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Ator do Teatro Bolshoi de Moscou morre no palco após acidente


Yevgeny Kulesh, de 37 anos, foi atingido por um cenário neste sábado (9). O palco principal do Teatro Bolshoi – o Grande Teatro.
Arquivo pessoal/Sandra Annenberg
O ator Yevgeny Kulesh, de 37 anos, membro do lendário Teatro Bolshoi da Rússia morreu no palco neste sábado (9). Ele foi tingido pelo cenário durante uma apresentação de uma ópera, informou a companhia de Moscou.
O teatro explicou que o acidente ocorreu durante uma mudança de cenário da peça Sadkó, uma ópera do século XIX do compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov.
“A apresentação foi interrompida imediatamente e o público foi convidado a se retirar”, declarou a assessoria de imprensa do teatro à agência de notícias Interfax.
O Comitê de Investigação de Moscou informou em um comunicado que está investigando a morte do ator. O texto indica que a vítima sofreu diversos ferimentos e morreu antes da chegada de uma ambulância.
Em 2013, um violinista veterano também morreu no prestigioso teatro depois de cair no fosso da orquestra.
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Fonte: G1 Mundo

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Califórnia e Ontário anunciam distribuição de absorventes íntimos para estudantes


Estado americano e província canadense decidiram facilitar o acesso de jovens a produtos para a menstruação. ‘Assim como papel higiênico, absorventes devem ser disponibilizados em banheiros públicos’, diz parlamentar. Caixas de absorvente em mercado em Sacramento, na Califórnia, em foto de junho de 2016
Rich Pedroncelli/Arquivo/AP Photo
Governos do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, e da província de Ontário, no Canadá, anunciaram na sexta-feira (8) medidas para disponibilizar absorventes íntimos gratuitamente a estudantes.
Medidas como essas têm como objetivo combater a precariedade menstrual, identificada como a falta de acesso ou a falta de recursos que possibilitem a aquisição de produtos de higiene e outros itens necessários ao período menstrual (veja o VÍDEO abaixo).
Uma em cada quatro jovens já faltou a aula por não poder comprar o absorvente
No caso da Califórnia, o governador Gavin Newsom, assinou uma lei que exige às escolas públicas e universidades do estado que disponibilizem absorventes íntimos.
A legislação californiana já estabelecia desde 2017 a disponibilidade de absorventes, mas apenas para escolas de baixa renda. Agora, a exigência vale também para as demais instituições e inclui a California State University e a University of California, duas das principais universidades do estado.
Absorventes íntimos
Arquivo pessoal
A parlamentar democrata Cristina Garcia, que redigiu o texto, explicou a medida: “Nossa biologia nem sempre envia um aviso prévio de que estamos prestes a menstruar. Então com frequência precisamos parar o que estamos fazendo para lidar com a menstruação”.
“Assim como papel higiênico e papel toalha são disponibilizados em praticamente todos os banheiros públicos, produtos para a menstruação também devem”, acrescentou.
Também na sexta-feira, o governo da província de Ontário, no Canadá, anunciou uma parceria com um mercado para oferecer absorventes e outros produtos gratuitamente a estudantes. A intenção é oferecer 6 milhões de unidades às escolas anualmente.
“Pela forte luta de nossas jovens líderes nas escolas, ficou extremamente claro que produtos menstruais são uma necessidade, e não um luxo”, disse o ministro da Educação de Ontário, Stephen Lecce.
No Brasil, Bolsonaro veta distribuição
Na contramão dos países desenvolvidos, o presidente Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorvente menstrual para estudantes de baixa renda de escolas públicas e pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema. A decisão, publicada na edição desta quinta-feira (7) do “Diário Oficial da União”, argumenta que o texto do projeto não estabeleceu fonte de custeio.
Em evento no Paraná, a ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, defendeu o veto de Bolsonaro:
Damares Alves: ‘Ou tem verba para comprar vacina, ou o governo gasta com absorvente’
“Hoje a gente tem que decidir, a prioridade é a vacina ou é o absorvente? As mulheres pobres sempre menstruaram nesse Brasil e a gente não viu nenhum governo se preocupar com isso. E agora o Bolsonaro é o carrasco, porque ele não vai distribuir esse ano”, disse.
No estado da Califórnia, que exigiu a distribuição de absorventes nas escolas públicas, cerca de 60% da população já está completamente imunizada contra a Covid-19. No Canadá, esse percentual chega a 72%. Em ambos os casos, a vacinação completa está mais avançada do que no Brasil, que ainda não chegou a 50%.

Fonte: G1 Mundo

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O que os antigos romanos comiam?


