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Morre aos 70 anos Moogie Canazio, conceituado engenheiro de som e produtor da indústria fonográfica


Moogie Canazio (1955 – 2026) morre em Los Angeles (EUA), aos 70 anos
Marcos Hermes / Divulgação
♫ OBITUÁRIO
♬ Poucos profissionais da indústria fonográfica dominaram a engenharia do som como Antônio Canazio (21 de setembro de 1955 – 21 de abril de 2026), o reverenciado produtor musical conhecido na indústria fonográfica pelo nome artístico de Moogie Canazio.
Dedicado a sempre extrair o melhor áudio das gravações, Moogie andava empolgado ultimamente com as propriedades imersivas do som dolby atmos. “Atmos fun!! Woooo hooooo!!”, celebrou o engenheiro de som em 12 de janeiro no que veio a ser o último post do produtor musical.
Nascido no Rio de Janeiro (RJ), Moogie Canazio morreu na madrugada desta terça-feira, 21 de abril, em Los Angeles (EUA), para onde migrou em 1979 e onde fez carreira como engenheiro de som, iniciada no Kendun Records, em Burbank, cidade da Califórnia (EUA). O produtor se sentiu mal em casa. Paramédicos foram chamados e tentaram em vão reanimar o mago do áudio.
Ocorrida à 1h desta terça-feira (5h, pelo horário de Brasília – DF), a morte de Moogie Canazio foi confirmada em rede social pela esposa do artista, Márcia Canazio, para a tristeza de todos os profissionais da indústria fonográfica brasileira e de intérpretes como Maria Bethânia, que teve vários discos produzidos pelo engenheiro de som, inclusive o álbum blockbuster “As canções que você fez pra mim” (1993).
“Moogie dedicou a vida à música. Ele construiu uma carreira extraordinária como engenheiro de gravação e mixagem, trabalhando com alguns dos maiores artistas do mundo e ganhando múltiplas honrarias no Grammy e no Grammy Latino. A música era sua paixão, seu propósito e seu legado”, sintetizou Márcia Canazio ao comunicar a morte do marido.
Não há exagero nessas palavras. Moogie Canazio conseguiu contentar até o exigente João Gilberto (1931 – 2019), com quem trabalhou na gravação do álbum “João, voz e violão” (2000). Por esse trabalho como engenheiro de som (a produção artística do disco é de Caetano Veloso), Moogie ganhou o Grammy em 2001 na categoria Álbum de world music.
Em 1993, Moogie tinha sido indicado ao Grammy pela engenharia de som de um dos álbuns mais aclamados de Sergio Mendes (1941 – 2024), “Brasileiro” (1992).
Baterista de bandas de baile na adolescência, Moogie Canazio fez nome no anonimato dos estúdios, trabalhando com leque variado de artistas, de Caetano Veloso à dupla Anavitória, passando por Guilherme Arantes, Ivan Lins, Zizi Possi e a dupla Sandy & Junior, entre outros grandes nomes.
Por tanta dedicação ao som da música, Moogie Canazio foi nomeado em 2008 para o conselho curador da Academia Latina de Gravação, instituição que produz o Grammy Latino desde 2000. Em 2011, o produtor se tornou vice-presidente do conselho, permanecendo no cargo até 2019.
Ao sair de cena, Moogie Canazio deixa legado inestimável na indústria fonográfica do Brasil. Até João Gilberto gostou do som extraído por esse engenheiro devotado à deusa música…

Fonte: G1 Entretenimento

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Anitta revela convite de Shakira para show em Copacabana, e colombiana elogia brasileira: ‘Rainha’


‘Copacabana promete ser o maior concerto da minha vida’, diz Shakira
A cantora Anitta revelou que foi convidada por Shakira para participar do show que a artista fará na Praia de Copacabana. Em entrevista ao podcast Charla Podcast, a brasileira contou detalhes da conversa entre as duas e aumentou a expectativa por uma possível participação especial no evento.
Segundo Anitta, o convite veio de forma direta. “Ela falou: ‘vamos cantar juntas?’”, disse a cantora, ao relembrar o contato com Shakira. A artista também contou que as duas discutiram qual música apresentariam no palco.
A escolhida foi “Choka Choka”, que segundo Anitta tem uma pegada que dialoga com o funk brasileiro — algo que, segundo ela, sempre despertou o interesse da colombiana.
Bastidores e expectativa
Anitta no Palco Rio do réveillon de Copacabana: cantora pode volta ao lado de Shakira
Rafael Catarcione/Riotur
Sem confirmar oficialmente a participação, Anitta tratou o assunto com cautela, mas deixou claro o entusiasmo com a possibilidade. A cantora destacou a relação de amizade com Shakira e classificou o convite como especial.
Já Shakira também tem feito mistério sobre o show, mas adiantou que prepara surpresas e convidados. A colombiana afirmou que a apresentação em Copacabana pode ser “o maior concerto” de sua carreira, com expectativa de público de até 2,5 milhões de pessoas.
“Não posso adiantar nenhuma surpresa, mas vocês conhecem a Anitta, né? Ela é a rainha. A amizade que eu tenho com ela é muito valiosa, é um presente, e essa oportunidade de cantar com ela, de fazer uma colaboração em uma música tão legal, ‘Choka Choka’, que é um baile funk, que eu sempre quis fazer uma coisa assim. É realmente incrível”, disse Shakira.
Relação com o Brasil
Em declarações recentes, Shakira reforçou a conexão antiga com o país. Segundo ela, o Brasil foi um dos primeiros mercados a abraçar sua música, e a influência cultural brasileira marcou sua trajetória artística — inclusive na dança e em ritmos que incorporou ao longo dos anos.
“A conexão que eu tenho com o Brasil é uma conexão é muito antiga, foi um dos primeiros países que abriu as suas portas para a minha música, que me entendeu, que me acompanhou. Eu fiz já 40 shows no Brasil. Mais de 40 shows. Eu aprendi português primeiro que o inglês. Eu sempre me senti muito atraída pela cultura brasileira, uma cultura única, Me inspirou muito na minha vida, na minha música, no jeito de dançar. A minha conexão é uma conexão real e autêntica”, disse.
A cantora também elogiou Copacabana, classificando a praia como “a mais famosa do mundo” e um lugar “mágico”. A escolha do cenário, segundo ela, torna o momento ainda mais simbólico.
“Acho que, se o planeta tivesse um altar, seria a Praia de Copacabana. É praia mais famosa do mundo, e a praia mais mágica também. Muita beleza, demais!”
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Fonte: G1 Entretenimento

