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Justiça manda soltar MC Ryan SP da cadeia, mas impõe medidas cautelares como entrega do passaporte


MC Ryan SP
Divulgação
A Justiça Federal concedeu habeas corpus e determinou a soltura do funkeiro MC Ryan SP, preso preventivamente desde abril na investigação da Operação Narco Fluxo, que apura um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas.
A decisão também beneficia Diogo Santos de Almeida e impõe medidas cautelares, como a proibição de deixar o país sem autorização judicial e a entrega do passaporte (leia mais abaixo).
A decisão foi assinada nesta quarta-feira (13) pela desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). A magistrada estendeu a MC Ryan SP os efeitos de outro habeas corpus já concedido pela 5ª Turma da corte a Henrique “Rato”, investigado no mesmo processo.
Segundo a investigação da Polícia Federal, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de empresas de fachada, contas de passagem, criptomoedas e remessas ao exterior. O inquérito aponta ainda suposta ligação com exploração de apostas ilegais, rifas clandestinas e lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas.
No despacho, a desembargadora afirmou que a prisão preventiva não pode ser mantida sem que haja elementos suficientes sequer para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Federal. A magistrada destacou que, até o momento, nenhum dos investigados foi formalmente denunciado e que a PF pediu mais 90 dias para concluir diligências e perícias.
“É incongruente entender que não há provas para a formação da opinio delicti e manter a prisão preventiva”, escreveu a magistrada ao citar voto anterior da 5ª Turma do TRF-3.
A decisão também afirma que a prisão cautelar não pode ser usada como instrumento para facilitar investigações e que não havia demonstração concreta de que MC Ryan SP pudesse interferir na produção de provas. Segundo o documento, os equipamentos eletrônicos e materiais necessários para a apuração já haviam sido apreendidos pela Polícia Federal.
Os desembargadores ainda apontaram excesso de prazo na investigação. O entendimento foi o de que, mesmo considerando a complexidade do caso, os prazos previstos no Código de Processo Penal para conclusão do inquérito e oferecimento de denúncia não estavam sendo respeitados.
Apesar da soltura, MC Ryan SP terá de cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre elas estão:
Comparecer a todos os atos do processo;
Informar eventual mudança de endereço;
Comparecer mensalmente em juízo;
Não deixar a cidade onde mora por mais de cinco dias sem autorização judicial;
Não sair do país sem autorização da Justiça e entregar o passaporte, caso possua.
‘Narco Fluxo’
A Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano. Na ocasião, a Justiça Federal aceitou o pedido da PF e decretou a prisão preventiva de MC Ryan SP, do funkeiro MC Poze do Rodo, do empresário Raphael Sousa Oliveira — apontado como criador da página Choquei — e de outros investigados.
Segundo a PF, o esquema funcionaria por meio da movimentação de recursos ligados a apostas ilegais, rifas digitais e lavagem de capitais. As investigações apontam o uso de empresas de fachada, “laranjas”, operações com criptoativos e remessas internacionais para ocultar a origem do dinheiro.
No documento judicial, MC Ryan SP é apontado pela Polícia Federal como “beneficiário final” da estrutura investigada. A PF afirma que empresas ligadas ao setor musical e de entretenimento teriam sido usadas para misturar receitas lícitas com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.
A investigação também cita outros nomes apontados como integrantes da estrutura financeira do grupo, entre eles Tiago de Oliveira, Alexandre Paula de Sousa Santos, Rodrigo de Paula Morgado e Henrique Alexandre Barros Viana.
Justiça mantém prisão de funkeiros e influenciadores
A operação
A 5ª Vara da Justiça Federal em Santos, no estado de São Paulo, aceitou em 23 de abril o pedido da Polícia Federal e decretou a prisão preventiva do MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei e de outros investigados por envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.
O pedido foi feito após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder habeas corpus. Com o avanço das investigações e a análise de provas apreendidas, a PF avaliou que há elementos suficientes para a conversão das prisões temporárias em preventivas.
Após a decisão judicial, a esposa de MC Ryan SP, Giovana Roque, foi vista deixando o Centro de Detenção Provisória de Belém, na Zona Leste de São Paulo, aos prantos. O cantor segue detido no local.
🔍A prisão temporária é usada no começo das investigações, quando a polícia ainda está reunindo provas. Ela tem prazo definido, geralmente de 5 ou 30 dias, e pode ser prorrogada em alguns casos. Já a preventiva não tem um prazo fixo. Ela é determinada por um juiz quando há risco, por exemplo, de a pessoa atrapalhar as investigações, fugir ou continuar cometendo crimes.
Os alvos tinham sido presos temporariamente no último dia 15 em uma operação da Polícia Federal. Segundo a investigação, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, “laranjas”, criptomoedas e remessas ao exterior.
A esposa do MC Ryan SP, Giovana Roque, sai aos prantos após saber que seu marido Mc Ryan continuará preso
Edu Araujo/Agnews
No habeas corpus, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou ilegal o decreto de prisão temporária por 30 dias. Segundo ele, a própria Polícia Federal havia solicitado prazo de apenas cinco dias, período que já havia se encerrado.
Contudo, segundo a PF, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública diante da gravidade do caso e do volume de recursos envolvidos.
A PF também apontou risco de continuidade das atividades criminosas, além da possibilidade de interferência nas investigações, com destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados.
Com a decisão judicial, 36 investigados tiveram suas prisões temporárias convertidas em prisões preventivas e 3 em prisões domiciliares. São eles:
Rodrigo de Paula Morgado: prisão preventiva. Apontado como contador e operador-chave;
Ryan Santana dos Santos: prisão preventiva. Conhecido como MC Ryan SP, apontado como líder e beneficiário final;
Tiago de Oliveira: prisão preventiva. Braço-direito e gestor financeiro de Ryan;
Alexandre Paula de Sousa Santos: prisão preventiva. Conhecido como “Belga” ou “Xandex”;
Lucas Felipe Silva Martins: prisão preventiva;
Sydney Wendemacher Junior: prisão preventiva;
Arlindma Gomes dos Santos: prisão preventiva. Vulgo “Nene Gomes”;
Raphael Sousa Oliveira: prisão preventiva. Criador da página “Choquei” e operador de mídia;
Marlon Brendon Coelho Couto da Silva: prisão preventiva;
Diogo Santos de Almeida: prisão preventiva;
Vinicius dos Reis Pitarelli: prisão preventiva;
Rodrigo Inacio de Lima Oliveira: prisão preventiva;
Luis Carlos Custodio: prisão preventiva;
Jose Ricardo dos Santos Junior: prisão preventiva;
Ellyton Rodrigues Feitosa: prisão preventiva;
Caroline Alves dos Santos: prisão preventiva;
Mateus Eduardo Magrini Santana: prisão preventiva;
Henrique Alexandre Barros Viana: prisão preventiva;
Mauro Jube de Assunção: prisão preventiva. Contador;
Chrystian Mateus Dias Ramos: prisão preventiva;
Luis Henrique Matos Maia: prisão preventiva;
Orlando Miguel da Silva: prisão preventiva;
Sun Chunyang: prisão preventiva;
Xizhangpeng Hao: prisão preventiva. Controlador da empresa Golden Cat;
Sergio Wegner de Vargas: prisão preventiva;
Thiago Barros Cabral: prisão preventiva;
Vitor Ferreira da Cruz Junior: prisão preventiva;
Yuri Camargo Francisco: prisão preventiva;
Leticia Feller Pereira: prisão preventiva;
Alex Lima da Fonseca: prisão preventiva;
Jiawei Lin: prisão preventiva;
Thadeu José Chagas Silveira: prisão preventiva;
Renan Costa da Mota: prisão preventiva;
Marcus Vinicius Rodrigues de Assis: prisão preventiva;
Guilherme Ricardo Fuhr: prisão preventiva;
Jonatas Cleiton de Almeida Santos: prisão preventiva;
Fernando de Sousa: prisão domiciliar;
Débora Vitória Paixão Ramos: prisão domiciliar;
Estefany Pereira da Silva: prisão domiciliar.
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Familiares de MC Ryan vão à porta de presídio pedir liberdade para funkeiro após habeas corpus concedido pelo STJ
De bets ilegais a contratos com influenciadores: como funcionava esquema que levou à prisão de MCs Ryan SP e Poze do Rodo, segundo a PF
Em uma rede social, a defesa de MC Ryan SP comentou a solicitação da PF de mais tempo de prisão e disse que “causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido”.
“Se presentes estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno? Espera a defesa que a medida seja indeferida e a decisão do Superior Tribunal de Justiça efetivamente cumprida”, escreveu.
O MC Ryan SP, o MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, dono do perfil ‘Choquei’, das Redes Sociais.
Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais
Em nota, o advogado Felipe Cassimiro, que faz a defesa do MC Ryan SP, disse que a decisão reconhece a “ilegalidade das prisões de MC Ryan, Diogo 305 e dos demais investigados no âmbito da Operação Narco Fluxo” e que “a consequência natural e jurídica desta decisão é a revogação da prisão, medida que decorre diretamente da própria decisão ao ser reconhecido o erro no prazo fixado para a prisão temporária”.
Já o advogado de Poze do Rodo, Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou que o novo pedido feito pela PF não apresenta fatos novos e criticou a condução do caso.
A defesa de Raphael Sousa Oliveira, proprietário da página Choquei, informa que vai recorrer imediatamente ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ao Superior Tribunal de Justiça e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal, para restabelecer a Constituição.
