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CIA admite ter perdido ‘dezenas de informantes’ estrangeiros, diz jornal


Oficiais dos serviços de contraespionagem enviaram alertas recentes de que aumentou o número de agentes que foram mortos, capturados ou recrutados por governos inimigos. Logo da CIA, agência de inteligência americana, na sede da instituição em Langley, no estado da Virgínia
Jason Reed/Reuters
A CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, admitiu em comunicados internos ter perdido “dezenas de informantes” estrangeiros, informou nesta terça-feira (5) o jornal “The New York Times”.
Oficiais dos serviços de contraespionagem enviaram alertas recentes de que aumentou o número de agentes que foram mortos, capturados ou recrutados por governos inimigos.
Segundo a publicação, citando fontes da inteligência dos EUA, o governo americano tem conhecimento de um alto número de agentes que foram mortos, o que não foi tornado público.
Além disso, a reportagem teve acesso às mensagens enviadas aos escritórios internacionais da CIA em que há relatos da dificuldade que o serviço americano tem encontrado para novos recrutamentos.
O “The New York Times” também reportou que agências adversárias na Rússia, China, Irã e Paquistão têm identificado agentes americanos – e em alguns casos, os transformado em agentes duplos.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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Assassino condenado será executado nos Estados Unidos, apesar do Vaticano pedir clemência

Ernest Lee Johnson receberá injeção letal pelos assassinatos de três trabalhadores de uma mercearia durante um assalto fracassado em Columbia, Missouri, em 1994. Vaticano enviou carta em nome do Papa; advogados alegam que réu tem deficiência intelectual. Um afro-americano de 61 anos será executado nesta terça-feira (5) no Missouri, um estado no centro dos Estados Unidos, apesar dos pedidos de clemência do Vaticano e seus advogados, que alegam deficiência intelectual.
Ernest Lee Johnson receberá uma injeção letal pelos assassinatos de três trabalhadores de uma mercearia durante um assalto fracassado em Columbia, Missouri, em 1994.
O governador do estado, o republicano Mike Parson, rejeitou na segunda-feira os apelos para suspender a execução, que está marcada em Bonne Terre às 18h (20h no horário de Brasília).
“O Estado está preparado para fazer justiça e cumprir a sentença legal que o Sr. Johnson recebeu”, disse Parson em um comunicado.
“As evidências mostraram que o Sr. Johnson fez tudo o que pôde para planejar e ocultar seu crime”, explicou. “Três jurados analisaram o caso do Sr. Johnson e recomendaram a sentença de morte”.
“A alegação do Sr. Johnson de que ele não é competente para ser executado foi analisada e rejeitada por um júri e pelos tribunais em seis ocasiões, incluindo uma decisão unânime da Suprema Corte do Missouri”, disse o governador.
Os advogados do condenado tentaram repetidamente bloquear sua execução, alegando que ele tem deficiência intelectual e violaria a Oitava Emenda da Constituição, que proíbe punições cruéis e incomuns.
O enviado do Vaticano aos Estados Unidos enviou uma carta ao governador em nome do Papa Francisco na semana passada instando-o a interromper a execução.
“Esta petição não é baseada nos fatos e circunstâncias de seus crimes” ou na “capacidade intelectual do Sr. Johnson. Em vez disso, Sua Santidade deseja apresentar a você o simples fato da humanidade de Johnson e o caráter sagrado de toda a vida humana”, disse o arcebispo Christophe Pierre.
Em um processo na Suprema Corte, os advogados de Johnson disseram que ele obteve uma média de 67 nos testes de QI, dentro da faixa para deficiência intelectual.
Eles disseram que sua mãe e seu irmão eram deficientes intelectuais e que Johnson nasceu com um distúrbio do espectro alcoólico fetal.
“O Sr. Johnson foi detido duas vezes na segunda e na terceira série devido a suas deficiências intelectuais”, afirmaram, explicando que ele abandonou a escola depois de uma segunda tentativa no nono ano.
Dois membros democratas da Câmara dos Representantes do Missouri, Cori Bush e Emanuel Cleaver, também apelaram por clemência, dizendo que a execução de Johnson “seria um grave ato de injustiça”.
“Assim como a escravidão e o linchamento, a pena de morte perpetua ciclos de trauma, violência e assassinato sancionado pelo Estado nas comunidades negras”, observaram.
Johnson foi condenado pelo assassinato de três funcionários – Mary Bratcher, Mabel Scruggs e Fred Jones – enquanto assaltava a loja para obter dinheiro para comprar drogas.
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Fonte: G1 Mundo

