Categorias
MUNDO

Um dia após a morte de 6 pessoas durante protestos no Sudão, forças de segurança anunciam a detenção de diretor da Al-Jazeera


Episódio aumenta a pressão sobre a imprensa depois de um dos conflitos mais violentos desde o golpe militar de 25 de outubro. Centenas de ativistas, opositores e manifestantes contrários ao golpe também foram detidos. Manifestantes sudaneses carregam homem ferido durante protesto em 13 de novembro de 2021 contra o golpe militar de 25 de outubro
AFP
As forças de segurança do Sudão anunciaram neste domingo (14) a detenção do diretor do escritório do canal Al-Jazeera em Cartum, o que aumenta a pressão sobre a imprensa um dia após a morte de seis manifestantes num dos conflitos mais violentos desde o golpe militar de 25 de outubro.
“As forças de segurança realizaram uma operação na casa de Al-Musalami al-Kabbachi, diretor da Al-Jazeera no Sudão, e ele foi detido”, afirmou no Twitter o canal de TV, com sede no Catar.
Os motivos da detenção não foram imediatamente divulgados. Centenas de ativistas, opositores e manifestantes contrários ao golpe também foram detidos.
LEIA TAMBÉM:
5 PONTOS: entenda o golpe militar no 3º maior país da África
O Sudão entrou em um período turbulento no fim do mês passado, quando o general Abdel Fattah al-Burhane, que já comandava o Conselho de Soberania, o principal organismo de poder do Sudão após 30 anos de ditadura, determinou a detenção da maioria dos civis com os quais compartilhava o poder.
No mesmo dia, ele também dissolveu todas as instituições do país e declarou estado de emergência.
Desde então, a Al-Jazeera tem feito a cobertura das manifestações contra o golpe de Estado, várias delas ao vivo. O canal também entrevistou há menos de uma semana o general Al-Burhane, que só falou com a imprensa duas vezes desde o golpe.
No sábado, militantes pró-democracia convocaram dezenas de milhares de pessoas para protestos contra o golpe em todo o país, apesar da grande mobilização militar e de outros obstáculos, incluindo o bloqueio do serviço de internet.
As forças de segurança tentaram impedir as manifestações com uma repressão violeta. O balanço atualizado de um sindicato de médicos contabiliza seis manifestantes mortos em Cartum neste sábado (13), incluindo um adolescente de 15 anos.
Desde 25 de outubro, data do golpe, 21 manifestantes morreram e centenas ficaram feridos, de acordo com o sindicato. A polícia negou ter atirado contra os manifestantes e anunciou um balanço de 39 feridos em estado grave entre os agentes.
No Twitter, a embaixada dos Estados Unidos em Cartum condenou o “uso excessivo da força”.
Em abril de 2019, mais de 250 manifestantes morreram na revolta popular que levou o exército a derrubar o ditador Omar al-Bashir.
Apesar da violenta repressão de sábado, as Forças da Liberdade e Mudança (FFC, na sigla em inglês), o bloco civil surgido da revolta que derrubou Bashir, convocaram novas manifestações para quarta-feira (17).
“Nosso caminho para um Estado civil e democrático não termina”, afirmou em um comunicado o bloco, que tem alguns de seus líderes detidos desde o golpe.
Promessas de eleições
O general Abdel Fattah al Burhan nomeou na quinta-feira (11) um novo Conselho Soberano, do qual foram excluídos os representantes do bloco que pede a transferência de poder aos civis.
Esse conselho foi criado após a queda em 2019 do ditador Omar al-Bashir para supervisionar a transição à democracia. Mas em 25 de outubro, Al Burhan dissolveu todas as instituições.
Com seu número dois, o general Mohamed Hamdan Daglo, comandante das influentes Forças de Apoio Rápido (RSF), paramilitares acusados de vários abusos, Burhan prometeu organizar “eleições livres e transparentes” no verão de 2023.
As promessas não apaziguaram a oposição.
“Agora que aconteceu o golpe, os militares querem consolidar seu controle do poder”, afirmou Jonas Horner, pesquisador do International Crisis Group.
VÍDEOS: os mais vistos da semana no g1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

‘Mudanças em Cuba são imparáveis’, diz líder de manifestação por mais liberdade na ilha


