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Lanterna do celular e 43°C: como é dar à luz sob Talibã


Com a recente tomada do poder pelo Talibã, a situação das maternidades no Afeganistão piorou muito: sem energia elétrica, os partos são feitos com a luz do celular, além de faltarem medicamentos e alimentação para a maioria das mulheres pobres. Sob o regime do Talibã, mulheres afegãs precisam cobrir todo o corpo
Ilustração a partir de fotos Getty Images/Via BBC
Rabia está carregando seu bebê recém-nascido, poucos dias após o parto em um pequeno hospital na província de Nangarhar, no leste do Afeganistão. “Este é meu terceiro filho, mas a experiência foi totalmente diferente. Foi horrível”, diz ela.
Em questão de semanas, a unidade de parto onde Rabia deu à luz foi reduzida ao atendimento básico. Ela não recebeu remédios nem alimentação.
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Sem ventilação, a temperatura no hospital chegou a 43°C. A energia havia sido cortada e não havia combustível para operar os geradores. “Estávamos suando tanto que era como se estivéssemos tomando banho”, diz Abida, a parteira de Rabia, que trabalhou incansavelmente, no escuro, para realizar o parto. Sem luz, usou a lanterna do celular.
“Foi uma das piores experiências que já tive no meu trabalho. Foi muito doloroso. Mas esta é a nossa história de todas as noites e todos os dias no hospital desde que o Talibã assumiu o poder”, diz Abida.
Afeganistão tem uma das piores taxas de mortalidade materna e infantil do mundo, segundo OMS
Ilustração a partir de fotos Getty Images/Via BBC
Sobreviver ao parto significa que Rabia foi uma das mulheres que tiveram sorte. O Afeganistão tem uma das piores taxas de mortalidade materna e infantil do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Na média, 638 mulheres morrem no parto a cada 100 mil nascidos vivos.
O óbito materno é definido como a morte de uma mulher ocorrida durante a gestação, parto ou dentro de um período de 42 dias após o término da gravidez, por qualquer causa relacionada à gestação, não incluídas causas acidentais.
No Afeganistão, o cenário costumava ser pior antes da invasão das tropas lideradas pelos Estados Unidos, em 2001. No entanto, o progresso adquirido no atendimento materno e neonatal desde o início da ocupação está se desfazendo rapidamente.
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“Agora há um grande senso de urgência e desespero. Realmente sinto o peso disso”, diz Natalia Kanem, diretora executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
O UNFPA estima que, sem apoio imediato para mulheres e meninas, poderia haver 51 mil óbitos maternos adicionais e 4,8 milhões de gestações indesejadas. Além disso, o número de pessoas sem acesso a clínicas de planejamento familiar pode dobrar até 2025.
“As unidades de saúde primárias em todo o Afeganistão estão entrando em colapso. As taxas de mortalidade materna e infantil vão aumentar, infelizmente”, diz Wahid Majrooh, chefe de saúde pública do Afeganistão. Ele é o único ministro que permaneceu em seu posto desde que o Talibã assumiu o controle da capital, Cabul, no mês passado.
Majrooh prometeu lutar pela saúde dos afegãos, mas enfrenta uma batalha difícil.
Sem litoral, o país ficou isolado do mundo após a recente ascensão do grupo extremista islâmico. A saída das tropas estrangeiras e a volta do Talibã ao poder levaram ao congelamento da ajuda estrangeira, que financia o sistema de saúde do Afeganistão. Doadores ocidentais, incluindo os EUA e grupos como a OMS, citam dificuldades em entregar fundos ao Talibã e suprimentos médicos pelo caótico aeroporto de Cabul.
O acesso a suprimentos e medicamentos importantes para a saúde reprodutiva das mulheres foi significativamente afetado. O momento é duplamente ruim, dada a disseminação do coronavírus. “Não há preparação para a possibilidade de uma quarta onda de Covid-19”, diz Majrooh.
Na maternidade onde Abida trabalha, o congelamento de recursos significa que os funcionários também não podem operar o serviço de ambulância. Não há dinheiro para o combustível.
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“Há apenas algumas noites, uma mãe entrou em trabalho de parto e pediu urgentemente uma ambulância, porque estava com muitas dores. Tivemos que dizer a ela para encontrar um táxi, mas não havia nenhum disponível”, conta Abida.
“Quando ela finalmente conseguiu encontrar um carro, era tarde demais: ela deu à luz no carro e ficou inconsciente por várias horas por causa da forte dor que sentia e do calor extremo. Não achávamos que ela sobreviveria. O bebê também estava em uma condição muito perigosa e não tínhamos nada para atender a nenhum deles”, disse Abida.
Felizmente, a recém-nascida sobreviveu. Depois de três dias se recuperando no hospital sem recursos, a mãe recebeu alta.
“Estamos trabalhando horas extras, dia e noite, para atender às mulheres e crianças, mas precisamos de recursos”, diz Kanem, do UNFPA. “Mesmo antes dos acontecimentos dramáticos das últimas semanas, a cada duas horas uma mulher afegã morria no parto, em média.”
O UNFPA está buscando US$ 29,2 milhões (cerca de R$ 155 milhões) como parte de um apelo mais amplo da ONU por US$ 606 milhões (R$ 3,2 bilhões) para atender às necessidades vitais de mulheres e meninas afegãs.
A entidade está confiante de que, dada a necessidade desesperada de assistência humanitária, o Talibã vai permitir o transporte de recursos médicos e de saúde, além da implantação de clínicas móveis.
O UNFPA também está preocupado com o risco crescente da retomada de casamento infantis, o que pode aumentar ainda mais a taxa de mortalidade. A pobreza, a proibição para as meninas frequentarem a escola e o medo de casamentos forçados entre militantes e crianças agravam o problema. “Se você engravida na adolescência, suas chances de sobrevivência diminuem imediatamente”, diz Kanem.
