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‘Abandonar carreira para adotar irmãos foi melhor decisão da minha vida’


Quando sua família estava em crise por causa do alcoolismo, Jemma Bere tomou uma decisão em uma fração de segundo que mudou o curso de sua vida: adotar os próprios irmãos. Jemme Bere precisou adotar os próprios irmãos por causa dos problemas de alcoolismo do pai das crianças
Arquivo pessoal
Quando sua família enfrentava uma crise envolvendo alcoolismo e o futuro de duas crianças, a britânica Jemma Bere tomou uma decisão em uma fração de segundo que mudou o curso de sua vida: decidiu adotar seus dois meio-irmãos.
Em uma idade em que a maioria das pessoas está preocupada com relacionamentos e carreiras, a única questão importante para ela eram seus irmãos Alex e Billie.
A infância de Jemma foi tudo menos convencional.
“Lembro-me de passar muito tempo em sacos de dormir olhando as estrelas”, diz.
Montada em uma Land Rover azul e branco, a família viajou pela maior parte da Europa e outros continentes, passando por países como a Malásia ou a Tailândia.
“Minha mãe era definitivamente um espírito livre”, diz Jemma. “Ela achou que seria uma experiência fantástica para mim ser educada na estrada, conhecendo novas pessoas.”
Quando ela tinha 10 anos, Jemma falava vários idiomas. Um ano depois, a família morava em um frágil veleiro na costa mediterrânea da Turquia.
Quando o relacionamento de sua mãe com seu parceiro acabou, Jemma e Calvin, de quatro anos, voltaram com ela para Powys, no País de Gales, no Reino Unido.
“Acho que minha mãe gostou da ideia de ter uma cabana idílica com muitas crianças e cachorros, e rosas na porta”, diz Jemma. E ela e minha avó eram muito próximas, então voltamos para Brecon.”
Casamento da mãe e alcoolismo do padrasto
Quando Jemma estava no colégio, sua mãe, Jane, encontrou um novo parceiro, um pedreiro que todos conheciam como Shakey. O novo casal teve um menino e uma menina, Alex e Billie, 14 e 15 anos mais novos que Jemma.
“Shakey era muito carismático e acho que eles se amavam genuinamente”, diz Jemma. “Mas meu padrasto bebia muito”.
Shakey gostava de beber meio litro de cerveja depois do trabalho, mas, às vezes, bebia bem mais que isso.
Um dia, estava ficando tarde da noite e Jane estava preocupada. Jane tentou ligar para ele, mas não havia sinal ou ele simplesmente não atendia. Então ela entrou no carro e procurou por ele, deixando Jemma encarregada dos três irmãos.
“E eu não sabia quando ela voltaria”, lembra Jemma.
Quando Jane começou a beber muito também, tudo começou a desmoronar.
“Eu voltava da escola e as tarefas domésticas, como limpar a cozinha depois do café da manhã, não estavam mais sendo feitas por ninguém em casa”, diz ela.
Logo depois, em 2001, Jane e Shakey decidiram se mudar para a Andaluzia, no sul da Espanha.
Eles tiveram algumas dificuldades financeiras devido ao problema com a bebida de Shakey. Havia muito trabalho para os pedreiros na Espanha.
“Acho que foi como um novo começo”, diz Jemma. “Pelo que percebi, os primeiros meses foram realmente positivos.”
Jemma ficou no País de Gales com a avó, acreditando que poderia se mudar para a Espanha após as provas da escola, enquanto seu irmão mais novo, Calvin, foi morar com o pai.
Poucos meses depois, chegaram notícias devastadoras: sua mãe Jane sofrera um acidente de carro.
Jemma tentou ligar para Shakey para obter mais detalhes, mas não obteve resposta do padrasto. Desesperada, ela fez bom uso de seu espanhol e começou a ligar para todos os hospitais do sul da Espanha para encontrar a mãe.
Quando finalmente conseguiu falar com Shakey, ele estava em um estado terrível. Eles estavam atravessando uma rua tranquila a pé quando Jane foi atropelada por um caminhão em alta velocidade. Ela morreu horas depois: tinha apenas 40 anos.
“Eu me senti completamente perdida”, diz Jemma. “Como se eu estivesse no mar sem âncora nem bússola, sem nada.”
Faculdade e irmãos na Espanha
Após o funeral de Jane em Brecon, Shakey voltou para a Espanha com Alex e Billie.
“Isso surpreendeu muita gente”, diz Jemma, “mas acho que parte dele estava fazendo isso porque minha mãe foi feliz lá.”
Jemma ainda estava pensando em se juntar a eles na Espanha, mas, como tinha ido bem nas provas da escola, ela agora tinha outras opções também.
“Decidi ir para a faculdade, em parte porque acho que era isso que minha mãe desejava”, diz ela.
A cada férias, Jemma procurava o voo mais barato para a Espanha, o que dava a seus amigos da faculdade a impressão de que ela estava levando um estilo de vida festeiro. “Não era bem assim”, diz.
Shakey e as crianças viviam em uma comunidade pequena e unida: todos o conheciam porque ele bebia o tempo todo nos bares da cidade. Quando Jemma o visitou, era óbvio que ele não estava lidando bem com a situação.
Ele trabalhava em obras e gastava tudo o que ganhava no bar. Às vezes ficava dias desaparecido depois de sair para comprar cigarros.
Embora estivesse se tornando cada vez mais dependente do álcool, Shakey não estava disposto a procurar ajuda.
“Tínhamos discussões frequentes sobre o seu alcoolismo quando eu fui lá. Ele não aceitou que tivesse um problema, estava completamente em estado de negação”, diz Jemma.
“Acho que ele realmente pensou que estava fazendo o melhor que podia em circunstâncias realmente difíceis. Mas ele estava passando mais tempo no bar do que com as crianças.”
Durante o período escolar, enquanto Jemma estava na faculdade, Marisa, uma babá que Shakey contratou para ajudá-lo com os filhos, manteve a situação sob controle.
“Ela conseguiu que eles fossem para uma escola em espanhol”, diz Jemma. “E foi absolutamente maravilhoso, ela os adorava.”
Mas a mãe de Marisa adoeceu e ela teve que voltar imediatamente para a Argentina.
Decisão difícil
Algumas semanas depois, Jemma recebeu uma ligação informando que Alex e Billie haviam sido levados pelo serviço social.
“Fiquei com o coração partido, mas não muito surpresa”, conta.
Jemma viajou para a Espanha imediatamente. O serviço social disse que Shakey teria de ficar sóbrio por três meses, manter um emprego por pelo mesmo período e conseguir uma casa se quisesse ter alguma chance de ter os filhos de volta.
Desde que as crianças foram levadas, ele atrasou o aluguel e perdeu a casa. Jemma o ajudou a encontrar um emprego e um lugar para morar. Mas ele não conseguiu parar de beber.
“Acho que ele sabia que era alcoólatra, mas nunca o ouvi admitir essa situação em voz alta”, diz ela. “Ele não conseguia parar”.