O advogado criminalista Pedro Paulo de Medeiros afirma que a nova decisão repete vícios já apontados pela defesa desde a decretação da prisão temporária, especialmente pela ausência de fundamentação individualizada em relação a Raphael Sousa Oliveira, pois o juiz sequer menciona o nome dele na decisão.
Segundo a defesa, a decisão não apresenta elementos concretos e específicos que justifiquem a imposição da medida extrema em relação ao investigado.
Pedro Paulo de Medeiros sustenta que a decretação da prisão preventiva “mantém a mesma ausência de fundamentos concretos já questionada pela defesa e viola a exigência constitucional e legal de motivação das decisões que restringem a liberdade, sobretudo pela falta de individualização dos motivos atribuídos a Raphael Sousa Oliveira”.
“A defesa também argumenta que a decisão não demonstra, de forma específica, por que a prisão preventiva seria necessária no caso concreto, nem apresenta fundamentos individualizados que autorizem a custódia cautelar. Por isso, questionará imediatamente a decisão nas instâncias superiores”, afirmou o advogado, em nota.
Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo foi resultado de uma investigação que começou muito antes dos mandados de busca e prisão.
Segundo a Polícia Federal, o ponto de partida foi a análise de arquivos armazenados no iCloud, sistema de armazenamento em nuvem da Apple, do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante uma operação anterior, a Narco Bet, que já era derivada da Operação Narco Vela, ambas deflagradas em 2025.
O g1 reuniu o que se sabe sobre o caso até agora.
Como a investigação começou?
O que dizem as defesas?
O que foi apreendido?
Qual era o papel dos influenciadores?
Quem eram os operadores do esquema?
Qual seria o papel de MC Poze do Rodo no esquema?
Qual seria o papel de MC Ryan SP no esquema?
Por que o iCloud foi importante?
De bets ilegais a contratos com influenciadores: como funcionava esquema que levou à prisão de MCs Ryan SP e Poze do Rodo, segundo a PF
O que o iCloud armazena e como ele pode revelar a rotina do usuário
Como a investigação começou?
Da esquerda para direita, MC Ryan SP, Poze do Rodo e Rodrigo Morgado
Reprodução/YouTube e Instagram
A investigação atual nasceu de provas reunidas durante a Operação Narco Bet, de outubro de 2025, instaurada após a Narco Vela, de abril do mesmo ano. As operações apuravam lavagem de dinheiro ligada a apostas, tráfico internacional de drogas, grandes quantias em espécie, transferências bancárias e criptoativos.
Segundo a decisão judicial, o núcleo de inteligência da PF analisou arquivos do iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, identificado como contador e operador financeiro do grupo.
A partir disso, os investigadores encontraram indícios de uma organização criminosa voltada à lavagem de capitais, com agentes responsáveis pela captação, internalização, custódia e redistribuição de dinheiro em espécie.
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Como um backup no iCloud derrubou o esquema que levou à prisão de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo
Por que o iCloud foi importante?
Segundo investigadores, o material armazenado na nuvem permitiu cruzar extratos, comprovantes, conversas, registros societários, contratos, procurações e documentos financeiros.
Na prática, o backup do iCloud virou uma espécie de “mapa” da organização criminosa. Foi a partir dele que a PF conseguiu identificar a relação entre operadores financeiros, empresas de fachada, influenciadores e artistas. Rodrigo depositava grande confiança na segurança digital do iCloud, o que acabou permitindo à Polícia Federal mapear a organização
O próprio Rodrigo de Paula Morgado é apontado pela PF como peça-chave do grupo. Segundo a decisão, ele articulava transferências bancárias, auxiliava na proteção patrimonial de MC Ryan SP e fazia repasses em nome de terceiros, além de prestar serviços de gerenciamento financeiro, ocultação patrimonial e evasão fiscal.
A Justiça autorizou, inclusive, novas apreensões de dados armazenados em nuvem, como iCloud e Google Drive, além de celulares, HDs, notebooks e smartphones, com acesso imediato aos conteúdos durante as buscas.
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Funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo; e influencers Chrys Dias e Raphael Sousa Oliveira foram presos pela PF
Reprodução/Redes sociais
Operação da PF prende Mc Ryan SP e Poze do Rodo
Qual seria o papel de MC Ryan SP no esquema?
Segundo a decisão judicial, Ryan Santana dos Santos, nome de MC Ryan SP, foi identificado como líder e principal beneficiário econômico da engrenagem.
A PF afirma que ele usava empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos de apostas ilegais e rifas digitais.
Ainda segundo a investigação, Ryan teria montado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias para familiares e terceiros, além de usar operadores financeiros para afastar o dinheiro ilícito de sua pessoa física antes de reinseri-lo na economia formal.
Segundo a PF, os recursos eram reinvestidos em imóveis, carros de luxo, joias e outros ativos de alto valor. A Justiça autorizou a apreensão de dinheiro em espécie acima de R$ 10 mil, joias, relógios, carros, motos, embarcações, aeronaves e outros itens de luxo encontrados com os investigados.
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Qual seria o papel de MC Poze do Rodo no esquema?
Segundo a decisão judicial, Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, nome de registro de MC Poze do Rodo, aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação de recursos oriundos de rifas digitais e apostas ilegais.
A investigação aponta que ele integrava a engrenagem financeira da organização ao lado de outros operadores e empresas usadas para captar, fragmentar e redistribuir dinheiro. Uma das empresas ligadas ao funkeiro e incluídas na lista de bloqueios judiciais é a EMPOZE – Editora, Gravadora e Prestação de Serviços Ltda.
Segundo a PF, Poze do Rodo foi preso em casa, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, e pode responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas.
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Colar com imagem de Pablo Escobar e armas foram apreendidos pela PF contra MC Ryan SP e MC Poze do Rodo
Divulgação/PF
Quem eram os operadores do esquema?
A investigação descreve uma estrutura com funções bem definidas.
Tiago de Oliveira é apontado como braço-direito de MC Ryan SP, atuando como procurador e gestor financeiro do artista. Segundo a PF, ele centralizava recursos, redistribuía dinheiro a operadores e participava de negociações imobiliárias em favor do cantor.
Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga ou Xandex, teria feito a ponte entre plataformas de apostas e empresas ligadas a Ryan, recebendo dinheiro de processadoras de pagamento e repassando os valores para o núcleo do grupo. A PF afirma que ele realizava centenas de transferências fracionadas, prática conhecida como “smurfing”.
Outros investigados, como Arlindma Gomes dos Santos, Lucas Felipe Silva Martins e Sydney Wendemacher Junior, aparecem como operadores logísticos, “testas de ferro” e titulares formais de bens ligados ao cantor.
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Como funcionava o esquema?
Segundo a PF, o dinheiro tinha origem em bets ilegais, rifas clandestinas, estelionato digital e tráfico internacional de drogas.
Os recursos eram pulverizados em várias contas bancárias para dificultar o rastreamento. Depois, passavam por operadores financeiros, empresas de fachada, intermediadoras de pagamento e criptomoedas.
A investigação aponta que o grupo usava técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como fracionamento de depósitos, contas de passagem, empresas de fachada, laranjas, holdings, triangulação de receitas, criptoativos e evasão de divisas.
Segundo a Justiça, a organização operava com características de uma instituição financeira clandestina, usando mecanismos próprios de compensação, controle e registro.
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À esquerda, MC Ryan SP, apontado como líder da organização criminosa; à dir., Raphael Sousa Oliveira, dono da ‘Choquei’
Reprodução/ Redes sociais
Qual era o papel dos influenciadores?
A PF afirma que influenciadores e páginas de grande alcance eram usados para divulgar apostas, rifas e melhorar a imagem pública do grupo.
O influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, é apontado na decisão como operador de mídia da organização. Segundo a PF, ele recebia valores diretamente de Ryan, Tiago de Oliveira e José Ricardo dos Santos Junior para divulgar conteúdos favoráveis ao cantor, promover plataformas de apostas e rifas e atuar na mitigação de crises de imagem.
Já a influenciadora Chrys Dias e outros nomes ligados a marketing digital aparecem na investigação como financiadores, divulgadores ou intermediários de valores oriundos de rifas digitais.
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O que foi apreendido?
Durante a operação, a PF apreendeu carros de luxo, relógios, joias, armas, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos.
Um dos itens que mais chamou atenção foi um colar com a imagem de Pablo Escobar dentro do mapa do estado de São Paulo, encontrado na casa de MC Ryan SP.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores até R$ 1,63 bilhão, além do bloqueio de criptomoedas em corretoras como Foxbit, Mercado Bitcoin, Binance e Coinbase.
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O que dizem as defesas?
A defesa de MC Ryan SP afirmou que ainda não teve acesso aos autos, que correm sob sigilo, mas declarou que todas as transações financeiras do cantor são lícitas e possuem origem comprovada.
Já a defesa de MC Poze do Rodo disse desconhecer o teor do mandado de prisão e afirmou que vai se manifestar na Justiça assim que tiver acesso ao processo.
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Familiares de MC Ryan vão à porta de presídio pedir liberdade para funkeiro após habeas corpus

