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Atriz, guarda-costas, personal trainer, atleta… Veja plebeus que se casaram com membros da realeza


Casamentos de príncipes e princesas com pessoas sem ‘sangue azul’ se tornaram mais comuns no século 20. Confira exemplos famosos em dez países. A princesa Mako acena de dentro de um carro após deixar sua casa para se casar
Kyodo via Reuters
A princesa Mako, do Japão, deixou oficialmente de pertencer à família real japonesa nesta terça-feira (26) ao casar com o plebeu Kei Komuro.
Komuro é advogado, assim como a sobrinha do imperador Naruhito, e os dois jovens de 30 anos se conheceram na universidade, há dez anos, quando estudavam direito.
Assim como Komuro, outros plebeus e plebeias se casaram com membros de famílias reais em diversos países (principalmente a partir do século 20).
Da atriz Meghan Markle à engenheira Salma Bennani, relembre casos em mais de 10 países:
Japão
Plebeias se tornaram (relativamente) bem-vindas na família imperial japonesa a partir do século 20 — mas plebeus, não (como aconteceu novamente com a princesa Mako e Kei Komuro).
Em 1959, contrariando a vontade de sua família, o então príncipe Akihito se casou com a “não nobre” Michiko Shōda, que havia conhecido dois anos antes jogando tênis. Juntos, eles tiveram três filhos.
A princesa Masako acena durante desfile a caminho do Palácio Imperial após seu casamento com o príncipe herdeiro Naruhito, em 9 de junho de 1993
John Pryke/Reuters
Já como imperador, Akihito viu seus passos serem repetidos por seu filho mais velho e sucessor, Naruhito.
Em 1993, o príncipe se casou com a plebeia Masako Owada, uma diplomata formada em Harvard que abandonou a carreira após anos de insistência e três pedidos de casamento. Em 2019, eles se tornaram os novos imperador e imperatriz do Japão.
Rússia
Rebecca Bettarini, filha de um diplomata, se casou no dia 1º com o Grão-Duque Gueorgui Mikhailovich Romanov, herdeiro do último czar da Rússia, que foi executado com sua família por bolcheviques na Revolução Russa em 1918.
O Grão-Duque George Mikhailovich Romanov e Victoria Romanovna Bettarini trocam alianças durante a cerimônia de casamento na Catedral de Santo Isaac, em São Petersburgo, na Rússia, em 1º de outubro de 2021
Anton Vaganov/Reuters
Embora a Rússia não seja uma monarquia, foi o primeiro “casamento real” do país em mais de um século. Mil e quinhentas pessoas foram convidadas para o casamento, entre elas a rainha Sofia, da Espanha, e o rei deposto da Bulgária, Simeón II, e sua esposa, Margarita.
O casal se conheceu em Bruxelas, capital da Bélgica, e para poder se casar Rebecca se converteu para a religião ortodoxa e foi rebatizada como Victoria Romanovna.
Reino Unido
A atriz Meghan Markle se casou com o Príncipe Harry, do Reino Unido, em maio de 2018 uma cerimônia que uniu tradição e modernidade na Capela de São Jorge, no castelo de Windsor.
Markle é mais uma na longa lista de plebeus e plebeias na família real britânica — que em geral costumam ser bem aceitos, com duas notórias exceções no século 20:
Meghan Markle no altar
Reprodução/TV Globo
Wallis Simpson, por quem o rei Edward VIII abdicou da coroa em 1936, e o oficial Peter Townsend, considerado o grande amor da princesa Margaret, irmã da rainha Elizabeth II.
O grande “problema” dos dois não foi a falta de nobreza, mas sim o fato de serem divorciados (Meghan também é, mas os tempos mudaram). Contra Simpson pesavam também acusações de espionagem em tempos pré-II Guerra Mundial e de ter outros amantes além do rei.
A princesa Margaret, no final, conseguiu se casar com um plebeu, o fotógrafo David Armstrong-Jones, e os filhos da rainha Elizabeth II também não tiveram problemas para subir ao altar com plebeus.
A exceção talvez seja a confusa história de Charles e Camilla, que chegaram a namorar na década de 1970, mas se separaram de forma não muito clara, e casaram com outros pares – ela com Andrew Parker Bowles e ele com a descendente de uma família nobre, Diana Spencer. Os dois só se casaram em 2005, oito anos após a morte da princesa Diana.
Princesa Diana e príncipe Charles no Palácio de Buckingham em junho de 1981
Reuters
A segunda filha da rainha, Anne, se casou duas vezes, em 1973 e 1992, ambas com plebeus militares: o tenente Mark Phillips, de quem se divorciou, e o comandante da Marinha Real Timothy Laurence.
Os dois filhos de Anne, Peter e Zara, também se casaram com plebeus: uma consultora de gestão e um jogador de rúgbi, respectivamente em 2008 e 2011.
O terceiro filho de Elizabeth II, Andrew, se casou em 1986 com Sarah Ferguson, que trabalhava como relações públicas. Os dois se divorciaram, mas mantêm relação de amizade.
O casal teve duas filhas, Beatrice e Eugenie (que se casou também em 2018, mas com Jack Brooksbank, um descendente de uma linhagem de barões).
Em janeiro de 1999, o último filho de Elizabeth também se casou com uma plebeia: Edward se tornou marido da relações-públicas Sophie Rhys-Jones, com quem tem um casal de filhos.
A última plebeia a chamar atenção ao se unir à família real britânica foi Kate Middleton, que se casou com o príncipe William, irmão de Harry e terceiro na linha de sucessão ao trono (veja no infográfico abaixo). Desde a cerimônia, em abril de 2011, eles já tiveram três filhos: George, Charlotte e Louis.
Casamento de Kate Middleton e príncipe William em 2011
Justin Tallis/Pool via AFP
Árvore genealógica da família real britânica
Arte G1
Mônaco
Talvez a mais famosa plebeia a entrar para uma família real, a atriz americana Grace Kelly se casou em 1956 com o príncipe Rainier III e com ele teve três filhos (todos também envolvidos com plebeus posteriormente).
A filha mais velha, Caroline, se casou três vezes. As duas primeiras foram com não nobres: o banqueiro francês Phillipe Junot, de quem se separou e conseguiu ter a união anulada pelo Vaticano, e com o industrial italiano Stefano Casiraghi, de quem ficou viúva. Atualmente ela é casada com o príncipe Ernst August de Hanover.
