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Jovem arruma emprego de guia turística na Coreia do Norte e já visitou o país 30 vezes: ‘Amo o aspecto humano’


Inglesa Zoe Stephens defende que as pessoas devem procurar por elas mesmas informações sobre a Coreia do Norte antes de tirar conclusões sobre o país. Guia faz para o g1 lista uma do lugares que mais merecem ser visitados. Zoe Stephens ao lado de um guia militar da DMZ, a Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, em foto de janeiro de 2020
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
Depois de visitar um país uma única vez, a britânica Zoe Stephens, de 27 anos, conseguiu um emprego como guia turística lá, deixou sua terra natal e se mudou de continente por esse trabalho. A história em si nem pareceria tão surpreendente, não fosse esse país a Coreia do Norte.
Curiosa por ver se o país comandado por Kim Jong-un era realmente como a mídia o retratava, Zoe o visitou pela primeira vez em 2015, quando ainda morava no Japão, durante um programa de intercâmbio estudantil. Surpresa positivamente com o que encontrou, decidiu que queria espalhar essa visão.
Zoe Stephens em sua primeira visita à Coreia do Norte, em 2015
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
De volta ao Reino Unido, candidatou-se a uma vaga, conseguiu o emprego e se mudou para a China, de onde viajava para Pyongyang de trem com bastante frequência antes do início da pandemia de Covid – em algumas ocasiões mais de uma vez por mês.
Encantada principalmente pelas pessoas e sua vida cotidiana, sem qualquer vínculo político, ela agora morre de saudades do país e dos colegas e amigos que deixou ali – e com quais não pode falar pelas restrições que os moradores têm sobre contatos com o exterior.
Em entrevista ao g1, Zoe fala sobre o que mais gosta no país e o que gostaria que as pessoas soubessem sobre a Coreia do Norte, onde já esteve cerca de 30 vezes, a última delas em janeiro de 2020.
Zoe mantém um canal no YouTube e um perfil no Instagram, onde é possível ver registros de suas viagens.
g1 – Quando você visitou a Coreia do Norte pela primeira vez, estava morando no Japão. Por que decidiu ir, quando e como foi? E o que achou mais surpreendente ao chegar lá?
Zoe – Sim. Foi durante a crise de refugiados na Europa, em 2015. Havia acontecido alguns ataques terroristas no Reino Unido, que estava em estado de alerta alto. Quando conhecia alguns japoneses, eles me diziam “uau, você é de lá? Eu adoraria conhecer, mas é muito perigoso agora…”. Eu achava que as pessoas estavam descrevendo o Reino Unido como se fosse uma zona de guerra aterrorizante e aquilo realmente me chocou, já que eu achava tudo normal lá. Percebi que aquilo tinha muito a ver com o que a mídia japonesa estava falando sobre o Reino Unido. Pensei, se a mídia tem tanto poder para descrever o Reino Unido assim, talvez ela não seja tão precisa em outros lugares também.
Decidi que queria ver a Coreia do Norte por mim mesma, e ver se a mídia criava um retrato preciso. Bem, o que encontrei lá é que é na verdade bem…normal. É “agradavelmente nada assombroso” como eu geralmente descrevo.
Com toda a mídia glorificando os foguetes e armas nucleares, é fácil esquecer que pessoas de verdade estão ali apenas vivendo suas vidas rotineiras. E é isso que você vê quando vai lá.
A partir de então, decidi que gostaria de mostrar esse lado da Coreia do Norte para outras pessoas.
Carimbo da Coreia do Norte no passaporte de Zoe Stephens
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
Quanto tempo você morou no Japão? O que fazia lá? E como foi parar na China? Você tem uma atração especial por países asiáticos?
Eu fui morar no Japão para estudar japonês como parte de um intercâmbio para o meu diploma de bacharel. Voltei para a Inglaterra inicialmente por um ano para completar os estudos e depois fui para a China. A Ásia nunca foi parte do meu plano. Estudei japonês pelo amor por idiomas e por querer me desafiar. A partir daí consegui um emprego para trabalhar com turismo na Coreia do Norte, o que naturalmente me levou à China. Eu nunca pensei que ia gostar da China – no final, é agora meu país favorito.
Como você começou a fazer os tours pela Coreia do Norte? Houve algum tipo de treinamento oficial? E existe algum monitoramento ou controle do seu trabalho?
Quando estava terminando meus estudos na Inglaterra vi que a empresa de turismo com a qual estive na Coreia estava contratando. Me candidatei e o resto é história! Me mudei para a China para começar no novo emprego. Fui a dois tours e na terceira vez (minha quarta visita ao país) eu comandei o primeiro por conta própria. Não existe nenhum monitoramento, realmente. Claro, como uma guia lá, você deve seguir as regras que espera que os outros também sigam.
Quem são seus principais clientes? Que tipo de turistas visitam a Coreia do Norte e quais suas expectativas? Eles costumam se surpreender?
Eu geralmente encontro três tipos de pessoas: colecionadores de países ou alguém que quer ‘riscar o nome da lista’, ou alguém que quer parecer legal e ousado. O tipo seguinte é gente interessado em política e sistemas políticos, alguns interessados ou apoiadores em governos socialistas etc. E o terceiro tipo, que eu diria ser o mais comum, são turistas como eu, que querem ver o país com seus próprios olhos.