Fonte: G1 Entretenimento

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Intermediário que vendeu drogas a Matthew Perry é condenado à prisão


‘Rainha da Cetamina’ forneceu 51 frascos da droga a Matthew Perry; entenda
Um intermediário que ajudou a fornecer as drogas que levaram à morte do ator de “Friends” Matthew Perry foi preso na Califórnia nesta quarta-feira (13).
Erik Fleming se tornou a quarta pessoa a ser sentenciada em relação à morte da estrela canadense. Perry foi encontrado morto na banheira de hidromassagem de sua casa em Los Angeles em outubro de 2023.
Fleming, de 56 anos, foi condenado a cumprir dois anos em uma prisão federal, seguidos de mais três anos de liberdade supervisionada, após se declarar culpado de conspirar para distribuir cetamina e de distribuí-la resultando em morte.
“Havia provas contundentes de que o senhor Fleming forneceu as drogas que causaram a morte do senhor Perry”, declarou ao tribunal em Los Angeles o promotor federal adjunto Ian Yaniello.
No mês passado, Jasveen Sangha, uma mulher britânica-americana apelidada de “Rainha da Cetamina”, foi condenada a 15 anos de prisão pela morte do ator.
Sangha trabalhou com Fleming para vender 51 frascos de cetamina a Kenneth Iwamasa, assistente pessoal de Perry.
Matthew Perry morreu em 2023
Fantástico
Iwamasa administrou a substância ao ator em várias ocasiões, incluindo em 28 de outubro de 2023, quando injetou pelo menos três doses da cetamina fornecida por Sangha, o que provocou sua morte.
O assistente deve receber sua sentença ainda este mês. Dois médicos também já foram condenados.
Perry, de 54 anos, lutou abertamente durante décadas contra seus vícios.
O ator vinha tomando cetamina como parte de uma terapia supervisionada para depressão. Mas os promotores afirmam que, no fim de 2023, ele havia se tornado dependente dessa substância.
Matthew Perry, de 54 anos, foi encontrado morto na sua casa em Los Angeles em 2023, depois de anos de luta contra a depressão e a dependência.
Reprodução/BBC

Fonte: G1 Entretenimento

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Hamilton de Holanda ecoa influências de piseiro, fado, Djavan e Black Rio no álbum ‘Nova’, feito com o trio do músico


Hamilton de Holanda lança em 20 de maio o álbum ‘Nova’, gravado em trio pelo bandolinista com os músicos Salomão Soares e Thiago Big Rabello
Nando Chagas / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Um ano após “Live in NYC” (2025), álbum premiado com o Grammy Latino na categoria Melhor álbum de jazz latino / jazz, Hamilton de Holanda Trio apresenta outro álbum em 20 de maio, “Nova”.
Com 14 músicas gravadas em diferentes partes do mundo por Hamilton de Holanda (bandolim de dez cordas), Salomão Soares (teclados e Moog) e Thiago Big Rabello (bateria), o álbum “Nova” nasce com a intenção de oferecer um som sensorial. “Não precisa entender de música para gostar. Vai direto na emoção e, a cada escuta, revela algo novo. É um disco para sentir, descobrir aos poucos e guardar”, conceitua Hamilton de Holanda.
Aberto com a música “Nova alvorada”, o álbum reúne convidados de diversas latitudes em time que inclui a instrumentista britânica Anoushka Shankar (tocadora de sitar, filha de Ravi Shankar), o saxofonista Eduardo Neves, o trompetista e pianista franco-libanês Ibrahim Maalouf, o baixista cearense Michael Pipoquinha e os percussionistas Paulinho da Costa, Pedrito Martinez (músico cubano), Pretinho da Serrinha e Zélia do Prato (sambadeira do Recôncavo Baiano, homenageada na música “Forrozin de Mestra Zélia”), entre outros nomes.
Produzido por Hamilton de Holanda com Marcos Portinari, o álbum “Nova” ecoa influências e referências da música portuguesa (em “Choro fado”), do piseiro e do brega (em “Por essa eu não esperava”), da banda Black Rio (em “Som de baile”), do semba angolano – mote de “Luanda (Unidos)”, faixa gravada pelo Hamilton de Holanda Trio com o cantor africano Paulo Flores, nascido em Angola e criado em Portugal – e do groove de Djavan em “Sina” (1982), inspiração para a criação da música “Nasci”.
Outras músicas do álbum “Nova” são “Até amanhã”, “Sol da noite”, “Mono no Aware” (primeira parceria de Hamilton de Holanda com Salomão Soares), “Frio lá fora”, “Carrossel”, “Pras crianças” e “Presente para sempre”.
O álbum “Nova” chega ao mercado fonográfico em edição da gravadora Sony Music.
Capa do álbum ‘Nova’, de Hamilton de Holanda Trio
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Rafa Kalimann esclarece declarações sobre Nattan e parto: ‘Não fui abandonada’


