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Os polêmicos ‘robôs policiais’ que vigiam cidadãos em Singapura


Máquinas emitem avisos contra quem se envolve em ‘comportamentos sociais indesejáveis’; elas foram testadas durante três semanas em setembro. Máquinas emitem avisos contra quem se envolve em ‘comportamentos sociais indesejáveis’
Getty Images via BBC
Fumou em área proibida? Estacionou a bicicleta indevidamente? Violou as regras de distanciamento social implementadas por causa da pandemia de coronavírus?
Se você mora em Singapura, no sudeste asiático, você pode estar sendo observado por um robô-patrulha que emite aviso contra quem se envolve em “comportamentos sociais indesejáveis”.
Trata-se da mais recente arma incorporada ao arsenal de tecnologia de vigilância da cidade-estado, onde a população é rigidamente controlada.
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Um exemplo famoso em todo o mundo é a restrição às gomas de mascar.
Quem for flagrado jogando chiclete na rua ou carregando grandes quantidades do produto pode ser multado em até mil dólares (cerca de R$ 5,5 mil).
Os robôs-patrulha, por enquanto, estão sendo apenas testados, mas já alimentam preocupações com a privacidade.
Singapura se tornou um exemplo mundial de vigilância, com várias ferramentas para rastrear seus habitantes, de câmeras de segurança a postes de luz equipados com tecnologia de reconhecimento facial.
O teste foi feito durante três semanas no mês passado. Os robôs, apelidados de ‘Xavier’, foram enviados para patrulhar um conjunto habitacional e um shopping center.
As máquinas são dotadas de sete câmeras e alertam a população quando detectam “comportamentos sociais indesejáveis”.
Robô foi colocado em centro com movimentação intensa de pedestres
Edgar Su/Reuters
Isso inclui fumar em áreas proibidas, estacionar bicicletas indevidamente e violar as regras de distanciamento social.
Durante uma patrulha recente, um dos robôs entrou em um conjunto habitacional e parou em frente a um grupo de moradores idosos assistindo a uma partida de xadrez.
“Por favor, mantenha uma distância de um metro, por favor, mantenha cinco pessoas por grupo”, alertou uma voz robótica, enquanto uma câmera em cima da máquina apontava seu olhar para eles.
Liberdades individuais
As autoridades de Singapura defendem uma visão de “nação inteligente” hipereficiente e voltada para a tecnologia, mas ativistas dizem que a privacidade está sendo sacrificada e as pessoas têm pouco controle sobre o que acontece com seus dados.
Singapura é frequentemente criticada por restringir as liberdades civis e sua população está acostumada a controles rígidos, mas ainda há um desconforto crescente com tecnologias invasivas.
A ativista de direitos digitais Lee Yi Ting lembra que os dispositivos são apenas a forma mais recente de vigilância no país.
“Tudo isso aumenta a sensação de que as pessoas em Singapura devem ser muito mais cuidadosas com o que dizem e fazem do que em outros países”, disse ela em entrevista à agência de notícias AFP.
Mas o governo defendeu o uso de robôs, dizendo que eles não estavam sendo usados​​ para identificar ou tomar medidas contra os infratores durante o período de testes, e que eram necessários para lidar com uma crise de trabalho conforme a população do país envelhece.
“A força de trabalho está realmente diminuindo”, disse Ong Ka Hing, da agência governamental que desenvolveu os robôs ‘Xavier’, acrescentando que eles poderiam ajudar a reduzir o número de policiais necessários para patrulhas a pé.
A ilha de cerca de 5,5 milhões de habitantes tem 90 mil câmeras de vigilância, um número que deve dobrar até 2030, e tecnologia de reconhecimento facial — que ajuda as autoridades a identificar rostos na multidão — pode ser instalada em postes de luz em toda a cidade.
Houve uma rara reação pública neste ano, quando as autoridades admitiram que os dados de rastreamento de coronavírus coletados por um sistema oficial foram acessados pela polícia. Posteriormente, o governo aprovou uma legislação para limitar seu uso.
Mas os críticos dizem que as leis da cidade-estado geralmente impõem poucas limitações à vigilância do governo, e os cingapurianos têm pouco controle sobre o que acontece com os dados coletados.
“Não há restrições de privacidade sobre o que o governo pode ou não pode fazer”, disse Indulekshmi Rajeswari, advogado de proteção de dados de Singapura que agora mora na Alemanha.

