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França: Comerciante que aceitar cliente sem vacina anticovid ou teste negativo pode levar multa de R$ 270 mil


Além dos clientes a partir de 12 anos de idade, todos os empregados de estabelecimentos comerciais estão sujeitos à obrigatoriedade do passaporte sanitário e terão que apresentar o comprovante. O projeto de lei prevê a possibilidade de demitir um funcionário que não respeitar a norma. Segurança confere passaporte sanitário de cliente em entrada de casa noturna em Saint-Jean-de-Monts, na França, em 10 de julho
Sebastien Salom-Gomis/AFP
A apresentação de um “passaporte sanitário” provando ter sido vacinado ou testado negativo para a Covid-19 será obrigatória na França para acesso a shoppings, teatros, cinemas e transportes.
Apesar da resistência de uma pequena parte da população, a medida levou milhares de pessoas a se vacinar para poder circular livremente no país. Já os comerciantes terão que se adaptar para fiscalizar a entrada dos clientes em seus estabelecimentos. Quem aceitar consumidores sem o comprovante vai pagar caro.
Os comerciantes ou organizadores de eventos que forem flagrados desrespeitando a exigência do passaporte sanitário para seus clientes estarão sujeitos a uma multa de até € 45 mil (mais de R$ 270 mil), além de um ano de prisão.
Além dos clientes a partir de 12 anos de idade, todos os empregados de estabelecimentos comerciais estão sujeitos à obrigatoriedade do passaporte sanitário e terão que apresentar o comprovante. O projeto de lei prevê a possibilidade de demitir um funcionário que não respeitar a norma.
A regra faz parte das anúncios feitos pelo presidente francês Emmanuel Macron na terça-feira (12). O chefe de Estado informou que a partir da próxima semana o passaporte sanitário será necessário para entrar em cinemas, teatros e locais que acolham mais de 50 pessoas.
Já a partir de agosto, o documento, que prova que seu portador foi vacinado ou que fez recentemente um teste de Covid-19 com resultado negativo, será obrigatório em cafés, restaurantes, shoppings, trens e ônibus que fazem trajetos de longa distância.
Diante da chegada das férias de verão e o medo de não ter acesso aos meios de transporte, mas também ao comércio, os anúncios de Macron provocaram uma corrida pelas vacinas. Em apenas algumas horas, após o pronunciamento do presidente, mais de um milhão de pessoas marcaram um horário para serem imunizadas.
Protestos populares e da oposição
No entanto, a oposição tem se exprimido contra as regras anunciadas pelo presidente. O presidente do partido de centro direita UDI, Jean-Christophe Lagarde, disse que a multa de € 45 mil é uma medida “muito excessiva”.
Já o secretário-geral do Partido Socialista, Olivier Faure, pediu que as restrições sejam “corrigidas”. Os líderes da extrema direita e da esquerda radical afirmam que a exigência do passaporte sanitário representa um perigo para as liberdades individuais.
Mais de 20 mil pessoas foram às ruas esta semana em protesto contra os anúncios de Emmanuel Macron. A questão do respeito das liberdades foi o mote principal dos cortejos, além da denúncia do que os manifestantes chamaram de “ditadura da vacina”, alegando que o passaporte era uma forma de obrigar toda a população a ser imunizada.
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Fonte: G1 Mundo

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O importante papel do ‘escudo de silício’ que protege Taiwan da China