A irmã mais nova, Stéphanie, teve uma vida mais atribulada: casou-se com seu guarda-costas Daniel Ducruet, depois de já ter dois filhos com ele, divorciou-se, teve uma filha de quem nunca revelou publicamente a paternidade, viveu sem se casar com um domador de elefantes e depois se casou com o acrobata português Adans Lopes Perez, de quem também se divorciou.
Grace Kelly em foto de 1955
Domínio público
Já o filho do meio de Grace Kelly, o atual príncipe de Mônaco, Albert II, foi o último a se casar — e também escolheu uma plebleia. Em 2011, ele se casou com a ex-nadadora olímpica sul-africana Charlene Wittstock, com quem se relacionava havia dez anos.
Os dois tiveram um casal de gêmeos em 2014, mas Albert também já reconheceu dois outros filhos, um nascido em 1992 e outro em 2005, com diferentes mulheres (dos Estados Unidos e do Togo).
O príncipe Albert II de Mônaco e a princesa Charlene deixam o palácio após a cerimônia de seu casamento, em 2 de julho de 2011
Benoit Tessier/Reuters
Espanha
A atual rainha da Espanha é a primeira plebeia a ocupar o posto na história do país. Letizia Ortiz Rocasolano era jornalista e apresentava um telejornal antes de se casar com o futuro rei Felipe VI em 2004, em Madri, dez anos antes de ele ser coroado.
O rei Felipe VI da Espanha e a rainha Letizia no Palácio Zarzuela, em Madri, em 25 de abril de 2018
Pierre-Philippe Marcou/AFP
Suécia
Casar com um plebeu se tornou praticamente uma tradição na família real sueca. Fluente em seis idiomas, a plebeia Silvia Renate Sommerlath trabalhava como intérprete nas Olimpíadas de 1972, na Alemanha, quando conheceu o rei Carl XVI Gustaf, com quem se casou quatro anos depois.
Mais tarde, os três filhos do casal real também se apaixonaram por pares fora da nobreza.
Em 2010, a princesa Victoria se casou com Daniel Westling, que deixou de ser seu personal trainer e se tornou o príncipe Daniel, duque de Västergötland.
Em 2013, a princesa Madeleine, que viveu por um tempo em Nova York, casou-se com o economista britânico Christopher O’Neill, que trabalhava em Wall Street.
Em 2015, foi a vez do irmão delas, o príncipe Carl Philip, se casar com a modelo e estrela de reality show Sofia Kristina Hellqvist, com quem teve dois filhos, agraciados com títulos de duques.
O príncipe da Suécia, Carl Philip, casou-se com a ex-modelo e estrela de reality show Sofia Hellqvist, na capela do palácio real em Estocolmo, neste sábado (13)
REUTERS/Pontus Lundahl/TT News Agency
Jordânia
Nascida em Washington, capital dos EUA, Lisa Halaby trabalhava em uma companhia aérea e conheceu o rei Hussein da Jordânia em 1977 no Aeroporto Internacional Rainha Alia — cujo nome homenageia a primeira mulher dele, morta em um acidente de helicóptero.
Os dois se casaram um ano depois. Ela se tornou a rainha Noor da Jordânia, e eles ficaram juntos até a morte de Hussein em 1999.
Quando assumiu o trono, em 1993, o rei Abdullah da Jordânia também tornou rainha uma ex-plebeia. Rania Al-Yassin conheceu o então príncipe durante um jantar de negócios, quando trabalhava na filial da Apple em Amã, e eles também se casaram.
O rei Abdullah e a rainha Rania da Jordânia, em visita aos EUA em 20 de novembro de 2017
Reuters/Yuri Gripas
Marrocos
A engenheira Salma Bennani conheceu o rei Mohammed VI do Marrocos durante uma festa particular em 1999 e o anúncio do noivado chamou atenção porque, antes dela, as mulheres dos reis do país geralmente eram figuras que não apareciam em público.
Os dois se casaram em 2002 e tiveram dois filhos. Bennani, além de ser a primeira esposa de um rei marroquino a receber um título real, teve seu nome alterado para Lalla Salma, se tornando Sua Alteza Real Princesa Lalla Salma.
A princesa do Marrocos, Lalla Salma, chega a jantar de gala na véspera da abdicação da rainha Beatrix da Holanda e da posse de seu sucessor, rei Willem-Alexande, no Rijksmuseum, em Amsterdã, no dia 29 de abril de 2013
Robin Utrecht/Pool via Reuters
Butão
Jetsun Pema estudou relações internacionais, psicologia e história da arte na Regent’s College, em Londres. Também na Inglaterra, o “Rei Dragão”, apelido do rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, estudou na Universidade de Oxford.
Não se sabe eles se Pema e Wangchuck se conheceram no Reino Unido ou no Butão, mas o “Rei Dragão” anunciou publicamente o noivado em maio de 2011 e os dois se casaram em outubro do mesmo ano, em um evento que teve a maior cobertura de mídia da história do país.
O casal tem um filho, nascido em fevereiro de 2016. Embora fosse oficialmente uma plebeia antes de se casar, Jetsun Pema tem ancestrais relacionados a antigas rainhas consorte do Butão.
O rei do Butão, Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, cumprimenta jornalistas após seu casamento com Jetsun na antiga capital Punakha, em 13 de outubro de 2011
Reuters/Adrees Latif
Uganda
Quando a princesa de Uganda Ruth Komuntale frequentava a American University, na capital americana Washington, e começou a namorar o contador Christopher Thomas, que trabalhava em Maryland, ela não revelou imediatamente seu status de nobreza.
Só quando o relacionamento se tornou mais sério é que Thomas descobriu que se tornaria príncipe após o casamento — o que aconteceu em 2012. Mas isso não durou muito, já que os dois se separaram depois de apenas um ano.
Lesoto
Masenate Mohato Seeiso ainda era uma universitária quando conheceu o rei Letsie III em 1996, no mesmo ano em que o pai dele morreu e ele se tornou o único rei solteiro na África.
Os dois se casaram em 2000, em uma cerimônia em um estádio com Nelson Mandela e mais 40 mil pessoas, e ela se tornou a primeira plebeia a virar rainha na história moderna do país.
Os dois têm três filhos, e a rainha Masenate é muito popular por sua atuação com caridade e saúde pública, especialmente no combate à Aids e no trabalho com orfanatos.
O rei do Lesoto, Letsie III e sua noiva, Masenate Mohato Seeiso, acenam para multidão no dia de seu casamento, em 18 de fevereiro de 2000
JN/Reuters
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Rainha Elizabeth II tem primeiro compromisso oficial após passar a noite em hospital