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Câmera flagra momento em que veado se choca contra porta de vidro nos EUA; veja vídeo

Família levou um susto e achou que a casa havia sido arrombada. Ao rever as imagens do circuito de segurança, viram que foi o animal selvagem que avançou contra o vidro. Câmera flagra momento em que veado se choca contra porta de vidro nos EUA
Uma câmera presa na campainha de uma casa da Geórgia, nos Estados Unidos, flagrou o momento exato em que um veado se chocou contra a porta da frente (veja o estrago no vídeo acima).
A família Williams, que não estava em casa na hora do incidente, levou um susto ao retornar. Eles acharam que a porta de vidro havia sido arrombada por ladrões.
Chrystal Williams disse em entrevista à emissora local News Channel 9, da rede ABC, que chegou a chamar a polícia com medo de um roubo.
“Eu liguei, fiz um Boletim de Ocorrência”, disse Williams. “Eles vieram e revistaram a casa toda, mas nada foi roubado. A gente ficou sem entender.”
Mas ao rever as imagens do circuito de segurança, eles viram que na verdade foi o animal selvagem que avançou contra a porta e estilhaçou o vidro.
Na gravação é possível ver o veado avançando em alta velocidade, e que após o choque, dá uma volta sai correndo por onde veio.
“Não tinha nenhuma marca de sangue ou nada do tipo, então eu acho que ele não ficou ferido”, disse a moradora.
A família Williams disse que, apesar da curiosa visita, eles ainda estão em choque. O marido de Crystal, Jamar, se disse “traumatizado”.
“Estou meio traumatizado agora quando desço as escadas para ir ao trabalho”, disse o marido. “Eu sempre espio para fora antes. Nunca se sabe quando ele pode voltar.”

Fonte: G1 Mundo

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Vitoriosos há cinco anos, candidatos de partido ‘anti-establishment’ da Itália têm resultados ruins


Prefeita de Roma tentou ser reeleita e não foi nem para o segundo turno. Centro-esquerda é favorita em Roma, Milão, Nápoles e Bolonha. Virginia Raggi em um evento de campanha antes da eleição municipal em Roma em outubro de 2021
Andreas Solaro/ AFP
A prefeita de Roma, Virginia Raggi, ficou de fora do segundo turno da eleição na qual ela concorria a um segundo mandato, de acordo com os resultados divulgados na segunda-feira (4).
Raggi é do Movimento 5 Estrelas, um partido que teve bons resultados eleitorais há cinco anos na Itália, com uma plataforma de mudanças na política.
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Raggi foi a primeira mulher a ser prefeita de Roma e também a pessoa mais jovem (ela tem 43 anos).
Ela e o partido não entregaram os resultados de mudança na política que haviam prometido e são tidos como incompetentes.
Além da derrota dela, em Roma, o partido também foi mal em outras eleições municipais na Itália.
Movimento 5 Estrelas foi o partido que mais fez parlamentares nas eleições gerais do país em 2018 —naquela ocasião, ele passou a dominar 33% do Parlamento.
Na segunda-feira, Raggi conversou com alguns de seus apoiadores, e disse a eles que o seu sucessor não terá desculpas para não fazer um bom trabalho.
No segundo turno, o candidato da direita é Enrico Michetti, um advogado e apresentador de rádio, e o candidato da esquerda é Roberto Gualtieri, um ex-ministro da Economia. Gualtieri é considerado o favorito.
Candidatos de centr0-esquerda também são favoritos em Milão, Nápoles e Bolonha.
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Fonte: G1 Mundo

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Texas propõe indulto póstumo a George Floyd por condenação ligada a drogas