A relevância de Taiwan como produtor mundial de microchips fará a China pensar duas vezes antes de usar a força contra o país, o território insular que Pequim considera uma província rebelde. Taiwan tem acesso à mais avançada tecnologia militar dos Estados Unidos
Getty Images via BBC
A pequena ilha de Taiwan, que não chega ao tamanho de Cuba, vive olhando para seu eterno inimigo.
A apenas 180 quilômetros de distância de suas fronteiras fica a República Popular da China, com quem compartilha a mesma língua e os mesmos ancestrais, mas que tem um regime político diferente.
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De um lado do estreito, Pequim lidera um país comunista de 1,3 bilhão de habitantes sob o comando de um partido único.
Do outro, Taipei administra uma república democrática de 23 milhões de habitantes.
A disputa que ambos os países travam desde 1949 privou Taiwan de acesso a organizações internacionais e confere a ele um status indefinido e reconhecimento internacional limitado.
Na verdade, apenas 15 países no mundo reconhecem o território como um estado soberano, enquanto a China reivindica a ilha como parte de seu domínio e a considera uma província rebelde.
Em 2005, o Partido Comunista chinês aprovou uma lei antissecessão que prevê seu direito de recorrer a “medidas não pacíficas” contra Taiwan se a ilha tentar se separar da China continental.
Desde então, se Taiwan declarasse independência, poderia ser alvo de um ataque militar.
Após anos de hostilidade e tensão, contudo, a ilha encontrou uma estratégia que contribui para sua sobrevivência nacional neste conflito assimétrico: o chamado “escudo de silício”, que tem usado para afastar o fantasma de uma invasão chinesa.
Trata-se de uma “arma” que ninguém consegue replicar a médio ou longo prazo dado o seu nível de complexidade. É a indústria de chips semicondutores, do qual o silício é matéria-prima e de que dependem desde as fabricantes de aviões de combate até o setor de painéis solares, passando pelo segmento de videogames e instrumentos médicos.
A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, conversou com Craig Addison, o jornalista que cunhou o termo com a publicação de seu livro Silicon Shield: Taiwan’s Protection Against Chinese Attack “(Escudo de Silício: Proteção de Taiwan contra Ataque Chinês”).
Os chips são o ‘cérebro’ de qualquer dispositivo eletrônico
Getty Images via BBC
BBC News Mundo – Como podemos explicar o que é o “escudo de silício”?
Craig Addison – Significa que a posição de Taiwan como líder mundial na fabricação de chips semicondutores avançados atua como um elemento de dissuasão para a ação militar chinesa.
O impacto de uma guerra nesta parte do mundo seria tão grande que a China pagaria um preço muito alto, incluindo graves danos à sua própria economia.
O gigante asiático, como o resto da economia mundial, depende de chips super sofisticados fabricados em Taiwan.
Essas pequenas peças são feitas com semicondutores, ou seja, circuitos integrados feitos geralmente de silício.
BBC News Mundo – Do que isso protege Taiwan?
Addison – O escudo de silício é semelhante ao conceito de MAD (sigla em inglês para “destruição mútua assegurada”) da Guerra Fria, porque qualquer ação militar no estreito de Taiwan seria tão prejudicial para a China quanto para Taiwan e os Estados Unidos.
De modo que, com efeito, evita o início do conflito e protege o pequeno território de um ataque militar ordenado por Pequim.
O custo de tal ação seria tão alto, não apenas para o mundo, mas para a própria China, que o governo de Xi Jinping teria que pensar duas vezes antes de dar a ordem.
BBC News Mundo – Há algum exemplo na história recente do impacto desta proteção?
Addison – O fato de o governo chinês não ter conseguido levar adiante sua intenção declarada de tomar Taiwan à força se necessário mostra que o “escudo de silício” está funcionando.
Se Taiwan não fosse um fornecedor tão importante de tecnologia para o mundo, é possível que a China já tivesse tomado medidas para ocupar o território.
Na crise dos mísseis no estreito de Taiwan em 1996, os Estados Unidos enviaram dois grupos de porta-aviões de guerra para dissuadir exercícios militares chineses em direção a Taiwan, que incluíam o disparo de mísseis.
Este é um exemplo específico dos interesses que existem para que um ataque não aconteça.
BBC News Mundo – Os Estados Unidos estão de qual lado do conflito então?
Addison – A maioria dos especialistas militares concorda que a China não tem capacidade militar para lançar um ataque em grande escala contra Taiwan.
Em seu depoimento perante o Congresso dos Estados Unidos em junho, o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto, disse que um ataque seria “extraordinariamente complicado e caro” para a China.
Ao decidir lançar uma ação militar contra Taiwan, a China também deve considerar se os Estados Unidos vão sair em defesa da ilha.
É difícil acreditar que os Estados Unidos ficariam de braços cruzados e deixariam a China assumir o controle de Taiwan à força.
BBC News Mundo – Por quê?
Addison – Além da enorme perturbação que traria para a cadeia de suprimentos de alta tecnologia global e para a própria economia americana, uma invasão daria à China o controle sobre as fábricas de chips mais avançadas do mundo.
E o gigante asiático se apoderaria das avançadas armas de guerra que Washington vendeu a Taipei ao longo dos anos.
Alguém acredita que os Estados Unidos vão ficar de braços cruzados e deixar que isso aconteça?
BBC News Mundo – Os Estados Unidos mantiveram a mesma política em relação a Taiwan com todos os presidentes?
Addison – Quando o presidente Jimmy Carter estabeleceu unilateralmente relações diplomáticas com Pequim em 1979 e cortou relações oficiais com Taiwan, o Congresso aprovou a Lei de Relações com Taiwan, que autoriza a venda de armas para a ilha.
A política dos EUA em relação a Taiwan continua sendo de “ambiguidade estratégica”, o que significa que não declara publicamente se defenderá ou não Taiwan caso seja atacado. Isso torna mais difícil para a China planejar qualquer estratégia militar.
Em 2001, o presidente George W. Bush disse que faria “o que for necessário” para proteger Taiwan de um ataque chinês. No entanto, a maioria dos demais presidentes americanos não diz nada publicamente, embora suas ações falem mais alto do que palavras.
Como mencionei antes, na crise dos mísseis do estreito de Taiwan em 1996, o presidente Bill Clinton ordenou que dois porta-aviões de guerra monitorassem os exercícios bélicos chineses, enviando uma mensagem contundente a Pequim.
O governo Trump estabeleceu laços militares mais estreitos com Taiwan, incluindo a autorização da venda de armas modernas para Taipei.
E essa política de laços mais estreitos tem continuado sob a gestão do presidente Joe Biden.
No início de junho, uma delegação de senadores americanos chegou a Taiwan em um Boeing C-17 como parte do programa de doação de vacinas contra Covid-19 de Biden.
O pouso de um avião militar gigante dos EUA em um aeroporto de Taiwan foi visto pela China como mais um sinal do apoio de Washington ao pequeno território.
BBC News Mundo – O que a escassez de microchips semicondutores no mercado tem a ver com Taiwan?
Addison – A escassez de semicondutores começou no setor automotivo, porque os fabricantes calcularam mal a rapidez com que a demanda se recuperaria após a pandemia de covid.
Em um primeiro momento, eles cancelaram seus pedidos de chips, e depois perceberam que precisavam entrar no fim da fila para fazer um novo pedido.
Mais tarde, a escassez se estendeu a outros produtos eletrônicos, incluindo laptops e consoles de videogames, que estavam em alta demanda devido aos confinamentos impostos em todo o mundo.
Taiwan, sendo um grande fornecedor de chips para esses produtos, se tornou o gargalo na cadeia de abastecimento global.
BBC News Mundo – Qual foi a resposta do país?
Addison – Em resposta à escassez, a companhia Taiwan Semiconductor Manufacturing Co (TSMC), que fornece um quarto dos chips do mundo, está investindo em uma nova capacidade de produção, mas essa é uma solução de longo prazo.
No curto prazo, adotou uma política de dar prioridade a pedidos “reais” de compradores de chips com necessidades imediatas, em vez de atender clientes que estão “reservando o dobro” para cobrir suas provisões durante a escassez.
BBC News Mundo – Qual é o papel da empresa TSMC neste equilíbrio geopolítico?
Addison – A TSMC tentou ser a Suíça da indústria de chips, ou seja, permanecer neutra, mas essa estratégia chegou ao fim.
A empresa teve que ficar do lado dos Estados Unidos na guerra comercial com a China, aceitando as sanções que Washington impôs à gigante da tecnologia chinesa Huawei Technologies Co.
Na verdade, a TSMC não tinha muita opção porque a maioria de seus clientes (62%, de acordo com seu relatório anual de 2020) são da América do Norte.
Suas vendas são provenientes de empresas como Apple, Nvidia e Qualcomm, e apenas 17% das vendas naquele ano foram para a China (incluindo a Huawei).
Por sua vez, a TSMC também depende de empresas americanas como a Applied Materials, Lam Research e KLA, que fabricam as máquinas para fazer os microchips. Sendo assim, não pode ir contra a vontade dos EUA ou corre o risco de ser proibida de ter acesso a essa tecnologia.
É por isso que dizem que a TSMC é uma empresa taiwanesa com “alma” americana, porque seu fundador (Morris Chang) e a maioria de conselheiros e altos executivos fizeram faculdade lá e tiveram longas carreiras em empresas americanas.
Na verdade, muitos deles são cidadãos americanos.
BBC News Mundo – Há algum país que seja tecnologicamente autossuficiente?
Addison – Nenhum país é autossuficiente em todos os aspectos da tecnologia e, definitivamente, não em semicondutores.
Nas últimas décadas, a indústria de semicondutores se tornou fragmentada e várias etapas da cadeia de suprimentos são realizadas em diferentes locais ao redor do mundo e por diferentes empresas.
O design do chip é feito principalmente nos Estados Unidos, a placa é fabricada em Taiwan e a montagem e os testes do chip são realizados na China ou no Sudeste Asiático.
BBC News Mundo – O que está por trás da decisão da TSMC de construir uma nova fábrica no Arizona (EUA) para fabricar chips para a indústria militar americana?
Addison – O governo dos EUA pressionou a TSMC a investir na construção de uma fábrica de placas no Arizona.
Não foi uma decisão inteiramente impulsionada pela Defesa.
É verdade que o exército americano quer garantir um fornecimento seguro de chips em uma instalação em seu próprio território depois que o “fornecedor confiável” do Departamento de Defesa, a GlobalFoundries, que possui fábricas de placas nos Estados Unidos, ficou para trás na corrida tecnológica.
Portanto, o Departamento de Defesa se beneficiará da decisão da TSMC de construir uma fábrica de placas avançadas no Arizona.
Mas acredito que os principais beneficiários das novas fábricas da TSMC serão os grandes clientes americanos como Apple, Qualcomm e Nvidia.
Agora eles poderão ficar mais tranquilos ​​sabendo que podem obter algumas peças-chave no país e não depender de Taiwan para tudo.
BBC News Mundo – A China está desenvolvendo planos para se tornar uma potência na fabricação de chips. Quanto tempo levará para conseguir se livrar da dependência de Taiwan?
Addison – A China não é o único país que quer se livrar da dependência de Taiwan.
Isso também se aplica aos EUA, Europa e Japão.
Dito isso, a autossuficiência na produção de semicondutores, se isso incluir toda a cadeia de suprimentos, desde o design dos chips até a fabricação de placas, é impossível na prática.
Mesmo que fosse tecnicamente possível, o custo de alcançá-la seria proibitivo para qualquer país.
Isso não se aplica apenas à China, mas também aos Estados Unidos. Portanto, nesse sentido, tudo que se fala sobre autossuficiência da China é ilusório.
O que a China está tentando alcançar em seu chamado impulso de “autossuficiência” é reduzir sua dependência de chips importados, o que significa que quer poder fabricar seus chips em casa.
Mas essas fábricas de placas chinesas ainda terão que depender de tecnologia estrangeira para fazer chips, e essa situação não mudará nas próximas décadas.