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Musical retrata Zezé Motta com toda a plenitude da atriz e cantora que driblou o racismo com talento e a força da arte


Larissa Noel personifica Zezé Motta de forma radiante no musical em cartaz no Teatro Raul Cortez até hoje, 21 de abril
Gatú Filmes / Reprodução Instagram ‘Prazer, Zezé – O musical’
♫ CRÍTICA DE MUSICAL DE TEATRO
Título: Prazer, Zezé!
Dramaturgia: Toni Brandão
Direção: Débora Dubois
Direção musical: Claudia Elizeu
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ O título do musical “Prazer, Zezé!” é engenhoso porque, além de aludir à música composta em 1978 por Rita Lee (1947 – 2023) e Roberto de Carvalho para o primeiro álbum solo de Zezé Motta, sinaliza a intenção de apresentar Maria José Motta de Oliveira ao público com toda a plenitude dessa artista fluminense nascida em 27 de junho de 1944, em Campos dos Goytacazes (RJ), há quase 82 anos.
É que todo mundo conhece Zezé Motta, atriz de novelas como “Corpo a corpo” (1984) e “A nobreza do amor” (atual atração da TV Globo no horário das 18h), protagonista suntuosa do filme “Xica da Silva” (1976) e cantora de sucessos como o samba “Senhora liberdade” (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1979). Mas muita gente desconhece a luta vitoriosa de Zezé para se impor como artista desde que, driblando o racismo entranhado em toda a sociedade, entrou em cena na segunda metade da década de 1960.
Em cartaz até hoje, 21 de abril, no Teatro Raul Cortez do Sesc 14 Bis, em São Paulo (SP), o espetáculo idealizado e escrito pelo dramaturgo Toni Brandão dá conta da função de apresentar Zezé Motta dessa forma plena, conectando o musical com pautas identitárias como o empoderamento feminino, o combate ao etarismo e a luta permanente para aniquilar o racismo.
A dramaturgia foge da linha Wikipedia, pondo em cena a essência da história de Zezé em musical permeado pela exuberante negritude que pauta todo o caminho de Zezé nas artes. “Negritude”, aliás, foi o título do segundo álbum solo da artista, lançado em 1979 e impulsionado pelo sucesso radiofônico do supracitado samba “Senhora liberdade”, presente naturalmente no roteiro do espetáculo ao lado de composições como “Magrelinha” (Luiz Melodia, 1973) e “Soluços” (Jards Macalé, 1969), músicas das quais Zezé se apropriou ao interpretá-las com a voz grave, quente e afinada.
No palco do Teatro Raul Cortez, Zezé Motta é personificada nas diferentes fases da vida por Larissa Noel, presença radiante em cena. Sob a direção de Débora Dubois, Larissa Noel se desvia do caminho da mimetização para captar a energia de Zezé em trabalho apurado e alicerçado por elenco harmonioso.
O musical proporcionou ao público o prazer de aplaudir os talentos de Maria Antônia Ibraim (como a mãe de Zezé, Maria Elazir Motta), Hipólyto – totalmente convincente na breve aparição como Luiz Melodia (1951 – 2017) em dueto com Larissa Noel – e Luciana Carnieli, incrível na reprodução dos trejeitos e da voz da atriz Marília Pêra (1943 – 2015), grande amiga de Zezé. Sem falar em Arthur Berges, com boa chave cômica na pele do figurinista e maquiador Carlinhos Prieto (1947 – 1995).
A força do musical “Prazer, Zezé!” também reside no caráter político da cena. Ao retratar a trajetória vitoriosa de Zezé Motta, enfatizando o racismo sofrido pela artista ao longo da vida e driblado com altivez, o espetáculo afirma a potência do povo negro do Brasil. É especialmente simbólico e emocionante o momento em que Larissa Noel quebra a quarta parede e dá o microfone aos espectadores negros presentes na plateia, permitindo que eles se apresentem ao público e ao próprio elenco, dizendo nome e profissão.
O musical “Prazer, Zezé!” se engrandece ao reafirmar a potência ancestral do povo negro a partir da história de Maria José Motta de Oliveira. Pela importância da artista e pela beleza do espetáculo, seria justo que o musical “Prazer, Zezé!” seguisse em cena por outras cidades do Brasil com o fim da aclamada temporada paulistana que se encerra hoje neste feriado de 21 de abril.
Larissa Noel e Hipólyto encenam no musical o encontro de Zezé Motta e Luiz Melodia (1951 – 2017)
Gatú Filmes / Reprodução Instagram ‘Prazer, Zezé – O musical’

Fonte: G1 Entretenimento

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Morre ator de ‘Chaves’, Ricardo de Pascual, aos 85 anos


