Guilherme Rocha passou a ser investigado pela Corregedoria após falar ao ‘Fantástico’ sobre desvios em obras de infraestrutura. Ele é um dos delegados que foi transferido de cargo enquanto investigava o governo; ato também foi anulado pela Justiça. Entrevista do delegado Guilherme Rocha se tornou alvo da Corregedoria
Reprodução/TV Globo
A Justiça determinou que a Secretaria de Segurança Pública do Tocantins deve arquivar a sindicância aberta pela Corregedoria da Polícia Civil contra o delegado Guilherme Rocha por ele conceder uma entrevista. Rocha falou ao programa ‘Fantástico’, da Rede Globo, sobre a investigação de um esquema de corrupção na Agência Tocantinense de Obras (Ageto). (Reveja a entrevista abaixo)
O juiz entendeu que não havia evidências de que as normas da Polícia Civil foram desrespeitadas. O argumento usado para a abertura do processo foi de que a entrevista foi feita sem a autorização da Diretoria de Comunicação da SSP. Na época, o cargo era ocupado por Shirley Cruz.
Documentos apresentados no processo, no entanto, mostraram que o delegado encaminhou oficio para a então Diretora de Polícia da Capital, Lucélia Marques sobre o assunto. Também consta nos autos que ele avisou a Diretoria de Comunicação em um aplicativo de mensagens que falaria ao ‘Fantástico’.
Em nota, a SSP disse que ainda não foi notificada da decisão e que vai analisar as medidas cabíveis. (veja a nota na íntegra ao fim da reportagem)
Guilherme Rocha é um dos delegados que foi transferido de cargo pelo governador Mauro Carlesse (PSL) enquanto investigava esquemas de corrupção no governo. O ato, de 2019, também foi anulado pela Justiça recentemente. Ele ainda não retornou ao cargo antigo porque a SSP está recorrendo dessa decisão.
O delegado não falou publicamente sobre a decisão judicial, tomada na noite da quinta-feira (12). Em postagens compartilhadas por ele nas redes sociais quando a sindicância veio a tona, ele disse que “A corrupção se fortalece na obscuridade e no silêncio. A publicidade, por meio da imprensa livre (pilar do Estado Democrático de Direito), tem papel fundamental no combate à corrupção”.
A entrevista
No Tocantins, corruptos mantinham caderno com orações em busca de perdão divino
A operação sobre a qual o delegado falou investigava um contrato de R$ 29.259.562,44 entre a Secretaria da Infraestrutura, Cidades e Habitação e a empresa Prime Construções. O objetivo promover obras de manutenção em prédios públicos, como o Palacinho e a Casa Branca, além de obras em rodovias.
O contrato, na época, era de responsabilidade do superintendente de obras da Ageto, Geraldo Pereira da Silva Filho. Após ser escolhida para os serviços, a firma supostamente subcontratou a empresa Proplan, que seria da filha de Geraldo Pereira, para realizar parte dos trabalhos.
Durante as buscas relacionada a operação, a polícia encontrou na casa da família um caderno de orações que tinha confissões à Deus. ‘Somos corruptos e ladrões’, estava escrito em um dos trechos. Na época, a defesa da família de Geraldo Pereira não quis se manifestar sobre as acusações.
Nota da SSP na íntegra
A Secretaria de Estado da Segurança Pública informa que ainda não foi notificada da decisão e, assim que for, irá analisar as medidas cabíveis. Sobre a instauração do procedimento, esclarece que, nos termos da lei, é função precípua do órgão correicional receber e apurar denúncias sobre faltas cometidas por servidores da Secretaria da Segurança Pública, bem como instaurar sindicâncias de ofício, mediante representação de terceiros ou por meio de requisição de autoridades competentes (Art. 45, incisos V e VIII; art. 125, incisos III, IV, VI e XV, do Regimento Interno da SSP-TO e arts. 129 e 177 da Lei n° 3.461/2019).
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Fonte: G1 Tocantins