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Fukushima recebe 1ª competição dos Jogos Olímpicos; entenda segurança do local 10 anos após desastre nuclear


Radioatividade é baixa no estádio que receberá partidas de softbol nestas Olimpíadas. A cerca de 60 km dali, porém, ainda há bairros inabitáveis. Recente plano de despejar no mar água contaminada da usina aumenta a desconfiança com o governo do Japão. Cidade de Fukushima, no Japão, vista a partir do parque Hanamiyama
Happy Come via Flickr/C.C 2.0
Dez anos depois do maior desastre nuclear da história japonesa, Fukushima recebe a primeira competição oficial dos Jogos Olímpicos de Tóquio: uma partida de softbol entre Japão e Austrália marcada para as 21h desta terça-feira (20) (horário de Brasília), antes mesmo da Cerimônia de Abertura.
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VÍDEO: Veja Fukushima e Miyagi antes e depois do tsunami de 2011
A cidade de Fukushima foi escolhida subsede da primeira fase do softbol e do beisebol como parte da estratégia “Jogos da Reconstrução”. Trata-se de uma tentativa do comitê organizador local em mostrar para o mundo que toda a região afetada pelo desastre triplo de 2011 — terremoto, tsunami e vazamento radioativo — está se recuperando.
O polêmico plano do Japão para água radioativa de Fukushima
Tragédia de Fukushima, no Japão, completou 10 anos em março; relembre
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O problema é que moradores das áreas litorâneas próximas à usina destruída veem com ceticismo esse discurso. Embora o estádio que receberá os jogos fique a 67 quilômetros da central nuclear, em uma área praticamente livre das altas doses de radioatividade, ainda há pequenas cidades total ou parcialmente vazias por causa do desastre de 2011.
Além disso, decisões recentes tomadas pelo governo japonês sobre o decomissionamento — isto é, a desinstalação segura da Usina Nuclear Fukushima Daiichi — irritaram a comunidade pesqueira do Japão e inclusive governos de países da região, como China e Coreia do Sul. E isso contrasta com o tom otimista dos organizadores dos Jogos Olímpicos de Tóquio.
Nesta reportagem você vai ler que:
Para os atletas e moradores da cidade de Fukushima, os níveis de segurança estão bons, do ponto de vista da ciência nuclear
Porém, mais de 30 mil moradores, na maioria da parte litorânea da região de Fukushima, não se sentem seguros em voltar para casa
O desastre de 2011 foi um duro golpe à indústria pesqueira da região. Isso afetou toda a cadeia econômica de Fukushima e contribuiu para o esvaziamento das cidades próximas
O recente plano do governo japonês em jogar água contaminada ao mar foi recebido com fortes críticas de moradores pelo perigo de espalhar material radioativo e acabar, de vez, com as esperanças da retomada do setor pesqueiro
É seguro competir em Fukushima?
Estádio Fukushima Azuma, na cidade de Fukushima (Japão). Local receberá jogos de softbol e beisebol nos Jogos Olímpicos
©Tokyo 2020
Medidores de radiação instalados na cidade de Fukushima mostram níveis dentro do que as maiores autoridades em segurança nuclear consideram seguros. Perto do Estádio Azuma, sede de partidas da primeira fase do softbol e do beisebol, os índices estavam no início deste mês em cerca de 0,09 microsievert por hora — essa é a unidade de medida da dose de radiação recebida por hora em um local.
É um dado bastante satisfatório. Esse valor representa cerca de 0,8 milisievert por ano. Ou seja, dentro do limite anual de 1 milisievert que organizações como a Associação Nuclear Mundial avaliam como seguro e normal para a maioria das pessoas.
INFOGRÁFICO – Comparativo das doses de radiação
Elcio Horiuchi/Arte/G1
Ao G1, o professor Fumihiko Imamura, que lidera as pesquisas sobre grandes desastres na Universidade Tohoku — instituição localizada exatamente na região japonesa mais atingida pelo tsunami de 2011 — relata que a preocupação não é com a cidade de Fukushima em si.
“As pessoas estão vivendo normalmente na cidade de Fukushima. Os níveis de radiação ali estão normais”, afirma.
Onde mora o problema
Jornalistas e funcionários da Tokyo Electric Power Co. (Tepco) usam roupas especiais durante visita, em maio de 2016, à usina Nuclear de Fukushima.
Tomohiro Ohsumi / Pool / Reuters
Os especialistas explicam que o problema está a 67 km do Estádio Azuma, onde fica a Usina Nuclear Fukushima Daiichi, destruída pelo tsunami de 11 de março de 2011. Dez anos depois do desastre nuclear, os números de radiação nas pequenas cidades de Futaba e Okuma ainda estão altos, acima das margens de segurança.
Aqui, vale uma diferenciação: Futaba e Okuma fazem parte da prefeitura de Fukushima, uma das subdivisões do território japonês. Essa prefeitura tem sede na cidade de mesmo nome, que é onde os jogos de beisebol e softbol ocorrerão.
INFOGRÁFICO – Fukushima nos Jogos Olímpicos
Elcio Horiuchi/Arte/G1
Em Okuma, por exemplo, um dos medidores registrou em junho deste ano 6,52 microsieverts por hora — ou seja, 57 milisieverts por ano. Valor muito acima da dose de 1 microsievert por ano por pessoa, limite recomendado pelas autoridades em segurança nuclear. Está acima até do teto estabelecido por autoridades internacionais para funcionários de usinas nucleares, que costuma ser de 50 milisieverts por ano.
Por isso, Futaba e Okuma ainda têm áreas desertas, deixadas dez anos atrás. Elas estão dentro de um raio de 20 km determinado como zona de exclusão. Só em algumas horas por dia ou por semana os antigos moradores têm acesso. Veja a reportagem em VÍDEO abaixo.
Tragédia de Fukushima: Futaba ainda é cidade-fantasma uma década depois do tsunami
Assim, estima-se que mais de 30 mil moradores de toda a prefeitura de Fukushima não tenham retornado às suas casas desde o desastre nuclear de 2011.
“Conseguimos reconstruir as casas, restabelecer a eletricidade. Mas, como muitos deixaram a região, há bairros esvaziados nas cidades, o que gera problemas de segurança”, explica o professor Imamura.
Mar contaminado, pesca prejudicada
Galões armazenam água contaminada retirada da usina nuclear de Fukushima, no Japão, em imagem de 2019
Issei Kato/Reuters/Arquivo
Uma das consequências mais graves do desastre nuclear foi a contaminação das águas do Oceano Pacífico no litoral de Fukushima. Isso foi especialmente grave porque ali havia famílias inteiras que dependiam da pesca para sobreviver.
Ou seja, o desastre da Usina de Fukushima deixou não só um impacto para os pescadores como também quebrou toda uma cadeia de atividades econômicas da região, explicou o professor Imamura. Isso aumenta o isolamento de toda a região em relação ao resto do país.
“Agricultura e pesca foram dois setores prejudicados pelo desastre e ainda não conseguiram se recuperar. E os mais jovens não querem voltar porque essas atividades pagam menos do que empregos em empresas ou indústrias privadas”, aponta Fumihiko Imamura, da Universidade de Tohoku.
O professor de engenharia nuclear da Coppe/UFRJ, Aquilino Senra, concorda que a atividade pesqueira na região não voltará tão cedo: “Não há condições de retomar a pesca ali próximo à usina” afirma. E, na avaliação dele, a situação dos pescadores pode ficar ainda mais crítica nos próximos anos.
Isso porque, no ano passado, o governo japonês e a companhia Tokyo Electric Power Company anunciaram o plano de devolver ao mar mais de 1 milhão de toneladas da água usada para resfriar o núcleo da usina destruída. Relembre no VÍDEO abaixo.
Japão decide despejar, no mar, água contaminada da usina nuclear de Fukushima
As autoridades locais garantem que o procedimento é seguro, mas especialistas alertam para o risco de contaminação com estrôncio 90, carbono 14 e trítio — que são radioativos e podem causar doenças em longo prazo, como alguns tipos de câncer, na população que tiver contato.
No entanto, a proposta revoltou a comunidade pesqueira de Fukushima, órgãos ambientais internacionais e governos de outros países da região. O Ministério das Relações Exteriores da China disse em abril que o procedimento era “extremamente irresponsável”. A Coreia do Sul foi além, e chegou a convocar o embaixador japonês em Seul para prestar esclarecimentos.
O professor Senra, especialista em energia nuclear, explica que essa água contaminada está em uma série de tambores construídos ao redor da usina. Ali, com o tempo, essas substâncias perdem radioatividade e se tornam menos nocivas.
Por isso, ele opina que as autoridades japonesas deveriam avaliar construir novos tambores e deixar para despejar no mar daqui a alguns anos, em outro momento mais seguro.
“Há correntes marítimas que podem direcionar essa carga radioativa para áreas que tenham produção pesqueira. Isso é uma decisão que eu vejo como crítica. Acho que o que deveria ser feito era continuar o armazenamento por mais tempo — e com isso aperfeiçoar o tratamento”, avalia Senra.
Otimismo e preocupação
Esculturas inauguradas nesta terça-feira (13) em Tóquio, no Japão, homenageiam a reconstrução das prefeituras de Iwate, Miyagi e Fukushima, destruídas no tsunami de 2011
Kazuhiro Nogi/AFP
O plano de usar os Jogos Olímpicos de Tóquio como “Jogos da Recuperação e Reconstrução” continua de pé para os organizadores do evento e autoridades locais.
Não só em Fukushima, mas também na prefeitura de Miyagi, que teve bairros inteiros devastados pelo tsunami de 2011. Aliás, será lá a primeira participação do Brasil nestas Olimpíadas: a seleção feminina de futebol joga contra a China na cidade de Rifu, em Miyagi, a partir das 5h de quarta (21) (horário de Brasília).
Mas esses esforços têm surtido efeito?
Cerimônia de acendimento da tocha em Fukushima, Japão, em 25 de março de 2021
Kim Kyung-Hoon/Pool/Reuters/Arquivo
O professor Fumihiko Imamura, da Universidade de Tohoku, acredita que sim. O especialista em desastres e pesquisador de tsunamis tem participado dos planos de recuperação do nordeste japonês e aponta as duas principais linhas de ação que governos e moradores têm tomado:
Prevenção — maior monitoramento da atividade sísmica para gerar alertas de terremoto e tsunami mais rapidamente.
Reconstrução — os bairros destruídos pelos tsunamis não só ganharam novas construções como também receberam maior proteção, como diques, barreiras e canais para conter ondas gigantes
Para Imamura, neste momento, a preocupação com o evento em Fukushima e outras partes do Japão não é a radiação que persiste nos arredores da usina nem possíveis terremotos. Na opinião dele, o que tem gerado temores entre os habitantes da região é a pandemia do coronavírus e o fluxo de atletas.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) espera que ao menos 80% dos atletas e integrantes de comissões técnicas estejam vacinados até a abertura. Todos os participantes serão rigorosamente testados e precisarão seguir protocolos que limitam a movimentação pelo país ao longo do evento. A presença do público está vetada em Tóquio e outras sedes — incluindo Fukushima. Mesmo assim, até que os Jogos, enfim, terminem, em 8 de agosto, permanecerá a expectativa sobre a eficácia dessas diretrizes em evitar mais um surto de Covid-19.

