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Estudo francês confirma que vacinas contra Covid reduzem em 90% risco de hospitalização e morte


Os autores analisaram os dados de 22 milhões de pessoas de mais de 50 anos e concluíram que os vacinados contra a Covid-19 têm nove vezes menos riscos de serem hospitalizados ou de morrer do SARS-CoV-2 que os não vacinados. Vacinação em Saint-Nazaire, na França, com um dose da Pfizer-BioNTech contra a Covid-19, em 28 de maio de 2021
Stephane Mahe/Reuters
Estudo francês publicado nesta segunda-feira (11) aponta que os vacinados contra a Covid-19 têm nove vezes menos riscos de serem hospitalizados ou de morrer do Sars-CoV-2 que os não vacinados. A eficácia, que parece valer também para a variante Delta, foi comprovada até cinco meses após a segunda dose da vacina.
Este é o maior estudo em termos de população realizado até agora no mundo. Os autores analisaram os dados de 22 milhões de pessoas de mais de 50 anos.
O resultado foi publicado em dois relatórios da Epi-Phare, um grupo científico que associa a Agência Francesa do Medicamento (ANSM) e o Seguro Saúde Nacional francês (Cnam).
9 em cada 10 internados com complicações da Covid-19 no Emílio Ribas de SP não tinham vacinação completa, diz estudo
Hospital Ronaldo Gazolla tem 95% dos internados com Covid sem vacina.
Os pesquisadores do Epi-Phare compararam os dados de 11 milhões de pessoas vacinadas de mais de 50 anos, com os dados de 11 milhões de não vacinados, da mesma faixa etária. A comparação foi feita entre 27 de dezembro de 2020, quando começou a campanha de vacinação na França, e 20 de julho passado.
“As pessoas vacinadas têm nove vezes menos riscos de serem hospitalizadas ou de morrerem de Covid-19 que as não vacinadas”, resumiu o epidemiologista Mahmoud Zureik, diretor do Epi-Phare. “A redução do risco de hospitalização de 90%” foi observada a partir do 14° dia após a segunda dose.
As conclusões do estudo francês confirmam as observações feitas em outros países como Israel, Reino Unido ou Estados Unidos. Mas o relatório francês é o “mais amplo já realizado no mundo”, afirma Zureik.
O estudo francês é publicado no momento em que levantamentos realizados no Brasil atestam a proteção proporcionada pelos imunizantes. Um estudo do Instituto de Infectologia Emílio Ribas de São Paulo concluiu que quase 9 em cada 10 pacientes internados no hospital com complicações da Covid-19 entre janeiro e a primeira quinzena de setembro não haviam completado o esquema de vacinação contra a doença. No Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, Zona Norte do Rio, 95% dos 208 internados com Covid não se vacinaram.
Variante Delta
Para tentar constatar o impacto da variante Delta, hoje dominante na França, os pesquisadores utilizaram um procedimento específico. Eles levaram em conta somente o período a partir do qual a Delta começou a ser predominante, isto é, somente a partir de 20 de junho (um mês antes do fim do estudo).
Os resultados obtidos foram semelhantes aos períodos anteriores. A eficácia da vacina nas pessoas com mais de 75 anos foi de 84%, e na faixa etária entre 50 e 74 anos de 92%. Mas os autores ressaltam que um mês é pouco para “avaliar o impacto real da vacinação em relação à variante Delta” e que o “estudo deve continuar para integrar dados de agosto e setembro”.
O resultado vale para as vacinas Pfizer-BioNtech, Moderna e AstraZeneca. O quarto imunizante administrado na França, da Janssen, só foi autorizado no país mais tarde e não foi incluído no estudo.
Por enquanto, os autores estimam que “nenhum indício aponta uma perda de imunização que corrobore a necessidade de uma terceira dose da vacina para toda a população”.
Dois grupos de estudo
O estudo analisou dois grupos distintos. De um lado, foram comparados os dados de 7,2 milhões pessoas com mais de 75 anos, metade delas vacinadas e metade não. O segundo grupo era composto por 15,4 milhões de indivíduos na faixa etária de 50 a 74 anos, com a mesma porcentagem de vacinados e não vacinados.
A campanha de vacinação começou na França em 27 de dezembro de 2020 apenas para as pessoas do primeiro grupo. A vacinação dos integrantes do segundo grupo foi escalonada: a partir de 19 de fevereiro de 2021, para os maiores de 65 anos, e partir de 10 de maio, para os maiores de 50 anos. Os pesquisadores acompanharam a evolução dos dois grupos até 20 de julho e obtiveram resultados de eficácia semelhantes para as duas faixas etárias.
Para comparar os dados e taxas de hospitalização, os autores do relatório constituíram “casais”. Para cada vacinado em uma determinada data, foi associado um não vacinado da mesma idade, sexo e vivendo na mesma região.  
O estudo avaliou apenas a eficácia das vacinas contra as formas graves de Covid-19. Ele não permite deduzir se os imunizantes impedem a contaminação ou a transmissão do coronavírus.
Reduzir as formas graves da doença é o “maior objetivo da saúde pública. Uma epidemia sem forma grave deixa de ser uma epidemia”, salienta o Dr. Zureik.  A grande expectativa agora é saber se a confirmação da grande eficácia dos imunizantes anticovid na França conseguirá convencer os antivacinas que ainda representam um quarto da população.

