Categorias
MUNDO

Na Índia, centenas de milhares de pessoas protestam contra reforma na agricultura


Governo liberou a possibilidade de agricultores venderem diretamente aos supermercados e empresas de alimentos. Os produtores agrícolas afirmam que assim eles perdem poder de negociação. Imagem de 5 de setembro mostra protesto de agricultores na Índia, que são contra uma reforma do setor
Adnan Abidi/Reuters
Centenas de milhares de produtores agrícolas da Índia fizeram uma manifestação no estado de Uttar Pradesh neste domingo (5).
Os fazendeiros são contra uma reforma do setor agrícola do país que o primeiro-ministro Narendra Modi promoveu —pelas novas regras, os produtores rurais podem vender diretamente aos clientes, mas eles são contrários a isso..
Foram mais de 500 mil manifestantes na cidade de Muzaffarnagar, de acordo com a polícia.
Veja um vídeo de janeiro, quando os manifestantes já protestavam contra a reforma no setor.
VÍDEO: Agricultores e manifestantes entram em confronto na Índia
Uttar Pradesh é um estado de 240 milhões de pessoas (mais do que a população brasileira), predominantemente rural.
Rakesh Tikait, um líder dos produtores rurais afirmou que o grupo está intensificando os protestos para tentar marcar Modi como um político contrário aos agricultores.
Nos últimos 8 meses, milhares de fazendeiros acamparam ao lado das principais rodovias que levam à Nova Délhi, a capital do país.
Os fazendeiros dizem que a possibilidade de vender diretamente fará com que eles percam poder de barganha em negociações com os grandes supermercados e empresas de alimentos.
A agricultura é cerca de 15% da economia indiana.
Balbir Singh Rajewal, um outro líder dos agricultores, disse que a manifestação deste domingo é um aviso a Modi. No ano que vem, haverá eleições em Uttar Pradesh.
Centenas de milhares de produtores agrícolas da Índia fizeram uma manifestação no estado de Uttar Pradesh neste domingo (5).
Os fazendeiros são contra uma reforma do setor agrícola do país que o primeiro-ministro Narendra Modi promoveu —pelas novas regras, os produtores rurais podem vender diretamente aos clientes, mas eles são contrários a isso..
Foram mais de 500 mil manifestantes na cidade de Muzaffarnagar, de acordo com a polícia.
Uttar Pradesh é um estado de 240 milhões de pessoas (mais do que a população brasileira), predominantemente rural.
Rakesh Tikait, um líder dos produtores rurais afirmou que o grupo está intensificando os protestos para tentar marcar Modi como um político contrário aos agricultores.
Nos últimos 8 meses, milhares de fazendeiros acamparam ao lado das principais rodovias que levam à Nova Délhi, a capital do país.
Os fazendeiros dizem que a possibilidade de vender diretamente fará com que eles percam poder de barganha em negociações com os grandes supermercados e empresas de alimentos.
A agricultura é cerca de 15% da economia indiana.
Balbir Singh Rajewal, um outro líder dos agricultores, disse que a manifestação deste domingo é um aviso a Modi. No ano que vem, haverá eleições em Uttar Pradesh.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Cineasta afegã no Festival de Veneza diz que seu país não terá mais artistas e pede ajuda