A rainha Elizabeth II passou uma noite no hospital para fazer exames A rainha Elizabeth II do Reino Unido realizou seu primeiro compromisso oficial nesta terça-feira (26) desde que passou uma noite internada em um hospital e recebeu ordens de seus médicos para descansar.
A monarca de 95 anos, que é a mais velha e há mais tempo no trono, passou a noite no hospital privado King Edward VII de Londres na semana passada após passar por “exames preliminares” por uma doença não especificada, mas sem relação com a Covid-19.
ANÁLISE: Noite em hospital levanta suspeitas sobre estado de saúde da rainha Elizabeth II
Foi a primeira noite que Elizabeth II passou internada em anos, mas as autoridades reais disseram que ela estava com bom humor e que retornou no dia seguinte ao seu lar no Castelo de Windsor, onde voltou a realizar tarefas leves.
Nesta terça-feira, ela realizou duas audiências virtuais para dar as boas-vindas aos novos embaixadores da Coreia do Sul e da Suíça no Reino Unido. As fotos mostram a monarca de vestido amarelo, sorrindo e com a aparência de sempre durante o compromisso.
Elizabeth, que também é rainha de outros 15 países, incluindo Austrália, Canadá e Nova Zelândia e comemora no próximo ano 70 anos no trono, é conhecida por sua saúde robusta e por ainda desempenhar muitas funções públicas.
No entanto, ela foi forçada a cancelar uma viagem oficial para a Irlanda do Norte na semana passada após sua equipe médica dizer que ela deveria descansar por alguns dias.

Fonte: G1 Mundo

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Afegãs recorrem a aulas clandestinas para continuar estudos


Após tomar o poder no país, Talibã impôs restrições à educação de garotas, levando à criação de “escolas secretas”. A DW conversou com alunas que estão determinadas a arriscar tudo para continuar estudando. Mulher afegã de costas em frente a porta em 23 de setembro de 2021
Felipe Dana/AP
Quatorze meninas afegãs se reúnem todos os dias no porão de um prédio em Cabul para continuar seus estudos. A professora delas é uma aluna veterana que lhes ensina matemática.
A escola está escondida do mundo exterior – as portas e janelas estão fechadas para que ninguém possa ver ou ouvir as alunas. Um quadro branco fica no canto da sala, onde Nooria (nome fictício) explica logaritmos às suas alunas.
Depois que o Talibã derrubou o governo de Ashraf Ghani e capturou a capital, Cabul, no final de agosto, os fundamentalistas islâmicos impuseram restrições à educação de meninas.
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Em algumas cidades, as garotas não podem frequentar a escola depois da sexta série e, em algumas áreas, as meninas mais velhas não podem sentar-se com alunos do sexo masculino.
As medidas são arbitrárias, mas em total contraste com as declarações iniciais dos islâmicos de que respeitariam os direitos humanos fundamentais.
O Talibã governou o Afeganistão pela primeira vez de 1996 a 2001 com punho de ferro, impedindo as mulheres de trabalhar e impondo restrições à mobilidade delas.
As meninas não tinham permissão para ir à escola, e os combatentes talibãs açoitavam as mulheres se elas violassem as rígidas leis da sharia impostas pelo grupo.
Houve vários protestos de mulheres contra o novo regime do Talibã em todo o país desde que os jihadistas assumiram o governo. As mulheres no Afeganistão insistem em suas demandas pelo direito à educação, emprego e reunião, que até agora foram negadas pelo grupo.
Mulheres participam de protesto em Cabul, em 21 de outubro de 2021
Ahmad Halabisaz/AP
Ensino secreto
Administrar a “escola secreta” nessas circunstâncias não é uma tarefa fácil, mas muitos pais estão determinados a educar suas filhas e estão prontos para assumir riscos.
Os alunos desta escola fazem diferentes caminhos para ingressar nas aulas em horários diferentes do dia para que não sejam notados pelas autoridades.
Não há carteiras e cadeiras na sala de aula; meninas sentam-se em círculo no chão. A DW falou com algumas dessas meninas, mas por razões de segurança, suas identidades foram ocultadas.
Saleha (nome alterado), estudante do 12º ano, diz que após o fechamento da escola por dois meses ela não teve outra escolha a não ser ingressar na “escola subterrânea”.
“Não aceitamos as restrições; portanto, com a ajuda de uma professora, iniciamos essa escola secreta. Queremos continuar nossos estudos”, diz, por telefone.
Nooria, que leciona nesta escola, era estudante de ciência da computação na Universidade de Cabul antes da tomada da capital pelo Talibã. Ela queria se tornar programadora, mas seu sonho foi destruído agora.
“Parece que tenho um corpo, mas não estou viva”, diz, acrescentando que espera que os “dias sombrios” acabem logo.
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Afeganistão sob o Talibã: estudante que abandonou estudo escreve poema a outras mulheres
Empreendimento arriscado
O governo afegão deposto era marcado pela corrupção, mas a educação das mulheres era um de seus grandes sucessos.
Quando os EUA invadiram o Afeganistão em 2001 e derrubaram o regime do Talibã, a educação de meninas era algo quase inexistente no país. Em 2020, milhões de garotas frequentavam a escola, e dezenas de milhares de mulheres iam para a universidade.
As Nações Unidas instaram o Talibã a garantir que as meninas continuem a receber educação no Afeganistão. Mas o Talibã não parece dar atenção ao apelo, e agora os riscos associados à educação de meninas são altos.
“Se os talibãs descobrirem nossa ‘escola secreta’, eles nos punirão. Mas, apesar desse risco, não vamos desistir”, diz Saleha.
Shamsia (nome alterado), aluna do nono ano da “escola subterrânea”, admite que há riscos, mas afirma que não quer perder os nove anos de estudos.
“Sim, estou com medo. Tento o meu melhor para ser o mais discreta sobre minha educação”, relata.
VÍDEO: Entenda os riscos para as mulheres sob o regime talibã
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Restrições financeiras
As alunas desta escola pagam uma pequena taxa à professora, mas a situação financeira da maioria das famílias no Afeganistão faz com que mesmo uma pequena quantia já seja um grande fardo para elas.
A economia do Afeganistão está à beira do colapso, com a fome e a pobreza crescendo exponencialmente no país devastado pela guerra.
As Nações Unidas previram que cerca de 95% da população do Afeganistão pode passar fome em poucos anos, e até 97% correm o risco de ficar abaixo da linha da pobreza.
A comunidade internacional prometeu ajuda financeira ao Afeganistão, mas a maioria dos países reluta em conversar diretamente com o Talibã.
Os Estados Unidos congelaram bilhões de dólares em ajuda ao país, conforme as sanções internacionais contra o grupo jihadista.
Para Nooria, no entanto, o dinheiro é secundário em relação a seu desejo de fornecer educação às meninas. Ela diz que há muitas famílias no Afeganistão que vivem em extrema pobreza, mas ainda estão comprometidas com a educação das meninas.
“Não cobro de famílias pobres. Estou prestando um serviço”, garante.

