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Aborto: a menina de 11 anos que desistiu de interromper gravidez fruto de estupro após pressão da Igreja


A criança, que foi abusada por um parente, e sua mãe haviam iniciado o procedimento, conforme permite a lei boliviana, mas mudaram de ideia após religiosos católicos e grupos anti-aborto intervirem. Mulher protesta em hospital na Bolívia
EPA via BBC
Choque, tristeza, raiva e indignação.
Esses são alguns dos sentimentos que surgiram em setores da sociedade boliviana em reação ao caso de uma menina de 11 anos que engravidou devido aos contínuos abusos sexuais cometidos por um homem de 60 anos.
“Meninas, não mães” e “Salve as duas vidas” são alguns dos slogans que vêm sendo usados ​​nos últimos dias, tanto nas redes sociais quanto em manifestações nas ruas, por aqueles que defendem que a menina pode interromper a gravidez amparada pela lei e por aqueles que acreditam que a gravidez fruto de estupro deve seguir seu curso.
O caso, que aconteceu no município de Yapacaní, na região leste do país, teve grande repercussão em toda a Bolívia na última semana.
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Estuprada por meses
Por mais de nove meses, a menina foi vítima de abuso sexual praticado pelo pai do atual companheiro de sua mãe.
A gravidez foi descoberta depois que a menina “sentiu movimentos estranhos” em sua barriga e contou a seus parentes. Após um primeiro exame médico, foi descoberto que ela estava grávida de 21 semanas.
A tia da menina apresentou queixa contra o suposto agressor, que aguarda seu processo judicial em um presídio de segurança máxima.
Ao mesmo tempo, foi apresentado um pedido de interrupção legal da gravidez (ILE, na sigla em espanhol) para a menina abusada.
Opositores do aborto após estupro se manifestaram em cidades como Santa Cruz e La Paz
EPA via BBC
Na Bolívia, desde 2014, uma mulher pode ter acesso ao aborto legal e seguro nos casos em que a gravidez é fruto de estupro, incesto, estupro de menor de idade, ou se a gravidez coloca em risco a vida ou saúde da mãe.
É necessário fazer a denúncia de estupro e ter o consentimento da vítima, eliminando a exigência de autorização judicial que consta do Código Penal Boliviano para a realização de um aborto sem que haja punição.
A interrupção legal da gravidez da menina começou no dia 22 de outubro. Segundo a Casa da Mulher, instituição que apoiou a Defensoria da Criança de Yapacaní no início do caso, a menina recebeu um primeiro medicamento para interromper a gravidez.
No entanto, após a cobertura da mídia sobre o caso (bastante criticada como “irresponsável”, já que o direito à privacidade da menor de idade não foi respeitado), a Igreja Católica e grupos chamados “pró-vida” pressionaram a menina e sua mãe a mudar de ideia e desistir de continuar com a interrupção da gravidez, segundo disse à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC) a defensora pública da Bolívia Nadia Cruz.
Grupos a favor do direito da mulher de decidir sobre sua gravidez também foram às ruas
EPA via BBC
Em 23 de outubro, com uma carta manuscrita assinada por ela, a menina desistiu de prosseguir com a interrupção da gravidez.
Ela teve alta do hospital na última terça-feira (26/10) e foi, junto com a mãe, a um centro de acolhimento administrado pela Igreja Católica, instituição que se compromete a cuidar de menores de idade e de seu filho ainda não nascido.
Nadia Cruz considera que a mãe não deve ter voz na tomada de decisão neste caso, uma vez que o abuso sexual ocorreu enquanto a menina se encontrava em “absoluta solidão e indefesa”.
“De acordo com os relatórios que acessamos, a forma como foi pressionada e encurralada por membros da Igreja, que se identificaram como do Arcebispado, gerou dúvidas e medo na menor para que recuasse em sua decisão de interromper legalmente a gravidez “, diz a defensora.
“Ela decidiu fazer uma ILE levando em consideração seu projeto de vida. Ela mesma disse ‘eu quero estudar, eu quero uma vida para mim’. As outras duas formas de intervenção [da mãe e da Igreja] fazem parte da grave violação de direitos de que a menor foi vítima “, afirma Cruz.
‘Até o limite da legislação’
Segundo dados divulgados pela diretora da Casa da Mulher, Ana Paola García, em 2020 ocorreram 39.999 gestações de menores de 18 anos na Bolívia, o que significa que em média 104 meninas engravidam por dia no país, das quais 6 tinham menos de 13 anos.
Em dezembro de 2020, a Argentina entrou na lista de países da América Latina em que o aborto é legal
Reuters via BBC
A assessoria jurídica da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano de Santa Cruz, a cargo da Defensoria da Criança e do Adolescente do mesmo município, diz à BBC Mundo que se trata de um caso que está “no limite da legislação”.
Embora a decisão constitucional de 2014 não especifique um prazo para a interrupção da gravidez, o Ministério da Saúde da Bolívia regulamenta esse aspecto com base no que diz a Organização Mundial da Saúde (OMS) e estabelece o limite de viabilidade do feto em 22 semanas para interrupção da gravidez.
