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Candidaturas de mulheres atingem 30% do total, mínimo exigido em lei

Brasília

O número de mulheres registradas pelos partidos para as eleições deste ano ficou próximo ao mínimo exigido por lei.

Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que elas representam 30,7% dos pedidos de registro para a disputa aos cargos de deputado estadual e 31,59% para as vagas de deputado federal.

Esses são os primeiros dados divulgados pelo TSE na tarde desta quinta-feira (16) com um primeiro retrato das candidaturas registradas. De acordo com a Corte Eleitoral, as informações ainda podem ser atualizadas.
Urna eletrônica na sede do TSE, em Brasília – Pedro Ladeira/Folhapress

Pela legislação, ao menos 30% dos candidatos devem ser do sexo feminino nas disputas aos cargos proporcionais —deputado federal, deputado estadual e vereador.

De acordo com a projeção do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para este ano, as mulheres representam 51,09% da população brasileira.

Nos registros de cargos para os quais não há exigência mínima de número de mulheres, a presença feminina é ainda menor.

Neste ano, elas representam aproximadamente 15% dos candidatos a presidente, 12% dos postulantes a governador e 18% dos que vão disputar um cargo ao Senado.

Nas eleições de outubro, se for mantido o que se observou em 2014, o número de mulheres eleitas pode ser ainda menor do que essas proporções.

Naquela eleição, as mulheres eram, por exemplo, 31,8% das candidaturas registradas ao cargo de deputado federal. Porém, após desistências e indeferimentos de registros, chegaram ao dia da votação representando 22,6% dos candidatos.

Após a apuração dos votos, as mulheres ficaram com 10% das vagas na Câmara dos Deputados para o mandato iniciado em 2015.

Para as eleições deste ano, há também cota mínima de verba que deve ser destinada às campanhas de mulheres. Os partidos deverão reservar pelo menos 30% do fundo eleitoral para as candidatas, que também terão direito a aparecer nessa mesma proporção de tempo na propaganda de rádio e TV.

A Justiça também entendeu que, no caso de o número de mulheres superar 30% das candidaturas, a distribuição de recursos deverá obedecer à mesma proporção.

Um dos objetivos da medida é combater as chamadas candidaturas fantasmas. Obrigados a registrar número mínimo de mulheres, partidos acabavam lançando candidatas que não recebiam votos nem recursos para a campanha.

A professora de direito da Unb (Universidade de Brasília) e pesquisadora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero Débora Diniz afirma que alterações na legislação são um passo para a ampliação da participação feminina na política, mas não são o suficiente.

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TSE redistribui processos contra candidatura de Lula para ministro Barroso

Dois processos contra a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram redistribuídos ao ministro Luís Roberto Barroso, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na tarde desta sexta-feira (17).

Os processos, apresentados por dois advogados, de forma independente, tinham sido encaminhados para o ministro Admar Gonzaga antes de Barroso ser sorteado relator do pedido de registro da candidatura de Lula.

Na quinta-feira (17), a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, decidiu que o processo de registro de candidatura deveria ser mantido com Barroso.

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Após a decisão de Rosa, a área técnica do TSE redistribuiu a Barroso os processos dos dois advogados que estavam com Gonzaga. As ações são duas notícias de inelegibilidade contestando a candidatura de Lula.

Admar Gonzaga também é relator de outras duas ações contra Lula, apresentadas pelos candidatos a deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) e Alexandre Frota (PSL-SP). Esses processos são impugnações à candidatura de Lula, um tipo diferente de ação eleitoral.

A expectativa é que elas também fiquem sob o comando de Barroso.

Nesta sexta-feira, Admar Gonzaga pediu que a presidente do TSE decida sobre a redistribuição das ações apresentadas por Kim Kataguiri e Alexandre Frota. No despacho, o ministro elogiou a decisão de Rosa Weber de manter o processo de Lula com Barroso.

No total, a candidatura de Lula já recebeu sete ações de contestação após ser registrada no TSE.

