Categorias
ENTRETERIMENTO

Fã filmou Glen Hansard cantando em bar pouco antes de o músico morrer em acidente de moto


Glen Hansard apresenta “Falling Slowly” durante cerimônia do Oscar, em 2008
REUTERS/Gary Hershorn/Arquivo
Um vídeo publicado no X mostra Glen Hansard cantando em um bar de Dublin na noite de terça-feira (28). O músico irlandês, vencedor do Oscar de melhor canção original em 2008 por “Once”, morreu aos 56 anos em um acidente de moto na madrugada de quarta-feira (29).
O The Wren’s Nest, pub de Dublin que existe desde 1588, publicou uma homenagem nas redes sociais:
“Estamos profundamente entristecidos com a morte de Glen Hansard. Foi sempre um privilégio receber Glen no The Wren’s Nest ao longo dos anos. Ele será lembrado por seu talento incrível, sua generosidade e pela alegria que levou a tantas pessoas. Nossos pensamentos estão com sua família, amigos e todos aqueles que o conheceram e amaram. Descanse em paz, Glen.”
Initial plugin text
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia.
A polícia da Irlanda informou que um homem na faixa dos 50 anos morreu após um acidente envolvendo apenas uma motocicleta no oeste de Dublin. Os serviços de emergência foram acionados pouco antes das 4h30 (horário local), e a vítima foi declarada morta pouco depois de receber atendimento no local.
O artista, que tinha um show no Brasil previsto para novembro, no festival Best of Blues and Rock, ganhou destaque após vencer o Oscar de Melhor Canção Original em 2008 com “Falling Slowly”, composta e interpretada ao lado da cantora e pianista tcheca Markéta Irglová. A música se tornou um dos maiores sucessos do cinema independente e ajudou a transformar o longa em um fenômeno mundial.
Agora no g1
Quem era Glen Hansard
Nascido em 21 de abril de 1970, em Dublin, Hansard começou a tocar ainda jovem nas ruas da capital irlandesa, depois de abandonar a escola aos 13 anos. A experiência como músico de rua marcou seu estilo e se tornou uma das principais influências de sua carreira.
Em 1990, fundou a banda de rock The Frames, da qual foi vocalista e guitarrista. O grupo se consolidou como um dos principais nomes do rock irlandês contemporâneo.
Anos depois, Hansard iniciou uma parceria artística com Markéta Irglová. Em 2006, os dois lançaram o álbum “The Swell Season”, que deu origem à dupla de folk rock de mesmo nome.
Capa do filme ‘Once’.
Reprodução/Samson Films
Sucesso com ‘Once’
O reconhecimento internacional veio com o filme “Once”, lançado em 2007. No longa, Hansard interpreta um músico de rua em Dublin que conhece uma imigrante tcheca, vivida por Irglová. Além de protagonizarem a história, os dois também compuseram e interpretaram as músicas da trilha sonora.
A principal delas, “Falling Slowly”, venceu o Oscar de Melhor Canção Original em 2008. Com isso, Hansard se tornou o primeiro irlandês a conquistar a estatueta nessa categoria.
Uma das cenas mais lembradas do filme mostra os personagens tocando a música juntos em uma loja de instrumentos musicais de Dublin, com Hansard na guitarra e Irglová ao piano.
Carreira no cinema e na televisão
Antes de “Once”, Hansard já havia atuado no cinema ao interpretar o guitarrista Outspan Foster em “The Commitments – Loucos pela Fama” (1991).
Ele também participou do filme “Sing Street” (2016), trabalhou como compositor de trilhas sonoras e apresentou, em 2003, o programa musical “Other Voices: Songs from a Room”, da emissora pública irlandesa RTÉ.
Ao longo da carreira, Hansard transitou entre o indie folk, o rock independente e a música tradicional irlandesa, mantendo como marca registrada as composições intimistas e a influência de seus anos como músico de rua. Sua trajetória fez dele um dos artistas irlandeses mais reconhecidos de sua geração.
* Com informações da Agência Reuters

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Derrota na Justiça pode custar milhões ao príncipe Harry e outras celebridades britânicas


O príncipe britânico Harry comparece a tribunal no Reino Unido, em 9 de abril de 2025.
Reuters/Isabel Infantes
O príncipe Harry e outras personalidades correm o risco de ter que pagar milhões de dólares a título de custas judiciais à Associated Newspapers, após terem perdido processos judiciais contra a editora do Daily Mail relacionados à violação de privacidade, divulgou nesta quarta-feira o Tribunal Superior de Londres.
No início deste mês, um juiz do Tribunal Superior de Londres decidiu de forma contundente contra o filho mais novo do rei Charles, o cantor Elton John e outras cinco personalidades britânicas, rejeitando as alegações de que os jornais do Mail tivessem se envolvido em atividades ilegais generalizadas, como a interceptação de chamadas telefônicas.
Elton John durante a apresentação no festival Glastonbury, no domingo (25)
Oli Scarf/AFP
A Associated afirmou que foi uma vitória esmagadora para seu jornal e seus jornalistas, e “para a imprensa livre em geral”, enquanto o príncipe, de 41 anos, descreveu a decisão como um “encobrimento completo e óbvio”.
Agora no g1
Em uma audiência na quarta-feira para determinar quanto dos custos judiciais do “Mail” os requerentes deveriam arcar, o advogado da Associated, Antony White, argumentou que eles deveriam fazê-lo com base no “princípio da indenização”, segundo o qual a parte vencida deve cobrir as despesas da outra parte sem a necessidade de comprovar que elas foram proporcionais.
O tribunal tomou conhecimento de que a Associated havia incorrido em despesas judiciais no valor de 34,5 milhões de libras (US$45,8 milhões), enquanto Harry e os demais autores da ação dispõem apenas de uma apólice de seguro que cobre 16 milhões de libras.
Em um ataque contundente ao caso — que, segundo ele, havia sido elaborado para criar “um banquete de litígios” contra a Associated –, White argumentou que as alegações levantadas são amplas, graves e “flagrantes”, sem provas que as sustentem, o que aumentou seus custos.
Ele também afirmou que a declaração de Harry após a decisão constituiu um abuso de sua posição e de seu status de celebridade.
“Foi totalmente inadequado e irracional”, disse White.
A Associated informou que estava solicitando um pagamento provisório de 10 milhões de libras.
Nicholas Bacon, advogado dos autores da ação, afirmou em suas alegações que a conta de 34,5 milhões de libras da Associated era “exorbitante”, excedendo em muito o orçamento acordado, e que havia claramente um déficit em relação ao nível de garantia que eles haviam estabelecido.
Segundo ele, foi divulgado que a Associated queria “ir direto ao ponto” e dar uma lição aos requerentes ao obter o reembolso das custas processuais.
Eles ofereceram um pagamento provisório de 8 milhões de libras até 28 de agosto.
Em sua decisão de indeferimento do caso, o juiz Matthew Nicklin afirmou que os autores da ação precisavam provar que as informações publicadas sobre eles foram obtidas ilegalmente, mas não conseguiram fazê-lo, e que a mera suspeita não é suficiente.
Em alegações escritas, os advogados dos autores também afirmaram que qualquer pedido de permissão para recorrer dessa decisão foi adiado até que Nicklin profira a sentença sobre as custas.
A audiência continua na quinta-feira.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Mario Quintana: o solitário poeta que passou o fim da vida em hotéis e agora viraliza nas redes sociais: o solitário poeta que passou o fim da vida em hotéis e agora viraliza nas redes sociais


