama enquanto no país os cabeleireiros foram obrigados a ficarem fechados durante sete meses.
O cachorro do presidente recebeu dezenas de sessões de adestramento enquanto as escolas do país mantiveram-se fechadas. Dezenas de convidados foram à residência presidencial quando a circulação estava proibida para reuniões que podiam ter acontecido de forma virtual.
A confissão de uma festa em plena quarentena expõe Alberto Fernández às consequências legais previstas nos decretos que o próprio anunciou, depois de ter participado da sua redação como presidente e como advogado penalista.
Inquérito penal, político e moral
Os artigos 205 e 239 do Código Penal aos que Alberto Fernández fazia alusão a cada novo anúncio de renovação do confinamento estabelecem penas de seis meses a dois anos de prisão a quem violar as medidas que impedem a introdução ou a propagação de uma epidemia, e de até um ano de prisão por desobedecer uma autoridade.
“Aos idiotas quero dizer-lhes que acabou a Argentina dos espertos”, disse Fernández poucos dias antes da festa da esposa. “Estamos falando da saúde do povo e não vou permitir que façam o que quiserem. Aquele que não cumprir com a quarentena será perseguido penalmente.”
Patricia Bullrich, uma das lideranças opositoras, questionou a moralidade da ação e a manutenção do governo de Alberto Fernández.
“Enquanto os argentinos estavam em isolamento obrigatório, o presidente participava de festas, violando os decretos que ele mesmo definia”, disse Bullrich. “É uma questão penal, mas também moral. Como continua um governo sem autoridade moral?”
A oposição entrou com um pedido de destituição nesta sexta-feira (13) no qual Alberto Fernández é acusado de mal desempenho e de eventuais delitos durante o exercício das suas funções.
“Propomos o processo institucional de julgamento político contra o presidente Alberto Fernández por mal desempenho na gestão da pandemia e pelo delito de violação das medidas adotadas pelas autoridades competentes para impedir a propagação de uma epidemia”, diz o texto.
O pedido de impeachment também inclui outros possíveis delitos políticos como as chamadas “Diplomacia das Vacinas”, que resistiu à compra de vacinas de laboratórios norte-americanos, e “Vacinação VIP” que privilegiou a imunização de políticos e amigos do poder sem respeitar a prioridade para grupos de risco e pessoal da Saúde.
As chances de uma destituição avançar são poucas porque a oposição não conta com os necessários dois terços dos votos tanto na Câmara de Deputados, quanto no Senado. Os opositores somam apenas 137 votos dos 172 necessários na Câmara de Deputados e 31 dos 48 votos requeridos no Senado.
O Chefe do Gabinete de Ministros, Santiago Cafiero, definiu como “um erro” a festa clandestina na residência oficial e preferiu acusar a oposição de “fazer uso político” da situação em plena campanha eleitoral para as eleições legislativas em novembro.
O médico infectologista Pedro Cahn, um dos conselheiros do presidente Alberto Fernández na hora de definir as medidas políticas com base científica, mostrou-se decepcionado com quem mais deveria dar o exemplo.
“Fiquei vários meses sem ver os meus netos e os meus filhos. Todos nós sofremos as restrições. Amigos meus morreram sem que eu pudesse me despedir deles”, comparou Cahn.
A Argentina teve a mais prolongada e estrita quarentena do mundo ao longo de 233 dias em 2020 que, no entanto, não impediu o contágio de 5,074 milhões de pessoas e a morte de 108.815 delas.
00:00 / 23:02
VÍDEOS com notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Afeganistão: o drama dos que fogem da ofensiva do Talibã


