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Briga sobre ‘herança racista’ na Suécia inclui 9 crânios brasileiros


Prestigiado Instituto Karolinska da Suécia, que todos os anos elege o vencedor do Prêmio Nobel de Medicina, abriga em suas instalações uma macabra coleção de quase 800 crânios humanos — e nove deles são do Brasil. Instituto Karolinska abriga uma macabra coleção de quase 800 crânios humanos
Ann Gustavsson/Karolinska Institute
O prestigiado Instituto Karolinska da Suécia, que todos os anos elege o vencedor do Prêmio Nobel de Medicina, abriga em suas instalações uma macabra coleção de quase 800 crânios humanos — e nove deles são do Brasil.
Removidos de túmulos em diversas partes do mundo, os crânios foram utilizados entre os séculos 19 e 20 pelos cientistas suecos Anders e Gustaf Retzius — pai e filho — em controversos experimentos associados às teorias do racismo científico da época, que preconizavam uma suposta superioridade do homem branco.
“Sob a perspectiva atual, reconheço que uma parte dos 200 anos de história do Instituto Karolinska pode ser considerada racista”, disse à BBC Brasil o reitor da instituição, Ole Petter Ottersen. “No século 19, professores e pesquisadores do instituto foram influenciados pela ordem colonial dominante. Alguns deles cometeram atos ou expressaram opiniões caracterizadas atualmente como antiéticas, anticientíficas e racistas — algo totalmente inaceitável nos dias de hoje”.
Trata-se de uma “herança racista do Karolinska”, destacam estudantes da instituição: eles exigem não só um pedido público de desculpas, como a remoção imediata dos nomes de Anders e Gustaf Retzius de salas e laboratórios do instituto batizados em sua homenagem.
A revolta estudantil é mais um ato do movimento internacional contra rastros de racismo e colonialismo em universidades e outros espaços públicos, deflagrado na esteira da onda de protestos de 2020 contra a morte, nos Estados Unidos, do afro-americano George Floyd sob o joelho de um policial branco.
Caçada de crânios
Anders Retzius (1796-1860) e seu filho Gustaf Retzius (1842-1919) foram, em seu tempo, eminentes anatomistas de fama internacional. Seus experimentos eram baseados na crença, então amplamente difundida, de que existiam diferentes “raças humanas”.
Reitor do Karolinska por três décadas durante o século 19, Anders Retzius tornou-se conhecido por suas teorias pioneiras no campo da craniologia, o estudo das características métricas e morfológicas do crânio humano. Ele inventou o índice cefálico para a medição de crânios, como uma indicação da raça à qual um indivíduo pertenceria. E passou a classificar os crânios de acordo com seu tamanho e detalhes de seu formato.
Anders Retzius
Domínio público (via Wikipedia)
Os povos nativos da Lapônia — região que compreende partes do norte de Suécia, Noruega e Finlândia e noroeste da Rússia —, por exemplo, foram caracterizados como portadores de crânios pequenos, “curtos”. Já os povos nórdico e germânico teriam crânios maiores, “alongados” — o que era considerado sinal de inteligência superior.
Em prol da tese, pai e filho tornaram-se colecionadores de crânios humanos, em uma caçada que incluiu métodos ilegais e antiéticos. Centenas de crânios foram saqueados de túmulos por intermediários — colegas, aventureiros e outros contatos dos Retzius — em locais de sepultamento em regiões como América Latina, África e Caribe.
Gustaf Retzius (1842-1919) e o pai foram colecionadores de crânios humanos, em uma caçada que incluiu métodos ilegais e antiéticos
Karolinska Institute via BBC
A coleção do Instituto Karolinska inclui 400 crânios humanos obtidos fora da Europa — entre estes estão 240 crânios provenientes de países como Brasil, Peru, Argentina, Egito e Rússia. Quase 200 crânios foram coletados na própria Suécia, e outros 200 foram trazidos de países também europeus. Grande parte da coleção, segundo afirma a instituição, é originária de sítios arqueológicos datados de centenas ou milhares de anos.
Brasil
Oito dos nove crânios provenientes do Brasil foram enviados ao Instituto Karolinska pelo professor de anatomia inglês Jonathan Abbot (1796-1868), no período entre 1847 e 1850. Abbot viveu durante anos em Salvador, na Bahia, onde chegou a trabalhar como cirurgião-chefe no hospital da Santa Casa de Misericórdia.
Segundo correspondência entre Abbot e Anders Retzius, registrada nos arquivos da Academia Real de Ciências da Suécia, seis destes oito crânios são de indígenas brasileiros mortos durante conflito armado entre grupos indígenas e colonos no interior da Bahia, no fim da década de 1840.
“As cartas revelam que Anders Retzius tinha interesse específico em obter crânios da população indígena brasileira. Mas Jonathan Abbot enviou também dois crânios pertencentes a africanos escravizados da região”, disse à BBC Brasil o professor Olof Ljungström, chefe da Unidade de Investigação e Documentação das coleções de anatomia do Instituto Karolinska.
O nono crânio brasileiro da coleção do Karolinska foi coletado pelo naturalista alemão Georg Wilhelm Freyreiss (1789-1825), que viveu no Brasil durante 12 anos no início do século 19. Freyreiss esteve em contato direto com tribos indígenas de diferentes etnias, e escreveu diversas obras sobre suas viagens pelo Brasil e suas observações a respeito dos habitantes nativos.
De acordo com o professor Olof Ljungström, o crânio pertence a um indígena e foi coletado por Freyreiss no período entre 1821 e 1825, durante uma de suas expedições. O alemão conduziu suas explorações principalmente na região de Minas Gerais, segundo Ljungström.
Fundador da Colônia Leopoldina (atual Helvécia) — a primeira colônia alemã do Brasil, situada no sul da Bahia —, Freyreiss foi casado com uma brasileira, e deixou um filho. Ele morreu no Brasil, aos 36 anos de idade.
“Não sabemos precisar com exatidão a que tribos ou etnias indígenas os crânios pertencem. O crânio coletado por Freyreiss está rotulado como ‘índio botocudo’, mas os relatos do alemão indicam que ele nunca interagiu com nativos desses grupos, e pode ser que o rótulo, datado de 1892, tenha sido adicionado mais tarde em Estocolmo”, diz Ljungström.
“Os seis crânios de indígenas enviados por Jonathan Abbot estão rotulados como ‘índios tapuios’. Mas a origem específica dos crânios não aparece em nenhuma informação fornecida por Abbot. É possível que o rótulo também tenha sido acrescentado mais tarde, em atribuição àquele que era considerado o grupo indígena dominante na região na época”, acrescenta ele.