Fonte: G1 Mundo

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Fotógrafo morto no Afeganistão: conheça o trabalho de Danish Siddiqui


Danish Siddiqui, da agência Reuters, morreu cobrindo um confronto entre forças de segurança do Afeganistão e combatentes do Talibã. Profissional recebeu o prêmio Pulitzer em 2018. O fotografo Danish Siddiqui posa para uma foto em Cabul, no Afeganistão, em 8 de julho de 2021
Mohammad Ismail/Reuters
Danish Siddiqui, um fotógrafo da Reuters, foi morto nesta sexta-feira (16) cobrindo um confronto entre forças de segurança do Afeganistão e combatentes do Talibã perto de uma passagem de fronteira com o Paquistão, disse um comandante afegão.
Siddiqui fez parte da equipe de fotógrafos da Reuters que venceu o Prêmio Pulitzer de 2018 de Fotografia por documentar a crise dos refugiados rohingya. Veja abaixo algumas fotos de sua carreira:
Fogos de artifício são vistos no céu enquanto participantes levam tochas durante uma procissão de para a celebração do 70º aniversário da fundação da Coreia do Norte em Pyongyang, Coreia do Norte, em 10 de setembro de 2018
Danish Siddiqui/Reuters/Arquivo
VÍDEO: Morre Danish Siddiqui, fotógrafo ganhador do Pulitzer, em conflito no Afeganistão
Alguns lutadores praticam enquanto outros descansam na lama em um centro de luta livre tradicional indiano chamado Akhaara, em Mumbai, em 4 de março de 2014
Danish Siddiqui/Reuters/Arquivo
Um manifestante usando uma máscara de Guy Fawkes agita uma bandeira durante uma marcha do Dia dos Direitos Humanos, organizada pela Frente Civil de Direitos Humanos, em Hong Kong, na China, em 8 de dezembro de 2019
Danish Siddiqui/Reuters/Arquivo
2021 – Pacientes de Covid-19 em Nova Délhi, em 15 de abril de 2021
Danish Siddiqui/Reuters
2021 – Vista aérea de área de cremação em massa em Nova Délhi para as vítimas da Covid em 22 de abril de 2021
Danish Siddiqui/Reuters
2021 – Mulher olha para fora no vilarejo de Pendajam em Koraput, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
Ahmad Shah, um policial afegão de 28 anos, é visto em um veículo blindado da polícia após ser resgatado pelas Forças Especiais Afegãs na província de Kandahar, no Afeganistão, em 13 de julho de 2021
Danish Siddiqui/Reuters/Arquivo
2020 – Nadeem Akhtar, assistente social, mostra no celular uma foto de sua irmã Shabana Ahmed, 52, arquiteta, que morreu vítima do coronavírus (COVID-19). “O que realmente me perturba mais do que o sistema de saúde é o comportamento da sociedade”, disse Akhtar. “O bairro da minha irmã boicotou a família dela. Não houve apoio emocional ou moral, mesmo depois de sua morte. A sociedade falhou conosco”, disse Nadeem, em Nova Délhi, na Índia, em 24 de setembro.
Danish Siddiqui/Reuters
2020 – Um homem faz orações fúnebres a um oficial da Força Policial da Reserva Central (CRPF) que morreu com a doença de coronavírus (COVID-19) em um cemitério em Nova Déli, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2019 – Um naga sadhu, homem santo do Hinduísmo, aguarda a visita de devotos em seu acampamento durante o festival Khumb Mela em Prayagraj (Allahabad), na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2018 – Sobrevivente de ataque de ácido é vista sendo maquiada antes de um desfile de moda para marcar o Dia Internacional da Mulher, em Thane, nos arredores de Mumbai, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2017 – Uma menina refugiada rohingya fica ao lado de sua mãe, que descansa depois de atravessar a fronteira Bangladesh-Mianmar, em Teknaf, Bangladesh
Danish Siddiqui/Reuters
2017 – Roupas são vistas penduradas nas janelas de um prédio residencial em Mumbai, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2017 – Sakeena, de 11 meses de idade, dorme em uma rede à margem de um lago de Mumbai, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2016 – Devotos hindus reverenciam o deus Sol nas águas do Mar Arábico durante o Chhath Puja em Mumbai, na Índia
Danish Siddiqui/Reuters
2015 – Mulher hindu sai da água com o rosto coberto por um véu após tomar um banho santo nas águas do rio Godavari durante o festival Kumbh Mela em Nashik, na Índia. A celebração do Hinduísmo ocorre em diferentes cidades a cada 12 anos
Danish Siddiqui/Reuters
2014 – Uma menina com problemas de audição e de fala posa para foto em um centro de reabilitação para crianças que nasceram com deficiências físicas e mentais em Bhopal, na Índia. O centro só trata famílias que foram afetadas por um vazamento de gás há 30 anos
Danish Siddiqui/Reuters
2014 – Homem leva para a lavagem tapetes usados em casamentos, à beira do Mar da Arábia, em Mumbai, na Índia.
Danish Siddiqui/Reuters