Ricardo de Pascual em cena de ‘Chaves’ como o Sr. Furtado
Divulgação e Reprodução/Instagram/ricardodepascual
Faleceu nesta terça-feira (21), aos 85 anos, o ator mexicano Ricardo de Pascual. A informação foi confirmada pela Associação Nacional de Atores do México (ANDA).
Embora a causa oficial da morte não tenha sido divulgada, o artista enfrentava um quadro de saúde fragilizado devido a uma doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Em entrevistas recentes, o ator havia compartilhado detalhes sobre sua condição de saúde, atribuindo a DPOC ao tabagismo, hábito que manteve por cerca de duas décadas.
Associação de atores lamenta morte
A Associação Nacional de Atores do México utilizou suas redes sociais na manhã desta terça-feira (21) para publicar uma nota de pesar lamentando a perda do artista:
“A Associação Nacional de Atores lamenta profundamente o falecimento de nosso colega Ricardo de Pascual. Nossos mais profundos sentimentos à sua família, amigos e colegas. Que ele descanse em paz”, diz a nota oficial publicada pela instituição em suas redes sociais.
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Carreira
Ricardo de Pascual fez história na televisão brasileira por sua participação em “Chaves”, interpretando o Sr. Furtado.
Seu personagem era o responsável por roubar itens dos moradores da vila, cujas suspeitas recaíam injustamente sobre Chaves, o protagonista.
Além da comédia, o ator foi um colaborador frequente de Roberto Gómez Bolaños em produções como “Chespirito” e “O Chapolin Colorado”.
No México, sua carreira também foi marcada por papéis em novelas de sucesso internacional, como “El Privilegio de Amar” (O Privilégio de Amar) e “Camaleones”.

Fonte: G1 Entretenimento

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Cantor Hiran é alvo de ataques homofóbicos após lançar disco em que denuncia homofobia no rap


Cantor e rapper Hiran, de 31 anos, critica homofobia na cena do rap: ‘Estou mexendo em um vespeiro’.
Pedro Ommã
O rapper baiano Hiran, de 31 anos, foi alvo de uma “onda” de ataques homofóbicos e ameaças de morte após o lançamento de seu novo álbum, “Imundo”, na última sexta-feira (17).
Composto por 13 faixas, o disco levanta discussões sobre a homofobia e xenofobia na cena do rap brasileiro. “A reação violenta de parte do público confirmou tudo o que eu estou denunciando”, disse o cantor ao g1.
“Meu assessor avisou que eu estava mexendo em um vespeiro, mas não imaginei a proporção. Fui ao meu pai de santo pedir proteção, fechar meu corpo. Ainda estou com medo”, completou. Veja entrevista completa abaixo.
Homofobia e ameaças de morte
Veja os vídeos que estão em alta no g1
As agressões começaram após a divulgação da sua nova música de trabalho, “Rap Não”, em que o artista confronta diretamente a homofobia e o boicote que sofreu no início da carreira:
“Tinha pensado em desistir do rap. Mudei meu sonho, mudei meu leque, cantei outras coisas para não sucumbir. Os caras me viam e não me chamavam. Eu sou viado e eles têm medo do público burro que eles cultuam, mas eu sou letrado”, diz trecho da faixa.
A reação foi imediata. Segundo o rapper, bastaram dez minutos para que as mensagens de ódio tomassem conta de suas redes sociais.
“Minha DM estava cheia de comentários homofóbicos e ameaças de morte, dizendo que o rap não era para pessoas como eu. Encontraram até o Instagram da minha mãe e da minha irmã”, relatou o artista.
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Abrigo na MPB
Natural de Alagoinhas, a 100 km de Salvador, Hiran iniciou sua trajetória em 2018 com o álbum “Tem Mana no Rap”.
O impacto dos seus versos foi imediato, mas em um nicho inesperado: foi abraçado por nomes como Caetano Veloso, Ivete Sangalo e Carlinhos Brown, enquanto, nas palavras dele, “as portas de seu gênero de origem permaneceram fechadas”.
Caetano Veloso ao lado do rapper Hiran e da cantora Majur
Redes sociais
Hiran recorda que, ao tentar se oferecer para se apresentar em grandes eventos do gênero em 2019, as respostas eram sempre as mesmas: “Que aqueles festivais não eram o meu lugar”, diz.
“Meu sonho era estar entre os artistas de quem eu era fã no hip hop, mas entendi que eles não aceitariam um rapper falando sobre como é ser LGBT”, desabafa.
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Guinada para o pop
Diante do “boicote na cena do rap”, Hiran decidiu, então, recalcular a rota em direção ao pop. Com o disco “Anjo” (2020), o artista diz que conseguiu alcançar a estabilidade financeira que tanto sonhava.
O projeto o levou a fazer apresentações internacionais e lhe permitiu alcançar duas realizações pessoais: “reformar a casa da minha mãe e ver Beyoncé de perto”, comenta.
Hiran ao lado das cantoras Margareth Menezes e Ivete Sangalo
Redes sociais
“Não tenho vergonha de falar que foi um trabalho meticulosamente pensado para ganhar dinheiro”, revela.
Após o sucesso comercial do disco, o cantor chegou a compor nove faixas para um novo álbum, que seria “ainda mais sofisticado”, com arranjos de orquestra.
A morte do pai
A virada de chave veio com uma perda pessoal: a morte de seu pai, vítima de uma parada cardíaca em agosto de 2025. Hiran estava em turnê quando recebeu a notícia.
“Antes de morrer, ele me pediu que eu nunca deixasse de trabalhar pelo que eu acredito. E no fundo eu sabia que ainda não tinha superado aqueles traumas do passado. Eu não tinha enfrentado eles [a cena do rap]. Eu simplesmente fugi”, conta.
Cantor Hiran em imagens de divulgação
Pedro Ommã
Ele abandonou a ideia de fazer um álbum “estilo Liniker”, que visava o mercado, para retomar as rimas, lugar onde ele começou como MC, ainda em 2018.
“Eu não queria ser um artista preto trancado dentro de um estúdio compondo como um businessman branco que só pensa em dinheiro. Resolvi colocar o dedo na ferida.”
‘Vou ocupar esse espaço’
O resultado dessa retomada é “Imundo”. O projeto conta com parcerias de Luedji Luna, Tássia Reis e Tom Veloso. Na faixa-título, ele sintetiza o sentimento de não pertencimento: “Mesmo que muito limpo, eu sou sujo no seu mundo”.
Imagem da capa do disco “Imundo”, do artista baiano Hiran.
Divulgação
Apesar das ameaças de morte e do medo gerado pelos ataques recentes, Hiran decidiu não acionar a Justiça. “Fui no meu pai de santo fechar meu corpo e pedir proteção”, afirmou.