Fonte: G1 Mundo

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Colombiana que não tem doença terminal, mas passaria por eutanásia, entra na justiça contra clínica


Martha Liria Sepúlveda, de 51 anos, passaria pelo procedimento na manhã deste domingo, mas família foi avisada de cancelamento no final da tarde de sábado. Ela sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa e sem cura. Martha Sepúlveda, colombiana que decidiu pela eutanásia, dá entrevista à TV colombiana
Federico Redondo Sepúlveda/Reprodução/Twitter
Os advogados de Martha Liria Sepúlveda, de 51 anos, colombiana que conseguiu o direito à eutanásia mesmo sem estar em estado terminal, entraram na justiça contra a clínica que suspendeu o procedimento que ocorreria no domingo (10).
Segundo a imprensa colombiana, os representantes de Martha protocolaram uma ação contra o Instituto Colombiano del Dolor (Indocol), clínica que seria responsável por realizar o procedimento, mas que o cancelou horas antes.
Em um comunicado, a acusação afirma que a clínica, ao negar o procedimento, submeteu Martha a “tratamento cruel e desumano”. O filho dela, Federico Redondo Sepúlveda, disse que a decisão de suspender a eutanásia foi “desrespeitosa e inaceitável”.
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Ela sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), e relatou sentir dores e ter perdido o movimento das pernas, o que a atrapalha na vida cotidiana. A doença é degenerativa e sua saúde vai piorar progressivamente, sem chances de cura.
A eutanásia, ou morte assistida, é legalizada na Colômbia desde 1997. O país, aliás, foi o primeiro na América do Sul a legalizar o procedimento. Porém, a prática valia apenas para pacientes que tivessem doenças terminais — ou seja, seria uma forma de abreviar o sofrimento da pessoa em situação já irreversível, se assim fosse a decisão dela.
Martha recebeu a aprovação inédita da Corte Constitucional, a mais alta corte do país, para a realização do procedimento.
A morte assistida de Martha aconteceria em uma clínica neste domingo, às 7 horas (9 horas em Brasília), mas sua família foi comunicada no final da tarde de sábado que o procedimento não seria mais realizado.
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Entenda o que é a doença degenerativa ELA
Segundo Federico e advogados da família, a decisão foi tomada a partir de imagens de televisão e de uma consulta “feita de última hora”, que teria apresentado um resultado diferente do laudo que atestava o estado de saúde da paciente.
“De que melhora estão falando? Se na consulta que minha mãe foi obrigada a ir a pedido do Incodol a conclusão do especialista foi radicalmente diferente? A base para isso é uma avaliação que foi feita à minha mãe para a TV?”, questionou o filho em uma postagem no Twitter.
Federico afirma que a mudança de planos aconteceu após a repercussão do caso, inclusive internacionalmente.
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Professor holandês pede que eutanásia não seja vista como ‘algo banal’
“Fizeram tudo em segredo e não nos avisaram que iam se reunir. A médica assistente não nos informou, o que é contrário às orientações destes procedimentos”, disse Federico em entrevista à rádio colombiana La W neste domingo.
Segundo o jornal colombiano “El Tiempo”, a ata da Comissão para Morrer Dignamente do IPS reconhece que sua nova avaliação se baseia na “concordância com o conceito atualizado pela neurologia e com os fatos e imagens conhecidos na mídia de massa”, o que indicaria que imagens de Martha divulgadas nos últimos dias – após o caso se tornar popular na imprensa, teriam realmente influenciado na decisão.
Esclerose Lateral Amiotrófica
Infografia: Karina Almeida/G1
Segundo o Laboratório de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (DescLAB), grupo que presta assessoria jurídica a Sepúlveda, o cancelamento do procedimento foi ilegal e irregular, porque Martha atende aos três requisitos estabelecidos na regulamentação colombiana para o acesso à eutanásia: tem uma doença grave e incurável de acordo com seu histórico médico; considera que a dor e o sofrimento que sofre são incompatíveis com a sua ideia de dignidade e expressou repetidamente seu consentimento livre, informado e inequívoco.
Martha havia conseguido em julho a autorização para passar pela eutanásia. Primeiro ela havia solicitado que acontecesse em 31 de outubro, mas depois pediu que fosse antecipada para o dia 10, às 7 horas, horário em que costumava ir à missa.
“Sou uma pessoa católica, me considero alguém que crê muito em Deus, mas, repito, Deus não quer me ver sofrer e acredito que não quer ver ninguém sofrer. Nenhum pai quer ver seus filhos sofrerem”, disse a colombiana, em entrevista à emissora colombiana Caracol.
“Para mim, a morte é um descanso”, emendou.
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Fonte: G1 Mundo

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Áustria tem novo chanceler após antecessor renunciar sob suspeita de corrupção