Rafa Kalimann esclarece declarações sobre Nattan e parto: ‘Não fui abandonada’
Reprodução/Instagram
Rafa Kalimann usou as redes sociais para falar sobre a repercussão do primeiro episódio do documentário “Tempo Para Amar”. Nele, a atriz e influencer fala sobre problemas de saúde mental e sentimento de solidão durante a gestação de Zuza, primeira filha de Rafa com o cantor Nattan.
Ao longo de quatro episódios, o documentário vai mostrar a vida de Rafa com seu companheiro, o cantor Nattan, a gravidez e o nascimento da filha Zuza.
Dentre as principais revelações do primeiro episódio, que estreou no sábado (9), está a insatisfação com o pai da criança, o cantor Nattan.
“Ninguém me abandonou. Nattan não me abandonou. Essa palavra não existiu no documentário. Quem assistiu ao episódio inteiro sabe muito bem disso.”
“O que eu relatei ali foram conflitos reais, muito profundos, conflitos muito íntimos, muito pessoais, com emoções difíceis de entender, como é o caso da solidão, que eu menciono bastante”, afirma Rafa.
O que Rafa Kalimann disse no episódio?
No documentário, o casal expôs uma dificuldade na relação. Ela diz que sentiu o companheiro distante, cumprindo a agenda de shows, e eles procuraram uma profissional para ajudá-los. “Ele começou a fugir de tudo que pudesse trazê-lo para cá (….). E eu só precisava dele”.
Nattan também diz que teve dificuldade em se fazer presente devido à agenda de shows. “Eu andava disperso, fui lançar um DVD, não conseguia vir pra casa”, explica. O cantor também disse que não entendia as necessidades de Rafa.
“Às vezes eu estava em casa, mas ela estava cozinhando e eu estava deitado no sofá. Ela falava: eu quero que você esteja mais perto de mim, eu ainda me sinto sozinha. E eu pensava: meu Deus, como é que ela está se sentindo sozinha se eu estou aqui com ela?”, contou o pai de Zuza.
Ele também conta que encontrou amigos ao fazer um show em Porto Alegre e aproveitou para ir a Gramado com eles.
“Quando eu sei que eu não sou uma escolha pra você, nossa família não é uma escolha, é onde me machuca (…). Eu não quero mais falar o óbvio. Tô no nono mês de gestação e, ao invés de você vir ficar comigo, você foi curtir”, diz Rafa.
“Não queria comercial de margarina”
Ao falar sobre a repercussão do documentário, Rafa declarou nas redes que a “ideia de fazer o documentário era passar essa honestidade mesmo”.
“Eu não queria um documentário comercial de margarina, que eu mostrasse uma coisa utópica, que não existe, que não tem como ser. Eu quis mostrar a realidade como ela é, com conflitos, com fragilidades, com amor, com aprendizados, com imperfeições. E existem dificuldades reais que os casais passam durante a gestação, principalmente na gestação de primeira viagem.”
Rafa Kalimann no documentário ‘Tempo Para Amar’
Reprodução/Globoplay
Veja as principais revelações do documentário de Rafa Kalimann
Outro ponto que Rafa esclareceu nas redes foi o de que teria induzido o parto de Zuza para que Nattan pudesse estar presente e, não, em agenda de shows.
“A Zuza nasceu com 41 semanas e um dia. A gente optou pela indução de parto porque estava chegando a 41 semanas e começa a ser preocupante e arriscado para o bebê. Então, a decisão da indução parte daí, por proteção a Zuza. Mas enfim, assistam o episódio todo e eu vou trazer um outro tema aqui que eu acho que é importante a gente conversar.”
Vídeos em alta no g1
Qual foi a repercussão?
Nattan foi criticado nas redes sociais após a divulgação das falas de Rafa. Ele respondeu às críticas em suas redes com um pedido para que o público veja o documentário inteiro antes de atacá-lo. “Assistam a tudo”, escreveu o cantor nos comentários de um perfil de fofocas.
A mãe de Rafa Kalimann, Genilda Fernandes, se manifestou nas redes sociais sobre o desabafo da filha no documentário. Ela reclamou de como falas feitas na internet, como as de Rafa, acabam “virando combustível para sensacionalismo e julgamentos rasos”.
“Falar mal da vida do próximo não muda a própria realidade de ninguém. Quem vive apontando erros alheios esquece de cuidar da própria caminhada. No fim, caráter, paz e respeito valem muito mais que fofoca e julgamento”, disse a mãe da atriz.
A ex-BBB também tem recebido críticas de internautas, que a acusam de se vitimizar e questionam o fato de ela ter gravado um documentário após afirmar que se afastou das redes sociais para cuidar da saúde mental.
“Eu estava aqui em casa, quieta, e eu tenho que abrir a internet e ler mensagens e insultos muito graves? De ontem para hoje eu li que não merecia estar grávida (…). Eu só espero que minha filha não pense que sou o que criaram de mim na mídia”.
Rafa Kalimann e Nattan no documentário ‘Tempo para Amar’
Reprodução/Globoplay
Em seu depoimento nas redes, Rafa afirmou que ela e Nattan estão passando por uma transformação muito grande.
“A gente lida com emoções que a gente não conhecia enquanto a gente tenta lidar com toda essa responsabilidade pela primeira vez na vida.
“E cada um da sua maneira. O Nathan não teve referência paterna, eu tenho os meus conflitos internos. Nós estamos longe de ser um casal perfeito. Nós somos como qualquer outro casal. Vocês também não são perfeitos, como qualquer outra mãe, como qualquer outro pai. Ninguém nasce sabendo. A gente se constrói no dia-a-dia e tá aí o grande desafio.”
Rafa Kalimann curte ensaio da Timbalada
Divulgação/Timbalada

Fonte: G1 Entretenimento

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Donald Gibb, de ‘O Grande Dragão Branco’, morre aos 71 anos


Morre o ator Donald Gibb, famoso pelo papel de Ray Jackson em ‘O Grande Dragão Branco’.
Divulgação
O ator Donald Gibb morreu aos 71 anos. Ele ficou conhecido por interpretar Frederick “Ogre” Palowaski, de “A Vingança dos Nerds”, além de atuar em “O Grande Dragão Branco”.
O filho de Gibb, Travis, confirmou a morte ao TMZ e disse que o ator morreu em casa, no Texas, cercado pela família, após complicações de saúde.
Nascido em Nova York em 4 de agosto de 1954, Gibb foi criado na Califórnia. Ele frequentou a Universidade do Novo México com uma bolsa de estudos para o basquete antes de se transferir para a Universidade de San Diego, onde jogou futebol americano. Seu talento atlético o levou brevemente à NFL, onde jogou pelo San Diego Chargers, até que um acidente de carro mudou seu rumo para Hollywood.
Em “O Grande Dragão Branco”, de 1988, Gibb interpreta o lutador americano exuberante Ray “Tiny” Jackson. No filme, o personagem funciona como um contraponto levemente cômico ao tenso e introspectivo Frank Dux, de Jean-Claude Van Damme, enquanto ambos participam do Kumite, um torneio clandestino de artes marciais realizado na lendária Cidade Murada de Kowloon, em Hong Kong.
O filme foi um grande sucesso e se tornou um clássico do gênero de artes marciais. Gibb foi o único ator de ‘O Grande Dragão Branco” a reprisar seu personagem na sequência de 1996.

