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Arco-íris emoldura a Torre Eiffel em Paris; FOTO


Arco-íris duplo emoldurou a Torre Eiffel nesta segunda-feira (1)
Marcelo Courrege/TV Globo
Um arco-íris duplo surpreendeu moradores de Paris, na França, nesta segunda-feira (1º). O fenômeno foi registrado ao redor de um dos principais cartões-postais da Europa, a Torre Eiffel.

Fonte: G1 Mundo

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Dia de Finados: como celebração dos mortos, que nasceu entre pagãos, foi incorporada pela Igreja


Comemorações e rituais funerários existem desde os primórdios da humanidade, mas a data em homenagem a quem partiu só foi incorporada à tradição católica há cerca de mil anos. Conheça sua origem. “É um dia de celebrar as vidas de todos os fiéis falecidos”, diz pesquisador sobre o 2 de Novembro
Mariana Veiga
“Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam./ Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios./ Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?/ Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente./ Este receberá a bênção do Senhor e a justiça do Deus da sua salvação.”
Esses são os primeiros versículos do Salmo 24, oração bíblica presente na liturgia católica para o Dia de Finados (2 de novembro), quando se celebram os mortos.
“Na Igreja Católica, a liturgia de Finados foi iniciada por Santo Odon de Cluny e oficializada no ano de 998”, conta o teólogo e filósofo Fernando Altemeyer Júnior, professor de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Odon de Cluny (878-942) foi um abade francês, responsável por diversas reformas no sistema religioso da época.
Na data, é comum que o papa faça uma cerimônia dedicada aos mortos na cripta do Vaticano.
“É um dia de celebrar as vidas de todos os fiéis falecidos. No Brasil e em Portugal, o dia é reservado para visitar os túmulos”, comenta Altemeyer.
“Para os católicos, é dia de penitência e recolhimento. Na casa de minha avó e de minha mãe, não se podia ligar rádio nem televisão. Era tempo de silêncio interior e exterior, dia de recitar o Salmo 24.”
Origem
Conforme contextualiza o teólogo, apesar da formalização e da oficialização ter ocorrido apenas no século 10, já havia uma data em memória aos mortos desde os tempos pré-cristãos, inclusive em culturas do chamado paganismo antigo.
“A Igreja toma a data e ‘batiza’ com significado próprio”, diz Altemeyer. “Mas celebrar os mortos é algo antropológico. Desde o Cro-Magnon (ou seja, das primeiras populações de Homo sapiens) temos ritos funerários e de expectativa do além túmulo.”
E não é à toa que, na liturgia católica, o Dia de Finados sucede o Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro.
O “Martirológio Romano”, o calendário oficial da Igreja, explica ambas as datas.
Desde as primeiras populações de Homo sapiens temos ritos funerários, como mostra reprodução
Getty Images
Sobre o Dia de Todos os Santos, ele diz: “Solenidade de todos os Santos que estão com Cristo na Glória. Na mesma celebração festiva, a santa Igreja ainda peregrina sobre a terra venera a memória daqueles cuja companhia alegra os Céus, para que se estimule com o seu exemplo, se conforte com a sua proteção e com eles receba a coroa do triunfo na visão eterna da divina majestade”.
E sobre o Dia de Fiados: “A Igreja, mãe piedosa, quer interceder diante de Deus pelas almas de todos os que nos precederam marcados com o sinal da fé e agora dormem na esperança da ressurreição, bem como por todos os defuntos desde o principio do mundo cuja fé só Deus conhece”.
Santo Agostinho
Muito antes de a Igreja Católica institucionalizar o Dia de Finados, um livro lançou as bases para como os cristãos acabam tratando os mortos.
Trata-se de De Cura pro Mortuis Gerenda, texto do ano 421, atribuído ao teólogo Agostinho de Hipona (354-430), o Santo Agostinho.
“A obra trata do culto devido aos mortos. É uma preciosidade, com verdadeiras pérolas do maior teólogo da Igreja”, comenta Altemeyer.
Conforme escreveu o estudioso da fé católica Carlos Martins Nabeto, especialista em Direito Canônico, na obra “Santo Agostinho aborda uma série de fatos importantes e interessantes a respeito dos mortos, que até hoje são conservados e respeitados pela Igreja”.
“Entre outras coisas, fala da utilidade da oração pelos mortos (antiquíssimo testemunho do Purgatório, ainda que tal palavra não apareça), a possibilidade da aparição dos mortos aos vivos (por meio do ministério dos anjos ou por permissão direta de Deus), a oração dos santos falecidos a nosso favor, o dia que a Igreja dedica a todos os falecidos (Dia de Finados)”, exemplifica o estudioso.
Uma celebração de Finados, de certa forma, está implícita no seguinte trecho do livro – o que sugere que, mesmo longe de ter sido formalizada e oficializada pelo rito católico, já se faziam as orações aos mortos em geral, em data específica.
“A Igreja tomou para si o encargo de orar por todos aqueles que morreram dentro da comunhão cristã e católica. Ainda que não conheça todos os nomes, ela os inclui numa comemoração geral”, diz a obra.
Celebração dos mortos foi incorporada pela Igreja Católica após ter nascido como celebração pagã; acima, cemitério no interior de SP
Edison Veiga
Santo Agostinho também aborda questões referentes aos ritos fúnebres, ressaltando que “não deixa de ser marca dos bons sentimentos do coração humano escolher para seus entes queridos que serão sepultados um lugar próximo aos túmulos dos santos”.
