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Justiça dos EUA arquiva processo do bebê nu de Nevermind, do Nirvana


Spencer Elden não poderá entrar com mais ações na Justiça contra a banda e o fotógrafo que fez a imagem que ilustra a capa do disco de 1991. Bebê do Nirvana, que foi capa do disco Nevermind, processa banda por exploração sexual
Divulgação
A Justiça dos Estados Unidos arquivou a ação judicial do homem que, em 1991, aos 4 meses de idade, apareceu pelado na capa do disco Nevermind, do Nirvana. A banda era acusada de pornografia infantil.
Na sexta-feira (2), o juiz Fernando Olguin, de Los Angeles, determinou que o homem, Spencer Elden, demorou muito tempo para alegar que o Nirvana o explorou sexualmente. Ele só entrou como o processo mais de 10 anos depois de saber sobre a existência da capa.
Além da banda, os outros réus incluíam os membros do Nirvana Dave Grohl e Krist Novoselic, a viúva do falecido vocalista Kurt Cobain Courtney Love, gravadoras de discos e o fotógrafo Kirk Weddle.
Capa de disco do Nirvana quando era bebê processa a banda por exploração sexual
Weddle tirou a foto em 1991 no Pasadena Aquatic Center, na Califórnia. A imagem mostra Elden nadando nu em direção a uma nota de dólar perfurada com um anzol.
Elden foi entrevistado em 2003, aos 12 anos, pela revista “Rolling Stone”. Na ocasião, ele disse que “provavelmente ganharia algum dinheiro com isso” (mais de 30 milhões de cópias do disco Nevermind foram vendidas). Em 2016, ele ainda participou de um ensaio fotográfico para recriar a imagem como um adulto com Nevermind tatuado no peito.
Ele alegou em seu processo, que começou em agosto de 2021, que cumpriu o estatuto de limitações porque seus prejuízos, incluindo sofrimento emocional, perda de capacidade de renda e “perda de prazer da vida” continuaram na idade adulta.
O juiz rejeitou esse argumento, dizendo que por essa lógica Elden poderia processar o Nirvana indefinidamente.
“O demandante não alega que sabia de uma violação que ocorreu quando ele era menor de idade ou uma lesão que constitui a base da reclamação dentro de dez anos após a apresentação desta ação”, escreveu Olguin.
Elden apresentou três versões de sua queixa, mas agora, com essa decisão do juiz Olguin, ele não pode entrar com mais ações.
O advogado de Elden não respondeu os pedidos de entrevista.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Léo Santana se reúne com L7nnon e Ivete Sangalo em single inédito gerado na gravação do show ‘GG astral’


♪ Em outubro de 2021, Léo Santana fez registro audiovisual de show em apresentação em que recebeu vários convidados no Castelo Garcia D’ávila, na Praia do Forte, no litoral da Bahia. Já perpetuada no álbum GG astral (2022), lançado em 14 de janeiro, a gravação ao vivo do show gera single inédito quase um ano depois.
Em rotação desde ontem, 2 de setembro, o single Tarada junta o cantor baiano de pagode com a conterrânea Ivete Sangalo e com o rapper L7nnon. Composição de autoria creditada a Léo Santana, L7nnon, Rafinha RSQ, Douglas Moda, Lucas Carlos e Filipe Duarte, Tarada é música formatada como mix pop de pagode e rap com toque de latinidade.

Fonte: G1 Entretenimento

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Nick DeMoura e Johnny Blaze, coreógrafo e dançarino de Justin Bieber, desembarcam no Brasil


DJ Tay James e o baterista Devon Taylor também chegaram com outros membros do time do cantor na manhã deste sábado (3). Equipe foi recepcionada por fãs no Aeroporto do galeão, no Rio de Janeiro. Johnny Blaze, dançarino de Justin Bieber, desembarca no Rio
AgNews
O coréografo Nick DeMoura, o dançarino Johnny Blaze, o baterista Devon Taylor e o DJ Tay James, todos do time de Justin Bieber, desembarcaram na manhã deste sábado (3), no Aeroporto Galeão, no Rio, junto com outros membros da equipe.
O grupo foi recepcionado por desenas de fãs. No desembarque, Johnny Blaze e Tay James publicaram em suas redes sociais um vídeo do momento em que foram recebidos.
Justin Bieber se apresenta no Rock in Rio na noite de domingo (4). O cantor é responsável por fechar o Palco Mundo na terceira noite de festival.
Leia também: Justin Bieber no Rock in Rio terá cantor em fase mais madura, romântica e ativista
Devon Taylor, baterista de Justin Bieber, desembarca no Rio
AgNews
Devon Taylor, baterista de Justin Bieber, desembarca no Rio
AgNews
Nick DeMoura, coreógrafo de Justin Bieber, desembarca no Rio
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DJ Tay James, do time de Justin Bieber
AgNews
Johnny Blaze, dançarino de Justin Bieber, desembarca no Rio
AgNews
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Rock in Rio 2022 em 1 minuto: Justin Bieber

Fonte: G1 Entretenimento

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Iron Maiden, Sepultura e protestos são destaques do 1º dia do Rock in Rio


Festival acontece nos dias 2, 3, 4, 8, 9, 10 e 11 de setembro no Rio. Iron Maiden, Sepultura e protestos são destaques do 1º dia do Rock in Rio Festival acontece nos dias 2, 3, 4, 8, 9, 10 e 11 de setembro no Rio. Assista aos shows ao vivo e acompanhe também a página especial. Qual o line-up do Rock in Rio 2022? Veja todas as atrações do festival. Vai para a Cidade do Rock? Sabe como baixar seu ingresso? O guia completo está aqui!

