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COP26: Por que Brasil é crucial para evitar efeito catastrófico das mudanças climáticas


Brasil é o 4º maior emissor de gás carbônico do mundo, segundo um estudo recente. E a Amazônia pode, sozinha, colocar por terra as metas de controle do aquecimento global se continuar a ser desmatada no ritmo atual. Ambientalistas dizem que, sem o controle do desmatamento da Amazônia, mundo não consegue alcançar meta contra as mudanças climáticas
Adriano Machado/Reuters
China e Estados Unidos costumam ser o centro das atenções em discussões sobre mudanças climáticas por serem os dois maiores emissores de gases poluentes. Mas o Brasil deve ser um dos países mais cobrados na COP26, a conferência das Nações Unidas sobre clima, por tem um papel fundamental em evitar efeitos catastróficos das mudanças climáticas.
Isso não se deve apenas à importância singular da Amazônia no equilíbrio do clima. O Brasil é, atualmente, o sexto maior emissor de gases do efeito estufa. E um estudo recente publicado pela Carbon Brief, revista especializada em estudos sobre mudanças climáticas, mostrou que o país é o quarto maior emissor histórico de gás carbônico em números absolutos — atrás apenas de EUA, China e Rússia.
“O Brasil é um dos maiores emissores históricos de gás do efeito estufa, quando se leva em consideração todo o desmatamento ocorrido em todas as regiões desde a revolução industrial. Ele tem um papel importante na redução de emissões, apesar de ainda ser um país em desenvolvimento com desafios para redução de pobreza”, disse à BBC News Brasil Carlos Rittl, pesquisador de políticas públicas da Rain Forest Foundation, ONG ambiental da Noruega.
As emissões do Brasil aumentaram no primeiro ano do governo Bolsonaro. Segundo dados do Inpe, analisados pelo Observatório do Clima, as emissões de gás carbônico alcançaram 1,38 milhões de toneladas em 2019 — o maior volume em 13 anos, desde 2006.
A grande maioria das emissões vem do desmatamento, seguida pela poluição energética.
Sem Amazônia, metas desandam
Desmatamento na Amazônia em 2020 foi o maior desde 2008, segundo dados do Inpe
Adriano Machado/Reuters
Além do impacto climático por ser um grande emissor de carbono, o Brasil, por causa da Amazônia, tem uma importância crucial para o sucesso ou fracasso da meta do Acordo de Paris de manter o aquecimento global em 1,5°C.
Um aquecimento maior do que esse tornaria diversas áreas do planeta inabitáveis, contribuiria para eventos climáticos extremos, significaria a extinção de espécies e ameaçaria o fornecimento de alimentos no mundo, segundo cientistas.
Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, explica que algumas áreas de alta absorção de carbono da atmosfera, como a Amazônia e as geleiras do Ártico, podem derrubar por si só as metas de controle climático, se deixarem de existir ou sofrerem muita degradação.
A floresta Amazônica ajuda a equilibrar o clima do planeta, ao capturar e estocar quantidades enormes de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases do efeito estufa. Quando árvores são derrubadas, parte desses gases são liberados para a atmosfera e novas absorções deixam de ocorrer. Também é da Amazônia que vem 70% das chuvas que irrigam as áreas agricultáveis do Centro Oeste, Sul e Sudeste do Brasil, destaca Astrini.
“Existem hotspots (focos de interesse) de emissões no planeta que, se acionados, colocam a perder a meta de 1,5°C. São os oceanos, a Groenlândia, o Ártico e a Amazônia”, diz o secretário-executivo do Observatório do Clima.
“A Amazônia estoca o equivalente a cinco anos das emissões globais. Junta todo o carbono de cinco anos de emissões do mundo, isso está estocando na Amazônia em forma de árvore e no solo. Se a gente perde a floresta, a gente perde a corrida pela manutenção do clima.”
Mas por que a Amazônia estoca tanto carbono?
Por ser composta em sua maioria por floresta primária, a Amazônia tem uma capacidade maior de absorção de CO2 que áreas replantadas e reflorestadas em outras regiões do Brasil e do mundo.
As florestas primárias são aquelas que se encontram em seu estado original — não afetadas, ou afetadas o mínimo possível, pela ação humana. Por serem mais antigas, elas têm mais diversidade de espécies e guardam mais carbono.
É lá que vivem árvores de centenas ou milhares de anos de idade, que cumprem um papel essencial na batalha contra as mudanças climáticas, porque agem como um enorme armazém de dióxido de carbono.
Uma pequena parte do CO2 que as árvores absorvem no processo de fotossíntese é emitida de volta para a atmosfera durante sua respiração. A outra parte é transformada em carbono e usada na produção dos açúcares que a planta necessita para seu metabolismo.
A quantidade de carbono em uma árvore é medida pela espessura do tronco, onde o gás é armazenado em forma de biomassa. Por isso, quanto mais antiga uma árvore, mais carbono ela costuma armazenar. Por sua vez, a derrubada de uma árvore milenar vai provocar uma liberação maior de carbono que a morte de uma árvore jovem.
Parte da floresta já emite mais carbono que absorve
Um dos efeitos do desmatamento é liberar o CO2 guardado na floresta de volta na atmosfera, pela queimada ou pela decomposição da madeira cortada — processos que transformam o carbono das árvores novamente em gás.
Por este motivo, os cientistas temem que a região deixe de ser um armazém de carbono e se transforme em um importante emissor de CO2, acelerando os efeitos da mudança climática.
Um estudo publicado na revista científica Nature revelou que, por causa do aumento das queimadas e do desmatamento, a floresta amazônica brasileira liberou 20% mais dióxido de carbono na atmosfera do que absorveu entre 2010 e 2019.
Os pesquisadores identificaram uma divisão clara no volume de emissões entre a parte leste, mais desmatada, e a parte oeste da floresta, mais preservada.
“A parte leste da Amazônia, que está cerca de 30% desmatada, emitiu 10 vezes mais carbono que a região oeste, que está 11% desmatada”, explicad a pesquisadora-chefe do estudo, Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe).
“Esse é um impacto enorme. Estamos emitindo mais CO2 para a atmosfera, o que está acelerando as mudanças climáticas, mas também promovendo mudanças nas condições da estação seca, o que deixa as árvores ainda mais vulneráveis e propensas a produzir mais emissões.”
Em 2020, segundo ano de governo Bolsonaro, o desmatamento na região da floresta foi o maior desde 2008, com uma taxa de área desmatada de 10.851 km2, conforme dados do Inpe. Já o número de focos de incêndio registrados em 2020 em todo o território nacional foi o mais alto em dez anos.
‘Ponto de não retorno’
O grande temor dos cientistas é que o desequilíbrio ambiental provocado pelo desmatamento da Amazônia alcance o chamado “ponto de não retorno” (tipping point, em inglês), como é chamado o momento em que a degradação, em conjunto com as mudanças climáticas e a vulnerabilidade a incêndios, mudarão de maneira irreversível o ecossistema tropical da floresta.
Segundo o biólogo americano Thomas Lovejoy e o climatologista brasileiro Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançados da USP, esse “ponto de não retorno” será alcançado quando entre 20% e 25% da floresta original forem desmatados.
Atualmente, pouco mais de 18% de toda a floresta original foi desmatada, de acordo com dados do projeto de monitoramento Mapbiomas, parceria entre universidades, ONGs, institutos de todos os territórios amazônicos e o Google.
Segundo as projeções de Nobre e Lovejoy, se o desmatamento continuar no ritmo atual, esse “ponto de não retorno” chegará nos próximos 20 a 30 anos.
“Se chegarmos a esse ponto, aumentará a duração da estação seca e a temperatura da floresta. A partir daí, as árvores começarão a morrer de maneira acelerada, e isso criará um ciclo vicioso. O que era floresta tropical ficará parecido com o cerrado brasileiro, mas como uma espécie de savana pobre, sem a rica biodiversidade do cerrado”, disse Carlos Nobre à BBC News Brasil.
Secas prolongadas e escassez de alimentos
O Brasil é um dos países mais vulneráveis à desertificações decorrentes das mudanças climáticas, segundo cientistas. E o contínuo desmatamento na Amazônia contribui para reforçar essa tendência, porque o aumento das emissões impacta o aquecimento da Terra.
O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado no dia 9 de agosto, aponta que, por causa da mudança do clima, boa parte do Nordeste e o norte de Minas Gerais já têm enfrentado secas mais intensas e temperaturas mais altas que as habituais.
Criado na ONU e integrado por 195 países, entre os quais o Brasil, o IPCC é o principal órgão global responsável por organizar o conhecimento científico sobre as mudanças do clima.
“No cenário atual, você tem dois eventos de seca a cada 10 anos, ou seja uma seca a cada cinco anos. Num cenário de aumento de 4 graus centígrados de temperatura, você vai ter cinco eventos de seca a cada dez anos, ou seja, ano sim, ano não vai ter seca”, exemplifica Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Hoje, segundo o IPCC, o mundo já teve um aumento de 1,1°C na temperatura média em relação aos padrões pré-industriais. Se em 2030, a Terra deve alcançar um aumento de 1,5°C, em várias regiões do Brasil o aumento será duas vezes maior, com temperaturas batendo a faixa dos 40°C em várias partes do Semiárido, conforme o relatório do IPCC.
Nesse contexto, mudança climática e desmatamento na Amazônia se retroalimentam, colocando pressão tanto no Nordeste quanto nas demais regiões do Brasil.
“A retroalimentação está em que, no aumento da temperatura, a Amazônia começa a secar. E, ao começar a secar, ela está mais vulnerável ao fogo e ao desmatamento, e aumenta sua contribuição para o aquecimento do planeta, que fica ainda mais severo e ajuda a secar a floresta e a aumentar as estações secas”, explica Astrini.
Como 70% das chuvas que irrigam as plantações do Centro-Oeste, Sul e Sudeste brasileiro vêm das águas evaporadas da Amazônia, a degradação da floresta também ameaça a agricultura brasileira e o abastecimento de alimentos no mundo, já que o Brasil é um dos maiores produtores.
“Para deixar mais dramática a situação, o Brasil não tem infraestrutura de irrigação artificial. Só 5% da agricultura tem sistema irrigação. A agricultura brasileira é clima-dependente. Quando muda o clima, muda o regime de chuvas, você começa a perder em tudo: perde economia, fluxo migratório, áreas agricultáveis”, destaca Astrini.
“O Brasil é extremamente frágil para questões de mudanças climáticas. E é um ator crucial no combate ao aumento da temperatura da Terra”, completa secretário-executivo do Observatório do Clima.