Além dos quatro processos que foram distribuídos ao ministro Admar Gonzaga, também a PGR (Procuradoria-Geral da República), o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o partido Novo pediram que a Justiça Eleitoral impeça que Lula seja candidato.

Esses três pedidos foram feitos na ação sob a relatoria de Barroso.
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Dodge critica recursos protelatórios ao TSE na véspera de registro de Lula 21

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, criticou nesta terça-feira (14) a apresentação de “recursos protelatórios” à Justiça Eleitoral por candidatos inelegíveis, com a intenção de adiar a decisão sobre a rejeição de suas candidaturas.

“Recursos protelatórios também não podem ter efeitos suspensivos com o propósito de influenciar o resultado das eleições, sobretudo quando temos um calendário eleitoral tão curto”, disse.

“A lei das inelegibilidades deve ser assegurada para que só os elegíveis concorram e os inelegíveis não financiem suas pretensões com recursos públicos”, afirmou a procuradora.

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Dodge fez a afirmação na cerimônia de posse na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da ministra Rosa Weber, na noite desta terça-feira, um dia antes do prazo final para o pedido de registro de candidaturas.

Nesta quarta-feira (15), o PT pretende entregar ao TSE o pedido de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Condenado em segunda instância na Operação Lava Jato, Lula se enquadra nos critérios da Lei da Ficha Limpa que o impedem de ser candidato. Mas o PT pretende apresentar recursos a diversas instâncias da Justiça para tentar reverter a inelegibilidade do ex-presidente.

Em sua fala, Raquel Dodge disse que a Justiça Eleitoral deve trabalhar para que o eleitor saiba o quanto antes quem são os candidatos de fato autorizados a concorrer.

“É tarefa da Justiça Eleitoral anunciar ao eleitor, o quanto antes e com segurança jurídica, quem são os reais concorrentes, ou seja, os que têm capacidade eleitoral passiva e podem ser votados segundo a lei vigente”, disse Dodge.

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“Precisamos de uma pessoa normal”, diz Bolsonaro sobre futuro presidente 49

O deputado federal e candidato do PSL ao Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro, traçou nesta terça-feira (14) o perfil que considera necessário para o próximo presidente da República, “seja quem for”: ser uma pessoa normal.

Durante as suas considerações finais da sabatina realizada pela TV Record, a primeira com presidenciáveis na emissora, ele entoou o recorrente discurso de que o Brasil precisa de um presidente honesto, que tenha Deus no coração, patriota e “que jogue pesado na questão da insegurança e que redirecione a política dos direitos humanos”.

“Então nós precisamos de uma pessoa normal e que seja honesta, acima de tudo. Isso eu acho que é o básico para termos um presidente que possa bem governar o Brasil e que possa em janeiro do ano que vem nomear notáveis para compor o seu ministério”, declarou Bolsonaro, encerrando a entrevista.

Para o presidenciável, o vencedor das eleições desse ano também precisa agregar valor via tecnologia aos produtos brasileiros, tratar “com carinho e com o devido respeito” os policiais civis e militares e fazer comércio “sem ideologia” com todos os países.

Outro requisito constantemente defendido pelo candidato e repetido nesta terça é a valorização da família –“[alguém] que não tenha vergonha de dizer que nós devemos respeitar e defender nossas criancinhas em sala de aula contra a ideologia de gênero”.

Durante a sabatina, Bolsonaro foi questionado sobre que medidas adotaria para combater o desemprego e resolver a questão dos moradores em situação de rua, e confrontado por declarações consideradas polêmicas ao longo de sua trajetória política.

