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Eu não faço música que dá para fazer dancinha, diz Ananda antes de estreia no Rock in Rio


Ananda se prepara para subir ao palco Supernova do Rock in Rio.
Tom Morais.
Não tinha como ser muito diferente para Ananda. Neta do percussionista Bola Morais, integrante dos Novos Baianos, e filha do percussionista e produtor Tom Morais, ela cresceu arrodeada por música.
Bem novinha, aos 12 anos, começou a se aventurar postando covers na internet, ainda na época do Musical.ly, antecessor do TikTok. Entre os primeiros vídeos, estava uma versão de “Ela Só Quer Paz”, de Projota. De lá para cá, as coisas ficaram sérias.
Seu primeiro lançamento foi “Portugal”, em parceria com Kawe, quando tinha 16 anos. A faixa ultrapassou 60 milhões de reproduções no Spotify.
Em março de 2023, Ananda lançou o EP “Todas pra você que me fez sofrer”, com quatro faixas. Em 2024, apresentou seu primeiro álbum, “Cosmos”, com 10 músicas. Seu lançamento mais recente foi “te traindo com você”, em agosto de 2026.
Já com uma carreira estabilizada na música, Ananda chega ao Rock in Rio para se apresentar no palco Supernova, em 11 de setembro, por volta das 18h, em um line-up formado exclusivamente por mulheres (Muse Maya, Isa Buzzi, NandaTsunami e ela).
“Por ser um festival com muitos artistas, o maior objetivo é fazer as pessoas pararem, me ouvirem, e lembrarem das minhas músicas. Mas independentemente do número de pessoas, eu vou fazer o meu show. Estou indo para me divertir”, comentou ao g1.
Ananda se prepara para subir ao palco Supernova do Rock in Rio.
Tom Morais
Ela diz que gosta de cantar e escrever sobre seu processo de amadurecimento frente à vida. Confessa ter uma melancolia guardada.
Seu trabalho costuma passear pelo pop e pela nova MPB e já rendeu parcerias com artistas como Supercombo, Clau, Day Limns, Mariana Aydar, Joyce Alane e Clarissa. Fã declarada de funk, ela prefere não se definir dentro de um gênero musical.
A artista paulistana de 23 anos soma cerca de 9,4 milhões de seguidores no TikTok e 7,1 milhões no Instagram. Por lá, costuma compartilhar a rotina como artista, os ensaios, os processos criativos de composição. No Spotify, acumula 1,2 milhão de ouvintes mensais, a maioria concentrada em São Paulo.
Ao g1, ela fala sobre a família de músicos, o começo na internet, a pressão para viralizar e a preparação para o show no Rock in Rio. Confira:
Agora no g1
g1 — Você começou na internet muito nova, em 2016. Como a música entrou nessa história?
Ananda — Eu sempre fiz um pouco dos dois. Comecei postando vídeos variados, porque não tinha muito objetivo de fazer alguma coisa com aquilo. Até que o vídeo que foi melhor, que realmente me fez pensar “acho que dá para fazer alguma coisa”, foi cantando, um cover, no Musical.ly. Postei esse vídeo, as pessoas reagiram bem, mostrei para o meu pai e ele falou: “Nossa, você está cantando bem, afinada”. Foi daí que partiu isso.
g1 — E como a criação de conteúdo e a carreira de cantora foram se encontrando?
Ananda — Sempre foi muito unido. Eu sempre fui conhecida como uma criadora que cantava, porque, como não tinha minha música ainda, era sempre essa questão do cover. Eu era muito nova e tinha que conciliar com a escola, então eram os dois mundos ali. Eu contava histórias, dublava, atuava, fazia covers. Sempre tinha a ver com esse lado artístico.
g1 — Quando veio a virada para a carreira de cantora?
Ananda — Foram uns três anos fazendo cover na internet até decidir fazer minha própria música. Em 2019, lancei minha primeira. Na verdade, foi um feat, “Portugal”, que até hoje é a minha maior música. Ela estourou e ficou gigantesca. Depois comecei a lançar minhas músicas sozinha. Aí veio essa virada de ser cantora, porque você precisa ter seu lançamento para virar cantora.
g1 — E quando você começou a se encontrar como compositora?
Ananda — Nas primeiras músicas, principalmente as mais antigas, elas nem têm tanto a minha cara porque eu ainda não escrevia. Eu sempre gostei de contar histórias, sempre fui muito envolvida com séries, filmes e livros. A narrativa sempre me encantou muito. Comecei a escrever mais ou menos em 2020, um ano depois de começar a lançar as músicas. No começo, precisava de ajuda para criar uma melodia ou alguma coisa assim, porque escrever um texto ou um poema é diferente de escrever uma música. Mas fui me encontrando.
g1 — Suas letras costumam falar sobre relacionamentos, vulnerabilidade e saúde mental. Por que você gosta de escrever sobre esses temas?
Ananda — Sempre gostei de escrever essa parte mais vulnerável da vida, de dissertar sobre sentimentos e falar até das coisas que as pessoas não gostam de falar. Seja no amor, seja sobre saúde mental, seja sobre se encontrar ou estar perdido. Acho que as músicas seguem o mesmo caminho que a minha vida. Tenho 23 anos, então cada ano muda muito. Acho que as músicas imprimem muito isso também. Elas foram ficando mais maduras, mas também com esse quê de autoconhecimento.
g1 — Seu pai é músico e hoje trabalha com você. Como funciona essa parceria?
Ananda — Meus pais trabalham comigo no campo geral, de publicidade e tudo mais. Eles são meio que meus assessores, pessoas de confiança em todas as áreas. Meu pai também trabalha comigo na música. Está sempre comigo, principalmente na produção das músicas. Ele assina as produções e fazemos tudo juntos no estúdio, com meu produtor. Às vezes, ele também participa das composições.
g1 — Fica estranho em algum momento compor com o pai sobre temas tão íntimos?
Ananda — Acho que a gente sai um pouco dessa nossa casca de pai e filha. Vira mais uma parceria. Eu acabo guiando porque sei a história que quero contar e tenho a idade que tenho, então sei o que quero falar para o público. Mas acho importante também ter a opinião de outras pessoas. Se eu fico muito “eu, eu, eu”, as coisas acabam seguindo um caminho parecido, porque a gente fica condicionado às nossas referências.