Floyd havia sido condenado em 2004 por vender US$ 10 de crack a um policial. Estátua de George Floyd é vandalizada em Nova York
O Conselho de Indultos e Condicionais do Estado do Texas votou na segunda-feira (4) a favor da recomendação de que George Floyd receba um indulto póstumo a uma condenação de 2004 ligada a drogas, disse o procurador Kim Ogg.
Protesto em Washington, em 28 de agosto de 2020: manifestante leva placas com desenhos em homenagem a George Floyd
Carolyn Kaster/Arquivo/AP Photo
Floyd, um negro de 46 anos que morreu algemado quando um policial branco da cidade norte-americana de Mineápolis se ajoelhou sobre seu pescoço durante mais de nove minutos durante uma prisão em 2020, tornou-se o rosto de um movimento que confronta a brutalidade policial e o viés tendencioso do sistema de justiça criminal dos Estados Unidos.
O conselho votou por 7 x 0 a favor do indulto. A recomendação será encaminhada para uma decisão final do governador Greg Abbott, do Texas.
Em fevereiro de 2004, Floyd foi acusado por um policial de vender 10 dólares em crack no Texas, onde ele morava na época. Ele foi condenado por isso.
Mais tarde, Floyd se declarou culpado de uma acusação e foi condenado a 10 meses em uma prisão estadual, segundo a agência de notícias.
Policial foi filmado com o joelho sobre o pescoço de George Floyd
AFP/Facebook / Darnella Frazier
“Lamentamos a perda do ex-morador de Houston George Floyd e esperamos que sua família encontre consolo na decisão de segunda-feira do Conselho de Indultos e Condicionais do Estado do Texas de recomendar clemência a uma condenação de 2004”, disse Kim Ogg, procurador-geral do condado de Harris, Kim Ogg, em um comunicado.
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Fonte: G1 Mundo

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Homem é preso após estacionar ‘veículo suspeito’ em frente a sede da Suprema Corte dos EUA


Polícia do Capitólio pediu que se evitasse a área, onde os nove juízes do tribunal estão reunidos Suprema Corte dos Estados Unidos em Washington, em 2 de setembro de 2021
AFP/Kevin Dietsch
Um homem foi preso após estacionar um “veículo suspeito” em frente a sede da Suprema Corte dos Estados Unidos, informou a Polícia do Capitólio nesta terça-feira (5).
As autoridades haviam pedido mais cedo que se evitasse a área, onde uma investigação estava ativa. Os nove juízes da mais alta corte americana estão reunidos no local.
“Um homem está sob custódia”, disse a polícia.
O departamento da polícia responsável pela segurança do Congresso e da Corte disse mais cedo em nota que investigava a ação de um veículo suspeito estacionado.
As autoridades aumentaram o alerta de perigo em toda a área da capital americana desde a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro, por apoiadores do então presidente Donald Trump.
Em agosto, um homem que dizia carregar uma caminhonete cheia de explosivos mobilizou esforços policiais por cerca de 5 horas. A ameaça de bomba não foi comprovada.
Nesta segunda (4), a Corte se reuniu presencialmente pela primeira vez em mais de um ano. As sessões haviam sido virtuais durante a maior parte da pandemia da Covid-19 nos EUA.
Suprema Corte volta a casos de grande repercussão
Aborto, direito ao porte de armas, liberdades religiosas e questões raciais: a Suprema Corte voltou aos trabalhos nesta segunda-feira com uma série de assuntos polêmicos na pauta.
Pela primeira vez em 18 meses, os magistrados do tribunal voltaram às suas cadeiras presencialmente, apesar de um dos membros, o juiz Brett Kavanaugh, ter testado positivo para a covid-19 recentemente, o que condicionou sua participação à distância.
Kavanaugh é um dos três juízes confirmados durante os quatro anos de presidência do republicano Trump, que mudou o tribunal para uma sólida maioria conservadora 6-3.
No entanto, no ano passado este tribunal fez valer sua independência, quando rejeitou a tentativa de Trump para invalidar os resultados das eleições de 2020, nas quais foi derrotado pelo democrata Joe Biden.
Por outro lado, nos casos “nas sombras” – como são conhecidas as sentenças aceleradas que não são debatidas em público – o tribunal se inclinou à direita, principalmente quando decidiu em 1º de setembro não bloquear uma lei do Texas que proíbe quase todos os abortos no estado.
Essa decisão enfureceu os democratas, entre eles o presidente Biden, e renovou os apelos para reformar a Suprema Corte, algo que está sendo considerado por uma comissão presidencial que analisa opções, como a de adicionar mais assentos ao tribunal de nove juízes.
Em termos mais gerais, a frustração pública com o tribunal aumentou: só 40% dos americanos disseram que apreciam seu trabalho, em comparação com 49% em julho, enquanto 37% dos entrevistados o consideram “muito conservador”, segundo uma pesquisa do Gallup.
Em um sinal de indignação crescente, defensores do direito ao aborto protestaram em frente à casa de Kavanaugh e, no sábado, milhares de pessoas marcharam em direção à Suprema Corte – e em cidades de todo os Estados Unidos – proclamando que o aborto é uma escolha pessoal e não um debate legal.
“Não é um tribunal partidário”
Para acalmar os ânimos, os juízes se esforçaram ultimamente para convencer o público de sua imparcialidade.
“Este tribunal não é formado por um grupo de partidários”, disse Amy Coney Barrett, a juíza que sucedeu a falecida Ruth Bader Ginsburg, um ícone liberal, em um discurso para estudantes em Kentucky.
Na agenda dos tribunais estão, essencialmente, as questões sociais mais importantes que dividem os americanos, começando pela delicada questão do aborto.
Outro tema explosivo que será debatidos é o porte de armas de fogo.
Até agora, o tribunal decidiu que os americanos têm o direito constitucional de terem armas em casa para a defesa, mas não afirmou nada sobre o grau de proteção que a Segunda Emenda concede às pessoas que carregam uma arma de fogo escondida em público.
Isso pode mudar quando o tribunal revisar uma lei de Nova York que limita estritamente a concessão de licenças para o porte de armas ocultas.
O tribunal também examinará os limites impostos ao financiamento das escolas religiosas.
Também serão analisados vários casos de condenações à morte.
Ainda é possível que o tribunal aborde a delicada questão racial, quando retomar um desafio às políticas de ação afirmativa das universidades, que são muito criticadas pelos conservadores.
Para a editora do site voltado para o tribunal SCOTUSblog, Amy Howe, “a verdadeira questão não é se o tribunal vai continuar se inclinando para a direita ou não, mas até que ponto fará isso”.

