Categorias
MUNDO

Corpo de cunhada do presidente do Paraguai é encontrado nos escombros do prédio que desabou na Flórida


Corpos de Sophia López Moreira, marido e um dos filhos do casal foram identificados, segundo jornal. Ainda faltam outros 2 menores que estavam com eles e uma sexta pessoa de origem paraguaia. Trabalhos de resgate nos escombros do Champlain Towers South, prédio que caiu em Surfside (região de Miami, Flórida), continuaram nesta quinta (8)
Pedro Portal/Miami Herald via AP
Autoridades da Flórida, Estados Unidos, identificaram nesta quinta-feira (8) o corpo de Sophia López Moreira, cunhada do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez. A irmã da primeira-dama paraguaia é uma das 64 vítimas encontradas até agora nos escombros do Champlain Towers South, edifício que desabou em Surfside, na região de Miami.
Além de Sophia, os legistas identificaram também os corpos do marido dela, Luis Pettengil, e do filho mais novo do casal. Falta identificar os outros dois filhos do casal e uma sexta pessoa de origem paraguaia que estava com eles. A informação é do jornal “ABC Color”, citando o chanceler do Paraguai, Euclides Azevedo.
LEIA TAMBÉM:
Cirurgião famoso na Argentina também está entre desaparecidos na região de Miami
Outro prédio na região de Miami é esvaziado por problemas de segurança
Miami Beach: ‘Tenho medo de que meu prédio seja o próximo a desmoronar’
Filha de 7 anos de bombeiro é achada morta nos escombros de desabamento na Flórida
Nesta quinta, subiu para 64 o número e mortos no desabamento de um prédio em Surfside, na região de Miami, informaram as autoridades locais. Na véspera, as autoridades da Flórida reconheceram que era impossível encontrar sobreviventes e que os esforços agora eram de “recuperação dos corpos”.
Ao menos 76 pessoas ainda seguem desaparecidas e podem estar sob os escombros depois de duas semanas de buscas.
VÍDEO: Equipes de busca fazem 1 min de silêncio pelas vítimas do desabamento em Miami
Na quarta-feira, os trabalhadores do resgate fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do desabamento (veja no vídeo acima).
‘Socorristas buscam seus próprios amigos’
Socorristas fazem oração durante trabalhos de busca nos escombros do prédio Champlain Towers South em Surfside (Flórida, EUA) na quarta-feira (7)
Jose A Iglesias/Miami Herald via AP
A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine, disse na quarta, em um pronunciamento emocionado, que “o coração de todos bate pelos que esperam respostas”.
“Essa é nossa comunidade, nossos vizinhos e famílias. Os socorristas estão buscando por seus próprios amigos e familiares”, disse Levine.
No domingo à noite, as autoridades demoliram a parte que ainda restava do prédio residencial que desabou parcialmente há quase duas semanas, por medo de que a tempestade Elsa derrubasse a estrutura.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Polícia do Haiti acusa cidadãos da Colômbia e dos EUA de envolvimento no assassinato do presidente


Segundo diretor policial, ao menos 28 pessoas participaram do assassinato de Jovenel Moise: 2 cidadãos americanos nascidos no Haiti e 26 colombianos. Casa e carro queimados em Porto Príncipe nesta quinta (8) após violência que se seguiu no Haiti após a morte do presidente Jovenel Moise
Estailove St-Val/Reuters
O diretor da Polícia Nacional do Haiti disse nesta quinta-feira (8) que ao menos 28 pessoas participaram do assassinato a tiros do presidente do país, Jovenel Moise, na madrugada de quarta-feira (7). Desses, dois seriam cidadãos dos Estados Unidos com origem haitiana e 26 têm cidadania na Colômbia.
No Haiti, polícia prende suspeitos de envolvimento no assassinato do presidente Jovenel Moise
A agência France Presse, citando o diretor de polícia, diz que dessas 28 pessoas, oito estão foragidas. Os outros 20 suspeitos estão presos ou já foram detidos pelas autoridades — não há muitos detalhes sobre essas prisões.
Seis dos detidos por suspeita de estarem por trás do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, em foto desta quinta (8)
Joseph Odelyn/AP Photo
Autoridades disseram que a polícia e o exército cercaram o grupo desde quarta e conseguiram prendê-los após intensa troca de tiros. Ao todo, sete pessoas considerada suspeitas no complô e no assassinato foram mortas.
Centenas de moradores gritavam do lado de fora da delegacia para onde os suspeitos foram levados, na capital Porto Príncipe, gritando “queimem-nos” e ateando fogo a um veículo que seria dos assassinos, de acordo com a Reuters.
Membros da polícia haitiana procuram evidências fora da residência presidencial em Porto Príncipe, em 7 de julho de 2021, onde o presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado a tiros na madrugada
Valerie Baeriswyl/AFP
A polícia haitiana já havia divulgado na noite de ontem a prisão de dois mercenários e a morte de outros quatro que estariam envolvidos na execução de Moise (veja no vídeo abaixo). Três policiais que eram mantidos como reféns foram libertados.
LEIA TAMBÉM:
Papa condena ‘toda forma de violência’ após assassinato de Jovenel Moise
Primeiro-ministro assume interinamente o governo do Haiti
ANÁLISE: Presidentes mantêm o Haiti sob o signo de miséria, violência armada e instabilidade política
Laurent Lamothe, ex-primeiro-ministro do Haiti, divulgou nas redes sociais nesta quinta uma imagem de dois suspeitos presos. Não está claro se a foto é dos detidos de ontem ou de hoje.
Garoto olha em portão fechado na fronteira entre Haiti e República Dominicana nesta quinta-feira (8) após o governo dominicano fechar a fronteira em sequência à morte de Jovenel Moise, presidente haitiano
Matias Delacroix/AP Photo
Lamonthe afirmou que eles são mercenários estrangeiros e “importantes testemunhas para determinar quem os pagou para matar nosso presidente” (veja na imagem abaixo).
O ex-premiê ocupou o cargo entre 2012 e 2014.
