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Que espetáculo é ver Ney Matogrosso pela lente do fotógrafo David LaChappelle!


Ney Matogrosso posa para o fotógrafo norte-americano David LaChapelle em ensaio no Jardim Botânico da cidade de São Paulo (SP)
David LaChapelle / Divulgação
♫ OPINIÃO
♬ Não foi surpresa quando a turnê que Ney Matogrosso fará por estádios e arenas do Brasil ao longo de 2027, “85 anos de ousadia”, foi anunciada oficialmente à imprensa na última quarta-feira, 26 de agosto. Afinal, a notícia da turnê já tinha sido dada extraoficialmente pelo jornalista Julio Maria, biógrafo do cantor.
A maior novidade foi a divulgação das imagens feitas para apresentar a turnê que estreia em São Paulo (SP) em 30 de janeiro no estádio Nubank Parque. É que as imagens de Ney produzidas pelo fotógrafo norte-americano David LaChappelle são um espetáculo à parte.
Captadas em ensaio realizado no Jardim Botânico da cidade de São Paulo (SP), as imagens retratam Ney em cores vivas – uma das características das fotos de David LaChappelle, aclamado pela criação de imagens em cores vibrantes e em cenários suntuosos, com mix de referências da arte clássica barroca e da PopArt do mestre Andy Warhol (1928 – 1987).
Contudo, mais do que o colorido que atrai instantaneamente atenções e olhares, as imagens parecem captar a íntima relação de Ney Matogrosso com a natureza. Ney é um bicho-homem que sempre se afinou com os animais. Há um amor genuíno do artista por bichos, plantas, pedras e rios.
Tudo isso está nas fotografias feitas por David LaChappelle para divulgar a turnê “85 anos de ousadia”. As imagens em si já são um espetáculo!
Ney Matogrosso em imagem promocional da turnê ’85 anos de ousadia’
David LaChappelle
Ney Matogrosso em imagem do ensaio feito pelo cantor com o fotógrafo David LaChapelle para promover a turnê ’85 anos de ousadia’
David LaChapelle / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Brasileira estreia no cinema como astronauta em filme chinês de ficção científica sucesso de bilheteira: ‘Emoção grande’


