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Incêndio em hospital que trata pacientes com Covid-19 no Iraque deixa mortos

É a segunda vez que um incidente do tipo atinge hospitais iraquianos que cuidam de pacientes com coronavírus. Um incêndio em um hospital que trata pacientes de Covid-19 em Nassíria, no sul do Iraque, deixou 39 mortos e mais de 20 feridos nesta segunda-feira (12).
Fontes ligadas à área de saúde alertam que o total de mortos pode ser ainda maior porque havia, na noite desta segunda, pacientes desaparecidos. Dois funcionários estão entre os mortos.
De acordo com um repórter da agência Reuters que presenciou a cena, socorristas e profissionais de saúde levaram corpos carbonizados para fora do hospital enquanto muitos pacientes tossiam no meio da fumaça.
A agência de notícias estatal iraquiana disseram que as operações de resgate no hospital continuaram mesmo depois que as chamas foram controladas. Segundo testemunhas, a operação foi bastante complicada.
As causas ainda não estão completamente esclarecidas, mas um relatório preliminar de polícia aponta uma explosão em um tanque de oxigênio dentro da ala de pacientes com coronavírus do hospital.
Incêndio semelhante
No Iraque, 82 pessoas morreram em incêndio de hospital para pacientes com Covid-19
Em abril, uma explosão em um tanque de oxigênio em um hospital que atende pacientes com Covid-19 em Bagdá, capital do Iraque, deixou 82 mortos e 110 feridos. Relembre no VÍDEO acima.
O coronavírus infectou mais de 1,4 milhão de pessoas no Iraque. O número de mortos no país passa de 17,5 mil.

Fonte: G1 Mundo

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Etíopes enfrentam deserto, guerra e criminosos para chegar à Arábia Saudita


Todo os anos, milhares de imigrantes trilham a arriscada jornada de mais de 2 mil km. Muitos não chegam ao destino final. Percurso de barco leva migrantes à Arábia Saudita
BBC
Todo os anos, milhares de imigrantes da Etiópia trilham o caminho de mais de 2 mil km entre seu país e a Arábia Saudita.
No percurso, enfrentam os perigos de atravessar montanhas, desertos, o Mar Vermelho e uma zona de guerra no Iêmen.
Migrante enfrenta deserto para chegar à Arábia Saudita
BBC
“Desde que voltei, tenho avisado todo mundo: “Não tomem esse caminho”, diz o etíope Mustafa Djamal, que tentou fazer a travessia em 2020 e acabou sendo deportado.
“Ou conseguimos [terminar a travessia] ou morremos”, diz outro imigrante.
Calor é um dos desafios para os migrantes
BBC
Quem decide fazer a viagem segue a pé por uma antiga rota de comércio de escravizados, que tem centenas de quilômetros.
Eles atravessam o deserto do Djibuti, país ao nordeste da Etiópia, até chegar ao litoral.
Durante o caminho, muitos não resistem ao calor de até 50 graus.
“Há pessoas que não entendem o calor. Eles começam a viagem só com uma garrafa de água e, após chegarem na metade do caminho, nem têm como voltar, nem conseguem chegar ao fim da travessia. Então continuam andando, ficam desidratados e acabam morrendo” explica Lucien, ex-traficante de pessoas que atua no Djibuti.
Chegando à costa, os que sobrevivem precisam cruzar o Mar Vermelho até o Iêmen, onde têm de atravessar uma zona de guerra para chegar ao destino final.
Eles entregam toda a confiança, o dinheiro e as próprias vidas nas mãos de traficantes de pessoas. Além da fome, do calor e da desidratação, os imigrantes enfrentam outros perigos no novo país.
“Aqui no Iêmen, quando veem imigrantes andando pela estrada, eles sequestram. Se não têm dinheiro, precisam pedir à família. E são torturados”, diz Ibrahim, traficante de pessoas no Iêmen.
Entre os que conseguem chegar ao país, alguns ficam sem recursos para pagar traficantes e acabam tendo de interromper a viagem e viver nas ruas da capital, Áden.
Neste vídeo especial da BBC Africa Eye, você vê algumas dessas histórias de pessoas que decidem deixar a Etiópia para tentar uma vida vida melhor, mas muitas vezes acabam tendo destinos trágicos.
Direção: Charles Empatz
Produção executiva: Shabnam Grewal
Produção: Dickon Le Marchant
Gerência de produção: Simon Frost
Coordenação de produção: Sarah Clarke
Edição: Gary Beelders, BBC; Ael Dallier Vega
Produção de adaptações: Anna Payton
Produção digital: Suzanne Vanhooymissen
Redes sociais: Anusha Kumar
Produção de impacto: Alice Muthengi
Edição de internet: Chris Stott
Mixagem de som: Jez Spencer
Correção de cor: Boyd Nagle
Imagens: Olivier Jobard
Facilitador, Yemen: Adel Al Hassani
Facilitador, Djibuti: Ahmed Kamil
Facilitador, Etiópia: Meseret Abiy
Imagens de arquivo: Magneto Presse
Editor Africa Eye: Marc Perkins
Narração: Laís Alegretti
Adaptação: Fernando Otto

Fonte: G1 Mundo

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França exigirá certificado para ir a restaurantes e imporá vacinação a profissionais de saúde