Laurent Lamothe, ex-primeiro-ministro do Haiti, divulga imagem de quem ele diz ser suspeitos pela morte do presidente do país, Jovenel Moise, assassinado a tiros em casa em 7 de julho de 2021
Reprodução/Twitter/Laurent Lamothe
Presidente assassinado
Jovenel Moise foi morto a tiros em sua casa, na capital Porto Príncipe, na madrugada de quarta. A primeira-dama, Martine Moise, foi baleada, hospitalizada e depois transferida para os Estados Unidos, onde está internada em estado grave (porém estável).
O Haiti vive uma grave crise política, econômica e social (veja no vídeo abaixo), com aumento da violência e da pobreza e o governo incapaz de combater a pandemia e de aplicar um programa de imunização contra a Covid-19.
Além disso, Moise dissolveu o Parlamento e governava por decreto há mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas, e queria promover uma polêmica reforma constitucional.
Desde que assumiu o cargo, em 2017, Moise enfrentou protestos em massa contra seu governo —primeiro por alegações de corrupção e por sua gestão da economia, depois por seu crescente controle do poder.
Em fevereiro, autoridades do país disseram ter frustrado uma “tentativa de golpe” de Estado contra o presidente, que também seria alvo de um atentado malsucedido.
LEIA TAMBÉM:
O ‘Homem da Banana’ que virou presidente, dissolveu o Parlamento e tentou mudar a Constituição: saiba quem foi Jovenel Moise
‘Ato repugnante’, ‘proteger a ordem democrática’: veja repercussão internacional do assassinato
Haiti enfrenta em 2021 onda de violência, alta de infecções de Covid e disputa política
Assassinato, gangues e instabilidade política: o que está acontecendo no Haiti
Premiê (e presidente) interino
Nesta quinta, o primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, assumiu provisoriamente o comando do país. Foi o político que anunciou o assassinato do presidente.
Horas após o crime, ele decretou estado de sítio em todo o país, sob a justificativa de reforçar o poder do Executivo e investigar a morte de Moise e os objetivos do assassinato. “Esta morte não ficará impune”, declarou Joseph em discurso à nação.
A execução de Moise mudou o que havia sido planejado para o premiê. O seu substituto, o médico Ariel Henry, já havia sido anunciado, mas ainda não tinha tomado posse formalmente por decreto.
Como a transmissão de cargo não ocorreu, Joseph segue como primeiro-ministro interino (e agora também como presidente interino).
Mas Henry afirmou ao jornal haitiano “Le Nouvelliste” que não considera Joseph o primeiro-ministro legítimo. “Acho que precisamos conversar. Claude deveria permanecer no governo que eu teria”.
O então presidente do Haiti, Jovenel Moise (ao centro), caminha junto à primeira-dama, Martine Moise; e o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph (à direita), em 18 de maio de 2021, durante cerimônia do 218º aniversário da criação da bandeira haitiana. Moise foi assassinado a tiros em casa, em 7 de julho de 2021, e a primeira-dama foi baleada no ataque noturno e hospitalizada. No dia seguinte, Joseph assumiu como presidente interino.
Joseph Odelyn/AP
Legitimidade
Há uma outra questão de legitimidade, que coloca a liderança do premiê em xeque: pela Constituição, Joseph não está na linha de sucessão por ocupar o cargo interinamente e porque o Parlamento nunca aprovou o seu nome formalmente.
A situação acontece porque, na prática, não há Parlamento: o mandato de uma parcela de legisladores já terminou, mas as eleições para preencher as vagas não foram realizadas em 2019.
Moise governava por decretos presidenciais desde janeiro de 2020 — e, portanto, nenhuma decisão era ratificada pelo Legislativo.
O próximo na linha sucessória, segundo a Constituição do Haiti, seria o presidente da Suprema Corte, René Sylvestre, mas ele morreu de Covid-19 no mês passado, e ainda não foi escolhido o seu substituto.
Imagem de dezembro de 2020 de um protesto em Porto Príncipe, no Haiti
Dieu Nalio Chery/AP
Pobreza extrema
O Haiti é a nação mais pobre das Américas e tem um longo histórico de ditaduras e golpes de Estado. Nos últimos meses, enfrentava uma crescente crise política e humanitária, com escassez de alimentos e violência nas ruas.
O PIB per capita do país é de US$ 1,6 mil por ano (cerca de R$ 8,5 mil), e cerca de 60% da população vive com menos de US$ 2 por dia (pouco mais de R$ 10).
O Haiti tem 11,3 milhões de habitantes, faz fronteira com a República Dominicana na ilha Hispaniola, no Caribe, e tem um dos menores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo: 0,51.
Colonizado em 1492, após a chegada de Cristóvão Colombo à América, o Haiti foi o primeiro país do continente a conquistar a sua independência e a primeira república a ser liderada por negros, quando derrubou o domínio francês no começo do século XIX.
O país já foi invadido e sofreu intervenção dos EUA no século XX e tem um longo histórico de ditadores, como François “Papa Doc” Duvalier e seu filho, Jean-Claude “Baby Doc”. A primeira eleição livre do país ocorreu em 1990, mas Jean-Bertrand Aristide foi deposto por um golpe no ano seguinte.
Haiti
Amanda Paes/G1
Initial plugin text
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais
pcom aumento da violência e da pobreza e o governo incapaz de combater ap e de aplicar um programa de imunização

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Avião de pequeno porte cai na Suécia; todos a bordo morreram, diz polícia


Aeronave levava paraquedistas e caiu logo após decolar. Causas do acidente estão sob investigação. Policiais observam destroços de avião que se acidentou em Orebro, na Suécia, nesta quinta (8)
TT News Agency/Jeppe Gustafsson via Reuters
Um avião de pequeno porte caiu perto de Orebro, na Suécia, nesta quinta-feira (8). De acordo com a polícia sueca, todos os nove ocupantes morreram no acidente.
A aeronave, um DHC-2 Turbo Beaver, levava o piloto e oito paraquedistas. O avião caiu logo ao decolar, ainda perto da pista do aeroporto de Orebro, e pegou fogo em seguida. As causas do acidente ainda estão sob investigação.
O primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, — que foi reconduzido ao cargo nesta semana — lamentou o acidente. “É com grande tristeza e pesar que eu recebi a trágica informação sobre o acidente aéreo em Orebro”, disse.