Milhares de afegãos buscam refúgio na capital, Cabul, enquanto militantes do Talebã continuam tomando cidades importantes; mulheres, em particular, temem retorno ao poder de radicais islâmicos. Muitas famílias afegãs que vieram para Cabul estão dormindo em campos nos arredores da capital
Getty Images/BBC
Para muitos, Cabul, a capital do Afeganistão, já é o último refúgio.
Milhares de pessoas fogem de diferentes partes do país em direção à capital para escapar do grupo extremista Talibã que, em poucos dias, retomou o controle de várias cidades em uma rápida ofensiva que o Exército afegão não consegue conter.
A ONU pediu aos países vizinhos do Afeganistão que mantenham suas fronteiras abertas à medida que aumenta o número de civis que busca abrigo fora do território.
Afeganistão: como o Talibã avançou tão rapidamente após saída dos EUA
Como surgiu o Talibã e outras 5 respostas sobre grupo que avança no Afeganistão após saída dos EUA
Talibã toma mais quatro capitais regionais do Afeganistão e já domina mais de metade das províncias do país
A escassez de alimentos é “grave”, informaram funcionários do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, alertando sobre uma catástrofe humanitária.
Na sexta-feira (13), o Talibã conquistou a segunda maior cidade do país, Kandahar, a mais recente capital de província a cair.
Foto de 2009 mostra soldados dos EUA no Afeganistão
Manpreet Romana/AFP
A cidade de 600 mil habitantes no sul já foi um reduto do grupo extremista e é estrategicamente importante devido ao seu aeroporto internacional e à produção agrícola e industrial.
O Talibã também retomou o controle da cidade vizinha de Lashkar Gah e agora passa a dominar cerca de metade das capitais regionais do Afeganistão.
A última avaliação da inteligência dos Estados Unidos aponta que o grupo extremista pode tentar avançar sobre Cabul em 30 dias.
Neste sábado, em um breve pronunciamento, o presidente afegão, Ashraf Ghani, disse que a remobilização das forças armadas é uma “prioridade máxima” e que está mantendo conversas com líderes locais e parceiros internacionais sobre os acontecimentos no país.
“Como seu presidente, meu foco é evitar mais instabilidade, violência e deslocamento de meu povo”, declarou ele.
“Na situação atual, a remobilização de nossas forças de segurança e defesa é nossa principal prioridade e medidas sérias estão sendo tomadas nesse sentido”, acrescentou.
Talibã firma posição em território próximo da capital Cabul, no Afeganistão
Ghani disse que não permitiria que uma guerra “imposta” às pessoas “causasse mais mortes” e elogiou as “corajosas” forças de segurança que vêm tentando defender as cidades do Talibã.
O discurso foi feito em meio a especulações de que Ghani estava prestes a anunciar sua renúncia, o que, por enquanto, não aconteceu.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a situação no Afeganistão está saindo do controle e que os civis pagariam o preço mais alto se o conflito continuasse.
A ofensiva do Talibã ocorre em meio à retirada das tropas americanas e estrangeiras, após 20 anos de operações militares. Mais de mil civis morreram no Afeganistão apenas no mês passado, de acordo com as Nações Unidas.
‘Tempos sombrios’
Sahraa Karimi, uma cineasta afegã em Cabul, disse à BBC que sentiu que o mundo havia virado as costas ao Afeganistão e temia um retorno a “tempos sombrios”.
Pessoas saem do Afeganistão rumo ao Paquistão, em 13 de agosto de 2021
Jafar Khan/AP
A vida sob o Talibã na década de 1990 forçou as mulheres a usar a burca — veste que cobre todo o corpo, e apresenta uma estreita tela, à altura dos olhos, através da qual se pode ver. Os islamistas radicais restringiram a educação para meninas com mais de 10 anos e punições brutais foram impostas, incluindo execuções públicas.
“Estou em perigo, (mas) não penso mais em mim”, disse Karimi. “Penso em nosso país, penso em nossa geração. Fizemos muito para que essas mudanças ocorressem.”
“Penso nas meninas… Existem milhares de mulheres bonitas e talentosas neste país”, acrescentou.
Freshta Karim, fundadora e diretora da biblioteca móvel Charmaghz em Cabul e defensora dos direitos das crianças, concorda.
“O Talibã não mudou. Eles nos consideram espólios de guerra. Então, aonde vão, obrigam as mulheres a se casar e acho que essa é a pior vingança que têm contra nós”, disse ela à BBC.
“Esta é a maior guerra contra as mulheres da atualidade. E infelizmente o mundo está assistindo em silêncio”, lamentou.
Mensagens desesperadas de mulheres jovens
Por Yalda Hakim, BBC News
Todas as noites, rapazes e moças enviam mensagens desesperadas para mim, pedindo ajuda. “Ore por nós”, diz um. “A situação é crítica, estamos preocupados”, diz outro.
Cabul está em estado de choque e perplexidade. A capital é o grande prêmio que falta ao Talibã.
Talibã patrulha cidade de Ghazi, perto de Cabul, no Afeganistão, nesta quinta-feira (12)
Gulabuddin Amiri/AP Photo
Tenho feito reportagens do Afeganistão por mais de uma década. Fiz amizades com mulheres jornalistas, juízas, parlamentares, estudantes universitárias e ativistas de direitos humanos.
Todos elas me disseram que deram um passo à frente porque os americanos e seus aliados as encorajaram a fazê-lo. Por 20 anos, o Ocidente inspirou, financiou e nutriu essa nova geração de afegãs. Essas mulheres cresceram com as liberdades e oportunidades que agora o Talibã parece querer tirar delas.
Em minha última viagem a Cabul, conversei com comandantes do Talibã. Eles me disseram que estão determinados a reimpor sua versão da sharia, a lei islâmica, que inclui apedrejamento por adultério, amputação de membros por roubo e proibição de meninas com mais de 12 anos de ir à escola.
Duas filhas de Asadullah, que junto com sua esposa, tiveram que dormir na rua quando chegaram a Cabul
BBC
Esse não é o Afeganistão e Cabul que essas jovens conhecem ou desejam.
“Há rumores de que, quando eles recuperarem o poder, vão matar todos os que estão próximos do governo e dos Estados Unidos. Temos medo”, disse-me uma pessoa.
A única resposta dos Estados Unidos e de seus aliados ocidentais a esses pedidos de ajuda até agora foi o silêncio.
Sem abrigo
Muitos dos que buscam segurança em Cabul estão dormindo nas ruas.
Cerca de 72 mil crianças estão fugindo para a capital nos últimos dias, segundo a ONG Save the Children.
“Não temos dinheiro para comprar pão ou remédios para meu filho”, disse à BBC Asadullah, um vendedor ambulante de 35 anos que fugiu da província de Kunduz, no norte, depois que o Talebã colocou fogo em sua casa.
“Todas as nossas casas e pertences foram queimados, então viemos a Cabul e oramos a Deus para nos ajudar”, acrescentou Asadullah.
Asadullah vendia comida e especiarias na província de Kunduz, mas teve que fugir com sua família
BBC
As filhas de Asadullah
As duas filhas de Asadullah, que junto com sua esposa tiveram que dormir na rua quando chegaram a Cabul.
Nos arredores da capital afegã, há acampamentos improvisados, enquanto muitos outros dormem em depósitos abandonados, informou a imprensa local.
Falando à BBC pouco antes da queda de Kandahar, Pashtana Durrani, diretora-executiva de uma ONG educacional que ajuda meninas afegãs, disse temer por sua vida por causa de seu trabalho na defesa da educação das mulheres.
“As meninas que ajudamos fugiram”, disse ela. “Não sei onde estão nossas alunas e pessoalmente estou com medo de salvar suas vidas. E se elas forem forçadas a se casar com um combatente do Talibã? Como será a vida delas?”
Afeganistão vive ‘catástrofe humanitária’, diz ONU
O que aconteceu e está acontecendo no Afeganistão?
Derrocada do Talebã: Em 2001, uma coalizão internacional liderada pelos EUA derrubou o governo do Talebã após os ataques de 11 de setembro planejados pelo líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, que estava baseado lá.
20 anos de ocupação e operações militares: os Estados Unidos e seus aliados supervisionaram as eleições e criaram as forças de segurança afegãs, mas o Talebã continuou seus ataques.
Acordo com o Talibã: Os Estados Unidos fizeram um acordo com o Talibã pelo qual o se retiraria do país se os militantes concordassem em não instalar grupos terroristas. Mas as negociações entre o Talibã e o governo afegão fracassaram. As forças lideradas pelos EUA retiraram-se neste ano e o Talibã retomou o controle de grande parte do país.
‘Aonde podemos ir?’
Por Yogita Limaye, BBC News, Cabul
As pessoas não conseguem acreditar no que aconteceu em um dia. Cinco capitais de províncias, incluindo grandes cidades, caíram nas mãos do Talibã na quinta-feira (12).
Milhares de pessoas já chegaram a Cabul, mas é um número que muda com o passar das horas.
Elas fugiram sem quase nenhum pertence. São pessoas que tinham casas e empregos, lojas e fazendas, e tiveram que deixar tudo para trás e tentar escapar para um lugar seguro.
Algumas delas demoraram dias para chegar a Cabul. São jornadas perigosas (que passam por postos de controle do Talibã e cruzam a linha de frente do conflito). A capital afegã é o último lugar para onde muitos delas pensam que podem ir. Dizem: ‘a partir daqui, aonde mais podemos ir?’
Elas estão com raiva do governo, porque tiveram que se defender sozinhas. O governo, por sua vez, promete que vai alojá-las em mesquitas e dar-lhes abrigo, mas não há espaço suficiente para todas as pessoas que chegam.
Debandada estrangeira
Também é indigno que os Estados Unidos e o Reino Unido estejam evacuando seus próprios cidadãos e deixando os afegãos entregues à própria sorte.
Os Estados Unidos enviaram cerca de 3 mil soldados ao aeroporto de Cabul para evacuar um número “significativo” de funcionários da embaixada em voos especiais.
Segundo informações da embaixada americana, há relatos de que o Talibã está executando tropas afegãs que se renderam — o que constituiria “crimes de guerra”, segundo as leis internacionais.
A Grã-Bretanha está enviando 600 soldados para apoiar os cidadãos britânicos que deixam o país. O número de funcionários da embaixada do país em Cabul foi reduzido a um patamar mínimo, suficiente apenas para garantir seu funcionamento.