Nesse caso, dizem as mesmas fontes, a menina está no limite do tempo previsto e apontam que, quando o médico faz o diagnóstico do tempo da gravidez, “sempre há uma margem de erro”.
Ressaltam, ainda, que embora o caso da menina atenda a três dos fundamentos tipificados na decisão constitucional, o processo de interrupção da gravidez deveria ser realizado em até 24 horas. Além disso, questionam a decisão de uma menina de 11 anos, visto que, nessa idade, na instância judicial, não há capacidade para firmar contrato perante qualquer instituição.
Diante desse cenário, eles veem uma “contradição jurídica” na capacidade conferida pela sentença de 2014: “Você está dando o poder de tomar a decisão de matar ou não matar a um ser de apenas 11 anos”.
“Ninguém mais pode decidir sobre ela, nem o Estado, nem um hospital, nem uma comissão de médicos, nem a Igreja Católica. Questionamos essa capacidade legal porque é uma menina, mas a doutrina diz que ela tem o direito de decidir, e ela decidiu continuar com a gravidez”, acrescenta a assessoria jurídica do município de Santa Cruz.
Gravidez de risco
A posição da Igreja boliviana tem sido, desde que o caso foi divulgado, a de “salvar, cuidar e sustentar com amor as duas vidas”. Em nota, fontes eclesiásticas afirmaram que “já é uma criatura bem formada e por isso goza, sem dúvida, da proteção que emana das leis e da Constituição Política do Estado”.
“Um crime não é resolvido por outro crime. O aborto não cura o estupro, nem dá paz de espírito às consciências. Pelo contrário, deixa feridas psicológicas mais graves e por muito tempo”, acrescentaram.
Iblin Moscoso, obstetra e ginecologista da clínica CIES de Santa Cruz, garante em conversa com a BBC Mundo que, do ponto de vista médico, esta menina tem “uma gravidez de muito risco” por todas as complicações que pode ter.
A menor iniciou o processo de interrupção da gravidez tomando uma pílula. No entanto, o especialista afirma que várias doses são necessárias para atingir o efeito de expulsão do feto e, em seguida, realizar uma aspiração manual intrauterina.
“Com apenas uma dose, não temos resposta. Agora, se isso pode ter consequências mais tarde ou algum efeito retardado, vai depender da resposta do corpo dela”, diz a médica.
‘Aborto legal para não morrer’, diz cartaz em protesto a favor do direito de decidir sobre gravidez na Bolívia
GETTY IMAGES via BBC
A médica, que trabalha em uma clínica que visa contribuir para o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos, afirma que, durante a gravidez de uma menina de apenas 11 ano,s podem ocorrer complicações como a pré-eclâmpsia (caracterizada por hipertensão e sinais de lesões para outro sistema de órgãos, na maioria das vezes fígado e rins), parto prematuro, desnutrição ou risco de hemorragia durante o parto ou pós-parto, “porque seu corpo não está preparado”.
“Se falamos da parte psicológica, é muito mais complicado pelas implicações que tem. A menina não vai estar pronta para ser mãe. Ela pode não ser capaz de aceitar esse bebê depois que ele nascer, não só por ter engravidado em uma idade em que ainda não está pronta para ser mãe, mas também por ser fruto de estupro”, acrescenta a especialista.
Moscoso considera que o direito à interrupção legal da gravidez na Bolívia continua a enfrentar um obstáculo em relação ao temor de alguns médicos de aplicar a sentença constitucional devido à pressão social que sentem. “Enquanto os casos não forem tratados com a confidencialidade necessária, tanto para o paciente quanto para a equipe que participará de uma intervenção, os médicos não poderão atuar sem medo de serem julgados pela sociedade”, acrescenta Moscoso.
Relatório elaborado pela Defensoria com apoio do Ipas Bolívia revela que apenas 8% dos 277 profissionais de saúde de 44 centros consultados em todo o país sabiam em quais casos procede a interrupção legal da gravidez, o que resulta em violações dos direitos das mulheres, meninas e adolescentes.
O documento, publicado em setembro do ano passado, aponta que usuárias que vão a uma unidade de saúde em estado de gravidez em decorrência de estupro e solicitam a interrupção legal da gravidez são submetidas a questionamentos pelo médico da equipe sobre sua decisão.
“Identificou-se que, na maioria dos casos, os profissionais de saúde tentam persuadi-las a continuar com uma gravidez indesejada ou lhes é negado o direito de interrompê-la, situações que geram angústia, dor, sofrimento e revitimização nas mulheres, meninas ou adolescentes vítimas de estupro”, diz o relatório.
Nesta semana, representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) na Bolívia falaram sobre o caso, apontando que submeter uma menina a uma gravidez forçada “é qualificado como tortura”.
“A gravidez de uma menina não só põe em risco a sua vida, a sua saúde e o seu projeto de vida, mas também ameaça a sua saúde mental e emocional, a sua autonomia corporal, incentivando e reforçando as desigualdades, o ciclo da pobreza e discriminação”, disse a ONU em um comunicado.