Fonte: G1 Mundo

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Índia recomenda vacina Covaxin contra Covid-19 para crianças a partir de 2 anos


País vacinou totalmente cerca de 29% dos 944 milhões de adultos elegíveis, de acordo com dados do governo, que incluem a aplicação de mais de 110 milhões de doses da Covaxin, da Bharat Biotech. A empresa, no entanto, ainda está em processo de garantir seu nome em lista de uso emergencial da OMS. Harsh Vardhan, ministro da Saúde da Índia, segura dose da Covaxin, vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Bharat Biotech, em foto de 16 de janeiro
Adnan Abidi/Reuters
A Índia recomendou nesta terça-feira (12) o uso emergencial da vacina contra Covid-19 da Bharat Biotech para a faixa etária de 2 a 18 anos, no momento em que o segundo país mais populoso do mundo expande sua campanha de vacinação para incluir crianças.
O país vacinou totalmente cerca de 29% dos 944 milhões de adultos elegíveis, de acordo com dados do governo, que incluem a aplicação de mais de 110 milhões de doses da Covaxin, da Bharat Biotech.
A empresa, no entanto, ainda está em processo de garantir seu nome em uma lista de uso emergencial da Organização Mundial da Saúde, uma decisão que é esperada para o final deste mês.
Sem a aprovação da OMS, a vacina de duas doses dificilmente será aceita como uma vacina válida em todo o mundo.
Vários países têm trabalhado para autorizar vacinas para crianças. Os Estados Unidos liberaram a vacina da Pfizer para crianças a partir de 12 anos e o painel consultivo do regulador dos EUA se reunirá no final deste mês para discutir a vacina para crianças entre 5 e 11 anos de idade.
Embora a Covid-19 seja conhecida por geralmente causar doença leve em crianças, existe o risco de complicações raras pós-doença.
“Crianças com comorbidades devem ser vacinadas o mais rápido possível, agora que uma vacina com imunogenicidade em crianças e um grande banco de dados de segurança em adultos está disponível”, disse o Dr. Gagandeep Kang, professor do Christian Medical College, Vellore.
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Fonte: G1 Mundo

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VÍDEO: Pombo fica preso em fio elétrico e é resgatado com drone

Policiais grudaram uma faca ao equipamento para cortar a linha que prendia o pombo. Segundo moradores, animou tentou se soltar por mais de 12 horas. Policiais usam drone para resgatar pombo preso à fiação elétrica no Peru
Policiais de Lima, no Peru, usaram a criatividade para resgatar um pombo que havia ficado preso a um barbante em um fio elétrico na última segunda-feira (11). A solução encontrada por eles foi colocar uma faca em um drone para cortar a linha.
No vídeo, é possível observar o pombo tentando, sem sucesso, tirar o pé do barbante que estava no fio elétrico. Segundo a agência Reuters, moradores da região afirmaram que ele estava preso por mais de 12 horas.
Para tirá-lo de lá, os policiais usaram fita adesiva para grudar a faca ao drone. Depois disso, o trabalho foi realizar a manobra com cuidado para cortar o barbante.
Após se soltar, o pombo caiu em um telhado próximo. Um morador ajudou a cortar o resto da linha que ainda estava no pé da ave. Depois do ocorrido, o animal foi levado pelos moradores a um abrigo.
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Fonte: G1 Mundo

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Em queda após eleições no Iraque, partidos pró-Irã denunciam ‘fraude’