O poeta Mario Quintana, em fotografia de 1966
Arquivo Nacional via BBC
“Todos esses que aí estão/ Atravancando meu caminho,/ Eles passarão…/ Eu passarinho!”
Versos simples, pontiagudos e bem-sacados sobre coisas cotidianas com a habilidade de um cronista. Textos curtos, mas intensos. O estilo marcante da poesia do gaúcho Mario Quintana (1906-1994), nascido há 120 anos, combina tão bem com a lógica das redes sociais que sua poesia acabou ganhando uma nova vida em posts contemporâneos, compartilhada mesmo por quem nem sequer sabe a autoria de tais versos.
“Ele faz parte das referências poéticas das pessoas comuns”, diz o professor e escritor Miguel Sanches Neto, reitor na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Para ele, os textos atribuídos a Quintana, “verdadeiramente ou falsamente”, demonstram que seu estilo “se impôs nos frequentadores das redes sociais”.
“Dadas as referências ao banal, à experiência humana de renúncia e de amor à vida, sua poesia é um pão e vinho sagrados, que se multiplicam entre os que têm fome de poesia”, analisa.
O escritor contemporâneo Saulo Florentino, que tem se debruçado sobre a presença da literatura nas redes sociais, associa essa fama atual de Quintana ao seu jeito de poetizar “sem se distanciar, sem confundir profundidade com complexidade”. “Tantas pessoas sentem que ele escreveu algo especialmente para elas”, diz.
Florentino concorda que o estilo curto, sintético, do poeta gaúcho parece feito para a era das redes. “A sociedade atual vive da circulação de frases. As pessoas se acostumaram a pequenos comprimidos de poesia”, define.
Tal protagonismo digital tem como efeito colateral os versos erroneamente atribuídos a Quintana. “Isso também diz algo interessante”, avalia Florentino. “Mostra que existe uma espécie de imaginário coletivo sobre quem foi Mario Quintana e que, quando alguém encontra uma frase melancólica ou delicada, acredita que a mesma foi escrita por ele.”
Para o escritor contemporâneo, existe um “reconhecimento involuntário da identidade estética e textual” de Mario Quintana.
O poeta do antitextão
Criador do canal no YouTube Elite da Língua, o professor de literatura Emerson Rossetti vê na poética de Quintana uma tríade de elementos que funcionam muito bem na era das redes. “São aspectos convergentes”, afirma.
O primeiro é a simplicidade de sua linguagem. “Com grande apelo poético que atrai bastante a atenção”, diz. Outro ponto é a escolha dos temas — privilegiando o cotidiano e a busca do sentido para as coisas banais da vida. “A terceira questão, muito importante, é a sua expressão sintética”, acrescenta o professor. “Os versos do Quintana são curtos e isso tem a ver com o gosto do leitor de hoje, que procura essa economia de expressão nos tempos da internet.”
Em outras palavras, Quintana é o poeta do antitextão.
O poeta Mario Quintana em montagem do projeto Crianceiras
Divulgação
Para o cantor e compositor Márcio de Camillo, que desde 2018 tem um espetáculo infantil chamado Crianceiras Mario Quintana, a poética do gaúcho ficou pop “porque o verso é uma maneira rápida de leitura”.
Para ele, as redes estão “democratizando mais a poesia” e, neste fenômeno, autores “com versos fantásticos” como Quintana acabam funcionando.
E a poética de Quintana se encaixa no universo infantil da adaptação de Camillo. “Crianças e seus pais acabam consumindo poesia de uma maneira divertida”, argumenta Camillo.
“Mario Quintana conquistou um lugar especial na literatura brasileira porque soube fazer algo aparentemente simples, mas muito difícil: encontrar poesia nas coisas comuns”, contextualiza o linguista Vicente de Paula da Silva Martins, professor na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).
“Ele não precisava recorrer a grandes acontecimentos ou a uma linguagem complicada para falar de questões profundas. Uma rua silenciosa, uma lembrança de infância, um objeto antigo ou a passagem do tempo podiam se transformar, em seus versos, em reflexões sobre a vida.”
“Além disso, Quintana tinha uma maneira muito própria de brincar com as palavras, criando versos que pareciam conversas, mas que carregavam muita reflexão. Sua poesia consegue unir profundidade e simplicidade, fazendo o leitor sorrir e, ao mesmo tempo, pensar”, afirma Martins.
E viraliza nas redes porque “consegue dizer muito usando poucas palavras”, destaca Martins. Nada mal para alguém que morreu longe da fama em 1994 — depois de viver o auge aos 60 anos, seis décadas atrás.
Os 100 anos do Manifesto Pau-Brasil, que ‘virou a página’ da poesia brasileira
A dama que ‘macheava’: o que diz o 1º poema homoerótico brasileiro
Da relação difícil com o pai à generosidade com jovens artistas: as outras facetas do fabricante de best-sellers Luis Fernando Verissimo
Ovo podre de avestruz
Mario de Miranda Quintana nasceu em Alegrete, a mais de 500 quilômetros de Porto Alegre, em 30 de julho de 1906. Era o caçula de três filhos. Aos 13, mudou-se com os pais para a capital gaúcha.
Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre e trabalhava na farmácia do pai. Foi na escola que começou a desenvolver seu talento literário, publicando textos em jornalzinho interno e fazendo sucesso entre professores e alunos.
Segundo sinopse biográfica disponibilizada pelo Instituto Moreira Salles (IMS), que desde 2009 abriga o acervo do poeta, na adolescência ele “trocava o estudo de desenho pela leitura” de obras como do russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) — e isso teria causado sua reprovação na matéria escolar, em 1921.
O IMS ainda atesta que o jovem Quintana não era dos melhores nem em álgebra nem em geografia, mas “as notas altas em francês eram prenúncio do tradutor que ele seria no futuro”.
O caminho das letras começou a ser pavimentado em 1924, quando, aos 18 anos, conseguiu emprego na Livraria do Globo, que depois se tornaria importante editora de livros. Inicialmente, Quintana trabalhava como desempacotador.
Gradualmente passou a integrar o quarteto que faria da livraria a lendária editora — a partir de 1928, Edições da Livraria do Globo; depois de 1956, Editora Globo. Eram eles os amigos Henrique Bertaso (1906-1977), o filho do dono do empreendimento; o escritor Erico Verissimo (1905-1975); e o editor Mauricio Rosenblatt (1906-1988).
Era uma trupe que trabalhava junto durante o dia e se divertia durante a noite. No livro Um Certo Henrique Bertaso, Verissimo conta algumas dessas histórias. Por exemplo, a do jantar organizado na casa de um amigo imigrante italiano que tinha, entre os bibelôs decorativos, um gigantesco ovo de avestruz sobre a mesinha de centro.
“Não sei que demônio me soprou ao ouvido a ideia de começar um jogo, já que aquele ‘objeto’ oval se parecia um pouco com a bola usada no futebol norte-americano”, escreveu. E então ele detalhou que foi um amigo arremessando o gigante ovo para o outro até que alguém “teve a trágica ideia de jogar a improvisada bola para Mario Quintana”.
