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Diretor da OMS pede cumprimento das medidas contra a Covid nos Jogos Olímpicos: ‘Na vida, não existe risco zero’


Tedros Adhanom elogiou protocolos e disse que competição pode servir para provar ao mundo a importância da prevenção ao coronavírus. Diretor-chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante reunião em Genebra em 24 de maio
Laurent Gillieron/Pool via Reuters/Arquivp
O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, manifestou nesta quarta-feira (21) (noite de quarta no Brasil) apoio aos Jogos Olímpicos de Tóquio e disse que o evento é a oportunidade para mostrar ao mundo a importância da adoção das medidas para prevenir o espalhamento da Covid-19.
“Espero que sejam bem sucedidos, como uma demonstração do que é possível quando se adotam os planos corretos e medidas corretas”, disse, em discurso a integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) em Tóquio. “Esses planos e precauções serão colocados em testes”, completou.
“Na vida, não existe risco zero. Só existe risco maior ou risco menor”, alertou Tedros. “As escolhas que fazemos diminuem ou aumentam os riscos, mas não eliminam”.
Adiados em um ano por causa da pandemia do coronavírus, os Jogos Olímpicos de Tóquio vão ocorrer sem público na maior parte das competições por causa do contágio em alta no Japão — o que levou a pedidos de cancelamento por parte da opinião pública japonesa. A Cerimônia de Abertura está marcada para esta sexta-feira (23), mas os primeiros eventos começaram já nesta quarta.
Reportagem em atualização

Fonte: G1 Mundo

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Chuva causa alagamentos e deixa mortos em província na região central da China


Em apenas uma hora moradores ficaram ilhados em escolas e locais de trabalho na província de Henan; ao menos 12 pessoas morreram e 100 mil foram levadas para locais mais seguros. Estações de metrô foram inundadas e bairros inteiros ficaram cobertos de água. Veículos presos após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20)
Chinatopix Via AP
Ao menos 12 pessoas morreram e 100 mil tiveram que ser levadas para locais mais seguros devido a graves enchentes na capital da província de Henan, na região central China, nesta terça-feira (20). Alagamentos deixaram pessoas presas em metrôs, escolas e locais de trabalho durante toda a noite em Zhengshou.
Segundo a agência oficial de notícias chinesa Xinhua, com dados da agência meteorológica de Henan, apenas entre as 16h e às 17 horas, foram 20 centímetros de chuva, que transformaram as ruas em riachos de forte correnteza, prendendo carros e inundando estações de metrô.
Vídeos postados online mostravam bairros inteiros cobertos de água na altura da cintura e veículos flutuando na água lamacenta.
Ao norte, o famoso Templo Shaolin, conhecido pelo domínio das artes marciais de seus monges budistas, foi duramente atingido. A província de Henan abriga muitos locais culturais e uma importante base para a indústria e agricultura.
Pessoas tentam atravessar ruas alagadas após forte chuva em Zhengzhou, capital da província de Henan, na China, na terça-feira (20)
Chinatopix Via AP
Pessoas ilhadas passaram a noite em seus locais de trabalho ou se hospedaram em hotéis próximos, sem conseguir chegar em suas casas.
Wang Guirong, uma gerente de restaurante de 56 anos, disse que planejava dormir no sofá de seu restaurante após ser informada de que não havia eletricidade em seu bairro. A State Grid Zhengzhou Power Supply Co. disse que uma subestação no centro da cidade foi forçada a fechar por causa da chuva.
“Vivi em Zhengzhou toda a minha vida e nunca vi uma tempestade tão forte como hoje”, disse Wang.
A China sofre inundações regulares durante os meses de verão, mas o crescimento das cidades e a conversão de terras agrícolas em subdivisões aumentaram o impacto de tais eventos.

Fonte: G1 Mundo

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China nega estar por trás de ataque cibernético contra Microsoft