Sebastian Kurz deixou o cargo no sábado em meio a denúncias que chamou de “falsas”. O agora chefe do governo, Alexander Schallenberg, liderava a pasta das Relações Exteriores. Alexander Schallenberg na sede do governo austríaco em Viena em 11 de outubro de 2021
Leonhard Foeger/Reuters
O ministro das Relações Exteriores austríaco, Alexander Schallenberg, foi empossado como chanceler na segunda-feira, depois que o conservador Sebastian Kurz deixou o cargo de líder da Áustria em face de alegações de corrupção para manter viva a coalizão governista com os verdes.
Schallenberg prestou juramento em uma cerimônia no gabinete do presidente Alexander Van der Bellen junto com seu sucessor como ministro das Relações Exteriores, Michael Linhart, que, como Schallenberg, é um diplomata de carreira e havia servido como embaixador na França.
Chanceler da Áustria, Sebastian Kurz.
Ronald Zak/AP Photo
O antecessor, Sebastian Kurz, anunciou no sábado (9) sua renúncia, em meio à crescente pressão sobre seu envolvimento em um escândalo de corrupção.
Em comunicado transmitido pela televisão, Kurz disse que “seria irresponsável” deixar o país em meio ao “caos ou bloqueio” por essas denúncias, que chamou de “falsas”, e que quis garantir que a Áustria tenha “estabilidade “.
Kurz planeja continuar como líder do seu partido e como seu principal parlamentar. Ele disse estar disposto a continuar governando com seu parceiro de coalizão, os Greens. Mas o partido de esquerda disse que as investigações tornam Kurz inadequado para servir como chanceler e pediu que sua sigla nomeie um sucessor “irrepreensível”.
Os Greens começaram discussões na sexta-feira com três partidos de oposição da Áustria, todos exigindo que Kurz renunciasse. Eles planejam apresentar uma ou mais moções de censura contra ele em uma sessão especial do Parlamento na terça-feira. Para uma moção passar, os Greens precisam apoiá-la.
Kurz está sendo investigado como suspeito de ter usado verba do governo para garantir uma cobertura midiática favorável para ele, anunciou a Promotoria do país na quarta-feira (6).
Assim como na Alemanha, o cargo de chanceler é o correspondente ao de primeiro-ministro. Houve uma inspeção nos edifícios onde funcionam o ministério das Finanças e a chancelaria, segundo a imprensa local.
Entre 2016 e 2018 “foram usados recursos do ministério para financiar pesquisas de opinião parcialmente manipuladas que serviram um interesse político exclusivamente partidário”, estimou a Promotoria.
Naquele período Sebastian Kurz não era chanceler, mas fazia parte do governo. Segundo os promotores, um grupo de veículos da imprensa recebeu pagamentos para divulgar essas pesquisas de popularidade.
A imprensa austríaca acusa o jornal sensacionalista “Österreich”.
Kurz já está sendo investigado por fazer declarações falsas à comissão parlamentar sobre a corrupção, mas até o momento não foi indiciado.
Conservador Sebastian Kurz vence eleição na Áustria

Fonte: G1 Mundo

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O arriscado trajeto entre EUA e México onde brasileira foi encontrada morta