Fonte: G1 Mundo

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Talibã toma província ao sul de Cabul; presidente do Afeganistão diz buscar ‘solução política de paz e estabilidade’


Grupo extremista amplia o controle sobre o território afegão. Cerco sobre Cabul aumenta com tomada da cidade de Pul-e-Alam – na província de Logar –, a 70km da capital afegã. Foto de arquivo mostra soldado afegão em guarda na província de Logar, em foto de 2016
Omar Sobhani/Reuters/Arquivo
O Talibã tomou o controle, neste sábado (14), da cidade de Pul-e-Alam – capital da província de Logar –, a 70km de Cabul, segundo líderes regionais. A tomada aumenta o cerco do grupo extremista islâmico sobre o governo do Afeganistão que ainda mantém o controle da capital.
O presidente afegão Ashraf Ghani falou pela primeira vez, neste sábado, em um pronunciamento à nação após o início das ações do grupo insurgente que vem controlando parte do país desde o início da retirada de tropas americanas há menos de três semanas.
“Iniciei consultas que avançam rapidamente no governo, com líderes políticos, parceiros internacionais, para encontrar uma solução política que traga paz e estabilidade ao povo afegão”, disse Ghani. “A remobilização de nossas forças de segurança e defesa é nossa prioridade número um.”
Talibã patrulha cidade de Ghazi, perto de Cabul, no Afeganistão, nesta quinta-feira (12)
Gulabuddin Amiri/AP Photo
Na quinta-feira (12), o grupo extremista islâmico afirmou ter conquistado Kandahar, a segunda maior cidade do Afeganistão.
“Kandahar está completamente conquistada”, declarou um porta-voz do Talibã em uma conta oficial no Twitter. Um morador da cidade confirmou a captura à AFP, observando que as forças do governo se retiraram em massa para uma instalação militar nos arredores da cidade.
Mais cedo, o Talibã havia tomado a cidade de Ghazni, que é considerada estratégica para lutar para tentar dominar Cabul, a 150km dali. O grupo também se aproxima da conquista de Herat, a terceira maior cidade do Afeganistão.
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Proposta do governo para dividir o poder
Combatentes do Talibã são vistos dentro da cidade de Farah, capital da província de Farah, a sudoeste de Cabul, em 10 de agosto de 2021, no Afeganistão
Mohammad Asif Khan/AP
De acordo com a rede Al Jazeera, o governo fez uma proposta ao Talibã para que haja uma divisão de poder, se a violência acabar.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que não tem conhecimento dessa proposta, mas que o grupo não considera dividir o poder com uma autoridade que não reconhece.
“Nós não aceitaremos nenhuma oferta como essa porque não queremos ser parceiros da administração de Cabul —não queremos nem ficar e nem trabalhar um único dia com eles”, afirmou.
O governo dos Estados Unidos anunciou meses atrás a retirada completa dos soldados americanos no Afeganistão até 11 de setembro — marco de 20 anos do atentado terrorista que marcou o início do século. Porém, cerca de 650 militares ainda estão no país para dar segurança ao corpo diplomático americano em Cabul.
Entenda a retirada dos EUA do Afeganistão no VÍDEO abaixo
Afeganistão: Talibã avança com saída próxima de tropas dos EUA
Houve um acordo entre os EUA e o Talibã no ano passado que determinou que o grupo insurgente não iria atacar as forças norte-americanas durante o período de saída. Em troca, os talibãs prometeram não permitir que o país seja usado para terrorismo internacional.
O Talibã também se comprometeu a discutir um acordo de paz. Os diálogos, no entanto, não produziram efeito.
EUA correm para retirar funcionários
Seção consular da Embaixada dos EUA em Cabul, no Afeganistão, em foto de 30 de julho
Reuters
Os Estados Unidos vão enviar ao Afeganistão um grupo de militares que vai ajudar na retirada de parte dos funcionários da Embaixada dos EUA em Cabul em meio ao avanço do Talibã, informaram fontes oficiais a agências de notícias nesta quinta-feira (12).
Esses militares vão fornecer apoio terrestre e aéreo aos funcionários durante o trajeto até o aeroporto de Cabul, segundo a agência Associated Press.
A iniciativa demonstra falta de confiança por parte da Casa Branca na capacidade do governo afegão em dar segurança diplomática suficiente na capital do Afeganistão — país que teve duas das três maiores cidades já tomadas pelo grupo extremista islâmico Talibã.