“Ora, o nosso querido poeta, que não é bem deste mundo, ergueu-se de repente, recuando e recusando agarrar aquela coisa branca que arremessavam sobre ele…”, relatou Verissimo.
“O ovo caiu sobre a mesa e partiu-se, espalhando sobre a toalha um líquido gosmento, dum amarelo sujo, e dum fedor sulfuroso de podridão milenar — um fedor pré-histórico, que nos entrava pelas narinas, medonho, ácido, apocalíptico, como um resumo de todas as decomposições do mundo através dos séculos… um horror!”
Capa da Revista do Globo, em edição de 1932
Domínio público
Fato é que Quintana foi crescendo dentro da estrutura da livraria-editora. Atuou como editor, tradutor e, como bem enfatiza o IMS, também se cacifaria como jornalista pois tornou-se renitente “colaborador da Revista do Globo [da mesma casa editorial], que circulou de 1929 e 1967.
Como tradutor, Quintana verteu para o português mais de 130 livros importantes, entre eles Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust (1871-1922), e Mrs. Dalloway, da britânica Virginia Woolf (1882-1941).
No jornalismo, além da revista da editora, também trabalhou no jornal Correio do Povo, onde mantinha uma coluna na página cultural, aos sábados, de 1953 a 1977.
Poeta das coisas simples
Mas o que conferiu a Quintana um lugar na história foi mesmo sua produção poética. Seu primeiro livro, A Rua dos Cataventos, saiu em 1940. A produção seguiria até o fim da vida, com obras como Sapato Florido, Espelho Mágico, Quintanares, A Vaca e o Hipogrifo, Esconderijos do Tempo, Da Preguiça como Método de Trabalho, A Cor do Invisível, Velório Sem Defunto, entre outros.
Chamado muitas vezes de “o poeta das coisas simples”, foi gigante nessa pequenez. “Quintana foi um dos que modernizou a linguagem poética do Brasil, trazendo-a para mais próxima das pessoas comuns. Esta foi a sua grande modernidade, tirar o ranço acadêmico e lusitano de nosso idioma, o que contribuiu para uma ampliação do público de poesia”, avalia Sanches Neto.
“A sua experiência como jornalista e o tom baixo de sua poética fizeram dele um dos poetas mais importantes da língua nacional contemporânea. Em um período em que as vanguardas, a partir dos anos 1950, também tentaram romper com o público, Quintana, um poeta-cronista, aproximou-se dele”, completa o professor.
Para muitos críticos, Quintana viveu o auge de sua carreira em 1966. Na época, em celebração ao seus sexagésimo aniversário, foi publicada sua Antologia Poética — 60 poemas em uma seleção cuidadosa organizada pelos escritores Rubem Braga (1913-1990) e Paulo Mendes Campos (1922-1991).
Na comemoração, Quintana foi saudado pela Academia Brasileira de Letras (ABL), com poema em sua homenagem recitado por Manuel Bandeira (1886-1968). Naquele mesmo ano, o poeta foi premiado pela União Brasileira dos Escritores.
A ABL, aliás, é uma cicatriz de sua história. Incentivado por colegas escritores, ele tentou por três vezes uma vaga entre os imortais, mas jamais foi eleito para ocupar a confraria.
“Se Mario Quintana estivesse na ABL, não mudaria sua vida. Mas não estando lá, é um prejuízo para a própria Academia”, declarou certa vez o escritor Luis Fernando Verissimo (1936-2025).
Manuel Bandeira, poeta que saudou Mario Quintana na Academia Brasileira de Letras (ABL)
Arquivo Nacional
Ficou um ranço. Os versos que dizem que “eles passarão… Eu passarinho!”, do Poeminho do Contra que abre esta reportagem, teriam sido escritos àqueles que não aceitaram o poeta gaúcho entre os acadêmicos. Em 1980, contudo, a instituição deu a ele o prêmio Machado de Assis, em reconhecimento pelo conjunto da obra.
Para Rossetti, Quintana se tornou parte do cânone da literatura brasileira pelo seu estilo original e pela forma de abordar o cotidiano. “Seu estilo não se inclina a prescrições de nenhuma escola literária. Ele deixou uma obra com alto grau de independência e liberdade estéticas, tanto formais quanto temáticas”, diz o professor.
Sanches Neto ressalta que Quintana cultivava um “caráter humano e ético”. “Não foi carreirista, não disputou espaços, não buscou nomeada. Era um poeta discreto”, ressalta.
Ao mesmo tempo, lembra o professor, sua grande formação literária, “lhe permitiu construir uma poética da humildade alegre, da vida que se realiza na sua plenitude”.
“Enquanto a poesia de seus contemporâneos buscava conversar com outros poetas, ele quis se conectar com o leitor comum”, diz Sanches Neto. “E ainda com a autoironia e o humor, elementos fundamentais para criar empatia poética.”
De hotel em hotel
Sempre solteiro, sem filhos, Quintana era visto como uma pessoa solitária e avessa a exposição pessoal.
A partir do fim dos anos 1960, passou a viver em hotéis. De 1968 até o início dos anos 1980, no Majestic, que funcionava no centro de Porto Alegre e hoje abriga a Casa de Cultura Mario Quintana. Em seguida, foi para o Presidente.
“Ainda passou por outros hotéis, como o Residence, onde sempre obteve carinhosa acolhida”, esclarece o músico e compositor Henrique Mann, que foi amigo e parceiro criativo de Quintana, em texto publicado em 2020. Por fim, Quintana se mudaria para o Royal, onde viveria até seus últimos dias.
Se ele se tornou um nome pop nas redes, estas errâncias de hotel em hotel também renderam recente viralização. Tudo porque em 2012 o escritor Roberto Vieira publicou um conto em que retratou Quintana desempregado e sem condições de pagar as contas do hotel Majestic, despejado do mesmo e sem ter para onde ir. Com sua mala na calçada, ele teria sido reconhecido pelo jogador de futebol Paulo Roberto Falcão — na época, ainda na ativa — que o acolhera no hotel Royal, do qual era um dos donos.
Vieira declarou que o texto era fictício, embora recheado de elementos verdadeiros. Na verdade, ele fez uma recriação literária a partir da biografia do poeta. Em texto publicado em suas redes e no blog de Juca Kfouri, Henrique Mann respondeu ao conto que havia viralizado.
Ele confirma que “Falcão acolheu de forma graciosa e vitalícia o poeta em seu hotel Royal”, mas enfatiza que “não foi deste modo humilhante descrito”. Avalia que o conto é uma versão “romantizada” da “verdade dos fatos”.
Segundo Mann, naquela época Quintana estava em busca de outro local para viver, devidamente amparado por amigos e sua sobrinha-neta Elena Quintana (1955-2018). Falcão soube da história e decidiu ajudar — na época ele jogava no Roma, na Itália.
“Eu estava em Roma quando a sobrinha do Mario falou com meu irmão que ele tinha deixado outro hotel e fizemos questão que ele ficasse hospedado conosco”, declarou o ex-jogador, ao jornal esportivo Lance!, na época em que essa versão fictícia viralizou.
Henrique Mann e Mario Quintana
Creative Commons/Wikimedia via BBC