Fonte: G1 Mundo

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VÍDEO: veja Fukushima e Miyagi, subsedes das Olimpíadas, antes e depois do tsunami de 2011


Terremoto com magnitude 9,1 em março de 2011 causou um tsunami que devastou o nordeste do Japão. Com o mote ‘Jogos da Recuperação e da Reconstrução’, organizadores levaram alguns jogos de futebol, beisebol e softbol a essas localidades. VÍDEO: Fukushima e Miyagi vão sediar Olimpíadas do Japão 10 anos depois de tsunami
Duas das áreas mais atingidas pelo terremoto e tsunami que devastaram o Japão em 2011, as prefeituras de Miyagi e Fukushima receberão algumas competições dos Jogos Olímpicos de Tóquio a partir de 20 de julho (horário de Brasília). A ideia dos organizadores é mostrar ao mundo como a região se recuperou do “desastre triplo” — terremoto, tsunami e acidente nuclear — de 10 anos atrás. Veja no VÍDEO acima imagens de antes e depois da tragédia.
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A cidade de Fukushima — cerca de 70 km distante da usina nuclear — receberá as duas primeiras rodadas do softbol e a estreia do beisebol. A primeiríssima competição dos Jogos Olímpicos, inclusive, será lá, com o jogo entre Austrália e Japão no softbol às 21h de 20 de julho (em Brasília). Antes mesmo da Cerimônia de Abertura, marcada para o dia 23.
Miyagi, por sua vez, receberá 10 partidas do torneio olímpico de futebol. Entre elas, está a primeira participação do Brasil nesta edição dos Jogos: uma disputa da seleção brasileira feminina contra a equipe da China, às 5h de 21 de julho (em Brasília) — também antes da abertura.
MAPA – Olimpíadas em Fukushima e Miyagi
G1 Mundo

Fonte: G1 Mundo

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Enchentes na Europa: veja FOTOS das cidades depois das inundações


Segundo autoridades, ao menos 189 pessoas morreram e milhares estão desaparecidos por causa das chuvas do últimos dias. Angela Merkel visitou o local das inundações neste domingo (18) na Alemanha. As inundações na Europa deixaram mais de 180 mortos e milhares de desaparecidos. Neste domingo (18), vários bairros ficaram destruídos após as enchentes e deslizamentos de terra.
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ANTES e DEPOIS: Como eram e como ficaram áreas afetadas pelas inundações
VÍDEOS: Veja imagens do rastro de destruição causada pelas chuvas na Europa
A Alemanha é o país mais afetado, segundo autoridades, são 158 mortos e mais de 1 mil desaparecidos até o momento. A chanceler Angela Merkel visitou o local das inundações neste domingo (18).
Veja fotos da destruição causada pelas chuvas:
Carro destruído em uma área afetada por enchentes, em Pepinster, na Bélgica
Yves Herman/Reuters
Foto da cidade de Bad Münstereifel, Alemanha, após inundações
Roberto Pfeil/ AP
Homem removendo lama de um porão inundado em Hallein, Áustria
Andreas Gebert/Reuters
Imagem aérea mostra pessoas removendo escombros de uma carpintaria atingidas por enchente em Schuld, perto de Bad Neuenahr-Ahrweiler, no oeste da Alemanha, em 18 de julho de 2021
Christof Stache/AFP
Foto da cidade de Sinzig, Alemanha, neste domingo (18)
Wolfgang Rattay/ Reuters
Foto aérea do rio Ahr em Bad Neuenahr-Ahrweiler, Alemanha, neste domingo (18)
Thomas Frey/dpa via AP
Bombeiros italianos resgatam motorista em área alagada em Palermo, Itália
Vigili del Fuoco/Reuters

Fonte: G1 Mundo

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Filho de Arce, técnico do Cerro Porteño, morre após acidente no Paraguai


Alexsandro Javier Arce, de 20 anos, morreu após bater carro em uma árvore; time paraguaio comandado pelo ex-jogador do Palmeiras e do Grêmio disputa as oitavas de final da Copa Libertadores contra o Fluminense. Alex Javier Arce (à dir.), em foto com o pai Francisco, postada em seu perfil do Twitter em 20 de junho
Reprodução/Twitter
Alexsandro Javier Arce, de 20 anos, filho de Francisco Arce, técnico do time paraguaio Cerro Porteño, morreu na manhã deste domingo (18) após se envolver em um grave acidente de carro na cidade de Luque, no Paraguai, segundo a imprensa local.
Francisco Arce, ex-jogador do Palmeiras e do Grêmio, foi chamado para reconhecer o corpo do filho.
Alexandro morreu logo após atingir uma árvore à beira da estrada Silvio Pettirossi, em frente ao Parque Ñu Guasu, em Luque. O carro ficou destruído. A ABC TV publicou um vídeo no Twitter com as imagens do veículo.
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O Cerro Porteño lamentou a morte de Alexsandro pelas redes sociais. “Nestes momentos de tristeza e pesar, nos juntamos à dor dos familiares e expressamos solidariedade de todos os cerristas por tão lamentável acontecimento. Rogamos pelo eterno descanso de seu ente querido e o consolo de toda a família”, disse na nota.
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Francisco Arce está no comando do Cerro Porteño, que disputa as oitavas de final da Copa Libertadores contra o Fluminense.