As pessoas vêm de todas as partes do mundo, mas principalmente da Austrália, Reino Unido e alguns países europeus. Mas em um grupo você pode ter até dez nacionalidades – também alguns brasileiros!
Zoe Stephens com crianças norte-coreanas durante a comemoração de um Dia das Crianças
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
Acho que o mais surpreende as pessoas é o mesmo que me surpreendeu. Não é tudo paradas militares malucas, não é tão rigoroso, você pode fotografar as coisas, existem apenas pessoas normais vivendo suas vidas no dia a dia. E principalmente que nem tudo é “apenas um show”.
Do que você mais gosta na Coreia do Norte? E qual a parte mais difícil de se trabalhar (ou estar) lá? O que você mudaria no país, se pudesse?
Eu simplesmente gosto das pessoas, e de mostrar ao mundo o elemento humano desta sociedade que muitas vezes alienamos como sendo toda louca e vítima de uma lavagem cerebral.
São pessoas normais, que adoram beber, dançar, cantar e se divertir. Eles brincam, falam sobre sexo, ficam mal-humorados, ficam cansados, riem e choram. Eu amo mais o aspecto humano.
Faz com que a gente se sinta realmente humilde poder ver os aspectos de ser um humano verdadeiramente nos unindo onde quer que estejamos e de onde quer que estejamos.
Dança em grupo em praça na Coreia do Norte
Muitas vezes as pessoas pensam que filmar e fotografar ali deve ser difícil. Honestamente, as únicas vezes que sou questionada sobre filmar as coisas é se não estou com um grupo de turistas e estou filmando muito sozinha. Alguém no lugar pode ficar curioso sobre porque estou filmando tanto – e com razão.
Muitas vezes eles estão cientes de que há muita mídia negativa sobre eles, então eles são muito sensíveis, eles podem pensar que eu sou uma jornalista ou algo assim, então eles vão perguntar a mim ou aos guias. Nunca é um problema, mas eles só querem saber o que está acontecendo. Se estou com um grupo de turistas, é óbvio que são apenas um bando de turistas, então está tudo bem.
Zoe Stephens ao lado de um casal de idosos que trabalha em uma feira em Sariwon, na Coreia do Norte, e que ela sempre visita quando vai até lá
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
É principalmente sobre a compreensão da cultura e como as coisas são feitas lá. Se eu andar por aí com uma câmera ligada o tempo todo ou apontar minha câmera para os rostos das pessoas sem perguntar, é claro que posso ser solicitada a parar de filmar em algum lugar. Mas, contanto que eu seja respeitosa e talvez pergunte com antecedência, então é claro que está tudo bem. Todos os lugares em que filmei, qualquer pessoa pode filmar. Não tenho nenhuma permissão especial.
O único “acesso especial” que posso ter é que conheço algumas pessoas, então elas ficam felizes em fazer alguma entrevista comigo, porque confiam em mim e confiam no que farei com elas. E não fariam o mesmo com um estranho.
O aspecto mais difícil seria… provavelmente ter que sair sem ser capaz de manter contato facilmente com as pessoas de lá. Seria muito mais fácil planejar tours etc, se eu pudesse apenas ligar para eles ou mandar uma mensagem de texto sempre que eu quisesse. Se eu tivesse a chance, adoraria visitar a casa de um de meus colegas – tomar um chá e conhecer sua família ou algo assim.
Com que frequência você costumava visitar o país antes da pandemia? E quantas vezes acha que já esteve lá?
Eu costumava ir em média uma vez por mês. Às vezes várias vezes em um mês, nenhuma no seguinte. Como é normal em turismo, há temporadas mais cheias. No total, estive lá umas 30 vezes.
Quais são suas melhores lembranças da Coreia do Norte? E você já teve alguma experiência assustadora ou perigosa no país?
Parece mentira, mas realmente nunca tive nenhuma experiência de medo ou perigo. Desde que você respeite as regras, é muito seguro. E, claro, como guia, eu certamente as respeito. O perigo acontece quando membros de um grupo fazem algo que não devem – o que aconteceu algumas vezes, mas somos treinados sobre como agir e os guias norte-coreanos trabalham conosco para ajudar a resolver essas questões.
Queima de fogos no Reveillon 2019/2020 em Pyongyang
Minha lembrança favorita que sempre me recordo é minha estada durante o Ano Novo de 2019 para 2020. E é minha época favorita por apenas um reveillon mediano (ok, mais do que mediano!!!). Tudo que você espera de um reveillon aconteceu. Multidões com pessoas apenas querendo se divertir, ficando um pouco embriagadas, bandas e celebrações em uma grande praça, estranhos dançando e cantando juntos, fogos de artifício estourando… eu e meus colegas formamos um pequeno grupo com alguns universitários e cantamos juntos e assistimos aos fogos à meia-noite. Por alguns minutos, parecia que podíamos estar em qualquer lugar do mundo. Tenho um vídeo disso que vou publicar em breve no meu canal do YouTube. É de longe meu vídeo favorito (veja um trecho acima).
Você tem amigos na Coreia do Norte? Como se comunica com eles quando está fora do país? Eles têm autorização para manter contato?
Zoe Stephens em selfie com jovens norte-coreanos
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
