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Rainha Elizabeth II aparece em público com bengala pela 1ª vez desde 2004


Naquele ano, ela havia passado por uma cirurgia no joelho. Rainha, que está no trono há quase sete décadas, compareceu nesta terça a uma celebração na Abadia de Westminster do centenário da Royal British Legion, que apoia soldados e veteranos do Exército. Rainha Elisabeth II
Frank Augstein / POOL / AFP
A rainha Elizabeth II foi vista caminhando nesta terça-feira (12) com uma bengala, usando o acessório pela primeira vez em um compromisso público desde 2004, quando foi submetida a uma cirurgia no joelho.
A rainha de 95 anos, vestida com um conjunto azul combinando, compareceu a uma celebração na Abadia de Westminster para marcar o centenário da Royal British Legion, uma organização de apoio aos soldados e veteranos do Exército.
Para entrar na abadia não usou a entrada principal, mas uma alternativa para andar menos.
Rainha Elisabeth II
Frank Augstein / POOL / AFP
Na saída da Abadia, a rainha, muito sorridente, caminhou carregando um buquê de flores na mão direita e empunhando a bengala com a esquerda.
O Palácio de Buckingham não quis comentar.
Rainha desde os 25 anos, Elizabeth II está no trono há quase sete décadas. Seu marido, o príncipe Philip, morreu em 9 de abril, aos 99 anos.
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Fonte: G1 Mundo

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Catástrofe de Esmirna: como Turquia expulsou gregos incendiando uma cidade há quase cem anos