Um chef está recriando receitas de um dos livros de culinária mais antigos do mundo para revelar a origem da comida italiana. O Parque dos Aquedutos, parte da Appia Antica, fica a poucos quilômetros das multidões do Coliseu
STEFANO CASTELLANI / BBC
O sol se põe em Roma, fora das muralhas da cidade. A luz dourada é filtrada pelos pinheiros-mansos e projeta seu brilho sobre uma reta de pedras de basalto lisas que mudaram o curso da história.
É a Via Ápia, a primeira estrada construída em Roma, por onde há mais de 2 mil anos soldados partiram para conquistar terras distantes e voltaram triunfantes.
A estrada é o coração do Parque Arqueológico Appia Antica de Roma, uma extensa área verde que se estende da extremidade do centro histórico da cidade até os vilarejos nas encostas dos Castelos Romanos.
Este oásis de 4.700 hectares é o segundo maior parque urbano da Europa — repleto de aquedutos, reservas naturais, sítios arqueológicos, vinhedos, pastagens e mansões pertencentes a celebridades, como o estilista Valentino e a atriz Gina Lollobrigida.
A menos de 3 km das multidões do Coliseu, o parque oferece aos turistas um lugar para desacelerar e desfrutar da paisagem romana, acompanhada do canto dos pássaros e da vista de pastores conduzindo seus rebanhos.
As ruínas dispersas acrescentam um certo memento mori que encantou os pintores e poetas do Grand Tour, à medida que você sente o ciclo da vida pairando nesta velha estrada: a brisa suave trazendo o cheiro de grama fresca, enquanto as pedras em ruínas carregam histórias do passado.
Como se trata da Itália, a boa comida deve completar o cenário idílico. Entra em cena Paolo Magnanimi, da Hostaria Antica Roma da Via Ápia.
O restaurante está localizado próximo ao icônico túmulo de Cecilia Metella e em frente a uma horta administrada pelo pai de Magnanimi, Massimo.
No interior, o cardápio oferece pratos que não podem ser encontrados em nenhum outro restaurante da cidade, ou talvez no mundo.
Por trás dessas criações, está Magnanimi, um cozinheiro apaixonado por criar e servir refeições que estão profundamente enraizadas na história deste parque, desde os tempos da Roma Antiga.
Para a maioria das pessoas, a comida da Roma Antiga não parece atraente.
O que primeiro vem à mente são cenas bizarras como o banquete de Trimalquião em Satyricon, obra do século 1 d.C., na qual um anfitrião novo rico oferece um banquete pomposo que inclui “iguarias” como testículos de touro, úberes de porcas e uma lebre decorada com asas para lembrar Pégaso.
Mas Magnanimi mantém os pés no chão, recriando pratos deliciosos que os romanos comuns comiam, não a comida exótica que era reservada à elite.
Chef e historiador que passou mais de 25 anos estudando receitas antigas, Magnanimi diz que os romanos eram amantes da natureza e caçadores de prazeres sensoriais que apreciavam bastante a boa comida, embora a indulgência excessiva fosse muito “não romana”.
Grãos, legumes, verduras, ovos e queijos eram a base da alimentação deles, com frutas e mel para adoçar.
A carne (principalmente de porco) e o peixe eram consumidos ​​com moderação e, à medida que o império se expandia no início do século 3 a.C., os romanos deram as boas-vindas a novos sabores — da pimenta da Índia aos limões da Pérsia.
O garum, semelhante a um molho de peixe asiático, era amplamente usado para adicionar um rico sabor umami aos pratos romanos.
Tudo isso era desfrutado acompanhado de vinho com mel em jantares chamados convivium — encontros para celebrar a vida e as estações do ano.
Magnanimi incorpora esse espírito de celebração, seja contando histórias aos convidados ou mexendo algo delicioso em sua cozinha.
Agora, com 54 anos, ele ri me contando como, quando era mais jovem, teve dificuldade em convencer o pai de que os clientes iriam gostar das recriações dele de pratos antigos.
“Comecei a trabalhar na Hostaria quando tinha 14 anos, e fiz uma pausa para ter meus anos de ‘Jack Kerouac’ nos EUA”, diz ele.
“Quando voltei, comecei a me interessar pela grande história de Roma e estava ansioso para aprender mais sobre ela.”
A inspiração de Magnanimi aumentou quando um amigo deu a ele A cena da Lucullo, um livro cheio de histórias e receitas do tempo da Roma Antiga.
O personagem que dá nome à obra era um militar do século 1 a.C. que era tão famoso por seus banquetes que os romanos ainda elogiam um bom jantar dizendo: “foi uma refeição digna de Lucullo”.
Magnanimi começou a testar as receitas e teve seu primeiro êxito com o pullum oxizomum, uma entrada de frango.
É feita com alho-poró e colatura di alici di Cetara, um condimento da Costa Amalfitana feito de anchovas fermentadas, que é o substituto perfeito do garum.
Alguns clientes japoneses gostaram especialmente, e isso o levou a aparecer em documentários no Japão.
“Meus groupies romanos vieram depois disso; foram mais difíceis de convencer a experimentar algo novo”, diz Magnanimi.
“E depois o pollo oxizomum foi elogiado no jornal The New York Times, por isso ainda é um de nossos pratos mais populares.”
Hoje em dia, o cardápio da Hostaria apresenta os clássicos da Cidade Eterna (como massa à matriciana e carbonara), junto com os antigos pratos romanos que garantiram a Magnanimi repercussão internacional — e deixaram seu pai, outrora cético, orgulhoso.
Conheci Magnanimi em 2008, quando estive na Hostaria e, por recomendação de um amigo gourmet, pedi patina cotidiana, uma precursora sem tomate da lasanha.
A receita original usava lagana, um pão achatado, que era coberto com carnes, peixe e queijos. A versão de Magnanimi era mais simples, recheada com carne de porco moída, erva-doce e queijo pecorino.
Para recriar este prato de 2 mil anos, Magnanimi começou com uma receita do livro romano do século 1 d.C. De Re Coquinaria, o único livro de receitas sobrevivente da Roma antiga, que é atribuído a Apício, um gourmand rico uma vez descrito por Plínio, o Velho como “o devorador mais glutão de todos os esbanjadores”.
Como as receitas antigas não especificavam quantidades ou detalhes para a preparação, ele consultou a famosa arqueóloga italiana Eugenia Salza Prina Ricotti para recriar os pratos estimando suas medidas com ingredientes que eram fiéis à época.
“Eu não poderia colocar tomate”, conta Magnanimi, “porque não havia tomates na Itália até os anos 1500, quando Cortes os trouxe voltando das Américas.”
A patina cotidiana, que significa “prato do dia” em latim, é hoje uma das assinaturas do restaurante.
A ‘patina cotidiana’, predecessora sem tomate da lasanha, é um dos pratos exclusivos da Hostaria Antica Roma
PAOLO MAGNANIMI / BBC
Minha primeira experiência me fez voltar para provar mais sabores da Roma antiga, incluindo doces como a tiropatina, um creme temperado com pimenta, que os romanos acreditavam ser afrodisíaco.
Magnanimi me disse que sua criação mais recente é la cassata di Oplontis, inspirada em um afresco encontrado em uma vila perto de Pompeia.
O bolo feito com farinha de amêndoa, ricota, frutas cristalizadas e mel esgota todas as noites.
“O meu queijo, eu faço com pilão e almofariz, exatamente como uma receita de Virgílio, do século 1 d.C.”, revela Magnanimi.
É o moretum, uma pasta de queijo inspirada no poema de Virgílio sobre um agricultor que prepara seu humilde almoço, moendo coentro, semente de aipo, alho e pecorino. Você pode passar a pasta no libum, um pão redondo que era sagrado para os romanos.
Eu tinha visto libum carbonizado em um Museu de Pompeia, onde um guia me disse que suas migalhas eram colocadas nos altares como uma oferenda aos deuses locais — um precursor da eucaristia cristã.
Magnanimi sentiu falta de interagir com os clientes durante o lockdown imposto pela pandemia de covid-19 na Itália.
Como todo o tempo livre, ele fazia várias caminhadas pela Via Ápia, onde trilhas arborizadas e ciclovias serviam como um refúgio ao ar livre para os italianos que enfrentaram um dos confinamentos mais rígidos da Europa.
“Passei uma longa manhã com um pastor, alguns dias via muitos romanos vindo aqui para correr porque não podiam ir à academia, e nos fins de semana, havia famílias fazendo piqueniques perto dos aquedutos, provavelmente vindo aqui pela primeira vez. Eu poderia dizer que todos nós estávamos sentindo um apreço maior por onde moramos, por Roma.”
“Paolo é uma parte importante deste lugar. Ele o mantém vivo”, diz Simone Quilici, diretor do Parque Arqueológico Appia Antica.
Quilici dá continuidade a uma missão iniciada no início do século 19, quando a ideia de preservar essa área começou a tomar forma.
Foi quando o arqueólogo e arquiteto Luigi Canina decidiu plantar os pinheiros-mansos ao longo da Via Ápia.
Infelizmente, os planos para o parque nunca foram finalizados e, no século 20, com o tráfego descontrolado e a turbulência dos anos de Guerra Mundial, havia o perigo de que este precioso trecho da Via Ápia fosse destruído.
A região foi vandalizada e acabou repleta de atividades criminosas. Finalmente, em 1988, graças em grande parte a décadas de protestos, a área foi oficialmente designada como parque.
“Lembro de vir aqui quando era uma garotinha”, conta Eleonora Fanelli, arqueóloga romana e guia turística.
“Não conseguia acreditar que isso era na minha cidade, um lugar saído de um conto de fadas, onde eu poderia imaginar um príncipe a cavalo galopando pela estrada.”
Agora, Fanelli adora trazer turistas aqui.
“Mesmo que esteja chovendo, eles querem sair e andar na estrada, pisar nas pedras que têm marcas de rodas de carruagem, de 312 a.C.!”
Ela gosta de contar a história do censor romano Appius Claudius Caecus, que quase levou à falência o tesouro romano para construir esta estrada.
Reza a lenda que, embora tenha ficado cego, ele ainda mantinha o controle de qualidade da obra, andando descalço na estrada para garantir que as pedras fossem colocadas perfeitamente.
A Via Ápia acabou se estendendo 563 km ao sul até Brindisi, na costa do Adriático, e foi essencial para a criação do Império Romano.
Magnanimi mora no parque há duas décadas e elogia muito a gestão de Quilici.
“Desde que ele assumiu em 2017, tornou o parque muito melhor para os romanos e para os turistas. Novas coisas foram abertas, como as termas de Capo di Bove, do século 2 d.C., onde há belos mosaicos e um jardim.”
Há também um novo aplicativo, ItinerAppia, em que os visitantes podem escanear um código QR e aprender sobre cada monumento.
“Me sinto muito sortudo por viver aqui e por receber os turistas para vivenciar Roma, La Grande Bellezza, de verdade!”, afirma Magnanimi.
“Aqui eles podem voltar milhares de anos por essas pedras e saber como era saboroso.”
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Fonte: G1 Mundo