Fonte: G1 Entretenimento

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Izrra canta ‘Coisas de amor’ nas levadas de soul e R&B de álbum em que lilás é a cor mais quente e pop


Atração do Rock in Rio em 8 de setembro, na programação do Espaço Favela, artista dá voz a oito músicas em disco sensual formatado por produtores com Pablo Bispo, Ruxell, Nave e Julio Raposo. Capa do álbum ‘Coisas de amor’, de Izrra
Divulgação
♪ Atração do Rock in Rio 2022, Izrra vai subir ao palco do Espaço Favela, em 8 de setembro, munido de repertório novo. O cantor e compositor fluminense apresenta oito músicas inéditas no primeiro álbum, Coisas de amor, lançado ontem, 2 de setembro, em edição da Universal Music.
Seis anos após ter sido revelado em 2016 com a exposição na internet de vídeo em que cantava no metrô carioca a música Final feliz (Jorge Vercillo, 2000) e dois anos a projeção nacional obtida ao participar do programa The Voice Brasil 2020 (TV Globo), em edição da qual se tornou um dos finalistas, Izrra lança o primeiro álbum de discografia que começou a ganhar impulso no ano passado com as edições dos singles Refém (2021) e Eu, você e o radin (2021).
Batizado Israel Paulo ao nascer há 25 anos em São João de Meriti (RJ), município da Baixada Fluminense (RJ), Izrra apresenta álbum formatado com levadas de soul e R&B.
Antecedido em abril pelo single que apresentou Vênus (Izrra, Pablo Bispo, Ruxell, Gondim, Multi e Dona Nyna), faixa de beat dançante gravada com produção musical de Pablo Bispo e Ruxell, o álbum Coisas de amor está sendo promovido atualmente com a levada pop black de Céu lilás (Izrra, Lukinhas, Ruxell, Pablo Bispo e Gondim), faixa que gerou clipe em que Izrra é visto em takes sensuais com o ator Ícaro Silva, pondo em cena uma representação feliz da homoafetividade.
Lilás também é a cor mais quente nos tons de Nesse quadro (Ultra violeta), composição de Amanda Coronha e Marcel enquadrada em moldura eletrônica com a produção musical de Theo Zagrae e Ternário Music. O mesmo time produziu Não tá tudo bem (Leo Guima), balada que passa o soul e o R&B pelo filtro pop do mercado, ação recorrente no repertório do álbum Coisas de amor.
Entre a levada R&B de Neon (Izrra, Marcel, Saulo Reston e Sarah Reston) – faixa que junta Nave e Ternário Music na produção – e o romantismo da balada Todas as canções (Izrra, Lukinhas, Gondim, Multi, Pablo Bispo e Ruxell), faixa que junta Tap Sound com Ruxell e Pablo Bispo na produção musical, Izrra cai no suingue pop black de Sabor e paixão (Izrra e Alisson Venâncio dos Santos Conceição) com a produção de Julio Raposo, também produtor da faixa Me esqueça devagar (Amanda Coronha, Bibi e Marcel).
Ao longo das oito músicas do álbum Coisas de amor, Izrra deixa clara a inspiração matricial da música negra norte-americana, norte na vida desse cantor e compositor que começou a soltar a voz na igreja, ainda na infância.

Fonte: G1 Entretenimento

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Whindersson Nunes manda mensagem pra Post Malone: ‘Deixa eu te conhecer’


Humorista, que vai se apresentar no Rock in Rio neste domingo (4), ainda brincou em seu Instagram e se comparou ao rapper com fotos de sua chegada ao Brasil. Whindersson Nunes manda mensagem pra Post Malone
Reprodução/Instagram
Whindersson Nunes usou as redes sociais para mandar uma mensagem pra Post Malone, nesta sexta-feira (2).
O humorista, que vai se apresentar no Rock in Rio neste domingo (4), disse que queria conhecer e fazer uma “tatuagem de amigo” com o rapper.
“Cara, deixa eu te conhecer. Vamo fazer uma tatto na cara de amigo”, escreveu Whindersson, que assim como o rapper, tem várias tatuagens no rosto.
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No Instagram, Nunes ainda brincou e “se comparou” ao rapper, compartilhando imagens de Malone durante sua chegada ao Brasil.
“Cheguei no Rio de Janeiro e fui surpreendido pelo carinho dos fãs. Sempre sou recebido com mto carinho e domingo não vai ser diferente!! Dia 4 às 19:30 no palco Supernova do Rock in rio o @lilwhind vai cantar! Até lá!”, escreveu Whindersson na legenda, citando os dados de sua apresentação no festival.
Post Malone se apresenta nesta sábado (3) no Rock in Rio. Mas já esteve na Cidade do Rock, na noite de abertura do festival. Usando uma camisa do Brasil, o rapper assistiu ao show do Iron Maiden.
Rock in Rio 2022 em 1 minuto: Post Malone

Fonte: G1 Entretenimento

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MC Don Juan estreia no Rock in Rio e promete show com ‘funkão e couro comendo’


