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Inglaterra suspende quase todas restrições contra Covid

Fim das medidas não vale para os outros países do Reino Unido (Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte). Uso da máscara deixou de ser obrigatório, mas ainda é recomendado em alguns casos. Inglaterra suspende quase todas as restrições contra a Covid-19
A Inglaterra se tornou nesta segunda-feira (19) o primeiro país do Reino Unido a suspender praticamente todas as restrições impostas durante a pandemia para combater a Covid-19.
Veja o que muda a partir deste 19 de julho:
Fim do uso obrigatório de máscaras em ambientes públicos
Fim de restrições a reuniões e encontros
Empresas que mantinham trabalho remoto podem voltar ao modo presencial
Fim das de medidas de distanciamento social
Reabertura de casas noturnas e boates
Fim do limite de capacidade em hospitais e até estádios
O uso da máscara deixou de ser obrigatório, mas ainda é recomendado no transporte público e dentro das lojas, e o fim das medidas não vale para os outros países do Reino Unido (Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte).
O dia de hoje foi batizado de “Freedom Day” e foi possível devido à vacinação avançada. Mas o aumento no número de casos confirmados, tanto na Inglaterra quanto nos outros países do Reino Unido, preocupa.
VEJA TAMBÉM:
Boris Johnson faz isolamento após contato com infectado por Covid
4 pessoas são presas por ataques racistas a jogadores da seleção inglesa

Fonte: G1 Mundo

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No Chile, eleitores escolhem pré-candidatos para a presidência que representam a renovação


O candidato da esquerda tem 35 anos, e o da direita concorreu de forma independente, sem partido. Imagem de 18 de julho da cédula das primárias para a presidência no Chile
Javier Torres / AFP
No Chile, onde, no domingo (19), houve prévias para decidir quem serão os candidatos à presidência em 21 de novembro, dois candidatos jovens e que representam uma renovação da política.
O deputado Gabriel Boric, um ex-líder estudantil, será o candidato da esquerda, e Sebastián Sichel, um ex-ministro que concorre de forma independente, vai concorrer pela direita. Os dois são considerados políticos de centro dentro de seus espectros ideológicos.
Gabriel Boric comemora a vitória nas primárias do Chile em 18 de julho de 2021
Javier Torres/AFP
Boric, do partido Convergência Social, venceu com 60,42% de apoio. Foi uma vitória inesperada, pois o representante do Partido Comunista, Daniel Jadue, era considerado o favorito.
“Não tenham medo da juventude para mudar este país”, disse Boric ao celebrar sua vitória em Santiago. Com 35 anos, ele será o candidato à presidência mais jovem da história do Chile.
Boric se tornou conhecido como líder das manifestações que pediram educação gratuita a partir de 2011. Ele é deputado desde 2014 pela zona de Punta Arenas, sul do Chile, e em março anunciou a candidatura presidencial por seu partido e pela Frente Ampla, a coalizão que integra com outras formações de esquerda.
Ele foi um dos signatários em 15 de novembro de 2019 no Congresso do acordo para a redação de uma nova Constituição, uma demanda dos protestos iniciados em outubro do mesmo ano.
Sebastian Sichel durante as primárias presidenciais no Chile, em 18 de julho de 2021
Yankovic / Aton Chile / AFP
A vitória de Sichel (49,08% dos votos) no campo da direita foi menos surpreendente. Ex-ministro do Desenvolvimento Social do governo do presidente Sebastián Piñera, como candidato independente ele superou Joaquín Lavín (31,31%), que é do partido União Democrata Independente (UDI).
“Agora o ‘Chile Vamos’ é um só. Somos uma coalizão que se prepara para vencer a eleição presidencial”, afirmou Sichel, de 43 anos, em referência ao pacto de direita do governo de Piñera, que desde a explosão social de outubro de 2019 sofreu uma considerável perda de popularidade.
Ficaram de fora das primárias de centro-esquerda a Democracia Cristã, o Partido Socialista e o Partido Pela Democracia. Os aliados na ‘Concertación’, a coalizão de partidos tradicionais de esquerda que governou o Chile desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet em 1990, perderam o apoio histórico entre o eleitorado progressista desde a crise social iniciada em 2019.
Veja abaixo uma reportagem sobre a vitória de candidatos independentes na formação da Assembleia Constituinte que está em vigor no país.
Independentes surpreendem e têm mais de um terço das cadeiras da Constituinte do Chile
Primárias durante a Constituinte
As primárias aconteceram em um clima de ebulição política após a instalação, em 4 de julho, da Convenção Constitucional, que tem a missão de escrever uma nova Constituição, que vai substituir a Carta atual, herdada da ditadura (1973-1990), e que colocou em xeque a política tradicional com a entrada no cenário de independentes e grupos cidadãos, em sua maioria de centro-esquerda.
O Chile está mergulhado em uma dinâmica eleitoral iniciada em 25 de outubro de 2020 com o plebiscito constitucional. Em maio, os chilenos voltaram às urnas para eleger prefeitos, vereadores, governadores regionais e os 155 constituintes.
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Fonte: G1 Mundo

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Países invadiram smartphones de milhares de pessoas com programa de empresa de Israel, segundo consórcio de jornais