“Meus pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e seus queridos neste momento tão difícil”, acrescentou Löfven.
VÍDEOS: Notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Terremoto atinge região da fronteira entre estados de Nevada e Califórnia, nos EUA

Tremor de magnitude 5,9 foi registrado às 15h49 (18h49 em Brasília), com epicentro a 32 km Sul-Sudoeste de Smith Valley, em Nevada. Ele foi o mais forte de uma série de pequenos abalos sentidos na região nesta quinta-feira (8). Um terremoto de magnitude 5,9 atingiu a região na fronteira entre os estados de Nevada e Califórnia, nos Estados Unidos, na tarde desta quinta-feira (8) segundo o Serviço de Geologia dos EUA (USGS, na sigla em inglês).
O epicentro foi a 32 km Sul-Sudoeste de Smith Valley, em Nevada, ainda de acordo com o USGS, a uma profundidade de 9,8 quilômetros.
O tremor foi o mais forte de uma série de pequenos abalos sentidos na região nesta quinta, e aconteceu às 15h49 (19h49 em Brasília).
Não há relatos de danos ou feridos até o momento.
Reportagem em atualização.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Quarto suspeito de assassinato de jovem gay brasileiro é preso na Espanha


Auxiliar de enfermagem morreu no sábado (3) em La Coruña, depois de ser espancado por pelo menos sete pessoas ao sair de uma boate. O homem preso tem entre 20 e 25 anos e é amigo dos outros três detidos Samuel Luiz Muñiz, auxiliar de enfermagem de 24 anos que nasceu no Brasil, foi espancado até a morte ao sair para fumar em frente a uma balada em La Coruña, no noroeste da Espanha
Montagem G1/ Reprodução Facebook
A polícia espanhola prendeu nesta quinta-feira (8) um quarto suspeito nas investigações sobre o assassinato do brasileiro Samuel Luiz Muñiz, de 24 anos.
O auxiliar de enfermagem morreu no sábado (3) em La Coruña, depois de ser espancado por pelo menos sete pessoas ao sair de uma boate. O homem preso tem entre 20 e 25 anos e é amigo dos outros três detidos – dois homens e uma mulher – na segunda-feira.
Fontes policiais afirmam que o desentendimento entre os agressores e Samuel começou por causa de um telefone celular. No entanto, uma amiga do brasileiro que presenciou a cena relatou insultos homofóbicos.
O quarto detido é suspeito de assassinato. Segundo a polícia, ele é “amigo dos outros três” e, assim como os demais, “não conhecia a vítima”. Por esta circunstância, as autoridades ainda não caracterizam o crime como homofóbico, mantendo “todas as hipóteses” em aberto.
Samuel foi encontrado inconsciente perto de uma discoteca depois de ter sido ser linchado. Os socorristas tentaram reanimá-lo durante horas, mas ele não resistiu, falecendo na manhã de sábado.
Os primeiros elementos da necrópsia, de acordo com a imprensa local, indicam que o brasileiro morreu por um traumatismo cranioencefálico grave, causado por um chute na cabeça. A investigação continua e o caso é mantido em sigilo. 
O pai da vítima, Maxsoud Luiz, disse ao canal espanhol Antena 3 que o filho estava com três amigas na hora do ocorrido. Samuel nasceu no Brasil e chegou à Espanha com um ano de idade. 
Lina, uma amiga de Samuel que testemunhou a cena, explicou à imprensa espanhola que as agressões ativeram início do lado de fora de uma discoteca, depois que um jovem se irritou porque achou que estava sendo filmado pelo brasileiro. “Ou você para de gravar ou eu mato você, seu bicha”, teria dito o rapaz.
Depois de argumentarem que estavam fazendo uma chamada de vídeo para indicar a outra amiga onde estavam, o suspeito reagiu dando um soco em Samuel.
Um jovem que passava pelo local conseguiu empurrar o agressor e convencê-lo a desistir da briga, mas o rapaz voltou logo depois com um grupo de cerca de dez pessoas, que espancaram Samuel até a morte. Eles fugiram antes que a polícia e socorristas chegassem ao local. 
Crime provoca mobilização de repúdio à homofobia
O crime gerou uma onda de indignação na Espanha e deflagrou manifestações de condenação em Madri e em La Coruña, justo no momento em que se acabava de celebrar a semana do Orgulho LGBTQIA+.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou o assassinato como “um ato selvagem e sem piedade”. “Não vamos dar um passo atrás em direitos e liberdades. A Espanha não vai tolerar isso”, tuitou na noite de segunda-feira. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, indicou que “nenhuma hipótese está excluída, nem o crime de ódio, nem qualquer outro”.
Familiares e amigos de Samuel garantem que os agressores agiram por “pura homofobia” e o atacaram aos gritos de “bicha”.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Agência americana altera indicação de tratamento para Alzheimer; entenda o que muda


A aprovação de um novo remédio contra esse tipo de demência foi cercada de polêmicas e críticas. Órgão regulador dos Estados Unidos diminuiu um pouco mais o público que poderá se beneficiar de seu uso. Demências como o Alzheimer já atingem 45 milhões de pessoas no mundo e não há tratamentos que atuem diretamente na doença
Getty Images via BBC
Após 18 anos sem avanços na área de tratamentos, a doença de Alzheimer finalmente teve um novo remédio aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), a agência regulatória dos Estados Unidos.
O aducanumabe, desenvolvido pelas farmacêuticas Biogen e Eisai, foi liberado em terras americanas no início de junho de 2021, mas uma nova decisão divulgada na quinta-feira (8) indica que o número de pessoas que poderá se beneficiar dessa terapia será bastante reduzido.
Inicialmente, o FDA havia sinalizado que o medicamento poderia ser usado para qualquer pessoa que tivesse o diagnóstico desse tipo de demência.
Mas uma mudança na bula feita em julho reduz significativamente o público-alvo dessa nova opção terapêutica: a agência americana agora determina que o aducanumabe está indicado apenas para os pacientes com os sintomas mais leves, que afetam a memória e a capacidade de raciocínio.