Fonte: G1 Mundo

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Canadá promete doar 200 milhões de doses de vacinas contra a Covid até o fim de 2022


De acordo com o governo canadense, o programa Covax, da OMS, havia recebido até sábado menos de três milhões das 40 milhões de doses já prometidas pelo país. Primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, recebe Justin Trudeau, na chegada do primeiro-ministro do Canadá à cúpula do G20, em Roma, neste sábado (30).
Alberto Pizzoli/AFP
O governo canadense se comprometeu na cúpula do G20 neste sábado (30) a fornecer milhões de doses adicionais de vacinas aos países pobres para combater a pandemia de Covid-19.
“O Canadá doará o equivalente a pelo menos 200 milhões de doses para o mecanismo Covax até o final de 2022”, disse o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, em um comunicado.
Dessa quantidade 10 milhões de doses da Moderna serão oferecidas “rapidamente” aos países em desenvolvimento, um compromisso “imediato” que o governo do Canadá afirma estar assumindo.
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Coordenado pela Aliança Global de Vacinas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sistema Covax visa garantir que 92 estados e territórios desfavorecidos recebam vacinas gratuitas financiadas pelas nações mais prósperas.
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O Canadá também prometeu “15 milhões de dólares para ajudar a aumentar a produção de vacinas na África do Sul”, afirmou a vice-primeira-ministra e ministra das Finanças canadense, Chrystia Freeland, em uma coletiva de imprensa em Roma.
De acordo com o governo canadense, o programa Covax havia recebido até sábado menos de três milhões das 40 milhões de doses já prometidas pelo Canadá, e entregas adicionais são esperadas “nos próximos dias”.
Mudança climática, Covid-19 e impostos são temas de encontro de líderes do G20

Fonte: G1 Mundo

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Presidente argentino promete ‘firmeza’ em negociações com o FMI


Alberto Fernández teve longa reunião com Kristalina Georgieva neste sábado. País que renegociar dívida de US$ 44 bilhões com o fundo. O presidente argentino, Alberto Fernández, que está em Roma para a cúpula do G20, prometeu neste sábado (30) negociar “com firmeza” com o Fundo Monetário Internacional (FMI) após uma longa reunião com a diretora da organização internacional, Kristalina Georgieva.
“Bom encontro com a diretora do FMI, Kristalina Georgieva, para avançar nas negociações que nos permitam sair do lugar social e economicamente insustentável onde o governo que me precedeu deixou nossa querida Argentina. Negociar com firmeza é recuperar a soberania”, anunciou no Twitter o presidente argentino ao final do encontro.
Alberto Fernández se encontrou com Kristalina Georgieva durante a cúpula do G20
Reuters
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Ele manteve uma reunião de 90 minutos com a chefe do FMI na embaixada da Argentina em Roma, que, segundo fontes diplomáticas, teve como foco a possibilidade de promover a discussão sobre a redução das sobretaxas.
“Quando tivermos um bom acordo, vamos fechar o acordo”, alertou o chanceler argentino, Santiago Cafiero, em entrevista coletiva. “A dívida não pode servir de âncora para a recuperação da Argentina”, resumiu.
O presidente argentino, que viaja acompanhado de Cafiero e do ministro da Economia, Martín Guzmán, se reuniu com outros líderes das principais economias do mundo, à margem de uma cúpula do G20, no ultramoderno centro de convenções La Nube, na capital italiana.
“Foi um encontro construtivo onde seguimos buscando construir entendimentos. Seguimos trabalhando de fato para continuar as negociações e os encontros”, declarou Guzmán, com um tom mais conciliador.
O presidente conversou durante o dia com a chanceler alemã Angela Merkel; o chefe de governo espanhol Pedro Sánchez; o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel; a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; e o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Foram relações bilaterais para fortalecer o vínculo entre a Argentina e a Europa. O presidente enfatizou a necessidade de rever parte da arquitetura financeira internacional que hoje é mais um obstáculo ao desenvolvimento do que uma ferramenta”, explicou Cafiero.
A Argentina está empenhada em obter bons resultados para as negociações que mantém com o FMI e chegar a um acordo com a organização multilateral para renegociar uma dívida de US$ 44 bilhões.
O presidente argentino exige que o FMI “seja responsabilizado pelos danos que causou” ao conceder ao governo do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019) um crédito de us$ 57 bilhões em 2018, número recorde para a entidade.
Ao assumir a presidência em dezembro de 2019, Fernández renunciou aos desembolsos disponíveis.
‘Não há inocentes’
Fernández e Georgieva já se viram pela primeira vez frente a frente em Roma em meados de maio, no final de uma visita a países europeus feita pela delegação argentina, em que obteve o apoio de Portugal, Espanha, França e Itália nas negociações com o instituição financeira.
A Argentina, o maior devedor do órgão, pagou em setembro ao FMI um vencimento em torno de US$ 1,8 bilhões do crédito stand-by que concordou.
Em agosto, recebeu o equivalente a cerca de US$ 4,4 bilhões, do total de US$ 650 bilhões distribuídos pela organização para ajudar os países membros a aliviar a crise da Covid-19.
O mandatário sul-americano defende a necessidade de se trabalhar para a construção de um novo multilateralismo voltado para o desenvolvimento dos países mais vulneráveis, com melhores condições de pagamento, prazos e valores.
No momento, ele não tem encontro marcado com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, com quem se encontrará novamente na cúpula das Nações Unidas sobre o clima, a COP26, que começa na segunda-feira em Glasgow, no Reino Unido.
O chefe de Estado argentino, que propõe “uma nova arquitetura financeira internacional”, é favorável à troca de dívidas por ações climáticas.
“Não há inocentes nesta história. Aqueles que se endividaram sem enfrentar as consequências ruinosas de sobrevivência são tão responsáveis quanto aqueles que deram os recursos para financiar a fuga de investimento em uma economia desequilibrada”, disse ele em seu discurso no plenário do G20.