Para o governo cubano, movimento Arquipélago, cujo um dos líderes é o artista Yunior García, está sendo ‘organizado e financiado pelos Estados Unidos’. Em resposta, García afirma que ‘em Cuba, temos que aprender a parar de pensar que, por não concordar com o governo, você recebe um salário da CIA’. García, nascido na província de Holguín em 1982, se graduou no Instituto Superior de Arte de Havana
AFP via Getty Images
Após a 44ª tentativa de completar a ligação, Yunior García finalmente atendeu do outro lado, em Havana.
“Desculpe, só às vezes tenho sinal no telefone”, explica o dramaturgo e ativista de 39 anos, que nos últimos tempos se tornou a face mais visível da oposição em Cuba.
Na véspera, a BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) ligou para ele de números diferentes 56 vezes nos dois dias anteriores. “Também estou sem internet, acho que estão tentando me manter incomunicável.”
Para ele, os problemas com seu telefone são uma das muitas medidas que as autoridades cubanas tomaram desde que García criou uma plataforma de oposição chamada Arquipélago e convocou “uma marcha cívica pela mudança”.
Governo de Cuba e organizadores de protesto trocam acusações
Regime cubano intensifica repressão e intimida ativistas a não participarem de novo protesto
Em ação inédita, o grupo pediu autorização em várias províncias para a realização de um protesto, inicialmente marcado para 20 de novembro, com base em um artigo da Constituição, em um país onde a oposição não é tolerada.
O governo cubano anunciou então exercícios militares e um “Dia da Defesa Nacional” para a mesma data, fazendo com que García e os demais integrantes do Arquipélago (grupo coordenado por 30 pessoas com diversos cargos político) decidissem seguir adiante com a convocatória para a manifestação nesta segunda-feira (15/11).
“Nos negaram a autorização e, ao nos mantermos firmes na demanda pelo reconhecimento do direito de marchar, que é um direito humano e constitucional, essa campanha contra nós se acentuou”, diz García.
VÍDEO: 3 pontos para entender os protestos em Cuba
As autoridades cubanas dedicaram longos espaços em seus meios de comunicação oficiais para qualificar a convocação da marcha como “tentativa de desestabilização” e “provocação”.
Consideram que o movimento é “organizado e financiado pelos Estados Unidos” e descrevem Garcia como “um líder criado por manuais” que “busca um confronto entre o Exército e o povo” e que “recebe financiamento” de seus “senhores do Norte.”
A partir de relatos anônimos que circularam em redes sociais, os cubanos foram advertidos a não tomar as ruas no dia 15/11 sob ameaça de serem reprimidos com porretes, como aconteceu nos protestos de 11/07.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, garantiu em rede nacional que estão “alertas” e “preparados” para “defender a revolução”.
É uma situação totalmente inédita e um cenário desconhecido em um país onde até recentemente protestos contra o governo eram simplesmente inimagináveis.
Durante o fim de semana, vários ativistas denunciaram prisões, intimações para interrogatórios na polícia, ameaças e advertências. A equipe da agência de notícias espanhola EFE teve seu credenciamento de imprensa revogado.
A BBC News Mundo entrevistou García sobre a convocação dos protestos para 15/11, as denúncias do governo contra ele e os possíveis cenários que a ilha enfrenta diante da potencial marcha desta segunda-feira.
BBC News Mundo – No dia 11/07, vimos uma mobilização sem precedentes em Cuba e também vimos uma repressão sem precedentes. Ainda há, de fato, muitas pessoas presas. Por que então convocar outra marcha se o resultado pode ser o mesmo?
Yunior García – Ao longo dos anos, o regime cubano tem tentado sempre colocar máscaras, especialmente perante a comunidade internacional e perante uma certa esquerda internacional: dizer que eles são um Estado de direito, dizer que há uma democracia na Cuba.
Depois de 11/07, o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal saiu em entrevista coletiva para dizer que em Cuba o direito de manifestação é respeitado e que os cubanos têm o direito de se manifestar, desde que o façam de maneira cívica e pacífica.
Foi então que nós, apegados a isso e a um artigo da Constituição onde esse direito é reconhecido, decidimos tentar esgotar esse recurso, ir por essa via ou, pelo menos, obrigá-los a retirar todas as suas máscaras.
E acreditamos que, nesse sentido, essa iniciativa já foi uma vitória retumbante, porque tiveram que mostrar ao mundo o que realmente são.
Autoridades de Cuba consideraram o protesto inconstitucional por buscar uma mudança no sistema do país, e por isso o proibiram
AFP via Getty Images
BBC News Mundo – O que você quer dizer?
García – Como resultado da convocação, o próprio presidente reconheceu que em Cuba não há divisão de poderes.
Os Municípios (governos provinciais) declararam ilegal o direito de protestar e o Ministério Público ameaçou-nos diretamente de prisão se insistirmos na defesa deste direito.
Em outras palavras, de todas as maneiras possíveis, eles demonstraram ao mundo que Cuba é uma ditadura, que não há democracia de nenhum tipo e que provavelmente, se formos rigorosos, nem mesmo haverá República.
BBC News Mundo – Você trabalhou durante anos para instituições governamentais cubanas, atuou e escreveu para produções televisivas estatais, assinou uma carta ao presidente americano Joe Biden contra o embargo dos EUA e agora usa palavras como “ditadura” ou “regime” para se referir ao governo de seu país, termos que dividem dentro e fora de Cuba. Por quê?
García – A questão do idioma é muito complexa. Sempre quis usar uma linguagem diferente, que não fizesse parte da retórica de um lado ou do outro. Mas há palavras que simplesmente não têm substitutas.
Eles mostraram claramente que se comportam como uma ditadura e que nem se importam mais em manter as aparências.
E, como escrevi recentemente, há palavras que você não ousa mencionar até que as veja nuas na sua frente.
Realmente esgotei todos os recursos que existem em Cuba para tentar conseguir mudanças por meio do que eles chamam de “canais estabelecidos”.
Participei de congressos, assembleias, em que estive diante das figuras que governam Cuba e fui transparente e vocal, e minha experiência de vida me mostrou que nada se transforma por esses caminhos. Absolutamente.
Em Cuba, temos assembleias e congressos com uma certa aparência de diálogo democrático que, na realidade, nada mais são do que salas de socorro, onde as pessoas liberam suas dores e ano após ano as mesmas perguntas, as mesmas preocupações e todos os problemas se repetem.
BBC News Mundo – Depois de uma declaração que você publicou no Facebook, em que diz que marchará apenas no domingo em vez de segunda-feira, muita polêmica foi criada sobre se isso significa que a manifestação foi cancelada.
García – O que publiquei foi devido a uma preocupação real que tenho, devido às informações que nos chegaram, de que, aparentemente, estavam preparados para nos esperar nos lugares onde havíamos anunciado que faríamos demonstrações com armadilhas que constituíam verdadeiras ratoeiras .
Nesse sentido, disse que manifestaria apenas no domingo (14) para renovar essa reivindicação do direito de protestar, mas em nenhum lugar da declaração havia a palavra para cancelar ou eliminar ou suspender ou adiar.
Eu sabia que eles planejavam organizar uma espécie de carnaval infantil na mesma área onde tínhamos planejado a marcha, e isso foi demais para mim.
García participou dos protestos de 27 de novembro de 2020 em frente ao Ministério de Cultura e também das manifestações de 11 de julho de 2021
Yunior García/Facebook
Também sabíamos do perigo de infiltrados, de coisas que eles poderiam preparar em locais como creches, hospitais e outros semelhantes para tentar culpar os manifestantes.
Diante de toda essa preocupação, no meu caso pessoal, acreditei que devíamos fazer um apelo à não violência e aos manifestantes para buscarmos alternativas que não coloquem suas vidas em risco.
Porque o outro perigo que existe, que é real, é que os líderes, as pessoas visíveis, podemos ser parados a qualquer momento e então estaríamos de alguma forma mandando as pessoas para um lugar onde não poderíamos estar.
Essas preocupações realmente me assombravam e eu precisava encontrar uma solução que ao mesmo tempo minimizasse os riscos de violência, mas que não significasse nada, desligar ou privar as pessoas do direito de se manifestarem.
BBC News Mundo – Mas com esses precedentes, você acha que é responsável continuar?
García – É por isso que me cabe esta afirmação, que é antes de mais nada um apelo ao bom senso e ao equilíbrio entre as partes. Em segundo lugar, é um apelo a soluções engenhosas para evitar colocar os manifestantes em risco.
Em Cuba, existe um ditado que diz “el que empuja no se da golpe” (quem empurra não bate, em tradução livre). Pois bem, em nenhum momento, em qualquer caso, gostaria de fazer parte desse ditado, para o caso de me prenderem e eu não poder estar lá (na manifestação).
Portanto, o que faço é apelar às pessoas que busquem a engenhosidade para defender esse direito, mas em nenhum caso isso significa privar os cubanos de conquistar aqueles direitos que nos negaram.
BBC News Mundo – Após o protesto ocorrido em 27 de novembro de 2020 em frente ao Ministério da Cultura de Cuba, você foi um dos que defendeu o diálogo, mesmo quando outros participantes se opuseram a ele. Você se encontrou com o músico Silvio Rodríguez. Se a marcha corre esses riscos, por que não continuar apostando no diálogo? Você acha que um diálogo com as autoridades cubanas é possível?
García – Acredito que o diálogo é uma solução política viável. O grande problema do diálogo com as autoridades é que nunca aconteceu, porque nos encontramos diante de um governo que se nega a dialogar.
Eles não se interessam pelo diálogo porque não estão preparados para isso, porque seja qual for o diálogo a que se submetam, seja real, seja transparente, eles sabem que vão perder.
As perguntas a serem feitas também são: que tipo de diálogo e em que circunstâncias?
O único resultado real de um diálogo para mim é aquele em que envolvemos o resto da sociedade, no qual a sociedade civil cubana começa a participar, para que o povo cubano possa decidir o que quiser.
BBC News Mundo – Então, você concorda com a afirmação feita sobre você na mídia oficial cubana de que está em busca de uma mudança no sistema?
García – Não creio que seja legítimo que um único ser humano possa mudar o sistema de um país, como já aconteceu aqui.
Centenas de pessoas foram detidas durante o protesto em Cuba em 11 de julho de 2021
Getty Images via BBC
Acho que deve ser uma decisão soberana do povo. Em outras palavras, são os povos que têm o direito legítimo de mudar a realidade concreta de sua nação.
Eu sou um revolucionário no verdadeiro sentido da palavra. Então, é claro que quero mudar minha realidade. E isso implica dar poder ao povo, para que o povo, sem exclusões, mude a sua realidade.
O que luto não é para impor o que acredito que será o melhor país para todos. Quero que as pessoas tenham a possibilidade de decidir qual é o melhor país para Yunior.
BBC News Mundo – E como é esse país melhor para Yunior? Qual é a Cuba pela qual você quer marchar no dia 14? Qual é o país pelo qual você convocou para marchar no dia 15?