Segundo um levantamento feito pelo “The New York Times”, em termos numéricos, o público-alvo em potencial anteriormente era de 6 milhões de americanos. Agora, fica em cerca de 2 milhões.
O FDA alega que, desde a aprovação em junho, seguradoras de saúde e os próprios cidadãos tinham muitas dúvidas sobre quem deveria pagar pelo tratamento e quando ele seria realmente válido. A alteração serviu justamente para esclarecer essas questões, apontam os representantes.
O aducanumabe tem como alvo a beta-amiloide, uma proteína que forma aglomerados anormais no cérebro de pessoas com Alzheimer. Essas formações podem danificar as células e desencadear demência, incluindo problemas de memória e comunicação, além de confusão mental.
Marasmo total
O aducanumabe estava cercado de grande expectativa — afinal, a última aprovação de um tratamento contra o Alzheimer aconteceu em 2003, há 17 anos, quando um fármaco chamado memantina chegou ao mercado.
De lá para cá, mais de 240 moléculas diferentes foram testadas, mas nenhuma se mostrou segura e eficaz. A taxa de fracasso supera os 99% e é a maior de todas as especialidades médicas — a título de comparação, na área da oncologia, cerca de 80% das terapias falham durante os testes clínicos.
Para completar o cenário, estima-se que 45 milhões de pessoas tenham algum tipo de demência no mundo (2 milhões delas no Brasil). Com o envelhecimento da população em vários países, esse número deve duplicar a cada 20 anos.
Os tratamentos atuais ajudam a controlar alguns sintomas e até atrasam um pouco a progressão da doença, mas eles se tornam ineficazes nos casos mais graves e avançados.
Mas, afinal, por que é tão difícil criar novos tratamentos contra o Alzheimer?
Há uma série de obstáculos e entraves nessa história. E o próprio aducanumabe é um exemplo para ilustrar essa busca infrutífera dos últimos anos.
Esperanças e frustrações
Em meados de 2015, o aducanumabe apareceu como uma das grandes promessas contra o Alzheimer. Os estudos de fase 1 chamaram tanta atenção que foram destaque de capa da revista Nature em 2016.
A droga, desenvolvida a partir de células de defesa de idosos que não tinham demência, se mostrou capaz de eliminar uma proteína chamada beta-amiloide no cérebro.
Pelo que se sabe até o momento, essa substância está relacionada de alguma maneira ao início da doença. Com o tempo, ela se acumula do lado de fora dos neurônios e dá início ao processo de perda das memórias e da cognição.
O aducanumabe foi apenas um entre mais de uma dezena de anticorpos monoclonais feitos para frear esse tipo de demência. Nos testes iniciais, vários deles se mostravam capazes de retirar o excesso dessa tal de beta-amiloide da massa cinzenta.
Porém, quando os estudos progrediam para as fases finais, essa “faxina” cerebral não repercutia nos sintomas da doença: os pacientes continuavam a ter prejuízos nas recordações e na capacidade de raciocinar.
Os cientistas suspeitaram, então, que o problema não estava no mecanismo das drogas em si, mas no momento em que elas eram aplicadas.
Talvez os voluntários recrutados para os estudos estivessem numa fase muito adiantada da doença, em que os danos aos neurônios já eram irreversíveis.
Hoje em dia, se sabe que o Alzheimer começa a corroer o cérebro até duas ou três décadas antes de os primeiros sintomas darem as caras. “A beta-amiloide se acumula com grande antecedência aos incômodos de memória”, conta o neurologista Fábio Porto, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Portanto, um indivíduo que começa a ter falhas nas lembranças aos 80 anos pode estar num longo processo degenerativo, que começou lá quando ele tinha apenas 50 ou 60 anos.
Seguindo essa lógica, será que usar os anticorpos monoclonais antecipadamente, nessa fase assintomática, ou quando os primeiríssimos sintomas aparecerem, poderia fazer alguma diferença?
Pelo que se sabe até o momento, a doença se inicia com a deposição da proteína beta-amiloide (representada na cor laranja na ilustração) do lado de fora dos neurônios
Getty Images via BBC
Reviravolta surpreendente
Foi justamente para responder a essa pergunta que o aducanumabe foi testado em dois ensaios clínicos de fase 3 (os últimos antes da aprovação) a partir de 2016.
Esses estudos ganharam nomes em inglês: ENGAGE e EMERGE. O primeiro teve a participação de 1.647 voluntários, enquanto o segundo recrutou 1.638 pessoas.
Em março de 2019, os responsáveis pelos trabalhos resolveram fazer uma análise preliminar do progresso até aquele momento, para ver como as coisas estavam evoluindo.
Foi um verdadeiro banho de água fria: os resultados não estavam dentro das expectativas e os estudos foram encerrados antes do prazo.
Sete meses depois, veio a notícia que ninguém esperava: Biogen e Eisai anunciaram que haviam reavaliado as duas pesquisas e encontrado em uma delas evidências de que o aducanumabe poderia, sim, funcionar num determinado grupo de pacientes.
As empresas foram além e disseram que, a partir dos dados, pediriam a liberação do medicamento para uso clínico nos EUA.
E essa trajetória foi concluída em junho de 2021, quando o FDA deu a aprovação, apesar de todas as polêmicas envolvidas nessa história.
As controvérsias
A mudança de rumos, o pedido e a aprovação pegaram a comunidade científica de surpresa. Afinal, não é comum que pesquisas como as que estavam em andamento sejam paralisadas ou reanalisadas no meio do caminho.
A surpresa ficou ainda maior agora, com essa mudança incomum na bula logo em menos de um mês após o ok regulatório.
“Geralmente, todo o desenho do estudo clínico é definido antes do início. Fazer modificações assim é uma coisa muito complexa, que leva a problemas estatísticos”, diz o neurocientista Eduardo Zimmer, professor do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O químico americano Derek Lowe não poupou críticas aos movimentos feitos por Biogen e Eisai. Numa série de textos publicados em seu blog In The Pipeline, no site da revista Science, no final de 2020 ele demonstrou desconfiança com os resultados do aducanumabe:
“Eu não acredito que as empresas demonstraram a eficácia [do medicamento]. Eu acho que eles têm capacidade suficiente para fazer um estudo melhor se assim quisessem. Mas eles não querem. Eles desejam ir logo até o FDA para ter a droga aprovada e começarem a imprimir dinheiro”.