Três meses depois, as autoridades espanholas disseram a Jemma que, a menos que alguém da família pudesse cuidar de Alex e Billie, eles seriam colocados para adoção. Não havia garantia de que eles seriam mantidos juntos ou que ficassem com uma família que falasse a língua inglesa.
Havia até a possibilidade de que Jemma não pudesse mais vê-los.
“E eu me ouvi dizendo: ‘Bem, então eu vou cuidar deles, mande-me os formulários.'”
Jemma desligou o telefone e logo começou a se perguntar o que tinha acabado de fazer.
“Não sei se estava tudo bem nem se eu era a pessoa certa para fazer isso. Eu estava preocupada em tirá-los de um idioma e de uma cultura que eles conheciam… Pessoas que adotam crianças podem ter muito dinheiro, eles podiam ter casas bonitas, e eu não tinha absolutamente nada.”
Para começar, a família de Jemma não conseguia acreditar em sua decisão: fazia apenas seis meses que ela tinha se formado.
“Eles estavam tão bravos com Shakey que não entenderam por que eu tive que ‘jogar fora minha vida’ para corrigir um problema que ele havia criado”, diz. “Eles usaram essa frase, mas eu nunca vi as coisas dessa forma.”
Jemma tinha apenas 23 anos e todos estavam preocupados, dizendo que “ela não sabia no que estava se metendo”.
O processo de adoção formal foi longo e complexo. Ao longo dos 18 meses de processo, Jemma foi repetidamente advertida de que as chances de obter a custódia dos meio-irmãos eram mínimas.
“Disseram-me que não iria conseguir porque não tinha uma casa, ou não tinha isto ou aquilo”, recorda.
Jemma se mudou para Brecon, porque sentiu que era o lugar certo para viver caso ela conseguisse a custódia, enquanto, na Espanha, Alex e Billie foram transferidos para um orfanato católico tradicional e extremamente rígido. Até hoje, ver as freiras ainda faz as crianças estremecer, diz Jemma.
Ela não contou a eles o que estava tentando fazer. “Eu não queria que eles tivessem muitas esperanças. E nessa época, eles pararam de perguntar se iam para casa ou não.”
Volta para o Reino Unido
Finalmente, em uma tarde ensolarada de julho, o advogado de adoção ligou para dizer que ela poderia ir à Espanha buscar Alex e Billie.
“Realmente não consigo descrever a sensação: alívio, excitação, medo ou provavelmente tudo isso junto”, diz.
Em questão de dias, Jemma organizou uma nova casa e a mobiliou com a ajuda do cartão de crédito que sua mãe lhe deu para usar “apenas em caso de emergência”.
Alex e Billie ainda não tinham ideia do que estava para acontecer. “Eles ficaram absolutamente maravilhados com a notícia da adoção”, disse Jemma. “Foi incrível, mas acho que eles também não acreditaram imediatamente, porque haviam se decepcionado muitas vezes.”
Aos 24 anos, Jemma era responsável por dois filhos (e meio-irmãos), de oito e nove anos.
Economicamente, as coisas estavam difíceis. Jemma não podia trabalhar nem pagar uma creche. E como ela ainda não era a tutora legal de Alex e Billie, não tinha direito a programas de assistência social. Nos primeiros seis meses, os três tiveram que viver com 90 libras (cerca de R$ 690) por semana, valor bastante baixo para o custo de vida no Reino Unido.
“Foram tempos felizes”, lembra Jemma, “mas também muito pobres.”
Para começar, Alex e Billie sempre ficavam “grudados” um no outro.
“Um dos sinais positivos foi quando eles começaram a discutir entre si”, diz Jemma. “Achei um bom sinal o fato de estarem crescendo de forma independente.”
Eles haviam esquecido a maior parte do inglês que sabiam antes de ir para a Espanha, mas um curso de ensino do idioma que Jemma havia feito na faculdade de repente veio a calhar. Ela postou bilhetes pela casa, em inglês e espanhol, para ajudar as crianças a se lembrarem das palavras que haviam esquecido.
A maternidade era um trabalho muito difícil. “Há tantas coisas a fazer. Você não tem tempo de parar e pensar sobre isso”, diz. E crianças podem ser difíceis.
“Houve momentos em que pensei: ‘Eu queria que minha mãe estivesse aqui, porque me lembro de ter feito isso com ela e sinto muito.'”
Ponto de virada
Demorou um ano para Jemma se tornar legalmente a mãe das crianças. Isso marcou um ponto de virada para Alex e Billie, que se acostumaram tanto a mudanças que não achavam que poderiam ficar com Jemma para sempre.
Demorou o mesmo tempo para Jemma se sentir confortável para sair à noite. E estar em um relacionamento não era algo que ela sequer considerasse. “Namorar alguém não estava no meu radar por muito tempo, não até que as crianças tivessem cerca de 16 anos”, diz.
Ela teve que lutar contra a culpa quando começou a trabalhar em tempo integral para a Autoridade do Parque Nacional de Brecon Beacons.
“Eles estavam cientes de como eu lutei muito para que eles estivessem aqui”, diz Jemma. “Se eu estava gastando tempo trabalhando ou se estava cansada demais para lidar com o que quer que eles queriam, isso realmente me custou muito.”
A certa altura, Shakey voltou da Espanha para o Reino Unido. Ele estava morando em um abrigo para sem-teto em Swansea, no País de Gales, quando Jemma o visitou em 2017.
“Ele havia perdido todo o seu brilho e malícia”, conta. “Acho que ele se arrependeu muito. Mas o que digo é que o pai deles não era um homem mau, só estava muito doente.”
Shakey continuou bebendo, e morreu em 2018.
Agora que Alex e Billie têm quase a mesma idade que ela tinha quando decidiu adotá-los, Jemma diz entender por que algumas pessoas achavam que ela estava cometendo um erro.
“Se Alex e Billie me dissessem que iam adotar duas crianças, eu iria ficar muito brava”, diz rindo.
Mas ela tem muito orgulho deles.
“Eles passaram por tanta coisa. Eles poderiam ter seguido uma direção completamente diferente, mas são seres humanos justos e encantadores.”
Ambos herdaram a paixão da mãe por ver o mundo. Depois dos exames do ensino médio, Alex viajou pela Nova Zelândia por um ano e depois trabalhou como instrutor de snowboard no Canadá, enquanto Billie estudava turismo na faculdade.
E com o tempo, Jemma começou a se sentir menos como uma mãe e mais como uma irmã.
“Eu sou uma irmã mais velha, mas com superpoderes adicionais. Acho que essa é provavelmente a melhor maneira de descrever essa relação”, diz ela.
Outra mudança é que estranhos não ficam tão perplexos hoje em dia quando conhecem a família.
“Quando eles e eu éramos mais novos, as pessoas frequentemente me perguntavam quantos anos eu tinha e quantos anos as crianças tinham, e eu podia vê-los fazendo as contas de cabeça e erguendo uma sobrancelha”, diz Jemma.
Aos 38 anos, Jemma agora tem uma casa só para ela e muito menos roupas para lavar. Ela está namorando há sete anos, mas diz que nunca quis ter filhos. No entanto, criar seus irmãos é algo de que ela não se arrepende.
“É a melhor decisão que já tomei”, diz.

