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Brasil assume presidência do Mercosul, e Bolsonaro volta a defender flexibilização nas regras do bloco

Bolsonaro pregou revisão de tarifa externa e flexibilidade para países negociarem individualmente com outras nações. Presidente disse que gestão argentina não correspondeu às necessidades do bloco. O Brasil assumiu nesta quinta-feira (8) a presidência pro-tempore do Mercosul, bloco que reúne também líderes do Uruguai, Argentina e Paraguai.
Uma cúpula dos chefes de Estados das quatro nações realizada nesta manhã marcou a transferência da presidência da Argentina para o Brasil, que presidirá o bloco pelos próximos seis meses.
O presidente Jair Bolsonaro discursou durante a cerimônia. Ele criticou a gestão argentina, comandada pelo presidente Alberto Fernández.
Bolsonaro afirmou que os últimos seis meses não corresponderam às necessidades e expectativas do bloco.
“O semestre que encerramos deixou de corresponder às expectativas e necessidade de modernização do Mercosul. Deveríamos ter apresentado resultados concretos nos dois temas que mais mobilizam nossos esforços recentes: a revisão da tarifa externa comum e a flexibilidade para negociação comerciais com parceiros externos”, criticou Bolsonaro.
Em abril, o Uruguai propôs mudar as regras do bloco. O país defendeu que os membros do bloco possam negociar, sozinhos, com países que não são do Mercosul.
O Uruguai assegurou contar com o apoio do Brasil, enquanto o Paraguai coincidiu com a posição da Argentina.
Nesta quinta, Alberto Fernández disse que a posição da Argentina é manter as negociações em bloco, em contraposição ao que prega o Brasil.
“Nossa posição é clara, cremos que o caminho é o cumprir o tratado de Assunção. Negociar juntos com terceiros países ou blocos e respeitar a figura do consenso, com base na tomada de decisões em nosso processo de integração”, disse Fernández.
Críticas
O governo brasileiro já vinha defendendo a revisão da tarifa e o fim da regra que exige consenso para a tomada de decisões no bloco sob a bandeira de modernizar o grupo.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a regra do consenso tem deixado uma porta aberta para que a Argentina barre acordos comerciais bilaterais que o Brasil vem buscando com outros países.
Nesta quarta-feira (7), o governo uruguaio anunciou que vai iniciar negociações com países de fora do bloco.

Fonte: G1 Mundo

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Polícia do Haiti prende mais suspeitos de assassinar o presidente, diz imprensa


Polícia já havia divulgado na quarta a morte de 4 suspeitos e a prisão de mais 2. Ex-premiê haitiano divulgou uma imagem do quem ele diz ser mercenários estrangeiros que mataram Jovenel Moise. Membros da polícia haitiana procuram evidências fora da residência presidencial em Porto Príncipe, em 7 de julho de 2021, onde o presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado a tiros na madrugada
Valerie Baeriswyl/AFP
Forças de segurança do Haiti prenderam nesta quinta-feira (8) mais suspeitos de assassinar a tiros o presidente do país, Jovenel Moise, na madrugada de quarta-feira (7).
Segundo a agência de notícias Reuters, imagens transmitidas ao vivo por vários meios de comunicação haitianos mostraram o momento das prisões.
Autoridades disseram que a polícia e o exército cercaram o grupo desde quarta e conseguiram prendê-los após intensa troca de tiros.
A polícia haitiana já havia divulgado na noite de ontem a prisão de dois mercenários e a morte de outros quatro que estariam envolvidos na execução de Moise (veja no vídeo abaixo).
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Laurent Lamothe, ex-primeiro-ministro do Haiti, divulgou nas redes sociais nesta quinta uma imagem dos suspeitos presos. Não está claro se a foto é dos detidos de ontem ou de hoje.
Lamonthe afirmou que eles são mercenários estrangeiros e “importantes testemunhas para determinar quem os pagou para matar nosso presidente” (veja na imagem abaixo).
Laurent Lamothe, ex-primeiro-ministro do Haiti, divulga imagem de quem ele diz ser suspeitos pela morte do presidente do país, Jovenel Moise, assassinado a tiros em casa em 7 de julho de 2021
Reprodução/Twitter/Laurent Lamothe
Esta reportagem está em atualização.
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Fonte: G1 Mundo

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Sobe para 60 o número de mortos em desabamento na Flórida