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

‘Na prisão, descobri que presos e guardas éramos vítimas de uma cúpula que mantém Cuba sequestrada’: o artista renomado que passou 5 anos encarcerado


‘Na prisão, descobri que presos e guardas éramos vítimas de uma cúpula que mantém Cuba sequestrada’: o artista renomado que passou 5 anos encarcerado
WALTER FOJO/BBC
Luis Manuel Otero Alcántara caminha pelas ruas de Miami, no Estado americano da Flórida, com uma sensação estranha: ninguém o detém, nem o vigia.
O artista cubano de 38 anos é um dos principais dissidentes da ilha.
Ele começou recentemente sua vida no exílio, depois de cumprir no país uma sentença de cinco anos de prisão por desrespeito aos símbolos da pátria, desacato e distúrbios públicos.
Mas Otero Alcántara não se sentia realmente livre há muito mais tempo.
Ele foi levado em 2021 para a prisão de segurança máxima de Guanajay (a cerca de 30 km a oeste de Havana), mas já havia passado por anos de vigilância permanente, dezenas de prisões e noites de calabouço por suas manifestações artísticas contra o regime cubano.
Otero Alcántara é um dos fundadores do Movimento San Isidro, um coletivo de artistas e ativistas de oposição ao governo de Cuba. Ele transformou a arte da performance em arma para desafiar o poder.
Ele carregou por um mês a bandeira cubana como parte de uma de suas obras, criou o Museu da Dissidência e protagonizou greves de fome. Suas ações o transformaram na principal figura não partidária da oposição cubana e uma das maiores dores de cabeça do governo do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.
Sua última prisão ocorreu durante os históricos protestos contra o governo de Cuba, ocorridos em julho de 2021.
Seu julgamento a portas fechadas, um ano depois, e suas greves de fome nos cinco anos que passou atrás das grades chamaram a atenção de organizações de defesa dos direitos humanos, artistas, intelectuais e governos democráticos.
A Anistia Internacional declarou Otero Alcántara como prisioneiro de consciência e a revista Time o incluiu na sua lista anual das 100 pessoas mais influentes do mundo.
Após cumprir sua condenação, as autoridades cubanas condicionaram sua libertação ao exílio. Os Estados Unidos concederam a ele um visto humanitário e a Embaixada americana em Havana possibilitou sua viagem a Miami.
Otero Alcántara recebe a BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, de camiseta e traje de banho, no hotel onde está temporariamente hospedado em Miami, perto do popular bairro Pequena Havana.
Ele se mostra loquaz e efusivo, com o brilho nos olhos que demonstra sua recente liberdade, impaciente para compartilhar suas histórias e reflexões sobre os longos dias na prisão e anunciar seus próximos passos como artista e ativista no exílio.
Confira abaixo a entrevista de Luis Manuel Otero Alcántara à BBC, editada para maior concisão e clareza.
Otero Alcántara chegou ao aeroporto de Miami no dia 18 de julho, aguardado por um grupo de amigos e seguidores
Getty Images
BBC News Mundo – Por que você ficou na prisão por cinco anos?
Luis Manuel Otero Alcántara – Fiquei cinco anos na prisão por exercer a liberdade de expressão e tentar levar a liberdade aos cubanos.
Sou artista visual, artista plástico, e coloquei a arte a serviço das mudanças de que Cuba precisa. Mas existe ali uma ditadura que não permite que a arte seja crítica, nem proponha mudanças sociais.
Houve um momento em que tudo o que eu fazia resultava em calabouço. Estive mais de 90 vezes em um calabouço, ao longo de três ou quatro anos.
Éramos artistas do bairro e inspirávamos as pessoas a dizer: “Se ele pode, eu também posso.” E tudo aquilo foi construindo um espaço cívico, o que acabou desembocando no dia 11 de julho de 2021.
Foi quando eles disseram “não”. E me colocaram na prisão por cinco anos.
Uma das obras utilizadas para me prender foi a da bandeira cubana. Durante um mês, andei com ela por toda parte: tomei banho com ela na praia, fui ao carnaval e entrei com ela no banheiro.
Eu queria gerar uma discussão sobre a pátria e os símbolos. Eles me condenaram por desrespeito aos símbolos da pátria, desacato e escândalo público.
O artista contou à BBC detalhes e reflexões sobre seus cinco anos na prisão em Cuba
WALTER FOJO/BBC
BBC – Como foi o julgamento?
Otero Alcántara – Foi horrível, uma espécie de circo, uma encenação.
A promotora, os advogados, todos sabiam que seriam cinco anos e nenhum deles havia tomado essa decisão.
O momento mais difícil foi quando entrou a minha família.
Minha tia disse: “Não sei por que o meu sobrinho está aqui, ele é um bom menino.” Aquilo me deu um aperto no coração e comecei a chorar.
Eu tentava suportar para não demonstrar à ditadura que estava me destruindo, mas somos seres humanos: choramos, sofremos e temos família.
Meu advogado recordou que eles tentaram criar motivos para me julgar dezenas de vezes, sem conseguir provar nada.
BBC – O que você sentiu quando foi comunicado sobre a condenação?
Otero Alcántara – A prisão, para mim, também foi como um bastião de luta: o símbolo da luta, o símbolo da resistência, o símbolo da injustiça.
Eu sabia que meus amigos a transformariam em uma bandeira para mostrar aquela injustiça para o mundo.
Mas não deixa de ser difícil quando dizem cinco anos. Sua cabeça começa a calcular: “Tenho 32 ou 33 anos; sairei com 38.” Você pensa na juventude e em quem você é.
Nunca deixei de lutar na prisão. Fiquei por cinco anos, poderia ter ficado 20.
BBC – Como era sua cela?
Otero Alcántara – Eu ficava na área de segurança máxima de Guanajay, onde havia pessoas condenadas à prisão perpétua. Havia câmeras em todos os cantos.
Vivíamos em quatro pessoas, em uma cela de cerca de quatro metros por três, com quatro camas de cimento e um banheiro sem porta. Você mesmo colocava uma cortina, mas a intimidade era completamente inexistente.
Você precisava conviver com o calor, o frio, a fumaça, os odores e a personalidade dos demais. Às vezes, você sentia que não conseguia respirar, devido à ansiedade, à depressão e ao confinamento.
Vista externa da prisão de segurança máxima de Guanajay, na província cubana de Artemisa, a cerca de 30 km a oeste da capital, Havana
Getty Images
BBC – Como você continuou criando e protestando na prisão?
Otero Alcántara – O regime joga com o tempo das pessoas.
Desde criança, ele obriga você a dedicar seu tempo a ele. Você precisa comparecer aos seus atos e passeatas porque, se não for, ficará marcado.
Na prisão, compreendi que meu tempo e minha narrativa precisam ser meus.
Criei uma obra na qual eu vendia cada um dos dias dos meus cinco anos preso. Quem comprava, recebia um fragmento de almanaque e uma espécie de contrato.
A arte me ajudava a me manter ativo. Não era simplesmente um preso olhando para o teto, enquanto seus amigos trabalhavam fora.
Quando tentavam me pressionar, eu protestava. Fiz cerca de seis ou sete greves de fome. Uma vez, fiquei cerca de 48 dias em greve de fome.
Também me levaram para uma cela de castigo, às vezes por um mês.
Na última vez, havia muito pouca luz, mas pintei uma série de militares frustrados e rasgados. Eles confiscaram minhas obras, mas nunca mais me levaram para lá. Talvez tenham entendido que não conseguiriam me calar.
BBC – Quando começaram as ofertas de exílio?
Otero Alcántara – Assim que cheguei à prisão, eles me disseram que a única forma de sair seria abandonar Cuba. Eles me disseram que eu nunca mais pisaria nas ruas de Cuba.
Nos primeiros 18 meses, recusei. Eu não entendia por que teria que sair expulso, sem poder regressar.
Com o passar do tempo, compreendi que a Segurança do Estado não permitiria que eu voltasse a andar na rua e que teria mais possibilidades de fazer mudanças no exterior.
Em uma ditadura, você gasta 70% ou 80% do tempo lidando com a repressão: detenções, vigilância, cortes de internet, confisco de telefones e registros da sua casa. Sobra muito pouco espaço para criar.
Otero Alcántara em 2018, quando suas apresentações e obras irreverentes o levavam a passar noites no calabouço
Reuters
BBC – Quando você acabou aceitando?
Otero Alcántara – Chegou um momento em que senti que minha missão dentro de Cuba já estava cumprida.
É fácil ir preso ali, mas me perguntei o que a minha prisão poderia produzir agora. De fora, consigo dedicar muito mais tempo a criar e buscar novas formas de prejudicar a ditadura.
