Categorias
ENTRETERIMENTO

Prêmio para Martinho da Vila em 2027 coroa 60 anos de carreira pavimentada com coerência no samba e na vida


Martinho da Vila é homenageado da edição de 2027 do Prêmio da Música Brasileira
Leo Aversa / Divulgação
♫ ANÁLISE
♬ Se o Prêmio da Música Brasileira seguiu a toada de recentes e merecidos tributos a Cazuza (1958 – 1990) na edição deste ano de 2026, sem fazer diferença na onda de homenagens ao Exagerado, a próxima edição da premiação criada pelo empresário José Maurício Machline em 1987 – a 34ª, prevista para ser realizada em meados de 2027 – acerta e surpreende ao escolher Martinho da Vila como o homenageado do ano que vem.
A ocasião não poderia ser mais adequada. Cantor, compositor e ritmista fluminense, um dos maiores bambas do samba, Martinho José Ferreira completará 60 anos de carreira em 2027. Foi em 1967 que o artista entrou em cena, no palco de festival da canção, para defender o partido alto “Menina moça”, de lavra própria. Nascido em 12 de fevereiro de 1938, em Duas Barras (RJ), o cantor debutante tinha então 29 anos.
O sucesso massivo viria dois anos depois, em 1969, com o primeiro álbum, intitulado “Martinho da Vila”. Sim, na ocasião, Martinho já era da Vila, em alusão ao envolvimento definidor e definitivo do artista com a escola de samba Unidos de Vila Isabel, agremiação na qual entrou em 1965, tendo ingressado na ala de compositores da escola já em 1966.
Na Vila, Martinho logo ocupou lugar de destaque – a ponto de assinar (em parceria com Gemeu) o samba-enredo do desfile da escola em 1967, “Carnaval de ilusões”. O primeiro de muitos.
De 1967 para cá, Martinho da Vila pavimentou um caminho seguido com extrema coerência, marcando época e posição na música brasileira. O compositor contribuiu para propagar o partido alto além dos quintais e terreiros cariocas, além de ter modernizado o samba-enredo, tornando o gênero menos caudaloso sem perda da beleza melódica e poética – como comprovam obras-primas como “Quatro séculos de modas e costumes” (1968), “Yayá do Cais Dourado” (1969), “Onde o Brasil aprendeu a liberdade” (1972), “Sonho de um sonho” (1980) e “Pra tudo se acabar na quarta-feira” (1984).
Como compositor, Martinho da Vila é dono de obra grandiosa, construída em torno da cadência plural do samba, mas com eventuais incursões por outros gêneros musicais como blues, choro e calango. Tradutora de anseios e conquistas da negritude, essa obra também abrange livros, com o ofício de escritor tendo sido intensificado nos últimos anos.
Como cantor e como cidadão, Martinho da Vila sempre se alinhou à democracia, dando voz à luta por justiça social e igualdade racial. Sob prisma social, a obra do bamba o entronizou como um herói da liberdade e da resistência contra toda forma de opressão. Com o manemolente larará do canto e da fala pausada, no estilo devagar devagarinho, Martinho da Vila jamais baixou a cabeça e a voz. Na música e na vida.
A música e a ideologia de Martinho da Vila sempre caminharam juntas e misturadas nestes 60 anos de carreira que serão completados em 2027. Ambas credenciam o bamba a receber a homenagem que lhe será prestada pelo Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira em 2027.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Músicas de ‘Equilibrivm II’, de Anitta, não fazem jus à grandiosidade do projeto


Capa do álbum ‘Equilibrivm II’, de Anitta
Divulgação
Título: “Equilibrivm II”
Artista: Anitta
Nota: 6,5/10
Para Anitta, 2026 está sendo um ano frutífero. Em abril, ela lançou o disco “Equilibrivm” e se arriscou em novos horizontes musicais e temáticos, trazendo a espiritualidade para o cerne de seu trabalho.
Foi um risco calculado que deu certo, e ela se viu bem-recebida por críticos e fãs como poucas vezes em sua carreira. Então, Anitta quis mais e, nesta quinta (23), lançou a parte 2.
Ao falar da nova etapa, a cantora revelou que se inspirou na primeira para reproduzir o que deu certo. “Vocês amaram [o reggae no primeiro disco], então falei: ‘A gente precisa ter mais reggae””, disse em um dos vídeos em que explica faixa a faixa.
O disco reflete essa pressa de se manter no coração do público e da crítica. Elaborado e lançado em cerca de três meses, “Equilibrivm II” busca mergulhar ainda mais fundo nessa nova fase — mas musicalmente, fica na superfície, aquém do antecessor e da grandiosidade do projeto.
Projeto é melhor que suas músicas
Como muitos álbuns pop, “Equilibrivm” não é só um conjunto de músicas, mas um projeto cheio de desdobramentos.
Junto desta segunda parte, Anitta lançou um curta de 35 minutos, que rendeu um merecido burburinho: é uma belíssima colagem de recursos, participações e referências, explorando a relação da artista com ela mesma, a carreira, a imagem e a fé. E segue sendo admirável ver uma artista deste porte ostentando sua relação com o candomblé.
Mas no que diz respeito às músicas, “Equilibrivm II” acaba servindo melhor como trilha sonora de um grande projeto audiovisual do que como álbum. Não era para ser o contrário?
Anitta em imagem do álbum ‘Equilibrium II’
André Nicolau / Divulgação
Enquanto os visuais são monumentais, as canções são mornas. Há exceções, como a potente “Sal Grosso”, mescla de funk e dancehall com o cantor caxiense KBrum; e “Oke”, que consegue misturar Anitta e os artistas Brô MC’s e Katú Mirim em uma inebriante “rave indígena”.
Também é um destaque a etérea “Contemplação”, com harmonias cristalinas e os coros hipnóticos do Grupo Ofá.
Mas é no recheio, quando Anitta mira nos gêneros mais tradicionais da música brasileira (ora bossa nova, ora samba, ora forró), que tudo soa menos interessante.
Na teoria, a fórmula está lá, com credenciais irrefutáveis: Maria Bethânia entoa um poema com sua voz de arrepiar, Alceu Valença empresta seu charme para um forró e há até uma interpolação de Carmen Miranda.
Mas boa música não é formulaica, e aqui, há várias faixas pouco marcantes. Boa parte das 16 músicas tem arranjos lavados e letras raramente inspiradas — caso de “Eu Não Sou Santa”, “Respira” e por aí vai. Anitta é uma intérprete de bela voz, mas imprime pouca emoção; a execução fica mais “coach good vibes” do que a potente artista brasileira que ela é.
Mais estranha ainda é a versão em espanhol de “Azul”, do Djavan, em que ela canta “el amor e’ azulito”. No primeiro disco, a artista já incluiu faixas em outras línguas (é o conceito de equilíbrio entre idiomas, será?); agora, Anitta volta a fazê-lo para… contemplar o público que fala espanhol, segundo ela. A escolha segue destoando, já que o resto do disco fala de brasilidade para brasileiros.
Anitta em imagem do disco ‘Equilibrium II’
Reprodução / Teaser X Anitta
Anitta é enfática ao dizer que “Equilibrivm”, partes um e dois, formam o projeto mais importante de sua carreira. Não à toa: escancarar sua fé em orixás, honrar a cultura nacional e as expressões afro-brasileiras é um ato louvável — sobretudo para a maior artista pop do país.
É, de fato, um projeto com capricho na embalagem, nos visuais e na narrativa. Mas se a proposta é tão corajosa, musicalmente, o disco arrisca muito pouco. A gente sabe que Anitta pode bem mais.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

