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Covid-19: Médicos indianos fazem apelo por proteção após ataques de familiares de doentes


Desde início da pandemia na Índia, no ano passado, vários médicos foram atacados por familiares de pacientes com Covid. Senapati foi brutalmente espancado após um paciente morrer no hospital onde ele trabalhava
BBC
O médico indiano Seuj Kumar Senapati lembra-se com detalhes da tarde do início de junho em que achou que fosse morrer.
Ele estava no segundo dia de trabalho de seu primeiro emprego, em um centro de atendimento a pessoas com Covid-19 no distrito de Hojai, no Estado de Assam, no nordeste da Índia.
Senapati foi verificar um paciente que havia sido internado naquela manhã. Quando o fez, descobriu que ele não mais reagia.
A família do paciente ficou furiosa quando o médico disse que o homem havia morrido. Senapati diz que eles começaram a atirar cadeiras pela sala, quebrando janelas e agredindo funcionários.
Senapati tentou se proteger, mas outras pessoas se juntaram à família e começaram a espancá-lo.
Médicos têm protestado e pedido mais proteção
Getty Images/BBC
Um vídeo do ataque mostra um grupo formado principalmente por homens chutando Senapati e batendo-lhe na cabeça com uma comadre (um penico usado no hospital). Eles então o arrastam para fora e continuam a espancá-lo. O médico, ensanguentado e sem camisa, pode ser ouvido uivando de dor.
“Achei que não sobreviveria”, diz ele à BBC News.
Desde o início da pandemia na Índia, no ano passado, vários médicos foram atacados por familiares de pacientes com Covid. A queixa é recorrente: seus entes queridos não foram tratados adequadamente ou não receberam um leito a tempo.
Os médicos fizeram protestos e entraram em greve exigindo leis mais rígidas, bem como mais pessoal e melhor infraestrutura para aliviar a pressão sobre eles.
Os hospitais também estão mal preparados. Quando Senapati estava sendo atacado, ninguém o socorreu porque o restante da equipe também estava sendo espancado ou se escondendo. Um único guarda ficou indefeso contra a multidão.
“Minhas roupas foram rasgadas, minha corrente de ouro foi arrancada e meu celular e óculos foram quebrados. Mas depois de cerca de 20 minutos, consegui escapar”, conta Senapati.
Ele foi direto para a delegacia de polícia local. O vídeo do ataque, que já foi compartilhado nas redes sociais, causou furor. O governo estadual prometeu uma ação rápida e 36 pessoas, incluindo três menores, foram indiciadas pela agressão.
Hospitais não se responsabilizam
Embora os ataques a profissionais de saúde tenham chamado atenção durante a pandemia, eles já aconteciam com uma regularidade alarmante antes da Covid-19.
No entanto, a maioria dos incidentes não leva a registros de ocorrência ou investigações policiais. Quando há investigação, os acusados ​​são frequentemente libertados sob fiança e o caso é resolvido fora do tribunal.
Médico Vikas Reddy participou de protestos após ter sido atacado
BBC
No início deste ano, a família de um paciente com Covid que morreu na segunda onda da Índia danificou propriedades e agrediu a equipe do Hospital Apollo na capital indiana, Déli.
Apesar de ser um importante hospital privado, o Apollo não apresentou queixa. As administrações hospitalares raramente se envolvem nos casos, deixando os funcionários vulneráveis.
Médicos querem mudança na legislação
Os médicos dizem que um dos problemas é que não existe uma lei específica que os proteja.
“As leis existentes não são eficazes. Uma lei mais rígida é urgentemente necessária para que as pessoas entendam que haverá consequências caso espanquem os médicos”, diz Jayesh Lele, secretário-geral da IMA (Associação Médica Indiana, na sigla em inglês).
Com mais de 330 mil médicos como membros, a IMA tem lutado por uma legislação rigorosa contra ataques a profissionais de saúde.
Mas o problema pode ser resolvido por legislação?
“Essa violência não é premeditada, é o resultado de um gatilho emocional causado pela morte. Portanto, as leis não impedem esse tipo de crime”, afirma a pesquisadora Shreya Shrivastava, que acompanha a violência contra médicos.
Shrivastava faz parte de uma equipe do centro de pesquisa Vidhi Center for Legal Policy que estudou 56 ataques entre janeiro de 2018 e setembro de 2019 para entender o que os causou e como eles podem ser contidos.
Ela diz que o governo introduziu uma pena de prisão de até sete anos como punição por ataques a profissionais de saúde que tratam de pacientes com Covid, mas isso não ajudou.
O médico Vikas Reddy, do Hospital Gandhi, na cidade de Hyderabad, foi atacado com cadeiras de ferro e plástico em junho do ano passado por parentes de um homem que morreu por Covid. Ele procurou a polícia, mas ninguém foi preso ainda.
“Foi difícil voltar ao trabalho”, diz Reddy. “Estava na mesma enfermaria, atendendo pacientes críticos. De repente, revivia cenas do ataque na minha mente.”
Ele disse que passou muito tempo pensando no que aconteceu, tentando entender como explicar melhor o diagnóstico ou como dar uma notícia trágica de uma maneira que evitasse outro ataque.
“Percebi que temos que passar um tempo com os pacientes e suas famílias para explicar as coisas que somos capazes de fazer e as que não somos. E se eles discordarem, precisam levar o paciente para outro hospital. Mas não temos esse tipo de tempo. Atendo de 20 a 30 pacientes por dia”, afirma.
Poucos médicos, muitos pacientes
A Índia tem uma das piores proporções médico-paciente do mundo. Em 2018, havia 90 médicos para cada 100 mil pessoas, de acordo com estimativas do Banco Mundial.
Isso é muito inferior ao índice da China (200 para cada 100 mil), dos EUA (260 para cada 100 mil) ou da Rússia (400 para cada 100 mil).
No Brasil, há 240 médicos para cada 100 mil pessoas, mas o desafio é a concentração dos profissionais nas regiões sul e sudeste.
A pesquisa de Shrivastava revelou que os ataques aos profissionais de saúde na Índia geralmente acontecem quando os pacientes estão em pronto-socorros ou UTIs (unidades de terapia intensiva); quando estão mudando de um hospital para outro ou quando morrem. E tudo isso se tornou mais frequente durante a pandemia.
“Estar dentro de uma ala de Covid é como estar em uma guerra”, diz o médico Jayesh Lele, da IMA.
Além disso, existe a questão da confiança.
Um setor privado pouco regulamentado e caro fornece dois terços de todos os serviços de saúde na Índia.
Shrivastava disse que pessoas estão morrendo de Covid apesar de gastar muito com o tratamento, enfraquecendo a confiança no sistema.
E reportagens sobre negligência médica, que tendem a superar em número as histórias dos médicos sendo linchados, deixam as pessoas mais desconfiadas.
“O que podemos fazer é dar o nosso melhor ao paciente”, diz Reddy. “Não podemos esperar que todo paciente [ou família] seja bom [para nós], apenas que nos respeitem como profissionais e entendam que escolhemos esta profissão para salvar vidas.”
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Fonte: G1 Mundo

