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Crise no Mercosul: entenda o que está em jogo durante a presidência temporária brasileira


Brasil e Uruguai têm um plano para mudar algumas regras do Mercosul, mas a Argentina não concorda. Se as discordâncias se intensificarem, o bloco pode retroceder a uma zona de livre comércio. Montagem mostra os presidentes Alberto Fernández e Jair Bolsonaro
Gabriel Bouys e Ueslei Marcelino/Reuters
O Brasil recebeu, nesta quinta-feira (8) a presidência temporária do Mercosul da Argentina, que estava exercendo o cargo.
O bloco vive um momento de incertezas: o Uruguai anunciou que vai começar a negociar acordos comerciais sozinho, sem os outros países do Mercosul (Argentina, Brasil e Paraguai).
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, abriu a reunião desta terça-feira e, em seu discurso, fez indiretas ao Uruguai : “Acreditamos que o caminho é cumprir o Tratado de Assunção , negociarmos juntos com países ou blocos terceiros e respeitar a figura do consenso”. Ele ainda citou o Papa Francisco, ao dizer que “ninguém se salva sozinho”.
Há dois desentendimentos a serem resolvidos:
O que acontecerá com a tarifa externa comum (TEC)?
Os países do bloco poderão negociar sozinhos com terceiros?
Além de os dois principais países do grupo, Brasil e Argentina, terem sérias discordâncias a serem resolvidas, os presidentes Jair Bolsonaro e Alberto Fernández têm uma relação afastada marcada por uma antipatia mútua.
Como começaram os desentendimentos?
No fim de março, houve uma reunião entre os presidentes dos quatro países que compõem o bloco para comemorar os 30 anos da criação do Mercosul. Dois líderes, Alberto Fernández, da Argentina, e Luis Lacalle Pou, do Uruguai, se desentenderam nessa ocasião.
Lacalle Pou pediu uma flexibilização da Tarifa Externa Comum (TEC). O argentino rejeitou na hora e disse que se o Mercosul é um peso para algum país, “que saiam do barco e tomem outro”.
(Veja abaixo uma reportagem da época sobre as trocas verbais entre os dois presidentes.)
Reunião do Mercosul acaba em discussão entre presidentes da Argentina e do Uruguai
O que é a Tarifa Externa Comum?
Os países que formam o Mercosul aceitaram adotar as mesmas alíquotas de tarifas de importação de produtos de outros países que não fazem parte do bloco.
É isso que faz com que o bloco seja uma união aduaneira.
No entanto, há diversos produtos que são exceções —por exemplo, as alíquotas que o Brasil aplica a bens de informática são diferentes das argentinas.
A TEC foi adotada no Mercosul em 1995. Para produtos industriais, a média é de cerca de 14%, mas há alguns produtos sobre os quais incide uma alíquota de até 35%.
Qual é a discordância?
O Brasil quer um corte de 20% em todas as alíquotas. Isso aconteceria em duas etapas —10% imediatamente, outros 10% em alguns meses.
A Argentina não quer mudar a tarifa de todos os produtos, mas de cerca de 40% deles (há mais de 10 mil classificações de itens sobre os quais há tarifa).
Em sua fala durante a passagem da presidência temporária, Fernández falou sobre isso. Ele disse que a revisão de tarifas deve “contemplar setores sensíveis”.
Para ele, o bloco deveria tornar as matérias-primas importadas mais baratas, mas é preciso proteger, com alíquotas, os produtos finais. Ele chamou isso de “um sentido produtivista” para a revisão de tarifas.
Negociação com terceiros
Hoje, os quatro países do Mercosul só podem negociar acordos de livre comércio com terceiros em bloco.
Esse é o outro ponto que o Uruguai pretende mudar e enfrenta resistência da Argentina: o país quer que cada um dos membros tenha liberdade para implementar um tratado com terceiros sem o aval do Mercosul e já anunciou que fará isso.
Por que o Uruguai e o Brasil querem mudar o Mercosul?
O Uruguai é um país menor, que depende mais de bens importados, diz o professor da USP Amâncio Jorge Silva Nunes de Oliveira. “A pergunta que o Uruguai faz tem todo sentido: por que tenho que seguir o modelo do Mercosul se tenho outra realidade do ponto de vista econômico?”.
Na teoria, afirma o professor, o Brasil, a maior economia do bloco, teria a capacidade de fazer investimentos que justificariam, para o Uruguai, se manter no Mercosul. Isso, no entanto, nunca se efetivou.
No Brasil, os pedidos para mudar a TEC e abrir a possibilidade de negociações estão ligados à desindustrialização do país, afirma Oswaldo Dehon, professor do Ibmec Belo Horizonte: o interesse por ter produtos baratos é maior do que o projeto de um parque industrial robusto.
“[As propostas de reformas] têm a ver com uma agenda voltada a vender nossos produtos primários”, afirma.
Por que a Argentina é contra?
O Uruguai entende que ganharia capacidade para exportar mais se puder ser mais independente, afirma Hussein Kalout, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
“Obviamente que isso não interessa à Argentina, que perde competitividade com esse processo”, diz ele.
O setor industrial, afirma, faz parte da base de apoio do presidente Alberto Fernández, que foi rápido em rechaçar a proposta uruguaia.
“O setor industrial quer alguma forma de protecionismo para compensar sua capacidade”, explica.
Sinalização política no Brasil
O Brasil, na verdade, seguiu o pedido do Uruguai para baixar a TEC e possibilitar a negociação com terceiros.
Para Amâncio, o professor da USP, “os negociadores do governo brasileiro querem sinalizar que a paciência estratégica com a Argentina acabou. A interpretação que faço é que é uma forma de negociar, ao sinalizar que o Brasil vai tomar uma decisão e, se o outro lado não acompanhar, paciência.”
A abertura comercial, afirma Amâncio, é uma promessa de campanha.
Para Kalout, do Cebri, o Brasil “precisa definir o que quer: desde o inicio o governo deixou claro que tinha meta a abertura comercial, mas até agora não tem abertura comercial de nada, a abertura comercial do governo Bolsonaro é uma fábula”.
O que aconteceu desde então?
No fim de abril, houve uma reunião para discutir os dois pedidos do Uruguai (a redução das tarifas comuns e a possibilidade de liberar os países para fazerem acordos com terceiros).
Nesse encontro, o Brasil propôs cortar 20% das alíquotas da TEC. Uruguai e Paraguai concordaram com a sugestão.
A Argentina não quer diminuir a tarifa de todos os produtos —os argentinos sugeriram zerar as alíquotas dos bens que fazem parte de cadeias produtivas (são cerca de 2.000 produtos).
Agora, essa é a decisão que está na mesa.
E as negociações com terceiros?
O Uruguai anunciou que vai começar a negociar com terceiros.
Há uma segunda proposta: os países seguem a negociar em conjunto e, se houver um acordo, cada um poderá diminuir suas tarifas no seu próprio cronograma (ou seja, em algum momento, todos os quatro vão convergir para as mesmas condições, mas cada um a seu tempo).
Grosso modo, a trajetória dos blocos econômicos passa pelas seguintes fases:
Área de livre comércio e circulação;
União aduaneira;
Mercado comum;
União monetária e econômica
O Mercosul tem uma união aduaneira, que é definida justamente por ter uma TEC e uma política externa comum. Por isso, se o bloco rachar e cada país passar a definir suas próprias alíquotas de taxas externas, o Mercosul vai regredir ao estágio de área de livre comércio.
“Sem a TEC, deixaríamos de ser união aduaneira. E união aduaneira facilita os negócios. Nos anos 1990 que se dizia que havia problemas de desembaraço, seguros foram facilitados”, diz Oswaldo Dehon, professor do Ibmec Belo Horizonte.
De acordo com os especialistas ouvidos pelo G1, a tendência é que esse retrocesso no bloco não aconteça.
“É evidente que nunca houve um nível de desalinhamento político tão extremo”, diz Amâncio, da USP. No entanto, ele afirma, é muito difícil colocar em prática a retórica contra o Mercosul porque existe muita interdependência comercial entre os países.
“O Mercosul foi constituído de acordo com uma realidade comercial do fim dos anos 1980, mas a economia e a tecnologia mudaram, o meio ambiente passou a ter um papel preponderante. O bloco precisa acompanhar essas evoluções”, afirma Kalout. Para ele, há várias maneiras de modernizar regras —”a única que não deveria ser empregada é a do confronto, que contraria o espírito do bloco”.