Para ele, o novo disco é uma espécie de “acerto de contas”.
“Me cite aí três MCs que são assumidamente gays e falem sobre serem gays. Não tem. É um espaço que está vazio. E eu vou ocupar”, finaliza o artista.
Rapper Hiran em imagens de divulgação do seu novo disco, “Imundo”.
Pedro Ommã

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Michael’ emociona com lado musical do Rei do Pop, mas deixa de lado de vida complexa; g1 já viu


‘Michael’, cinebiografia do rei do pop, emociona com música, mas não explora o personagem
Michael Jackson não é chamado de “Rei do Pop” à toa. Com ideias mirabolantes, uma voz inigualável e um grande talento para dança, ele se tornou um ícone que vai muito além da música. Mas Michael Jackson tinha suas sombras e defeitos.
“Michael”, cinebiografia que chega aos cinemas nesta terça-feira (21) na qual o protagonista é interpretado por seu sobrinho (Jaafar Jackson), acerta na maneira pela qual retrata o lado musical do astro, com cenas emocionantes e bem construídas.
Mas, de resto, fica muito aquém da complexidade do ser humano que foi o cantor.
Assim que foi anunciado para o mundo, o filme dirigido por Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento”) estava envolto pela polêmica sobre os casos de abusos sexuais contra Michael. O tema vai ser abordado? Se sim, com que grau de profundidade?
Inicialmente, a imprensa especializada apontou que os casos seriam, sim, tratados. Porém, por uma questão legal com os acusadores, as menções de possíveis crimes foram retiradas da obra, que ganhou um novo final.
Como o filme se passa entre a infância e o final dos anos 1980 – portanto, antes das primeiras denúncias –, não é algo que pesa. Agora, situações como o “desaparecimento” de Janet Jackson e o pouquíssimo tempo de tela do produtor Quincy Jones (Kendrick Sampson) privam o espectador de conhecer melhor a história de Michael.
O espólio do cantor atuou na produção executiva do filme e Michael Jackson acabou sendo retratado com um artista que não tinha forças para quebrar contratos e encarar o próprio pai, Joseph Jackson, muito bem interpretado por Colman Domingo.
Claramente, uma visão bem parcial de quem foi o Rei do Pop.
Filme que dá vontade de dançar…
A biografia segue uma linha cronológica, mostrando como o pai de Michael tirava o couro dos filhos para que fossem músicos de sucesso. “Na vida, ou você é um vencedor ou você é um perdedor”, repete constantemente na primeira parte do longa.
A criação e o sucesso do “Jackson 5”, até sua compra pela gravadora Motown, em 1968, é contada de forma rápida, mas com bom desenvolvimento.
Trecho do filme ‘Michael’
Reprodução/YouTube
Michael criança (interpretado por Juliano Valdi) tem uma relação horrível com o progenitor – e não melhora com o passar da idade. Fã das histórias de “Peter Pan”, em um dos livros ele nomeia o vilão das histórias, o capitão Gancho, como Joseph.
Num piscar de olhos, os Jackson passam de uma casa humilde para uma mansão. Essa aceleração é difícil de se explicar, ainda mais num filme que foca tanto na família.
Essa correria, principalmente no período da infância do cantor, decepciona. O distúrbio de imagem do cantor, por exemplo, ocupa uma breve passagem do filme, se agarrando num pequeno diálogo durante uma cirurgia no nariz.
Entre os momentos mais emocionantes estão a criação de “Off The Wall”, contada sob a trilha de “Don’t Stop Til You Get Enough” e as referências para a criação de “Thriller”.
A escolha de Jaafar Jackson para interpretar seu tio na fase adulta, com uma caracterização tão bem feita, é um dos maiores acertos do filme. Ele não tem grandes diálogos ou cenas de tirar o fôlego, mas, para uma estreia como ator na pele do Rei do Pop, foi tudo dentro do esperado.
Trecho do filme ‘Michael’
Reprodução/YouTube
Quando o assunto é mostrar o artista para além dos palcos, o longa escolhe retratar uma estrela diminuta e amedrontada.
Michael Jackson e suas camadas
Michael foge de conflitos, leva uma vida extremamente infantilizada e deixa grandes decisões nas mãos de terceiros. Tudo bem, ele não era, digamos, um rebelde. Mas o astro tinha suas polêmicas e embates.
Diferente do que o filme retrata, a saída da Motown não se deu como uma anedota pacífica em sua carreira. Após conflitos criativos com o produtor Berry Gordy (Larenz Tate), o cantor saiu da gravadora para a CBS, após fazer sua “despedida” no evento de aniversário de 25 anos da Motown, cantando “Billie Jean”.
Outro momento anedótico no filme, mas crucial na história de Michael, é a relação com Quincy Jones, um dos maiores produtores da história da música e peça-chave na construção de “Off The Wall” e “Thriller”, os principais trabalhos da primeira parte do filme.
Filme “Michael”
Reprodução/YouTube
Quem assistir a “Michael” não saberá detalhes de como os dois se encontraram e muito menos terá a dimensão da relação entre uma das maiores duplas da história da música pop.
Não ficando muito distante de outras cinebios do mundo da música, como “Bohemian Rhapsody”, que tem o mesmo produtor, Michael Graham King, o filme se apoia muito nas cenas musicais, momentos que emocionam e prendem o espectador.
“Michael” é um filme que corre sem um motivo aparente e um dos maiores nomes da história da música, com tantas camadas, é retratado com alguém infantilizado e sem independência.
Ao final, a obra sugere uma continuação. A melhor parte da carreira musical do Rei do Pop já foi explorada, mas ainda existem episódios marcantes que merecem registro, como o show no Super Bowl em 1993 e a passagem no Brasil para gravação do videoclipe “They Don’t Care About Us”.
Porém, sem abordar escândalos de abuso, a criação de Neverland, aprofundar no vício em opioides após o acidente grave no comercial da Pepsi e a relação com o vitiligo, o público não terá a chance de conhecer melhor um personagem complexo e cheio de camadas, como Michael Jackson foi.