Fonte: G1 Mundo

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Rússia registra mais de 1.100 mortos por Covid e bate outro recorde

Apenas um terço da população russa foi vacinada e é uma das taxas mais baixas da Europa. A Rússia registrou nesta quinta-feira (28) outro recorde de mortes e infecções por Covid. Segundo dados divulgados pelo governo, 1.159 pessoas morreram e 40.096 foram infectadas com o vírus nas últimas 24 horas.
A onda levou Moscou a fechar serviços não essenciais e a adotar uma série de restrições para conter o surto.
Restaurantes, salões de beleza, lojas de roupas ou móveis, academias, escolas de dança e outros serviços considerados “não essenciais” permanecerão fechados até 7 de novembro.
De acordo com Sergei Sobianin, prefeito de Moscou – a cidade mais afetada pela epidemia na Rússia – apenas centros de venda de remédios, alimentos e itens básicos podem abrir.
Os Centros de Tratamento Intensivo (CTI) de vários hospitais russos estão no limite da capacidade, principalmente na capital Moscou.
O número total de mortos no país é de mais de 235.000, de acordo com dados do governo.
A campanha de vacinação continua lenta. Apenas um terço dos russos está totalmente imunizado, segundo o site especializado Gogov, apesar de o país ter desenvolvido quatro vacinas – uma das taxas mais baixas da Europa.

Fonte: G1 Mundo

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Por que elefantes africanos estão nascendo sem presas


Os cientistas argumentam que a caça furtiva de marfim durante a guerra civil de Moçambique resultou no nascimento de mais fêmeas sem presas. Os cientistas argumentam que a caça furtiva de marfim durante a guerra civil de Moçambique resultou no nascimento de mais fêmeas sem presas.
Getty Imagens/BBC
Cada vez mais elefantas nascem sem presas no Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique.
Um estudo recém-publicado na revista Science sugere que isso se deve a uma resposta evolutiva à matança brutal a que esses animais foram submetidos por seu marfim durante 15 anos de guerra civil.
A caça furtiva para obter as presas financiou parte das atividades dos dois lados e levou a espécie à beira da extinção.
Elefantes nunca esquecem: animal volta a invadir cozinha em busca de comida na Tailândia; veja vídeo
Especialistas em elefantes que trabalham no parque começaram a notar o fenômeno após o fim do conflito, em 1992. Eles descobriram que, antes da guerra, cerca de 18,5% das fêmeas nasceram sem presas e, desde o fim da guerra, essa porcentagem aumentou para 33%.
Populações massacradas
A guerra civil em Moçambique opôs forças governamentais e insurgentes anticomunistas entre 1977 e 1992.
Durante a guerra, 90% da população de elefantes de Moçambique foi massacrada por combatentes de ambos os lados, para vender marfim e comprar armas e munições.
Da mesma forma que herdamos a cor dos olhos ou o tipo sanguíneo, os genes são responsáveis ​​por um elefante herdar as presas de seus progenitores.
Na guerra, elefantes sem presas eram ignorados pelos caçadores, o que tornava mais provável que eles transmitissem esses genes a seus descendentes.
Gene ‘prejudicial’
Os pesquisadores há muito tempo suspeitavam que o nascimento sem presas, visto apenas em elefantes fêmeas, estava ligado ao gênero.
Depois que os genomas dos elefantes com e sem presas foram sequenciados, as análises revelaram que isso estava ligado a uma mutação no cromossomo X que era fatal para os machos, que eles não podiam se desenvolver adequadamente no útero, e que era dominante nas fêmeas.
O coautor do estudo, professor Robert Pringle, da Princeton University, em New Jersey, Estados Unidos, observa que essa descoberta pode ter vários efeitos de longo prazo para a espécie.
Como essa característica é fatal para a prole dos machos, é possível que isso signifique que menos elefantes estão nascendo no geral.
Isso atrasaria a recuperação dessa espécie, da qual existem cerca de 700 exemplares no parque nacional.
“Nascer sem presas pode ser vantajoso durante a guerra, mas tem um custo”, diz Pringle.
Outro possível efeito é o impacto na paisagem, pois o estudo também revela que elefantes com e sem presas comem plantas diferentes.
Reversível
No entanto, Pringle enfatiza que a situação pode ser reversível, à medida que as populações se recuperam e não estão mais à beira da extinção.
“Portanto, esperamos que essa síndrome diminua, desde que as perspectivas de conservação continuem tão positivas quanto tem sido recentemente”, diz o professor.
“Há uma grande tempestade de notícias deprimentes sobre a biodiversidade, os humanos e o meio ambiente. Acho também importante ressaltar que há alguns pontos positivos”, completa.
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Fonte: G1 Mundo

