Novo filme do diretor de ‘Transformers’ é remake de thriller dinamarquês. Jake Gyllenhaal, de ‘Homem-Aranha: Longe de casa’, e Yahya Abdul-Mateen II, de ‘Aquaman’ e ‘Matrix Resurrections’ estrelam o longa O diretor Michael Bay , por mais que seja controverso, conseguiu criar um estilo inconfundível em seus trabalhos. Basta ver cinco minutos de seu longa mais recente, “Ambulância: Um dia de crime”, que todos os seus clichês aparecem na tela:
Muita câmera lenta;
Imagens com o sol nascendo ou se pondo;
Fotografia saturada com cores quentes;
Enquadramentos estranhos;
Excesso de tiros e explosões, mesmo que não façam o menor sentido;
Personagens filmados em poses imponentes e com a bandeira americana ao fundo.
Assista ao trailer do filme “Ambulância: Um dia de crime”
O filme, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (24), pode até agradar aos fãs do cineasta de longas como “Transformers”, “Armageddon” e os dois primeiros episódios da franquia “Bad Boys”, já que possui muitas cenas de correrias e explosões, como Bay gosta de realizar.
Mas a produção, que é um remake do do thriller dinamarquês “Ambulancen” (2005), de Laurits Munch-Petersen e Lars Andreas Pedersen, se prejudica com ineficácia do diretor em saber contar bem uma história sem enterrá-la completamente com seus exageros.
Will (Yahya Abdul-Mateen II) é convencido pelo irmão Danny (Jake Gyllenhaal) a roubar um banco em “Ambulância: Um dia de crime”
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A trama mostra os problemas que o fuzileiro naval Will (Yahya Abdul-Mateen II, de “Aquaman” e “Matrix Resurrections”) encontra para conseguir pagar o tratamento de câncer da esposa, Amy (Moses Ingram), depois de voltar do Afeganistão. Desesperado, ele aceita a proposta do irmão adotivo, Danny (Jake Gyllenhaal, de “O Segredo de Brokeback Mountain” e “Homem-Aranha: Longe de casa”), para roubar US$ 32 milhões de um banco em Los Angeles.
Quando as coisas não saem como o planejado, a dupla, desesperada para fugir da polícia, sequestra uma ambulância e faz de reféns o policial novato Zach (Jackson White), que está ferido e a socorrista Cam Thompson (Eiza González, de “Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw” e “Em Ritmo de Fuga”).
Perseguidos pelas autoridades, Danny e Will fazem de tudo para escapar, ao mesmo tempo em que precisam manter Zach e Cam vivos e impedir que sejam pegos. Mesmo que, no processo, boa parte de Los Angeles vá pelos ares.
“Ambulância: Um dia de crime” tem várias cenas de explosões e perseguições de carros
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Muito barulho por nada
O grande problema de “Ambulância: Um dia de crime” é o seu excesso. Há excesso de cenas com câmera lenta, com carros batendo e explodindo, tiroteios aos montes, sentimentalismo barato e, principalmente, situações que poderiam ser facilmente resolvidas.
Bay as estende acima do limite do aceitável, deixando o filme com um ritmo arrastado e pouco cativante, apesar de ter muitas sequências filmadas em alta velocidade e num volume bem alto.
O som do filme, aliás, é outro problema grave. Tanto a música quanto os efeitos sonoros parecem mal equalizados e podem incomodar ouvidos mais sensíveis. Além disso, a edição de som nem sempre acerta para envolver o espectador.
Um bom exemplo disso é quando entra, inesperadamente, uma versão lenta de “California Dreamin” numa cena de perseguição automobilística acelerada. A ideia não rende o esperado e pode fazer o público se perguntar por que isso aconteceu.
O único momento em que Bay e sua equipe acertam é quando, no meio da perseguição, os dois protagonistas começam a ouvir a canção “Sailing”, de Christopher Cross, e passam a curtir a música, com a polícia em peso atrás deles. Esse é um dos raros pontos nos quais as tentativas de humor do filme funciona, já que a maioria deles não gera nem um sorriso amarelo.
Jake Gyllenhaal protagoniza o filme “Ambulância: Um dia de crime”, de Michael Bay
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Voltas em círculos
Para piorar, o filme dá a impressão de que a fuga de Danny e Will nunca sai do lugar. O trajeto que a ambulância faz parece não ir muito longe, dando voltas em círculos pela cidade. Faltou um pouco mais de capricho para que a produção encontrasse locações diferentes para dar uma sensação maior de distância na perseguição ao veículo.
Além disso, a edição também falha ao dar cortes demais entre as sequências. Tanto que alguns momentos que deveriam ser impactantes nem conseguem ser vistos direito. Um bom exemplo está numa cena que deveria mostrar a destreza de Will como motorista e mal dá para ver a manobra, deixando o expectador sem entender o que aconteceu.
Eiza Gonzalez interpreta a socorrista Cam em “Ambulância: Um dia de crime”
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O roteiro, escrito por Chris Fedak, também não colabora com diálogos bobos e situações forçadas que deixam os personagens ainda mais desinteressantes, a ponto do público não se importar com o destino dos personagens. Principalmente a dupla de protagonistas, mesmo forçando um pouco a barra para mostrar um deles mais “bonzinho” do que o outro.
Com esse material abaixo da média, o elenco não tem muito que fazer. Jake Gyllenhaal já teve dias melhores como ator e não consegue sair da caricatura do ladrão desequilibrado, ainda que possa fazer algumas coisas boas.
Já Yahya Abdul-Mateen II até busca dar alguma dignidade a Will, mesmo quando submetido a falas abaixo da média. Eiza Gonzalez, pelo menos, se se sai bem como Cam e é a única que demonstra angústia com a situação que sua personagem vive.
Com um desfecho completamente anticlimático por causa da decisão do diretor de espichar as cenas ao máximo e uma duração acima do necessário, “Ambulância: Um dia de crime” tinha tudo para ser um thriller bastante eficiente graças aos competentes profissionais envolvidos nessa produção.
Mas a egotrip de Michael Bay (que chega a fazer referências a seus filmes anteriores) põe tudo a perder e transforma o longa num sério candidato a Framboesa de Ouro 2023. E olha que o ano está apenas começando.
Danny (Jake Gyllenhaal) e Cam (Eiza Gonzalez) num momento de tensão em “Ambulância: Um dia de crime”
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Fonte: G1 Entretenimento