Os especialistas dizem que, antes de buscar a aprovação nas agências regulatórias, os responsáveis pelo fármaco deveriam fazer um novo estudo de fase 3, que focasse justamente nessas doses mais altas e nesse perfil de pacientes que parece se beneficiar mais do remédio.
O problema é o tempo. “Esses novos testes exigiriam um investimento econômico gigantesco e demorariam mais quatro ou cinco anos para darem os resultados”, estima Zimmer, que também é membro da Academia Brasileira de Ciências.
E no Brasil?
Em março, a Biogen anunciou que também pediu a aprovação do aducanumabe para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Em uma nota, a empresa disse que “o medicamento teria o potencial de alterar a fisiopatologia da doença, desacelerar o declínio cognitivo e manter a capacidade dos pacientes em realizar certas atividades diárias por um período, incluindo a gestão de finanças pessoais, a realização de tarefas domésticas, como limpeza e atividades relacionadas à lavanderia, compras e viajar independentemente”.
Num comunicado para a imprensa, Tatiane Rivas Marante, gerente geral da farmacêutica no Brasil, afirmou que, se aprovado, o aducanumabe poderia “se tornar um vetor de esperança para aqueles impactados por essa doença devastadora”.
Até o momento, ainda não houve nenhuma resposta oficial da Anvisa sobre o caso e se a medicação também será liberada em nosso país.
Mais pedras no caminho
A dificuldade em demonstrar o benefício prático de uma nova molécula é apenas a ponta do iceberg desse drama que aflige milhões de pacientes e seus familiares.
Pesquisadores da área enfrentam uma série de outras barreiras para entender o Alzheimer e seus desdobramentos.
Para começo de conversa, não existe um modelo animal que permita replicar as características do cérebro humano e da doença de Alzheimer com fidelidade.
Isso dificulta bastante na hora de fazer trabalhos experimentais, ou mesmo entender a ação de novas drogas em cobaias. Esse estágio de pesquisa é essencial antes de que as formulações sejam encaminhadas para testes com seres humanos.
Outra barreira importante está no diagnóstico: atualmente, a detecção do Alzheimer depende de testes muito invasivos ou muito caros.
É o caso, por exemplo, da análise do líquor, uma substância encontrada na medula óssea, ou do PET-CT, um exame de imagem bastante específico. “Esses são métodos ainda pouco acessíveis, por razões técnicas e financeiras”, pontua Porto.
Na hora de realizar estudos clínicos, por exemplo, os laboratórios gastam milhões de dólares para garantir que os voluntários façam exames do tipo e conferir se eles realmente têm Alzheimer. Esse investimento maciço é algo que poucos laboratórios conseguem fazer.
Por fim, há muitas dúvidas sobre o mecanismo que está envolvido neste tipo de demência. Ainda existe controvérsia sobre o papel da proteína beta-amiloide na doença e como ela interage com várias substâncias que se alteram no cérebro durante o processo de degeneração, como uma outra proteína conhecida como TAU.
Enquanto esses mistérios permanecerem, é difícil desenvolver tratamentos específicos capazes de atuar em alguma etapa da enfermidade.
Promessas futuras
Vale destacar, por fim, que o aducanumabe não é a única opção que chama a atenção de pesquisadores e da comunidade de pacientes e familiares: de acordo com o site ClinicalTrials.Gov, mantido pelo governo americano, outros 2.623 testes clínicos com candidatos a remédios contra o Alzheimer estão em andamento neste exato momento.
Um que é acompanhado de perto é o solanezumabe, da Eli Lilly. Ele também atua na proteína beta-amiloide e está sendo avaliado em pacientes com sintomas bem iniciais da enfermidade. Se tudo der certo, seus resultados são esperados para 2023.
Em paralelo, outros grupos de cientistas procuram caminhos criativos para frear a progressão do Alzheimer. Alguns miram na proteína TAU, que aparece no cérebro nas fases mais avançadas da condição.
Outros vão além e testam terapias à base de luzes ou maneiras de modificar a microbiota intestinal, um conjunto de bactérias que vive no nosso sistema digestivo e parece influenciar até na saúde do cérebro.
Num cenário sem grandes novidades e algumas polêmicas recentes, o alento é que o futuro promete trazer notícias um pouco mais animadoras.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Afeganistão: a guerra explicada em 10 pontos


Após duas décadas, as tropas dos Estados Unidos deixam o país. Entenda como o conflito começou e qual a situação hoje. Conflito teve início em 2001, após o ataque às torres gêmeas nos EUA
Getty Images/BBC
Após 20 anos de conflito, os Estados Unidos decidiram retirar definitivamente suas tropas do Afeganistão.
O cronograma anunciado pelo presidente Joe Biden prevê que todas as forças deixem o país até o próximo dia 31 de agosto. Enquanto isso, o Talibã vem mais uma vez conquistando espaço em território afegão, com a retomada de dezenas de distritos.
Os custos da guerra foram astronômicos, tanto econômicos quanto humanos. Mas os Estados Unidos chegaram a atingir seus objetivos na região?
Como o conflito começou
No dia 11 de setembro de 2001, uma série de ataques perpetrados em solo americano mataram quase 3 mil pessoas.
Aviões foram sequestrados e lançados contra o World Trade Center em Nova York — as chamadas Torres Gêmeas — e o prédio do Pentágono no condado de Arlington, Virgínia. Uma quarta aeronave caiu em um campo na Pensilvânia.
Osama Bin Laden, chefe do grupo terrorista islâmico Al-Qaeda, foi rapidamente identificado como responsável pelos atentados.
Os talibãs, radicais islâmicos que governavam o Afeganistão e protegiam Bin Laden, se recusaram a entregá-lo. Assim, um mês após o 11 de setembro, os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra país com o objetivo de derrotar os dois grupos.
E depois?
Dois meses após o início da ofensiva, o regime do Talibã entrou em colapso, e seus combatentes fugiram para o Paquistão. Isso não significou, entretanto, o fim do grupo.