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O país onde máquinas de escrever ainda fazem sucesso


Para entusiastas indianos, antigas máquinas de escrever não são ferramentas antiquadas de trabalho, mas sim bens práticos e adorados. Para entusiastas indianos, antigas máquinas de escrever não são ferramentas antiquadas de trabalho, mas sim bens práticos e adorados
Alamy via BBC
Num pequeno quarto, pintado em tom rosa pastel, cerca de uma dezena de homens e mulheres trabalham duro, debruçados sobre mesas encostadas nas paredes, seus dedos voando num ritmo alucinado sobre as teclas. O relaxante ritmo da datilografia pontua o incessante zumbido causado pelo tráfego do lado de fora.
Nos últimos seis anos, no coração de uma das mais movimentadas ruas da cidade de Madurai, no sul da Índia, Dhanalakshmi Bhaskaran tem ensinado datilografia em turnos para centenas de estudantes diariamente, chefiando um instituto movido inteiramente por 20 máquinas de escrever manuais.
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O Instituto de Datilografia Umapathi, batizado em homenagem ao filho da dona, pode ensinar a prática em três línguas – inglês, hindi e tâmil, a língua local. A máquina que eles usam, um modelo chamado Facit, é mais ou menos igual ao que era quando foi lançada, no final dos anos 1950.
Os alunos de Bhaskaran vêm de várias áreas, diz ela. Alguns ainda estudam no segundo grau, com a intenção de aprender datilografia para adquirir um diferencial num mercado de trabalho competitivo. Outros são profissionais que buscam obter um emprego em departamentos do governo. Há também algumas jovens mães, atraídas para as aulas na esperança de recomeçar suas carreiras depois de terem tido filhos.
O instituto é um dos muitos centros de datilografia aprovados pelo governo – no final do curso, os alunos são inscritos em exames, conduzidos a cada seis meses. Se eles são aprovados, seus certificados os ajudam em sua busca por um emprego.
Porém, num mundo onde tecnologias mecânicas foram superadas há muito tempo pelas digitais, e onde laptops, computadores e tabletes têm agora preços mais acessíveis que jamais tiveram, por que alguém investiria na habilidade de datilografar?
Segundo Bhaskaran, para aqueles procurando emprego e que não têm acesso a latptops ou computadores pessoais em casa aprender a digitar numa máquina de escrever manual pode ser uma salvação. “Uma vez que você treinou nesta máquina, você pode melhorar sua velocidade de digitação e evitar erros. E é mais fácil transferir essas habilidades ao computador”, diz ela.
A portabilidade de uma máquina de escrever também é algo prático e valorizado. Depois que as restrições do confinamento foram aliviadas, os alunos podiam distanciar-se uns dos outros enquanto datilografavam, algo que talvez não fosse possível caso eles estivessem instruindo pessoas em grandes sistemas de computadores, diz Bhaskaran.
Em 2009, Godrej & Boyce, uma das últimas empresas indianas a fabricar máquinas de escrever, decidiu encerrar a produção. Na época, muitos previram que a máquina manual, que no passado ocupava um lugar de orgulho nos lares e escritórios indianos, finalmente se tornaria obsoleta – um dinossauro consumido pela tecnologia digital.
Ainda assim, uma década depois, nas contorcidas vielas das pequenas cidades da Índia e mesmo no coração de grandes cidades, a máquina de escrever manual ainda segue forte.
Aperfeiçoar habilidades de digitação em uma máquina de escrever é importante, porque os erros não podem ser corrigidos facilmente
Alamy via BBC
Rajesh Palta é dono da Universal Typewriters Co. Ele tem recuperado e vendido máquinas de escrever, na sua loja no mercado de Kamla, em Nova Délhi, desde 1954. “Como família, nós estamos no mercado de máquinas de escrever há mais de cem anos”, diz ele. Seu negócio familiar até apareceu num livro que contou a história da máquina de escrever na Índia, With Great Truth and Regard: A Story of the Typewriter in India (Com Grande Verdade e Consideração: Uma História da Máquina de Escrever na Índia).
“Enquanto o uso convencional de máquinas de escrever na Índia já morreu, existe uma demanda bastante específica que os distribuidores estão atendendo agora”, diz Palta. Essa demanda vem de profissionais, assim como de colecionadores movidos pela nostalgia para quem a máquina de escrever representa um pedaço mágico do passado.
Palta restaurou, cuidadosamente, máquinas de escrever centenárias para pessoas de várias partes do país. Como carros antigos, o valor de uma máquina de escrever dispara apenas quando ela é totalmente funcional, mas a restauração geralmente exige grande atenção ao detalhe, o que pode ser difícil.
“Um refrigerador é enorme em comparação, mas tem apenas um décimo das partes de uma máquina de escrever manual”, diz ele.
Às vezes, peças de reposição para modelos específicos não estão disponíveis porque a fabricação foi encerrada. Nesses casos, Palta encomenda a produção de alguma peça que os clientes podem exigir para consertar suas máquinas. Elas precisam, porém, ser feitas perfeitamente.
“Se as peças da máquina de escrever não se encaixarem de forma apropriada, ela não vai funcionar”, afirma ele. Com frequência, apenas um componente que está em falta pode custar dez vezes seu preço original para que seja fabricado e instalado.
Palta também usa um certificado de idade para cada máquina que ele vende, embora isso possa envolver algum grau de investigação.
“Cada máquina de escrever tem um número de série único no corpo da máquina, como o número no motor de um veículo. Nós verificamos em portais na internet e vemos a data e que aquele número de série foi emitido.”
Alguns dos clientes regulares de Palta são ávidos colecionadores e têm lhe enviado máquinas para restauração há anos. Um desses clientes é Maharaja Jayendra Pratap Singh, integrante da antiga família real de Balrampur no Estado indiano Uttar Pradesh, no norte do país. Ele tem 11 máquinas de escrever em sua coleção – incluindo duas Godrej Prima, uma Lettera 32 e um raro modelo de máquina hindi que pertenceu a sua tia e era usado nos anos 1950.
O amor de Singh pela datilografia começou quando ele ajudava seu pai com a correspondência, mas ele logo percebeu que o fácil acesso via computador a uma checagem de erros poderia levar a uma escrita mais preguiçosa. Ele fez a transição para a máquina de escrever porque ele queria melhorar suas habilidades de escrita e, em 2013, comprou sua primeira, uma Olympia.
“Inicialmente era difícil aprender a escrever nela”, diz Singh.
Alinhar as letras corretamente era um desafio, e levou quase um ano de prática para que ele aprendesse a datilografar com proficiência. Hoje ele usa a máquina de escrever para sua correspondência pessoal e para escrever as atas de reuniões de trabalho.