Presidente Emmanuel Macron disse, em pronunciamento, que a pandemia está sob controle no país, mas quer evitar um novo pico relacionado à variante delta, responsável pelo novo aumento na transmissão do coronavírus. Cliente de pub em Cambrai escaneia código QR em aplicativo que funciona como certificado das medidas de prevenção contra o coronavírus na França
Pascal Rossignol/Reuters
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (12) que será obrigatório a partir de agosto apresentar certificado de vacinação ou teste de Covid negativo para entrar em restaurantes, cafés, shopping centers, hospitais, aviões e trens.
Variante delta será ‘em breve’ predominante no mundo, diz OMS
Da mesma forma, a partir de 21 de julho, todas as pessoas com mais de 12 anos que desejem ingressar em locais de lazer e cultura com mais de 50 pessoas, como cinemas ou teatros, devem apresentar esse certificado, explicou Macron em discurso transmitido pela TV.
O presidente francês também anunciou que a vacinação contra a Covid-19 será a partir de agora obrigatória para todos os profissionais de saúde, funcionários de casas de repouso e aqueles que trabalham com pessoas vulneráveis.
Presidente da França, Emmanuel Macron, durante pronunciamento transmitido na TV nesta segunda-feira (12)
Ludovic Marin/AFP
“Eles terão até 15 de setembro para serem vacinados”, sob pena das sanções, alertou. “Nosso país enfrenta um aumento da epidemia em todo o nosso território, tanto na França continental quanto no exterior”, disse Macron.
“A situação está sob controle, mas se não agirmos agora o número de casos aumentará significativamente e provocará um aumento nas internações”, acrescentou.
Preocupação com variante
Idoso recebe vacina contra a Covid-19 em Melun, na França, em 26 de março
Benoît Tessier/Reuters
Os anúncios representam uma mudança de estratégia do governo francês após vários meses de levantamento progressivo das restrições e ressaltam as preocupações sobre a disseminação da variante delta, mais contagiosa.
Veja 5 pontos sobre a variante delta
O número de novos casos na França disparou para cerca de 4,2 mil por dia, de acordo com os últimos dados oficiais disponíveis, embora o número de mortes em hospitais continue baixo. Cerca de 7 mil pessoas com Covid-19 estão hospitalizadas na França.

Fonte: G1 Mundo

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‘Ela era completa’, escreve nas redes sociais mãe de modelo que morreu após cair de edifício no Chile


Nayara Vit sofreu queda do 12º andar do prédio que morava. Família suspeita de feminicídio. Nayara Vit morreu no dia 8 de junho no Chile
Redes Sociais/Reprodução
Nesta segunda-feira (12), a mãe da modelo Nayara Vit, Eliane Marcos Vit, fez uma postagem nas redes sociais avisando amigos e familiares sobre as últimas homenagens à filha. A modelo caiu do 12º andar do prédio que morava no Chile na madrugada de quinta-feira (8). A mãe dela mora em Porto União, no Norte catarinense.
Nayara tinha 33 anos e era considerada uma celebridade na capital chilena. Nas redes sociais a modelo tinha mais de 24 mil seguidores.
“Ela era completa, viveu tudo de bom e de ruim com muita velocidade. […] Saudade do que não vivemos, saudade do que poderíamos ter feito”, consta na nota publicada.
Segundo o irmão de Nayara, Guilherme Vit, o corpo da modelo não pode ser encaminhado ao Brasil porque as investigações estão em curso. A família descarta a hipótese de suicídio e suspeita de feminicídio.
No local, além da modelo, estava o namorado dela, a filha, de 4 anos, e uma babá. Até agora, segundo ele, ninguém foi preso. Haverá o velório e sepultamento do corpo nesta terça-feira (13) no Chile.
Nayara morava há 16 anos no Chile
Redes Sociais/Reprodução
“Estamos em tratativas com o Itamaraty, pedindo ajuda para que solucionem este caso o mais breve possível para que assim possamos trazer o corpo de Nayara ao Brasil e realizar o seu pedido de ser cremada e suas cinzas jogadas ao mar”, consta na nota publicada pela mãe nas redes sociais.
O Itamaraty diz em nota que “por meio da Consulado-Geral do Brasil em Santiago, está prestando assistência cabível à família da vítima, respeitando-se os tratados internacionais vigentes e a legislação local”.
Também informou que em casos de morte de brasileiros no exterior, os consulados podem “prestar orientações gerais aos familiares, apoiar seus contatos com autoridades locais e cuidar da expedição de documentos, como o atestado consular de óbito. O traslado ou não dos restos mortais de brasileiros falecidos no exterior para o Brasil é uma decisão da família. Não há previsão regulamentar e orçamentária para o pagamento do traslado pelo poder público”.
Guilherme Vit afirma que o desejo de Nayara era de que suas cinzas fossem jogadas no mar de Florianópolis. A família da modelo é natural de Cuiabá, mas o pai e a mãe Nayara moram no estado catarinense.
“Por ordem dos advogados, iremos esperar encerrar o processo [de investigação] para realizar esse desejo dela”, disse o irmão.
Nayara caiu de um edifício do 12º andar
Redes Sociais/Reprodução
Queda
Nayara caiu do prédio onde morava, em uma área nobre de Santiago. Segundo o irmão, Nayara chegou a ser socorrida mas não resistiu aos ferimentos. A família informou que descarta a hipótese de suicídio. A suspeita, segundo Guilherme, é que o namorado da modelo esteja envolvido.
“A Nayara não tinha nenhum histórico de depressão e zero indícios que cometeria qualquer ato desse”, conta o irmão.
Ele diz que a família soube da morte pelo ex-marido da modelo. Segundo Guilherme, uma amiga de Nayara ligou para ele, avisando que ele precisaria buscar a filha pois Nayara tinha “se matado”.
“Porém, quando ele chegou ao local, estranhou não ter a polícia investigativa no apartamento e o namorado dela [estava] agindo estranho. Ele questionou a babá da neném se ela tinha ouvido alguma coisa. A babá falou que ouviu um barulho de vaso caindo, posteriormente um grito da Nayara e depois, a queda dela”, relembra Guilherme.
Família de Nayara suspeita de feminicídio
Redes Sociais/Reprodução
Em razão da Covid-19, a família informou que não consegue ir até o país, nem para o enterro e nem para auxiliar nas investigações.
É o ex-marido de Nayara, segundo Guilherme, que está tratando diretamente com o governo chileno. A família informou que está em contato com a embaixada brasileira no país para realizar o traslado do corpo assim que for possível. A modelo vivia no Chile há 16 anos.
VÍDEOS: mais assistidos do G1 SC nos últimos 7 dias
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Fonte: G1 Mundo