Desastre em Surfside, na região de Miami, deixou até o momento 60 mortos e 80 desaparecidos. Na quarta, as autoridades locais reconheceram ser impossível encontrar sobreviventes. VÍDEO: Equipes de busca fazem 1 min de silêncio pelas vítimas do desabamento em Miami
Subiu para o número e mortos no desabamento de um prédio em Surfside, na região de Miami, informaram as autoridades locais nesta quinta-feira (7).
Na véspera, as autoridades da Flórida reconheceram que era impossível encontrar sobreviventes e que os esforços agora eram de “recuperação dos corpos”.
Ao menos 80 pessoas ainda seguem desaparecidas e podem estar sob os escombros depois de duas semanas de buscas.
Na quarta-feira, os trabalhadores do resgate fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do desabamento (veja no vídeo acima).
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A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine, disse na quarta, em um pronunciamento emocionado, que “o coração de todos bate pelos que esperam respostas” (veja no vídeo abaixo).
“Essa é nossa comunidade, nossos vizinhos e famílias. Os resgatistas estão buscando por seus próprios amigos e familiares”, disse Levine.
VÍDEO: Prefeita da região de Miami se emociona ao falar das vítimas do desabamento
No domingo à noite, as autoridades demoliram a parte que ainda restava do prédio residencial que desabou parcialmente há quase duas semanas, por medo de que a tempestade Elsa derrubasse a estrutura.
Equipes fazem buscas nos escombros do prédio que desabou na região de Miami no fim de junho, foto de 5 de julho de 2021
Lynne Sladky/AP
Risco de queda suspendeu buscas
O receio com o resto do complexo fez com que as buscas fossem interrompidas na quinta-feira (1º), mas elas foram retomadas no mesmo dia.
Nenhum sobrevivente foi retirado dos escombros desde as primeiras horas após o colapso, em 24 de junho.
Não se sabe ainda por que o prédio caiu. Um relatório de 2018 apontava danos estruturais graves no edifício.

Fonte: G1 Mundo

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Primeiro-ministro assume interinamente governo do Haiti


Claude Joseph assume, pelo menos por enquanto, o comando do país. O prazo dele como primeiro-ministro já estava chegando ao fim, mas como não há outra pessoa para assumir o Haiti, ele fará isso provisoriamente. Polícia no Haiti após morte do presidente nesta quarta-feira (7)
REUTERS/Ricardo Rojas
Vinte e quatro horas depois do assassinato brutal do presidente do Haiti, Jovenel Moise, o primeiro-ministro interino Claude Joseph assume, pelo menos por enquanto, o comando do país. Na segunda-feira (5), Joseph havia parabenizado seu sucessor, nomeado por Moise mas que sequer teve tempo de tomar posse do cargo.
VÍDEO: presidente do Haiti é assassinado em ataque em casa
A transição ao poder ocorre, portanto, com pouca legitimidade. Joseph estava há três meses no cargo e não foi confirmado pelo voto do Parlamento, invalidado desde janeiro devido ao adiamento das eleições legislativas. Ele deveria ceder o posto esta semana para o médico Ariel Henry, que seria o sétimo premiê do Haiti em quatro anos.
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A primeira decisão de Joseph foi decretar estado de sítio em todo o território nacional, o que reforça os poderes do executivo para realizar buscas para esclarecer a morte do presidente e os objetivos do assassinato. “Esta morte não ficará impune”, declarou, em discurso à nação.
Moise havia encarregado Ariel Henry de “formar um governo de base ampla” para “resolver o problema flagrante da insegurança” e trabalhar para “a realização de eleições gerais e do referendo”. Henry é próximo da oposição, mas sua nomeação não foi bem recebida pela maioria dos partidos opositores, que continuavam a exigir a renúncia do presidente.
Luto nacional e reunião do Conselho de Segurança
Moise foi morto a tiros durante a madrugada de quarta-feira (7). Um luto de 15 dias foi decretado na sequência, em homenagem ao presidente cuja popularidade estava em queda, em meio à crise econômica e social no país. O crime agrava ainda mais as incertezas no Haiti.
Quatro “mercenários” envolvidos no assassinato do presidente foram mortos nesta quarta-feira e outros dois foram presos, informou a polícia. Uma operação foi iniciada horas depois do ataque contra Moise, disse o chefe da polícia, acrescentando que “três policiais que haviam sido feitos reféns foram libertados”.
Nenhuma informação sobre a identidade ou as motivações dos criminosos foi revelada. Segundo o primeiro-ministro, eles eram “estrangeiros que falavam inglês e espanhol”. Bocchit Edmond, embaixador do país nos Estados Unidos, disse que a equipe de criminosos era integrada por mercenários “profissionais” que se fizeram passar por funcionários da agência americana antidrogas.
A imprensa local, citando o juiz encarregado do caso, indicou que Moise foi encontrado alvejado por 12 balas e que seu escritório e quarto foram saqueados. O Conselho de Segurança da ONU, que realizará nesta quinta-feira uma reunião de emergência para debater a situação no pequeno país, exigiu que os responsáveis pelo assassinato “sejam rapidamente entregues à justiça”.
Estados Unidos pressionam por eleições
Washington, muito influente no Haiti, insistiu na realização de eleições presidenciais e legislativas, previstas para 26 de setembro. Mas para o pesquisador Frédéric Thomas, do Centro Tricontinental de Louvain-la-Neuve (Cetri), na Bélgica, esse prazo é irrealista.
“Há mais de 10 mil pessoas deslocadas por causa dos enfrentamentos entre gangues rivais, mais de 150 pessoas mortas. Há um conselho eleitoral provisório, ilegal e ilegítimo, uma desconfiança da população, um impasse político, e eleições previstas daqui a menos de 100 dias”, explicou o cientista político, em entrevista à RFI. “Na verdade, são eleições dos americanos, e não da população haitiana, que pede uma transição que impeça a continuidade desse status quo”, disse o especialista no país da América Central.
O ataque contra o presidente em sua residência privada, que também deixou a primeira-dama ferida, chocou o país, duramente atingido pela pobreza e as incertezas. Os sequestros em busca de resgate aumentaram nos últimos meses, refletindo ainda mais a crescente influência de gangues armadas neste país caribenho.
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Fonte: G1 Mundo