‘Currículos para casamento’: conheça o mercado chinês em que pais procuram parceiros para os filhos


Como funciona o mercado de casamentos na China, onde pais anunciam os filhos
Em um parque no coração de Xangai, centenas de folhas de papel presas em guarda-chuvas e murais revelam um costume que ainda resiste na China: o mercado de casamentos. Todos os domingos, pais se reúnem na Praça do Povo para anunciar os filhos solteiros e tentar encontrar um parceiro ideal para eles.
Os anúncios funcionam como verdadeiros currículos. Eles trazem informações como idade, escolaridade, profissão, renda anual, patrimônio, altura e características desejadas para um futuro companheiro. Em muitos casos, os próprios filhos sequer participam da procura — são os pais que tomam a iniciativa de divulgar seus perfis.
A preocupação costuma aumentar quando os filhos chegam aos 30 anos. Segundo uma mãe ouvida na reportagem, a filha sabe que ela frequenta o mercado e também deseja se casar, mas a decisão final continua sendo dela.
Como funciona o mercado de casamentos na China, onde pais anunciam os filhos
Reprodução/TV Globo
Casamenteiros profissionais
A grande procura transformou a prática em um negócio. Hoje, existem agências especializadas em aproximar casais, com profissionais que fazem a triagem dos candidatos e indicam possíveis combinações.
Uma casamenteira entrevistada conta que entrou no ramo depois de encontrar o próprio marido por meio de um anúncio de jornal, há cerca de 20 anos. Agora, ela usa sua experiência para avaliar rapidamente os perfis disponíveis e identificar quais candidatos têm mais chances de formar um casal.
Entre os critérios considerados mais importantes pela geração mais velha estão estabilidade financeira, patrimônio e renda. Em um dos anúncios apresentados, por exemplo, o destaque é que a família do candidato possui 40 milhões de yuans em bens, enquanto outro enfatiza o salário mensal de um engenheiro.
Segundo uma das casamenteiras, diferentemente do Brasil, onde os jovens priorizariam liberdade e felicidade, em Xangai a estabilidade financeira ainda pesa bastante na escolha de um parceiro.
Como funciona o mercado de casamentos na China, onde pais anunciam os filhos
Reprodução/TV Globo
Aplicativos não substituíram o mercado
Embora aplicativos de namoro também sejam populares na China, as agências afirmam oferecer um diferencial: fazem uma seleção prévia dos candidatos e verificam informações para garantir mais confiança e autenticidade nos encontros.
Mesmo assim, o setor sente os efeitos das mudanças de comportamento entre os jovens. A própria dona da agência admite que a procura caiu nos últimos anos, já que muitos passaram a priorizar um estilo de vida mais independente e relaxado, adiando ou deixando de lado os planos de casamento.
Para dialogar com esse novo público, empresas do setor passaram até a contratar profissionais mais jovens para produzir conteúdos voltados às redes sociais, em uma tentativa de aproximar uma geração que valoriza mais afinidade e realização pessoal do que patrimônio ou pressão familiar.
Como funciona o mercado de casamentos na China, onde pais anunciam os filhos solteiros
Reprodução/TV Globo
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico
Ouça os podcasts do Fantástico
ISSO É FANTÁSTICO
O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

O movimento body positive emagreceu: como este ativismo perdeu força nos últimos anos?