As novas restrições do Talibã às mulheres estão prejudicando ainda mais o já frágil sistema de saúde do país. Em muitas áreas, as mulheres precisam cobrir o rosto com um niqab ou burka.
Mas o que causa maior preocupação são os relatos de que hospitais e clínicas estão sendo obrigados a permitir que apenas mulheres atendam pacientes do sexo feminino. Uma parteira, que deseja manter o anonimato, disse à BBC que um médico foi espancado pelo Talibã porque atendeu sozinho uma mulher.
Ela diz que, em seu centro médico no leste do país, “se uma mulher não pode ser atendida por uma médica, o médico só pode atendê-la quando duas ou mais pessoas estiverem presentes”.
As mulheres também receberam ordens de não deixarem suas casas sem um “mahram”, ou parente do sexo masculino.
“Meu marido é um homem pobre que trabalha para alimentar nossos filhos, então por que eu deveria pedir a ele para ir ao centro de saúde comigo?”, disse Zarmina, que está grávida de cinco meses, na província de Nangarhar.
Abida diz que a exigência de um acompanhante masculino significa que, mesmo com uma parteira e uma clínica com poucos recursos, muitas mulheres como Zarmina não podem comparecer a exames importantes durante a gravidez. Da mesma forma, muitas trabalhadoras de saúde não podem trabalhar.
A OMS calcula que existam 4,6 médicos, enfermeiras e parteiras para cada 10 mil afegãos – quase cinco vezes abaixo do que considera o “limiar de escassez crítica”. Esse número provavelmente hoje é ainda menor, já que muitos profissionais pararam de trabalhar ou fugiram do país desde a ascensão do Talibã.
No final de agosto, o grupo extremista pediu às trabalhadoras da saúde que retornassem ao trabalho, mas “leva tempo para reconstruir a confiança, para garantir que elas não vão enfrentar nenhum problema”, diz Majrooh.
“Tudo mudou da noite para o dia”, diz Nabizada, uma ginecologista de Cabul que renunciou ao cargo assim que o Talibã entrou na cidade. Ela esperou do lado de fora do aeroporto de Cabul por 24 horas, desesperada para escapar do país. Mas não conseguiu. Suas ex-colegas conseguiram fugir do Afeganistão ou largar o trabalho para ficar em casa em segurança.
“Minha vizinha está grávida de 35 semanas e precisava marcar uma cesariana. Mas o telefone do médico dela está desligado. Ela está tão tensa e preocupada que parou de sentir os movimentos do bebê.”
Os servidores de saúde pública do país não recebem salário há pelo menos três meses. Abida é uma delas. Mesmo sem salário, ela espera continuar trabalhando por mais dois meses.
“Decidi fazer isso por nossos pacientes e por nosso pessoal. Sem financiamento, a situação não fica preocupante apenas para nós, mas para nossos pacientes. Eles são muito pobres”, diz ela.
“Os afegãos ouvem muito sobre as vítimas de guerra. Mas poucos falam sobre quantas mulheres e bebês são vítimas de mortes evitáveis ​​ligadas ao parto”, disse Heather Barr, diretora-associada da divisão de direitos das mulheres da ONG Human Rights Watch.
Em uma visita a Cabul em maio, ela disse que um hospital tentou proteger os salários dos funcionários cortando todos os outros custos da unidade. Segundo ela, muitas mulheres em trabalho de parto foram forçadas a comprar seus próprios suprimentos para dar à luz.
“Uma mulher gastou cerca de US$ 26 (R$ 138) em coisas como luvas, fluido esterilizante e um tubo para o cateter em sua mão. Ela gastou o que restava de seu dinheiro e estava extremamente estressada porque, se precisasse de uma cesariana, teria que comprar seu próprio bisturi”, diz Barr.
Mas agora, a escassez de remédios e suprimentos médicos piorou: eles só podem ser comprados em centros de saúde privados, a um custo maior, o que é uma opção inacessível para muitos afegãos.
“Eu vi outras mulheres grávidas esperando um dia inteiro por qualquer tipo de remédio em nossa clínica local e voltando para casa de mãos vazias”, diz Zarmina. “Prefiro dar à luz em casa do que no hospital, porque não há remédios nem instalações. Estou preocupada com a saúde do meu bebê e com a minha própria saúde”.
Cerca de 54,5% da população do Afeganistão vive abaixo da linha de pobreza, de acordo com o Banco Mundial. A maioria delas vive em áreas remotas.
“Estamos lidando com comunidades com necessidades extremas e recursos muito escassos. Estamos enfrentando uma emergência catastrófica de saúde”, diz Lodi, um médico que trata de pacientes em vilarejos pobres e isolados na província de Herat ocidental. Desde a tomada do poder pelo Talibã, sua equipe tem visto um aumento dramático na desnutrição, anemia, distúrbios mentais e complicações no parto.
“Antes de o Talibã chegar ao poder, uma clínica de saúde me deu um diagnóstico de desnutrição e anemia enquanto eu estava grávida”, disse Lina, que mora em um pequeno vilarejo na província de Herat. Assim que o Talibã assumiu o controle da região, seu marido – um pastor – perdeu o emprego.
Com pouco dinheiro e temendo o Talibã, Lina não revisitou a clínica até que sua bolsa estourou.
“Meu marido me levou para a clínica em um jumento. Uma parteira tratou de minhas complicações e conseguiu dar à luz meu bebê, que nasceu com peso abaixo do ideal”, diz Lina, que continua em casa “em péssimas condições”. Sem renda, a família não sabe como sustentar o filho recém-nascido.
Muitos afegãos temem que a crise de saúde do país esteja se aprofundando a um ponto sem retorno, e algumas das pessoas mais vulneráveis ​​- mulheres grávidas, mães de primeira viagem e crianças pequenas – estão arcando com o fardo.
“A situação está piorando a cada dia que passa”, diz Abida, que agora desempenha suas funções de parteira com uma sensação de desesperança. “Ninguém sabe o que será de nós.”
(Os nomes dos entrevistados foram alterados. As imagens dessa reportagem são ilustrações e colagem feitas a partir de fotos tiradas por Elaine Jung, uma cortesia da Getty Images.)
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Fonte: G1 Mundo