Cineasta afirma que os talibãs estão destruindo os instrumentos de música e que os estudantes se escondem do grupo. A diretora afegã Sahraa Karimi durante o 78º Festival de Cinema de Veneza
Filippo Monteforte/AFP
Duas jovens cineastas afegãs pediram solidariedade, no sábado (4), no Festival de Cinema de Veneza, ao abordar a situação cultural no Afeganistão, após a tomada do poder pelo Talibã, que poderá deixar o país sem artistas.
“Em apenas duas semanas, as figuras mais brilhantes do país partiram”, disse Sahraa Karimi, 38, a primeira mulher a chefiar a Organização de Cinema do Afeganistão.
A diretora afegã Sahraa Karimi durante o 78º Festival de Cinema de Veneza
Filippo Monteforte/AFP
“Imagine, um país sem artistas”, lamentou a cineasta diante de um grupo de jornalistas e cineastas, entre eles o diretor do festival, Alberto Barbera.
“Os talibãs estão destruindo os instrumentos de música, os estudantes se escondem. Por favor, sejam nossas vozes e falem da nossa situação”, pediu, por sua vez, a cineasta Sahra Mani, diretora do documentário “A thousand girls like me” (2018), sobre uma mulher violentada pelo pai durante anos.
Karimi descreveu uma imagem sombria: “Tudo parou no espaço de algumas horas. Os arquivos estão sob o controle do Talibã. O trabalho dos diretores desapareceu”, relatou ela.
“Pela primeira vez na história do cinema afegão, um filme foi convidado para o festival francês de Cannes. Estávamos planejando adaptar 11 curtas-metragens sobre histórias afegãs. Estávamos preparando a segunda edição do prêmio nacional de cinema”, afirmou.
A cineasta disse que, no domingo de 15 de agosto, em poucas horas, teve de abandonar seus projetos e deixar seu país para trás. “Foi a decisão mais difícil da minha vida: ficar, ou sair do meu país”, confessou.
“Não temos mais casa, não temos país. A arte é proibida. Minha geração não quer isso”, afirmou Karimi, lançando um pedido de ajuda à comunidade internacional.
Veja apresentação de Fawad Andarabi, músico morto pelo Talibã
“Pedimos ajuda, precisamos de esperança. Aqueles que ficaram no Afeganistão apagaram suas contas nas redes sociais”, completou.
Morte de cantor
Um membro do Talibã matou o cantor folclórico Fawad Andarabi no fim de agosto. Membros do Talibã já haviam ido à casa de Andarabi —eles até mesmo beberam chá com o músico, disse o filho de Fawad, Jawad Andrabi. Mesmo assim os talibãs mataram o cantor.
“Ele era um cantor inocente, que só entretinha as pessoas. Eles deram um tiro em sua cabeça”, disse Jawad.
O filho afirmou que vai procurar justiça, e que um conselho local do Talibã prometeu punir os autores do assassinato.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Maioria dos italianos aprova exigência de ‘passaporte da vacina’ em meios de transporte, mostra pesquisa


Desde 1º de setembro, é obrigatório comprovar vacinação contra a Covid-19 para andar de trem, ônibus de longa distância, avião e navio. Objetivo do governo é ampliar a porcentagem de italianos imunizados. Passageiro apresenta ‘passaporte da vacina’ para entrar em avião na Itália
Marco Bertorello/AFP
Pouco mais de 75% dos italianos são a favor da exigência do “passaporte da vacina” em meios de transporte, segundo uma pesquisa do Instituto Euromedia Research, publicada neste domingo (5) no jornal “La Stampa”.
Desde 1º de setembro, o governo instituiu que os passageiros de trens, ônibus de longa distância, aviões e navios devem apresentar um documento para atestar que foram vacinados contra a Covid-19, testaram negativo para a doença recentemente ou se recuperaram dela nos últimos 6 meses.
O objetivo da medida é ampliar a porcentagem de cidadãos imunizados. Na Itália, cerca de 71% dos maiores de 12 anos tomaram as duas doses.
Itália começa a exigir o passe sanitário em trens, aviões, navios e ônibus intermunicipais
Obrigatoriedade para professores
Professores também passaram a ser obrigados a ter o “passe verde” (termo adotado na Itália para o “passaporte da vacina”).
A exigência para a categoria dos docentes também foi aprovada pela população: na enquete, com cerca de mil pessoas entrevistadas, 76,1% disseram ser a favor da regra.
No fim de agosto, o chefe de governo italiano, Mario Draghi, anunciou que pretende estender o uso do “passaporte” para outros setores da sociedade e da economia.
Vídeos

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Afeganistão: Talibã reprime protesto por direitos das mulheres em Cabul