Fonte: G1 Mundo

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Visitada por Bolsonaro, Itália viu comunidade brasileira quase dobrar em 2 anos


Crise e pandemia levaram muita gente a deixar o Brasil, e o país europeu foi um dos principais destinos. Imigração é mais fácil porque milhões de brasileiros são descendentes de italianos e têm direito à cidadania. A estudante Ana Lais Scarpa estava um dia na fila do supermercado em Arzignano, cidade de 25 mil habitantes no norte da Itália, onde mora, quando ouviu algo familiar.
“Tinha uma mulher falando português. Esperei ela terminar e brinquei: ‘Nossa, tem muito brasileiro por aqui, né?!’ Isso já aconteceu várias vezes”, conta ela.
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Ana se mudou para lá em setembro do ano passado, para trabalhar como babá e dar entrada no seu pedido de cidadania italiana — seu trisavô, no caminho inverso, emigrou da Itália para o Brasil no final do século 19.
A vontade de fazer isso bateu quando a pandemia começou. Ela decidiu que não queria mais em Belo Horizonte, onde estudava Nutrição na Universidade Federal de Minas Gerais.
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O gosto por viajar e conhecer novas culturas se somou à falta de perspectiva.
“Ia me formar, ganhar pouco, sem muitas chances de crescer”, diz a estudante de 22 anos, que hoje cursa Economia de forma gratuita, por ser italiana e ter uma renda baixa.
“O que me atraiu na Itália foi a possibilidade de estar aqui como cidadã, com todos os direitos. E aqui tem muita oportunidade e qualidade de vida. Tem problema também, mas não como o Brasil, onde a situação está ruim agora. Está tudo muito difícil, ainda mais para quem é jovem.”
Em Arzignano, ela conheceu vários outros brasileiros que também trocaram o Brasil pela Itália.
“A maioria dos estrangeiros aqui são indianos, mas a gente brinca que os brasileiros estão quase superando os indianos”, diz Ana.
A experiência dela se reflete nos números oficiais do governo brasileiro.
O levantamento mais recente do Itamaraty mostra que quase dobrou em dois anos o tamanho da comunidade brasileira na Itália, onde o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participa no final de semana de uma reunião do G20.
Em 2018, 85,7 mil brasileiros viviam no país e, em 2020, eram 161 mil, um aumento de 88%.
Os números são uma estimativa do Ministério de Relações Exteriores que leva em conta os registros dos consulados brasileiros, dados de outros órgãos nacionais, como a Receita Federal, e informações de autoridades italianas.
Ou seja, na prática, os números podem ser ainda maiores.
Crise e pandemia
É verdade que esse fenômeno não se restringe à Itália. Muita gente se mudou do Brasil nesse período.
O número de brasileiros no exterior passou de 3,59 milhões para 4,22 milhões, quase 18% a mais. Em comparação com 2015, quando a tendência de alta começou, o aumento foi de 54% até 2020.
Mas a Itália foi um dos principais destinos dos recentes imigrantes brasileiros. Em 2018, o país tinha a 11ª maior comunidade brasileira no mundo. Em 2020, a 6ª.
Os relatos à reportagem de vários profissionais que trabalham ajudando brasileiros no processo de imigração também mostram isso.
“Comecei a sentir esse aumento entre o final de 2018 e o início de 2019 e, em 2020, explodiu e ficou ainda mais forte neste ano”, afirma Anna Katarina Vieira, advogada especializada em processos de cidadania.
Ela diz que a crise econômica que o Brasil atravessa é um dos motivos. Muitas pessoas perderam o emprego e decidiram tentar uma nova vida lá fora.
A pandemia e a restrição de entrada em muitos países imposta aos brasileiros também fizeram muita gente voltar a tocar o processo de cidadania para ter um passaporte alternativo para viajar.
“Mas a maioria dos meus clientes são pais que querem que os filhos tenham a oportunidade de estudar na Europa”, conta.
A advogada Ana Paula Dias Marques, especializada em imigração, também percebeu uma maior procura pelos seus serviços.
“Acho que tem a ver com a pandemia e com a crise que o país atravessa. Quando a pessoa vê que a crise vai demorar a passar, que o Brasil vai levar um tempo para se recuperar, ela tenta começar uma vida em outro lugar”, afirma.
Jair Bolsonaro durante encontro do G20
Filippo Monteforte / AFP
Brasileiros vão morar na Itália para tirar cidadania
Uma vantagem da Itália é que a concessão de cidadania não tem um limite geracional, como por exemplo Portugal, que só permite isso para até os netos de portugueses.
Por esse motivo, e também porque houve uma grande imigração de italianos para o Brasil no passado, muitos brasileiros têm direito à cidadania italiana e, depois de conseguir isso, podem morar na Itália.
“Hoje, são aproximadamente 25 milhões de descendentes de italianos no Brasil”, explica Marques.
O próprio Bolsonaro é descendente de italianos e deve, ao visitar cidades no país nos próximos dias, receber o título de cidadão honorário de Anguillara Veneta, berço de sua família.
Há três formas principais de um descendente brasileiro se tornar cidadão italiano. A primeira, por meio dos consulados no Brasil, onde a fila dos processos pode chegar a dez anos.
Ou entrar com uma ação na Justiça italiana, alegando que os consulados no Brasil não respeitam os prazos legais para a análise dos pedidos. A decisão costuma ser favorável e sai em média em dois a três anos.
Ou a opção mais rápida: ir morar na Itália e dar entrada no processo em uma Prefeitura local. Quanto menor a cidade, mais rapidamente o trâmite costuma ser. A espera leva geralmente de três a seis meses, mas pode ser ainda mais curta.
O consulado-geral do Brasil em Milão lançou há dois anos uma cartilha para orientar quem busca serviços de assessoria no processo de cidadania por causa do “grande aumento no número de brasileiros descendentes que buscam ter a nacionalidade de seus ancestrais”.
A ideia é prevenir que essas pessoas caiam em golpes, que estavam se tornando bastante frequentes, segundo o consulado.
‘É uma pena que não viemos antes’
Muita gente volta para o Brasil ou se muda para outros países da Europa depois de conseguir a cidadania. Muitos também vão para se estabelecer na Itália.
Adriane Pignatti chegou, com o marido e as duas filhas adolescentes, em fevereiro do ano passado. Eles queriam ter a experiência de viver no exterior e dar às meninas a oportunidade de estudar em outro país.
Escolheram uma cidade bem pequena, a Tuscania, de pouco mais de 8 mil habitantes, na região central do país.
No final de julho, ela virou cidadã italiana — foi a primeira da sua família a fazer esse processo. Seus bisavós eram italianos.
Os planos eram inicialmente morar no norte do país, mas eles não puderam se mudar por causa das restrições impostas pelo governo para conter a pandemia.
Decidiram então se estabelecer em Viterbo, capital da mesma Província onde estavam e que fica a 1h30 de Roma. “Aqui tem muito brasileiro”, diz ela.
Adriane era servidora pública e pediu uma licença não remunerada. Hoje, ela presta serviços para brasileiros que querem virar cidadãos italianos. Seu marido é chef de cozinha e dá aula de gastronomia.
Pouco mais de um ano e meio depois de se mudar, eles estão felizes com essa decisão.
“Aqui a gente ganha pouco, mas vive com dignidade. Parece que o dinheiro rende mais. O imposto é alto, mas a gente tem qualidade de vida, escolas boas de graça, serviços de saúde que não custam um absurdo como no Brasil”, diz Adriane.
“É uma pena que a gente não veio antes.”
Veja, abaixo, vídeos sobre o encontro do G20:
Bolsonaro distorce fatos ao falar sobre situação do país no G20
Entenda a importância da reunião do G20
VÍDEOS: os mais vistos da semana no g1