Mas este não é um presente. O exílio é extremamente cruel. E já começo a sofrer seus frutos.
Não posso ver meu filho, nem participar da sua vida. E também deixei os meus sobrinhos.
O exílio é outra forma de violência política. Eu não me salvei. Saí para outro tipo de violência.
BBC – Como é a alimentação em uma prisão cubana?
Otero Alcântara – Se você quiser saber como é a comida na prisão, olhe como está a alimentação em Cuba.
Um país em colapso, que não consegue dar leite para as crianças, nem atender aos idosos, também não alimenta bem os seus presos.
Eu me alimentei na prisão graças ao que os meus amigos me mandavam. Eles, minha família e as mulheres de Bauta [cidade a 18 km de Guanajay] se organizavam para me levar comida, remédios e todo o necessário.
Minha família percorria 30, 40 ou 50 km sem transporte, carregando sacos.
Na prisão, a comida enviada por uma família tinha algo de especial. Mesmo que fosse arroz com ovo, havia um tempero a mais: o amor.
Quando a avó de algum companheiro mandava comida e ele repartia comigo, eu preferia aquilo a qualquer pacote de biscoitos.
A comida também era um símbolo de resistência.
Otero Alcántara afirma que conseguiu se alimentar relativamente bem na prisão, graças à comida levada pelos seus amigos e familiares
WALTER FOJO/BBC
BBC – Você recebia tratamento diferente por ser um preso conhecido?
Otero Alcántara – Sim, com vantagens e desvantagens.
No meu corredor, eles davam um pouco mais de comida porque ali ficavam os condenados à prisão perpétua. Eles não têm nada a perder e, se não receberem comida suficiente, eles protestam.
Como eles não podem castigá-los muito mais, tentam mantê-los relativamente acalmados.
E a Segurança do Estado queria me manter relativamente tranquilo, pintando sem protestar. Eles sabiam que, algum dia, eu poderia sair e contar tudo.
Minha visibilidade também ajudou a evitar abusos contra outros presos, pois uma denúncia telefônica tinha impacto.
Mas não recebi as reduções de pena habituais. E houve uma época em que não podia falar com ninguém.
Eles afastavam quem chegasse perto de mim. Chegaram a fechar toda a penitenciária quando eu saía para o pátio.
Eu tinha um preso me vigiando o dia inteiro, além dos guardas e das câmeras. Aquele preso dormia na minha cela, controlava o que eu fazia e se comunicava diretamente com a Segurança do Estado.
De qualquer forma, isso demonstra que a imprensa e a pressão internacional funcionam. O regime sabia que suas ações poderiam trazer consequências.
O artista reconhece que sua fama trouxe certos privilégios, mas também maior vigilância e o privou da redução de pena
WALTER FOJO/BBC
BBC – O que foi mais difícil nesses cinco anos?
Otero Alcántara – O mais difícil da prisão é ficar preso, o encerramento.
Eu poderia contar episódios de violência, mas existe também uma violência constante e menos visível: o isolamento.
Por cinco anos, nas visitas, eu via apenas minha namorada, meu filho e minha tia.
Houve uma época em que, se eu falasse com outro preso ou começasse a sentir afeição por alguém, ele era transferido. As pessoas acabaram com medo de se aproximar de mim.
Certa vez, depois de quatro anos sem ver outras mulheres que não fossem familiares ou guardas, permitiram que eu assistisse a uma atividade com detentas de outro centro. Eu dancei e brinquei como uma criança.
Mas foi apenas um dia e também pode ter sido uma encenação da Segurança do Estado, para dizer que não fiquei tão mal assim. É preciso entender cada um desses episódios como formas de violência política.
BBC – Como era sua relação com os guardas?
Otero Alcántara – Antes, talvez eu pensasse que todos os guardas fossem maus.
Mas, na prisão, compreendi que muitos eram jovens de 20 ou 21 anos, procedentes de regiões muito pobres, a quem prometiam uma casa, uma moto ou um futuro melhor.
Depois de cinco anos, eles continuavam morando em albergues e alguns também não podiam sair do trabalho porque eram ameaçados de prisão.
Claro que havia guardas que abusavam do poder. Mas também vimos alguns se cortarem ou fazerem greves de fome, para exigir que os deixassem partir.
Vestir um uniforme não significa necessariamente estar de acordo com a ditadura.
Descobri que, de diferentes formas, todos éramos vítimas de uma cúpula que mantém o país sequestrado.
BBC – Como você tomava conhecimento do que acontecia em Cuba?
Otero Alcántara – Havia um televisor, onde assistíamos à Telesur e à TV cubana, entre outros canais.
Eu reunia fragmentos de informações de diversas origens. E também podia perguntar à minha família e aos meus amigos durante as chamadas.
Mas os presos que chegavam eram uma fonte fundamental. Soube por eles, por exemplo, da expansão de drogas sintéticas muito baratas entre os jovens de Cuba, especialmente meninos de 12 ou 13 anos de idade.
As histórias que eu ouvia daqueles presos refletiam uma sociedade fraturada. Mães dedicadas a conseguir comida e suportar os apagões, sem recursos para cuidar dos seus filhos.
Em cinco anos, muitas pessoas passaram por mim e assim me mantive conectado à realidade do país.
O artista afirma que se manteve a par da realidade de Cuba, onde a crise econômica se agravou nos últimos cinco anos até atingir níveis extremos
WALTER FOJO/BBC
BBC – O que a prisão mudou em você?
Otero Alcántara – Saí da prisão mais humano e mais maduro.
A prisão é um balde de água fria. Você começa a dar valor ao que antes não valorizava e a compreender sofrimentos que nunca havia visto.
Também entendi melhor como alguns presos comuns terminavam ali. Muitos jovens vivem em um sistema que não oferece emprego, nem a possibilidade de satisfazer suas necessidades básicas e sociais.
Ainda estou em choque e acredito que ficarei com sequelas. Vivo até hoje em estado de alerta.
Na prisão, todos os sentidos permanecem ativos 24 horas por dia. Um ruído forte pode anunciar uma briga, um golpe ou uma transferência.
E a quem podíamos recorrer? A solução oferecida era tomar comprimidos. Eu preferia me concentrar e pintar.
BBC – E quais foram as obras que você criou?
Otero Alcántara – Consegui tirar de Cuba cerca de 4 mil pinturas.
Quero fazer um evento e desenrolar todas estas obras, para que as pessoas possam sentir o cheiro da prisão que elas trazem consigo.
Porque, quando você as retira e as coloca em um local preparado, desaparecem os odores, desaparece parte daquela energia.
Por isso, quero que as pessoas cheguem e cheirem a prisão nas minhas obras, pois é um odor muito específico. Ali, tudo cheira a excrementos, urina, água de lavagem… Chega um momento em que você precisa conviver com aquilo.
Quero que as obras sejam conservadas e não terminem apenas na parede de um colecionador. Também gostaria de expor em lugares importantes e fazer com que meu trabalho atinja alto valor.
A fama e o dinheiro podem ser ferramentas para potencializar um discurso e ajudar as pessoas.
Otero Alcántara começou em julho sua nova vida em liberdade nos Estados Unidos
Reuters
BBC – Sua arte continuará sendo dedicada a Cuba?
Otero Alcántara – Cada minuto da minha vida será dedicado a libertar Cuba daquela torturante ditadura.
Mas quero fazer isso de outro ponto de vista, conectando o projeto cultural cubano ao mundo e aprendendo a conviver com a diversidade e a polêmica própria da democracia.
Existem setores da esquerda mundial que parecem não saber que, neste exato momento, existem presos políticos em Cuba.
Quero poder dizer a eles: “Muito bem, você é de esquerda e eu o respeito; ou você é de direita e eu o respeito. Mas, em Cuba, está acontecendo isto.”
Passei cinco anos preso injustamente e quero explicar tudo do ponto de vista dos cubanos que andam pelas ruas, não dos extremistas políticos.
BBC – O que estar livre significa para você?
Otero Alcántara – Não acredito na liberdade, mas nas liberdades: de se expressar, ter luz, ar-condicionado ou água potável.
Em Cuba, as pessoas não têm nem mesmo a liberdade de ligar um interruptor e ter eletricidade.
Ainda estou aprendendo. Passei cinco anos vestido de cinza, falando baixo e sem poder me mover. Aqui, posso caminhar, pegar um automóvel e falar por telefone sem contar os minutos.
Meu corpo está assimilando tudo isso e se adaptando a uma nova cultura, especialmente para construir uma plataforma para continuar lutando.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