Fonte: G1 Mundo

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Você viu? Voto impresso rejeitado, desfile de tanques militares, mudança climática irreversível e luto na dramaturgia

Uma seleção de reportagens publicadas no G1 com as notícias de 9 a 13 de agosto. Em derrota de Bolsonaro, Câmara rejeitou a PEC do voto impresso. Desfile de tanques militares tomou a Esplanada dos Ministérios. Flordelis teve o mandato cassado. Roberto Jefferson foi preso mais uma vez. CPI da Covid teve bate-boca e ataques. A morte da juíza Patricia Acioli completou 10 anos. Relatório da ONU apontou que mudanças climáticas causadas pelo homem são irreversíveis. A dramaturgia brasileira ficou em luto com a despedida dos atores Tarcísio Meira e Paulo José. E o pai de Britney Spears que desistiu de ser tutor da cantora.
O “Você viu?” é publicado sempre aos sábados no G1.
Voto impresso rejeitado
Em uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Congresso, a Câmara rejeitou e arquivou a PEC do voto impresso. Os números: 229 sim; 218 não; 1 abstenção; 64 ausentes; 1 não votou. Ao comentar a rejeição ao texto, Bolsonaro mentiu sobre a somatória dos votos e disse ter havido chantagem a parlamentares. Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, deram o caso por encerrado.
VOTO A VOTO: Veja como votou cada deputado
TRAIÇÕES: PSD, PSDB, DEM e MDB foram partidos que mais descumpriram orientações
CAMAROTTI: Gabinetes de deputados receberam ligações com ameaças antes de votação
O podcast “O Assunto” conta que ministros do TSE e parlamentares já costuram acordo para ampliar a amostragem de urnas testadas. A ideia é não mudar em nada o modelo eleitoral, mas responder à onda de desconfiança. Ouça abaixo:
Mais cedo, tanques militares….
Horas antes da votação, um desfile de tanques e outros veículos blindados da Marinha passou pela Esplanada dos Ministérios e fez parlamentares e partidos políticos classificarem o ato como tentativa de intimidação (veja vídeo com repercussão do ato). O comboio chegou até o Palácio do Planalto, onde Bolsonaro aguardava os militares para receber um convite para participar de um treinamento das Forças Armadas na cidade goiana de Formosa, no Entorno do DF.
VALDO CRUZ: Desfile foi para intimidar Legislativo e Judiciário, admitem assessores
CAMAROTTI: Houve ação improvisada para que militares do alto escalão participassem de ato
REPERCUSSÃO: Impressa internacional se referiu a ‘república de bananas’ e ato ‘estranho’ ao citar desfile militar
VÍDEO: Marinha exibe tanques e blindados em desfile na frente do Palácio do Planalto
Mudanças no sistema eleitoral
A Câmara rejeitou a proposta que criaria o modelo do “distritão” e aprovou, em primeiro turno, a volta das coligações partidárias nas eleições proporcionais (para deputados federais, estaduais e vereadores). Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), o texto ainda precisa passar por um novo turno de votações no plenário da Casa e ser aprovado no Senado. Para valer nas eleições de 2022, a promulgação precisa ocorrer até outubro. Entenda o que pode significar a volta das coligações.
VOTO A VOTO: Saiba como cada deputado votou
Os deputados também aprovaram um projeto que permite a duas ou mais legendas se unirem em uma federação partidária e atuarem de maneira uniforme em todo o país. Isso deve ajudar partidos menores a alcançar a chamada “cláusula de barreira”, criada para extinguir siglas que não tenham um desempenho mínimo a cada eleição. O texto já teve aval do Senado e agora segue para a sanção presidencial.
VOTO A VOTO: Veja como cada deputado votou no projeto de federação partidária
Flordelis cassada
O plenário da Câmara também decidiu cassar o mandato da deputada Flordelis (PSD-RJ), acusada de mandar matar o marido em junho de 2019. O processo criminal ainda não foi julgado, mas os deputados consideraram que a atuação da parlamentar ao longo do caso feriu o Código de Ética da Câmara. Eram necessários pelo menos 257 votos favoráveis à cassação para a perda do mandato, e o placar foi de 437 votos a 7.
VÍDEO: Flordelis se defende na Câmara dos Deputados
Flordelis disser ser vítima de injustiça, negou ter cometido o crime e afirmou que deixa a Câmara de “cabeça erguida”.
Quem é Jones Moura, defensor de armamento da Guarda Municipal que substituirá Flordelis
A semana da CPI
Brasileiros já estão acostumados a barracos na CPI da Covid, mas nenhum se compara ao ocorrido nesta semana. Em cena, o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros, que estava lá na condição de convidado (anote este detalhe, ele é importante). A sessão teve muito bate-boca, guerra de versões sobre denúncias de irregularidades na compra de vacinas, ataques à comissão e senadores em fúria . A causa da revolta? O depoente disse que a comissão atrapalha a aquisição de imunizantes. A tensão era tanta, que o presidente, senador Osmar Aziz, chegou a suspender os trabalhos (duas vezes). No fim, disse que Barros voltará à CPI – mas agora como convocado (assista aqui). Ou seja: não pode se recusar a comparecer e fica obrigado a falar a verdade, sob o risco de cometer crime de falso testemunho.
VÍDEO: Omar Aziz explica por que chamou Ricardo Barros de tucunaré
Resumo dos outros dois depoimentos:
Jailton Batista, diretor da farmacêutica Vitamedic (empresa que bancou anúncios publicitários em defesa do uso de medicamentos ineficazes contra a Covid). No depoimento, ele afirmou que a companhia nunca conduziu estudos para avaliar se a invermectina funciona no combate à doença causada pelo coronavírus – mas, mesmo assim, o depoente custeou propagandas.
“Por orientação dos meus advogados, permanecerei em silêncio.” Por cerca de 50 vezes, o coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida recorreu ao direito de não responder às perguntas para não se autoincriminar. O militar foi convocado após ter sido indicado como responsável por abrir as portas do Ministério da Saúde para um encontro com três supostos vendedores da vacina da AstraZeneca. Em 5 horas de depoimento, deu poucos detalhes e falou que o objetivo de encontros dos quais participou era tratar da negociação de doses pelo setor privado.
Roberto Jefferson preso de novo