Fonte: G1 Mundo

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Opep e aliados concordam com aumento da produção de petróleo para amenizar alta nos preços


Serão produzidos, a partir de agosto, 400 mil barris a mais por dia até o final de 2022 Opep pretende aumentar gradualmente a produção de petróleo nos próximos meses
Gregory Bull/AP/Arquivo
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, liderados pela Rússia, concordaram neste domingo (18) em aumentar a produção a partir de agosto para amenizar a alta do preço do produto enquanto o mundo tenta se recuperar da pandemia.
Serão 400 mil barris a mais por dia até o final de 2022, segundo comunicado do grupo conhecido como Opep+. A disputa recente entre os países causou turbulência no valor do petróleo.
Maiores produtores de petróleo do mundo vão aumentar a produção
O anúncio veio após uma negociação complicada entre os integrantes, como os Emirados Árabes Unidos (EAU), que impunham entraves nos acordos.
Após a reunião, em que foram definidas novas cotas de fornecimento do produto, o ministro de Energia dos EAU, Suhail bin Mohammed al-Mazroui, disse estar satisfeito com a decisão.
Ele não especificou, no entanto, como os países chegaram ao acordo.
Redução na pandemia
Em 2020, a organização se viu forçada a diminuir a produção de um patamar recorde.
Isso porque as políticas públicas para controlar a propagação do novo coronavírus, como o fechamento de cidades e distanciamento social, diminuíram a demanda por combustíveis.
Primeiro, a Opep diminuiu a produção para 9,7 milhões de barris por dia. Em seguida, para 7,7 milhões e, finalmente, para 7,2 milhões a partir de janeiro.

Fonte: G1 Mundo

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A nova ‘febre de Miami’, que atrai pessoas e negócios de outras regiões dos EUA e do mundo


Pandemia de covid-19 fez com que muitas pessoas e empresas se mudassem para cobiçada cidade do sul da Flórida, o que fez preço da moradia disparar. Miami está atraindo novos moradores, tanto de dentro quanto de fora dos Estados Unidos
Getty Images/BBC
Algo está acontecendo em Miami — e cada vez mais rápido.
A cidade do Sul da Flórida está atraindo pessoas e negócios de outras partes dos Estados Unidos e do mundo, se tornando também um dos novos centros de referência para muitos projetos de empreendedorismo na área de tecnologia.
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As comparações com o Vale do Silício, o grande centro tecnológico da Califórnia, se tornaram comuns em artigos de jornais e no discurso de alguns políticos locais.
“Nunca vimos nada parecido antes”, diz à BBC News Mundo, Rebecca Danta, da empresa Miami Angels, que se dedica a fazer a ponte entre sócios capitalistas interessados ​​em investir e empreendedores do setor de tecnologia em busca de financiamento para seus projetos.
Para ela, Miami está se beneficiando “da descentralização gerada pela pandemia”, que levou muitos profissionais que trabalham remotamente de estados americanos em que as restrições impostas pela pandemia de covid-19 eram mais severas a buscar um clima mais ameno, mais liberdade e menos impostos.
Em artigo publicado no jornal Miami Herald, Craig Studniky, diretor-executivo da agência imobiliária Related ISG Realty, disse que “durante anos, o sul da Flórida viu um aumento populacional de mais de 900 pessoas por dia”, mas a pandemia “agiu como o catalisador de um dos maiores aumentos na migração já vistos”.
O fenômeno se reflete no mercado imobiliário, com um aumento interanual de 39,8% nas vendas nos primeiros quatro meses de 2021, de acordo com dados da associação de corretores de imóveis da cidade.
Esse boom do mercado imobiliário é justamente o que preocupa muitos políticos e ativistas locais, que veem como isso dificulta o acesso à moradia para famílias de trabalhadores e de classe média, em uma das cidades mais desiguais dos Estados Unidos.
Muitos profissionais americanos que agora podem trabalhar à distância escolheram Miami para isso
Getty Images/BBC
O que está acontecendo
A cidade de Miami é um centro financeiro de referência para a América Latina e tradicionalmente recebe imigrantes procedentes dessa região — é ainda destino habitual de turistas de outras partes dos Estados Unidos, inclusive estudantes que costumam curtir Miami Beach nas férias de primavera, o chamado “spring break”.
No imaginário popular, Miami foi imortalizada na década de 1980 com a série de televisão Miami Vice, em que a dupla de policiais interpretada por Don Johnson e Philip Michael Thomas perseguia traficantes de drogas inescrupulosos a bordo de uma Ferrari conversível.
A trama da série refletia o papel da cidade como a grande lavanderia do narcotráfico continental, mas o tipo de capital econômico e humano que agora flui até aqui parece ser diferente.
“A demanda por moradia está perto de um nível recorde, à medida que mais compradores do nordeste e da costa oeste, assim como empresas financeiras e de tecnologia, se mudam para cá”, diz o relatório dos corretores de imóveis.
Delian Asparouhov é um dos empreendedores que se mudou para Miami
BBC
O jovem empreendedor Delian Asparouhov é uma das caras da nova migração para Miami.
Sócio da startup espacial Varda Space Industries e da Funders Fund, ele é um dos que trocou a Califórnia pela Flórida nos últimos tempos.
“Eu morava na baía de São Francisco desde 2013, mas em abril minha namorada e eu nos mudamos para cá.”
Eles compraram um apartamento em Wynwood, uma área que por décadas foi um bairro para imigrantes e trabalhadores de baixa renda e agora é o cobiçado distrito de arte e design de Miami.
“Tenho encontros mais produtivos pessoalmente, trabalho mais, sou mais feliz, tomo mais sol, estou mais em forma, como melhor e minha namorada está mais contente. Até agora, só vantagens.”
Uma das coisas que animaram Asparouhov foi a resposta inesperada que obteve antes de se mudar. “E se levássemos o Vale do Silício para Miami?”, se perguntou.
E Francis Suarez, prefeito da cidade de Miami, respondeu: “Como posso ajudar?”
Foi um dos marcos da campanha do prefeito para transformar Miami em um novo centro de empreendedorismo tecnológico, na qual está empenhado há vários anos.
“Queremos estar na próxima onda de inovação”, disse Suarez ao jornal New York Times. O prefeito é visto nas feiras de tecnologia que acontecem com cada vez mais frequência em Miami.
Prefeito de Miami, Francis Suarez, quer transformar a cidade em um grande polo de investimento tecnológico
Getty Images/BBC
Recentemente, ele propôs aceitar o bitcoin como pagamento de impostos e usá-lo para pagar funcionários públicos, uma ideia que lhe rendeu ainda mais fãs na comunidade de entusiastas da criptomoeda.
Os esforços do prefeito parecem ter começado a dar frutos nos últimos meses, quando figuras do mundo corporativo como Carl Icahn, um dos investidores mais bem-sucedidos de Wall Street segundo a revista Forbes, e Antonio Gracias, presidente do comitê de investimentos da Tesla, se estabeleceram em Miami.
Mas a iniciativa de Suarez não é o único incentivo oficial para a migração para Miami.
A cidade também se beneficia do fato de a Flórida ser um dos nove estados do país que não cobra imposto de renda estadual, o que é um grande incentivo para pessoas físicas e jurídicas que pensam em se instalar por ali.
Rebecca Danta afirma que “embora a pandemia tenha acelerado (o processo), o que está acontecendo em Miami é algo que se busca há muito tempo”.
Consequências
Delian Asparouhov acredita que, no geral, “haverá um aumento no padrão de vida aqui, visto que muitas empresas contratam engenheiros de universidades locais” e “empresas de tecnologia costumam trazer muita prosperidade aonde quer que vão”.
Mas o processo pode ter outros efeitos indesejados, além do desembarque temporário de profissionais que fugiram das restrições em seus locais de origem.
Enquanto restrições continuavam em outras partes dos EUA, os bares e restaurantes permaneceram abertos em Miami
Getty Images/BBC
Eileen Higgins, comissária do Distrito 5 do condado de Miami-Dade, que compreende o centro da cidade, diz à BBC News Mundo que “o que está acontecendo é muito preocupante”.
“A chegada das empresas de tecnologia é uma boa notícia, porque gera empregos, mas em Miami temos uma crise histórica de acesso à moradia e isso pode piorar ainda mais as coisas, dificultando muito para que famílias de trabalhadores e de classe média tenham um lugar para morar.”
A comissária propõe o uso de terras públicas para a construção de moradias sociais e destaca uma das peculiaridades do mercado imobiliário de Miami. “Muitas das casas aqui não são casas, mas contas bancárias”, diz ela, se referindo aos imóveis comprados por investidores de países latino-americanos para proteger suas economias da instabilidade em seus países de origem.
Higgins teme que Miami comece a ver o filme cujo final já é conhecido na Califórnia, onde “a revolução tecnológica levou a uma crise de moradia”, e lembra que a cidade da Flórida sofre com “altos níveis de desigualdade”, uma vez que “aqui há muita gente que vive de empregos mal remunerados”.
Afro-americanos são um dos grupo mais prejudicados por gentrificação em Miami
Getty Images/BBC
A desigualdade também é um problema com conotações raciais. De acordo com um relatório da empresa Clever Real Estate e da ONG Dream Builders for Equality, a área de Miami e as regiões vizinhas de Fort Lauderdale e West Palm Beach ficaram em quarto lugar na lista de 15 concentrações urbanas americanas com a maior disparidade no valor das propriedades entre distritos com população majoritariamente negra e os demais.
Nos de maioria negra, o valor médio dos imóveis era 478% menor.
Segundo um corretor de imóveis que preferiu não se identificar, “o mercado está agora extremamente aquecido”. Há muita demanda para pouca oferta, o que incentiva os proprietários a dispensar seus inquilinos para vender os imóveis.
Foi isso que aconteceu com os moradores do estacionamento de trailers Paradise Park na área de Allapattah, que recentemente receberam um aviso de despejo porque o terreno foi vendido para uma empresa que planeja construir nele.
Davalyn Suárez, advogado que representa a associação de inquilinos, disse à rede NBC que “isso está acontecendo com muita frequência, e as moradias a preços acessíveis estão se tornando mais escassas”
“A tendência é que comprem o terreno onde estão esses trailers e construam prédios de apartamentos, que podem alugar para mais pessoas e por mais dinheiro.”
Preços subiram tanto que muitos apartamentos estão fora do alcance da maioria da classe média
Getty Images/BBC
E muitos desses terrenos onde vivem pessoas com menos recursos estão em áreas que se tornaram mais cobiçadas ​​precisamente porque não estão no litoral e são menos vulneráveis ​​à elevação do nível do mar, um problema sério que Miami enfrentará nas próximas décadas.
Rebecca Danta, da Miami Angels, acredita que o fluxo de novos moradores com maior poder aquisitivo pode ser a solução para alguns dos problemas que esse fenômeno impõe.
“Sabemos que em lugares como Nova York e a Baía de São Francisco, que tiveram um boom na economia tecnológica, isso gerou grandes diferenças de renda, e já em 2013 Miami tinha uma das maiores diferenças entre o custo de vida e a renda média. Uma das maneiras de enfrentar esse problema é gerar empregos mais bem remunerados, e o setor que faz isso é o da tecnologia.”
Seja qual for o resultado, Danta não acredita que a “febre” de viver e investir em Miami vá diminuir no curto prazo: “Veio para ficar, e Miami será um lugar relevante por muitos anos.”