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Apagão no Líbano: país fica no escuro após desligamento de usinas por falta de combustível

Estatal pode usar reservas de combustível do exército libanês, mas isso deve demorar para acontecer. Enquanto isso, população recorre a geradores a diesel, que também têm tempo limitado de uso. Apagão no Líbano: país fica no escuro após desligamento de usinas por falta de combustível
O Líbano sofreu um apagão depois que as duas maiores usinas que abastecem o país pararam de funcionar por falta de combustível, informou o governo libanês à agência Reuters neste sábado (9). A expectativa é de que o funcionamento não volte ao menos até segunda-feira (11).
Por causa da parada das usinas, a capital Beirute ficou sem luz. Porém, como os libaneses já mantinham o hábito de usar geradores, o blecaute não foi completo — o problema é que essa solução acaba sendo temporária porque funciona a diesel, que está com estoques baixos.
“O desligamento das duas usinas afetou diretamente a estabilidade da rede de energia e levou à sua completa parada, sem possibilidade de volta das operações neste momento”, disse em comunicado a companhia energética estatal do Líbano.
A estatal disse que vai usar a reserva de combustível do exército para tentar retomar as operações das usinas temporariamente. Porém, isso não deve ocorrer tão cedo.
O Líbano passa por grave crise econômica e caos político, que se agravaram com a explosão no porto de Beirute há um ano. Em setembro, o país finalmente conseguiu chegar à formação de um novo governo, com a nomeação de Najib Mikati para o cargo de primeiro-ministro.