García – A Cuba com que sonho, como disse, é a Cuba da liberdade consensual, um Estado de direito onde a legalidade é verdadeiramente respeitada e a lei não é interpretada a favor do poder. Um país onde as liberdades não são usurpadas por um grupo privilegiado.
Tem que ser um país com uma democracia real e participativa, onde as pessoas tenham o poder de transformar sua realidade concreta. Tem que ser um país próspero, onde haja liberdade para que as pessoas possam crescer economicamente, em prosperidade, sem criar abismos intransponíveis entre si.
O futuro de Cuba deve ser inclusivo, devemos acabar com toda a discriminação que ainda existe de muitas maneiras.
Tem que ser um país onde as minorias sejam respeitadas, onde todos participemos, onde todos tenhamos a liberdade de fazer e dizer o que pensamos sem parar na prisão ou no exílio, um país, como Martí (o herói nacional de Cuba), “com todos e para o bem de todos” e que isto não se transforme num slogan fácil, mas sim numa prática cotidiana.
BBC News Mundo – Além de buscar promover uma mudança no sistema, nas últimas semanas, os meios de comunicação oficiais da ilha têm usado amplos espaços para falar de você e também para alertar que você ser “um líder criado por manuais”, que recebe pedidos dos Estados Unidos, ou de ser um agente da CIA. O que você tem a dizer?
García – É curioso que essas acusações sejam feitas contra mim publicamente e que, em privado, nos interrogatórios a que me submeteram, que, como podeis imaginar, foram muitos e variados, nem sequer me perguntaram nada.
Eles nunca me deram a mínima ideia de um relacionamento com os EUA ou de um relacionamento com pagamentos ou financiamentos de qualquer lugar, porque sabem que isso é falso. Eles nunca foram capazes de provar um único centavo para mim.
BBC News Mundo – Como o movimento Arquipélago se financia?
García – O que fazemos não exige fundos nem o fazemos por dinheiro. Na verdade, quando estávamos começando, alguém publicou um tuíte pedindo doações para o Arquipélago e depois o deletou e se desculpou porque sabemos que qualquer problema com dinheiro pode ser usado contra nós.
Em Cuba, temos que aprender a parar de pensar que, por não concordar com o governo, você recebe um salário da CIA.
Fazemos tudo isso porque já não suportamos o fato de viver num país sem direitos, porque já não suportamos mais que a única esperança que um jovem cubano tem é de pedir um visto e sair do país.
Não aguentamos mais a questão da economia, que não se conserta, nem das pessoas desesperadas que fazem fila em frente às lojas vazias.
BBC News Mundo – E qual é o seu papel nisso tudo? O que você procura pessoalmente: reconhecimento, destaque, tornar-se uma figura política, poder diante de uma mudança potencial…?
García – Não tenho aspirações políticas e quem me conhece sabe disso, nem mesmo no meu grupo de teatro quis assumir responsabilidades (a direção geral do meu grupo de teatro era alternada entre os atores, com votações anuais). O poder não é algo que me move.
O que acontece é que me posicionar diante da minha realidade é inevitável para mim.
Tenho procurado expressar minhas ideias em minhas peças e encenações, em quase tudo que tenho escrito como artista e há quem me diga que devo continuar fazendo isso.
Mas às vezes não é suficiente. Eu acredito que um intelectual tem que se envolver com a realidade de seu país.
Meu papel em tudo isso então sempre foi o de um artista e um intelectual comprometido com sua realidade, que não quer ficar confortável em seu sofá, escrevendo obras ou diálogos que refletem indiretamente o que está acontecendo.
Não se trata de amanhã ir parar em um livro de história ou receber um prêmio póstumo ou ter uma rua com o seu nome. Trata-se de mudar sua realidade. É fazer algo pelas pessoas, não pelo seu nome, não pela posteridade, não pela história.
BBC News Mundo – Como você tem vivido e como sua família tem vivido o processo de convocação deste protesto e a reação do governo a ele?
García – Aconteceu de tudo. Desde ameaças diretas à segurança pelo Estado ou pelo Ministério Público até pombos mortos com sangue na porta de minha casa ou ato de repúdio (pessoas que são convocadas em Cuba para gritar ofensas aos adversários).
Acesso recente às redes sociais tem gerado um impacto profundo em Cuba
AFP via Getty Images
Como você pode ver, eles desligaram meu telefone de forma intermitente e eu não tenho internet. Eles também assediaram familiares, minha sogra, minha cunhada ou qualquer pessoa próxima a mim. E, durante semanas, fui foco de frequentes campanhas de descrédito na mídia estatal, sem direito a resposta.
É emocionalmente difícil para mim. Tenho o peso da preocupação de minha mãe, que diz que não consegue dormir de ansiedade, ou de minha irmã que mora fora de Cuba e que está ainda mais desesperada porque se sente desamparada e não sabe o que fazer.
BBC News Mundo – Por que você acha que o governo de Cuba reagiu desta forma por causa de apenas um pedido de protesto?
García – É um governo que controla todas as instituições, todo o aparato jurídico, todas as Forças Armadas, todas as armas, todo o dinheiro … Somos um grupo de jovens com um telefone.
Quando tal regime estremece diante de um grupo de meninos que só têm suas ideias e seus celulares, é porque têm a certeza de que já perderam a maioria da população.
Não há outra explicação.
Eles sabem que agora não têm aquele apoio de que falam há anos.
Depois do desastre da Tarefa Ordenadora (reforma da economia que acabou com alta inflação), a pandemia, tudo o que o povo cubano viveu nos últimos anos, você vê que se fala do embargo enquanto os hotéis continuam crescendo e importando carros para o turismo. É muito difícil continuar a confiar neles.
Eles sabem disso, e é por isso que estão tremendo.
BBC News Mundo – Em que medida acha que artistas como você, jovens com telefone como disse, podem alcançar demandas que os grupos de oposição não alcançam há décadas?
García – Você não pode mudar nada em um país sem o apoio do povo. Em outras ocasiões, talvez fosse muito difícil obter apoio porque não havia meios de comunicação.
Às vezes, os adversários eram mais conhecidos no exterior do que no país inteiro. O contexto era diferente.
Agora a realidade mudou. O que faz a diferença nesse momento é que as pessoas têm mais acesso à informação, podem entender melhor o que está acontecendo e podem tomar um pouco mais de decisão para apoiar ou não uma proposta, uma iniciativa ou um movimento.
Acredito que as mudanças vão depender de as pessoas concordarem que precisam fazer algo para mudar sua realidade. E acredito que essa mudança já esteja ocorrendo, pelo menos nas consciências.
BBC News Mundo – E por que você acha que isso está acontecendo agora? Que outras condições poderia haver além do acesso à informação ou às redes sociais?
García – Hoje, vivemos uma crise total em Cuba. Não é mais nem econômica. É uma crise em todos os sentidos: cultural, de comunicação, moral… E em meio a uma situação como essa podem ocorrer mudanças importantes.
Há também uma crise de liderança em termos de governante. Erros de comunicação terríveis e um governo que não para de errar. E isso também, é claro, influencia as pessoas a perderem a fé ou a confiança em você.
Outras vezes havia outras lideranças autoritárias, mas pelo menos tinham carisma e a simpatia de grandes segmentos da população. Agora não.
Agora são pessoas sem liderança real, que não têm nenhum tipo de histórico verdadeiramente revolucionário, que se esqueceram do conceito real do que significa revolução. São conservadores de manual, continuístas, que votam por unanimidade, têm a mesma linguagem e não são mais capazes de inspirar ninguém.
E, é claro, as pessoas não gostam de coisas assim.
BBC News Mundo – Mas isso não acontece só no nível oficial. Por que você acha que Cuba não teve um líder da oposição capaz de inspirar e mobilizar amplos setores?
García – Em Cuba, sempre semeamos desconfiança nos demais cubanos. Nós, cubanos, desconfiamos de todos: qualquer um pode ser um infiltrado das forças de segurança, um policial.
Há muito semeiam essa desconfiança uns nos outros, e nós a carregamos em nossos genes.
Também existe o medo do caudilhismo, porque o sofremos de forma brutal, e as pessoas costumam rejeitar quem tem uma liderança porque pode se tornar o próximo caudilho.
Mas acredito que existem outros líderes da oposição que vieram antes e que não podem ser esquecidos. São muitas as pessoas que tentaram conseguir mudanças em Cuba e também não podem ser esquecidas. As aldeias, às vezes, têm memória ruim.
BBC News Mundo – As vozes da oposição que se tornaram mais relevantes nos últimos tempos acabaram presas ou no exílio. Na verdade, Luis Manuel Otero Alcántara e Maikel Osorbo, membros do Movimento San Isidro, ainda estão presos. Como você encara essas duas possibilidades?
García – Acho que o fato de os adversários em Cuba acabarem na prisão ou no exílio mostra mais uma vez o tipo de governo que temos.
A prisão para mim não é apenas uma ameaça, é praticamente uma realidade próxima a cada segundo que passa.
Já me falaram dos crimes de que me acusarão se eu for à passeata. E ontem, durante um interrogatório, até me falaram sobre a prisão para onde vou (o Combinado del Este, em Havana) e as condições em que estarei lá.
Por isso, procuro viver cada dia como se fosse o último, à noite faço amor com minha esposa como se fosse a última vez, porque não sei qual será meu último dia de liberdade.
Em relação a um potencial exílio, é claro para mim que a prioridade para mim não será o que é melhor para o meu conforto, como eu agrado meu ego ou minhas aspirações pessoais, mas de que lugar posso ser mais útil para meu país, de onde posso servir melhor ao futuro de Cuba.
E no meu caso pessoal, prometo que esta é a pergunta que me coloco todos os dias ao tomar uma decisão.
BBC News Mundo – Você disse que marchará neste domingo por uma das avenidas mais centrais de Havana com uma rosa branca. Você já pensou que provavelmente nem consegue chegar lá? O que acontecerá com a marcha de 15/11 se te prenderem? Quais são os cenários?
García – Não sei o que vai acontecer. Eu sei o que decidi o que vou fazer, o que quero fazer. E também sei que tenho confiança e fé no povo cubano. Tenho fé nos jovens. Acredito nesta geração e acredito que esta geração é outra, que Cuba mudou e que o cenário é totalmente diferente.
Não posso saber o que vai acontecer no domingo ou na segunda-feira ou no resto dos dias, mas sei que a minha decisão é sair e manifestar, defender, conquistar um direito. A atitude de uma pessoa pode mudar o mundo, como fez Rosa Parks. E eu acredito nisso.
BBC News Mundo – E se ninguém sair, se a ligação falhar? O que vai acontecer a seguir?
García – As mudanças em Cuba são imparáveis, aconteça o que acontecer nos próximos dias. Este é apenas mais um episódio. Esta é uma roda que começou a girar. Será o Arquipélago? Será outro movimento? Serão outros jovens? Poderia ser de outras maneiras e espero que seja sempre pacífico? Não sei, mas o que estou convencido é que não há quem o impeça.
VÍDEOS mais vistos do g1 nos últimos dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Irã é atingido por dois fortes terremotos que deixam um morto e levam pessoas a evacuarem suas casas, diz TV estatal