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Brinquedo ‘desgovernado’ causa pânico em parque nos Estados Unidos; assista

Incidente aconteceu em parque temporário montado no Festival Nacional da Cereja, em Michigan, e foi gravado por testemunhas com celulares. Pessoas que estavam no local correram para ajudar e agarraram grade de proteção presa à base principal da atração para estabiliza-la. VÍDEO: Brinquedo ‘desgovernado’ causa pânico em parque nos EUA
Pessoas que estavam em um brinquedo em um parque temporário no norte de Michigan, nos EUA, quase foram arremessadas depois que a máquina ficou “desgovernada” (veja vídeo acima).
O equipamento foi desmontado e uma investigação está em andamento.
Testemunhas filmaram o incidente com celulares na noite de quinta-feira (8), durante o Festival Nacional da Cereja, em Traverse City. Ninguém ficou gravemente ferido.
O Passeio de Tapete Mágico “saiu de prumo”, disse Joe Evans, da empresa Arnold Amusements. O equipamento foi enviado de volta para a empresa de Ohio que o fabricou.
“Obviamente houve um defeito”, disse Evans. “Não sabemos ainda o que foi”.
Joy Ogemaw disse à emissora WPBN-TV que olhou para cima depois de ouvir um grande estrondo.
“Foi como o barulho de algo raspando e depois (o brinquedo) começou a ficar mais rápido”, disse ela. “E então começou a chacoalhar um pouco para a frente e para trás”.
O operador do equipamento desligou a energia e acionou a segurança, relatou o jornal “Traverse City Record-Eagle”.
Pessoas que estavam no local correram para ajudar e agarraram grade de proteção presa à base principal da atração para estabiliza-la.
Os equipamentos são inspecionados diariamente por funcionários da Arnold Amusements, anualmente pelo estado e três vezes por ano por terceiros, disse a empresa.
Uma porta-voz do Departamento de Licenciamento e Assuntos Regulatórios de Michigan disse ao “Traverse City Record-Eagle” que os registros mostravam que o brinquedo com defeito foi inspecionado pela última vez em 2019 e o resultado foi satisfatório.
“Os equipamentos com uma licença satisfatória da temporada anterior estão temporariamente autorizados a operar até a inspeção na temporada atual”, disse Suzanne Thelen por e-mail.
“Não houve temporada de festivais e parques durante a pandemia, e a atração estava operando no Festival da Cereja com uma licença temporária, com base na inspeção anterior, que era satisfatória”, acrescentou.
O Festival Nacional da Cereja começou em 3 de julho e estava programado para terminar no sábado, dia 10.

Fonte: G1 Mundo

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Protestos em Cuba: ‘Povo cansou e não aguenta mais’, diz rapper dissidente