Arte/g1

Fonte: G1 Entretenimento

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Polícia pede prisão do fundador de agência do BTS na Coreia do Sul por lucro ilegal de R$ 730 milhões


Bang Si-hyuk participa de debate em 2023
Kim Hong-Ji/Reuters
A polícia da Coreia do Sul solicitou um mandado de prisão contra Bang Si-hyuk, presidente da Hybe (agência responsável pelo fenômeno do K-pop BTS), por suspeita de negociações ilegais ligadas à abertura de capital (IPO) da empresa.
De acordo com a Agência de Polícia Metropolitana de Seul, Bang é suspeito de violar leis do mercado de capitais ao enganar investidores antes da listagem da Hybe na bolsa, direcionando-os a vender ações para um fundo de private equity ligado a seus parceiros.
A polícia alega que, após a abertura de capital, o fundo vendeu sua participação e Bang teria recebido cerca de 30% dos lucros por meio de um acordo prévio entre acionistas, lucrando cerca de 190 bilhões de won (aproximadamente R$ 730 milhões) de forma ilícita.
Bang nega qualquer irregularidade.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
“Lamentamos que o mandado tenha sido solicitado, apesar de nossa cooperação total e constante com as investigações ao longo de um extenso período. Continuaremos colaborando com os procedimentos legais para esclarecer nossa posição”, afirmou a defesa do executivo, nesta terça-feira (21).
Bang é o fundador da Hybe, a potência musical por trás do grupo global de K-pop BTS. Após a notícia, as ações da Hybe recuaram e fecharam em queda de 2,4%, enquanto o índice de referência da bolsa sul-coreana (KOSPI) subiu 2,7%.
A polícia confirmou ainda que a embaixada dos Estados Unidos em Seul enviou recentemente uma carta solicitando que Bang fosse autorizado a viajar para o país, apesar da proibição de deixar a Coreia do Sul imposta durante a investigação.
O pedido buscava uma suspensão temporária do veto para que Bang participasse de um evento em comemoração ao Dia da Independência americana e discutisse detalhes da turnê global do BTS. O grupo realiza shows no Brasil em outubro.
A embaixada americana informou que não tem comentários sobre o assunto. Bang está proibido de sair da Coreia do Sul desde agosto de 2025.
O pedido de prisão será analisado pela Promotoria do Distrito Sul de Seul. Caso os promotores deem prosseguimento, um tribunal deve realizar uma audiência em dois ou três dias para decidir se decreta a prisão de Bang.

Fonte: G1 Entretenimento

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Shows em festival sobre seis álbuns de 1986 evidenciam como aquele ano foi fundamental para o rock brasileiro