Em setembro de 1922, o bairro grego em Esmirna foi consumido pelas chamas em um dos golpes mais duros para a sobrevivência da comunidade helênica no extinto Império Otomano. Catástrofe de Esmirna: como Turquia expulsou gregos incendiando uma cidade há quase cem anos
Domínio público
No início do século passado, havia, na costa ocidental do que hoje é a Turquia, uma cidade majoritariamente grega banhada pelo Mar Mediterrâneo.
Esmirna era uma próspera cidade onde os turcos eram minoria. Representavam menos de um terço da população, formada majoritariamente por gregos cristãos. Ambos os grupos conviviam com comunidades menores de armênios e judeus.
O que seus habitantes não sabiam era que o multiculturalismo que caracterizava a metrópole deixaria de existir duas décadas depois — e que aquela cidade milenar passaria a se chamar Izmir, tradução para o turco do nome grego original.
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Em agosto de 1922, depois de vencer a batalha final de Dumlupinar na Guerra Grego-Turca, o Exército de Mustafa Kemal Atatürk — considerado o “pai da Turquia moderna” — deu um passo a mais na direção do objetivo de diminuir a influência helênica em Anatólia — a península na Ásia que compõe a maior parte do território da atual Turquia, também chamada de Ásia Menor.
A batalha de Dumlupinar, além de marcar o fim do sangrento conflito, que se estendeu de 1919 a 1922, representou o começo do fim da presença grega na Ásia Menor.
Milhares de refugiados correram para a orla de Esmirna em busca de refúgio quando a cidade estava em chamas
Getty Images
Ao expulsar as forças gregas do que era o Reino da Grécia, Atatürk também começou a retirar uma grande quantidade de gregos étnicos, algo que depois se institucionalizou e foi denominado “o intercâmbio de populações entre Grécia e Turquia”.
Diante desse intercâmbio de população, estipulado pelo Tratado de Lausanne, de 1923, cerca de 1,5 milhão de cristãos ortodoxos gregos — muitos dos quais nunca haviam vivido fora do que é hoje o território turco — foram expulsos da região. Um número menor de muçulmanos foi deportado da Grécia para a Turquia.
Catástrofe de Esmirna
Um dos episódios mais obscuros do que alguns chamam, de forma polêmica, de “o genocídio grego” foi o incêndio de Esmirna, que ocorreu pouco depois, também conhecido como Catástrofe de Esmirna.
“Foi o maior golpe que já sofreu o helenismo e um dos maiores para o cristianismo”, disse à BBC Mundo Vasilios Meichanetsidis, coautor do livro The Genocide of the Ottoman Greeks (O Genocídio dos Gregos Otomanos), uma análise sobre a “campanha de extermínio” dos cristãos da Ásia Menor “patrocinada pelo Estado”.
Apesar de Atatürk ter sido um líder autoritário, a maioria na Turquia tem uma opinião favorável a seu respeito
Getty Images
Meichanetsidis afirma que o incêndio de Esmirna foi um golpe inclusive mais poderoso que a queda de Constantinopla, em 1453, porque com ele “o helenismo e o cristianismo foram exterminados” do Império Otomano “por completo e para sempre”.
O incêndio começou na tarde de 13 de setembro — quatro dias depois que o Exército de Atatürk havia entrado em Esmirna, depois da saída das tropas gregas —, no bairro armênio da cidade (que agora se chamava Basmane). O fogo estendeu-se rapidamente devido ao forte vento que soprava naquele dia.
Além disso, segundo historiadores, as autoridades fizeram muito poucos esforço para apagar as chamas.
A destruição dos bairros grego e armênio
“Uma das primeiras pessoas a notar o início do fogo foi Minnie Mills. (…) Ela acabava de terminar seu almoço quando percebeu que um dos edifícios vizinhos estava em chamas. Ela ficou em pé para ver de mais perto e se surpreendeu com o que presenciou”, relata o historiador britânico Giles Milton em seu livro Paradise Lost: Smyrna 1922 (Paraíso Perdido: Esmirna 1922).
Minnie Mills, na época diretora do Instituto Americano para Meninas da cidade, disse ao autor que viu um oficial turco entrar em uma casa com pequenas latas de petróleo ou gasolina, e pouco depois a casa estava em chamas.
Ela não foi a única testemunha do instituto. “Nossos professores e meninas viram turcos com uniformes de soldados comuns e alguns com uniformes de oficiais. Eles usaram pedaços de pau grandes, com panos nas pontas que eles punham numa lata com líquido e que depois levaram às casas, que pouco depois estavam queimadas”, afirmou Mills.
A cidade de Esmirna em chamas em 14 de setembro de 1922
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No dia seguinte do início do incêndio, milhares de refugiados se reuniram nas docas de Esmirna buscando refúgio numa cidade que estava em chamas. Segundo historiadores, o calor do fogo era tão intenso que muitos temiam que os refugiados poderiam morrer.
“Durante toda a manhã, podia-se ver o brilho e depois as chamas da ardente Esmirna”, relata o tenente americano Aaron Stanton Merrill no livro Fires of Hatred (Fogos de Ódio), de Norman Naimark.
“Chegamos aproximadamente uma horas antes do amanhecer, e a cena era indescritível. A cidade inteira estava em chamas (…) Milhares de refugiados desabrigados iam e vinham no cais escaldante, prisioneiros do pânico até o ponto da loucura. Era doloroso escutar os gritos dilacerantes das mulheres e das crianças.”
O incêndio durou nove dias e destruiu completamente os bairros habitados por gregos e armênios. Os setores muçulmano e judeu não sofreram danos.
Existem diferentes relatos e informações sobre quem foram os responsáveis pelo incêndio.
Mas hoje a maioria dos especialistas concorda que os soldados turcos atearam fogo a residências e estabelecimentos comerciais gregos e armênios. Algumas fontes em favor dos turcos sustentam que foram os gregos e armênios que atearam fogo em seus próprios bairros para abalar a reputação turca.
‘A cidade tinha que queimar’
“Há controvérsias sobre o tema, mas a maioria dos historiadores, sejam eles ocidentais, gregos e inclusive turcos, agora admitem que foram as tropas de Atatürk. De acordo com a ideologia turca da época, a cidade tinha que queimar”, afirma Vasilios Meichanetsidis.
“Os turcos estavam determinados a criar um Estado moderno turco, onde não haveria minorias, todos seriam turcos, turcos muçulmanos. Inclusive os curdos viveram esse processo de ‘turquização’ dentro dessa ideia nacionalista”, acrescenta.
O Império Otomano era um império cosmopolita, multiétnico e multirreligioso, e para muitos “kemalistas” (como se chamavam os seguidores de Kemal Atatürk) essa foi uma das causas de seu desmembramento.
A ideia de Atatürk era convencer essas etnias e grupos religiosos diferentes de que seguiriam formando parte da República Turca sob o conceito de que havia somente uma etnia, no sentimento cívico da palavra, referindo-se à “turquidade”: a qualidade de ser turco.
Segundo Meichanetsidis, a queima de cidades e povos já ocorria na península de Anatólia havia dez anos.
“Os turcos chegavam a esses lugares, massacravam os armênios ou os gregos que encontravam e depois queimavam o lugar para evitar que algum refugiado pudesse retornar.”
Antes de seu incêndio, Esmirna era uma das cidades mais cosmopolitas do Império Otomano, com habitantes gregos, armênios, do Levante, judeus, turcos otomanos, ingleses, americanos e franceses, entre outras nacionalidades.
Era uma cidade que já não cabia na Turquia que estava por nascer.
Durante mais de 3 mil aos, os gregos haviam vivido no território que hoje corresponde à Turquia, e até os últimos dias do Império Otomano ainda havia uma importante comunidade helênica que dominava grande parte do comércio na Ásia Menor.
O processo para “turquizar” e islamizar uma cidade do tamanho de Esmirna não era nada fácil. Entretanto, a guerra greco-turca deu aos kemalistas uma oportunidade de ouro.
A herança grega: apagada ou transformada
Estima-se que, antes do incêndio de Esmirna, cerca de 2 milhões de gregos viviam em Anatólia.
Mas, depois do incêndio e especialmente depois do intercâmbio de populações em 1923 e dos Distúrbios de Istambul de 1955, a população grega foi reduzida dramaticamente.
Atatürk transformou Hagia Sophia, que era uma igreja ortodoxa, em museu em 1935 — no ano passado, o governo de Tayyip Erdogan deu sinal verde para os planos de convertê-la em mesquita
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“Atualmente existem menos de 2 mil em todo o país. Em Esmirna há alguns poucos que se instalaram na cidade recentemente. Depois dos acontecimentos de 1922, passou a ser difícil para os gregos ficar em Esmirna”, afirma o historiador Vasilios Meichanetsidis, referindo-se à cidade que hoje se chama Izmir.
Muitos monumentos e lembranças da herança que os gregos deixaram na Turquia desapareceram ou foram transformados com o passar do tempo.
“Hoje existem muito poucas recordações do passado grego na Turquia, sobretudo em Esmirna, porque o incêndio devorou todo o bairro da comunidade nessa cidade.”