No fim de semana, vizinhos em Havana Velha, centro histórico da capital cubana, impediram a polícia de algemar o músico Maykel Osorbo, uma das vozes mais críticas ao governo. País enfrenta as maiores mobilizações populares contra o regime dos últimos 60 anos. Osorbo escapou da polícia com algema em uma das mãos
Maykel Osorbo/Facebook
Um dos bairros mais pobres de Havana foi mais uma vez palco de um raro acontecimento em Cuba: um protesto contra o governo.
No último fim de semana, moradores de San Isidro, em Havana Velha, centro histórico da capital cubana, impediram a polícia de algemar e deter o rapper dissidente Maykel Osorbo, em uma inusitada afronta às autoridades, segundo vídeos veiculados em redes sociais.
Regime cubano tenta conter insatisfação popular que se propaga na velocidade das redes sociais
Presidente de Cuba diz que protestos são consequência de embargo econômico promovido pelos EUA
Dezenas de pessoas seguiram o rapper até a sede do Movimiento San Isidro, grupo de jovens artistas ao qual ele pertence, e iniciaram um protesto de rua em que gritavam palavras de ordem por mudança e contra o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel. Mas essa não foi a única manifestação de desobediência civil ocorrida recentemente.
Em Santiago de Cuba, dezenas de pessoas, lideradas pelo veterano opositor José Daniel Ferrer, lançaram uma greve de fome há algumas semanas que chamou a atenção de diferentes personalidades, governos e instituições, incluindo a União Europeia.
A greve já somou 44 pessoas, algumas no exterior, segundo dados da oposição União Patriótica de Cuba (Unpacu), e é vista como uma das maiores já realizadas na ilha nas últimas décadas.
Artigo publicado no jornal oficial “Granma” acusa os que estão em greve de fome de tentarem protagonizar uma “farsa” e “tentarem dar um show midiático”. Sobre os jovens de San Isidro, a televisão cubana frequentemente os acusa de organizar provocações e de estar a serviço da “máfia anticubana” dos Estados Unidos.
Em entrevista exclusiva sobre o que aconteceu no domingo e a greve da Unpacu, Maykel Obsorbo diz que esses acontecimentos são a prova de que “há coisas que estão mudando em Cuba”.
O cantor e ativista, que no ano passado costurou a boca em protesto contra as autoridades, nasceu em Havana em 1983. Osorbo, cujo nome de nascimento é Maykel Castillo, tornou-se não apenas uma referência da música rebelde na ilha, mas também uma das vozes mais críticas ao governo.
Osorbo costurou a boca em agosto, após ser intimado para interrogatório da polícia
Maykel Castillo
Sua história pessoal, diz ele, é também uma amostra do que a arte pode fazer: cresceu sem pais, só chegou à quarta série, passou por centros de reeducação para menores e depois se encontrou na música e na luta pelos direitos humanos em seu país uma “razão para continuar lutando, para continuar vivendo”.
A reportagem entrou em contato com o Centro Internacional de Imprensa de Cuba para pedir a posição do governo sobre o tema, mas não recebeu resposta até a publicação da entrevista. Leia a seguir os principais trechos.
BBC News Mundo – No domingo, dezenas de pessoas evitaram sua prisão em Havana, o que gerou um raro protesto na ilha. Como chegou a esse ponto?
Maykel Osorbo – O regime efetuava prisões naquele dia. Eles prenderam (a artista) Tania Bruguera e duas outras pessoas, e eu tinha ido visitar alguns amigos. Quando estava lá, um policial chegou em uma viatura e pediu documentos a um deles, pois supostamente tinham visto ele tirar a máscara um pouco antes. Disse a ele (policial) que o que estava fazendo era uma violação do estado de direito e eles me pediram minha identificação. Falei que não tenho carteira de identidade — como não tenho o documento, toda vez que me pedem, acabo preso. Não queria que me algemassem, porque na véspera também me algemaram, me bateram muito e depois me soltaram no parque como se nada tivesse acontecido. Não queria que a história se repetisse.
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Eles algemaram uma das minhas mãos, mas não conseguiram algemar a outra. Foi quando as pessoas começaram a sair às ruas e impediram minha prisão. Cada vez que eles vinham para cima de mim, as pessoas ficavam no caminho e gritavam para eles me deixarem ir. Foram as pessoas que me defenderam. Disseram para a polícia: ‘vocês não vão levá-lo’ e bloquearam o caminho da patrulha … e assim foi por um tempo, até que apareceu alguém e me deu uma bicicleta.
Quando cheguei à casa de Luís (Manuel Otero Alcántara, líder do Movimento San Isidro) de bicicleta, ele ficou surpreso, porque viu como cheguei e com a algema na mão. Mas aí também nos demos conta de que muita gente tinha vindo atrás de mim, estavam cuidando de mim, e foi aí que Luis e eu começamos esse protesto. Começamos a cantar Pátria y vida e todos cantaram.
Presidente de Cuba convoca comunistas a irem para as ruas
BBC News Mundo – Por falar em Pátria y vida, o senhor é um dos participantes do vídeo da música, que já ultrapassou quase 4,5 milhões de visualizações no YouTube e tem incomodado o governo cubano. A que você acha que se deve esse sucesso?
Osorbo – A música despertou muita gente, tornou-se um símbolo, um hino. Ali, no domingo, as pessoas a cantaram ao vivo. Aqui, até multam por ouvir aquela música, mas mesmo assim as pessoas a escutam. Acho que é porque as pessoas estão conectadas com o que diz Pátria y vida, porque isso reflete não apenas o que nós sentimos, mas também o que essas pessoas sentem. E isso tem mostrado o que a música, quando se conecta com os sentimentos das pessoas, pode gerar.