Estudantes pressionam por retirada de homenagens a Retzius (na imagem, busto de Anders Retzius)
Stefan Zimmerman/Instituto Karolinska (via BBC)
Em um depósito do campus do Karolinska em Solna, na região metropolitana de Estocolmo, a coleção de 789 crânios humanos está armazenada em caixas de papelão dispostas em prateleiras.
Uma delas traz a inscrição “Escravo negro – Bahia”. Em outra caixa, lê-se “Índios Ona” — em referência ao povo indígena Ona (também conhecido como Selknam), originário da Terra do Fogo. São crânios removidos da região pelo explorador sueco Otto Nordenskjöld, durante uma expedição ao extremo sul da América do Sul em 1898.
Há cem anos, a coleção de crânios era um símbolo de status e das ambições científicas do Instituto Karolinska.
Ciência do homem branco
As teses supremacistas brancas ganharam força na Europa em meados do século 19, a partir de pesquisas que buscavam explicar diferenças biológicas entre as “raças”. Além do índice de medição craniana desenvolvido por Anders Retzius em 1842, nessa época surgiram os estudos de Pierre Borca, especialista em craniologia e fundador em Paris da primeira sociedade de antropologia, em 1859.
A craniometria contribuiu de forma decisiva para fortalecer a ideia do determinismo biológico. Na hierarquia intelectual imaginada pelos cientistas raciais a partir das medidas do crânio, os brancos europeus ocupavam o topo da escala, com os indígenas abaixo dos brancos e os negros abaixo de todos os outros.
A ciência do homem branco buscou demonstrar a suposta superioridade biológica dos povos caucasianos com tal vigor que a tese parecia irrefutável para muitos dos expoentes da ciência europeia e norte-americana: todos os cálculos antropométricos da época pareciam confirmá-la, e todos os gráficos da anatomia comparada das “raças” pareciam demonstrá-la com contundência.
A partir do evolucionismo biológico de Darwin — a ideia de que os organismos mudavam a partir da transformação de características hereditárias ao longo das gerações —, os cientistas raciais postulavam que as sociedades também evoluíam de um estado primitivo para um civilizado. Ou seja: se os organismos se desenvolviam com o passar o tempo, o mesmo ocorreria com as sociedades.
De acordo com especialistas e acadêmicos, isso permitiu que as elites europeias afirmassem sua superioridade, com o argumento de que havia uma progressão natural dos povos — em que eles mesmos estariam no topo da civilização. A teoria legitimou, assim, a posição hegemônica da Europa e do branco no mundo ocidental.
As teses supremacistas serviram, em última análise, para justificar a opressão exercida pelos povos supostamente superiores contra as “raças inferiores”.
“Consciente ou inconscientemente posta a serviço de uma ordem social insana — com a escravidão e o imperialismo burguês do século 19 —, a violência simbólica implícita no discurso técnico da biologia ortodoxa do período serviu para legitimar uma violência direta imposta à força sobre aqueles descritos biologicamente como seres semi-humanos, quase humanos ou não tão humanos como o homem branco”, destaca artigo de Juan Manuel Sánchez Arteaga, do Departamento de História da Ciência do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha.
“Os negros africanos, os escravizados das plantações americanas, os aborígenes australianos, os índios botocudos, os pigmeus, os nativos das colônias, assim como as mulheres em geral, foram condenados a uma condição de inferioridade biológica”, acrescenta o texto.
Entre os principais cientistas raciais da época, destacam-se o escocês Robert Knox (1791-1862) e o norte-americano Samuel George Morton (1799-1851).
Ao lado de seus pares, Anders e Gustaf Retzius tiveram influência expressiva na expansão da “ciência racial”, que contribuiria também para o genocídio nazista perpetrado décadas depois.
‘Tributo ao racismo’
No vasto campus do Instituto Karolinska em Solna, o Laboratório Retzius foi batizado em homenagem a Anders Retzius, que também dá nome à aleia na qual a unidade está situada. E um dos mais usados anfiteatros da instituição, com capacidade para mais de 200 estudantes, leva o nome de Gustaf Retzius.
O químico sueco Hans von Euler, um simpatizante nazista que apoiou a Alemanha de Hitler durante toda a Segunda Guerra Mundial, também tem uma das aleias do campus batizada em sua homenagem: a Via von Euler se conecta diretamente com a Via Nobel — uma referência a Alfred Nobel, o químico e inventor sueco que dá nome ao célebre prêmio sueco.
Para os estudantes, a presença dos nomes dos cientistas no campus constitui um “tributo ao racismo”.
O reitor do Instituto Karolinska designou um comitê para avaliar a substituição das referências aos Retzius nas placas que levam seus nomes no campus. Mas os estudantes exigem medidas imediatas.
“Por que o reitor não pode simplesmente pegar uma chave de fenda e remover as placas? Os nomes dos biólogos raciais precisam ser retirados daqui”, disse à imprensa sueca a médica Natte Hillerberg, parte do núcleo de estudantes, ex-alunos e também professores do Karolinska que pressionam a instituição pela mudança.
A argumentação do reitor é de que a instituição tem o dever de tomar decisões baseadas em análises e debates, e que retirar de imediato do campus todas as referências aos Retzius seria agir como um ativista.
“Uma universidade deve preparar seus alunos para a complexidade de uma sociedade, e portanto não se pode apagar capítulos obscuros. É preciso investigar esses capítulos sombrios da história do Instituto Karolinska, e não simplesmente apagá-los”, pondera Ole Petter Ottersen.
Mas duas concessões já foram feitas. Diante da pressão dos estudantes, em setembro do ano passado uma estátua em bronze de Anders Retzius foi desmontada e levada a um porão nos arredores do campus em Solna. Um busto em gesso de Gustaf Retzius também foi parar em um depósito do campus, embrulhado em várias camadas de plástico bolha.
Nem todos concordam, porém, com a retirada do nome dos Retzius do campus.
“Essa discussão me parece um tanto injusta. Não creio que os Retzius tenham sido mais racistas do que era a Europa de então”, argumenta o professor de neurofisiologia do Karolinska Sten Grillner, de 80 anos.
