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Pianista Vitor Araújo une percussão do Nordeste e cordas da Holanda em ‘Toró’, álbum sinfônico que lançará em abril


O pianista e compositor Vitor Araújo lança em 4 de abril o álbum ao vivo ‘Toró’, extraído de filme-concerto gravado em Amsterdam em junho de 2024
Yara Ktaish / Reprodução Facebook Vitor Araújo
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♬ Vitor Araújo lança em 4 de abril o álbum ao vivo “Toró”, registro de show sinfônico que será posto no mercado fonográfico em edição do selo Risco.
A gravação ao vivo de “Toró” foi feita há quase dois anos, precisamente em 12 de junho de 2024, data em que o pianista e compositor pernambucano se apresentou no Holland Festival, em Amsterdam, com a Metropole Orkest, sinfônica holandesa regida pelo maestro norte-americano Jacomo Bairos a partir de orquestrações criadas por Mateus Alves e Felipe Pacheco Ventura com o próprio Vitor Araújo.
Na pauta, temas numerados e apresentados como “Canto” ou “Toque”, tal como Araújo fez há dez anos ao nominar o repertório do álbum “Levaguiã Terê” (2016). O espetáculo foi captado para gerar o que Araújo conceitua como “filme-concerto”.
Do ponto de vista sonoro, o álbum “Toró” se pauta pela conexão das cordas holandesas da Metropole Orkest com a percussão de acento nordestino tocada pela banda integrada por Aduni Guedes, Amendoim, Charles Tixier, Felipe Pacheco Ventura e Mauro Refosco.

Fonte: G1 Entretenimento

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Indústria de novelas do Brasil é o agente secreto por trás de filmes poderosos no Oscar