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Aranha gigante cai do teto de avião enquanto piloto pousa na Austrália; veja vídeo

Turista que estava no avião disse a um site local que o piloto ficou ‘um pouco abalado’ após a aranha cair em seu colo: ‘Comecei a rir porque sabia que era apenas uma caçadora inofensiva’. VÍDEO: Aranha gigante cai do teto de avião enquanto piloto pousa na Austrália
Uma aranha caçadora gigante caiu do teto de um pequeno avião enquanto piloto pousava em uma pista de terra na Austrália (veja no vídeo acima).
O avião Cessna voltava de um voo panorâmico com turistas sobre o parque nacional Kakadu, que fica no norte do país, segundo o jornal britânico “Daily Mail”.
Sean Hancock, um turista que estava no avião junto com a sua esposa Colleen, disse ao site 9 News Australia, que o piloto ficou “um pouco abalado” após a aranha cair em seu colo.
“Eu vi a aranha e comecei a rir porque sabia que era apenas uma caçadora inofensiva”, disse Hancock, que possui algumas cobras de estimação.
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Fonte: G1 Mundo

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‘Aos 12 anos, barriga crescia e não entendia por quê’: meninas denunciam estupros no Equador


Tribunal Constitucional do país decidiu descriminalizar aborto em todos os casos de estupro e não apenas quando as vítimas eram mulheres com deficiência mental, como até então Código Penal determinava. “Não pensei em aborto. Em jogá-lo fora, sim, mas não em aborto”, diz Sarita
Matias Zibell/BBC
A decisão da Suprema Corte do Equador, de abril deste ano, de permitir a interrupção da gravidez a todas as mulheres vítimas de estupro chamou atenção para o sofrimento vivido por meninas e adolescentes que sofrem abusos sexuais, muitas vezes nas mãos de seus próprios familiares.
“Ninguém vê, ninguém ouve e as montanhas nunca falam.” Assim uma dessas vítimas encerra a entrevista, olhando para a cordilheira dos Andes em silêncio.
A conversa havia começado 40 minutos antes, com o acordo sobre qual seria seu nome fictício. “Sarita”, diz ela. Sara ou Sarita? “Sarita”.
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Embora o uso do diminutivo seja comum na serra do Equador, parece estranho usá-lo para falar de uma mulher que cria quatro filhos sozinha.
O primeiro foi fruto de um estupro, os dois do meio são filhos de uma relação que terminou recentemente e o último foi dado à luz pela irmã mais nova de Sarita, estuprada pelo mesmo agressor.
É fácil esquecer que ela não tem mais de 25 anos, mas deixou de habitar aquele território infantil a que pertence o diminutivo aos 10 anos de idade, quando o padrasto dela a estuprou pela primeira vez.
“Hoje tenho muito medo do escuro e de ser velha”, diz ela.
A escuridão foi o cenário de toda a violência.
“Quando eles me agarravam e queriam fazer coisas comigo, dizia que não. Inclusive, uma vez corri (fugi) sem saber para onde. Eles me encontraram e foi um pesadelo. Tomei umas boas surras”.
Falha
Em 28 de abril, o Tribunal Constitucional do Equador decidiu descriminalizar o aborto em todos os casos de estupro e não apenas quando as vítimas eram mulheres com deficiência mental, como até então determinava o Código Penal.
A decisão gerou embate entre defensores e críticos da descriminalização ocorrida nos últimos anos em outros países latino-americanos.
Mas também lembrou ao Equador o sofrimento vividos pelas meninas e adolescentes vítimas de violência sexual, especialmente em áreas rurais e marginais, cujos agressores são — em sua maioria — pais, tios, irmãos, avós, padrastos.
Meninas que, segundo a advogada Ana Vera, da Surkuna, uma organização que defende os direitos sexuais e reprodutivos, “têm uma falta de informação tão brutal que não sabem que seu corpo vai mudar, então não se dão conta até que a gravidez esteja muito avançada”, diz ela à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
“Nem sabia que estava grávida. Só sabia que minha barriga estava crescendo e não entendia por quê”, lembra Sarita.
Após o parto, ela deixou a filha debaixo de uma ponte. Mas como ninguém a pegou, ela a levou de volta com ela.
Quatro por dia
A Pesquisa Nacional de Relações Familiares e Violência de Gênero contra a Mulher revelou, em 2019, que 65 em cada 100 mulheres sofreram algum tipo de violência no país.
Delas, 32,7% já foram vítimas de violência sexual, embora Ana Vera considere que existe “uma subnotificação brutal” destas agressões, devido ao estigma da denúncia e à precária resposta do Judiciário.
Quando, como no caso de Sarita, o estuprador é o homem da casa, as vítimas também não denunciam, porque o agressor costuma ser a única fonte de renda do domicílio. Além disso, muitas vezes, seus relatos são postos à prova.