Fonte: G1 Mundo

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Polícia resgata 126 migrantes em um contêiner na Guatemala


Eles foram abandonados enquanto tentavam cruzar para o México e chegar aos Estados Unidos. Polícia resgata 126 migrantes em contêiner na Guatemala
Twitter/PNC/Guatemala
A polícia guatemalteca resgatou 126 migrantes neste sábado (9), a maioria haitianos, que foram abandonados dentro de um contêiner no sul do país enquanto tentavam cruzar para o México e chegar aos Estados Unidos, informou a instituição.
Os migrantes foram localizados na madrugada após “uma denúncia sobre um trailer abandonado” em uma rodovia entre as cidades do sul de Nueva Concepción e Cocales, o porta-voz da Polícia Nacional Civil (PNC), Jorge Aguilar, disse a jornalistas.
No local, foi encontrado um caminhão com um contêiner onde “foram encontrados 126 indocumentados”, acrescentou.
“Ouvimos gritos e batidas dentro do contêiner. Abrimos as portas e encontramos dentro de 126 pessoas sem documentos: 106 do Haiti, 11 do Nepal e nove de Gana”, disse.
Fotografias divulgadas pela polícia mostraram migrantes saindo da van com mochilas ou sentados na estrada. O grupo foi levado a um abrigo do Instituto de Migração da Guatemala.
A região, onde milhares de guatemaltecos, hondurenhos, salvadorenhos e nicaraguenses emigram para os Estados Unidos todos os anos, também enfrenta uma crise migratória devido à passagem de uma onda de milhares de migrantes, principalmente haitianos, rumo ao país americano em busca de melhores oportunidades, apesar da jornada perigosa e exaustiva.
Mais de cinquenta migrantes morreram no Panamá este ano enquanto tentavam cruzar a área da selva de Darien, na fronteira com a Colômbia, informou esta semana um funcionário da promotoria panamenha.
Na sexta-feira, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse que mais de 7.500 migrantes haitianos foram expulsos em menos de três semanas pelos Estados Unidos, que fretou 70 voos para deportá-los.
Polícia resgata 126 migrantes em um contêiner na Guatemala
Reprodução/ Twitter/PNC

Fonte: G1 Mundo

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Freira colombiana sequestrada no Mali é libertada depois de 4 anos


Gloria Cecilia Narvaez foi capturada por extremistas de grupo islâmico ligado à Al-Qaeda em 2017. Foto da presidência do Mali divulgada neste sábado (9) mostra a freira colombiana Gloria Narvaez ao lado de autoridade católica do Mali
Presidência do Mali/Twitter
O governo do Mali afirmou neste sábado (9) que a freira colombiana Gloria Cecilia Narvaez, sequestrada há quatro anos por extremistas islâmicos do país, foi finalmente libertada.
Militantes da facção Frente de Libertação de Macina, um grupo terrorista ligado à al-Qaeda, sequestraram a religiosa em 2017. Integrantes da Igreja dizem que os extremistas acusaram Gloria de querer converter muçulmanos, que são majoritários no Mali.
Durante esses anos, Gloria conseguiu se comunicar com a família, que enviava cartas que chegavam ao cativeiro. Enquanto esteve sequestrada, soube da morte de sua mãe aos 87 anos.
O jornal colombiano “El Tiempo” afirma que existia uma preocupação com o estado de saúde de Gloria. Ainda não há detalhes sobre as condições físicas da freira colombiana nem do possível retorno ao país sul-americano.

Fonte: G1 Mundo

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Papa abre maior consulta democrática da história da Igreja, que pode mudar futuro da instituição