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Ex-policial vence primárias democratas para prefeito de Nova York


Suas principais concorrentes na corrida pela candidatura do Partido Democrata afirmaram que Eric Adams é o vencedor. Eric Adams no dia 7 de julho de 2021
Brendan McDermid/Reuters
O ex-policial Eric Adams, de 60 anos, será o candidato do Partido Democrata à prefeitura da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, nas eleições em novembro deste ano —nesta quarta-feira (7), duas pré-candidatas, Kathryn Garcia e Maya Wiley, desistiram de suas campanhas.
Nova York vai às urnas para as eleições primárias
Adams assumiu a liderança das primárias democratas depois da contagem de 118 mil votos por correspondência. Depois da última contagem, ele teve 50,5% dos votos, contra 49.5% de Kathryn Garcia.
Na cidade de Nova York, o candidato do Partido Democrata é o favorito. Adams enfrentará o candidato republicano, Curtis Sliwa. O próximo prefeito sucederá Bill de Blasio, no cargo desde 2014.
Eric Adams é o presidente do distrito do Brooklyn. Em um comunicado, ele afirmou que apesar de faltar ser apurada uma quantidade muito pequena de votos, os resultados são claros. “Uma coalizão histórica e diversa de cinco condados liderada por nova-iorquinos da classe trabalhadora nos levou à vitória nas primárias para a prefeitura”, disse ele.
Segurança pública
Após o aumento da criminalidade em Nova York e na maioria das principais cidades americanas desde o último verão, a questão da segurança pública passou a dominar a campanha pelas primárias democratas local. O debate beneficiou o ex-policial, que tem uma plataforma com ênfase na luta contra a criminalidade.
O vencedor das eleições municipais deverá administrar a capital econômica dos Estados Unidos em um período delicado do pós-pandemia. “Agora, temos que nos concentrar na vitória em novembro para que essa cidade formidável cumpra sua promessa com os que sofrem e querem um futuro melhor, equitável e abordável para todos os nova-iorquinos”, declarou Adams no comunicado.
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Fonte: G1 Mundo