Embora Anders Retzius não tenha expressado ideias políticas a respeito de seus experimentos, seu filho Gustaf tornou-se mais radicalizado com o passar do tempo. Em 1909, dez anos antes de sua morte, ele deu uma palestra em Londres em que enfatizou a pureza e a superioridade dos povos nórdico e germânico — conceito que ele acreditava ter demonstrado através de suas medições de crânio em massa.
Repatriação dos crânios
Durante o século 19, crânios humanos eram considerados peças centrais para as pesquisas em torno da suposta existência de diferentes raças humanas.
Coleções de crânios humanos também foram criadas na época em outras universidades e hospitais ao redor do mundo. O Instituto Karolinska afirma que sua coleção de crânios é pequena se comparada a outras: segundo a instituição, a coleção de Helsinque (Finlândia) tem 1,4 mil crânios, a de Oslo (Noruega) 9 mil, a de Londres (Grã-Bretanha) 25 mil, a de Berlim (Alemanha) 15 mil, e a da Universidade de Harvard (EUA), 22 mil. Na cidade sueca de Uppsala, há outros cerca de 1,2 mil crânios.
A importância de museus de anatomia diminuiu a partir de 1900, quando novas técnicas para a pesquisa anatômica surgiram. Gradualmente, a coleta e pesquisa de crânios humanos também diminuiu.
A coleção de crânios do Karolinska é armazenada e cuidada “de acordo com a lei internacional e as normas éticas”, afirma o instituto sueco. Desde 2015, historiadores e um osteoarqueólogo trabalham na documentação da coleção, com o objetivo de estabelecer a origem de cada crânio obtido fora da Suécia e repatriá-los.
“Nossa prioridade é repatriar os restos aos povos nativos de onde eles foram removidos. Entendemos que povos nativos ainda sofrem as consequências da opressão e exploração colonial, que incluem a remoção de restos humanos. Enxergamos a repatriação como parte de um processo de restituição e reconciliação”, diz comunicado oficial do Karolinska.
Nos últimos anos, o processo foi iniciado com repatriações de crânios para a Polinésia Francesa (2016), Nova Zelândia e América do Norte (2017), e Austrália e América do Norte (2018).
Na Finlândia, o Ministério da Educação e Cultura prepara agora um pedido oficial de repatriação de 82 crânios humanos que foram removidos de cemitérios no país há quase 150 anos e levados à Suécia. No século 19, crânios finlandeses eram de grande interesse para cientistas, uma vez que a teoria racial vigente na época considerava os finlandeses um povo não europeu.
Segundo a empresa de radiofusão pública finlandesa, YLE, em 2019, o Instituto Karolinska fez um pedido de desculpas pela remoção dos restos humanos. Mas não chegou a fazer a repatriação, apesar de diversas solicitações realizadas por organizações e pessoas privadas.
O Karolinska afirma que os processos de repatriação são complexos e que é preciso respeitar uma série de normas éticas, mas ressalta que está em contato com as autoridades de países afetados a fim de concretizar a devolução dos crânios humanos.
Esterilizações em massa
Os experimentos iniciados nos laboratórios do Karolinska tiveram também desdobramentos nefastos na Suécia. Gustaf Retzius manteve estreitos laços com o médico sueco e simpatizante nazista Herman Lundborg (1868-1943), que mais tarde seria o fundador e primeiro diretor do Instituto de Biologia Racial. Fundado na cidade de Upsala em 1922, três anos após a morte de Gustaf Retzius, esta era na época a única instituição europeia de pesquisa dedicada à eugenia que recebia financiamento público.
A eugenia foi o termo cunhado em 1833 pelo inglês Francis Galton (1822-1911) para a teoria de que seria possível melhorar a espécie humana, tanto do ponto de vista físico como mental, através de métodos de seleção artificial e controle reprodutivo. O conceito se difundiria em diversos países no início do século 20 — incluindo a Suécia.
O Instituto de Biologia Racial controlava regularmente a “pureza” do povo sueco através da continuação das medições de crânio que os Retzius haviam iniciado no Instituto Karolinska durante o século 19.
E entre 1935 e 1975, 63 mil pessoas — em sua maioria mulheres — foram submetidas, na Suécia, a uma esterilização forçada que visava criar uma raça sueca mais forte. Deficientes, homossexuais, ciganos e outros considerados como “incapacitados sociais” foram forçados a sofrer a intervenção, por vezes como contrapartida para serem autorizados a casar-se ou ter alta de hospitais psiquiátricos.
A chocante história das mulheres esterilizadas contra a vontade nos EUA
Em 1999, as autoridades suecas decidiram indenizar as vítimas de esterilizações forçadas, com quantias que chegaram a 175 mil coroas (cerca de 18 mil euros) por pessoa.
A Suécia não foi o único país a praticar a eugenia antes da Segunda Guerra. Alemanha, Canadá, Noruega, Dinamarca, um cantão da Suíça e 30 estados norte-americanos conduziram programas de esterilização em massa no período. Acredita-se que os nazistas tenham esterilizado mais de 400 mil indivíduos “indesejáveis”.
Movimento antirracismo
Iniciada em 2014, a luta dos estudantes do Instituto Karolinska contra traços de racismo na instituição ganhou ênfase no ano passado, a partir das ações internacionais de protesto deflagradas pelo movimento “Black Lives Matter” (“Vidas Negras Importam”) após a morte de George Floyd.
A tragédia de Floyd desencadeou um movimento de derrubada de símbolos racistas e coloniais em todo o mundo. No último dia 18 de setembro, foi anunciada a decisão de remover da sede da Prefeitura de Nova York a estátua de Thomas Jefferson, um dos “pais fundadores” dos Estados Unidos e principal autor da Declaração de Independência do país em 1776. A remoção foi aprovada de forma unânime por uma comissão pública, após intenso debate sobre o legado de Jefferson — que não apoiou a emancipação dos africanos escravizados, e foi proprietário de mais de 600 escravos.
Há anos um grupo de vereadores reivindicava a retirada da estátua de 2,13 metros, que está na Prefeitura de Nova York desde 1833. Estátuas de líderes confederados da Guerra Civil americana, que defenderam a escravidão durante o conflito, também têm sido desmontadas. Em Boston, uma estátua de Cristóvão Colombo foi decapitada em 2020.
Na Grã-Bretanha, manifestantes derrubaram na cidade de Bristol a estátua de Edward Colston, comerciante de escravos do século 17. E, na capital britânica, também no ano passado, o University College de Londres retirou de duas salas e um prédio da instituição os nomes dos eugenistas Francis Galton and Karl Pearson — contemporâneos e ideologicamente próximos do sueco Gustaf Retzius.