Brasileira estreia no cinema como astronauta em filme chinês
Brasil e China estão separados por cerca de 18 mil quilômetros em um trajeto de avião. Mas uma atriz de Andradina (SP) encontrou uma maneira bem mais rápida de aproximar os dois países: pelas telas do cinema.
Daniela Tassy se mudou de Andradina (SP) para a China há dez anos para trabalhar como tradutora. O que ela não imaginava era que a experiência do outro lado do mundo também abriria caminhos para uma nova carreira – a de atriz.
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Atriz de Andradina (SP) estreia em filme chinês de ficção científica que chegou aos cinemas brasileiros
Daniela Tassy/Arquivo pessoal
A brasileira integra o elenco de “Terra à Deriva 2″, um blockbuster (sucesso de bilheteria) chinês de ficção científica, lançado em 2023, que chegou aos cinemas brasileiros no dia 20 de agosto deste ano.
Na história, o Sol começa a ameaçar a Terra e coloca a sobrevivência da humanidade em risco. Para tentar salvar o planeta, cientistas criam motores gigantescos capazes de tirá-lo de sua órbita e levá-lo para longe do Sol.
A missão reúne pessoas de diferentes países e é marcada por desafios e decisões que podem definir o futuro da humanidade. Nos cinemas da China, o filme já arrecadou mais de US$ 500 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2,5 bilhões na cotação atual.
Na produção, Daniela interpreta Emília Soares, uma astronauta brasileira que participa de uma missão na Lua ao lado de representantes de outros países. A personagem aparece em um momento importante da história. Por isso, Daniela evita revelar detalhes da participação para não entregar spoilers.
Mesmo assim, ela acredita que a presença de uma personagem brasileira em uma produção de alcance internacional pode aproximar o público do país da história. Para a atriz, a experiência também representa uma espécie de encontro entre os dois lados do mundo que passaram a fazer parte da trajetória profissional dela: o Brasil onde nasceu e a China onde construiu uma nova vida.
“Os brasileiros que assistiram ficaram muito emocionados. Ver uma personagem com a bandeira do Brasil, representando toda uma nação em uma missão para salvar a humanidade, trouxe uma emoção muito grande. Acho que isso tocou muito o público brasileiro. Espero que cative também o público aí no Brasil”, ressalta Daniela.
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Atriz de Andradina (SP) estreia no cinema como astronauta em filme chinês sucesso de bilheteira
Daniela Tassy/Arquivo pessoal
Como tudo começou
Mas, para chegar à Lua – pelo menos no cinema – Daniela precisou mudar os rumos da própria carreira. Formada em tradução, ela nunca tinha trabalhado profissionalmente como atriz no Brasil. O interesse pela arte, no entanto, começou ainda em Andradina, onde nasceu.
“Meus primeiros passos como atriz foram em Andradina, na escola de idiomas onde eu estudava. Eu tinha apresentações de teatro e dança. Apesar de ser tímida, eu sempre tive vontade de estar em volta e estar respirando arte”, conta Daniela.
Daniela Tassy morou em Andradina (SP) até a adolescência
Daniela Tassy/Arquivo pessoal
Antes de se mudar para a China, Daniela também morou nos Estados Unidos e trabalhou em São Paulo. Foi do outro lado do mundo, no entanto, que a atuação deixou de ser apenas uma vontade e começou a se transformar em profissão e as primeiras oportunidades começaram a aparecer.
No início, ela trabalhou como figurante em séries e filmes. A experiência despertou o interesse pela carreira artística e, depois de se mudar para Pequim, Daniela decidiu investir na formação como atriz e passou a buscar oportunidades nos doramas, como são conhecidas as produções televisivas e de streaming populares em países asiáticos.
A sequência de trabalhos abriu caminho para as telonas. Em “Terra à Deriva 2”, Daniela inicialmente fez testes para interpretar uma repórter. O desempenho, porém, chamou a atenção da produção e ela acabou escolhida para viver Emília Soares, uma astronauta brasileira.
A personagem, que representa o Brasil em uma missão internacional para tentar salvar a humanidade, acabou levando Daniela de Andradina para uma produção que atravessou o mundo e que agora também chegou aos cinemas brasileiros.
Daniela Tassy saiu de Andradina (SP) para se mudar para a China
Daniela Tassy/Arquivo pessoal
Atriz de Andradina (SP) ganha papel em filme chinês de ficção científica
Daniela Tassy/Arquivo pessoal
As diferenças entre o cinema chinês e o ocidental
A chegada de Daniela às telonas também acontece em um momento de maior projeção do cinema chinês fora da Ásia. Com uma longa tradição cinematográfica e uma indústria de grande porte, a China já levou diferentes produções ao Oscar e conquistou espaço entre os grandes mercados do cinema mundial.
Um dos exemplos mais conhecidos é “O Tigre e o Dragão”, de 2000, dirigido por Ang Lee. O longa recebeu dez indicações ao Oscar e venceu quatro categorias, incluindo a de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Fotografia. Produções como essa ajudaram a ampliar o alcance do cinema de língua chinesa e a levar histórias e artistas asiáticos para públicos de diferentes partes do mundo.
Para Daniela, porém, essa aproximação ainda encontra uma barreira: o preconceito provocado pela distância geográfica e pelas diferenças culturais. Na visão da atriz, brasileiros e chineses têm mais semelhanças do que pode parecer à primeira vista.
A própria experiência profissional na China, segundo ela, também se transformou em uma oportunidade de conhecer melhor o país e aprender com a cultura local.
“A distância geográfica automaticamente traz esse preconceito. O povo chinês e o povo brasileiro têm muitas similaridades. Eu acho que podemos aprender muito uns com os outros. Eu tenho aprendido muito estando na frente das câmeras, nos doramas chineses e nos filmes”, detalha Daniela.
Daniela Tassy de Andradina (SP) atuou como atriz em curtas e em doramas chineses
Daniela Tassy/Arquivo pessoal
👀 De olho nos próximos planos
Daniela continua aberta a novos trabalhos como atriz, mas, atualmente, também atua em outra frente que mantém a ligação com o Brasil: uma agência de turismo na China que recebe, principalmente, turistas brasileiros.
Nas redes sociais, ela compartilha o dia a dia no país asiático e mostra aspectos da cultura local. A proposta, segundo a atriz, é apresentar aos brasileiros uma China que vai além dos estereótipos e das imagens mais conhecidas. História, costumes e o cotidiano estão entre os assuntos que ela procura apresentar a quem visita o país.
“Nesse momento, eu estou contando histórias para os brasileiros que vêm para a China de um outro modo. Em vez de estar na frente das telas, estou mostrando a cultura e a história da China. Eu trago e levo as pessoas para viver um pouco de uma China que poucas pessoas conhecem”, reforça Daniela.
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Fonte: G1 Entretenimento