Ele fala a podcast do g1 sobre estreia no festival, paternidade, pedidos por funk de ‘ousadia’, conversa com Marília Mendonça antes da morte dela e música de que se arrependeu de lançar. MC Don Juan não quer pegar leve. O cantor paulista promete “o bagulho ao extremo” no primeiro show de sua carreira no Rock in Rio, neste sábado (3). “Vai ser couro comendo, funkão mesmo”, define. “Ano que vem eu volto cantando as mais lights”, ele promete.
VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO ROCK IN RIO
Ele é um dos cantores mais ouvidos do Brasil, com 9 milhões de ouvintes mensais só no Spotify, com sucessos que passeiam entre os funks ousados e parcerias com outros estilos.
Seus dois hits atuais mostram as duas facetas: o funk “Eu vou com carinho, ela quer com força” (com MC Davi e MC G15) e o piseiro “Áudio que te entrega” (com Léo Santana e Mari Fernandez).
Ouça abaixo a entrevista ao podcast g1 ouviu e leia mais sobre cada tópico do papo a seguir:
o início no funk aos 11 anos de idade;
a mudança de voz e a criação espontânea de hits como “Amar, amei”;
a aposta nos “feats” e os planos com Marília Mendonça antes da morte dela;
a cobrança para não abandonar os funks ousados;
os planos para o Rock in Rio;
assumir as rédeas da carreira e cuidar da filha recém-nascida, Mariah.
1 – O início aos 11 anos
Don Juanzinho: o cantor da Zona Sul de São Paulo começou a carreira aos 11 anos
Reprodução / YouTube
Aos 21 anos de idade, Don Juan é um veterano. Ele começou a cantar aos 11 na comunidade da Cheba, na zona sul de São Paulo. Aos 15 já era uma estrela do funk com o hit “Me amarro na noite”.
Na época, nem a mãe aceitava muito o plano do funk. “Quando resolvi cantar, para a minha família aceitar eu tive que mostrar para eles que não era aquilo que eles pensavam”.
Sua geração alcançou feitos que ninguém imaginava, como dar autógrafo para PMs, que antes viam qualquer cantor de funk com preconceito. “Hoje em dia os policiais conhecem a gente, pedem vídeo, falam que os filhos são fãs, que ouvem o trabalho, elogiam”.
“Hoje um molequinho de 11 anos tem várias referências boas para mostrar para o pai dele”, resume Don Juan. “Para o pai falar: ‘Pode pá, vai lá, filho”, Don Juan imita a aprovação que não teve.
2 – Mudança de voz e ‘Amar, amei’
MC Don Juan
Divulgação
Parte de uma geração de ídolos mirins como os MCs Pedrinho, Brinquedo, Pikachu e Hariel, ele passou, como todos os amigos, por um dilema: a mudança de voz na adolescência.
“Teve uns 3, 4 anos bem perturbadores”, ele admite. “Eu vi artistas novos que depois mudaram de voz e não ficou legal… Meus amigos ficavam falando: ‘sua voz vai mudar, ein’. Eu ficava em choque”.
“Meu timbre melhorou bastante e hoje em dia eu acho que antes que era ruim”, ele comemora. Ele foi achando um jeito de cantar mais suave, melódico, fora do funk “retão”, como ele define.
O ponto de virada foi em “Oh novinha”, seguido pela melódica “Amar, amei”. Don Juan escreveu a música enquanto tomava banho, antes de ir gravar “Se eu tiver solteiro”, com o DJ Yuri Martins.
Chegando no estúdio com Yuri, ele falou: “Se liga, mano, fiz uma música aqui hoje tomando banho”. Na verdade, ele só tinha feito o começo da música e, na hora de mostrar, improvisou o resto, “de freestyle”.
Ele nem sabia que o DJ estava gravando tudo que ele falava, e registrou a composição instantânea. “Amar, amei”, foi um dos hits do verão de 2018 e ajudou a espalhar a voz de Don Juan além do funk.
LEIA MAIS: Don Juan fala sobre fase cantando funk mais ‘light’: ‘Pegando todos os públicos’
3 – Aposta nos ‘feats’ e Marília Mendonça
MC Don Juan
Divulgação
“Eu sempre tive vontade de gravar outros estilos, ser aquele cara versátil”, diz Don Juan.
“Quem abriu as portas para mim foram a Maiara e a Maraisa. Elas foram as primeiras, porque tinha um preconceito do pessoal não se misturar com a rapaziada do funk”.
Ele avalia que o próprio funk mudou até ser mais aceito. “Os moleques eram todos muito novos, ninguém tava nem aí pra nada, hoje em dia tem uma estrutura, tem um show ‘da hora’, e os números… Olha só como o funk está…”.
“Eles abraçaram a gente e viram que é bom estar do nosso lado, para unir forças. E para nós é bom também, para chegar em outros ouvidos”. Alok, Xamã, Tarcísio do Acordeon, Mari Fernandez, Psirico e Grupo Presença estão entre os músicos que já gravaram com ele.
Que ninguém duvide da conexão de Don Juan com os cantores de outros estilos. No meio da entrevista, o forrozeiro Zé Vaqueiro liga para ele em videochamada. “Amor da minha vida”, atende Don Juan. “Vamos jantar hoje então, tá?”, eles combinam.