Fonte: G1 Mundo

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Homem invade casa, assalta a geladeira e usa a máquina de lavar enquanto moradores dormem no andar de cima; veja vídeo


Crime foi registrado no estado de Washington, EUA. Suspeito chegou a escapar mas foi detido pela polícia. Homem invade casa, assalta a geladeira e usa a máquina de lavar enquanto donos dormem
Um assaltante cometeu um crime inusitado em Washington, nos Estados Unidos, informaram as autoridades locais nesta quinta-feira (8). O homem, registrado pelas câmeras de segurança, invadiu uma casa em Covington, a 60 km de Seattle, enquanto todos dormiam no andar de cima.
Ele entrou por uma janela que estava aberta por conta do forte onda de calor que atingiu a região durante a semana passada. O suspeito então resolveu usar o banheiro, a lavanderia e assaltou a geladeira – tudo sem ninguém perceber, durante a madrugada (veja no vídeo acima).
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Os donos do imóvel só notaram a invasão quando ele entrou no quarto do casal. Amy Padgett, moradora, contou a rede americana NBC que levou um susto ao vê-lo parado na porta do quarto. Quando percebeu que os donos acordaram, ele tentou ir embora.
Amy Padgett, moradora da casa invadida pelo assaltante de geladeira nos EUA
NBC/Reprodução
“Ele chegou a perguntar se poderia voltar para pegar seus sapatos”, disse Padgett. “Nessa hora meu marido disse que não: ‘você realmente tem que sair da nossa casa'”.
Ela conta que enquanto dormiam ele usou a cozinha e comeu parte da comida da família. Waffles, que ainda estavam na torradeira, e até mesmo um pacote de refeição congelada.
“A gente tem um lavabo, que estava um nojo”, afirmou a moradora. “Ainda com calças e um par de chinelos jogados no chão.”
Lavabo da família Padgett
NBC/Reprodução
O suspeito chegou a escapar mas foi detido perambulando pela área por agentes da polícia local. Segundo os policiais, ele levou dinheiro e a chave do carro, mas tudo foi recuperado.

Fonte: G1 Mundo

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Corpo de cunhada do presidente do Paraguai é encontrado nos escombros do prédio que desabou na Flórida


Corpos de Sophia López Moreira, marido e um dos filhos do casal foram identificados, segundo jornal. Ainda faltam outros 2 menores que estavam com eles e uma sexta pessoa de origem paraguaia. Trabalhos de resgate nos escombros do Champlain Towers South, prédio que caiu em Surfside (região de Miami, Flórida), continuaram nesta quinta (8)
Pedro Portal/Miami Herald via AP
Autoridades da Flórida, Estados Unidos, identificaram nesta quinta-feira (8) o corpo de Sophia López Moreira, cunhada do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez. A irmã da primeira-dama paraguaia é uma das 64 vítimas encontradas até agora nos escombros do Champlain Towers South, edifício que desabou em Surfside, na região de Miami.
Além de Sophia, os legistas identificaram também os corpos do marido dela, Luis Pettengil, e do filho mais novo do casal. Falta identificar os outros dois filhos do casal e uma sexta pessoa de origem paraguaia que estava com eles. A informação é do jornal “ABC Color”, citando o chanceler do Paraguai, Euclides Azevedo.
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Filha de 7 anos de bombeiro é achada morta nos escombros de desabamento na Flórida
Nesta quinta, subiu para 64 o número e mortos no desabamento de um prédio em Surfside, na região de Miami, informaram as autoridades locais. Na véspera, as autoridades da Flórida reconheceram que era impossível encontrar sobreviventes e que os esforços agora eram de “recuperação dos corpos”.
Ao menos 76 pessoas ainda seguem desaparecidas e podem estar sob os escombros depois de duas semanas de buscas.
VÍDEO: Equipes de busca fazem 1 min de silêncio pelas vítimas do desabamento em Miami
Na quarta-feira, os trabalhadores do resgate fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do desabamento (veja no vídeo acima).
‘Socorristas buscam seus próprios amigos’
Socorristas fazem oração durante trabalhos de busca nos escombros do prédio Champlain Towers South em Surfside (Flórida, EUA) na quarta-feira (7)
Jose A Iglesias/Miami Herald via AP
A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine, disse na quarta, em um pronunciamento emocionado, que “o coração de todos bate pelos que esperam respostas”.
“Essa é nossa comunidade, nossos vizinhos e famílias. Os socorristas estão buscando por seus próprios amigos e familiares”, disse Levine.
No domingo à noite, as autoridades demoliram a parte que ainda restava do prédio residencial que desabou parcialmente há quase duas semanas, por medo de que a tempestade Elsa derrubasse a estrutura.