Fonte: G1 Mundo

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Avião desaparece de radar antes de pouso forçado na Sibéria; tripulação e passageiros estão em segurança


Ao menos 19 pessoas estavam a bordo do avião Antonov An-28. Autoridades do serviço local de emergências enviaram helicópteros para o resgate dos viajantes. Avião Antonov An-26 no aeroporto de Elizovo, na Rússia, em foto de novembro de 2020.
Marina Lystseva/AP/Arquivo
Todos os viajantes do Antonov An-28, que desapareceu dos radares russos nesta sexta-feira (16), foram resgatados na Sibéria após um pouso forçado, informou o Ministério de Emergências da Rússia.
Entre tripulação e passageiros, 19 pessoas estavam a bordo. A aeronave foi localizada depois que helicópteros foram enviados para procurá-la.
O avião — operado pela SiLA, uma pequena companhia aérea que oferece voos regionais na Sibéria — desapareceu durante o voo da cidade de Kedrovy para a cidade de Tomsk.
ASSISTA: Boeing 737 faz pouso de emergência no mar do Havaí; pilotos sobrevivem
Avião faz pouso de emergência em estrada dos EUA; veja vídeo
O An-28 é uma pequena aeronave turboélice, projetada durante a época soviética. Operadoras aéreas de pequeno porte da Rússia e de países vizinhos utilizam estes aviões para voos de curta distância.
Segundo o Ministério de Emergências, o avião fez a manobra depois que um de seus dois motores falhou. Não houve relatos de problemas antes do pouso forçado da aeronave.
As autoridades disseram inicialmente que havia 14 passageiros no avião, incluindo três crianças e três membros da tripulação – o número foi atualizado.
Outros incidentes com Antonovs
O incidente ocorre menos de duas semanas depois de um avião similar, um An-26, cair em um penhasco em na península de Kamchatka, no extremo leste do país, matando as 28 pessoas a bordo.
Também foi um Antonov-28 que atingiu uma floresta em Kamchatka em 2012, num acidente que matou 10 pessoas.
Na ocasião, os investigadores disseram que os dois pilotos estavam bêbados no momento do incidente.
Os padrões de segurança da aviação russa melhoraram nos últimos anos, mas acidentes, especialmente os que envolvem aviões antigos em regiões distantes, não são incomuns.
YouTube do G1: Que susto! Aranha GIGANTE cai de teto de avião
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Fonte: G1 Mundo

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Torre Eiffel reabre ao público após ficar 8 meses fechada pela pandemia


Principal cartão-postal da França ainda mantém o uso obrigatório de máscaras e opera com os elevadores na metade da ocupação máxima. Vista da Torre Eiffel da praça do Trocadero, em Paris, em foto de 22 de janeiro de 2021
Gonzalo Fuentes/Reuters/Arquivo
A Torre Eiffel, principal cartão-postal da França, reabriu para o público nesta sexta-feira (16) depois de ficar oito meses fechada por conta da pandemia de Covid-19. Essa foi a primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, que ela ficou tanto tempo sem receber visitas.
A reabertura da atração acompanha o afrouxamento das medidas sanitárias iniciado em junho, que retirou a obrigatoriedade de máscaras ao ar livre e pôs fim ao toque de recolher.
Mas os visitantes da torre ainda precisarão cumprir com algumas regras:
uso obrigatório de máscara para maiores de 11 anos
elevadores operando a 50% da capacidade
a partir de 21 de julho, será obrigatório apresentar um ‘passe sanitário’, que comprova a vacinação completa ou um teste negativo de Covid feito até 48h antes da visita
Contagem regressiva
Por volta das 13h (horário local, 8h em Brasília) uma fila já se formava em frente à atração.
Após uma animada contagem regressiva, os funcionários da torre receberam os primeiros visitantes entre aplausos e ao som de uma fanfarra (veja no vídeo abaixo).
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ASSISTA: Soldado francês pede namorada em casamento antes de desfile na Champs-Élysées
A estimativa é de que a atração possa receber até 13 mil visitantes diariamente – número bastante menor que os 25 mil recebidos antes da pandemia. Ao menos 70 mil ingressos já foram vendidos.
Na quarta-feira (14), antes de abrir, a torre foi palco da tradicional queima de fogos de 14 de julho – Dia da Queda da Bastilha.
Torre Eiffel, em Paris, é iluminada em meio a queima de fogos para o Dia da Queda da Bastilha, em 14 de julho de 2021
Christian Hartmann/Reuters
O feriado de 14 de julho é considerado o mais importante do país, com uma série de atividades militares e cívicas.
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Pela manhã, acontece um pomposo desfile militar na famosa Champs-Elysées – onde os noivos trocaram suas alianças.
Depois, ao pôr do sol, a Torre Eiffel vira o cenário de um show de fogos de artifício sincronizado com um espetáculo de música televisionado para todo o país com ritmos clássicos e hits do momento.

Fonte: G1 Mundo

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Protestos em Cuba: quanto o embargo americano realmente afeta a Ilha?