Atores Danton Mello, à esquerda, e Theresa Fonseca, segunda da direita, se preparam para filmar uma cena da novela A Nobreza do Amor, em um estúdio da TV Globo no Rio de Janeiro, na quinta-feira, 12 de março de 2026. (AP Photo/Bruna Prado)
AP
Atores de Hollywood podem dominar as telas de cinema, como a premiação do Oscar deste domingo (15) deve mostrar. Mas, no Brasil, o caminho para o estrelato muitas vezes começa sob as luzes intensas de um estúdio de TV, e não em um grande set de filmagem.
Desde pelo menos os anos 1960, as telenovelas — séries de TV latino-americanas frequentemente comparadas às soap operas norte-americanas — produzidas pela principal emissora do país, a TV Globo, evoluíram de dramas diários simples para uma indústria multimilionária, com 13 estúdios, três cidades cenográficas, 122 ilhas de edição e alcance semanal de até 60 milhões dos 213 milhões de brasileiros.
Muitos atores brasileiros associados a filmes que disputaram o Oscar — como “A Central do Brasil (1998)”, “Ainda Estou Aqui” (2024) e o indicado deste ano em quatro categorias “O Agente Secreto” (2025) — primeiro se tornaram nomes conhecidos do grande público por meio da TV Globo. Atores como Wagner Moura e Fernanda Torres ganharam ampla visibilidade nacional através das telenovelas.
Em contraste, o Brasil tem apenas cerca de 3.500 salas de cinema, a maioria localizada em grandes cidades, onde blockbusters dos Estados Unidos ocupam lugar de destaque. Isso cria um ecossistema em que o sucesso na TV pode levar a grandes papéis no cinema, que por sua vez retornam às populares telenovelas — e depois novamente aos filmes.
Telenovelas alimentam a fama
Wagner Moura, protagonista de “O Agente Secreto”, atuou na telenovela “A Lua Me Disse” há 21 anos. De forma semelhante, Fernanda Torres, estrela de “Ainda Estou Aqui”, que conquistou o primeiro Oscar para o Brasil na categoria de melhor filme internacional, já era uma atriz muito querida graças a duas grandes séries cômicas da TV Globo que muitos do público consideram telenovelas.
“As telenovelas da TV Globo são fundamentais para a produção audiovisual do Brasil”, disse Amauri Soares, diretor da TV Globo e do Globo Studios, descrevendo-as como “uma plataforma contínua de criação e produção de conteúdo”.
“O Agente Secreto” tem atores e profissionais que trabalharam na TV Globo, que voltarão a trabalhar na Globo, e o próprio filme tem investimento da Globo, apesar de ser independente”, afirmou Soares.
Amauri Soares, diretor da TV Globo
AP/Bruna Padro
A TV Globo exibe três telenovelas simultaneamente, do início da noite ao horário nobre. Elas são produzidas em estúdios no Rio de Janeiro e costumam ficar no ar por seis meses, de segunda a sábado, envolvendo mais de mil pessoas na produção. O capítulo final pode se transformar em um evento nacional de audiência, com bares, restaurantes e academias exibindo os episódios principais.
A indústria exige adaptabilidade. Com alguns capítulos escritos apenas dias antes da exibição, com base na audiência, as telenovelas permitem que os espectadores assumam a cocriação da narrativa. E seu impacto econômico é poderoso: um remake do sucesso “Vale Tudo” teria gerado mais de R$ 200 milhões em publicidade — quatro vezes a bilheteria global de “O Agente Secreto”.
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Dezenas de atores descobertos todos os anos
Todos os anos, a TV Globo recruta até 70 novos atores vindos do teatro, do cinema e de produções regionais. Amauri Soares diz que eles aprimoram suas habilidades durante um ano com equipamentos de ponta e novas técnicas. Depois, muitos partem para outras produções, enquanto alguns permanecem na emissora para séries mais curtas.
Dira Paes, atriz veterana e uma das comentaristas frequentes da TV Globo na noite do Oscar, observa que as indústrias de telenovelas e cinema no Brasil estão cada vez mais interligadas, já que profissionais transitam entre uma e outra para criar — e também ganhar mais dinheiro. Ela esteve recentemente na novela “Pantanal” e no filme “Manas”, elogiado por Julia Roberts e Sean Penn.
“As telenovelas não são apenas sobre audiência, mas também sobre coração e afeto. Quando você faz uma no horário nobre, experimenta o poder de uma nação inteira assistindo. Quando o público ama seu personagem… é uma popularidade muito especial”, disse Paes, estrela de Três Graças, série filmada no Rio de Janeiro, mas ambientada em uma área empobrecida de São Paulo.
A atriz brasileira Dira Paes sorri antes de uma entrevista em um estúdio da TV Globo no Rio de Janeiro, na quinta-feira, 12 de março de 2026.
AP
Maurício Stycer, autor e crítico de cultura televisiva, diz que a desigualdade no Brasil impulsionou canais de TV aberta como a TV Globo de uma forma que reduziu o interesse geral do público pelo cinema. No fim das contas, argumenta ele, isso levou a “um ressentimento do cinema brasileiro por não ter o mesmo alcance das telenovelas”.
TV como “porto seguro” para alguns atores
Stycer acrescenta que muitos atores enfrentam um dilema quase hamletiano sempre que são convidados para uma telenovela.
“Ser popular e ter uma renda garantida todo mês ou correr riscos em uma carreira que envolve teatro e cinema? A TV sempre foi um porto seguro para a maioria dos atores”, afirmou.
Embora outras redes de TV brasileiras tenham tentado desafiar a supremacia da TV Globo no gênero, poucas alcançaram sucesso. Ainda assim, até mesmo as produções da Globo já não são tão dominantes quanto eram até o início dos anos 2010. Executivos da empresa reconhecem que enfrentam concorrência crescente do vídeo por streaming.
Mesmo assim, “a Globo ainda é a maior empresa do Brasil para atores”, disse Stycer. “Até o ano 2000, a Globo sozinha era responsável por cerca de 50% da audiência de TV no Brasil.”
O ator e diretor Lázaro Ramos apareceu pela primeira vez em telenovelas após iniciar sua carreira no teatro e no cinema. Ele afirma que os brasileiros aprenderam a amar tanto as telenovelas quanto os filmes com a mesma intensidade quando conseguem retratar a personalidade alegre — e às vezes sombria — do país.
“Os brasileiros se veem nas telenovelas cada vez mais. Nossos roteiristas consagrados criaram muitas delas baseadas em clássicos da literatura”, disse Ramos. “Elas são um investimento em uma voz nacional por meio de personagens, linguagem e estética com os quais os espectadores se identificam profundamente.”
O ator Lázaro Ramos posa para fotos após uma entrevista no Rio de Janeiro, na quinta-feira, 12 de março de 2026.
AP/Bruna Prado
Ramos — amigo de longa data de Wagner Moura — vai participar do Oscar, mas retornará ao Brasil logo depois para continuar trabalhando em sua nova novela, “A Nobreza do Amor”.

Fonte: G1 Entretenimento

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Com o filho Antonio na banda, Maria Rita estreia o segundo show em que canta o repertório da mãe Elis Regina