Fonte: G1 Mundo

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Polícia do Haiti acusa cidadãos da Colômbia e dos EUA de envolvimento no assassinato do presidente


Segundo diretor policial, ao menos 28 pessoas participaram do assassinato de Jovenel Moise: 2 cidadãos americanos nascidos no Haiti e 26 colombianos. Casa e carro queimados em Porto Príncipe nesta quinta (8) após violência que se seguiu no Haiti após a morte do presidente Jovenel Moise
Estailove St-Val/Reuters
O diretor da Polícia Nacional do Haiti disse nesta quinta-feira (8) que ao menos 28 pessoas participaram do assassinato a tiros do presidente do país, Jovenel Moise, na madrugada de quarta-feira (7). Desses, dois seriam cidadãos dos Estados Unidos com origem haitiana e 26 têm cidadania na Colômbia.
No Haiti, polícia prende suspeitos de envolvimento no assassinato do presidente Jovenel Moise
A agência France Presse, citando o diretor de polícia, diz que dessas 28 pessoas, oito estão foragidas. Os outros 20 suspeitos estão presos ou já foram detidos pelas autoridades — não há muitos detalhes sobre essas prisões.
Seis dos detidos por suspeita de estarem por trás do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, em foto desta quinta (8)
Joseph Odelyn/AP Photo
Autoridades disseram que a polícia e o exército cercaram o grupo desde quarta e conseguiram prendê-los após intensa troca de tiros. Ao todo, sete pessoas considerada suspeitas no complô e no assassinato foram mortas.
Centenas de moradores gritavam do lado de fora da delegacia para onde os suspeitos foram levados, na capital Porto Príncipe, gritando “queimem-nos” e ateando fogo a um veículo que seria dos assassinos, de acordo com a Reuters.
Membros da polícia haitiana procuram evidências fora da residência presidencial em Porto Príncipe, em 7 de julho de 2021, onde o presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado a tiros na madrugada
Valerie Baeriswyl/AFP
A polícia haitiana já havia divulgado na noite de ontem a prisão de dois mercenários e a morte de outros quatro que estariam envolvidos na execução de Moise (veja no vídeo abaixo). Três policiais que eram mantidos como reféns foram libertados.
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Laurent Lamothe, ex-primeiro-ministro do Haiti, divulgou nas redes sociais nesta quinta uma imagem de dois suspeitos presos. Não está claro se a foto é dos detidos de ontem ou de hoje.
Garoto olha em portão fechado na fronteira entre Haiti e República Dominicana nesta quinta-feira (8) após o governo dominicano fechar a fronteira em sequência à morte de Jovenel Moise, presidente haitiano
Matias Delacroix/AP Photo
Lamonthe afirmou que eles são mercenários estrangeiros e “importantes testemunhas para determinar quem os pagou para matar nosso presidente” (veja na imagem abaixo).
O ex-premiê ocupou o cargo entre 2012 e 2014.
Laurent Lamothe, ex-primeiro-ministro do Haiti, divulga imagem de quem ele diz ser suspeitos pela morte do presidente do país, Jovenel Moise, assassinado a tiros em casa em 7 de julho de 2021
Reprodução/Twitter/Laurent Lamothe
Presidente assassinado
Jovenel Moise foi morto a tiros em sua casa, na capital Porto Príncipe, na madrugada de quarta. A primeira-dama, Martine Moise, foi baleada, hospitalizada e depois transferida para os Estados Unidos, onde está internada em estado grave (porém estável).
O Haiti vive uma grave crise política, econômica e social (veja no vídeo abaixo), com aumento da violência e da pobreza e o governo incapaz de combater a pandemia e de aplicar um programa de imunização contra a Covid-19.
Além disso, Moise dissolveu o Parlamento e governava por decreto há mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas, e queria promover uma polêmica reforma constitucional.
Desde que assumiu o cargo, em 2017, Moise enfrentou protestos em massa contra seu governo —primeiro por alegações de corrupção e por sua gestão da economia, depois por seu crescente controle do poder.
Em fevereiro, autoridades do país disseram ter frustrado uma “tentativa de golpe” de Estado contra o presidente, que também seria alvo de um atentado malsucedido.
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Premiê (e presidente) interino
Nesta quinta, o primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, assumiu provisoriamente o comando do país. Foi o político que anunciou o assassinato do presidente.
Horas após o crime, ele decretou estado de sítio em todo o país, sob a justificativa de reforçar o poder do Executivo e investigar a morte de Moise e os objetivos do assassinato. “Esta morte não ficará impune”, declarou Joseph em discurso à nação.
A execução de Moise mudou o que havia sido planejado para o premiê. O seu substituto, o médico Ariel Henry, já havia sido anunciado, mas ainda não tinha tomado posse formalmente por decreto.
Como a transmissão de cargo não ocorreu, Joseph segue como primeiro-ministro interino (e agora também como presidente interino).
Mas Henry afirmou ao jornal haitiano “Le Nouvelliste” que não considera Joseph o primeiro-ministro legítimo. “Acho que precisamos conversar. Claude deveria permanecer no governo que eu teria”.
O então presidente do Haiti, Jovenel Moise (ao centro), caminha junto à primeira-dama, Martine Moise; e o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph (à direita), em 18 de maio de 2021, durante cerimônia do 218º aniversário da criação da bandeira haitiana. Moise foi assassinado a tiros em casa, em 7 de julho de 2021, e a primeira-dama foi baleada no ataque noturno e hospitalizada. No dia seguinte, Joseph assumiu como presidente interino.
Joseph Odelyn/AP
Legitimidade
Há uma outra questão de legitimidade, que coloca a liderança do premiê em xeque: pela Constituição, Joseph não está na linha de sucessão por ocupar o cargo interinamente e porque o Parlamento nunca aprovou o seu nome formalmente.
A situação acontece porque, na prática, não há Parlamento: o mandato de uma parcela de legisladores já terminou, mas as eleições para preencher as vagas não foram realizadas em 2019.
Moise governava por decretos presidenciais desde janeiro de 2020 — e, portanto, nenhuma decisão era ratificada pelo Legislativo.
O próximo na linha sucessória, segundo a Constituição do Haiti, seria o presidente da Suprema Corte, René Sylvestre, mas ele morreu de Covid-19 no mês passado, e ainda não foi escolhido o seu substituto.
Imagem de dezembro de 2020 de um protesto em Porto Príncipe, no Haiti
Dieu Nalio Chery/AP
Pobreza extrema
O Haiti é a nação mais pobre das Américas e tem um longo histórico de ditaduras e golpes de Estado. Nos últimos meses, enfrentava uma crescente crise política e humanitária, com escassez de alimentos e violência nas ruas.
O PIB per capita do país é de US$ 1,6 mil por ano (cerca de R$ 8,5 mil), e cerca de 60% da população vive com menos de US$ 2 por dia (pouco mais de R$ 10).
O Haiti tem 11,3 milhões de habitantes, faz fronteira com a República Dominicana na ilha Hispaniola, no Caribe, e tem um dos menores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo: 0,51.
Colonizado em 1492, após a chegada de Cristóvão Colombo à América, o Haiti foi o primeiro país do continente a conquistar a sua independência e a primeira república a ser liderada por negros, quando derrubou o domínio francês no começo do século XIX.
O país já foi invadido e sofreu intervenção dos EUA no século XX e tem um longo histórico de ditadores, como François “Papa Doc” Duvalier e seu filho, Jean-Claude “Baby Doc”. A primeira eleição livre do país ocorreu em 1990, mas Jean-Bertrand Aristide foi deposto por um golpe no ano seguinte.
Haiti
Amanda Paes/G1
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Fonte: G1 Mundo