Embargo econômico americano contra Cuba se baseia em amplo emaranhado jurídico construído ao longo de décadas que inclui seis leis diferentes e diversas regulações que proíbem ou limitam relações comerciais com a ilha. Governo de Cuba atribui quase que a totalidade dos problemas da ilha ao embargo dos EUA, mas especialistas responsabilizam também o sistema político-econômico cubano
Getty Images/Via BBC
O embargo dos Estados Unidos contra Cuba é uma das medidas mais condenadas pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), onde todos os anos, desde 1992, é aprovada uma resolução contra a imposição americana.
ONU pede libertação imediata de presos em protestos em Cuba
A resolução de condenação tem tido apoio quase unânime, e em 2016 chegou a ter 191 votos a favor e nenhum contra, entre os 193 membros. O próprio governo dos EUA se absteve de defender seu embargo.
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As razões para condenar a medida variam bastante, e em muitos casos não representam um gesto de apoio ao governo cubano, mas sim, no caso de muitos países europeus, indicam uma contestação ao fato de que os EUA limitam a possibilidade de empresas de outros países a fazer negócios com a ilha ou de que esse embargo serve como um perigoso precedente de medidas unilaterais coercitivas.
Depois dos protestos de dimensões inéditas ocorridos no domingo (11) em várias cidades cubanas exigindo alimentos, remédios e vacinas, mas também “liberdade” e “fim da ditadura”, o governo de Miguel Díaz-Canel apontou o embargo americano como a raiz dos males que atingem a ilha.
“O que precisamos aqui é que as 243 medidas de bloqueio sejam retiradas e o embargo, suspenso. É a única coisa que Cuba exige”, disse Díaz-Canel em uma transmissão pela televisão e pelo rádio na segunda-feira (12).
Dois dias depois, o governo cubano anunciou a suspensão temporária de restrições alfandegárias a medicamentos e alimentos, na tentativa de apaziguar o descontentamento que os protestos trouxeram ainda mais à tona.
Em 1962, o presidente John F. Kennedy estabeleceu um embargo sobre o comércio com Cuba que excluía remédios e alimentos
Getty Images/Via BBC
Mas o que exatamente é o embargo dos EUA a Cuba e qual é seu verdadeiro impacto?
Muitas normas, um objetivo
O embargo econômico americano contra Cuba se baseia em um amplo emaranhado jurídico construído ao longo de décadas que inclui seis leis diferentes e diversas regulações que proíbem ou limitam relações comerciais com a ilha.
Diversas empresas europeias têm investimentos milionários no setor turístico de Cuba
Getty Images/Via BBC
As primeiras sanções econômicas foram adotadas em 1960 pelo governo do então presidente Dwight Eisenhower em resposta à decisão do governo cubano de estatizar os bens de empresas americanas na ilha, aumentar a taxação de produtos dos EUA e estabelecer relações comerciais com a União Soviética.
Eisenhower reduziu drasticamente a importação de açúcar de Cuba, pôs em marcha um embargo comercial parcial e acabou rompendo as relações diplomáticas com Havana.
Com o fracasso da invasão da Baía dos Porcos e da declaração de Cuba como um Estado socialista por Fidel Castro em 1961, o presidente americano John F. Kennedy estabeleceu no ano seguinte um embargo total ao comércio com Cuba, com exceção de alimentos e remédios.
Essas medidas iniciais foram adotadas com base na Lei de Comércio com o Inimigo, que havia sido aprovada em 1917 durante a Primeira Guerra Mundial, e na Lei de Assistência Exterior, promulgada em 1961, que permite manter o embargo contra Cuba e proíbe que fundos de ajuda internacional dos EUA sejam destinados ao país caribenho.
Escassez e filas aumentaram em Cuba como resultado da pandemia e das recentes reformas econômicas
AFP/Via BBC
Em 1979, a Lei para Administração de Exportações permitiu estabelecer restrições alfandegárias por motivos de segurança nacional.
Após a queda da União Soviética, o Congresso dos EUA aprovou, em 1992, a Lei para a Democracia em Cuba, conhecida como Lei Torricelli, que proibia subsidiárias de empresas americanas em outros países de negociar com Cuba, assim como a viagem de cidadãos dos EUA ao país. Ali tentava-se também limitar a cooperação internacional de outros países com a ilha.
A Lei para a Liberdade e Solidariedade Democrática Cubanas (conhecida como Lei Helms-Burton), de 1996, reforçou o embargo, incluindo restrições a empresas de outros países de negociarem com a ilha.
Essa norma trouxe consigo uma outra mudança importante ao estabelecer as condições necessárias para que o embargo de Cuba fosse suspenso.
Ali ficou estabelecido que, em consulta com o Congresso, o presidente americano poderia suspender algumas medidas quando um governo de transição fosse instalado em Cuba ou poderia eliminar todo o regime de sanções quando a ilha tivesse um governo eleito democraticamente, considerado como o objetivo último das sanções dos EUA contra a ilha.
Nesse processo, porém, caberá ao Congresso a última palavra, a quem cabe aprovar ou não o fim do embargo.
Essa lei também dificultou o acesso da ilha a financiamentos externos ao estabelecer que os EUA usarão sua influência e seu voto em organizações financeiras internacionais para se opor à adesão de Cuba a essas instituições.
Em 2000, a Lei de Sanções Comerciais e Aumento do Comércio representou um certo relaxamento do embargo ao permitir a exportação para Cuba de alimentos, produtos agrícolas e medicamentos.
Além dessas leis, há diversas normas e diversos regulamentos adicionais que conferem ao Poder Executivo dos EUA certa margem de discricionariedade na aplicação do embargo, o que explica como foi possível que durante o governo de Barack Obama houvesse uma grande flexibilização das relações econômicas com Cuba, especialmente em relação a viagens e envio de remessas, e que sob a Presidência de Donald Trump elas acabaram endurecidas mais uma vez.
Historicamente, o governo cubano se refere às sanções econômicas dos EUA como um bloqueio e insiste que a normalização total das relações bilaterais só será possível quando essas medidas forem totalmente suspensas.
Embora as primeiras sanções impostas por Washington tenham respondido à nacionalização dos ativos de empresas americanas em Cuba em 1960, ao longo dos anos, elas se tornaram um meio de pressionar a ilha, negando-lhe acesso ao comércio com a maior economia mundial, bem como às facilidades inerentes ao uso do sistema financeiro dos EUA, cobrando respeito os direitos humanos e o estabelecimento de um governo eleito democraticamente.
A proibição é a norma
Quais atividades econômicas então são afetadas pelo embargo americano a Cuba?
“A regra geral é que tudo o que não seja explicitamente autorizado por uma licença especial ou geral é absolutamente proibido se tiver a ver com Cuba, em termos econômicos e comerciais”, explica Pedro Freyre, professor de Direito e advogado do escritório de advocacia Akerman, em Miami.