g1 — E ser neta de quem você é certamente te influenciou a seguir na música, né?
Ananda — Não sei se influenciou a começar a cantar na internet, porque, como falei, foi uma coisa muito do nada. Meus pais sempre foram muito “faz o que você quiser” e nunca me colocaram em um caminho exato. Acho que tem uma influência subconsciente, porque não tem como: meu avô, meu pai e, no fim, eu também. Alguma coisa aconteceu ali.
g1 — Quais artistas estão no seu fone hoje e quais são suas referências?
Ananda — Nunca fui uma pessoa muito fã de um artista específico. Sempre ouvi muita coisa, porque em casa sempre me apresentaram muita música, principalmente MPB. Meu avô era percussionista, então sempre teve muita música brasileira na minha casa. Eu gosto muito de prestar atenção na letra e na composição. No Brasil, amo Marisa Monte. Gosto do jeito que ela escreve, porque é simples, mas muito profundo. Tim Bernardes também. De fora, tenho ouvido muito Lizzy McAlpine. Acho ela incrível e bem melancólica, como eu.
g1 — Você sente que a história de uma música é mais importante do que o gênero dela?
Ananda — Total. Nas minhas músicas, a história lidera mais do que o gênero. Por isso acabo permeando muitos gêneros diferentes. É difícil para mim me colocar numa caixa, porque sinto que cada letra pede um sentimento. Eu me encontrei muito nisso.
g1 — Seu público também foi amadurecendo junto com você?
Ananda — Sinto que foi mudando. Na maioria, é muito da minha faixa etária. Eu sou, com certeza, o meu público-alvo.
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g1 — Como você faz se divide entre a face cantora e a criadora de conteúdo?
Ananda — A internet é uma ferramenta muito poderosa para divulgar as músicas. E eu sou a Ananda cantora, assim como sou a Ananda criadora de conteúdo e a Ananda aqui com você. Não sinto que tem tanta diferença, porque foi um caminho que decidi seguir. Gosto de ser verdadeira, é o jeito que consigo lidar com as coisas. Eu me encontrei muito contando histórias e gosto de fazer isso nos meus conteúdos também. Faço muitos conteúdos com textos meus, que seguem o mesmo caminho que uso para fazer as músicas. Então sinto que eles andam juntos.
g1 — E quais são hoje as maiores dificuldades dessa carreira de artista?
Ananda — Acho que é tudo. É converter essas pessoas que já me seguem para ouvirem as músicas, porque são públicos diferentes. E show é uma questão de tirar as pessoas de casa. Não é algo simples para ninguém. Então acho que também é uma questão de ir construindo. É um trabalho muito de tijolinho. Tudo na minha vida sempre senti que foi criado com uma base forte. Então acredito muito em construir uma comunidade de pessoas que gostam de mim.
g1 — Você pensa em viralizar quando compõe?
Ananda — Nunca fiz uma música pensando “essa aqui, essa parte vai ser muito viral”. Tenho uma música que tem um minuto e pouco, que é uma ligação de telefone, “Desculpa Te Ligar Assim”. Nem achei que fosse dar em nada, porque é muito curta. Era mais para completar meu EP e contar uma história. E ela virou uma das maiores músicas que tenho, uma das mais amadas no show. A galera gosta muito de cantar. Então acho que é sobre criar a sua verdade, dentro do possível, porque a gente ainda trabalha e precisa pagar as contas.
Ananda, cantora e youtuber, se apresenta no palco Supernova e em uma tenda promocional
Reprodução/Instagram da cantora
g1 — Você acha que não ter uma música pensada para dancinha dificulta chegar ao público?
Ananda — Com certeza fica mais difícil das pessoas criarem conteúdo. E acho que isso é muito importante, não só para você divulgar, mas para o público abraçar isso também. Essas coisas virais funcionam muito, mas não tem muito o que fazer. Eu não faço música que dá para fazer dancinha pelo estilo musical mesmo. Dá um medo, porque no Brasil, se você pega o Top 50, é sertanejo ou funk. Mas também acredito muito que, quando a música é para ser, ela vai.
g1 — E agora vem um momento enorme: o Rock in Rio. Como foi receber esse convite?
Ananda — Foi muito legal o convite. Não esperava. Existem muitos artistas no mundo, muitas pessoas talentosas. Então ter sido chamada e poder cantar lá já é incrível para mim.
g1 — Você vai se apresentar no dia 11, em um line-up só de mulheres. O que significa estar nesse palco?
Ananda — Acho que vai ser um ótimo dia, com um público muito legal. Mas não é um show meu, então nunca é garantido que vão ter pessoas suficientes ali cantando. Só que ter pessoas é sempre o suficiente, independentemente do número. Eu vou fazer o meu show. Meu show é às seis e acho que vai ser um bom horário.
g1 — Como está a preparação para o show?
Ananda — Já estou tendo vários ensaios. É bom que já é um setlist que montei e que conheço. Tem só duas músicas mais novas. Lancei uma recentemente e vai ter uma inédita também, porque estou vindo com um projeto. Quero aproveitar para poder cantar essa música. O restante são músicas com as quais já tenho familiaridade.
g1 — Como você pensou o repertório para um festival?
Ananda — Dei preferência às músicas que a galera gosta bastante. Por ser um festival, acho que o maior objetivo é as pessoas ouvirem, pararem, lembrarem talvez da música e gostarem do show. Mas estou indo para me divertir, principalmente. É um show com banda. Eu sempre faço com banda, mas sou só eu. Não tenho dançarina ou algo do tipo. Já fiz de vários formatos, inclusive show acústico, só eu e um violão. Mas esse tem baterista, baixista, guitarrista, tecladista. É bem completão mesmo.
g1 — Depois de tantos anos entre a internet e a música, o que você sente que está construindo?
Ananda — Acho que estou construindo a minha verdade. É um trabalho de tijolinho em tijolinho. Você está sempre lançando aquilo em que mais acredita, com toda a fé, e às vezes não vai. Então também é saber lidar com as frustrações. É um aprendizado a cada dia. Não tem receita de bolo. Mas estou fazendo e acho que está rolando.