Fonte: G1 Mundo

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Estado que organiza o Aberto da Austrália vai vetar tenistas não vacinados contra Covid


Medida pode excluir da competição o líder do ranking masculino, Novak Djokovic, que já venceu o torneio 9 vezes (e é o atual campeão). O tenista Novak Djokovic, da Sérvia, segura a taça de campeão do Aberto da Austrália após derrotar o russo Daniil Medvedev na final masculina em 21 de fevereiro de 2021 em Melbourne
Hamish Blair/AP
Tenistas que não tomaram a vacina contra a Covid-19 não terão autorização especial para disputar o Aberto da Austrália, afirmou o governador do estado de Victoria, que organiza o torneio.
A medida pode deixar o líder do ranking masculino e atual campeão do Grand Slam australiano, Novak Djokovic, de fora do evento.
Djokovic já conquistou nove vezes o torneio, que é um dos quatro maiores do calendário, e se recusa a revelar se está vacinado contra a Covid-19.
Um e-mail que vazou nesta semana sugeria que atletas não vacinados poderiam participar do Grand Slam caso respeitassem 14 dias de quarentena.
Veto do governador
Após a revelação, o primeiro-ministro do país, Scott Morrison, afirmou que os tenistas nesta situação poderiam entrar na Austrália caso recebessem uma autorização excepcional do estado de Victoria.
Mas o governador do estado, Daniel Andrews, descartou a possibilidade. “Estamos deixando as pessoas que não tomaram vacina fora dos bares, cafés e restaurantes e muitos outros eventos”, elencou Andrews. “Não vamos pedir uma exceção, portanto o tema está resolvido”.
O governo australiano controla as fronteiras e a emissão de vistos no país, mas os governos estaduais controlam os centros de quarentena e a vacinação contra a Covid-19, o que tornava incerto quem teria a palavra final sobre as regras do Aberto da Austrália.

Fonte: G1 Mundo

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SpaceX tenta resolver problema de cabine espacial: a urina dos astronautas vaza, bate em ventiladores e se acumula sob o piso


Em um voo feito em setembro, que levou um bilionário para o espaço, a urina dos astronautas bateu no ventilador. Tripulantes esperam para sair da nave da SpaceX depois do pouso
Reprodução
A SpaceX, a empresa de exploração espacial de Elon Musk, precisa resolver problemas ligados ao banheiro da cápsula onde os astronautas viajam antes de fazer um novo lançamento: garantir que a urina não vai vazar novamente.
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A empresa e a Nasa, a agência espacial americana, querem se certificar que não haverá vazamentos no banheiro antes do lançamento previsto para o próximo domingo (31), no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Tripulação da SpaceX se emociona ao ver Terra do espaço com a trilha de ‘2001’
Em um voo no mês passado, um tubo se desconectou, e urina atingiu o ventilador e se acumulou abaixo do piso, disse o vice-presidente da SpaceX, William Gerstenmaier, que já trabalhou na Nasa.
A cápsula que deve ser lançada no próximo domingo apresentou um problema semelhante. Para resolver o problema rapidamente, a SpaceX soldou o tubo por onde passa a urina, mas a Nasa ainda não avaliou essa solução.
Veja os melhores momentos da chegada da SpaceX na Terra
O comandante do voo, astronauta Raja Chari, da Nasa, disse que ele tem confiança nos consertos. A SpaceX foi diligente para resolver o problema, ele afirmou, e há centenas de pessoas que trabalham para garantir a segurança dos astronautas.
Cápsula que está em órbita
Há uma cápsula da SpaceX no espaço, mas nesse veículo não houve muito acúmulo de urina abaixo do piso —o problema maior foi na cápsula que circulou o planeta por três dias em setembro (nesse voo, um dos passageiros era o bilionário Jared Isaacman).
A empresa está fazendo testes para garantir que a urina não vai danificou a cápsula durante os últimos seis meses, disse Gerstenmaier —um dano estrutural poderia colocar a vida dos astronautas em risco.
Esse será o quarto lançamento da SpaceX com astronautas da Nasa, e o quinto tripulado.
A Nasa fez parcerias com a SpaceX e com a Boeing para transportar equipe para a estação espacial (em 2011, a agência espacial dos EUA aposentou sua frota e, nos anos seguintes, os americanos pegavam caronas em cápsulas espaciais russas).
A Boeing ainda não fez nenhum lançamento —a empresa está com problemas em válvulas.
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Fonte: G1 Mundo

