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Reunião do presidente do BRB com distritais passa das oito horas; deputados seguem reticentes com projeto para capitalizar banco


Presidente do BRB se reúne com deputados distritais para defender projeto que reforça caixa do banco
Deputados distritais passaram o dia reunidos com o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, mas não chegaram a um consenso sobre a aprovação do projeto de lei que prevê a utilização de nove imóveis como garantia do BRB.
Até as 19h40, o encontro ainda não tinha acabado e ultrapassava as oito horas de duração – já descontado o intervalo para almoço.
A reunião foi marcada por uma clima tenso, diante de dúvidas levantadas pelos parlamentares e da falta de confiança para votar a proposta.
Um dos principais pontos de questionamento foi a ausência, nos anexos do projeto, do documento com os valores de cada um dos terrenos.
Segundo parlamentares, essas informações só foram conhecidas porque a Terracap enviou os dados diretamente aos deputados — fato que gerou reclamações da oposição durante a reunião.
O tema será discutido no Colégio de Líderes marcado para esta terça-feira, às 14h, quando será decidido se o projeto entra ou não na pauta de votação.
A sessão ordinária da Câmara Legislativa está prevista para as 15h desta quarta. Há chances, no entanto, de que a votação fique para a próxima semana.
Presidente do BRB detalha situação do banco na Câmara Legislativa
Oposição não vê ‘clima’ para votar
Pela manhã, o deputado Fábio Félix afirmou “não haver clima” para que o projeto seja votado ainda nesta semana.
Ele disse que, ao longo das discussões, ninguém confirmou qual seria o tamanho do prejuízo no banco e destacou que o maior problema da proposta é a falta de números fechados.
De acordo com o parlamentar, não há valores ‘cravados’ que deem segurança para a análise do texto.
O deputado distrital Gabriel Magno (PT) afirmou que o próprio governo admite que o projeto funciona como um “cheque em branco”, ao prever uma série de possibilidades para socorrer o BRB que não estão descritas no texto da proposta.
Segundo ele, na reunião foram citadas alternativas como venda de ativos, inclusive subsidiárias, tomada de empréstimos e outras medidas financeiras que não constam formalmente no projeto enviado à Câmara Legislativa.
Governo do DF apresenta novo projeto para tentar socorrer o BRB, investigado no caso Master
Jornal Nacional/ Reprodução
Ele afirmou que o cenário ainda é “misterioso” e que há indicações de que a dívida seja maior do que o patrimônio do BRB, sem que isso esteja claramente detalhado em documentos oficiais.
O deputado também relatou que o secretário de Economia mencionou, durante a reunião, a possibilidade de o Tesouro do Distrito Federal entrar na operação, o que poderia elevar significativamente o endividamento do DF.
➡️ Segundo Gabriel Magno, a dívida atual gira em torno de R$ 2 bilhões, mas poderia triplicar caso essa alternativa fosse adotada.
Apesar do impacto fiscal, ele afirmou que não foi explicado como isso seria feito nem quais seriam os procedimentos.
Gabriel Magno chamou atenção ainda para dispositivos já previstos, como a autorização para capitalizar o BRB em até R$ 720 milhões e a possibilidade de aumento do capital social do banco, que, segundo ele, poderia chegar a R$ 8,9 bilhões.
Como o GDF é o acionista majoritário, com 53% das ações, teria de aportar cerca de R$ 5 bilhões para manter essa participação ou vender ações no mercado — hipótese que, na avaliação do parlamentar, abre margem para um processo de privatização.
Embora o governo tenha afirmado que não há intenção de privatizar o BRB, deputados consideraram contraditório admitir a possibilidade de venda de subsidiárias.
Para Gabriel Magno, a alienação de subsidiárias faz parte de um processo de privatização e reforça a falta de coerência do discurso oficial.
Os parlamentares também criticaram o fato de a reunião ocorrer novamente sem a entrega de documentos.
Magno comparou o encontro a reuniões anteriores, inclusive com o ex-presidente do banco, Paulo Henrique, que, segundo ele, também ocorreram a portas fechadas, sem apresentação de dados concretos, mas com pedidos de votação rápida.
Os deputados questionaram ainda por que o projeto precisa ser votado até o fim de março, prazo relacionado à entrega do balanço do banco. Conforme relatado por Gabriel Magno, a resposta foi que houve um acordo com o Banco Central para antecipar a apresentação do balanço no primeiro trimestre, o que aumentaria a pressão pela aprovação da proposta.
Por fim, Gabriel Magno questionou a narrativa apresentada de que o BRB seria “vítima” da situação atual. Segundo ele, decisões foram tomadas, compras foram autorizadas e responsabilidades precisam ser identificadas.
Para o deputado, não é razoável pedir confiança dos parlamentares sem documentos, informações claras e transparência sobre quais instrumentos serão usados para salvar o banco e qual será o impacto real para o Distrito Federal.
Dúvidas também na base aliada
O deputado João Cardoso (Avante) reforçou que ainda há muitos questionamentos e dúvidas a serem esclarecidos antes de qualquer deliberação.
“Tudo isso tem que ser muito bem esclarecido para que algo possa ser feito. Espero que saia uma solução para o BRB. E também aquilo, se tiver realmente uma questão de má gestão ou alguma coisa que foi feita dentro da legalidade, que as pessoas que cometeram a ilegalidade sejam punidas através de uma investigação”, afirmou.
Diante do cenário, a avaliação entre os deputados é de que o projeto ainda não reúne as condições necessárias para ser votado.
O deputado distrital Joaquim Roriz Neto (PL), da base governista, comparou a situação do BRB à de um “paciente com a perna necrosada”. De acordo com Joaquim Roriz Neto, apesar de não serem as soluções ideais, algumas medidas duras podem ser inevitáveis para evitar um cenário ainda mais grave. “A situação é cortar a perna”, afirmou, ao defender que algo precisa ser feito para salvar o banco.
O parlamentar também alertou para a possibilidade de privatização do BRB caso não haja avanço nas decisões até o fim do mês. Segundo ele, esse cenário pode se concretizar se não houver um movimento concreto para enfrentar a crise. “Se não, o BRB vai falir”, declarou.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Fonte: G1 Entretenimento