Fonte: G1 Mundo

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Eleição no Japão: coalizão de governo tem resultado melhor que o esperado


O novo primeiro-ministro do país, Fumio Kishida, proclamou vitória ‘muito difícil’ nas eleições legislativas. Partido Liberal Democrático (PLD) conquistou 63% das cadeiras da Câmara Baixa. Fumio Kishida é aplaudido após ser escolhido como o novo primeiro-ministro do Japão
Kim Kyung-Hoon/Reuters
A coalizão que governa o Japão celebrou o resultado das eleições legislativas, nas quais conseguiu manter uma sólida maioria no Parlamento. O Partido Liberal Democrático (PLD) conquistou 293 das 465 cadeiras da Câmara Baixa (63% do total).
O primeiro-ministro do país, Fumio Kishida, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o resultado foi um respaldo para o seu governo e o PLD, que governa o país de forma quase ininterrupta desde a década de 50, mas que a vitória foi “muito, muito difícil”.
O índice de participação dos eleitores foi de quase 56%, o terceiro pior desde a 2ª Guerra Mundial mas uma leve melhora na comparação com as eleições legislativas de 2017.
A Bolsa de Tóquio respondeu de maneira positiva ao triunfo do partido do primeiro-ministro, e o principal índice de ações (o Nikkei) encerrou o dia em alta de 2,61%.
Combate à Covid e gastos militares
A expectativa dos investidores é que, com a perspectiva de estabilidade política no país, a coalizão governista tentará aprovar projetos que incluem pacotes de estímulo econômico e gastos de defesa.
Kishida havia antecipado no domingo (31) que deseja aprovar um pacote de estímulo até o fim do ano para combater o impacto econômico da Covid-19 e a desigualdade, agravada por políticas adotadas pelos seus antecessores Yoshihide Suga e Shinzo Abe.
O novo primeiro-ministro disse também que buscará aumentar os gastos militares para enfrentar as ameaças da China e Coreia do Norte.
O compromisso internacional de Kishida após a eleição deve ser a sua participar na Cúpula da ONU para Mudanças Climáticas (COP26) que está acontecendo em Glasgow, na Escócia.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Os quatro pilares da felicidade, na visão de mestre espiritual do Butão