Eu gosto de pensar que tenho alguns bons amigos lá sim. É fácil quando estou entrando e saindo a cada poucas semanas. Você passa muito tempo com os guias quando está nos tours (às vezes 24 horas por dia, a semana inteira), trabalhando junto durante o dia e tomando cervejas à noite. Você vai embora, mas volta logo, então é fácil manter relacionamentos que poder ficam bastante fortes.
Mas, quando não estou no país, não posso contatá-los de forma alguma. Claro, podemos fazer contato com a companhia de viagens para propósitos comerciais, mas não simplesmente ligar e bater papo. Isso foi difícil para mim inicialmente, no começo da pandemia. Eu logicamente me preocupei em saber como estavam meus amigos e colegas. Ainda me preocupo.
Você já cogitou morar na Coreia do Norte algum dia?
Sim e não. Morar lá é uma história completamente diferente. O período mais longo que já passei lá foi pouco mais de um mês e foi duro. Se você vive lá, porém, você tem tantos direitos e liberdades diferentes – é muito diferente. Você tem um passe para sair por aí sozinha e visitar o mercado. Como turista, você não tem isso. Então isso, com certeza, seria interessante. Mas, no final das contas, eu não iria simplesmente fazer as malas e ir para lá. Eu teria que ter uma razão para viver ali, talvez algum projeto ou trabalhar para a embaixada britânica. Então, nunca diga nunca, mas atualmente não tenho planos para isso.
Zoe Stephens exibe cédulas de 5 mil won, o dinheiro da Coreia do Norte. É proibido deixar o país carregando o dinheiro local
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
Você gravou um vídeo para explicar sua posição ética sobre promover a Coreia do Norte. Com que frequência as pessoas te questionam sobre isso? E como você costuma reagir?
Muita! É sempre uma discussão quente. As pessoas são muito passionais sobre isso. Mas o que lamento é que as pessoas têm uma opinião tão forte sobre algo que entendem tão pouco… elas falam principalmente a partir do ponto de vista do que ouviram na mídia, e não fazem suas próprias investigações. Todos têm direito a suas opiniões e eu certamente respeito quem pensa que não é ético. Posso entender por que, mas o que não posso entender é gente que defende firmemente esse ponto de vista sem ter feito sua própria pesquisa.
Zoe Stephens posa com guardas da DMZ que conheceu ao longo de 20 viagens ao local, realizadas durante dois anos
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
Meu vídeo tem 30 minutos, então poderia escrever uma longa resposta para isso… mas em geral apenas dou às pessoas a minha resposta honesta e simples. Acredito que o turismo faz mais bem do que mal à Coreia do Norte. Simples assim. E se você quer saber porque acredito nisso… você pode assistir ao vídeo!
E, finalmente, como guia profissional, quais seriam seus 10 lugares turísticos favoritos na Coreia do Norte?
Bem, isso certamente depende do que você depende fazer, para ser honesta. Claro, existem os pontos principais, monumentos que não se pode perder. Mas darei minha opinião pessoal, vinda de alguém cuja atividade favorita no exterior é simplesmente fazer o que os locais fazem, visitar os lugares e abraçar a vida por lá.
1. Supermercado Kwangbok
Acompanhado de uma comitiva, Kim Jom-il visita supermercado de Pyongyang
Korean Central News Agency via Korea News Service / AP
Um supermercado local com produtos norte-coreanos e uma praça de alimentação e banquinhas de comida com cerveja e churrasco – muito divertido, especialmente no verão! Você pode simplesmente relaxar e curtir com os locais.
2. Parque de Diversões Mangyongdae
Parque de diversões Mangyongdae, na Coreia do Norte
Efgus – Own work, CC BY-SA 4.0
Um parque de diversões legal onde você pode passear nos brinquedos com moradores e crianças que saem da escola. Apenas um lugar divertido para se estar!
3. Museu da Guerra
O único museu que vou citar porque é realmente muito, muito bom e ajuda a entender o lado norte-coreano da história – além de ser um museu incrivelmente impressionante.
4. Metrô de Pyongyang
Funcionárias do metrô de Pyongyang na plataforma de uma estação
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
Veja com seus próprios olhos se os boatos são reais – ele é realmente de mentira? Obviamente não… na verdade, muitas de suas estações são incrivelmente bonitas.
5. Chilbosan
Zoe Stephens em Chilbosan
Reprodução/Instagram/Zoe Stephens
Uma bela região montanhosa no nordeste com caminhadas incríveis. Aqui você também pode hospedar-se na casa de uma família norte-coreana!
6. Kumgangsan
Parque Nacional de Kumgangsan, na Coreia do Norte
Clay Gilliland
Outra bela cordilheira com caminhadas imbatíveis.
7. Nampo
A apenas uma hora de Pyongyang, você chega à área rural de Nampo. A pousada aqui é como voltar no tempo – um spa quente onde você pode desfrutar de um churrasco “a gasolina” de amêijoas. Uma Experiência muito legal!
8. Cafés
Simplesmente passe um tempo nos muitos cafés de Pyongyang ou para uma experiência mais “local” e menos de “elite” vá para um dos muitos…
9. …Bares!
Todo mundo adora uma boa bebida – e especialmente os coreanos. Brinde com um local e experimente as várias cervejas locais norte-coreanas.
10. Estádio Dia de Maio/Mass Games
Norte-coreanos lotam estádio em Pyongyang para comemorar 60 anos do fim da Guerra da Coreia
Kyodo/Reuters
Se você tiver a chance de ver o incrível espetáculo do Mass Games, não perca! Ele acontece no que os coreanos afirmam ser o maior estádio do mundo – o Estádio do Dia de Maio.