Fonte: G1 Entretenimento

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Quem é Duane Davis, declarado culpado pelo assassinato do rapper Tupac Shakur há 30 anos (e o papel de um livro na condenação)


Duane Davis foi declarado culpado pelo assassinato de Tupac Shakur, mas disse que vai recorrer da decisão
Getty Images/BBC
Duane Davis sugeriu várias vezes que poderia ter estado envolvido no assassinato do rapper Tupac Shakur, ocorrido em 7 de setembro de 1996.
Ele fez isso falando a investigadores da polícia em 2008 e 2009 e, posteriormente, quando publicou um livro sobre sua vida em 2019, intitulado Compton Street Legend.
Nele, afirmou: “Sou uma das poucas testemunhas vivas do assassinato de Tupac”.
Essas foram algumas das evidências apresentadas pelos promotores responsáveis pela acusação contra Davis, que se tornou nesta segunda-feira (31/08) a primeira pessoa condenada pelo assassinato de Tupac, 30 anos após o crime que marcou a história do hip-hop nos EUA.
Davis, que se declara inocente, está preso desde setembro de 2023.
Davis foi preso em 2023 pela polícia de Las Vegas
Getty Images/BBC
Em junho, um juiz permitiu que tanto o livro quanto uma série de depoimentos que Davis concedeu à polícia em 2008 e 2009, sob um acordo de confidencialidade, fossem usados ​​no julgamento, que começou em 17 de agosto.
A defesa de Davis tentou impedir o uso do livro como prova, argumentando que muitas partes haviam sido “ficcionalizadas” para vender exemplares e que é impossível determinar o que é real e o que não é.
Mas um juiz considerou que Davis havia assumido todas as declarações do livro como suas e afirmado em várias ocasiões no texto que estava dizendo a verdade. O magistrado, então, aceitou o livro como prova.
Davis, de 63 anos, disse ao final do julgamento que vai recorrer da decisão. O juiz explicou que isso só poderá acontecer depois de o tempo e as condições da sentença serem determinados pela Justiça, o que deverá ocorrer em 13 de outubro.
Uma das possibilidades é que ele seja condenado à prisão perpétua sem direito a liberdade condicional.
O crime
O assassinato de Tupac Shakur abalou o mundo da música na década de 1990
Getty Images/BBC
Na década de 1990, as rivalidades entre gangues permeavam o mundo do rap.
Os confrontos entre os grupos que dominavam Los Angeles na época (os Bloods, frequentemente identificados pela cor vermelha; e os Crips, identificados pelo azul) transbordaram para as ondas do rádio e se tornaram uma rivalidade nacional entre o rap da Costa Leste e o da Costa Oeste dos EUA.
As duas gravadoras que melhor representavam essa rivalidade eram a Death Row Records, de propriedade do empresário Suge Knight — cuja gravadora contava com estrelas como Tupac, Snoop Dogg e Dr. Dre —; e a Bad Boy Records, de propriedade de Sean Diddy, com estrelas como The Notorious B.I.G. e Faith Evans.
A fatídica noite começou quando Tupac e Knight assistiram a uma luta de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon no MGM Grand em Las Vegas.
Depois da luta, câmeras de segurança de um hotel registraram Tupac e membros de seu grupo — que, segundo a polícia, tinham ligações com a gangue de rua Mob Piru Bloods — agredindo um homem chamado Orlando Anderson, suposto membro da gangue South Side Compton Crips.
Cerca de três horas após a agressão, Tupac estava no banco do passageiro do BMW do empresário Suge Knight em Las Vegas quando um Cadillac branco parou ao lado e abriu fogo.
Tupac foi atingido por quatro tiros e morreu seis dias depois.
As confissões de Davis
O promotor Binu Palal argumentou que Davis confessou seu envolvimento em diversas ocasiões
Getty Images/BBC
De acordo com a declaração inicial do promotor Binu Palal ao júri, Davis — que foi líder da gangue South Side Compton Crips — falou pela primeira vez sobre seu envolvimento no assassinato em 1998, em um caso não relacionado ao de Tupac.
A polícia decidiu interrogá-lo após o assassinato de Notorious B.I.G., o famoso rapper da Costa Leste que morreu de maneira semelhante à de Tupac, em 1997.
Mas Davis, por não ter informações sobre o caso de Notorious B.I.G., disse que forneceria informações sobre o caso de Tupac se não fosse incriminado.
Palal argumentou ainda que, em 2019, Davis publicou em seu livro ter ficado revoltado com a agressão que seu sobrinho, Orlando Anderson, havia sofrido décadas antes.
Ele também disse que estava em Las Vegas na noite da briga, que obteve uma arma, que estava viajando no Cadillac branco e que entregou a arma a outra pessoa.
“Um elemento constante em todas essas declarações é a raiva visceral de Duane Davis contra Tupac Shakur por agredir seu sobrinho”, disse Palal.
O promotor também leu uma citação do livro de Davis: “O ataque deles ao meu sobrinho nos deu o sinal verde final para fazê-los pagar”.
Mas a defesa argumenta que a acusação se baseia em “ficção”.
O advogado de Davis, Michael Sanft, argumentou que o livro foi “ficcionalizado” para vender exemplares e que era praticamente impossível saber quais partes Davis realmente escreveu.
Declarado culpado
A defesa de Davis argumentou que trechos do livro fazem parte de uma ‘obra de ficção’
Getty Images/BBC
No aguardado julgamento de Davis nesta segunda-feira, as etapas se desenrolaram rapidamente.
Após apenas três horas de deliberação, o júri o considerou culpado.
A expressão de Davis permaneceu inalterada ao ouvir o veredito. Depois, ele foi escoltado para fora do tribunal por policiais.
Enquanto o juiz lia os procedimentos a serem seguidos, o réu pareceu interrompê-lo, levantando a mão.
“Gostaria de ter meus pertences de volta”, disse ele, listando alguns itens pessoais, incluindo seu telefone.
Em seguida, afirmou que apelaria da decisão.
Agora no g1

Fonte: G1 Entretenimento

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Paloma Pitaya traduz ritmos nacionais e argentinos para a linguagem do violino no álbum autoral ‘Caprichoso Brasil’


Capa do álbum ‘Caprichoso Brasil’, da violonista e compositora Paloma Pitaya
Estúdio Thiago Drummond / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ A arte tropical da capa do primeiro álbum autoral da compositora e violinista Paloma Pitaya, “Caprichoso Brasil”, evoca brasilidade que aparece mixada com toque erudito no álbum agendado para 25 de setembro.
É que Pitaya – instrumentista de formação erudita e atuação na área de pesquisa das tradições musicais latino-americanas – alinha no álbum 13 temas autorais de inspiração geralmente brasileira, todos compostos para o violino.
Nada menos do que 15 músicos tocam no álbum, como convidados de Paloma Pitaya, mas o mote de “Caprichoso Brasil” é o violino e eventualmente a rabeca, instrumento também tocado por essa musicista e compositora formada na Academia de Música da Osesp, onde estudou entre 2021 e 2023.
Entre outras atividades fora do Brasil, Pitaya foi compositora residente da Fundación Antonio Gala, na Espanha, onde teve a ideia do álbum “Caprichoso Brasil”. A propósito, o álbum se origina do livro de partituras para violino solo também intitulado “Caprichoso Brasil”, concebido pela artista entre 2019 e 2020 durante a residência artística na fundação espanhola e publicado neste ano de 2026.
No álbum, Paloma Pitaya expande o universo musical do livro ao harmonizar o violino e a rabeca com percussão, violão, sanfona, baixo elétrico e quarteto de cordas com arranjos que transitam entre o rigor da música de concerto e a pulsação vivaz das tradições populares.
Cada um dos 13 temas do álbum “Caprichoso Brasil” é batizado como “Capricho” seguido do nome do gênero musical. Os ritmos, em grande maioria, são brasileiros, como sinalizam temas como “Capricho baião”, “Capricho frevo”, “Capricho maxixe”, “Capricho samba” e “Capricho xote”. Contudo, a violinista também incursiona pela chacarera – ritmo argentino de origem rural – e a milonga, gênero que transita entre Argentina, Uruguai e o estado do Rio Grande do Sul.
Ao produzir o álbum “Caprichoso Brasil”, a intenção da instrumentista foi investigar como esses gêneros musicais podem ser reinterpretados por uma compositora de formação erudita e traduzidos para a linguagem do violino.