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Confissões sobre Alcione, ‘uma das maiores cantoras do mundo’


Alcione é ovacionada pelo público ao participar da estreia do show ‘Infinito samba’, de Diogo Nogueira
Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio
♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR
♬ Fiquei feliz de rever Alcione na estreia nacional do show “Infinito samba”, de Diogo Nogueira, ontem, 1º de março. A cantora não estava na plateia da casa Vivo Rio para assistir à primeira apresentação da turnê que seguirá para São Paulo (SP) na sexta-feira, 6 de março. Convidada de Diogo, a cantora participou do show e foi ovacionada ao aparecer no palco da casa Vivo Rio para cantar “Sufoco” (Chico da Silva, 1977), um dos maiores sucessos da carreira, com o filho de João Nogueira (1941 – 2000).
Embora com a mobilidade já reduzida, a Marrom – como Alcione é carinhosamente conhecida no meio musical – estava com a voz tinindo. E com fôlego. Soube até que, após a participação no show de Diogo, a cantora ainda foi dar pinta e canja no Sambay, a primeira roda de samba armada para a comunidade LGBTQIA+ na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A Marrom é uma das musas dos gays há décadas, sendo inclusive muito imitada pelas transformistas.
Há quase 40 anos no exercício contínuo da crítica musical, eu já tive problemas com Alcione por conta de resenhas de discos e shows. Até ficamos anos sem nos falar depois que ela me descascou em público, no palco do Teatro Rival, em novembro de 1992, na estreia do show “Pulsa coração” (o motivo do desacato foi a resenha do álbum homônimo que eu publicara no jornal “O Globo”). Mas tudo isso sumiu na poeira da estrada porque faz parte do show…
Nem sempre gosto dos repertórios dos discos de Alcione, por achar que tem muita música inferior à intérprete. A discografia dela está longe de ser irretocável dos anos 1990 para cá, mas sempre admirei a voz única, inimitável, dessa maranhense de personalidade forte como a voz. Sim, Alcione é “uma das maiores cantores do mundo”, como saudou Diogo Nogueira ontem à noite no palco da casa Vivo Rio.
O fato é que Alcione já transcendeu questões de gosto. Aos 78 anos, a artista já personifica uma entidade e, como tal, vem sendo louvada a cada aparição pública. Ontem não foi diferente no palco da casa Vivo Rio e, vendo Alcione cantar com Diogo, eu me toquei de que, da tríade de cantoras que formavam o ABC do samba na década de 1970, ela se tornou a mais longeva.
Clara Nunes (1942 – 1983), de quem Alcione sempre foi muito amiga, saiu precocemente de cena, aos 40 anos. Há sete anos, foi a vez de Beth Carvalho (1946 – 2019) enlutar o mundo do samba após uma década entre idas e vindas do hospital, deixando uma discografia, essa sim, irretocável.
Alcione está aí, com a voz que, em 1975, foi apresentada como “a voz do samba” no título do primeiro álbum da cantora. A rigor, Alcione é a voz do samba, do bolero, da canção… Alcione canta de tudo porque é cantora diplomada na escola da noite e, além de saber tocar um instrumento (toca trompete), tem uma divisão que é somente dela. Como se o samba encontrasse o blues…
Enfim, Alcione é Alcione. E isso já diz tudo. Uma das maiores cantoras do mundo.

Fonte: G1 Entretenimento

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Eric Dane morreu por insuficiência respiratória causada por Esclerose Lateral Amiotrófica