Fonte: G1 Mundo

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Como os cosmonautas russos conquistaram o espaço


Enquanto os rostos dos sete primeiros astronautas selecionados pela Nasa eram divulgados pela imprensa mundial, os cosmonautas russos treinavam em segredo. Enquanto os rostos dos sete primeiros astronautas selecionados pela Nasa eram divulgados pela imprensa mundial, os cosmonautas russos treinavam em segredo
Getty Images/BBC
Em 13 de abril de 1961, o correspondente especial do jornal soviético Izvestia, Georgi Ostroumov, se encontrava com o primeiro homem enviado ao espaço.
Um dia depois de retornar à Terra, o “piloto espacial” Yuri Gagarin estava, conforme relatou Ostroumov, “animado, forte e saudável… um sorriso maravilhoso ilumina seu rosto”.
“De vez em quando, covinhas aparecem em suas bochechas”, escreveu Ostroumov.
“Ele aprecia a curiosidade com que é pressionado pelos detalhes do que viu e vivenciou durante a uma hora e meia que passou fora da Terra.”
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Os problemas de saúde que astronautas enfrentam no espaço
Em um livreto publicado para comemorar a façanha, Soviet Man in Space, a entrevista com Gagarin continua por várias páginas.
O cosmonauta descreve a experiência: “O horizonte apresenta uma visão única e extraordinariamente bela.”
E enaltece a União Soviética: “Dedico meu voo a… todo o nosso povo que está marchando na vanguarda da humanidade e construindo uma nova sociedade”.
Em um sistema político em que o jornalismo tende à propaganda, no lugar de um retrato realista dos fatos, é fácil argumentar que as aspas de Gagarin são inventadas.
Mas, embora possam ter sido filtradas por censores, há uma boa chance de que sejam as palavras reais dele.
Piloto de combate que cresceu em um pequeno vilarejo russo, Gagarin era um homem de família benquisto.
Ele era bonito, agradável e, mais importante, um membro fiel de carteirinha do partido comunista.
Embora o passo a passo do primeiro programa espacial tripulado da Nasa, a agência espacial americana, tenha sido acompanhado pelo público, só recentemente veio à tona a história completa de como a União Soviética selecionou e treinou seus cosmonautas.
O império comunista fez questão de encorajar a visão de que a seleção estava aberta a todos, e que os primeiros homens enviados ao espaço — e a primeira mulher, Valentina Tereshkova — eram voluntários.
Mas isso não é bem verdade.
Depois de se qualificar como piloto de combate, Gagarin ficou baseado em um campo de pouso russo remoto na divisa com a Noruega, pilotando caças a jato MiG-15 na fronteira ocidental da Guerra Fria.
No fim do verão de 1959, dois médicos chegaram à base área para entrevistar um grupo pré-selecionado de aviadores.
Após começar com uma lista de cerca de 3,5 mil candidatos em potencial, os médicos restringiram sua busca a aproximadamente 300 pilotos em todo o oeste do país.
“Os caras que estão sendo entrevistados não têm ideia do por que realmente estão sendo entrevistados”, diz Stephen Walker, autor do livro Beyond, que passou anos vasculhando arquivos russos para contar a história completa da missão de Gagarin.
União Soviética investiu pesado no programa espacial, mas oficialmente ele não existia
Getty Images/BBC
A entrevista consistia em um bate-papo aparentemente casual sobre carreira, aspirações e família. Alguns dos homens eram convidados então a uma segunda conversa.
Embora os médicos insinuassem que estavam procurando candidatos para pilotar um novo tipo de máquina voadora, em nenhum momento eles revelavam sua verdadeira motivação.
“Eles estão procurando pilotos militares, pessoas que já aceitaram a possibilidade de morrer por seu país, que é realmente do que se trata, porque as chances de voltar com vida não são necessariamente muito grandes”, explica Walker.
Enquanto a Nasa recruta pilotos de teste militares como seus primeiros astronautas a pilotar a complexa espaçonave Mercury, a cápsula soviética Vostok foi projetada para ser controlada remotamente a partir do solo.
Exceto em caso de uma emergência, os pilotos não chegariam a pilotar muito.
“Eles não estão procurando pessoas com muita experiência”, afirma Walker.
“O que eles estão procurando basicamente é uma versão humana de um cão — alguém que possa sentar lá e aguentar a missão, lidar com as forças de aceleração e voltar vivo.”
E assim como os cães espaciais que os cientistas de foguetes soviéticos vinham lançando ao espaço há mais de uma década, os cosmonautas teriam que estar em forma, ser obedientes e pequenos o suficiente para caber na cápsula apertada.
Número de integrantes da primeira turma de cosmonautas em potencial caiu para 20, incluindo Yuri Gagarin, o segundo da esquerda
Getty Images/BBC
Por fim, 134 indivíduos selecionados — todos jovens pilotos com menos de 1,68 m de altura — tiveram a oportunidade de se “voluntariar” para esta nova missão ultrassecreta.
Alguns foram informados que seriam treinados para pilotar uma espaçonave, outros acreditavam que se tratava de um novo modelo de helicóptero.
Nenhum dos pilotos tinha permissão para discutir a oferta com seus colegas ou consultar suas famílias.
Em paralelo, em abril de 1959, os Estados Unidos anunciavam os nomes dos primeiros sete astronautas da Mercury.
Os candidatos foram submetidos a uma série exaustiva de testes físicos, médicos e psicológicos — detalhados no livro Os Eleitos, de Tom Wolfe (assim como no filme subsequente e na série de TV de mesmo nome).
Quando questionados em uma entrevista coletiva para a imprensa sobre qual dos testes eles menos gostaram, o então candidato a astronauta John Glenn respondeu:
“É difícil escolher um porque se você souber quantas aberturas existem no corpo humano, e quão longe você pode ir em qualquer uma delas… você responde qual seria a mais difícil para você.”
Mas, com tantas questões em aberto sobre como os humanos vão lidar com o rigor de um voo espacial — as acelerações, a ausência de gravidade e o isolamento —, havia todos os motivos para escolher os mais aptos física e psicologicamente.
O homem encarregado de testar os candidatos espaciais soviéticos foi Vladimir Yazdovsky, professor do Instituto de Aviação e Medicina Espacial de Moscou.
Ele já havia supervisionado o programa de cães espaciais e era descrito por colegas (privadamente) como um homem severo e arrogante.
“Ele é tipo um daqueles personagens aterrorizantes de James Bond”, diz Walker. “E é brutal com esses caras.”
Treinamento soviético teve menos ênfase em técnicas de pilotagem do que o da Nasa
Getty Images/BBC
Em quase todos os casos, os testes soviéticos eram mais longos, mais difíceis e mais rigorosos do que os enfrentados pelos astronautas americanos.
Ao longo de um mês, os candidatos foram injetados, examinados e espetados.
Eles foram colocados em salas com temperaturas elevadas a 70 °C, câmaras onde ficavam progressivamente sem oxigênio e assentos vibratórios para simular o lançamento.
Alguns candidatos desmaiaram, outros simplesmente desistiram.
Durante todo o processo, eles eram proibidos de contar a seus familiares e amigos o que estavam fazendo.
Mesmo naquele mês de testes, alguns ainda não sabiam para o que estavam sendo testados.
Por fim, 20 desses jovens foram aprovados para serem treinados em um novo centro de cosmonautas.
Mais tarde, o centro receberia o nome de Cidade das Estrelas, mas inicialmente era formado apenas por algumas cabanas militares em uma floresta perto de Moscou.
Não houve entrevista coletiva para a imprensa ou qualquer anúncio. Oficialmente, o programa de voos espaciais tripulados por humanos da União Soviética não existia.
Cosmonautas russos tiveram que passar por muitos testes semelhantes aos dos astronautas da Nasa, como o treinamento de gravidade zero
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“Se eles deixam a base, são orientados a não contar a ninguém o que estão fazendo, por que estão lá; se alguém perguntar, eles devem dizer que fazem parte de um time esportivo”, diz Walker. Tudo é controlado, tudo é segredo. Tudo acontece a portas fechadas.”
O programa de treinamento em si é semelhante ao dos americanos, mas com menos ênfase no controle da espaçonave.
Assim como os cães espaciais, os homens são girados em centrífugas com acelerações vertiginosas, lacrados em câmaras de isolamento à prova de som por dias a fio e submetidos a avaliações físicas e psicológicas quase constantes.
Uma diferença significativa em relação ao programa americano é a quantidade de treinamento de paraquedas que os russos receberam.
Por que os astronautas se chamam cosmonautas na Rússia?
É que eles precisariam se ejetar de suas espaçonaves à medida que se aproximassem do solo para evitar serem gravemente feridos pelo impacto.
O fato de a cápsula e seu piloto pousarem separadamente é outro segredo que só seria revelado anos depois.
Com vários outros candidatos reprovados, um grupo inicial de seis cosmonautas é selecionado para os primeiros voos.
Após a Nasa declarar publicamente que espera lançar seu primeiro homem ao espaço na primavera de 1961, o chefe do programa soviético, Sergei Korolev, sabe que tem uma janela estreita de oportunidade.
Em 5 de abril de 1961, os cosmonautas chegaram ao que hoje é conhecido como Cosmódromo de Baikonur, no deserto do Cazaquistão, onde o foguete R7 de Korolev estava sendo preparado.
Naquele momento, nenhum deles sabia quem seria o primeiro a ser enviado ao espaço. Finalmente, apenas alguns dias antes do lançamento, Gagarin recebeu o aval.
Só depois de uma transmissão oficial, quando Gagarin está na órbita da Terra, que as pessoas, exceto as mais próximas do programa espacial, viriam a saber seu nome.
De acordo com Ostroumov, correspondente especial do jornal Izvestia, na manhã de 12 de abril, Gagarin deu “um último aceno aos amigos e camaradas lá embaixo [do foguete] e entrou na espaçonave, alguns segundos depois o comando foi dado… a gigantesca espaçonave se ergueu de uma nuvem de fogo em direção às estrelas”.
Ele voltaria à Terra como o garoto-propaganda da União Soviética — o piloto espacial eleito da Rússia.

Fonte: G1 Mundo

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Quem foi ‘Madame Mao’, a temida esposa de Mao Tsé-Tung que se tornou a mulher mais poderosa da China comunista