BBC News Mundo – Um dos momentos polêmicos de domingo ocorreu quando os manifestantes começam a entoar um rap polêmico que menciona o nome do presidente Díaz-Canel e muitos gritaram uma palavra considerada ofensiva em Cuba.
Osorbo – É uma música que fala de protesto, com a linguagem e as formas do bairro. Onde você mora, você pode dizer ao presidente daquele país o que você quer, que o presidente certamente não ficará chateado porque você canta as mil canções que deseja cantar. Coloquei a música e o regime depois veio e perguntou por que eu coloquei. Eles me bateram, eles me maltrataram, eles me colocaram na prisão e me perguntam por que eu coloco uma música … porque a música é a minha forma de protestar, de expressar o que penso. Eles podem me reprimir com golpes, mas eu os reprimirei com minha arte livre. Meu corpo está rendido, meu corpo está aí, disponível quando você quiser me bater. Mas meu pensamento e minha arte são meus.
Governo cubano realizará seu congresso do Partido Comunista em alguns dias
AFP
BBC News Mundo – Uma das situações que ocorreram paralelamente ao protesto foi a greve de fome de dezenas de opositores. Como vê esse protesto do Movimento San Isidro, o senhor que também fez uma greve de fome em novembro do ano passado?
Osorbo – É uma situação extremamente triste. É uma greve de fome que já dura vários dias, e há pessoas que podem perder a vida. O que mais me entristece é que a população não tem as informações necessárias sobre esse protesto e não sabe por que essa gente está em greve de fome. E é triste porque a situação lá é delicada. Eles vão morrer. Qualquer um pode morrer a qualquer momento.
Um grupo de ativistas, liderado pelo líder da oposição José Daniel Ferrer, faz greve de fome em Santiago de Cuba
Unpacu
Eles são políticos, não são artistas, o que significa que não têm os mesmos seguidores e apoio que nós temos. É por isso que a situação deles não é tão conhecida, também porque estão longe, menos ligados, em Santiago de Cuba. Então, o regime está jogando com isso para distorcer a informação. Como sabem que somos mais conhecidos, um dia pegam Otero Alcántara preso e todos vão protestar por ele, assim sabem que se deixa de olhar por um tempo para o que se passa em Unpacu. Eles me pegam amanhã e é outro dia que não falam sobre eles. Isso é triste. E estou mais triste porque Michelle Bachelet (Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos) não comentou sobre esta situação.
BBC News Mundo – O governo cubano já havia acusado o MSI e a Unpacu de estarem a serviço dos Estados Unidos e disse que são “mercenários” que recebem dinheiro e que seguem os manuais da CIA, além de protagonizarem “farsas” e “show midiático” para chamar atenção.
Osorbo – Ando pesquisando na internet quanto pagam a um agente da CIA, porque se me pagassem cada vez que me acusassem de ser agente aqui, eu já deveria ser bilionário… Na verdade, é tão tosco… é sempre o mesmo padrão de denúncia, tudo o que fazemos é orquestrado pela “máfia de Miami” e pela CIA. Só quero que me digam o que fiz com o dinheiro. Não viram como eu vivo, como vive o Luis Manuel? Eu pego ônibus, vivo como qualquer cubano. Não sou Sandro Castro (neto de Fidel Castro que causou rebuliço na ilha depois de postar recentemente um vídeo dirigindo um Mercedes-Benz que ele chama de seu “brinquedo”).
Se eles tivessem provas, por menores que fossem, de que somos agentes da CIA, já estaríamos na prisão há muito tempo. E que ninguém me diga que somos mercenários. Mercenário é o governo que forma agentes de inteligência e depois os exporta para países como Nicarágua ou Venezuela. Somos artistas e o contrário não será provado. Se para eles a arte é uma provocação, o problema não somos nós.
Polícia cubana foi acusada de realizar várias prisões arbitrárias de ativistas nos últimos meses
AFP
BBC News Mundo – Os protestos que vocês realizaram, tanto em novembro como no domingo, geraram mobilizações populares de uma forma que provavelmente não se viu em Cuba nos últimos 60 anos. Por que você acha que as pessoas estão indo para as ruas agora?
Osorbo – O que está acontecendo em Cuba agora é o sinal de que esse povo se cansou, que não aguenta mais. A realidade que vivemos mudou. Eles não podem mais cobrir o sol com a peneira. As pessoas estão passando por momentos muito difíceis, elas sentem quando não têm comida, quando você tem que fazer fila para tudo, quando você tem que fazer um processo e não consegue, ou te fazem mal ou colocam obstáculos em seu caminho para tudo.
Escassez e filas aumentaram em Cuba como resultado da pandemia e das recentes reformas econômicas
AFP
Para que veja como estão as coisas, no dia seguinte ao protesto, Luís Manuel foi levado preso porque tinha preparado uma comemoração de um aniversário para dar doces às crianças. Porque hoje, para comprar bala para seus filhos, os pais precisam ter dólares, moeda que ninguém aqui ganha. Assim, a ação de Luís Manuel buscou abrir os olhos, a consciência, sobre por qual razão as crianças cubanas não podem comer doces. E eles o levaram preso. E assim levamos 60 anos, suportando, mas não mais. Isso tem que parar.
Mas não é só isso. Não pode ser correto que não tenha sido a lei, que nos tratem assim… A gente se cansa de ser algemado, espancado e preso por pensar diferente. Talvez eu esteja morto, talvez não seja comigo, talvez não seja com Luís Manuel, mas as pessoas estão se dando conta de que já chega de tanto aguentar.
Presidente de Cuba culpa os Estados Unidos por manifestações