O que brasileiros pensam de influenciadores que fazem publicidade de bets: ‘Destruíram minha vida’


Pesquisa inédita mostra que 40% dos brasileiros não confiam ou passam a confiar menos em quem faz propaganda de bets
AFP VIA GETTY IMAGES/BBC
Foi quase impossível acompanhar a Copa do Mundo esse ano sem se deparar, pelo menos algumas vezes por dia, com o jogador Vini Jr. fantasiado de idoso, encarnando o personagem “Vini Sênior”, em propaganda de uma casa de apostas.
O narrador Galvão Bueno também emprestou sua influência para anúncios do setor, assim como ex-jogadores como Cafu, Zinho, Renato Gaúcho e Túlio Maravilha.
Mas o que os brasileiros pensam de influenciadores, artistas e atletas que fazem propaganda de bets?
Segundo uma pesquisa inédita realizada pela organização não governamental inglesa More in Common, em parceria com o instituto de pesquisas Ipsos-Ipec, 51% dos brasileiros têm uma visão negativa de influenciadores que anunciam bets, enquanto 19% têm visão neutra e somente 9% têm uma impressão positiva dessas pessoas. Outros 21% não sabiam ou não responderam.
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas de 16 anos ou mais de idade, em 130 municípios, entre os dias 4 e 8 de julho, e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. A pergunta foi feita de forma aberta, colhendo respostas espontâneas, posteriormente categorizadas.
Da parcela de brasileiros que têm uma visão negativa sobre famosos que fazem propaganda de apostas, 22% avaliam que esses influenciadores são “irresponsáveis”, “egoístas”, “manipuladores” e “não têm ética”.
Outros 17% afirmam que são más influências e exploram as pessoas, enquanto 8% acreditam que são pessoas que pensam apenas no próprio benefício, e 4% dizem que deixam de seguir essas pessoas, que elas deveriam ser punidas, ou as propagandas proibidas.
Em outra pergunta, com respostas fechadas, sobre como fazer propaganda de bets afeta a confiança dos entrevistados nos famosos, 40% disseram que não confiam ou passam a confiar menos em influenciadores, artistas e atletas que fazem propaganda de bets, enquanto 53% dizem que sua confiança não muda, 4% dizem que passam a confiar mais e 4% não sabiam ou não responderam.
Aqui, novamente, o percentual dos que não confiam ou passam a confiar menos nesses influenciadores é maior entre os mais escolarizados (48% entre quem tem ensino superior) e entre quem tem mais renda (46% entre os que ganham acima de cinco salários mínimos).
“Os dados sugerem um trade-off [uma troca] pouco percebido por quem aceita esses contratos: a receita imediata da publicidade de apostas é alta, mas a erosão de confiança é elevada e se concentra nas faixas de maior renda e escolaridade — aquelas de maior valor publicitário”, avalia Pablo Ortellado, diretor-executivo da More In Common no Brasil.
“O influenciador troca, portanto, um ganho certo hoje, por um desgaste de reputação no público que sustenta sua própria capacidade de monetização no futuro”, completa Ortellado, que também é professor no curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP).
Em relatório publicado em 2024, o Itaú estimou os gastos do setor de apostas com marketing entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões.
“Esses números devem ser muito maiores em 2026: o patrocínio master da Série A do campeonato brasileiro de futebol cresceu 125% em dois anos e o setor de apostas passou a ser o terceiro maior anunciante da TV”, observa o pesquisador.
Questionado sobre o resultado da pesquisa da More In Common, o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, diz que é preciso diferenciar influenciadores que promovem operadores autorizados pelo Ministério da Fazenda e aqueles que divulgam plataformas ilegais de apostas.
“Isso faz muita diferença na percepção do público. O mercado ilegal não observa as normas de publicidade estabelecidas pelo governo federal e pelo Conar [Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária]”, observa Lemos Jorge.
“Com frequência, promove campanhas direcionadas a menores de idade, utiliza promessas enganosas de ganhos fáceis e desrespeita regras básicas de proteção ao consumidor. As operações policiais constantes contra esse grupo têm mostrado o risco”, afirma.
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), por sua vez, não respondeu a pedido de comentário até a publicação desta reportagem.
‘Destruíram minha vida’, diz apostador que tentou processar Virginia, Deolane e Carlinhos Maia
O cabeleireiro Isaac Pinto de Andrade, de 43 anos e morador de Campinas, vive um caso extremo dessa perda de confiança em influenciadores que fazem publicidade de bets.
Em junho deste ano, ele entrou na Justiça com uma ação contra três empresas de intermediação ligadas a plataformas de apostas, e contra os influenciadores Virginia Fonseca, Deolane Bezerra e Carlinhos Maia, a quem atribui parte da culpa por ter desenvolvido transtorno de jogo.
“Na primeira vez que entrei, acabei ganhando um prêmio muito alto, eu coloquei R$ 700 e, em menos de quatro horas, ganhei R$ 12 mil”, lembra Andrade, em entrevista à BBC News Brasil.
“Aquilo foi surreal para mim e correspondeu muito ao que os influenciadores passavam, aquela facilidade [de ganhar dinheiro]. Depois de dois ou três meses, me percebi totalmente refém daquilo, hoje estou com a vida destruída, dilacerada por conta das consequências que isso me trouxe.”
Isaac Pinto de Andrade entrou na Justiça contra Virginia Fonseca, Deolane Bezerra e Carlinhos Maia, após perder mais de R$ 100 mil com apostas
BBC
Andrade estima suas perdas financeiras em mais de R$ 100 mil. “Eu tinha casa própria, eu tinha um salão de beleza, eu era um cidadão de bem, mas perdi tudo isso em um período de dois anos.”
O cabeleireiro afirma que sua intenção ao processar os influenciadores foi fazer com que eles refletissem sobre as consequências de suas ações.
“São pessoas que vieram ao mundo e foram agraciadas de alguma forma. E que, infelizmente, não põem a mão na consciência para saber as consequências que elas estão gerando na vida de pessoas comuns e simples”, afirma.
“Então espero que eles repensem essas atitudes. Pessoas que já têm tudo — será que elas têm mesmo a necessidade de se associar a coisas que estão devastando o mundo?”, questiona.
Na semana passada, o juiz responsável pelo caso excluiu duas das empresas e os três influenciadores do processo, extinguindo a ação em relação a eles, sem análise do mérito.
O juiz Bruno Gonçalves Mauro Terra, da 5ª Vara Cível da Comarca de Campinas, avaliou que duas das empresas citadas, por serem intermediadoras de pagamentos, “não mantiveram qualquer relação jurídica contratual ou obrigacional direta com o autor” e se limitaram a prestar serviços financeiros. E que Virginia, Deolane e Carlinhos Maia se limitaram “à veiculação de conteúdos em redes sociais, sem integrar a essência da relação jurídica de apostas objeto da demanda”.
O juiz também declinou o pedido de Andrade para ter acesso à Justiça gratuita, argumentando que, se ele teve perdas financeiras superiores a R$ 100 mil em apostas, além de ter realizado aportes vultosos nas plataformas de jogos de azar, sua condição financeira é incompatível com o benefício.
A ação, no entanto, não foi integralmente extinta, e prossegue em relação a uma das empresas indicadas na petição inicial. A decisão também poderá ser objeto de recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Andrade se diz decepcionado com a decisão do juiz de excluir os influenciadores do processo, mas pretende seguir com a ação contra a empresa restante.
“Eu acredito que ele [o juiz] se baseou nos estudos dele, jamais vou julgar, mas não vou perder minha esperança e nem vou desistir”, afirma.
As assessorias de imprensa de Virginia Fonseca e Deolane Bezerra disseram à BBC News Brasil que elas não se pronunciariam sobre o caso.
Já a defesa de Carlinhos Maia destaca, em nota, que a decisão do juiz reforça seu entendimento de que não há fundamento jurídico para atribuir ao influenciador responsabilidade pelos prejuízos alegados. A defesa diz que seguirá acompanhando o processo e “adotará medidas cabíveis caso haja recurso contra a decisão”.
‘Opinião pública dá espaço para endurecer regras sobre publicidade de bets’
Criada em 2016 na Inglaterra, a partir do assassinato da parlamentar trabalhista Jo Cox por um radical de direita, a More In Common é uma organização que se dedica a estudar a polarização política em diversos países do mundo.
Ortellado explica, porém, que o interesse da instituição em pesquisar a questão das bets no Brasil veio justamente do fato de este ser um dos poucos temas hoje que não divide a população.
“Todas as pesquisa têm mostrado que, seja de esquerda ou de direita, todos os eleitores odeiam bets”, observa o diretor-executivo da More In Common.
“Todos acham que isso causa vício e endivida as famílias, não varia quase nada se a pessoa vota no Lula, ou vota no Bolsonaro.”
Assim, Ortellado observa que há espaço político para um endurecimento maior das regras com relação à publicidade de casas de apostas no Brasil.
Rio de de Janeiro está entre as capitais que proibiram a publicidade de bets
AFP VIA GETTY IMAGES/BBC
Em julho, após a polêmica em torno dos anúncios de bets em jogos da Copa, o governo federal impôs novas regras para esse tipo de propaganda. Com a mudança, toda publicidade de empresas autorizadas deve passar a ser acompanhada de mensagens de advertência semelhantes às utilizadas em propagandas de cigarros, bebidas alcoólicas e medicamentos.
As novas regras também proíbem que as apostas sejam apresentadas como uma forma de investimento ou ganho fácil de dinheiro, a criação de senso de urgência para estimular apostas, e a utilização de comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o público a apostar.
Em paralelo, ao menos cinco capitais e dois Estados também apresentaram medidas para restringir a publicidade de casas de apostas, incluindo Belo Horizonte e Rio de Janeiro (capital) e Rio Grande do Sul com legislações já aprovadas, e São Paulo (capital), Recife, Florianópolis e Paraná, com projetos de lei aguardando aprovação, segundo levantamento da Folha de S.Paulo.
“Essas mudanças são bem-vindas, mas não são suficientes”, avalia Ortellado.
“Há modelos internacionais bem mais restritivos, incluindo restrições de horário e de veiculação em ambiente esportivo”, exemplifica.
“O que nossas pesquisas mostram é que há grande apoio popular para um endurecimento — e apoio popular independente de coloração partidária.”
Agora no g1

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Aos 21 anos, Tom Holland tentou pegadinha com o g1. Agora com 30, o Homem-Aranha continua o mesmo: ‘Às vezes, deveria parar’