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CPI da Covid: imprensa internacional destaca acusações contra Bolsonaro


O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto nesta segunda (25)
Adriano Machado/Reuters
O relatório final da CPI da Covid no Senado, aprovado na terça-feira (26) após seis meses de trabalho, ganhou destaque também na imprensa internacional.
Sites de jornais como o americano “The New York Times” e o britânico “The Guardian” e de redes de televisão como CNN mantém a notícia na página inicial na manhã desta quarta-feira (27).
A imprensa internacional destaca o pedido de indiciamento do presidente Jair Bolsonaro, acusado de uma série de crimes na condução da crise sanitária que contribuíram para o Brasil ter mais de 600 mil mortos pela doença.
Veja a repercussão abaixo:

Fonte: G1 Mundo

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Regime cubano intensifica repressão e intimida ativistas a não participarem de novo protesto


Apoiadores de marcha marcada para 15 de novembro são convocados à polícia, onde recebem ameaças de processo e prisão caso saiam às ruas Protestos em Havana, capital de Cuba, neste domingo (11)
Reuters/Stringer
Surpreendido em 11 de julho com um gigantesco e espontâneo protesto, que tomou as principais cidades do país, o regime cubano tenta prevenir que o mesmo ocorra no próximo dia 15, data marcada para nova marcha. Para esvaziá-la, valem todas as táticas de intimidação, atesta a advogada Laritza Diversent, diretora da ONG Cubalex.
Nos últimos dias, ela vem recebendo denúncias de cubanos, que são convocados, por telefone, a comparecer a uma delegacia no curto período de meia hora. “O recado é claro: quem participar do protesto será processado e as ameaças se estendem aos familiares”, contou Laritza ao g1.
A ONG presta assistência jurídica aos perseguidos pelo regime. A ajuda é oferecida à distância, dos EUA, onde todos os integrantes estão exilados desde 2016. As ameaças são sistemáticas, nas palavras da diretora: “Fomos expostos na TV e tachados como agentes que recebem dinheiro da CIA.”
Carros revirados em Havana após protestos contra o governo de Cuba, no domingo (11).
Yamil Lage / AFP
Três meses após os protestos em 50 cidades, 600 cubanos, de um total de 1.130 presos, permanecem encarcerados. São submetidos a maus tratos nas prisões e a penas consideradas excessivas para quem saiu às ruas para defender pacificamente o fim do regime que controla a ilha há mais de seis décadas.
“Há casos em que a Promotoria pede entre 13 e 28 anos de prisão e acusa os manifestantes de sedição. Essas penas tão altas são uma maneira de dissuadir as pessoas a não participar do novo protesto”, resume Laritza.
O governo se mostra irredutível com a marcha, convocada para pedir a libertação dos presos políticos, o fim da violência e o respeito aos direitos dos cubanos. Foi proibida, considerada ilegal, inconstitucional e orquestrada em Washington.
O próprio presidente, Miguel Díaz-Canel, alertou, durante a reunião do Comitê Central do PCC, que a tolerância com os manifestantes será zero. A quem insistir em desafiar o regime, haverá, segundo ele, “revolucionários suficientes para enfrentar qualquer tipo de manifestação que pretenda destruir a Revolução”.
Funcionará? A diretora da Cubalex acredita que em outros tempos o medo reteria os manifestantes em casa, mas, agora, o efeito pode ser contrário. Sua percepção é a de que os cubanos estão irritados com tantas perseguições e com a realidade de parentes presos e não têm muito a perder no contexto atual.
“É imprevisível saber quem sairá às ruas, mas é certo que os agentes de segurança usarão a violência. Esse é o habitual das instituições do Estado.” O protesto leva o nome de Marcha Pacífica pela Mudança, mas quem integrá-lo já sabe, de antemão, que será enquadrado nos delitos de desobediência e instigação ao crime, passíveis de multa e prisão entre 3 meses e um ano.

Fonte: G1 Mundo

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‘Me olho no espelho, e gosto de mim’, diz atleta e modelo argentina que teve 88% do corpo queimado na infância