Nos próximos dois anos, Francisco quer que a imensa maioria dos católicos — idealmente, todos os 1,3 bilhão que se declaram assim — sejam ouvidos sobre o futuro da Igreja. Autoridades eclesiais apresentam o documento final do Sínodo da Amazônia a jornalistas, no dia do encerramento do evento, no Vaticano
Edison Veiga
Neste fim de semana, papa Francisco abre o que pretende ser o maior movimento de consulta democrática da história da Igreja Católica, uma religião que, aos longo dos séculos, se tornou símbolo de hierarquia rígida, conservadorismo e pouca transparência — e, de quebra, comanda um Estado, o Vaticano, de forma teocrática.
Nos próximos dois anos, Francisco quer que a imensa maioria dos católicos — idealmente, todos os 1,3 bilhão que se declaram assim — sejam ouvidos sobre o futuro da Igreja. Para tanto, conta com impulsos de comunidades locais, em uma primeira fase, assembleias regionais, no estágio seguinte e, por fim, o Sínodo dos Bispos marcado para acontecer em 2023 no Vaticano.
Temas que vêm sendo trazidos à tona mais recentemente, como maior participação feminina na tomada de decisões da Igreja e mais acolhimento a grupos ainda marginalizados pelo catolicismo tradicional — de homossexuais a divorciados em segunda união —, devem aparecer de forma recorrente nesse processo de consulta pública, a maior já realizada na milenar história do catolicismo.
Além disso, Francisco deve utilizar esse momento para consolidar uma aposta evidente em seu pontificado reformador. Ao definir que o próximo sínodo terá como tema a própria sinodalidade (maneira de ser e de agir da Igreja), ele se inspira no modo de vida dos primeiros cristãos, cujas decisões eram tomadas de forma colegiada.
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Evidentemente que isso não significa que a Igreja abraçou a democracia. As decisões seguem como sempre: respeitando a hierarquia tradicional — a consulta pública é que é democrática, mas caberá ao papa a palavra final.
Papa Francisco durante audiência semanal, em 5 de setembro de 2021
Guglielmo Mangiapane/Reuters
Contudo, se o sucesso for atingido, a instituição terá dado um passo importante. Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a chamada sinodalidade pode deixar de ser um método para se tornar um jeito de pensar. O que significa que o modelo levado ao extremo por Francisco dificilmente poderá ser deixado de lado, mesmo quando outro for o papa.
A voz do povo
Um sínodo para tratar a sinodalidade não deve ser entendido como mera metalinguagem. O atual pontífice mostra mais uma vez, e de modo contundente, que acredita numa Igreja que ouça os anseios dos cristãos. De todo o mundo.
Este futuro encontro dos bispos, portanto, não irá se restringir às conferências encabeçadas por religiosos dentro dos muros do Vaticano. O que começa neste fim de semana é um processo de sinodalidade que pretende estar aberto a ouvir todos os católicos que queiram se expressar nos próximos dois anos. Isso significa 1,3 bilhão de pessoas, metade de todos os habitantes da Terra, que se declaram cristãos.
Papa Francisco lidera oração nos jardins do Vaticano em 31 de maio de 2021
Filippo Monteforte/Pool via AP
Radical? “É o mais amplo sínodo, a maior experiência de sinodalidade que já foi feita na Igreja”, comenta o vaticanista Filipe Domingues, doutor pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.
“A proposta é ampla, pretende que todos os fiéis batizados tenham a chance de, em alguma parte do processo, serem consultados. Isso nunca existiu na história da Igreja: uma tentativa de consultar todos os católicos do mundo.”
“É claro que ninguém vai bater de porta em porta para falar com todos. Mas reuniões e assembleias devem ocorrer em paróquias e em grupos, questionários devem ser aplicados. A ideia é que todos se sintam tocados a participar”, contextualiza Domingues.
“É a tentativa mais ampla de enraizar a sinodalidade não mais como um processo e uma forma de fazer as coisas, mas como uma mentalidade da Igreja.”
O que é
A palavra sínodo vem da junção de dois termos gregos, synodos (reunião ou conselho) e hodós (caminho). Sinodalidade, portanto, é uma maneira de acreditar que o caminho depende do entendimento conjunto. Que as decisões não devem ser impostas por uma autoridade, mas precisam brotar das bases.
Desde que assumiu o comando da Igreja e se tornou papa Francisco, em 2013, o argentino Jorge Bergoglio tem demonstrado que é assim que acredita um futuro possível. De certa forma, recupera o modus operandi das primeiras comunidades cristãs, antes de a instituição se tornar poderosa e influente. Naqueles primórdios, toda e qualquer decisão era colegiada.
Há grande possibilidade de Francisco encerrar seu pontificado por aposentadoria ou morte, antes do sínodo terminar. Assim, o processo sinodal se torna um meio para garantir a continuidade do processo de mudanças iniciado por Bergoglio,
CNBB/ Divulgação
Nesse percurso, Francisco também aprofunda uma ideia trazida no Concílio Vaticano II. Como resposta aos anseios expressos pelos padres conciliares, o então papa Paulo VI (1897-1978) criou em 1965 o Sínodo dos Bispos, esse encontro periódico a reunir representantes episcopais de todo o mundo para tratar de temas específicos.
De lá para cá, já foram 29 encontros, entre ordinários, extraordinários e regionais. Ao abrir o próximo, cuja reunião final será em 2023, em evento na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, neste sábado (9) e, oficialmente, em missa na Basílica de São Pedro no domingo (10), Francisco radicaliza algo que vinha buscando desde o primeiro dos cinco sínodos já convocados por ele: a participação das comunidades.
“Nesta nova assembleia do sínodo, o mais importante não serão as conclusões, mas o processo de escuta e de participação eclesial que ela deflagra”, explica o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