À medida que o país abre suas fronteiras, um monge budista compartilha seus ensinamentos para compreender a abordagem única da nação em relação à felicidade. Rinpoche era um dos mestres espirituais mais jovens do Butão quando assumiu a posição em 2009
SCOTT A WOODWARD
“A felicidade é uma preocupação de todos”, declarou Sua Eminência Khedrupchen Rinpoche.
“Quer você reconheça ou não, este é o propósito de todo ser humano.”
Rinpoche já refletiu muito sobre a busca pela felicidade. O monge é reconhecido como a quinta reencarnação de um mestre espiritual — e é atualmente chefe do Monastério Sangchen Ogyen Tsuklag em Trongsa, no Butão.
Ele ascendeu à posição aos 19 anos em 2009, e foi um dos mais jovens Rinpoches (mestres espirituais) do Butão na época.
Agora com 31 anos, ele tem dedicado os últimos 12 anos de sua vida a ensinar ao mundo sobre os princípios budistas e como eles podem ser aplicados para tornar a vida mais feliz a cada dia, independentemente de sua cultura ou religião.
Espremido entre as potências econômicas e políticas da China e da Índia, com uma população de pouco mais de 760 mil habitantes, o Reino do Butão é conhecido em todo o mundo por seu índice não convencional de desenvolvimento nacional: Felicidade Interna Bruta (FIB).
Como o ‘país da felicidade’ virou motivo de queda de braço entre potências
O conceito foi implementado em 1972 pelo quarto rei do Butão, Jigme Singye Wangchuck.
Evitando os indicadores econômicos tradicionais, o Butão avalia o bem-estar geral de seu país com base no desenvolvimento socioeconômico sustentável e equitativo; conservação ambiental; preservação e promoção da cultura; e boa governança.
“A Felicidade Interna Bruta é [um] conjunto de condições coletivas, geralmente necessárias para viver uma vida boa”, explica Rinpoche.
Antes da pandemia de covid-19, ele viajou o mundo dando palestras e workshops por meio de sua iniciativa Neykor.
Ele também estava trabalhando para construir a primeira Academia Budista no Butão, que será aberta a qualquer pessoa interessada em aprender sobre a filosofia budista, independentemente de sua origem ou religião.
“Tudo o que eu estava fazendo ficou em suspenso. Decidi ver isso como uma oportunidade de aprofundar minha própria experiência e me isolar”, conta Rinpoche.
Rinpoche visita com frequência sua caverna de meditação pessoal nas colinas arborizadas atrás do Monastério Sangchen Ogyen Tsuklag, em Trongsa
SCOTT A WOODWARD
“Fui para as montanhas e vivi lá com muito pouca comida, em condições climáticas adversas, sem refúgio além de uma caverna.”
“Isso me deu tempo para realmente absorver meus próprios ensinamentos. O que ficou muito claro foi que a verdadeira felicidade não tem nada a ver com fenômenos externos; é algo inato. ”
O monge enfatiza, no entanto, que não é necessário ir a tais extremos para encontrar paz:
“Devemos parar de buscar a felicidade em experiências fora de nós mesmos. Há, na minha opinião, quatro pilares: bondade amorosa, compaixão, desapego e carma, que podem ser facilmente abraçados por qualquer pessoa em qualquer momento de suas vidas, de qualquer lugar. ”
Segundo ele, a bondade amorosa “é o segredo para gerar felicidade não apenas a nível pessoal, mas também para os outros”.
Ele destaca a importância de ser gentil consigo mesmo em primeiro lugar, e como isso leva à compaixão pelos outros.
“Você deve amar a si mesmo e saber verdadeiramente que, não importa a circunstância, você é bom o suficiente. A partir daí, você pode espalhar [essa compaixão] para os outros.”
Chunjur Dozi, um ex-guia turístico, acredita que o senso de compaixão coletiva do Butão está enraizado na religião.
“Temos um forte senso comum de ajudar os outros, que vem do fato de a maioria da população ser budista. Sempre considero se o que faço beneficiará a comunidade.”
Quando a pandemia o impediu de continuar trabalhando como guia, Dozi reavaliou suas perspectivas e voltou para seu povoado de Tekizampa em maio de 2020.
“O mais difícil para mim foi enfrentar a perda de um emprego que eu acreditava ser seguro”, diz ele.
“No entanto, não fiquei sem alternativas. Pude voltar para meu povo e voltar para a terra, cultivando e vendendo produtos.”
Aceitar que todas as coisas são impermanentes é um dos pilares da felicidade de Rinpoche
SCOTT A WOODWARD
Desde então, ele tem usado sua experiência como guia turístico para envolver outras pessoas na busca de maneiras de promover a cultura local para os turistas, agora que o Reino reabriu suas fronteiras.
“Incentivei as pessoas a prepararem nossas receitas caseiras com arroz vermelho para torná-las o mais autênticas possível para que as pessoas possam aprender sobre a nossa culinária local”, afirma.
O terceiro pilar de Rinpoche, desapego ou impermanência, é um conceito budista que está na raiz da cultura butanesa.
“Quando algo der errado, não fique deprimido imediatamente porque as coisas vão mudar”, diz Rinpoche. “Se aceitarmos que todas as coisas são impermanentes, isso significa que pode haver mudança, e com mudança há esperança.”
Ele explica que isso também se aplica às coisas positivas da vida.
“Aceitar que as coisas não duram, incluindo sucesso e riqueza, permite que você realmente aprecie o que tem à mão.”
Além de abraçar a bondade própria e viver com compaixão para com os outros, a pandemia também reforçou em Dozi a importância de acolher a mudança.
Desde que voltou para seu povoado, ele aprendeu carpintaria e tem ajudado seus vizinhos a consertar suas casas, enquanto embarca em um grande projeto comunitário.
“Renovamos uma casa de fazenda tradicional que foi abandonada por uma família e a transformamos em um hotel fazenda rural.”
“Há muito tempo que defendo uma abordagem mais imersiva do turismo, e que as pessoas explorem a cultura e o estilo de vida das áreas mais rurais do Butão. No fim das contas, aprendi a ser feliz com o que tenho e aproveitar ao máximo.”
De acordo com Rinpoche, o quarto pilar, carma, não é o que parece.
“O carma é totalmente mal compreendido. A maioria das pessoas pensa que significa que se você fizer algo ruim, algo ruim vai acontecer com você, como uma forma de vingança ou punição universal. Não é nada disso”, explica.
“Trata-se de causa, condição e efeito. Aceitar que suas ações e escolhas têm um impacto no mundo ao seu redor.”
“É como plantar a semente de uma árvore. Se plantarmos uma semente de manga, obteremos uma mangueira. Não podemos plantar uma semente de maçã e esperar que cresça uma mangueira!”, acrescenta rindo.
“Acreditar no carma é uma oportunidade para você se transformar, se moldar, para realmente trabalhar em quem você deseja se tornar e fazer o que deseja alcançar.”
Embora Rinpoche afirme que o Butão é “incrivelmente pacífico e tem este ambiente natural majestoso e imaculado”, ele também reconhece que o Reino tem seus problemas, assim como qualquer outro lugar.
A inflação continua a subir, com o índice geral de preços ao consumidor aumentando quase 9% no ano passado. A insegurança alimentar também é uma realidade (o Butão importa cerca de 50% de seus alimentos), e o país teve um aumento de quase 15% nos custos dos alimentos.
O Butão pode nacionalizar a felicidade, mas tem seus problemas, assim como qualquer outro lugar
SCOTT A WOODWARD
O impacto do fechamento de suas fronteiras de março de 2020 a agosto de 2021 também significou que pelo menos 50 mil pessoas que trabalham na indústria do turismo, como Dozi, perderam seus empregos e ganha-pão. No entanto, a boa governança, um dos pilares do FIB, foi crucial para a sobrevivência do Butão durante a pandemia.
A rápida resposta do governo ao impacto socioeconômico do coronavírus foi elogiada pela comunidade internacional, à medida que adiou o pagamento de impostos e concedeu ajuda financeira aos cidadãos.
Os membros do parlamento doaram um mês de salário para os esforços de socorro. O governo também priorizou a vacinação de seus cidadãos e, atualmente, 90,2% da população elegível está totalmente vacinada.
“O que há de tão especial em ser butanês é que sempre há um senso de gratidão, bem-estar comunitário e identidade nacional”, acrescenta Thinley Choden, empreendedora social e consultora.
Choden acredita que parte da razão pela qual os butaneses veem a felicidade de maneira diferente de outras culturas é por causa de sua capacidade de reconciliar o passado e o presente.
“A cultura do Butão está fortemente enraizada em nossas tradições e valores espirituais, mas somos uma sociedade muito progressista e prática.”
“Em geral, nossa cultura e religião não são prescritivas, e nem uma escolha preto no branco, mas sim navegar pelo caminho do meio na vida cotidiana.”
Se houvesse um conselho que Rinpoche pudesse compartilhar com o mundo, seria este:
“Lembre-se sempre de que o mais importante é viver a vida no momento presente, e que a felicidade não é um subproduto de fatores externos, mas do resultado do condicionamento positivo de sua mente. A felicidade está ao alcance de todos.”