“Minha mãe preferia ficar quieta”, diz Sarita. “Acho que até sentia ciúmes.”
“Quando eu contei a ela (o que estava acontecendo), tive a impressão de que ela estava reclamando de alguma coisa (do agressor), mas inclusive disse que era minha culpa.” Mais tarde, na entrevista, Sarita diz que tem certeza de que sua mãe também foi abusada.
Para ter uma ideia de quantos menores são vítimas de agressão sexual, Ana Acosta, autora do relatório “As meninas invisíveis do Equador”, recomenda consultar o registro de nascimento do Instituto Nacional de Estatística e Censo (INEC).
“Como são registrados os nascimentos de crianças vivas pela idade da mãe, e como qualquer relação sexual de menores de 14 anos é considerada violação do código penal, então não há como errar.
Em 2020, 1.631 meninas entre 10 e 14 anos deram à luz no Equador, quatro por dia. O número não inclui as que não engravidaram, as que abortaram ou as que tiveram complicações obstétricas que as impediram de dar à luz.
O número de 2020 é o mais baixo da última década (10 anos em que nasceram 21.165 filhos dessas meninas), mas também foi o primeiro da pandemia que trancou vítimas e abusadores no mesmo lugar.
Além disso, devido à crise econômica, o governo de Lenín Moreno retirou todos os recursos do plano de prevenção da gravidez de menores.
Os números para 2021 ainda não são conhecidos.
Sarita deu à luz aos 13 anos, foi estuprada pela primeira vez aos 10, mas a antecipação do horror ocorreu aos sete, quando suspeitou que o pai dela estava abusando de uma prima.
“Pensando bem, agora sinto que deveria ter percebido, deveria saber. Mas as crianças esquecem de tudo, quanto mais rápido, melhor”, reconhece.
“Quando aconteceu comigo, sabia o que o outro estava sentindo.”
Isso não foi, no entanto, um motivo para separação dos pais dela, mas para agressões constantes contra sua mãe.
“Lembro-me da minha mãe tremendo de medo quando ele chegava a tarde, porque ela sabia o que ia acontecer: às vezes ele chegava bêbado, fumava e batia nela ali mesmo.”
Quando, depois terminarem o relacionamento e reatarem várias vezes, os pais se separaram para sempre, um filho e uma filha ficaram com ele. Duas filhas — Sarita e sua irmã mais nova — com a mãe, que foi morar com outro homem.
O padrasto estuprou e engravidou as duas filhas.
“Acho que o da minha irmã deve ser muito mais difícil”, reflete Sarita, “porque imagine, você o chama de pai todos os dias e o pai faz isso com você. Não é justo.”
“Acho que esses homens têm problemas mentais, porque estão prejudicando a pessoa para o resto da vida. Acho que também é porque moram nas montanhas.”
Pais
No Equador, o incesto tem sido pouco estudado porque não é classificado como um crime, embora seja considerado um agravante nos delitos contra a integridade sexual e reprodutiva, afirma a psicóloga Fernanda Porras no estudo “Corpos que importam”.
Em relação aos fatores que o normalizaram em determinadas regiões, existe a ideia de que esse é um problema que deve ser enfrentado dentro da família, assim como a dependência econômica e emocional das vítimas e de suas mães em relação ao agressor.
Para Ana Vera, o fato de nem o sistema de saúde, nem o sistema de ensino, nem a Justiça detectarem os abusos de quatro meninas (Sarita, suas duas irmãs e sua prima) mostra a ineficácia do Estado na proteção de menores, principalmente na zona rural.
Com a adoção de convenções e tratados internacionais, o Estado equatoriano começou há 40 anos a tomar medidas para acabar com a violência de todos os tipos contra mulheres, adolescentes e crianças.
Foram criadas delegacias para mulheres e unidades especializadas no Ministério Público.
Em 2007, a erradicação desta violência foi considerada, por decreto executivo, uma política de Estado e, 11 anos depois, foi sancionada uma abrangente lei orgânica.
Apesar disso, em 2016 a Fundação Desafío, uma das organizações que promoveu a ação que culminou na decisão da Suprema Corte, informou que o Equador ocupava o segundo lugar na região (depois da Venezuela) onde a taxa específica de fecundidade adolescente não havia diminuído nos últimos anos.
Na noite de 11 de abril de 2021, quando foi eleito presidente, Guillermo Lasso falou diretamente “às meninas que tiveram filhos e que cuidam dos filhos” e garantiu-lhes que ele e a esposa dele seriam seus pais: “Nós as protegeremos, a gente vai cuidar de vocês”.
Pierina Correa, irmã do ex-presidente Rafael Correa e presidente da Comissão de Proteção Integral a Meninas, Meninos e Adolescentes da Assembleia Nacional, disse na semana passada que a descriminalização do aborto deve ser decidida em consulta popular e participou de um ato contra interrupção da gravidez.