Aliança da Conquista, segunda força do atual parlamento iraquiano, caiu de 48 para 10 assentos, segundo a AFP. Grupo rejeita resultados e alega haver manipulação de votos. Outdoor de Moqtada al-Sadr em rua de Bagdá, no Iraque. Seu grupo é apontado como vencedor de eleições legislativas.
Reuters/Wissam Al-Okaili
Em queda após as eleições legislativas antecipadas no Iraque, os partidos xiitas pró-Irã endureceram o tom nesta terça-feira (12) e prometeram tomar as “medidas” necessárias para anular o que chamam de “fraude”.
Os resultados provisórios divulgados pela comissão eleitoral na segunda-feira (11), um dia depois das eleições, indicam como vencedora a corrente do líder xiita Moqtada al-Sadr. Ele lutou contra as tropas americanas no passado e defende hoje uma retórica anti-Irã.
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Segunda força no atual parlamento iraquiano, a Aliança da Conquista, que representa ex-integrantes da força paramilitar Hachd al-Chaabi (Mobilização Popular), caiu de 48 para 10 assentos, de acordo com resultados compilados pela AFP.
Aliada do Irã, a Aliança deve, porém, seguir influente. Em nota, a coordenação que reúne vários partidos xiitas, incluindo a Aliança da Conquista, rejeitou os resultados preliminares e pretende “apelar”.
“Tomaremos todas as medidas disponíveis contra a manipulação de votos”, garantiu.
O Iraque convive desde 2019 com um movimento de contestação popular contra o governo e contra a influência de Teerã, capital iraniana.
Reivindicando mais de 70 assentos entre os 329 do parlamento iraquiano, os aliados de Moqtada al-Sadr têm quase certeza de que serão a primeira força após as eleições.
No entanto, a comissão eleitoral começou a registrar recursos de candidatos insatisfeitos. Em algumas assembleias de voto, as células ainda estão sendo contadas.
Observação internacional
Questionada sobre as acusações de fraude, a chefe da missão de observação da União Europeia, Viola von Cramon, declarou hoje que a votação foi “calma e ordenada”.
“Nada, em nível técnico, na maioria das assembleias de voto (…), confirma esta avaliação [de fraude]”, estimou em coletiva de imprensa.
As eleições legislativas, as quintas desde 2003 e a queda de Saddam Hussein após a invasão americana, foram marcadas por uma abstenção recorde.
A baixa taxa de participação (41%) era esperada em um país onde a opinião pública rejeita um sistema político corrupto: apesar da imensa riqueza do petróleo, um terço da população é pobre e os serviços públicos são precários.
A votação era para ser “uma oportunidade de mudar o cenário político. A maioria aparentemente não acreditou nesta oportunidade”, acrescentou Von Cramon, vendo-a como “uma mensagem clara à elite política”.
Se a vitória dos aliados de Moqtada al-Sadr for confirmada, o grupo seguirá como a maior força do parlamento iraquiano, podendo influenciar negociações sobre a escolha do novo primeiro-ministro.
Outra tendência é o avanço da Aliança do Estado de Direito do ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki (pró-Irã), que reivindica 30 assentos. Por sua vez, o partido Taqadom, do chefe do Parlamento Mohamed al-Halboussi – um sunita –, diz ter obtido cerca de 40 assentos.
As eleições de domingo estavam inicialmente previstas para 2022. Prometidas pelo primeiro-ministro Moustafa al-Kazimi, foram antecipadas para acalmar a contestação de 2019.
Reprimido violentamente – pelo menos 600 mortos e 30 mil feridos – o movimento perdeu força. Dezenas de ativistas foram vítimas de sequestros e assassinatos. Os manifestantes apontam para facções armadas leais ao Irã.

Fonte: G1 Mundo

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Jornalista de extrema-direita tem ascensão meteórica em pesquisas e ameaça reeleição de Macron na França