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Avião de pequeno porte cai na Suécia; todos a bordo morreram, diz polícia


Aeronave levava paraquedistas e caiu logo após decolar. Causas do acidente estão sob investigação. Policiais observam destroços de avião que se acidentou em Orebro, na Suécia, nesta quinta (8)
TT News Agency/Jeppe Gustafsson via Reuters
Um avião de pequeno porte caiu perto de Orebro, na Suécia, nesta quinta-feira (8). De acordo com a polícia sueca, todos os nove ocupantes morreram no acidente.
A aeronave, um DHC-2 Turbo Beaver, levava o piloto e oito paraquedistas. O avião caiu logo ao decolar, ainda perto da pista do aeroporto de Orebro, e pegou fogo em seguida. As causas do acidente ainda estão sob investigação.
O primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, — que foi reconduzido ao cargo nesta semana — lamentou o acidente. “É com grande tristeza e pesar que eu recebi a trágica informação sobre o acidente aéreo em Orebro”, disse.
“Meus pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e seus queridos neste momento tão difícil”, acrescentou Löfven.
VÍDEOS: Notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Terremoto atinge região da fronteira entre estados de Nevada e Califórnia, nos EUA

Tremor de magnitude 5,9 foi registrado às 15h49 (18h49 em Brasília), com epicentro a 32 km Sul-Sudoeste de Smith Valley, em Nevada. Ele foi o mais forte de uma série de pequenos abalos sentidos na região nesta quinta-feira (8). Um terremoto de magnitude 5,9 atingiu a região na fronteira entre os estados de Nevada e Califórnia, nos Estados Unidos, na tarde desta quinta-feira (8) segundo o Serviço de Geologia dos EUA (USGS, na sigla em inglês).
O epicentro foi a 32 km Sul-Sudoeste de Smith Valley, em Nevada, ainda de acordo com o USGS, a uma profundidade de 9,8 quilômetros.
O tremor foi o mais forte de uma série de pequenos abalos sentidos na região nesta quinta, e aconteceu às 15h49 (19h49 em Brasília).
Não há relatos de danos ou feridos até o momento.
Reportagem em atualização.
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Fonte: G1 Mundo

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Quarto suspeito de assassinato de jovem gay brasileiro é preso na Espanha