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Síria executa 24 condenados por provocar incêndios florestais


Eles foram considerados culpados pelas mortes ocasionadas pelo fogo e também haviam sido acusados de cometer ‘atos terroristas’. Homem tenta controlar incêndio florestal na Síria em foto de 8 de setembro de 2020
SANA via AFP
O governo da Síria executou 24 pessoas acusadas de terem provocado incêndios florestais em 2020, anunciou o Ministério da Justiça nesta quinta-feira (21).
Eles eram acusados de “terem cometido atos terroristas” ao atear fogo a materiais inflamáveis que “causaram mortes e destruíram a infraestrutura estatal e propriedade pública”, afirmou o órgão.
Outras 20 pessoas, incluindo cinco menores de idade, foram condenados a penas que variam de dez anos de reclusão à prisão perpétua.
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Segundo o comunicado, os condenados “confessaram ter feito reuniões para planejar os incêndios e tê-los provocado”.
Os incêndios devastaram as províncias de Latakia e Tartus, na costa do Mediterrâneo, e a província de Homs, no centro do país.
Mortos e feridos
Em setembro e outubro de 2020, a Síria registrou cerca de 187 queimadas florestais que afetaram 280 cidades. Elas deixaram pelo menos três mortos e dezenas de feridos, segundo a imprensa oficial.
Este é um problema recorrente na Síria, assim como em outros países vizinhos, durante os períodos de calor intenso, principalmente no final do verão.
As autoridades suspeitam de que também possam ser causados por moradores, sobretudo, para estocar lenha antes do inverno para se aquecer.
Pena de morte
De acordo com a Anistia Internacional, o governo sírio continua a usar o enforcamento como método de execução.
Em seu último relatório sobre sentenças de morte e execuções, publicado este ano, esta ONG de defesa dos direitos humanos destaca que pôde “corroborar informações que indicam que foram realizadas execuções na Síria em 2020”.
No mesmo documento, acrescenta, no entanto, não contar com informação suficiente “para divulgar um número mínimo confiável”.

Fonte: G1 Mundo

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Trump anuncia planos para lançar nova rede social, a ‘TRUTH Social’


Plataforma começará a ser testada em novembro. Ex-presidente dos EUA também prevê lançamento de serviço de vídeos. Imagem de Donald Trump em 12 de janeiro de 2021
Carlos Barria/Reuters
O ex-presidente americano Donald Trump anunciou na última quarta-feira (20) a intenção de lançar sua própria rede social após ser banido do Twitter e do Facebook devido ao violento ataque de seus seguidores ao Congresso, em janeiro.
Chamada de “Truth Social” (truth significa verdade), a nova rede pertencerá ao Trump Media & Technology Group (TMTG), empresa do ex-presidente.
O lançamento oficial deve ocorrer apenas no início de 2022, mas, em novembro, ela já deve ser testada por convidados, em uma versão beta – o app já está disponível para pré-venda na loja de aplicativos do iPhone.
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O ex-presidente chegou a anunciar um processo contra Facebook, Twitter e Google
“Eu criei a Truth Social e o TMTG para enfrentar a tirania das ‘gigantes da tecnologia'”, disse Trump.
“Vivemos em um mundo onde o Talibã tem uma grande presença no Twitter, mas seu presidente americano favorito foi silenciado. Isso é inaceitável”, acrescentou.
Trump banido
O Facebook e o Instagram baniram o ex-presidente indefinidamente em 7 de janeiro, mas, posteriormente, reduziram a proibição para dois anos. A decisão de suspendê-lo aconteceu após Trump incitar seus apoiadores a marcharem até o Congresso dos EUA – o que culminou com a invasão ao Capitólio e a morte de cinco pessoas.
O Twitter suspendeu permanentemente a conta de Trump, que tinha mais de 88 milhões de seguidores na época, devido ao “risco de mais incitação à violência”. Depois outras plataformas, como YouTube e Snapchat também restringiram o ex-presidente.
Desde então, Trump tem procurado maneiras de recuperar seu megafone na internet, iniciando vários processos contra as gigantes da tecnologia.
Referências ao Twitter
Trump era muito ativo nas redes sociais, sobretudo no Twitter, sua mídia preferida.
Nas imagens da nova rede social disponíveis na pré-venda da Apple Store, é possível ver que o Truth Social se assemelha bastante com essa plataforma, com mensagens curtas e identificações de usuário precedidas por @.
Serviço de vídeos
Além da nova rede social, o TMTG também pretende lançar um serviço por assinatura de vídeos sob demanda, que contará com programação de entretenimento, notícias e podcasts. A programação será liderada por Scott St. John, produtor executivo do famoso programa de televisão America’s Got Talent.
O TMTG fanunciou a fusão com a Digital World Acquisition Corp. e, segundo comunicado, pretende se tornar uma empresa de capital aberto. O grupo tem valor inicial estimado em US$ 875 milhões.
Tentativas de voltar à internet
Desde que foi banido das redes sociais, Trump tem buscado a forma de recuperar sua voz na internet, ao apresentar várias ações contra as plataformas de tecnologia.
Em maio, Trump lançou o blog chamado From the Desk of Donald J. Trump, que, com baixo número de acessos, foi tirado do ar apenas um mês depois.
Trump começou a realizar eventos públicos, inclusive comícios, tentando se manter como o líder republicano mais influente do país.
Ele tem insinuado uma possível candidatura à Presidência em 2024, mas não fez nenhum anúncio sobre seu futuro político.
Facebook, Instagram, YouTube: Trump é bloqueado pelas redes sociais

Fonte: G1 Mundo

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Gabby Petito: Linha do tempo reúne o que se sabe sobre o caso da influencer morta nos EUA