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O ator diagnosticado com Alzheimer e que agora está à frente de um espetáculo solo


Peter Marinker, diagnosticado com Alzheimer há dois anos, começou em junho os ensaios da peça A Última Gravação de Krapp, de Samuel Beckett
Stagefright Films
Durante quatro dias seguidos, Peter Marinker chegou para ensaios que nem sequer estavam acontecendo. A demência havia confundido as datas em sua mente.
Ainda assim, ele agora se prepara para fazer algo que a maioria dos atores consideraria intimidador mesmo com a memória em perfeito estado: interpretar sozinho, em um palco de Londres, no Reino Unido, uma peça muito apreciada do dramaturgo irlandês Samuel Beckett.
Marinker, de 85 anos, é mais conhecido por seus trabalhos de voz, que vão de peças de rádio e videogames a filmes de grande orçamento como Labirinto: A Magia do Tempo (1986) e Paddington: Uma Aventura na Floresta (2025).
No cinema, interpretou o assessor do presidente dos Estados Unidos em Simplesmente Amor (2003) e um dos passageiros do avião no drama Vôo United 93 (2006).
Agora no g1
Em 2023, Marinker interpretava Gandalf em uma versão teatral de O Senhor dos Anéis quando sentiu que estava “se desligando”, e um ator substituto teve de assumir o papel pelo restante da temporada.
Marinker então passou por exames de ressonância magnética e outros testes de saúde. Há dois anos, recebeu o diagnóstico de doença de Alzheimer.
A América Latina é a região mais afetada pela demência no mundo. Mais da metade dos casos pode ser evitada com o controle de fatores de risco como baixa escolaridade, perda auditiva, hipertensão, obesidade, tabagismo, depressão, isolamento, sedentarismo, diabetes, consumo excessivo de álcool, poluição e traumas na cabeça.
Dave Wybrow, diretor do Cockpit Theatre, convidou Peter Marinker no início deste ano para atuar na peça
Stagefright Films
“Eu simplesmente tive que aceitar”, diz Marinker. “Isso explicou por que eu vivia perdendo coisas, e comecei a rir de mim mesmo, de todas as outras bobagens que faço repetidamente.”
Naquele momento, alguns atores talvez tivessem decidido se afastar da pressão de se apresentar diante de uma plateia ao vivo.
Mas, “do nada”, Marinker recebeu uma ligação de alguém com quem havia trabalhado de perto no passado: Dave Wybrow, diretor do Cockpit Theatre, em Londres.
A ideia era encenar um monólogo de Beckett, A Última Gravação de Krapp, em que um escritor idoso ouve gravações de quando era mais jovem e relembra uma vida de arrependimentos e oportunidades perdidas.
“É um espetáculo explosivo e um texto explosivo”, diz Wybrow, cuja mãe também teve problemas de memória no fim da vida.
Os ensaios acontecem desde o fim de junho para que Marinker tenha mais tempo para praticar, e uma equipe inteira foi reunida para tornar a montagem possível.
Um diretor de palco ficará ao lado do cenário durante as apresentações, haverá telas de teleprompter em diferentes pontos do teatro, e Marinker usará um pequeno ponto eletrônico para receber uma ajuda rapidamente caso se esqueça de alguma fala.
Taiyaba Zeria, da Alzheimer’s Society, afirma que é preciso mudar a percepção sobre o que pessoas com demência são capazes de fazer, à medida que casos se tornam mais frequentes
BBC
Wybrow é categórico ao dizer que a ideia não é “esconder” a doença de Marinker, mas mostrar que o trabalho criativo e colaborativo continua perfeitamente possível depois de um diagnóstico de demência.
Desde o primeiro dia, Marinker diz que não teve nenhuma preocupação.
“Dave [Wybrow] perguntou se eu gostaria de fazer, e eu só respondi: ‘Sim. Ah, sim, sim, sim, sim!'”, diz Marinker.
“Vou ficar nervoso [na noite de estreia], mas sei lidar com isso. É só a adrenalina.”
Ecos do passado
Esta não é a primeira vez que Marinker interpreta a peça. Ele assumiu o mesmo papel pela primeira vez em 1983.
A equipe da produção encontrou gravações em fita daquela montagem, feita há mais de 40 anos, e elas serão incorporadas ao novo espetáculo enquanto o personagem ouve ecos de seu eu mais jovem.
Uma das características do Alzheimer é que a perda de memória pode ser seletiva, e não uniforme.
No início da doença, regiões ao redor do hipocampo, localizado nos lobos temporais do cérebro, estão entre as primeiras a ser afetadas.
Essa região desempenha um papel fundamental na formação e na recuperação do que os cientistas chamam de memórias episódicas: lembranças de acontecimentos e experiências específicas da vida de uma pessoa.
É por isso que pessoas com Alzheimer podem ter dificuldade, por exemplo, para se lembrar de férias em família, de uma conversa com um amigo ou do nome de alguém.
Mas outras memórias ligadas a habilidades e rotinas praticadas muitas vezes, podem permanecer preservadas por mais tempo.
“Algo armazenado na memória consolidada de longo prazo costuma ser mais fácil de acessar do que memórias novas, que acabaram de ser formadas”, diz Tara Spires-Jones, professora de Neurodegeneração da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, e autora do livro Fighting for Our Minds (Lutando por nossas mentes, em tradução livre).
Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas com Alzheimer ainda conseguem preparar uma xícara de chá, lembrar letras de músicas ou até tocar uma música ou interpretar um texto teatral ensaiado muitas vezes depois que outras memórias já começaram a desaparecer.
Enfrentando o estigma
Todo o lucro da temporada de quatro dias será destinado à Alzheimer’s Society, organização que ajudou Marinker após o diagnóstico.
Uma pesquisa realizada para a organização em 2025 indicou que 42% das pessoas que vivem com demência sentiam vergonha de seus sintomas.
Uma em cada cinco pessoas com problemas de memória afirmou não ter procurado um médico para obter um diagnóstico por receio da reação de amigos e familiares.
O estigma “ainda é muito presente”, diz Taiyaba Zeria, que coordena serviços de apoio a pessoas com demência da Alzheimer’s Society em Londres.
“O que Peter [Marinker] está fazendo mostra claramente que um diagnóstico não é o fim e que uma pessoa que vive com demência ainda pode fazer muitas coisas de que gosta e pelas quais é apaixonada.”
Marinker, por sua vez, descreve o projeto como seu “maravilhoso canto do cisne”.
“Estou no estágio inicial [da doença], então preciso aproveitar ao máximo essa fase e me preparar da melhor maneira possível para o estágio intermediário”, diz Marinker, com uma risada irônica.
“Talvez eu consiga chegar ao fim desta [apresentação], ou talvez simplesmente caia duro!”
Reportagem adicional de André Biernath.