E quem foi pra prisão mais uma vez foi o ex-deputado e presidente do PDT Roberto Jefferson. Ele é alvo do inquérito da milícia digital, que é uma continuidade do inquérito dos atos antidemocráticos. A autorização da prisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que escreveu em mandado que o político faz parte de uma “possível organização criminosa” que busca “desestabilizar as instituições republicanas”.
JULIA DUAILIBI: Moraes quer saber se Jefferson usou dinheiro de fundo eleitoral para ataques à democracia
ANA FLOR: Instinto de sobrevivência levou Roberto Jefferson ao bolsonarismo
Quem é Roberto Jefferson?
Bolsonaro investigado em mais um inquérito
Bolsonaro virou alvo de mais um inquérito, o quarto, do STF. Ele também já é investigado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desta vez, o STF quer apurar a participação dele no vazamento de uma investigação sigilosa da Polícia Federal. O presidente divulgou nas redes sociais a íntegra de um inquérito sobre suposto ataque ao sistema interno do TSE em 2018 – e que, conforme o próprio tribunal, não representou qualquer risco às eleições.
ENTENDA cada um dos 5 inquéritos que investigam Bolsonaro no STF e no TSE

A despedida de Tarcísio e Paulo José
Tarcísio Meira e Paulo José atuaram juntos: ‘Um dia nos veremos lá [no céu]’; relembre
A dramaturgia brasileira ficou em luto nesta com a perda de dois grandes nomes da televisão, do cinema e do teatro nacionais : Tarcísio Meira e Paulo José.
Tarcísio tinha 85 anos e morreu após menos de uma semana internado em UTI de São Paulo com Covid-19. A mulher dele, a atriz Glória Menezes, de 86 anos, também contraiu a doença e foi internada, mas deve ter alta em breve. Mas é importante ressaltar: nenhuma vacina oferece proteção de 100% contra doenças, mas todas reduzem o risco de infecção, hospitalização e morte, principalmente depois da segunda dose. Entenda por que a vacina tem risco mínimo de não proteger mesmo com duas doses.
Paulo José, que tinha Parkinson, morreu aos 84 anos, no Rio de Janeiro, após 20 dias internado para tratar uma pneumonia.
Os dois chegaram a atuar juntos. “Um dia nos veremos lá [no céu]”, disse Paulo a Tarcísio. Assista:
VÍDEO: ‘Um dia nos veremos lá [no céu]’, diz Paulo José a Tarcísio Meira em cena de novela
10 anos da morte da juíza Patrícia Acioli
A morte da juíza Patrícia Acioli, que investigava PMs que forjavam autos de resistência, completou 10 anos. A juíza foi morta com 21 tiros quando chegava em sua casa, em Piratininga, após sair do Fórum de São Gonçalo, onde trabalhava. Naquele dia, ela havia assinado os pedidos de prisão de dois policiais militares, que a seguiram e a mataram na mesma noite. Eles integravam uma milícia investigada por ela.
10 anos sem Patrícia Acioli: quem foi a juíza assassinada por policiais
Em uma série de reportagens especiais, o G1 mostrou que, ao longo desta década, o número de mortes cometidas por policiais é nove vezes maior em São Gonçalo (RJ), região em que Patrícia atuava. Veja também:

Filha da juíza cursa direito para seguir legado da mãe
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Investigação analisou 3 milhões de dados de celular
Testemunha que denunciou assassinato vive escondida
VÍDEOS recontam assassinato de Patrícia Acioli
Mudanças no clima irreversíveis
As mudanças recentes no clima causadas pelo homem não têm precedentes e são irreversíveis, segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento aponta que, desde a era pré-industrial, o planeta ficou 1,07ºC mais quente. E a previsão é que nos próximos 20 a temperatura aumente pelo menos 1,5ºC se não houver uma redução drástica nas emissões de gases que agravam o efeito estufa.
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MP do Novo Bolsa Família
Bolsonaro foi ao Congresso entregar a medida provisória do novo Bolsa Família, que se chamará Auxílio Brasil. A MP não estabelece o novo valor do benefício, o que deverá ser definido nos próximos meses, à medida que o governo abra espaço no Orçamento. Bolsonaro afirmou que o valor deve ser no mínimo 50% maior do que hoje é o Bolsa Família, atualmente com média de R$ 189. O valor ainda causa divergência no governo, entre os que defendem algo em torno de R$ 400 e a ala econômica, que entende que não deve superar R$ 300.
ENTENDA: Como vai funcionar o novo Bolsa Família
Free Britney
Entenda como surgiu o movimento ‘Free Britney’
O pai da cantora Britney Spears, Jamie Spears, desistiu de ser tutor dela. Em documentos enviados ao tribunal que julga o caso, ele afirma que quer ajudar na transição para um novo tutor. Desde 2018, por meio de um mecanismo legal, Jamie tem o poder de decidir quase todos os aspectos da vida da artista. Em junho, em audiência, a cantora disse acreditar que a tutela do pai é abusiva e pediu que ela termine.
Famosos adeptos do #FreeBritney comemoram a saída do pai como tutor da cantora
Mion na Globo
“Susto” e “ainda me adaptando”. Com essas palavras o apresentador Marcos Mion chegou aos estúdios Globo, após ser contratado pela emissora. Mion já tem planos para o “Caldeirão”: manter o legado de Luciano Huck, mas levar seu toque de “alegria” ao programa.
Marcos Mion vai ser apresentador da TV Globo e do Multishow
Gatos nos Tribunal
Doida, Rainha, Juliette, Atleta… Um grupo de 22 gatos entrou na Justiça contra um condomínio de João Pessoa que tenta impedir a presença dos bichos no local. Os autores da ação são os próprios animais, assistidos judicialmente pelo Instituto Protecionista SOS Animais e Plantas. Os gatos vivem no condomínio há muitos anos, antes inclusive da presença dos próprios moradores. As pessoas que residem no local colocam água, comida e levam os animais a médicos veterinários quando necessário. No entanto, a administração do condomínio passou a notificar os moradores para que não cuidem mais dos bichos.
VÍDEO: 22 gatos ‘assinam’ ação contra condomínio que tenta impedir cuidados
Chuva de meteoros
Um meteoro da chuva Perseidas atravessou o céu de Santa Catarina em 3,8 segundos. O fenômeno atingiu mais de 200 mil km/h, segundo análise do astrônomo amador e astrofotógrafo Gabriel Zaparolli.
Meteoro percorre céu de SC a mais de 200 mil km/h
Atropelado duas vezes
Um ciclista foi atropelado duas vezes em menos de dois minutos em um cruzamento na cidade de Pontes e Lacerda (MT). O motorista de uma caminhonete relatou que passava pelo local quando o ciclista atingiu a lateral do veículo. Algumas pessoas que estavam perto do local correram até o ciclista para ajudá-lo. Enquanto ele era socorrido pelo grupo, outro veículo, um Gol, passou pela via e atropelou o homem novamente.
Vídeo: Ciclista é atropelado por dois carros em cruzamento em 2 minutos em MT
Enchente em elevador
Três amigos ficaram presos com água até a altura do peito quando as águas de uma enchente invadiram o elevador no qual eles estavam em um prédio residencial em Omaha, no estado de Nebraska, nos EUA.
VÍDEO: Amigos ficam presos em elevador alagado nos EUA