Capas dos álbuns ‘Cabeça dinossauro’, ‘Dois’, ‘Selvagem?’, ‘O concreto já rachou’, ‘Rádio pirata ao vivo’ e ‘Vivendo e não aprendendo’, todos lançados em 1986
Reproduções / Montagem g1
♫ ANÁLISE
♬ O anúncio do festival C6 no Rock reitera que 1986 foi o ano que não terminou no universo do rock brasileiro irrompido com força no mercado musical, ao longo da década de 1980, a partir da explosão da banda Blitz no verão de 1982.
Programado para 22 e 23 de agosto no Parque Ibirapuera, em São Paulo (SP0, o festival C6 no Rock traz no line-up nada menos do que seis shows dedicados a álbuns lançados naquele ano de 1986. E, verdade seja dita, todos os seis álbuns são fundamentais na história do rock brasileiro, seja pela relevância artística e/ou pela força comercial. São álbuns que, 40 anos depois, analisados sob a perspectiva do tempo, permanecem como emblemas das respectivas bandas.
Pedrada punk atirada pelos Titãs após dois discos de repertório difuso, “Cabeça dinossauro” foi o álbum que deu norte e identidade ao grupo paulistano. Tanto que “Cabeça dinossauro” foi revisitado pela banda em turnê de 2012 e gerou uma segunda turnê comemorativa neste ano de 2026, o que torna o show dos Titãs – atualmente um trio formado por Branco Mello, Sérgio Brito e Tony Bellotto – o mais previsível do line-up do festival C6 no Rock, mas nem por isso menos importante.
É que “Cabeça dinossauro” é um dos títulos mais essenciais da discografia do rock brasileiro em todos os tempos. Trata-se do álbum em que, em estado violência, os Titãs chacoalharam instituições sociais sagradas em músicas de títulos sucintos e autoexplicativos como “Família”, “Igreja” e “Polícia”.
Não menos importante é “Selvagem?”, álbum que o grupo Paralamas do Sucesso revisitará em show que será feito na quarta edição do festival carioca Doce Maravilha – em apresentação agendada para 9 de agosto – antes de chegar ao C6 no Rock.
Terceiro álbum do trio carioca, “Selvagem?” adensou o discurso dos Paralamas com questões sociais, como a dificuldade que desafia a cada dia a fé do povo pobre das comunidades, assunto da grande música do álbum, “Alagados”.
Contudo, a grande marca deixada por “Selvagem?” foi a conexão do rock com a música brasileira e com o reggae. Isso pode até soar banal em 2026, mas em 1986 ainda havia um muro separando a MPB do rock. Os Paralamas do Sucesso ajudaram a quebrar esse muro com “Selvagem?”, com as bençãos de Gilberto Gil, ícone da MPB que, assim como Caetano Veloso, já vinha se conectando com o rock nos respectivos álbuns para não perder o bonde da história.
Segundo álbum da Legião Urbana, “Dois” completa a tríade essencial de álbuns do rock brasileiro em 1986. Legionários sobreviventes, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tocarão no festival o repertório desse álbum em que a Legião Urbana surgiu menos punk e mais melancólica, com ecos do grupo britânico The Smiths (mas com personalidade) em canções como “Tempo perdido”.
Embora produzido sob tensão e pressão para repetir o êxito comercial do antecessor “Legião Urbana” (1985), o álbum “Dois” se revelou um clássico instantâneo do rock brasileiro quando foi lançado com músicas como “Quase sem querer”, “Eduardo e Mônica” – o maior sucesso radiofônico do repertório – e “Índios”, consolidando a trajetória da Legião Urbana e já sinalizando o fervor messiânico com que o público cultuaria a banda brasiliense em movimento alicerçado a partir do quarto álbum do grupo, “As quatro estações” (1989).
Apresentado como mini LP, o primeiro disco da Plebe Rude – outra banda vinda do universo punk de Brasília (DF), tal como a Legião Urbana – tem o merecido status de álbum. Por questões mercadológicas, “O concreto já rachou” chegou somente com sete músicas, suficientes para irradiar a indignação da Plebe contra o sistema. “O concreto já rachou” se revelou disco de alta voltagem política por trazer músicas como “Até quando esperar”, “Minha renda”, “Johnny vai à guerra” e “Proteção”, destaques de repertório contundente.
Segundo álbum da banda paulistana Ira!, “Vivendo e não aprendendo” soa quase como um best of do grupo capitaneado pelo vocalista Nasi e o guitarrista Edgard Scandurra. Músicas então inéditas, como “Envelheço na cidade” e “Dias de luta”, conviviam no álbum com registros de músicas dos primórdios do Ira!, casos de “Pobre paulista” e “Gritos na multidão”.
Contudo, o maior sucesso do álbum “Vivendo e não aprendendo” foi a canção “Flores em você”, veiculada ao longo de 1987 como tema de abertura da novela “O outro”, da TV Globo, com o arranjo de cordas que ecoava influências do som dos Beatles.
Por fim, Paulo Ricardo reavivará no show do C6 no Rock músicas do segundo álbum do grupo RPM, “Rádio pirata ao vivo”, um dos maiores blockbusters do rock brasileiro por conta dos alardeados dois milhões de cópias vendidas nos primeiros meses do LP nas lojas.
O quarteto tinha virado mania naquele ano de 1986, mas, a rigor, o disco ao vivo rebobinava algumas músicas do primeiro e (artisticamente) mais importante álbum do quarteto paulistano de tecnopop, “Revoluções por minuto” (1985), entre abordagens de sucessos do grupo Secos & Molhados (“Flores astrais”) e de Caetano Veloso (“London London”, o grande hit do disco ao lado da então inédita música “Alvorada voraz”).
Avaliados em retrospecto, após 40 anos, os seis álbuns revisitados no festival C6 no Rock configuram um dos conjuntos mais consistentes de lançamentos do rock brasileiro. Nem seria exagero dizer que a fornada de 1986 é a mais importante do gênero no Brasil. E é por isso que, no universo do rock nativo, 1986 é o ano que não terminou…

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Equilibrivm’: as referências religiosas do novo álbum de Anitta e o que elas dizem sobre o Brasil