Grupo de países ocidentais acusou hackers patrocinados pelo Estado chinês estariam envolvidos no incidente, que afetou pelo menos 30 mil empresas. EUA acusam China de hackear a Microsoft
A China criticou afirmações “infundadas” de que realizou um grande ataque cibernético contra a gigante da tecnologia Microsoft.
Um grupo de países ocidentais acusou a China de hackear o Microsoft Exchange — uma plataforma de email popular usada por empresas em todo o mundo.
A declaração conjunta acusou o Ministério de Segurança da China de minar a estabilidade e a segurança globais. A China sempre afirmou que se opõe a todas as formas de crimes cibernéticos.
Na segunda-feira (19/7), a Nova Zelândia se juntou ao grupo de países, incluindo Reino Unido, Estados Unidos e Austrália, ao culpar atores patrocinados pelo Estado chinês por “atividades cibernéticas maliciosas” no país, incluindo o ataque à Microsoft.
A embaixada chinesa em Wellington classificou as acusações de “infundadas e irresponsáveis”. “O governo chinês é um defensor ferrenho da segurança cibernética”, informou um comunicado publicado pela embaixada em resposta a um questionamento de repórteres. “Fazer acusações sem (provas) é malicioso.”
A embaixada chinesa na Austrália reafirmou essas observações, descrevendo Washington como “o campeão mundial de ataques cibernéticos maliciosos”.
Ataque em larga escala
O ataque contra a Microsoft afetou pelo menos 30 mil organizações em todo o mundo. O Exchange é uma plataforma de email usada por grandes corporações, pequenas empresas e órgãos públicos em todo o mundo.
A Microsoft culpou um grupo chinês de espionagem cibernética de explorar uma vulnerabilidade no Microsoft Exchange — que permitia a hackers acessarem remotamente as caixas de entrada de emails.
O grupo, conhecido como Hafnium, foi descoberto pelo Centro de Inteligência de Ameaças da Microsoft como patrocinado pelo Estado e operando na China.
Fontes de segurança ocidentais acreditam que o Hafnium obteve conhecimento prévio de que a Microsoft pretendia corrigir ou eliminar a vulnerabilidade e, portanto, a compartilhou com outros grupos baseados na China para maximizar o ataque antes de ela ser solucionada.
“Acreditamos que ciberoperadores trabalhando sob o controle da inteligência chinesa aprenderam sobre a vulnerabilidade da Microsoft no início de janeiro e estavam correndo para explorá-la antes que ela fosse amplamente identificada no domínio público”, disse uma fonte de segurança à BBC.
O ataque sinalizou uma mudança de uma campanha de espionagem direcionada para uma ação destrutiva, levando a preocupações de uma escalada do comportamento cibernético chinês, de acordo com os serviços de segurança ocidentais.
O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido disse que o governo chinês “ignorou repetidos apelos para encerrar sua campanha imprudente, permitindo que atores apoiados pelo Estado aumentem a escala de seus ataques e ajam de forma imprudente quando pegos”.
A Casa Branca disse que se reserva o direito de tomar medidas adicionais contra a China por causa de suas atividades cibernéticas. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse a jornalistas que o governo chinês pode não ter executado os ataques, mas sim “protegendo aqueles que os estão cometendo. E talvez até os abrigando ao serem capazes de fazê-los”.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos também anunciou acusações criminais contra quatro hackers supostamente ligados ao Ministério de Segurança chinês que, segundo o governo americano, estavam vinculados a uma campanha de longo prazo cujo alvo era governos estrangeiros e entidades em setores-chave em pelo menos uma dúzia de países.
Saiba como se proteger na internet

Fonte: G1 Mundo

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Chumbo: como metal pesado tóxico afeta crianças no Brasil e no mundo décadas após proibição