Éric Zemmour, jornalista de extrema-direita, ainda não é candidato a Presidência da França, mas sua rápida ascensão nas pesquisas já o coloca como favorito a chegar no segundo turno contra Macron daqui a seis meses. Éric Zemmour em foto de 22 de abril
Joel Saget/AFP
Éric Zemmour, um jornalista francês de extrema-direita novato na política, está embaralhando a disputa eleitoral para a Presidência da França com uma ascensão meteórica nas pesquisas a seis meses do pleito.
Conhecido por suas declarações polêmicas em relação aos imigrantes e ao islã, que já resultaram em várias ações na Justiça, Zemmour ainda nem é oficialmente candidato, mas recentemente foi catapultado ao segundo turno na preferência em pesquisas, ultrapassando a líder da direita radical Marine Le Pen.
SANDRA COHEN: O incendiário da extrema direita francesa que faz Marine Le Pen parecer moderada
Desde a última eleição presidencial na França, em 2017, todas as pesquisas eleitorais indicavam que a votação no ano que vem seria novamente muito disputada, como em 2017, entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen, do partido de extrema-direita Rassemblement National (Reunião Nacional), o antigo Front National fundado por seu pai, Jean-Marie Le Pen.
O surgimento inesperado de Zemmour na disputa vem enfraquecendo e eclipsando a candidatura de Marine Le Pen e abrindo novas possibilidades.
Marine Le Pen, do partido nacionalista Reunião Nacional, pede votos contra a coalizão de Emmanuel Macron nas eleições europeias
Philippe Huguen/AFP
O polemista já havia ultrapassado o candidato mais cotado da direita republicana, Xavier Bertrand. Na última pesquisa Harris Interactive para a revista Challenges, Zemmour chegaria ao segundo turno com 17% dos votos, deixando pela primeira vez Le Pen para trás com 15%. Macron se mantém na liderança com 24%. Considerada a margem de erro, Zemmour, Le Pen e Bertrand poderiam ir para a disputa final.
Em menos de um mês, Zemmour dobrou seus resultados nas pesquisas, passando de 7% a 17% das intenções de votos. O polemista vem recuperando eleitores de Le Pen e da direita republicana e estaria também atraindo o interesse de pessoas desiludidas com a política que não votam mais. Eleições locais e regionais vêm batendo recordes de abstenção no país.
Uma nova pesquisa divulgada nesta segunda-feira, do instituto Ifop, revela o quanto a disputa para o segundo turno ficou acirrada desde a possível entrada do polemista no jogo eleitoral. Neste novo resultado, Bertrand da direita republicana, e Le Pen estão empatados com 16%. Zemmour registra 14%. Embora com menos intenções de votos do que os rivais diretos e ainda dentro da margem de erro, o jornalista continua sua ascensão, com dois pontos percentuais a mais do que na pesquisa anterior, enquanto Le Pen perde dois pontos.
Bandeiras da União Europeia são vistas a meio mastro na sede do bloco em Bruxelas, na Bélgica, em homenagem às vítimas do ataque em Nice, na França, onde um caminhão atropelou centenas de pessoas deixando mais de 80 mortos
François Lenoir/Reuters
Para alguns analistas, o fato de Marine Le Pen ter atenuado seu discurso e abandonado projetos – como a saída da França da União Europeia (Frexit) e da zona do euro – para atrair um número maior de eleitores fez que com que a líder da direita radical deixasse de ser vista como uma candidata antissistema.
A mudança de postura de Le Pen, que incluiu a troca do nome do Front National como forma de tentar apagar a imagem xenófoba, racista e extremista da época de seu pai, faz parte da estratégia chamada na França de “desdiabolização” do partido. Especialistas argumentam que se trata apenas de um estilo de comunicação, com discurso mais brando, já que o programa do atual Reunião Nacional se mantém radical, com os mesmos fundamentos da época de seu pai e suas ideias ultraconservadoras.
O partido de Le Pen já vinha perdendo velocidade, com resultados decepcionantes nas últimas eleições municipais e regionais, onde não conseguiu conquistar nem uma região, contrariando as previsões.
Incitação ao ódio racial e religioso
Zemmour, que até setembro era colunista do Le Figaro e do canal de TV CNews – visto como uma emissora de opinião e não de notícias, onde ideias de extrema-direita têm amplo espaço – tem sido comparado a Jean-Marie Le Pen. Como o fundador do Front National, Zemmour acumula na Justiça processos por incitação ao ódio racial e religioso e discriminação racial, embora só tenha sido condenado duas vezes. O próprio Jean-Marie Le Pen declarou que votará no polemista se ele tiver mais chances do que sua filha na disputa eleitoral.
Zemmour deixou suas atividades jornalísticas para percorrer o país promovendo, em clima de pré-campanha eleitoral, o lançamento de seu livro A França não disse sua última palavra, que já vendeu cerca de 165 mil exemplares em apenas três semanas. No período de quase dois anos em que foi o principal comentarista de um programa da CNews, a audiência do horário foi multiplicada por dez.
Favorável “filosoficamente” à pena de morte, Zemmour coleciona declarações polêmicas, muitas delas alvo de ações na Justiça. Segundo ele, todos os muçulmanos considerariam os jihadistas que cometem atentados em nome da religião como “bons muçulmanos”, os empregadores teriam o direito de recusar trabalhadores árabes ou negros e os imigrantes seriam todos “ladrões, assassinos e estupradores”.
Na sua visão, os franceses também não poderiam ter o direito de dar nomes árabes aos seus filhos, como “Mohammed”, o rap seria uma “subcultura de analfabetos” e o poder político deveria ficar apenas nas mãos de homens, caso contrário ele seria “dilapidado.”
‘Declínio francês’
Os principais responsáveis dos males da França, na visão de Zemmour, são a imigração e o islã. Ele vem ganhando espaço com suas declarações sobre o “declínio francês” e a difusão da teoria conspiratória chamada “grande substituição” (“grand remplacement”), propagada por movimentos de extrema-direita que defendem a identidade nacional.
