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Jão anuncia retorno da carreira após mais de um ano afastado


O cantor Jão durante comercial
Reprodução/TV Globo
O cantor Jão anunciou nesta quarta-feira (22) seu retorno à música durante um comercial veiculado na novela “Quem Ama Cuida”, da TV Globo.
Jão também alterou seu site oficial para o endereço eusemprevolto.com. Ao acessar o link, o usuário vê uma contagem regressiva que vai durar até as 12h desta quinta-feira (23).
Pausa na carreira
Em janeiro de 2025, Jão anunciou uma pausa na carreira em entrevista no “Fantástico”.
A notícia teve bastante repercussão e, no Instagram, a cantora Roberta Miranda chamou a geração de “novinhos” como Jão de “bolha de sabão”. “Apertou, explode”, escreveu.
Ao g1, Jão disse que não se importava com esse tipo de crítica. “Eu acho natural para a época que ela viveu, mas eu sou seguro com o trampo”.
Jão oficializa pausa na carreira por tempo indeterminado
Em abril do mesmo ano, Jão oficializou o hiato após o show no Lollapalooza 2025. Ele mostrou que estava raspando o cabelo, que estava descolorido para o disco “Super”, e escreveu que é hora de desacelerar.
“Não estou cansado ou triste, pelo contrário. Estou com os olhos brilhantes, cheio de vontade de criar algo de valor, mas essa onipresença obrigatória dos artistas no nosso país me dá um pouco de ansiedade”, escreveu no Instagram.
Jão em imagem promocional do filme ‘Superturnê – A primeira e a última noite’
Divulgação
Perda do pai
Um mês após anunciar oficialmente a pausa, Jão enfrentou um luto familiar. O empresário Carlos Alberto Balbino, pai do cantor, morreu aos 61 anos.
Carlos Alberto era dono de uma empresa do setor de torres de resfriamento de água industrial, instalada em Araraquara.
Agora no g1

Fonte: G1 Entretenimento

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Luiz Carlos Barreto fotografou Marilyn Monroe, foi jogador de futebol amador e quase defendeu o Brasil na Olimpíada


Luiz Carlos Barreto, expoente do cinema brasileiro, morre no Rio aos 98 anos
O cinema brasileiro perdeu na madrugada desta quarta-feira (22) um dos seus maiores nomes. Cearense de Sobral, Luiz Carlos Barreto construiu uma trajetória marcada por diferentes talentos: antes de se tornar um dos principais produtores do país, foi fotógrafo de celebridades como Marilyn Monroe, Frank Sinatra e Fidel Castro, atuou como jornalista, jogou futebol de forma amadora pelo Flamengo e ajudou a transformar o cinema nacional em referência internacional.
Produtor, diretor, fotógrafo e roteirista, Barretão, como ficou conhecido, foi um dos protagonistas do Cinema Novo, movimento marcado pelo realismo e pela crítica social durante a ditadura militar.
🔎Cinema Novo foi um movimento cinematográfico brasileiro que surgiu no final dos anos 1950 e ganhou força nos anos 1960. Seu objetivo era mostrar a realidade social, política e econômica do Brasil, especialmente a pobreza, as desigualdades e os conflitos vividos pela população. O lema mais conhecido era “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” — mesmo sem muitos recursos financeiros, era possível fazer filmes importantes e transformadores, valorizando a criatividade e a reflexão crítica.
Antes de chegar aos filmes, destacou-se no jornalismo. Escrevia para o jornal do Partido Comunista, que era ilegal na época. Preocupada com perseguições políticas, a mãe o incentivou a deixar o Ceará e se mudar para o Rio de Janeiro.
Na então capital federal, tornou-se repórter e fotógrafo da revista O Cruzeiro. Chegou a ser correspondente da publicação na Europa e fotografou personalidades como Frank Sinatra, o presidente cubano Fidel Castro e a atriz Marilyn Monroe.
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Luiz Carlos Barreto
Reprodução/GloboNews
Foi em uma viagem à Bahia para a revista que conheceu Glauber Rocha, durante as filmagens de Barravento. O encontro mudaria sua trajetória.
“O Glauber chegou pra mim: você tem que fotografar o Vidas Secas. Vamos fazer porque você vai fazer uma fotografia que ainda não foi feita no Nordeste”, falou o cineasta em uma entrevista.
“Todo filme no Nordeste, o Nordeste parece um jardim. Falei, concordo com você. Eu quero mostrar a intensidade da luz, a luz como um personagem que destrói a paisagem, destrói a plantação, que incomoda o homem.”
Luiz Carlos Barreto assinou a direção de fotografia de Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, em 1963, e de Terra em Transe, de Glauber Rocha, em 1967.
Ao lado da mulher, Lucy Barreto, com quem foi casado durante 71 anos, construiu uma das produtoras mais importantes da história do cinema brasileiro: a LC Barreto. O casal teve três filhos cineastas: Bruno, Fábio e Paula Barreto.
“O cinema é uma doença que quando dá, dá na família inteira”, declarou certa vez.
“A Lucy é que botou a ciência no feitiço, como Glauber dizia.”
A LC Barreto produziu mais de 150 filmes e ajudou a levar o cinema brasileiro a milhões de espectadores. Entre os principais sucessos estão “Bye Bye Brasil,” de Carlos Diegues; “O Beijo no Asfalto”; e “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, dirigido por Bruno Barreto. O filme levou mais de 10 milhões de pessoas aos cinemas, tornou-se uma das maiores bilheterias da história do cinema brasileiro e foi exibido em 80 países.
“Os filmes foram sempre aqueles filmes que a gente quis fazer, da melhor maneira com quem a gente quis fazer, com a liberdade que a gente quis, mesmo na época da ditadura, conseguimos manter viva nossa produção. O cinema brasileiro, apesar das quedas e das crises, sempre ressurgiu cada vez melhor e mais forte”, disse Luiz Carlos.
Confira a trajetória do produtor Luiz Carlos Barreto
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Foto de arquivo de 18/12/2019 do diretor, fotógrafo e produtor de cinema, Luiz Carlos Barreto, durante sessão de fotos cedida ao jornal O Estado de S.Paulo em Botafogo, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Alex Ribeiro/Estadão Conteúdo
A família Barreto ainda levou o Brasil duas vezes ao Oscar, com “O Que É Isso, Companheiro?”, dirigido por Bruno Barreto, e “O Quatrilho”, dirigido por Fábio Barreto.
Conhecido como “O poderoso chefão” do cinema nacional, Luiz Carlos Barreto recebeu do escritor Nelson Rodrigues o apelido de Barretão. Os dois costumavam frequentar estádios de futebol juntos.
A paixão pelo futebol
Apaixonado por futebol desde jovem, Barreto chegou a jogar nas categorias de base e também integrou o elenco principal do Flamengo na década de 1940, antes de seguir definitivamente a carreira no jornalismo e no cinema.
“Eu sou um cara que gosta das duas coisas de massa mais que existe, futebol e cinema.”
“Eu era considerado craque. Era juvenil do Flamengo e fui convocado para a seleção que ia disputar a Olimpíada de Londres, em 1948. Éramos 30 atletas”.
Na época era o governo que financiava a delegação, e não tinha dinheiro para mandar todo mundo. “Então fomos cortados, e eu perdi a minha oportunidade de ser um campeão olímpico.”
Apesar da paixão pelo esporte, dirigiu apenas um filme sobre futebol: “Isto É Pelé”.
No cinema, também atuou como roteirista e escreveu o sucesso “Assalto ao Trem Pagador”. Mas costumava dizer que sua maior vocação era a produção e a fotografia.
Luiz Carlos Barreto tinha 98 anos. Desde 2024, enfrentava problemas de saúde após sofrer uma queda durante uma visita ao Ceará, estado onde nasceu, para receber uma homenagem.
Morre um cineasta que tinha orgulho de ser brasileiro e dedicou a vida a fortalecer o cinema nacional.
“Não só nossos filmes, o cinema brasileiro tá cheio de filme bom que não são feitos por nós. Quando muito temos a certeza de que deixamos referências importantes pra quem faz cinema no Brasil, isso é uma grande recompensa.”
Luiz Carlos Barreto estava internado desde segunda-feira (20) no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele tratava uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia.
O velório será realizado nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Após a cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju.
Foto de arquivo de 18/12/2019 do diretor, fotógrafo e produtor de cinema, Luiz Carlos Barreto, durante sessão de fotos cedida ao jornal O Estado de S.Paulo em Botafogo, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Alex Ribeiro/Estadão Conteúdo