Enfermeira Lenilda dos Santos teve o corpo encontrado em 15 de setembro, sozinha; indícios são de que ela morreu de sede, rastejando no deserto. Brasileira morreu ao tentar percorrer 50km de deserto na fronteira entre EUA e México; rastro ao lado de onde o corpo foi encontrado aponta que ela rastejava, já sem forças
BBC
A vida do pecuarista Leci Pereira, de 48 anos, virou de cabeça para baixo desde que a irmã, Lenilda dos Santos, de 49 anos, foi encontrada morta em um deserto do Novo México, nos Estados Unidos, no dia 15 de setembro.
A auxiliar de enfermagem de Vale do Paraíso, município de 6 mil habitantes em Rondônia, cruzara a pé a fronteira do país norte-americano. Ao não conseguir acompanhar o ritmo do restante do grupo, liderado por um coiote, foi largada para trás sozinha.
A certidão de óbito ainda não foi concluída, mas, ao que tudo indica, ela morreu de sede ao tentar percorrer cerca de 50 km no deserto. Um rastro ao lado de onde o corpo foi encontrado aponta que ela rastejava, já sem forças.
Abandonada em travessia, brasileira morre de sede e fome em deserto dos EUA
A família agora tenta arrecadar R$ 100 mil por meio de uma vaquinha virtual para pagar pelo translado do corpo ao Brasil, onde será sepultado.
Leci foi o primeiro a receber a notícia da morte da irmã. A família se comunicava com Lenilda ao longo do trajeto e estranhou quando ela parou de responder às mensagens. Também acompanhavam a movimentação de Lenilda por localização de GPS do celular e perceberam que ela não saía mais do lugar.
Foi aí que Leci desconfiou do pior e pediu a um outro brasileiro do grupo da irmã que chamasse a polícia para ir atrás dela. Mas ninguém o fez, e quando Leci descobriu, ela já estava havia dois dias desaparecida no deserto.
A polícia finalmente a encontrou 9 dias depois, sem vida.
De acordo com dados da CBP (Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA), 47 mil brasileiros tentaram cruzar a fronteira dos Estados Unidos de outubro de 2020 até agosto deste ano. É um número sem precedentes na história e cinco vezes maior que no ano fiscal anterior.
Lenilda com a roupa que usou para cruzar a fronteira dos EUA; seu corpo foi encontrado em 15 de setembro
Arquivo Pessoal
Segundo Cesar Rossatto, professor da Universidade de Texas de El Paso e cônsul honorário do Brasil, calcula-se que para cada brasileiro pego na fronteira, outros três passaram sem serem identificados. Ou seja: 200 mil brasileiros teriam entrado irregularmente nos EUA.
Ainda segundo Rossatto, 2 mil estão presos aguardando a decisão judicial que concederá a esses brasileiros a possibilidade legal de viver nos EUA ou, na maior parte dos casos, a deportação.
“A movimentação na fronteira dos EUA é uma temperatura da situação geopolítica do mundo”, afirma Rossatto, mencionando a crise no sul global. Segundo levantamento recente do centro de pesquisas americano Pew, o número de imigrantes pegos na fronteira sul dos EUA alcançou em julho o nível mais alto dos últimos 21 anos, em uma crise migratória que teve seu capítulo mais recente em setembro, com a captura de imigrantes haitianos na divisa.
Um agente da patrulha de fronteira dos EUA tenta impedir um imigrante de chegar ao território do país, em 19 de setembro de 2021
Paul Ratje / AFP
Os brasileiros estão em sexto lugar entre as nacionalidades mais registradas na fronteira, segundo números da CBP, atrás de México, Honduras, Guatemala, Equador e El Salvador.
Após a construção do muro na fronteira dos EUA, as rotas de quem tenta entrar no país mudaram. Foge-se da fiscalização da imigração, mas em compensação migrantes têm de enfrentar as agruras de percorrer longos trajetos pelo deserto até chegarem a alguma cidade.
De sua casa em El Paso, cidade do Texas que faz divisa com Juarez, no México, Rossatto diz enxergar a fronteira: o muro de 8 metros de altura vigiado por carros da imigração, policiais armados, cachorros, sensores de movimento no chão e helicópteros. “Quem pula o muro já está dentro da cidade. Se ninguém te viu pular, você pode se passar por um morador qualquer. Agora se você vai mais pro meio do deserto, não tem o muro, mas tem que ter perna, água, fora o risco de tomar um tiro de algum racista que detesta imigrante ou dos cartéis de droga. Os riscos são tremendos”, diz o cônsul.
Trajeto no deserto
Foi por El Paso que Lenilda entrou nos EUA pela primeira vez, em 2003, antes da construção do muro, assim como o ex-marido e os dois irmãos. Ela viveu no Estado de Ohio por cerca de quatro anos trabalhando como faxineira até decidir voltar ao Brasil. Apenas um irmão ficou nos EUA, onde vive até hoje.
“Sinceramente, eu não teria coragem de fazer isso de novo, e olha que minha rota era mais tranquila do que a dela de agora, caminhei 30 km. Por isso mesmo, implorei para ela desistir da ideia, sabia que ela não teria o condicionamento físico necessário. Você consegue levar um litro de água, então não dá pra beber água, só molhar a boca. Porque se você leva 2 litros, depois de 10 km parece que está pesando 50 kg. A roupa que você leva, vai largando pelo caminho. Você chega com a roupa do corpo, não aguenta carregar mochila”, descreve Leci.
Lenilda trabalhava como auxiliar de enfermagem em dois hospitais da região, em Rondônia, mas o salário não chegava a R$ 2 mil. Durante a pandemia de covid-19, trabalhou na linha de frente. Chegou a pegar o vírus, sem desenvolver sintomas graves.
Decidiu que iria aos EUA novamente para conseguir pagar de vez uma dívida de R$ 38 mil, feita para custear a faculdade das duas filhas, estudantes de Direito. A própria Lenilda tinha acabado de terminar à distância a graduação em Enfermagem.