A contaminação por chumbo pode ter consequências ao longo da vida no desenvolvimento físico e cognitivo, mas milhões de crianças e adultos estão vulneráveis e nem mesmo sabem disso. Parques e praças onde as crianças brincam podem ser uma fonte de envenenamento por chumbo, de acordo com especialistas em Nova Orleans
Getty Images via BBC
Ele é tão tóxico que pode danificar o cérebro das crianças pelo resto da vida. Tão persistente que fica no ar por décadas. E tão onipresente que afeta um terço das crianças do planeta.
A intoxicação por chumbo é um problema sério e global. Estima-se que até 800 milhões tenham níveis deste metal pesado no sangue iguais ou superiores a 5 microgramas por decilitro (µg/dL), o nível em que uma intervenção é necessária, de acordo com um relatório conjunto de 2020 da Unicef, o braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a infância e adolescência, e da ONG internacional Pure Earth.
O chumbo é tão tóxico que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que “nenhum nível no sangue é seguro”.
Um estudo recente em Londres descobriu que o chumbo usado no passado na gasolina persiste no ar da capital britânica, embora o metal tenha sido proibido nos combustíveis no Reino Unido há mais de 20 anos. E estudos em outras cidades como Xangai e São Paulo encontraram resultados semelhantes.
Outras fontes de contaminação incluem desde tintas até a reciclagem insegura de baterias, passando por temperos.
Cerâmica sem chumbo produzida por iniciativa da Pure Earth em Puebla, no México
PURE EARTH MÉXICO via BBC
A Unicef e a Pure Earth destacam especialmente o caso do México, onde a principal fonte de envenenamento é muito diferente: o uso de esmaltes na cerâmica. “Nunca esquecerei uma criança de 2 anos que tinha níveis de mais de 65 microgramas por decilitro”, diz Daniel Estrada, CEO da Pure Earth no México.
“É muito triste saber que uma tradição tão bela provocou a intoxicação dessa criança e que ela não pode desenvolver suas capacidades ao máximo por causa disso.”
As fontes de chumbo podem ser muito diferentes. O que não varia é seu impacto devastador nas crianças.
O efeito do chumbo na saúde
Chumbo, que pode vir de tintas à base de chumbo, é uma neurotoxina poderosa que pode causar danos irreparáveis ao cérebro das crianças
Getty Images via BBC
O chumbo pode causar danos irreparáveis aos cérebros das crianças, segundo o relatório da Unicef e da Pure Earth “A verdade tóxica: a exposição das crianças à contaminação por chumbo prejudica o potencial de uma geração”.
É particularmente destrutivo para bebês e crianças menores de cinco anos, porque danifica seus cérebros antes que tenham a oportunidade de se desenvolver plenamente, causando prejuízos neurológicos, cognitivos e físicos para toda a vida, de acordo com o informe.
Vários estudos revelam que níveis de chumbo no sangue superiores a 5 mg/dL estão associados a uma perda irreversível de capacidade intelectual. E o envenenamento por chumbo na infância também foi relacionado ao comportamento criminoso de adolescentes e adultos.
A OMS destaca que o chumbo também causa danos permanentes em adultos, por exemplo, aumentando o risco de hipertensão e danos renais.
Como o chumbo atua no corpo
Chumbo, que pode vir de tintas à base de chumbo, é uma neurotoxina poderosa que pode causar danos irreparáveis ao cérebro das crianças
Getty Images via BBC
O chumbo pode prejudicar a saúde fundamentalmente por meio de dois mecanismos, explica à BBC News Mundo Howard Mielke, professor da Escola de Medicina da Tulane University em Nova Orleans, nos Estados Unidos.
Mielke pesquisa o impacto do chumbo na saúde das crianças há mais de 40 anos. Um desses mecanismos é que o chumbo é quimicamente semelhante ao cálcio e “rouba” seu lugar.
“O cálcio é essencial nas sinapses das células nervosas. Se o chumbo ocupar o lugar do cálcio, os sinais não são transmitidos, e as células nervosas morrem. O resultado é um encolhimento do cérebro”, explica o especialista.
Uma segunda maneira pela qual o chumbo prejudica a saúde é que ele se deposita nos dentes e nos ossos, onde se acumula com o tempo.
Mielke fala de um “legado multigeracional de chumbo”. “Se a mãe foi exposta ao chumbo quando criança, seus ossos contêm chumbo. Durante a gravidez, o cálcio nos ossos da mãe é importante para o desenvolvimento do feto. Mas, se os ossos da mãe contiverem chumbo, esse chumbo passará para o feto em vez do cálcio. ”
O dano é sempre irreversível?
Chumbo é particularmente destrutivo para bebês e crianças menores de 5 anos,
Getty Images via BBC
Se as crianças foram expostas de forma crônica e excessiva ao chumbo por longos períodos na infância, as consequências são irreversíveis, diz Mielke. “Se a exposição foi por um período curto e não de forma intensa, e a fonte de chumbo é rapidamente reduzida, então, o dano pode ser limitado e pode haver uma recuperação.”
“As crianças são resilientes. No entanto, o principal tratamento é a prevenção primária, ou seja, prevenir a exposição ao pó de chumbo em primeiro lugar.”
Daniel Estrada explica que “os danos às crianças são permanentes se a fonte de exposição não for eliminada após os 4 anos de idade. Se o chumbo for eliminado mais cedo, o dano é reversível”.
Chumbo da gasolina em Londres
Chumbo da gasolina persiste no ar de Londres mais de 20 anos depois que seu uso como combustível foi proibido
Getty Images via BBC
Em Londres, o chumbo da gasolina persiste no ar mais de 20 anos depois que seu uso foi proibido, segundo estudo da Universidade Imperial College. O chumbo começou a ser usado como um antidetonante na gasolina no Reino Unido na década de 1930 e foi eliminado desse combustível até sua proibição total em 1999.
“As análises químicas realizadas em amostras de partículas atmosféricas coletadas em Londres indicam que o teor de chumbo é muito alto em relação ao padrão de referência para este elemento na crosta terrestre (ou nível de fundo)”, diz Raquel Ochoa González, uma das autoras do estudo, doutora em Química e pesquisadora do Departamento de Ciências da Terra e Engenharia da Imperial College.