Fonte: G1 Mundo

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Bolsonaro é recebido em cidade italiana com manifestações contra e a favor


O presidente foi a Anguillara Veneta, cidade de um de seus antepassados que hoje é governada por um partido de extrema-direita, para receber título de cidadão honorário. Houve manifestações a favor e contra o presidente Jair Bolsonaro em Anguillara Veneta, na Itália, em 1º de novembro de 2021
Piero Cruciatti / AFP
Manifestantes contrários e favoráveis ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foram à cidade de Anguillara Veneta, no norte da Itália, onde ele deverá receber o título de cidadão honorário da cidade em uma cerimônia oficial na prefeitura.
Imagem de protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em Anguillara Veneta
Piero Cruciatti / AFP
Um bisavô de Bolsonaro era de Anguillara Veneta e imigrou para o Brasil. Hoje, a cidade tem cerca de 4.000 moradores e é governada pelo partido de extrema-direita Liga.
Depois do evento, ele deve almoçar com vários membros da família Bolsonaro, alguns parentes próximos, em uma elegante residência do século 17 da região.
Manifestações contrárias
Sob uma chuva persistente e em meio à neblina, representantes de vários partidos de esquerda, de sindicatos e da associação antifascista ANPI protestaram com bandeiras e cartazes contra a honraria ao presidente brasileiro.
“Que visite a cidade de onde vem sua família é justo, mas não que o apresentem como um modelo a seguir com a concessão do título de cidadão honorário”, disse Antonio Spada, vereador da oposição.
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“Fora Bolsonaro”, afirmava um cartaz, enquanto outro, escrito a mão, declarava “Anguillara ama o Brasil, mas não Bolsonaro”.
Em Anguillara Veneta, mulheres fixam faixa em italiano on se afirma que o título de cidadão honorário não deveria ser dado como um presente, mas, sim, conquistado; manifestantes protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro, em 1º de novembro de 2021
Piero Cruciatti/ AFP
Entre os manifestantes mais indignados estava o missionário italiano Massimo Ramundo, que viveu por 20 anos no Brasil, 12 deles no Maranhão, estado que tem 34% do território ocupado pela floresta amazônica.
“É uma vergonha. Estou furioso com a prefeita desta cidade. Ela não sabe o que Bolsonaro fez e disse, não escutou suas declarações de teor racista, contra os indígenas, os vacinados, as mulheres. Além disso, ele quer que a Amazônia seja um negócio. Não respeita os valores do papa Francisco”, afirmou o religioso.
Manifestantes pró-Bolsonaro
Manifestantes a favor de Jair Bolsonaro em Anguillara Veneta, na Itália, em 1º de novembro de 2021
Piero Cruciatti / AFP
Grupos de simpatizantes do presidente também se manifestaram. “Estou aqui para dizer que não está sozinho”, declarou Silvana Kowalsky, 50 anos, que viajou de Vicenza, a 85 quilômetros de distância, para expressar seu apoio.
Com chapéus e bandeiras do Brasil, os simpatizantes do presidente preparam-se para defender a homenagem.
“É um grande presidente e tem o direito, porque é descendente de italianos. Tudo o que a CPI (do Senado) fala dele é mentira”, afirmou o brasileiro Cláudio Resende, de 65 anos, que mora na Itália há 17 anos.
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Fonte: G1 Mundo