O maior desejo de Don Juan fora do funk era gravar com a outra patroa, amiga da dupla que lhe abriu as portas: Marília Mendonça. Os dois trocaram mensagens pelo Instagram, estavam se seguindo, e Marília postou um vídeo com músicas dele.
“A gente já estava conversando, já tinha uma proposta”, ele diz. A parceria não tinha sido feita quando a cantora morreu, mas “estava para acontecer”, afirma Don Juan.
4 – Não largar os funks ousados
MC Don Juan
Divulgação
Apesar do sucesso em outros estilos, uma das preocupações do MC Don Juan é não perder a conexão com o funk que o consagrou: “Eu tenho muito medo de perder a origem do bagulho”.
“Meus últimos trampos foram sertanejo, piseiro, e a rapaziada abraçou, gostou de me ver nesse segmento. Às vezes o pessoal até cobra eu sozinho nessa parada. Gosto muito e não vou deixar de fazer. Estou planejando músicas com vários artistas”, ele adianta.
“Só que a minha parada é funk, tá ligado? Eu não posso abandonar. O funk me colocou onde estou. A cobrança é muito grande. Às vezes eu estou deixando de falar um pouco de ousadia nas músicas, palavrão, e o pessoal fica pedindo para eu falar. Porque o pessoal gosta disso.”
Ele lançou no início de agosto o EP “Sete chaves” com este objetivo. “Eu estava com bons números, agora chegou a hora de fazer uma parada que eu quero. Tanto que eu fiz as músicas desse álbum todas em uma semana.”
Ele veio, afinal, de uma geração de funkeiros mirins com funks espontâneos. “Às vezes fica muito robô, tá ligado? Fica pensando muito. Mas agora estamos voltando a ser igual antes. Claro que não vamos fazer qualquer coisa. Vamos estar sempre planejando. Mas é melhor não deixar virar muito estratégia, fazer uma parada de coração.”
O hit atual “Eu vou com carinho, ela quer com força” nasceu “do nada”: “A gente estava lá no estúdio, fizemos, e aí eu falei: ‘Vou gravar clipe. Grava aqui numa parede branca mesmo’. “Teve músicas de gastar 400 mil e não foi sucesso igual esse, que não gastou nada. O público sente isso”, reflete.
5 – Rock in Rio
PK, MC Don Juan e Zé Ricardo de pé; MC Hariel, Papatinho, L7nnon e Marvvila sentados
Laura Rocha/g1
Don Juan vai fazer o primeiro show da carreira no Rock in Rio 2022 dividindo o palco com o rapper PK. Mesmo com muito mais audiência do que vários artistas dos palcos principais, ele vai se apresentar em um dos palcos alternativos, o Espaço Favela.
No dia da entrevista, ele ainda não tinha decidido o repertório, mas disse que vai manter o objetivo atual de não se desconectar do funk.
“Ah, no Rock in Rio vai ser o couro comendo, vai ser funkão mesmo. O bagulho ao extremo”, promete Don Juan.
“Ano que vem eu vou cantando as mais light. Esse ano eu vou para mostrar que é o funk mesmo no bagulho.”
6 – Mariah e a rédea da carreira
Don Juan com a filha, Mariah, e a esposa, a DJ Allana
Reprodução / Instagram
O cantor que já chegou a fazer oito shows na mesma noite no começo da carreira hoje consegue diminuir o batidão na estrada.
“Quero fazer menos shows, dar mais atenção para os fãs, chegar lá e ver o que está acontecendo, fazer as coisas com mais calma.” Há uma mudança que permite isso: “Temos um cachê mais caro, tá ligado?”
Não é só na estrada que Don Juan tem mais controle sobre a carreira. Ele reflete mais sobre seus lançamentos. “Eu prefiro fazer uma parada que depois vai me alegrar, porque tem várias coisas que eu fiz antes que hoje em dia eu olho e digo: ‘gente, eu não faria isso’.”
“Tem uma música que eu falo: ‘como vocês deixaram eu lançar? Que música ruim…’ “Desce com a xerequinha” (de 2021), até o nome é ruim. Eu já pedi para os caras excluírem, mas os caras gastaram dinheiro com o clipe, não vão excluir”.
“Agora nem empresário, nem gravadora. Quem decide quais são as paradas que vão soltar para a rua sou eu”.
Mas o maior motivo para colocar o pé no freio dos shows e planejar melhor a vida e a carreira tem nome: Mariah, primeira filha de Don Juan e da esposa, a DJ Allana, nasceu no dia 11 de julho de 2022.
No ano passado, ela perdeu o bebê que estava esperando e o casal não escondeu a tristeza nas redes sociais. Agora ele é só alegria: Don Juan diz que acha a paternidade “da hora” e tem prazer até de ouvir o choro do neném.
“Cê é louco, o pai é monstro, eu tô zica já. Os braços estão ficando até fortes, já.”
MC Don Juan
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Quem é o DJ Marshmello, a atração mais enigmática do Rock in Rio 2022