No Brasil, a influenciadora Beta B.oechat foi uma das primeiras desse segmento a emagrecer
Divulgação
Há cerca de uma década, enquanto blogueiras ostentavam dietas restritas e barrigas negativas, um movimento na direção contrária passou a ganhar atenção em todo o mundo: o body positive ou body positivity (positividade corporal, em inglês). A iniciativa que prega o amor próprio e a aceitação de todos os corpos, independentemente da forma física, passou a ocupar espaço relevante nas redes.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
O movimento ganhou vozes e corpos diversos no Brasil e teve o seu auge por volta dos anos de 2019 a 2022. Na esteira da autoaceitação, marcas viram a oportunidade para faturar com iniciativas voltadas a diferentes formas físicas.
Nos últimos anos, porém, especialistas apontam que o movimento perdeu força em todo o mundo. As passarelas já não dão o mesmo espaço aos corpos fora do padrão e as marcas cada vez menos apoiam campanhas sobre diversidade.
O body positive entrou em crise. Nesse mesmo período, figuras que promoviam esse movimento e compartilhavam suas experiências como pessoas gordas decidiram emagrecer. Com isso, elas enfrentaram críticas e questionamentos.
Militância que se voltou contra ativistas que passaram por mudanças
No mundo, um dos casos de emagrecimento mais famosos é o da influenciadora americana Thubten Donme, que era um dos nomes do movimento nos Estados Unidos. Ela era modelo plus size e publicava mensagens sobre aceitação corporal. Em 2023, seguidores notaram que Thubten estava emagrecendo e ela passou a ser alvo de críticas de antigos apoiadores.
No Brasil, a influenciadora Beta Boechat, de 36 anos, foi uma das primeiras desse segmento a emagrecer. Ela foi uma das fundadoras do Corpo Livre, uma interpretação brasileira do movimento. Na época, justificou nas redes a decisão de passar por uma cirurgia bariátrica para perder peso. “Cheguei aos 220 quilos e fiquei em um nível que perdi minha mobilidade 100%”, disse.
Beta também passou a ser alvo de críticas. Para a influenciadora, muitas pessoas não entenderam o que ela defendia no body positive.
“Me cobram para seguir uma cartilha que elas próprias criaram para tentar me enquadrar. Eu nunca falei que as pessoas não poderiam emagrecer, muito pelo contrário. Mas o simples fato de alguém ir a público falar ‘hoje eu estou bem com o meu corpo’ era tão agressivo que as pessoas entendiam: “por favor, almoce pizza e jante hambúrguer todo dia ou engorde, sim, por favor, o importante é engordar'”, diz Beta.
A influenciadora não fala mais sobre o movimento nas redes. Ela conseguiu conquistar um novo público com vídeos em que reage a conteúdos de humor. Neste ano, se tornou apresentadora de um programa na Dia TV, uma plataforma digital de televisão.
“Meu conteúdo reflete o que eu vivo. Falei sobre aceitação porque naquele momento era o que eu mais precisava trabalhar em mim mesma. Em algum momento, essas necessidades foram migrando”, conta a influenciadora, que nos últimos anos também compartilhou a transição de gênero em seus perfis.
Outra responsável pela criação do movimento Corpo Livre, a influenciadora Alexandra Gurgel, de 37 anos, também parou de falar sobre o body positive. No passado, ela lançou dois livros sobre o tema, foi capa de revistas e se tornou uma das principais vozes do movimento no país.
“Eu de fato achava que eu estava fazendo alguma diferença e eu sinto que eu fiz legal. Eu me senti culpada por um bom tempo quando eu saí disso. Mas chegou uma hora em que isso não fazia mais sentido pra minha vida”, diz Alexandra, que hoje faz vídeos em que conta histórias curiosas de relacionamentos.
“É cansativo. Eu comecei a me tornar a militante perfeita, que não podia errar”, acrescenta.
Atualmente, ela está em processo de emagrecimento. “Agora parece que a gente emagreceu e virou um monte de Gisele Bündchen. E a gente, na verdade, só está mais magro. A maioria ainda é lido como gordo socialmente.”
No auge do body positive, diz Alexandra, havia uma pressão daqueles que a acompanhavam nas redes para que ela e outros militantes da causa não emagrecessem, pois muitos defendiam que o movimento era sobre continuar gordo.
“Quando você vê pessoas gordas emagrecendo, quem não entende dessa pauta acha que o body positive acabou, mas não acabou nada. Na verdade, todo mundo sempre quis ser livre, por isso era Corpo Livre”, declara.
O emagrecimento no body positive
Houve grandes mudanças no body positive nos últimos anos. O período pós-pandemia e as canetas emagrecedoras estão entre esses fatores. Um outro ponto que os especialistas destacam é a propagação do discurso contra a diversidade.
Nas passarelas, um relatório de inclusão de tamanhos da Vogue Business, que analisou os principais desfiles da primavera e verão deste ano, mostrou que o tamanho padrão, de 34 a 40 no Brasil, correspondeu a 97,1% dos looks. Já o médio (entre 42 e 48 no Brasil) correspondeu a 2%, enquanto apenas 0,9% das roupas eram plus size (acima de 46).
O relatório mostrou que esse é um dos piores índices de inclusão dos últimos anos, um pouco superior ao levantamento do ano passado – que havia tido 2% de tamanho médio e 0,3% plus size. Em 2023, havia mais inclusão nas passarelas: cerca de 4,4% dos looks eram médios ou grandes.
A Vogue menciona que um dos fatores para essa inclusão limitada nas passarelas é uma mudança cultural nos últimos dois anos, marcada pelo fortalecimento do conservadorismo.
Essa postura tem relação com o discurso adotado pelo presidente americano, Donald Trump, aponta a influenciadora Dani Rudz, de 50 anos, que presta serviços sobre diversidade para diferentes empresas.
“Assim que o Trump assumiu, ele trabalhou fortemente para retirar verbas a apoio aos posicionamentos políticos com relação à diversidade nas empresas, seja corporal, deficiência, racial, enfim, qualquer uma. E isso afetou as empresas internacionais com sede no Brasil”, diz Dani.
“E isso enfraqueceu o discurso da diversidade. Cada vez mais empresas deixaram de patrocinar essas ações”, acrescenta.
Esse discurso de Trump reforçou as dificuldades do body positive, que já vinha sendo afetado desde o fim da pandemia de covid-19, avalia o pesquisador Dario Caldas, fundador da consultoria Observatório de Sinais, focada em tendências de comportamento de consumo.
A influenciadora Alexandra Gurgel. No auge do body positive, ela conta que havia uma pressão para que ela e outros militantes da causa não emagrecessem.
Arquivo pessoal
Segundo ele, nessa fase, as pessoas tentaram levar uma vida mais saudável e a obesidade foi ainda mais associada a práticas ruins, como o sedentarismo.
“O problema do body positive é que ele esbarra na questão da saúde, da obesidade, então é aí que as coisas se chocam. E esse vetor da saúde é o que leva ao desejo de ser saudável e não acompanhar esse movimento mais”, diz.
Para os ativistas do body positive, sempre houve uma interpretação errônea do movimento por parte de muitas pessoas. Isso porque eles apontam que o movimento nunca foi uma forma de incentivo à obesidade ou uma romantização dela.
“Havia um movimento dentro do body positive que era liderado por extremistas, com algumas criadoras gordas com conteúdo mais radical sobre a gordofobia. Esse movimento foi muito disruptivo, porque mulheres muito gordas andavam de biquínis, faziam passeatas e fotos, era algo do tipo: me engula, me respeite, aceite o meu peso porque não estou nem aí”, diz Dani.
“E esse movimento, de certa forma, foi importante, porque era ‘pé na porta’, dava visibilidade ao tema. Mas o body positive em si não é isso, ele é a aplicação de um respeito balanceado a diferentes corpos e tamanhos”, acrescenta Dani.
As canetas emagrecedoras
Diante de um cenário de enfraquecimento, o body positive enfrentou uma nova mudança: a propagação das canetas emagrecedoras.
Para Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), esses novos medicamentos devem ser vistos como aliados de movimentos pela liberdade dos corpos.
“Agora, as pessoas com dificuldades para emagrecer vão ter a possibilidade de chegar a um corpo, digamos, mais normalizado pela sociedade. Isso se torna uma possibilidade realmente concreta e segura”, diz.
“Essas canetas podem promover mais saúde, reduzindo a gordura corporal de quem tem obesidade, que geralmente luta a vida inteira para isso. Hoje esse processo é facilitado por essas canetas emagrecedoras”, acrescenta.
O especialista afirma que esses novos medicamentos também ajudam a quebrar estigmas que acompanham as pessoas gordas durante toda a vida, como o de que não emagrecem por falta de vontade ou porque não conseguem ser saudáveis.
“O excesso de gordura corporal é um fator de risco para doenças múltiplas. Mas também é importante dizer que o estigma do corpo gordo é prejudicial para esse sujeito, porque traz uma série de malefícios”, diz Gualano.
“A obesidade é uma doença crônica. Você pode, por exemplo, até dizer que é um indivíduo fisicamente ativo e com obesidade”, acrescenta.
A endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora da comissão de políticas públicas da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), classifica o body positive como uma iniciativa importante para as pessoas gordas.
“O paciente com obesidade, em geral, enfrenta muito estigma em todos os lugares. Então, esses ativistas têm um papel relevante para que essas pessoas com obesidade possam reivindicar seu papel na sociedade”, diz.
A médica defende que os membros desse movimento possam emagrecer. “Tem uma hora em que a doença pode pesar mais. E essas pessoas, como todo mundo, devem ter as suas decisões respeitadas”, afirma.
E quem ainda fala de body positive?
Os influenciadores que foram referência no body positive dizem que o movimento não acabou, mas mudou de forma.
“Não foi porque eu saí que eu traí o movimento ou que ele acabou. Eu sinto que nada acabou, só está sendo tratado de uma maneira diferente”, diz Alexandra.
“O que a gente ensinou e praticou ainda existe. Se você olhar no TikTok, por exemplo, ele tem outro nome. Virou algo sobre a autoestima, sobre você se sentir bem consigo mesmo. É uma coisa mais liberal. Eu acredito que entrou em um lugar menos de revolta”, acrescenta.
Nas redes, ainda há influenciadoras que têm o movimento entre os principais assuntos de seus perfis, como Dani Rudz.
Mesmo após emagrecer, ela continuou como referência no body positive. “Ainda publico dicas sobre o mercado plus size e outros temas.”
Dani diz que atualmente tem duas parcelas de seguidores: aqueles que já usam as canetas emagrecedoras e os que almejam conseguir acesso ao medicamento, que ainda tem um custo alto para a maioria da população brasileira.
“O body positive continua, ele sempre existiu e precisa existir, porque nós não somos iguais, somos diferentes e lutamos pelo respeito. E eu sempre vou defender o seu direito de escolha, seja você gorda ou magra, e o seu direito de existir enquanto formato corporal único”, afirma.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