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Procurador do tribunal de Haia visita Venezuela, investigada por possíveis crimes contra a humanidade

O procurador do Tribunal Penal Internacional está em uma viagem pela América do Sul. Ele já esteve na Colômbia. Corte Penal Internacional em Haia confirma denúncia contra presidente da Venezuela
O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), o britânico Karim Khan, iniciou no domingo (31) uma visita de três dias à Venezuela, país sob investigação preliminar por supostos crimes contra a humanidade.
Tribunal Penal Internacional critica Venezuela por não investigar crimes e abre possibilidade de ações judiciais contra o país
Khan chegou a Caracas a convite do governo do presidente Nicolás Maduro, como parte de uma viagem pela América Latina. O procurador já passou pela Colômbia.
O canal estatal VTV noticiou a chegada do procurador ao aeroporto que atende a capital venezuelana, onde foi recebido pelo ministro de Relações Exteriores, Félix Plasencia.
“Espera-se que o procurador Khan conheça em primeira mão o andamento das instituições do Estado e estabeleça um diálogo positivo de cooperação” durante sua visita, afirmou a VTV.
O TPI, com sede em Haia, na Holanda, abriu em 2018 uma investigação preliminar sobre supostos abusos dos direitos humanos por parte do governo de Maduro, especialmente devido à violenta repressão dos protestos antigoverno de 2017, nos quais morreram cerca de 100 pessoas.
A antecessora de Khan, Fatou Bensouda, disse que havia uma base razoável para acreditar que foram cometidos crimes contra a humanidade e apontou a inação das autoridades venezuelanas para investigá-los.
Khan terá que decidir se pedirá aos juízes que abram uma investigação completa sobre a questão, o que poderia levar a acusações criminais contra indivíduos ligados à repressão. Um hipotético julgamento pode levar anos para ocorrer.
A Justiça venezuelana indiciou e condenou policiais por mortes durante os protestos de 2017, embora seus críticos considerem que as ações foram tomadas apenas para evitar um julgamento no TPI.
Nos últimos dias, foram registradas pequenas manifestações de ativistas em Caracas pedindo ao procurador que atenda às denúncias das vítimas de violações dos direitos humanos no país.
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Fonte: G1 Mundo

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Avanços tímidos no G20 esvaziam expectativas para a COP 26


Grupo das maiores economias do planeta chega à conferência do clima sem se comprometer com prazos necessários para conter o impacto das mudanças climáticas. Encontro do g-20, em Roma, terminou neste domingo
No que é considerado uma espécie de “esquenta” para a COP 26, que engrena nesta segunda-feira em Glasgow, líderes do G20 reunidos em Roma concordaram que o financiamento do carvão deve ser encerrado e que o aquecimento global deve ser contido a 1,5 ºC.
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Divulgação/G20 Italy
Os responsáveis pelas maiores economias do mundo não chegam de mãos abanando à conferência climática da ONU, mas foram vagos em seu comunicado. Não estabeleceram datas precisas e necessárias para mitigar o impacto das mudanças climáticas.
Entenda a importância da reunião do G20
O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o premiê britânico, Boris Johnson, anfitrião do encontro de cúpula, assim como ambientalistas e ativistas, expressaram desilusão com os avanços tímidos da declaração final. Isso significa adentrar a COP 26 com a sensação de que não será em Glasgow que o planeta será salvo.
“Deixo Roma com esperanças frustradas, mesmo que não estejam enterradas”, resumiu Guterres, a caminho da cidade escocesa. Johnson também falou em fracasso e apostou que as chances de sucesso para que a conferência do clima estabeleça metas são de 6 em 10. Constatou que os países “ainda não são promissores o suficiente para restringir o aumento da temperatura global para menos de 1,5 ºC”.
O grupo reunido em Roma representa economias que emitem 80% dos gases do efeito estufa. Dos 19 países, mais a União Europeia, 12 se comprometeram com a meta de neutralizar as emissões desses gases por volta de 2050, sem especificar uma data. Grandes poluidores, China, Rússia, Índia e Arábia Saudita, por exemplo, querem empurrar o prazo para 2060.
O prelúdio em Roma mostrou os EUA, de Joe Biden, novamente engajados no cenário mundial, e o Brasil, de Jair Bolsonaro, isolado, mas esvaziou as expectativas para Glasgow.
Johnson deve abrir a conferência de duas semanas com um apelo dramático aos líderes de 120 países. Recorrerá a frases de efeito para alertar sobre a urgência de medidas que evitem um desastre climático, traduzido por inundações, furacões, secas e incêndios florestais.
“A Humanidade atrasou o relógio com as mudanças climáticas”; falta um minuto para a meia-noite e precisamos agir agora”; “se Glasgow falhar, tudo falha e o Acordo de Paris terá desmoronado”, advertirá o premiê britânico, de acordo com trechos do discurso de abertura antecipados pelo governo.
O tom catastrófico de última chance para salvar o mundo, contudo, é mais do que realista. A previsão atualizada da ONU é de que neste século a temperatura do planeta está a caminho de registrar o aumento médio de 2,7 ºC.
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Fonte: G1 Mundo