Eric Dane em ‘Grey’s Anatomy’
Reprodução
O ator Eric Dane morreu por causa de uma insuficiência respiratória causada pela Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), segundo o certificado de óbito divulgado pela revista “People”, nesta segunda-feira (2).
Conhecido por séries como “Grey’s anatomy” e “Euphoria”, o americano morreu no dia 19 de fevereiro, aos 53 anos — menos de um ano depois de revelar o diagnóstico da doença.
“Ao longo de sua jornada com a ELA, Eric tornou-se um defensor apaixonado da conscientização e da pesquisa, determinado a fazer a diferença para outros que enfrentam a mesma batalha. Ele fará muita falta e será lembrado com carinho para sempre. Eric adorava seus fãs e é eternamente grato pela demonstração de amor e apoio que recebeu”, afirmou a família do ator, em comunicado, ao anunciar sua morte.
“Ele passou seus últimos dias cercado por amigos queridos, sua dedicada esposa e suas duas lindas filhas, Billie e Georgia, que eram o centro de seu mundo.”
O ator tornou a doença pública em abril de 2025. Na época, ele gravava a série “Euphoria”.
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Trajetória
Dane nasceu em 9 de novembro de 1972, na Califórnia, onde foi criado. Filho de um militar da Marinha, perdeu o pai aos 7 anos, vítima de um ferimento por arma de fogo. Depois de concluir o ensino médio, mudou-se para Los Angeles decidido a investir na carreira artística. No início, fez participações especiais em produções como Saved by the Bell, Married… with Children e Charmed, além de atuar no filme X-Men: The Last Stand. Também integrou o elenco por uma temporada do drama médico Gideon’s Crossing, que teve curta duração.
O reconhecimento nacional veio em meados dos anos 2000, quando foi escolhido para interpretar o Dr. Mark Sloan, o “McSteamy”, no drama médico da ABC Grey’s Anatomy. Ele deu vida ao personagem entre 2006 e 2012, retornando ao papel em 2021. Anos depois, em 2019, surpreendeu o público ao assumir um registro completamente diferente como Cal Jacobs, um homem casado e atormentado, na série da HBO Euphoria, personagem que interpretou até o fim da vida.
Na televisão, também protagonizou The Last Ship, da TNT, vivendo Tom Chandler, capitão de um destróier da Marinha dos Estados Unidos que enfrenta o colapso global provocado por uma catástrofe que elimina grande parte da população mundial.
Em abril de 2025, o ator revelou que havia sido diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que compromete progressivamente as células nervosas responsáveis pelos movimentos musculares.
A ELA provoca a deterioração das conexões necessárias para funções básicas como andar, falar e respirar. Em geral, a expectativa de vida após o diagnóstico varia de três a cinco anos.
Após tornar público o diagnóstico, Dane passou a atuar na conscientização sobre a doença e chegou a testemunhar em Washington sobre autorizações prévias exigidas por planos de saúde. “Alguns de vocês podem me conhecer por séries de TV, como “Grey’s Anatomy”, na qual interpreto um médico. Mas estou aqui hoje para falar brevemente como um paciente lutando contra a ELA”, disse ele em junho de 2025. Meses depois, em setembro, a ALS Network concedeu a ele o título de defensor do ano, destacando seu empenho em ampliar o debate e o apoio às pessoas que convivem com a ELA.
O livro de memórias do ator tem lançamento previsto para 2026. “Book of Days: A Memoir in Moments” será publicado pela The Open Field, selo da Penguin Random House. Segundo a editora, a obra revisita passagens marcantes de sua trajetória, desde o primeiro dia nos estúdios de “Grey’s Anatomy” até o nascimento das filhas e o momento em que recebeu o diagnóstico da doença.
“Quero capturar os momentos que me moldaram — os dias belos, os difíceis, aqueles que nunca deixei de valorizar — para que, se nada mais, as pessoas que lerem se lembrem do que significa viver com o coração”, disse Dane em comunicado divulgado na época do anúncio do livro. “Se compartilhar isso ajudar alguém a encontrar significado em seus próprios dias, então minha história vale a pena ser contada.”
O que é a esclerose lateral amiotrófica (ELA)
De caráter progressivo, a esclerose lateral amiotrófica (ELA), também conhecida como doença de Lou Gehrig, afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo e causa a perda do controle muscular.
Isso gera a curto e médio prazo enfraquecimento dos músculos, contrações involuntárias e incapacidade de mover os braços, as pernas e o corpo.
A Ela começa geralmente com espasmos musculares e fraqueza em um braço ou perna, dificuldade para engolir ou fala arrastada, mas à medida que progride, afeta profundamente a capacidade de se mover, falar e até respirar.
Um dos portadores da doença mais conhecidos mundialmente foi o físico britânico Stephen Hawking, que descobriu o problema aos 21 – quando os médicos chegaram a dizer que ele teria apenas alguns anos a mais de vida.

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Todo Mundo em Pânico 6’ ganha trailer com retorno dos irmãos Wayans e referência a ‘Wandinha’

Veja o trailer de ‘Todo Mundo em Pânico 6’
Foi divulgado, nesta segunda-feira (2), o primeiro trailer de “Todo Mundo em Pânico 6”, primeiro filme da franquia de humor após hiato de 13 anos.
O novo filme da franquia de paródia de terror inclui rostos conhecidos como os de Anna Faris e Regina Hall — que estrelaram os quatro primeiros. Elas retornam ao lado de Marlon e Shawn Wayans.
O trailer traz referências de outros filmes e séries do gênero de terror, como “Corra!”, “M3GAN”, “Wandinha” e, claro, da franquia “Pânico”. O clássico do terror inspirou o primeiro filme.
O trailer também parece sugerir que o filme trará piadas com a política e a cultura “woke”, com um personagem corrigindo os pronomes de outro enquanto é esfaqueado. Também aparece no trailer um slogan prometendo que “todos os limites serão ultrapassados”.
O filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 4 de junho.

Fonte: G1 Entretenimento

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Letrux apresenta o quarto álbum solo feito em estúdio, ‘Sad sexy silly songs’


Capa do álbum ‘Sad sexy silly songs’, de Letrux
Bruna Latini com arte de Pedro Colombo
♫ NOTÍCIA
♬ Mantendo a média de um álbum solo de estúdio a cada três anos, a cantora e compositora carioca Letrux anuncia nesta segunda-feira, 2 de março, o quarto título da discografia solo gravada em estúdio.
O álbum se chama “Sad sexy silly songs” e tem lançamento programado para 27 de março – a última sexta-feira do mês – em edição do selo Coala Records.
Sucessor de “Letrux em noite de climão” (2017), “Letrux aos prantos” (2020) e “Letrux como mulher girafa” (2023), o álbum “Sad sexy silly songs” foi formatado com produção musical de Thiago Rebello.
Assinada por Pedro Colombo, a capa do álbum mostra Letrux em foto de Bruna Latini.