Fonte: G1 Mundo

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Fabricante de carros Tesla condenada a pagar US$ 137 milhões por racismo a ex-funcionário


Empresa que pertence ao bilionário Elon Musk teria ignorado o tratamento degradante recebido pelo trabalhador. Um tribunal da Califórnia condenou o fabricante de automóveis elétricos Tesla a pagar uma indenização de US$ 137 milhões por perdas e danos a um ex-funcionário negro, por fechar os olhos para o racismo sofrido por ele em uma fábrica da empresa. A sentença foi anunciada nesta segunda-feira (4).
Contratado por meio de uma agência de empregos, Owen Díaz trabalhou como operador de empilhadeira entre junho de 2015 e julho de 2016 na fábrica da empresa em Fremont, na Califórnia. Lá, foi alvo de insultos racistas e um ambiente de trabalho hostil, conforme documentos judiciais.
Durante o julgamento, Díaz relatou que os afro-americanos da fábrica, onde seu filho também trabalhava, eram constantemente difamados e recebiam apelidos racistas.
A “imagem progressista da Tesla era uma fachada para ocultar o tratamento degradante para com seus funcionários afro-americanos”, diz o processo.
Elon Musk, proprietário da Tesla, em imagem de arquivod
Reuters
Diaz afirmou que, apesar das queixas feitas à administração, a Tesla, propriedade do bilionário Elon Musk, não agiu para pôr fim a esses comportamentos.
Indenização milionáriaComo resultado, um júri do tribunal federal de São Francisco condenou a Tesla, na segunda-feira (4), a pagar a Díaz US$ 136,9 milhões, informou a Bloomberg News, citando um dos advogados do demandante, Lawrence Organ.
“Estamos felizes que o júri tenha visto a verdade e tenha estabelecido uma soma que, com sorte, levará a Tesla a agir”, disse Organ ao jornal The Washington Post.
A vice-presidente de Recursos Humanos da Tesla, Valerie Capers Workman, admitiu que o ambiente “não era perfeito” na fábrica de Fremont, onde outros funcionários também disseram “ouvir, regularmente, insultos racistas”.
Segundo ela, esses funcionários alegaram que, “na maioria das vezes, achavam que a linguagem era usada de forma ‘amigável’ e normalmente por colegas de trabalho afro-americanos”.