Jiang Qing sonhava em ser uma atriz de sucesso do cinema, mas destino a tornaria a mulher mais poderosa — e também temida — da China… até cair em desgraça e virar bode expiatório do Partido Comunista. Quarta e última esposa de Mao, Jiang Qing, desempenhou papel fundamental na Revolução Cultural de 1966-76, que deixou feridas profundas na China
Getty Images/BBC
Ela nasceu pobre, filha ilegítima de um carpinteiro alcoólatra e violento e sua concubina, e seu sonho (fracassado) era ser estrela de cinema. No entanto, o destino a tornaria a mulher mais poderosa — e também a mais temida — da China.
Essa é a história de Jiang Qing, também conhecida como Chiang Ching, quem o Ocidente apelidou de “Madame Mao”. Jiang nasceu em 1914 com o nome de Li Shu-meng, mas ao longo de sua vida adotou uma série de pseudônimos.
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Quando criança, era conhecida como Li Yunhe (Guindaste nas Nuvens) e começou a se apresentar em um grupo de teatro comunitário.
Em sua adolescência, se casou com um comerciante, mas depois de alguns meses eles se divorciaram. Ela, então, começou um relacionamento com um ativista do Partido Comunista da China (PCC), do qual se tornaria membro.
O PCC, que acaba de celebrar seu centenário (veja no vídeo abaixo), foi perseguido pelo governante Partido Nacionalista Chinês (ou Kuomintang) e operava na clandestinidade.
VÍDEO: Partido Comunista da China completa 100 anos e reúne milhares em evento em Pequim
Aos 20 anos, a aspirante a atriz mudou-se para Xangai, o principal centro cosmopolita da época, conhecido como a “Pérola do Oriente”, onde funcionava a meca da indústria cinematográfica chinesa.
Logo após sua chegada, em 1934, foi presa por ser comunista e passou alguns meses atrás das grades, mas isso não a impediu de perseguir seu sonho. Após sua libertação, mudou seu nome artístico para Lan Ping (Maçã Azul) e se reinventou.
Jiang conseguiu um papel como protagonista em uma peça de teatro — Nora em “Casa de Bonecas” — do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), e alguns papeis menores no cinema, mas não convenceu os magnatas da indústria cinematográfica, uma rejeição que a marcaria por toda a vida.
Durante esse tempo, se apaixonou pelo ator e diretor Tang Na, com quem se casou. Depois de um relacionamento conturbado, eles acabariam se divorciando em 1937.
De acordo com a biografia do historiador australiano Ross Terrill, Madame Mao: The White-Boned Demon (Madame Mao, o demônio de ossos brancos, em tradução livre para o português), a futura esposa de Mao levou uma vida burguesa e decadente durante esse tempo em Xangai.
Ela também se tornou famosa, principalmente por seu relacionamento tempestuoso com Tang, uma fama que mais tarde tentaria apagar à força após uma nova transformação como Jiang Qing (Rio Verde), a recatada militante comunista que faria o líder do PCC, Mao Zedong, se apaixonar.
Mudança de vida
Jiang conheceu Mao na cidade de Yan’an, no norte da China, onde o quartel-general do PCC havia sido instalado após a chamada Grande Marcha da antiga base comunista no sul do país.
A atriz decidiu viajar para lá após a invasão japonesa de Xangai em 1937, com a intenção de participar de filmes de propaganda comunista.
No entanto, alguns dos mesmos produtores de filmes que a rejeitaram em Xangai viraram as costas para ela novamente.
Biografias dizem que Jiang conseguiu atrair a atenção de Mao durante as palestras públicas que o líder do PCC dava aos jovens.
Ela sentava-se na primeira fila e sempre fazia perguntas e comentários entusiasmados.
O relacionamento entre Jiang e Mao não era bem visto por outros líderes comunistas. Por um lado, porque a profissão de ator não era bem vista. Mas, acima de tudo, porque Mao — que tinha quase o dobro da idade de Jiang — era casado.
Sua esposa (a terceira, depois de um breve casamento arranjado e um casamento com uma ativista executada pelo Kuomintang) era mãe de seis filhos de Mao e morava temporariamente na vizinha União Soviética (URSS), onde recebia tratamento para uma doença.
Mao era 21 anos mais velho que Jiang Qing e casado quando se conheceram
Getty Images/BBC
No entanto, — e, de acordo com alguns relatos, antes do anúncio de que Jiang estava grávida — a liderança do partido concordou em permitir que Mao se divorciasse e se casasse novamente.
No entanto, a permissão foi concedida sob uma condição: que a quarta esposa de Mao não se envolvesse em assuntos políticos (alguns dizem que foi especificado que ela permaneceria fora do poder por pelo menos 20 anos).
De secretária a ‘censora’
Vários relatos da época mostram que o casal cumpriu o acordo, e Jiang limitou-se ao segundo plano, atuando como uma das secretárias do marido e criando sua filha, Li Na, enquanto o poder dele crescia.
Uma década depois, os comunistas finalmente venceram a guerra civil e, em 1º de outubro de 1949, fundaram a República Popular da China (RPC), liderada por Mao.
Ao contrário das esposas de outros líderes comunistas, Jiang não foi convidada a participar das celebrações, nem foi autorizada a ocupar um cargo no Comitê Central do partido, como o restante dessas mulheres.
“Ela ficou extremamente ressentida com isso e manteve seu ressentimento em segredo por anos”, disse o jornalista norte-americano Sidney Rittenberg, que era tradutor do líder chinês na época, ao programa Witness da BBC.
Enquanto Mao organizava brigadas de trabalho e fazendas coletivas para tentar industrializar a economia agrária tradicional chinesa a todo vapor, sua esposa passou grande parte da década de 1950 viajando para Moscou para receber tratamento médico para uma série de problemas de saúde.
Uma vez recuperada, passou a ocupar cargos menores em comitês governamentais dedicados ao controle das artes, especialmente teatro e cinema.
A ex-atriz estava especialmente interessada em uma das formas de arte mais populares e influentes da China: a ópera.
Ópera tradicional chinesa
Ela estudou mais de mil óperas tradicionais e apresentou um relatório bastante crítico, afirmando que todas versavam sobre imperadores, concubinas e monstros, e nada tinham a ver com a sociedade chinesa da época, composta principalmente por camponeses, ou com a luta comunista.
Mas suas queixas foram ignoradas e seus modos causaram rejeição generalizada.
Seus esforços para censurar essas obras, ou atores que ela considerava muito tradicionais ou pró-ocidentais, deram-lhe uma reputação de uma pessoa “agressiva” e “arrogante”, e seus críticos conseguiram removê-la do cargo.
Revolução cultural