Mulheres dizem que Talibã usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar o último protesto. Mulheres realizam protesto por emprego no Afeganistão
Combatentes do Talibã interromperam no sábado (4) uma manifestação de dezenas de mulheres em Cabul. Elas estavam protestando por seus direitos depois que o Afeganistão foi tomado pelo grupo.
As mulheres afirmam que o Talibã as alvejou com gás lacrimogêneo e spray de pimenta enquanto tentavam caminhar de uma ponte até o palácio presidencial.
Mulheres afegãs protestam em Cabul, em 3 de setembro de 2021
Wali Sabawoon/AP
O Talibã, por sua vez, afirmou que o protesto saiu do controle, de acordo com o serviço de notícias afegão Tolo News.
É o mais recente de vários protestos de mulheres em Cabul e Herat, a terceira maior cidade do Afeganistão.
As mulheres reivindicavam o direito de trabalhar e serem incluídas no governo.
Protesto de mulheres em Cabul, em 3 de setembro de 2021
Stringer/Reuters
O Talibã diz que anunciará a composição de seu governo nos próximos dias, e já declarou que as mulheres poderão se envolver no governo, mas não ocupar cargos ministeriais.
Muitas mulheres temem um retorno à forma como eram tratadas quando o Talibã estava no poder, entre 1996 e 2001. As mulheres foram forçadas a cobrir o rosto, e punições severas eram aplicadas por pequenas transgressões.
Initial plugin text
“Vinte e cinco anos atrás, quando o Talibã chegou, eles me impediram de ir à escola”, disse a jornalista Azita Nazimi à Tolo News.
“Depois de cinco anos de governo deles, eu estudei por 25 anos e trabalhei muito. Pelo bem do nosso futuro, não vamos permitir que isso aconteça.”
Outro manifestante, Soraya, disse à Reuters que combatentes do grupo usaram carregadores de armas para bater na cabeça de mulheres durante o protesto, deixando-as ensanguentadas.
Enquanto isso, no fim de semana, houve confrontos no Vale Panjshir, ao norte de Cabul, onde combatentes da resistência frustraram os esforços do Talibã para tomar o controle da região.
O vale, que fica em uma província de mesmo nome, tornou-se um centro de resistência isolado no país contra o Talibã, formado por combatentes de diferentes etnias e ex-membros das forças armadas afegãs – supostamente na casa dos milhares.
Mas o Talibã afirma ter assumido o controle de mais dois distritos e diz estar se dirigindo para o centro da província de Panjshir.
Um porta-voz da Frente de Resistência Nacional do Afeganistão disse que os combates continuavam lutando e que milhares de combatentes do Talibã haviam sido cercados.
O Vale Panjshir, que abriga entre 150 mil e 200 mil pessoas, foi um centro de resistência quando o Afeganistão estava sob ocupação soviética na década de 1980 e durante o período anterior de governo do Talibã.
O líder da Frente de Resistência Nacional, Ahmad Massoud, elogiou os protestos de mulheres e disse que Panjshir segue resistindo.
Nenhuma das alegações da Frente de Resistência Nacional ou do Talibã pôde ser verificada de forma independente.
No sábado, o general americano Mark Milley, chefe do Estado-Maior dos EUA, questionou se o Talibã seria capaz de fazer a transição de uma força insurgente para um governo, dizendo que havia uma “boa probabilidade” de guerra civil.
“Isso, por sua vez, levará a condições que podem, de fato, levar à reconstituição da Al-Qaeda ou ao crescimento do EI [grupo extremista autodenominado Estado Islâmico]”, disse ele à Fox News.
No Reino Unido, em entrevista à BBC, o chefe das Forças Armadas, general Nick Carter, defendeu a inteligência militar contra as críticas de que ela falhou em prever o avanço do Talibã, dizendo que até os próprios combatentes ficaram surpresos com a facilidade com que assumiram o controle do Afeganistão.
Veja também
As imagens que mostram o caos e o desespero dos afegãos após a entrada do Talibã em Cabul
Talibã anuncia ‘anistia geral’ e faz apelo a mulheres no Afeganistão
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Papa diz que espera que outros países ajudem afegãos que fugiram do Talibã