Fonte: G1 Mundo

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Os alemães que venceram queda de braço com regime comunista pelo direito de ficar nu


‘Havia policiais patrulhando as praias e tentando fazer as pessoas colocarem suas roupas de volta’, conta historiadora. “É usar a natureza completamente, de forma plena”, disse alemão acerca do nudismo
Sean Gallup/Getty Images/Via BBC
Não é de hoje que muitos alemães se despem com naturalidade em público — seja em praias, parques ou saunas espalhadas pelo país.
Alguns deles são membros de um movimento naturista chamado FKK, ou “cultura do corpo livre”, que foi proibido durante o nazismo e, em seguida, enfrentou desaprovação oficial nos primeiros anos do regime comunista na Alemanha Oriental.
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O jornalista Mike Lanchin, do programa de rádio Witness, da BBC, foi atrás das origens desse costume e mostra como os alemães desafiaram as autoridades comunistas pelo direito de pegar sol como vieram ao mundo, na costa do Mar Báltico.
Há mais de seis décadas, o alemão Wolfgang Heider vai à praia nu, um costume do qual se orgulha.
“Nunca foi uma coisa erótica”, afirmou ele em entrevista ao programa Witness em 2017.
De fato, a nudez pública é vista com algo natural na Alemanha — onde não é incomum se despir em diversas situações cotidianas.
Nudismo é visto com naturalidade por muitos alemães
Waltraud Grubittzsch/AFP/Getty Images/Via BBC
“É usar a natureza completamente, de forma plena”, acrescentou ele.
Wolfgang foi sem roupa pela primeira vez às praias naturistas do Mar Báltico, na Alemanha, ainda no início do regime comunista, que sucedeu o fim da Segunda Guerra Mundial.
“Havia meninas, meninos, a gente brincava junto, sempre tinha algum tipo de esporte, como vôlei, natação, claro”, relembrou.
E, segundo ele, nunca houve qualquer tipo de constrangimento.
“Era normal para nós.”
O nudismo e o naturismo têm uma longa tradição na Alemanha. O movimento FKK, abreviação de Freikörperkultur, data de mais de cem anos.
Conforme mostrou reportagem publicada pela BBC Future, na virada do século 20, pairava no ar a Lebensreform (“reforma da vida”), uma filosofia que defendia a alimentação orgânica, a liberação sexual, a medicina alternativa e uma vida mais simples e mais próxima da natureza.
“(O FKK) surgiu de uma preocupação com a saúde, e uma sensação de que era saudável para o corpo ficar exposto ao sol e ao ar puro”, explicou à BBC Josie McLellan, professora de história moderna na Universidade de Bristol, no Reino Unido.
“Muitas vezes, era considerado um bom antídoto para alguns aspectos negativos da/ industrialização.”
Na década de 1920, o nudismo em prol da saúde e do bem-estar estava crescendo em popularidade na Alemanha. E havia centenas de spas nudistas por todo o país.
“Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), uma série de pessoas tentaram popularizar (a prática), sobretudo trazendo para dentro da tradição social-democrata”, acrescentou McLellan.
“Viam como algo muito importante para as massas, fazer exercícios ao ar livre, pegar ar fresco e se expor à luz do sol.”
Ainda na época da ascensão do nazismo (1933-1945) na Alemanha, o nudismo havia sido oficialmente banido — embora alguns vissem a prática como uma forma de criar o corpo ariano perfeito.
E a cineasta favorita de Adolf Hitler, Leni Riefenstahl, usou corpos nus atléticos e fortes à vontade em seus documentários em preto e branco dos anos 1930.
“Há muita glorificação do corpo nu na propaganda nazista, principalmente em torno dos Jogos Olímpicos. O famoso filme Olympia, de Leni Riefenstahl, tem muitos homens e mulheres nus”, explicou McLellan.
“Acho que o corpo nu se torna um símbolo de uma Alemanha forte, uma Alemanha jovem e uma Alemanha racialmente pura.”
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, que resultou na divisão do país, poucos alemães tinham condições de sair de férias.
Mas no início da década de 1950, o Mar Báltico estava novamente lotado de turistas da agora comunista República Democrática Alemã (RDA), a chamada Alemanha Oriental.
“Na década de 1950, ainda era possível viajar para o oeste (Alemanha Ocidental, de regime capitalista), mas havia restrição financeira. O Mar Báltico era realmente o balneário que a população frequentava”, disse Wolfgang.
Ele e os amigos, como muitos alemães orientais, aderiram ao hábito de nadar ou simplesmente curtir o dia na praia nus.
Ele explicou que havia uma espécie de código de conduta. As pessoas não gostavam, por exemplo, de ser fotografadas nuas.
E excessos também não eram vistos com bons olhos.
“Lembro, por exemplo, de pessoas que iam nuas fazer compras no supermercado. Isso, é claro, não era legal.”
Para Wolfgang, o nudismo colocava todos em pé de igualdade.
“É claro que parecia estranho quando você estava na praia e via seu diretor ou professor da universidade sentado atrás de você. (Mas) as pessoas são muito iguais lá. E isso tornava a coisa toda, como posso dizer, muito democrática.”
Mas o Partido Comunista da Alemanha Oriental não via dessa forma. E um ministro chegou a pedir que o nudismo fosse banido novamente para proteger os olhos da nação.
“Eles tentaram proibir na costa báltica, e havia realmente policiais patrulhando as praias e tentando fazer as pessoas colocarem suas roupas de volta”, explicou McLellan.
“Mas, na verdade, não deu certo porque, de um modo geral, os banhistas e os turistas se recusam a aceitar. Eles apenas riam dos policiais, ou zombavam deles.”
Alguns desafiavam as autoridades de forma bem criativa.
“Há relatos de gente de gravata na praia, e aí quando a polícia tentava efetuar a prisão, eles falavam: ‘Não estou nu, estou de gravata’.”
“Havia também algumas pessoas que eles tentavam prender e diziam: ‘Eu sou socialista, sou do partido, não acho que haja algo de errado nisso, isso na verdade faz parte da tradição socialista'”, completou a historiadora.
Wolfgang contou que, inicialmente, as autoridades locais ficaram um pouco surpresas com a resistência — mas com o fortalecimento do movimento, tiveram que se render, “abrindo oficialmente praias para FKK”.
Não há estatísticas confiáveis ​​sobre quantas pessoas frequentavam acampamentos de FKK ou se despiam nas praias durante o regime comunista. Mas, em 1980, cerca de 80% dos alemães orientais afirmaram que nadavam nus.
Com o colapso do comunismo no Leste Europeu e a queda do muro de Berlim, em 1989, Wolfgang relembrou ter se deparado com um certo puritanismo por parte de alguns alemães ocidentais em relação ao fascínio de seus vizinhos pelo nudismo.
“Nós (alemães orientais) achamos isso um pouco ridículo, aquele povo vindo do oeste estava um pouco indignado com esta vida livre.”
Desde a reunificação da Alemanha em 1990, houve um declínio da cultura FKK.
“Então quando hoje em dia, você vai a essas praias, você encontra mais idosos, que estão acostumados com aquela antiga tradição”, declarou Wolfgang. “Não é tão livre e convencional como era antes.”
Mas a cultura FKK continua sendo vista como um ato de resistência.
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Fonte: G1 Mundo

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Com recordes de infecções, Holanda volta a lockdown parcial


Cerca de 85% da população adulta foram vacinados, mas o país teve dois recordes consecutivos de infecções diárias. Holanda anuncia lockdown de três semanas para conter a Covid-19
A Holanda voltou a implementar um lockdown parcial neste sábado (13). O governo deu ordem para que os restaurantes e lojas fechem cedo e também proibiu que eventos esportivos ocorram com público.
O país vive uma onda de contágios por coronavírus.
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Holanda anuncia retomada de medidas de prevenção contra a Covid
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Rua em Amsterdã na véspera da volta do lockdown parcial, em 12 de novembro de 2021
Eva Plevier/Reuters
O primeiro-ministro Mark Rutte afirmou que as as restrições devem durar três semanas.
Lojas de produtos não essenciais e até mesmo supermercados vão fechar mais cedo, e medidas de distanciamento social serão impostas novamente.
O governo recomendou que as pessoas não recebam mais de quatro visitas.
Os cafés e as boates precisam fechar às 20h.
Mark Rutte fez um pronunciamento na TV e afirmou que o vírus está em todos os locais e precisa ser combatido. “Nesta noite, nós trazemos uma mensagem muito desagradável com medidas muito desagradáveis e amplas”, disse ele.
Um grupo de cerca de 100 pessoas fez um protesto.
Ainda estuda-se uma forma de restringir o acesso de pessoas não vacinadas a locais fechados. Esse é um tema politicamente delicado, que iria precisar de uma votação parlamentar.
Infecções recordes
Há uma retomada das infecções por Covid-19 na Holanda, e os hospitais estão mais cheios.
As novas infecções chegaram a cerca de 16 mil pelo segundo dia consecutivo na sexta-feira.
O recorde de novos casos havia acontecido em dezembro do ano passado, e era de 13 mil incidências.
Rutte pediu para que as pessoas trabalhem de casa sempre que possível.
Escolas, teatros e cinemas vão continuar abertos.
Mudança de política
As decisões do governo marcam uma mudança na política do país para a Covid-19.
Até o mês passado, a expectativa era a de que a alta taxa de vacinação permitiria um relaxamento de medidas restritivas até o fim do ano.
Cerca de 85% da população adulta da Holanda já foi completamente vacinada.
Desde o começo da pandemia, a Holanda teve 2,3 milhões de casos de Covid-19 e 18,7 mil mortes.
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Fonte: G1 Mundo