Fonte: G1 Entretenimento

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Série sobre Belchior refaz o percurso angustiado e enigmático do artista em roteiro que se alimenta dos silêncios


O ator Luiz Carlos Vasconcelos interpreta Belchior (1946 – 2017) na série ‘Alucinação’, na fase em que o cantor viveu sumido entre o Uruguai e o Sul do Brasil
Reprodução / Vídeo
♫ CRÍTICA DE SÉRIE
Título: Alucinação
Direção: Eduardo Albergaria
Roteiro: Daniel Dias e Eduardo Albergaria
Cotação: ★ ★ ★
♬ Antonio Carlos Belchior (26 de outubro de 1946 – 30 de abril de 2017) morreu há nove anos como esfinge que ninguém conseguiu entender. As maiores pistas para decifrar o enigma estão no cancioneiro angustiado legado pelo cantor, compositor e músico cearense. São composições de letras poéticas que expuseram o peso da cabeça de um artista que pareceu ter almejado um lugar sagrado através da música.
Série que estreia no Canal Brasil dois meses antes do 80º aniversário do artista, “Alucinação” investe nessa tese ao mostrar os anseios, lacunas e tormentos da vida de Belchior enquanto refaz, em quatro episódios, parte do percurso acidentado de um artista de temperamento introspectivo, por vezes nublado.
Com pouca ação, o roteiro construído por Daniel Dias com Eduardo Albergaria – diretor dessa série cujos quatro episódios serão exibidos semanalmente aos sábados pelo Canal Brasil (o primeiro foi ao ar em 29 de agosto) – vai na contramão da adrenalina e da tensão dos produtos audiovisuais, investindo em tempos lentos em que imperam olhares e silêncios tradutores dos estados d’alma das personagens.
A base do roteiro é a biografia “Belchior – Apenas um rapaz latino-americano” (2017), escrita pelo jornalista Jotabê Medeiros e publicada quatro meses após a morte do cantor, interpretado na série pelos atores Caian Zattar (na juventude nos anos 1960 e ao longo da áurea década de 1970), Luiz Carlos Vasconcelos (nos últimos dez anos de vida do artista) e Márcio Levi (na infância, aos dez anos) em diferentes fases de existência presumivelmente sempre inquieta.
Com narrativa que vai e vem no tempo, a série “Alucinação” alterna cenas de Belchior nos anos 1960 e 1970 com flashes da vida itinerante do artista e da companheira Edna Prometheu pelo Uruguai e pelo Sul do Brasil, período em que Belchior se retirou da vida pública. Nessa fase, que foi de 2007 até 2017, ano da morte do artista, o arisco cantor é interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos enquanto a também enigmática Edna é vivida por Isabela Garcia.
Nesse período estranho em que nada fez muito sentido para o público de Belchior, o casal dependeu da bondade de estranhos e viveu fugindo, cúmplice, sem pouso fixo. Dessa fase, a cena em que Belchior cai no choro ao tentar tocar um violão deixa entrever dores que possivelmente consumiam a alma do artista.
No quarto e último episódio, entra em cena o Belchior da infância, vivido por Márcio Levi, em tentativa do roteiro de montar um quebra-cabeça que nunca fecha. A cena em que o garoto, à beira de riacho, ouve da mãe – Dolores (1921 – 2011), interpretada pela atriz Ana Luiza Rios – fábula sobre a morte é especialmente interessante.
Produzida por Leonardo Edde e Eduardo Albergaria para a Urca Filmes, a série “Alucinação” teve que ignorar o cancioneiro de Belchior – por questão jurídica – na trilha sonora montada por Amaro Freitas e Plínio Profeta (gênio do piano, Amaro participa do último episódio como um pianista que explica ao então menino Belchior a liberdade que pode ser exercida através da música).
Contudo, houve autorização para que a canção “Mucuripe” (1972) – parceria de Fagner com Belchior – fosse tocada ao vivo na série em cena que acaba em tensão entre Belchior e Fagner, interpretado pelo ator Vinicius Cater. É a cena que reconstitui a famosa briga dos artistas, na casa de Amelinha (Luana Martins), por conta de um casaco doado por Fagner a Belchior e repassado por este para a namorada – o que enraiveceu Fagner. A cena deixa no ar a impressão de que o casaco não foi exatamente a causa do ataque de fúria de Fagner…
Para quem desconhece a vida de Belchior antes da fama e antes mesmo da aproximação do futuro cantor no fim dos anos 1960 com a turma que ficou conhecida na mídia como Pessoal do Ceará, a série mostra no primeiro episódio a vida monástica de Belchior – então conhecido como Frei Sobral – em Mosteiro em Guaramiranga (CE), no interior do Ceará.
Belchior desistiu logo da vida de seminarista e a série “Alucinação” insinua que, após tentar ser médico, a música seria o caminho trilhado pelo cantor e compositor para ser abençoado e conquistar um lugar no altar da música brasileira.
Belchior nunca foi santo, mas, entre silêncios e olhares que dizem muito, os quatro episódios de “Alucinação” expõem um artista em busca da (con)sagração. E que talvez tenha preferido sumir ao se deparar com a realidade de que, em 2007, o mercado já lhe negava o status de divindade da música brasileira. Status que, a rigor, Antonio Carlos Belchior somente conseguiu quando se retirou definitivamente de cena, vítima do rompimento de uma veia que talvez não tenha aguentado o peso da cabeça e do coração do artista.
O ator Caian Zattar interpreta Belchior na juventude nos anos 1960 e ao longo da década de 1970 na série ‘Alucinação’, do Canal Brasil
Reprodução /Vídeo