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Disneylândia de Xangai fecha após detectar 1 caso de Covid


China teve 92 casos nesta segunda, o maior número diário desde setembro. País de 1,4 bilhão de habitantes tem mantido sua política de severos lockdowns após o registro de poucos casos. Visitantes com máscaras de proteção tiram foto no Shanghai Disney Resort, no parque temático Shanghai Disneyland, em 11 de maio de 2020 em Xangai, durante a pandemia de Covid-19 na China
Aly Song/Reuters
O parque de diversões da Disneylândia em Xangai, na China, fechou nesta segunda-feira (1º), após detectar um caso de Covid-19, em um sinal de como as autoridades chinesas pretendem erradicar o vírus antes dos Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim.
A China reduziu a maioria das infecções locais durante a pandemia da covid-19. Um pequeno surto recente pôs em xeque, porém, a determinação de Pequim de eliminar o vírus, enquanto outros países se abrem.
Nesta segunda, 92 casos foram registrados neste país de 1,4 bilhão de habitantes, o maior nível desde setembro.
A “Shanghai Disneyland” fechou após uma mulher que visitou o parque testar positivo para a Covid-19 ao voltar para casa em uma província vizinha, informou a mídia estatal.
A Disneylândia disse que permanecerá fechada pelo menos hoje e amanhã para “dar seguimento aos requisitos de prevenção e controle da pandemia”.
Ontem, o parque começou a fazer testes de detecção da covid-19 em todos os visitantes, antes de deixarem o recinto. Cerca de 34.000 pessoas foram testadas até a manhã desta segunda-feira, informou a prefeitura de Xangai.
Visitantes passeiam na Disneylândia de Xangai (Shanghai Disneyland), em 10 de maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19 na China
Aly Song/Reuters

Fonte: G1 Mundo

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Homem economiza milhares de dólares por ano comendo apenas em parque de diversões na Califórnia


Dylan comprou um passe anual por US$ 150 que dava a ele direito de fazer duas refeições por dia no parque Six Flags, valor menor do que a média de gastos de seus colegas. Fachada do parque Six Flag Magic Mountain, na Califórnia
By Jeremy Thompson from United States of America – Six Flags Magic Mountain, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=32693051
Dylan, um engenheiro elétrico da Califórnia de 33 anos, arrumou um jeito peculiar para reduzir os gastos com comida: ele paga US$ 150 por ano (algo como R$ 850) um ingresso que lhe dá direito de frequentar diariamente o parque de diversões Six Flags, um dos principais dos Estados Unidos, com duas refeições inclusas no pacote.
Assim, o jovem não precisa gastar com alimento de outra forma — ele faz todas as refeições no parque, em quase todos os dias, há sete anos, relatou Dylan à revista “Mel Magazine”.
Para se ter uma ideia, uma colega de trabalho de Dylan disse a ele que gasta cerca de US$ 18 mil por ano com alimentação. Ou seja, torna-se uma economia de mais de US$ 17 mil anuais, na comparação com essa amiga.
Não tão saudável
Em entrevista à “Mel”, Dylan reconheceu que a dieta não é exatamente saudável. “No primeiro ano, o cardápio era meio tosco — tudo o que eu conseguia era hambúrguer, batatas fritas ou uma pizza com salgadinho, ou um sanduíche patético com refrigerante refill”, relembra.
Tanto que a frequência dele nesses restaurantes do parque diminuiu ao longo do tempo, principalmente depois que ele se casou. “Paramos de jantar e de ir lá no parque, até porque ela não gosta tanto de montanhas russas como eu”, disse.
Porém, segundo Dylan, as opções de comida no parque melhoraram. “Ainda tem muita comida ruim — é um parque de diversões, você não pode esperar muito.”
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Fonte: G1 Mundo

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Mundo passa dos 5 milhões de mortes por Covid