Fonte: G1 Entretenimento

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Demi Moore avalia que lutar contra a IA é batalha perdida


Demi Moore na cerimônia de abertura do 79º festival de Cannes
REUTERS/Gonzalo Fuentes TPX IMAGES OF THE DAY
Demi Moore pediu, antes da cerimônia de abertura do Festival de Cinema de Cannes nesta terça-feira (12), que a indústria cinematográfica encontre maneiras de trabalhar com a inteligência artificial e de se proteger dela, em vez de travar uma batalha perdida contra a nova tecnologia.
“A IA está aqui. Portanto, lutar contra ela é, de certa forma, lutar contra algo que é uma batalha que perderemos. Portanto, encontrar maneiras de trabalhar com ela é um caminho mais valioso a ser seguido”, disse Moore a jornalistas.
Leia também: Festival de Cannes começa mais importante do que nunca para o Oscar e sem filmes brasileiros
A atriz norte-americana, que recebeu sua primeira indicação ao Oscar pelo filme de terror corporal “A Substância” após sua estreia em Cannes, em 2024, retorna ao festival neste ano como um dos nove membros do júri que entregará o prêmio principal da Palma de Ouro em 23 de maio.
“Será que estamos fazendo o suficiente para nos proteger? Não sei”, acrescentou Moore. “Portanto, minha tendência seria dizer que provavelmente não.”
O festival não permite IA generativa na competição, mas a conversa sobre o papel da tecnologia na produção de filmes tem sido um tema dominante no festival, que se posiciona como um guardião do que se qualifica como cinema.
Vídeos em alta no g1
Park Chan-wook, primeiro cineasta coreano a liderar o júri, refletiu sobre como a Coreia tornou-se uma potência do setor cinematográfico desde que ele levou seu thriller “Oldboy” a Cannes em 2004.
“A Coreia não está mais na periferia da indústria cinematográfica global”, disse, por meio de um tradutor.
“A razão por trás disso não é apenas o fato de o filme coreano ter se saído muito bem e ter chegado ao centro do setor. É porque o próprio centro da indústria cinematográfica global se expandiu”, avaliou.
Isso possibilitou que ele fosse nomeado presidente do júri, disse Park, acrescentando que prometeu não ser tendencioso em relação ao filme coreano, “Hope”, de Na Hong-jin.
Comparar os 22 filmes da competição e classificá-los em primeiro, segundo e terceiro lugares pode parecer um ato “sem sentido”, disse o coreano.
“Mas é aí também que está o valor disso, porque é uma oportunidade de contar a todo mundo e pedir que, por favor, assistam a esses filmes.”

Fonte: G1 Entretenimento

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Julie Wein faz feat com Francis Hime e grava Arnaldo Baptista e Benito Di Paula em álbum de voz, piano e canções


Julie Wein canta com Francis Hime a música ‘Trocando em miúdos’ (1977), parceria de Francis com Chico
Isabela Espíndola / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Cantora, compositora, atriz e pianista, Julie Wein une as habilidades como intérprete e instrumentista no ainda inédito álbum “Piano e canções”.
No álbum, gravado com produção e direção musical do baixista Jorge Helder, a artista faz feat com Francis Hime na canção “Trocando em miúdos” (1977), parceria de Francis com Chico Buarque já cantada por Julie no show “Uma canção para Chico Buarque” (2024), dirigido pela atriz Ana Beatriz Nogueira.
Curitibana residente há anos na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Julie Wein regrava músicas como o samba “Rapaz de bem” (1955) – uma das joias do cancioneiro pioneiro do compositor e pianista Johnny Alf (1929 – 2010) – e o samba-canção “Retalhos de cetim” (1973), primeiro sucesso do cantor, compositor e também pianista Benito Di Paula.
Ao selecionar o repertório do álbum “Piano e canções”, Julie priorizou músicas de compositores hábeis nas teclas, casos do maestro Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) e do mutante Arnaldo Baptista, de quem a cantora regrava “Balada do louco” (1972), parceria de Arnaldo com Rita Lee (1947 – 2023).
O álbum “Piano e canções” foi gravado, mixado e masterizado por Lucas Ariel no estúdio da gravadora Biscoito Fino no Rio de Janeiro (RJ). Foi pela gravadora carioca que Julie Wein lançou há seis anos o primeiro álbum, “Infinitos encontros” (2020).

Fonte: G1 Entretenimento

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O dia em que Guimarães Rosa escapou da morte porque saiu para comprar cigarro