Fonte: G1 Entretenimento

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Rock in Rio 2026 esgota ingressos para os dias de Stray Kids e Elton John


Elton John durante a apresentação no festival Glastonbury, no domingo (25)
Oli Scarf/AFP
Os ingressos para os shows dos dias 7 e 11 de setembro no Rock in Rio 2026 estão esgotados, informou a organização do festival. A venda geral teve início no dia 8 de junho.
O dia 11, que tem Stray Kids como atração principal do Palco Mundo, foi a terceira data a ter ingressos esgotados. Já o dia 7 de setembro, que conta com a apresentação de Elton John, foi a quarta data a esgotar.
Os dias de Calvin Harris (6/09) e Maroon 5 (12/09) foi os primeiros a terem ingressos esgotados, logo nas primeiras horas após a abertura das vendas.
Agora, só restam ingressos para os dias 4, 05 e 13 de setembro, quando se apresentam Foo Fighters, Avenged Sevenfold e Twenty One Pilots, respectivamente.
VEJA PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO ROCK IN RIO 2026
Zé Ricardo fala de estratégia para ‘pais não sofrerem’ em dia jovem no Rock in Rio
O ingresso para o Rock in Rio 2026 custa R$ 870 (inteira), R$ 435 (meia-entrada) e R$ 739,50 para clientes Itaú, e não há cobrança de taxa de serviço.
Os clientes podem comprar até quatro ingressos por dia de festival em seu CPF, sendo no máximo uma meia-entrada para cada dia.
A única exceção fica por conta das pessoas com deficiência, que poderão selecionar, além do seu ingresso, 01 ingresso meia-entrada adicional para o seu acompanhante para cada dia comprado.