Marca foi atingida 117 dias após o registro de 4 milhões de vítimas. Óbitos voltaram a subir globalmente, segundo OMS, com situação piorando principalmente na Europa e na Ásia. Túmulo no cemitério Yastrebkovskoe, que recebe vítimas de Covid em Moscou, na Rússia, em foto de 22 de outubro
AP Photo/Alexander Zemlianichenko
Mais de 5 milhões de pessoas já morreram de Covid-19 em todo o mundo desde o início da pandemia. A marca foi atingida nesta segunda-feira (1º), 117 dias depois do registro de 4 milhões de vítimas.
Na última semana, as mortes voltaram a subir 5% globalmente, segundo o mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).
As piores situações são na Europa, que teve 14% mais mortes do que na semana anterior, e na Ásia, com um aumento de 13% no mesmo período.
Já na África elas caíram 21%, embora o ritmo de vacinação esteja extremamente lento e a OMS preveja que apenas 5 dos 54 países africanos devam conseguir alcançar a meta de vacinar totalmente 40% de sua população até o fim do ano.
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Mundo ultrapassa as 5 milhões de mortes por Covid-19
Reprodução/jhu.edu
Outro fator preocupante é o caso da Rússia, que diariamente tem batido recordes de casos e mortes. Foram 1.159 óbitos e 40.096 novos registros de pessoas doentes na quinta-feira (28).
Já situação do Brasil neste momento é bem melhor do que quando o mundo tinha 4 milhões de mortes pela doença.
Na época, o país tinha a pior média mundial de óbitos, posição que hoje cabe à Romênia. Hoje o Brasil é o 40º nesse mesmo ranking, segundo o site Our World in Data.
Ranking
Os Estados Unidos continuam liderando a lista de países com o maior número de mortes por Covid-19, com 745.805, com o Brasil em segundo lugar, com 607.694, e a Índia em terceiro, com 458.186, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.
Veja abaixo quanto tempo se passou entre cada milhão de mortes por Covid.
9 de janeiro de 2020 – 1ª morte oficial
28 de setembro de 2020 – 1 milhão de mortes (263 dias depois da 1ª morte)
14 de janeiro de 2021 – 2 milhões de mortes (108 dias desde o 1º milhão de mortes)
17 de abril de 2021 – 3 milhões de mortes (93 dias desde os 2 milhões)
7 de julho de 2021 – 4 milhões de mortes (81 dias desde os 3 milhões)
1º de novembro de 2021 – 5 milhões de mortes (117 dias desde os 4 milhões)
Evolução da pandemia
Hospital atende a paciente com Covid-19 em Sofia, na Bulgária, em foto de 15 de outubro
Stoyan Nenov/Reuters
O primeiro milhão de mortes foi marcado por uma primeira onda na Europa, em março e abril de 2020, que assustou o mundo e levou os países a adotarem severas medidas de restrição para diminuir a proliferação do vírus.
O segundo milhão de vítimas foi marcado por uma aceleração constante no número de óbitos primeiro na Europa, impulsionada pela variante alfa, detectada inicialmente no Reino Unido, e posteriormente nos Estados Unidos, o que levou o mundo a atingir na época o recorde de mortes diárias.
O terceiro milhão de óbitos foi marcado por uma forte queda no número de mortes tanto nos EUA quanto na Europa, após severas restrições e com a aceleração da vacinação. Ao mesmo tempo, os óbitos já começavam a crescer na América do Sul e na Ásia, a partir de março.
Já o quarto milhão foi marcado por uma disparada da pandemia na América do Sul e na Ásia, sobretudo por causa do Brasil e da Índia.
Variantes gama e delta
Na América do Sul, a variante gama (ou P.1) se espalhou pelo Brasil e depois para os outros países da região, causando uma onda de casos e mortes inclusive em países com a vacinação mais adiantada, como Chile e Uruguai.
Na Ásia, a variante delta devastou a Índia, que passou por um completo colapso sanitário e hospitalar entre abril e maio e bateu todos os recordes mundiais de casos e mortes por Covid-19.
Desde então, a variante delta tem se espalhado pelo mundo e causado uma forte alta de mortes em diversos países — da Rússia à Indonésia — e também de casos até em nações que são referência na vacinação contra a Covid-19, como Israel e Reino Unido.
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Fonte: G1 Mundo

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Aberta por brasileira em Lisboa, loja de crepes em forma de vagina e pênis tem fila já antes de começar expediente