Fonte: G1 Entretenimento

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Rock in Rio 2026 terá chuva? Veja a previsão para o 1º fim de semana


Projeto do Palco Mundo do Rock in Rio 2022
Divulgação
O primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026 deve ser marcado por uma mudança brusca no tempo no Rio de Janeiro. Segundo a previsão do Climatempo, a sexta-feira (4), primeiro dia do festival, será de sol e máxima de 30°C, mas a chuva deve aparecer no sábado (5) e ganhar força no domingo (6), quando a temperatura não deve passar de 19°C.
A previsão aponta 85% de chance de chuva no sábado, com acumulado estimado de 7,2 milímetros, e 84% no domingo, quando são esperados 16,8 milímetros.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça
Na segunda-feira (7), feriado da Independência do Brasil, a temperatura continua baixa, com máxima de 19°C e possibilidade de chuva passageira durante o dia.
Os cinco melhores shows das edições dos últimos 15 anos do Rock in Rio
O cenário é especialmente importante para quem pretende passar várias horas na Cidade do Rock. O festival acontece no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, e reúne atrações em diferentes palcos ao longo de cada dia.
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Rock in Rio 2026: veja programação completa
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O Rock in Rio 2026 será realizado nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro. No primeiro fim de semana, estão previstos shows de nomes como Foo Fighters, Avenged Sevenfold, Calvin Harris e Elton John, além de dezenas de outras atrações.
A previsão do tempo, no entanto, pode sofrer alterações até os dias do festival.
Previsão Rock In Rio
Sexta-feira: sol e calor na abertura
O primeiro dia do Rock in Rio, na sexta-feira (4), deve ser o mais quente do feriadão.
A previsão indica mínima de 18°C e máxima de 30°C, sem chuva. O dia deve começar com sol e diminuição de nuvens pela manhã, seguido de uma tarde ensolarada e uma noite com poucas nuvens.
A umidade do ar deve variar entre 50% e 89%. Os ventos serão fracos, com velocidade prevista de 4 km/h e rajadas de até 28 km/h.
No Palco Mundo, o destaque da noite é o Foo Fighters, que tem show marcado para 0h05. Antes da banda americana, sobem ao palco Nova Twins, The Hives e Rise Against.
Dave Grohl, vocalista do Foo Fighters, no Rock in Rio 2019
Marcelo Brandt/G1
Sábado: chuva rápida durante o festival
No sábado (5), a temperatura cai bastante. A previsão aponta mínima de 20°C e máxima de 23°C, com sensação térmica entre 20°C e 21°C.
O Climatempo prevê 7,2 mm de chuva e 85% de possibilidade de precipitação. A previsão é de sol entre algumas nuvens, mas com chuva rápida durante o dia e também à noite.
A umidade deve ficar elevada, entre 79% e 93%.
É o dia de atrações como Sepultura, MGK, Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold no Palco Mundo. O show da banda americana Avenged Sevenfold está previsto para 0h05.
Rock in Rio tem dia mais metal com Sepultura, Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon e mais
Reprodução
Domingo: dia mais frio e chuvoso
O domingo (6) deve ser o dia mais complicado do primeiro fim de semana do festival em relação ao tempo.
A previsão indica mínima de 16°C e máxima de apenas 19°C, com sensação térmica entre 16°C e 18°C.
Também é o dia com maior volume de chuva previsto: 16,8 mm e 84% de chance de precipitação. A previsão aponta tempo chuvoso durante o dia e à noite.
Os ventos também devem ficar mais fortes, com velocidade média de 9 km/h e rajadas de até 50 km/h.
No Palco Mundo, a programação tem Barão Vermelho Encontro Formação Original, Nelly, Black Eyed Peas e o DJ Calvin Harris, responsável pelo encerramento da noite, à 0h05.
Black Eyed Peas, Calvin Harris e Nelly se apresentam no Rock in Rio neste domingo (6)
Reprodução
Segunda-feira, feriado: frio e possibilidade de chuva
O feriado de 7 de setembro, último dia do primeiro bloco do Rock in Rio, também deve ter temperaturas baixas.
A previsão é de mínima de 15°C e máxima de 19°C, com sensação térmica entre 15°C e 17°C.
Há 80% de chance de chuva, mas o volume previsto é menor que o do domingo: 2,7 mm. O dia deve ter sol entre algumas nuvens e chuva passageira. À noite, a previsão é de tempo firme.
Os ventos devem soprar a 7 km/h, com rajadas de até 39 km/h.
O grande destaque da programação é o show de Elton John, marcado para 0h05 no Palco Mundo. Antes dele, se apresentam Luísa Sonza com Roberto Menescal, Jon Batiste e Gilberto Gil.
Gilberto Gil, Elton John e Laufey são algumas das atrações do dia 7 de setembro no Rock in Rio
Reprodução
Transmissão
Quem não for ao Parque Olímpico também poderá acompanhar o festival. O Rock in Rio será transmitido ao vivo pelo Multishow, pelo Canal Bis e pelo Globoplay, além de flashes e especiais na programação da TV Globo.
A transmissão pelo Multishow começa às 15h15, enquanto o Canal Bis inicia às 15h50. No sinal aberto, os cinco palcos terão transmissão alternada entre Multishow e Bis a partir das 15h30.

Fonte: G1 Entretenimento

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Quase 30 anos após o crime, júri condena homem por planejar assassinato de Tupac


Tupac e Duane “Keffe D” Davis
Reprodução e Reuters
Um júri considerou Duane “Keffe D” Davis culpado de orquestrar o assassinato do ícone do rap Tupac Shakur em 1996, marcando a primeira condenação em um caso que prendeu a atenção dos fãs de hip-hop por décadas.
Davis, de 63 anos, foi condenado nesta segunda-feira (31) por homicídio com uso de arma letal e pode ser sentenciado à prisão perpétua. O júri deliberou por três horas após um julgamento que durou semanas em Las Vegas.
O vice-procurador distrital Binu Palal disse aos jurados, em suas alegações finais, que Davis adquiriu uma arma e “saiu à caça” de Shakur e do cofundador da Death Row Records, Marion “Suge” Knight, depois que eles espancaram o sobrinho de Davis naquela noite.
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Palal reconheceu que os relatos de Davis sobre o assassinato evoluíram ao longo dos anos, mas argumentou que essas diferenças refletiam as motivações mutáveis ​​de Davis e seus esforços para se proteger.
Um detalhe crucial, disse ele, permaneceu consistente: Davis repetidamente se colocou dentro de um Cadillac branco de onde os tiros foram disparados.
“Os fatos essenciais permanecem. Os fatos materiais permanecem”, disse Palal.
O advogado de defesa de Davis, Michael Sanft, desafiou os jurados a identificarem provas, além das próprias declarações de Davis, que o colocassem em Las Vegas ou dentro do Cadillac na noite em que Shakur foi baleado.
Ele apontou para a ausência de imagens de câmeras de segurança, registros telefônicos e outras evidências que comprovassem a presença de Davis no local.
“Eles não têm nada neste caso que indique que esse homem estava aqui em Las Vegas em 7 de setembro de 1996”, disse Sanft, apontando para Davis.