“Esses dados nos permitem dizer com precisão que as partículas que analisamos são claramente enriquecidas em chumbo em comparação com os níveis de fundo e que existem fontes que vêm da atividade humana.”
Cientistas da Imperial College determinaram com análise isotópica que até 40% do chumbo no ar de Londres hoje vem do legado da gasolina com chumbo. Isótopos são átomos do mesmo elemento cujos núcleos atômicos têm o mesmo número de prótons, mas diferentes números de nêutrons.
Antigo posto de gasolina nos Estados Unidos que vendia gasolina com chumbo, “lead” em inglês. O Tetraetilchumbo (chumbo tetraetila) foi adicionado à gasolina como um antidetonante
Getty Images via BBC
“O chumbo é um elemento que possui vários isótopos dos quais apenas aqueles com massas 204, 206, 207 e 208 são estáveis. A análise das razões isotópicas do chumbo nos fornece informações muito valiosas sobre a origem desse elemento, para que possamos obter ‘impressões digitais’ características para cada fonte de chumbo”, explica González.
O chumbo da gasolina que foi depositada ao longo de décadas em superfícies e solos urbanos pode ser “ressuspenso” no ar pelo vento, tráfego ou durante obras. “A ressuspensão de partículas poluentes inaláveis é uma fonte muito importante de poluição atmosférica em áreas urbanas”, acrescenta a pesquisadora.
E no Brasil?
Processo de eliminação do chumbo da gasolina foi concluído no Brasil em 1992, quando etanol começou a ser misturado a esse combustível
Getty Images via BBC
Embora o uso do chumbo na gasolina tenha sido abandonado, seu legado continua principalmente nas grandes cidades.
No caso do Brasil, estudos de 2017, 2018 e 2019 confirmaram a presença de chumbo da gasolina no ar, conforme dois dos autores desses estudos, Carlos Eduardo Souto de Oliveira, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), e Marly Babinski, professora e pesquisadora do Centro de Geocronologia e Geoquímica Isotópica da USP.
O Brasil foi “um dos primeiros países do mundo a eliminar o chumbo da gasolina”, assinalam os pesquisadores.
“A fase de eliminação do chumbo adicionado à gasolina para atuar como antidetonante começou no Brasil em 1989 e terminou em 1992, quando o etanol passou a ser misturado à gasolina.”
O estudo de 2017 mostrou em São Paulo uma redução da ordem de 50 vezes entre 1970 e 2005 nas concentrações de chumbo no material particulado atmosférico (mistura de partículas sólidas e gotas de líquidos encontrados na atmosfera ) coletado em 24 horas na fração de partículas entre 2,5 micrômetros ou menos de diâmetro e partículas de 10 mícrons de diâmetro ou menos (a título de comparação, um fio de cabelo humano tem cerca de 70 mícrons).
As principais fontes de chumbo foram o tráfego de veículos e o cimento da construção ou de uma empresa de mistura de cimento nas proximidades. Uma terceira fonte de chumbo foi a região industrial de Cubatão, localizada a cerca de 50 km da cidade de São Paulo.
O estudo de 2019 comparou o material particulado em São Paulo e Londres e encontrou maior contribuição do chumbo da gasolina na capital britânica.
Outras fontes
Reciclagem informal e perigosa de baterias de chumbo é um dos principais contribuintes para envenenamento por chumbo em crianças em países de baixa e média renda
Getty Images via BBC
Além do legado de chumbo na gasolina, a reciclagem informal e inadequada de baterias de chumbo é um dos principais contribuintes para o envenenamento por chumbo em crianças em países de baixa e média renda, onde o número de veículos triplicou desde 2000, de acordo com o relatório da Unicef e da Pure Earth.
“Trabalhadores em pequenas empresas de reciclagem, de forma perigosa e muitas vezes ilegal, quebram caixas de baterias, derramam ácido de chumbo e poeira no chão, e derretem esse material recuperado em fornalhas externas rudimentares que emitem gases tóxicos que envenenam a comunidade ao redor”, diz o relatório.
Outras fontes de exposição infantil incluem chumbo na água de canos, tintas, soldas em latas de comida e especiarias, cosméticos, brinquedos e outros produtos de consumo. “Pais cujas ocupações envolvem trabalho com chumbo muitas vezes trazem pó de chumbo para casa em suas roupas, cabelos, mãos e sapatos, inadvertidamente expondo seus filhos a este produto tóxico.”
No caso das especiarias, um estudo do Departamento de Saúde da Cidade de Nova York, nos Estados Unidos, analisou mais de 1,4 mil amostras de especiarias importadas de países como Paquistão e Bangladesh, vendidas em embalagens sem marcas ou rótulos. Mais de 30% dessas amostras apresentaram concentrações de chumbo superiores a 2 ppm ou partes por milhão, nível máximo que é considerado seguro.
Especiarias também podem ter concentrações de chumbo
Getty Images via BBC
O caso do México
O problema do envenenamento por chumbo na infância no México “é realmente sério”, de acordo com Daniel Estrada. “Em média, 2 em cada 10 crianças mexicanas têm envenenamento por chumbo. Em Puebla, quase metade das crianças tem envenenamento por chumbo. Isso se traduz em uma diminuição das capacidades neurológicas e danos a diferentes órgãos”, acrescenta.
O relatório da Unicef e da Pure Earth cita um levantamento conduzido pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) do México, segundo o qual 1,4 milhão de crianças menores de 5 anos no México tinham níveis de chumbo no sangue acima de 5 µg/dL.
“O chumbo é usado para produzir o esmalte que recobre as peças de barro”, explica Estrada.
No México, ONG Pure Earth ajuda trabalhadores da cerâmica a fazer a transição para esmaltes sem chumbo
PURE EARTH MÉXICO via BBC
“Para a produção de barro esmaltado, a peça é feita primeiro e levada ao forno para produzir a primeira queima, conhecida como sancocho ou jahuete. Para a esmaltação, o sancocho é coberto com óxido de chumbo e levado ao forno pela segunda vez. Ao sair do forno, a peça já tem um esmalte que ajuda a impermeabilizá-la. Hoje, existem esmaltes sem chumbo que dão um acabamento semelhante ao dado pelo óxido de chumbo, mas sem serem tóxicos.”