“Agora, falando do embargo especificamente: alguém disse que há ‘mais buracos do que queijo’ porque existe toda uma gama de exceções e licenças gerais que autorizam transações com Cuba”, acrescenta Freyre, que assessora empresas americanas e internacionais a ajudá-las a fazer suas operações na ilha sem violarem o embargo.
O especialista lembra que é permitido o envio de ajuda humanitária, assim como a exportação de alimentos, embora neste caso seja obrigatório que o pagamento seja feito no ato, ou seja, que não seja financiado. Ele salienta que a venda de medicamentos também é autorizada, embora não de forma automática, já que existem alguns pré-requisitos.
Freyre esclarece que as proibições existentes para outras atividades comerciais atingem cidadãos, empresas e entidades dos EUA ou que sejam controladas por americanos.
Em relação às medidas americanas que restringem a possibilidade de empresas de outros países fazerem negócios com Cuba, Freyre explica que países da União Europeia e de outros continentes, como o Canadá, desenvolveram com sucesso um arcabouço legal que impede a aplicação extraterritorial das leis americanas.
“A aplicação do bloqueio para além do território americano é colateral. Os EUA não têm jurisdição primária sobre uma empresa não americana. Se você tiver uma empresa inglesa ou francesa operando fora dos EUA, os EUA não têm jurisdição de qualquer tipo sobre essa empresa. Agora, se essa empresa começar a operar nos EUA, usar o sistema bancário ou recursos americanos, aí sim há jurisdição incidindo sobre essa empresa”, afirma.
A questão da aplicação extraterritorial do embargo entrou em vigor nos últimos anos, depois que o governo Donald Trump permitiu a aplicação de um trecho da Lei Helms-Burton que havia sido suspenso. Este estabelece que as empresas que foram confiscadas pelo governo cubano podem processar empresas estrangeiras que operam na ilha em tribunais dos EUA.
“Suponhamos que os ex-proprietários de uma empresa de tabaco que foi confiscada entrem com um processo e ganhem uma ação em um tribunal americano contra uma empresa francesa que agora controla aquele ativo. Mas essa empresa francesa não tem ativos nos EUA, ela tem tudo na Europa. Então, os americanos têm que ir a um tribunal francês e dizer ‘ei, garanta efeito e validade a essa ação que ganhei nos EUA e vamos tomar as propriedades dessa empresa francesa’. Mas a regulamentação da União Europeia proíbe terminantemente essa aceitação por tribunais franceses e, além disso, dá à empresa francesa o direito de apresentar reconvenção (ação contra os autores do pedido) contra os americanos”, explica.
Freyre ressalta que as empresas estrangeiras que desejam fazer negócios com Cuba devem evitar o uso do sistema financeiro americano. “Cuba pode teoricamente comprar todo o combustível que quiser diretamente, por exemplo, da Rússia. Os EUA não interferem nisso, mas essa transação não pode ser em dólares nem pode usar o sistema bancário americano.”
As responsabilidades do embargo
E qual tem sido o impacto do embargo sobre Cuba?
“Os danos acumulados durante quase seis décadas de aplicação dessa medida totalizam US$ 144 bilhões (cerca de R$ 734 bilhões)”, afirmou o governo cubano no documento “Cuba vs. Bloqueio” que apresentou sobre o embargo à Assembleia Geral da ONU em 2020.
As autoridades de Cuba quase sempre atribuem a culpa pelas dificuldades econômicas enfrentadas pela população cubana aos efeitos das sanções americanas, lembrando que elas dificultam o comércio e a obtenção de investimentos e financiamentos.
Os críticos do governo cubano, porém, apontam que a ilha mantém relações comerciais com dezenas de países ao redor do mundo e que recebe sim expressivos investimentos estrangeiros, em setores que têm possibilidade gerar lucro, como o turismo.
Erika Guevara-Rosas, diretora da Anistia Internacional para as Américas, afirma que embora o embargo dos EUA tenha tido um impacto econômico e social na ilha, o argumento de culpar estas sanções pelos problemas cubanos está “ultrapassado”.
“Eles [o governo cubano] geraram uma narrativa como se fosse um bloqueio total e um embargo econômico e financeiro, com todas as implicações que isso tem na vida das pessoas”, diz Guevara-Rosas à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).
Ela lembra que ainda que a ilha mantenha relações estreitas de cooperação e comércio com países europeus, de fato os EUA são o principal exportador de alimentos e medicamentos para Cuba.
A lista dos principais parceiros comerciais da ilha é variada e inclui países como Venezuela, China, Espanha, Canadá, Rússia, México, Holanda, Itália, França, Alemanha e os próprios Estados Unidos, segundo dados de 2019 do Instituto Nacional de Estatísticas e Informações de Cuba.
Guevara-Rosas destaca, por exemplo, que 80% da carne e do frango da ilha vêm dos EUA.
John Kavulich, presidente do Conselho de Comércio e Economia EUA-Cuba, disse à BBC Monitoring que este ano as exportações de alimentos dos EUA para a ilha aumentaram 60% em relação a 2020, e que até agora neste ano somam quase US$ 140 milhões (cerca de R$ 715 milhões), principalmente com a venda de frango.
Kavulich estima que cerca de 8% dos alimentos importados por Cuba vêm dos EUA.
Assim, ao investigarem a fundo as raízes das dificuldades da ilha, alguns analistas como Pedro Freyre olham para além do embargo. “O problema fundamental da economia cubana é que seu sistema é muito ineficiente”, diz ele.
E acrescenta: “o planejamento é centralizado e a propriedade, a titularidade de todos os bens fundamentais de produção, é do Estado. As grandes empresas são do Estado. O setor privado é relativamente pequeno e tem se expandido com muita dificuldade, mas são muito pequenos, são negócios individuais”.
Freyre diz que que quem viaja para Cuba pode perceber o estado avançado de deterioração da infraestrutura local, o que atribui às dificuldades do sistema político-econômico para criar valor e capital.
“E aí então, em meio a toda essa deterioração, você avista um hotel novo de primeira linha. Esse hotel é uma joint-venture de uma agência governamental, geralmente com uma empresa russa, chinesa ou qualquer outra e é como um oásis de capitalização no meio de um oceano de ruínas”, acrescenta.
Freyre afirma que, neste contexto, o embargo impõe um ônus adicional a Cuba e dificulta ainda mais as coisas, mas, em sua avaliação, a raiz de tudo está na ineficiência do sistema.
“Uma Cuba capitalista sob sanções não teria nem remotamente o nível de problemas que tem agora. Teria problemas, mas não o nível de problemas que tem agora.”
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Antes e depois: veja área afetada por inundações na Alemanha