Mas tudo mudou quando, ironicamente, o “Grande Salto Adiante” de seu marido fracassou.
O chamado processo de industrialização promovido por Mao falhou miseravelmente, levando milhões de pessoas à morte de fome entre 1958 e 1962.
Quando os outros líderes do PCC retiraram seu apoio a Mao, o “Grande Timoneiro” se voltou para um grupo próximo de aliados, incluindo sua esposa, para retomar o poder.
Em 1966, esse grupo de comunistas radicais lançou o que ficou conhecido como a “Revolução cultural”: uma convocatória para pessoas mais jovens se rebelarem contra as autoridades tradicionais, os “burgueses” e os capitalistas, que, de acordo com Mao, ameaçavam a revolução comunista.
A maioria dos analistas concorda que o objetivo principal dessa revolução era expurgar os inimigos de Mao do partido, incluindo Deng Xiaoping, que anos depois se tornaria presidente.
A verdade é que a Revolução cultural lançou Jiang Qing ao estrelato político, dando-lhe fama e poder que não havia conseguido em sua carreira como atriz.
Mao a nomeou como uma das principais autoridades do PCC e Jiang se tornou uma de suas principais e mais fervorosas porta-vozes.
Sua estreia na arena pública foi um discurso emocionado que proferiu aos alunos da Universidade de Pequim em 1966.
Kathy Yeng, uma das jovens presentes naquele dia, disse à BBC em 1977 como Jiang conseguiu emocioná-la.
“Ela falou sobre sua visão da arte proletária, como ela acreditava que a China tinha que desenvolver sua própria arte proletária, não seguir a do Ocidente ou a da URSS. Disse que as autoridades do Ministério da Cultura não lhe deram ouvidos e que estava sendo oprimida, assim como nós.”
Violência
O apelo de Mao, de Jiang Qing e de seus apoiadores para que os jovens se mobilizassem desencadeou um dos períodos mais trágicos da história recente da China.
Escolas e universidades foram fechadas e milhões de estudantes ingressaram na Guarda Vermelha, como se tornou conhecido o grupo de jovens militantes que aterrorizava educadores, intelectuais e qualquer autoridade considerada “contra-revolucionária”.
Muitas das pessoas humilhadas e atacadas acabaram cometendo suicídio.
Mao e seus apoiadores também fomentaram o culto à personalidade, publicando um livro com citações do líder – o famoso “O Pequeno Livro Vermelho” – que todos deveriam possuir e memorizar, para provar sua lealdade ao movimento.
Cartazes com a imagem de Jiang Qing segurando o livro foram exibidos em todo o país e a esposa de Mao se tornou a mulher mais poderosa da China.
Muitos se lembram de sua sede de vingança contra todos que a desprezavam, mesmo décadas antes.
“Havia um general, lembro que ela o tinha como alvo e o acusava de querer esmagar a Revolução Cultural nas escolas militares. E esse velho guerreiro, que certamente não era covarde, empalideceu completamente”, lembrou Rittenberg, que, da mesma forma que os outros estrangeiros, foi preso durante esse tempo.
Alguns testemunhos afirmam que Jiang também ordenou a prisão de pessoas com quem socializou durante seu tempo como atriz em Xangai, em uma tentativa de esconder seu passado infame.
Revolução artística
Uma das principais tarefas que Mao confiou à esposa foi revolucionar a arte.
Para Jiang, foi a ocasião perfeita para enterrar as óperas tradicionais que tanto criticava.
A ex-atriz promoveu a criação de um novo gênero artístico que se tornaria um dos pilares da propaganda comunista: as “óperas revolucionárias” (também chamadas de “óperas modelo” ou Yangbanxi).
Esses shows, que combinavam ópera chinesa tradicional com musicais ocidentais, mesclando música e balé, foram os únicos permitidos durante a década que durou a revolução (1966-76), e seus protagonistas eram bravos camponeses que lutavam contra proprietários malvados, invasores japoneses ou outros inimigos da revolução.
As oito óperas-modelo criadas a partir do incentivo de Jiang hoje fazem parte da cultura popular chinesa.
Mas a influência da “primeira-dama” foi muito além do mundo artístico.
Além de mobilizar os jovens com suas obras, seus discursos e seus cartazes, ele também tinha grande poder de decisão.
“Como um membro-chave do Grupo Central da Revolução Cultural, ela comandou grande parte da política à medida que o aparato formal do partido comunista foi desmontado”, diz o especialista em China Anthony Saich, professor de Assuntos Internacionais e diretor da Kennedy School of Government da Universidade Harvard (Estados Unidos), à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
Saich, autor de vários livros sobre a história política da China, acredita que Jiang “foi claramente uma figura-chave entre os líderes mais radicais do período”.
A ‘Gangue dos Quatro’
Mas a mulher mais poderosa da China estava perdendo influência em meados da década de 1970.
Primeiro, quando seu marido ordenou ao Exército que parasse com os abusos da Guarda Vermelha, e acabou desmantelando a militância radical.
E, finalmente, com a morte de Mao, que a deixou sem seu principal apoio político.
Um mês após a morte do “pai” da RPC, em setembro de 1976, os líderes do PCC ordenaram a prisão de Jiang, quem acusaram de ser a chefe da “Gangue dos Quatro”, como chamavam os principais aliados de Mao.
A nova direção do partido acusou Jiang e a suposta “gangue” de serem os verdadeiros responsáveis pela violência que a Revolução Cultural havia desencadeado, isentando de culpa o fundador do partido.
De acordo com essa versão, que muitos no PCC mantêm até hoje, Mao cometeu erros, mas havia defendido uma “luta pacífica”.
Saich, como outros especialistas, acredita que Jiang Qing foi usada como uma espécie de bode expiatório.
“É claro que os líderes pós-Mao tentaram proteger suas reputações. Para serem credíveis, tiveram que aceitar que Mao era parcialmente culpado, mas para proteger sua reputação (e na verdade a do partido), encontraram outros a quem pudessem atribuir a culpa pelos excessos ocorridos.”
“Jiang Qing e os outros membros da Gangue dos Quatro, junto com Lin Biao (o ex-líder militar, um aliado de Mao, que morreu em circunstâncias suspeitas em 1971), foram culpados por isso”, explica o acadêmico de Harvard.
Jiang, que alegou durante seu julgamento que era simplesmente o “cachorro” de Mao, seguindo suas ordens, foi condenada à morte em 1981, mas teve sua sentença comutada para prisão perpétua.
Depois de passar uma década na prisão, morreu em maio de 1991, aos 77 anos, sob fiança para receber tratamento médico para câncer na garganta.
A versão oficial indica que ela se suicidou, enforcando-se. Mas, como grande parte de sua vida, os detalhes do que aconteceu são mantidos em segredo.