Influencer, que foi estrangulada e morta em setembro, viajava pelos Estados Unidos com o noivo, Brian Laundrie, que está desaparecido há semanas. Gabby Petito: sumiço e morte de influenciadora causam comoção nos EUA
Gabrielle “Gabby” Petito, influenciadora digital, foi encontrada morta em 20 de setembro em um parque no estado americano de Wyoming. Seus pais procuraram a polícia após ela não responder a ligações nem mensagens de texto por vários dias.
Ela e o noivo, Brian Laundrie, estavam viajando pelo país em uma van quando ocorreu a tragédia, e Petito tinha ficado famosa por documentar a viagem (veja no vídeo acima), por isso sua morte causou grande comoção nos Estados Unidos.
Petito deixou o emprego em julho e registrava a viagem principalmente no Instagram. Um vídeo publicado no YouTube, em que o casal aparece sorrindo, se beijando e correndo na praia, já foi visto milhões de vezes.
A perícia concluiu que a jovem de 22 anos foi estrangulada de três a quatro semanas antes de seu corpo ser encontrado, e Brian sumiu antes da descoberta do assassinato. Veja, a seguir, o que se sabe até o momento em uma linha do tempo do caso Petito.
Junho de 2021
Brian Laundrie e a namorada Gabby Petito, em foto de 2 de julho de 2020
Reprodução/Instagram
Gabby Petito e Brian Laundrie embarcam em uma viagem de van pelos EUA e fazem registros de toda a travessia em direção ao Oeste americano em suas redes sociais.
Todd Garrison, chefe da polícia na Flórida, estado onde começaram a viagem disse que a jovem mantinha contato constante com a família, até deixar de telefonar no fim de agosto.
12 de agosto
A polícia de Utah parou o carro de Petito e Laundrie no dia 12 de agosto, após receber uma denúncia sobre uma briga doméstica. Ninguém foi acusado nessa ocasião.
Os policiais interrogaram o casal separadamente durante uma hora, na beira da estrada. Chegou a dizer ao policial que o noivo a segurou com força pelo queixo, e que ela havia batido nele (veja no vídeo abaixo).
Novo vídeo mostra que Gabby Petito falou da briga que teve com o namorado a policiais
17 de agosto
O advogado da família de Laundrie, Steven Bertolino, afirmou que o noivo de Petito pegou um voo de Salt Lake City (Utah) para Tampa (Flórida) em 17 de agosto.
Segundo a defesa do jovem, ele teria voltado para pegar alguns itens pessoais porque eles pretendiam estender o prazo de retorno da viagem.
Em 23 de agosto ele teria retornado para Utah onde teria se reencontrado com Petito, também segundo o advogado da família.
27 de agosto
Um casal de turistas afirmou ter visto Petito e Laundrie discutindo em um restaurante mexicano do estado de Wyoming.
Eles disseram, à imprensa americana, que a jovem chorava enquanto o noivo estava “visivelmente irritado”. Um “incidente” foi confirmado por trabalhadores do local, que não deram mais informações.
Gabby Petito, em imagem de 2019 publicada em seu perfil em uma rede social
Reprodução/Instagram
Última semana de agosto
A família de Petito disse à polícia que pararam de receber ligações da jovem durante a última semana do mês de agosto.
Richard Stafford, advogado da família Petito, disse em entrevista coletiva que eles receberam uma mensagem da jovem em 30 de agosto, mas que não acreditam ser de sua autoria.
1º de setembro
Segundo a polícia, em 1º de setembro Laundrie voltou para a casa na Flórida dirigindo a van que era usada na viagem com Petito.
O automóvel foi encontrado – após semanas – na garagem da casa do casal e a polícia afirmou ter encontrado “materiais” durante uma investigação no interior, sem dizer o quê.
11 de setembro
Sem contato com a filha, a família de Petito – que vive em Nova York – denunciou seu desaparecimento para a polícia do estado.
A influenciadora Gabby Petito, cujo corpo foi encontrado nos Estados Unidos em um parque em Wyoming
Reprodução/Redes sociais
16 de setembro
O advogado da família Petito apresentou uma carta em que eles pedem ajuda da família Laundrie nas buscas por informações sobre o caso.
Segundo ele, a família do noivo teria se recusado a contribuir em um contato anterior.
17 de setembro
A família Laundrie informa à polícia que não vê o filho desde o dia 14 de setembro, segundo as autoridades que começaram também as buscas pelo jovem de 23 anos.
18 de setembro
A polícia da Flórida começa as buscas em uma reserva florestal do estado em busca de Laundrie. Ao mesmo tempo, no Wyoming, uma equipe do FBI investiga o desaparecimento de Petito.
Montagem com autoridades atuando nas buscas, Gabby Petito, e o noivo
Departamento de Polícia de North Port via AP e Reprodução/redes sociais
19 de setembro
A polícia federal americana afirma ter encontrado restos mortais humanos em uma área próxima à de desaparecimento de Petito.
21 de setembro
Autoridades americanas confirmam que o cadáver encontrado em um parque estadual do Wyoming pertence a Gabby Petito. Uma autópsia ainda seria realizada para confirmar a causa da morte.
23 de setembro
Com as buscas pelo noivo ainda acontecendo, Laundrie é indiciado pela polícia americana por fraude com cartão de débito.
Ele não foi acusado formalmente pela morte da influencer, mas é identificado como “pessoa de interesse” pelas autoridades que investigam o caso.
Gabby Petito e namorado Brian Laundrie durante viagem nos EUA em foto de fevereiro de 2021
Reprodução/Instagram
12 de outubro
Médicos legistas confirmaram que Gabby Petito foi estrangulada de três a quatro semanas antes de seu corpo ser encontrado.
20 de outubro
O FBI revelou ter encontrado restos mortais em um parque na Flórida junto a pertences do noivo da influencer. O advogado da família de Brian Laundrie afirmou que “a probabilidade é grande que sejam os restos mortais de Brian”.

Fonte: G1 Mundo

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‘Vai ser encontrado morto em cela’: as ameaças a preso que divulgou vídeos de supostas torturas em cadeias russas