‘Como em todas as militâncias, as coisas se perderam’: por que influenciadora deixou movimento ‘body positive’ e planeja emagrecer


“Eu comecei a me tornar a militante perfeita, que não podia errar”, diz a influenciadora e jornalista Alexandra Gurgel.
Arquivo pessoal
Alexandra Gurgel era um dos principais nomes do body positive no Brasil. Mas deixou o movimento e agora planeja emagrecer. Para ela, muitas pessoas faziam uma interpretação errônea sobre o amor próprio. A influenciadora e jornalista Alexandra Gurgel, de 37 anos, era uma das principais vozes do body positive no país. No movimento, também conhecido como body positivity, ela expunha seu corpo gordo para milhares de seguidores na internet e lidava com os efeitos de ser uma voz para tantas pessoas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Ela fundou o Corpo Livre, uma espécie de versão brasileira do movimento, e se tornou referência. Alexandra lançou livros, foi capa de revistas nacionais e deu palestras sobre a luta contra a gordofobia.
Mas há dois anos, a influenciadora decidiu recomeçar. Ela parou de fazer publicações sobre o body positive e hoje conta histórias sobre relacionamentos nas redes. A militância, diz ela, é exaustiva e a fez repensar tudo o que fazia até então.
Alexandra, assim como outros influenciadores que defendiam os corpos gordos nas redes, quer emagrecer. Ela diz que só agora se sente segura para iniciar um processo de perda de peso, por conta do avanço das canetas emagrecedoras.
Em entrevista à DW, Alexandra falou sobre esses e outros temas. Confira.
DW: Como você se tornou uma voz do body positive e da luta contra a gordofobia no Brasil?
Alexandra Gurgel: Tudo aconteceu muito rápido na minha vida. Eu comecei o meu canal no YouTube para encontrar semelhantes. Eu não conhecia a palavra gordofobia, não conhecia o body positive, não conhecia nada. Conheci junto com as pessoas. Até hoje assistem a maratona de body positive que eu fiz no YouTube. Há 10 anos, eu era só uma menina. E eu acredito muito em tudo o que eu falava e acredito muito em tudo o que aconteceu.
Eu só acho que, como em todas as militâncias, no fim das contas, as coisas se perderam.
Na pandemia, foi um momento em que eu cresci muito no Instagram com as pautas que aconteciam. Eu me tornei a pessoa que estava denunciando e também abraçando as pessoas, ao mesmo tempo em que também ganhei fama.
E junto disso veio uma estratégia em cima do meu nome: vamos ser famosa. Você quer ser capa de revista? Você não quer ir pra televisão? Você quer ser atriz? E eu ficava assim: gente, eu nem sei. Eu não estava com isso na cabeça, eu sou uma jornalista.
E eu gostei, por exemplo, quando a [revista] Marie Claire me chamou pra fazer uma capa ou quando eu estava no escritório da Vogue. E eu falava: caraca, venci na vida. Isso foi muito legal. Foi nesse período da pandemia que o body positive pegou uma força mundial e a gente virou uma comunidade de pessoas online que estavam em casa e se reconectando com o corpo. Eu sinto que o corpo livre abraçou a gente na pandemia de uma forma incrível. O body positive foi muito importante pra gente sobreviver a esse momento.
Como referência no body positive, você tinha a impressão de que falava em nome de muitas pessoas?
Eu, pensando em Alexandre Gurgel, não na pauta do body positive, sempre falei por muitas e acho que eu aceitei esse lugar. Esse lugar fez bem pra minha cura, porque essa pauta sempre foi identitária. Então sempre foi uma coisa que era sobre a minha cura, eu estava falando de coisas que eu estava aprendendo junto.
Só que eu fui colocada em um lugar e tive acessos e lugares que me envaideceram. Eu comecei a me tornar a militante perfeita, que não podia errar. Por exemplo, eu sou fumante e hoje falo abertamente sobre isso. Mas eu não podia fumar na frente de ninguém, não queria falar porque isso não era body positive.
Foi difícil ter se tornado uma referência nesse tema?
Eu passei por muitos desafios de ter que ser uma coisa que eu não era. E pra aceitar isso, tinha dinheiro. E você não se envaidece? Você acha que não vai se envaidecer com uma marca que vai te dar muito dinheiro pra falar de uma pauta muito legal pra um monte de gente? Claro que vai. E, de repente, falaram: “ah, mas seria legal você estar em Paris” ou “acho que é legal você usar Dior”. E eu: nossa, eu posso comprar isso?
Mas chegou uma hora em que isso não fazia mais sentido pra minha vida. Eu vendi cerca de 90% das minhas coisas porque eu quis, hoje tenho uma coisa ou outra. Eu parei de ir no circuito de eventos. Eu ia no Baile da Vogue, porque eu considerava que a minha presença seria uma representatividade. E, de fato, foi. Só que eu estava cansada de representar as pessoas. Eu acho que é isso.
Eu cansei de ter que ser uma voz que sabe o que está falando. Eu quero me dar o direito de errar, mas militante não tem esse direito.
Gurgel fundou o Corpo Livre e lançou livros, foi capa de revistas nacionais, deu palestras sobre a luta contra a gordofobia e acumulou milhares de seguidores nas redes.
Divulgação
E hoje em dia você se considera militante?
Não, há muitos anos que não mais. Eu assumi isso pra mim mesma em 2024.
Deixar de ser militante tirou um fardo de você?
Tirou. É cansativo, porque eu, de fato, me preocupava. Eu achava que eu estava fazendo alguma diferença e eu sinto que eu fiz. Eu me senti culpada por um bom tempo quando eu saí disso.
Há algo que você falava na época do ativismo que hoje se arrepende?
Eu acho que a única coisa que eu não concordo, que eu trazia um entendimento errado, é que eu falava que obesidade não era doença. Mas eu falava que eu não queria ser vista como doente: não me chama de obesa, me chama de gorda. E até hoje não entendem isso, mas acho que eu poderia ter falado de outra maneira.
Eu falava que obesidade é uma palavra gordofóbica. E eu não acho mais isso hoje. É a única coisa que eu não acho mais, que eu discordo de mim do passado. E discordo do meu tom, mas eu era uma garota revoltada e tendo atenção pela primeira vez.