Lenilda em sua formatura do curso de Enfermagem, que ela havia acabado de concluir
Arquivo Pessoal
“Falei para minha irmã que eu pagaria essa dívida, para ficar quieta aqui, mas ela não aceitou de jeito nenhum”, conta Leci. Lenilda ainda teria tido que pagar 25 mil dólares ao coiote que a levou caso tivesse sobrevivido.
Em abril deste ano, ela havia tentado ir aos EUA pelo chamado cai-cai, no qual a pessoa se apresenta à imigração na fronteira e é detida enquanto aguarda a decisão judicial. Ficou 90 dias presa para depois ser deportada. “Foi horrível. Ela ficou os 12 primeiros dias presa sem tomar banho”, conta Leci. Alguns meses após chegar ao Brasil, Lenilda partiu rumo aos EUA novamente, desta vez pelo deserto.
A maioria dos centros de detenção nos EUA são administrados por empresas privadas e recebem verba do governo federal de acordo com o número de presos e a duração da estadia. Segundo Holly Cooper, advogada especializada em direito do imigrante há 23 anos e professora de direito na Universidade da Califórnia, quanto maior a quantidade de detidos e o tempo de detenção, maior o lucro dessas empresas.
“Existe um lobby gigantesco em Washington para que centros de detenção e presídios mantenham essa verba do governo”, afirma a advogada.
De acordo com Rossatto, os centros de detenção recebem de US$ 150 a US$ 300 por diária de preso, e a custódia costuma durar de 6 a 8 meses.
Depois de perder sua irmã e confidente, como Leci define, ele agora ficou responsável pela mãe idosa e as duas sobrinhas, de quem prometeu cuidar na ausência de Lenilda. Também caberá a ele o pagamento da dívida da irmã, além de resolver os trâmites para trazer o corpo dela ao Brasil: “Realmente ficou tudo nas minhas costas agora, nem sei como lidar com isso”.
Há também a demanda da imprensa e as entrevistas quase diárias. “Quero que divulguem o máximo para que as pessoas parem de ir para a América… mas a verdade é que vão continuar de qualquer forma. Não tem como sobreviver no Brasil”, afirma.
De acordo com Cooper, o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, manteve grande parte das políticas migratórias do antecessor Donald Trump, como a chamada Title 42. A medida é uma cláusula da Lei de Saúde Pública usada pelo governo para, sob a justificativa de evitar a propagação da covid-19, deportar imigrantes de algumas nacionalidades imediatamente, sem passar pelos procedimentos jurídicos. Segundo Rossatto, ela é aplicada sobretudo a quem vem da América Central e México, que compõem a grande maioria, e não a brasileiros.
Junho de 2019 – Uma área cercada superlotada mantém famílias imigrantes presas em um Centro de Processamento da Patrulha de Fronteira em McAllen, no estado do Texas, nos EUA, em 11 de junho de 2019
Escritório do Inspetor Geral/DHS/Divulgação via Reuters
“O Title 42 é a maior violação de direitos humanos que já vi na minha carreira. Estamos negando a nossa responsabilidade, prevista na legislação internacional, de prover o direito de asilo político neste país”, opina Cooper.
A advogada afirma que houve algum avanço na gestão Biden no tratamento dado a crianças desacompanhadas dos pais, a quem não é aplicada a deportação sumária prevista no Title 42.
De acordo com dados da CBP, 133 mil crianças sozinhas foram registradas na fronteira de outubro de 2020 até agosto deste ano, de um total de mais de 1,7 milhão de pessoas que tentaram entrar no país — 2,5 vezes o número do ano fiscal anterior. No caso de brasileiros, 198 crianças desacompanhadas foram registradas no período.
Os menores de idade nesta situação são detidos e depois encaminhados a familiares que vivem nos EUA ou a lares adotivos. “É uma tragédia enorme. São pais devastados sem saber se os filhos vão chegar vivos até a fronteira, mas ainda assim preferem arriscar isso a manter as crianças na situação desesperadora do país de origem”, diz a advogada.
Rosatto foi chamado pelo Consulado Brasileiro para atender três crianças brasileiras desacompanhadas detidas na base militar Fort Bliss, no Texas, neste ano. “Eram três brasileiros em um mar de dez mil crianças de outras nacionalidades. É muito triste, uma situação precária.”, conta. “Por sorte, uma enfermeira brasileira que estava lá dentro me chamou para ajudá-los e consegui reunificar todas elas a familiares com sucesso”.
No ano passado, Rossatto também foi convocado para intervir na prisão de uma brasileira, mãe solteira, acusada de tráfico humano. Segundo o cônsul, coiotes ofereceram a ela a viagem até os EUA de graça caso cedesse dois de seus filhos a brasileiros que fingiriam ser os pais para cruzar a fronteira. Pela ordem executiva emitida por Biden em fevereiro deste ano, crianças não podem mais ser separadas das famílias como era feito na era Trump.
“Famílias com menores de idade têm a possibilidade de receber um tratamento melhor da imigração, por isso os coiotes quiseram usar as crianças dessa mãe”, explica Rossatto.
Segundo o cônsul, a brasileira foi ameaçada de morte caso não entregasse os filhos, e por isso cedeu. Ao chegarem na fronteira, a imigração fez o teste de DNA nas crianças e comprovou a farsa. A mãe chegou no dia seguinte e foi presa. Os filhos foram para um centro detenção.
“Ela chorava, gritava na prisão, traumatizada”, conta Rossatto.
“Entramos na defesa dela e conseguimos soltá-la para que fique junto com seus filhos nos EUA e responda aos processos imigratórios em liberdade.”