Um temporal histórico atingiu o país. Veja como eram e como ficaram alguns dos locais mais atingidos pela enchente. O número de pessoas que já morreram em decorrência do temporal na Europa chegou a 108. A Alemanha foi o país mais atingido por inundações e deslizamentos de terra.
Foto aérea e imagem de satélite mostram o antes e depois das inundações causadas pela chuva no distrito de Blessem de Erftstadt, na Alemanha, nesta sexta-feira (16)
Rhein-Erft-Kreis via Reuters/Google Earth
Moradores da Bélgica também morreram vítimas do temporal, mas em menor número. Além disso, também há enchentes e danos materiais em outros dois países, Holanda e Luxemburgo.
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Chuvas na Europa: veja vídeos da destruição causada pela água

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Chuvas na Europa: veja FOTOS da destruição causada pela água


Imensa quantidade de água está fazendo rios transbordarem e causarem inundações gigantescas, destruindo cidades e vilas na Alemanha e em outros países. Mais de 100 pessoas morreram. Mais de 100 pessoas morreram e 1,3 mil estão desaparecidas devido às chuvas que têm caído nos últimos dias na Europa e estão fazendo os rios transbordarem e levarem tudo pelo caminho.
A tragédia ocorre principalmente na Alemanha, onde 103 mortes foram confirmadas até o momento e 1,3 mil pessoas estão desaparecidas apenas em um distrito ao sul de Colônia, no oeste do país.
Mas as chuvas têm causado transtornos também na Bélgica, na Holanda, na França, na Suíça e em Luxemburgo, embora em menor intensidade. Há 14 mortes e 4 desaparecidos na Bélgica.
Veja abaixo fotos dos estragos causados pela água:
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VÍDEOS: Veja imagens da destruição causada pelas chuvas na Europa
Chuvas causam inundações gigantescas no distrito de Erftstadt-Blessem, na Alemanha. Foto fornecida pelo governo do distrito de Colônia em 16 de julho de 2021.
Rhein-Erft-Kreis via AP
Foto aérea e imagem de satélite mostram o antes e depois das inundações causadas pela chuva no distrito de Blessem de Erftstadt, na Alemanha, nesta sexta-feira (16)
Rhein-Erft-Kreis via Reuters/Google Earth
Distrito de Blessem, na Alemanha, atingido por temporal, em 16 de julho de 2021
Rhein-Erft-Kreis/AP
Devastação causada pela enchente do rio Ahr, na aldeia Eifel de Schuld, no oeste da Alemanha. Foto tirada com um drone em 15 de julho de 2021.
Christoph Reichwein/DPA via AP
Carro coberto com destroços arrastados pela enchente do rio Nahma em Hagen, na Alemanha, em 15 de julho de 2021. Fortes chuvas transformaram o pequeno rio em uma torrente violenta.
Roberto Pfeil/DPA via AP
Os destroços em um rio em Verviers, na Bélgica
Yves Herman/Reuters

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Por que EUA vão dar até US$ 300 por filho todo mês para 90% das famílias