Há 9 anos, Tom Holland tentou enganar o g1. Ele continua o mesmo
Aos 30 anos, Tom Holland estrela seu quarto filme como o herói mais popular do mundo em “Homem-Aranha: Um novo dia”, que estreou nesta quarta-feira (29). Mesmo quase uma década depois de ter sido selecionado para o papel por sua personalidade brincalhona, ele continua o mesmo – mas pensa, de vez em quando, se deveria.
“Meu Deus, sim. Isso é algo que nunca vai acabar”, diz o ator, rindo, em entrevista ao g1.
“Às vezes, deveria parar.”
Em 2017, esteve no Brasil para divulgar sua estreia como o personagem em “De volta ao lar”. Então com 21 anos, o britânico colocou o irmão, Harry, com uma máscara de Homem-Aranha em seu lugar para responder às perguntas do g1 enquanto ia ao banheiro. Relembre no vídeo acima.
Na volta, ficou decepcionado ao saber que não tinha conseguido enganar a reportagem. “É a falta de braços”, exclamou, satisfeito ao saber que a magreza do mais novo o entregara.
Tom Holland em cena de ‘Homem-Aranha: Um novo dia’
Divulgação
Nove anos depois, ele ri e jura lembrar da situação – apesar de fazer das pegadinhas parte dos bastidores de todos os seus “Homem-Aranha”.
“Nós passamos por uma fase. Acho que foi em ‘Homem-Aranha: Longe de casa’ (2019). Nós pegávamos todo o álcool em gel e enchíamos as garrafinhas com lubrificante”, conta o britânico, deliciado.
“Então, as pessoas estavam lá no estúdio e você via alguém: ‘Ah, vou passar um pouco de álcool gel’. E então elas falavam: ‘Que diabos?’. Eu fiz isso com o Mitch Bell, o produtor. Era muito bom.”
Brincadeira não pode parar
Em “Um novo dia”, nosso Peter Parker se afunda no trabalho como o herói Amigão da Vizinhança de Nova York para tentar superar a solidão – depois de ter usado um encantamento para fazer o mundo inteiro esquecer de sua existência em “Sem volta para casa” (2021).
Como se não bastasse ter de enfrentar uma nova ameaça, que consegue controlar pessoas aleatórias, ele ainda precisa encarar mudanças estranhas em seu corpo e em seus poderes.
Tom Holland em cena de ‘Homem-Aranha: Um novo dia’
Divulgação
Herdeiro do protagonista brincalhão, o novo diretor dos filmes do herói não reclama desse lado mais descontraído de Holland.
“E esse é o prazer de ter Tom Holland no estúdio. Ele obviamente é muito charmoso e gentil, mas as piadas nunca acabam”, afirma Destin Daniel Cretton.
Íntimo da Marvel após “Shang-Chi e a lenda dos dez anéis” (2021) e a série “Magnum”, o americano de 47 anos assume o comando de “Um novo dia” no lugar de Jon Watts, responsável por todos os filmes do herói na Marvel até aqui.
“As brincadeiras não param. E as pequenas pegadinhas também não param. Mas esse é o lado bom.”
Tom Holland em cena de ‘Homem-Aranha: Um novo dia’
Reprodução/YouTube/Sony Pictures Entertainment

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

‘Coral do funk’ viraliza com batida na palma da mão que conquistou Lewis Hamilton e rodou o mundo


‘Coral do funk’ viralizou nas redes sociais
Reprodução/Instagram
Um funkeiro batendo palmas e rimando. Essa fórmula ganhou destaque nas redes sociais e chamou a atenção de nomes como o piloto Lewis Hamilton e o youtuber Mr. Beast.
Foi graças à internet e às plataformas de vídeos que essa dinâmica ganhou fama e se tornou referência, virando não apenas uma forma de divulgação, mas a música em si.
Mas agora esse tipo de conteúdo ganhou um novo elemento: os funkeiros agora se juntaram em grupo e decidiram reproduzir uma espécie de coral. A ideia viralizou.
Foi o caso dos MCs Zignani, Oracioh e Kauan PV, que se autointitulam “Os Mlks da Medley”. Eles aparecem cantando pelas ruas, usando como base palmas sincronizadas.
“É só a mão, o braço fica parado. A gente sincroniza para melodia ficar limpinha e o pessoal gostou da ideia, os comentários elogiam muito como as vozes ficaram legais com as palmas”, explica MC Zignani.
Initial plugin text
A ideia de gravar jovens MCs cantando com palmas sincronizadas e formação de coral partiu de MC DR.
Ao g1, o funkeiro e empresário explicou que viu um vídeo no YouTube que o inspirou a misturar a ideia de um coral tradicional com o medley do funk, que ele chama de “Coral da Quebrada”.
“Vi uma galera cantando como um coral na rua e pensei: ‘nossa, acho que dá para fazer isso no funk’. E a nossa essência é a palma da mão. Falei com os moleques e decidimos gravar um vídeo nessa pegada, focando nas vozes, algo que ficasse bem sincronizado e com a cara do nosso gênero”, diz o cantor.
Initial plugin text
Os vídeos dos MCs cantando em uma escadaria na região do bairro Cangaíba, na Zona Leste de São Paulo, acumulam cerca de cinco milhões de visualizações no Instagram e TikTok.
“Estamos muito felizes com a repercussão, não esperávamos mesmo. Agora o que a gente quer é fazer show, mostrar esse talento no palco”, contou MC Kauan PV.
Os primórdios das palminhas
As medleys (duas ou mais músicas cantadas sobre um mesmo ritmo) existem no funk desde os primórdios. Com a popularização dos celulares com câmera e do YouTube, no começo dos anos 2010, esse formato se tornou mais frequente no gênero.
Um dos primeiros virais nesse modelo foi uma sequência com os MCs Guimê, Rodolfinho e Lon, alguns dos principais nomes na época.
A linguagem foi se tornando cada vez mais popular, misturando não só a ideia inicial, de regravar músicas de sucesso no formato acústico, mas também apresentar futuros trabalhos.
Foi assim, inclusive, que as produtoras do gênero passaram a apresentar novos nomes. MC Kevin, MC Hariel, MC Davi, MC IG, principais nomes do gênero hoje, começaram apresentando suas canções com medleys na palma da mão.
Palmas pelo mundo
Em setembro de 2024, João Pedro Silva Coutinho, ou MC Menor JP, publicou um vídeo cantando uma música feita a partir de “Mina de Vermelho”, do MC Daleste.
A versão do brasileiro chamou a atenção do mundo. Não pela letra, mas pela agilidade em bater palmas formando um beat acústico para a canção.
Muitos influenciadores pelo mundo passaram a comentar ou replicar o vídeo de Menor JP, que acabou chamando a atenção de grandes nomes o levou para turnês pela América Latina e Europa.
“Quando eu vi o primeiro vídeo do gringo dançando, eu ‘rachei o bico’. Falei: ‘Mentira, chegou lá’”, disse, em entrevista anterior ao g1.
Uma das celebridades que tentaram reproduzir o ritmo do funkeiro foi Lewis Hamilton, que chegou a ter uma aula com Menor JP durante uma passagem pelo Brasil.
Initial plugin text

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Cinebiografia de Clara Nunes, com a atriz Camila Pitanga no papel da cantora, tem uma grande questão pela frente…


Clara Nunes (1942 – 1983) – vista em imagem de ensaio fotográfico de 1982 – terá a trajetória contada no filme intitulado ‘Clara’
Wilton Montenegro / Divulgação
♫ OPINIÃO
♬ A vida de Clara Nunes (12 de agosto de 1942 – 2 de abril de 1983) foi mesmo coisa de cinema. Não chega a surpreender que, na onda das cinebiografias de astros e estrelas da música, a Matizar Filmes tenha anunciado a produção de um longa-metragem de ficção sobre a vida da cantora mineira, cuja voz luminosa conquistou o Brasil ao longo da década de 1970 com álbuns como “Alvorecer” (1974), “Claridade” (1975), “Canto das três raças” (1976), “As forças da natureza” (1977) e “Guerreira” (1978), entre outros grandes discos. Caberá à atriz Camila Pitanga interpretar a artista no filme intitulado “Clara”.
Com roteiro de Flavia Vieira e Janaína Tokitaka, a cinebiografia tem uma grande questão pela frente: abordar (mesmo que de forma superficial) ou simplesmente ignorar a tragédia familiar que assombrou a vida de Clara Nunes, mesmo quando a cantora já tinha se firmado na carreira na década de 1970 e vivia na cidade do Rio de Janeiro (RJ), longe do local da tragédia.
Trata-se do assassinato de jovem de 17 anos, Adilson Alvarez da Costa, morto em 3 de setembro de 1957 pelo irmão da cantora, José Pereira Gonçalves, conhecido como Zé Chilau. O crime foi cometido em “defesa da honra” da então adolescente Clara e teve consequências sérias na vida da jovem, que teve que migrar do interior de Minas Gerais para Belo Horizonte (MG) para escapar da ira da cidade em que vivia com a família.
Esse fato trágico na biografia da cantora somente veio à tona em 2007 com a edição da referencial biografia “Clara Nunes – Guerreira da utopia”, escrita pelo jornalista Vagner Fernandes.
Como relata Fernandes no livro, Clara Nunes conviveu com as consequências da tragédia por toda a vida, mas tudo leva a crer que o foco do filme “Clara” será essencialmente direcionado para a trajetória profissional da cantora, que bateu cabeça na segunda metade da década de 1960 até encontrar um caminho e uma identidade artística ao eleger o samba como o mote da discografia a partir de 1971, adotando a estilizada imagem afro-brasileira idealizada pelo radialista Adelzon Alves, produtor musical dos discos que consolidaram Clara Nunes como sambista através de quatro álbuns lançados entre 1971 e 1974.
A cinebiografia “Clara” é projeto realizado pela Matizar Filmes em parceria com a Paraguassu, produtora da atriz Camila Pitanga, e em coprodução com a H2O Produções.
Camila Pitanga é protagonista e coprodutora da cinebiografia da cantora Clara Nunes (1942 – 1983)
Raphael Tepedino / Divulgação Matizar Filmes