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Job Maseko: o herói da 2ª Guerra Mundial que ficou sem condecoração por ser negro


Sul-africano explodiu um navio alemão, mas seus atos de bravura não foram devidamente reconhecidos porque ele era negro, dizem os ativistas. Job Maseko explodiu navio alemão durante 2ª Guerra Mundial
BBC
Por que Job Maseko, herói sul-africano da 2ª Guerra Mundial, nunca recebeu a maior condecoração militar do país, apesar de seus feitos, como a explosão de um navio alemão, durante o conflito?
Segundo ativistas, a resposta é: racismo.
Job Maseko morreu pobre em 1952. Atingido por um trem em um trágico acidente aos 36 anos, seus feitos corriam o risco de ser esquecidos.
Uma década antes, enquanto era prisioneiro de guerra, Maseko usou um explosivo improvisado para explodir um cargueiro alemão ancorado em Tobruk, na Líbia.
Quando voltou à África do Sul, o tratamento que recebeu, comparado aos veteranos brancos, refletiu as políticas racistas da época – e há alguns que acreditam que isso se estendeu à forma como ele foi homenageado por seu ato de bravura.
Maseko foi condecorado com a Medalha Militar “por ação meritória e corajosa”, mas, para o ativista Bill Gillespie, ele foi impedido de receber a Victoria Cross, a mais alta condecoração do país.
Agora, Gillespie está fazendo campanha para que Maseko receba a mais alta láurea militar postumamente.
‘Tristeza e orgulho’
A família de Maseko apoia o pleito.
“Estou muito orgulhosa do que ele fez, mas, ao mesmo tempo, triste. Se ele fosse um soldado branco, acreditamos que ele teria recebido a condecoração (mais alta)”, disse sua sobrinha Jennifer Nkosi Maaba à BBC enquanto colocava flores em seu túmulo.
Cerca de 80 mil sul-africanos negros serviram no Corpo Militar Nativo (NMC, na sigla em inglês). Depois da guerra, eles recebiam bicicletas e botas e, às vezes, um terno, como recompensa. Ao mesmo tempo, soldados brancos receberam moradia e terras.
As autoridades sul-africanas também se mostraram relutantes em comemorar e destacar a ação de Maseko, pois “representava as possibilidades de empoderamento oferecidas pelo serviço militar que o Estado queria reduzir”, segundo a historiadora Suryakanthie Chetty.
Os membros do NMC não recebiam armas de fogo, mas podiam portar armas tradicionais e serviam como não combatentes, trabalhando como operários, guardas ou em funções médicas.
O próprio Maseko carregava maca das forças aliadas no Norte da África, onde resgatava homens feridos frequentemente sob fogo pesado.
Explodindo um navio
Job Maseko foi lembrado em uma homenagem alguns meses após sua morte
BBC
Mas ele se tornou um prisioneiro de guerra em junho de 1942, quando seu comandante se rendeu aos alemães em Tobruk. Lá ele foi colocado para trabalhar nas docas, descarregando suprimentos.
Com conhecimento que adquiriu trabalhando em minas de ouro na África do Sul, em 21 de julho Maseko encheu uma pequena lata de pólvora e colocou-a perto de alguns barris de petróleo no porão de um navio que naufragou após a explosão, segundo a citação oficial relativa a sua medalha militar.
O texto diz que ele “exibiu engenhosidade, determinação e desconsiderou a própria segurança pessoal em relação a punições do inimigo ou à explosão subsequente que incendiou a embarcação”.
“Ele merece mais do que um par de botas e uma bicicleta por sua bravura… Ele merece a Victoria Cross porque sua coragem colocou os feitos militares da África do Sul no mapa”, disse Nkosi Maaba, refletindo sobre as ações de seu tio há quase 80 anos.
Gillespie, que está por trás dos esforços para que Maseko obtenha a Victoria Cross postumamente, acredita que a cor da pele do veterano teve forte influência na decisão de não condecorá-lo com a láurea.