Fonte: G1 Mundo

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Boris Johnson faz isolamento após contato com infectado por Covid


Premiê britânico havia anunciado anteriormente que manteria seus compromissos, realizando testes diários para a Covid-19, mas voltou atrás na decisão. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em entrevista coletiva em Londres em 12 de julho de 2021
Daniel Leal-Olivas/Pool/Reuters
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, está em isolamento após contato com infectado por Covid
Premiê britânico havia anunciado anteriormente que manteria seus compromissos, realizando testes diários para a Covid-19, mas voltou atrás na decisão.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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Sobe para 183 o nº de mortos após chuvas na Europa


Imensa quantidade de água tem causado inundações gigantescas, alagado cidades e derrubado casas na em países da Europa Central. Chuvas causam inundações gigantescas na cidade de Erftstadt, na Alemanha. Foto fornecida pelo governo do distrito de Colônia em 16 de julho de 2021.
Rhein-Erft-Kreis via AP
Ao menos 183 pessoas morreram e milhares estão desaparecidas devido às chuvas dos últimos dias na Europa, que estão fazendo os rios transbordarem e levarem tudo pelo caminho principalmente na Alemanha e na Bélgica, segundo as autoridades locais.
O país mais afetado é a Alemanha, onde 143 mortes foram confirmadas até o momento e 1,3 mil pessoas estão desaparecidas apenas em um distrito ao sul de Colônia, no oeste do país.
É o maior número de mortos em um desastre natural na Alemanha desde 1962 (quando uma enchente no Mar do Norte deixou cerca de 340 mortos) e a maior quantidade de chuva no país em um século.
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As inundações no rio Elba, que em 2002 foram anunciadas como “inundações que acontecem uma vez por século”, mataram 21 pessoas no leste da Alemanha e mais de 100 em toda a Europa.
As chuvas deste ano têm afetado também a Bélgica, onde 24 pessoas morreram e 20 estão desaparecidas, e Holanda, França e Luxemburgo em menor intensidade (veja mais abaixo).
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O número de vítimas pode aumentar consideravelmente após relatos de deslizamentos de terra e casas sendo arrastadas pelos rios ou desabando devido à força da água na sexta-feira (16).
Imagens áreas divulgadas pelas autoridades do distrito de Colônia, na Alemanha, mostram uma cratera formada por um deslizamento de terra imenso, que arrastou lama e destroços.
O que se sabe até o momento:
156 mortos na Alemanha (110 no estado da Renânia-Palatinado e 46 no estado da Renânia do Norte-Vestfália)
1,3 mil pessoas desaparecidas no distrito de Ahrweiler, na Renânia do Norte-Vestfália, a cerca de 40 km ao sul da cidade de Colônia
27 mortos e ao menos 20 desaparecidos na Bélgica
114 mil casas sem energia na Alemanha, segundo a maior empresa de distribuição do país
Mulher observa pilha de carros após enchentes em Bad Neuenahr-Ahrweiler, na Alemanha, em 16 de julho de 2021
Christof Stache/AFP
Na Alemanha, as cidades e vilas mais afetadas estão no curso do rio Ahr, que nasce quase na fronteira com a Bélgica e deságua no rio Reno. O vale do rio Ahr é famoso pela produção de vinho tinto, e a cidade mais importante da região é Bad Neuenahr-Ahrweiler.
Na Bélgica, a região mais afetada é a Valônia, cuja principal cidade é Liège. Os maiores estragos estão em cidades e vilas ao longo do rio Mosa, que nasce na França, passa pelo país e adentra a Holanda, e também do rio Vesdre, perto da fronteira com a Alemanha.
A ministra do Interior belga, Annelies Verlinden, disse a uma TV local nesta sexta que continua crítico o nível das águas do rio Mosa e vários diques correm o risco de ruir (veja mais abaixo).
Clare Nullis, porta-voz da Organização Meteorológica Mundial, afirmou que algumas partes da Europa Ocidental receberam até dois meses de chuva em apenas dois dias. “O que piorou é que os solos já estavam saturados pelas chuvas anteriores”.
Brasileiros entre os afetados
Alguns brasileiros que moram nas cidades afetadas deram seus relatos ao G1.
Marcela da Silva Amandio mora com o marido, Lucas, e a filha de 7 anos em Bad Neuenahr Ahrweiler. O bairro foi devastado pela água. O temporal destruiu carros, casas e até a estrutura da cidade.
VÍDEO: Brasileira mostra casa destruída por temporal na Alemanha
Já a enfermeira carioca Lívia Nogueira, de 30 anos, mora em Erfstadt, na Alemanha, há 9 meses. Com a rápida subida das águas ela precisou retirar seus pacientes com urgência do centro médico que terminou interditado.
“Eu estava sem força, cansada. Tinha que levantar a cama [do paciente] para conseguir que a roda andasse [no terreno irregular de fora do hospital]”, diz.
As cidades mais afetadas pelas chuvas:
V2 Chuvas e inundações na Europa: temporal deixa dezenas de mortos na Alemanha e na Bélgica e afeta cidades também na Holanda e na França
Editoria de Arte/G1
O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, pediu na sexta um firme comprometimento com a luta contra as mudanças climáticas e afirmou que esta é a única alternativa para frear fenômenos meteorológicos extremos, como as chuvas intensas que castigam o país.
“Apenas se nos comprometermos de forma resoluta com a luta contra as mudanças climáticas poderemos controlar condições meteorológicas extremas como as que vivemos atualmente”, afirmou Steinmeier em um pronunciamento, em que disse estar “profundamente arrasado” pela tragédia.
A chanceler Angela Merkel havia dito na quinta-feira (15) que os extremos climáticos estão se tornando mais frequentes, o que requer ações para conter o aquecimento global. “Pequenos rios se transformaram em torrentes inundadas e devastadoras”.
1,3 mil desaparecidos na Alemanha