Fonte: G1 Mundo

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Conheça o carro que ficou estacionado no mesmo lugar desde 1974 na Itália


O carro era famoso na região, e agora será restaurado. O veículo ficava estacionado na frente da banca de jornais do seu dono. Imagem do Lancia Fulvia que ficou parado no mesmo lugar por quase 50 anos
Reprodução/Google maps
Um carro que estava estacionado desde 1974 em uma rua da cidade de Conegliano, na Itália, foi removido da via no dia 20 de outubro, segundo o jornal “Corriere del Veneto”.
O carro ficou estacionado durante décadas no mesmo local, em frente a uma banca de jornais.
O veículo, um Lancia Fulvia, ficou famoso em redes sociais depois que os italianos o elegeram um dos “monumentos” da cidade de Conegliano.
Em tom de piada, dizia-se que o carro deveria ser decretado como patrimônio da humanidade e a herança dos avós de Conegliano.
O governador da região é da cidade e afirmou que viu o carro parado lá desde que ia para a escola.
Segundo a rede RAI, o dono do carro é Angelo Fregolent, um senhor de 94 que trabalhou como mecânico da Fiat e foi jornaleiro. Ele disse que quando ele abriu a banca, ele usava o espaço interior do carro para guardar temporariamente alguns jornais, antes de levá-los para dentro.
O imposto de circulação era pago anualmente, apesar do carro não circular.
Imagem da traseira do carro que ficou estacionado em uma via desde 1974
Reprodução/Google maps
Carro ficou famoso e será exibido
O Lancia Fulvia ficou conhecido por causa das reportagens da mídia italiana e, então, resolveram tirá-lo de lá.
Ele foi levado para uma exposição na cidade de Pádua, uma das maiores da região. Depois da exibição, o carro será levado a Vicenza, onde será restaurado.
Depois disso, o carro vai voltar a Conegliano, e ficará exposto perto da casa de Angelo Fregolent.
Carro estava estacionado em uma rua de cidade italiana desde 1974
Reprodução/Google maps
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Fonte: G1 Mundo

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Sem citar CPI e longe de protestos, Queiroga faz palestra em Lisboa


Manifestantes exibiram cartazes e fizeram protestos do lado de fora da Universidade de Lisboa. Manifestação de protesto contra a presença do ministro da morte Marcelo Queiroga na Universidade de Lisboa em Portugal. Ato promovido pelo Coletivo Andorinha com apoio da Casa do Brasil e Coletivo Maria Felipa.
Tainara Machado/via Jornalistas Livre
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez palestra na manhã desta terça-feira (26) na Universidade de Lisboa, em Portugal. Sem citar as conclusões do relatório da CPI da Covid ou as críticas que o governo federal recebe por causa da gestão da pandemia, Queiroga listou elogios para as ações federais em um evento fechado ao público.
Governo autoriza viagem de Queiroga para dar conferência sobre ‘ações do Brasil no enfrentamento à Covid’
Do lado de fora, brasileiros se organizaram para exibir cartazes contra o ministro e contra Bolsonaro. Queiroga é uma das 66 pessoas para as quais a CPI sugeriu o indiciamento. No caso do ministro, o relatório da CPI sugere que ele seja indiciado por epidemia com resultado de morte e prevaricação.
Com mais de 604 mil mortes registradas pela doença, o Brasil tem o segundo maior número de óbitos pela Covid no mundo – atrás apenas dos Estados Unidos –, apesar de ter a 6ª maior população mundial.
Durante o evento, após listar iniciativas que considera positivas, Queiroga disse que esses feitos não são reportados pela mídia tradicional, que ele afirmou que está comprometida com “narrativas próprias”.
Queiroga ressaltou o programa de vacinação do Brasil e a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Investimentos em saúde e leitos
O ministro afirmou que o Brasil investe o mesmo que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na saúde, mas admitiu que o valor só é alcançado quando considerado o investimento da rede privada, que atende cerca de 25% da população do Brasil. E investido pelo governo na saúde pública é insuficiente.
“Desconsiderando a recente desvalorização da nossa moeda, o Brasil investe mais ou menos na média dos países da OCDE. O Brasil tem cerca de 9,5%, 10% do PIB gasto em saúde. Deste percentual, metade é investimento privado. (…) Temos o desafio de ampliar o investimento público, porque o privado se direciona para 25% da nossa população”, disse Queiroga.
O ministro disse ainda que, depois de ter feito um investimento na criação de vagas de leitos de UTI, agora o governo deve diminuir as vagas disponíveis para evitar rombo nas contas públicas.
Viagem à Portugal
Na mesma viagem em que irá a Portugal – no período de 25 a 30 de outubro –, o ministro irá também às cidades de Oxford, Cambridge e Londres, no Reino Unido, para visitar institutos de pesquisa e participar de reuniões. Queiroga continuará a receber salário e terá direito a passagens e diárias enquanto estiver fora do país.
‘Não sou comentarista de relatório’, diz Queiroga

Fonte: G1 Mundo

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Sudaneses continuam nas ruas em protesto contra golpe militar