“Já que o sepultamento é, por si só, uma obra religiosa, a escolha do local não poderia ser estranha ao ato religioso. É consolo para os vivos, uma forma de testemunhar sua ternura para com os familiares desaparecidos. Não enxergo, porém, como os mortos podem encontrar aí alguma ajuda, a não ser quando o lugar onde descansam é visitado e são encomendados, pela oração [dos visitantes], à proteção dos santos junto ao Senhor. Contudo, isso pode ser feito ainda quando não é possível sepultá-los em tais lugares santos”, afirma.
Sobre túmulos construídos como verdadeiros monumentos, o teólogo também faz considerações.
“Isso é feito para que as pessoas continuem a se lembrar deles, para que não aconteça de, tendo sido retirados da presença dos vivos, também sejam retirados do coração pelo esquecimento”, escreve.
“Aliás, o termo ‘memorial’ indica claramente esse sentido de recordação, da mesma forma como ‘monumento’ significa ‘o que traz à mente’, ou seja, o que a faz recordar. Eis o motivo pelo qual os gregos chamam de mnemeion ao que chamamos de ‘memória’ ou ‘monumento’. Na língua deles, ‘mnème’ significa ‘memória’, a faculdade com a qual recordamos.”
Agostinho trata da importância das orações aos mortos. “Assim, quando o pensamento de alguém se concentra sobre o lugar onde o corpo de um ente querido jaz e esse local esteja consagrado pelo nome de um mártir venerável, então a afeição amorosa recorda-se e reza, recomendando o falecido querido a esse mártir”, pontua.
Luto
“A morte é natural, é universal, e não pode ser tratada como um tabu”, diz a psicóloga Maria Helena Pereira Franco, estudiosa do luto e professora da PUC-SP.
“As culturas e as sociedades vivem o luto de acordo com uma herança que vem há séculos e vai dando sentido a uma experiência importante como a morte, carregada de significados próprios que passam pela espiritualidade e pela religião.”
‘Na falta de explicações (para o que acontece após a morte), o homem foi construindo significados. E esses significados, ao longo da história, foram pautando comportamentos’; acima, cemitério na Itália
Edison Veiga
De acordo com a pesquisadora, para compreender essa questão cultural é preciso ter em mente que o homem não têm conhecimento definitivo do que acontece depois da morte.
E, mesmo do ponto de vista biológico, entender a morte do corpo é uma consciência relativamente recente.
“Na falta de explicações, o homem foi construindo significados. E esses significados, ao longo da história, foram pautando comportamentos”, explica ela.
Seja na maneira de realizar os procedimentos referentes ao velório, seja no Dia de Finados, variações desse comportamento são notados em diversas culturas.
Sobretudo em cidades menores, no Brasil ainda é costume que um carro com alto-falantes percorra as ruas da cidade divulgando a “nota de falecimento” e convidando a todos para participarem do velório e do enterro.
Ao redor do mundo
No interior da Itália, por exemplo, é comum que, quando um parente morre, familiares afixem no portão da casa um aviso fúnebre, muitas vezes decorado com fitas e ilustrado com uma fotografia do falecido, além de um texto semelhante aos anúncios de obituário de jornal.
Já a celebração de Finados mais famosa, sem dúvida, é a que ocorre no México.
“É uma cerimônia bastante conhecida. Eles promovem um momento de encontro entre os vivos, que vão celebrar, visitar e honrar seus mortos nos cemitérios”, explica Franco.
“Há varias comidas que são próprias dessa época, comportamentos que são esperados… É muito bonita como cerimônia.”
Alegria também está presente no rito fúnebre de Bali. Lá, o mais comum é que os mortos sejam cremados. E a cerimônia é acompanhada por uma grande festa em honra ao falecido.
Conhecida por ser a capital do jazz, Nova Orleans, nos Estados Unidos, tem também um ritual fúnebre embalada pelo gênero musical.
Trata-se de uma procissão fúnebre que mescla tradições africanas, francesas e afro-americanas. Conduzidos por uma banda, os enlutados alternam entre alegria e tristeza.
É uma celebração catártica, que procura evocar bons momentos vividos pelo morto.
Comunidades budistas da Mongólia e do Tibete acreditam ser necessário devolver o corpo à natureza, para que a alma siga em frente.
Assim, têm o costume de cortar o defunto em pedaços e, então, depositá-lo no alto de uma montanha, para que abutres façam o trabalho.
Nas Filipinas, diferentes grupos étnicos lidam de forma diferente com a morte e com as práticas funerárias.
Os integrantes da cultura Itneg têm o hábito de vestir os defuntos com as melhores roupas, sentarem-no em uma cadeira e colocar um cigarro aceso em sua boca.
Benguet, por sua vez, vendam os mortos e os velam ao lado da entrada principal da casa.
Já os Caviteño sepultam os mortos fazendo de um tronco oco de árvore o caixão. Os Apayo enterram os mortos sob o chão da cozinha.
Em Madagascar, por sua vez, persiste o costume de um ritual chamado farmadihana.
Trata-se de uma celebração, que ocorre geralmente a cada sete anos, em que familiares exumam os restos mortais de seus entes queridos, pulverizando os ossos com vinho ou perfume. Uma banda acompanha a cerimônia, que ocorre de forma feliz.
Em Gana, é costume que o morto seja enterrado em caixões que representem o que ele fazia em vida, do trabalho aos hobbies.
Executivos, por exemplo, podem ser sepultados em sarcófagos em forma de carros de luxo; um fotógrafo pode ser enterrado em uma câmera fotográfica gigante; um pecuarista, em um caixão que represente uma vaca.