Fonte: G1 Mundo

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Nos EUA, Merck pede autorização da FDA para uso de comprimido contra Covid-19


Se autorização for concedida – o que pode levar algumas semanas –, o remédio será o primeiro em formato de comprimido para tratar a doença. Imagem não datada mostra comprimido do molnupiravir, da Merck, que teve resultados promissores contra a Covid-19.
Merck & Co.via AP
A farmacêutica Merck (conhecida no Brasil como MSD) pediu, nesta segunda-feira (11), à agência regulatória americana FDA que autorizasse o uso de seu comprimido contra a Covid-19, o molnupiravir.
Se a autorização for concedida – o que pode levar algumas semanas –, o remédio será o primeiro em formato de comprimido para tratar a doença. Todos os outros tratamentos autorizados pela FDA requerem uma injeção intravenosa.
No dia 1º de outubro, a Merck havia anunciado que seu medicamento reduziu as hospitalizações e mortes em pessoas no início da infecção com o coronavírus.

Fonte: G1 Mundo

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O chileno que escalou vulcão em cadeira de rodas e 10 anos depois tenta repetir feito caminhando


Gabriel Roa usava uma cadeira de rodas havia anos e tinha um sonho: ver o nascer do sol do topo de uma montanha. Em 2011, com a ajuda de seus amigos, ele conseguiu. Ele repetirá o desafio, mas, desta vez, caminhando. Para a viagem de 2011, os montanhistas adaptaram uma cadeira de rodas e colocaram esquis
PROYECTO PANZER/BBC
A promessa foi selada há 10 anos, em um bar da cidade chilena de Concepción, no sul do Chile.
Depois de vários drinques, Gabriel Roa, um jovem que estava em uma cadeira de rodas havia cinco anos, olhou para seus amigos e disse: “Meu sonho é ver o nascer do sol de uma montanha.”
Naquele momento, os amigos sabiam que não tinham alternativa: custasse o que custasse, teriam que conquistar o cume com Gabriel.
Assim começou esta aventura que envolveu uma logística complexa, que incluiu a construção de um trenó especial para transportar Gabriel e se preparar para qualquer eventualidade climática.
Apesar de todos aqueles que os alertaram sobre os perigos, eles se aventuraram em uma jornada sem precedentes e tiveram sucesso. No dia 2 de outubro de 2011, chegaram ao cume do vulcão Antuco, localizado a cerca de 600 km ao sul de Santiago, no Chile.
Entre a empolgação e os abraços dos montanhistas, Gabriel lançou uma frase: “Que se repita”.
Dez anos depois, o chileno decidiu cumprir sua palavra. E assim reuniu o mesmo grupo que na madrugada de 7 de outubro começou a subida ao vulcão Antuco.
Em 2 de outubro de 2011, Gabriel e seus amigos conseguiram chegar ao cume do vulcão Antuco, localizado a cerca de 600 km ao sul da cidade de Santiago
PROYECTO PANZER/BBC
Desta vez, porém, a viagem será diferente. Graças a vários tratamentos, Gabriel hoje pode caminhar, e embora o faça em distâncias curtas e a uma velocidade mais lenta, ele quer fazer o trajeto a pé.
“Em 2011, um time puxava o Gabriel. Agora é o contrário: é o Gabriel que vai nos transportar; vamos no seu próprio ritmo. Pois na montanha o ritmo é ditado pelo mais lento, não o mais rápido”, diz Claudio Brito, amigo de Gabriel e chefe da expedição chamada “Projeto Panzer”.
“Ele quer passar uma mensagem: nunca desista, porque a luta do dia a dia faz com que as pessoas alcancem o que realmente desejam”, completa.
A BBC News Mundo (serviço de notícias em língua espanhola da BBC) conversou com Gabriel sobre a sua doença, as motivações para escalar uma montanha tão complexa como esta, seus sonhos e medos. Este é o seu testemunho em primeira pessoa.
Sou cadeirante por conta de uma doença que fui diagnosticado quando tinha 10 anos.
Nasci sem problemas, sempre fui uma criança saudável, ativa e que gostava muito de futebol. Até que comecei a sentir um desconforto nos tornozelos e joelhos.
No início, pensaram que era um ferimento, mas então minhas mãos e quadris também começaram a doer.
Eles me levaram a um especialista e ele me disse que eu tinha artrite reumatoide juvenil.
Gabriel foi diagnosticado com artrite reumatoide juvenil quando tinha 10 anos de idade
GABRIEL ROA/Arquivo Pessoal
É uma doença autoimune que afeta principalmente as articulações. Com o passar dos anos, se você não tiver um bom tratamento, fica inválido, por conta da dor e inflamação.
Em 2011, quando já estava em uma cadeira de rodas havia pelo menos cinco anos, trabalhei em uma empresa onde meus colegas eram todos montanhistas.
Todas as segundas-feiras, eles compartilhavam fotos de seus passeios do fim de semana nas montanhas e eu pensava o quanto gostaria de ir também
Até que um dia, entre um drinque e outro, eu disse para eles me levarem.
O que eu mais queria era ver o nascer do sol em uma montanha.
Escalada que Gabriel fez com os amigos em 2011 foi adaptada com cachorros e equipe dos bombeiros
PROYECTO PANZER/BBC
A ideia foi se tornando cada vez mais real e nos desafiamos a escalar um vulcão, o Antuco.
Tivemos que planejar durante meses como eles poderiam me levar ao cume, porque isso nunca tinha sido feito antes. Não havia experiências semelhantes no mundo.
Tínhamos que ter certeza de tudo, estar atentos a qualquer eventualidade.
“Eu queria que meus pais ficassem orgulhosos”
No dia em que saímos, era possível sentir a energia positiva. Todos nós sabíamos que o que estávamos fazendo marcaria nossas vidas.
Lembro-me de pensar principalmente nos meus pais.
Acho que só naquele momento eles perceberam que não se tratava de um passeio na neve, mas de um evento esportivo que implicava um grande desafio. Que eu passaria duas noites na montanha exposto àquelas condições climáticas que, com a minha doença, não era uma boa combinação.
Gabriel tem 42 anos e é o mais novo de quatro irmãos. Na foto, com os pais, Sergio e Gabriela
GABRIEL ROA/Arquivo Pessoal
E acho que isso os encheu de orgulho. “Nosso filho está fazendo isso apesar de todas as dificuldades que tem”, pensaram.
Queria que meus pais sentissem orgulho de mim.
Tenho pensado muito sobre a questão dos pais com filhos com deficiência. O principal medo que eles têm é o que acontecerá com seus filhos quando eles não estiverem por perto.
E eu queria mostrar a eles que eu poderia cuidar de mim mesmo, que tinha muitos amigos que me ajudariam no que eu precisasse. De alguma forma, essa viagem deu a eles essa tranquilidade.
“Escalar o vulcão foi como o capítulo final daquela fase sombria, de sentir que sou capaz de fazer mais coisas”, diz Gabriel
PROYECTO PANZER/BBC
Passei por uma fase muito difícil anos atrás. Em 2005, entrei em depressão e passei quase dois anos de cama. Não consegui encontrar emprego, não havia ofertas de trabalho.
Mas consegui sair dessa e me pareceu que escalar o vulcão era o capítulo final daquela fase sombria e (o início de uma nova, aquela de) sentir que sou capaz de fazer mais coisas. Que minha vida não seria condicionada pela minha doença, mas pelo que eu queria fazer.
Como foi a expedição em 2011
Para escalar o vulcão havia quatro equipes: os cachorros, que eram os que arrastavam a cadeira para onde eu ia; os transportadores, que levavam a carga; um esquadrão de resgate dos bombeiros; e o acampamento base.
No primeiro dia tentamos avançar o máximo possível. Lembro que chegamos ao primeiro acampamento às cinco da tarde.
A expedição com os amigos em 2011 durou dois dias
PROYECTO PANZER/BBC
Nunca senti um medo paralisante, mas naquela tarde estava cheio de nuvens, completamente coberto e não dava para ver nada além de cinco metros.
Mais do que minha segurança, eu estava preocupado com a equipe que estava carregando o material, porque eles estavam vindo atrás. Mas então tudo ficou claro e confirmamos que estavam todos bem.
No dia seguinte, um domingo, à uma da tarde, conseguimos chegar ao cume. Aproximadamente 30 pessoas chegaram.
Todos nós comemoramos. Ficamos muito felizes, nos abraçamos.
Me chamou a atenção que eles me agradeceram, quando deveria ter sido o contrário.
O novo desafio (e a pé)
Quando estávamos no cume, eu disse a eles: “Que se repita.”
E este ano, uma década depois, decidi entrar em contato com a mesma equipe para cumprir minha palavra.
Mas eu queria fazer de uma maneira diferente: não mais em uma cadeira de rodas.
Felizmente, apesar de todas as sequelas, consegui financiar um bom tratamento. E, embora nunca mais recupere a mobilidade nas articulações, não sinto mais dores. Essa era a coisa mais incapacitante.
Desta vez, Gabriel escalará o vulcão auxiliado por um dispositivo que imita muletas de reabilitação
PROYECTO PANZER/BBC
Agora, posso andar dentro de casa e fisicamente estou melhor do que há 10 anos.
Trabalhamos durante cinco meses no desenho do protótipo que me permitirá mover um sistema de muletas.
Isso não deixa de ser simbólico, pois, em um processo de reabilitação, a progressão natural é passar da cadeira de rodas para as muletas.
Serão quatro dias de exercícios intensos e me disseram que pode ser perigoso.
Mas acredito que, na cidade, os riscos são maiores.
No Chile, falta uma cultura de respeito em relação à deficiência. As autoridades devem implementar a infraestrutura e o cidadão deve respeitá-la.
Depois de escalar o cume em 2011, me senti mais forte. Não sei se fisicamente, mas tenho certeza de que emocionalmente.
Agora, espero sentir o mesmo porque com decisão, determinação e persistência, tudo o que você quiser alcançar na vida, você pode fazer.
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Fonte: G1 Mundo

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VÍDEO: Falcão pousa sobre cabeça de torcedor durante jogo de futebol americano nos EUA


O animal é o mascote oficial do time e ‘errou’ na hora de voar em direção ao seu treinador, parando no meio da torcida. Falcão pousa sobre cabeça de torcedor durante jogo de futebol americano nos EUA
Um falcão pousou sobre cabeça de um torcedor durante uma partida de futebol americano nos Estados Unidos na semana passada (veja no vídeo acima).
O animal é o mascote oficial do time Seattle Seahawks e “errou” na hora de voar em direção ao seu treinador, parando no meio da torcida.
Taima, como é batizado o falcão da sorte, participava de uma demonstração quando escapou e, ao invés de parar nas mãos do treinador, pousou na cabeça de um torcedor.
Falcão pousa em cabeça de torcedor durante partida de Futebol Americano nos EUA
Reprodução/NBC
Alguns podem até dizer que foi o dia de sorte do torcedor, que saiu sem nenhum ferimento – foi tudo só um susto.
Já o time da casa não teve a mesma sorte e perdeu a partida contra o Los Angeles Rams por 26 a 17, no Lumen Field, em Seattle.

Fonte: G1 Mundo

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Estado de saúde do presidente da República Tcheca é estável


Milos Zeman foi hospitalizado neste domingo. Motivo da internação não foi divulgado. Presidente checo Milos Zeman em foto de março de 2018
David W Cerny/Reuters/Arquivo
O estado de saúde de Milos Zeman, presidente da República Tcheca, é estável, disse uma porta-voz do Hospital Militar Central nesta segunda-feira (11).
Zeman, de 77 anos, foi levado ao hospital no domingo e estava recebendo tratamento em uma unidade de terapia intensiva, gerando incerteza no momento em que ele deve liderar negociações políticas sobre a formação de um novo governo após eleição parlamentar.
Ele foi internado logo após encontro com o primeiro-ministro Andrej Babis, que tenta permanecer no poder apesar da derrota do partido nas eleições legislativas.
“No momento ele está hospitalizado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Universitário Militar de Praga”, disse Miroslav Zavoral, médico do presidente, neste domingo.
Segundo a agenda oficial, o presidente recebeu Babis pela manhã, mas logo depois foi encaminhado para o hospital “com urgência”, paralisando o processo de nomeação do novo governo.
Constitucionalmente, cabe ao presidente designar o novo primeiro-ministro. Antes da votação, Milan Zeman havia insinuado que escolheria Babis para se manter no cargo.
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Fonte: G1 Mundo

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Incêndio atinge tanque de combustível no sul do Líbano


Bombeiros combatem as chamas e o exército ajuda a evacuar a região. País sofreu apagão no sábado após desligamento de usinas. Incêndio em tanque de combustível no Líbano
Ali Hankir/Reuters
Um tanque de armazenamento de combustível na instalação de petróleo de Zahrani, no sul do Líbano, pegou fogo nesta segunda-feira (11). Os bombeiros tentam controlar o incêndio, segundo disse uma testemunha à agência Reuters.
O exército libanês está evacuando a região em meio a temores de que o fogo pudesse se espalhar e causar uma explosão, segundo o canal de TV Al Jadeed.
Até o momento, não houve nenhum comentário oficial do governo do país sobre o incidente.
Bombeiros combatem incêndio em tanque de combustível no Líbano
Ali Hankir/Reuters
O incêndio é o mais recente desastre a atingir o Líbano, onde a escassez de combustível em meio a uma profunda crise econômica forçou as duas maiores usinas de energia do país, uma em Zahrani e outra em Deir Ammar, a fechar no sábado (9). O desligamento ocasionou um apagão no país.
O ministério da energia disse no domingo (10) que a energia foi restaurada após o exército libanês fornecer cerca de 6.000 quilolitros de óleo de gás para as duas usinas.
Apagão no Líbano: país fica no escuro após desligamento de usinas por falta de combustível
País em crise
O Líbano passa por grave crise econômica e caos político, que se agravaram com a explosão no porto de Beirute há um ano. Em setembro, o país finalmente conseguiu chegar à formação de um novo governo, com a nomeação de Najib Mikati para o cargo de primeiro-ministro.
Os libaneses têm dependido cada vez mais de geradores privados para obter energia, com contas caras de óleo combustível, já que a empresa estatal de eletricidade fornece apenas algumas horas de serviço por dia para os cidadãos.
VÍDEOS: notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Cancelamento foi ‘desrespeitoso’, diz filho de colombiana que não tem doença terminal, mas passaria por eutanásia


Martha Liria Sepúlveda, de 51 anos, passaria pelo procedimento na manhã deste domingo, mas família foi avisada de cancelamento no final da tarde de sábado. Ela sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa e sem cura. Martha Sepúlveda, colombiana que decidiu pela eutanásia, dá entrevista à TV colombiana
Federico Redondo Sepúlveda/Reprodução/Twitter
A decisão de suspender a eutanásia de Martha Liria Sepúlveda, de 51 anos, horas antes do procedimento, que ocorreria na manhã deste domingo (10), foi “desrespeitosa e inaceitável”, segundo o filho dela, Federico Redondo Sepúlveda.
Martha seria a primeira mulher na Colômbia a passar por uma eutanásia autorizada, mesmo sem estar em estado terminal. Ela sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), e relatou sentir dores e ter perdido o movimento das pernas, o que a atrapalha na vida cotidiana. A doença é degenerativa e sua saúde vai piorar progressivamente, sem chances de cura.
A eutanásia, ou morte assistida, é legalizada na Colômbia desde 1997. O país, aliás, foi o primeiro na América do Sul a legalizar o procedimento. Porém, a prática valia apenas para pacientes que tivessem doenças terminais — ou seja, seria uma forma de abreviar o sofrimento da pessoa em situação já irreversível, se assim fosse a decisão dela.
A morte assistida de Martha aconteceria em uma clínica neste domingo, às 7 horas (9 horas em Brasília), mas sua família foi comunicada no final da tarde de sábado que o procedimento não seria mais realizado.
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Segundo Federico e advogados da família, a decisão foi tomada a partir de imagens de televisão e de uma consulta “feita de última hora”, que teria apresentado um resultado diferente do laudo que atestava o estado de saúde da paciente.
“De que melhora estão falando? Se na consulta que minha mãe foi obrigada a ir a pedido do Incodol a conclusão do especialista foi radicalmente diferente? A base para isso é uma avaliação que foi feita à minha mãe para a TV?”, questionou o filho em uma postagem no Twitter.
Federico afirma que a mudança de planos aconteceu após a repercussão do caso, inclusive internacionalmente.
“Fizeram tudo em segredo e não nos avisaram que iam se reunir. A médica assistente não nos informou, o que é contrário às orientações destes procedimentos”, disse Federico em entrevista à rádio colombiana La W neste domingo.
Segundo o jornal colombiano “El Tiempo”, a ata da Comissão para Morrer Dignamente do IPS reconhece que sua nova avaliação se baseia na “concordância com o conceito atualizado pela neurologia e com os fatos e imagens conhecidos na mídia de massa”, o que indicaria que imagens de Martha divulgadas nos últimos dias – após o caso se tornar popular na imprensa, teriam realmente influenciado na decisão.
Segundo o Laboratório de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (DescLAB), grupo que presta assessoria jurídica a Sepúlveda, o cancelamento do procedimento foi ilegal e irregular, porque Martha atende aos três requisitos estabelecidos na regulamentação colombiana para o acesso à eutanásia: tem uma doença grave e incurável de acordo com seu histórico médico; considera que a dor e o sofrimento que sofre são incompatíveis com a sua ideia de dignidade e expressou repetidamente seu consentimento livre, informado e inequívoco.
Martha havia conseguido em julho a autorização para passar pela eutanásia. Primeiro ela havia solicitado que acontecesse em 31 de outubro, mas depois pediu que fosse antecipada para o dia 10, às 7 horas, horário em que costumava ir à missa.
“Sou uma pessoa católica, me considero alguém que crê muito em Deus, mas, repito, Deus não quer me ver sofrer e acredito que não quer ver ninguém sofrer. Nenhum pai quer ver seus filhos sofrerem”, disse a colombiana, em entrevista à emissora colombiana Caracol.
“Para mim, a morte é um descanso”, emendou.
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Fonte: G1 Mundo