Fonte: G1 Entretenimento

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Luiz Carlos Barreto defendeu ‘exportar filme brasileiro para dentro do Brasil’

Luiz Carlos Barreto morre aos 98 anos
Um dos principais nomes da história do cinema brasileiro, Luiz Carlos Barreto, que morreu aos 98 anos nesta terça-feira (22), afirmou em entrevista ao ‘Conversa com Bial’ que o sucesso do setor nas décadas de 1970 e 1980 foi resultado de uma política de incentivo à produção nacional. Na conversa, ele também criticou a paralisação da Ancine e analisou os desafios contemporâneos do audiovisual.
Na atração da TV Globo, o cineasta conhecido como ‘Barretão’ abordou momentos decisivos da história do cinema brasileiro, relembrou o período da Embrafilme, comentou a produção cultural durante a ditadura militar e refletiu sobre os desafios enfrentados pelo setor nos últimos anos.
Ao recordar o papel da Embrafilme no fortalecimento da indústria audiovisual, Barretão resumiu sua visão sobre o desafio histórico do setor em uma frase que se tornou um dos destaques da entrevista a Pedro Bial.
“Nós precisamos exportar filme brasileiro para dentro do Brasil”, afirmou.
Segundo ele, mais importante do que buscar espaço no exterior era criar condições para que as produções nacionais chegassem ao público brasileiro.
Referência do Cinema Novo, Luiz Carlos Barreto marcou gerações
Luiz Carlos Barreto, expoente do cinema brasileiro, morre no Rio
Ao lembrar o período em que o cinema nacional alcançou recordes de público e chegou a representar cerca de 42% do mercado, Barreto atribuiu o desempenho a uma estratégia de fortalecimento da produção brasileira. “Foi fruto de uma política”, afirmou.
Ele citou ainda produções como Dona Flor e Seus Dois Maridos, dirigido por Bruno Barreto, e afirmou que a indústria audiovisual deve ser capaz de produzir tanto grandes sucessos de bilheteria quanto filmes de médio porte. Segundo ele, essas obras são fundamentais para renovar a linguagem cinematográfica, ampliar a diversidade da produção e conquistar novos públicos.
Ditadura
Barreto também relembrou o período da ditadura militar e contestou a ideia de que houve uma única política cultural ao longo dos mais de 20 anos do regime. Segundo ele, diferentes governos adotaram posturas distintas em relação ao cinema, o que permitiu momentos de maior apoio à produção audiovisual brasileira.
Em outro momento da entrevista, o produtor avaliou a situação do setor nos anos mais recentes. Ao comentar a paralisação da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e as dificuldades enfrentadas pelo audiovisual, afirmou que o enfraquecimento dos mecanismos de incentivo começou antes mesmo do governo Bolsonaro, embora tenha criticado o projeto que, segundo ele, buscava desmontar a produção cultural brasileira.
Com uma trajetória que atravessou décadas do cinema nacional, Luiz Carlos Barreto produziu alguns dos filmes mais importantes da história do país e ajudou a consolidar uma geração responsável por projetar a produção brasileira dentro e fora do Brasil. Na entrevista ao Conversa com Bial, deixou também um diagnóstico sobre os rumos da indústria que ajudou a construir.

Fonte: G1 Entretenimento

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Artistas lamentam morte de Luiz Carlos Barreto: ‘A história do nosso cinema não seria a mesma sem ele’; veja repercussão


Luiz Carlos Barreto morre aos 98 anos
A morte do cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão, aos 98 anos, provocou manifestações de pesar entre artistas, familiares e amigos nesta quarta-feira (22). Considerado um dos maiores nomes da história do cinema brasileiro, ele morreu enquanto estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A causa da morte ainda não foi informada.
Em entrevista à GloboNews, o ator Matheus Nachtergaele prestou homenagem a Barretão. Emocionado, ele destacou a importância do cineasta para a história do cinema brasileiro e para a própria trajetória artística.
“Estou bem triste, ainda sob impacto da notícia, mas também entendendo que a vida do Luiz Carlos foi uma vida plena e que ele é talvez o maior fomentador do cinema brasileiro de todos os tempos”, disse.
“A história do nosso cinema não seria a mesma sem o Luiz Carlos. A minha, com certeza, não. Antes mesmo de fazer televisão, quando fazia teatro, fui convidado pelo Bruno Barreto, filho de Luiz Carlos, para interpretar um personagem grande e importante no filme O Que É Isso, Companheiro?, um dos primeiros grandes filmes da retomada do cinema brasileiro nos anos 1990. Sem a confiança deles, eu talvez não fizesse parte desta grande família”, completou o ator.
Referência do Cinema Novo, Luiz Carlos Barreto marcou gerações como produtor de ‘Vidas secas’ e ‘Terra em transe’
A jornalista Simone Zuccolotto também lamentou a perda nas redes sociais.
“Luiz Carlos Barreto é o cinema brasileiro. Sua luta, seu cinema, sua vida, seu cheiro. A pessoa que me ensinou tanto. A família de cinema que me acolheu. Que imensa tristeza ❤️ todo meu carinho à família Barreto”, escreveu.
Simone Zuccolotto presta homenagem a Barretão
Reprodução/Instagram
O neto de Barretão, o músico Gabriel Barreto, também prestou uma homenagem nas redes sociais. Em uma publicação no X, ele destacou a importância do avô para a família e para o país.
“De algum jeito achei que você ia sobreviver a todos nós. Acordei com a notícia de que meu avô Luiz Carlos Barreto faleceu aos 98 anos. Ele foi um gigante para nossa família e para o Brasil. Ele era uma estrela polar para mim. Meu Deus, vovô, que saudades”, publicou no X.
Neto de Barretão presta homenagem após morte do cineasta
Redes Sociais/X
Barretão dedicou mais de seis décadas ao audiovisual brasileiro e é considerado um dos principais nomes da história do cinema nacional. Integrante do Cinema Novo, movimento que marcou a produção cinematográfica na década de 1960 com obras de forte caráter social e político, ajudou a transformar o cinema brasileiro.
Além da atuação como produtor e cineasta, formou-se em Letras e também trabalhou como jornalista e fotojornalista ao longo da carreira.
Confira a trajetória do produtor Luiz Carlos Barreto

Fonte: G1 Entretenimento

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Referência do Cinema Novo, Luiz Carlos Barreto marcou gerações como produtor de ‘Vidas secas’ e ‘Terra em transe’


Luiz Carlos Barreto morre aos 98 anos
Luiz Carlos Barreto, um dos personagens centrais da história do cinema brasileiro, morreu nesta quarta-feira (22) no Rio de Janeiro. Conhecido como Barretão, ele construiu uma carreira que atravessou décadas e acompanhou as principais transformações do audiovisual no país. Produtor, diretor, fotógrafo e jornalista, participou de mais de 100 filmes e ajudou a consolidar o Cinema Novo como um dos movimentos mais influentes da cultura nacional.
Nasceu em 1928, em Sobral, no Ceará, e Barretão passou a infância em Fortaleza. Foi ali que nasceu sua paixão pelas telas, alimentada pelas longas horas que passava nas salas de cinema da cidade. Ainda jovem, ingressou no jornalismo e acabou deixando o Ceará após sua atuação em um jornal ligado ao Partido Comunista. Em 1947, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciaria a trajetória que o transformaria em uma referência do cinema brasileiro.
O cineasta Luiz Carlos Barreto
Fabio Motta/Estadão Conteúdo
Antes de encontrar seu caminho definitivo atrás das câmeras, quase seguiu carreira nos gramados. No Rio, integrou as categorias de base do Flamengo e chegou a ser convocado para a seleção brasileira que disputaria os Jogos Olímpicos de Londres, em 1948. A experiência, porém, foi interrompida, e Barreto retornou ao jornalismo após servir ao Exército.
Encontro com Glauber Rocha abriu as portas do cinema
Foi como fotógrafo que ganhou projeção nacional. Trabalhou em publicações importantes da época, como “A Cigarra” e “O Cruzeiro”, uma das revistas mais influentes do país. Como fotojornalista, registrou acontecimentos históricos, entre eles a conquista da Copa do Mundo de 1958 pela seleção brasileira e momentos marcantes da trajetória de Pelé.
A entrada definitiva no cinema aconteceu a partir do encontro com Glauber Rocha. A parceria o levou a participar de “Assalto ao Trem Pagador” (1962), filme inspirado em um caso policial real e considerado um marco do cinema brasileiro. A partir dali, Barreto passou a integrar o grupo de realizadores que buscava retratar as contradições sociais do país e construir uma linguagem cinematográfica autenticamente brasileira.
Sua contribuição para o Cinema Novo foi decisiva. Como diretor de fotografia, assinou a imagem de clássicos como “Vidas Secas” (1963), adaptação da obra de Graciliano Ramos dirigida por Nelson Pereira dos Santos. Para retratar a aridez do sertão, apostou em uma fotografia crua, marcada pela intensa luminosidade natural. O longa se tornou um dos filmes mais importantes do movimento e chegou a disputar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Paulo Autran em cena de ‘Terra em transe’
Divulgação
‘Terra em Transe’ e o apelido ‘barão do cinema brasileiro’
Poucos anos depois, voltou a trabalhar com Glauber Rocha em “Terra em Transe” (1967), outro marco do cinema nacional. A fotografia de contrastes intensos ajudou a construir a atmosfera alegórica do filme, que abordava questões políticas em meio ao período da ditadura militar.
Embora tenha deixado sua marca atrás das câmeras, foi como produtor que Barreto ampliou sua influência. À frente da própria produtora e também em sua passagem pela Embrafilme, participou da busca por novos modelos de financiamento para o setor e esteve por trás de alguns dos maiores sucessos do cinema nacional. A capacidade de transformar projetos ambiciosos em filmes de grande alcance lhe rendeu o apelido de “barão do cinema brasileiro”.
O cinema também se tornou um empreendimento familiar. Ao lado da esposa, Lucia Barreto, e dos filhos Paula, Fabio e Bruno Barreto, ajudou a construir uma das famílias mais influentes do audiovisual brasileiro. Entre suas produções mais emblemáticas está “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), que permaneceu por décadas como a maior bilheteria da história do cinema nacional. Também produziu títulos como “Bye Bye Brasil”, “Memórias do Cárcere”, “Inocência” e “O Beijo no Asfalto”.
Mauro Mendonça, Sônia Braga e José Wilker, em cena de Dona Flor e Seus Dois Maridos
Reprodução
Nas décadas seguintes, seguiu participando de projetos relevantes para o cinema brasileiro. A família Barreto esteve associada a duas das indicações do Brasil ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: “O Quatrilho” (1995) e “O Que É Isso, Companheiro?” (1997). Mais recentemente, produziu obras inspiradas em figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o maestro João Carlos Martins.
Ao longo de mais de nove décadas de vida, Luiz Carlos Barreto testemunhou e ajudou a contar parte da história do Brasil. Fotógrafo, jornalista, cineasta e produtor, foi um dos responsáveis por levar para as telas personagens, conflitos e paisagens que ajudaram a definir a identidade do cinema nacional. Seu legado permanece vivo em algumas das obras mais importantes já realizadas no país.

Fonte: G1 Entretenimento

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Novo diretor do Louvre anuncia reabertura de galeria saqueada por ladrões em outubro de 2025


Novo diretor assume comando do Louvre após roubo das joias e série de crises internas
A galeria de Apolo do Louvre reabre nesta quarta-feira (22), nove meses após o roubo que expôs falhas graves de segurança no museu mais visitado do mundo. Em entrevista ao “Le Parisien”, o presidente Christophe Leribault anuncia um plano de 1 bilhão de euros para corrigir problemas que vão além da proteção do acervo, como salas fechadas por calor. Ele diz manter esperança de recuperar as joias roubadas e alerta que, sem apoio do próximo governo, o Louvre pode ser “obrigado a fechar”.
“A revolução do Louvre” é a manchete do diário que estampa sua capa com a foto do espaço saqueado em 19 de outubro de 2025. A galeria de Apolo estava fechada desde o ataque de 19 de outubro de 2025, quando um grupo de ladrões entrou no espaço em plena luz do dia usando um caminhão‑guindaste e arrombou uma janela com uma serra elétrica. Em menos de oito minutos, levaram oito joias da Coroa da França, ainda desaparecidas.
O episódio provocou uma crise interna e expôs falhas de vigilância em um museu que recebe cerca de 9 milhões de visitantes por ano.
Museu do Louvre
REUTERS/Gonzalo Fuentes
Nomeado à presidência do Louvre em fevereiro, Christophe Leribault anunciou ao jornal um orçamento de 1 bilhão de euros para empreender uma necessária reforma no museu. Além dos problemas de segurança, o Louvre enfrenta outros desafios, como por exemplo, os espaços mal adaptados em períodos de forte calor.
Leribault afirmou que o museu enfrenta agora esse tipo de problema, que se tornou mais visível nos últimos meses, como salas fechadas por superaquecimento e áreas sem temperatura adequada para o acervo. Segundo o Le Parisien, até o escritório do presidente não tem ar-condicionado, situação que se agravou durante as ondas de calor recentes.
Para ele, a reforma precisa ser abrangente e incluir tanto a proteção do acervo quanto a adaptação do prédio às condições climáticas atuais.
Polícia segue investigando o roubo Questionado sobre a possibilidade de reencontrar as joias roubadas, Leribault diz manter as esperanças e indica que as investigações continuam. Segundo ele, a segurança do museu vem sendo aprimorada com novas câmeras e o reforço das entradas, embora reconheça que o esquema não seja suficiente e apontando para a necessidade de um projeto global. 
O diretor do Louvre se deu o desafio que obter 360 milhões de euros por meio de doações em apenas um ano para financiar a reforma, mas diz estar consciente que esta não é a melhor época para um financiamento estatal ou privado. Por isso, Leribault mira na solidariedade internacional. A menos de um ano das próximas eleições presidenciais, ele afirma que se o próximo governo não apoiar o Louvre, o museu se verá “obrigado a fechar suas portas”.

Fonte: G1 Entretenimento

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Corpo encontrado no carro do cantor D4vd estava ‘irreconhecível’, diz testemunha


Cantor David Anthony Burke, conhecido como D4vd, observa durante sua audiência de acusação pelo assassinato de Celeste Rivas Hernandez no Centro de Justiça Criminal Clara Shortridge Foltz em Los Angeles, Califórnia, EUA, em 20 de abril de 2026
Reuters
O corpo da adolescente Celeste Rivas Hernández, encontrado no porta-malas do carro do cantor D4vd, estava “irreconhecível” devido ao avançado estado de decomposição. A informação foi dada por um detetive da Polícia de Los Angeles durante audiência realizada nesta terça-feira (21), nos Estados Unidos.
D4vd, de 21 anos, cujo nome verdadeiro é David Anthony Burke, responde a diversas acusações, entre elas homicídio, pela morte da jovem. O corpo da adolescente foi encontrado dentro do Tesla do artista em setembro do ano passado, poucos dias antes de ela completar 15 anos.
No primeiro dia da audiência preliminar, o detetive Joshua Byers relatou que reconheceu imediatamente o que descreveu como um “cheiro muito característico” de cadáver quando os investigadores abriram o porta-malas do veículo.
“Havia bastante decomposição, a ponto de o descolamento da pele (…) tê-la tornado irreconhecível”, afirmou o policial. Durante a sessão, fotos dos restos mortais desmembrados da vítima foram exibidas no tribunal.
Burke acompanhou a audiência usando uniforme prisional laranja e não demonstrou reação quando as imagens foram apresentadas.
Cantor D4vd esquartejou adolescente com uma serra, diz promotoria de Los Angeles
cantor David Anthony Burke, conhecido como D4vd, observa durante sua audiência de acusação pelo assassinato de Celeste Rivas Hernandez no Centro de Justiça Criminal Clara Shortridge Foltz em Los Angeles, Califórnia, EUA, em 20 de abril de 2026
Reuters
Segundo a Promotoria, o cantor conheceu Celeste quando ela tinha 11 anos. Os investigadores afirmam que os dois iniciaram um relacionamento sexual quando a adolescente tinha 13 anos.
Durante a audiência, foi exibido um vídeo gravado por câmeras corporais dos policiais no qual Burke aparece dizendo: “Ela me disse que tinha 18. Todos dizem que ela tinha 13”.
A mãe da adolescente registrou o desaparecimento da filha em 2024. De acordo com os promotores, Burke teria cometido o crime depois que a jovem ameaçou revelar publicamente o relacionamento, considerado ilegal pelas autoridades.
O cantor se declarou inocente das acusações de homicídio, abuso sexual continuado de menor de 14 anos e mutilação ilegal de restos humanos. Se condenado, poderá receber pena de prisão perpétua ou até mesmo a pena de morte.
Quem é D4VD, cantor associado a investigação de assassinato nos EUA
Celeste Rivas Hernandez, a jovem que o cantor D4vd é acusado de matar
AP
Caso D4vd: autópsia aponta causa da morte de garota de 14 anos; cantor é acusado de assassinato

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Momento mais puro da minha vida’, relembra Karol Conká ao falar de ‘Batuk Freak’, primeiro álbum da carreira


Karol Conká durante show de aniversário do álbum ‘Batuk Freak’ em São Paulo
Divulgação
Em 2013, Karol Conká se apresentou ao Brasil com seu álbum de estreia, “Batuk Freak”. Misturando rap, pop e elementos da cultura afro-brasileira, o álbum se tornou referência da cultura hip-hop nacional.
Nascida em Curitiba, capital do Paraná, Conká invadia a cena dominada por homens do eixo Rio-São Paulo com um trabalho de som disruptivo, letras engajadas e flow único.
13 anos depois, “Batuk Freak” é citado como icônico pelas novas gerações e, de tanto os fãs pedirem, a rapper decidiu fazer uma turnê especial de aniversário – iniciada com dois shows em São Paulo, nos dias 18 e 19 de maio. Ela também passará por Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis.
Ao g1, ela explicou que sua ideia foi montar uma apresentação que tenha um pouco do espírito da época de lançamento do disco, mas com um repertório que dialogue com outros trabalhos.
“Fico muito grata ao ver o ‘Batuk Freak’ ser reconhecido décadas depois como algo que despertou a criatividade de outras pessoas. Adoro encontrar fãs e ouvir como esse trabalho transformou personalidades. Me sinto no lugar de admiradora sendo admirada por essa nova geração.”
Nascimento do batuque maluco
O álbum de estreia da cantora foi gestado ainda em 2011, com os primeiros singles feitos em parceria com o produtor Nave, também curitibano.
Conká, que morava no bairro Boqueirão, a cerca de 10km do Centro de Curitiba, lembrava que ir até um estúdio profissional e gravar era um sonho de adolescente.
“Foi difícil acreditar que minha arte tocaria pessoas fora de Curitiba. Lembro que eu falava do Nave [produtor do álbum] e da galera do rap como ‘os meninos do Centro’, porque já era algo extraordinário sair ali do meu mundinho, da periferia. Foi o momento mais puro da minha vida”.
Naquele mesmo ano, Nave decidiu compartilhar “Boa Noite”, que viria a ser o principal single do “Batuk Freak”, em um concurso de apostas da MTV.
Nave Beatz e Karol Conká quando ainda eram parceiros, no clipe de ‘Boa noite’, faixa do disco ‘Batuk freak’ (2013), que fez despontar a carreira dela como cantora e a dele como produtor musical
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Foi com essa exposição que a rapper teve seu primeiro grande impulso e decidiu que precisava fazer um álbum e mostrar seu trabalho para o mundo.
13 anos depois, “Batuk Freak” parece um trabalho que foi planejado para causar impacto. Mas, lá de início, a ideia era só fazer umas rimas num estúdio profissional mesmo.
“Sair de Curitiba e furar o eixo Rio-São Paulo parecia impossível, mas eu tinha uma vontade imensa de conectar minha arte com o mundo. Com o apoio da MTV e do produtor Nave, que subiu minhas músicas na internet, mostrei que uma garota da periferia podia alcançar o topo.”
Guardando o passado com carinho
Durante a entrevista, Conká fez questão de mencionar por diversas vezes o nome de Nave Beatz, produtor do álbum, e sua esposa, Drica Lara.
“Lá no começo [da carreira] eu não conseguia focar em tantas informações que chegavam de uma vez. Contei com ajuda muito importante do Nave e da Drica. Eles foram me ensinando e mostrando os caminhos mais administrativos e a responsabilidade sobre uma carreira artística”, explica.
Um dos grandes nomes do rap nacional, o produtor tem no currículo trabalhos assinados com Emicida, Marcelo D2, Flora Matos, além de três Grammys Latino.
Nave Beatz levou o Grammy após produção de álbum ‘AmarElo’, do Emicida
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A menção frequente chama a atenção, pois os três já trocaram reclamações públicas envolvendo direitos autorais por conta do álbum.
Em 2021, o disco chegou a ser retirado das plataformas de streaming, enquanto o produtor alegava não ter sido pago pelo trabalho, o que a cantora contestava (entenda a treta completa aqui).
Quem assistiu Karol Conká durante e depois do “BBB 21”, com suas polêmicas e a alta rejeição, sabe que ela passou por um período de reconstrução pessoal. E foi justamente nesse momento que chegaram ao conhecimento público os problemas envolvendo a parceria com Nave.
A cantora diz que, hoje, essa não é uma “questão” para ela e que fica com as boas memórias da construção do álbum com o produtor.
“Nunca deixei que problemas externos ou burocráticos interferissem na atmosfera musical do ‘Batuk Freak’. Adoro separar bem o que é a obra e aquela energia boa do que são os assuntos delicados. O tempo é o melhor remédio e, para mim, a música sempre vai falar mais alto.”
Pressão pelo novo ‘álbum da vida’
Karol Conká se apresenta no Palco The One do The Town
Natalia Rampinelli/ Agnews
Depois do seu trabalho de estreia, Conká rodou o mundo, se apresentou em grandes festivais e virou referência do rap. E costuma responder com frequência a pergunta: quando vem um novo “Batuk Freak”?
Desde então, lançou outros dois álbuns (“Ambulante”, em 2018, e “Urucum”, em 2022), e tem singles de sucesso como “Tombei” e “É O Poder”.
No entanto, é como se ela enfrentasse uma pressão para superar seu trabalho de estreia.
“Vejo com carinho [essa pressão], porque também acho que é o álbum da minha vida. Foi o primeiro que gravei e disse: ‘É um álbum’. A primeira obra é o xodó.”

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Playlist da Fossa’: Por que sentimos necessidade de ouvir músicas tristes quando já estamos tristes?


Por que sentimos necessidade de ouvir músicas tristes quando já estamos tristes?
Não importa o gênero musical. Frases que relatam saudades, sofrência e recaídas estão na maioria das faixas que aparecem na lista das 50 músicas mais ouvidas no Brasil no streaming no primeiro semestre de 2026.
O sertanejo de “dor de cotovelo”, o trap melódico e as baladas pop confessionais mostram que o brasileiro adora sofrer acompanhado de uma faixa melancólica.
Versos como:
“Meu amor, por favor, fala que você também não me esqueceu” (trecho de “Apaga Apaga Apaga”, de Danilo e Davi)…
…ou “O que eu mais queria era ficar contigo, mas você deixou meu coração partido” (trecho de “Coração Partido”, do Menos é Mais)…
… e ainda “Ela foi embora, eu sofri muito, foi difícil ter o ponto final” (trecho de “Carnívoro”, de MC Jacaré com MC Lele JP e MC Negão Original)…
…são alguns exemplos do sofrimento do eu lírico das canções mais ouvidas pelo brasileiro neste primeiro semestre.
Os personagens destas músicas estão tristes, arrependidos e/ou sofrendo. E isso pode ser o reflexo do que o ouvinte está sentindo, já que é bastante comum a busca de músicas tristes quando estamos tristes.
Mas por que isso acontece?
“Pode parecer estranho, mas quando a gente está triste, nem sempre a gente quer que alguém nos retire da tristeza. Muitas vezes, antes de a gente conseguir fazer isso, a gente precisa se sentir compreendido dentro daquilo que a gente tá vivendo”, explica Pamela Magalhães, Psicóloga Terapeuta de Casal e Família e apresentadora do podcast Parece Terapia.
“E a música melancólica, triste, tende a funcionar como uma espécie de parceiro, companheiro emocional. Porque a música dá palavras, significado para aquilo que a gente ainda não consegue nomear, e que está permeando a nossa mente e ocupando o nosso coração. É como se a letra dissesse: ‘eu sei como isso dói’.”
Por que sentimos necessidade de ouvir músicas tristes quando já estamos tristes?
Ivan S/Pexels
Para a psicóloga, por trás deste comportamento está uma necessidade humana primária de buscar representação para que a dor deixe de ser solitária. Ela explica que, quando a gente escuta uma música que traduz exatamente o nosso estado emocional, a gente experimenta a sensação de validação e de pertencimento. Até por isso muitas pessoas costumam dizer: “Essa música foi feita pra mim.”
Claro que, com as raríssimas exceções de pessoas que realmente foram homenageadas pelos compositores, a música não foi feita diretamente para aquele ouvinte. Mas algo íntimo e universal foi atingido dentro dele, fazendo com que ele sinta que, finalmente, alguém conseguiu traduzir sua experiência.
“E não significa necessariamente que a gente deseje sofrer mais. Significa que a gente encontrou um lugar seguro para sentir o que talvez estivesse tentando evitar, escondendo ou até sem conseguir explicar racionalmente, através da lógica.”
“A música abre uma porta que permite a emoção entrar e sair. Por isso, muitas pessoas choram ouvindo música e depois sentem essa espécie de alívio. O choro não é necessariamente um sinal de piora.”
“Há momentos em que a música não nos tira do fundo do poço, mas se senta ao nosso lado. E para quem tá sofrendo, deixar de se sentir sozinho já é o começo de alguma saída.”
Patrícia Vanzella, professora da Universidade Federal do ABC e coordenadora do grupo de pesquisa Neuromúsica UFABC, cita que o que uma pessoa sente ao ouvir uma canção triste, em geral, não é tristeza pura.
“É um estado mais complexo, agridoce, de comoção. Por isso a experiência pode ser profundamente prazerosa sem nenhuma contradição.”
“Isso acontece porque sabemos que aquela emoção está na música e não em um perigo real. É um ambiente seguro para experimentar sentimentos difíceis sem enfrentar suas consequências.”
Emoções coletivas
Se ouvir as músicas de fossa no fone ou em casa traz acolhimento, o consumo coletivo pode ampliar ainda mais essa sensação de pertencimento.
Patrícia Vanzella destaca que entoar as “sofrências” em festas, bares, shows e encontros sociais, junto com milhares de pessoas pode produzir um efeito que parece paradoxal: dor virando festa.
“Sincronizar-se com outras pessoas aumenta a sensação de proximidade e pertencimento, e o canto coletivo é um exemplo particularmente claro disso. O sofrimento deixa de ser vivido solitariamente e passa a ser partilhado”, afirma.
“Essa dimensão coletiva é anterior ao uso individual da música. Ouvir sozinho, de fone, é que é a novidade histórica. É provavelmente daí que vem boa parte do poder psicológico que a música tem sobre nós.”
Público se emociona no show de Cassiane, no Festival Promessas, em Goiânia, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Os altos e baixos na playlist e no mood
Ao fazer uma análise das 50 músicas mais ouvidas no Brasil no streaming, o segundo tema que mais embala as faixas é o da farra e curtição.
Com isso, é possível fazer um paralelo com as “fases do luto”, conceito popularizado pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross e que divide o processo do luto em cinco etapas:
Negação (choque inicial);
Raiva (revolta);
Negociação (barganha);
Depressão (tristeza profunda);
Aceitação.
Mas assim como não há linearidade nas fases do luto, os altos e baixos numa playlist que acompanha o emocional do ouvinte também não é contínuo.
“Uma playlist também pode revelar esse momento contraditório. Em um momento, a pessoa escuta uma música de saudade, por exemplo, abandono e sofrimento. E logo depois coloca uma música de farra, desejo, liberdade em excesso. Isso não significa necessariamente que ela superou.”
“Pode significar que ela está tentando sair da dor, reagindo a ela, ou simplesmente numa tentativa de interrompê-la por alguns minutos, num protesto de alguma fase do luto que ela não consegue sair”, afirma Pamela.
A psicóloga explica que a farra (seja na forma física ou na musical) pode representar vitalidade, celebração e retomada genuína da vida. Mas também pode funcionar como anestesia emocional, que é muito comum.
“Por isso que é tão importante perguntar: ‘estou celebrando porque estou voltando a viver ou estou fazendo barulho para não escutar o que existe dentro de mim?”
Por que sentimos necessidade de ouvir músicas tristes quando já estamos tristes?
Darina Belonogova/Pexels
O ‘detox’ da fossa: Quando a sofrência vira morada
Algumas pesquisas mostram a relação entre a música e a regulação emocional. Isso porque as músicas estimulam neurotransmissores como:
a dopamina (responsável pela sensação de satisfação, prazer e recompensa);
a endorfina (responsável pela sensação de relaxamento e alívio da dor);
a ocitocina (responsável pela sensação de prazer e bem-estar);
e a serotonina (responsável pela sensação de felicidade).
Até mesmo a sensação de validação emocional tem relação com a liberação de neuro-hormônios como a prolactina e ocitocina.
“Isso faz com que se tenha uma sensação de certo alívio e acolhimento, que gera uma certa calma e a sensação de alívio. Então, biologicamente tem uma explicação por buscar [músicas tristes quando estamos tristes]”, explica a Karolina César, Médica Neurologista do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da FMUSP.
Embora haja essa conexão entre a música e o bem-estar (até mesmo no choro embalado pela música para a autorregulação), existe uma linha tênue entre processar a dor e se afogar nela. Se por um lado, uma música triste pode trazer acolhimento e movimentar a emoção, por outro, ela pode aprisionar e cutucar ainda mais as feridas.
“O fato por si só de ouvir músicas tristes não traz nenhum problema. O problema é o que vem acompanhado disso, como o isolamento pleno por períodos longos ou não querer conversar com outras pessoas”, aponta Karolina César.
Quando o ouvinte passa dias escutando repetidamente as mesmas faixas doloridas para alimentar sentimentos de injustiça ou rejeição, a música entra em um processo prejudicial conhecido como ruminação mental.
“A pessoa escuta, revive, sofre, busca mais conteúdo semelhante e retorna ao mesmo pensamento sem produzir um novo significado, como quem tá num looping ali viciado”, explica Pamela.
Patrícia Vanzella aponta que a música é um dos estímulos mais potentes que conhecemos para trazer o passado de volta.
“Se uma canção está intensamente ligada a uma experiência traumática ou a um relacionamento muito doloroso, ela pode funcionar como gatilho. E evitá-la temporariamente durante um processo terapêutico é uma estratégia clínica razoável e situacional”, afirma Patrícia, ao ser questionada sobre a necessidade de retirada de alguma música da rotina de alguém que se reconecte com alguma fase ruim ao ouví-la.
“O que isso não significa é que exista gênero musical bom ou ruim, saudável ou nocivo. O que importa é a história daquela música específica na vida daquela pessoa.”
Pamela faz um alerta sobre o risco de transformar o sofrimento em uma esfera masoquista.
“O problema pode surgir quando a música deixa de ser uma ponte de elaboração e se torna uma casa permanente do sofrimento. Algumas pessoas utilizam repetidamente determinadas músicas para reviver uma rejeição, alimentar fantasia, reforçar sentimentos de injustiça ou manter uma conexão emocional com alguém que já não está mais presente ou que não fazia bem.”
Para fazer essa dissociação de como a música afeta o emocional, Pamela sugere uma simples pergunta:
“Depois de ouvir essa música, eu me sinto acolhido ou aprisionado? Eu sinto alívio ou rumino?”
“A música pode visitar a nossa dor. O cuidado está em não permitir que ela alugue um quarto definitivo dentro dela e fique por lá fazendo morada.”
“Depois de ouvir essa música, eu me sinto acolhido ou aprisionado?”
Creativecrew/Pexels

Fonte: G1 Entretenimento