Especialista analisa disfarce do DJ e de outros músicos enigmáticos. Youtuber mascarado fala sobre o que leva celebridades a esconderem rosto: ‘Ideias são mais importantes que imagem’. Rock in Rio 2022 em 1 minuto: Marshmello
A cara de um dos grandes nomes da música eletrônica tem enormes olhos em forma de X, um sorriso meio sinistro e um quê de meme da internet. Só não espere ver a verdadeira face do DJ Marshmello. Ele se apresenta no dia 3 de setembro, mesma noite de Post Malone e Alok.
Veja a programação completa.
A atração mais enigmática do evento cobre o rosto com uma espécie de balde em forma de marshmallow desde que começou a aparecer nos festivais em 2015. Sites especializados no gênero ligam sua identidade à do DJ americano Chris Comstock, conhecido como Dotcom, mas tudo não passa de um boato nunca confirmado.
O músico, que estourou com um remix de “Where are ü now”, de Jack Ü e Justin Bieber, dá poucas entrevistas e quase nada se sabe sobre sua origem. Em uma biografia oficial, ele é econômico ao explicar por que decidiu esconder o rosto:
“Eu só quero fazer boa música. E para isso não é necessário você saber quem eu sou.”
Marshmello surgiu na esteira de outros DJs mascarados, entre eles o canadense Deadmau5 e o duo francês Daft Punk. Todos eles seguem uma longa linhagem de artistas que fazem do mistério seu maior merchandising – aí estão nomes como Sia, Kiss, Slipknot e Gorillaz. Mas o que está por trás do enigma?
A banda americana Kiss se apresenta no Monsters of Rock 2015
Flavio Moraes/G1
O que diz um especialista
A maioria dos mascarados cita a privacidade ou a “valorização da arte em detrimento da imagem” como motivação. Mas para Thiago Soares, professor e pesquisador de música e cultura pop da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é impossível definir um elemento único que explique o comportamento de todos esses artistas. Ele faz algumas análises.
“No caso do Kiss, por exemplo, a maquiagem forte esconde até a idade deles. Eles envelhecem, mas não sofrem a repercussão disso. A máscara também redime um pouco esse lugar”, avalia. “Sobre a Sia, acredito que haja de fato uma estratégia poética. Também há uma crítica ao formato da música pop, ao artista como uma figura emblemática e central.”
“Todo artista constrói uma trajetória na mídia. A máscara é um componente lúdico nessa narrativa, é uma convocação para desvendar.”
Mas e o Marshmello? “Uma interpretação pode ser a crítica à supervalorização dos DJs, a essa coisa do DJ popstar”, analisa o pesquisador. “Me parece que ele também usa uma estética ligada à cultura digital, do emoji. A lógica do mascarado, do anônimo, também está muito presente na internet, com elementos como a máscara de ‘V de vingança’, o fake, o post anônimo.”
Soares também lembra que o culto às máscaras é bem mais antigo que qualquer astro do pop. “Não é uma coisa contemporânea. Faz parte da tradição do entretenimento a dimensão circense, cênica, que flerta com o teatro”, explica. “Os atores usavam as máscaras para encenar emoções. Essa ideia de esconder o rosto surgiu a partir do crescimento da visibilidade.”
O ponto de vista de um mascarado
Zangado faz sucesso na internet com vídeos sobre games
Jamile Alves/G1 AM
Se as máscaras têm tudo a ver com internet, é claro que as celebridades desse universo também não perderiam a oportunidade de criar seus próprios enigmas. Thiago “Zangado” é um dos brasileiros anônimos mais famosos entre os youtubers. Ele esconde o rosto desde que iniciou seu canal – hoje com 4 milhões de seguidores.
“Moro em uma cidade pequena e sou engenheiro. Não queria que a fama interferisse na minha vida e no meu trabalho”, justifica ao g1. “Concordo também com o ponto de vista do Slipknot e do Daft Punk, que querem que os fãs se concentrem nas músicas deles. No meu caso, nas coisas que eu digo e no exemplo que eu passo.”
Zangado diz acreditar que “as ideias são mais importantes que a imagem”, principalmente quando se fala com jovens. Por isso, acha que a máscara ajuda a passar as mensagens certas. “Todo artista deve ter um legado. Quando vou a um evento, sempre procuro mostrar a importância dos estudos, do relacionamento com a família, do respeito pelas diferenças… É o meu legado.”
“Se tenho olhos pequenos ou grandes, cabelos lisos ou não, é o que menos interessa. A minha identidade é essa.”
Para o pesquisador da UFPE, é preciso ter cuidado com o discurso do “não quero ser famoso”, especialmente na internet, onde a relação entre as máscaras e a vida real é ainda mais turva. “No caso dos youtubers, parece muito um discurso de marketing pessoal, de querer se diferenciar dos outros”, avalia. “O artista tem um palco. Para o youtuber, o palco é a vida dele. Estamos entrando em um momento de tanta visibilidade que o privado virou cênico. É a tirania da intimidade.”