Eles alardeiam que a população francesa e europeia se tornará minoritária em razão de políticas de imigração que tornarão os muçulmanos majoritários na Europa, o que provocaria grandes mudanças no modo de vida e na cultura ocidental.
Ele apresenta a França de um modo trágico, insistindo na ideia de que os franceses têm razão de ter medo. A França seria a vítima e, o islã, o agressor. Os atentados islamistas seriam uma “guerra de civilizações.” O julgamento dos ataques de novembro de 2015 em Paris, que ocorre atualmente, irá se desenrolar durante todo o período da campanha eleitoral.
A perda de soberania da França é outro tema, ligado ao “declínio francês”, explorado pelo polemista e que acabou ganhando destaque nesta campanha presidencial. Zemmour, Le Pen e candidatos potenciais ou declarados da direita republicana querem revisar a Constituição francesa em nome da “soberania nacional” e da luta contra a imigração e questionam o direito europeu, afirmando que a França deveria ter “liberdade de manobra” nessa questão.
Os temas explorados por Zemmour acabam encontrando eco em parte da população francesa que vê o futuro com pessimismo e medo. Antes da pandemia, a França já havia vivido durante meses violentos protestos dos chamados “coletes amarelos”, que reivindicavam melhorias no nível de vida.
Uma pesquisa do instituto Ifop divulgada em julho revela que 72% dos franceses acredita que o país está efetivamente em declínio. Um estudo divulgado em abril, realizado pela Revista Política e Parlamentar e a consultoria Pollingvox, aponta que a grande maioria dos franceses vê como ameaça mais imediata a possibilidade de uma crise financeira com graves consequências sociais. Os problemas de delinquência e de imigração também estão entre os principais temores para mais de 70% dos franceses, de acordo com a publicação.
Para Bruno Cautrès, professor do Cevipof (Centro da Vida Política Francesa) da universidade Sciences Po, o surgimento da figura de um líder que se vê carismático e que aproveita momentos de crise para influenciar a população tem ocorrido em vários países. Ele cita os exemplos do presidente Jair Bolsonaro, do ex-presidente americano Donald Trump e do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán.
“Vemos essa tendência em inúmeras democracias que atravessam uma série de crises, sejam econômicas, de imigração, de Covid-19, que geram tensões nos eleitores e dão uma espécie de crédito às pessoas que manipulam os fatos, com uma grande capacidade para contar histórias aos cidadãos”, afirmou à BBC News Brasil.
“Zemmour conseguiu captar algo na opinião pública, uma angústia em relação ao país e questionamentos sobre os problemas e dificuldades da França. Por que a crise dos coletes amarelos? Por que não havia máscaras no início da pandemia? Por que não há vacina francesa contra a Covid-19?”, disse à BBC News Brasil Bruno Cautrès,
“Ele captou isso e propôs um diagnóstico”, mas isso não é suficiente para ganhar uma eleição presidencial”, acrescenta o cientista político.
Voto de protesto
A seis meses da eleição presidencial, Zemmour não tem programa nem partido e não se sabe o que ele pensa sobre outros temas que não sejam a imigração, o islã e a questão da identidade nacional. Ele tem ainda um grande desafio: conseguir reunir 500 assinaturas de políticos do país, geralmente prefeitos, para apresentar uma candidatura.
O polemista vem repetindo que Marine Le Pen não tem condições de ganhar a presidencial. Para Cautrès, esse argumento vale para o jornalista. “Quem tem a intenção de votar em Zemmour não é para presidente da República que eles votam. É a expressão de uma raiva contra a imigração.”
A ascensão de Zemmour mostra, segundo Cautrès, que há um problema importante na estruturação da vida política francesa. “É como se o sistema partidário não conseguisse mais responder a um certo número de demandas e de desafios. Vemos que pessoas que se lançam individualmente conseguem perturbar consideravelmente o sistema partidário”, diz ele.
O estudo da Revista Política e Parlamentar/Pollingvox revela que 72% dos franceses têm mais confiança em si mesmos ou em pessoas próximas do que nas autoridades públicas e no Estado para protegê-los. O principal sintoma dessa crise da democracia é a abstenção nas eleições. Para uma parte do eleitorado, os franceses teriam se tornado impotentes diante das instituições.
Zemmour tem movimentado as redes sociais, conquistando apoio entre jovens. O polemista diz se inspirar de Napoleão Bonaparte e é conhecido por citar inúmeras referências históricas que muitas vezes pegam seus interlocutores de surpresa, deixando-os sem reação.
Ele também interpreta à sua maneira eventos históricos com declarações polêmicas. Para Zemmour, que é judeu, o regime de Vichy, durante a ocupação nazista, teria protegido os judeus. A realidade histórica é que milhares de judeus da França foram enviados para campos de concentração. Ele foi absolvido em primeira instância no processo por negação de crime contra a humanidade.
Imagem retirada de vídeo do pronunciamento do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre a tomada do poder no Afeganistão pelo Talibã, na segunda-feira (16)
Christophe Archambault/AFP
As mudanças no cenário da eleição presidencial por conta da possível candidatura de Zemmour podem representar um problema para Macron, que teria sua presença assegurada no segundo turno, segundo todas as pesquisas. De acordo com analistas, o pior cenário para ele seria uma disputa final com o candidato da direita republicana, Xavier Bertrand. Nesse caso, Macron perderia eleitores da direita tradicional que ele vem se empenhando em conquistar durante seu mandato e correria o risco de não compensar isso com votos da esquerda.