Confrontos entre soldados e manifestantes deixam mortos e dezenas de feridos após militares tomarem o poder no país africano. Comunidade internacional condena o golpe de Estado. População protesta contra golpe militar em 25 de outubro de 2021 no Sudão. Militares interromperam a transição de poder para civis, e sudaneses foram às ruas no distrito de al-Shajara, no sul da capital Cartum.
AFP
Manifestantes sudaneses se mantiveram nas ruas do país nesta terça-feira (26), em protesto contra o golpe militar comandado pelo general Abdel-Fattah Burhan.
Houve confrontos entre soldados e civis durante as manifestações, deixando ao menos sete mortos a tiros e 140 feridos, relatou a agência de notícias Reuters, citando o Ministério da Saúde do Sudão.
“Retornar ao passado não é uma opção”, gritava a multidão, que continuou a protestar nas ruas apesar dos relatos de violência fatal por parte dos soldados nos atos.
Na segunda-feira (25), Burhan decretou estado de emergência em todo o país e dissolveu o chamado Conselho Soberano, um corpo formado por civis e militares e chefiado por ele próprio, e também o governo de transição, comandado pelo primeiro-ministro interino, Abdalla Hamdok.
Militares detiveram Hamdok, a maioria dos ministros de sua administração, líderes de partidos pró-governo e membros civis do Conselho Soberano, criado em 2019 após a queda do ditador Omar al-Bashir, que comandou o Sudão por 30 anos (veja no vídeo abaixo).
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Militares do Sudão dão golpe de estado e prendem primeiro-ministro interino
O golpe ocorre na esteira de crescentes desentendimentos entre os líderes civis e militares do país, que deveriam partilhar o poder depois que Bashir foi derrubado. Desde então, o Sudão vinha sendo governado por uma administração civil-militar de transição, até que um governo civil pudesse ser eleito.
Ao comandar o golpe, Burhan prometeu concluir a transferência de poder para um governo civil eleito até julho de 2023. “O que o país vive agora é uma ameaça real e um perigo para os sonhos da juventude e as esperanças da nação”, declarou o general, justificando que o Exército tomou as medidas necessárias “para retificar o curso da revolução”.
‘Governo civil é escolha do povo’
Os confrontos eclodiram na capital sudanesa, Cartum, logo após seu discurso. Manifestantes usaram pneus para criar barricadas em chamas nas ruas e entoavam gritos em apoio ao governo civil, quando foram repreendidos duramente pelos militares.
“O governo civil é a escolha do povo”, gritavam os sudaneses presentes. “Burhan não pode nos enganar. Este é um golpe militar”, disse um jovem manifestante à agência de notícias AFP. “Não aceitaremos o regime militar e estamos prontos para dar nossas vidas pela transição democrática no Sudão”, declarou outro.
População ergue bandeiras do Sudão ao lado de um bloqueio com tijolos durante uma manifestação na capital Cartum, em 25 de outubro de 2021, contra o golpe militar
AFP
O Ministério da Informação, que ainda é leal ao primeiro-ministro interino deposto Hamdok, afirmou que os soldados “dispararam contra os manifestantes […] do lado de fora do quartel-general do Exército”, deixando dezenas de feridos e alguns mortos.
As telecomunicações foram interrompidas no país após o golpe militar, informou uma testemunha à Reuters nesta terça, embora não tenha havido uma confirmação oficial sobre os cortes. Serviços de internet e telefone teriam sido severamente limitados.
Condenação da comunidade internacional
O golpe militar provocou reação internacional imediata. O Conselho de Segurança das Nações Unidas agendou uma reunião de emergência a portas fechadas para discutir o caso nesta terça, após vários países membros, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, França e Noruega, solicitarem consultas.
ONU se reúne nesta terça para discutir situação do Sudão
Em comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o “golpe de Estado militar em curso” e afirmou que a detenção de líderes civis é “ilegal”. Ele pediu ainda a “libertação imediata” de Hamdok, que é um ex-funcionário sênior das Nações Unidas.
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, alertou que o Sudão corre o risco de retornar à opressão. “Seria desastroso se o Sudão retrocedesse depois de finalmente pôr fim a décadas de ditadura repressiva”, afirmou.
Os Estados Unidos, um dos principais apoiadores do processo de transição no Sudão, “condenaram veementemente as ações militares sudanesas” e suspenderam US$ 700 milhões em ajuda.
Em comunicado, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, pediu a restauração imediata do governo de transição liderado por civis e expressou preocupação com relatos de que soldados usaram munição real contra os manifestantes.
Um grupo de países anteriormente envolvidos na mediação de conflitos sudaneses – EUA, Reino Unido e Noruega – disse que “as ações dos militares representam uma traição à revolução, à transição e aos pedidos legítimos do povo sudanês por paz, justiça e desenvolvimento econômico”.
A União Europeia (UE) apelou à libertação dos líderes civis do Sudão e insistiu que “a violência e o derramamento de sangue devem ser evitados”.
“A UE está muito preocupada com o fato de as forças militares do Sudão supostamente colocarem o primeiro-ministro Hamdok em prisão domiciliar, bem como prenderem outros membros da liderança civil, e pedimos a rápida libertação deles”, disse a jornalistas a porta-voz da Comissão Europeia, Nabila Massrali.
A Alemanha também condenou as ações militares, pedindo seu “fim imediato”. “A notícia de uma nova tentativa de golpe no Sudão é preocupante”, disse o ministro alemão do Exterior, Heiko Maas, em comunicado. “Apelo a todos no Sudão responsáveis ​​pela segurança e ordem para continuarem a transição do Sudão para a democracia e respeitarem a vontade do povo.”
A Liga Árabe exortou todos os lados a aderirem ao acordo de divisão de poder firmado em agosto de 2019. “O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, expressou profunda preocupação com os acontecimentos no Sudão”, disse o bloco em comunicado.
O líder da Comissão da União Africana, Moussa Faki, apelou ao diálogo. “O presidente pede a retomada imediata das consultas entre civis e militares no âmbito da declaração política e do decreto constitucional”, disse Faki em comunicado no Twitter.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Vídeo: torcedora entra na frente de ciclista que liderava competição na Espanha e causa acidente grave

Os dois foram atendidos no local e depois tiveram que ser levados ao hospital. Torcedora causa acidente em competição ciclística na Espanha
Um acidente grave ocorreu em uma competição de bicicletas na ilha de El Hierro, nas Ilhas Canárias, na Espanha, no sábado (23): uma torcedora atravessou a pista no momento em que o líder da prova pedalava para conquistar o primeiro lugar, e os dois se chocaram violentamente.
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Parapentes colidem durante festival na Turquia; veja vídeo
Cerca de 270 ciclistas participaram da prova. Um dos atletas conseguiu se isolar do resto do pelotão e estava se aproximando da linha de chegada.
A mulher, com o celular na mão, tentou atravessar a via segundos antes da passagem do ciclista. Pouco antes, um homem havia feito o mesmo.
O ciclista não percebeu que a mulher se aproximava, e os dois colidiram e caíram no chão rapidamente.
Tanto a mulher como o ciclista precisaram de atendimento médico. Segundo o jornal “El Espanol”, o atleta e a mulher foram levados a um hospital (ela foi levada de helicóptero).
O acidente aconteceu em uma via que também serve como via para turismo de bicicleta. O público estava perto da linha de chegada.
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Fonte: G1 Mundo