Maria Rita estreia o show ‘Redescobrir vol. 2’ no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre (RS)
Reprodução / Vídeo Instagram
♫ NOTÍCIA
♬ Maria Rita canta a mãe na presença do filho. Na estreia do segundo show dedicado pela cantora ao repertório de Elis Regina (1945 – 1982), “Redescobrir vol. 2”, Maria Rita apresentou o filho primogênito, Antonio Baldini, na banda. Com Antonio ao violão, a artista cantou “Corcovado” (Antonio Carlos Jobim, 1960), standard da bossa nova gravado por Elis em 1974 no álbum “Elis & Tom”, feito pela cantora com Tom Jobim (1927 – 1994).
A estreia do show “Redescobrir vol. 2” aconteceu na noite de ontem, 13 de março, em apresentação que lotou o Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre (RS), cidade natal de Elis.
Embora calcado em sucessos como “Maria Maria” (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976), “As aparências enganam” (Tunai e Sérgio Natureza, 1979) e “Como nossos pais” (Belchior, 1976), música já presente em 2012 no roteiro do show original “Redescobrir”, o repertório de “Redescobrir vol. 2” inclui algumas surpresas.
Uma das músicas inesperadas do roteiro de 2026 é “Jardins de infância”, composição de João Bosco e Aldir Blanc (1946 – 2020), lançada por Bosco no álbum “Caça à raposa” (1975) e regravada por Elis Regina no disco “Falso brilhante” (1976), registro parcial (feito em estúdio) do repertório do show também intitulado “Falso brilhante” e estreado por Elis em novembro de 1975.
Contudo, a surpresa maior foi mesmo a presença de Antonio Baldini, de 21 anos, na banda do show em que a mãe volta ao repertório da avó do rapaz. Show que irá gerar turnê pelo Brasil, mas que, por ora, ainda não tem outras datas anunciadas.

Fonte: G1 Entretenimento

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O tour de Wagner Moura: por onde ator passou e o que ele disse durante campanha ao Oscar