Fonte: G1 Mundo

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Polícia da Nicarágua faz operação em sede de jornal em meio a onda de prisões de opositores


Único veículo de circulação nacional, ‘La Prensa’ é um duro crítico do presidente Daniel Ortega. Segundo a Polícia Nacional, diretores são investigados por fraude aduaneira e lavagem de dinheiro. Policiais deixam a sede do jornal ‘La Prensa’, o único de circulação nacional da Nicarágua, em Manágua no dia 13 de agosto
Maynor Valenzuel/Reuters
A polícia da Nicarágua fez uma operação nesta sexta-feira (13) na sede do jornal de oposição “La Prensa”, em meio à onda de prisões de críticos e rivais do presidente e candidato a mais um mandato, Daniel Ortega, a menos de três meses da eleição.
Segundo a Polícia Nacional, os diretores do jornal são investigados por fraude aduaneira e lavagem de dinheiro. A ação ocorre um dia depois que o veículo denunciou a retenção de papel e suspendeu sua circulação impressa. As instalações estão sob custódia das forças de segurança.
Patrulhas da polícia entraram nas instalações do jornal por volta do meio-dia, onde estavam funcionários do periódico.
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De junho até agora, o governo ordenou a prisão de 32 opositores, incluindo sete possíveis rivais do presidente Ortega, no poder desde 2007 e que disputará em 7 de novembro, pela ex-guerrilha de esquerda Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), o quarto mandato consecutivo.
“As leis serão aplicadas a quem cometer um crime, que se prestar a lavar dinheiro e depois esconder as provas em um jornal. Ali foram encontradas provas”, afirmou o presidente, durante um ato pelo aniversário da força naval do Exército.
Ortega, de 75 anos, acusa os opositores de traição à pátria e de promoverem sanções contra o país. Sua mulher, Rosario Murillo, está a seu lado na vice-presidência desde 2017.
Polícia da Nicarágua faz operação em sede de jornal em meio a onda de prisões
Maynor Valenzuela/Reuters
A questão do papel
Em sua edição de 12 de agosto, o “La Prensa” assegurou que o “bloqueio da ditadura orteguista” deixou o veículo sem papel. Ortega afirmou, no entanto, que as autoridades “encontraram uma quantidade de papel” no depósito durante a intervenção policial e disse que as acusações feitas pelo jornal são “uma calúnia ao Estado”. “Vai preso aquele que calunia e difama.”
Veículos ligados ao governo publicaram em suas redes sociais fotos do depósito do jornal, onde afirmaram que existe material abundante para prosseguir com o trabalho de impressão, embora o “La Prensa” tivesse denunciado o “sequestro” de sua matéria-prima pela alfândega. Funcionários alegaram que a quantidade de papel não era suficiente para imprimir uma edição.
Durante a operação, os jornalistas do “La Prensa” denunciaram que internet e energia elétrica foram cortadas e que servidores foram desligados. Funcionários que estavam no prédio foram impedidos de usar o celular.
“Estou bem. Já nos deixaram voltar à redação”, publicou no Twitter o chefe de Informação do jornal, Fabián Medina.
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Perseguição à imprensa
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e sua relatoria especial para a Liberdade de Expressão se pronunciaram em suas redes sociais condenando “a constante perseguição oficial à imprensa na Nicarágua”.
Os órgãos lembraram que “as pressões diretas ou indiretas dirigidas a silenciar o trabalho da imprensa afetam o debate democrático e são incompatíveis com o direito à liberdade de expressão”.
O “La Prensa”, com 95 anos de existência e único jornal de circulação nacional da Nicarágua, é um duro crítico do governo. Esta é a segunda vez que ele suspende sua edição impressa, depois que, em 2019, o veículo denunciou a apreensão de sua matéria-prima pela alfândega.
O “Nuevo Diario”, também de circulação nacional, suspendeu suas operações em setembro de 2019, após denúncias de bloqueio à importação de matéria-prima pela alfândega.
Os dois veículos cobriram amplamente os protestos que explodiram em 2018 contra o governo de Ortega, que os qualificou de tentativa de golpe de Estado.
Organismos sindicais estimam que pelo menos 30 veículos de comunicação independente desapareceram por confiscos ou fechamentos forçados durante o governo de Ortega.