Fonte: G1 Mundo

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Xianzi: A ativista ícone do #MeToo que está sendo silenciada na China


Justiça chinesa arquivou “por falta de provas” ação que acusava um dos apresentadores mais conhecidos do país de assédio sexual dentro de um camarim. A vida de Xianzi, de 28 anos, mudou notavelmente desde que seu caso foi noticiado
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Xianzi, uma das ativistas mais famosas da China, parece exausta. “Desculpe. Chorei pelos últimos 30 minutos”, disse ela à BBC, falando por telefone de Pequim.
É o dia seguinte à decisão de um tribunal chinês que arquivou “por falta de provas” uma histórica ação de assédio sexual contra ela, em meados de setembro. Xianzi se tornou um dos rostos mais conhecidos da versão chinesa do movimento #MeToo.
Ela sente que chegou a um beco sem saída, mas pensa em entrar com um recurso judicial.
Antes da conversa por telefone, Xianzi havia tentado entrar em contato com seus simpatizantes através do Weibo, o “Twitter chinês”. Na rede social, a jovem de 28 anos encontrou apoio.
Mas tanto ela quanto seus simpatizantes foram bloqueados no Weibo depois da audiência judicial. Ao se dar conta de que estava isolada de sua comunidade, Xianzi teve uma crise de choro.
“As contas são suspensas frequentemente. Não há como fazer contato. Nos últimos três anos as feministas chinesas estão sendo separadas.”
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Uma repressão crescente
Em 2018, quando o #MeToo se popularizou na China, Xianzi — cujo nome real é Zhou Xiaoxuan, mas mais conhecida pelo pseudônimo — foi uma das muitas mulheres que começaram a divulgar relatos de assédio sexual.
Em um ensaio de 3.000 palavras que acabou viralizando, ela acusou Zhu Jun, um apresentador da TV estatal CCTV, de assediá-la sexualmente em 2014, quando visitou o camarim com o objetivo de fazer uma entrevista.
Naquele momento, ela trabalhava como estagiária e tinha 21 anos, enquanto Zhu já era um rosto conhecido para dezenas de milhões de telespectadores por apresentar o programa do ano novo chinês, uma das maiores audiências televisivas no mundo.
Em outro texto publicado algum tempo depois, Xianzi deu mais detalhes, acusando o apresentador de tocá-la repetidamente por 50 minutos e de beijá-la à força, apesar das tentativas de impedir os avanços.
Ela relata que se sentiu congelada de medo e de vergonha e que não conseguiu alertar as pessoas que entravam e saíam do camarim. Disse que só deixou o local quando Zhu conversava com alguém, o que permitiu a ela “recobrar o sentido”.
Zhu Jun é uma estrela da TV chinesa
Reuters
O apresentador sempre negou as acusações. Disse que é vítima de uma campanha para desprestigiá-lo e que suportou “uma tremenda humilhação”.
Xianzi foi à polícia no dia seguinte ao ocorrido.
Mas ela diz que foi informada que Zhu era um exemplo nacional de “energia positiva” e protagonizava uma campanha estatal para promover o bom comportamento, portanto não deveria ter a reputação manchada. Disseram que ela deveria se calar.
Ela obedeceu, até que chegou o movimento #MeToo, em 2017.
O #MeToo (eu também) é o nome de um movimento iniciado de forma viral como hashtag nas redes sociais. Surgiu em outubro de 2017 para denunciar agressão e abuso sexual.
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O caso ganhou ainda mais notoriedade quando Zhu entrou com uma ação contra Xianzi por difamação. Como resposta, ela foi à Justiça sob alegação de que havia “violação dos direitos de personalidade”, usando uma lei que naquele momento era o mais próximo a uma proteção contra o assédio sexual.
Desde então, a vida de Xianzi mudou.
Nascida em uma família de classe média de Wuhan, ela se mudou para Pequim para estudar direção cinematográfica quando tinha 18 anos e foi trabalhar como roteirista.
Ela deixou o emprego e tem vivido os últimos três anos com reservas financeiras e ganhos esporádicos por trabalhos como escritora independente. Seu advogado está cobrando um valor mínimo pelo caso.
Censura nas redes
Xianzi se concentrou em sua batalha jurídica e na campanha por vítimas de assédio sexual — muitas delas a procuraram para pedir conselhos nas mídias sociais, onde ela tem mais de 300 mil seguidores.
Ao mesmo tempo, os esforços das autoridades para censurá-la se intensificaram, encerrando discussões e proibindo Xianzi de publicar no Weibo. A expressão “coelho de arroz”, o equivalente chinês à hashtag #MeToo, também foi eliminada das redes.
No começo, Xianzi conseguia enganar a censura repassando seus textos a seguidores — que publicavam os ensaios em suas contas. Mas logo esses perfis eram desativados.
Xianzi também se converteu rapidamente em alvo de críticas, com blogueiros nacionalistas acusando-a de mentir e de “conveniência com forças estrangeiras” para gerar controvérsias. Recentemente, um comentário sobre seu caso no jornal estatal “Global Times” afirmou que forças ocidentais usavam o movimento #MeToo para “destruir a sociedade chinesa”.
E há as derrotas na Justiça. Segundo Xianzi, um tribunal se recusou a classificar sua ação como um caso de assédio sexual depois que entrou em vigor uma nova regra judicial.
Também disse que durante sua audiência foram dadas poucas oportunidades de se pronunciar sobre o caso e bloqueados esforços para apresentar provas – como imagens de vídeo de fora do camarim e uma foto de um encontro com o apresentador Zhu.
No mesmo ano do ocorrido, 2014, ela entregou um vestido à Justiça chinesa que havia sido usado no dia de seu encontro com Zhu. O exame inicial não encontrou traços de DNA dele. Quando foi pedido um novo exame da peça, a Justiça afirmou que o vestido havia se perdido.
Não houve também uma convocação de Zhu para depor sobre o caso.
Xianzi disse que está exausta e não saber se terá coragem de lutar mais anos no caso
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Um especialista no sistema judiciário chinês, Darius Longarino, disse a BBC que considera os argumentos do tribunal “poucos convincentes”.
Algumas pessoas na China acreditam que há “motivações políticas” por trás das decisões.
Além de tudo isso, Xianzi ainda precisa enfrentar a ação por difamação que exige uma compensação de 650 mil yuans, o equivalente a US$ 100 mil.
A BBC tentou entrar em contato com Zhu e sua defesa, mas não recebeu resposta.
Tudo isso tem cobrado um preço de Xianzi. Em um vídeo compartilhado por simpatizantes na semana passada, ela aparece abatida enquanto fala a apoiadores na saída de um tribunal em Pequim.
“Tinha 21 anos quando isso aconteceu. Agora tenho 28 e estou tão cansada… não sei se tenho coragem de lutar mais 3 anos”, afirmou.
Xianzi hoje tem 28 anos e está cada vez mais sob pressão
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Seus amigos ativistas, sua família e seu namorado têm sido vitais para dar apoio emocional, disse ela à BBC.
Mas a terapia mais eficaz para ela tem sido falar com amigos e escrever ensaios sobre o caso. “Falar cura”, afirmou, por isso que a censura crescente é tão dolorosa.
“Se as pessoas são proibidas de falar que estão machucadas, então realmente estão tratando de destruí-las”, declarou Xianzi. “Não entendo o mal que eu fiz. Por que querem me destruir?”
Uma carga pesada
O caso de Xianzi é o segundo de grande repercussão nacional nas últimas semanas que teve seu curso interrompido dentro da Justiça chinesa.
No começo de setembro, os promotores retiraram acusações feitas contra um empregado da gigante tecnológica Alibaba, suspeito de estuprar uma colega alcoolizada durante uma viagem de trabalho. As investigações policiais haviam concluído que o homem havia “cometido indecências”.
Ele foi demitido da Alibaba e preso por 15 dias.
Poucos casos de assédio sexual chegam aos tribunais chineses. Segundo especialistas jurídicos, é necessário provas muito conclusivas, como vídeos e fotografias do ato em si, para que os casos sejam aceitos.
“As vítimas sentem que não têm outra saída a não ser levar o caso a público, o que reflete o fracasso dessas instituições para atender casos do tipo. Uma vítima não deveria precisar fazer um post no Weibo para que seu empregador leve o caso a sério”, diz Aaron Halegua, da Faculdade de Direito da Universidade de Nova York.
Mas isso as torna vulneráveis a ações de difamação por parte dos acusados — e estudos de situações do tipo mostram que a derrota judicial por parte das vítimas é frequente.
Em janeiro entrou em vigor um novo código civil na China. O artigo 1.010 especifica de forma mais clara que uma pessoa pode entrar com uma ação se foi molestada sexualmente e que instituições e organizações devem tomar medidas para evitar esses casos e investigar eventuais ocorrências.
Quando o novo código foi anunciado no ano passado houve a sensação de que era um avanço. Mas as vítimas de assédio sexual têm enfrentado uma realidade diferente, e o sistema legal parece enviar uma “mensagem contraditória”, disse Darius Longarino, da Faculdade de Direito de Yale.
“Há muito mais desvantagens do que vantagens em entrar com uma ação, o que cria um efeito aterrorizante”, declara.
‘Juntos persistimos’
O resultado do caso de Xianzi foi um óbvio revés para o movimento #MeToo na China, dizem ativistas. Alguns veem como um amargo panorama das crescentes dificuldades para as vítimas.
A ativista Liang Xiaowen disse à BBC que um grupo feminista de 300 integrantes no aplicativo de bate-papo WeChat foi silenciado pouco depois do julgamento do caso de Xianzi. Os membros ainda podem postar no grupo, mas ninguém consegue ver as mensagens uns dos outros.
“Você está isolado, mas nem se dá conta”, disse Xiaowen.
O lado positivo do caso de Xianzi é o legado, pois a consciência sobre os direitos das mulheres na China aumentou consideravelmente.
“O #MeToo é importante pela sua rebeldia, é uma das poucas vozes significativas que ainda se expressam na China”, afirmou a feminista veterana Lu Pin. “E não pode desaparecer porque ela expressa experiências reais vividas por mulheres chinesas.”
Xianzi declarou que seu caso representou “avanços” na luta por justiça e que ela planeja entrar com um recurso contra a decisão do caso.
“Juntos persistimos. Já é uma vitória”, afirmou.