Fonte: G1 Entretenimento

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Lionel Richie é internado na UTI após show, diz site


Lionel Richie durante apresentação no show de coroação do Rei Charles III, em Londres, em 7 de maio de 2023
Chris Jackson/Pool via Reuters
Lionel Richie foi internato na UTI após um show nos EUA, segundo o site TMZ. De acordo com o portal, o cantor está internado na cidade de St. Louis, onde realizou a apresentação.
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Segundo o TMZ, após dar entrada em um hospital local para realizar exames, os médicos investigam uma pessível desidratação.
A expetativa, segundo o site, é que Richie receba alta já nesta terça-feira (1º).
Testemunhas que estavam no show relataram ao TMZ que Lionel aparentou ter dificuldades no fim da apresentação. Durante a última música, “All Night Long”, ele pediu à equipe que levasse uma cadeira ao palco para que pudesse se sentar enquanto cantava.
Este texto está sendo atualizado.

Fonte: G1 Entretenimento

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Violonista Zé Paulo Becker reacende ‘Xodó de lamparina’ com Roberta Sá em EP gravado em lendário bar carioca


Zé Paulo Becker lança EP ao vivo com seis faixas extraídas de DVD gravado em 2016 no Semente, lendário bar da Lapa, bairro boêmio do circuito carioca de samba e choro
Reprodução / Capa do EP ‘Ao vivo no Semente’, do violonista Zé Paulo Becker
♫ NOTÍCIA
♬ Ponto fundamental do circuito carioca de samba e choro, surgido em 1998 e fechado em 2017 na Lapa, boêmio bairro do centro do Rio de Janeiro (RJ) que revelou nomes como Moyseis Marques e Teresa Cristina ao longo dos anos 2000, o bar Semente teve a história perpetuada no documentário “Semente da música brasileira” (2018). A trilha sonora do filme foi gravada em 2016 e editada antes do documentário, naquele mesmo ano de 2016, no DVD “Geração Semente”.
É desse DVD que o violonista e compositor Zé Paulo Becker extraiu as seis faixas que compõem o EP “Ao vivo no Semente”, programado para ser lançado pelo artista na sexta-feira, 4 de setembro. Violonista do Trio Madeira Brasil, Zé Paulo Becker – cabe lembrar – tocou semanalmente no bar Semente por quase 20 anos.
No EP “Ao vivo no Semente”, cujo repertório é inteiramente assinado por Becker, o músico reacende “Xodó de lamparina” (Zé Paulo Becker e Moyseis Marques) com Roberta Sá, toca “Pra tudo ficar bem” com o violinista Nicolas Krassik, dá voz à cantora Beth Marques em “Incinero” (Zé Paulo Becker e Mauro Aguiar), faz “Clara” com o sopro de Humberto Araújo, toca “Choro pro tio” com os colegas do Trio Madeira Brasil – o também violonista Marcello Gonçalves e o bandolinista Ronaldo Souza – e faz duo com o violonista Cainã Cavalcante em “Passeando no Bosco”.
Com capa que expõe design de Duda Simões, o EP “Ao vivo no Semente” reúne gravações captadas no bar Semente pelo engenheiro de som Carlos Fuchs.
Capa do EP ‘Ao vivo no Semente’, do violonista Zé Paulo Becker
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Museu Met e John Galliano cancelam mostra após críticas por falas antissemitas do estilista


Metropolitan Museum of Art cancela exposição planejada para o Met Gala sobre o estilista John Galliano
Jacques Brinon/AP
O Metropolitan Museum of Art anunciou, nesta segunda (31), que vai cancelar a exposição planejada em homenagem a John Galliano.
O anúncio da exposição havia provocado forte reação contrária na comunidade judaica e além, devido a declarações antissemitas e racistas feitas pelo estilista no passado.
O museu afirmou nesta segunda-feira que a exposição, planejada para ser a mostra de primavera de maio de 2027 do Costume Institute — que lança o Met Gala anual —, será substituída por outro evento a ser anunciado posteriormente.
“Após discussões profundas com John Galliano, decidimos juntos não prosseguir com a exposição”, anunciou Max Hollein, diretor e CEO do museu, em um comunicado.
O estilista também se manifestou no comunicado, dizendo: “Após muita reflexão e diálogo com o The Met e com todos os envolvidos, decidi, com grande tristeza, que é melhor que a exposição não aconteça neste momento”.
“Continuo assumindo total responsabilidade pela dor causada por minhas palavras no passado, especialmente pelo dano que causei às comunidades judaica e asiática, e sigo profundamente arrependido por isso.”
Reconhecido há muito tempo como um dos maiores talentos do mundo da moda por suas criações extravagantes, Galliano esteve no topo desse mercado por anos como diretor criativo da Christian Dior. Ele foi demitido do cargo quando uma série de comentários racistas e antissemitas de 2010 e 2011 vieram à tona e viralizaram, levando à sua condenação em um julgamento por antissemitismo na França.
Demitido pela Dior, Galliano passou vários anos envolvido em esforços públicos e privados para se reabilitar. Ele retornou ao mercado em 2014, quando foi contratado pela casa de moda parisiense Maison Margiela, onde permaneceu por uma década.
Ele se tornaria apenas o terceiro estilista vivo a ser tema de uma exposição individual no Costume Institute do Met.
A mostra de primavera é inaugurada pelo Met Gala anual, o evento de maior visibilidade no calendário da moda. O gala é supervisionado por Anna Wintour, diretora editorial global da Vogue e uma das figuras mais influentes da moda mundial. Wintour é amiga de longa data e apoiadora de Galliano.
O museu realizou conversas com líderes da comunidade judaica antes de anunciar a exposição, na esperança de conter a reação negativa antecipada. No entanto, a indignação apenas aumentou.
Uma das principais críticas à exposição planejada foi a presidente da Câmara Municipal de Nova York, Julie Menin, que divulgou um comunicado nesta segunda-feira elogiando a decisão do cancelamento.
“Após minhas numerosas e longas reuniões e conversas com o The Met, estou satisfeita por eles terem concordado em não homenagear John Galliano”, disse Menin. “Desde o início, eu lhes disse que discordava veementemente dessa decisão e que, neste momento de crescente antissemitismo, isso serviu como um soco no estômago para a comunidade judaica. Esta é a decisão correta, pois o dano e a dor que isso causava eram simplesmente inaceitáveis.”

Fonte: G1 Entretenimento

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ENTRETERIMENTO

Após vencer como sertanejo, João Gomes comemora criação de categoria de Forró em prêmio


