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Cannabinólogo? Brasileiro se torna sommelier de cannabis em Israel: ‘é como um vinho’


Brasileiro é o responsável pela cura da flor e supervisiona, por meio de um processo que ele próprio criou, o amadurecimento e a conservação até que a flor esteja pronta para o aproveitamento em produtos. O paulistano Silvio Scol, 59 anos, imigrou para Israel há dois anos e meio, em busca de um sonho. Apaixonado por tudo o que tem a ver com cannabis, a ponto de ter tatuado uma folha da erva em todo o seu antebraço esquerdo, ele queria participar ativamente da revolução mundial que tem levado a planta a ser chamada de “ouro verde”.
Scol sabia que, em Israel, o mercado de cannabis medicinal está a todo vapor, com a expectativa de que, em breve, a maconha também seja aprovada para uso recreativo. A aposta deu certo. O brasileiro é, atualmente, o “curing manager” do Seach Medical Group, uma das maiores empresas de cannabis medicinal de Israel.
Trocando em miúdos, Scol é um “cannabinólogo”, uma espécie de sommelier da cannabis, sendo o responsável pela cura da flor, ou inflorescência. Ele supervisiona, por meio de um processo que ele próprio criou, o amadurecimento e a conservação até que a flor esteja pronta para o aproveitamento em produtos. 
Como se fosse um vinho
“Depois da colheita, existe o processamento”, explica Silvio Scol. “O processamento leva um tempo, quase dois meses para ela (a flor) estar preparada, pronta para o consumo. Nesse tempo, é feita climagem, tirando as folhinhas, ela fica curando. É igual à cura de um vinho, por exemplo. E tem que ter uma certa habilidade, um certo conhecimento para fazer com que ela fique forte com todo o sabor, com todo o cheiro e com uma qualidade boa para se fumar e para os efeitos fazerem o efeito. Então, é uma coisa que exige um feeling. E eu faço isso na empresa.”
Para o brasileiro, a cannabis é uma paixão que passou de hobby à carreira profissional. Tudo começou apenas pela curiosidade, quando ele ainda era muito jovem, em São Paulo. Autodidata, ele aprendeu a plantar cannabis e começou a pesquisar as melhores formas de fazer a cura das tão desejadas flores para que elas alcançassem seu melhor potencial.
Mesmo quando a cannabis, mesmo a medicinal, era um tabu na maioria dos países, ele viajou pelo mundo em busca das melhores práticas. O resultado foi a acumulação de um conhecimento que, hoje, é buscado no mundo todo. Em seu trabalho, Silvio Scol une essa sabedoria de quem aprendeu tudo sozinho com a tecnologia inovadora dos israelenses.
“É uma mistura de old school brasileira, aquele jeitão brasileiro, porque eu fazia tudo naquela base da gambiarra, com uma empresa de alta tecnologia, que tem tudo pronto e preparado para uma pessoa que entende fazer”, diz Scol. “É igual a um cozinheiro, ou a vovó que cozinhava em casa com aquela panela velha de ferro e de repente ela vai para uma cozinha industrial e tem tudo aquilo na mão. Usando todos esses equipamentos e a tecnologia, consigo fazer o meu trabalho com qualidade melhor do que eu fazia antes, é uma união de feeling e conhecimento com tecnologia.”
Planta de ‘Cannabis sativa’, da qual é possível extrair o canabidiol
Kimzy Nanney/Unsplash
Trabalhos pontuais antes de ter talento reconhecido
No entanto, a escolha do paulistano por um novo país e uma nova carreira não foi fácil. Ele se mudou para o Oriente Médio sem uma posição assegurada e passou algum tempo trabalhando em funções menos qualificadas até se recolocar no mercado. Scol chegou a trabalhar por quatro meses como segurança de shopping center, até conseguir ser contratado pela empresa de cannabis onde está hoje.
Mas, mesmo na empresa, passou alguns meses como faxineiro, limpando o chão e o maquinário. Aos poucos, entretanto, foi conhecendo os diretores e os funcionários mais qualificados, mostrando a eles que seu conhecimento era necessário na empresa para melhorar a qualidade dos produtos.
“Um dia eu cheguei a comentar alguma coisa, começaram a me questionar e eu expliquei muitas coisas que eu tinha de conhecimento. A bióloga-chefe estava lá, junto com os donos da empresa”, conta o brasileiro. “Eu comecei a falar tantas coisas e eles disseram: ‘Nossa, nós precisamos de você, porque você tem as soluções para os nossos problemas’. Aí eu fiz uns testes lá dentro, modifiquei todo o sistema de processamento da empresa, do plantio à colheita, até a hora em que é ensacado e distribuído o produto.”
Para Silvio Scol, o futuro do mercado de cannabis é mais do que promissor, tanto no viés medicinal quanto para uso recreativo. Em Israel, o uso medicinal é legal para enfermidades específicas e cada vez mais médicos e enfermeiros são preparados para receitar e preparar cannabis para quem tem autorização. 
Tabu na sociedade
Já o uso recreativo ainda é ilegal. Ele foi parcialmente descriminalizado em 2017, com o governo definindo, em vez de procedimentos criminais, multas e tratamento para os infratores iniciais e portadores de até 15 gramas de maconha. Mas, recentemente, uma lei liberando o porte de 50 gramas e o cultivo caseiro de até 15 plantas para uso pessoal foi barrado no Knesset, o Parlamento em Jerusalém.
As empresas israelenses, no entanto, acreditam que é só uma questão de tempo para uma maior flexibilização e para uma menor burocracia para exportações. Para Silvio Scol, este é um momento paradoxal em que, por um lado, empresas de todo o mundo apostam nesse mercado e, por outro, ainda há um tabu na sociedade em relação à cannabis. 
“Tem um lado do dinheiro, porque isso é muito rentável, mas tem o lado de tabu, de muitas pessoas que são contra e lutam contra isso, achando que seria uma droga”, opina o paulistano. “Ainda falta um pouquinho de conscientização da população. É uma questão de tempo e de conscientização das pessoas”, conclui.
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Fonte: G1 Mundo

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EUA e outros 97 países dizem que Talibã garantiu saída segura de estrangeiros do Afeganistão


Nativos com autorização para viagem ao exterior também poderão deixar o território, afirma comunicado conjunto divulgado neste domingo (29). Cidadãos indianos embarcam em avião militar no aeroporto de Cabul, em 17 de agosto de 2021, para serem evacuados do Afeganistão após o Talibã tomar o poder
AFP
Um comunicado divulgado neste domingo (29) pelos Estados Unidos e por outros 97 países (veja lista mais abaixo) afirma que o grupo radical Talibã garantirá a saída segura de estrangeiros do Afeganistão.
Nascidos no país, desde que tenham autorização para viajar ao exterior, também poderão deixar o território.
“Recebemos garantias do Talibã de que todos os estrangeiros e qualquer cidadão afegão com autorização de viagem terão permissão para seguir de maneira segura e ordenada para os pontos de partida e viajar para fora do país”, afirma o texto.
Na última sexta-feira (27), o chefe de negociação do Talibã, Sher Mohammed Abas Stanekzai, anunciou que o grupo fundamentalista não impediria ninguém de sair do território afegão, independentemente da nacionalidade ou da relação com os Estados Unidos durante a guerra entre os dois países.
Países que assinaram o comunicado
O documento é assinado por representantes dos governos de:
Austrália, Bélgica, Belize, Bulgária, Burkina Faso, Cabo Verde, Canadá, República Centro-Africana, Colômbia, Costa Rica, Costa do Marfim, Croácia, República Democrática do Congo, Dinamarca, Djibouti, República Dominicana, El Salvador, Estônia, Eswatini, Estados Federados da Micronésia, Estados Unidos, Fiji, Finlândia, França, Gabão, Geórgia, Alemanha, Gana, Grécia, Guiné, Guiana, Haiti, Honduras, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Jordânia, Cazaquistão, Quênia, Kiribati, Quirguistão , Letônia, Líbano, Libéria, Líbia, Lituânia, Luxemburgo, Madagascar, Maldivas, Malta, Ilhas Marshall, Moldávia, Montenegro, Marrocos, Nauru, Holanda, Nova Zelândia, Níger, Macedônia do Norte, Noruega, Palau, Papua Nova Guiné, Polônia, Portugal, República de Chipre, República da Coreia, República do Kosovo, Romênia, Ruanda, Secretário-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Senegal, Sérvia, Serra Leoa, Eslováquia, Eslovênia, Somália, Espanha, St. Kitts e Nevis, Sudão, Suriname, Suécia, Suíça, Bahamas, Gâmbia, Alto Representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, Togo, Trinidad e Tobago, Turquia, Uganda, Ucrânia, União das Comores, Unidos Reino, Vanuatu, Iêmen e Zâmbia.

Fonte: G1 Mundo

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Quase 300 cidadãos dos EUA permanecem em Cabul


114.400 pessoas, incluindo 5.500 cidadãos americanos, foram retiradas do Afeganistão por uma ponte aérea desde 14 de agosto. Governo americano diz que trabalha “incansavelmente” para retirar todos os que restam no país. Militares ajudam a retirar uma criança da multidão perto do aeroporto de Cabul, no Afeganistão
Sargento Victor Mancilla/U.S. Marine Corps/via Reuters
Ainda restam “300 americanos ou menos” para retirar do Afeganistão, afirmou, neste domingo (29), o secretário de Estado, Antony Blinken, ao canal ABC.
“Estamos trabalhando incansavelmente (…) para retirá-los”, disse, a 48 horas do fim do prazo para a saída dos Estados Unidos.
Quase 114.400 pessoas, incluindo 5.500 cidadãos americanos, foram retiradas do Afeganistão por uma ponte aérea desde 14 de agosto, véspera da tomada de Cabul pelos talibãs.
Aqueles que escolheram permanecer no país “não ficarão presos no Afeganistão”, declarou ao canal Fox o conselheiro de Segurança Nacional do presidente Joe Biden, Jake Sullivan, sem especificar quantos são.
“Vamos assegurar um mecanismo para retirá-los do país caso desejem retornar no futuro”, disse, antes de acrescentar que “os talibãs se comprometeram” com isto.
Ao falar sobre o ataque americano de sábado (28) em represália ao atentado de quinta-feira (26), que matou mais de 100 pessoas, incluindo 13 soldados de seu país, Sullivan afirmou que os alvos do bombardeio eram “operadores e organizadores envolvidos no transporte e fabricação de artefatos explosivos”. Dois dirigentes do Estado Islâmico-Khorasan, o braço do Estado Islâmico no Afeganistão, foram mortos – o grupo reivindicou a responsabilidade do atentado de quinta. O grupo Talibã e o EI-K são inimigos no Afeganistão.
O presidente Joe Biden e a primeira-dama Jill Biden viajam neste domingo à base de Dover, Delaware, para a cerimônia fúnebre em homenagem aos 13 soldados mortos em Cabul.
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Fonte: G1 Mundo

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Papa pede aos cristãos do mundo que orem e façam jejum pelo Afeganistão


O pontífice disse que acompanha a situação no Afeganistão com grande preocupação. O Papa Francisco durante sua oração do Angelus no Vaticano, em 29 de agosto de 2021
Vincenzo Pinto / AFP
O Papa Francisco pediu neste domingo (29) aos cristãos de todo o mundo que orem e façam jejum pelo Afeganistão. Ele também fez um apelo: que se continue a assistir os necessitados e a rezou para que o diálogo e a solidariedade levem a estabelecer uma convivência pacífica e fraterna, oferecendo esperança para o futuro do país.
“Em momentos históricos como este, não podemos permanecer indiferentes. Por isso, dirijo um apelo a intensificar a oração e a praticar o jejum, pedindo ao Senhor misericórdia e perdão”, disse o pontífice.
Falando aos peregrinos e turistas na Praça de São Pedro para sua bênção semanal, Francisco disse que estava acompanhando os acontecimentos no Afeganistão com “grande preocupação”.
“Acompanho com grande preocupação a situação no Afeganistão. Participo do sofrimento dos que choram pelas pessoas que morreram nos ataques suicidas e dos que buscam ajuda e proteção”, completou.
Na quinta-feira (26), um ataque suicida matou 169 afegãos e 13 militares americanos no aeroporto de Cabul. Esse atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico-Khorasan. No Afeganistão, esse grupo e o Talibã são inimigos.
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Fonte: G1 Mundo

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Israel começa a aplicar 3ª dose da vacina contra Covid-19 em todos os maiores de 12 anos


Única exigência é que cidadão tenha tomado a 2ª dose há pelo menos 5 meses. OMS havia pedido para que países não aplicassem o reforço antes de cada nação atingir pelo menos o índice de 10% de moradores totalmente vacinados. Israelense recebe a 3ª dose da vacina da Pfizer neste domingo (29)
Ahmad Gharabli/AFP
Após registrar um recorde diário de novos casos de Covid-19, Israel começa a aplicar neste domingo (29) o reforço da vacina da Pfizer em todos os maiores de 12 anos – até então, apenas os cidadãos com mais de 40 anos podiam ser contemplados.
É necessário ter tomado a segunda dose do imunizante há pelo menos 5 meses.
A medida vai contra a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de aguardar a vacinação avançar no mundo antes de iniciar a aplicação do reforço, para não prejudicar as nações mais pobres.
Segundo o órgão, o correto seria esperar até que pelo menos 10% dos moradores de cada país estivessem protegidos com duas doses.
Atualmente, segundo o monitoramento do “Our World in Data”, Haiti, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Iêmen, Chade, Guiné-Bissau, Mali e Tanzânia, por exemplo, não chegam nem a 0,5% da população totalmente vacinada. Em Israel, o índice é de 62,2%.
Argumentos de Israel
O país adota os seguintes argumentos para ampliar a aplicação do reforço:
uma terceira dose da vacina da Pfizer em pessoas com 60 anos ou mais oferece de cinco a seis vezes mais proteção contra casos graves e hospitalização por Covid-19, segundo estudo publicado pelo Ministério da Saúde israelense em agosto;
em setembro, as escolas vão reabrir, e os moradores devem se reunir com mais frequência nos feriados religiosos.
Há também uma preocupação com o avanço no número de casos de Covid. No sábado, foram 12.113 infectados em 24 horas – o último recorde havia sido registrado em 27 de janeiro (11.934).
A situação chegou a melhorar após o ritmo avançado de vacinação – no começo de junho, Israel ficou dois dias seguidos sem registrar nenhuma nova contaminação.
A variante delta, no entanto, mudou o quadro e obrigou o governo a retomar protocolos de prevenção, como uso de máscaras e exigência de comprovantes de imunização para a entrada em locais fechados.
Vídeos sobre vacinação

Fonte: G1 Mundo

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Furacão Ida: como os furacões se formam e por que são tão frequentes nos EUA, México e Caribe


Entenda a razão pela qual o fenômeno é raro na América no Sul neste guia com gráficos e imagens de satélite.
BBC
Furacões são as maiores e mais violentas tempestades do planeta e a cada ano, entre os meses de junho e novembro, afetam a região do Caribe, do Golfo do México e da costa leste dos Estados Unidos. A depender de sua força, podem arrasar populações e cidades inteiras.
Seus homólogos são os tufões, que afetam o noroeste do oceano Pacífico, e os ciclones, que ocorrem no sul do Pacífico e no oceano Índico.

NOAA via BBC
Todos eles são ciclones tropicais, mas o nome furacão é usado exclusivamente para os do Atlântico norte do nordeste do Pacífico.
Neste domingo (29), Nova Orleans se prepara para o possível impacto direto de uma tempestade mais forte que o furacão Katrina, que deixou um rastro de destruição há exatos 16 anos.
Trata-se do furacão Ida, que se intensificou nas águas quentes do Golfo do México antes de sua chegada à costa sul dos Estados Unidos. A tempestade é de categoria 4, uma abaixo do nível máximo, com ventos de até 225km/h.
Mas como se formam os furacões e por que costumam ocorrer nesta parte do mundo?
Uma bomba de energia
O mecanismo mais comum de formação de furacões no Atlântico — que provoca mais de 60% desses fenômenos — é uma onda tropical.
A onda começa como uma perturbação atmosférica que cria uma área de relativa baixa pressão.
Isso acontece geralmente no leste da África, a partir de meados do mês de julho.
Se essa área de baixa pressão encontra as condições adequadas para se manter e se desenvolver, ela começa a mover-se de leste a oeste, com a ajuda dos ventos alísios.

NOAA via BBC
Quando chega ao oceano Atlântico, a onda tropical pode ser o início de um furacão, mas, para que ele se forme, precisa de fontes de energia, como a umidade, o calor e o vento adequados.
Em concreto, é preciso que a temperatura da superfície do oceano seja superior aos 27º C, assim como a da camada de água que se estende por pelo menos 50 metros logo abaixo da superfície.
Também são necessários tipos de vento específicos. Por um lado, ventos com rotação horizontal, para que a tempestade se concentre.
Por outro, é preciso que os ventos subindo a partir da superfície do oceano mantenham sua força e velocidade constantes.
Se houver cortante de vento, ou seja, variações no vento com a altura, isso pode interromper o fluxo de calor e umidade que faz com que o furacão tome forma.
Também é preciso que haja uma concentração de nuvens carregadas de água e alta umidade relativa na atmosfera.

BBC
Tudo isso precisa ocorrer nas latitudes adequadas, em geral entre os paralelos 10° e 30° do hemisfério norte, já que nesta região o efeito da rotação da Terra faz com que os ventos possam convergir e ascender ao redor da área de baixa pressão.
Quando a onda tropical encontra todos estes ingredientes, cria-se uma área de cerca de 50 a 100 metros, onde eles começam a interagir.
“O movimento da onda tropical funciona como o disparador dessa tempestade”, explicou à BBC News Brasil Jorge Zavala Hidalgo, coordenador geral do Serviço Meteorológico Nacional do México.
E esta tempestade funciona como um catalisador: começa um balé de calor, ar e água.
A área de baixa pressão faz com que o ar úmido e quente que vem do oceano suba e se esfrie, o que alimenta as nuvens.
A condensação desse ar libera calor e faz com que a pressão sobre a superfície do oceano baixe ainda mais, o que atrai mais umidade do oceano, fortalecendo a tempestade.
Os ventos convergem e ascendem dentro desta área de baixa pressão, girando em direção contrária às agulhas do relógio — por influência da rotação da Terra.
É essa rotação que dá aos furacões sua imagem característica.
Furacão
Getty via BBC
À medida em que a tempestade fica mais poderosa, o olho do furacão, uma área central de até 10 km permanece relativamente tranquilo.
Ao seu redor se levanta a parede do olho, composta de nuvens densas, onde ficam os ventos mais intensos. Para além dela, ficam as faixas em forma de espiral, onde há mais chuvas.
A velocidade dos ventos é a que determina em que momento podemos chamar esse fenômeno de furacão. Em seu nascimento é uma depressão tropical, quando sua força aumenta passa a ser uma tempestade tropical e se torna um furacão quando passa dos 118 km/h.
Furacão
Proteção civil/ Governo do México via BBC
A partir daí, eles podem ser classificados em cinco categorias segundo a velocidade sustentada de seus ventos. Para medir o poder destrutivo dos furacões do Atlântico, se utiliza a escala Saffir-Simpson.
A força dos ciclones tropicais é tanta que seus ventos poderiam produzir energia equivalente a quase a metade da capacidade de geração de eletricidade do mundo inteiro, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).
Furacão
NOAA via BBC
No entanto, os principais responsáveis pela destruição e pela perda de vidas quando passa um furacão são as marés de tempestade nas cidades costeiras e as inundações provocadas pelas chuvas que ele traz.
Nos Estados Unidos, por exemplo, as marés de tempestade foram responsáveis por quase a metade das mortes relacionadas aos ciclones tropicais do Atlântico entre 1963 e 2012, segundo dados da Sociedade Americana de Meteorologia.
Além destes fatores, a destruição causada por um furacão depende de outras circunstâncias, como a velocidade com a qual ele passa, a geografia do território e a infraestrutura da região afetada.
As tempestates tropicais Amanda e Cristobal não chegaram a ser furacões, mas provocaram chuvas extraordinárias e muita destruição na Guatemala e no México entre maio e junho de 2020
Getty via BBC
“Não necessariamente a destruição ou o perigo associados a um ciclone tropical correspondem a sua categoria. Por exemplo, um ciclone de categoria maior não tem por que ter mais chuva”, disse Jorge Hidalgo à BBC News Brasil.
México, Estados Unidos e Caribe: as zonas mais vulneráveis
Um dos fatores que explica que essa região seja mais propensa a receber furacões é que o oceano Atlântico, nas latitudes tropicais, tem a temperatura adequada para sua formação durante mais meses no ano.
Outro fator é a circulação dos ventos que empurram os furacões.
Os ventos alísios, principais ventos nas latitudes baixas tropicais, vão de leste a oeste, levando os ciclones até as costas do Caribe, do Golfo do México e dos Estados Unidos.
O percurso destes ventos também é influenciado pela rotação da Terra — o chamado efeito de Coriolis — que faz com que eles tendam a desviar-se em direção ao norte.
Os furacões que se formaram no Atlântico Norte em 2019 seguiram trajetórias diferentes de acordo com as correntes de ar e outros fenômenos, como os anticiclones, que encontravam em seu caminho
WIKI PROJECT TROPICAL CYCLONES/TRACKS/NASA/XYKLONE
Normalmente, enquanto os furacões avançam, eles também se deslocam levemente para o norte.
Ao passar do paralelo 30°N, costumam encontrar-se com os ventos do oeste, outra das grandes correntes globais de ventos, que faz com que passem a ir em direção à leste. Daí por diante, se afastam do continente americano.
Mas em seu caminho, ainda no oceano Atlântico, os furacões se encontram com o enorme anticiclone das Bermudas-Açores, que pode determinar se eles vão se dirigir ao Golfo do México, ao Caribe ou aos Estados Unidos.
Os anticiclones são regiões de alta pressão atmosférica com ar mais seco, menos nuvens e ventos que giram na direção das agulhas do relógio no hemisfério norte.
O anticiclone dos Açores funciona como uma espécie de obstáculo que domina a parte norte do oceano Atlântico. Para avançar, os furacões precisam passar ao redor dele.
É por isso que o tamanho e a posição desse anticiclone podem influenciar a trajetória de um ciclone tropical.
Ciclone
CBC, Nasa via BBC
Se o anticiclone está mais fraco e mais posicionado à leste, os furacões o rodeiam e seguem para o norte, se distanciando do Caribe (veja o gráfico acima).
Se, pelo contrário, ele estiver mais forte e mais posicionado ao sul e ao oeste, um furacão que passa ao redor dele acaba indo para o Golfo do do México, o sul dos Estados Unidos ou as ilhas caribenhas.
A posição do anticiclone muda de acordo com o ano, com as estações e pode variar também em questão de dias.
“Por causa dessas variações, um furacão pode ter uma trajetória muito diferente hoje do que outro que passar apenas três ou cinco dias depois”, explica Jorge Zavala Hidalgo, do Serviço Meteorológico Nacional do México.
Seguindo a mesma lógica, os anticiclones podem fazer com que furacões que já estão se afastando das Américas voltem atrás. Foi o que aconteceu com o furacão Sandy, em 2012.
Depois de tocar terra em Cuba, Sandy começou a se deslocar em sentido nordeste, afastando-se do continente. Mas um anticiclone na Groenlândia e uma frente fria bloquearam seu caminho. Isso fez com que ele voltasse para a costa leste dos Estados Unidos, causando destruição nos Estados de Nova York e Nova Jérsei.
Em seu caminho para o norte, o furacão Sandy foi bloqueado por um anticiclone e retornou à costa leste dos EUA, causando destruição em Nova York e Nova Jérsei
Getty via BBC
A razão pela qual furacões são raros na América do Sul
Se a parte norte do Atlântico oferece as condições ideais para a formação de furacões, o mesmo não ocorre abaixo da linha do Equador.
“O Atlântico Sul é mais tranquilo porque lá não há onda tropical — é um fenómeno mais comum no hemisfério norte — e há mais variações na velocidade e na direção do vento, algo que inibe a formação de furacões”, disse à BBC News Brasil Gary M. Barnes, professor aposentado da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos.
Além disso, os ciclones tropicais não costumam se formar se estiverem a menos de 500 quilômetros da linha do Equador, seja para o norte ou para o Sul.
Isso acontece porque, nessa faixa, o efeito de Coriolis é muito fraco para fazer com que os ventos girem e possam formar uma tempestade.
O único furacão registrado na América do Sul foi o Catarina, em 2004, que atingiu o sul do Brasil
Nasa via BBC
Apesar de depressões e tempestades tropicais já terem sido registrados no sul do Brasil, o único ciclone tropical registrado oficialmente na região foi o Catarina, em 2004.
O furacão atingiu o Estado de Santa Catarina, deixando mais de 10 mortos e mais de 500 feridos, além de cerca de 30 mil pessoas desabrigadas.
“Os ciclones nessa região costumam ser extratropicais, ou seja, que ocorrem em latitudes médias e têm núcleo frio. O Catarina foi assim. Mas ele adquiriu características de ciclone tropical e se tornou um furacão, algo que é raro de acontecer”, explicou à BBC News Brasil José Manuel Gálvez, meteorologista do Centro de Previsão Climática da NOAA.
A mudança climática pode impactar a formação de furacões?
“A mudança climática faz com que a temperatura da superfície e da capa espessa do oceano fiquem mais altas, e isso é um problema. Temos teorias que dizem que se o oceano ficar mais quente, isso pode se traduzir em tempestades mais fortes e intensas”, diz Gary Barnes.
Há indicações de que as áreas em que os ciclones tropicais encontram condições para se desenvolver e para sobreviver também estão ficando mais extensas ao longo do tempo, segundo Jorge Hidalgo, do Serviço Meteorológico do México.
“Talvez o número de ciclones não aumente, mas a distribuição de categorias pode mudar. Ou seja, podemos ter mais furacões de categoria maior e menos de categoria menor”, afirma.
Os cientistas concordam, no entanto, que é cedo para medir o impacto da mudança climática no fenômeno.
“É provável que os furacões se intensifique pouco a pouco, mas vamos precisar de muitos dados para provar que o aquecimento global vai provocar furacões mais fortes. Em 25 anos pode ser que tenhamos provas”, conclui o meteorologista Gary M. Barnes.

Fonte: G1 Mundo

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Joe Biden recebe militares mortos em Cabul e se encontra com familiares das vítimas


Os corpos dos 13 militares mortos no atentado terrorista no Afeganistão chegam aos Estados Unidos neste domingo (28). Familiares das vítimas têm encontro marcado com o presidente americano e sua esposa, Jill Biden, na Casa Branca. Joe Biden, presidente dos Estados Unidos
Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, receberá neste domingo (29) os corpos dos 13 militares mortos no atentado terrorista ocorrido na semana passada no Afeganistão. A homenagem acontecerá na base aérea de Dover, no estado de Delaware.
Antes, Biden e sua esposa Jill se encontrarão com as famílias das vítimas na Casa Branca, em Washington.
Na última quinta-feira (26), o Estado Islâmico Khorasan, braço do Estado Islâmico no Afeganistão, confirmou a autoria do ato — um homem-bomba explodiu perto do aeroporto de Cabul e deixou mais de 180 feridos entre afegãos e americanos.
O rápido avanço do Talibã pelo país em meio à retirada das tropas americanas e as cenas caóticas no aeroporto apresentaram a Biden seu maior desafio de política externa até o momento.
Biden prometeu punir os responsáveis ​​pela bomba no aeroporto. No sábado (28), militares dos EUA disseram que mataram dois militantes do Estado Islâmico em um ataque de drones no Afeganistão.

Fonte: G1 Mundo

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Testemunhas afirmam ter ouvido uma explosão perto de aeroporto em Cabul, no Afeganistão


Ainda não há confirmação; testemunhas disseram que explosão pode ter sido causada pelo impacto de um foguete que atingiu uma residência perto do aeroporto. Imagem de satélite da Maxar Technologies mostra o Aeroporto Internacional de Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de agosto de 2021, um dia após o atentado terrorista em um dos portões do local
Maxar Technologies via AP
Ouviu-se o barulho de uma explosão perto do aeroporto de Cabul, afirmaram testemunhas à agência de notícias Reuters neste domingo (29).
Imagens transmitidas pela TV do Afeganistão mostram fumaça escura no céu, mas não há nenhuma informação a respeito de perdas até o momento.
Duas testemunhas disseram que a explosão parece ter sido causada pelo impacto de um foguete que atingiu uma casa em uma região ao norte do aeroporto, mas ainda não há confirmação.
Aviso de Joe Biden
No sábado, O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou que um novo ataque ao aeroporto de Cabul é “muito provável” nas “próximas 24 a 36 horas” e que o bombardeio americano que matou dois membros do grupo Estado Islâmico “não será o último”.
“A situação no local continua extremamente perigosa e a ameaça de um ataque terrorista no aeroporto continua alta”, escreveu o presidente em um comunicado após se reunir com seus conselheiros militares e de segurança.

Fonte: G1 Mundo

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A impactante imagem de 500 migrantes ‘transbordando’ de barco encontrado perto da Itália


Guarda costeira da Itália encontrou embarcação à deriva repleta de pessoas, algumas das quais feridas. Guarda costeira da Itália encontrou a embarcação à deriva repleta de pessoas, algumas das quais feridas
EPA via BBC
Uma embarcação com mais de 500 pessoas à bordo foi encontrada à deriva perto da costa da Itália no sábado (28).
O barco azul parecia “transbordar” de pessoas, numa imagem que dá a dimensão do desespero de migrantes que buscam uma nova vida na Europa.
A guarda costeira italiana contabilizou 539 passageiros, entre eles mulheres e crianças sentadas perigosamente nas laterais da embarcação, com as pernas penduradas para fora.
Eram migrantes que deixaram a Líbia na tentativa de obter asilo o refúgio na Europa. As autoridades italianas informaram que o barco estava à deriva em frente à ilha de Lampedusa. Alguns dos resgatados mostravam sinais de terem sido vítimas de violência no país de origem.
Segundo a médica Alida Srrachieri, da ONG humanitária Médicos Sem Fronteiras, vários parecem ter sido agredidos fisicamente na Líbia.
O prefeito de Lampedusa, Toto Martello, descreveu o resgate como “um dos maiores desembarques de todos os tempos” num único dia. Lampedusa, que fica entre a Sicília e o continente africano, é um dos principais pontos de acesso para quem deseja se estabelecer na Europa.
A ilha tem um acampamento de refugiados e migrantes desenhada originalmente para abrigar 300 pessoas. Mas, atualmente, há cinco vezes esse número. Muitos outros migrantes estão fora dessa local, acampado em estradas empoeiradas.
A maioria corre o risco de ser deportada de volta ao país de origem, já que vêm de nações que não se qualificam para o pedido de asilo.

Fonte: G1 Mundo

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EUA entram na fase final de retirada no aeroporto de Cabul


Cerca de 113,5 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão pelos Estados Unidos e aliados nas últimas duas semanas. As tropas americanas deixarão o Afeganistão em 31 de agosto. Otan e União Europeia pedem prorrogação do prazo para conseguir finalizar a operação de ‘resgate’ no país. Imagem de satélite fornecida pela Maxar Technologies mostra multidão reunida no portão nordeste do Aeroporto Internacional de Cabul, capital do Afeganistão, em 27 de agosto de 2021, um dia após um atentado terrorista no portão Abadia, em outro local do aeroporto
Maxar Technologies via AP
As Forças Armadas dos Estados Unidos estão na fase final da retirada de Cabul, no Afeganistão. Neste domingo (29), há cerca de 1.000 civis no aeroporto Hamid Karzaida. Depois da saída dessas pessoas, os próprios militares vão deixar o país e, então, o Talibã vai passar a dominar o aeroporto.
Um dirigente militar norte-americano que está no aeroporto afirmou que o plano é garantir que todos os civis estrangeiros e aqueles que correm risco sejam retirados ainda neste domingo. Os membros das forças vão começar a voar quando esse processo terminar.
Cerca de 113,5 mil pessoas foram retiradas do Afeganistão pelos Estados Unidos e aliados nas últimas duas semanas. No entanto, estima-se que dezenas de milhares que também poderiam ter viajado ficaram para trás.
Além disso, os talibãs bloquearam as estradas que levam ao aeroporto e permitem apenas a passagem de ônibus autorizados.
O presidente Joe Biden tem afirmado que vai manter o calendário de retirada, que prevê o fim da operação na terça-feira (31). Há cerca de 4.000 soldados em Cabul.
Imagens de satélites mostram uma multidão de pessoas concentradas na fronteira do Afeganistão com o Paquistão. O vídeo registra o aumento da movimentação na região sul do país — uma das várias tentativas da população de fugir do grupo extremista Talibã (assista abaixo).
VÍDEO: Imagens de satélite mostram multidão em fronteira do Afeganistão
Essa é uma das maiores operações de retirada de pessoas por aviões na história. A ação marca o fim da missão de 20 anos dos Estados Unidos, que invadiram o país para derrubar o Talibã após os ataques de 11 de setembro de 2001 — os terroristas usavam o Afeganistão como um centro de treinamento.
Crise econômica e fome
O colapso do governo do Afeganistão deixou um vazio administrativo e pode ser que haja uma crise econômica e fome no país.
Preços de trigo, óleo e arroz estão aumentando rapidamente, e a moeda afegão, o afghani está caindo — na fronteira com o Paquistão, as casas de câmbio se recusam a aceitar o afghani.
No sábado (28), os bancos foram obrigados a abrir, mas havia limite de saque de até 20 mil afghanis (cerca de R$ 1.040). Formaram-se longas filas nos bancos.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, disse que as dificuldades vão terminar quando a nova gestão do país assumir de fato. Nos próximos dias serão anunciados os nomes que vão formar o governo, segundo ele.
‘Zona segura’
A Otan e União Europeia solicitaram uma prorrogação de alguns dias para conseguir retirar todos os afegãos aptos a receber proteção ocidental.
França e Reino Unido defenderão na segunda-feira (30), em um encontro no Conselho de Segurança da ONU, a criação de uma “zona segura” em Cabul para permitir a continuidade das operações humanitárias após 31 de agosto, afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Isto estabeleceria um marco às Nações Unidas para atuar em caráter de urgência e permitiria, sobretudo, a cada um assumir suas responsabilidades e à comunidade internacional manter a pressão sobre os talibãs”, disse Macron.
Muitos países, incluindo, França, Itália, Espanha, Alemanha, Canadá e Austrália, já concluíram suas operações de retirada. Algumas nações admitiram que deixaram civis afegãos que correm perigo no país.
A Turquia negocia com os talibãs para uma possível cooperação na administração do aeroporto.
Com o retorno ao poder, os talibãs tentam apresentar uma imagem mais aberta e moderada. Muitos afegãos, no entanto, temem a repetição do regime fundamentalista e brutal imposto entre 1996 e 2001, quando o Talibã foi derrubado por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.
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Fonte: G1 Mundo