Jornais afirmam que há uma lista de 50 mil smartphones que podem ter sido alvos de um software de espionagem chamado Pegasus. A lista foi descoberta por duas organizações sem fins lucrativos, a Forbidden Stories e a Anistia Internacional. Jornais afirmam que há uma lista de 50 mi smartphones invadidos pelo malware Pegasus
Freestocks/Unsplash
Jornalistas, grupos de ativistas e políticos de oposição de 50 países podem ter tido seus smartphones invadidos por um programa de espionagem chamado Pegasus.
Programas de computador que têm como função invadir outros computadores são conhecidos como malware. O Pegasus foi criado por uma empresa de Israel, o NSO Group. A história foi revelada no domingo (18) por jornais do Reino Unido e dos Estados Unidos.
Imagem de julho de 2020 de Hatice Cengiz, noiva do jornalista Jamal Khashoggi, que foi assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul
Emrah Gurel/AP
O Pegasus é uma ferramenta extremamente invasiva, que pode ligar a câmera e o microfone do celular, bem como acessar dados do dispositivo, convertendo-o em um espião de bolso.
Em alguns casos, ele pode ser instalado sem a necessidade de enganar o usuário para que ele faça um download, que é a maneira mais comum de invadir um aparelho.
A empresa israelense vendeu o programa para governos de países. Supostamente, eram os clientes dessa empresa que decidiam quais eram os smartphones que seriam invadidos.
Já foram identificados mais de mil pessoas, em 50 países, que foram alvo do malware do NSO Group.
Entre eles, há 189 jornalistas, mais de 600 políticos ou dirigentes de governo, ao menos 65 executivos de empresas, 85 ativistas de direitos humanos e alguns líderes de Estado, segundo o “Washington Post”.
Como surgiu a história?
A Forbidden Stories, uma organização sem fins lucrativos de Paris, e a Anistia Internacional conseguiram uma lista de 50 mil números de telefones que podem ter sido invadidos pelo malware israelense.
As duas entidades procuraram um grupo de 16 jornais internacionais para formar um consórcio que tenta descobrir quem são as vítimas da espionagem.
É esse consórcio que conseguiu identificar os mil primeiros nomes e tenta chegar aos 50 mil da lista.
Não foi revelado como a Forbidden Stories teve acesso aos 50 mil números de smartphones que foram invadidos.
O consórcio acredita que os números da lista são alvos em potencial dos clientes do NSO.
Resposta da empresa
O NSO Group disse que o relatório da Forbidden Stories elabora teorias sem comprovação e é cheio de suposições erradas. A empresa nega que tenha mantido uma lista de alvos em potencial.
A empresa afirma que o Pegasus é vendido apenas para agências governamentais que são aprovadas e que é usado apenas para perseguir terroristas e grandes criminosos. Além disso, o NSO Group diz que não tem acesso aos dados de seus clientes.
A lista de clientes não é revelada. O NSO Group afirma que vende sua tecnologia somente para governos que são aprovados por Israel para identificar terroristas e acabar com redes de pedofilia e tráfico de drogas ou pessoas.
A empresa também afirma que o Pegasus ajudou a salvar milhares de vidas.
Fundado em 2010 pelos israelenses Shalev Hulio e Omri Lavie, o NSO tem sede no centro de alta tecnologia israelense de Herzliya, perto de Tel Aviv, e emprega centenas de pessoas em Israel e ao redor do mundo.
Jornalistas vítimas do malware
Entre os jornalistas que foram vítimas do programa israelense há pessoas que trabalham para as agências Associated Press e Reuters, para os jornais “The Wall Street Journal”, “The Financial Times” e “Le Monde” e para a rede CNN.
O “Washington Post” identificou 37 números de smartphones de seus funcionários na lista. O “Guardian” encontrou o número de 15 de seus jornalistas.
A agência Associated Press identificou os números de dois repórteres.
A Anistia Internacional afirmou que na lista também consta o número de telefone de Hatice Cengiz, a noiva do jornalista Jamal Khashoggi, assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul em 2018 (o smartphone dela foi incluído no rol quatro dias depois do assassinato).
Países mais afetados
Dos 50 mil smartphones da lista da Forbidden Stories e da Anistia Internacional, 15 mil são do México. Além do México, há muitos números da Arábia Saudita e de outros países do Oriente Médio.
Também há números da França, Hungria, Índia, Azerbaijão, Cazaquistão e Paquistão, entre outros.
O “Washington Post” informou que 15. mil números de telefone estavam no México e afetavam políticos, líderes sindicais, jornalistas e críticos do governo.
Há o número de um jornalista independente mexicano que foi assassinado semanas depois que seu smartphone foi adicionado à lista. Seu telefone nunca foi encontrado e não está claro se ele foi hackeado.
Os serviços de segurança marroquinos utilizaram o software espião para invadir o celular de quase 30 jornalistas e executivos de grupos de comunicação franceses, segundo a investigação.
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Fonte: G1 Mundo

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Chuvas na Europa: sobe o número de mortos na Alemanha e na Bélgica


Danos e destroços de enchentes perto do rio Ahr, na cidade de Bad Neuenahr, em foto de 18 de julho de 2021 na Alemanha
Thomas Frey/DPA via AP
As inundações causadas pelas fortes chuvas na Europa já deixaram 196 mortos na Alemanha e na Bélgica, segundo balanço atualizado divulgado nesta segunda-feira (19).
São 165 mortes na Alemanha (117 na região da Renânia-Palatinado, 47 na da Renânia do Norte-Westfalia e 1 na Baviera) e outras 31 na vizinha Bélgica.
Há centenas de feridos e vários desaparecidos. Na Renânia-Palatinado são 749 feridos, segundo a porta-voz da polícia de Koblenz, Verena Scheuer.
O rio Ahr passa por casas destruídas em Insul, na Alemanha, em 15 de julho de 2021. O rio transbordou e causou rastro de destruição devido às fortes chuvas.
Michael Probst/AP
O ministro do Interior, Horst Seehofer, visitará nesta segunda as zonas afetadas, em particular Bad Neuenahr-Ahrweiler, um dos vales arrasados pelas inundações.
O balanço fatal das inundações deixou o ministro Seehofer no centro de uma polêmica sobre uma eventual falha dos sistemas de alerta à população.
A Alemanha está em choque com o maior desastre natural na história recente do país.
No domingo, a chanceler Angela Merkel visitou a localidade de Schuld, perto de Bonn, onde a cheia do rio Ahr provocou a destruição de parte do centro histórico.
“O idioma alemão tem problemas para encontrar as palavras para descrever a devastação provocada”, disse Merkel, que descreveu uma situação “surreal” e prometeu a ajuda do Estado federal.
A partir de quarta-feira, o governo entregará ajudas de emergência de pelo menos 300 milhões de euros (quase 350 milhões de dólares), antes de elaborar um vasto programa de reconstrução de bilhões de euros.
Cientistas e analistas políticos afirmaram que o desastre era uma consequência do aquecimento global.
Merkel pediu no domingo um “grande esforço” para acelerar as políticas de luta contra a mudança climática.

Fonte: G1 Mundo

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Japão condena americanos que ajudaram Carlos Ghosn a fugir