Depois do festival de Raksha Bhandan neste ano – que caiu em 11 de agosto e quando a irmã amarra um barbante sagrado no pulso do irmão para celebrar o laço entre eles -, ele datilografou uma nota pessoal para cada uma de suas irmãs, que, segundo ele, ficaram bastante tocadas.
“Eu amo a impressão das letras no papel – a impressão a partir do computador nunca é a mesma coisa. Uma nota datilografada torna tudo mais especial”, afirma Singh.
Para escritores criativos, a máquina de escrever é uma forma de controlar pensamentos erráticos e bloquear distrações que o mundo digital pode oferecer, enquanto colocam suas ideias para marchar na dança feita pelas pontas de seus dedos.
Para muitos profissionais na Índia, entretanto, aprender a digitar em máquinas antigas não é tão romântico. Máquinas de escrever podem ser implacáveis e impiedosas – geralmente não existe espaço para correções. Cometer um único erro pode significar que o trabalho precisará ser refeito, diz Jeyaram Viswanathan, que chefia uma consultoria de recursos humanos na cidade indiana de Coimbatore,, no sul do país.
Viswanathan começou sua vida profissional como estenógrafo numa indústria química local. Muito do seu trabalho envolvia datilografar documentos manualmente.
“Nós usávamos um apagador especializado [quando cometíamos algum erro] – era um turquesa brilhante, redondo e com um buraco no meio – que podia ajudar com pequenas correções”, diz Viswanathan. “Mas, se você pressionasse forte demais, você acabaria com um buraco no papel.”
Entretanto, erros são poucos e pouco frequentes para datilógrafos profissionais, afirma Bhaskaran. “Nossos alunos não são aprovados no exame se cometerem um único erro. Aprender a digitar numa máquina de escrever ensina a ser correto.”
E existe outra razão mais imediata por que a burocracia indiana ainda mantém o uso de máquinas de escrever: os registros são mais permanentes. Datilografia dura. “Alguns documentos importantes do governo ainda são escritos à máquina porque a tinta nunca apaga, diferentemente de impressões computadorizadas”, diz Murugavel Prakash, que treina 300 alunos de datilografia no instituto que ele administra em Madurantakam, perto da cidade de Chennai, no sul da Índia.
Prakash abandonou um trabalho numa universidade como professor-assistente de engenharia civil depois que seu pai morreu, em 2012, para assumir o comando do instituto. A escola foi iniciada por seu tio em 1954 e atualmente tem 80 máquinas, a maioria delas Godrej Prima e Remington 14s.
Ele e sua mulher oferecem sessões de uma hora durante o dia, das 7h da manhã até as 20h. Depois de serem inundados com pedidos durante vários confinamentos devido à pandemia de coronavírus, ele até abriu um canal no YouTube para ajudar aqueles que estavam em casa a aprender mais sobre datilografia.
Uma das mais proeminentes áreas em que as máquinas de escrever manuais eram empregadas no passado era fora dos tribunais indianos, onde documentos legais eram datilografados e geralmente traduzidos para outras línguas do país.
Por toda a Índia, cerca de 2 mil datilógrafos sentavam do lado de fora dos tribunais em 2014, com suas máquinas cobertas por lonas e deixadas sob a sombra de grandes bananeiras. As cidades de Kolkata e Délhi são particularmente conhecidas por seus datilógrafos de tribunais. Eles permitiam que litigantes tivessem acesso a papelada, particularmente útil quando faltava energia, o que era frequente no passado.
No entanto, os anos recentes viram uma queda acentuada nesses números, diz Palta, embora os datilógrafos de tribunais ainda existam. “Costumava haver uns mil datilógrafos do lado de fora das cortes em Nova Délhi, mas hoje esse número é de 14 ou 15”, afirma Palta. Enquanto muitos preveem que esse declínio dos datilógrafos de cortes também significaria a morte das máquinas de escrever, a tradição da datilografia manual na Índia sobrevive.
Talvez porque a máquina de escrever tenha sido tão ligada a momentos emblemáticos da história legal e política da Índia, é improvável que ela desapareça da consciência pública num futuro próximo. Um exemplo é o papel da máquina de escrever no caso Bhawal Sanyasi – uma das conspirações criminais indianas mais notórias e melodramáticas.
Em 25 de agosto de 1936, no que é hoje a moderna Dhakka, em Bangladesh, o juiz de Distritos e Sessões Adicionais Pannalal Bose ficou pronto para proferir o veredicto de um caso que havia prendido a atenção da Índia, ainda antes da independência do país.
É fácil ver por que o caso recebeu tanta atenção – ele tinha todos os elementos de um romance popular selvagem e inesquecível. Uma década depois que Ramendra Narayan Roy, o príncipe de Bhawal – uma das maiores e mais ricas propriedades em Bengal (hoje Bangladesh) -, morreu envenenado, as pessoas especulavam sobre seu misterioso desaparecimento. Um homem que parecia exatamente como ele havia reaparecido perto da propriedade, mas ele não tinha nenhuma lembrança de sua vida real anterior. Em vez disso, ele era um sanyasi, um home sagrado que teria renunciado ao mundo.
Rumores circulavam desde sua morte a respeito de como uma tempestade de granizo havia impedido seu funeral. Aqueles envolvidos na cremação haviam sido supostamente convencidos a se refugiar da repentina chuva, apenas para descobrir que o corpo havia desaparecido. Com a mulher de Roy recusando-se a reconhecer o sanyasi como seu marido morto e, mais tarde, chamando-o num tribunal de impostor, o caso entrou para a história devido a sua notoriedade.
O juiz Bose recolheu-se pro três meses para deliberar sobre o caso e datilografar, ele mesmo, o julgamento de 531 páginas, palavra por palavra, numa Remington Rand portável, que desde então sua família mantém preservada. Quando ele declarou que não havia provas da morte de Roy e que o sanyasi era realmente o jovem príncipe, o juiz, que recebeu ameaças a sua segurança, teve de fugir para Kolkata com sua mulher e seus 11 filhos. Entre seus pertences estava a máquina de escrever que registrou o julgamento. (Para aumentar o mistério, dois dias depois que o julgamento foi decidido a seu favor, o príncipe-sanyasi morreu após visitar um templo para ofereceu seus agradecimentos).
Para cidadãos mais velhos vivendo na Índia, a máquina de escrever continua uma fonte de profunda nostalgia.
Em novembro de 2019, meses antes de a Covid-19 assolar o país, Palta restaurou uma máquina de escrever de 90 anos para uma família no Estado de Karnataka, no sul da Índia. Estava em más condições quando lhe foi enviada, quebrada e enferrujada, diz ele. A família ficou tão satisfeita que ele conseguira restaurá-la completamente que lhe enviou uma fotografia, com todos sentados num sofá e a máquina no colo, sobre eles.
A legenda da foto dizia: “Felizes por ter este membro da família de volta à nossa casa, conosco”.