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Cantor congolês Koffi Olomide vai a julgamento por agressões sexuais e sequestro de quatro dançarinas


Quatro mulheres, que apresentaram queixas entre 2007 e 2013, o acusam de tê-las trancado em uma casa perto de Paris. Cantor nega. Cantor congolês Koffi Olomide comparece a julgamento na França por sequestro e agressão sexual
Bertrand GUAY / AFP
O astro da rumba congolês Koffi Olomide compareceu nesta segunda-feira (25) ao tribunal de apelações de Versalhes, na França, para o primeiro dia de seu julgamento por agressão sexual e sequestro de quatro de suas dançarinas entre 2002 e 2006.
Quatro mulheres, que apresentaram queixas entre 2007 e 2013, o acusam de tê-las trancado em uma casa perto de Paris, durante suas viagens pela França, e de tê-las forçado a manter relações sexuais com ele.
Elas afirmam ter escapado de casa em junho de 2006, fazendo uma corda com um lençol depois de se esquivar dos guardas.
Koffi Olomide nega. Durante a investigação, o cantor da República Democrática do Congo não compareceu para depor, por isso a justiça francesa emitiu um mandado de prisão.
Em março de 2019, ele não compareceu ao tribunal para julgamento em primeira instância. Ele foi condenado a dois anos de prisão por “agressão sexual” a uma dessas jovens, que era menor de idade na época dos fatos, e foi praticamente absolvido das demais acusações. A promotoria, que havia pedido sete anos de prisão, recorreu.
Cantor congolês Koffi Olomide durante show
Sia KAMBOU / AFP
Desta vez, o homem de 65 anos, cujo nome verdadeiro é Antoine Agbepa Mumba, apareceu perante os juízes e assegurou que as acusações de suas ex-funcionárias eram “filmes”.
O cantor negou ter sequestrado as mulheres, assegurando que “iam à Champs Elysées” (avenida parisiense), embora tinha “direito de supervisionar” suas saídas para garantir que não tentariam ficar na França.
Em relação às acusações de agressões sexuais, contou não ter estado “em nenhum momento sozinho com as mulheres”.
“Como se pode fazer amor em um estúdio? Loucura. Tem engenheiros de som, assistentes…”, argumentou.

Fonte: G1 Mundo

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‘Talibãs hoje moram na minha casa e dirigem meu carro’: juízas contam como escaparam do Afeganistão