Imagem de 30 de dezembro de 2019 mostra Michael L. Taylor (centro) e George-Antoine Zayek no controle de passaportes do Aeroporto de Istambul, na Turquia. Os americanos Michael Taylor e seu filho Peter Taylor são julgados em Tóquio nesta segunda-feira, 14 de junho de 2021, sob suspeita de ter ajudado o brasileiro Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan, a fugir do Japão para o Líbano em dezembro de 2019.
DHA via AP
Dois americanos foram condenados nesta segunda-feira (19) por um tribunal de Tóquio por terem ajudado o brasileiro Carlos Ghosn, ex-CEO da Renault e da Nissan, a fugir do Japão no fim de 2019.
Michael Taylor, de 60 anos, foi condenado a dois anos de prisão e seu filho Peter Taylor, de 28 anos, a um ano e oito meses.
Eles eram julgados desde o mês passado em Tóquio.
Carlos Ghosn fugiu do Japão escondido em uma caixa de equipamento de som.
Michael e Peter Taylor aceitaram as acusações e pediram desculpas no tribunal. Os dois afirmaram que lamentavam suas ações.
No início de julho, a Promotoria solicitou dois anos e 10 meses de prisão para Michael Taylor e dois anos e meio para seu filho.
Os advogados haviam solicitado condenações com suspensão condicional das penas, argumentando em particular que Carlos Ghosn foi o principal instigador de toda a operação e que os Taylor já passaram 10 meses em prisão provisória nos Estados Unidos antes da extradição para o Japão.
Mas o juiz Hideo Nirei destacou nesta segunda-feira que este foi um “crime grave” porque a perspectiva de ver Ghosn julgado no Japão algum dia praticamente desapareceu.
“Os dois acusados conseguiram com êxito uma fuga ao exterior sem precedentes e tiveram um papel proativo nesta operação”, afirmou o juiz.
– Dinheiro como motivação -Nirei disse ainda que pai e filho foram motivados pelo dinheiro, e não porque Michael Taylor tem, por meio de sua esposa, relações distantes de parentesco com a família de Ghosn no Líbano.
De acordo com os investigadores, os Taylor receberam de Ghosn 862.500 dólares para preparar a operação e depois o equivalente a 500.000 dólares em bitcoins para pagar os gastos com advogados.
Carlos Ghosn mora no Líbano desde sua fuga, o que significa que o ex-CEO da Renault e Nissan está fora do alcance da justiça japonesa porque Beirute não extradita seus cidadãos.
Os Taylor foram detidos nos Estados Unidos em maio de 2020 e extraditados ao Japão em março para o julgamento.
Outro suposto cúmplice, um homem de origem libanesa chamado George-Antoine Zayek que ajudou os Taylor no Japão, continua foragido.
No fim de 2019, Carlos Ghosn estava em liberdade sob fiança em Tóquio, com a proibição de sair do Japão à espera do julgamento por suposta frauda financeira, acusação que sempre negou, quando estava à frente da Nissan.
Em 29 de dezembro de 2019, depois de viajar de maneira incógnita de Tóquio a Osaka no Shinkansen, o trem de alta velocidade japonês, ele se escondeu em uma grande caixa de equipamento de som, perfurada com pequenos orifícios discretos para permitir sua respiração.
A estratégia permitiu evitar os controles na alfândega do aeroporto internacional de Kansai, pois na época a inspeção de bagagem não era obrigatória para os passageiros de um voo privado.
O avião seguiu para Istambul, Turquia, onde Ghosn embarcou em outra aeronave alugada e viajou até Beirute.
Em fevereiro, três pessoas – um funcionário de uma empresa de aviões e dois pilotos – vinculadas à fuga foram condenadas a mais de quatro anos de prisão em Istambul.
A fuga de Ghosn não impediu o início no ano passado de um julgamento penal em Tóquio sobre dezenas de milhões de dólares em compensações diferidas que o executivo da Nissan receberia após a aposentadoria, mas que não foram mencionados nos relatórios enviados à Bolsa pelo grupo.
O americano Greg Kelly, ex-diretor jurídico da Nissan que foi detido no mesmo dia que Ghosn em novembro de 2018, é atualmente o único no banco dos réus pelo caso, já que a Nissan está sendo julgada como pessoa jurídica.
Kelly, 64 anos, pode ser condenado a até 10 anos de prisão no julgamento. A Nissan se declarou culpada.

Fonte: G1 Mundo

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O debate sobre qual presidente americano pode ser considerado o mais desonesto