João Gomes segura boneco de Luiz Gonzaga e celebra criação de categoria exclusiva para o forró no Prêmio da Música Brasileira.
Reprodução/Instagram/João Gomes.
Após 33 edições, o Prêmio da Música Brasileira criou, pela primeira vez, uma categoria dedicada ao forró.
A novidade foi comemorada pelo cantor pernambucano João Gomes, que em 2025 venceu a premiação na categoria de Melhor Artista Sertanejo.
Em um vídeo publicado nas redes sociais no último domingo (30), o artista de 24 anos se emocionou ao falar sobre o reconhecimento do gênero e relembrou sua defesa pela valorização da música nordestina.
“É uma batalha imensa ser forrozeiro. O povo ainda acha meio cafona. É muito difícil”, afirmou.
O cantor também destacou a importância de Luiz Gonzaga, conhecido como o Rei do Baião, para a história do gênero.
“Fico feliz por ter levantado essa bandeira, falado sobre isso e ter conseguido. Mas isso não é sobre mim, é sobre Gonzagão [Luiz Gonzaga]. Viva Gonzagão e toda a riqueza da nossa cultura… todos que fazem e fizeram pelo nosso Nordeste!”, disse.
O g1 procurou a organização do Prêmio da Música Brasileira para entender se a nova categoria de Forró já será válida na edição de 2027, quais serão os critérios de seleção e se vertentes do gênero, como piseiro e forró eletrônico, serão contempladas.
A reportagem também questionou por que o forró só ganhou uma categoria própria agora, após 33 edições, e se a decisão teve relação com a repercussão da premiação de 2025. Até a última atualização, não houve resposta.
Relembre o que aconteceu
Agora no g1
Em 2025, na penúltima edição do prêmio, João Gomes venceu como Melhor Artista Sertanejo, concorrendo com Ana Castela, Lauana Prado, Rionegro & Solimões e Zezé Di Camargo.
O resultado gerou questionamentos na internet. O cantor recebeu o prêmio e comemorou a vitória, mas também usou as redes para explicar a diferença entre o sertanejo e o gênero com o qual se identifica:
“O sertanejo canta o sertão. Só que, no Brasil, a música do sertão nordestino é o forró”, explicou.
Alceu Valença está entre vencedores do Prêmio da Música Brasileira 2025
RT Fotografia
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Forrozeiros comemoraram decisão
Mestrinho canta no Forró Caju em Aracaju.
PMA
A criação de uma categoria exclusiva para o forró também foi comemorada por outros artistas nordestinos.
O sanfoneiro e cantor sergipano Mestrinho chamou o gênero de uma das grandes identidades culturais brasileiras e classificou a criação de uma categoria própria como uma “conquista gigante”.
A cantora recifense Natascha Falcão, que foi indicada ao Grammy Latino de 2023 na categoria Artista Revelação, também comemorou a novidade:
“É como eu mesma canto: o forró é a semente de um novo dia. Simbora que tem chão pra conquistar”, publicou.
Flávio Leandro, Lucy Alves e Solange Almeida também se somaram ao grupo e manifestaram apoio à criação da nova categoria.
Mestrinho e Natascha Falcão celebram a criação da categoria de Forró no Prêmio da Música Brasileira.
Divulgação/Instagram/João Gomes
Dominguinhos venceu 14 vezes em categoria ‘regional’
Dominguinhos (1941–2013)
Divulgação
Antes de João Gomes, outros grandes nomes ligados ao forró já faziam história no Prêmio da Música Brasileira.
Dominguinhos, um dos maiores representantes do gênero, está na quinta posição entre os artistas mais premiados da história da premiação, com 18 troféus.
Ele fica atrás apenas de Maria Bethânia (24 prêmios), Alcione (22), Zeca Pagodinho (20) e Caetano Veloso (19).
O primeiro prêmio de Dominguinhos veio em 1988, na categoria Regional. Sem uma categoria própria para o forró na época, 14 dos seus 18 troféus acabaram concentrados nessa classificação.
Dominguinhos aparece em 5º lugar entre os artistas mais premiados da história do Prêmio da Música Brasileira, com 18 troféus.
Reprodução/Site Prêmio da Música Brasileira.
Em 2024, o Conselho do Prêmio da Música Brasileira decidiu mudar o nome da categoria “Regional” para “Raízes”. Segundo o prêmio, a mudança buscava representar melhor a diversidade das tradições musicais brasileiras.
Gil, Ney Matrogrosso e Arnaldo Antunes fazem parte de conselho do prêmio
Em 2027, o Prêmio da Música Brasileira chegará à sua 44ª edição com Martinho da Vila como homenageado.
Segundo o próprio site, a premiação é dirigida por um “conselho diretor”, responsável por estabelecer as diretrizes da premiação, selecionar os jurados e indicar o homenageado de cada edição. O conselho também conta com voto de minerva em eventuais situações de empate.
Atualmente, o conselho é formado por: Arnaldo Antunes, Criolo, Emicida, Gilberto Gil, Heloísa Guarita, João Bosco, Karol Conka, Ney Matogrosso, Yamandu Costa, Zé Maurício Machline e Zélia Duncan.
A edição de 2027 está com inscrições abertas, mas ainda não tem data anunciada.

Fonte: G1 Entretenimento

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ENTRETERIMENTO

A música de IA que plagiou Taylor Swift, viralizou nas redes e agora não para de tocar nas rádios brasileiras