Fonte: G1 Mundo

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Tarcísio Meira, blindados no Planalto, ciclista atropelado, Flordelis: os vídeos mais vistos da semana


Os flagras que marcaram a semana em um só lugar. Os flagras que marcaram a semana em um só lugar.

Fonte: G1 Mundo

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Afeganistão: como o Talibã avançou tão rapidamente após saída dos EUA


Com a retirada de tropas americanas e da Otan, o Talibã ganhou espaço e pode estar perto de invadir a capital afegã, Cabul. Estimativas apontam que o Talibã tem cerca de 60 mil combatentes, sem contar com milícias e apoio estrangeiro
EPA via BBC
A rapidez com que o Talibã tem dominado territórios no Afeganistão surpreendeu muitas pessoas – capitais regionais parecem cair como dominós.
Enquanto os insurgentes avançam, o governo afegão tenta manter o controle sobre as cidades. Nesta semana, vazou um relatório de inteligência dos EUA que estima que Cabul pode ser atacada nas próximas semanas, e que o governo afegão pode entrar em colapso em 90 dias.
Talibã avança para retomar o controle total do Afeganistão
Nesta sexta (13), os talibãs já dominaram a segunda maior cidade do Afeganistão, Kandahar, de cerca de 600 mil habitantes.
‘Vamos matar quem não abandonar cultura ocidental’, diz Talibã
Local de origem do Talibã, Kandahar é estrategicamente importante por possuir um aeroporto internacional, pela produção rural e industrial e por ser um dos maiores entrepostos comerciais do país.
Mas como esse avanço avassalador do grupo radical islâmico ocorreu tão rapidamente?
Os Estados Unidos e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entre eles o Reino Unido, gastaram boa parte dos últimos 20 anos treinando e equipando as forças de segurança do Afeganistão.
Inúmeros generais americanos e britânicos já declararam que haviam formado um Exército afegão mais poderoso e qualificado – promessas que hoje parecem vazias.
A força do Talibã
Talibã patrulha cidade de Ghazi, perto de Cabul, no Afeganistão, nesta quinta-feira (12)
Gulabuddin Amiri/AP Photo
O governo afegão deveria, em tese, ter vantagem sobre os talibãs, com mais tropas à sua disposição. As forças de segurança do Afeganistão contam com 300 mil pessoas, pelo menos no papel. Isso inclui exército, força aérea e polícia.
Mas, na realidade, o país sempre teve dificuldades para alcançar as metas de recrutamento. O exército e a polícia têm uma história tumultuada, com número elevado de mortes, deserções e corrupção. Alguns comandantes inescrupulosos já se apoderaram de salários de tropas que simplesmente não existiam: os chamados “soldados fantasmas”.
No seu último relatório ao Congresso dos EUA, o Inspetor Geral Especial para o Afeganistão (SIGAR) expressou “sérias preocupações sobre o efeito corrosivo da corrupção… e a questionável precisão dos dados sobre a robustez atual” das forças de segurança.
Jack Watling, do Royal United Services Institute, diz que o exército afegão nunca soube quantas tropas ele realmente tem. Além disso, diz Waitling, há problemas com manutenção de equipamentos e moral dos militares.
Soldados são frequentemente enviados para áreas onde eles não têm conexões tribais ou familiares. Essa é uma razão pela qual alguns rapidamente abandonaram seus postos sem sequer oferecer resistência, quando os territórios foram invadidos.
Entenda quem financia grupo extremista Talibã
A força do Talibã é ainda mais difícil de mensurar. Segundo o Centro de Combate ao Terrorismo, estimativas sugerem que existem cerca de 60 mil combatentes. Com o apoio de milícias, o número pode chegar a 200 mil.
Dr. Mike Martin é um ex-oficial do exército britânico que escreveu o livro An Intimate War (Uma guerra íntima), sobre o conflito na província afegã de Helmand. Ele alerta para os perigos de definir o Talibã como um grupo monolítico.
Segundo Martin, o “Talibã está mais para uma coalizão de donos de franquias independentes, que se afiliaram, provavelmente temporariamente.”
Ele observa que o governo afegão também sofre com divisões entre facções locais. A mudança na história do Afeganistão ilustra como famílias, tribos e até mesmo funcionários do governo mudaram de lado – muitas vezes para garantir sua própria sobrevivência.
Acesso a armas
Talibãs em Farah, uma capital de província do Afeganistão, em 11 de agosto de 2021
Mohammad Asif Khan/AP
Mais uma vez o governo afegão deveria ter vantagem tanto em financiamento quanto em armas. Ele recebeu, sobretudo dos EUA, bilhões de dólares para pagar salários de soldados e equipamentos. No seu relatório de julho de 2021, o Inspetor Geral Especial para o Afeganistão disse que mais de US$ 88 bilhões haviam sido gastos com segurança no Afeganistão.
Mas acrescentou: “A pergunta sobre se esse dinheiro foi bem gasto vai ser respondida pelo desenrolar do combate.”
A força aérea afegã deveria garantir ao governo uma vantagem crítica no campo de batalha. Mas ela tem tido dificuldades para manter e tripular suas 211 aeronaves- um problema que vem se agravando com o fato de o Talibã direcionar deliberadamente ataques a pilotos. A aeronáutica afegã também não tem sido capaz de atender às demandas dos comandantes em terra.
Isso ajuda a explicar a recente participação da força aérea dos EUA na tentativa fracassada de manter o controle de cidades como Lashkar Gah. Ainda não está claro por quanto tempo os EUA estão dispostos a prover esse tipo de apoio.
O Talibã normalmente depende da receita do tráfico de drogas, mas também recebe apoio estrangeiro, principalmente do Paquistão.
Mais recentemente, o Talibã conseguiu capturar armas e equipamentos das forças de segurança afegãs, como metralhadoras, morteiros e artilharias.
O Afeganistão já estava inundado de armas após a invasão soviética, e o Talibã mostrou que o mais cruel pode derrotar uma força muito mais sofisticada.
Pense no efeito mortal do Dispositivo Explosivo Improvisado (IED) nas forças americanas e britânicas. Isso, somado ao profundo conhecimento local e à compreensão do terreno, têm garantido vantagem ao grupo radical islâmico.
Foco no norte e oeste
Apesar da natureza heterogênea do Talibã, alguns ainda enxergam evidências de um plano coordenado em seu avanço recente.
Ben Barry, um ex-brigadeiro do exército britânico e agora membro sênior do Instituto de Estudos Estratégicos, reconhece que os ganhos do Talibã podem ser oportunistas, mas acrescenta: “Se você fosse escrever um plano de ataque, seria difícil chegar a algo melhor do que isso. ”
Ele aponta para o foco dos ataques do Talibã no norte e no oeste, não em seus tradicionais redutos do sul, com sucessivas capitais regionais caindo em suas mãos.
O Talibã também capturou passagens de fronteira importantes e postos de controle, canalizando as receitas alfandegárias que eram essenciais para o governo.
O grupo também aumentou os assassinatos de funcionários importantes, ativistas de direitos humanos e jornalistas. Com isso, lentamente, conseguiu eliminar alguns dos pequenos progressos obtidos nos últimos 20 anos.
Já a estratégia do governo afegão é mais difícil de identificar. Promessas de retomada do território capturado pelo Talibã parecem cada dia mais vazias.
Barry diz que o plano parece ser manter o controle das maiores cidades. Comandantes afegãos já foram deslocados para tentar evitar que Lahskar Gah e Helmand caiam nas mãos dos insurgentes.
Mas por quanto tempo vão conseguir evitar isso?
Pessoas saem do Afeganistão rumo ao Paquistão, em 13 de agosto de 2021
Jafar Khan/AP
As forças especiais afegãs são relativamente pequenas em número, cerca de 10 mil, e elas já estão sobrecarregadas. O Talibã também parece estar ganhando a propaganda da guerra e a batalha de narrativas.
Barry diz que o sucesso atual deles no campo de batalha aumentou o moral e garantiu um senso de união. Em contraste, o governo afegão está vivendo um momento de atritos, com demissão de generais.
Qual o fim do jogo?
A situação certamente parece desoladora para o governo afegão.
Mas Jack Watling diz que “a situação ainda pode ser salva pela política”. Se o governo conseguir conquistar o apoio dos líderes tribais, diz ele, ainda existe a chance de reverter o problema.
Essa visão é ecoada por Mike Martin, que aponta para o retorno do ex-senhor da guerra Abdul Rashid Dostum a Mazar-i-Sharif como um momento significativo. Ele já está negociando acordos.
A temporada de combates de verão logo terminará com o início do inverno afegão – tornando as operações mais difíceis para as forças em solo.
Ainda é possível que haja um ‘empate’ até o final do ano. O governo afegão vai se agarrar à defesa de Cabul e de uma gama de cidades grandes.
A maré pode até mudar se houver fraturas no Talibã. Mas, no momento, parece que os esforços dos EUA e da Otan em garantir paz, segurança e estabilidade no Afeganistão foram tão infrutíferos quanto os dos soviéticos que vieram antes deles.