Eu acho que quando parei de ser militante, parei de me importar tanto com o que todo mundo falava e pensava. Eu nunca tive o direito de errar. Quando você é militante e erra, você vira o diabo na Terra, na mesma altura em que era a fada sensata. E isso é muito ruim.
Uma das críticas é de que vocês ganharam dinheiro com o movimento e deixaram o movimento depois que ele enfraqueceu. O que acha disso?
Sim, a gente ganhou muito dinheiro. Era isso que a gente fazia: as marcas vinham, queriam comunicar sobre o tema, então dava esse match. Parece que falar que ganha dinheiro com isso é errado, mas era o nosso trabalho.
Só que eu não fiquei milionária e mudei a minha vida. Eu tô trabalhando. Inclusive, muitas pessoas desse meio foram afetadas, justamente pela pauta mundial acabar por causa do reacionarismo.
E todo mundo desse meio geral de militância, não só do body positive, ficou sem dinheiro. Todo mundo estava ganhando dinheiro. Eu fazia várias palestras em grandes empresas que hoje não fazem mais. Hoje em dia dizem que não têm mais verba destinada para a diversidade.
Como você lida com as críticas recorrentes às pessoas que eram vozes do body positive e emagreceram?
É a mesma pressão e ódio que elas sofriam porque eram gordas demais. Eu acho que as pessoas nunca estão satisfeitas. Ou vão falar que você está “pelancuda” ou que tem que fazer cirurgia ou que se entregaram ao padrão. E antes falavam que era apologia à obesidade.
Quando você vê as pessoas gordas emagrecendo, aqueles que não entendem dessa pauta falam que o body positive acabou, mas não acabou. Na verdade, todo mundo queria só ter uma chance de viver, de aparecer, de ser livre. Por isso que era corpo livre, deixa a gente ser livre.
Eu estou com um médico em um processo de emagrecer com consciência. Eu já vi vários resultados de amigos que me fizeram pensar assim: dá pra ter uma vida normal e resolver essa questão. Eu quero ter uma roupa melhor, eu não resolvi tudo. A gente não resolveu tudo. Quem é que não quer isso?
Agora parece que a gente emagreceu e virou um monte de Gisele Bündchen. E a gente, na verdade, só está mais magro. A maioria ainda é lido como gordo socialmente.
Você quer emagrecer? Como encara esse tema hoje em dia?
Quero. Eu quero emagrecer. Isso sempre foi uma questão, sempre quis emagrecer durante a minha vida toda. Eu parei de querer isso quando deixei de fazer dieta, porque pensei: vou parar de ferrar a minha cabeça. Eu não tinha alternativa, era: faça a dieta, faça isso e faça aquilo. Hoje, parece que a gente tem uma alternativa que nunca teve. Então, acredito que se isso pode me ajudar na questão com o meu corpo e na minha genética para que eu tenha uma vida melhor, por que não?
No meu caso, emagrecer dentro do que foi ensinado pela cultura da magreza nunca funcionou.
Por isso, se tiver uma caneta que se associe comigo, com meu estilo de vida, e que eu consiga ter uma qualidade de vida melhor, por que não? Quando a gente fala de se aceitar, do body positive, a gente não tá falando que tem uma vida feliz, a gente só quer ser aceito. Tem gente que [por causa da obesidade] não vai passar na catraca, tem gente que não vai conseguir fazer um exame ou uma cirurgia se não conseguir emagrecer. Então são alternativas que tornam a nossa vida mais viável.
Eu nunca tô batendo no peito e falando: vamos ser gordos. O que tô falando é: a gente é assim, então vamos nos aceitar, porque senão a gente vai se odiar para sempre. É o direito de ser feia. É disso que surgem os meus memes, mas é daí que também sai o meu lema.
O que acha de ter que se explicar publicamente sobre o seu emagrecimento?
Existe uma cobrança porque a gente sempre falou do nosso corpo. O nosso movimento era muito sobre biquíni, sobre mostrar o corpo no verão.
Como você enxerga o body positive atualmente?
Eu enxergo que ele ainda existe. Ele só talvez não esteja tão coordenado dentro de um discurso ou de um movimento de minoria. Ele é uma realidade.
A gordofobia acabou? Claro que não. As pessoas continuam sendo gordofóbicas, mas eu acredito que hoje as pessoas entendem que existe um outro lugar.
O que a gente ensinou, o que a gente praticou e o que a gente trouxe ainda existe. E se você for ver no TikTok, o body positive tem outro nome hoje. E as pessoas discutem essa pauta. Virou falar sobre você se sentir bem com você mesmo. É uma coisa mais liberal. Eu acredito que entrou num lugar muito menos de revolta, de “você precisa me aceitar”, e está muito mais para um lugar de: “a gente tem que considerar a diversidade”.
No último ano, você mudou o seu conteúdo nas redes, começou a contar histórias de relacionamentos e não fala mais sobre o body positive. Como foi a recepção dos seguidores?
E eu paguei o preço por isso. Eu estaria muito melhor hoje se ainda estivesse falando da mesma pauta, pensando no que me fez crescer. Eu paguei um preço durante uns dois anos sem saber o que eu estava fazendo.
Mas eu não desfaço, não cuspo no prato que eu comi, porque eu amo a minha história. O meu livro hoje [Pare de se odiar] hoje é um grande meme, e eu adoro. Eu virei meme com tantas coisas que eu falei, como pelo direito de ser feia. O povo LGBT, principalmente os gays, me amam nesse lugar de tia Xanda. E isso até me abriu para pensar: cara, vou contar histórias.
E contar histórias foi uma coisa que trouxe um novo olhar, onde eu não tenho que falar sobre mim. Eu até conto minhas histórias raramente, mas eu conto mesmo as de outras pessoas. E aí deu muito certo e eu só faço isso hoje nas redes. Eu cresci 400 mil seguidores de dezembro para cá. Foi a primeira vez em anos, porque eu estava sem fazer conteúdo até então.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Justin Baldoni é condenado a pagar US$ 170 mil ao ‘New York Times’ após perder processo por difamação