Fonte: G1 Entretenimento

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Finda a ‘Equilibrium tour’, Anitta anuncia agenda do show carnavalesco que fará no verão, em janeiro, por oito cidades


Anitta fará oito apresentações dos ‘Ensaios da Anitta’ ao longo dos fins de semana de janeiro
Reprodução / X Anitta
♫ NOTÍCIA
♬ Mal Anitta cumpriu a agenda do show da “Equilibrium tour”, a artista já promove a turnê carnavalesca que fará por oito cidades do Brasil ao longo de janeiro de 2027, em pleno verão. O já tradicional “Ensaios da Anitta” terá em 2027 o tema “É festa no Brasil!”.
O cronograma da turnê carnavalesca prevê oito shows nos fins de semana de janeiro, em rota que começará por Belém (PA), em 9 de janeiro, e terminará em São Paulo (SP) em 31 de janeiro. No caminho, a artista fará “Ensaios da Anitta” em Recife (PE), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campinas (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Curitiba (PR).
As vendas iniciarão na terça-feira, 1º de setembro, para clientes com o cartão do patrocinador da turnê. Na quarta-feira, 2 de setembro, as vendas abrirão para o público em geral.
♪ Eis a agenda da turnê 2027 dos “Ensaios da Anitta”:
♩ 09/01/27 – Belém (PA)
♩ 10/01/27 – Recife (PE)
♩ 16/01/27 – Belo Horizonte (MG)
♩ 17/01/27 – Brasília (DF)
♩ 23/01/27 – Campinas (SP)
♩ 24/01/27 – Rio de Janeiro(RJ)
♩ 30/01/27 – Curitiba (PR)
♩ 31/01/27 – São Paulo (SP)

Fonte: G1 Entretenimento

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João Bosco revolve ‘Memória da pele’ com Vanessa Moreno no álbum dos 80 anos, ‘Amigos novos e antigos’