Fonte: G1 Entretenimento

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Diogo Nogueira evolui entre a gafieira e o pagode no balanço de ‘Infinito samba’


Diogo Nogueira estreia na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro, o show ‘Infinito samba’, cuja turnê seguirá por outras capitais do Brasil
Lucas Teixeira / RT Fotografia / Divulgação
♫ CRÍTICA DE SHOW
Título: Infinito samba
Artista: Diogo Nogueira
Data e local: 1º de março de 2026 na casa Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ “Infinito samba” é o show mais ambicioso de Diogo Nogueira no que diz respeito à produção. Em cena, o cantor carioca divide o palco com a própria banda, a Orquestra MPB Jazz e os bailarinos da companhia de dança do coreógrafo Leandro Azevedo em turnê que seguirá por várias capitais do Brasil após ter estreado no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, domingo, 1º de março.
A ideia de celebrar o samba em todas as vertentes em roteiro que vai da gafieira à roda de pagode ao estilo Fundo de Quintal, passando pelo batuque seminal do samba da Bahia, pelo partido alto e pelo sambalanço, está longe de ser original. Contudo, calcado no carisma do artista junto ao público feminino e na força da voz que já em nada lembra o cantor titubeante de 20 anos atrás, Diogo Nogueira consegue prender a atenção da plateia sem se perder diante da grandiosidade da produção e sem anular o sentimento.
A emoção inclusive se impõe em cena no dueto virtual de Diogo com o pai João Nogueira (1941 – 2000) em “Espelho” (1977) e no encontro com o filho, Davi Nogueira, na sequência imediata, para dividir o canto de “Além do espelho” (1992), perpetuando a dinastia.
Diogo Nogueira estreia show com orquestra, bailarino e projeções de imagens associadas ao samba
Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio
Turbinado com projeções de imagens que potencializam a sensação de suntuosidade alimentada pela produção, “Infinito samba” é show longo que roça as três horas de duração e – a julgar pela apresentação que lotou a casa Vivo Rio na estreia nacional da turnê – deixa por vezes a sensação de que uma ou outra música sobra no roteiro.
São os casos de “Coisas do amor (Me chama)” (Diogo Nogueira, Claudemir e Rodrigo Leite, 2025) – tentativa vã de evocar o sentimento soul das grandes baladas do repertório de Tim Maia (1942 – 1998) – e da deslocada abordagem do funk melody “Garota nota 100” (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1998), sucesso de MC Marcinho (1977 – 2023), com toque de samba. E até mesmo do canto de “Olha” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1975) na cadência de samba-canção meio bolero – número romântico que parece ter sido criado para atiçar o séquito feminino do cantor.
Ainda assim, verdade seja dita, “Infinito samba” se firma como um dos grandes momentos da trajetória de Diogo Nogueira nos palcos. Sob a direção musical de Jota Moraes, Diogo Nogueira rege um show em que a orquestra cai no balanço do samba em vez de fazer o samba se enquadrar na moldura sinfônica.
Diogo Nogueira faz dueto com o filho, Davi Nogueira, na música ‘Além do espelho’
Rodrigo Goffredo
Com 52 músicas alocadas ao longo de 29 números, contando com o bis que inclui o festivo hit “Pé na areia” (Rodrigo Leite, Diogo Leite e Cauíque, 2016), pedido pelo público, o roteiro do show “Infinito samba” abre com o canto a capella de “Para ver as meninas” (1971), aquele samba em que Paulinho vislumbra o infinito com o poder da criação.
Desse belo ponto de partida em diante, Diogo encadeia sucessos próprios e alheios entre algumas músicas inéditas como “Joga na minha cara” (2026) e “Todo apaixonado tem um plano” (2026).
Música situada entre o sambalanço e o pagode dos anos 1990, “Joga na minha cara” prepara o clima para que o palco se transforme em salão de gafieira com a entrada dos bailarinos enquanto Diogo canta “Noites a bailar” (2026) – típico samba de gafieira – e “Domingo” (Alexandre Pires e Fernando Pires, 1993), um dos primeiros sucessos do grupo de pagode Só pra Contrariar.
Em “Quem vai chorar sou eu” (Serginho Meriti e Rodrigo Leite, 2013), Diogo Nogueira dança com os bailarinos em movimento que se afina com o balanço do medley posterior que encadeia os sambas “Sem compromisso” (Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro, 1944), “Sou eu” (Ivan Lins e Chico Buarque, 2009) e “Batendo a porta” (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1974).
Diogo Nogueira interage no show ‘Infinito samba’ com os bailarinos da companhia de dança do coreógrafo Leandro Azevedo
Rodrigo Goffredo
Entre o discurso social de “Uma saudade” (2026), samba lento sobre o luto imposto às famílias que perdem entes queridos na violência cotidiana da selva das cidades, e a armação de roda de samba ao estilo Fundo de Quintal (momento feito somente com a banda do cantor, sem a orquestra), Diogo Nogueira procura cair no suingue de Jorge Ben Jor com “Menina mulher da pele preta” (1974) e “Mas que nada” (1963), este um samba que sempre surte efeito na plateia.
Entre reverências a Alcione (convidada da estreia em dueto com o anfitrião no hit “Sufoco”, música de Chico da Silva lançada pela cantora em 1977), Beth Carvalho (1946 – 2019), Clara Nunes (1942 – 1983) e Martinho da Vila, de quem o cantor rebobinou “Disritmia” (1974), o show “Infinito samba” celebra o gênero e os bambas em roteiro calcado em sucessos geralmente infalíveis enquanto firma a força popular de Diogo Nogueira e mostra a evolução do cantor com produção opulenta orquestrada sob direção artística de Rafael Dragaud.
Justiça seja feita, aos 44 anos, 20 anos após ter se lançado como cantor profissional em 2006, fazendo o circuito de casas de samba da Lapa (bairro boêmio do Centro da cidade do Rio de Janeiro), Diogo Mendonça Nogueira já fez o próprio nome na história do samba, sem depender da herança nobre do pai que jamais deixou de reverenciar em cena.
Alcione canta ‘Sufoco’ com Diogo Nogueira na estreia do show ‘Infinito samba’ na casa Vivo Rio
Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio

Fonte: G1 Entretenimento

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Shakira bate recorde de público ao reunir mais de 400 mil pessoas em show gratuito no México