Justin Baldoni em evento de lançamento de ‘É assim que acaba’
Evan Agostini/Invision/AP
A produtora do ator Justin Baldoni, Wayfarer Studios, foi condenada a pagar mais de US$ 170 mil (cerca de R$ 872 mil) ao “New York Times” após perder um processo no qual acusava o jornal americano de difamação.
A ação, movida em 2024, reclamava de uma reportagem sobre as acusações, de assédio e outros abusos, feitas pela atriz Blake Lively durante as gravações do filme “É assim que acaba” (2024).
Baldoni dirigiu e estrelou a produção.
Um juiz rejeitou o processo em 2025. Alguns meses depois, o jornal pediu na Justiça uma indenização de US$ 150 mil para arcar com a defesa legal do caso.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Acordo entre Lively e Baldoni
Em maio, a atriz Lively e Baldoni chegaram a um acordo em um processo movido pela atriz.
O acordo evitou um julgamento civil, no qual ambos os atores deveriam depor sobre as acusações de má conduta sexual feitas por Lively contra Baldoni, e encerrou mais de um ano de disputa judicial acirrada.
No início de abril, um juiz rejeitou 10 das 13 acusações do processo movido pela atriz. Entre elas estavam denúncias por assédio, difamação e conspiração.
As três que sobraram — quebra de contrato, retaliação e cumplicidade em retaliação — seguiriam para o julgamento, que está previsto para maio.
Protagonista do filme sobre violência doméstica, Lively acusava Baldoni de assédio sexual e de fazer comentários impróprios sobre sua aparência e peso durante as gravações.
Ela também afirmava que ele contratou um grupo de profissionais para manchar sua reputação e prejudicar a credibilidade de suas acusações.
Já Baldoni — que interpretou o marido abusivo, além de dirigir e produzir o filme — disse que a atriz exagerou nas denúncias para aumentar seu poder sobre a produção.
Apesar dos problemas nos bastidores, “É assim que acaba” foi um grande sucesso de bilheteria, com uma arrecadação de cerca de US$ 350 milhões ao redor do mundo.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Cantor D4vd vai a julgamento por homicídio e esquartejamento de jovem de 14 anos


cantor David Anthony Burke, conhecido como D4vd, observa durante sua audiência de acusação pelo assassinato de Celeste Rivas Hernandez no Centro de Justiça Criminal Clara Shortridge Foltz em Los Angeles, Califórnia, EUA, em 20 de abril de 2026
Reuters
A Justiça dos EUA decidiu nesta segunda-feira (27) que há provas suficientes para levar o cantor D4vd a julgamento pelo assassinato e esquartejamento de Celeste Rivas Hernandez, de 14 anos, depois que, segundo as autoridades, ela ameaçou expor o relacionamento entre os dois e arruinar a carreira dele.
A juíza Charlaine Olmedo, de Los Angeles, decidiu que as provas apresentadas pela promotoria em uma audiência preliminar que durou cinco dias forneceram indícios suficientes para um julgamento pelas acusações de homicídio, abuso sexual contínuo de uma criança menor de 14 anos e mutilação ilegal de restos mortais.
D4vd, o cantor de 21 anos cujo nome verdadeiro é David Burke e cuja carreira estava em ascensão meteórica antes das acusações virem à tona, declarou-se inocente.
Agora no g1
Na segunda, os promotores concluíram sua apresentação de provas, fornecendo um relato detalhado da última noite de Rivas Hernandez, mostrando que, após uma série de mensagens de texto com Burke, seu telefone ficou permanentemente em silêncio quando ela chegou à casa dele.
Ao se aproximar da casa dele em Hollywood, pouco depois das 10h da manhã do dia 23 de abril de 2025, em um Uber que ele havia enviado para buscá-la, ela mandou sua última mensagem: “Papai, estou quase chegando, abra a porta se estiver em casa.”
Os promotores alegam que Burke a esfaqueou até a morte quando ela entrou pela porta.
Na noite anterior, os dois discutiram por mensagem de texto sobre o relacionamento dele com uma mulher. Ela enviou uma mensagem furiosa e repleta de palavrões dizendo que contaria muitas mentiras sobre ele para o pai dela e que “acabaria com a carreira e com a vida dele”.
LEIA TAMBÉM:
Caso D4vd: mensagens mostram que adolescente fez aborto um ano antes de ser morta
Caso D4vd: autópsia aponta causa da morte de garota de 14 anos; cantor é acusado de assassinato
Quem é D4VD, cantor associado a investigação de assassinato nos EUA
Corpo encontrado no carro do cantor D4vd estava ‘irreconhecível’, diz testemunha
Os promotores disseram que Burke conheceu Rivas Hernandez quando ela tinha 11 anos, começou a abusá-la sexualmente quando ela tinha 13 e ele 18, a esfaqueou até a morte quando ela ameaçou denunciá-lo e arruinar sua carreira, e esquartejou seu corpo em sua garagem com motosserras.
Após o depoimento da última testemunha na segunda-feira, a defesa argumentou que as provas eram insuficientes e que a acusação de homicídio deveria ser rejeitada.
Os advogados do cantor afirmaram que as comunicações entre Burke e Rivas Hernandez não mostraram “nenhuma ameaça, nenhuma evidência de histórico de violência” e que ele tinha “o oposto de malícia homicida” em relação a ela.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Jota Quest dá gás a raro tributo de Tim Maia a Minas Gerais e se une ao trio Os Garotin em álbum com temas do cantor