Vanessa Moreno integra o elenco estelar do álbum comemorativo dos 80 anos de João Bosco, ‘Amigos novos e antigos’
Reprodução / Facebook Vanessa Moreno
♫ NOTÍCIA
♬ Quando se apresentou no Rio Montreux Jazz Festival em 12 de outubro de 2023, João Bosco cantou “Memória da pele” – parceria do compositor com Waly Salomão (1943 – 2003) apresentada na voz de Maria Bethânia como música-título de álbum lançado pela cantora em 1989 – em duo com o violoncelista Jaques Morelenbaum em registro arrebatador de seis minutos.
A cantora Vanessa Moreno foi uma das convidadas daquele show – eternizado em maio do ano passado com a edição do álbum ao vivo “Corsário – Live at Rio Montreux Jazz Montreux” (2025) – mas cantou outras músicas com o anfitrião. Contudo, atento aos sinais da exuberância do canto da artista, Bosco convidou Vanessa Moreno para revolver “Memória da pele” com ele e com Jaques Morelenbaum.
A gravação do trio integra o álbum comemorativo dos 80 anos de Bosco, “Amigos novos e antigos”, previsto para ser lançado na íntegra em 25 de setembro, dois meses após o EP que antecipou seis das 17 faixas.
Além do feat de João Bosco com Vanessa Moreno, permanecem inéditos os duetos do cantor com Anitta, Bruna Black, Caetano Veloso, Chico Buarque, Ivete Sangalo e Jota.Pê, entre outros nomes.

Fonte: G1 Entretenimento

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Quem é MC Pipokinha, condenada após apresentação com conteúdo sexual diante de adolescentes


MC Pipokinha
Divulgação / Facebook da artista
A Justiça condenou a cantora Doroth Helena de Sousa Alves, conhecida como MC Pipokinha, e outras quatro pessoas envolvidas na realização do evento “Esquenta do Magrão”, em Corumbá (MS), ao pagamento de R$ 162,1 mil por danos morais coletivos.
Segundo a decisão, o evento teve uma apresentação com conteúdo sexual explícito em espaço público, acompanhada por adolescentes, incluindo jovens de cerca de 14 anos. (entenda o que aconteceu)
A cantora catarinense Doroth Helena de Sousa Alves tem 28 anos. Ela cresceu em Tubarão (SC) e atualmente mora em São Paulo.
MC Pipokinha ganhou destaque pelas letras ousadas e pelo vocal agressivo sobre batidas marcantes do funk de rua, estilo conhecido como “mandelão”.
Entre as músicas que ajudaram a projetar a cantora estão “Bota na Pipokinha”, “Eu sou a MC Pipokinha” e “Tira as Crianças da Sala”.
“Não é porque eu sou melhor”, explicou a cantora que causa espanto com os movimentos sexuais agressivos de seu show de funk. “Mas porque sou inteligente”, ela completa.
A sacada, segundo a MC, é ligar as letras ao palco. “É como se a história fosse a música, e o que eu apresento no meu espetáculo fosse um teatro”, diz. “Como se fosse um musical da putaria”, ela define.
No palco, seus dançarinos pegam os fãs que se habilitam a participar, jogam para cima e para baixo, dão tapas e golpes pélvicos. Pipokinha surge de coroa e se proclama “rainha da putaria”. As cenas de surras sexuais (consentidas pelos fãs) repercutiram nas redes.
O show explosivo da Pipokinha
O mentor do ‘Bum bum, tam tam’
A cantora tem contrato com a produtora de funk paulista Novo Império. O empresário Wagner Magalhães, o Vavá, é experiente em fenômenos no funk e dirigiu a carreira do MC Fioti na época do megahit “Bum bum tam tam” – tanto que é citado na música, no verso “‘tipo como? tipo Vavazinho”.