O Papa Francisco também disse que espera que ‘todos os jovens’ recebam educação —da primeira vez que o Talibã esteve no poder, meninas não podiam frequentar a escola. Papa Francisco durante audiência semanal, em 5 de setembro de 2021
Guglielmo Mangiapane/Reuters
O Papa Francisco afirmou neste domingo (5) que ele está rezando para que muitos países aceitem refugiados do Afeganistão e que é essencial que os jovens afegãos recebam educação —no passado, o Talibã proibiu meninas de frequentar escolas.
Papa Francisco pede orações e jejum pela paz no Afeganistão
“Nesses momentos de levante, em que afegãos procuram refúgio, eu rezo pelos mais vulneráveis entre elas, eu rezo para que muitos países os recebam e protejam aqueles que buscam uma nova vida”, disse Francisco aos fiéis que foram à Praça de São Pedro.
O papa já pediu apoio a imigrantes e refugiados em outras ocasiões.
Há milhares de afegãos que foram retirados do país, mas ainda não chegaram a um destino final —eles estão em locais de trânsito no Catar, na Alemanha e na Itália enquanto aguardam.
No Afeganistão ainda há milhares de pessoas que tentam deixar o país pelas fronteiras com o Paquistão ou outros vizinhos.
“Eu também rezo por aqueles que foram deslocados internamente, para que eles tenham a ajuda e a proteção necessárias”, disse Francisco.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Afeganistão: Os dois países que oferecem ‘tábua de salvação’ ao Talibã