Guimarães Rosa durante expedição ao sertão de Minas Gerais, em 1952
Eugênio Silva/Acervo do Museu Casa Guimarães Rosa
Numa madrugada de 1941, Guimarães Rosa acordou com vontade de fumar. Como não havia cigarro em casa, o cônsul-adjunto do Brasil em Hamburgo vestiu um sobretudo por cima do pijama e saiu para comprar um maço.
Em um café da vizinhança, ouviu uma sirene e correu para o abrigo mais próximo. Pela manhã, ao voltar para casa, o prédio onde morava havia sido reduzido a escombros. “Dizem que o cigarro mata. Mas aquele salvou minha vida”, ironizou.
Ainda na Alemanha, outro susto: um ataque aéreo havia destruído, parcialmente, o consulado onde Rosa trabalhava. Como o risco de desabamento era iminente, as autoridades alemãs proibiram a entrada de qualquer funcionário da representação na parte do imóvel que continuava de pé.
Rosa, porém, burlou a segurança, entrou no imóvel e retirou do cofre uma papelada confidencial. Ao sair de lá, o restante do prédio veio abaixo.
“Deus me reservava uma missão. Por isso, salvou-me da morte duas vezes”, segredou Rosa a Vilma, sua primogênita, que registrou a confidência do pai no livro de memórias Relembramentos (1983). “Duas vezes?”, espanta-se o jornalista Leonêncio Nossa, autor do recém-lançado João Guimarães Rosa – Biografia (Nova Fronteira e Topbooks).
“Rosa escapou da morte incontáveis vezes. Uma delas foi em 1958 quando sobreviveu a um infarto, aos 50 anos”.
João Guimarães Rosa – Biografia, de 736 páginas, é o primeiro livro do gênero dedicado ao autor de Grande Sertão: Veredas (1956).
Em 2007, Alaor Barbosa chegou a publicar Sinfonia de Minas Gerais – A Vida e a Literatura de Guimarães Rosa, mas o livro, por uma decisão da Justiça, foi recolhido um ano depois. A família de Rosa alegou que não tinha sido consultada e retirou a biografia de circulação. Desde então, a obra não foi mais relançada.
Leonêncio Nossa dividiu a biografia de Rosa em três partes: o médico (1908-1938), o diplomata rebelde (1938-1951) e o soldado (1951-1967).
A sugestão foi dada pelo próprio biografado em uma entrevista ao jornalista austríaco Günter Lorenz em 1965: “Como médico, conheci o valor místico do sofrimento; como rebelde, o valor da consciência; como soldado, o valor da proximidade da morte”. Há, entre outros anexos, uma linha do tempo e uma árvore genealógica.
Incrível, fantástico, extraordinário
Logo no prólogo, o biógrafo confirma a mais sobrenatural das histórias protagonizadas por Rosa: a de que uma cigana teria profetizado sua morte.
Supersticioso, o escritor adiou por quatro anos, três meses e oito dias sua entrada na Academia Brasileira de Letras. Acreditava que morreria no dia da posse. Eleito em 8 de agosto de 1963, Rosa só vestiu o fardão da ABL no dia 16 de novembro de 1967. Morreu três dias depois, em 19 de novembro de 1967.
A semana que antecedeu a posse na ABL foi de despedida. Rosa pediu a Vilma que, caso a premonição se realizasse, enviasse os originais de Estas Estórias e Ave, Palavra para o editor José Olympio. Em seguida, agendou um encontro com Agnes para depois da escola da neta. “Não se esqueça de mim”, pediu à pequena Maria de Lourdes, a Busi, de cinco anos. Vilma e Agnes eram filhas de Lygia Cabral Penna. Com Aracy Moebius de Carvalho, não teve filhos.
Por último, Rosa combinou um sinal com Austregésilo de Athayde, então presidente da ABL: se, durante o discurso, o imortal levasse a mão à testa, era para ele suspender imediatamente a sessão. “Você sabe, talvez seja bobagem, mas o mau pressentimento não me abandona”, comentou. “Rosa escolheu três acadêmicos para entrar com ele no salão principal. Nenhum tinha afinidade literária com o imortal. O critério de seleção? Os três eram médicos”, relata Nossa.
No dia da posse, já vestido com o fardão, Rosa relutou em sair de casa. “Não vou”, desabafou ao amigo Geraldo França de Lima. “Vou morrer”. No trajeto até a ABL, rezava o terço que a caçula deu de presente. Quando o carro chegou ao número 203 da Presidente Wilson, no Centro do Rio, Rosa, aflito, pediu ao motorista, Ubirajara, para dar voltas no quarteirão. “Para você, não tenho segredos”, voltou a dizer para França de Lima. “Não chego a dezembro”.
Aracy de Carvalho e Guimarães Rosa em Paris, em 1949
Acervo da Família
O discurso de posse de Guimarães Rosa demorou uma hora e 15 minutos. Duas frases entraram para a história: “A gente morre é para provar que viveu” e “As pessoas não morrem, ficam encantadas”. Ao chegar em casa, na Francisco Otaviano, em Copacabana, o mais novo ocupante da cadeira de número 2 soltou um longo suspiro: “Acabou, graças a Deus…”. Em seguida, tomou um copo de água com açúcar e seguiu para o quarto. Não tinha acabado. Ainda.
No domingo, três dias depois de tomar posse, Rosa começou a passar mal. Aos primeiros sintomas de dor no peito, telefonou para a secretária, Maria Augusta. “Estou morrendo”, balbuciou. “Desliga o telefone. Vou chamar o médico”, ordenou ela. “Esquece que sou médico? Sei que estou morrendo”, insistiu ele. Estava mesmo. Quando Aracy e a neta Vera voltaram da missa, encontraram Rosa caído no chão do escritório. Tinha sofrido um infarto.
Pacto com o diabo
Em entrevista a Nossa, a arquiteta Nora Rónai, viúva do tradutor Paulo Rónai e amiga do casal Rosa e Aracy, relata que, dias antes de tomar posse na ABL, o escritor parecia preocupado: acreditava ter feito, em algum momento de sua vida, um pacto com o diabo. O próprio Rosa, em entrevista ao jornalista Ascendino Leite, repórter de O Jornal, admite ter feito, na edição de 26 de maio de 1946, “pactos provisórios com o diabo”.
“Quando li a entrevista, fiquei intrigado. Que diabo é isso de ‘pacto provisório?'”, indaga Gustavo de Castro, doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
“É quando você faz um pacto com o demo para conseguir algo em troca, como um emprego ou uma namorada. Se você consegue o que quer em três meses, paga um boi, uma cabra ou um bezerro. Mas, se morre neste período, sua alma passa a ser dele”.
Professor de Estética da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Castro é autor de outra biografia de Guimarães Rosa, ainda sem título definido. A previsão é que o livro seja publicado no segundo semestre de 2026. Além da biografia, a Companhia das Letras planeja lançar, este mês, um audiobook de Grande Sertão: Veredas narrado pelo ator Caio Blat e, em junho, uma edição comemorativa do romance publicado em 1956.
De tudo que chamou sua atenção em Guimarães Rosa, o biógrafo destaca a polimatia dele. “Era uma espécie de Leonardo da Vinci mineiro”, define. Um dos assuntos que mais interessavam ao biografado era o diabo. Havia, em sua biblioteca, livros e mais livros sobre o cramulhão. “O pacto de Riobaldo com o diabo em Grande Sertão: Veredas é de uma riqueza de detalhes impressionante. Rosa era um profundo conhecedor do tema”, explica Castro.
Sobre um dos maiores clássicos da literatura brasileira, uma curiosidade: Grande Sertão: Veredas, a princípio, seria uma das novelas de Corpo de Baile. No entanto, O Diabo na Rua No Meio do Redemoinho, seu título provisório, cresceu tanto que virou romance. Os dois títulos, a propósito, foram publicados em 1956: primeiro, Corpo de Baile, de novelas; depois, Grande Sertão: Veredas, o primeiro e único romance da carreira de Rosa.
Outra curiosidade de Grande Sertão: Veredas foi contada por Haroldo de Campos. Em 1966, durante um congresso de escritores em Nova York, Rosa confidenciou ao poeta: “Quando me vem o texto, fico nu, rolo no chão, luto com o demo de madrugada no meu escritório e depois, naquele impulso, escrevo”. “Quando ele falava do demo, não era uma metáfora. O horror da página em branco. Era uma coisa presencial, encarnada”, espantou-se Campos.
Pelas veredas do sertão
Rosa durante viagem ao sertão de Minas Gerais, em 1952
Eugênio Silva/Acervo Museu Casa de Guimarães Rosa
Em 1952, Rosa participou de uma expedição de nove dias pelo sertão mineiro. Montado no lombo de uma mula, percorreu 240 quilômetros, de Três Marias a Araçaí. No percurso, fez anotações em seis cadernetas. “Não se pode afirmar que a ideia de escrever Grande Sertão: Veredas tenha surgido nessa viagem”, admite a pesquisadora Mônica Meyer, autora de Ser-Tão Natureza (UFMG).
“Mas, há passagens do livro que reproduzem trechos da viagem: o lugar aprazível onde Riobaldo conhece Otacília, por exemplo, é inspirado na Fazenda Santa Catarina e na Vereda São José”.
Toda quarta, das 18h às 20h, cerca de 60 pessoas se conectam para ler a obra de Guimarães Rosa.
A iniciativa é do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo (USP), que fundou, em 2003, a Oficina de Leitura João Guimarães Rosa.
“Até 2020, os encontros eram presenciais. Mas, depois da pandemia, passaram a ser virtuais”, explica Rosa Haruco Tane, uma das coordenadoras. “Todos os livros do autor já foram lidos. Mas, sem dúvida, os que atraem maior interesse são Sagarana (1946), Corpo de Baile (1956) e Grande Sertão: Veredas (1956)”.
O perigo está no ar
João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, cidadezinha a 115 quilômetros de Belo Horizonte, no dia 27 de junho de 1908.
A casa onde viveu até os nove anos virou museu, em 1974. Estão lá, entre outros objetos pessoais, a máquina de escrever, o espadim da ABL e a coleção de gravatas-borboletas. “Por ano, cerca de 25 mil pessoas visitam o Museu Casa Guimarães Rosa”, calcula o atual coordenador da instituição, Ronaldo Alves. “Desses, 97% são turistas”.
Máquina de escrever de Guimarães Rosa no Museu Casa Guimarães
Rosa Ronaldo Alves
Em 1925, aos 16 anos, Rosa ingressou na Faculdade de Medicina de Minas Gerais, atual Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Formado, transformou a casa em Itaguara em clínica. À noite, saía a cavalo para atender os pacientes. Muitos deles, como forma de pagamento, ofereciam bolos, aves e doces. Do que ele menos gostava? De fazer partos e de tratar a lepra. “Pela minha profunda tristeza de não poder salvar alguns doentes, abandonei a medicina”, confessou.
Como diplomata, Rosa serviu em Hamburgo, de 1938 a 1942. “Mais de uma vez, expressou mal-estar com a discriminação aos judeus”, afirma Georg Otte, vice-diretor da Faculdade de Letras da UFMG, referindo-se ao inédito Diário de Hamburgo. “Não há menção sobre a ajuda aos judeus para escapar da perseguição nazista. Provavelmente, não queria que a ação fosse descoberta”. Rosa trabalhou, ainda, em Bogotá, de 1942 a 1944, e em Paris, de 1948 a 1951.
Rosa conheceu e se apaixonou por Aracy, secretária do consulado brasileiro em Hamburgo, em 1938. Juntos, os dois ajudaram judeus perseguidos pelo nazismo a fugirem para o Brasil. “Certa vez, desenhou uma caricatura de Hitler, enforcado. Mas, cometeu a imprudência de guardá-la no seu escritório”, relata Vilma em Relembramentos. “Aquele desenho, porém, nunca nos chegou às mãos. Papai desconfiava de que algum funcionário-espião o tivesse surrupiado”.
Guimarães Rosa em seu gabinete de trabalho, em 1958
Arquivo Público Minas Gerais
A um passo da insanidade
Foi no Rio de Janeiro que Guimarães Rosa conheceu Heloísa Vilhena de Araújo. Quando ela começou a trabalhar no Itamaraty, em 1963, ele já chefiava a Divisão de Fronteiras do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Certo dia, os dois se encontraram, por obra do acaso, em um restaurante apelidado de “Bife de Zinco”. “Ele gostava de saber o que pensava a nova geração de diplomatas”, conta a autora do livro Guimarães Rosa: Diplomata (1987), hoje com 86 anos.
“Certa vez, ele me perguntou se eu rezava. Não sei exatamente a respeito do que estávamos conversando. Respondi que não. Ele retrucou: ‘Eu rezo sempre. Tenho medo de cair na loucura’. Naquele momento, não entendi. Mais tarde, depois de ter lido e relido sua obra, é que pude vislumbrar o significado daquela informação. Em Grande Sertão: Veredas, Riobaldo também quer rezar o tempo todo. A pergunta dele foi uma revelação”.
No livro, Vilhena reproduz a carta que Rosa escreveu para o então cônsul em Frankfurt, Jorge Kirchhofer Cabral, em 1940. Seria uma carta como outra qualquer não fosse por um detalhe rosiano: todas as 431 palavras, da saudação (“Caro Cônsul Colega Cabral”) ao pós-escrito (“Confirme chegada carta, comunicando-me com cartão”), são iniciadas pela letra C. “Ele tinha uma obsessão quase enciclopédica pela palavra escrita”, afirma Castro.
Em 1985, quando gravou a minissérie Grande Sertão: Veredas, escrita por Walter George Durst e dirigida por Walter Avancini, Bruna Lombardi também tinha, como Guimarães Rosa, medo de ‘cair na loucura’. Para não perder a razão, a intérprete de Diadorim começou a rabiscar as primeiras páginas de um diário. Publicado originalmente em 1986, Diário do Grande Sertão será relançado, revisto e ampliado, pela Editora Autêntica ainda este ano.
“Escrevi o diário in loco, direto das gravações. Foi uma minissérie nômade. Não havia locação. O sertão era a nossa locação. Às vezes, escrevia o diário no lombo de um cavalo. Outras, no meio do mato. Muitas vezes, nem eu mesma entendia o que tinha escrito”, relembra a atriz.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Álbum que fez Maria Bethânia alçar voo nas rádios, ‘Pássaro proibido’ faz 50 anos com a altivez e a imponência de 1976