Trump costumava ser acusado de ter total desprezo pela verdade — mas seus predecessores também deixaram um legado de inverdades. Os ex-presidentes Ronald Reagan, Lyndon B. Johnson, Donald Trump, Bill Clinton e Richard Nixon
BBC
O ex-presidente americano Donald Trump costuma ser acusado de ter um total desprezo pela verdade. No entanto, seus predecessores também deixaram um legado de inverdades. Nesse quesito, como será que Trump se compara a eles?
Quando Saddam Hussein, então presidente do Iraque, invadiu o Kuait, em agosto de 1990, o então presidente americano George H.W. Bush afirmou: “Não vamos tolerar isso”.
Mas, enquanto as tropas dos EUA se dirigiam para o Golfo Pérsico, o povo americano tinha dúvidas sobre a justificativa para uma ação militar.
O governo do Kuait em exílio logo contratou uma empresa de relações públicas dos Estados Unidos, a Hill & Knowlton, cujo escritório em Washington DC era dirigido pelo ex-chefe de gabinete de Bush.
A empresa treinou uma suposta testemunha, apresentada como uma menina de 15 anos chamada “Nayirah”, para falar diante de uma comissão do Congresso americano em outubro de 1990. Ela contou que soldados iraquianos haviam entrado em um hospital no Kuait, retirado bebês de incubadoras e os deixado no chão para morrer.
Foi informado aos repórteres que Nayirah estava usando um nome falso por medo de represálias contra sua família.
Só depois da guerra, veio à tona que ela era filha do embaixador do Kuait nos Estados Unidos. E sua história era completamente infundada, como John MacArthur detalha em seu livro Second Front, Censorship and Propaganda in the 1991 Gulf War (“Segundo Front: Censura e Propaganda na Guerra do Golfo de 1991”, em tradução literal).
Há gravações de Bush citando publicamente essa história pelo menos seis vezes enquanto tocava a corneta da guerra.
“Bebês retirados de incubadoras e espalhados como lenha pelo chão”, disse o presidente, em uma ocasião, durante discurso às tropas americanas na Arábia Saudita.
MacArthur afirma em seu livro que a farsa ajudou a angariar apoio popular para a ação militar.
Em janeiro de 1991, a resolução de guerra de Bush foi aprovada por uma margem estreita no Senado. Seis senadores citaram a história da incubadora como justificativa para autorizar o conflito, observa MacArthur.
A Operação Tempestade no Deserto foi lançada dias depois.
A ironia é que parece que bebês realmente morreram depois de serem removidos das incubadoras durante a guerra. Só que isso supostamente aconteceu em um ataque aéreo de grandes proporções liderado pelos Estados Unidos.
Na primeira noite do bombardeio, quando faltou luz em meio às explosões, mães em pânico retiraram seus recém-nascidos das incubadoras em um hospital pediátrico de Bagdá, e os abrigaram em um porão sem calefação.
Mais de 40 crianças morreram, de acordo com o jornal americano “New York Times”. E se somaram aos milhares de civis que perderam a vida durante o conflito de 42 dias.
Embora nunca tenha sido constatado se Bush sabia ou não que a história das incubadoras que contava repetidamente era infundada, geralmente se espera que a Casa Branca verifique as afirmações feitas pelo presidente — sobretudo uma tão escabrosa como essa.
Os jornalistas americanos não conseguiram desmascarar o testemunho de Nayirah, a não ser depois da guerra. A polêmica foi omitida de uma recente biografia de Bush, assim como da retrospectiva de seu governo quando ele morreu em 2018.
No entanto, os sinais de desonestidade presidencial de Donald Trump fizeram os checadores de dados da imprensa trabalhar mais do que nunca.
O jornal americano “Washington Post” mantém um banco de dados de declarações de Trump — mais de 30 mil delas — que afirma serem falsas ou enganosas.
Muitas dessas afirmações — sobre golfe, sua riqueza ou até mesmo se nevou em um de seus comícios — parecem relativamente insignificantes.
Outras, como alegações de que enganou deliberadamente o povo americano sobre a gravidade do coronavírus, ou suas acusações infundadas de que a eleição para a Casa Branca de 2020 foi fraudada, são muito mais prejudiciais.
Benjamin Ginsberg, autor de The American Lie: Government by the People and Other Political Fables (“A mentira americana: o governo do povo e outras fábulas políticas”, em tradução literal), diz que, quando se trata de falsidades presidenciais, algumas têm muito mais consequências do que outras.
Ele cita declarações enganosas do filho de Bush, o ex-presidente George W. Bush, ao vender uma continuação da guerra no Iraque para o povo americano.
Entre elas, estava minimizar as dúvidas que persistiam sobre os informes de inteligência que sinalizavam que o presidente iraquiano, Saddam Hussein, possuía armas de destruição em massa, sugerindo que ele poderia ter até mesmo uma arma nuclear, além de afirmar que era aliado da Al-Qaeda.
Ginsberg diz que as mentiras que levam à ação militar são as mais prejudiciais de todas — e que, nesse sentido, Trump não é tão culpado quanto alguns de seus antecessores a esse respeito.
“O problema é que o processo de seleção do presidente americano é fundamentalmente falho e produz monstros”, diz ele, que também é professor de ciências políticas na Universidade Johns Hopkins, nos EUA. “Requer anos de campanha, e apenas os indivíduos mais arrogantes, ambiciosos e narcisistas estariam dispostos a fazer tal coisa.”
Houve um tempo em que os americanos depositavam uma confiança quase infantil em seus comandantes-em-chefe.
Eles eram venerados como semideuses.
Quando isso mudou?
Muitos historiadores indicam que essa quebra de confiança ocorreu a partir do mandato de Lyndon B. Johnson, embora ele estivesse longe de ser o primeiro presidente a enganar o povo americano.
Robert Kennedy, irmão de John F. Kennedy, disse certa vez sobre Johnson: “Ele mente continuamente sobre tudo. Ele mente até mesmo quando não precisa mentir.”
Lyndon B. Johnson sucedeu John F. Kennedy após seu assassinato
Getty Images/BBC
As mentiras de Johnson sobre a Guerra do Vietnã incluíram falar sobre um ataque naval em agosto de 1964, que nunca aconteceu, no Golfo de Tonkin, para intensificar dramaticamente o conflito.
“Não estamos prestes a mandar jovens americanos a nove ou 10 mil milhas de casa para fazer o que os jovens asiáticos deveriam fazer por conta própria”, disse ele aos eleitores dois meses depois, em Akron, Ohio.
Após ser eleito, Johnson mandou as primeiras tropas de combate dos EUA para as selvas e arrozais da zona de guerra do Vietnã, para onde terminaria enviando mais de 500 mil soldados.
A constante dissimulação de Johnson sobre esse desastre de política externa envenenou a vida política americana e levou jornalistas a cunhar um termo usado como eufemismo sobre sua gestão: a lacuna de credibilidade.
Seu sucessor, Richard Nixon, concorreu ao cargo prometendo dar um fim “honroso” à carnificina no Vietnã, antes de ampliar ainda mais o conflito bombardeando secretamente o Camboja, que era neutro.
No entanto, foi outro encobrimento — o escândalo Watergate, uma investida fracassada de seus capangas para grampear adversários políticos — que destruiu a Presidência de Nixon.
Richard Nixon renunciou à Presidência dos EUA devido ao escândalo Watergate
Getty Images/BBC
As crianças americanas já foram outrora ensinadas a dizer a verdade com a ajuda de uma história sobre a honestidade presidencial, que por si só era falsa.
“Não posso mentir”, é a célebre frase da história sobre a juventude de George Washington, o primeiro presidente dos EUA, que confessa ao pai que partiu a cerejeira com uma machadinha.
Mas, na verdade, a história foi inventada pelo primeiro biógrafo do presidente.
O pai da nação não estava isento de mentir.
Em 1788, ele tentou reescrever a história alegando que tinha sido o visionário estratégico por trás da vitória sobre os britânicos em Yorktown sete anos antes, durante a Guerra de Independência.
Mas, na verdade, foram seus aliados franceses que planejaram a batalha decisiva na Virgínia.
Em vez disso, Washington havia defendido obstinadamente a ideia de atacar a cidade de Nova York, como Ron Chernow observa na biografia de 2010 do primeiro comandante-em-chefe dos Estados Unidos.
Ali estava o pecado original, digamos assim, da falsidade presidencial.
Algumas mentiras contadas por ocupantes da Casa Branca são totalmente bizarras.
Thomas Jefferson disse a um naturalista europeu que havia menosprezado a fauna do Novo Mundo que mamutes-lanosos vagavam pelo inexplorado oeste americano.
Em 1983, o presidente Ronald Reagan afirmou que havia filmado as atrocidades dos campos de extermínio nazistas enquanto servia como fotógrafo do Exército americano na Europa.
Ele contou essa história ao então primeiro-ministro israelense, Yitzhak Shamir, na Casa Branca.
O fato é que Reagan nunca deixou os EUA durante a Segunda Guerra Mundial. E poucos se lembram dessa mentira.
Muitos comentários de Trump que constam no banco de dados do “Washington Post”, sem dúvida, provarão ser igualmente pouco memoráveis.
“Nós toleramos mentiras presidenciais desde o início da República”, diz o professor Eric Alterman, autor de Lying In State: Why Presidents Lie – And Why Trump Is Worse (“Mentiras no Estado: por que os presidentes mentem — e por que Trump é pior”, em tradução livre).
“Mas Donald Trump é o monstro de Frankenstein em um sistema político que não apenas tolerou mentiras de nossos líderes, mas passou a exigi-las.”
Para Alterman, a invasão do Capitólio no início deste ano, motivada por teorias da conspiração sobre eleições fraudadas e cabalas satânicas, deixa claro quão longe chegou a influência de Trump na “criação de um mundo irreal”.
Uma lição cívica útil sobre como um presidente que foi pego mentindo reage longe das câmeras pode ser aprendida com Bill Clinton.
Em janeiro de 1998, ele negou indignadamente aos repórteres ter tido relação sexual com uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky.
Mas uma investigação para saber se ele havia mentido sob juramento apresentou evidências bastante gráficas de suas ações, incluindo que o presidente havia usado um charuto com ela como brinquedo sexual depois de convidar a jovem de 22 anos para o Salão Oval.
Em vez de sentir vergonha por enganar a nação, Clinton expressou alívio privadamente, de acordo com a biografia de John F Harris, The Survivor (“O Sobrevivente”, em tradução literal).
Inclusive, enquanto se preparava para ir à televisão em agosto de 1998 e manifestar publicamente seu arrependimento, o presidente teria dito a um amigo próximo: “A mentira me salvou.”
Clinton argumentou que as acusações lascivas contra ele a conta-gotas permitiram que o povo americano gradualmente aceitasse suas travessuras, poupando no fim das contas sua vida política.
Tudo isso é um irônico lembrete das palavras esculpidas na lareira da Sala de Jantar do Estado na Casa Branca:
“Que apenas homens honestos e sábios governem sob este teto.”
Exemplos de mentiras presidenciais
– Se você gosta do seu plano de saúde, você manterá seu plano de saúde, ponto” — Barack Obama, em 2013, ao falar sobre sua reforma na seguridade de saúde; declaração foi classificada como a mentira do ano pela PolitiFact.
– “Eliminamos um aliado da Al-Qaeda e … nenhuma rede terrorista receberá armas de destruição do regime iraquiano porque o regime não existe mais” – George W. Bush, em 2003.
– “Há alguns meses eu disse ao povo americano que não trocava armas por reféns. Meu coração e minhas melhores intenções ainda me dizem que isso é verdade, mas os fatos e as evidências me dizem que não” – Ronald Reagan, em 1987, no Escândalo Irã-Contras, de financiamento a guerrilheiros na Nicarágua.
– “Ninguém na equipe da Casa Branca, ninguém neste governo, atualmente empregado, esteve envolvido neste incidente bizarro” – Richard Nixon, em 1972, sobre o Escândalo Watergate.
– Dwight Eisenhower aprovou uma declaração afirmando que um avião espião americano U-2 abatido pelos soviéticos em 1960 era apenas uma aeronave de pesquisa meteorológica. Mais tarde, reconheceu que era mentira, assim como seu “maior arrependimento”.
– “O mundo recordará que a primeira bomba atômica foi lançada em Hiroshima, uma base militar” – Harry Truman, em 1945, sendo que o alvo era, na verdade, uma cidade, e a maioria dos cerca de 140 mil mortos eram civis.
– “Seus filhos não serão enviados para guerras estrangeiras” – Franklin Delano Roosevelt aos eleitores em 1940, inclusive enquanto exercitava seus músculos políticos para enfrentar a Alemanha nazista.
– O México “invadiu nosso território e derramou sangue americano em solo americano” – James Polk em sua mensagem de guerra de 1846 ao Congresso, sobre um ataque que ele havia provocado em um território que era, na verdade, alvo de disputa.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