Para Ana Vera, o Equador é um país que idealiza a figura da mãe e, por isso, é difícil optar pelo aborto.
E as que decidem ser mães “encontram muitas dificuldades nas quais o Estado é incapaz de acompanhá-las”, algo a que o relatório da Fundação Desafío também faz referência, mencionando a falta de alternativas para continuar os estudos, oportunidades de trabalho decentes ou apoio para crianças de pais com guarda compartilhada.
Aborto
Sarita não pôde continuar estudando depois do parto e agora a BBC News Mundo a encontra abrindo uma conta em banco pela primeira vez na vida, porque é a única forma de receber a pensão do ex-companheiro.
Advogada Ana Vera acredita que há “uma brutal subnotificação” de casos de violência contra crianças e mulheres no Equador
Matias Zibell/BBC
Portanto, a situação econômica surge como parte da resposta quando questionada sobre sua opinião sobre o aborto.
“Não pensei em aborto. Em jogá-lo fora sim, mas não em aborto.”
“Nas montanhas, você ouve muita gente que come ervas (para interromper a gravidez), mas não só intoxica o bebê, mas também a gestante e ambos morrem”, diz.
E deixa clara sua posição.
“A menina tem o direito de tomar a decisão. Às vezes, a família não quer e ela, mesmo com tudo o que aconteceu, quer ficar com ele (o bebê). Então, deixe-a decidir”.
E acrescenta: “Se ainda houver tempo, não creio que seja uma obrigação que ela tenha a criança, porque a marcará para o resto da vida”.
“Além disso, se ela é pobre, como vai alimentá-la?”
Campo-cidade
Na sequência da decisão do Tribunal Constitucional, a Defensoria do Povo (órgão equivalente à Defensoria Pública no Brasil) apresentou segunda-feira (5/07) à Assembleia Nacional o projeto de lei que regulamenta a interrupção voluntária da gravidez de crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência sexual.
Mas enquanto as instituições debatem em Quito, Ana Vera enxerga outra realidade, desconhecida pelo Estado, nas áreas mais rurais e da Floresta Amazônica, onde é difícil até mesmo fazer uma denúncia de estupro, em parte porque não há Ministério Público. E em muitos outros casos porque, ao fazê-la, a comunidade se volta contra a denunciante.
E as diferenças entre campo e cidade não estão presentes apenas no início da gravidez das adolescentes, mas também no final.
Os centros de saúde da zona rural muitas vezes não têm capacidade para realizar cesáreas, método recomendado para esses partos devido ao tamanho do corpo das mães.
Para a antropóloga Lisset Cobas, em áreas remotas — onde se misturam violência de gênero, desigualdade social, racismo e religião — não é apenas mais difícil o acesso à Justiça e aos serviços de saúde, mas também à informação, algo com que Sarita concorda.
“Se você comparar uma garota das montanhas com uma da cidade, a garota das montanhas será mil vezes (mais) inocente”, diz ela.
“A menina da cidade sabe tudo, inclusive já explicaram para ela. A menina das montanhas não sabe o que é bom nem o que é mau, e se ela falar alguma coisa vão bater nela com força, então é melhor ela se calar.”
“Acho que os pais nas montanhas deveriam mudar um pouco. Já está na hora.”
Fale e acredite
Ao final da entrevista, Sarita conta que vai se mudar e que quer morar em um lugar ainda mais solitário.
Ela diz que prefere os filhos por perto e os vizinhos distantes.
“Às vezes fico olhando para a mais velha. Ela, ainda inocente, às vezes conversa com meninos mais velhos. E eu digo para ela vir para cá, não quero que eles cheguem perto.”
“É um pensamento ruim”, reconhece ela. “Sei que pode não ser igual, mas a desconfiança continua. Olho para ela e digo: ‘Assim, desse tamanho, ainda menor, aconteceu o que aconteceu comigo.’
Como quebrar esse ciclo de violência? Para ela, tudo passa por acreditar no que seus filhos dizem e por conversar com eles.
“A única coisa que disse às crianças é que ninguém pode tocá-las e, se acontecer, têm de me avisar”, explica.
“Disse à mais velha que a menstruação dela logo diminuirá e que ela não deve ter medo porque é normal e que ninguém pode tocá-la ou dizer nada a ela”, continua.
“Até agora já avancei, mas é hora de avançar um pouco mais.”
“Tenho que dizer que os homens, de qualquer idade, estão sempre procurando relacionamentos e indo desistindo. Eles só querem machucá-las e ir embora. E isso não está certo.”
“Que ela tenha seu companheiro, seus filhos, mas que seja por bem, não por mal. Que seja a decisão dela, mas não de mais ninguém.”
Ela se cala, olha para os filhos, que não param de fazer barulho, e depois para as montanhas, que estão sempre caladas.