Com o tempo, sua influência voltou a crescer e, em paralelo, os militantes passaram a lucrar centenas de milhões de dólares por ano com negócios que iam do comércio de drogas à mineração.
Soldados americanos devem deixar o Afeganistão até final de agosto
Getty Images/BBC
Um novo governo apoiado pelos Estados Unidos chegou em 2004, mas o Talibã seguiu realizando ataques e atentados. Com a ajuda de soldados afegãos, as forças internacionais tentavam conter o grupo convalescente. O conflito teve um impacto enorme sobre os afegãos, tanto civis quanto militares.
Então, os problemas no Afeganistão começaram em 2001?
A resposta mais curta é “não”. O país vivia em um estado quase permanente de guerra fazia décadas, ainda antes da invasão americana.
No final dos anos 1970, o Afeganistão foi um dos palcos dos conflitos entre os dois polos da Guerra Fria. Naquela época, o então governo comunista que comandava o país tinha apoio dos soviéticos, que chegaram a enviar tropas para lutar contra os combatentes do movimento de resistência, conhecidos como mujahideen e apoiados por Estados Unidos, Paquistão, China e Arábia Saudita, entre outros países.
O conflito se estendeu por mais de uma década. As tropas soviéticas se retiraram em 1989, mas a guerra civil continuou. Do caos que se seguiu surgiu o grupo chamado Talibã (palavra que pode ser traduzida como “estudantes”).
Como o Talibã ganhou tanta influência?
O grupo avançou inicialmente na região de fronteira entre o sudoeste do Afeganistão e o norte do Paquistão no início da década de 1990 com a promessa de combater a corrupção e melhorar a segurança da população, que vivia no dia a dia os efeitos de uma guerra civil destrutiva.
Meninas afegãs temem serem impedidas de estudar caso o Talibã retome o poder
BBC
Com o crescimento, o grupo passou a introduzir ou apoiar punições a contravenções baseadas na lei islâmica, como execuções públicas de assassinos e de adúlteros condenados e amputações para os considerados culpados do crime de roubo.
Os homens eram obrigados a deixar a barba crescer e as mulheres, a usar a burca, um véu que cobre o rosto e o corpo. Televisão, música e cinema foram proibidos e meninas com mais de 10 anos passaram a enfrentar cada vez mais dificuldades para que pudessem ir à escola.
O Talebã nunca realmente deixou de existir?
No decorrer das últimas décadas, o grupo chegou a passar por momentos de dificuldade que, entretanto, nunca foram duradouros.
Em 2014, no fim do que se desenhava como o ano mais sangrento no Afeganistão desde 2001, as forças internacionais, temendo permanecer no país indefinidamente, encerraram suas missões de combate, deixando para o Exército afegão a missão de lutar contra o Talibã.
Soldados americanos no Afeganistão
BBC
Esse vácuo fortaleceu o grupo, que conseguiu se expandir territorialmente com ataques contra o poder público e alvos civis. Em 2018, uma investigação da BBC apontou que o Talibã estava ativo em cerca de 70% do país.
Quais os custos do conflito?
Mais de 2,3 mil militares americanos foram mortos e mais de 20 mil, feridos. Em termos econômicos, a fatura para o contribuinte nos Estados Unidos chega perto de US$ 1 trilhão (R$ 5,2 trilhões), apontam estimativas.
O maior impacto, contudo, deu-se sobre a população afegã: alguns levantamentos apontam que cerca de 60 mil membros das forças de segurança perderam a vida. Quase 111 mil civis foram mortos ou feridos desde que a Organização das Nações Unidas (ONU) começou a registrar sistematicamente os números de vítimas civis em 2009.
Conflito fez mais de 2 mil vítimas entre militares americanos
Reuters/BBC
Um acordo com o Talibã
Em fevereiro de 2020, os Estados Unidos e o Talebã assinaram um “acordo para trazer a paz” ao Afeganistão que há anos vinha sendo discutido.
Segundo seus termos, os Estados Unidos e seus aliados militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) concordavam em retirar todas as tropas do território em troca do compromisso do grupo de não permitir que a Al-Qaeda ou qualquer outro grupo extremista operasse nas áreas que controla.
Como parte das negociações em 2020, o Talibã e o governo afegão concordaram em libertar parte de seus prisioneiros. Quase 5 mil militantes talibãs foram liberados ​​nos meses seguintes ao acordo.
Os Estados Unidos também prometeram suspender as sanções contra o grupo. O país negociou diretamente com o Talibã, sem o intermédio do governo afegão.
“Depois de todos esses anos, chegou a hora de trazer os nossos de volta para casa”, disse o então presidente Donald Trump.
Todas as forças americanas estão se retirando?
No início de julho, todos os soldados americanos e de aliados internacionais membros da Otan deixaram a base aérea de Bagram, a principal base militar americana no Afeganistão.
De acordo com a agência Associated Press, contudo, cerca de 650 soldados americanos devem permanecer no país para fornecer proteção a diplomatas e ajudar a proteger o aeroporto internacional de Cabul, um hub de transporte vital para o país.
Qual a situação agora?
Desde que o acordo foi assinado, o Talibã tem dado sinais de que vem apostando em uma estratégia diferente. Os ataques complexos em centros urbanos e postos militares têm dado lugar a uma onda de assassinatos seletivos que tem aterrorizado os civis.
Os militantes têm avançado por vastas áreas do território, ameaçando derrubar mais uma vez o governo em Cabul após a retirada das tropas estrangeiras.
A preocupação com o futuro da capital tem crescido, mas o presidente do país, Ashraf Ghani, tem repetido que as forças de segurança do país são totalmente capazes de manter os insurgentes longe do poder.
A Al-Qaeda segue operando no Afeganistão, enquanto militantes do grupo autodenominado Estado Islâmico também realizaram ataques no país.
Duas décadas no Afeganistão: valeu a pena?
“A resposta depende do seu parâmetro”, afirma o correspondente de segurança da BBC, Frank Gardner.
Fontes da área de segurança disseram à BBC que, desde o início da guerra, não houve um único ataque terrorista internacional bem-sucedido planejado a partir do Afeganistão.
“Assim, baseado apenas pela medida do contraterrorismo internacional, a presença das Forças Armadas estrangeiras teve sucesso em seu objetivo”, completa Gardner.