Fonte: G1 Mundo

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China anuncia US$ 233 milhões para novo fundo para proteger biodiversidade em países em desenvolvimento

Anúncio foi durante a cúpula de biodiversidade COP15, na China, onde diplomatas, cientistas e conservacionistas devem apresentar as bases de um acordo global para interromper e reverter a destruição da natureza, a ser finalizado em maio do próximo ano. A China anunciou nesta terça-feira (12) a criação de fundo de US$ 233 milhões para proteger a biodiversidade nos países em desenvolvimento, durante negociações sobre um novo pacto global pós-2020 para lidar com a perda de espécies.
“A China tomará a iniciativa de estabelecer o Fundo da Biodiversidade de Kunming com uma contribuição de 1,5 bilhão de yuans (US$ 233 milhões) para apoiar a conservação da biodiversidade nos países em desenvolvimento”, anunciou o presidente chinês, Xi Jinping, durante a COP15 realizada em Kunming, no sudoeste da China.
Diplomatas, cientistas e conservacionistas estão se reunindo para apresentar as bases de um acordo global para interromper e reverter a destruição da natureza, a ser finalizado em maio do próximo ano.
“A China convida (…) todas as partes a contribuírem para o fundo”, acrescentou.
O presidente chinês falou em uma “cúpula de alto nível” organizada de forma virtual, com discursos pré-gravados dos presidentes russo Vladimir Putin, francês Emmanuel Macron, costarriquenho Carlos Alvarado e turco Recep Tayyip Erdogan, cujo país sediará a COP16 da biodiversidade.
Devido à pandemia de Covid-19, a COP15 foi dividida em duas partes, uma neste mês e uma segunda que reunirá fisicamente as delegações dos 196 membros da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) em abril e maio de 2022, também na China, para selar as negociações. Uma sessão intermediária ocorrerá em Genebra, em janeiro.
Essas discussões dizem respeito ao estabelecimento de um novo marco para a proteção da natureza, prejudicada pelas atividades humanas, até 2050, com uma etapa em 2030.
“Estamos perdendo nossa guerra suicida contra a natureza”, alertou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.
Ele advertiu que “o colapso dos ecossistemas pode custar quase três trilhões de dólares por ano até 2030”, impactando principalmente os países pobres.
“A COP15 é a nossa chance de um cessar-fogo, com a COP26 sobre o clima”, que será realizada em novembro em Glasgow, acrescentou.
A questão do financiamento é um dos principais pontos de conflito, com os países em desenvolvimento pedindo aos países desenvolvidos que paguem por sua transição.
O texto em negociação na COP15 prevê reorientar e eliminar subsídios ambientalmente prejudiciais “de pelo menos US$ 500 bilhões por ano”, e “aumentar os recursos financeiros, de todas as fontes, para pelo menos US$ 200 bilhões por ano (…) aumentando os fluxos financeiros internacionais para os países em desenvolvimento em pelo menos US$ 10 bilhões por ano”.
Para alguns países, o Fundo Global para o Meio Ambiente (EGF) é a ferramenta adequada para financiar ações em favor da biodiversidade.
“Todas as fontes, especialmente aquelas provenientes de fundos existentes, como o Fundo Global para o Meio Ambiente, mas também fundos climáticos, devem, portanto, ser mobilizadas para proteger, administrar de forma sustentável e restaurar a biodiversidade”, defendeu o presidente francês Emmanuel Macron.
A França se comprometeu a “dedicar 30% de seu financiamento climático internacional à biodiversidade”, lembrou o chefe de Estado, conclamando outros países a fazerem o mesmo.
O anúncio feito pela China “é um primeiro passo bem-vindo”, comentou Georgina Chandler, da ONG Royal Society for Protection of Bird, mas a soma de 233 milhões de dólares está “longe de ser suficiente”.
Em setembro, organizações filantrópicas, incluindo as de Jeff Bezos e Mike Bloomberg, prometeram US$ 5 bilhões para proteger a natureza.

