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Cantora gospel que morreu no TO vendeu coxinha e fez bazar para gravar primeiro CD: ‘Ela sonhou grande’, diz irmã


Dupla evangélica Ana Clézia e Laudicéia
Divulgação/Andrey Rodrigues
As irmãs e cantoras Ana Clézia e Laudicéia Gomes chegaram a vender coxinha e galinhada, montaram um bazar e uma barraca de guaraná da Amazônia para custear a produção e o lançamento do primeiro CD com músicas autorais. A dupla conquistou o público evangélico palmense, e a morte de Ana Clézia causou comoção na comunidade.
A irmã mais velha morreu aos 38 anos, após passar sete dias internada em Palmas. Ela entrou em coma no dia em que deu entrada no hospital. Ana fazia tratamento para o fígado há 15 anos e também convivia com outras doenças crônicas. Os médicos recomendaram um transplante, mas ela não chegou a realizar o procedimento.
“Ela sempre sonhou alto, tinha uma visão de águia. […] Sempre cantando, no lugar que chegasse, podia dar um violão, “bater” qualquer instrumento que ela já cantava. Ela viveu o mesmo tempo que uma pessoa transplantada vive, e ela foi feliz. Minha irmã foi feliz”, diz Laudicéia.
A irmã conta que Ana era brincalhona e divertida, e que gostava de colocar apelido nos amigos e na família. “A doença, ao longo do tempo, foi tirando isso dela. Ela já não queria mais sair de casa. Mas até ali, em 2025, ela brincava muito”, relata.
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As cantoras rodaram 14 estados do Brasil cantando para públicos evangélicos, participaram de congressos internacionais realizados em Portugal e Itália, e chegaram a cantar no Paraguai no início do ministério musical.
“A gente rompeu muito nesse norte aqui, andando de van, de carro emprestado, tudo para fazer a obra do Senhor. Cantamos em todas as regiões do Brasil. E ela era esse carro forte na minha vida”, conta.
A última agenda oficial da dupla ocorreu em 22 de novembro de 2025. As irmãs já vinham reduzindo as apresentações públicas, por conta, do estado de saúde de Ana.
Vida guiada pela música
As artistas Ana Clézia e Laudicéia conquistaram o público evangélico palmense e consolidaram a carreira com o lançamento de três CDs.
Ao longo dos anos, elas ficaram conhecidas como adoradoras e mantiveram presença constante em igrejas e eventos religiosos nos estados do Tocantins, Bahia, Ceará, Maranhão e Pará.
O repertório da dupla reúne canções como “Deus É Com Você”, “Ele Virá”, “Lindo Céu” e “Não Tem Lógica”. Além dos álbuns físicos, Ana Clézia também investiu no ambiente digital, onde disponibilizava singles e videoclipes em plataformas de streaming.
Dupla evangélica Ana Clézia (à esq.) e Laudicéia (à dir.)
Reprodução/Instagram de Ana Clézia e Laudicéia
Saúde debilitada
Ana recebeu o diagnóstico de doença crônica aos 14 anos de idade. De acordo com Laudicéia, a irmã tinha artrite reumatoide, lúpus, colite e retocolite ulcerativa.
A última internação aconteceu por conta de uma pedra nos rins, no dia 5 de junho. Ela foi levada para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Palmas.
“Deram uma medicação para passar a dor e ela não acordou mais. Três dias depois, ela foi intubada. Ficaram esperando ela acordar daquela encefalopatia normal que ela sempre dava e tentaram fazer hemodiálise no último dia para ver se ela retornava”, explica.
No dia 15 de abril, Ana mostrou aos seguidores alguns momentos de seu tratamento. Nas imagens, ela aparece visivelmente debilitada e com hematomas nas pernas. “Estou viva e vamos pra guerra porque o nosso general é Cristo e Ele nos garante vitória”, escreveu a cantora.
Antes da morte na sexta-feira (5), o estado de saúde de Ana Clézia era considerado grave, segundo boletim médico divulgado na quinta-feira (4). A equipe médica tentou fazer hemodiálise, mas precisou interromper a intervenção devido à instabilidade clínica.
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Fonte: G1 Tocantins