Além de Bolsonaro, outros oito presidenciáveis devem participar da rodada de sabatinas da Record, em datas definidas por sorteio:

Cabo Daciolo (Patriota) – Quarta-feira (15)
Guilherme Boulos (PSOL) – Quinta-feira (16)
Geraldo Alckmin (PSDB) – Dia 20
Ciro Gomes (PDT) – Dia 21
Henrique Meirelles (MDB) – Dia 22
Candidato do PT – Dia 23
Alvaro Dias (Podemos) – Dia 24
Marina Silva (Rede) – Dia 27

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Rosa pede respeito a regras eleitorais: “TSE cumprirá missão com firmeza” 11

A ministra Rosa Weber tomou posse nesta terça-feira (14) como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para mandato que se encerra em 2020 e abrange a realização das eleições presidenciais de outubro. Rosa é a primeira mulher a comandar o TSE durante eleições gerais –a ministra Cármen Lúcia, que também presidiu a Corte, a liderou durante as eleições municipais de 2012.

Em seu discurso, Rosa pediu respeito às regras eleitorais e disse que a corrupção não pode obscurecer o poder do voto. “A certeza que tenho é de que o TSE cumprirá a sua missão, com firmeza.”

“Tanto mais sólida a nossa democracia quanto maiores os esforços nos sentidos da estabilidade, da segurança, lisura e transparência do processo eleitoral, com respeito às regras estabelecidas”, defendeu ela.

Ao assumir a presidência do TSE, Rosa afirmou ter “três desejos, ou três esperanças, e uma certeza”. “O desejo-esperança de que Brasil saia revigorado dessas eleições de 2018; o desejo-esperança de que as instituições sejam fortalecidas, e o desejo-esperança de que a soberania popular e o exercício consciente da cidadania promovam um verdadeiro avanço civilizatório na construção da sociedade livre, justa e solidária”, disse.

A presidente do TSE citou a corrupção como um dos problemas que não podem atrapalhar a democracia. “Os desvios, as deficiências na educação e na cultura, a desigual distribuição de riqueza, a corrupção de agentes públicos e privados não podem, em absoluto, obscurecer a ideia de um poder que emana do povo e que para o povo e em seu nome será exercido”, afirmou ela.

A ministra substitui no cargo o ministro Luiz Fux, cujo mandato de quatro anos no tribunal eleitoral se encerrou. Assim como Fux, Rosa é um dos 11 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), a quem cabe, num sistema de rodízio, ocupar três das sete cadeiras de ministros titulares do TSE, além de presidir a Corte eleitoral.

Na cerimônia, a ministra leu o breve compromisso de posse. “Declaro aceitar o cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para o qual fui eleita, e prometo bem e fielmente cumprir as obrigações e deveres respectivos em harmonia com a Constituição e as leis da República.”

Em cerimônia realizada na sede do TSE, em Brasília, também tomaram posse como vice-presidente do TSE o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, e como corregedor-geral eleitoral o ministro Jorge Mussi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

No STF, Rosa Weber possui perfil discreto e não costuma dar entrevista. Suas opiniões sobre casos em julgamento costumam ser conhecidas apenas durante as sessões do Tribunal.

Em 2012, a ministra participou do julgamento no Supremo que confirmou a validade da Lei da Ficha Limpa e defendeu com ênfase a legislação que criou obstáculos para políticos condenados na Justiça se lançarem candidatos.

“A Lei da Ficha Limpa foi gestada no ventre moralizante da sociedade brasileira, que está agora a exigir dos poderes instituídos um basta”, disse a ministra naquele julgamento.

Como presidente do TSE, Rosa Weber deverá presidir o julgamento sobre a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Condenado em segunda instância na Operação Lava Jato, Lula se enquadra nos critérios da Ficha Limpa que impedem a candidatura.

Mas o PT pretende apresentar recursos à Justiça para tentar reverter a situação de inelegibilidade do ex-presidente e ter autorizada sua candidatura ao Planalto.

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Temer recua sobre veto a reajuste do orçamento do MEC

Brasília

O presidente Michel Temer recuou da decisão de vetar um trecho da LDO 2019 (Lei de Diretrizes Orçamentárias) que dizia que o orçamento do Ministério da Educação seria reajustado com base na inflação.