Fonte: G1 Mundo

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“Ainda não estamos onde deveríamos”, diz Merkel sobre metas climáticas


Em discurso na COP26, chefe de governo alemã faz apelo à comunidade internacional por compromissos mais ambiciosos no combate ao aquecimento do planeta. Angela Merkel fala durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26) em Glasgow, na Escócia
Guido Bergmann via REUTERS
Em discurso na COP26, a Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas, que ocorre em Glasgow, Escócia, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, fez um apelo nesta segunda-feira (1) para que a comunidade internacional estabeleça metas climáticas mais ambiciosas.
“Não estamos ainda aonde devemos chegar”, declarou Merkel na cúpula do clima, sua última como chefe de governo alemã. Segundo ela, as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa apresentadas pelos países signatários do Acordo de Paris ainda “não correspondem” ao que foi acordado na capital francesa em 2015.
“Devemos e podemos implementar o Acordo de Paris”, continuou. “E a comunidade mundial espera que nos apresentemos de uma melhor forma no final desta conferência do que estávamos no início”, afirmou, lembrando que os países desenvolvidos, maiores emissores de CO2, têm “uma responsabilidade especial” no combate à mudança climática.
Com esse fim, a líder alemã – que presidiu a primeira cúpula climática da ONU, a COP1, em 1995 – foi enfática ao defender que os países precisam estabelecer um preço para as emissões, que são a principal causa do aquecimento global.
“Apelo para que se coloque um preço nas emissões de dióxido de carbono, como já fazemos na União Europeia, como a China pretende fazer e como precisamos aplicar em outros países do mundo. Se o fizermos, podemos garantir que as nossas indústrias, as nossas atividades econômicas desenvolvam as melhores tecnologias e métodos para atingirem a neutralidade carbônica”, declarou.
Merkel afirmou ainda que acabar com o uso de combustíveis fósseis, como o carvão, para a produção de energia não depende apenas da ação dos governos. É preciso “mudar a maneira de fazer negócios” e caminhar para uma “transformação abrangente” que encoraje a passagem para “mobilidade e processos industriais sem emissões carbônicas”, destacou.
Segundo a chanceler alemã, esta é uma “década decisiva” para a taxação das emissões.
“[É preciso] mais ambição no desenvolvimento de instrumentos globais que façam sentido economicamente e não sirvam apenas para gastar o dinheiro dos contribuintes. E para mim isso é o preço do CO2”, declarou.
Metas alemãs
Merkel lembrou que as metas definidas pela Alemanha incluem uma redução de 65% das emissões de gases de efeito de estufa até 2030 em relação aos níveis de 1990, bem como a neutralidade carbônica até 2045.
O financiamento dessas metas é uma parte importante das discussões entre os principais partidos políticos da Alemanha, que tentam agora formar uma coalizão de governo após as eleições de setembro no país europeu.
Merkel está entre os mais de 120 chefes de Estado e de governo reunidos em Glasgow para a cúpula climática de dois dias, que seus organizadores dizem ser crucial para traçar um caminho que não leve a um aquecimento global catastrófico.
Os líderes globais apresentarão suas estratégias para cumprir com o objetivo de limitar o aquecimento global em 1,5 °C em relação à era pré-industrial e, em seguida, os negociadores indicados pelos governos, blocos comunitários, organizações e empresas buscarão fechar, durante as duas próximas semanas, um acordo final para a COP26.

Fonte: G1 Mundo

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Polícia usa canhões de água para conter manifestantes contra Bolsonaro em Pádua, na Itália

Presidente do Brasil visita a região depois de um encontro do G20 em Roma. Polícia usa canhões de água para conter manifestantes contra Bolsonaro na Itália
Na região da cidade de Pádua, na Itália, houve repressão policial a manifestantes contrários à presença de Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (1º). A polícia usou um canhão d´água contra eles.
O presidente do Brasil viajou à região depois de participar de uma reunião do G20 em Roma.
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Bolsonaro é recebido em cidade italiana com manifestações contra e a favor
É o segundo dia seguido em que polícias ou seguranças ao redor de Bolsonaro na Itália usam de violência contra pessoas que não estejam ali para se manifestar a favor do presidente.
No domingo, ao fim da cúpula do G20, Bolsonaro saiu para passear nos arredores da embaixada brasileira, no centro de Roma. Seguranças ou policiais empurraram a agrediram jornalistas que tentaram se aproximar para fazer perguntas. As agressões aconteceram depois que Bolsonaro tratou de forma hostil os jornalistas. O correspondente da Globo, Leonardo Monteiro, e jornalistas da Folha e de outros veículos foram agredidos.
Na segunda-feira, Bolsonaro viajou a Anguillara Veneta, onde recebeu, da prefeitura, o título de cidadão honorário. Um bisavô do presidente Bolsonaro nasceu na cidade.
Houve duas manifestações na cidade, uma contrária a ele, e uma favorável.
Jornalistas são agredidos na visita do presidente Bolsonaro a Roma
Diocese de Pádua
Na semana passada, a Diocese de Páduafez um apelo a Bolsonaro.
No posicionamento divulgado na quarta-feira (27), a Diocese de Pádua também pediu a Bolsonaro que “seja um promotor de políticas respeitosas da Justiça, da saúde e do meio ambiente”:
Diocese de Pádua critica título honorário a Bolsonaro; presidente é alvo de protesto na Itália
“A Diocese de Pádua, tornando-se porta-voz de um sentimento generalizado e em virtude do vínculo que une o Brasil com a nossa terra, aproveita a oportunidade da possível passagem do presidente Bolsonaro por Anguillara Veneta para pedir-lhe sinceramente que seja um promotor de políticas respeitosas da Justiça, da saúde e do meio ambiente, especialmente para apoiar os pobres”, diz o texto.
O documento também destaca as figuras dos padres Ezechiele Ramin e Ruggero Ruvoletto, ambos assassinados por pistoleiros no Brasil, e afirma que, nos últimos meses, os bispos brasileiros “estão denunciando fortemente a violência, o abuso, a exploração da religião, a devastação ambiental e ‘o agravamento de uma grave crise de saúde, econômica, ética, social e política, intensificada pela pandemia'”.
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Fonte: G1 Mundo

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Argentina e Uruguai reabrem fronteiras para todos os estrangeiros após 18 meses