Pagamentos serão destinados a 39 milhões de famílias, uma mudança radical em país com uma das taxas mais altas de pobreza infantil no mundo desenvolvido. Para estender as mudanças por mais quatro anos, os congressistas precisariam aprovar o Plano de Famílias Americanas, que também inclui investimentos em pré-escola e recrutamento de mais professores
THE BOSTON GLOBE VIA GETTY IMAGES
Os Estados Unidos vão começar a pagar um benefício infantil mensal pela primeira vez — uma mudança radical para o país, que tem uma das mais altas taxas de pobreza infantil do mundo desenvolvido.
Os pagamentos mensais de até US$ 300 (R$ 1.536) por criança devem começar a chegar às contas bancárias dos americanos a partir de 15 de julho, com duração até o final do ano.
Alguns democratas elogiaram a iniciativa, dizendo que uma fonte de renda mensal é mais confiável para as famílias.
Mas os defensores do combate à pobreza, que há anos pressionam por um benefício mensal, esperam que a introdução temporária do programa estabeleça as bases para mudanças mais duradouras.
Então, como exatamente funciona o benefício e que impacto se espera que ele tenha?
Como funciona o crédito mensal?
O crédito fiscal infantil é um benefício tributário oferecido aos contribuintes americanos com dependentes menores de idade. Ele reduz o imposto devido pelo contribuinte, com o objetivo de ajudar os americanos a sustentarem suas famílias.
Esse benefício fiscal foi atualizado como parte do Plano de Resgate Americano, um pacote de ajuda econômica de US$ 1,9 trilhão em resposta à pandemia, consolidado em lei em março.
O projeto de lei aumentou o benefício existente de US$ 2 mil por criança menor de 17 anos para US$ 3 mil para menores de 18 anos e US$ 3,6 mil para menores de seis anos em 2021. Sob o novo modelo, metade do crédito será pago diretamente aos pais, em parcelas mensais de até US$ 300 por filho. As famílias são elegíveis se tiverem uma renda anual de até US$ 150 mil por casal ou US$ 112,5 mil para mães e pais solo.
Uma em cada seis famílias com crianças dos EUA declararam insuficiência de alimentos ao longo da pandemia
EPA
De 15 de julho a 15 de dezembro, os depósitos serão feitos mensalmente em contas registradas no Internal Revenue Service (IRS), a receita federal dos Estados Unidos. Em alguns casos, podem ser emitidos cheques ou cartões de débito.
O crédito restante pode ser requisitado nas declarações de imposto de renda de 2021, embora as famílias possam optar por não sacar os pagamentos mensais e receber tudo de uma vez só.
A Casa Branca diz que cerca de 90% das famílias receberão o benefício automaticamente, embora a elegibilidade e o valor pago dependam da renda.
O que havia de errado com o sistema anterior?
A maioria dos países desenvolvidos, incluindo o Reino Unido, oferece há décadas alguma forma de benefício mensal infantil para compensar os custos de ter filhos.
Mas os Estados Unidos, onde os temores de que os programas de bem-estar social desestimulem o trabalho têm uma longa história política, contam com um crédito fiscal anual para compensar essas despesas.
O benefício foi primeiro aplicado em 1997. E, da forma como foi desenhado, o quanto uma família recebe depende do quanto ela ganha — e, portanto, do quanto deve em impostos — um modelo que os críticos dizem deixar de fora aqueles que mais precisam.
Um pesquisa apontou que cerca de um terço das crianças — que são desproporcionalmente pobres, negras ou hispânicas, em relação à população em geral — não receberam o benefício integral. Cerca de 10% delas eram completamente inelegíveis — a grande maioria porque suas famílias ganhavam menos de US$ 2,5 mil por ano (R$ 12.785).
“Há muitas crianças que não recebem o crédito”, diz Katherine Michelmore, professora de administração pública e assuntos internacionais na Syracuse University, que pesquisou o tema.
Pela regra do novo crédito fiscal temporário para crianças, as famílias mais pobres, com baixa ou sem renda, se qualificarão para o valor total neste ano, mesmo que normalmente não apresentem declarações de impostos.
Benefício será uma mudança radical em país com uma das taxas mais altas de pobreza infantil no mundo desenvolvido
Getty Images via BBC
Que impacto as mudanças podem ter?
De acordo com o Departamento do Tesouro e a Receita americana, os pagamentos mensais atingirão cerca de 88% das crianças nos Estados Unidos.
Apoiadores da esquerda dizem que expandir o benefício e tornar os depósitos mais frequentes poderia reduzir a taxa de pobreza infantil — que era de cerca de 15% antes da pandemia — em mais de 40%, tirando 4 milhões de crianças americanas da pobreza.
Eles apontam para países como o Canadá, onde a introdução de um benefício infantil fez com que a pobreza diminuísse logo nos primeiros anos do programa.
James Sullivan, professor de economia da Universidade de Notre Dame, afirma que as famílias próximas à linha de pobreza podem ver sua renda aumentar em mais de 25% no segundo semestre do ano.
“Essas famílias tendem a gastar recursos adicionais em necessidades como alimentação, habitação (por exemplo, pagar aluguéis atrasados) e roupas”, diz ele, acrescentando que qualquer renda adicional também pode servir para dar entrada em itens de maior valor, como carros, que normalmente podem estar fora de alcance para essas famílias.
Os conservadores americanos que apresentaram suas próprias propostas para um benefício mensal para crianças, como o senador republicano Mitt Romney, descreveram a medida como uma política favorável à família — e uma defesa contra a queda na taxa de natalidade dos Estados Unidos, que atingiu nível recorde.
Em parte, isso ocorre “porque muitos jovens acham que ter e criar filhos é muito caro”, diz Brad Wilcox, pesquisador sênior do Instituto para Estudos da Família, destacando o rápido aumento nas despesas relacionadas aos filhos, como educação.
Joe Biden assina pacote de US$1,9 trilhão em resposta à pandemia nos EUA
É provável que seja estendido?
Os congressistas já expandiram o crédito fiscal infantil no passado.
O presidente Biden deseja estender as mudanças recentes até 2025. Na quinta-feira (15/07), ele as descreveu como “um reflexo da minha crença de que as pessoas que precisam de redução de impostos não são as que estão no topo”.
“São as pessoas do meio e as que estão lutando”, escreveu ele no Twitter.
Outros democratas gostariam de tornar essas mudanças permanentes. Apesar disso, os críticos apontam que a iniciativa deve custar ao governo mais de US$ 110 bilhões (R$ 552 bilhões) este ano.
Os especialistas também alertam que o aumento do consumo pode levar a uma aceleração da inflação.
“Dada a enorme quantidade de estímulo anterior, juntamente com uma economia em reabertura, acredito que uma grande parcela do benefício será destinada para consumo”, diz o professor de economia da Universidade de Cedarville, Jeffrey Haymond.
“Esta pode ser uma medida socialmente válida para ajudar as famílias com as despesas dos filhos, mas ela deveria ter sido associada a reduções nos gastos em outros lugares, já que a economia não precisa atualmente de estímulos adicionais — o que ela precisa é que os trabalhadores voltem ao trabalho.”
Para estender as mudanças por mais quatro anos, os congressistas precisariam aprovar o Plano de Famílias Americanas, que também inclui investimentos em pré-escola e recrutamento de mais professores.
Que benefícios existem em outros países?
Megan Curran, pesquisadora do Centro de Pobreza e Política Social da Universidade de Columbia, diz que o benefício mensal alinha os Estados Unidos às tendências globais.
O Reino Unido, por exemplo, oferece pagamentos mensais de até 84,60 libras (R$ 598) para o primeiro filho e 56 libras (R$ 396) para os que vierem depois, com os benefícios sendo reduzidos gradualmente para rendimentos a partir de 50 mil libras por ano (R$ 353 mil). No Canadá, o subsídio pode chegar a 563,75 dólares canadenses (R$ 2,3 mil) por mês para crianças menores de seis anos e até 475,66 dólares canadenses (R$ 1,9 mil) para menores de 18 anos, mas começa a diminuir para rendimentos a partir de 30 mil dólares canadenses por ano (R$ 121,7 mil).
Outro países distribuem benefícios independentemente da renda, como a Irlanda, onde o benefício mensal é de 140 euros (R$ 845) por criança.
O Brasil tem atualmente três benefícios voltados para famílias com crianças: o Bolsa Família, que tem uma parcela variável por filho; o salário-família, um adicional pago aos trabalhadores com carteira assinada com filhos de até 14 anos; e a dedução por dependentes menores de 16 anos no Imposto de Renda Pessoa Física.
Nos últimos anos, algumas propostas têm sugerido a unificação desses programas para criação de um “Benefício Infantil Universal”, uma vez que as crianças são as maiores vítimas da pobreza no Brasil.
A pesquisadora Megan Curran lembra que os Estados Unidos, que estão sempre no fim da fila quando se trata de políticas de apoio à família, ainda ficam para trás em outros aspectos, como licença-maternidade e oferta de creches.
“O benefício fiscal infantil não é uma bala de prata”, diz ela. “Ele faz muito do trabalho pesado (…). Pode ajudar a atender às necessidades das crianças e amortecer alguns desses custos mensais, mas há muitas outras peças do quebra-cabeça que os EUA precisa resolver.”

Fonte: G1 Mundo