Sergey Savelyev está buscando asilo na França depois de vazar vídeos mostrando abusos em prisões na Rússia. Sergey Savelyev está buscando asilo na França depois que ele vazou vídeos de suposta tortura em prisões russas
BBC
À primeira vista, Sergey Savelyev não parece alguém que passou oito anos em uma prisão russa e secretamente reuniu vídeos de torturas e espancamentos de presidiários.
De estatura mediana, o bielorrusso de 31 anos diz que agora pode dormir um pouco melhor, pela primeira vez em semanas. Ele pediu asilo na França, tendo fugido da Rússia temendo por sua segurança.
Ele agora admite livremente que foi o denunciante que entregou mais de mil vídeos ao grupo russo de direitos humanos Gulagu.net.
Os vídeos, que Savelyev obteve enquanto trabalhava em uma prisão durante sua pena, causaram protestos na Rússia quando circularam nas redes sociais no início deste mês.
Desde então, as autoridades russas disseram que abriram investigações criminais sobre supostas torturas e agressões sexuais nas prisões e demitiram vários funcionários penitenciários do alto escalão.
O Gulagu.net disse que os vídeos não apenas documentavam espancamentos, estupros e humilhações de presidiários, mas também provavam a natureza endêmica dos abusos no sistema prisional.
A BBC entrou em contato com o serviço penitenciário da Rússia, mas não obteve resposta até a conclusão desta reportagem.
Escolha entre a vida e a morte
Savelyev diz que foi condenado por um crime relacionado com drogas em 2013
BBC
Savelyev começou a compartilhar os vídeos com ativistas de direitos humanos após sua libertação em fevereiro deste ano. Ao longo de vários meses, ele divulgou centenas de arquivos.
No mês passado, foi parado no aeroporto de São Petersburgo enquanto viajava para Novosibirsk. No balcão do check-in, homens em roupas civis começaram a questioná-lo.
Eles disseram que sabiam tudo sobre sua correspondência com Vladimir Osechkin, chefe do Gulagu.net.
“Me disseram que estavam me observando há seis meses”, disse Savelyev. “Eles ameaçaram me prender por traição por 20 anos.”
Savelyev disse que os homens o avisaram que ele “morreria muito rapidamente” na prisão. “Primeiro, você vai confessar tudo, e então você será encontrado morto em uma cela”, eles lhe teriam dito.
A alternativa, segundo Savelyev, era que ele cooperasse com a investigação e admitisse que havia sido encarregado de reunir provas “desacreditando o serviço penitenciário russo” pelo Gulagu.net “financiado por estrangeiros”.
Nesse caso, ele seria libertado após quatro anos de prisão.
“A verdadeira escolha era entre a vida e a morte. E escolhi a vida”, disse Savelyev.
O bielorrusso disse que assinou alguns papéis concordando em cooperar com as autoridades e foi liberado.
“Eles provavelmente pensaram que eu não ousaria fugir”, disse ele. Mas Savelyev escapou.
Ele pegou um micro-ônibus da Rússia para Belarus e depois viajou pela Tunísia para a França. Uma vez na zona de trânsito do aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, ele procurou a ajuda da polícia.
Savelyev foi enviado para uma prisão na cidade russa de Saratov, famosa por acusações de abuso de prisioneiros
BBC
‘Eles só precisam quebrar você’
Em 2013, Savelyev foi condenado por um delito relacionado com drogas e sentenciado a nove anos de prisão. Ele evita dar detalhes, mas diz que seu caso foi “triste e comum”. Savelyev foi enviado para uma prisão na cidade russa de Saratov, famosa por acusações de abuso de prisioneiros.
Ele alega que foi severamente espancado assim que chegou. “Eles só precisam quebrar você, para mostrar quem manda”, disse ele.
Mais tarde, teve a sorte de ser identificado como alguém que sabia usar computadores e foi levado ao escritório da prisão para trabalhar em uma função administrativa. “Foi muito melhor do que ficar matando tempo entre as refeições, tentando me manter de cabeça baixa”, disse.
Uma de suas tarefas era examinar gravações de vídeo das câmeras corporais dos guardas prisionais. Ele logo percebeu que, embora muitas das gravações fossem benignas e simplesmente documentassem as rondas dos guardas, algumas pareciam mostrar abusos violentos de presidiários e eram profundamente perturbadoras.
Mais de mil vídeos vazaram no site Gulagu.net
Gulagu.net/YouTube
‘Você não pode imaginar como é’
Savelyev alega que a tortura geralmente era praticada por outros presos “especialmente treinados” e filmada por câmeras distribuídas pelos guardas. Parte de seu trabalho era deletar alguns dos vídeos, enquanto alguns, alega, “eram enviados para outro lugar, talvez para níveis mais altos”.
Ele diz que nunca viu esse tipo de abuso violento pessoalmente, mas os vídeos o chocaram profundamente. “Todos nós sabemos que há espancamentos e estupros lá dentro, mas você não pode imaginar como é até ver com seus próprios olhos”.
Savelyev levou algum tempo para processar o que estava acontecendo e descobrir como reagir.
“Vi um vídeo, depois outro, depois um terceiro e um quarto, um quinto. Então decidi que iria começar a copiá-los.”
Um vídeo parece mostrar um homem nu sendo segurado por um guarda
Gulagu.net/YouTube
Inicialmente, ele não tinha uma ideia clara do que fazer com os vídeos, mas sabia que precisava salvá-los. Em 2019, decidiu reunir os registros e depois entregá-los a uma organização de direitos humanos.
Enquanto trabalhava no escritório da prisão, Savelyev também alega ter visto as inúmeras queixas que surgiram sobre os maus-tratos a prisioneiros — o que, segundo ele, o fez perceber como o abuso era generalizado.
No início de 2021, Savelyev tomou conhecimento do Gulagu.net e ouviu o ativista Vladimir Osechkin falar em seu canal no YouTube sobre violência em presídios, inclusive no que ele estava.
Isso fez com que ele percebesse que haveria outras pessoas, possivelmente presidiários, vazando informações para a ONG. Ele sabia que a prova em vídeo também serviria a um propósito.
Refletindo sobre o furor gerado por seus vazamentos e a investigação do serviço penitenciário russo, Savelyev disse que não era suficiente demitir alguns guardas ou transferi-los para outras prisões.
Ele queria que as autoridades “explicassem por que fizeram o que fizeram”. “Só então me sentiria melhor”, conclui.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Mulher trans da Malásia é processada por usar véu muçulmano e foge para a Austrália