“Quando o óxido de chumbo é usado, o chumbo do esmalte passa para os líquidos ou alimentos quando são ácidos ou quentes. É assim que o chumbo passa para o arroz, suco ou outro alimento servido ou preparado em cerâmica esmaltada com chumbo”, assinala Estrada.
Ceramistas participando de programa Barro Aprobado no México, da ONG Pure Earth
PURE EARTH MÉXICO via BBC
A Pure Earth promove um programa no México para ajudar ceramistas a fazer a transição para esmaltes sem chumbo.
“O programa ‘Barro Aprobado’ consiste em dar aos ceramistas selos personalizados na produção de cerâmicas sem chumbo, bem como promover lojas de olarias e restaurantes sem chumbo. Até agora, temos mais de 40 ceramistas no programa, mas há cada vez mais interesse na indústria para ser livre de chumbo. ”
O caso de Nova Orleans
Uma das vias de envenenamento por chumbo é que as crianças costumam colocar as mãos ou brinquedos que estavam em contato com o solo em suas bocas, diz Mielke
Getty Images via BBC
Em Nova Orleans, Howard Mielke conduziu estudos que relacionam o chumbo no solo ou chão de parques ou praças com os níveis de chumbo no sangue de crianças. Em primeiro lugar, “muitas vezes, as crianças colocam as mãos ou os brinquedos que estavam em contato com o solo na boca”, enumera o pesquisador.
“Em segundo lugar, o chumbo do solo entra na casa das crianças pelos sapatos (tirar os sapatos na porta limita esse movimento).”
“Terceiro, o chumbo no solo é ressuspenso no ar (como mostrou um estudo recente de Londres) durante os períodos de seca do ano e entra em sua casa pela janela.”
“Quarto, o pó ressuspenso é inalado, e as nanopartículas entram nos pulmões e são absorvidas diretamente na corrente sanguínea.”
Em Nova Orleans, Mielke supervisionou a limpeza de locais de jogos contaminados com chumbo
Howard Mielke via BBC
Mielke supervisionou projetos de limpeza de solo e sujeira em 30 praças e áreas recreativas em Nova Orleans, sobre os quais uma malha de fibra sintética chamada geotêxtil foi colocada. “Um geotêxtil permeável de cor laranja é colocado no topo do solo contaminado. E, então, uma camada de 6 cm de solo com baixos níveis de chumbo (menos de 10-20 ppm) é espalhada.”
Dessa forma, “a superfície onde as crianças brincam passou de níveis de chumbo de 700 ppm para níveis abaixo de 20 ppm”. Além dos projetos de Mielke, o pesquisador observa que a cidade de New Orleans também fez trabalhos de remediação em 13 parques locais.
Mas o cientista garantiu que “o interior de Nova Orleans continua muito poluído para as crianças. Seus níveis de chumbo no sangue continuam excessivamente altos”.
Justiça ambiental
Após limpeza, “superfície onde crianças brincavam passou de níveis de chumbo de 700 ppm para níveis inferiores a 20 ppm”
Howard Mielke via BBC
A intoxicação por chumbo afeta desproporcionalmente crianças em países de baixa e média renda, de acordo com a Unicef e a Pure Earth. E, dentro de cada país, os mais afetados tendem a ser crianças de comunidades mais pobres.
As ações para reduzir a exposição ao chumbo têm um elemento de “justiça ambiental”, de acordo com Mielke. “Pessoas de baixa renda vivem em comunidades onde a moradia é mais acessível”, diz ele.
“Infelizmente, esses imóveis mais acessíveis são geralmente encontrados em áreas urbanas pobres com congestionamento de tráfego e, possivelmente, com casas que têm pintura à base de chumbo antiga. Quando o chumbo era usado na gasolina, o meio ambiente nessas comunidades ficava contaminado com nanopartículas de chumbo (partículas da combustão).”
Essas partículas são ressuspensas no ar e se tornam uma fonte de envenenamento para crianças, o que pode resultar em sérias deficiências e consequências para a vida toda.
“Essas disparidades prejudicam a sociedade. “A indústria do chumbo promoveu um padrão de 400 ppm nos solos. Mas vimos que esse nível é muito alto. Comunidades com níveis de 40 ppm nos solos são mais seguras para a maioria das crianças.”
Prevenção
Protestos em Newark em 2019 por causa dos altos níveis de chumbo na água de canos de chumbo
Getty Images via BBC
A Unicef e a Pure Earth recomendam ações coordenadas para os países afetados em diferentes áreas, incluindo monitoramento por meio de testes de chumbo no sangue e prevenção da exposição das crianças a produtos que contenham chumbo, como brinquedos e tintas, bem como a reciclagem segura de baterias e lixo eletrônico.
Raquel Ochoa González cita como exemplo a vigilância da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. “Como medidas para prevenir a exposição ao chumbo, podemos apontar a inspeção de canos em casas construídas antes dos anos 1980, evitar o contato com pinturas danificadas, lavar as mãos antes de comer alimentos e evitar o uso de objetos de metal e brinquedos velhos.”
Para Daniel Estrada, na América Latina, deve haver “políticas adequadas e, acima de tudo, mecanismos de vigilância, tanto para a indústria quanto para os níveis de chumbo no sangue de crianças vulneráveis”.
Exame de sangue em um bebê em Flint, Michigan, para verificar os níveis de chumbo
Getty Images via BBC
Então, qual a principal mensagem que Estrada daria ao público? “Monitorar seus níveis de chumbo no sangue, porque os da mãe podem ser semelhantes aos das crianças. Se encontrarem níveis elevados, busquem a fonte para eliminá-los.” E a mensagem para os compradores de cerâmica esmaltada “é comprar cerâmica esmaltada sem chumbo”.
O envenenamento de crianças por chumbo, com seu impacto devastador ao longo da vida, é uma tragédia. Mas existem medidas que podem ser tomadas para reduzir a exposição das crianças a essa toxina.
“As crianças são extraordinariamente sensíveis ao ambiente”, diz Mielke. “São os adultos que devem assumir a responsabilidade de tornar esses ambientes os mais seguros possíveis em termos de níveis de chumbo.”