O Catar e a Turquia surgem como canais de comunicação entre os novos governantes do Afeganistão e o mundo exterior. Equipe técnica do Catar trabalha na reabertura do aeroporto de Cabul; Talibã anuncia cerimônia de posse
O Talibã festejou com um tiroteio em Cabul a saída de americanos e cidadãos de outros países do Afeganistão nesta semana. Mas essa militância não esconde o fato de que o grupo está globalmente isolado. Do outro lado, milhões de afegãos estão aflitos com um futuro ainda incerto.
As potências mundiais estão agora lutando para exercer influência em meio ao retorno do grupo radical ao poder. E, no processo, duas nações do mundo árabe e muçulmano emergiram como mediadores e facilitadores: Catar e Turquia.
O mulá Abdul Ghani Baradar, líder do Talibã, e Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, ministro de Relações Exteriores do Catar, em encontro em Doha, em agosto de 2021
Qatar News Agency/Via Reuters
Ambos estão capitalizando em cima de um recente acesso ao Talibã. Mas os dois países também estão se arriscando, o que pode até acirrar velhas rivalidades ainda mais distantes, no Oriente Médio.
As autoridades do Catar, pequeno país rico em gás no Golfo, forneceram ajuda para os países que estão tentando sair do Afeganistão.
“Ninguém foi capaz de realizar um grande processo de evacuação do Afeganistão sem o envolvimento de um catariano de uma forma ou de outra”, explica Dina Esfandiary, consultora sênior do International Crisis Group, um grupo de estudos sobre conflitos globais.
“O Afeganistão e o Talibã serão uma vitória significativa para o Catar, não apenas porque mostrará que eles são capazes de fazer mediações com o Talibã, mas porque essa relação transforma o país em um jogador importante para os países ocidentais envolvidos”, disse Esfandiary à BBC News.
À medida que ocidentais fugiam de Cabul, o valor diplomático desses contatos aumentou. O feed do Twitter da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Lolwah Alkhater, parece uma esteira de congratulações pelos serviços do país durante essa crise.
“O Catar continua a ser um mediador confiável neste conflito”, ela escreveu no início deste mês.
Mas construir uma ponte com o Talibã ainda pode conter riscos para o futuro, incluindo a capacidade de agravar os conflitos no Oriente Médio. A Turquia e o Catar estão mais próximos dos movimentos islâmicos da região, o que frequentemente cria tensão com potências como Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que veem esses grupos como uma ameaça.
Se os dois estados se fortalecerem por meio da diplomacia mundial com o Talibã no Sul da Ásia, a repercussão e a influência do grupo fundamentalista poderia chegar ao Oriente Médio?
EUA anunciam que não têm pressa em reconhecer o governo do Talibã
Dina Esfandiary diz que a volta do Talibã ao poder constitui uma virada em direção ao islamismo radical – uma ideologia política que busca reordenar o governo e a sociedade de acordo com a lei islâmica. Mas ela diz que por enquanto isso permanece restrito ao sul da Ásia.
“O Talibã está no Afeganistão, mas não significa que ele vá para o Oriente Médio. Ao longo dos últimos 10 anos, a região tem oscilado entre grupos islâmicos e não islâmicos”, ela diz.
Falando com o Talibã
Durante o período anterior do Talibã no poder, na década de 1990, apenas três países tinham laços formais com o grupo: Paquistão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Os dois últimos cortaram todas as relações oficiais remanescentes após os ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. No entanto, o financiamento secreto de indivíduos sauditas supostamente continuou por anos.
Autoridades sauditas negaram anteriormente a existência de qualquer financiamento formal ao Talibã e disseram que existem medidas rigorosas para impedir o fluxo de caixa privado à organização.
Mas à medida que a presença de tropas dos EUA no Afeganistão se tornou mais impopular entre os americanos, a porta se abriu para países que podiam participar da diplomacia.
Para o Catar e a Turquia, o contato com o Talibã se desenvolveu de maneiras diferentes.
Enquanto o governo do então presidente Barack Obama buscava encerrar a guerra, o Catar recebeu líderes do Talibã para discutir os esforços de paz a partir de 2011.
Esse tem sido um processo controverso e conflituoso. A imagem de uma bandeira do Talibã tremulando nos subúrbios de Doha ofendeu muita gente (eles encurtaram o mastro após um pedido americano).
Para os catarianos, a negociação ajudou a desenvolver uma ambição de três décadas por uma política externa autônoma – que o país considera crucial para uma nação que fica entre os pólos regionais do Irã e da Arábia Saudita.
As negociações de Doha culminaram em um acordo no ano passado, assinado pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, para a retirada americana do Afeganistão em maio deste ano. Após assumir o cargo, Joe Biden anunciou que iria prorrogar o prazo para uma retirada total até 11 de setembro.
‘Otimismo cauteloso’
A Turquia, que tem fortes laços históricos e étnicos com o Afeganistão, está presente na região com tropas não combatentes – o país é o único membro de maioria muçulmana da aliança da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
De acordo com analistas, o país desenvolveu laços estreitos de inteligência com algumas milícias ligadas ao Talibã. A Turquia também é aliada do vizinho Paquistão, de cujos seminários religiosos surgiu o Talibã.
Na semana passada, as autoridades turcas mantiveram conversas com o Talibã por mais de três horas, enquanto o caos tomava conta do aeroporto de Cabul. Algumas das discussões foram sobre a futura operação no aeroporto da cidade, que as tropas turcas protegeram por seis anos.
O Talibã já havia insistido que os militares da Turquia saíssem junto com todas as outras forças estrangeiras para acabar com a “ocupação” do Afeganistão. Mas uma reunião da semana passada parecia fazer parte de uma agenda mais ampla, dizem os analistas.
O professor Ahmet Kasim Han, especialista em relações afegãs da Universidade Altinbas de Istambul, acredita que lidar com o Talibã oferece uma oportunidade ao presidente da Turquia, Recep Erdogan.
“Para tornar seu controle do poder sustentável, o Talibã precisa de ajuda e investimentos internacionais para continuar. O grupo nem mesmo consegue pagar pelos salários de seus funcionários públicos hoje”, disse Han à BBC.
Ele explica que a Turquia pode tentar se posicionar como “fiadora, mediadora, facilitadora” – uma intermediária mais confiável do que a Rússia ou a China – que manteve suas embaixadas abertas em Cabul.
“A Turquia pode cumprir esse papel”, diz ele.
Risco de reputação
Muitos países têm tentado manter alguma forma de contato com o Talibã desde a ocupação de Cabul pelo grupo, principalmente por meio do canal de Doha. Mas a Turquia está entre os que estão em uma posição mais forte para desenvolver laços no território, embora seja uma situação de risco.
Han também acredita que mais laços no Afeganistão permitem que o presidente Erdogan “amplie o tabuleiro de xadrez” de sua política externa e jogue com a base de apoio do Partido AK.
“Eles consideram a Turquia como um país com um destino manifesto – uma posição excepcional dentro do mundo muçulmano. Essa concepção é baseada no passado da Turquia e em sua herança otomana como sede do califado.”
“No entanto, esse papel pode chegar a um ponto em que a Turquia vire patrocinador do Talibã, estabelecendo um regime de Sharia que é brutal. A Turquia não deve querer essa posição”, acrescenta.
A ação de Erdogan supostamente também tem motivos mais “racionais” – melhorando as relações tensas da Turquia com os EUA e a Otan, e aumentando a influência para evitar fluxos de refugiados afegãos para a Turquia.
O presidente Recep Tayyip Erdogan disse que viu os posicionamentos dos líderes do Talibã com “otimismo cauteloso”. Ele acrescentou que “não teria permissão de ninguém” sobre com quem falar, quando questionado sobre as críticas a seu contato com o grupo.
“Isso é diplomacia”, disse ele durante uma entrevista coletiva.
Ele acrescentou: “A Turquia está pronta para dar todo tipo de apoio à unidade do Afeganistão, mas seguirá um caminho muito cauteloso.”
Quanto ao Catar, as autoridades esperam que seu papel como mediador ajude a diminuir, em vez de aumentar, os anos de turbulência no Golfo.
Doha intermediou negociações entre facções concorrentes em vários dos principais conflitos do Oriente Médio.
Mas, na esteira da Primavera Árabe, seus rivais do Golfo acusaram o país de se aliar aos islâmicos. Em 2017, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Bahrein cortaram laços – desde então restaurados -, acusando o Catar de se aproximar demais do Irã e alimentar a instabilidade por meio de seu canal de notícias estatal Al Jazeera.
Por enquanto, com uma situação profundamente incerta para o povo do Afeganistão, o Catar e a Turquia estão entre aqueles que falam com o Talibã. Já China e Rússia também competem por acesso futuro a Cabul.
O professor Han diz que essa é a opção menos pior, o que ele chama de “abordagem mais colaborativa”.
“A Turquia, sendo um membro do Ocidente, é mais suscetível à pressão do Ocidente por questões de direitos humanos”, explica.
O novo governo do Talibã apenas começou. Milhões de afegãos comuns aguardam com ansiedade os próximos acontecimentos.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Policiais são mortos em ataque do Estado Islâmico no Iraque