Vítima foi atingida por um poste, autoridades locais. Terremotos deste domingo (14) atingiram magnitudes de 6,3 e 6,4; tremores chegaram a ser sentidos em Dubai. Dois fortes terremotos atingiram o sul do Irã perto do porto de Bandar Abbas neste domingo (14), levando moradores a fugir de suas casas e matando ao menos uma pessoa, informou a TV estatal.
Os terremotos atingiram magnitudes de 6,3 e 6,4, abalando a província de Hormozgan, e os tremores chegaram a ser sentidos em Dubai.
“Uma pessoa morreu depois que um poste de eletricidade caiu nela”, disse a TV estatal iraniana, citando autoridades locais.
O Irã é atravessado por falhas geológicas e sofreu vários terremotos devastadores nos últimos anos.
A TV estatal mostrou moradores em Bandar Abbas fugindo de suas casas em pânico. A agência de notícias estatal IRNA disse que não houve danos estruturais às casas na região.
VÍDEOS: os mais assistidos da semana no g1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Saif al-Islam, filho do ditador Muammar Khadafi, anuncia candidatura à presidência da Líbia


Prevista para ocorre em dezembro, eleição será o ponto máximo de um difícil processo político patrocinado pela ONU e devem encerrar uma década de caos no país, desde a queda do regime de Khadafi, assassinado em 2011 numa revolta popular. Saif al-Islam Kadhafi
AP Photo
Saif al-Islam, filho do falecido ditador Muammar Khadafi (1942-2011), apresentou neste domingo (14) sua candidatura oficial às eleições presidenciais da Líbia, previstas para dezembro, anunciou um funcionário da Comissão Eleitoral.
Compartilhe esta notícia no WhatsApp
Compartilhe esta notícia no Telegram
“O candidato Saif al-Islam Muammar Khadafi apresentou sua candidatura à presidência do Estado líbio”, anunciou a Alta Comissão Eleitoral (HNEC), que organiza as eleições de 24 de dezembro e as parlamentares de janeiro.
“Ele apresentou os documentos de sua candidatura no escritório da HNEC em Sabha [sul do país], completando assim todas as condições legais exigidas pela Lei nº 1 sobre a eleição do chefe de Estado, aprovada pelo Parlamento”, afirma um comunicado.
LEIA TAMBÉM:
Em 2015, Saif al-Islam Kadhafi havia sido condenado à morte na Líbia
Em 2017, ONU afirmou que julgamento de filho de Kadhafi não foi justo
Saif al-Islam, de 49 anos, também recebeu o título eleitoral da cidade de Sabha, segundo a Comissão Eleitoral.
As eleições serão o ponto máximo de um difícil processo político patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e devem encerrar uma década de caos desde a queda do regime de Muammar Khadafi, assassinado em 2011 numa revolta popular.
Também devem representar o ponto final dos combates entre grupos rivais, um do oeste e outro da região leste do país.
VÍDEOS: os mais assistidos da semana no g1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Áustria anuncia confinamento de não vacinados contra a Covid a partir desta segunda-feira