Fonte: G1 Mundo

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Guaidó diz que homens armados invadiram prédio onde ele mora; oposição na Venezuela acusa regime de Maduro pela ação


Segundo líder opositor, grupo invadiu garagem do edifício e amarrou e golpeou um motorista. Juan Guaidó, autoproclamado presidente da Venezuela, participa de coletiva de imprensa em Caracas em 2020
Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
Integrantes da oposição ao regime chavista na Venezuela disseram nesta segunda-feira (12) que funcionários fiéis ao presidente Nicolás Maduro invadiram o prédio em Caracas onde vive Juan Guaidó, político oposicionista que se proclamou presidente venezuelano em 2019 durante o impasse político no país.
De acordo com a mulher de Guaidó, Fabiana Rolsales, foram vistos na garagem do prédio “homens encapuzados com armas largas rodeando a camionete” onde está o líder oposicionista.
Momentos depois, o próprio Guaidó deu entrevista coletiva condenando a ação, que para ele, foi uma “perseguição” e um “sequestro”. Segundo o oposicionista, o motorista da caminhonete foi amarrado e golpeado.
Foto publicada no Twitter por aliados de Juan Guaidó mostra o que seria a invasão da garagem do prédio onde mora o líder de oposição venezuelano nesta segunda (12)
Centro de Comunicación Nacional/Reprodução
O Centro de Comunicação Nacional, que responde pelas informações oficiais dessa presidência de Guaidó, publicou nas redes sociais imagens do que parece ser um homem amarrado no chão de uma garagem. Entretanto, não é possível saber quem seria essa pessoa.
Nenhum representante do governo Maduro se pronunciou oficialmente sobre a ação.
Reportagem em atualização

Fonte: G1 Mundo

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Raio mata 16 que tiravam selfie na Índia


Raios matam cerca de 2 mil indianos em média todos os anos, de acordo com dados oficiais. Casos dobraram no país desde os anos 1960 — um dos motivos é a crise climática. Raios matam centenas na Índia todos os anos
Getty Images
Um raio matou pelo menos 16 pessoas e feriu outras na cidade de Jaipur, no norte da Índia, no domingo (11).
As vítimas estavam tirando selfies sob a chuva no topo de uma torre de vigia em uma atração turística da cidade. Estavam no Forte de Amber, uma fortaleza histórica do século 12.
Vinte e sete pessoas estavam no forte quando o incidente aconteceu. Algumas teriam se jogado no chão.
Uma autoridade policial disse à imprensa que a maioria dos mortos na torre do forte era jovem.
Só no domingo houve mais nove mortes causadas por raios em todo o Estado de Rajasthan, onde Jaipur está localizada, de acordo com relatos da imprensa local.
Os raios matam cerca de 2 mil indianos em média todos os anos, de acordo com dados oficiais.
Outros casos
Dezenas de pessoas também morreram por causa de raios nos Estados de Uttar Pradesh e Madhya Pradesh, também no norte da Índia.
Pelo menos 41 pessoas — a maioria mulheres e crianças — morreram em Uttar Pradesh. Em um dos casos, na cidade de Firozabad, dois homens foram atingidos enquanto se abrigavam sob uma árvore.
Em Madhya Pradesh, foram pelo menos sete mortes.
Especialistas dizem que o número de vítimas é alto nos dois Estados porque um grande número de pessoas trabalha ao ar livre na agricultura e construção.
Os ministros-chefes dos Estados e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, anunciaram uma indenização para as famílias dos que morreram.
O Departamento Meteorológico da Índia disse que mortes por raios dobraram no país desde os anos 1960
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Mortes por raio dobraram
A temporada de monções da Índia provoca chuvas pesadas e normalmente dura de junho a setembro.
O Departamento Meteorológico da Índia disse que mortes por raios dobraram no país desde os anos 1960 — um dos motivos que citaram foi a crise climática.
Os dados mostram que os acidentes com raios aumentaram de 30% a 40% do início dos anos 1990 até meados da década.
Em 2018, o Estado de Andhra Pradesh, no sul do país, registrou 36.749 relâmpagos em apenas 13 horas.
As autoridades dizem que os raios são mais comuns em áreas com cobertura de árvores mais rala, deixando as pessoas vulneráveis ​​a ataques.
Dicas de segurança: o que fazer diante do perigo de raios
Procure abrigo dentro de um edifício grande ou de um carro;
Saia de espaços amplos e abertos e fique longe de topos de colinas expostas;
Se você não tem onde se abrigar, vire o menor alvo possível agachando-se com os pés juntos, as mãos nos joelhos e a cabeça para baixo;
Não se abrigue sob árvores altas ou isoladas;
Se você estiver na água, vá para a costa e para as praias abertas o mais rápido possível.
Fonte: Royal Society for the Prevention of Accidents.
G1 estreia no Youtube

Fonte: G1 Mundo

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África do Sul convoca exército para conter distúrbios após a prisão do ex-presidente Zuma