Ao menos 13 agentes federais morreram em ação na cidade de Kirkuk, neste domingo (5). Ataque foi um dos mais mortais do grupo terrorista no país neste ano. Um ataque do grupo terrorista Estado Islâmico deixou 13 policiais federais mortos neste domingo (5) no Iraque.
O caso ocorreu perto da cidade de Kirkuk, no norte do país, segundo disseram à agência de notícias France Presse fontes médicas e de segurança.
O ataque aos policiais começou pouco antes da meia-noite de sábado (no horário local) e durou várias horas, disse um policial iraquiano à AFP.
Na região de Kirkuk, células jihadistas atacam regularmente o Exército e a polícia.
Esse foi um dos ataques mais mortais do Estado Islâmico desde o início do ano no Iraque.
Veja mais vídeos

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Peru volta a autorizar entrada de voos do Brasil


Medida também vale para voos vindos da Índia e vai até 19 de setembro. Vai ser necessário apresentar comprovante de vacinação ou teste negativo de Covid-19. Vista geral de Machu Picchu, em imagem de arquivo
Enrique Castro-Mendivil / Reuters
O Peru levantou neste sábado (4) a suspensão dos voos do Brasil e da Índia, em vigor há mais de quatro meses, enquanto prorrogou a proibição dos voos da África do Sul, no âmbito da emergência sanitária da pandemia de Covid-19, informou o governo.
A medida permanecerá vigente até 19 de setembro, segundo a norma que exclui Brasil e Índia pela primeira vez desde que as autoridades de saúde elaboraram em dezembro uma lista de países com alto risco de exportar novas variantes do coronavírus.
“Suspende-se até 19 de setembro de 2021, a entrada em território nacional de estrangeiros não residentes procedentes da República da África do Sul, ou que tenham feito escala neste local nos últimos 14 dias corridos”, diz a regra publicada em diário oficial.
O Peru restringiu voos da África do Sul em dezembro, enquanto o Brasil entrou na lista em janeiro e a Índia em maio.
O governo também especificou que para entrar no Peru é preciso estar imunizado com duas doses da vacina contra a Covid-19 ou apresentar um teste molecular negativo feito nas últimas 72 horas.
Com 33 milhões de habitantes, o Peru registrou mais de 2,1 milhões de infecções e mais de 198 mil mortes por covid-19 desde o início da pandemia no país em março de 2020.
Veja mais vídeos

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Surfista morre em ataque de tubarão na Austrália