‘Equilibrivm’: veja as principais referências religiosas do novo álbum de Anitta
“Nem tão enlouquecida, nem tão zen. Nem tão prepotente, nem tão baixo-astral”. É assim que Anitta define seu ideal de equilíbrio.
Depois de convocar um exército de “poderosas” no Brasil e levar o reggaeton ao topo das paradas globais, a artista sintetiza seu novo momento “good vibes” em seu oitavo álbum, “Equilibrivm”, lançado na última quinta-feira (16).
“Ele fala sobre a pluralidade de crenças. De tudo que faz bem para a gente”, diz a cantora. “Mas também tem muito funk. Fé e festa sempre foram celebradas juntas no nosso país”, completou.
O projeto traz referências diretas a orixás do Candomblé, pontos de Umbanda, mantras de meditação budista e símbolos ligados a rituais indígenas.
O g1 conversou com especialistas em história das religiões, antropologia e cultura pop. Também ouviu diretores criativos envolvidos no projeto para entender os conceitos por trás da nova era “equilibrada” de Anitta. Confira a análise abaixo.
Tipografia, capas, ilustrações
A identidade visual do álbum ficou a cargo da Arado, marca mineira que se define como uma “plataforma de pesquisa e divulgação do imaginário rural brasileiro”.
“Ela nos pediu aspectos que representassem as matrizes africanas, mas também o sincretismo religioso brasileiro. O álbum fala sobre a relação entre o sagrado e profano. A fé e a festa”, conta Luís Matuto, diretor criativo da Arado.
Identidade visual do novo álbum de Anitta, ‘Equilibrivm’, feita pela marca brasileira Arado.
Divulgação
O trabalho incluiu as artes de divulgação do disco, as capas dos singles e as ilustrações dos “lyric videos” (vídeos com as letras).
Identidade visual do novo álbum de Anitta, ‘Equilibrivm’, feita pela marca brasileira Arado.
Divulgação
“Em ‘Desgraça’, trouxemos vários elementos do Candomblé, como as figuras do violeiro, do galo de Exu e da encruzilhada”, explicou.
Identidade visual da faixa “Desgraça”, feita pela marca brasileira Arado.
Divulgação
“Já em ‘Caminhador’, das festas populares, como o Caboclo de Lança do Maracatu nordestino e o Bastião, figura que representa o palhaço nas Folias de Reis do Sudeste”, comenta.
Identidade visual da faixa “Caminhador”, feita pela marca brasileira Arado.
Divulgação
O encontro entre a cantora e o estúdio aconteceu de forma inusitada: Anitta ganhou de presente de seu maquiador um calendário da marca com o tema “Rituais Mágicos Brasileiros”, que reúne 12 ritos, práticas e saberes místicos presentes no cotidiano brasileiro, desde amuletos e proteções até sonhos e adivinhações.
A partir dali, ela conheceu o trabalho da plataforma e convidou a equipe para atuar em seu mais novo projeto, que, em alguma medida, retoma o mesmo interesse do calendário: mapear a espiritualidade plural brasileira.
O trabalho foi realizado em duas semanas por Matuto e mais dois designers da equipe.
Clipes divididos em atos
Até o momento, a única faixa do álbum a ganhar um videoclipe oficial foi “Desgraça”.
A produção inaugura uma “narrativa” dividida em quatro atos, que devem ganhar visuais semanalmente até o dia 7 de maio, sob os temas “Despacho”, “Fé e Festa”, “Deus Mãe” e “Renascimento”.
“A música é uma saudação a Exu, quem abre caminhos e conecta mundos. Referenciamos a figura da Pombagira como expressão de poder feminino e autonomia do desejo”, explica Nídia Aranha, diretora criativa do álbum.
Representação da encruzilhada, presente no clipe “Desgraça”, de Anitta
Divulgação
“No clipe acompanhamos uma mulher que está acompanhada por essas entidades da rua que dançam, bebem e celebram com ela”, complementa.
Estão presentes elementos como a jogada de búzios, o galo de Exu e a própria encruzilhada, que representa o ponto de encontro entre o plano físico e o espiritual.
A cenografia é feita também de máscaras do Mestre Zimar, artesão maranhense conhecido por criar figuras inspiradas nos Cazumbás, personagens lúdicos e espirituais do Bumba Meu Boi.
Trechos do clipe de “Desgraça”, da cantora Anitta
Divulgação
A coreografia foi assinada por Cassi Abranches, do Grupo Corpo, que pesquisou gestos de incorporação no Candomblé para compor a movimentação da artista e dos dançarinos.
Letras e samples
Por ora, o projeto possui 15 faixas. Isso porque a cantora já falou publicamente que o álbum lançado nesta semana é apenas a primeira parte.
O disco tem parcerias com diversos artistas, entre eles a banda de reggae Ponto de Equilíbrio e Emanazul, dupla brasileira que define seu som como “música medicina” para “emanar boas ondas sonoras”.
Capa do álbum ‘Equilibrivm’, de Anitta
Divulgação
Nas letras e temáticas, muitas músicas do disco têm menções religiosas e espirituais. Confira as principais referências:
Desgraça: exalta a força da Pombagira. A letra cita as “sete encruzilhadas” e “sete saias”, elementos da Umbanda que simbolizam o poder feminino e a proteção nas passagens da vida.
Mandinga (feat. Marina Sena): utiliza o samba “O Canto de Ossanha” (Orixá das ervas e segredos) para criar uma atmosfera de sedução. A faixa evolui de um estado de “feitiço” para um grito de liberdade contra o condicionamento patriarcal.
Caminhador (feat. Liniker): através do trocadilho “Caminha, com a minha dor”, cantoras celebram a jornada espiritual de quem não para de seguir, transformando cicatrizes em caminho aberto.
Bemba (feat. Luedji Luna): celebra a Bahia como berço da resistência afro-brasileira. Faz referências às oferendas (comidas de santo).
Ternura (feat. Melly): evoca a energia de Oxum, orixá das águas doces e mãe de Logun Edé (orixá da cantora).
Deus Existe (feat. Ponto de Equilíbrio): relato pessoal sobre como a espiritualidade foi a ferramenta de Anitta para encarar as provocações da vida e buscar equilíbrio mental.
Nanã (feat. Rincon Sapiência & King): baseada em “Cordeiro de Nanã” (Os Tincoãs), exalta Nanã de Baruquê, a orixá anciã que moldou a humanidade com o barro.
Choka Choka (feat. Shakira): a entidade Cabocla traz o ensinamento da convivência com a natureza. faz referência ao ritual Kuarup indígena, que celebra a vida e a memória dos mortos.
Meia Noite (feat. Los Brasileros): ode a Exu Mulher, onde a artista assume a voz da própria Pombagira para narrar sua atuação na noite em primeira pessoa.
Ouro (feat. Emanazul): o fechamento do álbum funciona como uma meditação guiada. Utiliza mantras à deusa budista Tara.
Looks e acessórios
Durante sua participação no programa americano “Saturday Night Live”, que foi ao ar em 11 de abril, Anitta utilizou uma espécie de “bracelete” feito de palha-da-costa trançada.
O objeto é um contra-egum: um “amuleto” de proteção fundamental nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.
Cantora Anitta no programa americano Saturday Night Live
Divulgação
Sua principal função é “fechar” o corpo contra energias negativas e de eguns, termo iorubá que designa espíritos de pessoas falecidas que ainda orbitam o plano terreno.
O styling dessa “nova era” da cantora está sendo assinado por André Philipe e Daniel Ueda (como no clipe de “Desgraça”).
Do lado esquerdo, Anitta no clipe de “Desgraça”; do direito, imagens promocionais divulgadas do novo álbum.
Divulgação
Segundo Philipe, a escolha das cores é estratégica: o branco que ela usa na abertura do clipe remete às vestes dos iniciados no Candomblé. Já o vermelho, o dourado e o prata evocam a força e o comando das entidades de rua.
O uso de correntes e vestidos curtos, ainda segundo eles, busca traduzir a imagem de uma mulher latina que é, ao mesmo tempo, “quente, romântica e destemida”.
Anitta em imagens de divulgação do seu novo projeto, Equilibrivm.
Divulgação
Nem primeira, nem a última
Embora o movimento de Anitta chame a atenção pelo alcance que ela possui (o álbum registrou cerca de 8,2 milhões de streams nas primeiras 24 horas), ela não caminha sozinha.
Para Luane Fernandes Costa, pesquisadora de sonoridades afro-indígenas e mestra em Estudos da Mídia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a música brasileira sempre foi um “arquivo vivo” dessas matrizes.
“Em casas de matriarcas como Tia Ciata, percussão, canto e dança serviam tanto ao culto de orixás quanto à festa, formando um espaço de resistência cultural que ainda reverbera hoje na sonoridade nacional”, analisa.
Anitta aparece em meio à natureza nas imagens do vídeo-teaser em que revela os nomes das faixas do álbum ‘Equilibrium’
Reprodução / Vídeo ‘X’ Anitta
Ainda segundo ela, estimativas apontam mais de mil canções na MPB com referências diretas a orixás e entidades, em obras de nomes como Jorge Ben Jor, Clara Nunes, Alcione e o grupo Racionais MC’s.
Anitta frequenta terreiros desde a infância, por influência do pai.
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Sob essa perspectiva, o trabalho de Anitta é visto pela pesquisadora também como um gesto político.
“Ter uma artista com esse nível de visibilidade trazendo pontos de macumba e saberes vitais ancestrais para suas canções ajuda na preservação da nossa própria existência”, finaliza.
Anitta: relembre a relação da cantora com o candomblé e a espiritualidade
De ‘Show das Poderosas’ a mantras budistas
Para Thiago Soares, professor do departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em cultura pop, o mergulho espiritual de Anitta a coloca em uma prateleira ocupada por gigantes.
“Os Beatles tiveram sua era mística com o budismo em ‘Sgt. Pepper’s’; o Brasil viu o Tim Maia Racional e a Madonna nos presenteou com as referências hindus de ‘Ray of Light'”, compara.
Segundo ele, recorrer à espiritualidade após o álbum “Funk Generation” (2024), marcado por críticas à sexualização da cantora, funciona como uma “mudança de eixo” estratégica no debate público.
Embora Anitta não se identifique como uma mulher negra, o professor observa que ela assume um papel de mediadora cultural abrindo novos debates ao pautar estéticas, costumes e crenças de religiões de matriz africana.
Um pouco de Pai Nosso, um pouco de sete ondinhas…
Para o historiador Filipe Domingues, especialista em História das Religiões, o álbum funciona como uma tradução da formação espiritual do Brasil.
Anitta em imagens de ‘Equilibrivm’, disco lançado na última quinta (16)
Divulgação
Ele explica que o sincretismo nacional não foi apenas um “disfarce” usado por escravizados e indígenas para professar sua fé durante a colonização, mas um processo de negociação simbólica e sobrevivência cultural.
“Ao reunir referências afro-brasileiras e indígenas, Anitta recoloca em cena a pluralidade que marcou historicamente a experiência do sagrado no país”, afirma o professor.
A convivência entre o sagrado e o profano, tão presente nas letras, looks, clipes e capas da nova era da cantora, é outra característica histórica destacada por Domingues.
Segundo ele, desde o período colonial, o catolicismo barroco brasileiro já valorizava procissões e expressões públicas de fé, algo que se intensificou com a contribuição dos povos africanos e originários.
“Nesses contextos, o corpo, a música e a dança também são formas legítimas de vivência do sagrado. No Brasil, a festa não é o oposto da religião, mas uma das suas linguagens”, explica.
Anitta em imagens de ‘Equilibrivm’, disco lançado nesta quinta (16)
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Filho de Oscar Schmidt abre acervo inédito e revela detalhes do último ano de vida do pai após câncer no cérebro: ‘não era o mesmo’