Três anos depois de usar um véu islâmico em uma cerimônia de orações, Nur Sajat foi processada por ter insultado o Islã. Ela fugiu para a Tailândia e, depois, para a Austrália. Imagens de Nur Sajat de um de seus perfis em redes sociais
Reprodução/@nursajat24
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Uma mulher trans da Malásia se refugiou na Austrália depois de ter sido perseguida em seu país original por ter usado um véu islâmico durante uma sessão de orações.
Nur Sajat, a mulher que fugiu de seu país, deu uma entrevista ao “New York Times” que foi publicada nesta quinta-feira (21).
Imagens de Nur Sajat de um perfil dela em redes sociais
Reprodução/@nursajat24
A Malásia tem um sistema legal duplo: os muçulmanos seguem a lei da Sharia (ou seja, baseada nos preceitos do Islã). Os outros seguem um código civil.
O governo tem apoio dos muçulmanos, e tem passado leis rígidas relativas a vida dos LGBTQI+ do país.
Sajat usou um véu muçulmano em fevereiro de 2018, para participar de uma oração durante a inauguração de um prédio na capital do país, Kuala Lumpur. Depois de três anos, ela foi processada por ter insultado o Islã e usado roupas femininas.
Veja abaixo o vídeo de uma mulher trans que acusa a Guarda Civil Municipal de São Paulo de agressão.
Mulher trans acusa GCM de agressão na Cracolândia, Centro de SP
Na segunda-feira (18) ela anunciou que havia fugido para a Austrália para não ser presa.
A pena que Sajat enfrentava na Malásia seria, provavelmente, ser enviada a um “centro de reabilitação” para pessoas trans.
O ministro de Religião do país, Idris Ahmad, afirmou que esses centros são um lugar menos rígido que prisões.
Sajat disse ao jornal que ela é de família muçulmana e que foi criada nessa religião —ela afirma que faz muita caridade, que é um dos preceitos do Islã, e que seu negócio segue as regras para ser certificado como halal (ou seja, que segue as regras do Islã).
Prisão e assédio
Segundo o jornal, em janeiro, Sajat foi convocada ao departamento de assuntos religiosos do estado onde sua empresa de bem-estar funciona. Ela disse ao “New York Times” que foi ao local com familiares.
Ela ouviu dos agentes do departamento de assuntos religiosos que eles tinham recebido reclamações sobre ela. Sajat disse que pelo menos três homens a chutaram, e que ela foi algemada e que, na corte, os homens passaram as mãos em seus seios.
A mãe de Sajat confirmou a história. A mãe teria perguntado como homens muçulmanos poderiam agir daquela forma, e os policiais afirmaram que Sajat é um homem, e portanto não haveria problema.
Sajat foi processada em uma corte da lei da Sharia e passou a noite em uma prisão masculina.
Ela chegou a protocolar uma reclamação.
Em fevereiro, ela fugiu para a Tailândia. Depois de meses, o governo tailandês afirmou que ela tinha entrado no país ilegalmente. Ela, então, conseguiu sair da Tailândia e chegou à Austrália.
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‘Foram 4 dias só com leite e água’: o drama das crianças brasileiras deportadas ao Haiti que o Brasil quer repatriar