Fonte: G1 Mundo

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Censo anual dos cisnes da rainha Elizabeth II acontece na Inglaterra


Tradição é mantida desde o século XII. Por lei, todos os cisnes do país pertencem à rainha. Contagem dura cinco dias e é atualmente usada para ajudar na preservação da espécie. Censo dos cisnes da rainha Elizabeth II na Inglaterra em 20 de julho de 2021
Família Real Britânica
A contagem anual dos cisnes que pertencem à rainha Elizabeth II começou nesta terça-feira (20) na Inglaterra.
O evento, com duração de cinco dias, data do século XII e começou como um ritual para garantir que haveria cisnes suficientes para banquetes.
Atualmente, porém, ele está relacionado à conservação: os dados do censo são usados para conferir o crescimento da população das aves.
Censo anual dos cisnes da rainha no Reino Unido em 20 de julho de 2021
Família Real Britânica
Pela lei britânica, todos os Cisnes Mudos – uma espécie de cisnes com bico cor de laranja – em águas abertas do país são propriedade da monarquia.
Uma equipe de dedicados contadores oficiais é encarregada de encontrar os cisnes em um trecho específico do rio Tâmisa e catalogá-los.

Fonte: G1 Mundo

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Forte calor e incêndios florestais no estado do Oregon preocupam autoridades, que pedem ajuda


Incêndio atingiu área maior do que 1 mil quilômetros quadrados. Desastre não foi pior porque região é pouco habitada. Incêndio Bootleg, em Oregon, nos EUA, é um dos maiores da história do estado. Foto de 17 de julho
Bootleg Fire Incident Command via AP
Altas temperaturas e incêndios florestais preocupam autoridades no oeste dos Estados Unidos. No Oregon, o governo local pediu na segunda-feira (19) ajuda a outras partes do país para obter mais recursos para o combate às chamas.
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Uma das situações mais preocupantes é o chamado Incêndio Bootleg, na região da Floresta Nacional Fremont-Winema. Estima-se que as chamas cheguem a uma extensão de 1.474 quilômetros quadrados.
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Além disso, a chegada das chuvas se torna outra preocupação: apesar de a água poder minimizar alguns focos de incêndio, raios podem gerar mais fogo em uma região cheia de folhas e galhos secos.
Avião despeja material de combate às chamas no sul do estado de Oregon, nos EUA, em 15 de julho
Bootleg Fire Incident Command via AP
Entre os recursos pedidos pelas autoridades de Oregon, estão equipamentos de combate às chamas de outros estados como Arkansas, Nevada e Alasca.
Em entrevista à agência Associated Press, o pesquisador James Johnston, da Universidade do Estado de Oregon, disse que o desastre só não foi pior porque o incêndio abrange uma área muito pouco habitada dos EUA.
“Se fosse nas partes mais populosas, teria destruído milhares de casas”, alerta o cientista.
Verão muito quente na América do Norte
Homem se refresca em totem de vapor de água em Vancouver, no Canadá, neste domingo (27), dia de recorde de calor no país
Jennifer Gauthier/Reuters
Embora incêndios florestais sejam relativamente comuns nesta época do ano, a intensidade preocupa: aliás, este tem sido um dos verões mais quentes da história na América do Norte.
VÍDEO: Imagens mostram queimada que devasta vilarejo no Canadá
O Canadá registrou em meados de junho as maiores temperaturas da história do país, com temperaturas se aproximando dos 50°C. Um incêndio florestal de enormes proporções chegou a devastar um vilarejo inteiro. Relembre no VÍDEO acima.
Também na região do Pacífico, os estados de Oregon e Washington, nos EUA, também assistiram às temperaturas subirem como jamais visto na história.

Fonte: G1 Mundo

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Novo premiê do Haiti pede por ‘unidade nacional’ ao assumir governo após morte do presidente


Ariel Henry substitui o interino Claude Joseph, que anunciou sua saída na véspera. Político de 71 anos havia sido indicado para o cargo pelo presidente Jovenel Moïse dias antes de seu assassinato. Ariel Henry, primeiro-ministro do Haiti, em foto sem data
Gabinete do Primeiro-ministro do Haiti
O novo primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, pediu por “unidade nacional” nesta terça-feira (20) ao assumir o governo do país após a morte do presidente Jovenel Moïse, em 7 de julho.
Na segunda-feira (19), o premiê interino Claude Joseph havia anunciado sua saída, abrindo espaço para a posse do médico e político de 71 anos.
Jovenel Moïse: 4 incógnitas sobre o assassinato do presidente do Haiti
Henry foi indicado por Moïse dois dias antes de seu assassinato. Ele se tornou o sétimo primeiro-ministro a tomar posse que foi nomeado pelo político.
Além do cargo de primeiro-ministro, Henry assumirá a pasta de Assuntos Sociais e Trabalho. Joseph, o interino, passará a liderar o Ministério de Relações Exteriores.
Pressão internacional
O cabo de guerra entre Joseph e Henry pela liderança do Executivo terminou no fim de semana, após a pressão conjunta dos embaixadores de vários países, entre eles França e Estados Unidos, assim como de emissários da OEA e da ONU.
Henry, ex-cirurgião que foi várias vezes ministro, prometeu trabalhar pelo consenso no país caribenho, assolado pela pobreza, insegurança e pela corrupção.
Em um discurso transmitido pela TV, Henry disse querer “lançar um apelo solene à unidade nacional, à união de nossas forças e à cooperação de todos, para frear esta corrida do país para o abismo, para subir a encosta e proteger o nosso país dos múltiplos perigos que o ameaçam”.
Segundo o novo primeiro-ministro, “a própria existência da nação” do Haiti está atualmente “em perigo”.
Quanto ao assassinato de Moïse, cujo funeral nacional será na sexta-feira (23), Henry prometeu que “os culpados e seus mandantes responderão pelos atos na Justiça haitiana”.
Assassinato, gangues e instabilidade política: o que está acontecendo no Haiti
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Fonte: G1 Mundo