Fonte: G1 Mundo

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Talibã: as juízas afegãs caçadas pelos assassinos que condenaram


Em entrevista à BBC sob condição de anonimato, seis ex-juízas contam como agora vivem às escondidas por medo de retaliação do Talibã. Juízas brasileiras querem aeronave para resgatar magistradas afegãs
Elas foram as pioneiras dos direitos das mulheres no Afeganistão. Defensoras ferrenhas da lei, buscaram justiça para os mais marginalizados. Mas agora, mais de 220 juízas afegãs estão escondidas por medo de retaliação sob o regime do Talibã.
Seis ex-magistradas falaram à BBC de locais secretos em diferentes pontos do Afeganistão. Seus nomes foram alterados para garantir sua segurança.
Ex-juízas contam à BBC como agora vivem às escondidas por medo de retaliação do Talebã
BBC
Ao longo de sua carreira como juíza, Masooma condenou centenas de homens por violência contra as mulheres, incluindo estupro, assassinato e tortura.
Mas poucos dias depois que o Talibã assumiu o controle de sua cidade e milhares de criminosos condenados foram libertados da prisão, as ameaças de morte começaram.
Seu telefone pessoal foi bombardeado por mensagens de texto e áudios enviados de números desconhecidos.
“Era meia-noite quando soubemos que o Talibã havia libertado todos os detentos”, diz Masooma.
“Fugimos imediatamente. Deixamos nossa casa e tudo para trás.”
Nos últimos 20 anos, 270 mulheres atuaram como juízas no Afeganistão.
Algumas delas estão entre as mulheres mais poderosas e proeminentes do país, e são figuras públicas conhecidas.
“Viajando de carro para fora da cidade, usei uma burca, para que ninguém me reconhecesse. Felizmente, passamos por todos os postos de controle do Talibã”, relata Masooma.
Pouco depois de partirem, seus vizinhos enviaram uma mensagem para ela dizendo que vários membros do Talibã haviam chegado à sua antiga casa.
Masooma diz que assim que descreveram os homens, ela soube quem a procurava.
Vários meses atrás, antes do Talibã retomar o controle do país, Masooma estava julgando um caso que investigava um membro do grupo pelo assassinato brutal de sua esposa.
Ao considerá-lo culpado, Masooma condenou o homem a 20 anos de prisão.
“Ainda consigo ver a imagem daquela jovem em minha mente. Foi um crime brutal”, diz Masooma.
“Depois que o caso acabou, o criminoso se aproximou de mim e disse: ‘Quando eu sair da prisão, farei com você o que fiz com minha esposa.'”, conta ela.
“Na época, não o levei a sério. Mas desde que o Talibã assumiu o poder, ele me ligou várias vezes e disse que colheu todas as minhas informações dos tribunais.”
“Ele me disse: ‘Vou te encontrar e ter minha vingança.'”
Sabe-se que pelo menos 220 ex-juízas estão atualmente escondidas em todo o Afeganistão, segundo uma reportagem investigativa da BBC.
Conversamos com seis ex-juízas de diferentes províncias e seus depoimentos nas últimas cinco semanas foram quase idênticos.
Todas receberam ameaças de morte de membros do Talibã que já haviam sido condenados à prisão.
Quatro nomearam homens específicos que condenaram por assassinar suas esposas.
As juízas mudaram seu número de telefone pelo menos uma vez devido às ameaças de morte.
E atualmente estão vivendo às escondidas, mudando de endereço de tempos em tempos.
Todas também disseram que suas antigas casas foram visitadas por membros do Talibã. Seus vizinhos e amigos relataram ter sido questionados sobre o paradeiro delas.
Em resposta às acusações, o porta-voz do Talibã Bilal Karimi disse à BBC: “As juízas devem viver como qualquer outra família sem medo. Ninguém deve ameaçá-las. Nossas unidades militares especiais são obrigadas a investigar essas queixas e agir em caso de violação”.
Ele também repetiu a promessa do Talibã de uma “anistia geral” para todos os ex-funcionários do governo em todo o Afeganistão: “Nossa anistia geral é sincera. Mas se alguns desejam iniciar um processo para deixar o país, nosso pedido é que não façam isso e fiquem em nosso país.”
Durante a libertação em massa de prisioneiros, muitos criminosos não associados ao Talibã também foram libertados.
No que diz respeito à segurança das juízas, Karimi também disse: “No caso dos narcotraficantes, mafiosos, nossa intenção é destruí-los. Nossa ação contra eles será séria”.
Como mulheres com alto nível de escolaridade, essas juízas eram anteriormente o principal ganha-pão de suas famílias. Mas agora, sem salários e com suas contas bancárias congeladas, elas estão vivendo às custas de seus familiares.
Por mais de três décadas, a juíza Sanaa investigou casos de violência contra mulheres e crianças.
Ela diz que a maioria de seus casos envolveu a condenação de membros do Talibã, bem como do grupo autodenominado Estado Islâmico (ISIS).
“Recebi mais de 20 telefonemas ameaçadores de ex-presidiários que agora foram libertados.”