84 crianças brasileiras foram enviadas para o Haiti pelos EUA; governo brasileiro quer trazê-las ao Brasil em dez dias. No México, há outras 1,7 mil crianças haitiano-brasileiras que podem cruzar a fronteira com os EUA a qualquer momento. O haitiano Patrick, a mulher e os dois filhos brasileiros foram deportados pelos EUA para o Haiti
BBC
As certidões de nascimento de Carlos* e Laura*, de três e um ano de idade, indicam Rondonópolis, no Estado de Mato Grosso, como a cidade em que ambos vieram ao mundo. Apesar disso, há poucas semanas, as duas crianças brasileiras foram deportadas pelo governo dos Estados Unidos para o Haiti, país de origem de seus pais, que moraram por mais de cinco anos no Brasil.
A deportação foi o ponto final de uma viagem de migração que incluiu passagens por mais de uma dezena de países, feitas de ônibus e a pé, em meio à fome e à violência.
“Na Colômbia, o homem me apontou a pistola, mas eu falei que a gente não tinha dinheiro, a gente não tem nada, e ele liberou a gente pra seguir”, relata Patrick*, o pai de Carlos e Laura, sobre a passagem pelo perigoso estreito de Darien, trajeto de 100 quilômetros em mata amazônica até o Panamá, que eles levaram 14 dias para percorrer.
Depois de atravessar o Panamá, a Costa Rica, a Nicarágua, Honduras e Guatemala, a família até tentou se estabelecer no México.
“Ali não tem serviço, tentei trabalhar, mas não tem como”. Patrick acreditava que a chegada a Del Rio, no Texas, significaria o início de uma nova vida – com emprego garantido e salário em dólar – o que permitiria sustentar a família e enviar remessas a parentes que ainda vivem no país caribenho. Não foi o que aconteceu. A família inteira foi detida pelo controle de fronteiras dos EUA.
“Foram quatro dias na cadeia. Para as crianças só deram leite e água, não deram comida. Dormia no chão frio. Um dia, às 4 da manhã, (os guardas) chamaram dizendo que iam liberar a gente, mas colocaram no avião e mandaram pra cá. Pra quê? O Haiti não tem nem presidente”, afirma Patrick*, que antes de partir do Brasil ganhava R$ 1,2 mil para desossar carne bovina em um frigorífico no centro-oeste do país e agora diz não ter dinheiro nem para as fraldas de sua bebê.
O relato de Patrick sobre as condições de tratamento por autoridades americanas coincide com o de outros migrantes haitianos na mesma condição. Fotos de guardas de fronteira montados em cavalos avançando sobre os viajantes rodaram o mundo e causaram constrangimento ao governo de Joe Biden, que ordenou a suspensão da atuação da cavalaria no trabalho com migrantes.
Repatriação de 84 crianças
Os dois filhos de Patrick são parte do contingente de 84 crianças de nacionalidade brasileira que, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), foram deportadas nas últimas semanas pelos EUA para o Haiti, em meio às mais de 8 mil expulsões que o governo americano promoveu após a chegada em massa de haitianos à fronteira.
Os EUA vivem uma crise migratória histórica: apenas no ano fiscal de 2021, mais de 1,7 milhão de pessoas foram apreendidas por agentes americanos na fronteira com o México. Diante do fluxo, o governo Biden colocou em prática a regra de expulsão sumária de migrantes criada pela gestão de Donald Trump, a propósito da pandemia de covid-19. Com o dispositivo, os EUA sequer deram aos haitianos a chance de pedir asilo ou refúgio.
Autoridades americanas ouvidas reservadamente pela BBC explicaram que a gestão Biden levou em conta o princípio da manutenção da unidade familiar e a nacionalidade dos pais no momento de definir o destino dos deportados – inclusive em casos em que os filhos tivessem cidadania diferente da de seus responsáveis.
Por isso, o governo brasileiro não foi informado de antemão pelos americanos sobre a deportação de crianças brasileiras para o Haiti. O Itamaraty informou à BBC News Brasil que desconhecia a decisão dos americanos de remeter menores brasileiros ao país caribenho e nenhum dos consulados do país nos EUA chegou a prestar assistência a essas crianças.
“Está muito evidenciado que existe uma política americana de deportação em massa de crianças e que isso não acontece para o Brasil e sim para o Haiti. O que é relevante e fundamental é que o Brasil intensifique o trabalho consular para que essas crianças não sofram deportação indevida. Se elas forem expulsas dos EUA, que sejam enviadas ao Brasil. E que o país dê assistência para trazer de volta ao Brasil aqueles que foram enviados ao Haiti”, afirmou o defensor público da União João Chaves, especialista em migração, que requereu a repatriação imediata das crianças ao Itamaraty.
Dentro do órgão de relações exteriores brasileiro, a repatriação dessas crianças brasileiras se converteu em prioridade zero. A expectativa é que as primeiras famílias, que já possuem a documentação correta, comecem a retornar ao Brasil em até dez dias. Outras podem demorar mais a embarcar, já que nem todas possuem documentos que comprovem a nacionalidade das crianças.
Falta ao Itamaraty ainda determinar como será feito o custeio da repatriação. Por lei, o Brasil pode bancar os custos de viagens dos menores brasileiros, mas não poderia financiar as passagens de seus pais, que são haitianos. “Fomos informados desses problemas e vamos avaliar com o Itamaraty se a Câmara poderia pagar a volta dos pais, como poderíamos viabilizar isso”, afirmou o Deputado João Carlos Gurgel (PSL – RJ), que, depois de o caso ter sido revelado em reportagem da BBC News Brasil, passou a acompanhar o drama dessas crianças.
Outra opção seria contar com a ajuda de organismos internacionais, como a própria OIM, que já atuou em parceria com o Itamaraty em repatriações que envolviam cidadãos brasileiros e estrangeiros, ou, mais remotamente, com uma aeronave das Forças Armadas para o transporte.
Haiti: um país em colapso
Os responsáveis por ao menos dez crianças brasileiras deportadas ao país caribenho já fizeram contato com a Embaixada Brasileira em Porto Príncipe, a capital haitiana, em busca de documentos e de informações sobre como voltar ao Brasil.
“Eu não tenho um centavo, se tivesse, eu pagava pra gente voltar pro Brasil agora mesmo”, afirma Patrick, que pretende se apresentar à Embaixada em Porto Príncipe para pedir ajuda. Ele passou alguns dias em uma casa emprestada por parentes na favela de Cité Soleil, mas nos últimos dias levou sua família para a cidade de Gonaives, porque “estava muito perigoso continuar em Porto Príncipe”.
“Não há dúvida de que, se tiverem essa opção, a maior parte dentre essas 84 famílias vão querer retornar ao Brasil”, disse à BBC News Brasil Giuseppe Loprete, chefe da missão da OIM no Haiti.
Isso porque o Haiti vive um surto de sequestros – foram mais de cem apenas em outubro – em meio a uma sangrenta disputa de poder entre gangues que tem gerado tiroteios urbanos e matado dezenas de civis.
Na semana passada, 17 missionários americanos foram sequestrados por um desses grupos armados, que pediram US$ 17 milhões em resgate. A força policial haitiana não têm condições de conter a situação e a enorme insegurança afugentou do país a ajuda internacional.
A já complexa situação do Haiti se agravou depois que o presidente do país, Jovenel Moise, foi assassinado em 7 de julho, lançando o governo em disputas de poder e crises de governabilidade. Pouco mais de um mês depois, um terremoto de grande intensidade atingiu a ilha – deixando mais de dois mil mortos. Os escombros deixados pelo terremoto acabaram inundados poucos dias mais tarde pela tempestade tropical Grace.
“O Haiti enfrenta muitas camadas de crise: a pobreza histórica, uma sequência de terremotos devastadores, a violência de gangues. E essas crianças e suas famílias chegam aqui nesse contexto, e com uma bagagem de traumas da jornada de migração. Uma delas me contou que, no começo da travessia do estreito de Darien, sentia medo ao ver cadáveres. No final da jornada, no entanto, ela já tinha visto tantos, que tinha se tornado algo comum pra ela”, afirmou à BBC News Brasil Ndiaga Seck, chefe de comunicação da Unicef em Porto Príncipe, uma das poucas organizações que seguem atuando no Haiti e prestando assistência aos deportados, como a família de Patrick.
1,7 mil crianças brasileiro-haitianas no México
Mesmo se acontecer como o esperado, a repatriação das 84 crianças hoje já deportadas para o Haiti pode não significar o fim do drama. Isso porque o Itamaraty já rastreou outras 1,7 mil crianças brasileiras, filhas de haitianos que viviam no Brasil, que estão nesse momento em território mexicano. E embora quase todas tenham feito pedidos de refúgio no México, as autoridades brasileiras sabem que a intenção dessas famílias é cruzar a fronteira dos EUA assim que a oportunidade surgir.
Ao menos desde o início de 2021, milhares de haitianos que viviam no Brasil têm deixado o país em meio à crise econômica e à desvalorização do real, que praticamente inviabilizaram as remessas dos migrantes às famílias no país caribenho.
Há um mês o governo dos EUA tem pressionado o Brasil a receber de volta haitianos que possuíssem residência ou visto humanitário no país e que tenham sido encontrados no México ou na fronteira com os EUA.
Ao menos 429 dos 8 mil haitianos recém deportados pelos EUA ao Haiti estão nessa situação. Não há, no entanto, uma definição sobre se o Brasil aceitará o retorno deles.
Essa semana, o secretário de estado americano Antony Blinken voltou a pedir por isso ao chanceler brasileiro Carlos França. No Twitter, Blinken deixou claro o recado: “Gerenciar a migração em nosso hemisfério é uma responsabilidade compartilhada. Conversei com o Ministro de Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, sobre formas de promover a migração ordeira, segura e humana”.
* O nome dos entrevistados foi alterado para garantir sua privacidade.