Fonte: G1 Mundo

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Três manifestantes morrem e mais de 100 ficam feridos em protestos contra golpe no Sudão


Neste sábado (30), milhares de pessoas voltaram às ruas de mais de 70 cidades do país para exigir o retorno à transição democrática. Neste sábado (30), manifestantes protestam contra o golpe militar na cidade de Omdurman, vizinha à capital do Sudão.
AFP
Milhares de pessoas saíram às ruas de mais de 70 cidades do Sudão neste sábado (30) para exigir o retorno à transição democrática de governo após o golpe de Estado perpetrado na segunda-feira (25) pelo general Abdel Fattah al-Burhan. As manifestações deixaram três mortos e mais de 100 feridos. 
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Desde segunda-feira (25), quando a mobilização contra o golpe teve início, 12 pessoas morreram e 300 ficaram feridas. 
Há vários dias a ONU e os Estados Unidos vêm criticando o uso da força e da violência para reprimir os manifestantes.
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SANDRA COHEN: Sudão enfrenta mais um golpe militar anunciado
A resposta do Exército está sendo observada por todo o mundo, alertou uma fonte dos Estados Unidos. “Será um verdadeiro teste das intenções dos militares”, disse ele, alertando contra uma onda de violência.
Neste sábado (30), na capital Cartum, em Omdurman, a cidade mais populosa do país, e em dezenas de outras localidades, os protestos foram marcados por palavras de ordem contra o Exército. “Queremos um regime civil e não vamos aceitar a divisão do poder com os militares, tem que ser 100% civil”, disse o manifestante Hashem al-Tayeb.
Manifestante segura cartaz com a frase: “a revolução ainda não terminou” em protesto pelo retorno da transição democrática, que foi realizado na capital Cartum neste sábado (30).
AFP
Apesar dos mortos e feridos pela repressão militar desde o golpe, o risco de um novo banho de sangue neste país dizimado por conflitos não abala a determinação da população, garante o militante pró-democracia Tahani Abbas. “Os militares não vão nos governar. Não temos mais medo”, afirma. 
Abdel Fattah al-Burhan, general que chefiava o Conselho Soberano do Sudão, anuncia estado de emergência em todo o país e dissolve o próprio conselho, que supervisionava a transição de poder, e o governo de transição, que era comandado pelo primeiro-ministro que foi preso por militares
TV do Sudão via AP
65 anos de governo militar
Em um país governado quase sem interrupção pelos militares em seus 65 anos de independência, a população decidiu enfrentar o general Burhan, que na segunda-feira dissolveu as instituições do governo de transição e prendeu a maioria dos líderes civis. 
O principal lema dos opositores é: “não há como voltar atrás”, após a revolta que derrubou o ditador Omar al-Bashir em 2019, um general que chegou ao poder com outro golpe, há 30 anos, depois de seis meses de mobilização e mais de 250 mortos.   
Desde segunda-feira, muitos sudaneses obedeceram a convocação por “desobediência civil” e armaram barricadas. Eles enfrentam balas reais ou de borracha e gás lacrimogêneo disparados pelas forças de segurança. Muitas instituições públicas anunciaram que se juntariam à iniciativa, paralisando a capital Cartum por cinco dias.
Em uma publicação no Twitter, o ministro sudanês das Finanças, Jibril Ibrahim, que havia apoiado um protesto pró-Exército antes do golpe, alertou que “destruir propriedade pública não é uma manifestação pacífica”. Ele sugeriu que as forças da ordem podem atirar novamente contra os manifestantes. 
“Os golpistas tentam realizar atos de sabotagem para encontrar um pretexto para desencadear a violência”, acusou, por sua vez, o porta-voz do governo deposto no Facebook. Mas, desta vez, “os líderes militares não devem se enganar: o mundo está olhando e não vai tolerar mais sangue”, advertiu a ONG Anistia Internacional.
Vários países vêm se manifestando contra a repressão no Sudão. Neste sábado, o emissário britânico Robert Fairweather fez um apelo às forças de segurança sudanesas para que “respeitem a liberdade e o direito de expressão”. Já secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu “moderação para não causar mais vítimas”.
Pneu é incendiado e manifestante exibe a bandeira nacional do Sudão em uma manifestação contra o golpe militar na capital Cartum
AFP
Sanções internacionais 
O golpe liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan enterrou as esperanças de realizar eleições livres no final de 2023 e mergulhou o país em incertezas. Quase todos os líderes civis que faziam parte do governo de transição junto com os militares ainda estão detidos ou em prisão domiciliar.
Nove dias atrás, dezenas de milhares de sudaneses saíram em passeata gritando “fora Burhan”, uma manifestação que provavelmente precipitou o movimento do Exército. Os militantes prometem continuar nas ruas, embora muitos deles tenham sido presos.
Especialistas avaliam que, graças aos protestos massivos de 2019 no Sudão, o movimento pró-democracia está mais bem organizado. Além disso, a mobilização conta com o apoio de uma comunidade internacional que multiplicou as sanções contra os generais.
Os Estados Unidos e o Banco Mundial suspenderam sua ajuda, vital para um país atolado em inflação galopante e pobreza endêmica. Já a União Africana suspendeu o Sudão e o Conselho de Segurança da ONU exige o retorno dos civis ao poder.
(Com informações da AFP)