Apesar de o número de casos de Covid estar subindo devido à variante Delta, os 2 países estão abrandando suas restrições porque as internações e óbitos estão caindo o avanço da vacinação. Dançarinos dão as boas-vindas a passageiros que chegam ao aeroporto de Montevidéu, capital do Uruguai, em 1º de novembro de 2021. Uruguai e Argentina abriram suas fronteiras para visitantes de todos os destinos nesta segunda-feira, ao abrandar suas restrições contra a Covid-19.
Matilde Campodonico/AP
Argentina e Uruguai reabriram nesta segunda-feira (1º) suas fronteiras a todos os turistas estrangeiros, sem exceção de nacionalidade, após 18 meses de pandemia do novo coronavírus.
A Argentina já tinha aberto as suas fronteiras há um mês, mas apenas para os países vizinhos e com algumas exigências que agora estão sendo reduzidas. O Uruguai tinha aberto suas fronteiras há dois meses, mas só para estrangeiros que tinham imóveis no país.
Apesar de estarem registrando um aumento no número de contágios devido à variante Delta, os países vizinhos estão abrandando suas restrições contra a Covid-19 porque as internações e óbitos estão caindo com o avanço da vacinação.
Os dois países vão inclusive vacinar os turistas menores de 18 anos, e o Uruguai também vai aplicar uma dose de reforço nos maiores de idade (veja mais abaixo).
Exigências para turistas estrangeiros
Tanto a Argentina quanto o Uruguai vão permitir a entrada de estrangeiros sem a necessidade de quarentena e, em ambos os países, os menores de 18 anos podem entrar mesmo sem estarem vacinados.
A exigência básica nos dois países é que os adultos acima de 18 anos estejam completamente vacinados (há pelo menos 14 dias no caso da Argentina e 15 dias no Uruguai). Todas as vacinas serão aceitas, sem exceção.
No caso do Uruguai, há uma exigência extra e uma exceção: a vacina contra Covid-19 não pode ter sido aplicada há mais de nove meses e o país vai permitir que a pessoa que teve a doença até 90 dias antes da chegada ao país possa entrar mesmo se não estiver vacinado.
Todos os turistas devem preencher um formulário online que terá valor de declaração juramentada e também precisam de um seguro médico que cubra os casos de Covid-19.
Também é obrigatória a apresentação de um exame RT-PCR negativo feito até 72 horas antes do embarque. No caso do Uruguai, é necessário fazer um segundo teste, já em território uruguaio, sete dias após o primeiro (a Argentina acabou com essa exigência).
Vacinas para turistas
Passageiro deixa o aeroporto de Montevidéu, capital do Uruguai, com bagagem em 1 ° de novembro de 2021. País reabriu suas fronteiras para visitantes de todos os destinos, após 18 meses, ao abrandar suas restrições contra a Covid-19.
Matilde Campodonico/AP
Tanto a Argentina quanto o Uruguai também vão imunizar gratuitamente os menores de idade que quiserem ser vacinados contra a Covid-19. Para essa faixa etária, a Argentina aplica neste momento as vacinas da Pfizer e da Sinopharm. O Uruguai aplica apenas a da Pfizer.
O Uruguai também vai aplicar a Pfizer em todos os turistas que desejarem receber uma dose de reforço. Para isso, é preciso agendar um horário cinco dias após o turista chegar ao país.
Já a Argentina vai vacinar estrangeiros de países vizinhos, incluindo brasileiros, em postos nas fronteiras terrestres.
O Uruguai tem 75% da população completamente imunizada contra a Covid-19 — a segunda maior taxa da América Latina, atrás apenas do Chile (78%). O percentual da Argentina é de 57%, patamar um pouco superior ao do Brasil (55%).
Uso de máscaras
Os dois países suspenderam em outubro o uso obrigatório de máscaras quando a pessoa estiver ao ar livre e sem aglomeração. Em espaços fechados, o uso continua obrigatório.
A proteção também não é necessária se a pessoa estiver ao ar livre e com o seu grupo de convivência, mas ela ainda é necessária se estiver a menos de dois metros de pessoas com quem não conviva.
Variante Delta
Nos dois países, o número de casos voltou a subir há duas semanas, devido à variante Delta, após três meses de queda.
Ainda não se trata de uma terceira onda, pois os números ainda são baixos — e, ao contrário da segunda onda, os novos contágios são leves e as internações e mortes não estão crescendo graças à vacinação.
Países seguros
A Argentina mudou a forma para decidir sobre novas restrições. Agora, é observado o nível de ocupação das UTIs, não o aumento de contágios. Por isso o país tem relaxado cada vez mais as restrições devido à pandemia.
O número de contágios aumentou 36% nas duas últimas semanas, sobretudo em menores de 18 anos, mas o de internação caiu 22% e a de mortes despencou 44%.
Na sexta-feira (29), a União Europeia incluiu a Argentina na lista de “países seguros” (o Uruguai já está desde o ano passado). Chile, Colômbia e Peru também estão na lista. O Brasil, não.
VÍDEOS: as últimás notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Prédio desaba em bairro nobre de Lagos, na Nigéria


Há vítimas sob os escombros, afirma a imprensa internacional. Transeuntes apontam atraso nas operações de resgate e começam, eles mesmos, a tentar encontrar sobreviventes. Imagem de escombros de prédio que caiu em Lagos, na Nigéria, em 1º de novembro de 2021
Pius Utomi Ekpei / AFP
Um edifício de mais de 20 andares, em construção há dois anos, desabou na capital econômica da Nigéria, Lagos, nesta segunda-feira (1º). Socorristas e trabalhadores da construção civil dizem que havia pessoas no interior do prédio, antes de ele ruir.
Ainda não se sabe quantas vítimas estão sob os escombros.
Segundo a CNN, no momento do desabamento, representantes da empresa responsável pelo arranha-céu estavam reunidos com potenciais compradores dos apartamentos.
Ainda de acordo com a imprensa americana, nos arredores do desastre, pessoas desesperadas começaram a remover as placas de concreto, em busca de sobreviventes. Elas protestaram contra a suposta demora nas operações oficiais de resgate.
Rashid Olamilekan, que estava na região do acidente, disse que retirou três trabalhadores dos escombros. “Eu sou nigeriano, tenho de resgatar meu povo”, afirmou à CNN. Essas vítimas foram levadas ao hospital.
ESTA REPORTAGEM ESTÁ EM ATUALIZAÇÃO.