Jota Quest apresenta mais duas músicas do álbum em que canta Tim Maia antes do lançamento do tributo em 27 de agosto
Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Quarta e última amostra do álbum em que o Jota Quest aborda o repertório de Tim Maia (1942 – 1998), tributo fonográfico que começou a ser gravado em 2025 e que tem lançamento programado para 27 de agosto, o single duplo com as gravações de “Imunização Racional (Que beleza)” e “Vou com gás” adianta duas surpresas do disco que terá 16 faixas formatadas em estúdio com produção musical de PJ, baixista e cofundador do grupo mineiro.
A primeira são as presenças do grupo Os Garotin e de Carlinhos Brown na gravação de “Imunização Racional”, música mais conhecida como “Que beleza” e apresentada pelo cantor em 1975 no primeiro volume do lendário álbum “Tim Maia Racional”.
O trio fluminense divide o canto de “Que beleza” – a rigor, o único hit da controvertida fase Racional de Tim – com o vocalista do Jota Quest, Rogério Flausino. Já Brown toca percussão na faixa.
A segunda surpresa é a lembrança de música pouco conhecida de Tim, “Vou com gás”, composta em homenagem a Minas Gerais pelo artista carioca e lançada sem repercussão em 1979, na voz do próprio Tim, no álbum “Reencontro”, um dos títulos menos ouvidos da discografia oficial de Tim Maia na década de 1970.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Lula cita doramas e ‘Guerreiras do K-Pop’ em declaração ao lado do presidente da Coreia do Sul


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou doramas e o filme “Guerreiras do K-Pop” durante uma declaração ao lado do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, que faz uma visita oficial ao Brasil nesta segunda-feira (27).
🎥Os doramas são séries de TV do leste asiático conhecidas por enredos dramáticos e cativantes. Já a animação “Guerreiras do K-Pop” explora a cultura pop e o folclore da Coreia do Sul. No Brasil, ambas as produções conquistaram um público massivo e altamente engajado graças à forte expansão da onda coreana, impulsionada pelas plataformas de streaming.
O petista fez a menção às produções ao comentar a transformação sul-coreana a partir de investimentos em educação, inovação e capacidade industrial, que, na avaliação de Lula, colocaram o país asiático como referência no cenário mundial.
“”Os jovens brasileiros são apaixonados pela Coreia […]. Música, gastronomia, doramas coreanos conquistaram os brasileiros, sem falar do enorme sucesso das ‘Guerreiras do K-Pop’ entre nossas crianças”, afirmou Lula.
Acordos na área de educação e cinema e um possível acordo entre Mercosul e Coreia do Sul estiveram na pauta da reunião de do presidente brasileiro Lee Jae-myung.
O petista recebeu o presidente coreano no Palácio da Alvorada em um momento no qual o Brasil busca ampliar mercados para reduzir os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos na economia. O encontro com Lee Jae-myung ocorre cerca de cinco meses após Lula viajar ao país asiático.
Em fevereiro, Lula fez sua terceira visita à Coreia – as anteriores ocorreram em 2005 e 2010 nos primeiros mandatos do petista.
A visita deste ano, no entanto, foi a primeira com o status de visita de Estado, reservado a compromissos de maior relevância política, econômica e diplomática entre as nações.
Além de Jae-myung, a primeira-dama da Coreia do Sul também desembarcou no Brasil e deve cumprir uma agenda cultural em São Paulo. Empresários sul-coreanos também estão no Brasil para compromissos com o setor produtivo brasileiro.
Abertura de mercado
Agora no g1
No encontro, Lula e o presidente da Coreia assinaram memorandos sobre minerais críticos e terras raras, além de acordos de cooperação sobre cultura, segurança e inteligência artificial.
“Concordamos em fortalecer cooperação estratégica de recursos, no setor de energia, diversificando cadeia de suprimento. Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores de minerais críticos e hoje o presidente Lula e eu concordamos em expandir nossa cooperação em todo ciclo de vida dos minerais críticos na cadeia de suplemento desse minerais e por meio desse acordo nós vamos criar uma base estável de oferta e fortalecendo a cooperação mutua de maneira benéfica”, afirmou Lee Jae-myung.
Durante discurso, o presidente Lula destacou a parceria entre os dois países e afirmou que Brasil e Coreia “defenderam as democracias frente aos ataques de setores extremistas”.
“Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo. A paz e o desenvolvimento não nascem da imposição, nascem da cooperação. É com esse espírito que Coreia e Brasil caminham lado a lado”, disse o petista.
O governo brasileiro também quer ampliar o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado sul-coreano, incluindo a abertura de mercado para carne bovina.
Os dois países já possuem cooperação estratégica na área da saúde e têm avançado em novas frentes, como a implementação de tecnologias para hospitais inteligentes, um setor em expansão no país.
Presidente Lula durante visita à Coreia do Sul em fevereiro
Ricardo Stuckert/PR

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Jão fala sobre morte inesperada do pai: ‘Achava que ia receber sinais divinos, mas foi em um dia comum’