“Estou absolutamente certo disso… a Medalha Militar foi apenas um prêmio de consolação”, diz o ativista, cujo pai também lutou pela África do Sul na 2ª Guerra Mundial.
Neville Lewis, o artista de guerra oficial da África do Sul durante o conflito, disse que Maseko foi “recomendado para uma Victoria Cross, mas sendo ‘apenas um africano’, recebeu a Medalha Militar em vez disso”, de acordo com o historiador Jacob Saul Mohlamme, em artigo no Jornal de História Militar da África do Sul.
O curador do Museu Nacional de História Militar, que exibe com destaque o retrato de Maseko, concorda que ele deveria ter recebido um prêmio maior.
“A triste realidade é que os sul-africanos negros que se voluntariaram para fazer parte do Exército, assim como seus colegas brancos, foram tratados injustamente. Na minha opinião, acho que Maseko deveria ter recebido a Victoria Cross”, disse Alan Sinclair à BBC.
Mas, de acordo com o chefe do Victoria Cross Trust, que trabalha para preservar a memória daqueles que receberam a medalha, pode ter havido outros motivos para ele não receber a maior homenagem.
“Não há dúvida de que o que Maseko fez em termos de sabotagem do navio foi excepcionalmente perigoso e provavelmente o teria levado à morte se ele tivesse sido pego”, diz Keith Lumley.
“No entanto, um dos pré-requisitos para a obtenção da Victoria Cross é que o feito tenha sido testemunhado. E não foi. Embora não haja dúvida de que ele fez o que fez… Mas ninguém realmente o viu fazer isso. Entendi pelo que li que sua medalha militar foi um reflexo de suas ações.”
Quanto ao Ministério da Defesa do Reino Unido, parece improvável que, no momento, Maseko receba alguma honraria.
Embora tenha reconhecido a bravura de todos os homens e mulheres militares africanos na 2ª Guerra Mundial, um porta-voz disse à BBC por e-mail que “não podemos considerar prêmios retrospectivos porque não podemos confirmar as circunstâncias ou comparar os méritos entre casos que ocorreram tantos anos atrás”.
‘Estátua para Job’
Sobrinha de Maseko, Jennifer Nkosi Maaba, acredita que racismo influenciou o fato de seu tio não receber a Victoria Cross
BBC
Os esforços de Gillespie para fazer com que o ministério mudasse de ideia sofreram um revés quando uma petição para tentar levantar a questão no Parlamento do Reino Unido foi rejeitada por uma questão técnica – a recusa se deu porque esse tipo de petição não pode pleitear que alguém receba um prêmio.
No entanto, ele acredita que mais deva ser feito para comemorar a bravura de Maseko.
“Estamos ocupados discutindo sobre a remoção de estátuas, mas que tal colocarmos uma para Maseko… assim ele sempre será lembrado.”
E Lumley oferece alguma esperança.
Ele ressalta que Teddy Sheean, da Marinha australiana, foi premiado com uma Victoria Cross em novembro do ano passado, após 50 anos de trabalho de convencimento de sua família por um ato ocorrido em 1942.
“Portanto, no caso de Maseko, não estou dizendo que ele não recebeu a Victoria Cross, mas é preciso trabalhar mais para encontrar os detalhes adicionais que fariam com que esta condecoração fosse apropriada.”
Mas em sua cidade natal, Springs, o legado de Maseko continua vivo. Uma avenida principal e uma escola primária foram batizadas em sua homenagem e um grande mural com seu retrato também foi pintado.
Ao lado do túmulo, sua sobrinha está obviamente satisfeita com a nova atenção que sua história está recebendo.
Voltando-se para a lápide, Nkosi Maaba diz, com orgulho: “Sua memória está viva, tio, continue descansando em paz.”
*Nomsa Maseko é uma parente distante de Job, mas não participou da campanha apoiada por sua família próxima.

