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Iury Italu é condenado a dez anos de prisão pela morte de Patrícia e pena será cumprida no semiaberto


Jurados desconsideraram quatro qualificadoras e acusação de feminicídio. Ele estava preso desde 2018 e esse tempo foi descontado da pena estabelecida pelo juiz da 1ª Vara Criminal. Iury Italu Mendanha foi condenador por matar Patrícia Aline dos Santos
Divulgação/Polícia Civil
O Tribunal do Júri condenou Iury Italu Mendanha a dez anos de prisão pelo assassinato qualificado da ex-namorada Patrícia Aline dos Santos. Como ele está preso desde 2018, quando o crime aconteceu, poderá cumprir o restante da pena no regime semiaberto. O Ministério Público informou que vai recorrer da sentença.
Iury Italu tinha sido denunciado pelo MPE por cinco qualificadoras, além de feminicídio, mas acabou sendo condenado por apenas uma delas: uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Até mesmo a acusação de feminicídio foi desconsiderada pelos jurados.
O júri também entendeu que ele se enquadra no chamado “homicídio privilegiado”, que conforme a lei penal ocorre quando o crime é praticado por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.
O advogado de defesa Paulo Roberto viu o resultado como satisfatório.
“Nós pedimos a condenação dele em uma pena menor e fomos atendidos. A tese do Ministério Público era que ele fosse condenado com as cinco qualificadoras e mais o feminicídio. O júri não entendeu assim, reconheceu que ele cometeu o crime por homicídio privilegiado e diminuiu a pena. Reconheceu que ele não cometeu feminicídio. A defesa não pretende recorrer”, disse.
Após a decisão dos jurados, o juiz Cledson José Dias Nunes, titular da 1ª Vara Criminal, calculou a pena em dez anos de prisão, mas como Iury Italu estava preso desde 2018 também foi beneficiado pela chamada ‘detração da pena’. Isso significa que o tempo que ele já cumpriu é abatido e desta forma restam menos de oito anos de prisão, tempo que pode ser cumprido no semiaberto.
O crime
Patrícia Aline dos Santos foi encontrada morta em matagal na zona norte de Palmas (TO)
Arquivo Pessoal
O assassinato de Patrícia Aline aconteceu em agosto de 2018. O corpo da jovem foi localizado em um terreno baldio perto de um shopping na região norte da capital. O caso ganhou repercussão em todo o país. Na época, o delegado Israel Andrade disse que a jovem Patrícia Aline dos Santos relatou por meio de mensagens que estava com mau pressentimento, um dia antes de ser assassinada.
“Inclusive, um dia antes de morrer, em uma das mensagens, ela diz: ‘Amiga, eu estou com um mau pressentimento, eu acho que o Iury vai me matar’. A amiga falou para ela procurar a polícia, ela não quis, falou que não queria que chegasse a esse ponto, que iria deixar”, relatou o delegado.
Iury Italu confessou o crime, tanto em um vídeo divulgado pela Polícia Civil do Tocantins como durante o interrogatório perante o juiz na audiência de instrução.
Após o crime, ele ficou escondido durante algum tempo no Maranhão, mas que mudou de ideia e decidiu se entregar. Na época, ele disse que quando foi preso pela Polícia Civil em Campos Lindos, no interior do estado, estava retornando a Palmas para se apresentar.
Durante o interrogatório na audiência de instrução, Iury Italu disse que não tinha planejado o crime, mas que se descontrolou após Patrícia mostrar uma foto que comprovava uma traição.
Adiamentos em sequência
O julgamento de Iury foi adiado por cinco vezes. O Júri Popular chegou a ser marcado para novembro de 2020, mas acabou sendo adiado devido à pandemia de coronavírus. Meses depois, o processo foi suspenso e a defesa pediu anulação, alegando suposta falta de acesso a trechos do inquérito policial. O pedido não foi aceito pela Justiça.
Em 2021, o julgamento seria realizado em agosto, mas foi remarcado outra vez para o dia 16 de novembro. Só que acabou sendo adiado novamente porque no mesmo dia foi realizada a eleição para presidência da Ordem dos Advogados do Brasil.
No dia 29 de novembro, houve outro adiamento porque o advogado de defesa apresentou atestado médico justificando a impossibilidade de comparecer à sessão do Tribunal do Júri.
No começo de fevereiro deste ano, um novo adiamento. Desta vez, porque o promotor do caso foi diagnosticado com Covid-19 e não poderia participar.
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Fonte: G1 Tocantins