Fonte: G1 Mundo

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Israel autoriza casas palestinas em área da Cisjordânia ocupada


Governo israelense autorizou a construção de mais de 1,3 mil casas de palestinos dias após liberar mais de 3 mil unidades habitacionais para colonos judeus em região sob o seu controle. Aldeia beduína palestina de al-Mufagara, na Cisjordânia, com o assentamento israelense de Ma’on ao fundo, perto de Hebron, no sábado (30). Israel autorizou nesta segunda (1º) a construção de mais de 1,3 mil casas palestinas na Cisjordânia ocupada dias após liberar mais de 3 mil unidades habitacionais para colonos judeus na região.
Nasser Nasser/AP
O governo de Israel aprovou nesta segunda-feira (1º) a construção de mais de 1,3 mil casas para palestinos na denominada “Zona C” da Cisjordânia, dias após ter liberado mais de 3 mil casas para colonos judeus na mesma região, que está ocupada e sob seu domínio.
A informação foi confirmada à agência de notícias France Presse por um porta-voz do Comitê de Planejamento da Administração Civil, órgão militar israelense encarregado de assuntos civis nos territórios palestinos ocupados.
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A colonização israelense é ilegal, segundo o direito internacional, mas continuou a ser adotada por todos os governos do país desde 1967 — e foi acelerada nos últimos anos pelo ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O atual governo israelense diz que está adotando uma abordagem moderada nos territórios ocupados com o objetivo de minimizar o atrito com os Estados Unidos — que se opõem aos assentamentos — e as tensões dentro de sua coalizão governista — que inclui partidos de todos os espectros políticos.
O Ministério das Relações Exteriores palestino afirmou em um comunicado que a medida “é uma tentativa de legitimar a colonização” israelense e “um desejo de distrair a comunidade internacional e a opinião pública mundial”.
Cerca de 475 mil colonos israelenses residem na Cisjordânia, território que não pertence a Israel mas foi ocupado pelo país em 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Cerca de 2,8 milhões de palestinos vivem em áreas ocupadas.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Alemanha: explosão de casos de Covid-19 apesar da vacinação preocupa governo


Autoridades do país não descartam novas medidas para evitar uma quarta onda de contaminações. Pessoas vão a centro de vacinação contra a Covid-19 em Dresden, na Alemanha, em 29 de julho de 2021
Matthias Rietschel/Reuters
A evolução da epidemia de Covid-19 na Alemanha é mais rápida do que a constatada no mesmo período do ano passado, apesar de quase 70% da população alemã estar vacinada. As autoridades do país não descartam novas medidas para evitar uma quarta onda de contaminações.
“Existe um um excesso de relaxamento”, declarou a chanceler alemã, Angela Merkel, no fim de semana, falando sobre o aumento  do número de infecções na Alemanha. Em uma semana, a alta da taxa de incidência foi de 50% e passou para 155 casos de Covid para 100 mil habitantes — acima de 50 infecções, considera-se que a epidemia está fora de controle. 
Alguns elementos explicam esse aumento súbito: o aumento das viagens por conta do recesso escolar e, com a chegada do outono e a queda das temperaturas, há menos atividades ao ar livre e mais reuniões familiares e com amigos em espaços fechados.
Como já se sabe, o SARS-CoV-2 se prolifera principalmente em locais pouco arejados, frequentados por muitas pessoas sem máscara e distanciamento social. E, apesar da vacina ser um escudo eficaz contra formas graves da doença, ela  dificulta, mas não bloqueia as contaminações. Manter as medidas de proteção, é, dessa forma, fundamental para manter o controle da epidemia.
Além disso, um terço da população alemã é reticente à vacina, ainda não está imunizada, e a campanha de reforço com a terceira dose para pessoas vulneráveis e idosos avança lentamente. O Ministério da Saúde alemão pretende reabrir os centros de vacinação para acelerar o processo. 
Todos esses fatores reunidos contribuem para que o retorno da epidemia tenha repercussão direta nos hospitais: as internações aumentaram 40% em uma semana. As unidades de terapia intensiva ainda têm leitos disponíveis, mas há diminuição das vagas nos estabelecimentos em relação ao ano passado, por falta de profissionais habilitados na gestão de pacientes graves.
O Ministério da Saúde pretende organizar uma reunião entre os representantes do Estado federal e das províncias para viabilizar soluções a curto prazo para impedir o avanço do vírus, mas ainda não há consenso sobre medidas a serem adotadas.
5 milhões de mortes
Nesta segunda-feira (1º), o mundo ultrapassou a marca de 5 milhões de mortos pela pandemia, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.
A contagem foi estabelecida a partir dos balanços oficiais diários de cada país, mas esse número certamente não corresponde à realidade. Quando se toma como referência o excesso de mortalidade relacionado à Covid, o balanço poderia ser duas ou três vezes maior, afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Independentemente do cálculo, o número de mortes é inferior a outras pandemias como a chamada gripe “espanhola” (1918-1919), que provocou entre 50 milhões e 100 milhões de vítimas fatais ou os 36 milhões de óbitos provocados pela Aids nos últimos 40 anos. O coronavírus, porém, causou muitas mortes em pouco tempo.
“Sem a adoção de medidas como restrições de deslocamentos e a vacinação, o resultado teria sido muito mais dramático”, segundo o epidemiologista francês Arnaud Fontanet, do instituto Pasteur. 
Uma epidemia, explica Fontanet, tem duas fases: a “fase explosiva epidêmica”, quando o vírus penetra com força em um grupo de população que nunca esteve em contato com ele, e a fase de “conformação a um grupo”, quando há imunidade da população: acontece então a circulação endêmica. No caso do coronavírus, “pela primeira vez na história das pandemias, aconteceu um esforço mundial para acelerar esta transição”, afirma Fontanet.
Uma aceleração favorecida pelas vacinas “permitiu que a população alcançasse a imunidade de forma artificial, ante um vírus que não conhecíamos. Em 18 meses conseguimos o que demoraria de três a cinco anos, com um número muito maior de mortos”.
Por isso, o futuro do vírus depende do nível de vacinação dos países e da eficácia das vacinas, prevê Fontanet. “O vírus vai continuar circulando. O que se busca agora não é sua eliminação, e sim uma proteção contra as formas mais graves”, completa.