Nas redes sociais, Pipokinha alterna fotos provocantes com histórias de superação. Recentemente, mostrou o pai dirigindo um carro que ela deu de presente. “Meu ‘veinho’ tá de carro novo, obrigada, Deus”, ela disse, chorando.
MC Pipokinha
Divulgação/Instagram da artista
MC derrubada pelo Instagram
O perfil de Pipokinha, cheio de vídeos de golpes sexuais dos dançarinos, foi derrubado Instagram. Em setembro de 2022 a empresa suspendeu a conta @pipokinhareal por violar as “diretrizes da comunidade sobre propostas de cunho sexual”.
Ela entrou na Justiça de SP para retomar a conta e ainda pediu uma multa por danos morais de R$ 90 mil ao Facebook, dono do Instagram. O pedido de Pipokinha foi negado, mas ela pode recorrer.
A MC lamentava que tinha perdido mais de 510 mil seguidores na conta banida em setembro. Mesmo sem a vitória na Justiça, ela ganhou na prática: adotou a conta @pihrainha, onde já superou a base anterior, com 621 mil seguidores – e que também está fora do ar.
Fã derrubada por dançarino
Outro golpe recente foi um chute acidental que Jonas Kaik, dançarino de Pipokinha, deu em uma fã em um show no dia 12 de janeiro, no meio da dança sensual. No Instagram, ele lamentou o acidente, disse que ela foi atendida imediatamente e estava bem.
Depois de a fã ser socorrida (e de ficar “tudo tranquilo, tudo em paz” com ela, segundo Kaik), o acidente só fez aumentar a curiosidade sobre o show de Pipokinha. Desde o dia 12 de janeiro, ela aparece frequentemente entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil.
Acidente no show da MC Pipokinha
Em 2023, a cantora teve ao menos sete shows cancelados após fazer um vídeo em que debocha do salário de professores. Na época, ela perdeu apresentações no Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Distrito Federal, Espírito Santo, Rondônia, Minas Gerais e São Paulo.
MC Pipokinha debochou do trabalho e dos salários dos professores em resposta a um fã no Instagram, que tinha contado que discutiu com uma professora por causa da funkeira.
“Ser professora tem que amar muito a profissão, porque ouve desaforo dos filhos dos outros, tem nada pra fazer em casa mesmo, tem que ser professora. E ainda receber o que um professor recebe, que é quase nada. Professor é humilhado pra c… só de ser um professor”, afirmou a funkeira.
E completou: “Meu baile está R$ 70 mil: 30 minutinhos no palco, eu ganho R$ 70 mil. Ela não ganha nem R$ 5 mil sendo professora às vezes. Precisa estudar muito”.
Após a repercussão negativa da fala e de ter vários shows cancelados, a equipe jurídica da cantora se pronunciou dizendo que ela ‘se expressou de maneira dúbia’.
A equipe jurídica da cantora afirma que ela “infelizmente, vem sofrendo inúmeros ataques gratuitos na internet, em razão de ser atuante em questões de empoderamento feminino e por estar em constante crescimento na mídia, e ao ouvir palavras supostamente ditas por outra mulher, se expressou de maneira dúbia, dando assim, chance para interpretações pejorativas e que foram distorcidas de sua real intenção”.
Além dos lançamentos musicais e dos shows, Pipokinha também vende fotos e vídeos sensuais na Privacy, uma plataforma brasileira de venda de nudes, concorrente do Only Fans.
MC Pipokinha e dançarinos
Instagram da artista
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Fonte: G1 Entretenimento