Luísa Sonza, à esquerda, teve sua voz clonada por inteligência artificial para cantar em português o hit The Fate of Ophelia, de Taylor Swift
BBC
Ao escutar A Sina de Ofélia, é fácil reconhecer a voz de Luísa Sonza. Logo depois, surge Dilsinho. A popstar e o pagodeiro fazem um dueto improvável, mas convincente. Até você descobrir que nenhum deles cantou essa música de verdade.
A Sina de Ofélia foi produzida com inteligência artificial generativa. Clonaram as vozes dos artistas brasileiros e os puseram para cantar uma tradução para o português de uma música que, na verdade, é de Taylor Swift (The Fate of Ophelia).
Só falta descobrir quem fez tudo isso. A faixa acumula milhões de reproduções nas plataformas de streaming e nas redes sociais, mas sua autoria segue desconhecida — o que é comum no caso de conteúdos feitos com IA.
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A Sina de Ofélia foi compartilhada à exaustão no Spotify, Instagram e TikTok. O que quase ninguém parece ter percebido — inclusive os próprios artistas — é que, enquanto fazia sucesso na internet, ela também começava a tocar nas rádios brasileiras, principalmente nas emissoras do interior do país.
Um relatório da Crowley, empresa de monitoramento e auditoria de rádio, feito a pedido da BBC News Brasil, mostra que a música foi executada 3.064 vezes em 47 estações de rádio.
Mas esse número pode ser ainda maior, visto que a Crowley monitora apenas regiões selecionadas, concentradas nos principais mercados publicitários do país — a região Norte, por exemplo, fica de fora. Além disso, o levantamento considera somente as execuções de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.
Música de IA gerou R$ 50 mil
Ainda assim, não é pouca coisa. A Sina de Ofélia registrou, em alguns meses, um volume de execuções próximo ao que a música mais tocada do país costuma alcançar em uma semana nas estimativas da Crowley.
Além disso, na maioria dos casos, uma exposição desse tamanho é resultado de investimentos maciços de artistas e gravadoras em publicidade nas rádios — o famoso jabá —, enquanto A Sina de Ofélia alcançou esse volume sem que tenha sido identificado qualquer tipo de financiamento.
As execuções, de toda forma, geraram ao menos R$ 50 mil em lucros, segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o Ecad, responsável por arrecadar e distribuir os direitos autorais de execuções públicas de músicas no Brasil — no rádio, na televisão, na internet, em eventos como o Carnaval ou na sonorização de espaços públicos como shopping centers.
O dinheiro está retido. O Ecad informou à reportagem que ainda não sabe o que fazer com os valores arrecadados, já que, em tese, não há um autor a quem os R$ 5 mil possam ser repassados.
É possível que, em algum momento, o valor seja redistribuído entre artistas cadastrados na instituição e que atualmente estejam em rotação nas rádios — o que renderia não mais do que algumas dezenas de reais para cada.
Avatar de Luísa Sonza criado com IA para o clipe de A Sina de Ofélia, que circula nas redes sociais e no YouTube
Reprodução
Segundo especialistas ouvidos pela BBC, A Sina de Ofélia pode ser considerada uma fraude, e sua reprodução nas rádios pode configurar crime.
Caso seja descoberto e processado, seu autor pode sofrer sanções civis — como indenização ligadas a perdas financeiras e a danos à imagem dos artistas — e criminais — que podem incluir pena de prisão de até três anos.
As emissoras que estão tocando a música também podem ser punidas, segundo o advogado Guilherme Valente, especialista em direito autoral pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual.
“No rádio, existe curadoria, então há uma responsabilidade maior, porque alguém está escolhendo as músicas que vão ao ar, diferentemente de uma plataforma de conteúdo criado pelo usuário, como os aplicativos de streaming, em que qualquer um pode compartilhar uma música. O grau de responsabilidade é diferente”, ele diz.
Artistas estão em silêncio
A reportagem procurou os artistas que foram alvo dessa fraude — Luísa Sonza e Dilsinho, por terem suas vozes clonadas, e Taylor Swift, por ter sua composição e melodia copiadas.
Informalmente, as equipes de Sonza e Dilsinho disseram estar surpresas e afirmaram que nem sequer sabiam que isso estava acontecendo. A faixa, afinal, não está tocando nos grandes centros onde ficam seus escritórios, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Nenhum dos dois, porém, respondeu aos questionamentos da reportagem ou quis gravar entrevista.
A BBC também procurou a Sony Music, gravadora que representa Sonza; a Som Livre, responsável por Dilsinho; e a Universal Music, que representa Swift no Brasil e nos Estados Unidos. Nenhuma das empresas respondeu.
A reportagem também não obteve resposta da rádio que mais reproduziu A Sina de Ofélia, segundo o relatório da Crowley: a Mega FM, de Ribeirão Preto, no interior paulista.
Caso expõe um fenômeno mais amplo
Para a superintendente do Ecad, Isabel Amorim, A Sina de Ofélia é apenas “a ponta do iceberg” do avanço da IA generativa na indústria musical.
Com poucos cliques, vale lembrar, é possível transformar em música até um texto sem qualquer sonoridade, escolhendo detalhes como o gênero da canção, a velocidade e outros elementos sonoros.
A avaliação de Amorim encontra respaldo nos dados da Deezer, uma das maiores plataformas de streaming musical e, até o momento, a única a divulgar um relatório sobre a presença da IA generativa em seu acervo.
Segundo a empresa, metade das faixas adicionadas diariamente à plataforma é gerada por IA. O fenômeno atingiu seu pico em junho, quando mais de 45 mil dos 90 mil cadastros realizados correspondiam a músicas desse tipo.
As demais plataformas não divulgam dados semelhantes, o que impede uma comparação mais ampla. Mas os números da Deezer servem como termômetro, já que a maioria das canções são cadastradas simultaneamente em diferentes serviços de streaming — há empresas pagas para fazer essa distribuição, aliás.
Os dados da Deezer retratam um cenário global, mas os números do Ecad ajudam a dimensionar o fenômeno no Brasil.
Entre janeiro e agosto, 62.292 músicas criadas com IA tiveram seus royalties retidos pela instituição, entre elas a faixa que plagiou uma música de Taylor Swift.
A maior parte das retenções ocorreu por reproduções em streaming, categoria que inclui as redes sociais, como mostra o gráfico abaixo. Mas as rádios também aparecem nesse cenário, respondendo por 5% dos valores retidos.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que representa cerca de 3.000 emissoras no país, diz não interferir na programação de seus associados, mas afirma orientá-los a não reproduzir músicas feitas por IA.
Rodolfo Salema, diretor de assuntos jurídicos e regulatórios da entidade, avalia que o caso de A Sina de Ofélia parece isolado e que não há outras músicas do tipo sendo executadas pelas rádios.
“É algo excepcional, porque a música explodiu e o pessoal ficou meio cego”, diz. “Pode ser demanda da audiência, porque a rádio tem até hoje muito pedido de música, e às vezes tem um desconhecimento do pessoal da programação sobre uma discussão maior sobre IA.”
A Sina de Ofélia, porém, não está nem entre as músicas com os maiores valores retidos pelo Ecad. As três que aparecem no topo da lista, segundo a instituição, são Comida Feliz, voltada ao público infantil, com o refrão “vamos comer para ficarmos fortes e crescer”; Criando Memórias, sobre afetos e momentos simples da vida; e Um Novo Ser, sobre fé e busca por Deus.
A faixa gospel, aliás, é a única das três que as plataformas de streaming sinalizam como conteúdo gerado por IA e que tem algum crédito de autoria: Hikari de Jesus. O nome, porém, pertence a um personagem que também foi criado por IA, cuja autoria é desconhecida.
Hikari de Jesus é um personagem de IA que faz sucesso cantando músicas gospel cujas letras e melodias também são criadas com a tecnologia
Reprodução
Embora nenhuma dessas três músicas copie uma faixa específica, como A Sina de Ofélia, o Ecad questiona a forma como elas foram criadas.
Segundo a instituição, a IA usada para escrever as letras e transformá-las em música se vale de uma grande biblioteca de obras feitas por humanos, que estaria sendo apropriada pelos serviços de IA sem autorização. Por isso, entende que também há uma infração de direitos autorais nesses casos.