Medida foi anunciada pelo chanceler do país neste domingo. Lá, quase 65% da população recebeu as duas doses do imunizante; esse percentual é inferior à média europeia (67%) e longe de países como Espanha (79%) e França (75%). A partir da esquerda: o ministro do Interior da Áustria, Karl Nehammer; o chanceler Alexander Schallenberg; e o ministro da Saúde do país, Wolfgang Mueckstein, durante anúncio, em 14 de novembro de 2021, de que pessoas não vacinadas contra a Covid deverão obedecer a confinamento a partir de 15 de novembro de 2021
Georg Hochmuth/APA/AFP
As pessoas não vacinadas ou que se recuperaram recentemente da Covid-19 na Áustria terão de obedecer a um confinamento a partir de segunda-feira (15) para conter a propagação do coronavírus, anunciou neste domingo o chanceler da Alexander Schallenberg.
Compartilhe esta notícia no WhatsApp
Compartilhe esta notícia no Telegram
“A situação é grave […]. Não adotamos a medida de maneira leve, mas infelizmente é necessária”, disse Alexander Schallenberg em uma entrevista coletiva em Viena.
Quase 65% da população recebeu as duas doses da vacina na Áustria, percentual inferior à média europeia (67%) e longe de países como Espanha (79%) e França (75%).
LEIA TAMBÉM:
VÍDEO: bordel na Áustria oferece 30 minutos grátis a quem aceitar ser vacinado
Com casos de Covid em alta, país já tinha endurecido regras para não vacinados
Schallenberg considerou o índice “vergonhosamente baixo” ao anunciar, nesta sexta-feira (12), o plano de confinamento.
As pessoas afetadas pela medida não poderão deixar suas casas, exceto para fazer comprar, praticar atividades físicas ou receber atendimento médico. O confinamento será aplicado a todas as pessoas com mais de 12 anos que não se vacinaram (ou que se contaminaram recentemente).
Controles não anunciados serão realizados.
O governo avaliará os resultados das restrições num prazo de dez dias, informou o ministro da Saúde, Wolfgang Mückstein, que pediu aos hesitantes que aceitem a vacina o mais rápido possível.
A medida deve ser aprovada pelo Parlamento na tarde deste domingo, o que é considerado apenas uma simples formalidade.
Neste sábado (13), a Áustria registrou mais de 13 mil novos casos de Covid-19, o maior número de contágios desde o início da pandemia no país, que tem pouco mais de 9,8 milhões de habitantes.
VÍDEOS: os mais vistos da semana no g1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Mako Komuro, a ex-princesa do Japão que deixou a realeza para se casar com um plebeu, se muda com o marido para Nova York


Sobrinha do atual imperador do Japão, ela se casou com Kei Komuro, que conheceu durante faculdade; ela descartou ritos habituais do casamento e recusou dote de R$ 7,2 milhões. A ex-princesa do Japão Mako (à esquerda), que deixou a família imperial ao se casar com um plebeu, na área de embarque do Aeroporto Internacional de Tóquio neste domingo (14); ela viajou para Nova York com o marido, Kei Komuro
Eugene Hoshiko/AP
A ex-princesa japonesa Mako Komuro viajou neste domingo (14) para os Estados Unidos ao lado do marido, numa troca dos antigos rituais imperiais pelas luzes de Nova York.
Mako e Kei Komuro, ambos com 30 anos, se casaram em outubro em Tóquio (veja mais no vídeo ao final desta reportagem), após anos de boatos da imprensa e críticas na imprensa pelo relacionamento, o que segundo a ex-princesa provocou “tristeza e dor”.
LEIA TAMBÉM:
PERFIL: a princesa japonesa que largou realeza para se casar com um plebeu
A ex-pricesa japonesa Mako (à esquerda) e o marido, Kei Komuro, no Aeroporto Internacional de Tóquio antes de embarcar para os Estados Unidos em 14 de novembro de 2021
Eugene Hoshiko/AP
O casal vai morar em Nova York, cidade em que Kei Komuro estudou direito e trabalha atualmente.
Com a proteção de policiais e seguranças, os dois passaram por quase 100 jornalistas e não responderam as perguntas.
Mako, sobrinha do imperador Naruhito, perdeu o título real quando se casou com um plebeu devido às leis de sucessão, que permite apenas a presença de homens no trono japonês.
Depois de anunciar o noivado em 2017, o casal enfrentou uma série de reportagens da imprensa sobre as supostas dificuldades financeiras da família de Kei.
A realeza japonesa sofre muitas exigências e a Agência da Casa Imperial informou que Mako sofreu estresse pós-traumático com a atenção da mídia.
“Fiquei assustada, sentindo tristeza e dor quando os boatos viraram histórias sem fundamento”, disse Mako em uma entrevista coletiva após o casamento.
Kei declarou que ficou “muito triste por Mako ter enfrentado dificuldades mentais e físicas”.
“Eu amo Mako. Temos apenas uma vida e quero passar com a pessoa que amo”, afirmou.
A polêmica sobre o casal e a mudança para os Estados Unidos gerou comparações com outro casal real, o príncipe britânico Harry e Meghan Markle.
A imprensa japonesa informou que os Komuro, que se conheceram na Universidade de Tóquio, já tem uma casa para morar em Nova York.
O imperador japonês não tem poder político, mas é uma figura simbolicamente importante.
Com poucos homens na realeza, um debate incipiente começou no Japão sobre as mudanças de regras, com algumas pesquisas que mostra um grande apoio popular a permitir que as mulheres assumam o posto de chefe de Estado.
Mas qualquer mudança seria lenta diante da forte oposição dos tradicionalistas.
Princesa Mako desafia lei japonesa e se casa com plebeu
VÍDEOS: os mais assistidos da semana no g1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Portugal: Como país se tornou destino popular de aposentados brasileiros