Fonte: G1 Mundo

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Acidente de ônibus deixa 28 mortos no Nepal

Maior parte das vítimas eram estudantes e trabalhadores que retornavam à Índia após visitarem o país durante um feriado nacional. Um acidente de ônibus deixou ao menos 28 pessoas mortas no Nepal nesta terça-feira (12), informaram as autoridades locais.
O veículo seguia viagem por uma estrada da província de Karnali, no centro-oeste do país, e tinha a capacidade para levar até 42 passageiros.
Segundo a agência chinesa de notícias Xinhua, que citou fontes oficiais, ao menos mais 14 pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para hospitais da região.
O chefe da polícia regional disse à agência chinesa que a maior parte das vítimas seria de estudantes e trabalhadores que estavam voltando para a Índia após visitar o país durante um feriado nacional.
Os acidentes de trânsito são comuns no Nepal devido ao mau estado das estradas e veículos e à imprudência dos motoristas.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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Morre aos 101 anos Eddie Jaku, sobrevivente do Holocausto e autor de ‘O Homem Mais Feliz do Mundo’


Judeu alemão radicado na Austrália, Eddie Jaku sobreviveu à Noite de Cristais de 1938, ao encarceramento nos campos de Buchenwald e Auschwitz, a Josef Mengele e à ‘Marcha da Morte’. Judeu alemão radicado na Austrália, Eddie Jaku sobreviveu à Noite de Cristais de 1938, ao encarceramento nos campos de Buchenwald e Auschwitz, a Josef Mengele e à ‘Marcha da Morte’
KATHERINE GRIFFITHS
Sobrevivente ao Holocausto e autor do livro de memórias “O Homem Mais Feliz do Mundo”, Eddie Jaku, de 101 anos, morreu nesta terça-feira (12) na Austrália. O primeiro-ministro Scott Morrison prestou homenagem à decisão de Jaku de “fazer de sua vida um testemunho de como a esperança e o amor podem triunfar sobre o desespero e o ódio”.
O Museu Judaico de Sydney postou uma homenagem à memória de Jaku no Twitter:
“O falecimento do sobrevivente do Holocausto Eddie Jaku deixou enorme vazio no coração da ‘família’ do Museu Judaico de Sydney. O impacto de Eddie, como o ‘homem mais feliz do mundo’, será sentido nas gerações vindouras”, afirmou, lembrando uma frase de Eddie que diz: ‘”Esta é a minha mensagem, enquanto eu viver, ensinarei a não odiar.”
O Conselho Judaico de Nova Gales do Sul o descreveu como um “farol de luz e esperança” e “um homem que será lembrado por sua resistência diante das adversidades e pela alegria que o seguiu.”
‘Felicidade dobra quando se compartilha’, as lições de sobrevivente do Holocausto ao completar 100 anos
“A Austrália perdeu um gigante com o falecimento do sobrevivente do Holocausto, Eddie Jaku, 101. Ele dedicou sua vida a educar outras pessoas sobre os perigos da intolerância e a importância da esperança. Marcado pelo passado, ele apenas olhou para frente. Que sua história seja contada para as gerações futuras”, disse o tesoureiro e líder do partido liberal Josh Frydenberg.
Livro
O livro The Happiest Man on Earth (O Homem Mais Feliz do Mundo, em tradução livre) foi lançado poucos meses depois dele completar 100 anos, em abril de 2020.
“Vivi por um século e sei o que é encarar o mal de frente. Vi o pior da humanidade, os horrores dos campos de extermínio, os esforços nazistas para exterminar minha vida e as vidas de todo o meu povo. Mas agora me considero o homem mais feliz da Terra”, diz ele.
Eddie Jasceu nasceu Abraham Jakubowicz em Leipzig, Alemanha, em 1920 em uma família amorosa que se considerava “alemães em primeiro lugar, e judeus apenas em (sua) casa”.
Jaku era o único aluno judeu na escola local que frequentou.
“A Alemanha era um país civilizado. As crianças da minha escola vinham à minha casa e comeram conosco. Não havia distinção porque sempre fomos alemães em primeiro lugar”, conta.
No entanto, tudo isso mudou quando Adolf Hitler chegou ao poder.
“Como é possível? Meus amigos viraram assassinos. Eu tinha orgulho de ser alemão, achava que vivia no mais civilizado e educado país da Europa”, diz.
Quando Eddie voltou do internato em 9 de novembro de 1938 para surpreender seus pais em seu 20º aniversário de casamento, não havia ninguém em sua casa. Era a Kristllnacht, a ‘Noite dos Cristais’, uma onda de agressões contra judeus em várias regiões da Alemanha e da Áustria — o nome faz alusão aos milhões de pedaços de vidro partidos que encheram as ruas depois das janelas das lojas, edifícios e sinagogas judaicas terem sido destruídas.
Sem saber onde estava sua família, Jaku adormeceu em seu quarto. Às 5h da manhã, a porta foi arrombada por soldados nazistas. Jaku foi espancado.
“Dez nazistas invadiram minha casa, fui espancado. Perdi minha dignidade, minha fé na humanidade. Meu cachorro veio me defender e eles o mataram com uma baioneta. E gritaram: cachorro judeu!”
Eddie foi levado para o campo de concentração de Buchenwald. Quando ele perguntou à enfermeira sobre a possibilidade de fugir, ela lhe disse: “Se você fugir, eles encontrarão seus pais e os matarão”.