Ao menos seis pessoas morreram em tumultos registrados no domingo. Ex-presidente desafia sentença de prisão definida pelo principal tribunal do país. África do Sul convoca exército para conter distúrbios
A África do Sul enviou para as ruas, nesta segunda-feira (12), o exército para reprimir a violência desencadeada pela prisão do ex-presidente Jacob Zuma.
Uma série de tumultos e saques deixou ao menos seis mortos no último domingo, segundo informações das autoridades locais.
A polícia disse que os distúrbios estão se intensificando e que 219 pessoas foram presas, depois que o ex-presidente desafiou a pena de prisão de 15 meses imposta pelo principal tribunal do país.
Homem foge de shopping com geladeira saqueada durante tumulto em Katlehong, na África do Sul, em 12 de julho de 2021
Siphiwe Sibeko/Reuters
Jacob Zuma foi condenado no final do mês passado por faltar ao depoimento judicial no inquérito que investiga corrupção durante os 9 anos dele na presidência no país.
Segundo a agência de notícias Reuters, nesta segunda, as ruas de Pietermaritzburg, na província de KwaZulu-Natal, onde nasceu Zuma estavam cheias de pneus queimados e objetos saqueados de lojas.
A polícia local disse em um comunicado que “criminosos oportunistas parecem estar aproveitando a revolta que alguns sentem com o encarceramento de Zuma para roubar e causar destruição”.
O atual presidente do país, Cyril Ramaphosa disse na véspera que a violência no país está prejudicando os esforços para reconstruir a economia, que foi seriamente abalada pela pandemia.

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Fonte: G1 Mundo

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Protestos em Cuba: entenda em 3 pontos por que milhares saíram às ruas