Fonte: G1 Mundo

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Dezenove pessoas morrem em naufrágio na costa sul do Haiti

Informação foi publicada em rede social pelo primeiro-ministro Ariel Henry. Segundo a imprensa local, o barco, que era usado para transportar gás, cimento, comida e passageiros, estava superlotado. Dezenove pessoas morreram quando um barco que os transportava entre os assentamentos costeiros de Anse-a-Pitre e Marigot, no sul do Haiti, afundou nas primeiras horas da manhã deste sábado (30), afirmou o primeiro-ministro Ariel Henry pelo Twitter.
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Segundo a imprensa local, a embarcação – que era usada para transportar gás, cimento, comida e passageiros – estava superlotada.
O barco, nomeado pela imprensa como Eklezyas, afundou no outro lado da cidade de Belle-Anse. Autoridades de proteção civil em Marigot afirmaram que 11 corpos haviam sido recuperados até a manhã de sábado.
Barcos locais de pesca e transporte ajudaram a resgatar sobreviventes do barco. Essas embarcações normalmente carregam centenas de pessoas.
VÍDEOS: os mais vistos da semana no g1

Fonte: G1 Mundo

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Francisco concorda em fazer a 1ª visita papal à Índia desde 1999


Viagem marcaria uma reviravolta nas relações do país com o Vaticano, após terem falhado as negociações para um encontro em 2017. Há 20 milhões de católicos romanos na Índia, o que representa 1,5% da população total (de 1,3 bilhão); cerca de 80% do povo indiano é hindu. O Papa Francisco, em imagem do dia 17 de outubro
Remo Casilli/Reuters
O Papa Francisco aceitou o convite do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para uma visita, numa reviravolta nas relações do país com o Vaticano. Em 2017, falharam as negociações para uma viagem do pontífice à nação, que é predominantemente hindu.
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Há 20 milhões de católicos romanos na Índia, o que representa 1,5% da população total (de 1,3 bilhão); cerca de 80% do povo indiano é hindu.
Em 2016, Francisco afirmou que estava “quase certo” que visitaria a Índia no ano seguinte, junto com Bangladesh. Mas líderes da Igreja Católica indiana não conseguiram convencer Modi, que lidera um governo nacionalista, a convidá-lo.
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O último papa que visitou a Índia foi João Paulo 2º, que foi para Nova Délhi em 1999 para emitir um documento papal sobre a Igreja na Ásia.
“Tive uma reunião muito calorosa com o papa Francisco. Tive a oportunidade discutir vários assuntos com ele e também o convidei a visitar a Índia”, disse Modi pelo Twitter neste sábado (30).
O Ministério das Relações Exteriores da Índia afirmou que o convite era para o papa “visitar a Índia em breve, o que foi aceito com prazer”.
Quando a visita em 2017 foi abortada, autoridades da Igreja afirmaram que o governo indiano alegou problemas de agenda do primeiro-ministro. Francisco acabou visitando Mianmar e Bangladesh.
Imagem de 16 de junho de 2016 mostra o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, a frente e o presidente chinês, Xi Jinping, cumprimentam os líderes na cúpula do BRICS em Goa, na Índia
Manish Swarup/AP
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Fonte: G1 Mundo