População civil segue sofrendo com os ataques e atentados do grupo
Reuters/BBC
Duas décadas depois, porém, o Talibã está longe de ser derrotado e segue sendo um grupo com importante poder de combate.
Alguns relatos apontam que o último mês de junho foi um dos mais violentos no país desde a chegada da coalizão liderada pelos Estados Unidos. Centenas de vidas foram perdidas e importantes conquistas foram ameaçadas, já que muitas escolas, prédios do governo e parte da rede de energia foram danificados ou destruídos.
“A Al-Qaeda, o Estado Islâmico e outros grupos extremistas não desapareceram, eles estão se renovando, em parte estimulados pela partida iminente das últimas forças ocidentais remanescentes.”
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Restos mortais de marinheiro morto em Pearl Harbor são identificados após quase 80 anos


Ralph C. Battlez, de 25 anos, morreu durante ataque japonês aos EUA na II Guerra Mundial, em 7 de dezembro de 1941, mas apenas agora teste de DNA e análises antropológicas possibilitaram identificação. Ele será enterrado em sua cidade natal, no Alabama. Foto do Centro Histórico Naval dos EUA mostra o USS Arizona, um dos navios bombardeados no ataque japonês a Pearl Harbor, no dia 7 de dezembro de 1941
HO/US Navy Historical Center/AFP
Um marinheiro do Alabama que morreu durante o ataque japonês a Pearl Harbor durante a II Guerra Mundial, há quase 80 anos, foi identificado e será enterrado em sua cidade natal, anunciou o Pentágono na quarta-feira (7).
Um teste de DNA e análises antropológicas foram usadas para identificar os restos mortais do bombeiro de segunda classe da Marinha Ralph C. Battlez, de Boaz, segundo um comunicado da Agência de Defesa.
Battles, de 25 anos, fazia parte da tripulação do USS Oklahoma quando o navio foi atingido por diversos torpedos durante o ataque japonês, em 7 de dezembro de 1941. A embarcação virou, matando Battles e outros 428 tripulantes.
Os restos mortais das vítimas foram recuperados em 1944 e enterrados em cemitérios no Havaí, mas apenas 35 homens foram inicialmente identificados. Os restos das demais vítimas foram exumados em 2015 para análise, e o material pertencente a Battles foi finalmente reconhecido em fevereiro, segundo a agência.
Um funeral será realizado em sua homenagem em 28 de agosto em Boaz, localizada ao nordeste de Birmingham.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Biden marca fim da missão militar dos EUA no Afeganistão para 31 de agosto


Presidente dos EUA diz que guerra, que já dura 20 anos, é ‘invencível’ do ponto de vista militar. Joe Biden, presidente dos EUA, durante pronunciamento na Casa Branca nesta quinta-feira (8)
Evan Vucci/AP Photo
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quinta-feira (8) que vai retirar de vez os soldados e encerrar a missão militar no Afeganistão em 31 de agosto, após quase 20 anos de guerra.
Uma vez que os combates em solo afegão continuam e que tanto o governo do país asiático quanto o Talibã seguem se enfrentando enquanto não chegam a um cessar-fogo, os EUA consideram a Guerra do Afeganistão como a mais longa em que tiveram envolvimento (saiba mais no fim da reportagem).
“Não fomos ao Afeganistão para construir uma nação. Líderes afegãos têm que se unir e conduzir o país rumo a um futuro”, disse Biden em discurso na Casa Branca.
Na semana passada, militares dos EUA deixaram a base aérea de Bagram, principal instalação militar americana no Afeganistão. O espaço foi entregue para a administração do governo afegão. Segundo a agência de notícias Reuters, ainda há soldados americanos – o número não é identificado – em uma pequena base na capital Cabul, mas eles devem retornar em breve para a casa.
A retirada já vinha acontecendo progressivamente há meses e era uma das promessas de campanha do ex-presidente Donald Trump que Biden deu continuidade após assumir o cargo, em janeiro. Opositores da medida temem um ressurgimento do grupo terrorista Talibã, que poderia voltar a dominar o Afeganistão — como ocorria na época dos atentados de 11 de setembro de 2001.
Biden, no entanto, sustenta que a guerra no Afeganistão é uma “guerra invencível”, sem uma solução militar. “Quantos mais milhares de filhos e filhas americanos vocês querem colocar em risco?”, indagou o presidente.
“Não vou mandar outra geração de americanos para a guerra no Afeganistão sem nenhuma expectativa razoável de se chegar a um resultado diferente”, reforçou Biden.
‘Mais longa guerra da história dos EUA’
Os EUA atacaram o Afeganistão e depois o Iraque após o atentado de 11 de setembro de 2001, quando terroristas derrubaram as Torres Gêmeas do World Trade Center, atingiram o Pentágono com um avião e derrubaram uma aeronave na Pensilvânia.
As forças armadas dos EUA invadiram o Afeganistão em 7 de outubro, menos de um mês após o ataque terrorista.
Conheça a história do Talibã
Na época, o grupo radical islâmico Talibã era liderado por Mohammed Omar e controlava 90% do país, embora não fosse reconhecido como governo pela ONU.
O então presidente americano George W. Bush ordenou a invasão após o Talibã se recusar a entregar Osama bin Laden, arquiteto do atentado às Torres Gêmeas.
Bin Laden foi morto apenas em 2011, em uma operação americana no Paquistão, já no governo do ex-presidente americano de Barack Obama.
Segundo a ONU, mais de 100 mil civis foram mortos ou feridos no conflito apenas na última década.
Desde o início da guerra, os EUA gastaram cerca de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,7 trilhões) em despesas militares no Afeganistão.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Covid: Multidões sem máscara, vitória na Euro e variante Delta levantam dúvidas sobre plano de reabertura do Reino Unido


Às vésperas do fim das medidas de restrição, país registra aumento acentuado de novas infecções. No Piccadilly Circus, em Londres, torcedores bloquearam tráfego enquanto comemoravam vitória da Inglaterra na semifinal da Euro
Reuters/BBC
Às vésperas do fim das medidas de restrição, o Reino Unido vem registrando um aumento acentuado de novos casos de Covid-19 devido à variante Delta.