Ela está atualmente escondida com mais de uma dezena de membros da família.
Em uma única ocasião, um de seus parentes do sexo masculino voltou para a antiga casa de sua família. Mas, enquanto empacotava algumas roupas, o Talibã chegou à casa em vários carros cheios de homens armados, liderados por um comandante.
“Abri a porta. Eles me perguntaram se esta era a casa da juíza”, diz ele. “Quando eu disse que não sabia onde ela estava, eles me jogaram na escada. Um deles me deu uma coronhada com sua arma e começou a me bater. Meu nariz e minha boca estavam cobertos de sangue.”
Depois que os homens armados foram embora, o parente de Sanaa foi para o hospital.
“Disse a outro parente que devemos continuar mudando minha irmã de endereço. Não há outra saída agora. Não podemos fugir para nenhum outro país, nem mesmo o Paquistão.”
Lutando pelos direitos das mulheres
O Afeganistão sempre foi considerado um dos países mais difíceis e perigosos do mundo para as mulheres. De acordo com a ONG Human Rights Watch, cerca de 87% das mulheres e meninas serão vítimas de abuso durante a vida.
Afeganistão sob o Talibã: estudante que abandonou estudo escreve poema a outras mulheres
Mas esta comunidade de juízas, ao trabalhar para defender as antigas leis do país que visavam apoiar as mulheres, ajudou a advogar a ideia de que violência contra as mulheres poderia ser criminalizada e punida.
Isso incluía acusar indivíduos em casos de estupro, tortura, casamento forçado, bem como em casos em que as mulheres foram proibidas de possuir propriedades ou de ir ao trabalho ou à escola.
Como algumas das figuras públicas femininas mais proeminentes em seu país, todas as seis dizem que enfrentaram assédio ao longo de suas carreiras, muito antes de o Talibã assumir o controle total do país.
“Queria servir ao meu país, por isso me tornei juíza”, diz Asma, falando de um local seguro.
Afeganistão: entenda os riscos para as mulheres sob o regime talibã
“Na vara de família, tratei principalmente de casos envolvendo mulheres que queriam o divórcio ou a separação de membros do Talibã”.
“Vivíamos sob ameaça real. Uma vez, o Talibã até lançou foguetes contra o tribunal”.
“Também perdemos uma de nossas melhores amigas e juízas. Ela desapareceu no caminho do trabalho para casa. Só mais tarde seu corpo foi descoberto.”
Ninguém jamais foi acusado pelo assassinato da juíza desaparecida. Na época, os líderes locais do Talibã negaram qualquer envolvimento.
Não se sabe qual será a atuação da nova liderança do Afeganistão em relação aos direitos das mulheres. Mas até agora as perspectivas são sombrias.
Um gabinete só de homens, sem nomeação para supervisionar os assuntos das mulheres, já foi anunciado, enquanto nas escolas, o Ministério da Educação ordenou que professores e alunos voltassem ao trabalho, mas não funcionárias ou estudantes do sexo feminino.
Falando em nome do Talibã, Karimi disse que ainda não poderia comentar se haveria funções para juízas no futuro: “As condições de trabalho e oportunidades para as mulheres ainda estão sendo discutidas”.
Até agora, mais de 100 mil pessoas foram evacuadas do país.
Talibã libera a saída de estrangeiros do Afeganistão
Todas as seis juízas dizem que estão procurando uma saída — mas não apenas não têm acesso a dinheiro, como dizem que nem todos os membros de suas famílias imediatas têm passaportes.
A ex-juíza afegã Marzia Babakarkhail, que agora vive no Reino Unido, tem defendido a evacuação urgente de todas as ex-juízas.
Ela diz ser importante não esquecer aquelas que vivem nas províncias mais rurais do Afeganistão, longe da capital do país, Cabul.
“Fico com o coração partido quando recebo um telefonema de uma das juízas dos vilarejos dizendo: ‘Marzia, o que devemos fazer? Para onde devemos ir? Estaremos em nossos túmulos em breve.’
“Ainda há algum acesso à mídia e à internet em Cabul. As juízas de lá ainda têm voz, mas nas províncias rurais, elas não têm nada”.
“Muitas delas não têm passaporte ou a papelada correta para solicitar a saída do país. Mas elas não podem ser esquecidas. Também correm sério perigo.”
Vários países, incluindo a Nova Zelândia e o Reino Unido, já disseram que oferecerão algum apoio. Mas não se sabe quando essa ajuda chegará ou quantas juízas serão beneficiadas com a medida.
A juíza Masooma diz temer que tais promessas não se materializem a tempo.
“Às vezes, eu penso: qual é o nosso crime? Ter educação? Tentar ajudar mulheres e punir criminosos?
“Amo o meu país. Mas agora sou uma prisioneira. Não temos dinheiro. Não podemos sair de casa.
“Olho para o meu filho pequeno e não sei como explicar-lhe porque ele não pode conversar com outras crianças ou brincar no corredor. Ele já está traumatizado.
“Só posso orar pelo dia em que seremos livres novamente.”
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Fonte: G1 Mundo