Após a libertação de Buchenwald, Eddie e seu pai fugiram para a Bélgica e depois para a França, onde ele foi novamente encarcerado. Após 11 meses em um campo, Jaku e outros prisioneiros foram colocados em um trem para Auschwitz. Ele liderou a fuga de nove homens através do assoalho do trem e voltou para a Bélgica, vivendo ilegalmente em um sótão com seus pais e irmã.
Em outubro de 1943, a família foi descoberta a partir de uma denúncia anônima e presa.
Jaku e sua família suportaram uma viagem exaustiva de nove dias de trem, sobrevivendo com apenas dois copos de água por dia, para Auschwitz, na Polônia, onde sua mãe, de 43 anos, e seu pai, de 50, foram assassinados em uma câmara de gás.
Ele foi poupado, sendo marcado como um “judeu economicamente indispensável” por Josef Mengele, o ‘Anjo da Morte’. Mengele era um oficial alemão da Schutzstaffel (SS) e médico no campo de concentração de Auschwitz, um dos membros mais notórios da equipe responsável pela seleção das vítimas a serem mortas nas câmaras de gás e por realizar experimentos humanos mortíferos em prisioneiros.
Jaku conta que, quando chegou ao campo, a família foi separada. Ele bem que tentou aderir ao grupo em que seu pai estava ― o destino, ele não sabia naquele momento, seria a câmara de gás, mas acabou retirado da fila por um guarda.
Jaku sobreviveu graças às excelentes habilidades mecânicas que seu pai, engenheiro mecânico, insistiu que ele aprendesse ― razão pela qual ele foi enviado ao internato aos 13 anos para Tuttlingen, então considerado o epicentro da engenharia de precisão da Alemanha, graduando-se como aprendiz de fabricante de ferramentas cinco anos depois.
Por causa disso, os nazistas o recrutaram para fazer instrumentos cirúrgicos quando viram como ele poderia transformar qualquer coisa, de um pedaço de arame a uma colher, em uma ferramenta útil. Jaku trocaria sua experiência em engenharia por comida extra. Em Auschwitz, ele se reencontrou com seu amigo de Buchenwald, Hirschfeld, mas não tinha ideia se sua irmã Henni havia sobrevivido à seleção de Mengele.
Em 18 de janeiro de 1945, ele e Hirschfeld foram acordados às 3 da manhã e enviados junto com outros milhares de prisioneiros para a chamada ‘Marcha da Morte’ de Auschwitz no auge do inverno, enquanto as forças soviéticas se aproximavam para libertar esta área da Polônia controlada pelos alemães.
Ambos escaparam, mas foram separados, e Jaku foi recapturado pelos nazistas e colocado para trabalhar em uma linha de montagem, consertando caixas de engrenagens para máquinas de guerra em Buchenwald. Ele escapou novamente, se escondendo em uma caverna na Floresta Negra, onde foi descoberto delirando de fome e perto da morte por soldados americanos em junho de 1945, tendo passado os últimos meses da guerra comendo pouco mais do que lesmas e caramujos.
No fim do conflito, ele pesava apenas 28 quilos e estava gravemente doente com cólera e febre tifóide. Uma vez recuperado, ele voltou para a Bélgica, onde se reuniu com seu amigo Hirschfeld e, eventualmente, sua irmã Henni, que havia sobrevivido sem que ele soubesse, em outra parte de Auschwitz.
Um dia, ele levou seu vale-refeição à prefeitura municipal de Bruxelas e se apaixonou à primeira vista pela mulher que distribuía a comida racionada, uma judia belga chamada Flore.
Graças à resistência belga, Flore havia fugido para Paris, onde vivia com um nome falso, sem ninguém saber de sua origem. No retorno a Bruxelas, ela fez questão de se encontrar e conversar com todos os sobreviventes dos campos de concentração que procuravam as autoridades em busca de ajuda. Eles se casaram em 20 de abril de 1946.
Jaku jurou nunca mais pisar em solo alemão e migrou para a Austrália em 1950, junto com Flore, a mãe dela, Fortunee, e sua irmã Henni. Eles fixaram residência em Brighton-Le-Sands e outro filho do casal, Andre, nasceu.
Inicialmente, Flore trabalhou como costureira e Jaku como mecânico, além de fazer instrumentos de precisão. No início dos anos 1960, eles venderam a oficina e passaram a trabalhar juntos como corretores imobiliários ― ambos se aposentaram recentemente, na casa dos 90 anos, tendo atuado lado a lado por 40 anos. Eles vivem atualmente em um lar para idosos.
A amizade de Jaku com Hirschfeld durou toda a vida. Este último também se casou na Bélgica em 1946 e mais tarde mudou-se para Israel; eles mantiveram contato por carta e tiveram a oportunidade de se ver algumas vezes antes da morte recente de Hirschfeld.
Jaku diz que levou cerca de 30 anos para ser capaz de falar sobre o Holocausto.
“50% da minha sobrevivência foi por sorte. 50% foi sabendo quando falar, quando não falar. Você não briga quando está em cativeiro. Muitos não aguentaram e se lançaram no arame farpado, se eletrocutaram. Eu eu pensei: alguém tem que sobreviver”, diz.
Segundo ele, o livro é também um recado aos mais jovens.
“Vejo famílias sendo destruídas, jovens que não olham para as flores. Uma flor é meu jardim”, conclui.

Fonte: G1 Mundo

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Taxa de transmissão do coronavírus no Brasil é a menor desde início da medição, aponta Imperial College


Taxa começou a ser medida em abril de 2020. Índice ficou em 0,60 nesta semana; a mais próxima do número era de novembro, quando chegou a 0,68. Manifestantes protestam contra o governo em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, no dia 8 de outubro, dia em que o Brasil ultrapassou os 600 mil mortos na pandemia de Covid-19.
Evaristo Sá/AFP
A taxa de transmissão do coronavírus no Brasil alcançou, nesta semana, o menor índice desde abril de 2020, quando começou a ser medida: 0,60, segundo o Imperial College de Londres. O dado foi atualizado na segunda-feira (11).
Na prática, isso quer dizer que cada 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 60. Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (de até 0,79) ou menor (de 0,24). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 79 ou 24, respectivamente.
O que explica queda abrupta de casos de Covid-19 na América do Sul e no Brasil
Simbolizado por Rt, o “ritmo de contágio” é um número que traduz o potencial de propagação de uma doença: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. Quando é menor, ela recua.
O número mais próximo da taxa atual havia sido medido em novembro do ano passado, com 0,68. A data, entretanto, coincide com o apagão de dados que atrasou a atualização de casos e mortes por Covid-19 pelo Ministério da Saúde. Como o índice também considera esses dados, isso afeta as estimativas.
Outro ponto é que o Brasil faz poucos testes. Isso pode indicar uma piora na capacidade em achar casos da doença (o que influencia a estimativa da taxa de transmissão).
Número de testes realizados para identificar casos de Covid-19 caiu 34% em abril no estado de SP
Avanço da vacinação e manutenção de medidas
Por outro lado, especialistas já apontaram que o avanço da vacinação também contribui para a diminuição do número de novos casos. Hoje, 70% da população brasileira já recebeu a primeira dose da vacina, e cerca de 47% já tomou ambas as doses (ou a dose única).
Em setembro, o Brasil viu o menor número de mortes por Covid desde novembro de 2020.
Mesmo assim, ainda não é possível deixar de lado as outras medidas de combate ao coronavírus –como o uso de máscaras, o distanciamento físico – principalmente evitando aglomerações –, optar por espaços abertos e bem ventilados e a higiene das mãos.
Vacina e Covid-19: Preciso usar máscara e evitar aglomerações mesmo depois de vacinado?
Em entrevista à BBC News Brasil, o médico Ciro Ugarte, diretor de Emergências Sanitárias da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da OMS para as Américas, alertou que a queda nos casos e nas mortes por Covid-19 não pode servir de pretexto para relaxar com as medidas.
“Quando os casos diminuem, é sinal que estamos fazendo as coisas certas. Ou seja, implementamos medidas de saúde pública, que comprovadamente continuam a funcionar”, destaca.
“O pior que poderia nos acontecer agora, que estamos com menos casos, seria aliviar as medidas. Isso aumentaria a oportunidade para que o vírus fosse transmitido de pessoa para pessoa”, acrescentou.
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Fonte: G1 Mundo