Fonte: G1 Mundo

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França anuncia represálias pós-Brexit por pesca; Reino Unido considera medidas ‘desproporcionais’


Governo francês pretende proibir o desembarque de produtos marinhos britânicos na França. Países disputam licenças e autorizações para pescadores. Pesqueiros franceses participam de protesto na ilha de Jersey, que pertence ao Reino Unido, em meio ao imbróglio sobre as regras para a pesca pós-Brexit; foto de maio de 2021
Sofia Bouderbala/AFP
A França anunciou nesta quarta-feira (27) que entrará em vigor na próxima terça uma lista de sanções contra o Reino Unido caso as licenças para pescadores franceses continuem insuficientes, o que Londres considerou “desproporcional” (leia mais no fim da reportagem).
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Depois do Conselho de Ministros de quarta-feira, o governo francês decidiu que, se não houver avanços até o início de novembro, várias medidas serão aplicadas.
O governo francês pretende proibir o desembarque de produtos marinhos britânicos na França e instalar “controles aduaneiros e sanitários sistemáticos sobre os produtos britânicos desembarcados”.
Relembre no VÍDEO abaixo as regras do Brexit, que passaram a valer no início de 2021
Pós-Brexit no Reino Unido: as regras que passam a valer a partir de 1 de janeiro
O porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, referiu-se a uma resposta gradual, com uma possível “segunda série de medidas”, com medidas “sobre o fornecimento de eletricidade para as ilhas anglo-normandas”.
Posteriormente, o governo britânico chamou as retaliações francesas de “decepcionantes” e “desproporcionais”.
Briga comercial após o Brexit
Relógio com contagem regressiva para o Brexit, projetado na fachada da residência oficial do primeiro-ministro britânico, em 10 Downing Street, Londres, chega ao 00:00, na sexta-feira (31)
Reuters/Toby Melville
O anúncio surge no contexto do conflito entre os dois países sobre o número de licenças concedidas aos pescadores franceses após o Brexit nas ilhas anglo-normandas. A questão da pesca é uma das que mais geram atritos pós-Brexit entre a França e o Reino Unido, embora envolva um pequeno número de atores.
“As ameaças da França são decepcionantes e desproporcionais e não correspondem ao que se poderia esperar de um aliado e parceiro próximo”, disse um porta-voz do governo britânico, citado em um tuíte do secretário de Estado responsável pelo Brexit, David Frost.
Frost denunciou a falta de “comunicação oficial do governo francês a esse respeito”.
Em reação a possíveis medidas francesas, o porta-voz do primeiro-ministro britânico Boris Johnson havia indicado anteriormente que não havia “nenhum contato formal” com o governo francês sobre esse ponto.
“É importante destacar que 98% das licenças de pesca foram concedidas”, acrescentou o premiê.

Fonte: G1 Mundo

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Análise genética revela origem de múmias misteriosas encontradas no interior da China