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Policial salva vida de homem esfaqueado usando pacote de batata frita nos EUA

Câmera corporal, presa ao uniforme do policial Ronald Kennedy, registrou ação em que ele improvisou curativo com embalagem de salgadinho para conter sangramento de homem ferido no peito. Médicos confirmaram que procedimento foi decisivo para salvar vida. VÍDEO: Policial salva vida de homem esfaqueado usando pacote de batata frita
Um policial conseguiu salvar a vida de um homem que havia sido esfaqueado no peito usando um pacote vazio de batatas fritas e fita adesiva em Nova York, nos Estados Unidos (veja vídeo acima).
Imagens da câmera corporal do policial Ronald Kennedy gravaram sua ação no dia 7 de julho, quando ele foi chamado para atender a uma ocorrência na Lenox Avenue, envolvendo um homem gravemente ferido.
No vídeo, divulgado neste fim de semana pelo Comissário de Polícia de NY, Dermot Shea, é possível ver que Kennedy pediu ajuda a pessoas que estavam ao redor para deitar a vítima na calçada e pegar o material que estava disponível: um pacote do salgadinho, que ele esvaziou, e a fita, que pediu para alguém pegar na loja em frente.
Ele então improvisou um curativo, que impediu que o homem continuasse sangrando até a chegada dos paramédicos, logo em seguida.
Segundo Shea, os médicos que atenderam a vítima no Harlem Hospital confirmaram que o procedimento foi decisivo para salvar a vida do paciente.

Fonte: G1 Mundo

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As revelações sobre Nero que desafiam fama de imperador tirano e cruel