Fonte: G1 Mundo

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Carlos Reutemann, político e ex-piloto de F1 da Argentina, morre aos 79

Reutemann foi governador da província de Santa Fé duas vezes e estava em seu quarto mandato como senador. O senador Carlos Reutemann, da Argentina, que também foi piloto de Fórmula 1, morreu nesta quarta-feira (7) aos 79 anos em Santa Fé.
Reutemann morreu por complicações ligadas a um câncer no fígado. Ele estava internado desde maio.
Reutmann foi governador da província de Santa Fé duas vezes, antes de ser senador (estava em seu quarto mandato).
Ele também era um dos grandes ídolos do automobilismo da Argentina.
A morte foi anunciada por uma de suas filhas em uma rede social.
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Ele entrou na política em 1991 e foi vencedor já em sua primeira eleição. Ele seria eleito uma segunda vez para o cargo de governador de Santa Fé em 1999. No fim desse segundo mandato, enfrentou uma enchente na província que deixou mais de 20 mortos.
Ainda assim, conseguiu ser eleito senador naquele ano.
Piloto de automobilismo
Em 1981, ele foi o vice-campeão do circuito de Fórmula 1 —perdeu por um ponto.
Além de Reutmann, a Argentina tem um dos maiores pilotos de todos os tempos, Juan Manuel Fangio, que foi campeão cinco vezes na década de 1950.
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Fonte: G1 Mundo

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Imigração: a triste história do menino de 2 anos encontrado sozinho no México


Autoridades acharam Wilder abandonado em uma rodovia no sudeste do país, após escapar de uma viagem infernal em um caminhão em que um jovem morreu. Wilder saiu de Honduras com o pai no fim de junho
Reuters via BBC
O menino Wilder, de 2 anos, foi encontrado sozinho e sem camisa, ao lado do corpo sem vida de um migrante, em uma estrada no sudeste do México.
Ele havia partido no final de junho com o pai de uma pequena cidade do município de Santa Rita, no oeste de Honduras, com destino aos Estados Unidos.
No entanto, em um ponto ao longo do caminho, eles se separaram, e Wilder ficou na companhia de um grupo de imigrantes desconhecidos.
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Autoridades mexicanas da Guarda Nacional e do Instituto Nacional de Imigração (INI) o encontraram no dia 28 de junho, em uma rodovia perto de Las Choapas, em Veracruz, que imigrantes usam para chegar aos Estados Unidos.
Ele viajava junto a uma centena de pessoas “em condição de superlotação” na traseira de um caminhão de mercadorias sem ventilação.
Os imigrantes “apresentavam sintomas de desidratação e sufocamento” devido ao calor excessivo do veículo, informou o INI em nota. “Infelizmente, o corpo de um jovem sem vida, com cerca de 25 anos, foi encontrado lá.”
De Honduras, a mãe de Wilder lamenta o destino de seu marido e seu filho.
O Instituto Nacional de Imigração acolheu o menino
Reuters via BBC
Embora esteja aliviada pela segurança de ambos, ela clama por ajuda para que ambos cheguem aos Estados Unidos, já que retornar a Santa Rita significaria continuar condenados à pobreza que os obrigou a se dirigir ao norte.
“Que me ajudem a levar meu filho com meu marido para lá, juntos. Mas não só meu filho. Se não for possível, que me devolvam meu filho”, disse ela, aos prantos.
Partida de casa
O pai partiu com Wilder no dia 25 de junho porque tinham escutado rumores de que, apesar do risco, estar acompanhado por um menor poderia dar mais oportunidades de administrar sua passagem pela fronteira para os Estados Unidos.
“Vimos que muitas pessoas estão passando com crianças”, diz a mãe.
MAPA
BBC
Saíram do pequeno município de Santa Rita, região historicamente atingida pela pobreza e pela recente destruição deixada pelos furacões Eta e Iota em 2020.
“Aqui não dá para se sustentar. Quando há trabalho, meu marido ganha cerca de 100 pesos (R$ 21). Ele não trabalhava todos os dias, só quando tinha trabalho”, diz a mãe de Wilder.
No dia 27, eles cruzaram a fronteira da Guatemala com o México. “Desde aquele dia, não tive mais contato com ele, até que fui avisada pelo cônsul (de Honduras no México) de que a criança havia sido encontrada sozinha”, diz García.
Embora ela tenha tido a oportunidade de falar ao telefone com o marido, ainda não está claro por que ele se separou de Wilder em solo mexicano.
Inferno no caminhão
O que as autoridades mexicanas puderam constatar é que a viagem de mais de cem imigrantes no caminhão se transformou em um pesadelo devido às péssimas condições em que viajavam.
“[Os imigrantes] relataram que, horas antes, vários de seus companheiros e companheiras de viagem começaram a desmaiar por falta de ar e calor”, diz o INI.
Um imigrante foi encontrado morto no local onde estava Wilder
REUTERS via BBC
“Outros exigiram, gritando e batendo nas paredes do veículo, que o motorista parasse. Depois de um tempo, o transporte parou e um dos ‘coiotes’ ou supostos ‘guias’ abriu uma das portas, pela qual homens e mulheres começaram a pular e correr até o matagal”.
Oito pessoas ainda estavam no local quando foram as autoridades chegaram. Alguns foram achados “sufocados” dentro do caminhão e outros “deitados” do lado de fora, onde o pequeno Wilder estava parado ao lado de um jovem que havia morrido.
“Com as costas nuas, ele foi abandonado na beira da estrada, entre a barreira de metal, ao lado de roupas no chão, mochilas e embalagens de comida. Nenhum dos adultos afirmou ser parente da criança”, diz o INI.
García soube por uma ligação do Consulado de Honduras que seu filho havia sido encontrado. Mas foi só quando viu no noticiário que percebeu a condição em que se encontrava. “Foi muito difícil para mim”, diz.
Separados
A mãe de Wilder diz que está preocupada com o marido e o filho. “Eles me disseram que Wilder está bem, mas, como ele estava passando por isso, eles tiveram que levá-lo para ver um terapeuta”, explica.
“Meu marido me disse que estava em Tuxtla Gutiérrez (cidade mexicana). Como quase não o deixavam fazer ligações, não pudemos mais conversar. Mas ele estava bem”, acrescenta.
“A assistente que está com Wilder me escreveu. Mandei mensagens, mas quase não me respondem.”
Wilder com uma assistente
REUTERS via BBC
O INI tem a obrigação de repatriar os imigrantes para os seus países, com o apoio das autoridades nacionais de origem.
Mesmo assim, ela insiste que eles precisam de ajuda para levar seu marido aos Estados Unidos e encontrar trabalho. “Espero que eles o ajudem a passar (a fronteira).”