Auxiliar de enfermagem morreu no sábado (3) em La Coruña, depois de ser espancado por pelo menos sete pessoas ao sair de uma boate. O homem preso tem entre 20 e 25 anos e é amigo dos outros três detidos Samuel Luiz Muñiz, auxiliar de enfermagem de 24 anos que nasceu no Brasil, foi espancado até a morte ao sair para fumar em frente a uma balada em La Coruña, no noroeste da Espanha
Montagem G1/ Reprodução Facebook
A polícia espanhola prendeu nesta quinta-feira (8) um quarto suspeito nas investigações sobre o assassinato do brasileiro Samuel Luiz Muñiz, de 24 anos.
O auxiliar de enfermagem morreu no sábado (3) em La Coruña, depois de ser espancado por pelo menos sete pessoas ao sair de uma boate. O homem preso tem entre 20 e 25 anos e é amigo dos outros três detidos – dois homens e uma mulher – na segunda-feira.
Fontes policiais afirmam que o desentendimento entre os agressores e Samuel começou por causa de um telefone celular. No entanto, uma amiga do brasileiro que presenciou a cena relatou insultos homofóbicos.
O quarto detido é suspeito de assassinato. Segundo a polícia, ele é “amigo dos outros três” e, assim como os demais, “não conhecia a vítima”. Por esta circunstância, as autoridades ainda não caracterizam o crime como homofóbico, mantendo “todas as hipóteses” em aberto.
Samuel foi encontrado inconsciente perto de uma discoteca depois de ter sido ser linchado. Os socorristas tentaram reanimá-lo durante horas, mas ele não resistiu, falecendo na manhã de sábado.
Os primeiros elementos da necrópsia, de acordo com a imprensa local, indicam que o brasileiro morreu por um traumatismo cranioencefálico grave, causado por um chute na cabeça. A investigação continua e o caso é mantido em sigilo. 
O pai da vítima, Maxsoud Luiz, disse ao canal espanhol Antena 3 que o filho estava com três amigas na hora do ocorrido. Samuel nasceu no Brasil e chegou à Espanha com um ano de idade. 
Lina, uma amiga de Samuel que testemunhou a cena, explicou à imprensa espanhola que as agressões ativeram início do lado de fora de uma discoteca, depois que um jovem se irritou porque achou que estava sendo filmado pelo brasileiro. “Ou você para de gravar ou eu mato você, seu bicha”, teria dito o rapaz.
Depois de argumentarem que estavam fazendo uma chamada de vídeo para indicar a outra amiga onde estavam, o suspeito reagiu dando um soco em Samuel.
Um jovem que passava pelo local conseguiu empurrar o agressor e convencê-lo a desistir da briga, mas o rapaz voltou logo depois com um grupo de cerca de dez pessoas, que espancaram Samuel até a morte. Eles fugiram antes que a polícia e socorristas chegassem ao local. 
Crime provoca mobilização de repúdio à homofobia
O crime gerou uma onda de indignação na Espanha e deflagrou manifestações de condenação em Madri e em La Coruña, justo no momento em que se acabava de celebrar a semana do Orgulho LGBTQIA+.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou o assassinato como “um ato selvagem e sem piedade”. “Não vamos dar um passo atrás em direitos e liberdades. A Espanha não vai tolerar isso”, tuitou na noite de segunda-feira. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, indicou que “nenhuma hipótese está excluída, nem o crime de ódio, nem qualquer outro”.
Familiares e amigos de Samuel garantem que os agressores agiram por “pura homofobia” e o atacaram aos gritos de “bicha”.
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Fonte: G1 Mundo

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Agência americana altera indicação de tratamento para Alzheimer; entenda o que muda