O tour de Wagner Moura para a campanha do Oscar 2026
Há dez meses, Wagner Moura iniciou a jornada de divulgação de “O Agente Secreto” como parte da campanha do Oscar.
Tudo começou em maio de 2025, no Festival de Cannes, quando o longa de Kleber Mendonça Filho fez sua estreia. O filme foi aplaudido por cerca de 15 minutos e iniciou sua trajetória de conquistas. Desde então, o filme já ganhou mais de 50 troféus em premiações.
E Wagner… viajou, discursou, dançou, comemorou, levantou estatuetas, ensinou samba e frevo aos gringos, virou nome de coquetel e mostrou que o baiano tem o molho.
O ator foi da França ao Canadá, passou diversas vezes pelos Estados Unidos (onde mora atualmente), desembarcou na Suíça, no Reino Unido, e, claro, no Brasil.
A agenda ficou recheada com compromissos como participações em programas de entrevistas, passagem em tapetes vermelhos, pré-estreias, coletivas de imprensa e outros eventos estratégicos para a campanha do Oscar. O filme concorre nas categorias Ator, Filme, Filme Internacional e Seleção de Elenco.
Wagner Moura no Cinéma Paradiso Louvre
Divulgação
Essa trajetória é importante porque, como os membros da Academia não são obrigados a assistirem a todos os filmes antes da votação, se não houver uma boa divulgação, não há interesse. É fundamental que o filme tenha uma estratégia de divulgação para ter visibilidade.
No tour da campanha, Wagner não esteve presente em todos os eventos, deixando o papel às vezes para o diretor Kleber Mendonça Filho. Mas a cada palco, sofá ou tapete vermelho pelos quais passou, fez questão de enaltecer o Brasil e a cultura brasileira.
O g1 analisou tudo o que Wagner Moura fez para divulgar o filme “O agente secreto” por meio de:
Uma linha do tempo dos compromissos do ator;
O que ele falou por onde passou nos últimos 10 meses.
O tour de Wagner Moura para a campanha do Oscar 2026
Bruna Azevedo/arte g1
Veja o que Wagner Moura falou por onde passou nos últimos 10 meses.
Maio de 2025: O início da corrida ao Oscar
Wagner Moura esteve na première mundial de “O agente Secreto” na 78ª edição do Festival de Cannes, na França. Na ocasião, o filme foi ovacionado por cerca de 15 minutos.
O elenco passou ao ritmo do frevo pelo tapete vermelho, e Wagner mostrou seu molho.
Apesar de participar da festa de estreia do filme, Wagner não esteve presente na sua premiação de Melhor Ator no festival. Havia embarcado para Londres para a gravação de um novo filme.
“Eu queria estar aí com todos vocês, mas estou aqui tomando uma taça de vinho em Londres, sozinho. Não poderia estar mais feliz”, disse o ator em uma ligação de vídeos para Kleber.
“É um momento muito importante da minha vida. Eu vinha tentando trabalhar com Kleber por muitos anos e estou muito feliz em ver como o filme foi recebido. Porque é um filme brasileiro, e isso significa muito para a cultura brasileira.”
Moura ainda celebrou o fato de o filme “ser mais uma peça que aproxima o expectador, os brasileiros em geral, de sua cultura, de seus artistas”.
(Da esquerda para a direita) Roney Villela, a atriz brasileira Hermila Guedes, a atriz portuguesa Isabel Zuaa, o produtor brasileiro Fred Burle, o ator Carlos Francisco, a atriz brasileira Alice Carvalho, a atriz brasileira Maria Fernanda Candido, o ator brasileiro Gabriel Leone, o ator e produtor brasileiro Wagner Moura, a produtora francesa Emilie Lesclaux, o diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho, o coprodutor holandês Erik Glijnis, o ator Roberio Diogenes, a produtora executiva britânica Fionnuala Jamison e o produtor executivo francês Nathanael Karmitz chegam para a exibição do filme “O Agente Secreto” na 78ª edição do Festival de Cinema de Cannes, em Cannes, sul da França, em 18 de maio de 2025.
Antonin THUILLIER / AFP
Julho de 2025: prêmio em mãos
Em julho, Wagner retornou para a França. Desta vez, para participar do festival Cinéma Paradiso Louvre. A estada do ator por Paris também marcou o momento em que ele finalmente recebeu o troféu conquistado em Cannes.
No evento, Wagner não só mostrou seu talento na atuação e na dança, como fez um discurso musicado, entoando versos de “Isto aqui, o que é”.
Agosto de 2025: é do Brasil
Em agosto, Wagner Moura desembarcou no Brasil com parte do elenco de “O Agente Secreto” para uma sessão presidencial do filme.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a Primeira Dama Janja Lula da Silva fizeram uma noite de festa no Palácio da Alvorada em reconhecimento ao cinema brasileiro.
A passagem pelo país foi breve, já que o filme estava no cronograma do festival de Telluride, nos EUA, para sua estreia norte-americana.
Wagner Moura conversa com jornalistas antes da sessão de “O Agente Secreto” no Palácio da Alvorada
Ricardo Stuckert
Setembro de 2025: agenda intensa
Depois da passagem pelos EUA, no festival de Telluride, Moura embarcou para o Canadá. O ator esteve na estreia do filme no Festival de Cinema de Toronto (TIIF). Wagner também participou do evento “Road to the Golden Globes” (“Caminho para o Globo de Ouro”).
O ator fez uma breve passagem pelo Brasil para a noite de pré-estreia do filme no Teatro do Parque, em Recife. De lá, seguiu para o Festival de Cinema de Zurique, na Suíça, onde venceu o prêmio Golden Eye.
Wagner finalizou o mês de setembro no Festival Internacional de Cinema de Nova York.
“É uma honra. É minha segunda vez aqui no festival, estou muito empolgado. Esse é um filme muito especial pra mim. Eu amo o fato de ser um filme bem brasileiro, dirigido por um dos maiores diretores brasileiros”, declarou o ator.
Outubro de 2025: libera o clima de Copa, sim!
Eu outubro, Wagner Moura fez mais uma passagem pelo Brasil. No Festival do Rio, o ator autorizou o “clima de Copa do Mundo” no caso de indicação ao Oscar, fazendo referência ao pedido de Fernanda Torres no ano anterior. A atriz havia pedido para não haver pressão exagerada em cima de “Ainda Estou Aqui”, em 2025.
“Oxente, pode fazer clima de Copa, sim”, disse o ator, liberando a torcida nacional.
No mesmo mês, Moura também passou pela 69ª edição do BFI London Film Festival. “É bonito ver como as pessoas têm orgulho de dizer assim: ‘é um filme brasileiro'”, comemorou o ator, enaltecendo mais uma vez a obra nacional.
Ele ainda retornou ao Brasil para a exibição do filme na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Antes, o ator ainda participou de um evento de divulgação do filme em São Paulo e disse que, com as indicações que o filme vinha recebendo, ele começava a ver “um caminho para o Oscar”.
Novembro de 2025: estreia nacional
Wagner Moura é entrevistado por Kelly Clarkson e cantora diz que ator fica sexy sambando
Reprodução/YouTube
Em novembro, “O agente secreto” fez sua estreia nacional. Wagner passou por Salvador, sua cidade natal, em um evento que aconteceu no Cine Glauber Rocha. Na varanda do prédio histórico, Wagner dançou ao som da música “O baiano tem o molho”, do cantor Kannalha. O hit do verão do artista virou a música que embala a campanha de “O Agente Secreto” e Wagner Moura ao Oscar
Enquanto milhões de expectadores brasileiros assistiam ao filme nos cinemas do país, Wagner embarcava para mais alguns compromissos.
O ator esteve no Governors Awards, cerimônia anual da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (AMPAS) em Los Angeles. E ainda passou por Paris, onde foi capa de algumas revistas.