Fonte: G1 Mundo

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Primeira mulher maori toma assume como governadora-geral da Nova Zelândia


Filha de uma maori e de um inglês, ela disse ter orgulho de carregar seu duplo legado ao posto de governadora-geral. Cindy Kiro e Jacinda Ardern, governadora-geral e primeira-ministra da Nova Zelândia, respectivamente
Ben Mckay/Reuters
A acadêmica e ativista Cindy Kiro tornou-se a tornando-se a primeira mulher maori a ocupar o cargo de governadora-geral da Nova Zelândia. Ela foi empossada nesta quinta-feira (21).
Como governadora-geral, ela será a representante da Nova Zelândia junto à chefe de Estado, a rainha Elizabeth II.
Filha de uma maori e de um inglês, ela disse ter orgulho de carregar seu duplo legado ao posto de governadora-geral.
Esta função tem um papel, em grande parte, de natureza cerimonial. Entre suas atribuições, estão dar posse aos deputados, conceder honras e receber autoridades estrangeiras.
Cindy Kiro, de 63 anos, é uma acadêmica com experiência na defesa dos direitos das crianças e das comunidades indígenas. Ela prometeu estabelecer contato com os coletivos mais afetados pela pandemia da Covid-19. “Estamos vivendo um período de imensa incerteza e ansiedade”, disse ela, durante a cerimônia no Parlamento.
Cindy Kiro disse ainda que pretende chegar aos imigrantes, refugiados e “heróis não reconhecidos da nossa comunidade”.
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Fonte: G1 Mundo

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Polícia da Austrália oferece R$ 5,6 milhões por informações sobre garota de 4 anos que está desaparecida


A família foi acampar com a menina. Quando os pais acordaram, a garota não estava na barraca. A polícia trabalha com a hipótese de sequestro. Imagem de Cleo Smith, uma garota de 4 anos que está desaparecida na Austrália
Western Australian Police Force/Via AFP
A polícia da Austrália ofereceu US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,6 milhões) por informações que podem ajudar a encontrar uma garota de 4 anos que está desaparecida desde sábado (16).
A família da garota foi acampar no fim de semana. A menina, Cleo Smith, estava na barraca —os seus pais a viram de madrugada, mas, às 6h30, quando acordaram, a menina não estava mais lá.
Polícia da Austrália faz operação para encontrar garota de 4 anos
O caso aconteceu em um local de acampamento na cidade de Macleod.
Mapa mostra a localização da cidade de Macleon, onde a garota Cleo Smith, de 4 anos, desapareceu
g1
A polícia trabalha com a hipótese de que a menina tenha sido sequestrada, e afirmou que tem um grande medo em relação à segurança da criança.
Mais de 100 agentes foram empregados na busca.
Foram divulgadas fotos do sleeping bag e do pijama em que a garota dormia.
Imagem mostra pijama semelhante ao que Cleo Smith estava usando
Western Australia Police Force/Via AFP
Os jornais locais afirmam que a família estava na região para uma viagem de um fim de semana, mas que agora eles continuam lá.
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Fonte: G1 Mundo

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Gaby Petito: probabilidade é grande que restos mortais sejam de Brian, diz advogado da família


Noivo da influencer, que foi estrangulada e morta, está desaparecido há semanas. Brian não é acusado pelo homicídio de Petito, mas é identificado como ‘pessoa de interesse’ por autoridades. FBI encontra corpo que pode ser de Brian Laundrie, namorado de Gabby Petito
Após o FBI revelar que encontrou restos mortais em um parque na Flórida, nos Estados Unidos, junto a pertences do noivo da influencer Gabby Petito, o advogado da família de Brian Laundrie afirmou que “a probabilidade é grande que sejam os restos mortais de Brian”.
A declaração foi dada na quarta-feira (20) por Steven Bertolino, advogado da família Laundrie, ao apresentador da rede de televisão CNN Chris Cuomo.
“É muito triste — você pode imaginar como pai — encontrar os pertences de seu filho ao lado dos restos mortais. Isso deve ser de partir o coração. E posso dizer que eles estão de coração partido”, afirmou Bertolino.
O FBI não confirma oficialmente a morte de Brian, que está desaparecido desde a morte de Gabby Petito e é considerado “pessoa de interesse” pelas autoridades que investigam o assassinato da influencer.
Ele não foi acusado formalmente pelo crime, mas foi indiciado em 23 de setembro por ter usado o cartão de débito da jovem após o seu desaparecimento, o que é ilegal.
Gabby Petito e namorado Brian Laundrie durante viagem nos EUA em foto de fevereiro de 2021
Reprodução/Instagram
Influencer morta
Gabrielle “Gabby” Petito foi encontrada morta em 20 de setembro, em um parque no estado de Wyoming. Seus pais procuraram a polícia após ela não responder a ligações nem mensagens de texto por vários dias.
Ela e Brian estavam viajando pelo país em uma van quando ocorreu a tragédia, e Petito tinha ficado famosa por documentar a viagem com o noivo (veja no vídeo abaixo), por isso sua morte causou grande comoção nos EUA.
Gabby Petito: sumiço e morte de influenciadora causam comoção nos EUA
Petito deixou o emprego em julho e registrava a viagem principalmente no Instagram. Um vídeo publicado no YouTube, em que o casal aparece sorrindo, se beijando e correndo na praia, já foi visto milhões de vezes.
A perícia concluiu que a jovem de 22 anos foi estrangulada de três a quatro semanas antes de seu corpo ser encontrado, e Brian sumiu antes da descoberta do assassinato (veja mais abaixo).
Buscas por Brian
Os noivos Brian Laundrie e Gabby Petito em foto de 2 de julho de 2020
Reprodução/Instagram
Brian e Petito partiram de Long Island, a terra natal de Petito, e viajaram por parques nacionais do oeste americano.
A aventura foi originalmente planejada para durar quatro meses (até novembro), mas Laundrie voltou sozinho para a casa da sua família, na Flórida, em 1º de setembro.
A família de Petito reportou seu desaparecimento 10 dias depois, e a polícia iniciou as buscas pela jovem — que foi encontrada morta semanas depois no Wyoming.
Brian passou então a ser tratado como “pessoa de interesse” na investigação e foi indiciado por usar o cartão da noiva após a sua morte, o que possibilitaria a sua prisão caso fosse encontrado pela polícia.
Dias depois, a família de Brian reportou seu desaparecimento, dizendo que ele havia saído para caminhar no dia 14 de setembro e nunca mais voltou.
Desde então, a polícia procura por Brian.
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Fonte: G1 Mundo