A aprovação de um novo remédio contra esse tipo de demência foi cercada de polêmicas e críticas. Órgão regulador dos Estados Unidos diminuiu um pouco mais o público que poderá se beneficiar de seu uso. Demências como o Alzheimer já atingem 45 milhões de pessoas no mundo e não há tratamentos que atuem diretamente na doença
Getty Images via BBC
Após 18 anos sem avanços na área de tratamentos, a doença de Alzheimer finalmente teve um novo remédio aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), a agência regulatória dos Estados Unidos.
O aducanumabe, desenvolvido pelas farmacêuticas Biogen e Eisai, foi liberado em terras americanas no início de junho de 2021, mas uma nova decisão divulgada na quinta-feira (8) indica que o número de pessoas que poderá se beneficiar dessa terapia será bastante reduzido.
Inicialmente, o FDA havia sinalizado que o medicamento poderia ser usado para qualquer pessoa que tivesse o diagnóstico desse tipo de demência.
Mas uma mudança na bula feita em julho reduz significativamente o público-alvo dessa nova opção terapêutica: a agência americana agora determina que o aducanumabe está indicado apenas para os pacientes com os sintomas mais leves, que afetam a memória e a capacidade de raciocínio.
Segundo um levantamento feito pelo “The New York Times”, em termos numéricos, o público-alvo em potencial anteriormente era de 6 milhões de americanos. Agora, fica em cerca de 2 milhões.
O FDA alega que, desde a aprovação em junho, seguradoras de saúde e os próprios cidadãos tinham muitas dúvidas sobre quem deveria pagar pelo tratamento e quando ele seria realmente válido. A alteração serviu justamente para esclarecer essas questões, apontam os representantes.
O aducanumabe tem como alvo a beta-amiloide, uma proteína que forma aglomerados anormais no cérebro de pessoas com Alzheimer. Essas formações podem danificar as células e desencadear demência, incluindo problemas de memória e comunicação, além de confusão mental.
Marasmo total
O aducanumabe estava cercado de grande expectativa — afinal, a última aprovação de um tratamento contra o Alzheimer aconteceu em 2003, há 17 anos, quando um fármaco chamado memantina chegou ao mercado.
De lá para cá, mais de 240 moléculas diferentes foram testadas, mas nenhuma se mostrou segura e eficaz. A taxa de fracasso supera os 99% e é a maior de todas as especialidades médicas — a título de comparação, na área da oncologia, cerca de 80% das terapias falham durante os testes clínicos.
Para completar o cenário, estima-se que 45 milhões de pessoas tenham algum tipo de demência no mundo (2 milhões delas no Brasil). Com o envelhecimento da população em vários países, esse número deve duplicar a cada 20 anos.
Os tratamentos atuais ajudam a controlar alguns sintomas e até atrasam um pouco a progressão da doença, mas eles se tornam ineficazes nos casos mais graves e avançados.
Mas, afinal, por que é tão difícil criar novos tratamentos contra o Alzheimer?
Há uma série de obstáculos e entraves nessa história. E o próprio aducanumabe é um exemplo para ilustrar essa busca infrutífera dos últimos anos.
Esperanças e frustrações
Em meados de 2015, o aducanumabe apareceu como uma das grandes promessas contra o Alzheimer. Os estudos de fase 1 chamaram tanta atenção que foram destaque de capa da revista Nature em 2016.
A droga, desenvolvida a partir de células de defesa de idosos que não tinham demência, se mostrou capaz de eliminar uma proteína chamada beta-amiloide no cérebro.
Pelo que se sabe até o momento, essa substância está relacionada de alguma maneira ao início da doença. Com o tempo, ela se acumula do lado de fora dos neurônios e dá início ao processo de perda das memórias e da cognição.
O aducanumabe foi apenas um entre mais de uma dezena de anticorpos monoclonais feitos para frear esse tipo de demência. Nos testes iniciais, vários deles se mostravam capazes de retirar o excesso dessa tal de beta-amiloide da massa cinzenta.
Porém, quando os estudos progrediam para as fases finais, essa “faxina” cerebral não repercutia nos sintomas da doença: os pacientes continuavam a ter prejuízos nas recordações e na capacidade de raciocinar.
Os cientistas suspeitaram, então, que o problema não estava no mecanismo das drogas em si, mas no momento em que elas eram aplicadas.
Talvez os voluntários recrutados para os estudos estivessem numa fase muito adiantada da doença, em que os danos aos neurônios já eram irreversíveis.
Hoje em dia, se sabe que o Alzheimer começa a corroer o cérebro até duas ou três décadas antes de os primeiros sintomas darem as caras. “A beta-amiloide se acumula com grande antecedência aos incômodos de memória”, conta o neurologista Fábio Porto, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Portanto, um indivíduo que começa a ter falhas nas lembranças aos 80 anos pode estar num longo processo degenerativo, que começou lá quando ele tinha apenas 50 ou 60 anos.
Seguindo essa lógica, será que usar os anticorpos monoclonais antecipadamente, nessa fase assintomática, ou quando os primeiríssimos sintomas aparecerem, poderia fazer alguma diferença?
Pelo que se sabe até o momento, a doença se inicia com a deposição da proteína beta-amiloide (representada na cor laranja na ilustração) do lado de fora dos neurônios
Getty Images via BBC
Reviravolta surpreendente
Foi justamente para responder a essa pergunta que o aducanumabe foi testado em dois ensaios clínicos de fase 3 (os últimos antes da aprovação) a partir de 2016.
Esses estudos ganharam nomes em inglês: ENGAGE e EMERGE. O primeiro teve a participação de 1.647 voluntários, enquanto o segundo recrutou 1.638 pessoas.
Em março de 2019, os responsáveis pelos trabalhos resolveram fazer uma análise preliminar do progresso até aquele momento, para ver como as coisas estavam evoluindo.
Foi um verdadeiro banho de água fria: os resultados não estavam dentro das expectativas e os estudos foram encerrados antes do prazo.