Ponte sobre o rio Ahr destruída pela força da água em Schuld, na Alemanha, em 15 de julho de 2021
Michael Probst/AP
As fortes enchentes no oeste da Alemanha transformaram ruas em rios com correntezas violentas, que “varreram” carros, arrancaram árvores e derrubaram ou arrastaram algumas edificações.
Comunidades inteiras ficaram em ruínas após rios transbordarem e varreram cidades e vilas, nos estados alemães da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado.
Autoridades alemãs confirmam que 1,3 mil pessoas são consideradas “não reportadas” apenas no distrito de Ahrweiler, a cerca de 40 km o sul da cidade de Colônia.
Ainda não é possível saber quantas estão com problemas de comunicação e quantas podem ser vítimas ainda não localizadas.
Em Erftstadt, “as casas foram em grande parte destruídas e algumas desabaram”, disseram as autoridades locais em uma rede social. “Várias pessoas estão desaparecidas”.
As casas desabaram e equipes de resgate tentam chegar de barco ou helicóptero aos moradores, porque as estradas ao redor da cidade estão intransitáveis ​​após terem sido destruídas pela água.
VÍDEO: Imagens de drone mostram destruição causada por enchentes na Alemanha
Uma barragem perto da fronteira com a Bélgica transbordou, enquanto outra foi estabilizada.
Cerca de 4,5 mil pessoas foram evacuadas das comunidades a jusante e um trecho da rodovia A61 foi fechado em meio a temores de um possível colapso das estruturas.
Outras cerca de 700 pessoas foram evacuadas de parte da cidade alemã de Wassenberg, na fronteira com a Holanda, após a quebra de um dique no rio Rur.
Cidades e regiões mais afetadas
São 90 mortes no estado alemão de Renânia-Palatinado, entre elas 12 moradores de uma casa de repouso para pessoas com deficiência na cidade de Sinzig que foram surpreendidos pelo transbordamento do rio Ahr.
Na vizinha Renânia do Norte-Vestfália, as autoridades estaduais estimam em 43 o número de mortos, mas alertam que o número pode aumentar.
Casas desabaram e foram arrastadas pelas águas na aldeia de Schuld, onde muitos estão desaparecidos e quatro mortes já foram confirmadas.
Devastação causada pela enchente do rio Ahr, na aldeia Eifel de Schuld, no oeste da Alemanha. Foto tirada com um drone em 15 de julho de 2021.
Christoph Reichwein/DPA via AP
Outras duas pessoas morreram em porões inundados nas proximidades de Solingen e Unna.
A polícia relatou outra morte no município de Rheinbach, e dois bombeiros morreram durante os trabalhos de resgate nas cidades de Altena e Werdohl.
Infraestrutura danificada
As redes de telefonia móvel entraram em colapso em algumas das regiões atingidas pelas enchentes, e pessoas não estão conseguindo falar com familiares e amigos desaparecidos.
Ao menos 114 mil casas estão sem energia nos estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado nesta sexta, anunciou a Westnetz, maior empresa de distribuição do país.
A infraestrutura foi completamente destruída e a reconstrução custará muito tempo e dinheiro, disse a premiê da Renânia-Palatinado, Malu Dreyer, a uma televisão alemã. “O sofrimento continua aumentando”.
Casas submersas pelas águas de rio que transbordou em Erdorf, na Alemanha
Harald Tittel/DPA via AP
Carro coberto em Hagen, na Alemanha, com destroços arrastados pela enchente do rio Nahma em 15 de julho de 2021. Fortes chuvas transformaram o pequeno rio em uma torrente violenta.
Roberto Pfeil/DPA via AP
Inundações na Bélgica
Na Bélgica, 20 pessoas morreram e 20 estão desaparecidas e as chuvas constantes durante a noite pioraram as inundações no leste do país, principalmente na região da Valônia.
Em Liège, principal cidade da Valônia o rio Mosa transbordou e o prefeito pediu às pessoas que moram nas proximidades para que se refugiassem em locais mais altos. O município tem 200 mil habitantes.
Mais de 21 mil pessoas continuam sem eletricidade na região.
Linhas de trem e estradas permanecem bloqueadas em muitas áreas do leste do país. O serviço ferroviário nacional informou que o tráfego começará a voltar ao normal na segunda-feira.
VÍDEO: Drones mostram ruas alagadas na Bélgica
Carro flutua no rio Mosa durante forte enchente em Liège, na Bélgica, em 15 de julho de 2021
Valentin Bianchi/AP
Cerca de 10 casas desabaram em Pepinster, após o rio Vesdre inundar a cidade, e moradores foram evacuados de mais de mil casas.
Carros danificados em rua inundada em Mery, na província de Liège, na Bélgica, em 14 de julho de 2021
Valentin Bianchi/AP
Os destroços em um rio em Verviers, na Bélgica
Yves Herman/Reuters
Lojista observa enchente criar “rio” na principal rua do centro de Spa, na Bélgica, em 14 de julho de 2021
Valentin Bianchi/AP
E na Holanda, na França…
No sul da Holanda, perto das fronteiras com a Alemanha e a Bélgica, autoridades da cidade de Valkenburg evacuaram uma casa de repouso e um hospício durante a noite. A principal rua da cidade turística virou um rio.
Autoridades da cidade de Venlo, também no sul, evacuaram cerca de 200 pacientes do hospital devido à ameaça de inundação do rio Mosa, o mesmo que transbordou em Liège, na Bélgica.
O governo holandês enviou na noite de quarta-feira (14) cerca de 70 soldados à província de Limburg, onde ficam Valkenburg e Venlo. Não há relatos de feridos ou mortos relacionados a enchentes na Holanda até o momento.
VÍDEO: Imagens aéreas mostram enchente na Holanda
Chuvas excepcionalmente intensas também inundaram uma parte do nordeste da França nesta semana, derrubando árvores e forçando o fechamento de dezenas de estradas.
Uma rota de trem para Luxemburgo foi interrompida e os bombeiros evacuaram dezenas de pessoas de casas perto da fronteira com Luxemburgo e Alemanha e na região de Marne.
O equivalente a dois meses de chuva caiu em algumas áreas da França nos últimos dias, segundo o serviço nacional de meteorologia do país.

Fonte: G1 Mundo