Filho de Oscar Schmidt mostra acervo inédito da lenda do basquete
Um dos maiores nomes da história do basquete brasileiro, Oscar Schmidt morreu na última semana deixando uma trajetória marcada por recordes, conquistas e emoção dentro e fora das quadras.
Em entrevista ao Fantástico, o filho Felipe Schmidt abriu as portas do acervo da família e relembrou momentos marcantes da carreira do pai. Ele também revelou detalhes do último ano de vida do ex-atleta, que enfrentava um câncer no cérebro. Veja no vídeo acima.
“No ano passado, descobrimos uma nova massa, ainda muito pequena — um tumor de grau quatro. Imediatamente, decidimos pela cirurgia, junto com meu pai”.
De acordo com o filho, o procedimento trouxe sequelas e impactou significativamente a recuperação.
“Desde então, ele já não voltou a ser o mesmo. A terceira operação foi do outro lado do cérebro, o que dificultou a compensação do organismo e acabou deixando algumas sequelas. Ainda assim, ele estava ali, muito presente”.
Felipe também destacou o papel fundamental da mãe, Maria Cristina, que esteve ao lado do ex-jogador durante todo o tratamento.
“Esse último ano foi muito difícil, principalmente para a minha mãe, que sempre esteve ao lado dele. Foi um período muito duro para ela. E para ele também — dava para ver o quanto estava lutando. Mas é uma doença muito cruel. Muita gente já perdeu alguém para isso e, quando chega nesse estágio, não dá para prever o tempo. Infelizmente, ele faleceu na sexta-feira. Foi muito duro. A gente atravessou esse último ano da forma que foi possível, mas com ele ao nosso lado — e acredito que ele teve uma boa passagem.”
Pesquisa no Japão usa terapia celular e apresenta resultados inéditos no tratamento do Parkinson
Despedida reservada
A família optou por uma despedida íntima, sem cerimônia aberta ao público. Felipe explicou que a escolha foi feita pensando no bem-estar da mãe, diante do desgaste emocional dos últimos anos.
“Sei que muitas pessoas gostariam de se despedir, de dar um abraço simbólico no meu pai e também um abraço em mim e na minha mãe. Quando tudo aconteceu, nos reunimos e percebemos o quanto a minha mãe estava sofrendo. Para ela, seria ainda mais difícil se expor e passar por isso”.
Filho de Oscar Schmidt revela detalhes do último ano de vida do pai após câncer no cérebro: ‘não era o mesmo’
Reprodução/TV Globo
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Fonte: G1 Entretenimento