Fonte: G1 Mundo

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Morre, aos 54 anos, o rinoceronte-branco mais velho do mundo


Toby será embalsamado e exibido no museu de ciências MuSe de Trento, onde se juntará a Blanco, um leão branco do zoológico que morreu há cinco anos. Morreu, aos 54 anos, o rinoceronte-branco mais velho do mundo
Parco Natura Viva/ Divulgação
Toby, o rinoceronte-branco mais velho do mundo, morreu aos 54 anos em um zoológico no norte da Itália, informou uma porta-voz do estabelecimento nesta terça-feira (12).
“Ele desmaiou no caminho de volta para seu abrigo noturno e depois de cerca de meia hora seu coração parou”, disse à AFP Elisa Livia Pennacchioni, do Parco Natura Viva, um zoológico perto da cidade de Verona, no norte do país.
Toby será embalsamado e exibido no museu de ciências MuSe de Trento, onde se juntará a Blanco, um leão branco do zoológico que morreu há cinco anos, disse Pennacchioni.
Rinocerontes-brancos normalmente vivem até os 40 anos quando em cativeiro e até 30 anos na natureza.
A morte de Toby, após o falecimento de sua companheira Sugar em 2012, deixa o Parco Natura Viva com apenas um rinoceronte-branco: Benno, de 39 anos.
Toby era um rinoceronte-branco do sul, que depois do elefante é o maior mamífero terrestre, medindo até 2 m de altura e 4 m de comprimento e pesando mais de 3.500 kg.
Pertence a uma das cinco espécies de rinocerontes que não são consideradas ameaçadas de extinção, com uma população estimada em cerca de 18.000, de acordo com WWF.
No entanto, apenas dois espécimes da subespécie do rinoceronte-branco do norte sobrevivem no mundo, em uma reserva natural do Quênia, que são monitorados 24 horas por dia por guardas armados, disse o grupo ambientalista.

Fonte: G1 Mundo

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Centenas de pessoas são retiradas de casa com ameaça de lava em La Palma, na Espanha

Ocorreram 64 movimentos sísmicos nesta terça-feira, o mais forte medindo 4,1, disse o Instituto Geológico Nacional da Espanha. Casa pega fogo com avanço da lava em La Palma
Mais de 700 moradores receberam ordens de abandonar suas casas nesta terça-feira (12) na ilha espanhola de La Palma, enquanto a lava incandescente avançava em direção à região onde moram.
Conforme o rio de magma derretido descia do vulcão Cumbre Vieja, no nordeste das Ilhas Canárias, as autoridades ordenaram que entre 700 e 800 habitantes de La Laguna saíssem de casa com seus pertences e animais de estimação, de acordo com o Plano de Emergência Vulcânica das Ilhas Canárias (Pevolca).
“Fomos obrigados a esvaziar uma nova área. A lava avança lentamente. As pessoas precisam de tempo para levar seus documentos, seus objetos pessoais e qualquer coisa de valor”, disse Miguel Angel Morcuende, diretor técnico do Pevolca.
Ocorreram 64 movimentos sísmicos nesta terça-feira, o mais forte medindo 4,1, disse o Instituto Geológico Nacional da Espanha.
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O aeroporto de La Palma permaneceu aberto, mas 11 voos foram cancelados nesta terça-feira e outros foram atrasados, disse a operadora do aeroporto AENA.
No início desta terça-feira, autoridades suspenderam um lockdown ordenado por causa de uma nuvem de fumaça sobre duas aldeias causada pela erupção, permitindo a saída de mais de 3.000 moradores.
O vulcão, em atividade desde 19 de setembro, já deixou um saldo de mais de 1,1 mil casas destruídas e devastou quase 600 hectares no total, segundo as autoridades..
Segundo o serviço de emergências, mais de 6 mil pessoas precisaram deixar seus lares.
Imagem mostra casa sendo envolvida por lava do vulcão em La Palma

Fonte: G1 Mundo

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Mãe dá facada em bebê na frente de policial e é presa nos EUA