Fonte: G1 Mundo

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Nova York recebe desfile em homenagem aos trabalhadores essenciais da pandemia


Com muito confete e papel picado, médicos, enfermeiros, policiais, bombeiros e cozinheiros foram recebidos no coração da cidade. É a 1ª vez em 2 anos que uma aglomeração como essa é autorizada. Desfile com papel picado em Nova York celebra trabalhadores essenciais na pandemia, foto de 7 de julho de 2021
Brendan McDermid/Reuters
A cidade de Nova York recebeu nesta quarta-feira (7) um desfile em homenagem aos trabalhadores considerados essenciais durante a pandemia de Covid-19.
Com muito confete e papel picado, médicos, enfermeiros, policiais, bombeiros e cozinheiros foram recebidos no coração da cidade.
Essa foi a primeira vez em mais de dois anos que uma aglomeração como essa acontece em uma das maiores cidades do país.
Eventos que promovem aglomeração estavam proibidos por conta da pandemia, mas com a vacinação acelerada, eles voltaram.
Desfile em homenagem a trabalhadores essenciais em Nova York, EUA, em 7 de julho de 2021
Andrew Kelly/Reuters
Desde o início da pandemia em março de 2019, mais de 33 mil pessoas morreram na cidade de Nova York, que já foi considerada como epicentro da epidemia no país.
Chuva de papel picado
Os grandes desfiles para marcar ocasiões de grande importância fazem parte da história da cidade. O primeiro ocorreu em 1886, por ocasião da inauguração da Estátua da Liberdade.
Enquanto o desfile passava pelo distrito financeiro de Wall Street, os corretores da bolsa jogavam pedaços de papel das janelas nas quais estavam inscritos os preços das ações.
Foi uma espécie de chuva de confete que desde então se tornou tradição nos desfiles subsequentes para homenagear chefes de Estado e de governo, dignitários religiosos, líderes militares, atletas e celebridades.
Reportagem em atualização.

