Dimitri Hérard não compareceu ao depoimento ao Ministério Público na quarta. Jovenel Moise foi assassinado a tiros em sua casa, em Porto Príncipe, na madrugada do dia 7. O presidente assassinado do Haiti, Jovenel Moise, durante uma entrevista em agosto de 2019
Dieu Nalio Chery/Reuters
Dimitri Hérard, chefe da segurança de Jovenel Moise, o presidente assassinado do Haiti, foi detido nesta quinta-feira (15) em meio às investigações sobre os responsáveis pelo crime.
A informação foi revelada pelo jornal americano “The New York Times”, que diz que a informação foi confirmada por pela porta-voz da Polícia Nacional do Haiti, Marie Michelle Verrier.
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O Ministério Público de Porto Príncipe havia convocado os responsáveis pela segurança de Moise para depor. “Se há responsáveis pela segurança do presidente, onde estavam? O que foi feito para evitar este assassinato do presidente?”, indagou Me Bed-Ford Claude após o assassinato.
Mas Hérard não compareceu à promotoria na quarta-feira (14) e o comissário de divisão Jean Laguel Civil, coordenador da segurança do presidente, também não se apresentou na terça-feira (13), segundo a agência de notícias France Presse.
O chefe da segurança presidencial havia sido convocado em função da aparente facilidade com a qual os assassinos mataram Jovenel Moise. Ele também está sendo investigado por Bogotá por suas diversas viagens à Colômbia, onde residem vários dos suspeitos, e a outros lugares da América do Sul.
As autoridades parecem estar avançando nas investigações, e entre os suspeitos que estão foragidos está Joel John Joseph, um ex-senador haitiano.
O vPolícia Nacional do Haiti, Léon Charles, afirmou na noite de quarta que o assassinato de Jovenel Moise foi planejado em Santo Domingo, capital da vizinha República Dominicana.
Reunião do assassinato
Em uma foto que viralizou nas redes sociais haitianas, é possível ver dois suspeitos já detidos pela polícia e o ex-senador Joel John Joseph participando lado a lado em uma reunião.
Segundo o chefe da polícia haitiana, as pessoas na foto estavam planejando o assassinato.
“Estavam reunidos em um hotel de Santo Domingo. Ao redor da mesa estão os autores intelectuais, um grupo de recrutamento técnico e um grupo de arrecadação de fundos”, disse Charles à imprensa.
“Algumas das pessoas na foto já foram detidas. É o caso do médico Christian Emmanuel Sanon e de James Solages. Este último coordenou com a empresa de segurança venezuelana CTU, com sede em Miami”, afirmou o chefe da polícia.
Na imagem também aparece Antonio Emmanuel Intriago Valera, responsável pela CTU, assim como o chefe da empresa Worldwide Capital Lending Group, Walter Veintemilla, empresa alvo de investigação porque teria arrecadado fundos para financiar o assassinato, segundo Charles.
Até o momento, 21 pessoas foram detidas (18 colombianos e três haitianos). Dois dos três haitianos também têm nacionalidade americana. Três colombianos foram mortos pela polícia.
“São ex-soldados das forças especiais da Colômbia. São especialistas, criminosos. Esta foi uma operação bem planejada”, afirmou o diretor-geral da polícia haitiana.
Seis dos detidos por suspeita de estarem por trás do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, em foto desta quinta (8)
Joseph Odelyn/AP Photo
Metralhadoras, celulares e passaportes apreendidos com os suspeitos de assassinar o presidente do Haiti, Jovenel Moise, são mostrados à imprensa em Porto Príncipe em 8 de julho de 2021
Estailove St-Val/Reuters
Esta reportagem está em atualização.
Fonte: G1 Mundo