Aos sete meses de idade, Brisa teve quase todo o corpo queimado em um incêndio. Aos 21 anos ela conta como superou as dificuldades e venceu diversos desafios da vida. Brisa, argentina de 21 anos que teve 88% do corpo queimado aos sete meses de idade em foto sem data
Reprodução/Garrahan
Brisa tinha apenas sete meses de idade quando um incêndio tomou conta do quarto em que dormia e deixou 88% do seu corpo queimado.
Natural de Salta, a mais de 1,7 mil quilômetros de Buenos Aires, a agora modelo e atleta superou todas as dificuldades e lutou contra os prognósticos dos médicos.
“Me olho no espelho hoje, e gosto de mim”, disse Brisa ao site do hospital Garrahan, instituição que salvou sua vida.
Após o acidente, que atingiu zonas bastante sensíveis como a cabeça e os braços – um deles chegou a ser amputado –, Brisa volta à instituição de saúde com frequência para contar sua história.
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Aos 21 anos ela coleciona uma série de medalhas como corredora que conquistou nos Jogos Nacionais Evita, competição criada em 1948 pelo governo da Argentina, voltada a crianças e jovens
Mas em 2020 ela resolveu encarar outro desafio: o das passarelas.
Em plena pandemia da Covid-19, uma foto publicada em suas redes sociais viralizou pelo país e Brisa foi convidada a participar do concurso Miss Belleza Mundial.
Na competição, a primeira do tipo que participou, ela recebeu três reconhecimentos: o prêmio de foto mais votada nas redes, o de miss simpatia e o de mulher forte.
Além disso, ela foi contratada por uma agência de modelos em sua cidade natal para seguir com o sonho e poder se dedicar profissionalmente a ele.
Aprendeu a não se esconder
Brisa disse saber que muitos meninos e meninas – que assim como ela, tiveram acidentes graves e carregam queimaduras bastante aparentes –, tentam se esconder, mas que ela não quis isso.
A modelo disse que os olhares de estranhos a acompanharam por toda a vida, mas aprendeu a superar a vergonha para acabar com a estigmatização.
Com os anos, ela conta ter aprendido a responder à discriminação: “Eu retribuo o olhar até que parem de encarar.”
“Ninguém é mais nem menos que o outro, somos todos iguais”, afirmou a jovem.
Seu próximo desafio agora é começar os estudos para se tornar professora de educação física. Ela disse que quer se especializar no ensino de crianças com deficiência.
“Eu aprendi a defender o que é meu, mas nem todos têm a mesma possibilidade. Então eu quero ajudar de alguma forma”, disse a futura professora.
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Fonte: G1 Mundo

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Austrália retira proibição de viagens internacionais para australianos e residentes no país


País fechou as fronteiras há 18 meses e só permitiu viagens excepcionais, em um dos regimes de fechamento mais rígidos do mundo nesta pandemia. Turismo para estrangeiros, porém, continua fechado. Casos estão em alta, mas vacinação avança entre os australianos. Mulher é vista em frente a Sydney Harbour Bridge, na Austrália, em foto de 10 de outubro
Steven Saphore/AFP
A Austrália vai retirar a proibição de viagens internacionais para cidadãos australianos e pessoas com residência permanente no país, anunciou o governo local nesta quarta-feira (26).
Os australianos passaram mais de 18 meses de fronteiras fechadas devido à pandemia. O turismo no país continua fechado para estrangeiros.
Depois de mais de um ano e meio de proibição, os australianos e pessoas com residência fixa e legal no país não terão que buscar isenções para poderem sair do país, informaram os ministérios do Interior e da Saúde.
Segundo a ministra do Interior, Karen Andrews, para o fim do ano também está prevista a reabertura das fronteiras para trabalhadores qualificados e estudantes estrangeiros totalmente vacinados”.
“O plano nacional para reabrir a Austrália está funcionando porque as taxas de vacinação estão subindo muito”, disse o primeiro-ministro Scott Morrison.
Rigidez contra a pandemia
Homem caminha em rua vazia de Brisbane, na Austrália, em 30 de março, após imposição de lockdown na cidade
AAP Image/Darren England via Reuters
Em março de 2020, a Austrália introduziu um dos planos de restrição mais rígidos do mundo para conter a pandemia.
Apesar de um início hesitante, a taxa de vacinação do país encontra-se perto de 80%, após um inverno marcado por surtos associados à entrada da variante delta, o que levou as autoridades australianas a mudarem sua estratégia contra o vírus, deixando a ideia de “zero Covid”.
Austrália vai reabrir fronteiras do país a partir do mês que vem
Os programas de quarentena para residentes que chegarem à Austrália vão depender da região de entrada. Sydney aboliu a medida, mas, em áreas com taxas de imunização mais baixas, um isolamento de 14 dias em um hotel terá que ser respeitado.

Fonte: G1 Mundo

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Trump expressa apoio a Bolsonaro após aprovação de relatório da CPI que acusa presidente de 9 crimes