Mineira Juliana Dias e seu parceiro austríaco Rober Kramer mantêm ‘La Putaria’ aberta de domingo a domingo e vendem cerca de 300 unidades por dia. Crepe em forma de seios deve ser próximo lançamento. Loja de crepes está dando o que falar em Portugal
Os inocentes pasteis de nata e os famosos doces de ovos moles de Lisboa ganharam um grande e forte concorrente: crepes em forma de pênis e vagina que há dois meses estão sendo vendidos na Rua da Rosa, no Bairro Alto da capital portuguesa.
A doceria se chama “La Putaria” e há filas para provar a guloseima que estreou em agosto deste ano, logo após a abertura do comércio pós-confinamento causado pela pandemia da covid-19. O empreendimento é da brasileira Juliana Lopes, que se uniu ao namorado austríaco, Robert Kramer, para montar a loja.
Catapultada pelas redes sociais, a pequena loja de 50 metros quadrados abre de domingo a domingo, e vende uma média de 300 crepes todos os dias. Os donos não confirmam o faturamento mensal, mas como o menor preço de cada bolinho é 4,50 euros, em uma conta simples dá para calcular o faturamento mensal de pelo menos 40 mil euros (algo em torno de R$ 260 mil). Os crepes são recheados e cobertos por chocolate e/ou doce de leite e os preços variam entre 4,5 e 6,5 euros, dependendo da quantidade de recheios e coberturas que o cliente desejar.
O endereço é no bairro mais boêmio da capital portuguesa, famoso por reunir jovens das mais variadas nacionalidades que chegam a Lisboa para estudar nas universidades. O sucesso da loja está diretamente ligado ao uso das redes sociais para divulgar o negócio. No TikTok, a hashtag #Laputaria tem mais de 10,9 milhões de visualizações e praticamente todos os vídeos recentes foram feitos por clientes que compraram os bolinhos da loja da brasileira.
Juliana Lopes e Robert Kramer não esperavam que o negócio desse certo tão rápido
Cledivânia Pereira Alves/G1
‘La Putaria’ também já enfrenta a guerra dos algoritmos. A primeira conta criada no Instagram foi derrubada pela rede:
“Imaginamos que houve denúncias. Portugal é um país muito tradicional. Por isso imagino que o tema da loja deve ter chocado e pode ter recebido uma série de denúncias. Inclusive, eu confesso que me surpreendi com o sucesso da loja. Mas, enfim, aconteceu”, analisa Juliana Lopes.
O segundo perfil foi criado e sinalizado como comercial, tem quase 19 mil seguidores e não sofreu mais problemas desde que foi reaberto (@laputariaoficial). Assim como no TikTok, a hashtag #Laputaria é quase toda com conteúdos feitos na loja da Rua da Rosa. A empreendedora destaca que nunca fez qualquer impulsionamento de conteúdo e que a movimentação nos perfis da loja são completamente orgânicos.
As imagens dos crepes se espalharam pelas redes sociais, mas o sucesso da loja é mesmo no plano físico. As portas abrem por volta das 15 horas e todos os dias há filas para comprar as guloseimas. As amigas Inês Rodrigues e Marta Bras moram em Sintra (distantes 30 quilômetros de Lisboa). Mas vieram à capital apenas para conhecer o local. “Vimos nas redes e achamos divertido. Viemos conhecer, comprar e tirar fotos para colocar nas redes sociais”, contaram.
Elas disseram que devem voltar outras vezes, trazendo amigos e até familiares. “Minha mãe achou giro (engraçado) e vou mostrar as fotos quando eu chegar em casa”.
Mãe e filha compram juntas
Por enquano ‘La Putaria’ serve apenas dois tipos de crepes: de pênis e de vagina. Os crepes com formato de seios devem ser lançados em breve
Cledivânia Pereira Alves/G1
A maioria do público é realmente de jovens, mas não é raro encontrar famílias inteiras no local. Mariza Melo, de 25 anos, viu os doces na internet e convidou a mãe, Mari Melo, de 50 anos, para conhecer. “Achei incrível e vim aqui conferir se era tudo aquilo que prometiam. Bem, bonito é. Vou ver agora se é gostoso”, disse Mari, enquanto aguardava o bolinho em forma de pênis.
Ela escolheu o tradicional que leva duas coberturas. Uma de chocolate preto que cobre 80% do bolo e a de chocolate branco, que vai na pontinha do crepe e é chamada pelos atendentes de “final feliz”. “Achei muito ‘giro’ e vou fazer umas fotos para colocar no grupo da família. Tenho certeza que todos vão se divertir muito”, disse a mãe que parecia muito mais a vontade com o doce do que a filha.
Mari e Mariza Melo vieram de longe para conhecer a loja
Cledivânia Pereira Alves/G1
Atendentes são ‘poliglotas’ de pênis e vaginas
O endereço do La Putaria é um dos mais turísticos de Lisboa. Por isso, os atendentes precisam saber “traduzir” o produto. Dos seis funcionários que se revezam no balcão ao longo dos dias, uma é brasileira do Maranhão.
Daniela Silva diz que gosta muito do trabalho e que é mais uma diversão. Para atender bem os clientes, precisou aprender como os nomes pênis e vagina são ditos em diferentes idiomas. E começa a dizer os nomes que aprendeu: “Tem pila, picha, coño, pepeca, xoxota, pussy, dick… há também os mais pejorativos, mas são pouco comuns”” explica.
Nelson Costa e Diogo Barros são portugueses e pediram demissão de seus antigos trabalhos para atender no ‘La Putaria’. “Achei que poderia ser uma experiência diferente e divertida. E realmente está sendo… consigo até paquerar com alguns clientes”, confessa Diogo.
Crepe em formato de seios
A loja vende dois formatos de crepes: o de vagina e o de pênis. Esse segundo formato é disparado o mais vendido (cerca de 80%). Há estudos para crepes em outros formatos, o próximo deve ser em forma de seios (ou maminhas, como chamam os portugueses).
O sucesso da loja provocou uma série de cópias do negócio. Robert Kramer disse que alguns concorrentes chegaram a ir fotografar os doces na loja e que nas redes sociais algumas pessoas chegam a marcar o perfil da loja reclamando do serviço (com fotos de doces que são de outras lojas). “Algumas pessoas acham que somos franquia. Não. Nascemos só com esta loja, por enquanto”, diz o austríaco que vive há cinco anos em Portugal e namora Juliana há três.
Segundo ele, a ideia da loja veio de um amigos que foi foram a Bangkok e outras capitais de países da Europa e enviaram informações de lojas parecidas. “Quando vi a foto, pensei logo que seria uma ótima ideia aqui. Comprei as máquinas nos Estados Unidos e pedi a ajuda de Juliana com a receita do crepe e o trabalho com redes sociais”, conta.
Tamanho do crepe de pênis é próximo ao da média mundial real
Cledivânia Pereira Alves/G1
Do dia em que viu as fotos dos amigos para a abertura da loja foram apenas quatro meses. “Sabia que daria certo, mas não esperei que fosse tão rápido”. O sucesso dos crepes de pênis e vagina não deve parar por Lisboa. O casal já recebeu mais de 200 propostas para abrir franquias em vários países. Os dois planejam implantar uma segunda loja em Porto (segunda maior cidade de Lisboa) e planejam, ainda em 2021, lojas físicas também no Brasil (mas ainda sem locais definidos).
A loja de Lisboa já entrega os pênis e vaginas doces nas casas dos clientes e fazem pacotes com pedidos maiores. “Muita gente compra para despedidas de solteiro’’ , explica Juliana. O sucesso dos pênis e vaginas doces também entrou na rota da imprensa portuguesa. O casal já participou de seis programas de TV em Lisboa.
Essa exposição é uma grande novidade na vida da brasileira. Juliana chegou a Lisboa há pouco mais de três anos. Ela é de Minas Gerais e tem graduação na área de estética. Veio para Portugal morar com a mãe que já vive no país há mais de uma década. O plano inicial era trabalhar com ela, em uma empresa de estética feminina. Paralelo a esse trabalho, também vende bijuterias com uma amiga através de redes sociais. “Sou empreendedora e a minha vida já estava bem organizada com esses dois projetos”.
Ela conheceu Robert meses após chegar a Lisboa. Ele veio para Portugal tentar empreender na área de informática. Mas a vida dos dois está mudando rapidamente com a “La Putaria”, primeiro negócio deles juntos. “Pensei que fosse ser uma brincadeira. Mas o negócio deu certo e já é a minha principal fonte de renda”, declara Juliana. O casal de namorados trabalha agora para organizar o projeto em forma de franquia e espalhar bolinhos doces em forma de pênis e vaginas pelo mundo.
Tamanho do crepe usa medida média de pênis
Os planos são tão ousados e ambiciosos como a promessa que está em uma luminária neon na parede da loja: “É maior que a do seu namorado”. Essa parede, inclusive, foi desenhada para ser a parte ‘instagramável’ da loja. Depois de comprar o doce, tirar uma foto ao lado do letreiro faz parte da experiência de ir ao ‘La Putaria’.
Quando questionado sobre o tamanho e o formato dos crepes, Robert Kramer diz que não houve discussão sobre isso. A máquina já tinha esse formato e, no caso do formato de pênis, mede 16,5 centímetros. “A explicação que encontramos é que essa é a média de tamanho mundial do pênis”, diz Robert.

Fonte: G1 Mundo