Uma nova exposição no British Museum, em Londres, desafia a reputação grotesca do imperador romano, expondo sua alta popularidade, rivalidade com as elites e habilidades diplomáticas, entre outros aspectos. Nero foi o quinto imperador romano — ele assumiu o poder aos 16 anos e governou por quase 14 anos
Getty Images/BBC
Tirano, cruel e assassino.
Estas são algumas das características que os historiadores atribuíram a Nero — o imperador de Roma a partir do ano 54 d.C. — por quase dois mil anos.
Segundo vários cronistas, o jovem líder romano mandou assassinar a mãe, Agripina, a Jovem, e suas duas esposas: Cláudia Otávia e Popeia Sabina.
Além disso, ele foi acusado de iniciar o Grande Incêndio de Roma, que devastou grande parte da cidade por nove dias; é lembrado como um ferrenho perseguidor dos cristãos; e seu nome passou a ser sinônimo de degeneração por suas supostas aventuras sexuais, extravagâncias e excessos.
Também dizem que ele era arbitrário, petulante e buscava constantemente atenção.
No entanto, tudo isso pode ser um exagero ou, simplesmente, invenção. Estudos recentes sugerem que Nero, na realidade, não era tão ruim quanto se acreditava.
Esse lado muito menos conhecido do imperador é revelado em uma nova exposição no British Museum, em Londres, chamada Nero, the man behind the myth (“Nero, o homem por trás do mito”, em tradução literal), que desafia sua reputação grotesca.
Em seu apogeu, o Império Romano se estendia da Península Ibérica até o norte da África e a Mesopotâmia
Getty Images/BBC
“Ele teve o azar de ser o último imperador da dinastia romana júlio-claudiana. Então, quando ele morreu, houve um período de guerra civil e caos, e depois disso, uma nova dinastia chegou ao poder. E todas as histórias sobre Nero foram escritas sob essa nova dinastia, que teve que se legitimar e representar o período anterior da pior forma possível”, conta Francesca Bologna, a curadora da mostra, à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.
“Por isso não temos uma visão objetiva dele. É incrível pensar em como se escreve a história e em como se manipula para passar algumas mensagens”, completa.
A seguir, a BBC News Mund apresenta sete coisas que talvez você não saiba sobre ele e que, de uma forma ou de outra, levantam a questão: era Nero realmente um imperador tirano, cruel e assassino?
1. Um imperador popular
Nero tinha apenas 16 anos quando assumiu como quinto imperador de Roma.
Ele chegou ao poder em meio a um forte clamor popular por mudanças e grandes expectativas: acreditava-se que com ele começaria uma nova era de ouro.
Apesar de sua inexperiência, esse líder jovem e enérgico adotou políticas que o tornaram popular.
Medidas administrativas abrangentes, incluindo reformas fiscais e monetárias, assim como grandes projetos de construção, estiveram entre suas realizações mais reconhecidas.
Ele também melhorou o sistema de abastecimento de alimentos em Roma e distribuiu moedas ao povo. Tudo isso fez com que as pessoas acreditassem que o imperador se preocupava com suas necessidades.
Segundo a exposição do British Museum, sua imagem era tão positiva que imitavam até seu visual: seu corte de cabelo virou moda, e seu rosto foi gravado por meio de grafites em diferentes áreas do Império.
“As evidências sugerem que Nero era adorado pelo povo e contrastam com a imagem pintada por escritores antigos hostis após sua morte”, diz a mostra.
Mas, apesar da adoração do povo, muitas de suas políticas irritavam a elite e os mais ricos. E isso explica, em parte, por que adquiriu uma reputação tão ruim.
“Essa é provavelmente uma das razões pelas quais temos uma imagem tão negativa dele, porque a elite é quem escreveu os livros de história”, afirma Bologna.
De fato, a maior parte do que foi transmitido sobre Nero vem de três historiadores: Tácito, Cassius Dio e Suetônio, todos membros das mais altas esferas políticas e oponentes claros de seu governo.
2. Um artista equivocado?
Nero se tornou o primeiro imperador a se apresentar publicamente no palco.
Quando criança, ele teve aula de música e adorava corridas de bigas, um dos esportes mais populares na Grécia e na Roma antiga. Também era apaixonado pelas lutas de gladiadores.
Assim, a organização de espetáculos e o oferecimento de entretenimento de todos os tipos para o povo era um elemento muito importante de seu império.
Isso, sem dúvida, aumentou sua popularidade e, segundo a exposição do British Museum, provavelmente o ajudou a ganhar apoio para sua causa política.
Mas, mais uma vez, este lado artístico também lhe rendeu duras críticas, sobretudo dentro do Senado e entre a elite.
Mais tarde, após sua morte, a ideia de que Nero era um “artista equivocado” permaneceria.
3. Uma relação complexa com a mãe
De acordo com a exposição do British Museum, durante os primeiros anos de Nero no poder, Agripina — uma mulher com habilidades políticas notáveis — desempenhou um papel importante, influenciando fortemente na tomada de decisões e agindo quase como cogovernadora.
Mais tarde, isso gerou uma tensão com seu filho, que quis se livrar dela.
É que em uma sociedade marcadamente patriarcal, o poder de uma mulher não era bem visto. O político e historiador Tácito, de fato, desdenhou de Nero por ser “governado por uma mulher”. E eles foram até acusados de “incesto”.
A evolução da relação entre Nero e Agripina é bem ilustrada em três moedas de ouro emitidas na época: pouco depois de Nero se tornar imperador, uma moeda retratava ele com a mãe de perfil, nariz com nariz.
Um ano depois, uma segunda moeda foi cunhada representando ele e sua mãe em paralelo.
Finalmente, Agripina desaparece completamente em uma terceira moeda.
Por volta do ano 59 d.C., Agripina — já retirada do palácio— morreu, e Nero foi apontado como responsável. O imperador justificou a morte da mãe garantindo que ela planejava assassiná-lo.
“Ele estava definitivamente envolvido na morte da mãe, isso é certo. Mas nunca saberemos qual foi o verdadeiro motivo de sua morte. É muito provável que tenha havido um elemento político por trás; dizem que Agripina estava tentando conspirar contra Nero. É verdade? Possivelmente, mas não sabemos ao certo”, diz Bologna.
A primeira esposa de Nero, Cláudia Otávia, também foi crucial em sua ascensão ao poder. Mas o amor durou apenas alguns anos: por volta de 62 d.C, ela — que era muito popular na cidade — foi executada após ser banida. Reza a lenda que Nero a acusou de adultério, o que foi questionado na época.
Finalmente, o imperador se casou com Popeia Sabina, que engravidou de uma menina, mas ambas morreram antes dela dar à luz. Nero, mais uma vez, foi apontado como culpado.
“Que Nero também tenha assassinado sua segunda esposa parece extremamente improvável. A história, que diz que ele chutou a barriga dela, parece muito falsa”, avalia Bologna.
4. Ele realmente causou o Grande Incêndio de Roma?
Talvez um dos mitos mais importantes da história de Nero tenha a ver com o Grande Incêndio de Roma, em julho de 64 d.C., três meses antes de ele completar 10 anos no poder.
Os incêndios eram comuns, mas este teve uma dimensão sem precedentes: durante nove dias as chamas consumiram ferozmente tudo que estava em seu caminho, de um lado a outro da cidade. A alta densidade populacional e a precariedade das moradias fizeram desta uma catástrofe perfeita.
Os detratores de Nero garantiram que sua responsabilidade pela tragédia fosse estampada nos livros de história, consolidando sua má reputação.
Não apenas foi dito que foi ele quem começou o incêndio, como também que ele “tocava violino enquanto Roma queimava”.
Os historiadores Tácito, Cassius Dio e Suetônio escreveram vividamente sobre o caos e a destruição.
No entanto, pesquisadores modernos afirmam que essas acusações são evidentemente absurdas e que, na verdade, os violinos não foram inventados até o século 16.
“Nero nem sequer estava em Roma naquele momento, e correu para a cidade quando soube do incêndio. Por que você colocaria fogo na sua própria capital? Não faz sentido”, diz Bologna.
Por sua vez, o próprio Nero, para apaziguar as acusações contra ele, culpou os cristãos pelo incêndio, que foram executados em massa. Esta decisão o levou a entrar para a história como um dos maiores e mais ferrenhos perseguidores de cristãos da história.
Mas, mesmo neste ponto, há controvérsias sobre o papel que Nero desempenhou, e alguns historiadores afirmam que exageraram sobre seu papel na execução.
“Isso, é claro, cimentou a percepção negativa em relação a ele”, observa a curadora da mostra do British Museum.
5. Promotor de grandes projetos
Depois que o incêndio destruiu completamente três distritos de Roma e deixou outros sete em ruínas, Nero teve que reconstruir a cidade e fez isso por meio de um plano ambicioso.
De acordo com a exposição do British Museum, a restauração da cidade foi bem recebida por seu potencial de “embelezar” a capital do império.
Uma das obras mais importantes foi a Domus Aurea (Casa Dourada), um grandioso palácio que ocupava cerca de 50 hectares. Incrustações de ouro, pedras preciosas e marfim foram incluídas em seu design, que representava o espaço adequado para o poderoso imperador.
O que resta da Domus Aurea é hoje uma atração turística
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Com sua arquitetura inovadora e decoração luxuosa, a nova residência imperial inspirou outras mansões e vilas aristocráticas onde foram erguidas construções para o passatempo dos romanos.
A Domus Aurea não foi concluída antes da morte de Nero e foi amplamente criticada por seus oponentes políticos, que questionavam seu gosto pelo luxo e extravagância.
Mas, muito além desta obra imperial, Nero estava particularmente interessado em projetos de engenharia moderna e arquitetura inovadora. Ele construiu anfiteatros, mercados de comida, casas novas para as pessoas afetadas pelo incêndio e até termas públicas.
Muitas de suas obras, no entanto, foram destruídas mais tarde. Para Francesca Bologna, se isso não tivesse acontecido, seriam seu grande legado.
“Depois de Augusto, ninguém mudou Roma tanto quanto Nero. Ele fez construções realmente incríveis, mas infelizmente elas só ficaram consagradas em moedas ou descrições”, diz.
6. Guerra e diplomacia
Nero herdou um império em um período de crescente tensão com seus rivais.
E para alguns historiadores, a maneira como ele lidou com esses conflitos é um de seus grandes legados.
Na exposição no British Museum, é dito que ele reagiu misturando a força militar com a diplomacia, ao mesmo tempo que projetava uma imagem de um líder forte protetor do Império.
Um bom exemplo é o que aconteceu com o Império Parta e o controle da Armênia. Após anos de conflito armado, Nero acabou resolvendo o problema diplomaticamente: concedeu ao príncipe parta Tirídates a possibilidade de governar a Armênia, mas apenas se ele fosse coroado por um imperador romano.
E assim aconteceu: no ano 66 d.C. Nero o coroou rei da Armênia em uma cerimônia incrivelmente bem-sucedida que manteve a paz por muitos anos entre Roma e Pártia (região histórica no nordeste do atual Irã).
“Ele assumiu em um momento de tensão dentro do Império Romano, havia muito conflito, e ele teve que lidar com tudo isso. E fez isso, encontrou soluções diplomáticas, e é por isso que a diplomacia ao invés da guerra é um de seus legados”, diz Bologna.
No entanto, uma versão diferente começou a circular após sua morte: o historiador Suetônio disse que a atitude de Nero foi, em última análise, uma “humilhação” para os romanos.
Mas, de acordo com pesquisas do British Museum, o imperador correspondeu às expectativas de seu povo no que se refere a assuntos militares.
7. Sua morte e o aparecimento de ‘falsos’ Neros
Para entender quem foi Nero, é preciso considerar como ele morreu.
Apesar de sua popularidade, a elite nunca o suportou e se sentia constantemente ameaçada por suas políticas.
As conspirações contra ele aumentaram ao longo dos anos, e finalmente o Senado o declarou como inimigo do Estado.
“No final, ele não teve outra escolha a não ser acabar com sua vida”, diz a exposição do British Museum.
E foi assim que em 68 d.C, aos 30 anos, Nero morreu, encerrando a dinastia júlio-claudiana. Sua popularidade continuou após sua morte, alimentando profecias que diziam que ele voltaria. Vários “falsos” Neros apareceram e ganharam apoio entre o povo.
A exposição em Londres termina com uma pergunta: agora que você sabe mais sobre Nero, acha que ele foi um bom imperador?
Possivelmente, não há uma resposta correta. Mas o que está claro é que seu legado é muito mais complexo do que simplesmente dizer que ele foi um imperador “tirano, cruel e assassino”.
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Fonte: G1 Mundo