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Viih Tube diz que vai ‘fazer do limão uma limonada’ após acordo com MPT e produção de vídeos trabalhistas


Viih Tube e Eliezer encerram reality com empregados e pagarão R$ 350 mil por dano moral
A influenciadora Viih Tube afirmou que vai “fazer do limão uma limonada” após o acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) envolvendo o reality show “As Patroas”. Em vídeos publicados nos stories do Instagram, ela disse que terá que produzir conteúdos educativos sobre direitos trabalhistas como parte dos compromissos assumidos.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O casal de influenciadores firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT e se comprometeu a encerrar o reality “As Patroas”, que era protagonizado por empregados domésticos da residência e exibido nas redes sociais.
Pelo acordo, também deverá pagar R$ 350 mil por dano moral coletivo e retirar do ar, em até 48 horas, conteúdos considerados irregulares pelo órgão.
Segundo Viih Tube, a manifestação só aconteceu após a conclusão das negociações com o Ministério Público. Ela afirmou que, durante o período de apuração, não poderia comentar o caso porque o acordo ainda estava sendo construído.
A influenciadora afirmou que entende as críticas e pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas com o conteúdo exibido no programa.
“Quero muito pedir desculpas para vocês que se sentiram ofendidos. A gente entende todos os questionamentos, todas as denúncias, tudo que todo mundo falou”, afirmou a influenciadora pelo Instagram.
Leia ainda:
Dinheiro na privada e outras polêmicas: como era o reality de Viih Tube e Eliezer
Durante o vídeo, ela disse que o casal apresentou ao MPT documentos relacionados à produção, como contratos de trabalho, informações sobre remuneração e roteiros do programa. Segundo ela, os materiais indicavam que as funcionárias tinham conhecimento da dinâmica do reality.
Apesar disso, a influenciadora reconheceu que a exposição gerou questionamentos sobre a forma como trabalhadores domésticos foram apresentados ao público.
“Mesmo que foi combinado, roteirizado, enfim, tudo isso vocês já sabem, mas não tira o fato de que nós influenciamos pessoas. A gente tem uma audiência altíssima que não pode normalizar a situação que a gente colocou elas”, disse.
Como parte do acordo com o MPT, o casal deverá publicar três vídeos educativos sobre direitos dos empregados domésticos. Segundo a influenciadora, esses conteúdos serão uma forma de transformar a situação em uma ação de conscientização.
“Vamos fazer do limão uma limonada dessa situação com o MPT, para realmente instruir pessoas sobre os direitos e deveres de cada colaborador que você tem aí na sua casa, principalmente as domésticas”, afirmou.
Ela explicou que os conteúdos não serão uma retomada do reality nem tratarão diretamente do caso, mas terão como objetivo orientar trabalhadores e empregadores sobre legislação trabalhista.
“Eu ainda vou aparecer falando não sobre esse assunto diretamente, mas indiretamente, para que você também não seja pego de surpresa”, disse.
O g1 procurou os influenciadores Viih Tube e Eliezer, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Reality de Viih Tube e Eliezer terá prêmio de mais de R$ 20 mil
Reprodução/YouTube
Entenda a decisão do MPT
O acordo encerrou a investigação aberta pelo Ministério Público do Trabalho para apurar possíveis violações relacionadas ao reality “As Patroas”.
O programa colocava 11 empregados domésticos do casal em uma competição com provas e desafios em troca de prêmios, como dinheiro e redução da jornada de trabalho. Entre as dinâmicas exibidas, havia uma prova em que participantes precisavam procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras.
Para o MPT, a exposição pública dos trabalhadores e o uso da imagem deles em uma produção com finalidade comercial levantaram questionamentos sobre possíveis violações de direitos trabalhistas.
Pelo TAC, os influenciadores se comprometeram a:
não produzir ou divulgar conteúdos que exponham empregados domésticos ou outros trabalhadores a situações humilhantes ou vexatórias;
não exigir ou incentivar a participação de funcionários em realities ou produções semelhantes;
garantir que futuras participações de trabalhadores em conteúdos audiovisuais sejam voluntárias e formalizadas por escrito;
não praticar retaliações contra empregados que recusem convites ou denunciem irregularidades.
Em caso de descumprimento das regras previstas no acordo, está prevista multa de R$ 50 mil por cláusula violada, além de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.
A indenização de R$ 350 mil por dano moral coletivo não será destinada diretamente às funcionárias envolvidas. O valor será encaminhado a um fundo público, como o Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), utilizado para financiar projetos de interesse coletivo.
Reality não poderá mais mostrar rotina com funcionárias
Em outro story publicado após o pronunciamento, a influenciadora respondeu dúvidas dos seguidores sobre o pagamento da indenização e sobre a relação com as funcionárias.
Ela explicou que o dinheiro do dano moral coletivo não será repassado às trabalhadoras.
“E a pergunta que vocês mais me fizeram hoje foi se o dinheiro que vamos pagar pelos danos morais coletivos vai para as meninas aqui de casa. E não gente, não vai”, escreveu.
Ela também informou que o casal não poderá mais gravar ou publicar conteúdos mostrando a rotina com as empregadas domésticas, uma das medidas previstas no acordo.
“Não poderemos mais mostrar/gravar nossa rotina com elas, como um dos ajustes de conduta. Sei que amavam acompanhar e dávamos muitas risadas, mas preferi avisar para que não achassem que a gente que não quer mais gravar algo com elas”, afirmou.
Segundo ela, as funcionárias continuam bem e entenderam a decisão, embora tenham ficado tristes com o encerramento do reality.
Viih Tube esconde moeda de seu reality dentro do vaso sanitário.
Reprodução

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Arlindinho pede desculpas após polêmica com Érika Januza: ‘Assumir consequências das minhas escolhas’


O cantor Arlindinho e a atriz Erika Januza
Reprodução/Instagram
O cantor Arlindinho publicou nesta quarta-feira (29) uma carta nas redes sociais com um pedido de desculpas para a atriz Erika Januza.
Nos últimos dias, o nome do cantor esteve relacionado a uma suposta traição a Erika, sua então namorada. Após repercussão do caso, os dois apagaram fotos em que apareciam juntos nas redes sociais.
No texto publicado no Instagram, o filho do sambista Arlindo Cruz disse que não entraria em detalhes sobre o que aconteceu.
“A Érika, quero pedir desculpas publicamente. E reafirmo aqui o que falei pessoalmente. Sinto muito por ter decepicionado você. Tenho muito respeito pela sua história e pela mulher que você é.”
“Esse episódio me fez enxergar algumas coisas que preciso olhar com mais coragem. Já estou buscando esse caminho, com o apoio de profissionais, da minha família e da minha fé. É nela que encontro força pra enfrentar esse momento, assumir as consequências das minhas escolhas e tentar ser um homem melhor a cada dia”, diz trecho da publicação.
*Reportagem em atualização

Fonte: G1 Entretenimento