Saad Hariri foi designado para o cargo no fim do ano passado com a promessa de formar um governo técnico depois que Hassan Diab abandonou o gabinete após a megaexplosão de Beirute. Saad Hariri dá entrevista coletiva após ser nomeado primeiro-ministro do Líbano em 22 de outubro de 2020, cerca de um ano após deixar o mesmo cargo
Mohamed Azakir/Reuters
O primeiro-ministro designado para formar o governo do Líbano, Saad Hariri, disse nesta quinta-feira (15) que decidiu abandonar as negociações após encontro com o presidente libanês, Michel Aoun.
Segundo o político libanês, ele não seria capaz de chegar a um acordo com o presidente Aoun, mergulhando o país ainda mais em uma crise política e econômica.
O Banco Mundial avalia que o Líbano sofre uma depressão econômica das mais duras da história moderna – sua moeda, a libra, perdeu mais de 90% de seu valor em menos de dois anos.
“Está claro que nós não conseguiremos entrar em um acordo com sua excelência, o presidente”, disse Hariri após a reunião. “É por isso que eu me retiro da formação do governo.”
Hariri, que já exerceu o cargo de primeiro-ministro anteriormente, foi eleito pelos deputados do país em outubro de 2020. Na ocasião, ele prometeu formar um governo de especialistas.
Ele havia deixado o cargo em 2019, após ter sido pressionado por intensas manifestações que pediam por uma renovação da classe política.
Dessa vez, ele enfrentava o desafio de formar uma equipe de governo em um país mergulhado na crise econômica, com desvalorização cambia e o aumento nos índices de pobreza.
Ele também precisou lidar com a alta de infecções de Covid-19 e as consequências da megaexplosão no porto de Beirute, em agosto, que causou 200 mortes e deixou um prejuízo de bilhões de dólares.
Hariri, de 50 anos, já foi primeiro-ministro três vezes desde 2009. Esse é um cargo reservado aos muçulmanos xiitas no sistema de poder do Líbano.
Ele era o único candidato ao cargo, e foi apoiado pela maioria dos parlamentares.
O movimento xiita Hezbollah disse que não iria nomear ninguém e nem votar em Hariri, mas facilitaria o processo. Os cristãos também não votaram nele.
Reportagem em atualização.
Fonte: G1 Mundo