Temer sancionou nesta terça-feira (14) a LDO de 2019, texto que serve como base para o Orçamento do ano que vem.

Em entrevista coletiva para tratar da sanção do texto, que teve 17 vetos, o ministro Esteves Colnago (Planejamento) chegou a afirmar que o trecho seria vetado. De acordo com o Palácio do Planalto, o presidente voltou atrás e decidiu manter o reajuste dos recursos para a pasta com base na inflação.

A decisão ocorre num momento em que o governo enfrenta dificuldades para controlar as contas públicas. A equipe econômica estima um deficit fiscal de R$ 139 bilhões para o ano que vem.

A LDO será publicada no Diário Oficial da União de quarta-feira (15).
MEC

“[A LDO] dá uma tranquilidade e um olhar diferente para a educação”, disse o ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, durante encontro de secretários municipais em Olinda (PE).

O MEC travava nos bastidores uma disputa com a área de planejamento para a manutenção de artigo que garantia a manutenção dos gastos da educação para próximo ano, mais a atualização da inflação.

Na visão do MEC, ese artigo incluído no Congresso blinda a educação de possíveis contingenciamentos.

“Ainda temos todo o trabalho de discussão da LOA, a LDO é a primeira etapa”

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Com acelerador de partículas, cientistas do Brasil observam neurônios em 3D

ão Paulo

Um neurônio em três dimensões. Foi o que cientistas brasileiros conseguiram ao unir microtomografia de raio-x feita a partir de um acelerador de partículas com uma técnica já conhecida de marcação de células neuronais.

O resultado do trabalho pode, futuramente, impactar a compreensão da neurodegeneração e doenças como os males de Alzheimer e Parkinson.

A técnica, que parece complexa pode ser resumida de uma forma simples. Trata-se de girar uma amostra do cérebro em frente a um feixe de raios-x. Depois, como em um quebra-cabeças, as 2.048 imagens obtidas são montadas com matemática e computação. Assim forma-se a imagem do cérebro e dos neurônios em 3D.

Uma das principais vantagens do método é sua praticidade. “Conseguimos uma imagem da célula no estado íntegro dela. Ela está ali no órgão, não tivemos que fazer nenhum outro tipo de manipulação”, diz Matheus Fonseca, pesquisador do LNBio (Laboratório Nacional de Biociências, parte do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) e um dos autores do estudo.

Nos procedimentos atuais mais comuns há necessidade de limpeza e fatiamento —sim, literalmente— do cérebro objeto de estudo, segundo Fonseca.

Enquanto isso, na metodologia desenvolvida pelos pesquisadores brasileiros, basta mergulhar o órgão numa solução de mercúrio e obter as imagens a partir da microtomografia.

É aqui que entra o acelerador de partículas do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron). Os cientistas do centro de pesquisas usaram a radiação do acelerador para criar as imagens em 3D. “É exatamente a mesma tomografia que fazemos no hospital”, diz Nathaly Archilha, do LNLS e líder da estação de pesquisa de microtomografia de raios-X. “A principal diferença é que conseguimos fazer isso numa resolução altíssima”, diz a pesquisadora.

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Amoêdo pede registro de candidatura e declara ao TSE R$ 425 milhões em bens 115

O candidato do Novo à Presidência, João Amoêdo, declarou ter um patrimônio de R$ 425 milhões ao fazer, nesta segunda-feira (13), o pedido de registro de sua candidatura ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Até o momento, Amoêdo é o candidato mais rico entre os seis que já pediram seus registros. Veja os patrimônios declarados até o momento:

Cabo Daciolo (Patriota): não declarou bens
Ciro Gomes (PDT): R$ 1,6 milhão
Geraldo Alckmin (PSDB), R$ 1,3 milhão
Guilherme Boulos (PSOL): R$ 15,4 mil
João Amoêdo (Novo): R$ 425 milhões
Vera Lúcia (PSTU): R$ 20 mil

A maior parte do patrimônio do candidato do Novo está distribuída entre aplicações de renda fixa (R$ 217 milhões), participação em empresas (R$ 108,4 milhões), investimento em fundos (R$ 55,3 milhões). O restante inclui imóveis e veículos, além de R$ 1,1 milhão na categoria destinada a joias e obras de arte.