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Mulher é atacada por jacaré após cair em canal na Flórida


A vítima, de 50 anos, não teve sua identidade divulgada. Ela foi levada para um hospital com ferimentos graves nos braços, mas passa bem, segundo as autoridades do estado. Canal onde mulher foi atacada por aligátor na Flórida em 4 de outubro de 2021
Reprodução/Corpo de Bombeiros de São Petersburgo
Uma mulher foi atacada por um aligátor – espécie de jacaré americano – após cair em um canal de São Petersburgo, na Flórida, nesta segunda-feira (4), informaram as autoridades locais.
A vítima, de 50 anos, não teve sua identidade divulgada. O Corpo de Bombeiros disse em nota que ela teve ferimentos graves nos braços, e foi encaminhada para um hospital onde passa bem.
A mulher, uma moradora de rua, dormia sobre uma das margens do canal quando rolou para dentro da água. Pessoas que estavam próximas ao local ouviram gritos de socorro e chamaram a polícia.
Funcionários da Comissão de Conservação da Pesca e Vida Selvagem da Flórida buscavam pelo animal nesta segunda. Até a última atualização desta reportagem ele não havia sido encontrado.
A agência estadual informou que registra, anualmente, cinco incidentes com jacarés e humanos em toda a Flórida.
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Homem usa lixeira para capturar aligator nos EUA

Fonte: G1 Mundo

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Drone faz sobrevoo na principal cratera do vulcão de La Palma; assista

Imagens feitas pelo Instituto Geológico e Mineiro da Espanha mostram a área coberta com cinzas vulcânicas, vapor de água e lava. Drone faz sobrevoo na principal cratera do vulcão de La Palma
Um drone do Instituto Geológico e Mineiro da Espanha fez, nesta terça-feira (5), um sobrevoo na principal cratera do vulcão de La Palma, ativo há 16 dias, (veja no vídeo acima).
Nas imagens, é possível ver uma grande área coberta pelas cinzas vulcânicas, além disso, uma coluna de fumaça branca mostra intensa produção de vapor de água ao lado do rio de lava.
Autoridades espanholas afirmaram ter aumentado o serviço de vigilância da atividade vulcânica após parte do Cumbre Vieja desabar na segunda-feira (4), o que aumentou o fluxo de lava.
O presidente regional deste arquipélago espanhol, Ángel Víctor Torres Pérez, disse que o vulcão lançou três vezes mais lava, cinzas e rochas agora do que durante a última grande erupção em 1971.
Nesta terça-feira, o governo espanhol deve votar um pacote de ajuda para a reconstrução da ilha. No fim de semana, o primeiro-ministro Pedro Sánchez prometeu o equivalente R$ 1,3 bilhão.
Mais terremotos vêm sendo registrados pelas equipes sismológicas das Ilhas Canárias, no entanto, segundo os especialistas, a movimentação é profunda e não deve gerar novas fissuras.
VÍDEOS: Vulcão nas Ilhas Canárias

Fonte: G1 Mundo