Fonte: G1 Entretenimento

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Xamã chega ao Rock in Rio com rappers indígenas e a moral de ter um dos hits do ano, ‘Malvadão 3’


Rapper que estará no Palco Sunset explicou sua trajetória e seus versos espontâneos com cenas do ‘cotidiano brasileiro’, de ‘bunda com fermento’ e ‘preço da passagem’. Xamã começou 2022 fazendo seu rap com versos livres furar a bolha do estilo nas paradas, e chega ao fim do ano com a mesma missão no palco do Rock in Rio. Ele canta no Palco Sunset neste sábado (3) com os rappers indíginas Brô MC’s de convidados.
VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO ROCK IN RIO 2022
“Malvadão 3” chegou ao número 1 com citações brasileiríssimas a “bumbum com fermento”, “bigodin finin” e “preço da passagem”. O rapper contou ao podcast g1 ouviu sua trajetória desde a época em que vendia amendoim até o sucesso recente. Ouça abaixo e leia mais a seguir:
Leia os principais tópicos da conversa:
Como Xamã cria seus versos?
“Todas as músicas que eu construo são como uma história em quadrinhos. Está acontecendo um monte de coisas, parece que aquelas imagens estão em movimento.
Eu crio a melodia e tento colocar palavras do cotidiano do brasileiro, que ele usa diariamente. Você encanta a pessoa com uma melodia bacana e coloca um texto, um mini-roteiro de dois minutos, e as pessoas se identificam.
Eu crio de duas maneiras. O beat é feito pelo NeoBeats, o DJ Gustah, a galera que produz para mim. Eles criam a melodia e eu escrevo a letra em cima. Mas muitas das vezes eu lapido com o tempo.
Eu escrevo muito no ‘freestyle’: a primeira coisa que vem na mente, a coisa mais espontânea possível. Aí com o tempo você vai dando uma bordadinha ali. E o processo de criação são vários. Às vezes estou no carro olhando na janela e vem uma coisa na minha mente. Não tem um método comum. ”
Como nasceu ‘Malvadão 3’?
“Essa eu escrevi num estúdio aqui no Rio com uns amigos. A gente sempre coloca um drink, escuta umas batidas e fica curtindo no estúdio, inventando melodias, fazendo freestyle.
E surgiu assim de uma forma muito espontânea com os amigos, bebendo, cantando. A maioria das músicas legais, que eu gosto, foram criadas assim, de uma forma bem irresponsável mesmo.
Nada de ‘vou fazer uma música’, e ficar ali sentado esperando para fazer. Assim comigo não rola. Tem que ser uma coisa muito espontânea com os amigos bebendo, cantando, rindo. Essa música acho que tem esse espírito alegre. Ela foi feita com essa energia.”
O rapper Xamã
Divulgação/Facebook do cantor
Quais são as referências?
“Eu gosto muito, muito do Black Alien. Foi a pessoa que mais me inspirou, com certeza. E rock internacional, por causa das melodias das guitarras, pego muita referência.
E música brasileira. Aquilo que você já ouviu na sua rua, numa mercearia ou num programa de domingo. Aquela que toca na rua, quando você pega um ônibus, no carro. Que fala de amor, da vida que nem sempre é incrível, mas é divertida, de conquistas difíceis. Desde bossa nova a pagode. Mistura tudo na panela de um brasileiro comum.”
Por que canta tanto sobre preço das passagens?
“Eu morava em Sepetiba, Zona Oeste do Rio, depois da última estação de trem, que é Santa Cruz. Quando eu conseguia a condução para chegar no lugar, todo o resto das coisas era mais tranquilo.
Desde quando eu trabalhava em loja até depois, quando eu trabalhei com música, sempre foi uma coisa muito difícil para mim a passagem. Porque ela comia toda a grana que eu conseguia fazer. Era o dinheiro de comer, o de viver, e o da passagem, que era 50% disso.”
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“Eu falei disso no Poesia Acústica 6. Aí virou meio que um bordão, e eu fiz da mesma forma no Poesia Acústica Paris, em que a gente já tava em outro momento da carreira.
Como eu trabalhava sempre precisando muito de conduções públicas, eu acho justo continuar falando disso, faz parte da minha história. Quantos outros brasileiros devem viver isso?”
Xamã
RSoares / DIvulgação
Como foi o início da trajetória?
“Comecei a trabalhar numa loja de roupas e rolava rap o dia inteiro. Descobri que tinha aptidão para fazer rimas e vender as coisas. Sempre tive problema de abordar a pessoa. ‘Compra isso aqui’, e a pessoa tomava um susto. Mas quando chegava rimando a pessoa achava incrível e até comprava.
Depois comecei fazer as batalhas de rap. E falei: vou ser um músico. Larguei a loja e comecei a trabalhar nos trens e nos ônibus do Rio, fazer uma renda para continuar acreditando no sonho.
E ao invés de oferecer o bagulho, ‘compra o amendoim, o drop, o Halls’, eu fazia o rap do flow do vendedor de amendoim. Era muito mais fácil chegar rimando, a pessoa já abre o coração. Aí comecei a usar isso como slogan nas batalhas de rap.
Camila Queiroz e Xamã com Manu Gavassi no MTV Miaw 2022
Cleiby Trevisan/Divulgação
Foi um recurso que conseguia para vender o que precisava. Aí quando eu comecei a fazer minhas músicas eu vendia as minhas ideias. Eu uso essa mesma forma de abordagem para poder chegar nas pessoas. Quando você rima, canta, deixa tudo mais colorido.
O Estudante (primeiro parceiro de dupla) já era mais conhecidão, aí a gente começou a fazer uns trampos. Ele conhecia a galera do Cone Crew, e a gente gravou no estúdio do Maomé a ‘Deus abençoe o rolê’, acho que o nosso primeiro som. A gente tinha dificuldade porque, primeiro, não sabia o que estava fazendo. [risos]
Não tinha a mínima noção, era mais paixão. E morava na Zona Oeste, que era longe pra caramba. Sempre tinha o problema das passagens e horários, a batalha do trem que demorava quatro horas para chegar.”
“A gente cantou em muitos microfones ruins no Rio. Fizemos shows sem microfone, shows que foram três pagantes. Foi uma coisa muito de início, para saber se ia fazer isso mesmo ou não. Foram dois anos intensos.”
Quer levar o rap para o mainstream?
“Com certeza. Acho que a gente já está fazendo isso, voando como besouros, batendo aqui e ali, mas conseguindo, voando. É uma tendência mundial. Eu acho que o rap vai ganhar corpo, não só por mim, mas com outros gigantes chegando junto comigo, gente que tem mais tempo e outros mais novos.”

Fonte: G1 Entretenimento

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MC Hariel no Rock in Rio: cantor diz que o funk ensina favela a vencer e quer fazer faculdade de Letras