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Emmanuel Macron, da França, outros dois presidentes e três primeiros-ministros podem ter sido espionados com programa


Não se pode dizer que os líderes de Estado foram efetivamente espionados pelo software invasor, mas os números deles aparecem na lista de vítimas em potencial. O presidente da França, Emmanuel Macron, durante teleconferência em agosto de 2020
Christophe Simon/Pool via Reuters
Entre as pessoas que podem ter sido espionadas pelo software Pegasus, que invade smartphones sem que o dono saiba, estão pelo menos três presidentes e três primeiros-ministros que estão atualmente no poder. A informação foi publicada pelo “Washington Post” nesta terça-feira (20).
Veja quem são os líderes que têm números de telefones encontrados na lista:
Três presidentes
Emmanuel Macron, da França;
Barham Salih, do Iraque;
Cyril Ramaphosa, da África do Sul;
Três primeiros-ministros que ainda estão no poder
Imran Khan, do Paquistão
Mostafa Madbouly, do Egito
Saad-Eddine El Othmani, do Marrocos;
Três primeiros-ministros que já deixaram o poder:
Saad Hariri, do Líbano;
Ruhakana Rugunda, de Uganda
Charles Michel, da Bélgica
Um rei:
Mohammed VI, do Marrocos
O fato de o telefone estar na lista não significa que o telefone foi de fato invadido pelo Pegasus. Segundo o “Washington Post”, nenhum dos líderes de Estado aceitou uma vistoria em seus aparelhos para saber se eles realmente foram vítimas de espionagem.
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No domingo, revelou-se que há uma lista de 50 mil números de telefones que podem ter sido invadidos pelo Pegasus, que foi desenvolvido por uma empresa de Israel chamada NSO Group.
Há centenas de dirigentes políticos na lista, segundo o jornal norte-americano.
O que é o Pegasus?
O Pegasus é uma ferramenta extremamente invasiva, que pode ligar a câmera e o microfone do celular, bem como acessar dados do dispositivo, convertendo-o em um espião de bolso.
Em alguns casos, ele pode ser instalado sem a necessidade de enganar o usuário para que ele faça um download, que é a maneira mais comum de invadir um aparelho.
Como surgiu a história?
A Forbidden Stories, uma organização sem fins lucrativos de Paris, e a Anistia Internacional conseguiram uma lista de 50 mil números de telefones que podem ter sido invadidos pelo malware israelense.
As duas entidades procuraram um grupo de 16 jornais internacionais para formar um consórcio que tenta descobrir quem são as vítimas da espionagem.
É esse consórcio que conseguiu identificar os mil primeiros nomes e tenta chegar aos 50 mil da lista.
Não foi revelado como a Forbidden Stories teve acesso aos 50 mil números de smartphones que foram invadidos.
O consórcio acredita que os números da lista são alvos em potencial dos clientes do NSO.
Resposta da empresa
O NSO Group disse que o relatório da Forbidden Stories elabora teorias sem comprovação e é cheio de suposições erradas. A empresa nega que tenha mantido uma lista de alvos em potencial.
A empresa afirma que o Pegasus é vendido apenas para agências governamentais que são aprovadas e que é usado apenas para perseguir terroristas e grandes criminosos. Além disso, o NSO Group diz que não tem acesso aos dados de seus clientes.
A lista de clientes não é revelada. O NSO Group afirma que vende sua tecnologia somente para governos que são aprovados por Israel para identificar terroristas e acabar com redes de pedofilia e tráfico de drogas ou pessoas.
Jornalistas vítimas do Pegasus
Entre os jornalistas que foram vítimas do programa israelense há pessoas que trabalham para as agências Associated Press e Reuters, para os jornais “The Wall Street Journal”, “The Financial Times” e “Le Monde” e para a rede CNN.
O “Washington Post” identificou 37 números de smartphones de seus funcionários na lista. O “Guardian” encontrou o número de 15 de seus jornalistas.
A agência Associated Press identificou os números de dois repórteres.
A Anistia Internacional afirmou que na lista também consta o número de telefone de Hatice Cengiz, a noiva do jornalista Jamal Khashoggi, assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul em 2018 (o smartphone dela foi incluído no rol quatro dias depois do assassinato).
Países mais afetados
Dos 50 mil smartphones da lista da Forbidden Stories e da Anistia Internacional, 15 mil são do México. Além do México, há muitos números da Arábia Saudita e de outros países do Oriente Médio.
Também há números da França, Hungria, Índia, Azerbaijão, Cazaquistão e Paquistão, entre outros.
O “Washington Post” informou que 15. mil números de telefone estavam no México e afetavam políticos, líderes sindicais, jornalistas e críticos do governo.
Há o número de um jornalista independente mexicano que foi assassinado semanas depois que seu smartphone foi adicionado à lista. Seu telefone nunca foi encontrado e não está claro se ele foi hackeado.
Os serviços de segurança marroquinos utilizaram o software espião para invadir o celular de quase 30 jornalistas e executivos de grupos de comunicação franceses, segundo a investigação.
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Fonte: G1 Mundo

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Autorização para menores de idade poderem viajar sozinhos passará a ser feita pela internet