“Além disso, tem uma grande possibilidade de Francisco encerrar seu pontificado, por aposentadoria ou morte, antes do sínodo terminar. Assim, o processo sinodal se torna um meio para garantir a continuidade do processo de mudanças iniciado por Bergoglio, independentemente de quem seja o novo papa”
“O ponto crucial é a ampla consulta à comunidade católica, que começará em nível local, nas dioceses e paróquias, para culminar na assembleia dos bispos”, acrescenta. “Essas consultas se tornaram características de um ‘modo Francisco’ de governar a Igreja, ainda que processos semelhantes possam ser encontrados em várias experiências anteriores.”
Como enfatiza o vaticanista Domingues, este sínodo deve imprimir a sinodalidade como o jeito de organizar as decisões. “A ideia de que antes de cada grande decisão, antes de dar os rumos da Igreja, as pessoas sejam consultadas. E que os bispos também façam isso, e que isso seja feito dentro das paróquias, que a gente parta do princípio de que o normal é ouvir as pessoas”, diz ele.
“No fim, a Igreja mantém sua estrutura hierárquica e tudo o mais. Sempre uma autoridade vai tomar a decisão. Mas ela [a decisão] é iluminada por essas experiências da base e de todos que são consultados. Para quem acredita, o Espírito Santo fala também pelo povo, não flui só entre as autoridades da Igreja, mas sim nas pequenas comunidades, nas famílias e em todos aqueles que acabam sendo consultados no processo sinodal”, comenta Domingues.
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Família, jovens e Amazônia
Desde que assumiu o Vaticano, Francisco já realizou quatro sínodos. Os dois primeiros, debateram a família. O terceiro abordou a questão dos jovens. O último, ocorrido em 2019, trouxe para o centro da Igreja um tema urgente aos dias atuais: a Amazônia, com todas as suas implicações sociais, geográficas e ambientais.
Ao contrário de papas anteriores, Francisco já vinha aprofundando essa participação popular, incentivando que os sínodos não fossem apenas encontros de bispos de várias partes do mundo, com suas visões e experiências distintas, mas sim que esses religiosos trouxessem para o Vaticano resultados de algumas consultas feitas em suas comunidades.
Papa Francisco em cerimônia nos jardins do Vaticano realizada com indígenas da Amazônia
Divulgação/Vatican News
Frei Marcelo Toyansk Guimarães, da Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação dos Frades Capuchinhos e assessor da Comissão Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB, seção São Paulo), recorda-se bem dos eventos preparatórios que ajudou a realizar entre 2018 e 2019.
“Acompanhei bastante e buscamos repercutir, durante o processo sinodal, aqueles temas, ajudando a Igreja toda a repensar um novo processo: a ecologia integral, uma Igreja em saída e toda a perspectiva que o sínodo trouxe”, comenta.
Outra inovação recente é a convocação, para participar do encontro em si, junto aos bispos no Vaticano, de peritos ou especialistas leigos. No evento de 2019, por exemplo, participaram o renomado climatologista brasileiro Carlos Nobre, da equipe laureada com o Nobel da Paz em 2007, e Ban Ki-moon, ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Um ano antes, no sínodo que abordou a questão dos jovens no mundo contemporâneo, outro brasileiro leigo atuou como convidado. Trata-se do vaticanista Filipe Domingues, que a época cursava seu doutorado na Universidade Gregoriana.
“Foi inesperado”, conta. Ele foi convidado por uma professora a participar de um encontro pré-sinodal. Acabou se tornando um dos relatores. Daí, junto a outra colega, acabou chamado para atuar no sínodo em si.
“Eles queriam que houvesse pelo menos duas pessoas relativamente jovens na comissão de peritos”, afirma ele, que tratou principalmente de assuntos relacionados ao uso de redes sociais na comunicação entre jovens.
Ele destaca a importância dos eventos pré-sinodais, como o do qual ele participou. “Isso fez com que chegassem ao sínodo temas que, na minha opinião, os bispos sozinhos não teriam pensado ou não teriam pensado da mesma forma”, acredita ele.
“Por exemplo, a participação da mulher [na Igreja] ou mesmo questões de sexualidade, que são importantes. Muitos jovens [católicos] têm dificuldade de viver o que a Igreja pede nesse âmbito.”
Assunto que vinha sendo estudado durante seu doutorado, Domingues contribuiu principalmente abordando as redes sociais. “[No evento pré-sinodal] os jovens levantaram pontos cruciais, e isso chegou aos bispos. Provocados, eles precisaram responder a algumas demandas. Não podem simplesmente ignorar”, afirma. “Eis um exemplo de como esse processo novo faz diferença.”
Essa vivência, bem como seus estudos durante o doutorado, acabou se tornando livro, ‘Selflessness in the Age of Selfies: What Young People Can Teach Us About Social Media’s Throw-Away Culture’ (Altruísmo na era das selfies: o que os jovens podem nos ensinar sobre a cultura do descartável nas redes sociais, em tradução livre), lançado por Domingues este ano, em edição norte-americana.
“Mas acho que isso tudo ilustra como é importante, para a Igreja, esse processo de escuta. Se eles tivessem simplesmente convocado um encontro sobre jovens e botado os bispos lá para conversar, eles iriam trazer sua experiência pastoral, fazer uma consulta local antes de viajar para Roma… Ia ser válido, mas com essa reunião pré-sinodal, há maior compreensão do que ocorre”, defende.
Contudo, também há críticas. À reportagem, dois membros atuantes da Igreja Católica no Brasil criticaram como os encontros pré-sinodais vêm acontecendo sob o pontificado de Francisco.
Ambos pediram para não ter seus nomes identificados, mas demonstraram desconforto sobre como as discussões, em tempos de forte polarização ideológica, vem sendo monopolizadas por grupos alinhados à esquerda.