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Bolsonaro cobra ‘esforços adicionais’ do G20 na produção de vacinas contra Covid; presidente já disse que não vai se vacinar

Na Itália, Bolsonaro disse que grupo deve se concentrar no combate à pandemia. Além de não se vacinar, presidente divulga fake news sobre vacina, promove aglomerações e não usa máscara. O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado (30) na Itália, em discurso no G20, que o grupo formado pelas 20 principais economias do mundo precisa adotar “esforços adicionais” para garantir a produção de vacinas contra a Covid.
A TV oficial do governo brasileiro não transmitiu o discurso ao vivo. A transcrição foi divulgada pela assessoria da Presidência.
“Para o Brasil, os esforços do G20 deveriam concentrar-se no combate à atual pandemia, que continua a assolar muitos países. Entendemos, portanto, caber ao G20 esforços adicionais pela produção de vacinas, medicamentos e tratamentos nos países em desenvolvimento”, declarou.
Embora no G20 o presidente tenha cobrado “esforços adicionais” pela produção de vacinas contra a Covid, Bolsonaro afirmou no último dia 13 que não vai se vacinar. A comunidade científica recomenda a vacinação até mesmo para quem já teve Covid.
Além disso, no último dia 21, em transmissão ao vivo na internet, Bolsonaro divulgou fake news ao associar a vacina contra a Covid a casos de Aids. A afirmação de Bolsonaro é falsa.
Diante da mentira dita pelo presidente, as redes sociais Facebook, Instagram e YouTube removeram o conteúdo do ar.
Desde o início da pandemia, Bolsonaro critica a vacina a contra a Covid; promove aglomerações; critica o uso de máscara; e defende o tratamento com drogas comprovadamente ineficazes para a doença.
Entidades médicas nacionais e internacionais e a comunidade científica recomendam como medidas de prevenção da Covid a vacinação; evitar aglomerações; usar máscara; e higienizar as mãos.
Íntegra
Leia a íntegra do discurso de Bolsonaro no G20:
Senhoras e senhores líderes do G20,
É uma grande satisfação para mim participar, presencialmente, deste importante encontro de lideranças em um momento de recuperação econômica mundial. Apesar de termos motivos para comemorar, ainda restam desafios para alcançarmos crescimento econômico mais estável e equitativo.
O Brasil se comprometeu com um programa extensivo e eficiente de vacinação, em paralelo a uma agenda de auxílio emergencial e preservação do emprego para a proteção dos mais vulneráveis. Estamos igualmente comprometidos com uma agenda de reformas estruturantes, essenciais para uma retomada econômica sustentada. Já conseguimos atrair um volume superior a US$ 110 bilhões em investimentos nos setores de infraestrutura e temos a expectativa de alcançar valores ainda superiores até 2022.
O histórico acordo concluído pelo G20 e por outros países sobre tributação internacional, no âmbito da OCDE, é também uma contribuição significativa para a sustentabilidade fiscal e econômica.
Os trabalhos do G20 na trilha de finanças renderam resultados importantes para a recuperação da crise econômica, como ilustram a nova alocação de direitos especiais de saque pelo FMI e as medidas para enfrentar desafios relacionados ao meio ambiente e à saúde.
Gradualmente, nossas economias recuperam-se à medida em que a crise sanitária é superada. Esses dois processos de recuperação caminham lado a lado. Ambos têm mostrado a relevância de promovermos um comércio internacional livre de medidas distorcivas e discriminatórias. Eis por que a integração de nossas economias, por meio de fluxos cada vez maiores de comércio e investimentos, constitui parte das soluções que buscamos com vistas à recuperação e ao desenvolvimento sustentável.
No Brasil, mais da metade da população nacional já está plenamente imunizada de forma voluntária. Mais de 94% da população adulta já recebeu pelo menos uma dose da vacina. Ao todo, aplicamos mais de 260 milhões de doses, das quais mais de 140 milhões foram produzidas em território nacional.
Para o Brasil, os esforços do G20 deveriam concentrar-se no combate à atual pandemia, que continua a assolar muitos países.
Entendemos, portanto, caber ao G20 esforços adicionais pela produção de vacinas, medicamentos e tratamentos nos países em desenvolvimento.
Muito obrigado.

Fonte: G1 Mundo

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Conheça a biblioteca que ‘empresta’ pessoas por 30 minutos para contarem suas histórias