Ela discutia com familiares sobre a custódia do filho. Com a chegada da polícia, americana se exaltou e esfaqueou a criança que foi levada para um hospital e não corre risco de vida. Cierra Dyer foi presa após esfaquear o filho de um ano de idade em frente a um policial nos EUA
Cadeia de Pitt County
Uma mulher foi presa após dar uma facada nas costas do seu filho de um ano em frente a um policial nos Estados Unidos, informaram as autoridades na segunda-feira (11).
Cierra Dyer, de 21 anos, é moradora de Greenville, no estado da Carolina do Norte, e discutia com familiares sobre a guarda do bebê quando a polícia foi chamada.
Com a chegada dos agentes, a americana se exaltou e esfaqueou a criança que foi levada imediatamente para um hospital e não corre risco de vida.
Ela foi detida na hora e responderá por tentativa de homicídio e por maus-tratos infantis. A Justiça estipulou fiança de US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 8,2 milhões) para ela poder responder em liberdade.
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Fonte: G1 Mundo

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Londres cancela queima de fogos do Ano Novo pelo segundo ano consecutivo devido à pandemia


Tradicional celebração poderá ser substituída por um show ao ar livre. Queima de fogos no Ano Novo de Londres, na Inglaterra, na virada de 2019 para 2020
ADRIAN DENNIS / AFP
Apesar de a Inglaterra ter 68% de sua população completamente vacinada contra a Covid-19, Londres cancelou pelo segundo ano consecutivo a queima de fogos de artifício para celebrar o Ano Novo.
“Devido à incerteza causada pela pandemia de Covid-19, nosso famoso show de Ano-Novo não acontecerá este ano nas margens do Tâmisa”, anunciou um porta-voz do prefeito de Londres, Sadiq Khan, nesta terça-feira (12).
Antes da pandemia, a capital inglesa atraía multidões para assistir à tradicional queima de fogos na margem sul do rio Tâmisa, ao lado da roda gigante London Eye.
Em 2020, o evento foi substituído por um show de luzes.
Para este ano, a prefeitura londrina prevê fazer outras celebrações para este Réveillon, mas ainda está estudando as formas de evento mais interessantes para o contexto de vigilância sanitária e em pleno inverno no hemisfério norte.
Uma das possibilidades, segundo o jornal britânico “The Sun”, será um show ao ar livre na praça Trafalgar.
Governo Johnson cometeu graves erros durante a pandemia
O anúncio do cancelamento do Ano Novo em Londres acontece no mesmo dia em que foi divulgado um longo e duro relatório parlamentar sobre a gestão da pandemia da Covid-19 no Reino Unido.
O documento conclui que a atuação tardia do governo de Boris Johnson e com grandes erros, em relação à pandemia, levou a milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas.
Parlamento britânico aponta ‘fracasso’ do governo ao evitar lockdown no início da pandemia
O país de 67 milhões de habitantes somou, até o momento, 138 mil mortes devido ao coronavírus durante a pandemia, segundo números compilados pelo Our World in Data.
“As decisões sobre contenção e distanciamento social tomadas nas primeiras semanas da pandemia constituem um dos maiores fracassos de saúde pública que o Reino Unido já viu”, afirmam os parlamentares no documento.
Apesar de a primeira infecção por coronavírus no Reino Unido ter sido registrada ainda em janeiro de 2020, até o dia 23 de março, aponta o relatório, os ministros “apenas procuraram moderar a velocidade da infecção” na população em vez de parar completamente sua propagação, com a expectativa da criação de imunidade de rebanho com base na infecção massiva dos britânicos.
De acordo com um relatório de duas comissões parlamentares após meses de audições, “milhares de mortes poderiam ter sido evitadas” se o governo conservador de Boris Johnson tivesse agido mais rapidamente.
Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, participa de coletiva de imprensa sobre a pandemia em Londres nesta terça-feira (26(
Justin Tallis/Pool via Reuters
Grandes erros e acertos
O ministro responsável pela coordenação governamental, Steve Barclay, reagiu ao relatório e afirmou que todas as decisões do governo foram tomadas a partir de consultas aos conselhos científicos.
Em relação ao lockdown, ele afirmou que “na época, havia o receio de que se nos confinássemos muito cedo, (a população) não aceitaria permanecer confinada por um longo período”, o que não foi o caso, reconheceu.
Além de apontar as falhas, o relatório destaca o sucesso da campanha de vacinação no país, que começou em dezembro de 2020 e, neste momento, vacina a toda população com mais de 12 anos.
“A resposta do Reino Unido tem sido uma combinação de grandes erros e grandes acertos”, como o programa de vacinação, afirmaram em uma declaração conjunta os presidentes dos dois comitês responsáveis pelo relatório, os eurodeputados conservadores Greg Clark e Jeremy Hunt.

Fonte: G1 Mundo