Em tese, o patrimônio de Amoêdo permitiria que ele bancasse por inteiro sua própria campanha, já que o limite de gastos previsto em lei para o primeiro turno da campanha presidencial é de R$ 70 milhões por candidato.

Aos 55 anos, Amoêdo disputa sua primeira eleição e é o primeiro candidato presidencial do Novo. Engenheiro nascido no Rio de Janeiro, ele fez carreira como executivo do mercado financeiro e da construção civil.

Nas últimas pesquisas Datafolha e Ibope, feitas em junho, Amoêdo foi mencionado por entrevistados, mas não chegou a 1% das intenções de voto.

Sete candidatos ainda não pediram o registro no TSE. São eles Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB), João Goulart Filho (PPL) e José Maria Eymael (DC).

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80% dos beneficiados perderam auxílio-doença após revisão do INSS 14

Em dois anos, o pente-fino do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) suspendeu 80% (oito de cada dez benefícios) dos casos de auxílio-doença que passaram por revisão, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social. Os cortes também atingiram pessoas que recebem aposentadoria por invalidez, mas numa proporção menor: 30% (três em cada dez).

Os números são de perícias feitas entre o segundo semestre de 2016, quando começaram as revisões, até o último domingo (12). As revisões determinam se a pessoa já está em condição de voltar ao trabalho, mas continua recebendo o benefício indevidamente.

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Nesta segunda-feira (13), terminou o prazo para cerca de 179 mil pessoas que recebem auxílio-doença e aposentadoria por invalidez agendarem a revisão do benefício. Esse grupo não está no balanço de cortes divulgado pelo ministério, pois ainda não passou pela perícia.

Veja abaixo o detalhamento das perícias realizadas e dos benefícios cortados até 12 de agosto:

Auxílio-doença + aposentadoria por invalidez

Total de perícias feitas: 933.917
Total de benefícios cortados: 502.305 (53,78% do total)

Só auxílio-doença

Perícias feitas: 460.524
Benefícios cortados: 363.515 (78,94%)

Aposentadoria por invalidez

Perícias feitas: 473.393
Benefícios cortados: 138.790 (29,32%)

Governo estima economia de R$ 10,3 bi

A economia apenas com o corte no pagamento dos auxílios-doença representa R$ R$ 10,3 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social. O cálculo da economia com as revisões das aposentadorias por invalidez ainda está em processamento, segundo a pasta.

Ao todo, serão revisados 552.998 auxílios-doença e 1.004.886 aposentadorias por invalidez, totalizando mais de 1,5 milhão de benefícios, informou o ministério.
Quem está sendo chamado para revisão?

O governo está fazendo um pente-fino nos benefícios concedidos pelo INSS. Estão sendo convocados para revisão os beneficiários de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez que há mais de dois anos não passam por uma perícia médica.

Os trabalhadores estão sendo chamados aos poucos, por meio de carta. A dica é manter o endereço atualizado para não perder a convocação. Clique aqui e veja como.
O que levar no dia da perícia?

No dia da perícia, deverá ser apresentada toda a documentação médica que justifique o recebimento do benefício, como atestados, laudos, receitas e exames.
Não tem como ir?

Se a pessoa estiver internada ou doente e não puder comparecer à perícia, deverá pedir a alguém de sua confiança que informe ao INSS, em uma de suas agências, sobre o impedimento.

Esse representante deve levar o documento de identidade do segurado e um documento que comprove que não tem como comparecer –um atestado médico, por exemplo. Com isso, ele poderá solicitar ao beneficiário uma perícia hospitalar ou domiciliar.