Após o Talibã retornar ao poder no Afeganistão, centenas de juízas se esconderam. Após meses vivendo com medo, 26 escaparam. Sana em sua acomodação temporária na Grécia. Ela diz que nunca vai parar de lutar pelos direitos das mulheres no Afeganistão
Derrick Evans /BBC
Quando o Afeganistão voltou para as mãos do Talibã, centenas de juízas precisaram se esconder ou fugir. Os militantes abriram prisões em todo o país, libertando homens que as juízas haviam encarcerado.
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Vinte e seis dessas mulheres deixaram o país recentemente, e a BBC viajou para a Grécia para encontrá-las. O futuro delas é incerto, já que a Grécia pede que elas busquem asilo em um terceiro país. Todos os seus pertences foram deixados para trás e hoje estão nas mãos do Talibã. Por motivos de segurança, todos os nomes das juízas foram alterados nesta reportagem.
Perto da meia-noite, o telefone tocou. Com o ponto de encontro confirmado, era hora de partir.
A juíza Sana fugiu do Afeganistão com seus dois filhos e apenas quatro malas
Derrick Evans /BBC
Vestida com um xador (véu islâmico) preto de corpo inteiro, a juíza Sana saiu para a rua de sua cidade no Afeganistão, com seus dois filhos pequenos ao seu lado. Cada um deles carregava uma única sacola, com dois conjuntos de roupas, passaporte, telefone, dinheiro e toda a comida que pudessem carregar para a jornada.
“Quando saímos, não sabíamos para onde estávamos indo”, lembrou Sana. “Fomos informados de que haveria riscos de segurança a caminho, mas aceitamos porque sabíamos que essa era a única saída.”
Os apartamentos temporários na Grécia são simples, equipados com beliches, mesa e cadeiras
Derrick Evans/BBC
Um carro chegou para buscar ela e os filhos. Enquanto entrava no veículo, Sana olhou para trás, para a cidade onde havia nascido, crescido e começado sua própria família. Os sobreviventes agora estavam nas mãos de estranhos que coordenavam um esforço de evacuação. Ela não tinha ideia para onde eles estavam indo, mas ela sabia que não poderiam ficar na cidade.
“Foi o pior momento da minha vida, quando olhei para os meus filhos enquanto ia embora”, disse ela. “Eu estava desesperada. Eu me perguntei se algum dia os tiraria vivos do Afeganistão.”
Sana em sua acomodação na Grécia Todos os dias as autoridades levam comida cozida para as famílias reaquecerem e compartilharem
Derrick Evans/BBC
Nos últimos três meses, disse Sana, ela foi caçada pelos próprios homens que mandou para a prisão por crimes violentos contra mulheres. O Talibã abriu prisões enquanto avançava pelo país, libertando milhares de criminosos para se vingarem daqueles que os encarceraram.
“Trabalhei em um tribunal que lidava com diferentes tipos de crimes, incluindo assassinatos, suicídio, estupro e outras ocorrências complexas. As punições que dei foram longas e graves”, disse Sana.
“Mas depois que todos foram libertados, cada um deles nos disse: ‘Se encontrarmos, vamos matar todos.'”
Uma investigação recente da BBC descobriu que mais de 220 juízas viviam escondidas porque temiam retaliações sob o regime do Talibã. Falando de locais secretos dentro do Afeganistão, muitas dessas mulheres disseram que recebiam ameaças de morte diariamente.
Em resposta às acusações, o secretário do porta-voz do Talibã, Bilal Karimi, disse à BBC: “As juízas devem viver como qualquer outra família, sem medo. Ninguém deve ameaçá-las. Nossas unidades militares especiais são obrigadas a investigar essas queixas e agir se houver qualquer violação.”
Karimi também repetiu a promessa do Talibã de uma “anistia geral” para todos os ex-funcionários do governo em todo o Afeganistão.
Recém chegada à Grécia, Nargis olha para a cidade
Derrick Evans/BBC
Mas Sana descreveu os últimos meses como “viver um pesadelo”.
“Mudávamos de casa a cada dois ou três dias, mudando da nossa rua para casas seguras e hotéis”, disse ela.
“Não podíamos voltar. Nossa própria casa já havia sido invadida.”
Abandonado
Depois de deixar o ponto de encontro, Sana e sua família continuaram a próxima etapa da jornada por terra. Eles viajaram pelo deserto por mais de dez horas, ela disse, sem dormir. A cada meia hora, mais ou menos, eles chegavam a um posto de controle do Talibã, onde homens armados inspecionavam os viajantes.
Sana embalava o filho mais novo nos braços o tempo todo, ela disse. Ela não achava que eles sairiam vivos.
“Se eles soubessem que eu era uma juíza, teriam nos matado imediatamente”, disse ela, chorando. “No passado, muitas vezes eu julguei casos em que mulheres cometeram suicídio por causa de abusos cometidos pelo marido. Eu sempre pensava: em que ponto uma mulher escolhe a morte? Mas quando comecei a perder as esperanças, cheguei a esse ponto. Estava pronta para me matar.”
Depois de atravessar o deserto com segurança, Sana e seus filhos passaram mais de uma semana em um esconderijo, até que finalmente foram levados para uma pista de pouso.
Quando o avião decolou, todo mundo a bordo desabou em lágrimas, disse ela. Eles conseguiram fugir.
Refúgio
Depois de chegar a Atenas, as 26 juízas e seus familiares foram testados para a Covid-19 antes de serem deixados em vários blocos de apartamentos pela cidade. Sob o abrigo de um regime de visto temporário, as juízas tiveram comida e abrigo garantidos pelas autoridades gregas, em conjunto com várias instituições de caridade, durante 14 dias.
O que aconteceria após as duas semanas era incerto. As juízas foram aconselhados a iniciar o pedido de asilo num terceiro país.
Entre as candidatas a refúgio no Reino Unido está Asma. Com mais de 25 anos de experiência como juíza no Afeganistão, esta não foi a primeira vez que ela fugiu do Talibã.
Em 1996, quando o grupo tomou o poder do exército soviético em retirada, Asma e sua família fugiram pela fronteira com o Afeganistão.
“Esta é a segunda vez que vivemos uma tomada de controle do Talibã. Eu era juíza quando eles chegaram ao poder”, disse Asma.
“Mesmo assim, as juízas foram as primeiras a serem expulsas da sociedade.”
Com a chegada das tropas dos Estados Unidos e da Otan em 2001, Asma voltou para casa e retomou o trabalho como juíza. Até que, há dois meses, a história começou a se repetir.
Sana também havia testemunhado a ascensão anterior do Talibã. Ela tinha acabado de se formar na faculdade de direito quando o grupo chegou ao poder nos anos 1990. Por cinco anos, ela foi forçada a ficar em casa e desistir do trabalho, disse.
“Tornar-se uma juíza em si é uma grande luta”, disse ela. “Primeiro, ela tem que convencer sua própria família a deixá-la estudar. Depois, mesmo quando ela vai para a universidade e consegue um emprego, ela ainda tem que se provar a cada passo do caminho.
“Mas são necessárias juízas no Afeganistão para entender a dor que as mulheres sofrem. Assim como um médico é necessário para curar os doentes, uma juíza entende as dificuldades que as mulheres enfrentam e pode ajudar a resolver a desigualdade.”
“Para as mulheres, há vergonha associada até mesmo ao denunciar um crime. Mas as famílias são mais propensas a apoiar suas parentes do sexo feminino se houver uma juíza presente.”
Os que ficaram para trás
Caminhando pelo seu minúsculo apartamento temporário na Grécia, Sana olha para seu telefone. Ela aponta para uma foto da antiga casa de sua família, uma propriedade que ela orgulhosamente diz ser dela por lei, e não do marido.
Após a evacuação, a casa foi confiscada por um membro do alto escalão do Talibã, disse ela. Ele hoje mora na casa dela, dirige seu carro, possui todos os seus pertences.
Para as juízas que agora vivem como parte da diáspora, as notícias que chegam do Afeganistão são quase sempre negativas. Em um dos muitos grupos do WhatsApp, uma montagem de 28 fotos está sendo compartilhada. Cada rosto, disse uma juíza, é de um ex-promotor do sexo masculino supostamente assassinado nas últimas 48 horas por criminosos libertados da prisão.
De todas as juízas que chegaram à Grécia, as mais jovens foram as que mais pareciam abaladas com o que tiveram de deixar para trás.
Nargis, uma juíza júnior, atuou por menos de cinco anos em um tribunal de família provincial antes da retomada do Talibã. Toda a sua universidade e carreira profissional ocorreram sob o governo afegão apoiado pelos EUA.
“Enquanto o Talibã estiver no poder, será impossível para as mulheres progredirem e manter tudo o que conquistaram nos últimos 20 anos”, disse Nargis.
Entre as juízas mais velhas, aquelas que testemunharam não apenas a ascensão, mas também a queda do Talibã, havia mais esperança.
“As mulheres do Afeganistão não são as mulheres de 20 anos atrás”, disse Asma. “Vejam aquelas mulheres que protestaram nos primeiros dias da chegada do Talibã, pedindo seus direitos, pedindo educação.
“Chegar a este estágio não foi fácil. Mas hoje todas as filhas do nosso país estão de pé.”
Sana também encontrou sua própria esperança. As leis que ela e suas colegas juízas ajudaram a forjar não podem simplesmente ser excluídas da história, disse ela. Elas podem ser ignoradas pelo Talibã, mas não podem ser apagadas. Eles são pesquisáveis, compartilháveis ​​— um registro do que foi alcançado.
Ela cita a constituição. Artigo 22: todos os cidadãos do Afeganistão, homens e mulheres, têm direitos iguais. Artigo 43: A educação é um direito de todos os cidadãos do Afeganistão. Artigo 48: O trabalho é direito de todo afegão.
Sana ajudou a redigir a Lei de Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que foi promulgada em lei em 2009 e entrou com 22 ações de abuso contra mulheres, incluindo estupro, espancamento, casamento forçado, impedindo as mulheres de adquirirem propriedades e proibindo uma mulher ou menina de ir para a escola ou para o trabalho.
Por enquanto, o Talibã decretou que todas as mulheres trabalhadoras e alunas devem ficar em casa sem ir à escola ou trabalhar até que todos os locais de trabalho e ambientes de aprendizagem sejam considerados “seguros”. Eles disseram que é uma medida temporária, mas ainda não definiram um prazo para a situação mudar.
Questionado se as mulheres ocupariam cargos de destaque, como juiz ou ministro, no futuro, Karimi disse à BBC que não poderia comentar, porque “as condições de trabalho e oportunidades para as mulheres” ainda estavam “sendo discutidas”.
De seu novo abrigo temporário na Grécia, Sana vê uma dolorosa injustiça na volta para casa.
“No momento, as mulheres estão presas em suas casas e os criminosos que prendi estão em liberdade”, disse ela.
Ela jurou que continuaria lutando contra essa injustiça, mesmo no exterior, e “apoiaria todas as mulheres afegãs”.
“O Afeganistão não pertence ao Talibã ou a nenhum grupo específico”, disse.
“Pertence a todos os afegãos.”
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Fonte: G1 Mundo