Cantor vai estrear no Rock in Rio e estrela campanha do uniforme da seleção. Ele comemora sucesso, mas questiona visão ultrapassada no mercado musical e preconceito contra cultura da favela. MC Hariel em entrevista ao g1
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Ser um dos cantores mais ouvidos do Brasil, estrelar campanha do novo uniforme da seleção brasileira e estrear no palco do Rock in Rio neste sábado (3). Dá para reclamar?
MC Hariel comemora as conquistas, mas não para de questionar a “visão ultrapassada do alto escalão da música”, a “rapaziada fanática por tudo que é americano” e “o trabalho feito lá no alto para a favela continuar perdendo”.
“Eu fumo um cigarrinho e paro para brisar.” É assim que ele cria os versos que o colocaram em um lugar especial no funk. Foi apelidado “Haridade” pelo estilo questionador e sagaz.
De MC prodígio, estourado aos 16 anos, já é referência e fala como veterano. Na sua quebrada, a Vila Aurora, Zona Norte de São Paulo, abriu um salão de cabeleireiro e um selo musical, o Xaolin Records.
LEIA MAIS: A origem rebelde do MC Hariel
Programação do Rock in Rio 2022
Ele acaba de terminar a turnê do DVD “Mundão Girou”, que comemora dez anos de carreira. O ritmo de shows nos próximos meses deve diminuir, pois ele acabou de ter seu primeiro filho, Jorge, e quer curtir a família.
Filho de um músico rebelde do grupo Raíces de América, parte da geração rebelde dos anos 1970, Hariel gosta de “brisar”. O fluxo de ideia dos versos é parecido na entrevista ao g1.
No Rock in Rio, ele foi convidado pelo produtor Papatinho para um show ao lado do rapper L7nnon e da funkeira MC Carol. Ele sabe que funk da quebrada no festival é raridade. Ou, como diriam os fãs, “Haridade”. Leia a conversa:
g1 – Você tem mais audiência do que vários artistas que já têm shows só deles no Rock in Rio. Mas você está indo pela primeira vez, só para uma participação. O que já é raro para um artista de funk. Você acha que o funk poderia ser mais valorizado por esses festivais?
Hariel – Eu acredito que a gente vai ter que fazer o nosso. Nossa ideia nunca foi competir, ainda mais com esses caras que não têm nada a ver com o nosso corre. Fica até chato eu ficar falando aqui que a gente não tem espaço, porque começa a soar como se a gente quisesse “meter o louco”.
A gente não tem espaço, mas também vai conquistar, de um jeito ou de outro. Mas talvez a gente nem queira. A gente quer o que é nosso mesmo. Queremos que nosso movimento consiga fazer o Mundão Girou [DVD ao vivo de Hariel], que o MC Ryan consiga fazer o DVD dele também.
Mas eu tenho certeza de que essa rapaziada é meio passada. A rapaziada do alto escalão… Tudo tem uma hierarquia, né? Essa rapaziada que está no controle do alto escalão da música, dos produtores de música, tem uma visão meio ultrapassada do bagulho.
Nem vale a pena ficar “cascando” com esses caras. A gente veio para mostrar nossa história, o nosso tempo. A gente é novo, essa é nossa hora. Eles acham que sabem, e a gente faz do nosso jeito.
Acho que a galera perdeu muito a vontade de errar. E a gente não tem isso. A gente está acostumado sempre a ser tachado de errado. Então a gente vai e aprende com o erro.
Eles já ficaram quadrados. Por isso que não saem muito do que eles sempre fazem. Nunca uma novidade, nunca uma palavra diferente. É sempre a mesma ideologia. Quando surge uma pauta, eles se aproveitam. Abordam aquele tema, que nunca é um tema que eles levantam.
Mas tá tranquilo. A gente não tem nem que ficar esquentando a cabeça com eles. Tem que fazer o nosso papel, que daqui a pouco é nossa hora também. E quando for a gente que estiver lá um dia, fazer totalmente diferente do que a galera que está lá faz.
MC Hariel em entrevista ao g1
GR6
g1 – E como você, que tem 10 anos de carreira, faz para não ficar acomodado?
Hariel – Acho que tudo é um ciclo. E não existe ciclo que só sobe. Ele faz uma curva, volta, e depois sobe de novo. Não existe um ciclo reto. Eu estava falando com minha equipe e eles disseram: ‘Você conseguiu fazer bagulhos que vários caras não conseguiram em 10 anos. O que vai acontecer agora?”
E eu falei: “Mano, é página 2, já era. Vamos voltar lá para o primeiro ano. O que a gente fazia? Vamos trabalhar, igual a gente trabalhava lá.” Só que agora a gente tem outra estrutura, está em outra realidade, outro patamar.
Vamos enfrentar como se fosse o primeiro ano da minha carreira de novo. Talvez outros caras pudessem falar: “agora eu posso trabalhar menos, escolher mais.” Mas eu me desviei dessa ideia. Eu quero voltar para o começo. Claro, com o que eu tenho.
g1 – E como se manter conectado com a quebrada, onde você cresceu, da rua de onde vem a inovação do funk?
Hariel – Eu tenho que falar para você que faz tempo que eu não vou a baile de favela. Acho que é um processo natural do favelado. Chega uma idade que ele não anima muito de ir a baile. Já tem filho, família, outras prioridades.
Mas eu gosto de ficar na minha quebrada. Quando estou de folga, fico no salão que eu abri lá, dando uma força para os meus trutas. Tem uma visão de cria lá que faz uma barba, um cabelo. Troco uma ideia, jogo uma sinuca, tomo uma dose, fico lá de canto com meus amigos.
Na frente eu tenho um selo, a Shaolin Records, com uns moleques, e eu dou uma fortalecida e uma direção. Eles têm talento para caramba e às vezes não têm oportunidade.
Quando eu sonhava em viver disso… Eu sonhava tanto a ponto de conhecer certas pessoas e me decepcionar.
É difícil decepcionar essa molecada. Um estava no farol, o outro sai lá do outro lado da cidade, cata trem, metrô, tudo para cantar um funk. Você se vê ali e lembra de quando começou.