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Fortes chuvas de monção deixam mais de 30 mortos na Índia


Deslizamentos e queda de muro mataram ao menos 34. Chuvas também inundaram fábrica de purificação de água, interrompendo abastecimento na maior parte de Mumbai, megalópole com 20 milhões de habitantes. Pessoas colocam pedras para tentar desviar curso da água durante inundações causadas por monções em Bhagsuna, popular cidade turística na Índia, em foto de 12 de julho
AP Photo/Ashwini Bhatia
Ao menos 34 pessoas morreram na Índia pela queda de um muro e deslizamentos de terra provocados pelas fortes chuvas do monção em Mumbai (oeste), anunciaram as autoridades neste domingo (18).
A água também inundou uma fábrica de purificação de água, interrompendo o abastecimento “na maior parte de Mumbai”, uma megalópole de 20 milhões de habitantes e capital financeira da Índia, segundo as autoridades.
Em Chembur, a periferia leste de Mumbai, a queda de uma árvore sobre um muro destruiu várias casas, segundo a Força de Resposta para Catástrofes Naturais (NDRF).
Vinte e um corpos foram recuperados entre os escombros, enquanto as operações de busca continuam, disse NDRF.
Pessoas tentam recuperar carro danificado durante inundações causadas por monções em Bhagsuna, popular cidade turística na Índia, em foto de 12 de julho
AP Photo/Ashwini Bhatia
No subúrbio de Vikhroli (noroeste), dez pessoas morreram em um deslizamento de terra que afetou cinco casas, explicou o NDRF.
Outras três pessoas morreram em incidentes causados pelo dilúvio, informou o jornal “Times of India”.
O fenômeno meteorológico do monção, que ocorre de junho a setembro, é fundamental para a vida e a agricultura do subcontinente indiano. No entanto, todo ano causa grande destruição e deixa centenas de mortos nesta região do mundo onde vive um quinto da população do planeta.
Mumbai sofre fortes chuvas desde sábado.
O primeiro-ministro, Narendra Modi, apresentou suas condolências no Twitter e anunciou que as famílias das vítimas receberão uma indenização.
Vídeos: Destruição causada pela água na Europa

Fonte: G1 Mundo

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EUA têm mais de 9 milhões de desempregados apesar de alta em salários e vagas de sobra