Além de estudantes e jovens profissionais, país europeu tem atraído cada vez mais pessoas que querem envelhecer em solo lusitano. Patrícia Martins mostra ilustrações suas — ela passou a desenhar e a pintar em Portugal
Duda Las Casas/Acervo pessoal
Até meados de 2015, nunca havia passado pela cabeça de Patrícia Martins deixar o Brasil. Divorciada e com dois filhos adolescentes, ela levava uma vida estável em São Paulo, onde trabalhava em uma das maiores empresas de tecnologia do país. Até que veio a grave crise política e econômica que culminaria, naquele momento, no impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
Compartilhe esta notícia no WhatsApp
Compartilhe esta notícia no Telegram
“Percebi que estava tudo indo ladeira abaixo. Foi quando comecei a me interessar pela possibilidade de migrar para o exterior depois que me aposentasse”, conta.
Assim que o desejo se tornou um plano concreto, Portugal também se transformou em uma alternativa coerente: cabia na sua renda, não exigia o domínio de outro idioma e, principalmente, era conhecido por ser um lugar seguro.
Um ano depois, já aposentada, ela estava dentro do avião com passagem só de ida para Lisboa. “Quem me viu em São Paulo, andando de carro de luxo, não me reconhece quando chega aqui. É uma vida muito mais digna”, explica. “Eu não volto mais para o Brasil.”
É um ponto de partida semelhante ao da carioca Telma Facina, de 71 anos. Aposentada da antiga Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (Cerj) desde o fim dos anos 1990, ela não pensava em morar fora do Brasil até 2016, quando precisou mudar às pressas para a Europa por um caso de doença na família.
Como Portugal era o único que oferecia um visto especial para aposentados, o país era, à época, mais uma solução do que um projeto — relação que foi se transformando com o passar dos anos.
“Eu tinha ido a uma reunião com o cônsul português no Rio de Janeiro e ele tinha feito uma propaganda maravilhosa sobre viver a aposentadoria aqui”, conta ela de sua casa, em Almada, do outro lado do Rio Tejo, cartão-postal de Lisboa.
“Quando eu precisei, vi que era, de fato, o visto mais fácil”, completa.
Passado o momento familiar difícil, ela encontrou uma maneira de reunir a família novamente: levou a filha e o neto para morarem com ela em solo lusitano. Prestes a receber a cidadania do país, ela não quer voltar.
A carioca Telma Facina está prestes a obter a cidadania portuguesa
Arquivo pessoal
Facina e Martins expressam um fenômeno migratório recente em Portugal. Outrora destino de estudantes e de jovens profissionais brasileiros atraídos por uma experiência europeia e melhor qualidade de vida, o país agora convive com uma onda de pessoas que deixam definitivamente o Brasil para gozar seus anos de aposentadoria em território português — ou que chegam ali faltando poucos anos para se aposentar.
“É um fenômeno de perfil diferente: são pessoas mais velhas, geralmente com bons rendimentos, e que nem sempre têm planos de regressar”, explica a pesquisadora Nilcelene Biasutti, que acabou de defender uma dissertação de mestrado sobre o tema na Universidade de Lisboa.
Dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), do governo português, ilustram bem esse panorama: até 2014, a proporção de pessoas que desembarcavam em Portugal solicitando o visto D7 — destinado principalmente aos aposentados — era de cerca de 2% entre todas as chegadas de brasileiros. Quatro anos depois, essa taxa já era de 10,9%.
A pandemia de covid-19, que fez com que os voos entre os continentes fossem restringidos por meses, derrubou essa demanda até o começo de 2021, quando voltou com força.
“Hoje, o perfil majoritário dos nossos clientes é novamente de quem quer passar a aposentadoria aqui”, conta o advogado André Pacheco, que despacha de uma das filiais portuguesas do escritório Hofstaetter Tramujas e Castelo Branco, especialista em processos migratórios.
Ele conta que há ainda casos de brasileiros que, na contramão, do perfil comum, precisam complementar a renda para ter a residência aceita.
Pelas regras locais, quem pede o visto D7 deve movimentar cerca de R$ 52 mil — o equivalente a um ano do salário mínimo de Portugal (665 euros) — em alguma conta bancária no país, valor que sobe para R$ 78 mil caso a mudança seja feita com um cônjuge. Se os filhos também estiverem no requerimento, cada um deles representa um acréscimo de 30% na exigência.
Durante sua pesquisa, Biasutti também se deparou com outras situações, como a de pessoas indocumentadas que voltaram ao Brasil para se aposentarem e, então, pediram o visto português; ou de quem perdeu renda e precisou voltar à ativa já em Portugal para complementá-la.
“Isso aconteceu com muita gente que alugou um imóvel e migrou. Quando o real desvalorizou, eles tiveram que trabalhar de novo, porque os custos de vida ficaram muito maiores.”
Tanto Telma Facina como Patrícia Martins têm sentido os efeitos do câmbio. No caso da primeira, principalmente, por contar apenas com a renda da aposentadoria.
“Eu tive que parar totalmente com as viagens que fazia pela Europa”, conta Facina.
É por isso também que, de acordo com Pacheco, apesar da procura, mesmo pessoas de maior poder aquisitivo têm desistido do projeto de se aposentar em Portugal neste ano.
De janeiro de 2020 para cá, o euro teve uma escalada de 44%. Em meados de novembro, a moeda era cotada a R$ 6,51. “Isso fez com que essa possibilidade ficasse mais restrita a quem já tem uma renda elevada no Brasil e quer deixar o país mesmo assim”, observa o especialista em processos migratórios.
O carioca Claudney Neves, de 49 anos, é um deles. Reformado do Exército há um mês, ele tem tudo pronto para se mudar para Portugal com a mulher desde 2017, quando a sua aposentadoria estava perto de se concretizar.
“Naquela época, nossas contas mostravam que minha renda nos permitiria viver confortavelmente lá”, afirma.
Animado, o casal viajou para o país europeu há dois anos para dar entrada nos documentos e abrir uma conta bancária — para depositar o valor necessário para o visto D7.
Eles chegaram a decidir até onde viveriam: Espinho, uma cidadezinha de 31 mil habitantes perto de Porto.
Vieram, então, a pandemia e, em seguida, a escalada da moeda europeia, que adiaram os planos de forma indefinida.
“Hoje, fazendo a mesma conta, não dá para viver como a gente queria. Nós teríamos que complementar a renda chegando lá.”
Trabalhar para se aposentar
Imagem de Portugal
Getty Images
Se muitos brasileiros chegam já aposentados, há outro contingente que desembarca em território lusitano justamente com o plano de se aposentar por lá.
Para isso, eles se amparam em um acordo previdenciário assinado entre Brasil e Portugal em 1995 que, entre outras coisas, permite que o tempo de trabalho tanto lá quanto cá seja contabilizado de forma conjunta na hora de se aposentar.
Pelas regras, o candidato precisa ter contribuído por, no mínimo, 15 anos da sua vida ativa. Nesse caso, ele receberá o valor proporcional a esse período pago pelo governo português.
Luís Eduardo Afonso, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), observa, porém, que o tempo de contribuição, por si só, não deve balizar a decisão de se aposentar em Portugal.
“É preciso se atentar às regras do sistema previdenciário deles, que são diferentes das nossas. É o caso da idade para se aposentar e do período contributivo, por exemplo.”
Pela lei portuguesa, uma pessoa deve ter, no mínimo, 66 anos e 6 meses para ter direito à aposentadoria. No Brasil, há várias regras, embora a base mais comum seja de 62 anos para os homens e 57 para as mulheres.
Segundo a advogada Miranda Ferreira, que também ajuda migrantes que buscam se estabelecer em Portugal, as diferenças na lei são geralmente favoráveis à previdência brasileira, que paga valores melhores e tem um sistema mais flexível.
Pelo acordo bilateral, quando chega a hora de se aposentar, a regra que vale é a do país em que a pessoa está. Ou seja: um brasileiro que completou os requisitos de contribuição por lá também é aposentado dentro do sistema previdenciário português — recebendo, inclusive, na moeda local e tendo os mesmos direitos de um cidadão do país.
Afonso alerta ainda para a impossibilidade de se aposentar apenas pelo tempo de contribuição, como era possível no Brasil até a mais recente reforma previdenciária.
Em 2019, uma mudança na legislação (Emenda Constitucional 103/2019) definiu que a aposentadoria brasileira também depende do período contributivo e de um requisito de idade mínima — assim como em Portugal.
“O ponto fundamental é que há o direito. Ele é reconhecido para a pessoa que migrou. Os detalhes dele, porém, dependem muito de cada acordo previdenciário”, explica.
Por outro lado, há como se aposentar em solo português apenas pelo critério da idade — isto é, sem o tempo de contribuição mínimo de 15 anos. Esta é, aliás, a modalidade com mais beneficiados no sistema do país.
Chamada lá de pensão social de velhice, ela exige que a pessoa possua residência reconhecida no país e tenha pelo menos 66 anos e 6 meses. O piso do benefício é de 275 euros (cerca de R$ 1.780).
Por que se aposentar em Portugal?
Quando começou a pesquisar o fenômeno de aposentados em Portugal, Nilcelene Biasutti percebeu que, na imprensa portuguesa, a questão era sempre tratada sob a ótica da insegurança pública no Brasil.
“Tinha esse estereótipo de que as pessoas não podiam usar suas joias no Rio de Janeiro e, por isso, mudavam.” Assim que foi a campo, porém, descobriu motivações diferentes.
De fato, há anos que a presença brasileira atrai a atenção dos portugueses. Não é para menos: no último relatório do SEF, de 2020, por exemplo, o Brasil domina praticamente todas as estatísticas — representa a maior comunidade do exterior em solo português (184 mil pessoas), a que mais recebeu cidadanias (20,8 mil) e, na contramão, a que mais registrou expulsões ao longo do ano (160).
Pelos dados, 28% da população estrangeira em Portugal hoje é oriunda do Brasil.
Segundo Biasutti, boa parte dos casos diz respeito a famílias separadas que decidem voltar a viver próximas, como o caso de Telma Facina.
São filhos que estudam ou trabalham na Europa e atraem seus pais já aposentados para o continente, por exemplo. Como não falam outro idioma, decidem se fincar em território português.
No relatório do SEF de 2020, 47% dos brasileiros que chegaram se enquadram nessa categoria — chamada de reagrupamento familiar.
Há ainda muita gente para quem o país lusitano não era a primeira opção.
“Ouvi muitos brasileiros que queriam se aposentar e ir para Miami, nos EUA, ou então para o Canadá. Porém, como a renda que esses países exigem é mais alta, Portugal era para onde dava para ir”, revela.
Já o advogado André Pacheco aponta que, mesmo com os benefícios fiscais — alguns tipos de vistos oferecem isenção de tributos — e com a lei da igualdade entre os cidadãos, o fator segurança pesa muito na decisão de migrar.
“São pessoas que querem envelhecer em um lugar menos perigoso do que as cidades brasileiras. Portugal é, de fato, um país muito seguro”, explica.
Foi o que pesou na decisão de Claudney Neves, antes mesmo de sua aposentadoria.
“O Rio de Janeiro é uma guerra. Eu já fui assaltado, meus amigos já foram, já morreu gente na rua de casa. Não dá mais”, desabafa.
Enquanto o câmbio não alivia, ele permanece em compasso de espera, fazendo planos para sua velhice em Portugal.
“De repente, a gente tenta de novo em 2022.”
VÍDEOS: os mais assistidos da semana no g1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Rainha Elizabeth II cancela participação em cerimônia oficial neste domingo por causa de problema nas costas