MC Hariel
Wirso / Divulgação
g1 – Na sua música mais recente, “O fim é triste”, você canta: “É que esses cara imita os gringo, eu sou brasileiro / Funkeiro nato, o coração e alma de maloqueiro”. Por quê?
Hariel – Eu quis fazer uma referência a uma rapaziada da política e da música que é fanática por americano, por uma história que não é a nossa.
A história brasileira tem diversos pontos de influência de outros países. Mas também tem vários pontos a serem valorizados na história, na música, no estilo.
Esses caras idolatram mais os caras de fora do que os daqui. Acontece muito isso. Tem gente muito boa aqui que fica louca porque a rapaziada daqui mesmo não consegue dar um valor ou um incentivo. Quer criticar, zoar, caçoar das coisas brasileiras.
A letra é nesse sentido de valorizar a arte, a cultura, tudo que vem do Brasil. É daqui que a gente vem e devemos ter orgulho.
g1 – E é comum o gringo vir aqui e achar o funk muito original.
Hariel – É. O funk vai pro Grammy e o brasileiro critica. Acha que não devia estar lá. Rapaziada estranha.
g1 – E você está estrelando uma campanha do novo uniforme da seleção de futebol. Como foi isso?
Hariel – Foi foda, fiquei feliz. Eu estava com uma marca grande (Lacoste) e quando passou, chegou essa do uniforme (da Nike). Esse está sendo o melhor ano da vida em questão pessoal e profissional. Meu filho, minha família e as coisas que eu estou conseguindo.
Que eu consiga passar e abrir as portas para os outros. Que o funk comece a ter valor. É o que estamos falando, que o Brasil veja que o brasileiro não tá de palhaçada no bagulho.
Que a gente não quer só praia, samba e carnaval. A gente tem dedicação e um monte de coisa a mais do que quase todo povo do mundo. Que é garra, nunca desistir. O povo brasileiro é de carisma, de caráter, de capacidade.
É mostrar que o funk e o brasileiro também podem estar em uma campanha mundial, representar uma marca.
Djonga e MC Hariel em campanha do novo uniforme da seleção
Divulgação
g1 – O Djonga está com você nessa campanha, e mesmo antes ele já puxava isso, de dizer que a camisa era de todo mundo, não só de um grupo.
Hariel – É isso, foda demais. Acho que é isso que a marca está tentando passar com a gente. Que (a camisa) não tem dono. Não adianta ninguém querer restringir.
Não adianta querer reprimir a gente, porque quanto mais reprime, mais a gente aparece. Djonga lá é vitória, Hariel lá é vitória. Assim como os jogadores e os atletas.
g1 – Suas ideias fluem fácil. Como você escreve suas músicas?
Hariel – Sei lá, fumo um cigarrinho e paro para brisar na música. Eu nasci para viver isso. Já entreguei pizza, fiz um monte de coisa na minha vida. As coisas não me davam o dinheiro que me dão hoje, mas eu conseguia viver, nunca morri de fome.
Eu não preciso ficar desesperado por dinheiro. Então quando eu sento para fazer música, é o que mais me diverte.
Eu até penso em terminar minha escola para fazer uma faculdade de Letras. Porque eu gosto pra caramba de composição, fico estudando as rimas.
MC Hariel em entrevista ao g1
GR6
g1 – Uma das músicas mais legais do seu DVD é “Pirâmide social”. Você sabe que subiu, mas continua sendo uma pirâmide, com um monte de gente na base. Como mudar isso de verdade? Porque é comum a gente ouvir “a favela venceu” e não ter vencido mesmo.
Hariel – Acho que a favela é acostumada com o coletivo. Quando morre alguém, a favela toda sente muito. A mesma coisa se um favelado conseguiu vencer. ‘A favela venceu’ surge disso, do coletivo. Não quer dizer realmente que mudou a história e o parâmetro da favela.
De tão poucas vitórias, quando surge alguém que vence, todo mundo se vê naquilo. Não quer dizer que mudou todos os problemas, que acabou tudo. Quer dizer que um favelado está ganhando. E eu penso que para a favela vencer são anos de trabalho sério, conscientização séria, de trabalho complexo.
Porque o trabalho que é feito no alto é totalmente o contrário: é para a favela continuar perdendo mesmo. Desestruturar, deseducar, ensinar a gente a ser empregado. Não que tenha problema em ser empregado. Mas eles não nos ensinam a como pensar. Ensinam o que a gente tem que pensar.
De qualquer jeito a gente é programado para sair perdendo, sair por baixo da situação. Então, para a favela vencer, são vários anos de trabalho. Mas cada fragmento de vitória acende um pouco da esperança.
É o que a gente fala: se um menor conseguir entender o que a gente está falando, já é uma vitória gigante. Porque a gente perde todo dia, toda hora.
Então se um menor consegue assimilar, catar um livro através de uma letra de funk, largar as drogas ou aquilo que faz mal para ele no momento, consegue melhorar, aí a favela venceu de alguma forma. Ali deu um fragmento de vitória e de esperança. No coletivo é uma vitória.
g1 – E você acha que tem melhorado entre a galera mais nova?
Hariel – A favela tem mais voz. A gente vê o favelado tendo mais espaço, vê a diversidade acontecendo forte. Mas no mundo real, quando vai para a rua mesmo, está tudo igual.
As pessoas passam fome, não têm moradia, não têm uma escola e um hospital “da hora”. Não têm o direito de lazer, quem está no baile funk toma tiro, toma bomba.
Não sei se é o início de uma nova fase, de uma era de melhoria. Não sei o que está acontecendo, mas no mundo real ainda tá tudo o mesmo.
Eu comprei um iPhone, um carro e uma casa. Mas meus amigos estão com o mesmo telefone que tinham antes. Eu tenho o Playstation 5, mas meus amigos não têm. O mundo evolui, mas na favela continua igual, e não é de hoje.

Fonte: G1 Entretenimento