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Bolsonaro demite assessora fantasma e diz que crime dela foi dar água a cachorros

Brasília

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ) demitiu nesta segunda-feira (13) a assessora fantasma Walderice Santos da Conceição, e afirmou que o “crime dela foi dar água para os cachorros”.

“Tem dois cachorros lá e, pra não morrer, de vez em quando ela dá água pros cachorros lá, só isso. O crime dela é esse aí, é dar água pro cachorro”, disse.

A demissão, a pedido da assessora, foi divulgada por ele depois de a Folha publicar reportagem nesta segunda que flagrou Walderice trabalhando em sua loja de açaí na região de Angra dos Reis na hora do expediente da Câmara dos Deputados.

Em janeiro, a Folha revelou a existência da funcionária fantasma. De acordo com pessoas da cidade, Wal, como é conhecida, também presta serviços particulares na casa de Bolsonaro, mas tem como principal atividade o comércio de açaí.
Nesta segunda, a Folha voltou ao local e constatou que a funcionária continuava na venda de açaí em horário de expediente.

A reportagem comprou com Walderice um açaí e um cupuaçu.

Ela afirmou que trabalha na loja, que leva seu nome, Açaí da Wal, todas as tardes, na pequena Vila Histórica de Mambucaba, a 50 km de Angra dos Reis.

Walderice figura desde 2003 como um dos 14 funcionários do gabinete parlamentar de Bolsonaro, em Brasília, recebendo atualmente salário bruto de R$ 1.351,46.

Bolsonaro afirmou nesta segunda que a funcionária ligou pedindo demissão, mas que seria “muito complicado”, então ele a exonerou. “Eu fico chateado até, porque ela precisa, é uma pessoa pobre”, afirmou o deputado.

A princípio, o candidato havia dito que Walderice se demitiu na manhã de segunda por causa do desgaste. O nome de Wal foi citado no debate entre os presidenciáveis realizado pela TV Bandeirantes na última quinta (9). O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, perguntou a Bolsonaro “quem é Wal?”.

“O Boulos me questionou no debate, eu cheguei em Brasília hoje e ela havia pedido demissão. Por coincidência a Folha estava lá de novo, e a Folha mente de novo dizendo que no dia 10 [de janeiro] ela não estava de férias. Vocês viram na secretaria da Câmara que ela estava lá de férias”, disse o parlamentar. “A Folha pode continuar atrás de mim, sem problema”, afirmou.

A afirmação do deputado de que Walderice pediu demissão pela manhã é discrepante com as falas da própria funcionária à Folha. Nas duas conversas que teve com a reportagem, não mencionou pedido de demissão.

Apenas após a identificação dos jornalistas, no final da tarde, a funcionária ligou para o jornal para afirmar que pedira demissão.

Antes de se identificar como repórteres, a Folha conversou com Walderice na pequena loja de açaí onde ela trabalha. Ela chegou a comentar o debate da TV Band.

“Ele [Boulos] disse que o Jair tinha uma funcionária fantasma.” Em resposta à pergunta da Folha sobre quem era, Walderice afirmou: “Sou eu.”

Depois da reportagem da Folha de janeiro, o parlamentar passou a dar diferentes versões sobre a assessora. Primeiro, disse que buscou o endereço do local e viu que a “casinha” de açaí era da irmã de Walderice.

Em outra tentativa de explicar, disse que sua secretária de gabinete estava em período de férias na ocasião em que a Folha visitou o local na primeira vez. Essa foi a versão dada, por exemplo, na resposta a Boulos no debate da Band.

“A sra. Wal, sra. Walderice, é uma funcionária minha em Angra dos Reis. Quando a Folha de S.Paulo foi lá [em janeiro] e não achou, botou manchete no dia seguinte de que ela estaria lá fantasma. Só que em boletim administrativo da Câmara dos Deputados de dezembro ela estava de férias”, disse Bolsonaro no debate.

Segundo moradores da região, o marido dela, Edenilson, presta serviços de caseiro ao deputado. ​