Em novembro, ele também participou do “The Kelly Clarkson Show” e iniciou a conversa citando o fato de “O agente secreto” ser seu primeiro filme em português após 12 anos. “Isso é insano. É algo tão libertador. Eu não sei por que esperei todos esses anos”, afirmou o ator. O cantor ainda mostrou todo seu molejo sambando no palco do programa.
Dezembro de 2025: breve pausa no tour
Wagner começou o mês de dezembro recebendo mais um prêmio: ele levou o Prêmio de Performance no IndieWire Honors, em Los Angeles, nos EUA.
Dias depois, celebrou a indicação de Melhor Ator ao Globo de Ouro. O filme também foi indicado – e venceu, em janeiro — nas categorias de Melhor Filme de Drama e Melhor Filme de Língua Não-Inglesa no Globo de Ouro 2026.
O ator estava no Aeroporto da Cidade do México junto a Kleber Mendonça Filho quando recebeu a notícia das indicações.
“Muito bonito ver a conexão de um povo com sua cultura, com seus artistas, com sua arte. Fico muito emocionado e muito feliz”, disse o ator na ocasião. Ali ele também anunciou uma breve pausa na campanha ao Oscar, que foi retomada logo no início de janeiro.
Janeiro de 2026: mês sem pausas
Wagner começou o ano com o mês mais movimentado do tour. Logo no início de janeiro, participou do New York Film Critics Circle Awards. Além de sair premiado como Melhor Ator (o longa também venceu como Melhor Filme Internacional), o brasileiro também foi homenageado no cardápio do evento, que trazia um drink especial chamado Wagner Moura-tini.
Durante agradecimento ao prêmio, Wagner afirmou:
“Quero agradecer aos brasileiros, porque durante esse tempo, fascistas perseguiram jornalistas, universidades, artistas, e eles fazem isso de maneira muito eficiente transformando artistas em inimigos do povo à sua maneira populista. E foi lindo ver brasileiros no ano passado torcendo por ‘Ainda Estou Aqui’, torcendo por nós.”
Wagner Moura no Globo de Ouro
Etienne Laurent / AFP
“Nenhum país se desenvolve sem se ver. Temos que nos ver em nossas produções, em nossos filmes, no teatro, o que fazemos em nossa cultura. Isso é para todos os brasileiros que torcem por nós.”
Ele também participou do talk show “Late Night with Seth Meyers”, onde falou de sua carreira. Foi lá que ele também relembrou o motivo de não estar presente na premiação de Cannes. O ator havia sido escalado para uma diária extra do filme que estava gravando em Londres.
“Eu não podia simplesmente dizer: ‘Não posso ir, talvez eu ganhe um prêmio em Cannes!’, e apenas aceitei […] Eu estava me preparando para gravar, e um amigo me ligou em vídeo. Ele começou a mostrar Kleber Mendonça Filho e falou: ‘Você venceu!’. Na sequência me chamaram para a cena, e eu não podia falar que tinha ganhado o prêmio porque não conhecia ninguém. E a cena em questão era só eu pegando o cocô de um cachorro.”
Ainda em janeiro, o ator esteve na Tea Party do Bafta, em Los Angeles. O evento é um esquenta da premiação, que aconteceu em fevereiro.
Dias depois, Wagner recebeu mais um prêmio. Desta vez, como Melhor Ator em filme de drama no Globo de Ouro. O filme também venceu na categoria de melhor filme em língua não-inglesa.
“Meus colegas indicados, vocês são atores extraordinários, eu compartilho esse prêmio com vocês. Kleber Mendonça Filho, irmão, você é um gênio e eu agradeço por isso e por muitas outras coisas”, agradeceu Wagner no palco.
“O agente secreto é um filme sobre memórias – ou a falta de memória — e o trauma geracional. Eu acho que se o trauma pode passar de geração para geração, valores também podem. Para aqueles que estão seguindo seus valores em momentos difíceis, para nossos filhos, para nossa vida juntos, pra todo mundo no Brasil assistindo isso agora. Viva o Brasil, viva a cultura brasileira.”
Dias após a premiação, Wagner estava no sofá do “The Drew Barrymore Show”. Por lá, não falou apenas sobre o filme, mas também do desafio de ser pai de três adolescentes. “Ser pai é o que define principalmente a minha vida. Ser artista também, mas ser pai está acima de tudo. E é uma aventura. Você comete erros, diz coisas que não deveria ter dito, toma decisões que não deveria ter tomado. O que aprendi é que temos de nos perdoar.”
No final do mês, Wagner recebeu a notícia das indicações do filme ao Oscar no local que melhor representa sua fase de campanha: no avião. O preparador de elenco Leonardo Lacca foi o responsável por atualizar o ator. E contou o que ele disse na ocasião: “Léo, você é sempre o arauto das notícias incríveis quando estou em situação de não poder comemorar e abraçar ninguém”.
Além das premiações, o ator também participou do podcast The Hollywood Reporter’s Awards Chatter.
Em um dos trechos da entrevista, ele falou sobre seu diferencial em filmes internacionais. “Eu sempre me senti muito brasileiro. E acho que é isso que me faz diferente e talvez especial para um filme, é o fato de eu não ser daqui. Eu trago minha cultura. E eu nunca entendi atores que tentavam perder seus sotaques. Eu sou um ator brasileiro e eu represento um monte de gente que vive aqui nesse país e fala com sotaque.”
Fevereiro de 2026: sprint final
Foto oficial dos indicados ao Oscar
Richard Harbaugh / The Academy
No início de fevereiro, Wagner participou do almoço dos indicados ao Oscar e posou com todos para a tradicional foto.
No mesmo mês, esteve no Santa Barbara International Film Festival, onde recebeu o Virtuoso Award. Durante entrevista na premiação, ele foi questionado sobe o fato de ser o primeiro brasileiro indicado ao Oscar.
“Claro que estou muito feliz e honrado. E realmente espero que isso abra espaço pra que isso aconteça não só com brasileiros, mas com atores sul-americanos. Temos atores incríveis na Argentina, Peru, Chile, Bolívia, Colômbia, Venezuela. E também sinto que este é um bom momento para isso. Acho que a Academia está cada vez mais aberta”, disse.
O ator seguiu nos Estados Unidos para o Spirit Awards, premiação do cinema independente. E no mesmo mês, ainda voou para Londres, para participar do Bafta. Mas o longa não venceu as categorias nas quais estava indicado.
Mas foi lá que Wagner falou sobre os meses em campanha do filme.
“Tem sido extraordinário. Estamos nessa jornada desde maio, desde Cannes, e estamos muito emocionados por toda a atenção que esse filme vem recebendo desde que foi lançado. E agora com o Oscar, com o Bafta. Isso não acontece o tempo todo. Então estamos muito animados. Estamos muito emocionados por estar com esse filme falado em português. É um filme muito brasileiro.”
Março de 2026: só acaba quando termina
Às vésperas da premiação, Wagner Moura participou do talk show americano “Jimmy Kimmel Live!”.
O ator levou um pouco da cultura nacional ao programa e apresentou os bonecos gigantes de Olinda. “É um boneco gigante, algo muito tradicional no carnaval. O carnaval é muito importante no Brasil e isso é em Olinda, onde eles têm a tradição de fazer esses bonecos gigantes”, disse.
Ele ainda brincou sobre a possibilidade de levar a alegoria ao Oscar: “Vou tentar”.
Dias antes da grande festa do Oscar, foi ao ar uma entrevista de Wagner com a influencer Amelia Dimoldenberg. A gravação aconteceu em fevereiro, no tradicional almoço em homenagem aos indicados.
Wagner falou sobre a carreira, o Brasil, a dieta vegana que fez após “Narcos” e o carnaval — mais uma vez, enaltecendo a cultura nacional.
“É uma coisa tão libertadora. As pessoas esperam o ano inteiro pelo carnaval no Brasil. O ano só começa depois do carnaval. É uma época incrível, em que você encontra pessoas que vê em situações formais, como um gerente de banco, em um outro tipo de interação.”
Wagner Moura apresenta bonecos gigantes do Olinda no ‘Jimmy Kimmel Live!’
Reprodução/YouTube