Vítima teria aproximadamente 20 anos e foi mordido no braço, segundo testemunhas. É o segundo caso do tipo neste ano no país. Um surfista morreu neste domingo (5) após ser atacado por um tubarão em uma praia na costa leste da Austrália. A informação é da agência de notícias Reuters.
O incidente ocorreu perto de Emerald Beach, cerca de 550 km ao norte de Sydney. A praia foi fechada após o incidente.
Segundo testemunhas, o surfista teria aproximadamente 20 anos e foi mordido no braço.
É o segundo ataque fatal de tubarão registrado na Austrália neste ano, de acordo com uma agência governamental. Em 2020, ocorreram 26 ataques, oito deles fatais.
Veja mais vídeos

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Por que Austrália vai abandonar estratégia de ‘zero covid’


País está correndo para vacinar sua população antes de uma grande mudança em sua estratégia de enfrentamento à pandemia. A Austrália mudou sua estratégia de enfrentamento à covid-19: é hora de abandonar os lockdowns e “sair da caverna”, anunciou o primeiro-ministro Scott Morrison. Com a vacinação acelerada, ele diz que em breve os australianos “viverão com o vírus” pela primeira vez. Ou seja, não tentarão eliminar sua circulação. É uma mudança drástica para um país acostumado a ver poucos casos de infecções.
Fortaleza australiana
A estratégia adotada pelo país foi o que alguns apelidaram de “fortaleza australiana”. A Austrália pretendia manter a estratégia de “zero covid-19” restringindo a entrada de estrangeiros, rastreando todas as infecções e fechando as fronteiras dos estados após surtos. Lockdowns em todas as cidades e Estados têm sido frequentemente decretados – às vezes após um único caso. Melbourne, por exemplo, passou por mais de 200 dias de lockdown ao longo desse período.
Essas medidas têm sido criticadas por seu custo e por causa do bem-estar mental das pessoas. Mas, até agora, elas impediram surtos de casos de covid-19, milhares de mortes e permitiram que muitos australianos vivessem livremente.
Então, o que mudou? A variante Delta mudou esse cenário Austrália. Em junho, ela se consolidou em Sydney antes de se espalhar para Melbourne e a capital Canberra. Os governos estaduais colocaram suas capitais de volta sob lockdown. Atualmente, um em cada dois australianos deve ficar em casa. Isso ajudou a suprimir a propagação de casos. Em Sydney, o número R – a taxa de disseminação do vírus – caiu de 5 para 1,3. Mas as autoridades disseram que a estratégia “zero covid” não é mais alcançável.
Isso intensificou as críticas ao governo Morrison sobre os baixos níveis de vacinação da Austrália, com muitos acusando-o de complacência. Morrison havia afirmado em abril que a vacinação “não era uma corrida”. Mas ele agora segue o governo do estado de New South Wales ao dizer que as vacinas são o único caminho para a reabertura da Austrália. O estado de Victoria – onde fica a cidade de Melbourne – também abandonou a estratégia nesta semana.
Austrália planeja reabertura após estratégia de sucesso durante pandemia
Getty Images via BBC
Qual é o novo plano?

Cerca de 36% dos australianos com mais de 16 anos estão totalmente vacinados – longe de ser o suficiente para sair dos lockdowns, dizem os especialistas. “Este dia da marmota tem que acabar, e vai acabar quando começarmos a chegar a 70% e 80%”, disse Morrison na semana passada. A vacinação na Austrália está acelerando – agora o país está vacinando mais rápido do que o Reino Unido e os EUA fizeram em seus picos de vacinação.
Nas taxas atuais, a Austrália poderia vacinar 70% de seus maiores de 16 anos até meados de outubro. A nação também começou a vacinar crianças com mais de 12 anos. A ideia é começar então a aliviar os lockdowns – assim, as pessoas vacinadas terão mais liberdade. Mas o país planeja continuar testando e rastreando, mantendo restrições mais brandas, como uso de máscaras e distanciamento social. Lockdowns menores também serão uma possibilidade, mas são considerados improváveis.
“O plano proposto é na verdade muito cuidadoso”, diz Ivo Mueller, especialista em saúde e imunidade populacional da Universidade de Melbourne. “Não é um ‘Dia da Liberdade’, não é ‘vamos atirar tudo pela janela e sair para festejar’ – não é isso que está sendo proposto.”
Quando as fronteiras internacionais serão abertas?
Isso acontecerá quando a Austrália atingir 80% de pessoas vacinadas. Mas a viagem estará aberta apenas para países designados como “seguros” e para pessoas que foram vacinadas. A primeira-ministra do estado de New South Wales, Gladys Berejiklian, disse que está planejando uma reabertura em novembro, mas alguns especialistas dizem que isso pode acontecer mais cedo. “Com a vacinação dupla em 80%, prevemos permitir que nossos cidadãos tenham acesso a viagens internacionais e que também recebamos australianos em casa pelo Aeroporto de Sydney”, disse Berejiklian esta semana.
O plano nacional também permite “bolhas de viagem” para países seguros, indicando que os estrangeiros vacinados também poderão entrar. A companhia aérea Qantas sinalizou a reabertura de rotas em dezembro para o Reino Unido, EUA, Cingapura, Canadá e Japão.
Mas está todo mundo feliz?
As pesquisas mostram que 62% dos australianos apoiam o plano de reabertura do governo. Mas muitos australianos não estão seguros com a ideia de “conviver com o vírus”, depois de estarem acostumados com baixas taxas de infecção. A modelagem do governo, preparada pelo Doherty Institute, da Universidade de Melbourne, estima que a reabertura com 70% de vacinados pode levar a 13 mortes em seis meses – desde que os testes e rastreamento estejam funcionando bem. Mas esse número pode subir para 1.500 se houver menos medidas de saúde, segundo a projeção.
Foi apenas nesta semana que a Austrália registrou sua milésima morte por covid-19, o último país do G20 a fazê-lo. Então, psicologicamente, é uma grande mudança de mentalidade, diz Mueller. Mais de 90% dos casos da Austrália ocorreram nos arredores de Sydney e Melbourne. Mas seis dos oito estados e territórios da Austrália viram pouco do vírus. “Eles basicamente não têm transmissão e nem restrições. As pessoas basicamente vivem vidas normais, então dizer a elas que precisam enfrentar o vírus é muito, muito difícil”, diz Mueller.
Disputa política
Portanto, partes do país livres da covid-19 discordam do governo federal e de outros estados quanto à estratégia. Sob o sistema de federalismo da Austrália, os governos estaduais têm controle sobre a saúde, o policiamento e as fronteiras internas. Queensland e Western Australia (Austrália Ocidental) agora se recusam a abrir seus estados, enquanto Sydney vê mais de 1.000 infecções por dia. “Não consigo entender por que há pessoas lá dizendo que devemos nos infectar deliberadamente”, disse o premiê da Austrália Ocidental, Mark McGowan.
Mas Morrison argumenta que esses estados não podem se esconder do vírus para sempre. “A maioria dos estados da Austrália precisa perceber que eventualmente eles terão que sair da estratégia de zero covid porque simplesmente não é sustentável para sempre”, diz Mueller.
O que a Austrália pode aprender com o exterior?
Muito pode ser aprendido com outros países sobre como reabrir com segurança e ajustar o risco, dizem os especialistas. O distanciamento social poderia ser uma exigência nas escolas, como na França e no México? Com as viagens, a Austrália poderia adotar testes de diagnóstico rápido usados ​​na Europa e na América do Norte? Qual é o melhor passaporte de vacina para permitir o movimento com segurança? Os especialistas enfatizam que a Austrália precisa agora se concentrar na vacinação de grupos de risco, como comunidades indígenas, antes de reabrir.
Eles observam que o plano de reabertura da Austrália também já foi moldado pelas experiências do Reino Unido e dos Estados Unidos. Embora a Delta tenha causado ondas de infecção em ambas as nações, as vacinações estão reduzindo enormemente as doenças graves e mortes. “Isso nos dá a certeza de que estamos no caminho certo com as vacinas”, afirma Mueller.
O plano da Austrália de reabertura com 80% de vacinados é um nível mais alto do que o de 54% adotado pelo Reino Unido, onde o nível de vacinação está agora em cerca de 80% da população elegível. Na Dinamarca, onde 70% são vacinados, quase todas as restrições foram retiradas.
Cingapura, que atingiu 80% esta semana, também está à frente em seus planos de reabertura, mas está adotando uma abordagem cautelosa como a Austrália, mantendo viagens só para países considerados seguros e restrições como o uso de máscaras.

Fonte: G1 Mundo