Shakira bate recorde de público ao reunir mais de 400 mil pessoas em show gratuito no México
REUTERS/Quetzalli Nicte-Ha
Neste domingo (1º), Shakira fez história na Cidade do México ao reunir mais de 400 mil pessoas em um show gratuito no Zócalo, a maior praça pública da América Latina, quebrando o recorde absoluto de público do local, segundo informações do “El País”.
Depois de fazer 13 shows com ingressos esgotados em um estádio do México, a cantora se apresentou de graça no Zócalo. “O amor e a amizade que tenho com o México são incomparáveis”, falou durante a apresentação.
Segundo o jornal, dois dias antes do show, grupos de fãs acamparam no local para conseguir os melhores lugares. A colombiana postou uma foto em suas redes sociais mostrando o local lotado, com pessoas se protegendo do sol escaldante. “Sou muito grata por tudo que vocês fazem por mim. Esta noite, prometo dar tudo de mim”, escreveu.
Shakira bate recorde de público ao reunir mais de 400 mil pessoas em show gratuito no México
REUTERS/Luis Cortes
Uma fonte da publicação afirmou que Shakira estava nervosa antes da apresentação. “Ela sabe que este pode ser o show mais importante da sua carreira. E ela quer retribuir ao público mexicano todo o apoio que recebeu ao longo da sua trajetória”, disse a fonte.
O repertório do show no Zócalo incluiu: “La Huesera”, “Inevitable”, “Puntería”, “Hips Don’t Lie”, “Soltera”, “Si te vas”, “¿Dónde estás corazón?”, “Antología”, “Que Fluya”, “Whenever, Wherever”, “Waka Waka (This Time for Africa)”, “Loba” e “BZRP Music Session #53”.
“Obrigada, México. Por esta noite e por todas as noites. Obrigada por serem minha família. Eu amo vocês”, disse a cantora ao finalizar o show.
Shakira bate recorde de público ao reunir mais de 400 mil pessoas em show gratuito no México
REUTERS/Quetzalli Nicte-Ha
Shakira bate recorde de público ao reunir mais de 400 mil pessoas em show gratuito no México
REUTERS/Luis Cortes
Show em Copacabana
Depois de Madonna e Lady Gaga, Shakira vai se apresentar na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no dia 2 de maio.
A cantora já fez mais de 40 apresentações no Brasil ao longo de sua carreira, incluindo o encerramento da Copa do Mundo no Maracanã.
A última vez que ela veio ao Brasil foi em fevereiro de 2025, para estrear a turnê “Las Mujeres Ya no Lloran” com datas no Rio e em São Paulo. A turnê é a primeira dela em sete anos e, até o momento, tem datas marcadas até abril.
Shakira fala pela 1ª vez sobre show em Copacabana: ‘Concerto mais sonhado da minha vida’

Fonte: G1 Entretenimento

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Salas de cinema morrem se tivermos apenas streaming, diz favorito ao Oscar de coadjuvante


Assista ao trailer de ‘Valor sentimental’
Stellan Skarsgard surfa uma temporada de premiações triunfal graças ao seu recente “Valor Sentimental”, o aclamado filme norueguês que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar como ator coadjuvante.
O sucesso do filme, que concorre em nove categorias do Oscar, não o pegou de surpresa, e o ator sueco o atribui, em parte, à sua permanência nas salas de cinema.
“‘Valor Sentimental’ teve uma longa vida nas salas de cinema, e cresce cada vez mais. Cresce pelo boca a boca das pessoas que o veem e gostam”, disse Skarsgard, de 74 anos, à agência France Presse. “Não cresce porque as agências de publicidade dizem que é preciso vê-lo. E é assim que eu gosto que seja”, acrescentou o prolífico ator, com mais de 150 filmes em seus quase seis décadas de carreira.
O ator sustenta que o cinema é o meio natural dos filmes e que, assim como a boa gastronomia, eles devem ser saboreados com calma.
“Na culinária, há algo chamado comida lenta, que é muito bom”, disse Skarsgard, referindo-se ao movimento que surgiu na Europa em 1989 em resposta ao fast food. “Que tal uma distribuição lenta dos filmes para deixar que cresçam de forma natural porque as pessoas gostam deles?”, questionou.
Sob a direção de Joachim Trier (“A Pior Pessoa do Mundo”), Skarsgard interpreta Gustav Borg em “Valor Sentimental”, um cineasta renomado que tem uma relação tensa com sua filha atriz, interpretada pela também indicada Renate Reinsve.
Pai de oito filhos, seis dos quais seguiram seus passos nas telas, Skarsgard já brincou sobre como sua própria vida real o ajudou na preparação para o papel pelo qual já ganhou um Globo de Ouro, entre outros reconhecimentos. as ele aproveita a atenção que recebe para enfatizar o futuro da indústria.
Um ator ‘otimista’
Stellan Skarsgard e Genevieve O’Reilly em cena de ‘Andor’
Divulgação
A batalha entre as salas de cinema e o streaming vai além de uma preferência de consumo, opina Skarsgard. “Tudo está se tornando a mesma coisa em todo o mundo. Somos propriedade das mesmas pessoas, e isso é uma ameaça à diversidade de qualquer tipo de arte”, disse. “As salas de cinema morrem se tivermos apenas streaming.”
Apesar desse cenário, o ator se define como “otimista” graças ao sucesso de “Valor Sentimental”, que também atribui à globalização do cinema. “Este filme é um bom exemplo do que você pode fazer com o cinema. Claro que não pode ser apreciado no iPad, mas o que é importante é romper com essa tendência de unificar o capital, de que o capital se acumule nas mesmas mãos”, comentou.
Para o ator, os filmes são uma “matéria-prima cultural que beneficia a sociedade”.
Sorridente, afável e ponderado ao falar, Skarsgard conversou com a France Presse durante o tradicional almoço que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas oferece aos indicados ao Oscar todos os anos, e que desta vez foi realizado em 10 de fevereiro, em Beverly Hills.
O ator não escondeu seu entusiasmo por participar do evento ao lado de colegas e outros profissionais do cinema, “alguns dos melhores do mundo”.
Skarsgard também refletiu sobre como o mercado internacional ganhou peso pouco a pouco diante do americano, uma mudança que ele observou ao longo das quase seis décadas de carreira que começou em sua terra natal, a Suécia.
E isso se torna evidente nas atuais indicações ao Oscar, com dois filmes em língua estrangeira (“Valor Sentimental” e o brasileiro “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho) saindo da categoria internacional para competir pela tão cobiçada estatueta de melhor filme, prêmio tradicionalmente concedido a produções americanas.
Para o futuro, o que o também produtor espera é que os filmes retornem ao seu habitat natural. “Quero ver os filmes de volta às salas de cinema”, disse. “E quero que as pessoas voltem às salas de cinema”.
A 98ª cerimônia do Oscar será realizada no dia 15 de março, em Hollywood.