Sete meses depois, veio a notícia que ninguém esperava: Biogen e Eisai anunciaram que haviam reavaliado as duas pesquisas e encontrado em uma delas evidências de que o aducanumabe poderia, sim, funcionar num determinado grupo de pacientes.
As empresas foram além e disseram que, a partir dos dados, pediriam a liberação do medicamento para uso clínico nos EUA.
E essa trajetória foi concluída em junho de 2021, quando o FDA deu a aprovação, apesar de todas as polêmicas envolvidas nessa história.
As controvérsias
A mudança de rumos, o pedido e a aprovação pegaram a comunidade científica de surpresa. Afinal, não é comum que pesquisas como as que estavam em andamento sejam paralisadas ou reanalisadas no meio do caminho.
A surpresa ficou ainda maior agora, com essa mudança incomum na bula logo em menos de um mês após o ok regulatório.
“Geralmente, todo o desenho do estudo clínico é definido antes do início. Fazer modificações assim é uma coisa muito complexa, que leva a problemas estatísticos”, diz o neurocientista Eduardo Zimmer, professor do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O químico americano Derek Lowe não poupou críticas aos movimentos feitos por Biogen e Eisai. Numa série de textos publicados em seu blog In The Pipeline, no site da revista Science, no final de 2020 ele demonstrou desconfiança com os resultados do aducanumabe:
“Eu não acredito que as empresas demonstraram a eficácia [do medicamento]. Eu acho que eles têm capacidade suficiente para fazer um estudo melhor se assim quisessem. Mas eles não querem. Eles desejam ir logo até o FDA para ter a droga aprovada e começarem a imprimir dinheiro”.
Os especialistas dizem que, antes de buscar a aprovação nas agências regulatórias, os responsáveis pelo fármaco deveriam fazer um novo estudo de fase 3, que focasse justamente nessas doses mais altas e nesse perfil de pacientes que parece se beneficiar mais do remédio.
O problema é o tempo. “Esses novos testes exigiriam um investimento econômico gigantesco e demorariam mais quatro ou cinco anos para darem os resultados”, estima Zimmer, que também é membro da Academia Brasileira de Ciências.
E no Brasil?
Em março, a Biogen anunciou que também pediu a aprovação do aducanumabe para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em uma nota, a empresa disse que “o medicamento teria o potencial de alterar a fisiopatologia da doença, desacelerar o declínio cognitivo e manter a capacidade dos pacientes em realizar certas atividades diárias por um período, incluindo a gestão de finanças pessoais, a realização de tarefas domésticas, como limpeza e atividades relacionadas à lavanderia, compras e viajar independentemente”.
Num comunicado para a imprensa, Tatiane Rivas Marante, gerente geral da farmacêutica no Brasil, afirmou que, se aprovado, o aducanumabe poderia “se tornar um vetor de esperança para aqueles impactados por essa doença devastadora”.
Até o momento, ainda não houve nenhuma resposta oficial da Anvisa sobre o caso e se a medicação também será liberada em nosso país.
Mais pedras no caminho
A dificuldade em demonstrar o benefício prático de uma nova molécula é apenas a ponta do iceberg desse drama que aflige milhões de pacientes e seus familiares.
Pesquisadores da área enfrentam uma série de outras barreiras para entender o Alzheimer e seus desdobramentos.
Para começo de conversa, não existe um modelo animal que permita replicar as características do cérebro humano e da doença de Alzheimer com fidelidade.
Isso dificulta bastante na hora de fazer trabalhos experimentais, ou mesmo entender a ação de novas drogas em cobaias. Esse estágio de pesquisa é essencial antes de que as formulações sejam encaminhadas para testes com seres humanos.
Outra barreira importante está no diagnóstico: atualmente, a detecção do Alzheimer depende de testes muito invasivos ou muito caros.
É o caso, por exemplo, da análise do líquor, uma substância encontrada na medula óssea, ou do PET-CT, um exame de imagem bastante específico. “Esses são métodos ainda pouco acessíveis, por razões técnicas e financeiras”, pontua Porto.
Na hora de realizar estudos clínicos, por exemplo, os laboratórios gastam milhões de dólares para garantir que os voluntários façam exames do tipo e conferir se eles realmente têm Alzheimer. Esse investimento maciço é algo que poucos laboratórios conseguem fazer.
Por fim, há muitas dúvidas sobre o mecanismo que está envolvido neste tipo de demência. Ainda existe controvérsia sobre o papel da proteína beta-amiloide na doença e como ela interage com várias substâncias que se alteram no cérebro durante o processo de degeneração, como uma outra proteína conhecida como TAU.
Enquanto esses mistérios permanecerem, é difícil desenvolver tratamentos específicos capazes de atuar em alguma etapa da enfermidade.
Promessas futuras
Vale destacar, por fim, que o aducanumabe não é a única opção que chama a atenção de pesquisadores e da comunidade de pacientes e familiares: de acordo com o site ClinicalTrials.Gov, mantido pelo governo americano, outros 2.623 testes clínicos com candidatos a remédios contra o Alzheimer estão em andamento neste exato momento.
Um que é acompanhado de perto é o solanezumabe, da Eli Lilly. Ele também atua na proteína beta-amiloide e está sendo avaliado em pacientes com sintomas bem iniciais da enfermidade. Se tudo der certo, seus resultados são esperados para 2023.
Em paralelo, outros grupos de cientistas procuram caminhos criativos para frear a progressão do Alzheimer. Alguns miram na proteína TAU, que aparece no cérebro nas fases mais avançadas da condição.
Outros vão além e testam terapias à base de luzes ou maneiras de modificar a microbiota intestinal, um conjunto de bactérias que vive no nosso sistema digestivo e parece influenciar até na saúde do cérebro.
Num cenário sem grandes novidades e algumas polêmicas recentes, o alento é que o futuro promete trazer notícias um pouco mais animadoras.