Monarca britânica iria ao Culto do Dia da Lembrança; no mês passado, ela passou uma noite no hospital pela 1ª vez em anos para fazer ‘exames preliminares’ e foi posteriormente aconselhada a descansar. Rainha Elizabeth II em foto de 12 de outubro de 2021
Frank Augstein/Pool/AP
A rainha Elizabeth II, de 95 anos, não vai participar de uma cerimônia oficial à qual iria neste domingo (14), em Londres, em razão de um problema nas costas, anunciou o Palácio de Buckingham. “Sua Majestade está desapontada por perder o serviço religioso”, informou a nota. O evento no centro de Londres é considerado um dos compromissos mais importantes do ano.
Compartilhe esta notícia no WhatsApp
Compartilhe esta notícia no Telegram
A cerimônia seria o primeiro compromisso público da rainha desde que ela foi aconselhada a descansar após ter passado uma noite no hospital, no fim de outubro (veja mais no vídeo abaixo).
De acordo com agências internacionais de notícias, uma fonte do palácio disse que a monarca sofreu uma “entorse nas costas” que não está relacionada à doença não especificada que fez com que Elizabeth II fosse hospitalizada no mês passado.
LEIA TAMBÉM:
‘Deixem-na beber’: internautas defendem que Elizabeth II siga tomando drinques
‘Você é tão velha quanto se sente’, diz rainha ao rejeitar prêmio ‘Velhinha do Ano’
Rainha Elizabeth II aparece em público com bengala pela 1ª vez desde 2004
Rainha Elizabeth II está ‘em muito boa forma’, disse primeiro-ministro no G20
Na ocasião, médicos disseram que eram necessários “exames preliminares” e recomendaram repouso por alguns dias, o que levou ao cancelamento de uma viagem à Irlanda do Norte.
A monarca mais antiga do mundo, que ocupa o trono há sete décadas, perdeu depois eventos como a COP26 e um evento para lembrar os britânicos mortos em guerras, na noite deste sábado (13),.
A fonte disse que a rainha espera continuar com sua programação de tarefas oficiais na próxima semana.
Rainha Elizabeth passa a noite em hospital para realizar exames
VÍDEOS: os mais assistidos do g1 na semana

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Argentina vota neste domingo para renovar Senado e Câmara de Deputados


Com a votação, os governistas podem perder controle do Senado. País vive um período de alta inflação. Foto de sessão virtual do Senado da Argentina em 13 de maio
Agustin Marcarian/Arquivo/Reuters
Os eleitores da Argentina votam neste domingo (14) para renovar parte dos representantes no Legislativo. Metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado serão eleitos.
Leia também
Argentina vai às urnas neste domingo para eleição legislativa; expectativa é de que oposição conquiste o Senado
Província argentina com mais gado do que gente pode alterar equilíbrio do Congresso do país
Primárias de eleições para o Legislativo na Argentina mostram que frente de governistas deve perder para a oposição
Revés eleitoral abala governo de Fernández na Argentina; ministros entregam o cargo
A Câmara Nacional Eleitoral, a autoridade eleitoral argentina, estima que a participação deve ser alta, em torno de 73% dos eleitores. Isso porque a pandemia está menos severa neste momento.
A expectativa é que os resultados provisórios comecem a ser divulgados às 21h30.
Governistas devem perder maioria no Senado
Na Argentina, o vice-presidente também tem o cargo de presidente do Senado.
Portanto, o cargo é ocupado por Cristina Kirchner. Hoje, ela consegue controlar, pois a maioria dos senadores é da coligação governista, a Frente de Todos.
Cristina Kirchner e Alberto Fernández em 11 de novembro de 2021
Matias Baglietto/Reuters
A oposição é liderada pela frente Juntos pela Mudança.
Há indicações de que a Frente de Todos pode perder seis senadores e ficar com um total de 35 (menos do que a maioria absoluta necessária para aprovar leis).
Argentina: parciais indicam que governo de Alberto Fernández sofreu derrota nas primárias de eleições para o Legislativo
Quais estados vão renovar seus senadores?
Não são todos as províncias (unidade federativa semelhante aos estados brasileiros) que vão votar para o Senado. Haverá votação nos seguinte locais:
Córdoba,
Chubut,
La Pampa,
Mendoza,
Corrientes,
Tucumán,
Catamarca,
Santa Fé.
La Pampa é um reduto tradicional do peronismo (corrente política do atual governo), mas pode ser que os candidatos governistas percam as eleições lá.
Outro local onde os governistas podem perder senadores é em Chubut –lá, são duas vagas do Senado em jogo.
Em Córdoba, a Frente de Todos pode ficar até em terceiro lugar.
As melhores chances dos candidatos governistas são em Tucumán e Catamarca.
Votação no geral
As pesquisas mostram que a aliança de oposição tem cerca de 10 pontos percentuais de vantagem.