Fonte: G1 Mundo

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Presidente do México chama de ‘fracasso’ a conquista espanhola, ocorrida há 500 anos


‘Conquista e colonização são sinais de atraso’, critica López Obrador. Data marca cinco séculos desde a tomada de Tenochtitlan pelos espanhóis. Presidente do México, Andrés López Obrador, durante celebração nesta sexta (13) dos 500 anos da tomada de Tenochtitlan pelos espanhóis
Alfredo Estrella/AFP
O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse que a conquista dos espanhóis “foi um fracasso retumbante”, ao relembrar nesta sexta-feira (13) os 500 anos desde a queda do Império Asteca.
“Este desastre, cataclismo, catástrofe, como você quiser chamar, nos permite sustentar que a conquista foi um fracasso retumbante”, disse López Obrador, presidindo uma cerimônia que relembrou cinco séculos da queda da Grande Tenochtitlán, a cidade asteca.
A cerimônia foi realizada no Zócalo, praça central que foi o coração do Império Asteca, na presença de representantes indígenas do México, Canadá e Estados Unidos e descendentes de Moctezuma II, o terceiro imperador.
Cerimônia na Cidade do México nesta sexta (13) relembra 500 anos de ‘resistência indígena’ diante dos conquistadores espanhóis
Rodrigo Arangua/AFP
“De que civilização podemos falar se a vida de milhões de seres humanos se perde e a nação, o império ou a monarquia dominante não consegue em três séculos de colonização recuperar a população que existia antes da ocupação militar?”, acrescentou o presidente.
López Obrador fez uma contagem das doenças sofridas pelos índios com a chegada dos espanhóis e os acusou de levar grandes quantidades de ouro.
“O ouro que tiraram do México, em 300 anos” que durou a colônia espanhola “foi de 182 toneladas”, disse.
A conquista e a colonização “são sinais de atraso, não de civilização, menos de justiça”, sublinhou de costas para uma monumental representação do Templo Mayor, centro da vida religiosa da era mexica.
“Tomara que todos nós nos comprometamos com a não repetição. E digamos nunca mais a uma invasão, ocupação ou conquista”, acrescentou.
Obrador exige desculpas
Cerimônia na Cidade do México nesta sexta (13) relembra 500 anos de ‘resistência indígena’ diante dos conquistadores espanhóis
Rodrigo Arangua/AFP
O presidente de esquerda insistiu em outras ocasiões que a Espanha e a Igreja Católica devem se desculpar pelos excessos cometidos durante a conquista.
Sem ter obtido uma resposta favorável a esta reclamação, López Obrador pediu nesta sexta-feira “perdão às vítimas da catástrofe causada pela ocupação militar espanhola da Mesoamérica e do resto do território da atual República Mexicana”.
O Zócalo e as ruas ao redor foram fechadas para o trânsito de pessoas fora da cerimônia, incluindo indígenas que comemoraram na quinta-feira o último dia soberano de Tenochtitlán com danças e orações.

Fonte: G1 Mundo