Interessados podem ouvir como é ser refugiado, homossexual, muçulmano ou ter deficiência auditiva graças a esta iniciativa dinamarquesa que nasceu há 21 anos e se espalhou pelo mundo. Na ‘Biblioteca Humana’, você pode ‘emprestar’ uma pessoa para ouvir sua história de vida
Reprodução/Instagram/menneskebibliotek
Na “Biblioteca Humana” em Copenhague, as pessoas podem “pegar emprestado” uma pessoa para que ela conte a história de sua vida e as suas diferentes experiências, num projeto que visa promover a compreensão e ajudar a desafiar os preconceitos.
Os interessados podem ouvir como é ser refugiado, homossexual, muçulmano ou ter deficiência auditiva graças a esta iniciativa dinamarquesa que nasceu há 21 anos e se espalhou pelo mundo.
Iben, de 46 anos, vítima de abusos sexuais e com problemas de saúde mental – que prefere não revelar seu sobrenome – é um dos oito “livros” que os curiosos podem “pegar emprestado” em um domingo de outono em Copenhague.
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Por 30 minutos, as pessoas podem perguntar o que quiserem, individualmente ou em um pequeno grupo.
“A ‘Biblioteca Humana’ é um espaço seguro onde podemos explorar a diversidade. Aprender sobre as maneiras como somos diferentes uns dos outros e interagir com pessoas que normalmente nunca encontraríamos e, portanto, desafiar nossos preconceitos inconscientes”, explica Ronni Abergel, iniciador do projeto.
Ele criou a biblioteca em 2000, durante o Festival de Música de Roskilde. Formou uma organização sem fins lucrativos e, desde então, o conceito alcançou mais de 70 países ao redor do mundo.
“Uma leitura é realmente uma conversa”, explica Abergel. “Passo alguns minutos explicando o assunto, antecedentes e certificando-me de que podem perguntar qualquer coisa”.
Páginas brancas
Na maioria dos casos, as conversas fluem com facilidade e normalmente são realizadas em um ambiente silencioso como uma biblioteca municipal, uma sala de reuniões ou no jardim.
“Às vezes as pessoas perguntam muito e a conversa flui. Mas, às vezes, preciso falar um pouco mais, fazer perguntas aos meus leitores para que reflitam ou façam novas perguntas”, ressalta Anders Fransen, de 36 anos, um “livro” cego e com deficiência auditiva.
As pessoas são encorajadas a “fazer perguntas realmente difíceis”, explica ele, enfatizando que nada está fora dos limites, por mais delicado que o assunto possa ser.
Pessoas que pegam Iben “emprestado” podem escolher entre três de seus “livros” orais: vítima de abusos sexuais; viver com transtorno de personalidade; viver com transtorno de estresse pós-traumático grave.
Às vezes, ele se recusa a responder a perguntas. “Eu disse que aquela página ainda não estava escrita. Então eles apenas sorriram”, lembra.
Mas nunca teve uma experiência ruim nos quatro anos em que participa do projeto. “Todas as minhas leituras são diferentes” e evoluíram ao longo dos anos, diz. “É um presente ser um livro, você pode refletir sobre si mesmo.”
Em um mundo cada vez mais polarizado, Abergel deseja que sua iniciativa ajude as pessoas a serem “menos apreensivas, mais abertas, mais compreensivas e a aceitar seu direito de ser diferentes”.
Mas, insiste, a organização não tenta promover a diversidade ou combater o preconceito. “Administramos um espaço neutro de aprendizagem onde há uma oportunidade para você se envolver, aprender sobre si mesmo e outros grupos”, explica.
“O que você aprende e o que faz com o seu aprendizado está inteiramente em suas mãos”, resume.
VÍDEOS: Olha que legal – Aqui só entra notícia boa
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Fonte: G1 Mundo

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Presidente da China pede reconhecimento mútuo de vacinas contra Covid-19


Duas vacinas chinesas, uma da Sinovac Biotech, a CoronaVac, e outra da Sinopharm, foram incluídas na lista de uso emergencial da OMS. O presidente chinês Xi Jinping aplaude durante reunião no Grande Salão do Povo em Pequim, na China em 2020
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
O presidente da China, Xi Jinping, pediu neste sábado o reconhecimento mútuo das vacinas contra a Covid-19 com base na lista de uso emergencial da Organização Mundial da Saúde (OMS), de acordo com uma transcrição de suas declarações publicada pela agência oficial de notícias Xinhua.
Falando à reunião de cúpula do G20 em Roma por videoconferência, Xi disse que a China forneceu mais de 1,6 bilhão de doses de vacinas contra a Covid ao mundo e trabalha com 16 países para cooperar na fabricação de imunizantes.
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OMS aprova uso emergencial da CoronaVac
“A China está disposta a trabalhar com todas as partes para melhorar a acessibilidade e a viabilidade econômica das vacinas contra Covid-19 nos países em desenvolvimento”, disse Xi.
Ele reiterou o apoio da China para que a Organização Mundial do Comércio (OMC) tome uma decisão antecipada sobre a renúncia aos direitos de propriedade intelectual para as vacinas contra a Covid-19, e pediu que as fabricantes de vacinas sejam encorajadas a transferir tecnologia para os países em desenvolvimento.
Duas vacinas chinesas, uma da Sinovac Biotech, a CoronaVac, e outra da Sinopharm, foram incluídas na lista de uso emergencial da OMS.
Líder da China fala sobre coordenação da macroeconomia
Xi também pediu políticas para manter a estabilidade econômica e financeira global, dizendo que a China fortalecerá a coordenação da política macroeconômica e manterá a continuidade, estabilidade e sustentabilidade das políticas.
“As grandes economias devem adotar políticas macroeconômicas responsáveis para evitar efeitos colaterais negativos aos países em desenvolvimento e manter o funcionamento estável do sistema econômico e financeiro internacional”, disse ele.
Xi reiterou que a China trabalharia para atingir um pico de emissões de carbono até 2030, com o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono até 2060.
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Fonte: G1 Mundo