Uma pesquisa da empresa Management & Fit mostrou que a oposição conservadora estava bem à frente, com 40% dos votos nacionais contra 27,8% do partido governista Frente de Todos,.
Outra pesquisa da Ricardo Rouvier & Asociados tinha a oposição com 42,1%, à frente do governo, com 34,2%.
Se esse resultado se confirmar nas urnas, o presidente do país, Alberto Fernández, deve ter mais dificuldade para governar, pois o Senado passaria para o controle da oposição.
O que aconteceu nas prévias?
Na Argentina, todas as coligações são obrigadas a fazer prévias. Como os eleitores só podem escolher uma coligação para votar, o resultado dessas prévias é sempre interpretado como um sinal sobre o que deve acontecer na eleição de fato.
As prévias aconteceram no dia 12 de setembro.
A frente política do ex-presidente Maurício Macri (Juntos pela Mudança) obteve cerca de 40% dos votos, e a frente de Fernández (Frente de Todos) teve cerca de 31% dos votos nacionais.
Por que é importante?
Embora a renovação seja parcial no Congresso da Argentina, as eleições de domingo terão um impacto na presidência de Fernández porque definirão a governabilidade para a segunda metade de seu mandato, segundo analistas.
“Se os resultados da prévias se repetirem, o partido no poder pode perder a maioria que tem no Senado e não só não alcançaria a maioria dos deputados, mas também perderia cadeiras”, diz Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nova Maioria.
O analista político Gabriel Puricelli considera que “a composição do Congresso determinará as condições de governança” até 2023, quando termina o mandato de Fernández.
Mas também são “um testa da viabilidade das duas principais coalizões como veículo para as próximas eleições presidenciais”, diz, referindo-se à Frente de Todos.
Outro fator a ser levado em consideração “será quanto poder a oposição terá no Congresso. Se conseguir o poder de bloqueio, é mais provável que o use”, diz Puricelli.
O cientista político Carlos Fara considera que uma derrota “travará o kirchnerismo nas duas Câmaras e pode dificultar questões institucionais no Senado, como a nomeação de juízes”.
Crise econômica e de Covid-19
Há uma onda de descontentamento contra o governo argentino por duas razões:
Escândalos ligados a problemas na gestão da pandemia (houve gente que furou a fila da vacina, e o presidente foi a uma festa no período em que aglomerações estavam proibidas);
Economia com inflação em alta.
Em 12 meses, a inflação chegou a 52,1%, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). A inflação na Argentina avançou 3,5% em outubro na comparação com o mês anterior.
O dólar no mercado ilegal, chamado de “dólar blue”, atingiu um novo recorde de 206,50 pesos. Com a valorização, a diferença para a cotação oficial é de mais de 100%.
A última pesquisa de aprovação do governo da consultoria Isonomía mostra que 33% dos argentinos aprovam Fernández. Cristina Kircher, a vice-presidente, é aprovada por 31%.
Reação do governo
Desde o resultado das prévias, em setembro, o governo fez algumas tentativas para recuperar a popularidade:
Congelou preços;
Passou a imprimir mais dinheiro;
Aumentou repasses de programas sociais.
Veja os vídeos mais assistidos do g1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

No segundo dia em Dubai, Bolsonaro participa de abertura de feira aeroespacial


Presidente visitou a Dubai Airshow, que reúne fabricantes de aeronaves. Governo brasileiro e Embraer montaram estandes no evento para tentar ampliar venda de produtos. Dubai Airshow, feira de aviação comercial e militar em Dubai, nos Emirados Árabes
Guilherme Mazui/g1
No segundo dia da visita oficial a Dubai, maior cidade dos Emirados Árabes, o presidente Jair Bolsonaro participou neste domingo (14) da abertura da Dubai Airshow – feira que reúne as principais fabricantes de aeronaves do mundo.
O evento consta na agenda oficial, e a presença de Bolsonaro na área restrita da feira foi confirmada pelo Palácio do Planalto. Até as 06h30 (horário de Brasília), no entanto, o presidente ainda não tinha circulado pela área pública do evento.
Acompanhado de ministros e da primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente chegou no sábado (13) a Dubai, um dos sete emirados que formam o país no Golfo Pérsico. É a primeira parada de Bolsonaro na segunda viagem à região desde que assumiu o governo, em 2019.
Antes de voltar ao Brasil, Bolsonaro ainda passará pelo Bahrein e pelo Catar na próxima semana.
No sábado (13), Bolsonaro visitou a Expo 2020, a exposição universal que ocorre em Dubai. Lá, teve uma reunião bilateral com o emir local e primeiro-ministro dos Emirados Árabes, Mohammed bin Rashid Al Maktoum.
Presença brasileira
Neste domingo, Bolsonaro foi uma das autoridades presentes à abertura da feira de aviação civil e militar. O evento vai até a próxima quinta (18), com exposições de aeronaves como cargueiros e jatos comerciais, militares e particulares.
O governo brasileiro montou um pavilhão na Dubai Airshow – a organização do espaço ficou a cargo do Ministério da Defesa.
Aeronave KC-390, da Embraer, em exposição na Dubai Airshow
Guilherme Mazui/g1
Segundo a pasta, o governo brasileiro tenta ampliar as vendas na área e assinará, durante a feira, um memorando de entendimento com o Internacional Golden Group, fornecedor das Forças Armadas dos Emirados Árabes.
A Dubai Airshow é realizada em um espaço similar a um aeroporto, com diversas aeronaves civis e militares em exposição. Além do KC-390, a Embraer também levou um exemplar do turboélice EMB-314, ou “Super Tucano”, para a feira.
VÍDEO: área externa da Dubai Airshow, com exibição de aeronaves civis e militares
Embraer x FAB
A Embraer também tem um pavilhão da Dubai Airshow, onde uma das aeronaves destacadas é o KC-390. O cargueiro militar é motivo de atrito entre a fabricante brasileira e a Força Área Brasileira (FAB).
Na sexta-feira, a FAB anunciou que reduzirá de 28 para 15 as unidades compradas do KC-390. Já a Embraer informou que buscará as medidas legais cabíveis, sinalizando que a disputa com a FAB deve parar na Justiça.
Bolsonaro comentou o impasse durante entrevista no sábado, em Dubai. O presidente disse que a FAB não terá recursos suficientes para comprar e utilizar todas as aeronaves. Segundo ele, o caso não afetará a imagem e os negócios da Embraer.
“Nós temos que ter uma frota que nós possamos mantê-la operacional. Você não pode comprar um avião como você compra um carro, que muitas vezes fica na garagem. Ele tem que se movimentar, isso custa caro. Orçamento da Força Área está apertado também”, explicou.
Veja abaixo como foi o primeiro dia da viagem de Bolsonaro ao Oriente Médio:
Bolsonaro, sobre a COP26: ‘Apresentam problemas para os outros resolverem’
Visita a Abu Dhabi
Após a passagem pela feira, ainda neste domingo, Jair Bolsonaro deve visitar uma unidade industrial da multinacional brasileira de alimentos BRF em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes.
Dubai e Abu Dhabi são dois dos sete emirados que compõem o país. A distância entre o centro das duas cidades é de aproximadamente 140 km.
GloboNews Internacional: os protestos de jovens manifestantes na COP26

Fonte: G1 Mundo