Múmias de Tarim são descendentes de um grupo indígena asiático há muito desaparecido e não têm relação com grupos indo-europeus migrantes como se chegou a pensar. Múmia de mulher do cemitério de Xiaohe, na Bacia de Tarim
Wenying Li, Xinjiang Institute of Cultural Relics and Archaeology
Desde o final da década de 1990, a descoberta de centenas de restos humanos naturalmente mumificados datando de cerca de 2.000 a.C. a 200 d.C. na área da Bacia de Tarim, na região chinesa de Xinjiang, atrai atenção internacional devido à sua aparência física “ocidental”, suas roupas de lã e sua atividade agropastoril que incluía gado, ovelhas e cabras, trigo, cevada, painço e até queijo kefir.
Enterradas em caixões de barco em um deserto árido, as múmias de Tarim há muito intrigam os cientistas e inspiram inúmeras teorias sobre suas origens enigmáticas.
A atividade econômica dessas pessoas, centralizada no gado, e a aparência física incomum levaram alguns estudiosos a especular que elas eram descendentes de pastores Yamnaya, uma sociedade da Idade do Bronze altamente móvel das estepes da região do Mar Negro, no sul da Rússia. Outros acreditavam que suas origens vinham das culturas de oásis do deserto da Ásia Central do Complexo Arqueológico Bactria-Margiana, um grupo com fortes laços genéticos com os primeiros agricultores do planalto iraniano.
Para entender melhor a origem da população fundadora das múmias da Bacia do Tarim, que primeiro se estabeleceram na região em locais como Xiaohe e Gumugou por volta de 2.000 AC, uma equipe internacional formada por especialistas de China, Coreia do Sul, Estados Unidos e Alemanha analisou dados genéticos de treze das primeiras múmias conhecidas da Bacia de Tarim, datando de cerca de 2.100 a 1.700 a.C., junto com cinco indivíduos que datam de cerca de 3.000 a 2.800 a.C. numa bacia vizinha, a de Dzungarian.
Cemitério de Xiaohe, onde foram encontradas as Múmias de Tarim
Wenying Li, Xinjiang Institute of Cultural Relics and Archaeology
Para grande surpresa dos pesquisadores, descobriu-se que as múmias de Tarim não eram recém-chegadas à região, mas parecem ser descendentes diretos de uma população local que havia praticamente desaparecido no final da última Idade do Gelo. Essa população, conhecida como Antigos Eurasianos do Norte (ANE, na sigla em inglês) sobrevive apenas numa fração dos genomas das populações atuais, com as populações indígenas na Sibéria e nas Américas tendo as maiores proporções conhecidas, cerca de 40%.
Em contraste com as populações de hoje, as múmias da Bacia do Tarim não mostram nenhuma evidência de mistura com quaisquer outros grupos de sua época, formando em vez disso um grupo isolado anteriormente desconhecido que provavelmente passou por um gargalo genético extremo e prolongado antes de se estabelecer na Bacia do Tarim.
“Os arqueogeneticistas há muito procuram por populações de ANE do Holoceno para compreender melhor a história genética da Eurásia interior. Encontramos no lugar mais inesperado ”, diz Choongwon Jeong, autor sênior do estudo e professor de Ciências Biológicas da Universidade Nacional de Seul.
Sem mistura
Diferentemente da Bacia do Tarim, os primeiros habitantes da vizinha Bacia Dzungarian descendiam não só de populações locais, mas também de populações pastoris de estepe ocidentais, como os Afanasievo, um grupo com fortes ligações genéticas com os Yamanya da Idade do Bronze inicial. A caracterização genética dos Dzungarians do início da Idade do Bronze também ajudou a esclarecer a ancestralidade de outros grupos pastoris conhecidos, como os Chemurchek, que mais tarde se espalharam para o norte nas montanhas Altai e na Mongólia.
As descobertas da mistura genética em toda a Bacia de Tarim ao longo da Idade do Bronze tornam ainda mais notável que as múmias da Bacia de Tarim não exibiam nenhuma evidência de terem se misturado.
No entanto, embora os grupos da Bacia do Tarim estivessem geneticamente isolados, eles não eram isolados culturalmente. A análise de seus cálculos dentários confirmou que a produção leiteira de gado, ovelhas e cabras já era praticada pela população fundadora, e que eles estavam bem cientes das diferentes culturas, cozinhas e tecnologias ao seu redor.
“Apesar de serem geneticamente isolados, os povos da Idade do Bronze da Bacia do Tarim eram notavelmente cosmopolitas do ponto de vista cultural – eles construíram sua culinária em torno de trigo e laticínios do oeste da Ásia, painço do leste da Ásia e plantas medicinais como a ephedra, da Ásia Central ”, diz Christina Warinner, autora sênior do estudo, professora de Antropologia da Universidade Harvard e pesquisadora líder de grupo no Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig, Alemanha.
“Reconstruir as origens das múmias da Bacia do Tarim teve um efeito transformador em nossa compreensão da região, e continuaremos o estudo de genomas humanos antigos em outras eras para obter uma compreensão mais profunda da história da migração humana nas estepes da Eurásia”, afirmou Yinquiu Cui, autor sênior do estudo e professor da Escola de Ciências da Vida da Universidade de Jilin.

Fonte: G1 Mundo

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Maduro chama Bolsonaro de imbecil por dizer que vacina provoca Aids


Presidente venezuelano criticou o brasileiro durante uma transmissão feita pela televisão estatal. Transmissão da TV estatal em que o presidente Nicolás Maduro chama Jair Bolsonaro de imbecil por associar vacina com Aids
Reprodução/VTV
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro chamou Jair Bolsonaro de imbecil por dizer que a vacina contra a Covid-19 provoca a Aids durante uma transmissão na semana passada. A fala do venezuelano foi transmitida na terça-feira (26) pela televisão estatal VTV.
“O imbecil de Jair Bolsonaro, no Brasil, imbecil, palhaço, que disse algo estúpido, típico de alguém da direita, desacreditado, que não é amado pelo seu povo (…) que passa todos os dias falando da Venezuela, falando mal do nosso país, em vez de se dedicar a governar e servir ao povo”, disse Maduro.
Na transmissão, o presidente da Venezuela relembrou o episódio em que Bolsonaro chamou a Covid-19 de “gripezinha” e reforçou que o Brasil já contabilizou mais de 600 mil mortes pela Covid-19 desde o início da pandemia.
“Bolsonaro chegou à loucura de dizer que a vacina contra o coronavírus, que é produto da ciência mundial, que está protegendo e salvando vidas, causa Aids. Como você pode chamar uma pessoa que diz isso? Irresponsável, louco, fajuto, farsante”, afirmou o venezuelano.
Declaração de Bolsonaro
A “live” de Bolsonaro foi retirada do ar por Facebook, YouTube e Instagram.
Nela, o presidente mencionou uma notícia falsa que diz que relatórios oficiais do Reino Unido teriam sugerido que as pessoas totalmente vacinadas estariam desenvolvendo a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS) “muito mais rápido do que o previsto”.