Economia americana vive uma contradição entre taxa de desemprego alta e empregadores que chegam a oferecer US$1 mil como bônus de contratação. Os restaurantes estão enfrentando dificuldades para encontrar funcionários
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Faz 35 graus em uma tarde de julho em Washington D.C. e a fila da sorveteria só aumenta, a ponto de sair pela porta do estabelecimento. No caixa, um funcionário anota o pedido e recebe o pagamento. Em seguida, ele mesmo prepara as casquinhas e as entrega aos consumidores, para correr de volta ao caixa e atender o próximo cliente. Sozinho atrás do balcão, o atendente se desdobra. Mas a fila, composta por famílias sem máscara e ansiosas para aproveitar o primeiro verão pós-pandemia, não cede.
Comprar uma casquinha de sorvete no horário de pico de uma tarde ensolarada no fim de semana, na capital dos Estados Unidos, pode levar entre 20 minutos e meia hora. Há quem desista. No país do capitalismo de manual, a sorveteria perde clientes porque não consegue vender seu produto em tempo hábil.
Há vagas ali abertas há semanas – para contratar atendentes de balcão e gerente de turno – com salários entre US$12,50 e US$19 por hora. Mas não há candidatos para ocupá-las.
Essa história é um exemplo de um curioso fenômeno experimentado pelos Estados Unidos. Em franca recuperação econômica, depois de um tombo histórico só comparável ao da Grande Depressão de 1929, o país vive uma contradição: há muitas vagas de trabalho abertas, e também muitos desempregados, mas eles não se completam.
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Vendas no varejo dos EUA sobem em junho e surpreendem
Por que EUA vão dar até US$ 300 por filho todo mês para 90% das famílias
De acordo com o último dado do governo americano, a taxa de desemprego em junho de 2021 era de 5,9% – ou algo em torno de 9,5 milhões de pessoas. Os empregadores, no entanto, não conseguem contratar. A pesquisa da Federação Nacional de Negócios Independentes mostrou que, no mês passado, 46% dos pequenos empresários do país disseram não ter conseguido funcionários para suas vagas no período, mais do que o dobro da média histórica medida nos últimos 48 anos.
“Na movimentada temporada de verão, muitas empresas não conseguiram contratar trabalhadores suficientes para administrar com eficiência seus negócios, o que restringiu as vendas e a produção”, afirmou o economista-chefe da federação, Bill Dunkelberg.
Salários aumentando e bônus de US$ 1 mil só por assinar contrato
“Em junho, vimos um percentual recorde de proprietários aumentando a remuneração para ajudar a atrair os funcionários necessários”, completou Dunkelberg. A pesquisa mostra que 39% dos empresários subiram suas ofertas salariais no período. É o terceiro mês consecutivo de alta nas estimativas de pagamento aos trabalhadores americanos. No ano, a remuneração por hora de trabalho já acumula reajuste de 3,6%.
E os donos de negócios não têm apelado só a aumento de salário pra atrair mão de obra. Empresas do setor de serviços têm oferecido bônus de até US$ 1mil ao funcionário recém-contratado, apenas pelo fato de ele ter aceitado se vincular à empresa.
Presidente do Fed garante que manterá estímulos apesar da alta da inflação nos EUA
O bartender e gerente de cervejaria Eugene Barnett, de 42 anos, foi um dos profissionais que receberam uma proposta de emprego que lhe garantiria US$ 1 mil apenas pela assinatura do contrato. Barnett afirma que a proposta não o tentou porque a remuneração por hora não era tão significativa.
Antes da pandemia, ele conta que trabalhadores em bares na capital americana costumavam receber cerca de US$ 9 por hora. Agora, para atrair a mão de obra, é preciso oferecer algo em torno de US$ 15 por hora. Para ele, a resistência de parte dos chefes em aumentar os salários explica por que há o descasamento entre vagas e desempregados.
“Os empregadores querem oferecer ao trabalhador o mesmo salário de antes da pandemia, mas a realidade mudou. As pessoas não estão dispostas a se arriscar a contrair covid-19 em transporte público, e pagar por carro de aplicativo para ir ao trabalho é caro. Além disso, as escolas estão fechadas, bancar uma babá pra cuidar do seu filho não sai barato. Então, se fosse para receber o mesmo salário de antes, os trabalhadores acabariam tendo que pagar para trabalhar”, afirma Barnett à BBC News Brasil.
‘Efeito preguiça’ do seguro-desemprego?
Ele rechaça a tese de que os benefícios de seguro-desemprego oferecidos pela administração do democrata Joe Biden à população americana como forma de mitigar os danos econômicos da pandemia tenham criado o “efeito preguiça” na força de trabalho americana.
De março a setembro de 2021, os Estados Unidos aumentaram e facilitaram o acesso à cobertura assistencial para quem perdeu o emprego durante a pandemia de Covid-19. Trabalhadores desempregados que se encaixam nos pré-requisitos do programa recebem 300 dólares por semana, ou US$ 1,2 mil por mês.
Alguns economistas afirmam que isso pode ter colocado um piso alto demais na remuneração para que os pequenos negócios de serviços, como restaurantes e bares, possam competir e retirar os trabalhadores de casa.
“Com o crescimento que estamos vendo na economia, era de se esperar que a geração de empregos mensais no país estivesse na casa do milhão. O número de junho, no entanto, veio apenas em 850 mil americanos recém-empregados. Parece óbvio que o programa de seguro-desemprego está retirando incentivo de certos trabalhadores saírem de casa”, afirmou à BBC News Brasil Daniil Manaenkov, economista da Universidade de Michigan.
Os dados disponíveis, no entanto, não provam essa hipótese, ao menos por enquanto. Mais de 20 Estados americanos já cortaram, nas últimas semanas, o programa de seguro-desemprego federal de sua população, na expectativa de que isso aumentasse a busca por ocupação na região.
Os quatro primeiros a tomar essa iniciativa (Alasca, Iowa, Mississipi e Missouri) o fizeram há quase um mês. Ali, no entanto, as buscas por vagas desde então ficaram 4% abaixo da média nacional, de acordo com o site Indeed, um dos maiores agregadores de oportunidades de emprego no país.
Choque estrutural na economia
Ainda assim, Manaenkov acredita que o fim do auxílio federal e o retorno das aulas presenciais, programado para setembro, devem ajustar parcialmente a demanda e a oferta da força de trabalho. Manaenkov afirma, no entanto, que a normalização entre vagas e trabalhadores pode se alongar, já que a pandemia provocou o que ele chama de “choque estrutural na economia”.
Economia dos Estados Unidos continua a se recuperar após a chegada da pandemia, mas cada vez mais empresas reclamam que não conseguem encontrar pessoal
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“De repente, setores inteiros – como hotelaria ou limpeza de prédios comerciais – foram drasticamente reduzidos pela Covid-19. Esses trabalhadores dispensados tiveram que ser reabsorvidos em outras áreas – delivery de comida, fabricação de máscaras, por exemplo. Voltar à normalidade vai ser um novo choque estrutural”, diz Manaenkov.
O bartender Barnett, com experiência de mais de uma década no ramo, é um exemplo disso. Nos períodos em que os bares em que trabalhava ficaram completamente fechados, ele se inscreveu para vagas tão diversas quanto corretor de seguros, vendedor de carros e atendente da varejista Amazon.
“Em dados momentos, era difícil acreditar que aquilo em que eu trabalhei por tantos anos voltaria a existir, que seria seguro. Parte dos meus colegas deixou a área de vez”, conta Barnett, que contraiu Covid-19 no trabalho e carrega o medo de uma nova infecção, apesar de estar vacinado.
Se tivesse abandonado o ramo de atuação, ele seria mais uma baixa num setor que se ressente da falta de experiência dos candidatos às vagas. Quase 90% dos empresários com vagas abertas disseram ter recebido muito poucas ou nenhuma candidatura de pessoas qualificadas para o trabalho, segundo a pesquisa da Federação Nacional de Negócios Independentes de junho.
O problema da economia americana pode soar ao leitor como bom demais para ser verdade, especialmente quando comparado a cenários como o do Brasil – onde a economia ensaia retomada, a despeito da taxa recorde de 14,7% de desempregados registrada pelo IBGE no primeiro trimestre de 2021. E, de acordo com os especialistas, a saída dos americanos da recessão pandêmica – com salários mais altos e vagas de sobra – é uma realidade “única” e “exclusiva” daquele país.
“A maior parte dos demais países do mundo, à exceção talvez da Alemanha, terão problemas fiscais e de desemprego muito mais graves para lidar”, afirma Manaenkov.

Fonte: G1 Mundo