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China confina cidade de 4 milhões de habitantes para conter mais um foco de Covid


Medida é anunciada a 100 dias do início dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que será realizado em Pequim, e após a detecção de 29 casos locais de Covid na cidade Lanzhou. Homem com máscara de proteção caminha no dia 25 de outubro de 2021 ao lado de uma placa que anuncia as regras para andar nas ruas da cidade de Lanzhou, na província de Gansu, para evitar a propagação da Covid-19 no noroeste da China
Chinatopix via AP
A 100 dias do início dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que será realizado em Pequim, autoridades chinesas anunciaram nesta terça-feira (26) o confinamento de quatro milhões de habitantes na cidade Lanzhou, no noroeste da China, para conter um novo foco de Covid-19.
“Todos os bairros residenciais devem permanecer fechados e os deslocamentos estritamente, controlados”, anunciou o município após serem registrados 29 casos locais de Covid-19 nesta terça-feira (26).
Apesar do número pequeno de novos casos na comparação com outros países, o governo chinês tem intensificado as medidas de combate à pandemia no momento em que se prepara para receber os Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados em fevereiro de 2022.
Na segunda-feira (25), autoridades determinaram o confinamento de milhares de pessoas no norte do país e pediram aos habitantes da capital Pequim que limitem os deslocamentos após 39 novos casos da doença nas últimas 24 horas (veja mais no vídeo abaixo).
China impõe lockdown após novo surto de Covid no norte do país
No domingo (24), a maratona de Wuhan foi adiada após o registro de 26 novos infectados. Wuhan foi a cidade que as primeiras infecções do coronavírus, em dezembro de 2019, antes de o vírus se espalhar pelo mundo.
As autoridades de Lanzhou afirmaram que a “entrada e saída de residentes” será rigidamente controlada e limitada a compras essenciais ou atendimento médico.
Variante delta
O foco mais recente de Covid-19 na China está associado à variante delta, que é mais contagiosa. Mais de 100 novos casos foram registrados no país na última semana.
As autoridades de saúde advertiram que novos focos podem surgir com a ampliação da testagem nos próximos dias. O governo chinês diz que o novo surto está relacionado a um grupo de turistas locais.
A cidade de Hong Kong também anunciou que vai endurecer ainda mais as restrições para entrada em seu território, que já estão entre as mais severas do mundo, para se alinhar à China na luta contra a covid-19.
O centro financeiro internacional já impõe uma quarentena obrigatória em hotéis de 14 a 21 dias para a maioria de seus viajantes.
O isolamento permitiu controlar a pandemia quase por completo, mas é criticado por setores econômicos, preocupados com a competitividade da cidade.
As normas incluem raras exceções, especialmente para diplomatas ou grandes empresários autorizados a fazer o isolamento em casa, ou para determinados residentes de Hong Kong que chegam da China continental.
“Em breve vamos anunciar que a maioria das exceções à quarentena … serão canceladas”, declarou a chefe do governo local, Carrie Lam, sem revelar mais detalhes.
confinamento na cidade Lanzhou, na região noroeste do país e com quatro milhões de habitantes, para conter um foco de covid-19 a 100 diasw do início dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim-2022.
“Todos bairros residenciais devem permanecer fechados e os deslocamentos estritamente controlados”, anunciou o município, depois que a China registrou 29 contágios locais de coronavírus nesta terça-feira.
Apesar do número pequeno de novos casos na comparação com outros países, o governo chinês intensifica a vigilância no momento em que o país se prepara para receber os Jogos Olímpicos de Inverno em fevereiro de 2022.
As autoridades de Lanzhou afirmaram que a “entrada e saída de residentes” será controlada rigidamente e limitada a compras essenciais ou atendimento médico.
As novas regras são adicionadas às ordens estritas de confinamento impostas a dezenas de milhares de pessoas no norte da China, enquanto o acesso a locais turísticos permanece restrito e os moradores foram aconselhados a não deixar suas cidades, exceto em caso de necessidade.
O foco mais recente de coronavírus na China foi associado à contagiosa variante delta, com mais de 100 novos casos registrados na última semana.
As autoridades de saúde advertiram que novos focos podem surgir com a ampliação dos testes de detecção nos próximos dias para combater o surto inicial, que está relacionado com um grupo de turistas locais.
A cidade de Hong Kong também anunciou que vai endurecer ainda mais as restrições para entrada em seu território, que já estão entre as mais severas do mundo, para se alinhar com a China na luta contra o covid-19.
O centro financeiro internacional, com um governo em tese semiautônomo, mas cada vez mais controlado por Pequim, já impõe uma quarentena obrigatória em hotéis de 14 a 21 dias para a maioria de seus viajantes.
O isolamento permitiu controlar a pandemia quase por completo, mas é criticado por setores econômicos, preocupados com a competitividade da cidade.
As normas incluem raras exceções, especialmente para diplomatas ou grandes empresários autorizados a fazer o isolamento em casa, ou para determinados residentes de Hong Kong que chegam da China continental.
“Em breve vamos anunciar que a maioria das exceções à quarentena … serão canceladas”, declarou a chefe do governo local, Carrie Lam, sem revelar mais detalhes.

Fonte: G1 Mundo