Fonte: G1 Mundo

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Presidentes mantêm o Haiti sob o signo de miséria, violência armada e instabilidade política


Assassinato de Jovenal Moise é mais um episódio trágico no país mais pobre do continente. Manifestantes em protesto nas ruas de Porto Principe, no Haiti, em dezembro de 2020
Valerie Baeriswyl/AFP
Quem quer que tenha comandado o Haiti nas últimas décadas não foi capaz de romper o tripé de problemas estruturais que sustenta o país mais pobre do continente americano: miséria-violência armada-instabilidade. Em 35 anos, a nação caribenha teve 20 presidentes oriundos das mais variadas dimensões políticas, incluindo alguns generais, um ex-padre, um músico e o mais recente, o empresário Jovenel Moise — assassinado nesta terça-feira (7).
VÍDEO: presidente do Haiti é assassinado em ataque em casa
Ironicamente, o Haiti foi o primeiro país caribenho a abolir a escravidão e pioneiro a tornar-se independente, em 1804. A história, contudo, imprimiu-lhe uma marca distante dos preceitos democráticos, com regimes autoritários e intervenções estrangeiras.
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De 1957 a 1986, o país enfrentou uma ditadura sangrenta e dinástica controlada pelos Duvalier. A deposição de “Baby Doc”, que fugiu para o exílio em Paris, não garantiu a estabilidade esperada ao país.
O Haiti seguiu a trilha de sucessivos golpes de Estado, em que ascenderam e foram derrubados os generais Henry Namphy e Prosper Avril, até o início da década de 1990. O primeiro presidente eleito, Jean Bertrand Aristide, conhecido como “o ex-padre dos pobres”, foi deposto em 1991, mas retornou ao poder, sustentado pelos EUA.
Em 2004, em novo mandato, Aristide fugiu novamente, renunciando após mais uma revolta armada. A sina da violência, alternada com pobreza e corrupção, permeou todos os governos — legitimados ou não.
A epidemia de cólera, em 2011, seguida de um terremoto devastador, no ano seguinte, com 200 mil haitianos mortos, puseram o país sob os holofotes da comunidade internacional. O Haiti passou a ser conhecido como “a república das ONGs”, pela quantidade de ajuda humanitária deslocada para o país.
A realidade reflete mais de seis milhões de pessoas — cerca de 40% da população — vivendo abaixo da linha da pobreza, entre as quais 2,5 milhões em pobreza extrema, com US$ 1,23 por dia. Entre desvalorização da moeda e inflação galopante, ainsegurança alimentar no país só se agrava, segundo relatórios divulgados por agências da ONU.
Na gestão de Moise, áreas aparentemente pacificadas, como Cité Soleil, em Porto Príncipe, voltaram a ser foco de violência entre gangues armadas. Um informe recente das Nações Unidas relata o Haiti dividido em cartéis de gangues armadas que semeiam terror e disputam territórios. Nesta rota de episódios trágicos, portanto, não causa surpresa o brutal assassinato de seu presidente.
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Fonte: G1 Mundo

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Donald Trump diz que irá processar Facebook, Twitter e Google


Presidentes-executivos das empresas, Mark Zuckerberg, Jack Dorsey e Sundar Pichai, também seriam alvos de ação. Perfil do ex-presidente dos EUA sofreu restrições das plataformas no início de 2021. Donald Trump, gesticula enquanto Melania Trump deixam a Casa Branca em Washington, EUA, em 20 de janeiro de 2021
Leah Millis/Reuters
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump disse nesta quarta-feira (7) que irá processar Facebook, Twitter e Google acusando as gigantes da tecnologia de “censurá-lo”.
A ação de classe, da qual Trump será representante, também terá como alvo os chefes das empresas, respectivamente: Mark Zuckerberg, Jack Dorsey e Sundar Pichai (Alphabet, dona do Google), afirmou Trump, em coletiva de imprensa.
Trump teve seus perfis bloqueados em diversas plataformas on-line em janeiro, após a invasão do Congresso americano por seus apoiadores em meio a apuração das eleições americanas.
O Twitter retirou permanentemente a conta do ex-presidente do ar dois dias depois do incidente, citando preocupações com “incitação à violência”.
A página pessoal de Trump no Twitter tinha quase 89 milhões de seguidores e era o principal meio de comunicação dele com o público.
O Facebook inicialmente o restringiu de fazer novos posts em suas páginas da rede social e do Instagram, que também pertence à Zuckerberg. Em junho, a empresa anunciou que a suspensão de seus perfis seriam mantida até janeiro de 2023.
A decisão foi tomada em resposta ao Comitê de Supervisão da rede social, que, em maio, pediu uma decisão definitiva sobre o caso.
O canal de Trump no YouTube, plataforma que pertence ao Google, está impedido de enviar novos vídeos. O ex-presidente, no entanto, não anunciou processo contra a companhia ou seus líderes.
Facebook, Instagram, YouTube: Trump é bloqueado pelas redes sociais