“Um músico usa a mixagem para fazer algum arranjo. Isso é natural, como um fotógrafo ajustar a luz da foto com tecnologia. Mas é diferente de não criar nada e copiar o trabalho dos outros”, diz Amorim, do Ecad. “Não podem pegar um trabalho dos criadores, colocar num sistema, treinar a máquina e achar que está tudo certo.”
A discussão sobre os limites desse uso da IA ainda está em curso, e há um projeto de lei sobre o tema em tramitação no Congresso brasileiro.
Na falta de definições concretas, porém, o Ecad vem acumulando vitórias na Justiça contra estabelecimentos que criaram rádios internas com músicas feitas com IA e alegavam não precisar pagar direitos autorais.
O caso mais emblemático, porém, não chegou ao Judiciário. Foi o da loja de brinquedos Ri Happy, que inicialmente afirmou que deixaria de pagar direitos autorais ao Ecad por usar músicas feitas por inteligência artificial em sua rádio interna, mas depois voltou atrás, conta Amorim.
“A Ri Happy passou por um momento de pensar: ‘Ah, não vou pagar porque estou fazendo minhas próprias músicas’. Mas depois repensaram: ‘Não, eu preciso continuar contribuindo para a música, para a cultura brasileira, para o trabalho do criador’. O que a gente tem feito é um trabalho muito de conscientização”, diz a porta-voz do Ecad.
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As duas Ofélias — e no que consiste um plágio
No caso de A Sina de Ofélia, não estamos diante de uma inspiração difusa em uma grande biblioteca de músicas produzidas por seres humanos ao longo da história, mas de elementos que permitem uma comparação direta com a fonte original.
Além do título e da protagonista — inspirada em Hamlet, de William Shakespeare —, a música mantém a mesma estrutura narrativa e reproduz diversas imagens e ideias de The Fate of Ophelia.
Logo no início, as duas faixas trazem o eu lírico dizendo que foi chamado por um megafone e associando o interlocutor ao fogo.
Depois, as letras chegam à mesma imagem de uma mulher isolada em uma torre, antes de ser resgatada por seu amor.
No refrão, ambas afirmam que esse encontro a salvou da “sina” — ou do “destino” — de Ofélia, que, na obra do dramaturgo inglês, é a morte.
Outras imagens também são preservadas na versão brasileira, como a de se afogar na tristeza e a descrição do amor como uma “cama fria cheia de escorpiões”, em inglês, e “um ninho de escorpiões”, em português.
Há algumas mudanças. O verso “pledge allegiance to your hands”, por exemplo, poderia ser traduzido ao pé da letra como “juro lealdade às suas mãos”, mas ganhou contornos mais coloquiais e virou “tô fechada com você, não vou voltar”.
Ainda assim, a sequência é a mesma: solidão, chegada do parceiro e resgate. Essa proximidade faz com que A Sina de Ofélia se pareça menos com uma música inspirada na composição de Taylor Swift e mais com uma tradução dela, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Essa é uma discussão central para diferenciar o que seria uma inspiração do que poderia ser considerado plágio — e, portanto, um crime —, afirma o advogado Guilherme Valente, que também integra a Comissão de Direito das Artes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo.
“Qualquer um pode escrever uma música inspirada na história de Ofélia. Isso não é proibido, até porque a obra já caiu em domínio público. A questão é o grau de similaridade”, diz.
Ele explica que o direito autoral não protege uma ideia, mas a forma como ela é expressa. “A ideia não é exclusiva. O que é exclusivo é como se conta essa ideia, a visão que o autor tem dela e como ele coloca tudo no papel.”
Isso vale para qualquer produção artística — um filme, um livro ou uma música, embora cada linguagem tenha suas especificidades. O mesmo vale para traduções, acrescenta o especialista.
“A tradução é uma obra derivada, só que, para traduzir uma obra, é preciso ter autorização do autor. Um dos direitos autorais é justamente a exclusividade para adaptar a obra de outras formas — e a tradução é uma adaptação.”
Por que a música continua tocando se pode ser um plágio?
Essa é uma pergunta difícil de responder, mas, em linhas gerais, isso se deve ao fato de que os artistas envolvidos — tanto Luísa Sonza e Dilsinho quanto Taylor Swift — não procuraram fazer valer seus direitos.
Pelo contrário: os artistas brasileiros chegaram a se engajar com a música e fizeram vídeos para as redes sociais usando-a como trilha sonora.
Sonza publicou um vídeo dublando a canção, que já ultrapassou 1 milhão de visualizações e reúne 900 mil curtidas, além de ter participado de um vídeo de uma influenciadora dançando a música. Dilsinho também dublou a canção e escreveu no vídeo: “Ué, já lançou?”.
Os artistas não responderam à BBC por que decidiram apoiar um conteúdo que pode ser fruto de plágio.
Profissionais da indústria que conversaram com a reportagem em caráter reservado, porém, afirmam que só os custos com advogados para enviar uma notificação extrajudicial a uma emissora de rádio, pedindo que pare de tocar a música, ou a uma plataforma de streaming, solicitando a remoção da faixa de seu catálogo, já são maiores do que o prejuízo financeiro que os artistas possam estar tendo.
Vale lembrar que, embora a canção tenha viralizado na internet e já tenha sido tocada milhares de vezes nas rádios, o Ecad registrou R$ 50 mil em direitos autorais gerados pela faixa — uma cifra ínfima para artistas desse porte.
Além disso, acrescentam os profissionais do setor, os artistas podem até transformar o pequeno prejuízo em oportunidade, aproveitando o sucesso da música para promover sua imagem e, por que não, sua voz, no caso das reproduções nas rádios.
Mas há também um certo limbo na legislação brasileira que é relevante para essa discussão.
Duas leis podem ter impacto sobre o setor: o Marco Civil da Internet, que regula as plataformas de streaming e foi criado em 2014, quase uma década antes da popularização da inteligência artificial generativa; e a Lei de Direitos Autorais, criada em 1998, muito antes não só da IA, mas da própria ideia de streaming.
“O Marco Civil da Internet criou essa regra que a gente chama de safe harbor principle, o princípio do porto seguro. Isso significa que a responsabilidade da plataforma só surge a partir do momento em que há uma decisão judicial mandando remover aquele conteúdo”, explica o advogado Guilherme Valente.
“A gente até tem decisões judiciais que dizem que a plataforma é responsável antes de uma decisão judicial, mas precisa ter ao menos uma notificação do titular dos direitos, avisando que há uma violação.”
Taylor Swift em show em Londres durante sua última turnê, a The Eras, em agosto de 2024
Gareth Cattermole/TAS24/Getty Images for TAS Rights Management/Via BBC
O que dizem as plataformas de streaming
A avaliação do advogado Guilherme Valente — de que os aplicativos não precisam agir antes que um artista reclame seus direitos — é corroborada pelas próprias empresas de streaming.
Procurado pela BBC News Brasil, o Spotify, plataforma de música mais usada no país, não respondeu especificamente sobre A Sina de Ofélia. Em suas diretrizes, porém, a empresa afirma que não consegue determinar sozinha se houve uma infração.
“O Spotify não sabe se o uso da voz de outro artista é um trecho devidamente licenciado ou uma colaboração; portanto, precisamos receber uma reivindicação do artista para saber que a imitação não é autorizada.”
A Deezer, outra líder de mercado, também reiterou que precisa de uma “notificação formal” para tomar providências, mas acrescentou que A Sina de Ofélia foi identificada como conteúdo gerado por IA e recebeu um selo.
Segundo a empresa, músicas que recebem essa sinalização ficam fora das recomendações da plataforma, tanto nas playlists editoriais oficiais quanto nas sugestões feitas pelos algoritmos com base no perfil dos usuários.
No YouTube, a regra é semelhante. Após a BBC enviar sete clipes para análise, um deles saiu do ar, enquanto os demais receberam o selo de conteúdo gerado por IA.
Questionada sobre o motivo da remoção, a empresa, que pertence ao Google, afirmou que o canal ao qual o vídeo pertencia havia infringido suas políticas de uso, mas não especificou qual regra havia sido violada.
TikTok e Meta — dona do Facebook e do Instagram — também disseram que podem remover conteúdos após denúncias. A empresa acrescentou que a publicação contínua de material que desrespeita direitos autorais pode levar à desativação da conta do infrator.
Arte e gráficos por Daniel Arce Lopez e Laís Alegretti, da equipe de Jornalismo Visual da BBC News Brasil

Fonte: G1 Entretenimento