A banda Black Pantera lança o quinto álbum de estúdio, ‘Continental’, gravado com produção musical de Rafael Ramos
Hugo Brito / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Continental
Artista: Black Pantera
Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2
♬ Agora Black Pantera é uma estrela. Quinto álbum da banda mineira de thrash metal e hardcore punk, “Continental” chega ao mundo nesta sexta-feira, 21 de agosto, com a missão de equilibrar a necessidade de acenar para o mercado – flerte perceptível na adesão aos feats, até então bissextos na discografia do trio – com o peso e o ativismo de um trio (re)conhecido pela militância na luta contra o racismo e a injustiça social.
A grande notícia é que Chaene da Gama (baixo e voz), Charles Gama (voz e guitarra) e Rodrigo Pancho (bateria e percussão) escapam ilesos dessa equação.
Com calibrada produção musical de Rafael Ramos, o álbum “Continental” soa como o sucessor natural do antecessor “Perpétuo” (2024), disco de sonoridade mais melódica que já soara como sequência esperada do álbum anterior “Ascensão” (2022), que, fazendo jus ao título, elevou o status e a popularidade do Black Pantera na cena do rock pesado, fazendo inclusive o grupo intensificar a agenda internacional iniciada em 2016.
Para quem quer o peso do metal hardcore, ele está todo lá, na veloz faixa “Yasuke”, na música-título “Continental” – faixa que abre o disco com fala em que o geógrafo Milton Santos (1926 – 2001) situa a América Latina com um território de resistência à opressão dos colonizadores europeus – e em “Obsoleto”, música de furiosos um minuto e 42 segundos gravada com a adesão do cantor Derrick Green. Derrick é o vocalista gutural da banda mineira Sepultura, referência inevitável para o trio formado em 2014 em Uberaba (MG), como evidencia a gravação de “Negusa nagast”, faixa de sólida base percussiva e guitarra incandescente.
A banda Black Pantera aborda temas como racismo e ancestralidade nas letras das músicas autorais do álbum ‘Continental’
Hugo Brito / Divulgação
Do naipe de feats, a presença de Chico César – artista também (re)conhecido pela militância – se afina com o balanço afro-caribenho de “Banzo”, música que exemplifica a habilidade do Black Pantera para ir além do universo do hardcore metaleiro sem se afastar do universo temático da banda. “Eles não entendem a nossa raiva, eles não conhecem a nossa dor”, bradam Chico e Chaene da Gama na faixa mais surpreendente do álbum “Continental”.
Da mesma forma, a voz de Sandra Sá se harmoniza com a louvação da ancestralidade do povo preto em “Quando canto”. Já a breve intervenção falada de Duquesa em “Serotonina” soa quase decorativa nesta faixa de peso e discurso direto.
Assunto recorrente no discurso ativista do Black Pantera, o racismo cotidiano sofrido pelo povo negro é abordado nos versos de “Hórus” – faixa apresentada em 31 de julho como segunda amostra do álbum “Continental”, sucedendo o single inicial “Start the game”, lançado em 13 de julho. Já “W.P.P.” – sigla para white people problem – escancara e denuncia os privilégios brancos na sociedade racista.
Contudo, “Continental” é álbum sem lamentos em que a banda Black Pantera expõe dores e injustiças de cabeça erguida, pronta para o combate, com a notória altivez. “Punhos cerrados”, aliás, é sintomaticamente o nome da faixa thrash metal que encerra o álbum “Continental” com som, fúria e refrão matador, mostrando que o trio Black Pantera continua atento e forte neste momento de auge.
Seja no dominante peso thrash de músicas como em “Sic mundus”, seja evocando a atmosfera do punk dos anos 1980 em “Velho jeans rasgado”, Chaene da Gama, Charles Gama e Rodrigo Pancho não fogem à luta.
Capa do álbum ‘Continental’, da banda Black Pantera
Arte de Ramon Álvaro (Beeboy)
Fonte: G1 Entretenimento