Fonte: G1 Mundo

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Sobe para 46 o número de mortos em desabamento na Flórida


Desastre em Surfside, na região de Miami, deixou até o momento 46 mortos e 94 desaparecidos. Ao menos dez corpos foram descobertos desde a última atualização das autoridades. Equipes fazem buscas nos escombros do prédio que desabou na região de Miami no fim de junho, foto de 5 de julho de 2021
Lynne Sladky/AP
Subiu para 46 o número e mortos no desabamento de um prédio em Surfside, na região de Miami, informaram as autoridades locais nesta quarta-feira (7). São dez vítimas a mais desde a última atualização.
Ao menos 94 pessoas ainda seguem desaparecidas e podem estar sob os escombros depois de 14 dias de buscas.
A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine, disse em um pronunciamento emocionado que “o coração de todos bate por aqueles que estão esperando” e pediu por orações às famílias.
“Essa é nossa comunidade, nossos vizinhos e famílias. Os resgatistas estão buscando por seus próprios amigos e familiares”, disse Levine.
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Equipes de resgate vasculham os destroços de prédio que desabou na Flórida em foto de 1º de julho de 2021
Pedro Portal/Miami Herald via AP
No domingo à noite, as autoridades demoliram a parte que ainda restava do prédio residencial que desabou parcialmente há quase duas semanas, por medo de que a tempestade Elsa derrubasse a estrutura.
Risco de queda suspendeu buscas
O receio com o resto do complexo fez com que as buscas fossem interrompidas na quinta-feira (1º), mas elas foram retomadas no mesmo dia.
Nenhum sobrevivente foi retirado dos escombros desde as primeiras horas após o colapso, em 24 de junho.
Não se sabe ainda por que o prédio caiu. Um relatório de 2018 apontava danos estruturais graves no edifício.

Fonte: G1 Mundo

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Decretado estado de emergência no Haiti; novo primeiro-ministro não chegou a ser oficializado, e presidente do Supremo morreu de Covid


Não se sabe ainda quem vai ocupar o cargo de presidente após o assassinato a tiro de Jovenel Moise. Foto da região do palácio presidencial de Porto Príncipe, no Haiti, em 7 de julho de 2021
Valerie Baeriswyl/Reuters
O primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, disse em uma declaração televisionada nesta quarta-feira (7) que ele decretou estado de emergência até que se decida quem vai assumir o poder no país após o assassinato do Jovenel Moise, morto em um ataque a tiros em sua casa, na capital Porto Príncipe.
“Todas as medidas estão sendo tomadas para garantir a continuidade do Estado e para proteger a nação”, disse Joseph, o primeiro-ministro interino.
VÍDEO: presidente do Haiti é assassinado em ataque em casa
Ele disse também que a polícia e o exército controlaram a situação no local do tiroteio.
Ainda não é claro quem vai ocupar o cargo de presidente.
Moise, o presidente assassinado, tinha dito que iria nomear um novo-primeiro ministro nesta semana, mas ainda não houve a publicação oficial do nome .
Pela Constituição do país, haveria um outro candidato ao cargo: o presidente da Suprema Corte do país. No entanto, o último morreu de Covid-19 no mês passado e ainda não foi substituído.
O primeiro-ministro interino pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) um encontro do Conselho de Segurança sobre a situação no Haiti assim que possível.
Joseph também pediu para que a “comunidade internacional inicie uma investigação sobre o assassinato”.
Crise política
Moise dissolveu o Parlamento e governava por decreto há mais de um ano, após o país não conseguir realizar eleições legislativas, e queria promover uma polêmica reforma constitucional.
A oposição o acusava de tentar aumentar seu poder, inclusive com um decreto que limitava os poderes de um tribunal que fiscaliza contratos governamentais e outro que criava uma agência de inteligência que respondia apenas ao presidente.
Ele dizia que ficaria no cargo até 7 de fevereiro de 2022, em uma interpretação da Constituição rejeitada pela oposição. Para eles, o mandato do presidente havia terminado em 7 de fevereiro deste ano.
Em fevereiro, autoridades do país disseram ter frustrado uma “tentativa de golpe” de Estado contra o presidente, que também seria alvo de um atentado malsucedido.
Mais de 20 pessoas foram presas na ocasião, inclusive um juiz federal do Tribunal de Cassação e a inspetora-geral da Polícia Nacional.
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Fonte: G1 Mundo