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Membros das forças de segurança do Paquistão são mortos perto da fronteira com o Afeganistão

Segundo órgão de comunicação, três soldados e dois policiais foram mortos, e seis civis ficaram feridos nos ataques. Pelo menos cinco integrantes das forças de segurança – três soldados e dois policiais – foram mortos, e seis civis ficaram feridos em três ataques separados na região oeste do Paquistão, perto da fronteira com o Afeganistão, neste sábado (13).
Dois soldados foram mortos durante um tiroteio com militantes na região de Hoshab, no distrito de Turbat, no Paquistão, e um terceiro soldado foi morto enquanto tentava desarmar um explosivo improvisado, afirmou o órgão de comunicação das forças armadas.
Mais cedo, dois policiais foram mortos e seis civis ficaram feridos, incluindo uma jovem, em ataques no norte do Paquistão, perto do Afeganistão. Militantes do Talibã concordaram com um cessar-fogo de um mês após conversas com o governo, disse a polícia.
Os policiais foram mortos por um explosivo improvisado perto da fronteira, na província de Khyber Pakhtunkhwa, onde estavam protegendo um reservatório.
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Fonte: G1 Mundo

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Nova rebelião em penitenciária do Equador deixa mais de 50 mortos


Comandante da polícia local disse neste sábado que há 58 vítimas, além de 12 feridos. Palco de confronto entre grupos de narcotraficantes, penitenciária é a mesma onde morreram 119 no fim de setembro. Agentes no teto da penitenciária em Guayaquil onde houve uma rebelião, em 13 de novembro de 2021
Jose Sanchez/AP
Uma nova rebelião deixou 58 detentos mortos na mesma penitenciária de Guayaquill, no sudoeste do Equador, que em setembro foi cenário de um dos maiores massacres carcerários da história da América Latina (119 óbitos), anunciou neste sábado (13) a comandante da polícia, general Tannya Varela.
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Imagem do lado de fora da penitenciária de Guayaquil onde houve uma rebelião em 13 de novembro de 2021
Fernando Mendez/AFP
A oficial afirmou em uma entrevista coletiva que “até o momento” os confrontos entre os detentos, que começaram nesta sexta-feira (12), deixaram “58 privados da liberdade que perderam suas vidas e 12 feridos”.
A intervenção da polícia para tentar restabelecer a ordem na penitenciária “permitiu salvar vidas”, declarou Pablo Arosemena, governador da província de Guayas, que tem Guayaquil como capital
Grupos de criminosos rivais vinculados ao narcotráfico travam uma batalha violenta na penitenciária de Guayas 1. Em 28 de setembro, 119 pessoas morreram na mesma prisão, o pior massacre na história carcerária do Equador e um dos mais graves da América Latina.
O local – que tem 8,5 mil presos, uma superpopulação de 60% segundo os dados oficiais – tem sido cenário de atos de violência desde então. Após a rebelião de setembro, outros 15 detentos foram assassinados, o que elevou o balanço para 134 mortos até este sábado.
As rebeliões carcerárias no Equador provocaram mais de 250 mortes de prisioneiros desde o início do ano. Em fevereiro, 79 presidiários morreram em distúrbios simultâneos em quatro centros penitenciários.
Parentes de pessoas presas em Guayaquil aguardam notícias do lado de fora da prisão, em 13 de novembro de 2021
Fernando Mendez / AFP
O massacre de setembro levou o governo equatoriano a declarar estado de exceção para o sistema penitenciário por 60 dias (até o fim de novembro): soldados apoiam a polícia na segurança das 65 prisões do país.
Os presídios equatorianos têm capacidade para 30 mil pessoas, mas estão ocupadas por 39 mil (30% acima da capacidade).
VÍDEOS: os mais assistidos da semana no g1

Fonte: G1 Mundo

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Belarus: 8 pontos para entender crise com milhares de imigrantes em fronteira da União Europeia