Segundo manifestante de San Antonio de los Baños, protesto inicial foi organizado no sábado por meio das redes sociais
Reuters/Via BBC
Milhares de cubanos saíram às ruas no domingo (11) no que já é o maior protesto da história recente no país.
Pela primeira vez em mais de 60 anos, pessoas protestaram em cerca de 20 vilarejos e cidades em toda a ilha gritando “liberdade” e “abaixo a ditadura”.
Com a propagação das manifestações, o presidente do país, Miguel Díaz-Canel, fez um pronunciamento na TV para convocar seus apoiadores a tomarem as ruas para “confrontar” os manifestantes.
“A ordem de combate está dada: os revolucionários devem ir para as ruas”, disse ele, que atribuiu a atual crise que atravessa a ilha ao embargo dos Estados Unidos e às medidas do governo Donald Trump (veja no vídeo abaixo).
VEJA TAMBÉM:
Presidente de Cuba diz que protestos são consequência de embargo econômico promovido pelos EUA
SANDRA COHEN: Regime cubano tenta conter insatisfação popular que se propaga na velocidade das redes sociais
Presidente de Cuba convoca comunistas a irem para as ruas
Os protestos começaram na cidade de San Antonio de los Baños, no sudoeste de Havana, e desde então se espalharam por todo o país (veja no vídeo abaixo).
“Isso é pela liberdade do povo, não aguentamos mais. Não temos medo. Queremos uma mudança, não queremos mais ditadura”, disse, por telefone, um manifestante em San Antonio à BBC News Mundo, serviço de notícias da BBC em espanhol.
Segundo Alejandro, que participou do protesto em Pinar del Río, o protesto em sua província começou depois de as pessoas verem o que estava acontecendo em San Antonio de los Baños por meio das redes sociais.
“Vimos o protesto nas redes e começou a sair gente. Hoje é o dia, não aguentamos mais”, disse o jovem por telefone. “Não há comida, não há remédio, não há liberdade. Eles não nos deixam viver. Já estamos cansados”.
Manifestantes gritam “liberdade” e “pátria livre” em protestos em Cuba
A BBC News Mundo entrou em contato com o Centro de Imprensa Internacional, única instituição governamental autorizada a dar declarações à imprensa estrangeira, para saber a posição do governo cubano, mas não obteve resposta até a conclusão desta reportagem.
Os protestos de domingo (11), que foram duramente reprimidos, de acordo com vários vídeos e relatos nas redes sociais, são um evento extremamente incomum em uma ilha onde a oposição ao governo não é permitida.
Como, então, explicar que milhares de cubanos tenham saído às ruas por toda a ilha?
Há três pontos chave para entender esta crise:
Protestos começaram na cidade de San Antonio de los Baños, no sudoeste de Havana e, desde então, se espalharam por todo o país
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1. A crise do coronavírus
Os protestos na ilha parecem ser resultado de esgotamento acumulado da população. Esse esgotamento aumentou nos últimos meses com uma das maiores crises econômicas e de saúde que a ilha viveu desde o chamado “período especial” (a crise no início dos anos 1990 após o colapso da União Soviética).
O gatilho para a situação atual parece ser, de fato, um misto da gravidade da situação da pandemia de coronavírus e as medidas econômicas do governo que têm dificultado cada vez mais a vida em Cuba.
A ilha manteve a pandemia sob controle nos primeiros meses de 2020, mas houve um recrudescimento de casos nas últimas semanas que a levou a estar entre os locais com mais casos registrados em relação à população na América Latina.
Somente no domingo, a ilha registrou oficialmente 6.750 casos e 31 mortes, embora vários grupos de oposição denunciem que os números não refletem a situação real e que muitas mortes por covid-19 são atribuídas a outras causas.
Centenas de cubanos também protestaram em Little Havana, em Miami
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Durante a última semana, o país quebrou seus recordes diários de infecções e mortes, o que levou, segundo relatórios, ao colapso de vários centros de saúde.
A BBC News Mundo falou nos dias anteriores com vários cubanos que afirmaram que seus parentes morreram em casa sem receber atendimento médico ou em hospitais por falta de remédios.
É o caso de Lisveilis Echenique, que disse que seu irmão, de 35 anos, morreu em casa porque não havia lugar para ele em hospitais, ou de Lenier Miguel Pérez, que afirma que sua mulher grávida morreu pelo o que ele considera “negligência médica”.
Casos como estes começaram a se multiplicar nas redes sociais nos últimos dias e, durante o fim de semana, viralizaram hashtags como #SOSCuba e #SOSMatanzas, solicitando ajuda internacional e uma “intervenção humanitária” diante da situação crítica com o coronavírus na ilha.
Policiais e agentes à paisana reprimiram manifestantes
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Milhares de cubanos aderiram à iniciativa, enquanto vários vídeos de hospitais superlotados circularam na internet.
Em seu pronunciamento à nação, o presidente cubano considerou que a situação atual é igual à de outros países e que chegou tarde a Cuba porque antes o governo havia conseguido controlar o vírus.
Também destacou que Cuba produziu suas próprias vacinas contra o coronavírus, embora a administração das doses ainda seja limitada na maioria das províncias.
2. A situação econômica
O coronavírus teve um profundo impacto na vida econômica e social da ilha. O turismo, um dos motores da economia cubana, está praticamente paralisado. Além disso, há inflação crescente, apagões, escassez de alimentos, medicamentos e produtos básicos.
Em Havana, a capital do país, os manifestantes tomaram algumas das principais avenidas ao mesmo tempo em que se enfrentavam ou eram reprimidos pela polícia
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No início do ano, o governo propôs um novo pacote de reformas econômicas que, ao aumentar os salários, fez disparar os preços. Economistas como Pavel Vidal, da Universidade Javeriana de Cali, na Colômbia, estimam que podem subir entre 500% e 900% nos próximos meses.
Dada a falta de liquidez em moeda estrangeira, o governo promoveu desde o ano passado a criação de lojas onde só se pode comprar com contas em moedas livremente conversíveis (MLC). Alimentos e bens de primeira necessidade são vendidos em moedas nas quais a população não recebe seu salário.
A pandemia também foi sinônimo de longas filas para os cubanos comprarem produtos como óleo, sabonetes ou frango, e cortes de energia tornaram-se cada vez mais frequentes.
Os medicamentos básicos tornaram-se escassos tanto nas farmácias como nos hospitais, e em muitas províncias houve a venda de pão à base de abóbora por falta de farinha de trigo.
Os cubanos entrevistados na semana passada pela BBC News Mundo afirmam que em alguns centros médicos não há nem aspirinas para reduzir a febre. Enquanto isso, também houve surtos de sarna e outras doenças infecciosas na ilha.
No mês passado, o governo decidiu deixar de aceitar “temporariamente” dólares à vista, principal moeda que os cubanos recebem nas remessas, medida que é vista pelos economistas como a mais restritiva imposta à divisa americana desde que foi penalizada pelo governo de Fidel Castro.
O governo cubano atribui a atual situação econômica ao embargo dos Estados Unidos.
Em seu pronunciamento, Díaz-Canel assegurou que este é “o principal problema que ameaça a saúde e o desenvolvimento de nosso povo”.
3. Acesso à internet
Antes deste domingo, o maior protesto ocorrido em Cuba após o início da revolução de Fidel Castro, de 1959, havia acontecido em agosto de 1994 em frente ao Malecón de Havana.
Cubanos em outras províncias nem sabiam o que havia acontecido na capital.
Quase 30 anos depois do que ficou conhecido como “Maleconazo”, o cenário é muito diferente: se no governo de Fidel Castro o acesso à internet na ilha era restrito, seu irmão e sucessor, Raúl Castro, deu passos inaugurais que levaram a uma maior conectividade.
Inflação crescente, apagões, escassez de alimentos, medicamentos e produtos básicos levaram manifestantes às ruas
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Desde então, os cubanos têm utilizado as redes sociais para denunciar seu incômodo com o governo a tal ponto de, em muitas ocasiões, as autoridades usarem seus meios de comunicação oficiais para emitir posicionamentos sobre tais comentários.
Hoje, grande parte da população, principalmente os jovens, tem acesso ao Facebook, Twitter e Instagram, que também são seus principais canais de informação sobre o discurso oficial da mídia estatal.
O acesso à internet também levou ao surgimento de vários meios de comunicação independentes que se debruçam sobre assuntos que geralmente não apareciam na mídia oficial.
E se tornaram o canal para que artistas, jornalistas e intelectuais reivindiquem seus direitos ou convoquem protestos.
Outra manifestação organizada por meio das redes sociais aconteceu em novembro passado depois que a polícia invadiu a casa de alguns jovens artistas em greve de fome.
E, agora, as redes sociais também foram o meio em que se espalhou a notícia do protesto de San Antonio no domingo (11/7), além de ter sido a ferramenta usada para organizar o protesto inicial.
O governo cubano garante que as redes sociais são utilizadas pelos “inimigos da revolução” para criar “estratégias de desestabilização” que seguem os manuais da CIA.
E embora para muitos os protestos fossem um tanto previsíveis, o que deve acontecer agora é incerto.
Cuba enfrenta um cenário sem precedentes de manifestações e repressão policial. Será preciso observar nos próximos dias como o governo — e os cubanos — vão reagir.

Fonte: G1 Mundo