Fonte: G1 Mundo

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Calota polar da Groenlândia perde 3,5 trilhões de toneladas e provoca aumento do nível do mar em 1cm


A superfície congelada da Groenlândia cobre uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados, o que faz dela a segunda maior depois da Antártica. Desde 2011, a calota perdeu 3,5 trilhões de toneladas de gelo, dois terços dessa quantidade nos verões de 2012 e 2019
Reuters
A calota polar da Groenlândia perdeu cerca de 3,5 trilhões de toneladas de gelo em 10 anos, o que provocou um aumento do nível do mar de um centímetro e agravou o risco de inundações em todo o mundo, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (1).
COP26: ministro do meio ambiente anuncia nova meta climática, com redução de 50% das emissões até 2030
Joe Biden diz que EUA vão cortar uma gigatonelada de gases poluidores até 2030
Muitas equipes de cientistas estudam a evolução da situação na Groenlândia, mas o artigo publicado na revista Nature Communications é o primeiro a utilizar observações de satélites da Agência Espacial Europeia, que permitiram constatar que o degelo aumentou 21% em 40 anos.
Desde 2011, a calota perdeu 3,5 trilhões de toneladas de gelo, dois terços dessa quantidade nos verões de 2012 e 2019, de acordo com o estudo. A superfície congelada da Groenlândia cobre uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados, o que faz dela a segunda maior depois da Antártica.
Os cientistas monitoram o aquecimento dessa massa congelada (que seria capaz de elevar o nível dos oceanos em 6 metros a 7 metros), já que a Antártica está aquecendo três vezes mais rápido que o resto do planeta.
Os dados obtidos com as imagens por satélites destacam as importantes variações no ritmo de degelo, que aumenta mais durante as ondas de calor do que pelo aquecimento progressivo do planeta.
Vulnerabilidade
“Como em outras partes do mundo, a Groenlândia é vulnerável ao aumento de fenômenos meteorológicos extremos”, afirmou o principal autor do estudo, Thomas Slater, da universidade britânica de Leeds.
A observação por satélite permitiu calcular rapidamente e com precisão o degelo de um ano e sua relação com o aumento do nível do mar, afirmam os cientistas. Um método que “permitirá uma compreensão melhor dos processos complexos no degelo”.
“As estimativas por modelos sugerem que a calota de gelo da Groenlândia aumentará o nível do mar entre 3 a 23 centímetros até 2100”, explicou a coautora do artigo Amber Leeson, da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.
Holanda faz alerta
Na semana passada, o Instituto Meteorológico da Holanda (KNMI) fez um alerta para o aumento do nível do mar na costa holandesa, que pode chegar a 2 metros. “As projeções atuais mostram um aumento do nível do mar maior do que o anterior”, declarou o instituto.
Com cerca de um terço de seu território abaixo do nível do mar, a Holanda é particularmente vulnerável ao aquecimento global, mas também é um dos maiores poluidores “per capita” da Europa.
 “Se não reduzirmos as emissões de gases de efeito estufa, o nível do mar na costa holandesa pode subir 1,2 metros até 2100, em comparação com o início do século atual”, e até 2 metros se o degelo das calotas polares se acelerar, acrescentou o KNMI.
Com seus reservatórios e barreiras contra tempestades, inovação constante e milhares de quilômetros de diques e dunas, a Holanda se orgulha de ser “o delta mais seguro do mundo”.

Fonte: G1 Mundo

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Como o estilo de vida dos ricos está acelerando as mudanças climáticas