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Tem sido bonito ver pessoas falarem do Brasil’: Wagner Moura destaca repercussão internacional de ‘Agente Secreto’


Wagner Moura destaca repercussão internacional de Agente Secreto após Oscar
O Brasil volta a disputar o principal prêmio do cinema mundial neste domingo (15). O filme “O Agente Secreto” concorre ao Oscar com quatro indicações e tem chamado atenção de plateias internacionais ao retratar aspectos da cultura e da história brasileira.
Em meio a uma agenda intensa de entrevistas pelo mundo, o diretor Kleber Mendonça Filho e o ator Wagner Moura receberam o Globo Repórter em Londres para uma conversa exclusiva.
Segundo Moura, o interesse internacional pelo filme mostra como o cinema pode funcionar como uma ponte cultural.
“Eu cresci vendo cinema americano. Então, meu entendimento do que os Estados Unidos são tem a ver com os filmes que eu vi. Tem sido muito bonito ver as pessoas falando do Brasil a partir desse filme, desde o que era a ditadura militar no Brasil até ‘a perna cabeluda’. São dados da cultura e da história do Brasil sendo exportados. ”, afirmou o ator.
A produção reúne referências locais e, ao mesmo tempo, tem conquistado espaço fora do país. A história ambientada em Recife coloca a capital pernambucana no centro da narrativa e ajuda a projetar paisagens brasileiras no circuito internacional do cinema.
Para Kleber Mendonça Filho, contar histórias a partir da própria realidade é essencial para que um país se reconheça nas telas.
“O cinema, a televisão e as séries são uma maneira muito forte de contar histórias. É essencial que um país consiga se ver, se ouvir e reconhecer histórias que fazem parte de quem somos”, disse o diretor.
No filme, Recife não aparece apenas como cenário, mas como parte central da trama. A narrativa destaca contrastes sociais da cidade, como a proximidade entre áreas periféricas e prédios de luxo.
“Eu sou fã do cinema dos filmes que fazem a gente mergulhar naquele universo e acreditar que a gente mora nele. E, para o ator, é um barato estar ali. num senso de realidade muito potente”, comentou Wagner Moura.
Às vésperas do Oscar, Wagner Moura recebe Globo Repórter
Reprodução/TV Globo
Veja a íntegra do programa no vídeo abaixo:
Confira as últimas reportagens do Globo Repórter:

Fonte: G1 Entretenimento

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BTS revela capa de ‘Arirang’, disco de retorno após hiato de 4 anos


BTS revela capa de ‘Arirang’, 1º álbum após retorno do grupo
Divulgação
A Big Hit Entertainment anunciou, nesta sexta-feira (13), a capa do disco “Arirang”, do BTS. O álbum será lançado no dia 20 e será o primeiro disco de inéditas do grupo desde “Map of the Soul: 7”, de 2020.
A banda estava em pausa desde 2022, enquanto cada um de seus sete integrantes prestava o serviço militar obrigatório. “Arirang” é descrito como um “agradecimento especial” aos fãs pela fidelidade do grupo por esse período.
“Transcendendo o tempo e as gerações, a canção há muito tempo é associada a emoções de conexão, distância e reencontro”, diz um comunicado de imprensa divulgado pela empresa Big Hit, que administra o BTS.
O disco é descrito como “uma obra profundamente reflexiva” que explora a “identidade e as raízes” dos integrantes.
A primeira apresentação ao vivo do grupo após o retorno será exibida na Netflix no dia 21 de março. Além do show, a plataforma lança no dia 27 de março o documentário “BTS: O Reencontro”, que mostra o processo de criação do novo disco.
Na turnê de “Arirang”, o grupo fará três shows em São Paulo, nos dias 28, 30 e 31 de outubro.
Fãs do BTS já acampam na Zona Sul de SP por ingressos de show

Fonte: G1 Entretenimento

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Rapper Evylin versa com Urias e Majur no primeiro álbum, ‘Vênus em Áries’


A rapper baiana Evylin lança o primeiro álbum, ‘Vênus em Áries’, na próxima sexta-feira, 20 de março
Edgar Azevedo / Divulgação
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♬ Cinco anos após apresentar o primeiro single, “Sacode” (2021), a rapper soteropolitana Evylin dispara na próxima sexta-feira, 20 de março, o primeiro álbum, “Vênus em Áries”, após participações nas edições de 2021 e 2024 do festival Afropunk Bahia.
Com seis convidados e dez faixas gravadas com produção musical de Raonir Braz, o álbum “Vênus em Áries” gravita em torno do rap com trânsito por gêneros como dancehall, trap, house e detroit.
Evylin parte de dois conceitos básicos, astrologia e mitologia grega, para abordar temas como desejo e protagonismo negro entre samples de músicas baianas, reflexos da origem da artista de Salvador (BA).
“O álbum é um manifesto de intensidade, desejo e protagonismo. A figura de Vênus encontra o fogo de Áries para construir uma dramaturgia que atravessa música, performance e estética. É sobre prazer, conquista, desejo e poder”, teoriza Evylin.
Precedido pelo single “Olho de peixe” (2025), lançado em maio do ano passado, o álbum “Vênus em Áries” traz Urias na faixa “Malandrinhas”, Majur na música “On point”, Bruno Koz em “Negro freaky” e Carlos do Complexo e Dione em “Perfect 10’s”.
Capa do álbum ‘Vênus em Áries’, de Evylin
Edgar Azevedo com direção criativa de Gil Alves e Evylin

Fonte: G1 Entretenimento

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‘League of legends’ e outros games da Riot passam a ser bloqueados para menores de 18 anos no Brasil


‘League of legends’ vai passar a ser bloqueado para menores de idade no Brasil
Divulgação
“League of legends” (“LoL”) e outros games da Riot passam a ser bloqueados para menores de 18 anos no Brasil a partir desta segunda-feira (16). A medida é uma resposta a novos requisitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), segundo a empresa.
Além de “LoL”, os jogos afetados são:
“Teamfight Tactics”
“League of Legends: Wild Rift”
“2XKO”
“Legends of Runeterra”
A exceção é “Valorant”, que começa a exigir autorização dos pais para que jogadores com idades entre 12 e 17 anos possam acessar o game.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Procurada pelo g1, a Riot não explicou a diferença do jogo de tiro para os demais até a publicação desta reportagem.
Maiores de 18 anos precisarão verificar a idade ao fornecer CPF, ou número de cartão de pagamento, ou escaneamento de RG ou estimativa facial.