‘O Brasil tem sorte de ter um homem como Jair Bolsonaro trabalhando para eles’, diz mensagem publicada pelo ex-presidente dos EUA. Documento de 1.289 páginas, elaborado ao longo de seis meses, foi aprovado nesta terça-feira 926) e será enviado a órgãos de investigação, pedindo o indiciamento de 78 pessoas e duas empresas. O então presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente brasileiro Jair Bolsonaro são vistos durante um jantar no Mar a Lago, em Palm Beach, Flórida, Estados Unidos, em 07 de março de 2020
Alan Santos/Presidência via AFP
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou apoio ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, nesta terça-feira (26), dia em que a CPI da Covid aprovou, por 7 votos a 4, o relatório final elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) sobre a maior tragédia sanitária da história do Brasil.
O relatório aprovado pelos senadores tem 1.289 mil páginas e responsabiliza o presidente Jair Bolsonaro por considerar que ele cometeu pelo menos nove crimes (leia mais abaixo).
“O presidente Jair Bolsonaro e eu nos tornamos grandes amigos nos últimos anos. Ele luta muito e ama o povo do Brasil – assim como eu faço pelo povo dos Estados Unidos. O Brasil tem sorte de ter um homem como Jair Bolsonaro trabalhando para eles. Ele é um grande presidente e nunca decepcionará o povo de seu grande país!”, disse Trump.
Bolsonaro e Trump se encontraram pessoalmente ao menos quatro vezes: em duas visitas do presidente brasileiro aos EUA em 2019, em março e setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, e uma vez no Japão, no mesmo ano, e em março de 2020, quando Bolsonaro esteve na Flórida.
CPI da Covid aprova relatório final, atribui nove crimes a Bolsonaro e pede 80 indiciamentos
Bolsonaro é acusado de 9 crimes; veja quais são e as penas previstas
Filhos de Bolsonaro, Pazuello, Hang, Osmar Terra, Queiroga, donos da Prevent… Veja todos os alvos da CPI
‘Mentiroso’, ‘caviloso’, ‘desonesto’, diz relator sobre Bolsonaro em último discurso na CPI
Durante os encontros, sempre demonstraram afinidades e trocaram elogios. Bolsonaro e seu filho Eduardo, que também conheceu pessoalmente o ex-presidente, nunca esconderam a torcida para que Trump se reelegesse, o que não aconteceu.
CPI
Com a aprovação do relatório final, a comissão de inquérito criada para investigar ações e omissões do governo durante a pandemia encerra os seis meses de trabalhos pedindo o indiciamento de 78 pessoas e duas empresas.
Confira especial sobre as conclusões e os próximos passos da CPI
Veja todos os indiciados
Além do presidente, há, também, pedidos de indiciamento de ministros, ex-ministros, três filhos do presidente, deputados federais, médicos, empresários e um governador – o do Amazonas, Wilson Lima. Duas empresas que firmaram contrato com o Ministério da Saúde – a Precisa Medicamentos e a VTCLog – também foram responsabilizadas.
Senadores fazem minuto de silêncio antes do fim da CPI da Covid
A aprovação do relatório se deu após mais de sete horas de discussão, com dois intervalos, em meio a contestações da tropa governista minoritária na CPI.
Senadores aliados ao Palácio do Planalto refutaram a tese de que Bolsonaro foi responsável pelo agravamento da pandemia no Brasil e apresentaram votos em separado nos quais pediram a investigação sobre a atuação de governadores e prefeitos. As propostas, porém, não foram sequer votadas, já que o parecer de Renan Calheiros foi aprovado antes.
Em um primeiro desdobramento da CPI, senadores planejam entregar o relatório ao procurador-geral da República, Augusto Aras, já nesta quarta-feira (27).
Também está prevista nos próximos dias a entrega do documento ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e aos ministérios públicos do Rio e de São Paulo. O parecer será encaminhado ainda ao Tribunal Penal Internacional.
Entenda os próximos passos jurídicos e o impacto político da CPI para o governo Bolsonaro
Crimes atribuídos a Bolsonaro
No caso de Bolsonaro, Renan Calheiros pede indiciamento pelos seguintes crimes:
epidemia com resultado morte
infração de medida sanitária preventiva
charlatanismo
incitação ao crime
falsificação de documento particular
emprego irregular de verbas públicas
prevaricação
crimes contra a humanidade
crimes de responsabilidade (violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo)
“O presidente da República repetidamente incentivou a população a não seguir a política de distanciamento social, opôs-se de maneira reiterada ao uso de máscaras, convocou, promoveu e participou de aglomerações e procurou desqualificar as vacinas contra a covid-19. Essa estratégia, na verdade atrelada à ideia de que o contágio natural induziria a imunidade coletiva, visava exclusivamente à retomada das atividades econômicas”, escreveu Renan Calheiros no documento.
Relatório da CPI da Covid pede indiciamento de Bolsonaro por 9 crimes no combate à pandemia
Segundo o relator, as ações de Bolsonaro durante a pandemia podem ser enquadradas em crime de responsabilidade — infração imposta ao presidente da República em caso de atos que atentam a Constituição, e que podem resultar em impeachment.
Isso porque, escreveu o relator, a atuação de Bolsonaro “mostrou-se descomprometida com o efetivo combate da pandemia da Covid-19 e, consequentemente, com a preservação da vida e integridade física de milhares de brasileiros”.
Entre os atos de Bolsonaro que, para Renan, “incontestavelmente atentaram contra a saúde pública e a probidade administrativa”, estão a “minimização constante da gravidade da Covid-19” e a criação de mecanismos ineficazes de controle e tratamento do coronavírus.
O relator afirmou ainda que Bolsonaro “foi o principal responsável pela propagação da ideia de tratamento precoce”.
“Em tempos normais, seria apenas um exemplo de desprezível charlatanismo pseudocientífico. Contudo, em meio a uma pandemia global, colaborou para gerar uma monstruosa tragédia, na qual alguns milhares de brasileiros foram sacrificados”, escreveu o relator.

Fonte: G1 Mundo

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A princesa japonesa que largou realeza para se casar com namorado de origem humilde