Para a Polônia, a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Belarus está fabricando e orquestrando a crise migratória, uma acusação negada por seu contestado líder, o presidente Alexander Lukashenko, que ameaçou cortar o suprimento de gás para a Europa e tem o apoio do colega russo, Vladimir Putin. Migrantes do Oriente Médio em Belarus tentam abrir passagem na cerca que os separa da Polônia, nesta segunda-feira (8)
Leonid Shcheglov/BelTA via AP
A crise migratória na fronteira entre Belarus e a Polônia tem se agravado nos últimos dias, à medida que milhares de pessoas oriundas do Oriente Médio e da África tentam entrar no território polonês.
Muitas delas chegam em voos a Belarus: segundo o portal Flightradar24, na próxima semana estão previstos 21 voos de Istambul a Minsk (capital do país), 12 de Dubai e 1 de Bagdá. Sem contar os voos fretados.
Em reação, a Turquia decidiu proibir o embarque de iraquianos, sírios e iemenitas de embarcarem em voos para Belarus, que tem apoiado a migração rumo à União Europeia. Mas a medida turca não deve conter o fluxo que se transformou em crise geopolítica às portas do bloco europeu.
Para a Polônia, a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Belarus está fabricando e orquestrando o problema, uma acusação negada pelo contestado líder do país, o presidente Alexander Lukashenko, que ameaçou cortar o suprimento de gás para a Europa e tem o apoio do colega russo, Vladimir Putin.
Autoridades da União Europeia afirmam que a situação é uma retaliação de Belarus a sanções do bloco europeu — essas medidas foram impostas após a repressão de Lukashenko aos protestos em massa, após a amplamente desacreditada eleição presidencial de 2020 e a prisão de um jornalista dissidente a bordo de um voo que foi forçado a pousar em Minsk.
Entenda abaixo a tensão crescente na região em oito pontos.
1. Como a crise começou?
Desde 2020, as autoridades de Belarus cancelaram ou simplificaram os requisitos de visto para 76 países. Entre estes estão vários afetados por conflitos graves, como Síria, Líbia, Iraque e Afeganistão, de onde milhares de pessoas estão tentando sair.
Agências de viagens da Síria, Iraque e Turquia começaram a vender viagens para Belarus destacando a oportunidade de moradia e emprego em um país da União Europeia. Dezenas de mensagens desse tipo chegam também pelo WhatsApp, aplicativo de mensagens mais utilizado na região.
Essa viagem custa entre US$ 10 mil e US$ 20 mil (algo em torno de R$ 50 mil a R$ 100 mil), a depender das condições. Segundo investigação do veículo de imprensa alemão Deutsche Welle, os consulados de Belarus até delegaram o direito de colocar vistos de seu país em passaportes para essas agências de viagens.
Além disso, Belarus aumentou significativamente o número de voos de nações do Oriente Médio. Vários países da Europa denunciam que até as autoridades do país estão por trás dessas ofertas promovidas pelas agências de viagens.
Mulheres migrantes de países do Oriente Médio fazem fogueira para enfrentar o frio enquanto tentam passar de Belarus para a Polônia nesta segunda (8)
Leonid Shcheglov/BelTA via AP
2. De onde vêm os migrantes?
Até meados de 2021, o Iraque era o principal ponto de partida. Em setembro, o alto representante das Nações Unidas, Josep Borrell, conseguiu negociar com as autoridades iraquianas uma redução desses voos para Belarus.
Atualmente, os curdos que fogem da Síria são a maioria dos que tentam entrar na União Europeia por esse percurso. Na Síria, eles são ameaçados não apenas pelo regime sírio, mas também por militantes do Estado Islâmico.
Há também migrantes que vêm da Líbia, Afeganistão, Iêmen e de vários países africanos onde há conflitos religiosos e políticos, como Congo e Etiópia.
3. Como eles chegam à fronteira Belarus-Polônia?
Muitos dos voos são operados pela Belavia (companhia de Belarus banida na União Europeia por causa das sanções), Turkish Airlines e Qatar Airlines, e outra companhia aérea de baixo custo conhecida como Fly Dubai.
Até recentemente, o visto de refugiado, caso o passageiro precisasse, era concedido no próprio aeroporto no momento do embarque.
Nas portas de embarque dos voos, é impossível distinguir passageiros como migrantes ou refugiados. Eles têm dinheiro, todos os seus documentos estão em ordem, suas roupas são muito parecidas. Então, na maioria das vezes não há razão para impedir alguém de embarcar no voo.
O que acontece a seguir não está claro. Vídeos que têm circulado nas redes sociais mostram que estes passageiros são transportados de forma muito organizada do aeroporto de Minsk até à fronteira com a Polónia e a Lituânia.
Só que até o momento foi impossível identificar quem organiza essa logística dentro de Belarus.
4. Como os migrantes cruzam a fronteira?
No início da crise migratória, os guardas de fronteira poloneses e lituanos deixavam as pessoas passarem e depois as enviavam para instalações especiais.
No entanto, ao mesmo tempo, os chanceleres de ambos os países começaram a acusar Belarus de organizar este novo fenômeno migratório.
Então, com centenas e depois milhares de pessoas tentando cruzar a fronteira todos os dias, a Polônia e a Lituânia decidiram fechar a passagem de fronteira e começaram a fortificar a área com cercas cheias de arame farpado.
Agora, a fronteira só pode ser cruzada ilegalmente, mas isso não impede muitos de tentar passar mesmo assim. Parte deles tentou pular as cercas colocadas pelos guardas de fronteira.
Outros procuram áreas que não são vigiadas. Para se ter uma ideia, a fronteira Belarus-Polônia estende-se por mais de 400 quilómetros e grande parte dela é coberta por florestas ou pântanos.
Helicóptero militar da Polônia vigia grupo de migrantes que tenta entrar no país por meio da fronteira com Belarus nesta segunda (8)
Leonid Shcheglov/BelTA via AP
5. O que os guardas de fronteira de Belarus têm feito?
A julgar por dezenas de declarações dos próprios refugiados e migrantes e pelos vídeos que autoridades lituanas e polonesas têm divulgado, o órgão de fronteira de Belarus está apoiando diretamente os refugiados a cruzarem a fronteira ilegalmente.
Em uma entrevista ao jornal local Nasha Niva, um oficial do órgão de fronteira descreveu, sob anonimato, as atividades de seu departamento como “uma desvalorização completa das leis e de seu juramento”.
Mas o governo local tem rebatido essas informações e acusações. “Belarus está cumprindo seu maior dever de impedir a migração ilegal. As razões (para este novo fluxo) podem ser encontradas no apoio dos países da UE às revoluções ‘coloridas’ (o termo usado para descrever levantes populares contra certos governos) nas regiões onde vidas foram destruídas ou há guerras”, diz o governo.
6. Para onde os migrantes vão?
Tanto a Polônia quanto a Lituânia são considerados, assim como Belarus, países de trânsito para refugiados e migrantes. Muitos deles têm como destino final localidades como Alemanha, França, Áustria e Holanda, onde costumam ter familiares ou conhecidos.
De acordo com as autoridades alemãs, pelo menos 5.000 pessoas chegaram à Alemanha via Belarus.
7. Onde refugiados e migrantes estão vivendo em Belarus?
Autoridades nunca informaram o número exato de pessoas que chegaram recentemente ao país . De acordo com os moradores de Minsk, centenas de pessoas estão acampando em shoppings, passagens subterrâneas e entradas de prédios residenciais em toda a cidade.
Talvez por isso, temendo que a situação saia do controle dentro do próprio país, nos últimos dias as autoridades de Belarus têm endurecido as condições para chegar ao país.
A ação mais concreta que se tem notícia é que deixaram de emitir vistos no aeroporto para cidadãos de cinco países: Síria, Irã, Afeganistão, Nigéria e Iêmen.
Migrantes do Oriente Médio em Belarus tentam abrir passagem na cerca que os separa da Polônia, nesta segunda-feira (8)
Leonid Shcheglov/BelTA via AP
8. A Rússia está envolvida na crise de migração?
Autoridades de diversos países da União Europeia afirmam que sim, mas ainda não apresentaram provas. O primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, por exemplo, disse: “Este ataque que (o presidente bielorrusso) Lukashenko está perpetrando tem seu cérebro em Moscou. O cérebro é o presidente Putin”.
Putin diz que Rússia não tem relação com crise na fronteira entre Polônia e Belarus
As autoridades russas refutam categoricamente essas acusações. O secretário de imprensa do presidente russo, Dmitry Peskov, considerou as palavras de Morawiecki irresponsáveis ​​e inaceitáveis.
A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu ao presidente Putin que intervenha na crise, situação que a União Europeia considera “um ataque híbrido” com o objetivo de desestabilizar o bloco europeu.
A Rússia elogiou o tratamento “responsável” de seu aliado bielorrusso na questão da fronteira e disse que está acompanhando a situação de perto.
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Fonte: G1 Mundo