Fonte: G1 Mundo

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Justiça da França condena homem que matou a família da irmã por acreditar que ela guardava barras de ouro escondidas dos nazistas


Hubert Caouissin acreditava que seu cunhado havia encontrado barras de ouro que o Banco da França tinha escondido dos nazistas durante a Segunda Guerra. Ele matou a irmã, o cunhado e os dois filhos do casal para tentar achar o tesouro. Imagem de 7 de julho de 2021 de Thierry Fillion e Patrick Larvor, advogados de Hubert Caouissin, o homem francês que matou a família da irmã
Sebastien Salim-Gomis / AFP
O francês Hubert Caouissin, de 50 anos, foi condenado nesta quinta-feira (8) a 30 anos de prisão por ter matado a própria irmã, o cunhado e os dois filhos do casal. Ele também mutilou e escondeu os corpos.
Caouissin acreditava que a família da irmã tinha um “tesouro nazista” —na cabeça do criminoso, o cunhado conseguiu achar barras de ouro que o Banco da França teria escondido dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial
Ele confessou os assassinatos. Os crimes ocorreram na casa da família, na cidade de Orvault, em fevereiro de 2017.
A namorada de Caouissin, Lydie Troadec, de 52 anos, foi condenada a três anos de prisão. Ela alterou a cena de um crime e recebeu um corpo de uma pessoa assassinada.
O advogado de Caoussin afirmou que seu cliente sofre de ilusão paranóica crônica.
Depois de matar a família da própria irmã com um pé de cabra, ele cortou os corpos como uma faca de cozinha (ele demorou três dias para fazer isso), em uma tentativa de esconder os cadáveres.
Veja abaixo uma reportagem de 2015 sobre como um boato sobre um tesouro nazista na Polônia desencadeou uma corrida para encontrar ouro.
Trem nazista desaparecido na 2ª Guerra Mundial provoca corrida de caçadores de tesouro
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Fonte: G1 Mundo