Sobrinha do atual imperador do Japão, Mako se casou com Kei Komuro, que conheceu durante faculdade, após longa espera; ela descartou ritos habituais do casamento e recusou dote de R$ 7,2 milhões. Casal ficou noivo em 2017, mas só pôde se casar agora
Getty Images via BBC
Após longa espera, a princesa Mako do Japão, sobrinha do atual imperador do país, se casou com seu namorado da faculdade, Kei Komuro, perdendo assim seu status real.
Segundo a lei japonesa, membros do sexo feminino da família imperial têm que renunciar à realeza ao se casarem com um “plebeu”, embora o mesmo não aconteça com os homens.
Além disso, apenas herdeiros masculinos são candidatos ao trono.
O Japão é conhecido por um país patriarcal e extremamente conservador.
O atual imperador, Naruhito, por exemplo, se casou com Masako, uma ex-diplomata. Seu pai, que abdicou a seu favor em 2019, foi o primeiro membro da realeza japonesa a se casar com uma plebeia, Michiko.
Naruhito e Masako tiveram uma única filha, Aiko, que, portanto, não ascenderá ao Trono do Crisântemo (nome pelo qual o trono imperial do Japão é conhecido). O irmão de Naruhito, Fumihito, pai de Mako, passa a ser, assim, o primeiro na linha de sucessão.
A princesa Mako também descartou os ritos habituais de um casamento real e recusou um pagamento de 152,5 milhões de ienes (cerca de 7,2 milhões de reais) oferecido às mulheres da realeza após a renúncia de seu status real.
Ela é a primeira mulher da monarquia japonesa a fazer isso.
‘Harry e Meghan do Japão’
Mako e Komuro devem se mudar para os Estados Unidos — onde ele trabalha como advogado — após o casamento. A mudança atraiu comparações inevitáveis ​​com Meghan Markle e o Príncipe Harry, do Reino Unido, e, por isso, os recém-casados receberam ​​o apelido de “Harry e Meghan do Japão”.
Como Markle, Komuro está sob intenso escrutínio desde que seu relacionamento com a princesa Mako foi anunciado. Ele foi recentemente criticado por usar rabo de cavalo quando voltou ao Japão.
Alguns tabloides e usuários de redes sociais disseram que seu penteado — visto como não convencional no Japão — era impróprio para alguém que iria se casar com uma princesa.
Também houve um protesto nesta terça-feira (26/10) contra o casamento de Mako e Komuro.
‘(Ele) é insubstituível’
Em uma entrevista a jornalistas, Mako disse que se desculpou por qualquer problema causado por seu casamento.
“Lamento o transtorno causado e sou grata por aqueles (…) que continuaram a me apoiar”, disse ela, segundo a emissora japonesa NHK. “Para mim, Kei é insubstituível — o casamento foi uma escolha necessária para nós.”
Komuro acrescentou que amava Mako e queria passar a vida com ela.
“Eu amo Mako. Só temos uma vida e quero que a passemos com quem amamos”, disse Komuro, segundo a agência de notícias AFP. “Estou muito triste que Mako esteja em péssimas condições, mental e fisicamente, por causa das falsas acusações.”
A princesa Mako deixou sua residência em Tóquio por volta das 10h (21h de segunda-feira, 25/10, em Brasília) para registrar seu casamento, fazendo várias reverências a seus pais, o príncipe herdeiro Fumihito e a princesa Kiko. Ela também abraçou sua irmã mais nova antes de sair, informou a agência de notícias Kyodo.
O casal vem recebendo ampla cobertura da imprensa ao longo dos anos, o fez com que a princesa desenvolvesse transtorno de estresse pós-traumático.
Seu relacionamento gerou polêmica no país.
Nesta terça-feira, pessoas foram fotografadas protestando contra o casamento em um parque japonês.
Muitos slogans pareciam trazer à tona questões financeiras em torno da família de Komuro — especificamente sua mãe.
A agora ex-princesa ficou noiva de Komuro em 2017 e os dois deveriam se casar no ano seguinte. Mas o casamento foi adiado devido a alegações de que a mãe de Komuro tinha problemas financeiros — ela teria feito um empréstimo com seu ex-noivo e não devolveu o dinheiro.
O palácio negou que o atraso no casamento de Mako e Komuro estivesse relacionado a esse episódio, embora o príncipe herdeiro Fumihito tenha dito que era importante que as questões financeiras fossem resolvidas antes do casamento.
De acordo com o correspondente da BBC em Tóquio, Rupert Wingfield-Hayes, a animosidade em relação a Komuro vem de alguns japoneses conservadores que acreditam que ele não é um parceiro digno para a sobrinha do imperador.
Komuro — que recebeu uma oferta de emprego de um importante escritório de advocacia de Nova York — é de origem humilde, e os tabloides locais passaram anos tentando descobrir algo de podre sobre sua família, incluindo as acusações contra sua mãe.
Análise: Hideharu Tamura, BBC News, Tóquio
A reação ao relacionamento da princesa Mako e Kei Komuro por parte de alguns meios de comunicação e pessoas no Japão trouxe à tona a pressão que as mulheres enfrentam na família imperial japonesa.
A Imperial Household Agency, órgão do governo japonês responsável por divulgar informações sobre a família real, disse que a princesa Mako passou a sofrer de estresse pós-traumático por causa das duras críticas da imprensa e das redes sociais sobre seu noivado desde seu anúncio, há quase quatro anos.
Ela não é a primeira mulher na família real japonesa a ser afetada dessa forma.
Sua avó, a imperatriz emérita Michiko, de origem plebeia, foi silenciada há quase 20 anos, quando recebeu críticas pela imprensa como sendo “inadequada” para ser a mulher do imperador. Sua tia, a imperatriz Masako, sofreu depressão após ser acusada de não ter gerado um herdeiro homem.
As mulheres reais foram forçadas a aderir estritamente a certas expectativas — elas devem apoiar seus maridos, produzir um herdeiro e ser uma guardiã das tradições japonesas. Se elas fracassam, são violentamente criticadas.
Isso também é verdade para a princesa Mako, que desistiu de seu status real. E mesmo isso não foi suficiente para impedir os ataques contra ela, seu marido e seu casamento.

Fonte: G1 Mundo

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Estado Islâmico no Afeganistão pode atacar EUA em seis meses, diz alto funcionário do Pentágono


Vista aérea do Pentágono, nos EUA, de 3 de junho de 2011
Charles Dharapak/Arquivo/AP Photo
A comunidade de inteligência americana avaliou que o Estado Islâmico no Afeganistão poderia ter a capacidade de atacar os Estados Unidos em apenas seis meses, e tem a intenção de fazer isso, disse um alto funcionário do Pentágono ao Congresso em Washington nesta terça-feira (26).

Fonte: G1 Mundo