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Papa Francisco agradece a jornalistas por ajudarem a expor escândalos sexuais na Igreja


Pontífice falou em cerimônia neste sábado (13) para homenagear dois correspondentes veteranos – Philip Pullella, da Reuters, e Valentina Alazraki, da mexicana Noticieros Televisa – por suas longas carreiras cobrindo o Vaticano. Imagem de 13 de novembro de 2021 mostra o papa Francisco em cerimônia para homenagear os jornalistas Valentina Alazraki e Philip Pullella, veteranos correspondentes no Vaticano
Simone Risoluti/Vatican Media via Reuters
O papa Francisco agradeceu a jornalistas neste sábado (13) por ajudarem a revelar os escândalos de abuso sexual por parte do clero que a Igreja Católica Romana inicialmente tentou encobrir.
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O pontífice elogiou o que chamou de “missão do jornalismo” e disse ser vital que repórteres saiam de suas redações e descubram o que está acontecendo no mundo exterior para conter a desinformação muitas vezes encontrada on-line.
“Agradeço vocês pelo que nos dizem sobre o que está errado na Igreja, por nos ajudarem a não esconder isso embaixo do tapete, e pela voz que vocês deram às vítimas de abuso”, disse o papa.
Francisco falou em cerimônia para homenagear dois correspondentes veteranos – Philip Pullella, da Reuters, e Valentina Alazraki, da mexicana Noticieros Televisa – por suas longas carreiras cobrindo o Vaticano.
Os escândalos de abuso sexual chegaram às manchetes em 2002, quando o jornal norte-americano “The Boston Globe” escreveu uma série de artigos expondo um padrão de abuso de menores por clérigos e uma cultura disseminada de ocultar esse tipo de ação dentro da Igreja.
O caso inspirou o longa “Spotlight – Segredos revelados” (2015), que ganhou o Oscar de melhor filme de 2016 (clique aqui para ler a crítica do g1).
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Fonte: G1 Mundo

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Com desmatamento em alta, Bolsonaro reclama que Brasil foi muito atacado na COP 26

O presidente Jair Bolsonaro reclamou neste sábado (13), ao chegar ao hotel onde está hospedado em Dubai, que o Brasil foi muito atacado na COP 26, a Conferência do Clima organizada pela ONU em Glasgow.
Bolsonaro não foi à COP, mas integrantes do governo representaram o país. A gestão de Bolsonaro vem sendo criticada pela comunidade internacional desde 2019, quando começou o governo, em razão da postura do presidente em relação ao meio ambiente.
Nos últimos anos, os números do desmatamento da Amazônia vêm apresentando sucessivos recordes negativos. A estatística mais recente, divulgada nesta sexta-feira (12) pelo Inpe, apontou registro recorde de alertas de desmatamento para um mês de outubro.
Viagem ao Oriente Médio
Bolsonaro chegou neste sábado Dubai, por onde começa sua viagem oficial de uma semana ao Oriente Médio. Depois ele vai para Abu Dhabi, Bahrein (a capital, Manama) e Catar (a capital, Doha).
No primeiro dia em Dubai, o presidente visitou a Expo 2020, a feira universal, um dos maiores eventos realizados no mundo desde a pandemia de Covid.
Na Expo 2020, Bolsonaro se encontrou com o emir de Dubai e primeiro-ministro dos Emirados Árabes, Mohammed bin Rashid Al Maktoum.
Na ocasião, Bolsonaro condecorou o líder árabe com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. A honraria, concedida a estrangeiros, é a mais alta condecoração brasileira atribuída a cidadãos estrangeiros.

Fonte: G1 Mundo

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Inundações deixam família ilhada em pleno deserto na Austrália; veja fotos


A família, composta por dois adultos e duas crianças, viajava pelo remoto deserto de Simpson, quando o motorhome ficou atolado nesta sexta. Interior do país teve chuvas torrenciais nesta semana. Resgate pode levar dias, segundo autoridades locais. Motorhome é visto atolado em área que alagou no deserto de Simpson, região central da Austrália, em 12 de novembro de 2021
Australian Maritime Safety Authority (AMSA) via Reuteres
As chuvas torrenciais que caíram nesta semana no interior da Austrália deixaram uma família isolada em pleno deserto, e as autoridades advertiram que o resgate pode levar dias. A família, composta por dois adultos e duas crianças, viajava pelo remoto deserto de Simpson, região central do país, quando seu motorhome ficou atolado nesta sexta-feira (12).
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Respondendo a uma sinalização de emergência, a Autoridade Australiana de Segurança Marítima (AMSA, na sigla em inglês) teve de lançar do ar um telefone por satélite para poder se comunicar com a família, devido às inundações e ao isolamento da região, que fica 150 quilômetros ao noroeste da pequena cidade de Oodnadatta.
“A AMSA fez contato com as pessoas dentro do motorhome por volta de 14h30 locais [de sexta-feira] e confirmou que não havia feridos e que eles tinham os mantimentos necessários”, indicou um porta-voz em comunicado.
A polícia explicou ao canal australiano ABC que, apesar de as condições do tempo estarem melhorando, a cheia dos rios indicaria que a família poderia ficar presa no local até pelo menos segunda-feira (15).
“À medida que o clima melhorar, avaliaremos como e quando vamos resgatar a família e o veículo”, informou a polícia.
A cidade desértica de Alice Springs registrou no início desta semana a maior quantidade de chuva em um único dia desde 2001, o que transformou o rio Todd, que é intermitente e permanece seco na maior parte do tempo, em uma torrente.
As precipitações também provocaram inundações e alertas em grandes áreas do sul e do leste do país. Nos últimos anos, a Austrália tem sofrido períodos de seca, incêndios florestais e inundações cada vez mais extremas, provocadas pela mudança climática.
Motorhome atolado no deserto de Simpson, região central da Austrália, em 12 de novembro de 2021
Australian Maritime Safety Authority (AMSA) via Reuteres
Motorhome atolado no deserto de Simpson, região central da Austrália, em 12 de novembro de 2021
Australian Maritime Safety Authority (AMSA) via Reuters
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Fonte: G1 Mundo