Maria Bethânia se tornou uma cantora mais popular a partir da gravação de ‘Olhos nos olhos’, canção de Chico Buarque lançada no álbum ‘Pássaro proibido’
Marta Viana / Reprodução da capa do álbum ‘Pássaro proibido’
♫ MEMÓRIA – DISCOS DE 1976
♬ Álbum decisivo na discografia de Maria Bethânia, “Pássaro proibido” chega aos 50 anos com a altivez a imponência intactas.
Lançado em 1976, com produção musical orquestrada por Caetano Veloso com o guitarrista e arranjador baiano Perinho Albuquerque (1946 – 2025), “Pássaro proibido” foi disco determinante na trajetória de Bethânia porque fez a cantora alçar voo nas rádios AM – as emissoras de frequência mais popular – e ampliar o séquito de súditos por conta do estouro da canção “Olhos nos olhos” (1976), presente de Chico Buarque para a intérprete que, desde o início daqueles anos 1970, vinha amplificando músicas do artista, caso de “Rosa dos ventos”, composição de 1970 que deu nome ao emblemático show estreado por Bethânia em 1971.
Analisado em perspectiva, 50 anos após a edição original do álbum pela gravadora Philips em LP de capa dupla, “Pássaro proibido” é disco que deu o pontapé inicial na construção da imagem de Maria Bethânia como grande estrela da MPB.
Projetada nacionalmente em fevereiro de 1965, com a entrada da intérprete no espetáculo “Opinião” (1964) para substituir Nara Leão (1942 – 1989), Bethânia foi instantaneamente carimbada pelo mercado com o rótulo de cantora de protesto pela explosiva interpretação de “Carcará” (João do Vale e José Cândido, 1964). Avessa a cabresto, a movimentos e a rótulos, a cantora se recolheu e, a partir de 1967, começou a marcar presença em cena com espetáculos de moldura teatral.
“Pássaro proibido” foi o primeiro álbum de estúdio de Maria Bethânia em quatro anos. O primeiro desde “Drama – Anjo exterminado”, álbum lançado em 1972 com produção do mesmo Caetano Veloso que ajudou a dar forma a “Pássaro proibido” ao lado de Perinho Albuquerque (produtor nunca reconhecido na medida da importância que teve nos anos 1970).
Até então, Maria Bethânia era cantora prestigiada por shows realizados em teatros da abastada Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro (RJ) e cultuados por público formado em maioria por uma elite cultural. Em bom português, Bethânia tinha status, mas não chegava no povão.
Daí a importância do álbum “Pássaro proibido” na ampliação do canto dramático da intérprete em movimento iniciado, a rigor, no ano anterior com a gravação da canção “Coração ateu” (Sueli Costa, 1975) por Bethânia para a trilha sonora da novela “Gabriela” (TV Globo, 1975).
“Coração ateu” bateu forte com a amplificação nacional obtida através da tela da TV. Contudo, foi a canção “Olhos nos olhos” – em cuja letra Chico Buarque versava sobre a volta por cima de mulher abandonada pelo ser amado, enfoque progressista em época em que as compositoras ainda não tinham muita voz na música brasileira – que fez muita gente admirar a cantora e comprar o álbum “Pássaro proibido” em procura que garantiu a Bethânia o primeiro Disco de Ouro da carreira (Disco de Ouro era o prêmio dado pela indústria fonográfica na época a um artista que vendesse mais de 100 mil cópias de um álbum).
Quem comprou o LP e abriu a capa dupla se deparou com um triângulo com as cores do arco-íris em torno do qual estavam grafado os versos “Perguntar-te-ão como atravessar a vida. Responde: como uma corda esticada sobre um abismo. Belamente. Cuidadosamente. Impetuosamente.”, de poema de autoria desconhecida.
Estava tudo dito ali. Tem sido sobre o abismo que Maria Bethânia, bela e impetuosa, tem atravessado os 60 e poucos anos de carreira com extrema coerência. Sob esse prisma, “Pássaro proibido” se conserva retrato fiel da intérprete.
A fidelidade aos cânones que a artista estabeleceu para si mesma está exemplificada, por exemplo, em duas das quatro regravações do repertório composto por nove músicas. Trata-se do samba-exaltação “A Bahia te espera” (Herivelto Martins e Chianca de Garcia, 1950) e do nostálgico samba-canção “Mãe Maria” (Custódio Mesquita e David Nasser, 1943), duas músicas do repertório de Dalva de Oliveira (1917 – 1972), estrela da era do rádio que influenciou Bethânia pela passionalidade do canto agudo e luminoso.
Ambas ressurgem em “Pássaro proibido” com a suntuosidade orquestral que pautou os arranjos de cordas e metais criados por Perinho Albuquerque para o álbum e tocados por músicos como o baixista Moacyr Albuquerque (1945 – 2000), o pianista Perna Fróes (1944 – 2023), Gilberto Gil ao violão e o próprio Perinho na guitarra.
Detalhe: uma das últimas músicas gravadas por Dalva de Oliveira com o Trio de Ouro antes de a cantora partir em carreira solo, o samba “A Bahia te espera” tem apenas um minuto e 41 segundos na sucinta gravação de Bethânia.
Em contrapartida, a primeira faixa do álbum “Pássaro proibido” – “As ayabás” (1976), parceria de Caetano Veloso com Gilberto Gil – ultrapassa os seis minutos e meio. Bate o tambor na abertura do disco. Em “As ayabás”, Maria Bethânia saúda orixás de energia feminina (como Euá, Iansã e Oxum) ao som dos atabaques percutidos por Mônica Millet – neta da ialorixá Maria Escolástica da Conceição Nazaré (1894 – 1986), conhecida como Mãe Menininha – e Ubaldo.
Música reavivada por Maria Bethânia no ano passado no show dos 60 anos de carreira, “Balada do lado sem luz” foi feita por Gilberto Gil para a cantora gravar no álbum “Pássaro proibido” em registro que se já se insinua épico na introdução. Sem falar que a voz de Maria Bethânia estava tinindo naquele ano de 1976.
‘Voz que atravessa gerações’, diz Shakira ao chamar Maria Bethânia
Intérprete que poucas vezes gravou músicas em outra língua além do português, Bethânia canta em espanhol o sucesso argentino “Pecado” (Armando Pontier, Carlos Bahr e Enrique Francini), composto em 1946 como tango e lançado em 1950 como bolero, na forma com a qual a música foi popularizada. Detalhe: Caetano Veloso também regravaria “Pecado”, 18 anos depois, no álbum “Fina estampa” (1994).
No álbum “Pássaro proibido”, coube a Bethânia popularizar “Festa” (1968), maracatu de Gonzaguinha (1945 – 1991) que tinha sido lançado oito anos antes, sem repercussão, em álbum de Luiz Gonzaga (1912 – 1989).
Da safra de inéditas, a canção “Amor, amor” (1976) resiste ao tempo como uma das mais belas canções de Sueli Costa (1943 – 2023) – compositora recorrente na obra de Bethânia a partir de 1971 – no caso, em parceria com o letrista Cacaso (1944 – 1987).
Grande poeta da MPB, Cacaso escreveu versos do alto quilate de “Quando o amor tem mais perigo / Não é quando ele se arrisca / Nem é quando ele se ausenta / Nem quando eu me desespero / O o amor tem mais perigo / Quando ele é sincero / É quando ele é sincero”, cantados por Bethânia com arranjo lapidar que parece evocar o movimento das ondas de um mar em calmaria, em sintonia com a primeira estrofe da letra.
Vista em foto de Marta Viana na capa idealizada pela própria Bethânia, a artista é creditada como parceira do mano Caetano Veloso na música-título “Pássaro proibido”, alocada no fecho do álbum em gravação feita somente com a voz de Caetano Veloso, a pedido de Bethânia.
Contudo, Bethânia não escreveu a letra da canção, como se supõe. Como a intérprete já explicou em entrevistas, Caetano deu (merecidamente) a parceria a Bethânia porque ele escreveu a letra com base no relato feito pela irmã do sonho com o pássaro que batizou a música e o disco.
Quem canta na faixa é Caetano, mas “Pássaro proibido” parece simbolizar a própria Maria Bethânia, intérprete com poder de voar sobre rótulos, cerceamentos e opiniões rumo a um porto onde se sinta segura e livre.
“Pássaro proibido”, o álbum, completa 50 anos como atestado da coerência dessa intérprete altiva e imponente. Um disco que pavimentou o caminho para que Maria Bethânia ficasse conhecida além do circuito de shows e entrasse definitivamente, a partir da segunda metade dos anos 1970, no panteão das grandes e imortais cantoras da MPB.
Capa do álbum ‘Pássaro proibido’ (1976), de Maria Bethânia
Marta Viana