Um importante fator nesse cenário de aumento do número de infecções também é motivo de orgulho para os ingleses: as vitórias da seleção nas partidas da Eurocopa.
Ao vencer a Dinamarca na semifinal, a Inglaterra vai disputar, pela primeira vez, uma final, que será no domingo (11), em Wembley (Londres), algo inédito desde o título da Copa do Mundo desde 1966.
Dados da universidade Imperial College London indicam que o avanço da Inglaterra na Euro pode explicar o aumento mais rápido das infecções entre homens do que entre mulheres nas últimas duas semanas.
O estudo React, que testou mais de 47 mil voluntários em toda a Inglaterra entre 24 de junho e 5 de julho, confirma uma “terceira onda substancial de infecções”. E, segundo a pesquisa, os homens tinham 30% mais probabilidade do que as mulheres de que seu teste desse positivo para covid.
“Pode ser que assistir futebol esteja resultando em homens tendo mais atividades sociais do que o normal”, disse o autor do estudo, professor Steven Riley.
Jogo em Wembley: pessoas tiveram que provar que tomaram as duas doses da vacina ou apresentar teste de covid negativo
Getty Images/BBC
No entanto, a pesquisa aponta que as infecções não se traduziram em um grande número de pessoas hospitalizadas ou de mortes. Além disso, homens e mulheres vacinados tinham muito menos probabilidade do que outros de contrair o vírus.
“Apesar do sucesso do programa de vacinação, ainda estamos vendo um rápido crescimento das infecções, especialmente entre os mais jovens. No entanto, é encorajador ver uma prevalência de infecção mais baixa em pessoas que receberam as duas doses da vacina”, disse o diretor do programa React, professor Paul Elliott, da Escola de Saúde Pública do Imperial College.
Quase dois terços dos adultos (64%) receberam as duas doses da vacina contra a Covid e as autoridades têm feito campanha para que as pessoas que não tomaram a primeira ou a segunda dose busquem se vacinar assim que possível.
“Peço a todos que tomem a primeira e a segunda dose quando forem convidados, pois cada dose ajuda a conter a transmissão e casos graves”, disse o ministro responsável pelas vacinas, Nadhim Zahawi.
Variante Delta e aumento dos casos
Em julho, os casos de coronavírus no Reino Unido subiram para mais de 30 mil pela primeira vez desde janeiro, segundo os números oficiais. Na quarta-feira, foram mais de 32,5 mil casos confirmados.
Com a retirada de mais medidas de distanciamento, a previsão é que o forte aumento continue. O próprio governo já falou em um aumento de casos que pode chegar a 100 mil por dia, à medida que as restrições forem suspensas.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que é “certamente verdade” que houve uma “onda de casos por causa da variante Delta” do vírus. “Mas os cientistas também estão absolutamente certos de que cortamos a ligação entre a infecção e as doenças graves e a morte”, disse ele.
Na segunda-feira, no entanto, o principal conselheiro científico do governo, Patrick Vallance, tinha sido mais cauteloso, dizendo que as vacinas “enfraqueceram o vínculo entre os casos e as hospitalizações – mas é um vínculo enfraquecido, não um vínculo completamente rompido”.
Boris Johnson anunciou que o uso de máscaras e as regras de distanciamento não serão mais obrigatórios na Inglaterra
Reuters/BBC
Fim das restrições em 19 de julho
Boris Johnson anunciou nesta semana que o uso de máscaras e as regras de distanciamento não serão mais obrigatórios na Inglaterra.
O fim dessas medidas deve ser adotado em 19 de julho, segundo o governo. Elas estavam inicialmente previstas para junho, mas foram adiadas diante do aumento do número de casos. A confirmação do fim dessas precauções ocorrerá na próxima semana, após o governo avaliar os dados mais recentes.
“Se não prosseguirmos agora (com a flexibilização), com o programa de vacinação avançando, quando iremos em frente?”, disse Johnson.
Para defender o fim das restrições, ele também citou o clima quente do atual verão na Inglaterra como um dos motivos para a flexibilização.
“Corremos o risco de reabrir em um momento muito difícil, quando o vírus tem uma vantagem nos meses frios ou novamente adiando tudo para o próximo ano”, disse.
A previsão do governo é suspender as restrições de distanciamento que ainda restaram, incluindo os limites legais na quantidade de pessoas que podem se encontrar em ambientes internos e em grandes eventos e apresentações.
Ao mesmo tempo, as máscaras, que hoje são obrigatórias em ambientes fechados – como lojas e transporte público -, deixarão de ser exigidas.
Críticas ao fim das medidas de distanciamento
A Associação Médica Britânica (BMA, na sigla em inglês) defendeu nos últimos dias que algumas medidas devem ser mantidas em vigor após 19 de julho. A entidade pede o uso contínuo de máscaras e novos padrões de ventilação.
Segundo ela, é fundamental proteger o sistema público de saúde (NHS), a saúde e a educação em meio ao que chama de um aumento alarmante de casos.
A oposição ao governo critica a medida de Boris Johnson. O líder do partido trabalhista, Keir Starmer, disse que o primeiro-ministro está levando o país a um “verão de caos e confusão”, ao comentar os planos de flexibilizar as últimas medidas de distanciamento.
Ele defendeu que o Reino Unido deveria fazer a abertura “de uma forma controlada” e pediu a Johnson para garantir que máscaras ainda sejam usadas no transporte público.
‘Cuidado para não perder os ganhos’
Na Organização Mundial da Saúde (OMS), o diretor de emergências, Mike Ryan, disse que os países devem agir com extrema cautela ao reabrir suas economias após restrições necessárias devido à covid para “não perder os ganhos que obtiveram”.
Questionado em uma entrevista coletiva se o Reino Unido estava visando a imunidade coletiva, Ryan disse: “Desconheço que essa seja a lógica que motiva nossos colegas no Reino Unido, suspeito que não.”
Ele acrescentou que o argumento de que seria melhor infectar mais pessoas era moralmente vazio e epidemiologicamente estúpido.
Vídeos: Os mais assistidos do G1 nos últimos 7 dias

Fonte: G1 Mundo