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Parlamento britânico aponta resposta do governo à pandemia como um dos maiores fracassos do Reino Unido


Gabinete liderado por Boris Johnson demorou a agir para decretar bloqueios e errou ao tentar alcançar a imunidade de rebanho, diz relatório de comissão parlamentar. Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, participa de coletiva de imprensa sobre a pandemia em Londres nesta terça-feira (26(
Justin Tallis/Pool via Reuters
O primeiro veredito sobre a resposta do governo britânico à pandemia do novo coronavírus é contundente: trata-se de um dos maiores fracassos da saúde pública de todos os tempos, de acordo com um relatório parlamentar de 150 páginas divulgado nesta terça-feira (12).
O gabinete liderado por Boris Johnson demorou a agir e a determinar o primeiro bloqueio, controles de fronteiras e rastreamento do vírus, causando mais mortes do que o necessário. O documento foi publicado um ano após a comissão composta por 12 deputados conservadores, oito trabalhistas e dois nacionalistas escoceses ter sido anunciada.
Eles integram o Comitê de Saúde, Assistência Social, Ciência e Tecnologia do Parlamento britânico e apontaram o caminho errado traçado pelo governo: tentar controlar a situação, alcançando a imunidade de rebanho.
Parlamento britânico aponta ‘fracasso’ do governo ao evitar lockdown no início da pandemia
Enquanto vizinhos europeus enfrentavam o confinamento, o Reino Unido procurava administrar o surto do novo coronavírus como se fosse uma gripe. Esta abordagem lenta e gradual claramente mostrou-se ineficaz, já que o vírus se propagou rapidamente, custando milhares de vidas, segundo explicita o texto:
“Havia um desejo de evitar um bloqueio por causa do imenso dano que isso causaria na economia, nos serviços normais de saúde e na sociedade. Na ausência de estratégias, como isolamento rigoroso de casos, um teste significativo, operações de rastreamento e controles de fronteira robustos, um bloqueio total era inevitável e deveria ter ocorrido antes.”
Baseado em depoimentos de 50 testemunhas, o documento procura não apontar culpados. Eles deverão surgir na investigação de uma comissão independente de inquérito, prometida pelo premiê britânico para ser lançada no primeiro semestre de 2022.
Esta comissão deverá ser liderada por um juiz, a ser nomeado até o fim do ano, e terá formato diferente em relação ao comitê parlamentar: tem mandato para obter qualquer documento oficial e obrigar o comparecimento de testemunhas.
Pessoas chegam para tomar vacina contra Covid-19 no Poet’s Corner, dentro da Abadia de Westminster, em Londres, em foto de 10 de março
Stefan Rousseau/PA via AP
Johnson se fia no sucesso da segunda etapa da pandemia, com bloqueios efetivos e vacinação em massa, para obter o perdão dos britânicos.
O Reino Unido contabiliza 150 mil mortos por Covid-19, seus indicadores ficam aquém dos de vizinhos. O relatório redigido pelos parlamentares evidencia que o Reino Unido desperdiçou sua liderança, transformou a crise sanitária em permanente, calcado na ideia do anglocentrismo, que induzia a resultados melhores em relação a outros países.
A resposta lenta, aliada a falhas na máquina do governo, demonstrou que o rumo se mostrou inverso ao programado. E, ao mesmo tempo, equivocado.

Fonte: G1 Mundo

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Veado que passou dois anos preso a um pneu é resgatado nos EUA


Foi preciso quatro tentativas dos agentes da Colorado Parks and Wildlife para conseguir cortar o aro e livrar o animal que também teve parte dos chifres cortada. Um veado que passou dois anos preso com um pneu em seu pescoço foi resgatado nos Estados Unidos, informaram as autoridades locais na segunda-feira (11).
Animal teria se enroscado com o material despejado na natureza antes do crescimento dos seus chifres, disseram os guardas ambientais em um comunicado.
Foi preciso quatro tentativas dos agentes da Colorado Parks and Wildlife para conseguir cortar o aro e livrar o animal que também teve parte dos chifres cortada.
Vídeo usado por pesquisadores para controle da vida animal no Colorado mostrou o animal com o pneu preso no pescoço
Reprodução/CPW
Os trabalhadores da agência ambiental do estado americano do Colorado descobriram o animal em 2019, durante a realização de um censo populacional nos parques da região.
Desde então, eles tentavam acompanhar o animal para poder realizar o resgate. Mas eles disseram que “por conta da sua localização, era difícil de encontrá-lo e se aproximar dele”.
Segundo os policiais ambientais, o veado deve ter ficado preso no pneu antes mesmo de desenvolver chifres, e após isso, não conseguiu mais sair.
O animal foi tranquilizado pelos agentes que com uma serra abriram cortaram o pneu e seu chifre para poder soltá-lo com segurança.
Uma equipe de veterinários analisou o veado e disse que ele não apresentava nenhum problema, apesar do peso extra carregado no pescoço.