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Putin diz que Rússia não tem relação com crise na fronteira entre Polônia e Belarus


‘Quero que todo o mundo saiba. Não temos nada a ver com isto’, declarou o presidente da Rússia durante entrevista, neste sábado (13). Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante conferência em Moscou
Mikhail METZEL / POOL / AFP
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou que Moscou tenha ajudado a orquestrar uma crise que deixou centenas de migrantes do Oriente Médio bloqueados na fronteira entre Belarus e Polônia.
“Quero que todo o mundo saiba. Não temos nada a ver com isto”, declarou o presidente, neste sábado (13), em uma entrevista ao canal Vesti, depois que a Polônia e outros países ocidentais acusaram Moscou de ter orquestrado com Minsk o envio de migrantes à fronteira.
O presidente russo responsabilizou os países ocidentais pela crise, ao afirmar que suas políticas no Oriente Médio estimulam o desejo dos imigrantes de viajar ao continente europeu.
Para resolver a crise, Putin recomendou que os líderes europeus conversem com o presidente bielorrusso Alexander Lukashenko, como, segundo ele, estava disposta a fazer a chanceler alemã Angela Merkel.
“Não devemos esquecer de onde vem as crises associadas aos imigrantes… foram criadas pelos próprios países ocidentais, incluindo os europeus”, disse.
Belarus afirma que quase 2.000 pessoas – incluindo mulheres e crianças – permanecem na área de fronteira. A Polônia cita, no entanto, entre 3.000 e 4.000 e alega que a cada dia chegam mais migrantes.
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Barracas e aquecedores
Os migrantes, curdos em sua maioria, estão bloqueados na fronteira entre Polônia e Belarus sob temperaturas próximas de zero grau. Para enfrentar o frio, eles aguardam em barracas e queimam lenha.
A situação é cada vez mais preocupante. A Polônia não permite que atravessem a fronteira e acusa Belarus de impedir a saída do grupo da região.
Neste sábado, as autoridades bielorrussas anunciaram a entrega de barracas e aquecedores às pessoas bloqueadas, uma medida que pode prolongar a presença dos migrantes na fronteira da União Europeia (UE).
“A parte bielorrussa está fazendo todo o possível para proporcionar o que precisam. Entregamos água, lenha e ajuda humanitária”, disse Igor Butkevich, diretor adjunto do comitê estatal de fronteiras, à agência estatal Belta.
Há vários meses os migrantes tentam atravessar a fronteira, mas a crise foi agravada na segunda-feira, quando centenas de pessoas tentaram entrar ao mesmo tempo na Polônia e foram impedidas pelos guardas.
Neste sábado, a polícia polonesa informou que encontrou o corpo de um jovem sírio na floresta próxima da fronteira. “As causas da morte ainda não foram determinadas”, afirma um comunicado.
Este óbito elevaria a 11 o número de vítimas fatais da crise migratória, segundo diversas ONGs.
A polícia também informou que mais de 100 pessoas tentaram cruzar a fronteira de maneira irregular durante a noite.
A UE acusa Belarus de organizar os deslocamentos de migrantes, com a emissão de vistos e até voos fretados, com o objetivo de provocar uma crise migratória na Europa, em resposta às sanções internacionais contra o governo de Lukashenko.
Crise migratória na fronteira da Polônia com Belarus se intensifica
Novas sanções
De fato, na próxima semana, o bloco europeu pretende ampliar as sanções.
O vice-presidente da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, afirmou em uma entrevista ao jornal francês Le Figaro que as sanções serão “aprovadas e aplicadas”.
Ele explicou que as medidas serão adotadas, entre outros, contra a companhia aérea estatal Belavia, acusada de fretar voos para migrantes da Turquia para Minsk.
Na sexta-feira, a UE afirmou que registrou “progressos” para frear o fluxo de migrantes na fronteira entre Belarus e Polônia, depois que a Turquia proibiu o embarque de cidadãos da Síria, Iraque e Iêmen em voos para a capital bielorrussa.
O principal conselheiro de política externa do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou à AFP que Ancara não pode ser culpada.
“Parece que um número significativo de migrantes e viajantes segue para Belarus e depois para Lituânia, Polônia e outros Estados europeus. Culpar a Turquia ou a Turkish Airlines é simplesmente errado e inapropriado”, disse Ibrahim Kalin.
“Esta crise não tem nada a ver com a Turquia”, insistiu.
A tensão é cada vez maior na fronteira e os dois países mobilizaram suas tropas. Na sexta-feira, Belarus advertiu que responderia a qualquer ataque contra seu território.
Apesar da pressão do Ocidente, Lukashenko pode contar com o apoio da Rússia. Tropas aéreas dos dois países organizaram na sexta-feira “exercícios de combate” perto da fronteira entre Belarus e Polônia.
Porém, o apoio de Moscou a Minsk costuma ser cauteloso. Em uma entrevista, Putin disse que Lukashenko atuava por conta própria quando ameaçou durante a semana cortar o trânsito do gás russo através de Belarus com destino a Europa.
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Fonte: G1 Mundo