Fonte: G1 Entretenimento

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Veja a primeira imagem da atriz Alice Carvalho caracterizada como a jogadora Marta


Veja a primeira imagem da atriz Alice Carvalho caracterizada como a jogadora Marta
Jonas Lawes/Divulgação/Conspiração Filmes
A atriz Alice Carvalho interpretará a jogadora Marta nos cinemas. Dirigido por Andrucha Waddington, o filme terá cenas rodadas na Europa e acompanha a trajetória de superação da atleta desde sua chegada à Suécia, destacando o enfrentamento do frio, do preconceito e das dificuldades que precisou vencer até se tornar a única mulher a conquistar seis vezes o prêmio FIFA de melhor jogadora do mundo. A produção ainda não tem título nem data de estreia.
Paralelamente, Alice Carvalho integra o elenco de “O Agente Secreto” e vai acompanhar com expectativa o Oscar 2026, no próximo domingo (15).
O longa concorre em quatro categorias (Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Seleção de Elenco) e iguala o recorde de indicações de Cidade de Deus, em 2004.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Músicas de Caetano Veloso, Sérgio Sampaio e Roberto Carlos embalam o auto tropicalista do Grupo Maria Cutia


O Grupo Maria Cutia de Teatro encena a peça ‘O auto da Compadecida’ com direção de Gabriel Villela
Tati Motta / Divulgação
♫ CRÍTICA DE COMÉDIA MUSICAL DE TEATRO
Título: O Auto da Compadecida
Texto: Ariano Suassuna
Direção: Gabriel Villela
Elenco: Grupo Maria Cutia de Teatro
Cotação: ★ ★ ★ ★ ★
♬ Em 1955, quando Ariano Suassuna (1927 – 2014) escreveu “O auto da Compadecida”, peça mais famosa da obra teatral do escritor paraibano, Caetano Veloso, Sérgio Sampaio (1947 – 1994), Roberto Carlos e Zeca Baleiro eram quase todos adolescentes (Baleiro nem era nascido) e nem imaginavam que, anos depois, se firmariam como cantores e compositores de música popular brasileira.
Pois músicas de autoria destes quatro artistas são cantadas e tocadas ao vivo pelos atores do Grupo Maria Cutia de Teatro ao longo da inebriante encenação do texto farsesco de Suassuna pela companhia mineira de teatro em montagem que marca a estreia do Maria Cutia no Rio de Janeiro (RJ) – em cartaz de quinta-feira a domingo, até 29 de março, na arena do Sesc Copacabana – após inacreditáveis 20 anos de existência do grupo sem se apresentar em palcos cariocas.
Quem costura a dramaturgia de “O auto da Compadecida” com os sucessos de Caetano Veloso, Roberto Carlos, Sérgio Sampaio e Zeca Baleiro é Gabriel Villela, extraordinário diretor mineiro que, na primeira parceria com o conterrâneo grupo Maria Cutia, acentua a mordacidade do texto de Suassuna com evocações do cenário político da atualidade enquanto carnavaliza a cena com o canto de músicas como a marcha “Alegria alegria” (Caetano Veloso, 1967), “Tropicália” (Caetano Veloso, 1968) – com pequenas alterações na letra para aludir à personagem-título Nossa Senhora Compadecida (Mariana Arruda) – e a marcha “Eu quero é botar meu bloco na rua” (Sérgio Sampaio, 1972), esta cantada na abertura e no fecho folião do espetáculo, com o público indo atrás dos atores como se seguisse um bloco.
Com as cores e a estética visual barroca característica das encenações de Gabriel Villela, o Grupo Maria Cutia de Teatro se agiganta na cena tropicalista em que sete atores – Leonardo Rocha (João Grilo), Hugo da Silva (Chicó e Severino do Aracaju), Mariana Arruda (Mulher do Padeiro e Nossa Senhora Compadecida), Dê Jota Torres (Palhaço, Padeiro e Manuel – Nosso Senhor Jesus Cristo), Thiago Queiroz (Sacristão), Marcelo Veronez (Padre João e o Diabo) e Polyana Horta (Antônio Morais e o Bispo) – se revezam com habilidade na interpretação dos 13 personagens do auto de Suassuna.
Estreada em 2019 na Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto (SP), a montagem de “O auto da Compadecida” é encantadora e segue viva após seis anos em cartaz por festivais de diversas regiões do Brasil. Em estado de graça, o elenco valoriza a cena, o texto (ainda atual diante da notória hipocrisia nacional) e as músicas.
Se a nordestinidade da farsa de Suassuna é acentuada pelo canto de “Carcará” (João do Vale e José Cândido, 1964), feito com trejeito que evoca Maria Bethânia (intérprete que consagrou a música em 1965 no espetáculo “Opinião”), a moralidade cristã do texto justifica as lembranças do spiritual “Jesus Cristo” (Roberto Carlos, 1971) – cujo ritmo é marcado pelas palmas do público – e de “Heavy metal do Senhor” (Zeca Baleiro, 1997).
O baioque de Baleiro tem verve que se afina com o espírito crítico da obra de Suassuna, cuja picardia é realçada pela direção de Gabriel Villela nesse encontro extremamente feliz do encenador com o Grupo Maria Cutia de Teatro.

Fonte: G1 Entretenimento