Segundo um deles, o caso do Sínodo da Amazônia foi bastante claro nesse sentido: o documento apresentado como síntese do processo de consultas acabou sendo muito parecido com as premissas daqueles que mobilizaram a participação popular. Outro membro relatou que alguns setores buscaram hegemonizar a discussão, sempre pendendo para um lado “mais progressista e avesso às tradições do catolicismo”, em suas palavras.
Neste ponto, concordam esses católicos, Francisco tem um grande desafio em sua intenção de ouvir a totalidade dos fiéis: incluir no processo os setores mais tradicionalistas e autocentrados da comunidade católica. São grupos que “carregam fortes ressentimentos com a sociedade moderna e os progressistas da Igreja”, elenca uma das fontes ouvidas.
No tabuleiro de xadrez que o papa joga, falta conseguir colocar do mesmo lado os chamados “progressistas” e os “conservadores”, afinal. Se Francisco quer uma Igreja aberta a todos, ainda não conseguiu afagar tanto os tradicionais, ao mesmo tempo em que é aclamado pelos progressistas. “Esse é o maior obstáculo ao projeto eclesial de Francisco”, avalia a fonte.
O tema da vez
A ideia de convocar um sínodo para debater a sinodalidade, em um primeiro momento, soou como uma espécie de provocação. Mas, no limiar do lançamento do processo, já é entendido como um eco profundo do magistério de Francisco.
“Essa coisa da sinodalidade, no começo parecia uma metalinguagem”, admite Domingues. “Mas agora já vemos que é a consolidação da ideia que Francisco tem do sínodo, algo que continue além de seu pontificado. Ele está em uma fase de consolidação, das ideias criando raízes. Seu papado já não traz ideias novas, mas sim enraíza as já apresentadas.”
Guimarães recorda uma tese presente no pontificado de Francisco que, neste processo sinodal, deve ser elevada à máxima potência: a da infalibilidade não só do papa, como defende o catecismo católico, mas sim de todo o povo cristão.
“Ele diz que os cristãos leigos, os cristãos em geral, em sua fé autêntica, também são infalíveis. E são eles quem apontam o caminho da Igreja”, pontua o religioso. “Essa fala norteia o processo.”
Para Guimarães, este é um caminho possível para o futuro. “Quanto mais a gente vive a sinodalidade, mais profundamente estamos no que é essencial: o amor fraterno, o diálogo, o respeito mútuo, a reciprocidade dos dons e o serviço, uns aos outros”, exemplifica. “Quanto mais se vive a sinodalidade, mais se é povo de Deus e mais se supera os grupismos, o clericalismo.”
“O processo sinodal, de forma profunda e autêntica, renova a vida na Igreja e repercute na sociedade, porque consegue dialogar com expressões socioambientais e se coloca na posição de serviço, de ajuda mútua, de acolhimento”, prossegue. “Esse caminho ajuda a Igreja a ser mais presente e a dar respostas à sociedade.”
Guimarães acredita que tal modelo propicie à Igreja “abarcar, acolher e considerar as urgências do dia de hoje, sejam elas sociais, ambientais, de justiça, políticas, estruturais”.
O vaticanista Domingues acredita que no decorrer desse processo devem ser apresentadas questões que por vezes já pululam em discussões sobre o futuro da Igreja.
“Já está sendo levantado, por exemplo, a questão do voto feminino no Sínodo”, lembra ele — mesmo com a participação que já ocorreu nas edições sob o pontificado de Francisco, o documento final foi sempre redigido mediante aprovação, frase a frase, dos bispos participantes; todos eles homens, obviamente.
O recado foi dado pelo próprio sumo pontífice. Em fevereiro, ele escolheu, pela primeira vez, uma mulher para ocupar o cargo de subsecretária no Sínodo dos Bispos: a freira francesa Nathalie Becquart, que já atuava como consultora.
“Essa é uma questão. Como as mulheres vão participar, de que forma a estrutura da Igreja pode se adaptar para incluir mais as mulheres no processo de decisão. É uma questão sinodal”, explica Domingues.
“Não adianta a gente achar que os bispos sozinhos vão tomar sempre as melhores decisões para a Igreja, sem ouvir ninguém. E eles já têm a consciência disso, a grande maioria sabe que é preciso parar para ouvir, porque a Igreja pede, a Igreja age conforme os sinais dos tempos. E como se percebe isso? Ouvindo as pessoas, indo para a rua, se metendo no meio delas e vendo as dificuldades. Tentando propor respostas…”
“Papa Francisco tem ressaltado que os espaços de poder sejam ocupados também pelas mulheres”, salienta Guimarães. Ele acredita ainda que o processo, se feito com a participação abrangente dos setores, ajudará a “superar as divisões da sociedade” em um momento de “polarização que repercute dentro da Igreja”.
“Esse processo [sinodal] é muito importante porque identifica as fraturas que a sociedade nutre e que, muitas vezes, entra na mentalidade da Igreja”, diz.
O sociólogo Ribeiro Neto, contudo, enfatiza que sinodalidade “é um processo ‘comunional'”, que não deve ser confundido com um movimento democrático.
“Num processo democrático, as decisões nascem de uma posição majoritária, determinada frequentemente pelo voto. Na comunhão, as decisões nascem de um consenso amparado na sabedoria e na espiritualidade dos mestres da fé, que Francisco faz questão de lembrar que não são obrigatoriamente os chefes ou os doutos, mas qualquer membro da comunidade que tenha o verdadeiro discernimento da fé”, explica ele.
“Francisco é, antes de tudo, um místico. Procura, nos eventos controversos e nas vozes frequentemente dissonantes do mundo, os sinais da vontade Deus. Para ele, o sínodo é isso: uma oportunidade de ouvir a voz de Deus que está oculta entre os pequeninos, não um processo democrático de consulta à maioria. É um evento de caráter espiritual e místico, antes de político e organizativo”, sintetiza o sociólogo.