Fonte: G1 Entretenimento

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A campanha do brasileiro Adolpho Veloso pelo Oscar: ‘A única coisa que não faço e político faz é comer pastel e abraçar criança’


O diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso, que concorre ao Oscar
Daniel Schaefer/Divulgação/Via BBC
Ir à sua própria festa de aniversário sem conhecer nenhum convidado. É assim que o diretor de fotografia Adolpho Veloso descreve a experiência de fazer campanha em busca de seu primeiro Oscar, premiação na qual concorre com o filme Sonhos de Trem, da Netflix, dirigido por Clint Bentley.
Paulistano de 36 anos radicado em Lisboa, Veloso tem feito há meses quase o mesmo périplo que Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho, protagonista e diretor do filme O Agente Secreto, em busca de uma estatueta dourada.
Apesar de não ter o rosto estampado em capas de revistas como Moura, a experiência é parecida, ele diz. Envolve dar entrevistas quase todos os dias, em idiomas diferentes e em vários países — como esta que concedeu à BBC News Brasil em uma passagem por Londres na última semana.
Há ainda uma série de almoços, jantares e sessões de perguntas e respostas após a exibição de seu filme, em geral organizadas para receber integrantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que escolhem os vencedores.
A votação começou na quinta-feira (26/02) e se estende até a próxima semana. Ainda dá tempo, portanto, de ampliar a campanha. A experiência, ele compara, assemelha-se à de um candidato à Presidência da República às vésperas das eleições.
“A única coisa que eu não faço e político faz é comer pastel e abraçar criança, porque o resto estou fazendo tudo. É um trabalho de campo, muito mais difícil do que filmar. Fazer um filme é muito difícil, mas é minha zona de conforto”, afirma.
O diretor de fotografia Adolpho Veloso e o ator Joel Edgerton nas filmagens de Sonhos de Trem
Daniel Schaefer/Divulgação Netflix/via BBC
De São Paulo para Hollywood
Veloso é calejado por décadas na indústria audiovisual, tendo trabalhado com publicidade, videoclipes, curtas-metragens e outros formatos no Brasil. Sonhos de Trem, porém, coroa os primeiros passos de sua carreira internacional, que começou a ser desenvolvida há cerca de cinco anos.
O filme acompanha um lenhador e operário no oeste dos Estados Unidos, do fim do século 19 até meados do século 20, enquanto ele ajuda a construir, com suor e sangue, o país que se conhece hoje.
Mais introspectivo, o longa-metragem tem justamente na fotografia um de seus principais méritos, segundo a crítica especializada, por fundir de forma orgânica os dramas do protagonista aos do cenário — outro personagem da película em constante transformação.
O papel de Veloso foi fundamental para a estética do filme, visto que, no set de filmagens, era sua função definir elementos como enquadramentos, movimentos de câmera e iluminação da película.
Mas ele diz acreditar que é pequena sua chance no Oscar, cuja cerimônia será realizada no dia 15 de março, em Los Angeles, pois neste ano a competição está acirrada.
Ele concorre com Pecadores, estrelado por Michael B. Jordan; Uma Batalha Após a Outra, aposta do ano de Leonardo DiCaprio; Marty Supreme, que pode enfim levar à premiação de Timothée Chalamet; e Frankenstein, trabalho de Guillermo Del Toro com Jacob Elordi.
“Todos têm no mínimo dez vezes mais orçamento do que a gente teve”, ele diz. “A favorita é (a americana) Autumn Durald, de Pecadores. Seria histórico. A primeira mulher a ganhar um Oscar de fotografia. Foi também a primeira a fotografar um filme em Imax. Está rompendo muitas barreiras.”
Mas a esperança persiste. “O que me disseram é que, se eu não fizesse nada, teria 0% de chance; se fizesse tudo o que me pedissem, teria 5%”, ele diz, entre risos. “Mas, ao mesmo tempo em que é impossível chegar sem uma campanha, todo mundo está fazendo campanha. Entre todo mundo, provavelmente o trabalho fale mais alto.”
Cena do filme Sonhos de Trem
Divulgação/Netflix/Via BBC
Leia abaixo a entrevista, na qual Veloso comenta ainda o momento atual do cinema brasileiro, as chances de O Agente Secreto na premiação, o uso de inteligência artificial nas artes e os entroncamentos de Sonhos de Trem com a política americana.
BBC News Brasil — Como tem sido sua campanha pelo Oscar?
Adolpho Veloso — A única coisa que eu não faço e político faz é comer pastel e abraçar criança, porque o resto estou fazendo tudo. É um trabalho muito mais difícil do que filmar. Você vai em um almoço que fizeram para você conhecer os votantes, são pessoas que você admira, mas é uma situação um pouco forçada para conquistar um voto. Tenho tentado tirar o melhor disso, que é conhecer as pessoas e ouvir o que elas têm a dizer em vez de ficar só pedindo ‘vote em mim’. Fazem uma festa para o filme, você e seu trabalho, só que você não conhece ninguém. É como se fosse seu aniversário, só que com um monte de convidados que você nunca viu na vida.
BBC News Brasil — Dito isso, até que ponto o Oscar premia a qualidade e até que ponto recompensa a campanha de marketing?
Veloso — Não faço a menor ideia, mas você não consegue chegar a uma indicação sem campanha. É preciso que as pessoas assistam ao filme e simpatizem com você. O que me disseram é que, se eu não fizesse nada, teria 0% de chance; se fizesse tudo o que me pedissem, teria 5%. Mas, ao mesmo tempo em que é impossível chegar sem uma campanha, todo mundo está fazendo campanha. Entre todo mundo, provavelmente o trabalho fale mais alto.
BBC News Brasil — Isso deve custar caro. O orçamento de Sonhos de Trem foi de US$ 8 milhões. Não é difícil pensar que se gaste até mais com a campanha, né?
Veloso — Bem mais. É um filme independente, aí a Netflix adquiriu e tem feito um trabalho de campanha para que todos assistam. Mas originalmente é um filme independente muito barato perto dos padrões de Hollywood. Todos os que estão concorrendo na categoria de fotografia têm no mínimo dez vezes mais orçamento do que a gente teve. Pecadores e Uma Batalha Após a Outra, são filmes de mais de US$ 150 milhões, Marty Supreme e Frankenstein provavelmente também.
BBC News Brasil — Pensando não só na sua indicação, mas nas de O Agente Secreto e Wagner Moura, qual é a chance do Brasil no Oscar este ano?
Veloso — É muito difícil separar o lado torcedor do mais realista. Torço muito para que o Brasil ganhe todas as indicações, mas é difícil. Melhor filme é muito difícil, filme internacional tem grandes chances, assim como Valor Sentimental. Apesar de merecer muito, a situação do Wagner é muito complicada, porque tem um hype em cima do Timothée Chalamet. A maior chance talvez seja em direção de elenco. Tem um trabalho especial em O Agente Secreto de ser um elenco muito diverso, com muitas pessoas que não eram atores, que atuam pela primeira vez, então a chance é grande.