Achava que seria uma chuva torrencial, mas foi em um dia comum’, diz Jão sobre morte do pai
Jão vinha de uma turnê lotando estádios e festivais em 2025, quando tomou uma decisão difícil para um artista de seu porte. Em abril, ele decidiu iniciar um hiato na carreira, que incluiria um sumiço nas redes sociais e de qualquer compromisso de trabalho.
Ele sabia que precisava de uma pausa, se preparou para isso e, ainda assim, a vida o surpreendeu (como a vida costuma fazer). Em junho, o cantor de 31 anos perderia seu pai, Carlos Alberto Balbino, aos 61 anos.
“Eu acho que eu sempre imaginei as coisas de uma maneira muito épica. Achava que, no dia que eu perdesse alguém ia ser uma coisa, uma chuva torrencial e eu ia, sei lá, receber vários sinais divinos. Mas era só um dia comum”, contou ao g1.
Depois de mais de um ano sumido, ele voltou neste domingo (26) com o disco “Memórias Póstumas”, que reflete sobre luto e amor com uma renovada sensibilidade.
Ao g1, ele falou sobre o disco, a relação com o luto e a criação em parceria com o namorado Pedro Tófani, com quem compôs várias das músicas deste álbum. Veja abaixo:
‘Não existe um objetivo com o luto’
Depois da morte de seu pai, Jão conta que ficou paralisado. “Eu fiquei muito tempo sem ouvir música. Engraçado como a gente se condena por umas coisas muito estranhas assim, né? Eu não me dava o direito de ouvir música porque eu achava que música era uma coisa boa para mim, que me alimentava, e que seria injusto naquele momento ouvir música”.
Mas um dia, como são as coisas no processo do luto, essa depressão virou vontade de criar — nas palavras dele, “vomitar” o que ele sentia.
“Um desses dias, eu comecei a correr de noite e eu fui ouvir Lorde. E eu chorei muito. Eu não lembro o que eu ouvia, não lembro como eu ouvia. Eu só lembro que a música bateu muito em mim. Eu fiquei muito aliviado. Falei: ‘OK, eu preciso disso’. E foi um momento de vômito, assim mesmo. Eu escrevi muita coisa e não pensava num álbum, mas eu pensava em realmente me relacionar com aquilo”.
Jão conta que compôs mais de 50 músicas nesse período, sem pensar muito em um álbum, só no que precisava colocar para fora. Entre elas, estavam faixas com novos eus líricos, como “Eu Sempre Volto”, que é cantada no feminino.
“Eu perdi um pouco a perspectiva das coisas quando eu tava no interior e em junho passado. Eu realmente não estava ligando muito pra carreira, pra música e não via o porquê e não via muita graça. Então eu acho que é um álbum que tem muitas perspectivas diferentes, no momento que eu acho que eu estava um pouco sem perspectiva. Eu falo em algumas perspectivas, do meu pai em ‘Jabuticabeira’, da minha avó em ‘Eu Sempre Volto’, do meu namorado em ‘João'”.
O resultado é um disco emocional, mas que tenta olhar para frente. Essa ideia aparece até na capa do disco, que mostra o cantor “pegando carona” com a Senhora Morte e olhando para o horizonte, sem saber o que vem por aí.
“[A capa mostra como a] morte é cotidiana, e a forma como a gente se relaciona com ela no dia a dia e a forma como ela é inesperada. E eu acho que essa é a representação perfeita de como ela tá ali e como não existe um objetivo. Acho que eu entendi muito isso, não existe um objetivo com o luto, não existe um objetivo com tentar entender esse sentido. É um aprendizado de convivência mesmo”.
Jão em sessão de fotos do disco ‘Memórias Póstumas’
Divulgação/Hugo Comte
Não foi fácil escrever e lançar músicas tão pessoais sobre uma perda tão difícil, especialmente tendo uma enorme base de fãs. Mas Jão conta que, ao começar sua carreira, “fez um trato consigo” de que ia escrever o que quisesse. “Só continuei com o meu trato”, diz.
“Meu pai era uma pessoa extremamente direta e extremamente viva. E eu acho que a minha maneira mais legal de honrar a vida dele era viver a minha vida de forma mais foda possível. Então acho que eu me apego muito a isso. Meu pai era meu fã, não existia outra pessoa e tudo que tá acontecendo, tudo que acontece na minha carreira, eu quero contar para ele. É a primeira pessoa. Então isso me move, saber que meu trabalho deixa ele vivo para mim”.
Ao g1, o músico também confirmou que fará um show de retorno no dia 25 de setembro. Jão também adiantou que será um show num palco 360, o que já era uma vontade dele há muito tempo.
“É um desafio muito grande, porque o Brasil tem poucas poucos lugares onde é possível realizar, mas esse show específico eu sempre quis muito chegar o mais perto de todo mundo possível. Apesar de ter muito orgulho do trabalho que a gente faz e de como a gente monta os shows, eu sei que a força motora que liga aquela coisa toda são as pessoas que estão ali”, conta.
João e Pedro
“Memórias Póstumas” inclui “João”, a primeira faixa da carreira de Jão que não foi composta por ele mesmo (foi escrita pelo namorado dele, Pedro Tófani). Os dois colaboram juntos desde os primeiros álbuns mas, desta vez, a dinâmica foi ainda mais particular.
Jão conta que Pedro mostrou a música para ele, o que faz parte da “linguagem” entre os dois. “João” é uma faixa melancólica, com versos como “Talvez seja a hora de abandonar os planos / E nos dar algum descanso definitivo”.
A faixa, que leva o nome do artista, chamou a atenção dos fãs desde o seu anúncio. Afinal de contas, não é todo dia que seu ídolo canta uma música composta pelo namorado.
Jão beija Pedro Tofani, seu namorado, durante show em 2024
Reprodução/Instagram
A música é cantada com delicadeza por Jão, que optou por incluir a demo de voz na versão final. “Obviamente, depois quando eu fui produzir a faixa, eu arestei as coisas que eu queria arestar, mas aquela voz é a minha da demo, tentando encontrar a melodia porque não existia”.
“É a nossa linguagem, é a maneira como a gente se conversa, é a maneira como a gente se fala. E não existia outra maneira de ela estar no disco se não fosse com ele escrevendo, porque eu me questionei sobre isso. Essa é a primeira música do meu catálogo inteiro que eu não escrevi. Mas me pareceu muito natural, ao mesmo tempo, que a gente divida isso e que a gente mostre isso também”.
Deve ser uma combinação estranha, se relacionar com uma pessoa com quem você trabalha há tanto tempo. Por causa dessa mistura entre o pessoal e o profissional, o namoro de Jão e Pedro “aconteceu e desaconteceu” várias vezes, como ele mesmo contou no post em que anunciava o hiato.
Jão afirma que separar CPF e CNPJ é, sim, “uma grande questão”. “A gente briga bastante e grande parte das nossas brigas é profissional”, conta. Mas o artista entende que, no caso dele, essa dinâmica tem rendido frutos.
“Acho que qualquer pessoa que está num relacionamento, ainda mais da maneira como a gente se conhece há tanto tempo, pode imaginar o que é trabalhar, viver com uma pessoa, falar sobre aquela pessoa e aquela pessoa falar sobre você. Mas é a forma como minha vida aconteceu e eu só respeito que ela aconteça e acho que ela não aconteceria tão bem nem profissionalmente, nem pessoalmente, se não fosse assim”.
Jão se alimenta do cotidiano da relação afetiva com o parceiro Pedro Tófani ao compor a maioria das canções do álbum ‘Memórias póstumas’
Hugo Comte / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento