Categorias
ENTRETERIMENTO

‘Argentina, 1985’: como foi o julgamento histórico que revelou horrores da ditadura 


Filme conta a história do julgamento das juntas militares que governaram o país após o golpe, realizado menos de dois anos após o retorno da democracia. Ricardo Darín e Peter Lanzani interpretam os protagonistas do drama “Argentina 1985”
Divulgação
Poucos dias antes de 22 de abril de 1985, o juiz Ricardo Gil Lavedra encontrou um colega no Palácio da Justiça de Buenos Aires e, depois de conversarem sobre assuntos corriqueiros, o outro magistrado perguntou incrédulo a ele: “Me diz uma coisa, vocês realmente vão fazer esse julgamento?”
“Esse julgamento” sobre o qual o colega de Gil Lavedra perguntava não tinha outros precedentes na história do século 20 além do julgamento de Nuremberg, que ocorreu entre 1945 e 1946, sobre os crimes do nazismo, e de um julgamento de 1975 contra coronéis gregos que lideraram o golpe de Estado no país em 1967.
Na Argentina, tratava-se de julgar em um tribunal civil os nove líderes das três primeiras juntas militares que governaram o país após o golpe de Estado de 1976, por crimes que iam desde homicídio e tortura até privação ilegítima de liberdade. Organizações de direitos humanos estimam que 30 mil pessoas desapareceram durante aqueles anos.
g1 já viu: ‘Argentina, 1985’ explica para novas gerações como foi ditadura e mostra ‘heróis sem capa’
A história do julgamento chegou às telonas com o filme Argentina, 1985, do diretor Santiago Mitre, que estreou nos cinemas argentinos em setembro deste ano, e já foi exibido em festivais como o de Veneza e San Sebastián (neste último, ganhou o prêmio do público). No Brasil, está disponível no Amazon Prime Video.
O contexto em que o julgamento ocorreu não foi muito propício a nível local — a democracia argentina recém-recuperada ocupava há um ano e meio a Casa Rosada —, nem na região, como lembra o promotor Luis Moreno Ocampo à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.
“No Chile, (Augusto) Pinochet tinha todo o poder; o Uruguai, por referendo popular, se recusou a investigar seus militares; havia oficiais militares em muitos governos da região, e a Argentina — como sempre oscila entre o abismo e o topo — fez algo totalmente inesperado.”
Por isso, nem sequer os seis juízes que iriam presidir as audiências tinham certeza de que conseguiriam finalizar o processo:
“No próprio Palácio da Justiça, nos olhavam como aberrações, e isso nos gerava uma grande incerteza, não sabíamos se conseguiríamos realizar o julgamento”, conta Gil Lavedra, que tinha 36 anos na época e era o mais jovem dos seis magistrados.
Os depoimentos
Assista ao trailer do filme “Argentina, 1985”
Moreno Ocampo lembra que o julgamento fez parte de um processo que havia começado nas eleições de 1983, quando a questão dos “desaparecidos”, as vítimas da ditadura cujos corpos não apareciam, se tornou parte da campanha eleitoral que levou Raúl Alfonsín à presidência.
Alfonsín criou a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (Conadep), que compilou os depoimentos de sobreviventes e familiares de vítimas da ditadura, e tentou fazer que os próprios militares julgassem os ex-comandantes, mas acabou sendo a justiça civil — aplicando o Código de Justiça Militar — o cenário do julgamento.
“Optamos pelo Código de Justiça Militar porque possibilitava um julgamento oral e isso também dava a melhor proteção para o tribunal, ou seja, todos podiam ver o que estava acontecendo”, diz Gil Lavedra.
E o que aconteceu é que a crueza dos depoimentos de mais de 800 testemunhas foi registrada todos os dias pelos mais de 500 jornalistas que cobriram o julgamento, e isso — nas palavras dos protagonistas — permitiu o apoio da opinião pública que havia se mostrado reticente.
Moreno Ocampo, cuja família tinha uma parte civil e uma parte militar, lembra como sua mãe, que havia apoiado a ditadura, ligou para ele um dia depois de ouvir vários depoimentos e disse: “Ainda gosto (do ex-presidente militar Rafael) Videla, mas você está certo: ele tem que ser preso”.
“Os testemunhos para nós que cobrimos o julgamento foram tremendos”, diz o jornalista Marcelo Pichel.
“Todos os dias era como se um prédio tivesse caído em cima de você. Você saía de lá meio destruído, não havia risadas, não havia nada. Em um velório, por exemplo, se conta uma piada, ali não havia chance de piada alguma. Tudo o que foi dito era tomado pelo que era… terrível.”
Cada um que teve acesso às audiências se lembra do depoimento que mais o marcou. Para Pichel, jornalista da publicação “El Diario del Juicio”, criada especificamente para cobrir o julgamento, as declarações às vezes eram impactantes porque se referiam a pessoas que ele conhecia pessoalmente, outras pela aberração das torturas: “Me lembro do caso do depoimento da família de Floreal Avellaneda. Tudo o que aconteceu com crianças e mulheres doía mais. O caso dele fala de uma crueldade que superou tudo o que se poderia esperar, que se imaginava na Argélia dos franceses ou na Nicarágua de (Anastasio) Somoza: eram bestas, nem sequer animais, e ainda me dói lembrar disso”.
León Arslanián, o juiz que presidiu o tribunal e, portanto, leu a sentença, ainda guarda em sua memória o depoimento de Adriana Calvo de Laborde, que havia sido sequestrada quando estava grávida e prestes a dar à luz:
“Ela teve o filho, foi tratada da pior maneira, arrancaram a placenta dela, a jogaram no chão, forçaram ela nua a lavar todo o lugar”, diz ele à BBC News Mundo.
“Nunca nos acostumamos de ouvir histórias horríveis, não importa o número de depoimentos”, observa Gil Lavedra.
“Por exemplo, no final das audiências, em agosto, quando já achávamos que tínhamos uma certa couraça, veio um (depoimento) terrível do Hospital Posadas de Gladys Cuervo, uma enfermeira que foi brutalmente torturada, e voltamos a nos comover como no primeiro dia.”
Mas como foi para as testemunhas prestarem depoimento no julgamento?
Para Marcelo Pichel, os juízes fizeram o seu trabalho, os promotores foram uma espécie de “missionários” encarregados da parte mais sensível do processo, mas “quem deu valor foram as testemunhas”.
Miriam Lewin, que foi sequestrada aos 19 anos e passou por dois centros de detenção clandestinos — o centro Virrey Cevallos e a Escola de Mecânica da Marinha (ESMA) — lembra que nem todos achavam que as condições eram adequadas para testemunhar no tribunal.
“Não sabíamos se haveria represálias contra nós, nós que sobrevivemos aos centros clandestinos havíamos sido fichados e identificados pela inteligência militar, e a verdade é que a Justiça não nos ofereceu segurança, nenhum tipo de custódia, por isso alguns não testemunharam.”
Ela conta que foi aconselhada a não ficar em sua casa e a deixar temporariamente o trabalho nos dias anteriores e posteriores ao depoimento — “e isso mostrou que a própria promotoria entendeu que estávamos vulneráveis”.
O filme Argentina, 1985 gira em torno do trabalho do Ministério Público. O promotor principal era Julio César Strassera, seu vice era Luis Moreno Ocampo, e — nas palavras deste último — eles foram apoiados por um grupo muito particular.
“Era uma equipe de jovens, porque eu tinha 32 anos, mas na equipe de assistentes, o mais velho tinha 27 e os outros 20, 21 anos. Sete rapazes, dos quais dois eram advogados. Ainda hoje quando nos reunimos, nos perguntamos como fizemos isso.”
Para Miriam Lewin, o Ministério Público forneceu o isolamento que as testemunhas precisavam antes e depois de depor, porque — como ela mesma descreve — o cenário do tribunal no Palácio da Justiça era assustador.
“Era muito imponente, a plataforma sobre a qual os juízes estavam, a sala inteira cheia de gente, a área da imprensa, o fato de que nas minhas costas estavam os nove comandantes-em-chefe, os principais responsáveis daquele governo ilegítimo que havia assassinado milhares de pessoas, a verdade não contribuía para a estabilidade emocional, apesar de que obviamente o Ministério Público havia tentado tranquilizar as testemunhas que finalmente decidiram falar.”
Embora nem sempre, como lembra Moreno Ocampo, os interesses de alguns coincidiam com a dor de outros:
“Lembro de um dos rapazes da promotoria recebendo uma senhora que explica a ele que o oficial que levou seu filho devolveu a ela os restos mortais numa sacola, alguns ossos e um documento que confirmava que haviam sequestrado aquela pessoa, o que era muito raro, e enquanto ela chorava, o rapaz dizia a ela: ‘Senhora, seu caso é ótimo’, porque estávamos obcecados em provar os fatos.”
‘Nunca mais’
Após os depoimentos das testemunhas em agosto, setembro e outubro, vieram os meses das argumentações da promotoria e dos advogados de defesa.
Na memória dos protagonistas do julgamento, assim como no filme, a figura de Julio César Strassera e seu discurso final ocupam um lugar de destaque.
“Eu tinha o general Videla a um metro e meio de distância e (Emilio) Massera a três metros, então foi um momento único porque senti que estávamos falando em nome da sociedade argentina e poderíamos dizer na cara dessas pessoas o que haviam feito”, diz Moreno Ocampo.
“E depois Julio, que realmente se transformava no tribunal, , encerrou sua argumentação de uma forma que foi maravilhosa e que emocionou a todos, quando ele disse: ‘Senhores juízes, nunca mais’, o tribunal vibrava, e as pessoas choravam. Foi incrível.”
Para Arslanián, o promotor Julio Strassera — interpretado pelo ator Ricardo Darín no filme — teve, como dizem os franceses, o physique du role para assumir a função que desempenhou nesse julgamento oral:
“Era um homem culto, e o cigarro havia dado a ele um tom de voz que era extraordinariamente propício ao que ele estava fazendo.”
Santiago Mitre, diretor do filme Argentina, 1985, disse à BBC News Mundo que quando começou a pesquisar sobre Strassera, “começaram a aparecer muitos ingredientes porque ele era uma pessoa muito particular e poderia se transformar em um personagem muito atraente em um filme, essa personalidade um pouco explosiva que ele tinha com seu humor meio estranho.”
Além das características do promotor, falecido em fevereiro de 2015, o cineasta considerou outro aspecto ao focar nos jovens integrantes do Ministério Público: sua audiência.
O filme e a memória
“Há gerações na Argentina que nasceram dando a democracia como algo certo. E eles não se lembram, não só do julgamento, como mal se lembram da ditadura, e acham que é algo pré-histórico”, afirma Mitre à BBC News Mundo.
Para o diretor, no país sul-americano se vê — como em outras partes do mundo — muitos jovens reproduzindo discursos bastante reacionários e quase reivindicadores de governos ditatoriais.
“A imagem de Strassera com sua equipe de jovens, a forma como organizou a investigação tendo que recorrer aos jovens porque a maioria dos oficiais da Justiça não acreditava ou não queria o julgamento por apatia ou por medo ou por adscrição em algum caso, me pareceu muito inspiradora, principalmente considerando que esse filme tinha que falar com esses jovens que lembram pouco da ditadura.”
“Se alguém vê este filme e ouve o testemunho de Adriana Calvo de Laborde, me parece que é difícil que volte a relativizar a democracia”, conclui o diretor.
Para Marcelo Pichel, “o filme pode ajudar, mas não basta, o fundamental é a educação”.
“Há uma batalha cultural que está se perdendo com o tempo. A sociedade não consegue responder. A Alemanha continua falando de nazismo nas escolas. E acredito que aqui a educação deve explicar o que aconteceu durante a ditadura porque é a única maneira de não repetir”, avalia o jornalista.
Em 9 de dezembro de 1985, os juízes leram a sentença de 709 casos apresentados durante o julgamento. Videla e Massera foram condenados à prisão perpétua; Orlando Agosti foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão; Roberto Viola, a 17 anos; e Armando Lambruschini, a oito anos; Omar Graffigna, Fortunato Galtieri, Jorge Anaya e Basilio Lami Dozo foram absolvidos.
Anos depois, alguns dos condenados receberam indultos, e alguns dos absolvidos foram condenados, em casos de violações de direitos humanos que continuam até hoje na Argentina.
Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63387423

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Mônica Salmaso e André Mehmari lançam o álbum ‘Milton’ no dia dos 80 anos do compositor


A cantora Mônica Salmaso e o pianista André Mehmari abordam 12 músicas do repertório de Milton Nascimento nas 11 faixas do álbum ‘Milton’
Dani Gurgel / Divulgação
♪ Já faz um ano que Mônica Salmaso e André Mehmari acertaram a edição do álbum Milton com a gravadora Biscoito Fino. Como se trata de abordagem do repertório de Milton Nascimento, a opção foi esperar para lançar o disco hoje, 26 de outubro de 2022, dia do 80º aniversário do cantor e compositor de alma mineira.
O álbum Milton apresenta 11 faixas que alinham 12 músicas propagadas pelo artista, perpetuando o áudio da gravação audiovisual feita pela cantora com o pianista em 14 de dezembro de 2020 em sessão única no estúdio de Mehmari, Monteverdi, situado na cidade de São Paulo (SP).
Das 12 músicas do disco, somente Morro velho (Milton Nascimento, 1967) foi gravada fora dessa sessão, tendo sido registrada antes por Salmaso e Mehmari em especial intitulado Quarentena. Foi esse registro seminal, aliás, que fez germinar na cantora e no pianista a ideia do projeto Milton.
Já apresentado no YouTube, o registro da sessão de estúdio de dezembro de 2020 virou show com que André Mehmari e Mônica Salmaso percorreram algumas cidades do Brasil.
Capa do álbum ‘Milton’, de Mônica Salmaso e André Mehmari
Divulgação
♪ Eis as 12 músicas do repertório de Milton Nascimento abordadas por Mônica Salmaso e André Mehmari – com a adesão do flautista e saxofonista Teco Cardoso em duas delas – nas 11 faixas do disco Milton:
1. A lua girou (tema tradicional em adaptação de Milton Nascimento, 1976)
2. Noites do sertão (Milton Nascimento e Tavinho Moura, 1985)
3. Saudade dos aviões da Panair (Conversando no bar) (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
4. A terceira margem do Rio (Milton Nascimento e Caetano Veloso, 1990) – com leitura de trecho do conto A terceira margem do rio, do livro Pequenas estórias (1962), de Guimarães Rosa (1908 – 1967)
5. Canção amiga (Milton Nascimento e Carlos Drummond de Andrade, 1978)
6. Casamiento de negros (tema tradicional em adaptação de Violeta Parra e Polo Cabrera, 1964)
7. Paixão e fé (Tavinho Moura e Fernando Brant, 1977)
8. Milagre dos peixes (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1973)
9. Morro velho (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967)
10. Credo (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1978) – com citação de San Vicente (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1972)
11. Paula e Bebeto (Milton Nascimento e Caetano Veloso, 1975)

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Shane Cienfuegos, primeira pessoa com gênero ‘X’ na carteira de identidade chilena


Jovem conquistou direito à identificação não-binária no documento oficial por meios judiciais, através de um tribunal de apelações de Santiago. Shane Cienfuegos, a primeira pessoa no Chile a conseguir na Justiça a identificação de gênero ‘X’ na carteira de identidade, em 23 de outubro de 2022.
Martin Bernetti/ AFP
Shane Cienfuegos, 29 anos, é a primeira pessoa a receber uma carteira de identidade no Chile sem identificação de gênero, um ato que considera uma “vitória” contra a discriminação e contra a violência sofrida por sua comunidade.
“Senti um grande peso colocado nos meus ombros”, disse, em uma mistura de nervosismo e descrença, dez dias após receber a primeira carteira de identidade não binária do país.
No campo do documento que indica o gênero, no lugar de “F”, ou “M”, iniciais para feminino e masculino, Shane tem um “X”.
“É difícil ser a primeira pessoa”, reconheceu Cienfuegos em entrevista à agência de notícias France Presse, que pede se identificar com o uso do pronome “elu” (“elle”, no espanhol), não previsto pela norma culta, por se considerar “trans não-binário”.
Os “não-binários” não se sentem exclusivamente masculinos, ou femininos, mas se percebem como ambos, uma combinação dos dois.
“Essa não é uma vitória de Shane, é uma vitória coletiva” das pessoas não binárias, acrescenta Cienfuegos, com seu longo cabelo preto, barba, batom vermelho e um vestido florido com lenço no pescoço.
“Isso deu a eles uma janela de oportunidades que antes não existiam em termos de legitimidade de sua identidade de gênero. Hoje, eles podem gerar processos de integração em espaços de educação e trabalho”, acrescenta, ao explicar a luta que, no seu caso, significou nove anos de processos judiciais.
Sobreviver à discriminação
Conseguir o “X” alivia, no entanto, apenas uma parte da extensa batalha para evitar a “discriminação” que as pessoas “não-binárias” sofrem, tanto “fora da comunidade quanto dentro”, diz Cienfuegos.
“Elu” já sofreu três tentativas de assassinato. Em uma delas, por meio de um empurrão na estação de metrô de Santiago.
“Não sei quantas vezes já tive que lutar pela minha vida nas ruas. Sobrevivi. Fui durona para sobreviver a um sistema cruel e desumano, que só quer nos deixar nas ruas”, conta, antes de presentear seu livro “Através do CIStema: memórias e reflexões de uma travesti”, no Centro Cultural do bairro de Las Condes, onde alguns lhe pediam foto, enquanto outros olhavam impressionados.
“O principal motivo da morte das pessoas trans é o assassinato. Não morremos de diabetes, ou de um ataque do coração. Nós morremos porque assassinam a gente, porque nos suicidamos por causa dessa violência”, defende Shane, ativista pelo direito das pessoas não-binárias desde o ensino médio.
Uma das saídas para pagar seu curso técnico em Serviço Social foi o trabalho sexual.
“Quando tinha nove anos, eu andava para a escola de manhã e gritaram para mim: Travesti! Não sabia o que era, mas sabia que iria me acompanhar pelo resto da vida. Ali, automaticamente me dei conta que não era homem, ou mulher”, diz a coordenadora da unidade de intervenção social da Organização Transdiversidades (OTD) do Chile, uma entidade ativista que dá apoio social a pessoas trans.
Segundo uma pesquisa do Movimento de Integração e Libertação Homossexual (Movilh), foram registradas 1.114 denúncias de discriminação contra pessoas LGBTQIA+ em 2021, e 127 delas correspondiam a pessoas transgênero.
Direito versus conservadorismo
Shane Cienfuegos enfrentou os tribunais chilenos para conseguir sua identificação, já que não existe nenhum canal administrativo para uma pessoa não-binária obter seu documento.
Em julho passado, com apoio da clínica jurídica da Universidade do Chile e da OTD do Chile, um tribunal de apelações de Santiago reconheceu sua identidade de gênero como não-binária.
“A carteira de identidade não-binária é um marco no avanço dos direitos fundamentais. Mas o conservadorismo está relacionado com o tratamento discriminatório cotidiano com as pessoas de diversidade sexual, que perdura”, conclui Cienfuegos.
Em julho de 2021, a Argentina foi vanguardista na América Latina, ao aprovar que o documento de identidade nacional do país adicionasse a opção “X” na definição de gênero.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Ludmilla e Djonga festejam os 80 anos de Milton Nascimento com singles inéditos


Cantora regrava ‘Maria Maria’ e rapper refaz ‘Travessia’ em série que celebra os ícones octogenários da MPB. Capas dos singles gravados por Ludmilla e Djonga para a série ‘Atemporais’
Divulgação
♪ MILTON NASCIMENTO 80 ANOS – Uma estrela do funk e do pagode festeja os 80 anos de Milton Nascimento juntamente com um ícone do rap brasileiro com gravações inéditas de dois grandes sucessos autorais do artista.
Ludmilla e Djonga regravam, respectivamente, Maria Maria (1976) e Travessia (1967) – duas parcerias do compositor com o letrista Fernando Brant (1946 – 2015) – para a série Atemporais, idealizada por plataforma de streaming para reverenciar, através de vozes da nova geração da música brasileira, os quatro ícones da MPB que completam 80 anos em 2022.
Os singles de Ludmilla e Djonga estão sendo lançados hoje, 26 de outubro, dia do 80º aniversário de Milton.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Milton Nascimento, 80 anos: relembre carreira do cantor em VÍDEOS


Cantor completa 80 anos nesta quarta-feira (26). Cantor completa 80 anos nesta quarta-feira (26).

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Kanye West deixa de ser bilionário com o fim de contrato com Adidas, diz ‘Forbes’


Marca alemã rescindiu o contrato com o rapper por causa de comentários antissemitas. Parcerias com a Gap e Balenciaga também foram rompidas. Kanye West usa boné com frase símbolo da campanha de Trump durante encontro com presidente dos EUA no Salão Oval da Casa Branca
AP Photo/Evan Vucci
O rapper Kanye West deixou de ser um bilionário, segundo a revista “Forbes”, com o fim do contrato com a Adidas. Nesta terça-feira (25), a marca alemã informou o fim da parceria com o rapper devido aos seus comentários antissemitas.
Kanye West: como polêmicas e declarações preconceituosas do rapper afastam fãs e anunciantes
De acordo com a publicação, este contrato corresponde a cerca de U$ 1,5 bilhão (quase R$ 9 bilhões na conversão direta) do patrimônio líquido do cantor, que seria agora de US$ 400 milhões (pouco mais de R$ 2 bilhões).
Kanye, que responde pelo nome Ye, já tinha encerrado em setembro a parceria com a Gap, feita em 2020 com o prazo para durar dez anos, e foi demitido da Balenciaga também pelos comentários antissemitas.
No dia 17 de outubro, durante o podcast Drink Champs, o rapper disse que poderia fazer comentários antissemitas se quisesse e a Adidas não poderia deixá-lo. Já na terça-feira (25), a marca alemã enviou um comunicado em que informava o fim “imediato” da parceria.
“A Adidas não tolera antissemitismo e qualquer outro tipo de discurso de ódio. Os comentários e ações recentes de Ye foram inaceitáveis, odiosos e perigosos, e violam os valores da empresa de diversidade e inclusão, respeito mútuo e justiça”, diz o comunicado da empresa.
Segundo a marca, a curto prazo, o impacto negativo para a empresa seria de 250 milhões de euros, já que este fim de ano é considerado alta temporada para as vendas.
Semana Pop: Fim da amizade de Kanye West e Trump, Justin Bieber e o burrito e U2
De acordo com a “Forbes”, para Ye, isso significou a saída da lista de bilionários. O valor de US$ 1,5 bilhão com a Adidas, segundo a publicação, foi calculado a partir dos múltiplos ganhos anuais do artista. A Forbes considerou, com base em entrevistas com especialistas do setor, os royalties que Ye recebeu da Adidas semelhantes aos royalties de catálogos de música.
Sem a Adidas, diz a publicação, Ye passa a valer US$ 400 milhões. Este restante vem de outras fontes, como imóveis, o catálogo de música e a participação de 5% da empresa com a ex-mulher, Kim Kardashian, Skims.
Quando entrou para a lista da Forbes, em 2020, Kanye declarou que a publicação “não sabia contar”. De acordo com o levantamento da revista, ele valeria cerca de US$ 1 bilhão. O rapper respondeu com uma mensagem na época dizendo que tinha, na verdade, US$ 3,3 bilhões.
Kanye West discursa em vídeo de campanha à presidência dos EUA
Reprodução/Twitter/kanyewest
Para 2022, Ye chegou a enviar documentos à publicação em que alegava que a parceria com a Adidas valia US$ 4,3 bilhões. A reportagem diz que ele também não recebeu bem a notícia de que, no final das contas, faturaria US$ 2 bilhões.
Outras empresas também cortaram os laços com o músico. Segundo a agência de notícias Reuters, a agência de talentos CAA, gigante do mercado, dispensou o artista em setembro depois de quase dez anos de parceria.
A produtora MCR informou ainda na terça-feira (25) que não vai mais exibir o documentário sobre Kanye. “Não podemos oferecer suporte a nenhum conteúdo que amplifique sua plataforma”, disse a empresa em comunicado.
Kanye West não está mais na lista de bilionários da revista Forbes
Por fim, segundo a Reuters, o CEO da agência de talentos Endeavor, Ari Emanuel, disse que empresas que ganham dinheiro com Ye, como Spotify e Apple também deveriam deixar o rapper.
Na última semana, segundo a Reuters, a empresa Parlement Technologies, responsável pelo aplicativo e rede social Parler, afirmou que será adquirida pelo rapper.
Parler é um aplicativo popular entre o público conservador e se denomina como “a rede social da liberdade de expressão”. A companhia informou, ainda, que a expectativa é de que o negócio seja concluído no quarto trimestre de 2022, mas o valor da aquisição não foi revelado.
Segundo Ye, a compra da Parler vem como resposta ao suposto boicote que ele vem sofrendo das grandes empresas de tecnologia.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Crianças que jogam videogame têm melhor desempenho cognitivo, mostra estudo


Pesquisadores analisaram dados de quase 2 mil crianças com idades entre 9 e 10 anos. Criança brincando com videogame
Google, Pixel XL/ Unsplash
O videogame pode ajudar no desenvolvimento cognitivo das crianças. É o que aponta um estudo realizado com quase 2 mil crianças e publicado na revista Jama Network Open. Os pesquisadores da Universidade de Vermont analisaram dados do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente (ABCD) com idades entre 9 e 10 anos.
O estudo separou essas crianças em dois grupos: as que jogam videogame por três horas ou mais por dia e as que nunca jogaram. Elas realizaram tarefas que refletiam a capacidade de controlar o comportamento impulsivo e memorizar informações, bem como a atividade cerebral das crianças durante a execução.
As crianças que jogaram videogames por três horas ou mais por dia foram mais rápidas e precisas nas duas tarefas cognitivas do que as que nunca jogaram. Além disso, as crianças ‘gamers’ obtiveram maior atividade cerebral em regiões do cérebro associadas à atenção e memória.
“Embora não possamos dizer se jogar videogames regularmente causa desempenho neurocognitivo superior, é uma descoberta encorajadora e que devemos continuar a investigar nessas crianças à medida que passam para a adolescência e a idade adulta jovem”, disse Bader Chaarani, professor assistente de psiquiatria da Universidade de Vermont e principal autor do estudo.
Chaarani lembra que muitos pais estão preocupados com os efeitos dos videogames na saúde e desenvolvimento dos filhos e, por isso, é crucial entender melhor o impacto positivo e negativo que os jogos podem ter.
Os pesquisadores enfatizam que as novas descobertas não significam que as crianças devem jogar videogames por tempo ilimitado e que os resultados provavelmente dependem em grande parte das atividades específicas em que as crianças se envolvem de videogames, como ação-aventura, quebra-cabeças, esportes ou jogos de tiro, podem ter efeitos diferentes para o desenvolvimento neurocognitivo, e esse nível de especificidade sobre o tipo de videogame jogado não foi avaliado pelo estudo.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Marieta Severo, Chico Buarque e outros artistas participam de vídeo da campanha de Lula


Vídeo foi postado nas redes sociais na noite de terça-feira (25). Marieta Severo participa de novo vídeo da campanha de Lula
Reprodução/Twitter/Lula
Artistas como Chico Buarque, Marieta Severo, Gregório Duvivier, entre outros participaram do novo vídeo da campanha do candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O vídeo, chamado de “Sem medo de ser feliz”, foi lançado na noite desta terça-feira (25) nas redes sociais.
Além dos artistas, também está presente a mulher do ex-presidente, Janja. Na legenda que acompanha o vídeo, o texto lembrou as eleições de 1989.
“Sem Medo de Ser Feliz é a música da esperança. Assim como em 89, ao longo dos últimos meses, vozes se reuniram por todo Brasil para pedir oportunidade. E é isso que queremos, fazer o povo voltar a sorrir. Muito obrigado a todos e a todas que ajudaram a reescrever essa página tão importante da nossa história e que participaram desse clipe comigo e com a @janjalula. Vamos juntos pelo Brasil da Esperança!”, diz a mensagem.

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Milton Nascimento, 80 anos: relembre carreira do cantor em FOTOS


Cantor completa 80 anos nesta quarta-feira (26). Milton Nascimento no IV Festival da Musica Popular Brasileira, no Teatro Record, em novembro de 1968
Estadão Conteúdo/Arquivo
O cantor e compositor Milton Nascimento em imagem desetembro de 1981
Estadão Conteúdo/Arquivo
O cantor e compositor Milton Nascimento durante show em junho de 1970
Estadão Conteúdo/Arquivo
Os cantores Milton Nascimento (esq.) e Wilson Simonal ensaiam para apresentação no programa transmitido pela Record ‘Show em Si …monal’, na capital paulista em maio de 1969
Estadão Conteúdo/Arquivo
Milton Nascimento e Mercedes Sosa em julho de 1979
Estadão Conteúdo/Arquivo
Milton Nascimento durante estreia última turnê da carreira no Rio de Janeiro neste sábado (11)
Carl de Souza / AFP
Djavan e Milton Nascimento no estúdio, na gravação da música ‘Beleza destruída’ para o álbum ‘D’
Leo Aversa / Divulgação
Tiago Iorc e Milton Nascimento – Turnê “Mais bonito não há”
Rafael Trindade/Divulgação
Milton Nascimento
Marcos Hermes/Divulgação
O cantor e compositor Milton Nascimento posa para foto em Itanhangá, na sua casa na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, em novembro de 2006
Alaor Filho/Estadão Conteúdo/Arquivo
Os cantores Ângela Maria e Milton Nascimento vistos durante apresentação na capital paulista em abril de 1996
Luis Carlos Moreira/Estadão Conteúdo/Arquivo
O cantor e compositor carioca Milton Nascimento
João Couto/Divulgação
Milton Nascimento
Augusto Nascimento / Facebook MIlton Nascimento
Cantor Milton Nascimento
Divulgação
Os cantores Milton Nascimento e Vanessa da Mata cantam juntos durante show na Praça da Paz, no Parque do Ibirapuera, promovido em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, em março de 2005
Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo/Arquivo

Fonte: G1 Entretenimento

Categorias
ENTRETERIMENTO

Milton Nascimento chega aos 80 anos com aura sagrada pelo canto e pela obra construída com fé no povo da raça Brasil


Milton Nascimento completa 80 anos nesta quarta-feira, 26 de outubro de 2022, com o status de entidade da MPB
Marcos Hermes / Divulgação
♪ MILTON NASCIMENTO 80 ANOS – Vestido pelo estilista Ronaldo Fraga, Milton Nascimento aparece ornamentado como um rei mineiro no show A última sessão de música, com o qual vem se despedindo dos palcos em turnê que se encerrará em novembro em Belo Horizonte (MG).
Além de belo, o figurino de Fraga faz jus à nobreza desse artista que completa 80 anos hoje, 26 de outubro de 2022, com o status de divindade no universo da música do Brasil. Sim, Milton Nascimento faz 80 anos como entidade da MPB pela aura sagrada do canto e da obra.
Com aguçada consciência social, Milton deu voz a versos escritos por parceiros letristas – sendo Fernando Brant (1946 – 2015), Marcio Borges e Ronaldo Bastos os mais frequentes e relevantes – que anunciaram a chegada da noite ao mesmo tempo em que reafirmaram a crença nos sonhos que nunca envelhecem.
Em essência, o cancioneiro de Milton Nascimento é manifesto em louvor do povo da raça Brasil. Um sopro de esperança nas Marias que têm fé na vida. Uma ode à amizade e ao poder do amor como remédio para a dor entranhada na música do cantor.
Musicalmente, Milton Nascimento descortinou admirável mundo novo ao ser projetado nacionalmente em 1967 no palco da segunda edição do Festival Internacional da Canção (FIC), defendendo Travessia, marco inaugural da parceria com Brant.
Milton Nascimento já chegou pronto como cantor e compositor. Tanto que, no ano seguinte, já gravou o álbum Courage (1968) para o mercado fonográfico dos Estados Unidos, para saciar a fome dos norte-americanos do clube do jazz, ansiosos para devorar aquela música repleta de melodias e harmonias inovadoras. Música que não segue padrões, mas que se tornou, ela própria, padrão tão referencial quanto inimitável na MPB.
Milton Nascimento é único. Sob o prisma musical, o artista apareceu sem antecedentes e tampouco deixará seguidores. Há, sim, legião de admiradores que cultuam a obra do artista com a consciência da singularidade desse cancioneiro de alma mineira. Mineira, mas também universal.
Das Geraes, Milton sempre enxergou o mundo, sobretudo a América Latina. A latinidade pulsa em parte da música composta pelo artista nos anos 1970, década que concentra o suprassumo da produção autoral do compositor. A partir de 1985, Portal da cor – parceria com o guitarrista e compositor Ricardo Silveira – abriu caminhos para o jazz de forma mais explícita.
Só que a música de Milton Nascimento sempre extrapolou rótulos e fronteiras. Se há uma característica, é a do espírito gregário que anima o compositor e que moveu álbuns como Clube da Esquina (1972), Clube da Esquina 2 (1978) e Angelus (1993).
Milton é de turmas. Gosta de amigos. Mas, ao mesmo tempo, parece conter todo o universo em si mesmo, na alma no íntimo solitária e traduzida com sensibilidade nos versos de poetas letristas como Marcio Borges – o primeiro parceiro – e Fernando Brant, além de Ronaldo Bastos, o poeta fluminense admitido com honras no clube mineiro.
Por já ser eterno, Milton consegue embaralhar a noção de tempo. Parece haver um menino morando eternamente no coração do artista e esse menino vem sendo conduzido pelo velho maquinista com seu boné rumo à estação de trem onde somente desembarcam os gênios imortais como o já octogenário Milton Nascimento.

Fonte: G1 Entretenimento