A minha eu acho muito difícil. A favorita é Autumn Durald, de Pecadores. Seria histórico, a primeira mulher ganhando um Oscar de fotografia. Ela também foi a primeira mulher a fotografar um filme em IMAX. Está rompendo muitas barreiras.
BBC News Brasil — Uma das marcas mais fortes da fotografia de Sonhos de Trem, segundo a crítica, é o céu, que é muito bonito. O quanto isso foi definido na filmagem e o quanto na edição?
Veloso — Foi na filmagem. A gente não tem nenhuma troca de céu na pós-produção. É tudo muito naturalista. Foi feito de verdade. A gente tinha um plano, queríamos estar no lugar certo na hora certa, evitamos filmar cenas externas com o sol muito alto, com a luz muito dura, então procurávamos o pôr do sol. A gente trabalhou quase o filme todo com luz natural. Não tem interferência de luz artificial ou efeitos especiais.
É difícil fazer isso, mas foi a maneira que aprendi a trabalhar. Grande parte da minha carreira foi no Brasil, com orçamentos pequenos, e tudo o que tinha era uma locação. Às vezes nem tinha orçamento para ter uma luz ou uma interferência na pós-produção. Só ampliei isso para uma escala maior. É difícil não ter o controle, estar à mercê de estar chovendo, de o céu nublar, mas é mais inspirador estar no mundo real. Ficar dentro de um estúdio com um fundo verde no fundo é pouco inspirador. Muitas vezes a gente tinha planejado filmar dentro, mas a luz estava bonita, então mudávamos para fora; às vezes planejamos filmar com sol, mas estava chovendo, e a gente reagia ao mundo real.
BBC News Brasil — O que isso muda para os atores?
Veloso — A gente queria dar liberdade para os atores. Não se preocupar com um monte de tripés, luzes e caminhões ao redor. Queríamos reduzir o impacto da equipe ao redor para que eles se sentissem mais naquele mundo.
Cena do filme Sonhos de Trem
divulgação/Netflix/via BBC
BBC News Brasil — O filme retrata as pessoas que ajudaram a construir os Estados Unidos, com suor e sangue. Como vocês trabalharam ao redor desse tema neste momento em que os EUA está sob escrutínio por conta das políticas do presidente Donald Trump?
Veloso — A gente queria fazer com que as pessoas se identificassem com o personagem, em vez de dar um tapa na cara e falar que você precisa pensar assim ou prestar atenção nisso. Esses são os personagens, isso é o que estava acontecendo ao redor deles, e deixamos o espectador se identificar ou não com alguns aspectos. A gente queria que a natureza fosse uma personagem do filme, por isso a gente não a filmou como um cartão postal. Os personagens discutem quantas árvores eles podem cortar ou não, tem conversas sobre isso, pensam diferente. A questão da imigração também está ali, mas não como um testamento de nada, e sim como uma exposição para as pessoas refletirem o que quiserem.
BBC News Brasil — O filme vai do fim do século 19 até meados do século 20. É um filme de época, mas será que ele ressoa mais hoje?
Veloso — É um filme de época, mas muito contemporâneo. Além de meio ambiente e imigração, ele fala da dificuldade do ser humano de se adaptar a novas tecnologias e se manter atualizado, como naquela cena em que o protagonista tenta usar uma serra elétrica e não consegue. É a gente com o ChatGPT hoje tentando entender como ele funciona. São aspectos de 1920, mas as dificuldades são as mesmas de hoje.
BBC News Brasil — Quais são as diferenças entre a sua fotografia e a dos seus concorrentes?
Veloso — Além da questão orçamentária, de sermos o peixinho perto de peixes grandes, tem o lado quase orgânico de Sonhos de Trem. Enquanto os outros filmes são feitos com mais orçamento, mais equipamentos e muita pós-produção, o nosso é o mais orgânico, o mais feito à mão de todos.
BBC News Brasil — Você citou o ChatGPT. O que pensa sobre o uso da inteligência artificial no cinema?
Veloso — A IA está aí e vai ajudar o ser humano em muitas coisas, mas tem questões a serem discutidas, como direitos autorais. O sistema de aprendizado da IA está remunerando quem deveria ser remunerado, a fonte desse material? Terão filmes inteiros feitos com inteligência artificial, mas as pessoas sempre vão querer assistir a filmes feitos por pessoas. É a mesma coisa com os produtos orgânicos e os ultraprocessados. Tem muita gente querendo comer comida de verdade, feita à mão. Vai acontecer a mesma coisa com o cinema.
BBC News Brasil — Devemos ter mais brasileiros no Oscar nos próximos anos?
Veloso — Vivemos um bom momento, com recorde de indicações este ano, presença nos festivais, mas é difícil saber se isso vai se traduzir numa indicação ao Oscar ou numa vitória, mas certamente a gente vai continuar fazendo parte da conversa.
Cena do filme Sonhos de Trem
Divulgação/Netflix/ via BBC
BBC News Brasil — A que você atribui esse bom momento?
Veloso — À força do Brasil como um todo. A interferência que o povo brasileiro tem nas redes sociais, no Instagram da Academia, em que os posts com mais like são os de Wagner Moura e Fernanda Torres. Quem está de fora vê e pensa: esse país tem uma voz, precisamos escutar. Se tanta gente está falando deste filme, vamos assistir? O barulho do brasileiro está funcionando.
BBC News Brasil — O quanto esse movimento pode trazer de retorno ao Brasil? Será que a gente está produzindo e assistindo a mais filmes brasileiros?
Veloso — Quando assisti à indicação de Cidade de Deus ao Oscar, me inspirou muito. Se um filme brasileiro chegou lá, por que eu não posso? Esses exemplos constantes de brasileiros vão inspirar muita gente que já faz cinema e também quem vai começar a fazer. E pode trazer um olhar de fora, um investimento de fora, para o Brasil. Ajuda a discutir o quão importante é incentivar a cultura, porque a cultura está pondo o Brasil em pauta e pode trazer investimentos até para outras coisas. É o que a gente vê com a Coreia do Sul, o quanto o investimento em cultura impactou turismo e outras áreas.
BBC News Brasil — O que falta, então, para o Brasil ir além?
Veloso — A gente está num bom caminho. Falta mais conversa, acabar com os preconceitos ao redor do investimento em cultura, mostrar quantos trabalhos isso gera, o quanto de dinheiro e retorno isso traz. É difícil dizer, mas acho que falta mais. Fazer mais, mostrar mais, dar mais oportunidade para mais gente. Por muito tempo, o cinema foi um espaço para poucos, e agora mais gente tem voz.
BBC News Brasil — Na categoria de melhor filme, seu filme, Sonhos de Trem, está concorrendo com O Agente Secreto. Para quem é sua torcida?
Veloso — Infelizmente, acho que nenhum dos dois vai levar. Eu ficaria muito feliz pelos dois. Um por ter feito, outro por ser do Brasil. Mas é difícil.
BBC News Brasil — Você já preparou um discurso para caso ganhe?
Veloso — Não. Primeiro porque as chances são poucas e depois porque, como um bom torcedor de futebol, gritar gol antes da hora não pode. É zica.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Estilista de Zendaya diz que ela e Tom Holland se casaram