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União Europeia multa BMW e Volks por cartel na redução de emissões

Segundo comissão, empresas ‘conspiraram’ para evitar a concorrência em reduzir emissões para além do que é exigido por lei, apesar de terem tecnologia disponível. Daimler também foi declarada culpada, mas não recebeu multa. A Comissão Europeia anunciou, nesta quinta-feira (8), uma multa total de 875 milhões de euros (o equivalente a mais de US$ 1 bilhão) aos gigantes do setor automotivo alemão BMW e Volkswagen por um pacto para burlar normas de livre-concorrência em matéria de redução de emissões.
Em uma nota oficial, a comissária europeia de Concorrência, Margrethe Vestager, afirmou que as duas empresas “violaram as regras anticoncorrência da UE” e conspiraram para restringir o uso de novas tecnologias.
Outro gigante alemão do setor, a Daimler, que também participou deste acordo, mas revelou sua existência, foi declarado culpado, sem receber multa.
De acordo com Vestager, essas três empresas, além da Audi e da Porsche, “têm a tecnologia para reduzir as emissões perigosas, para além do que é legalmente exigido pelos padrões europeus. Mas evitaram a concorrência no uso do potencial dessa tecnologia”.
A UE “não tolera quando empresas conspiram”, frisou a comissária, acrescentando que “não hesitaremos em tomar ações contra qualquer forma de cartel” que ameace os esforços adotados em matéria de redução de emissões.
Daimler, BMW e Volkswagen tiveram constantes reuniões técnicas de alto nível e, “durante cinco anos, conspiraram para evitar a concorrência em reduzir emissões para além do que é exigido por lei, apesar de terem tecnologia disponível”.
Os fabricantes alcançaram, em particular, um acordo para limitar a introdução de ureia (“AdBlue”) nos motores a diesel, limitando, com isso, a capacidade de reduzir emissões, segundo a comissão.
Pela medida, a Volkswagen recebeu uma multa de 502 milhões de euros (em torno de US$ 590 milhões), e a BMW, de 372 milhões de euros (US$ 440 milhões). A Daimler “não recebeu a multa, porque revelou a existência do cartel à Comissão Europeia.
“Todas as partes admitiram sua participação no cartel”, informa a nota de Vestager.
O caso abre um precedente ao estender a aplicação da lei de concorrência europeia a conversas de nível técnico entre participantes da indústria.
Em um comunicado, a BMW acusou a Comissão Europeia de entrar, com sua decisão, em “território inexplorado para a legislação antitruste”, já que a investigação não se referia a acordos territoriais, ou para manipular preços, mas impôs multas mesmo assim. Para a empresa, as acusações da Comissão são “exageradas e injustificadas”.

Fonte: G1 Mundo

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Papa condena ‘toda forma de violência’ após homicídio de presidente do Haiti


O pontífice desejou ‘um futuro fraternal, de harmonia, solidariedade e prosperidade’ para o povo haitiano. Imagem de 2018 mostra o presidente do Haiti, Jovenel Moise, com o Papa Francisco
Alberto Pizzoli/Reuters
O Papa Francisco manifestou, nesta quinta-feira (8), sua tristeza e condenou toda forma de violência após o assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise.
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Francisco se encontra internado em um hospital de Roma após ser operado do cólon e enviou uma mensagem escrita pelo seu secretário de Estado, o cardeal Pietro Parolin.
O pontífice condenou “todas as formas de violência como meio para resolver crises e conflitos” e desejou “um futuro fraternal, de harmonia, solidariedade e prosperidade” para o povo haitiano.
Na mensagem, ele também enviou “suas condolências ao povo haitiano” e à esposa do presidente, Martine Moise, gravemente ferida e levada de avião para Miami.
“Confio sua vida a Deus”, escreveu Francisco.
Na quarta-feira (7), a polícia matou quatro homens, possivelmente mercenários envolvidos no assassinato do presidente e prenderam outros dois suspeitos. Nem a identidade, nem as motivações dos agressores foram divulgadas até o momento.
O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta quinta para discutir a situação no Haiti e exigiu que os responsáveis pelo assassinato “sejam rapidamente levados à Justiça”.
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Lei na Noruega obriga influenciadores admitir retoque de fotos