Fonte: G1 Entretenimento

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Simone Mendes explica ‘defesa das mulheres’ no palco e distanciamento das redes sociais


A cantora Simone Mendes durante gravação do seu novo DVD
Divulgação/Dani Valverde
Simone Mendes tem como um dos seus maiores objetivos inspirar mulheres. A música mais ouvida da cantora atualmente se chama “Direitos Iguais”. Ela aborda um relacionamento que está próximo do fim, mas o homem tem medo de ver a mulher seguir em frente. A canção ocupa a 22ª posição no Top 50 do Spotify Brasil.
Com o boom do feminejo no anos 2010, letras que abordam a igualdade de gênero cresceram exponencialmente e uma das grandes estrelas do segmento é Simone.
Em entrevista ao g1 antes da gravação do seu mais novo DVD, “Minhas Memórias”, ela explicou como vê o papel no discurso de empoderamento feminino e na discussão sobre o papel da mulher na sociedade.
Vídeos em alta no g1
“Eu quero tentar ser melhor a cada dia para as mulheres. Eu gravei uma música que se chama “Mulher Fda” que quando eu canto no meu show as mulheres enlouquecem. E agora eu gravei essa nova música, “Direitos Iguais”, e é sim direitos iguais”, adianta a artista.
A canção citada por ela, “Mulher Foda”, aborda a agressividade de um homem que levanta a voz para uma mulher que não se submete a nenhum tipo de violência.
“Eu quero deixar claro no meu trabalho que nós [mulheres] somos independentes de tudo, fortes, guerreiras, lutadoras, batalhadoras e admiráveis.”
O novo trabalho de Simone será uma homenagem ao sertanejo dos anos 1990 e aos ídolos da cantora. Foram convidados: Luciano, Daniel, Bruno & Marrone e Chitãozinho & Xororó.
A lista tem apenas homens. Antes mesmo do repórter concluir o que significa esse projeto de homenagem ao sertanejo daquela época ter apenas homens como convidados, Simone pede “calma” e sugere que haverá uma continuação, sem confirmar ou detalhar o que seria.
“Sim, nesse projeto [só tem homem]. Mas a gente pensa em fazer alguma coisa depois. Calma, é uma coisinha de cada vez. Agora, eu quero homenagear uma época linda do sertanejo.”
Bruno, Marrone, Daniel, Simone Mendes, Luciano, Chitãozinho e Xororó durante gravação de DVD
Divulgação/Dani Valverde
“Minhas Memórias” não tem data de lançamento confirmada. A cantora quer lançar o projeto no fim do ano. Além de regravações de sucessos dos convidados, Simone também apresentará músicas inéditas.
“São, acho que umas 12 ou 13 regravações e depois umas cinco ou seis inéditas. E eles também cantam coisas inéditas”, explica Simone.
A produção musical do DVD é de Eduardo Pepato, que já trabalhou com os principais do gênero, de Maiara e Maraisa a Gusttavo Lima, passando por Chitãozinho e Xororó e Luan Santana. Em 2019, ele venceu o Grammy Latino pela produção do álbum “Todos os Cantos – Vol 1”, de Marília Mendonça, que levou a categoria de melhor álbum de música sertaneja.
Simone Mendes low profile
Simone Mendes se apresenta no Planeta Atlântida
Nani ArtClub
Uma das maiores artistas brasileiras da sua geração, Simone vivia uma superexposição nas redes sociais. Compartilhava todos os momentos com o marido, Kaká Diniz, e os filhos, Henry, de 11 anos, e Zaya, de 5.
Durante a pandemia, ela gravou uma série de vídeos contando os bastidores da vida pessoal. A série “Vale A Pena Ver Simone” mostrava a casa da cantora, sua relação com o filho Henri a gravidez de Zaya, além da intimidade com Kaká.
A vida de Simone Mendes era um livro aberto e exposto na internet (menos os bastidores do término da dupla com a irmã, Simaria).
A série foi publicada na íntegra no YouTube apenas no ano passado. Mas em 2025, a relação de Simone com as redes já era outra.
“Acho que era uma questão de ter mais tempo também. Na pandemia, estava todo mundo parado e decidi fazer algo nas redes sociais. Criei um canal no YouTube, gravava stories, mostrava muito minha vida. Hoje tenho outras prioridades.”

Fonte: G1 Entretenimento