A mudança começa a valer no dia 2 de agosto. Inicialmente, será só para voos domésticos. Passageiros circulando pelo Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul da capital paulista
RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
A autorização para que menores de 16 anos possam viajar sozinhos vai mudar a partir de agosto, segundo o Colégio Notarial do Brasil.
Os documentos para a autorização poderão ser feitos pela internet.
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Os pais vão fazer uma vídeoconferência com o cartório, que vai reconhecer a firma (assinatura) do documento.
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O cartório então vai gerar um QR Code que atesta que os pais autorizaram o menor a viajar. Esse QR Code pode ser apresentado em uma impressão ou mesmo na tela do celular.
A pessoa menor de idade apresentará o código no guichê da companhia aérea.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou a mudança.
Hoje, a autorização é um documento em papel. O formulário precisa ser preenchido pelos pais, que depois devem reconhecer a firma (assinatura) em um cartório.
A nova autorização vai ser adotada em fases. No dia 2 de agosto, as viagens domésticas vão adotar esse modelo.
A expansão para voos internacionais,viagens rodoviárias e hidroviárias está prevista, mas ainda não tem data definida.
“O documento online responde às demandas por serviços digitais, facilidade e praticidade que se tornaram ainda mais proeminentes durante a pandemia e evita deslocamentos e gastos adicionais”, afirma a presidente do Colégio Notorial, Giselle Oliveira de Barros.
Os pais podem cancelar a autorização pela internet —mesmo que o menor de idade esteja com o QR Code, ele não será mais válido.
O modelo físico ainda seguirá disponível.
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Fonte: G1 Mundo

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Espanha concede residência a 2 imigrantes ilegais que tentaram salvar jovem brasileiro espancado por ser gay


Ibrahima e Makate, cidadãos senegaleses, viviam em situação irregular no país. Eles foram os dois únicos a tentar ajudar o jovem Samuel Luiz Muñiz, que foi espancado até a morte na Galícia. Protesto após a morte de Samuel Luiz Muñiz, em Barcelona, na Espanha, na segunda-feira
Reprodução Facebook; Reuters/Nacho Doce
O governo da Espanha concedeu uma autorização especial de residência a dois jovens senegaleses que tentaram salvar o jovem brasileiro Samuel Luiz Muñiz, morto por espancamento.
O crime, com motivações supostamente homofóbicas, gerou uma onda de protestos em todo o país contra a violência que atinge a população LGBTQIA+. Veja o VÍDEO abaixo.
A informação de que a Polícia Nacional entraria com um pedido para regularizar a situação dos dois foi antecipada na semana passada pelo “El País”, mas nesta segunda-feira (20) é que foi confirmada.
VÍDEO: Morte de jovem gay brasileiro na Espanha gera onda de protestos
O jornal espanhol “El Mundo” informou, citando fontes ministeriais, que foi aplicada a lei de imigrações do país que prevê – em casos excepcionais – a autorização temporária de residência.
Eles são considerados essenciais para as investigações e se apresentaram como testemunhas do assassinato mesmo sabendo que poderiam ser deportados.
José Miñones, representante do governo da Galícia, disse na semana passada que Ibrahima e Makate “tiveram papel ativo” para tentar frear as agressões contra Samuel.
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Não há informações sobre qual será a situação dos dois após o fim das investigações, mas segundo a lei espanhola, a residência temporária poderá ser renovada ou até se tornar permanente.
Samuel Luiz Muñiz, auxiliar de enfermagem de 24 anos que nasceu no Brasil, foi espancado até a morte ao sair para fumar em frente a uma balada em La Coruña, no noroeste da Espanha
Montagem G1/Reprodução Facebook
Samuel Luiz Muñiz era um auxiliar de enfermagem de 24 anos nascido no Brasil e que chegou à Espanha com um ano de idade.
O jovem foi encontrado inconsciente perto de uma boate em La Coruña, no noroeste do país, após ser espancado. Os serviços de resgate não conseguiram reanimá-lo e e ele morreu.
Segundo uma amiga que acompanhava Samuel no dia de sua morte, o jovem foi atacado inicialmente por um rapaz que estava com uma mulher e que deu um soco no brasileiro por pensar que estava sendo filmado.
Pouco depois, o mesmo homem voltou com um grupo de mais de dez pessoas, que o espancou até a morte. Os agressores fugiram antes de a equipe de socorristas chegar ao local.
A amiga diz que Samuel havia saído da boate para fumar e fazer um telefonema.
Manifestações pelo país
Protesto após a morte de Samuel Luiz Muñiz, em Barcelona, na Espanha, na segunda-feira (5)
Reuters/Nacho Doce
“Justiça para Samuel. Homofobia e fascismo são o mesmo”, dizia a gigantesca faixa carregada pelos manifestantes, que iniciaram uma marcha nesta segunda à noite na famosa Puerta del Sol, em Madrid.
Assassinato de jovem gay causa uma onda de protestos na Espanha.
Milhares de pessoas se reuniram para protestar, algumas com a bandeira do Orgulho, convocadas por grupos LGTBQIA +. Os participantes gritavam “Justiça para Samuel”.
“Não são espancamentos, são assassinatos”, gritava a multidão, que levava faixas com as frases: “Acabem com a homofobia”, “Tudo o que me importa é viver” ou “Eles estão nos matando”.
Também ocorreram marchas em outras cidades do país, como La Coruña, onde se reuniram várias centenas de pessoas, segundo fotos e vídeos postados nas redes sociais.

Fonte: G1 Mundo