As pessoas mais ricas do mundo contribuem enormemente para a mudança climática por meio de atividades altamente poluentes em carbono. Como podemos reduzir as emissões dos ricos? Voar, uma das formas de consumo mais poluentes em carbono.
GETTY IMAGES via BBC
Em 2018, o pesquisador Stefan Gössling e sua equipe passaram meses rastreando perfis nas mídias sociais de algumas das celebridades mais ricas do mundo: de Paris Hilton a Oprah Winfrey. Já o professor de turismo da Universidade Linnaeus, na Suécia, estava procurando evidências de quanto essas pessoas estavam viajando de avião.
A resposta foi: muito.
Bill Gates, a pessoa mais rica do mundo a encampar causas ambientais, esteve em 59 voos em 2017, de acordo com os cálculos de Gössling. Gates percorreu uma distância de cerca de 343.500 km. Ele viajou mais de oito vezes ao redor do mundo, gerando mais de 1.600 toneladas de gases de efeito estufa (o que equivale à média de emissões anuais de 105 americanos).
O objetivo de Gössling era tentar descobrir os níveis de consumo individual dos mega-ricos, cujos estilos de vida são frequentemente envoltos em segredo. Sua pesquisa coincidiu com um crescente movimento ambientalista, liderado pela ativista ambiental sueca Greta Thunberg, que vem destacando a importância da responsabilidade pessoal nas emissões de carbono. Voar, uma das formas de consumo mais poluentes em carbono, tornou-se um símbolo dessa nova responsabilidade.
“Quanto maior for seu rastro de carbono, maior será o seu dever moral”, escreveu Thunberg no The Guardian em 2019.
Nas últimas décadas, o foco tem sido a desigualdade global. Eventos e catástrofes como a crise financeira de 2008, a pandemia de covid-19 e os impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas tendem a atingir os mais pobres primeiro, e com mais força. Mas em debates sobre como resolver a desigualdade, o consumismo é frequentemente deixado de lado.
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Elite poluidora
“Cada unidade que você emite a mais significa que alguém precisa abrir mão [de fazer algo]”, diz Lewis Akenji, diretor-gerente do Hot or Cool Institute, um grupo de estudos baseado em Berlim. Como resultado, as enormes pegadas de carbono da elite econômica consolidam a desigualdade e ameaçam a capacidade do mundo de prevenir mudanças climáticas trágicas.
As estatísticas são impressionantes. Os 10% mais ricos do mundo foram responsáveis ​​por cerca de metade das emissões globais de carbono em 2015, de acordo com um relatório de 2020 da Oxfam e do Stockholm Environment Institute. O 1% mais rico foi responsável por 15% das emissões, quase o dobro dos 50% mais pobres do mundo — parcela responsável por apenas 7%, mas que sofrerá o peso das mudanças climáticas mesmo tendo a menor responsabilidade sobre elas.
Outro problema é que os ricos “comem” o “orçamento de carbono” restante (que é a quantidade máxima de gases do efeito estufa para nos manter o aquecimento em até 1,5ºC).
“Os mais ricos não estão cedendo espaço aos 50% mais pobres, que precisam aumentar suas emissões para realmente atender às suas necessidades”, diz Emily Ghosh, cientista da equipe do Instituto Ambiental de Estocolmo.
Dario Kenner, autor de Desigualdade de Carbono: O Papel dos Mais Ricos nas Mudanças Climática, cunhou o termo “elite poluidora” para descrever a parcela mais rica da sociedade que investe pesadamente em combustíveis fósseis e mantém um estilo de vida que causa forte impacto no clima.
Do jeito que está, a maioria das pessoas nos países ricos consome de uma maneira que está acelerando a catástrofe climática. Quando as emissões de produtos importados são levadas em consideração, um cidadão médio no Reino Unido emite 8,5 toneladas de carbono por ano, de acordo com o Hot or Cool Institute. Esse número sobe para 14,2 toneladas no Canadá, o país que virou alvo do estudo produzido pelo instituto.
Para o aquecimento global parar em um aumento de 1,5°C, esses números precisam ser drasticamente reduzidos para 0,7 toneladas por pessoa até 2050.
Quanto depende de cada um?
O consumo individual é uma questão espinhosa. O tema pode rapidamente se transformar em um debate banal sobre se o combate à mudança climática depende de ações individuais ou mais de ações sistêmicas por parte de governos e corporações. “Esta é uma falsa dicotomia”, disse Akenji. “Os estilos de vida não existem no vácuo, os estilos de vida são moldados pelo contexto.”
As pessoas vivem suas vidas dentro dos sistemas políticos e econômicos, que não são sustentáveis. Mas, sem abordar os estilos de vida dos mais ricos em nossas sociedades e o poder que eles têm, não seremos capazes de enfrentar as mudanças climáticas. “Os ricos definem o tom de consumo que todos aspiram. É aí que estão os efeitos tóxicos”, acrescenta Halina Szejnwald Brown, professora emérita de ciência e política ambiental na Clark University, nos Estados Unidos.
Considere a aviação, por exemplo. “Quando você começa a viajar de avião, você passa a pertencer a uma elite mundial”, diz Gössling. Mais de 90% das pessoas nunca voaram e apenas 1% da população mundial é responsável por 50% das emissões dos voos.
Da elite corporativa que viaja pelo mundo às celebridades que tornaram as viagens parte de suas marcas pessoais, esse comportamento ajudou a tornar um estilo de vida com alta emissão de carbono algo desejável, diz Gössling.
Os carros SUV, por exemplo, transportam presidentes, empresários, celebridades e artistas, além de cada vez mais famílias de classe média. O modelo tornou-se símbolo de status, apesar de seu alto impacto ambiental. Os SUVs, que representaram 42% das vendas globais de carros em 2019, foram o único setor automotivo a registrar um aumento nas emissões de carbono em 2020. O aumento do número de compradores de SUVs no ano passado anulou efetivamente os ganhos climáticos dos carros elétricos.
Domicílios grandes são outro problema. “Opções de moradia significam prestígio e status social”, escreve Kimberly Nicholas, cientista de sustentabilidade na Lund University, além de outros co-autores, em um estudo recente sobre o papel das pessoas ricas nas mudanças climática.
Na Europa, quase 11% das emissões residenciais são produzidas por 1% dos emissores, que possuem inúmeras e grandes casas.
Primeiras mudanças perceptíveis
Nos últimos anos, as normas sociais começaram a mudar. Na Suécia, o ativismo de Thunberg ajudou a inspirar o “flygskam” (palavra sueca para “vergonha de voar”), um conceito que levou as pessoas a se perguntarem o quanto deveriam viajar de avião.
O movimento gerou uma queda de 4% no número de passageiros nos aeroportos da Suécia em 2018, algo raro em um momento em que o número de passageiros estava aumentando no mundo. A pandemia, que reduziu drasticamente as viagens de negócios, provou que as videochamadas podem substituir as reuniões presenciais. Uma pesquisa da Bloomberg descobriu que 84% das empresas planejam gastar menos em viagens de negócios após a pandemia.
As pessoas também começaram a considerar o impacto da proteína animal, gerando um boom nos negócios de carnes e laticínios à base de vegetais. “Isso não vem de um decreto ou exigência de política governamental”, disse Peter Newell, professor de relações internacionais da Universidade de Sussex. “Ou seja, as empresas veem onde o mercado está mudando.”