Fonte: G1 Mundo

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Apesar do medo, mulheres tentam resistir em reduto talibã no Afeganistão


Em Kandahar, berço do Talibã no Afeganistão, quase nenhuma mulher foi vista nas ruas desde o retorno ao poder dos fundamentalistas islâmicos. Em Kandahar, meninas são permitidas nas escolas, mas número de estudantes diminuiu significativamente após a tomada de poder pelo Talibã
BULENT KILIC / AFP
Em Kandahar, berço do Talibã no Afeganistão, quase nenhuma mulher foi vista nas ruas desde o retorno ao poder dos fundamentalistas islâmicos. Mas Fereshteh, Fauzia e outras colegas tentam superar seus medos para continuar trabalhando ou estudando.
Fereshteh e Zohra têm quase a mesma idade, 23 e 24, e o mesmo medo: que um talibã se aproxime de surpresa e jogue ácido em seus rostos.
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Desde seu retorno ao poder em meados de agosto, o Talibã não atacou fisicamente mulheres que estudam ou trabalham em Kandahar (sul), de acordo com vários depoimentos. E o último ataque com ácido a estudantes da mesma cidade data de mais de doze anos.
Mas a memória dos anos 1990, quando o Talibã impedia as mulheres de trabalhar, estudar ou sair sozinhas ou sem burca, basta para que estas abandonassem as longas e poeirentas avenidas comerciais de Kandahar.
As poucas mulheres vistas nas ruas são como sombras em burcas, correndo pelas lojas, com sacolas de compras nas mãos.
“Antes éramos felizes por vir trabalhar, agora isso nos aflige”, diz à AFP Fereshteh Nazari, diretora da escola feminina Sufi Sahib em Kandahar.
“Na rua, os talibãs não dizem nada, mas dá para ver que eles nos olham de soslaio”.
Na escola onde trabalha, “a maioria dos pais não manda mais suas filhas com mais de 10 anos para a aula”, porque “elas não se sentem mais seguras”.
Naquele dia, 700 meninas foram para a escola, em comparação com 2.500 que frequentavam antes.
“Além das compras, que fazemos muito rapidamente, não vamos mais a lugar nenhum, vamos muito rápido para casa”, confirma Fauzia, uma estudante de medicina de 20 anos que prefere não revelar seu nome verdadeiro por questões de segurança.
Já os homens aproveitam para bater um papo por horas na calçada, em restaurantes ou bares de “shisha”.
Zohra, uma estudante de matemática que também não quer dar seu nome verdadeiro, decidiu parar de ir às aulas, como várias de suas amigas, após rumores de possíveis ataques de ácido.
“Para mim, a vida é mais importante do que qualquer outra coisa”, diz.
Mas outras não podem se dar ao luxo, como Fereshteh e suas colegas professoras, que aguardam seus salários, congelados desde a queda do governo anterior há quase dois meses.
“Podemos acabar pedindo esmolas no mercado”, suspira a jovem diretora, morena de grandes olhos pretos realçados com kohl, que usa um lenço preto bordado com lantejoulas cintilantes nos cabelos.
“Não temos mais dinheiro. Meu marido perdeu o emprego e tenho que alimentar nossos dois filhos”, explica uma colega de Fereshteh, que prefere não revelar seu nome e que, como muitas mulheres no Afeganistão, diz que está “deprimida” .
Menos vozes femininas
Fauzia também está com problemas. Órfã, ela é responsável por alimentar seus quatro irmãos com entre 13 e 17 anos. Até agosto, trabalhava em uma rádio local, onde dava voz a comerciais.
Mas depois de tomar a cidade, o Talibã “postou mensagens no Facebook dizendo que não queria mais música ou vozes femininas nas rádios”, disse uma das autoridades da estação.
“Paramos e é uma pena, porque as vozes das mulheres funcionam melhor para atrair a atenção do público”, acrescenta.
Desde então, Fauzia deixou seu currículo por toda a cidade, principalmente para cargos de professora. Mas tudo parece estagnado. “Eles me dizem para esperar”, diz.
Mas começa a desesperar, porque “o Talibã não diz mais nada”.
Oficialmente, os fundamentalistas negam querer retornar ao regime extremista dos anos 1990. “Não proibimos nada às mulheres”, disse o mulá Noor Ahmad Saeed, um dos líderes talibãs da província de Kandahar.
“Se não se sentem seguras ou não voltam ao trabalho, é problema delas”, afirmou, indiferente. Os talibãs, que vão seguir “as regras do Islã” acima de tudo, “ainda estão estudando” o assunto, acrescentou, sem dar mais detalhes.
Fauzia vê a pressão social aumentar, mesmo em sua própria casa. “Meu irmão me diz para cobrir o rosto, para não ver mais meus amigos, para não ir a lugar nenhum, exceto para a escola”.
No pátio da escola, uma das alunas de Fereshteh, Shahzia, de 12 anos, sente falta do governo anterior, que havia promovido a educação de meninas. “Queremos liberdade”, mas na realidade “teremos que fazer o que eles nos dizem, caso contrário, teremos problemas”.
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Fonte: G1 Mundo

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Polícia italiana usa canhões de água para afastar manifestantes antivacina em Roma

Cerca de 10 mil pessoas foram às ruas no coração da capital italiana para protestar contra o Green Pass. Manifestantes são apoiados por grupos de extrema-direita. A polícia italiana usou canhões de água neste sábado em Roma para forçar o recuo de centenas de manifestantes anti vacinação contra a Covid-19, tentando mantê-los longe do gabinete do primeiro-ministro.
Cerca de 10 mil pessoas foram às ruas no coração da capital italiana para protestar contra o Green Pass, um certificado digital ou em papel que mostra se a pessoa recebeu pelo menos uma dose da vacina, testou negativo para Covid-19 ou recentemente se recuperou do vírus, segundo a imprensa local.
Algumas centenas de manifestantes se dirigiram ao gabinete do primeiro-ministro, disseram os veículos. A polícia se alinhou para conter os manifestantes, apoiados por grupos de extrema-direita, afirmou a imprensa italiana.

Fonte: G1 Mundo

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Vencedora do Nobel da Paz diz que Facebook falha em combater notícias falsas


Em entrevista à Reuters, a jornalista filipina Maria Ressa afirmou que algoritmos da rede social “priorizam a disseminação de mentiras misturadas à raiva e ao ódio aos fatos”, o que afeta democracia. Jornalista filipina Maria Ressa, uma das ganhadoras do Prêmio Nobel da Paz em 2021.
Eloisa Lopez/Reuters
A jornalista filipina Maria Ressa, que ganhou o Nobel da Paz ao lado do russo Dmitri Muratov na sexta-feira (9), disse em entrevista à Reuters que o Facebook falha em combater a disseminação de notícias falsas e a propagação de ódio na internet.
Para ela, os algoritmos da rede social “priorizam a disseminação de mentiras misturadas à raiva e ao ódio aos fatos”.
“Se você não tem fatos, não pode ter verdades, não pode ter confiança. Se você não tem nada disso, não tem democracia”, disse a fundadora e diretora-executiva do Rappler, mídia de jornalismo investigativo nas Filipinas.
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OUÇA como Maria Ressa reagiu ao ser avisada que ganhou o prêmio
Vazamento no Facebook: o que novo escândalo revela sobre práticas da empresa
Procurado para comentar os comentários de Ressa, um porta-voz do Facebook disse que a gigante das mídias sociais continua investindo para remover e reduzir a visibilidade de conteúdo prejudicial.
“Acreditamos na liberdade de imprensa e apoiamos empresas de notícias e jornalistas em todo o mundo enquanto continuam seu importante trabalho”, acrescentou o porta-voz.
Nobel da Paz 2021 vai para Maria Ressa e Dmitry Muratov
A declaração ocorreu dias após a ex-funcionária do Facebook Frances Haugen ter afirmado ao Congresso dos Estados Unidos que a rede social enfraquece a democracia e é uma ameaça às crianças.
Frances recolheu milhares de documentos internos do Facebook antes de deixar a empresa em maio, e vazou informações ao jornal americano “Wall Street Journal”.
Contratada pelo Facebook em 2019 na esperança de ajudar a empresa a corrigir alguns problemas, ela afirma ter ficado cada vez mais preocupada com as decisões que a empresa tem tomado.
Saiba mais sobre quem é Frances Haugen
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Fonte: G1 Mundo