A nova regra faz parte de um esforço para diminuir a pressão pelo corpo perfeito entre os mais jovens. Madeleine Pedersen, influenciadora norueguesa, espera que a lei impeça jovens de se comparem a fotos irreais
Madeleine Pedersen via BBC
Barrigas chapadas, lábios carnudos, pele lisa feito pêssego… Quando olhamos as fotos publicadas nas redes sociais, é difícil saber às vezes o que é real ou que partes foram editadas.
Mas será que um aviso indicando que as publicações possuem filtros ou passaram por alguma modificação ajudaria a melhorar a autoestima dos usuários?
Na Noruega, uma nova lei em vigor exige que influenciadores digitais não postem fotos editadas sem informar o que fizeram nas imagens.
As regras afetarão qualquer postagem paga em plataformas de mídia social, como parte de um esforço para “reduzir a pressão nos mais jovens sobre a aparência de seus corpos”.
Por ora, não existem discussões e projetos de lei sobre a questão da edição de imagens nas redes sociais no Brasil.
‘Precisamos de uma lei como essa’
Madeleine Pedersen, de 26 anos, é uma influenciadora norueguesa no Instagram.
Pedersen disse ao programa Radio 1 Newsbeat, da BBC, que é hora de as regras mudarem e que ela espera que a lei impeça os jovens de serem comparados a imagens que não refletem a realidade.
“Há muitas pessoas que se sentem inseguras com o próprio corpo ou o rosto. Eu mesma já lutei com problemas corporais devido ao Instagram no passado”, admite.
“A pior parte é que nem sei se as outras garotas que eu admirava editaram suas fotos ou não. Então, todos nós precisamos de respostas, precisamos de uma lei como essa.”
Madeleine não sente necessidade de editar sua aparência nos seus posts, que atingem um público superior a 90 mil pessoas.
Ela admite que altera “a luz, as cores e a nitidez para uma melhor ambientação”, mas diz que nunca usaria um aplicativo para mudar seu rosto ou seu corpo.
‘Há muitas pessoas que se sentem inseguras com o próprio corpo’
@petronellegrotvdt via BBC
Os objetivos
O site do governo norueguês afirma que a ideia da lei é ajudar a aliviar a pressão gerada por “pessoas idealizadas na publicidade”.
“Entre outras coisas, identificar a publicidade retocada ou manipulada mostra que o corpo da pessoa naquela peça se desvia da realidade em termos de forma, tamanho ou aparência”, acrescenta.
A legislação também vale para quando as mudanças são feitas por meio de filtros aplicados às imagens, recursos comuns em aplicativos como Snapchat e Instagram.
Ela afeta qualquer pessoa que faça postagens com uma promoção paga nas redes sociais. Isso impacta, claro, muitos influenciadores, atores e cantores.
Pedersen acredita que os novos requisitos tornarão os influenciadores noruegueses menos propensos a alterar digitalmente suas fotografias. “Eles ficarão com vergonha de admitir, então, editarão menos”, opina.
“Você é linda. Não jogue isso fora pelo gosto e pelas preferências de outras pessoas. Isso não reflete a vida real”, aconselhou a influenciadora.
Outras causas
Eirin Kristiansen, uma influenciadora de 26 anos que mora em Bergen, na Noruega, concorda que a lei é um “passo na direção certa”, mas acredita que ela “não foi muito bem pensada”.
“Para mim, parece mais um atalho para consertar um problema, que não vai melhorar”, disse Kristiansen à BBC.
Kristiansen concorda que a lei é um ‘passo na direção certa’, mas acredita que ‘não foi muito bem pensada’
Eirin Kristiansen via BBC
“Os problemas de saúde mental são causados ​​por muitas outras coisas além de uma foto editada, e um rótulo nas postagens não mudará a forma como os meninos e meninas realmente se sentem, na minha opinião.”
Um estudo realizado por parlamentares do Reino Unido no ano passado descobriu que a maioria dos menores de 18 anos acreditava que as fotos publicadas nas mídias sociais influenciavam “extremamente” sua imagem corporal.
Apenas 5% dos adolescentes que participaram da pesquisa disseram que não pensavam em mudar a própria aparência com dietas ou cirurgias.
Kristiansen diz que não edita suas fotos, mas que brinca com “luzes e cores” para produzir um certo “clima”.
“Acho que devemos nos concentrar mais em como podemos aprender a ser seletivos com o que vemos e como a mídia social realmente funciona”, diz.

Fonte: G1 Mundo