Tom Holland e Zendaya
Reprodução/Instagram
Zendaya e Tom Holland estão casados. É o que afirma o estilista Law Roach, amigo próximo da atriz. Durante uma entrevista à Access Hollywood no tapete vermelho do 2026 Actor Awards, no domingo, 1º de março, Roach disse que o casamento já havia acontecido.
“O casamento já aconteceu, você perdeu”, disse Law Roach. Ao ser questionado se estava falando sério, ele reafirmou, rindo: “É verdade!”.
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Os rumores de noivado entre os dois começaram durante o Globo de Ouro de 2025, em 5 de janeiro, quando Zendaya foi vista usando um anel de diamante no dedo anelar da mão esquerda. O TMZ confirmou a notícia no dia seguinte, citando fontes próximas ao casal. De acordo com a revista “People”, Tom Holland já queria pedir a atriz em casamento havia algum tempo. “Ele sempre soube que ela era a pessoa certa”, disse uma fonte.
Anel de Zendaya no Globo de Ouro gera especulação
Jordan Strauss/Invision/AP
Em setembro de 2025, Holland corrigiu um repórter durante um evento, quando o jornalista se referiu a Zendaya como namorada do ator. Tom riu e respondeu: “Noiva”.
Os rumores de que os atores estavam juntos começaram em 2016, quando foram escalados para atuar em “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”. Na época, tanto Zendaya quanto Tom afirmaram que a relação era estritamente platônica.
Em julho de 2017, porém, uma fonte disse à revista “People” que os dois estavam juntos. “Eles começaram a se encontrar durante as filmagens de ‘Homem-Aranha’”, afirmou. “Eles têm sido extremamente cuidadosos para manter o relacionamento em segredo e longe dos holofotes, mas já viajaram juntos e tentam passar o máximo de tempo possível um com o outro.”

Fonte: G1 Entretenimento