Fonte: G1 Mundo

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Moradora ‘irritada’ corta corda e deixa pintores pendurados no 26º andar de prédio na Tailândia


Trabalhadores foram salvos por casal, que abriu janela e conseguiu ajudá-los a entrar, e por colega, que manteve ponta presa no último andar. Mulher teria ficado zangada porque não sabia da obra e foi surpreendida ao ver homens em sua janela; ela é acusada de tentativa de homicídio. Um dos pintores salvos após moradora de prédio cortar corda de sustentação, um cidadão de Mianmar identificado apenas como Song, fala com jornalistas na delegacia de Pak Kret, na quarta-feira (27)
AP Photo/Surat Sappakun
Uma moradora de um prédio de 32 andares na Tailândia cortou a corda de sustentação de dois pintores, fazendo com que eles ficassem pendurados acima do 26º andar até serem resgatados por um casal, disse a polícia nesta quarta-feira (27).
Ela teria ficado irritada porque não foi informada que eles iriam realizar o trabalho.
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A mulher enfrenta acusações de tentativa de homicídio e destruição de propriedade, disse Pongjak Preechakarunpong, chefe da delegacia de polícia de Pak Kret, ao norte da capital tailandesa, à agência Associated Press.
Pongjak não disse o que a levou a cortar a corda, mas a mídia tailandesa relatou que ela aparentemente ficou frustrada quando os trabalhadores apareceram do lado de fora de seu quarto. Ela não teria visto um anúncio do condomínio de que eles estariam trabalhando no local a partir de 12 de outubro.
Um vídeo compartilhado em redes sociais mostra os dois pintores pedindo a moradores do 26º andar que abram a janela e os deixem entrar. Um dos pintores, um cidadão de Mianmar chamado Song, disse à mídia tailandesa que ele e seus dois amigos haviam descido desde o 32º andar para consertar uma rachadura no prédio.
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Ao chegar ao 30º andar, eles sentiram que a corda estava mais pesada e, quando olharam para baixo, viram alguém no 21º andar abrir uma janela e cortar a corda. Ele tentou pedir ajuda a outras unidades, mas não havia ninguém.
Um terceiro colega continuou a segurá-los a partir do último andar, disse Praphaiwan Setsing, o morador que os salvou.
Praphaiwan disse que seu marido britânico notou um pintor sinalizando pedindo ajuda e a chamou para falar com eles. “Este incidente é chocante e não deveria acontecer”, disse ela.
A direção do condomínio acompanhou os pintores para relatar o ocorrido à polícia. A mulher de 34 anos inicialmente negou ser responsável, mas a polícia enviou a corda cortada para uma análise de impressão digital e de DNA, informou a mídia.
Na quarta-feira, a mulher e seu advogado compareceram à delegacia. Depois que a polícia mostrou a ela as imagens do circuito interno de TV e as provas forenses, ela confessou, mas negou qualquer intenção de matar os trabalhadores.
Pongjak disse que a suspeita foi temporariamente libertada. A polícia entrará com uma ação no tribunal provincial dentro de 15 dias, disse ele. Ela pode pegar uma pena de prisão de até 20 anos se for considerada culpada por tentativa de homicídio.
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Fonte: G1 Mundo

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Ciclone atinge o sul da Itália; veja vídeo com imagens de enchentes

Há ao menos uma morte confirmada, e uma pessoa está desaparecida. A tempestade deve atingir o pico entre quinta e sexta-feira. Chuvas fortes atingem o sul da Itália
Um ciclone atingiu a ilha da Sicília, no sul da Itália, na terça-feira (26), e causou inundações na da cidade de Catania. Ruas e praças pareciam rios e lagos, e ao menos duas pessoas morreram, disseram as equipes de resgate.
Antes e depois: veja área afetada por inundações na Alemanha
Um porta-voz de um grupo de voluntários que está ajudando policiais e bombeiros disse que o corpo de um homem foi encontrado sob um carro.
Na segunda-feira, um homem de 67 anos morreu depois que seu carro foi atingido pela enchente e pela lama. Sua esposa ainda estava desaparecida.
A chuva inundou algumas das ruas e praças de Catânia e causou um apagão no centro da cidade. Escolas foram fechadas em Catânia e também em cidades próximas.
As inundações também atingiram uma enfermaria do hospital Garibaldi.
A situação de emergência é generalizada e crítica, disse um porta-voz dos bombeiros.
O site meteorológico italiano Ilmeteo.it disse que partes da Sicília sul da Itália continetal estavam sendo atingidos por um raro ciclone tropical, e que o mar estava 8 graus Celsius mais quente do que a média para esta época do ano .
A tempestade deve atingir o pico entre quinta e sexta-feira.
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Fonte: G1 Mundo

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Irã aceita retomar negociações em Viena sobre acordo nuclear

O Irã concordou em retomar as negociações sobre seu programa nuclear com as potências mundiais, informou nesta quarta-feira (27) o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Ali Bagheri.
A declaração foi dada após um encontro de Bagheri, que é negociador-chefe da República Islâmica sobre a questão nuclear, com mediadores da União Europeia em Bruxelas.
“Concordamos em iniciar as negociações antes do final de novembro. A data deve ser anunciada na próxima semana”, escreveu Ali Bagheri em uma rede social. “Tive uma conversa séria e construtiva com Enrique Mora sobre os elementos essenciais de uma boa negociação”.
Mora é chefe de gabinete de Josep Borrell, o alto representante da União Europeia para a política externa e de segurança do bloco que reúne 27 países da Europa.
A União Europeia tem pressionado os iranianos a retomarem as negociações iniciadas em Viena, na Áustria, para salvar o acordo nuclear que foi praticamente abandonado quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
, que impediria a República Islâmica de ter uma arma nuclear. As conversas estão paralisadas desde a eleição do novo presidente iraniano, em junho.
O governo iraniano solicitou uma reunião com Enrique Mora para “abordar as questões que ficaram pendentes” após os encontros com o negociador europeu em Teerã, em 14 de outubro.
O acordo, chamado de Plano Global de Ação Conjunta (JCPOA, na sigla em inglês), foi firmado entre o Irã e o G5+1 (Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia e França, mais Alemanha) e permitia a suspensão de uma parte das sanções internacionais contra Teerã, em troca de uma redução drástica de seu programa nuclear, sob controle rígido da ONU.

Fonte: G1 Mundo