Mas essas mudanças são lentas demais para a emergência em que nos encontramos, diz Kenner. “Estamos passando por pontos de inflexão climática, várias espécies estão em extinção.”
A questão é a velocidade das mudanças, e isso requer ações governamentais, explica. Impostos específicos sobre consumo poluente, como voos frequentes e consumo excessivo de carne, podem ajudar as pessoas a adotar comportamentos de baixo carbono mais rapidamente, diz Newell.
Para ele, as punições a comportamentos poluentes deveriam ser adotadas junto a investimentos que beneficiem a população como um todo.
Por exemplo, a receita de um imposto por passageiro frequente poderia ser investida em um sistema de transporte público mais barato ou mesmo gratuito; e o dinheiro de um “imposto sobre mansões” poderia ser usado para instalar energia elétrica em locais onde há escassez do recurso.
O consumo excessivo de carne vermelha tem sido questionado cada vez mais por parte dos consumidores
Getty Images via BBC
O problema, entretanto, é se os mais ricos podem simplesmente absorver esses custos e tudo continuar como antes. Uma ideia mais radical é uma alocação pessoal de carbono (PCA), em que os indivíduos recebem um limite igual de emissões de carbono, e essa quantia é negociável ​​entre eles. Se alguém quer emitir mais, ela deve comprar cotas indesejadas de outras pessoas. Versões de um PCA foram exploradas na Irlanda, França e Califórnia.
Em 2018, o governo do Reino Unido analisou a viabilidade de um projeto como esse, mas concluiu que um PCA seria muito caro, difícil de administrar e improvável de ser socialmente aceito.
Mas, no contexto de uma emergência climática e de uma pandemia — que obrigou as pessoas a aceitarem restrições individuais em nome do benefício coletivo —, essa pode ser uma política que vale a pena reconsiderar, de acordo com análises recentes.
Um PCA é atraente em algum nível, diz Newell, “porque torna muito claro quais são nossos direitos per capita”.
Mas ele acrescenta: “Essa é uma versão extrema da responsabilidade individual. Ela pode acabar punindo injustamente pessoas que, por exemplo, vivem em áreas com poucas opções de transporte público.”
Outra ideia de política que está ganhando popularidade é a “edição de escolha”, em que os governos restringem a entrada no mercado de produtos de alto consumo de carbono, como jatos particulares ou megaiates.
A ideia é que as opções de baixo carbono, muitas das quais já existem, vão preencher essa lacuna. A escolha de opções pode parecer radical, mas não é nova, diz Akenji. O governo do Reino Unido, por exemplo, usa o sistema por razões de segurança pública para proibir a venda de armas ou carros sem cintos de segurança.
“Desfazer comportamentos que não são sustentáveis ​​é muito mais difícil do que impedir que esses produtos ​​cheguem ao mercado”, concluiu um relatório de abril sobre mudança de comportamento de autoria de Newell.
Risco político
Mesmo com o tempo se esgotando para lidar com a mudança climática, muitos governos resistem a aplicar políticas de mudança de comportamento por medo de que elas sejam eleitoralmente impopulares, além de desagradar os mais ricos.
O controle dos mais ricos sobre os governos por meio de lobby e grandes doações feitas por eles proporciona a essa parcela da sociedade grande vantagem na diluição de ações que combatam as mudanças climáticas, além de moldar as opções disponíveis para todos, explica Kenner. “Existe este outro futuro, este futuro alternativo, que nos está sendo negado diariamente”, insiste.
Para todas as políticas que visam o comportamento do consumidor, em última análise, é muito difícil reduzir as emissões se não houver opções para que as pessoas tenham uma vida com baixo teor de carbono. “Há muito o que fazer para construir uma sociedade mais sustentável e isso vai além de apenas reduzir o tamanho de jatos particulares e iates de luxo”, diz Ghosh.
Alguns governos estão fazendo grandes mudanças. O País de Gales, por exemplo, suspendeu o investimento na construção de novas estradas para cumprir as metas de emissões. A Holanda propôs reduzir o número de seu rebanho de gado em 30% para reduzir a poluição.
A Holanda decidiu diminuir em 30% o tamanho de seu rebando de bovinos
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Já cidades do Reino Unido, como Norwich e Exeter, começaram a construir habitação social com uso de energia limpa.
Outros focam no papel da publicidade na promoção do consumo poluente.
“As pessoas tentam marcar seu lugar na sociedade se diferenciando daqueles que estão abaixo delas”, diz Brown. “E a propaganda constroi toda uma indústria com base nessa insegurança.”
Em 2021, Amsterdã proibiu anúncios de produtos com altas emissões, incluindo SUVs e voos baratos de curta distância, seguindo os passos de cidades como São Paulo e Chennai (Índia), que proibiram ou limitaram estritamente a publicidade em outdoors. “Mas isso realmente não é suficiente, “diz Akenji.
O ritmo é muito lento e o tempo está acabando. Os governos precisam reformar a infraestrutura, colocando a sustentabilidade no centro da política, diz ele.
Isso significa criar redes de transporte público rápidas, extensas e acessíveis; “descarbonizar” a eletricidade; construir casas mais densas e bem isoladas; proibir o uso de carros movidos a gasolina e considerar medidas como uma semana de trabalho de quatro dias.
Os governos e os ricos, com seu enorme papel de influenciar as normas sociais, também podem ajudar a mudar a narrativa de que ações para combater as mudanças climáticas causam perda da liberdade individual e de qualidade de vida.
“As coisas que se mostraram mais sustentáveis ​​do ponto de vista ambiental quase sempre são melhores para o nosso próprio bem-estar e coesão social”, disse Akenji.
Comer menos carne traz benefícios para a saúde. Ter menos SUVs e carros movidos a gasolina aumentam a qualidade do ar e ajudam a reduzir as mortes por poluição do ar. E uma semana de trabalho de quatro dias poderia permitir um melhor equilíbrio entre vida profissional e familiar, mais tempo para a família e menores custos com cuidados com os filhos para os pais.
“Ninguém se levanta de manhã e diz: ‘Hoje vou arruinar o meio ambiente.'” diz Akenji.
As pessoas consomem por muitos motivos — para satisfazer suas necessidades, mostrar afeto, se sentir bem ou porque se sentem pressionadas pela publicidade ou expectativas sociais. Poucas pessoas realmente questionam seu consumo, diz Brown. “E essas são perguntas muito profundas: ‘Quem sou eu e o que preciso para ter uma vida boa?’ Quero dizer, quantas pessoas querem parar para fazer essa pergunta?”.
Ações individuais não serão suficientes para lidar com a mudança climática, diz Akenji. Mas nossas escolhas e ações são importantes. “Acho que todos devemos nos tornar ativistas políticos de uma forma ou de outra”, diz ele. “O que vamos fazer é cobrar decisivamente nossos governantes e exigir que eles cumpram seus compromissos.”
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SÉRIE: Efeitos do aquecimento global no Brasil

Fonte: G1 Mundo