Fonte: G1 Mundo

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Afeganistão: a guerra explicada em 10 pontos


Após duas décadas, as tropas dos Estados Unidos deixam o país. Entenda como o conflito começou e qual a situação hoje. Conflito teve início em 2001, após o ataque às torres gêmeas nos EUA
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Após 20 anos de conflito, os Estados Unidos decidiram retirar definitivamente suas tropas do Afeganistão.
O cronograma anunciado pelo presidente Joe Biden prevê que todas as forças deixem o país até o próximo dia 31 de agosto. Enquanto isso, o Talibã vem mais uma vez conquistando espaço em território afegão, com a retomada de dezenas de distritos.
Os custos da guerra foram astronômicos, tanto econômicos quanto humanos. Mas os Estados Unidos chegaram a atingir seus objetivos na região?
Como o conflito começou
No dia 11 de setembro de 2001, uma série de ataques perpetrados em solo americano mataram quase 3 mil pessoas.
Aviões foram sequestrados e lançados contra o World Trade Center em Nova York — as chamadas Torres Gêmeas — e o prédio do Pentágono no condado de Arlington, Virgínia. Uma quarta aeronave caiu em um campo na Pensilvânia.
Osama Bin Laden, chefe do grupo terrorista islâmico Al-Qaeda, foi rapidamente identificado como responsável pelos atentados.
Os talibãs, radicais islâmicos que governavam o Afeganistão e protegiam Bin Laden, se recusaram a entregá-lo. Assim, um mês após o 11 de setembro, os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra país com o objetivo de derrotar os dois grupos.
E depois?
Dois meses após o início da ofensiva, o regime do Talibã entrou em colapso, e seus combatentes fugiram para o Paquistão. Isso não significou, entretanto, o fim do grupo.
Com o tempo, sua influência voltou a crescer e, em paralelo, os militantes passaram a lucrar centenas de milhões de dólares por ano com negócios que iam do comércio de drogas à mineração.
Soldados americanos devem deixar o Afeganistão até final de agosto
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Um novo governo apoiado pelos Estados Unidos chegou em 2004, mas o Talibã seguiu realizando ataques e atentados. Com a ajuda de soldados afegãos, as forças internacionais tentavam conter o grupo convalescente. O conflito teve um impacto enorme sobre os afegãos, tanto civis quanto militares.
Então, os problemas no Afeganistão começaram em 2001?
A resposta mais curta é “não”. O país vivia em um estado quase permanente de guerra fazia décadas, ainda antes da invasão americana.
No final dos anos 1970, o Afeganistão foi um dos palcos dos conflitos entre os dois polos da Guerra Fria. Naquela época, o então governo comunista que comandava o país tinha apoio dos soviéticos, que chegaram a enviar tropas para lutar contra os combatentes do movimento de resistência, conhecidos como mujahideen e apoiados por Estados Unidos, Paquistão, China e Arábia Saudita, entre outros países.
O conflito se estendeu por mais de uma década. As tropas soviéticas se retiraram em 1989, mas a guerra civil continuou. Do caos que se seguiu surgiu o grupo chamado Talibã (palavra que pode ser traduzida como “estudantes”).
Como o Talibã ganhou tanta influência?
O grupo avançou inicialmente na região de fronteira entre o sudoeste do Afeganistão e o norte do Paquistão no início da década de 1990 com a promessa de combater a corrupção e melhorar a segurança da população, que vivia no dia a dia os efeitos de uma guerra civil destrutiva.
Meninas afegãs temem serem impedidas de estudar caso o Talibã retome o poder
BBC
Com o crescimento, o grupo passou a introduzir ou apoiar punições a contravenções baseadas na lei islâmica, como execuções públicas de assassinos e de adúlteros condenados e amputações para os considerados culpados do crime de roubo.
Os homens eram obrigados a deixar a barba crescer e as mulheres, a usar a burca, um véu que cobre o rosto e o corpo. Televisão, música e cinema foram proibidos e meninas com mais de 10 anos passaram a enfrentar cada vez mais dificuldades para que pudessem ir à escola.
O Talebã nunca realmente deixou de existir?
No decorrer das últimas décadas, o grupo chegou a passar por momentos de dificuldade que, entretanto, nunca foram duradouros.
Em 2014, no fim do que se desenhava como o ano mais sangrento no Afeganistão desde 2001, as forças internacionais, temendo permanecer no país indefinidamente, encerraram suas missões de combate, deixando para o Exército afegão a missão de lutar contra o Talibã.
Soldados americanos no Afeganistão
BBC
Esse vácuo fortaleceu o grupo, que conseguiu se expandir territorialmente com ataques contra o poder público e alvos civis. Em 2018, uma investigação da BBC apontou que o Talibã estava ativo em cerca de 70% do país.
Quais os custos do conflito?
Mais de 2,3 mil militares americanos foram mortos e mais de 20 mil, feridos. Em termos econômicos, a fatura para o contribuinte nos Estados Unidos chega perto de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões), apontam estimativas.
O maior impacto, contudo, deu-se sobre a população afegã: alguns levantamentos apontam que cerca de 60 mil membros das forças de segurança perderam a vida. Quase 111 mil civis foram mortos ou feridos desde que a Organização das Nações Unidas (ONU) começou a registrar sistematicamente os números de vítimas civis em 2009.
Conflito fez mais de 2 mil vítimas entre militares americanos
Reuters/BBC
Um acordo com o Talibã
Em fevereiro de 2020, os Estados Unidos e o Talebã assinaram um “acordo para trazer a paz” ao Afeganistão que há anos vinha sendo discutido.
Segundo seus termos, os Estados Unidos e seus aliados militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordavam em retirar todas as tropas do território em troca do compromisso do grupo de não permitir que a Al-Qaeda ou qualquer outro grupo extremista operasse nas áreas que controla.
Como parte das negociações em 2020, o Talibã e o governo afegão concordaram em libertar parte de seus prisioneiros. Quase 5 mil militantes talibãs foram liberados ​​nos meses seguintes ao acordo.
Os Estados Unidos também prometeram suspender as sanções contra o grupo. O país negociou diretamente com o Talibã, sem o intermédio do governo afegão.
“Depois de todos esses anos, chegou a hora de trazer os nossos de volta para casa”, disse o então presidente Donald Trump.
Todas as forças americanas estão se retirando?
No início de julho, todos os soldados americanos e de aliados internacionais membros da Otan deixaram a base aérea de Bagram, a principal base militar americana no Afeganistão.
De acordo com a agência Associated Press, contudo, cerca de 650 soldados americanos devem permanecer no país para fornecer proteção a diplomatas e ajudar a proteger o aeroporto internacional de Cabul, um hub de transporte vital para o país.
Qual a situação agora?
Desde que o acordo foi assinado, o Talibã tem dado sinais de que vem apostando em uma estratégia diferente. Os ataques complexos em centros urbanos e postos militares têm dado lugar a uma onda de assassinatos seletivos que tem aterrorizado os civis.
Os militantes têm avançado por vastas áreas do território, ameaçando derrubar mais uma vez o governo em Cabul após a retirada das tropas estrangeiras.
A preocupação com o futuro da capital tem crescido, mas o presidente do país, Ashraf Ghani, tem repetido que as forças de segurança do país são totalmente capazes de manter os insurgentes longe do poder.
A Al-Qaeda segue operando no Afeganistão, enquanto militantes do grupo autodenominado Estado Islâmico também realizaram ataques no país.
Duas décadas no Afeganistão: valeu a pena?
“A resposta depende do seu parâmetro”, afirma o correspondente de segurança da BBC, Frank Gardner.
Fontes da área de segurança disseram à BBC que, desde o início da guerra, não houve um único ataque terrorista internacional bem-sucedido planejado a partir do Afeganistão.
“Assim, baseado apenas pela medida do contraterrorismo internacional, a presença das Forças Armadas estrangeiras teve sucesso em seu objetivo”, completa Gardner.
População civil segue sofrendo com os ataques e atentados do grupo
Reuters/BBC
Duas décadas depois, porém, o Talibã está longe de ser derrotado e segue sendo um grupo com importante poder de combate.
Alguns relatos apontam que o último mês de junho foi um dos mais violentos no país desde a chegada da coalizão liderada pelos Estados Unidos. Centenas de vidas foram perdidas e importantes conquistas foram ameaçadas, já que muitas escolas, prédios do governo e parte da rede de energia foram danificados ou destruídos.
“A Al-Qaeda, o Estado Islâmico e outros grupos extremistas não desapareceram, eles estão se renovando, em parte estimulados pela partida iminente das últimas forças ocidentais remanescentes.”
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Fonte: G1 Mundo

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Restos mortais de marinheiro morto em Pearl Harbor são identificados após quase 80 anos


Ralph C. Battlez, de 25 anos, morreu durante ataque japonês aos EUA na II Guerra Mundial, em 7 de dezembro de 1941, mas apenas agora teste de DNA e análises antropológicas possibilitaram identificação. Ele será enterrado em sua cidade natal, no Alabama. Foto do Centro Histórico Naval dos EUA mostra o USS Arizona, um dos navios bombardeados no ataque japonês a Pearl Harbor, no dia 7 de dezembro de 1941
HO/US Navy Historical Center/AFP
Um marinheiro do Alabama que morreu durante o ataque japonês a Pearl Harbor durante a II Guerra Mundial, há quase 80 anos, foi identificado e será enterrado em sua cidade natal, anunciou o Pentágono na quarta-feira (7).
Um teste de DNA e análises antropológicas foram usadas para identificar os restos mortais do bombeiro de segunda classe da Marinha Ralph C. Battlez, de Boaz, segundo um comunicado da Agência de Defesa.
Battles, de 25 anos, fazia parte da tripulação do USS Oklahoma quando o navio foi atingido por diversos torpedos durante o ataque japonês, em 7 de dezembro de 1941. A embarcação virou, matando Battles e outros 428 tripulantes.
Os restos mortais das vítimas foram recuperados em 1944 e enterrados em cemitérios no Havaí, mas apenas 35 homens foram inicialmente identificados. Os restos das demais vítimas foram exumados em 2015 para análise, e o material pertencente a Battles foi finalmente reconhecido em fevereiro, segundo a agência.
Um funeral será realizado em sua homenagem em 28 de agosto em Boaz, localizada ao nordeste de Birmingham.
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Fonte: G1 Mundo