Fonte: G1 Mundo

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Macron anuncia 30 bilhões de euros para reindustrializar a França


A França deve ‘investir em três revoluções: digital, robótica e genética’, destacou o chefe de Estado. Presidente da França, Emmanuel Macron, durante pronunciamento em julho
Ludovic Marin/AFP
O presidente francês Emmanuel Macron anunciou nesta terça-feira (12) um investimento de 30 bilhões de euros (quase 35 bilhões de dólares) para reindustrializar a França por meio da transição ecológica e digital.
“A estratégia para 2030 deve nos levar a investir 30 bilhões de euros para responder” ao que pode ser considerado “uma espécie de déficit de crescimento da França”, disse Macron, apresentando seu plano ‘France 2030’ a seis meses das eleições presidenciais.
Ao explicar o plano, que acompanha as prioridades da União Europeia (UE) para virar a página da crise econômica causada pela pandemia de coronavírus, o presidente lamentou que a França “por vezes” tenha tomado decisões “15 ou 20 anos depois dos vizinhos europeus”.
“Devemos aumentar a capacidade da economia francesa de crescer através da inovação”, especialmente para “financiar o nosso modelo social”, acrescentou Macron, em discurso a empresários e estudantes no Palácio do Eliseu com ares de pré-campanha eleitoral.
Uma das principais medidas será o investimento de 1 bilhão de euros em pequenos reatores nucleares, uma energia amplamente utilizada na França que não gera gases de efeito estufa, mas cuja utilização no combate às mudanças climáticas divide países e especialistas.
Os países da UE se comprometeram a atingir a neutralidade de carbono até 2050 e, nesse sentido, o chefe de Estado francês quer que a França se torne um “líder do hidrogênio verde” em 2030, o que permitirá “descarbonizar a indústria”.
Outros 4 bilhões irão para o transporte, especificamente para desenvolver uma aeronave de baixo carbono e para produzir cerca de 2 milhões de veículos elétricos e híbridos até 2030, um desafio ao alcance se os grandes fabricantes franceses cooperarem, segundo Macron.
A agricultura também é contemplada neste plano de inovação e descarbonização, com 2 bilhões de euros em investimentos, principalmente no setor da robótica.
“Vamos fazer várias apostas tecnológicas” com base numa “lógica da inovação científica” e na “organização do mercado”, acrescentou o presidente liberal, explicando a “revolução cultural” que propõe em termos de pesquisa na França para 2030.
A França deve “investir em três revoluções: digital, robótica e genética”, destacou o chefe de Estado.
Desde que assumiu o poder em 2017, Emmanuel Macron sempre defendeu uma maior autonomia europeia em nível industrial, contra rivais como a China, chegando a defender medidas para proteger o conhecimento existente e impulsionar a inovação.
A situação internacional após o surgimento da covid-19 reforçou esse princípio. A indústria farmacêutica europeia precisou encarar sua dependência de insumos ativos produzidos na Ásia e o setor automotivo foi atingido pela escassez de semicondutores.
O plano ‘France 2030’ prevê assim “quase 6 bilhões de euros” para “duplicar” a produção de compostos eletrônicos e “garantir” o fornecimento de semicondutores, disse o presidente, para quem a França “perdeu uma parte importante da sua autonomia” no setor da robótica e digital.
A crise sanitária “sinalizou nossa vulnerabilidade” e “nossa dependência”, reconheceu o chefe de Estado, evocando também a falta inicial de máscaras e o fracasso da França em desenvolver uma vacina contra a Covid-19.
“Devemos reconstruir os termos da independência produtiva francesa e europeia”, exortou Macron, cujo país assumirá a presidência pro tempore da UE em janeiro.

Fonte: G1 Mundo

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Inundações deixam mortos e desaparecidos na China


Além disso, 19 mil edifícios foram destruídos e outros 18 mil ficaram seriamente danificados. Moradores durante limpeza após enchentes no condado de Yitang, cidade de Jiexiu, província de Shanxi, na China
cnsphoto via Reuters
Pelo menos 15 pessoas morreram devido às fortes chuvas e inundações na região chinesa de Shanxi, no norte do país, que recebeu três vezes a média mensal de chuvas em uma semana, disseram as autoridades locais nesta terça-feira (12).
“Quinze pessoas morreram e três ainda estão desaparecidas”, declarou o diretor local do serviço de emergência, Wang Qirui.
Além disso, 19 mil edifícios foram destruídos e outros 18 mil ficaram seriamente danificados devido a este fenômeno extremo, informou Qirui.
Pelo menos 1,7 milhão de residentes de Shanxi foram afetados pelas enchentes e 120 mil tiveram que deixar suas casas para um local seguro, acrescentou.
As enchentes obrigaram o fechamento temporário de 60 minas de carvão nesta província a oeste de Pequim, uma das principais produtoras desse material, justamente em um momento de escassez de energia que causou inúmeros apagões na China.
Todas, exceto quatro, voltaram à operação normal, disse Wang.
Fotos publicadas pelo jornal local Shanxi Evening News mostravam agentes de trânsito carregando crianças nas costas com água na cintura.
Segundo a agência Xinhua, em Shanxi, província onde não costuma chover, em apenas cinco dias caiu o triplo de chuva que costuma ocorrer ao longo de todo o mês de outubro. Chuvas que, segundo as previsões, devem continuar.
Inundações afetam quase 2 milhões de pessoas em província da China
Várias regiões da China foram atingidas por chuvas sem precedentes este ano.
Na província central de Henan, 300 pessoas morreram após um dilúvio de três dias em que registraram a precipitação de um ano inteiro.
E durante o verão boreal, milhares de pessoas ficaram desabrigadas nas províncias de Hubei e Sichuan, também no centro, por chuvas torrenciais.
Os especialistas argumentam que esses eventos climáticos extremos estão aumentando devido às mudanças climáticas.

Fonte: G1 Mundo