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Grupo carioca Gafieirando saúda Paulo Moura e Zé da Velha em álbum que traz a voz de Guinga no ‘Bolero de Satã’


Capa do álbum ‘Gafieirando’, do grupo carioca Gafieirando
Micael Hocherman / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Compositor imortalizado pelos grandes e amargurados sambas-canção que legou à música brasileira, o gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 – 1974) está duplamente representado no repertório do álbum de estreia do grupo carioca Gafieirando.
O samba “Se acaso você chegasse” (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins, 1938) e o samba-canção “Nunca” (1952) integram o repertório de “Gafieirando”, álbum que tem lançamento programado para 18 de setembro com capa que expõe o grupo em foto de Micael Hocherman.
No álbum, editado pelo gravadora Kuarup, o grupo – liderado pela flautista e saxofonista Daniela Spielmann, doutora em música com pesquisa dedicada às gafieiras cariocas – tem a intenção de atiçar a memória afetiva dos bailes da cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Com a voz da cantora Alana Moraes e os sopros da flauta de Alexandre Romanazzi e do trompete de Silvério Pontes, o grupo afieirando traz para o salão músicas como “Bolero de Satã” (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1976) – ouvido nas vozes de Alana e do próprio Guinga – e “Olha eu aqui oh oh oh” (Roberto Corrêa e Jon Lemos, 1974), sucesso da cantora Evinha na década de 1970.
Completado pelos músicos Antonio Guerra (teclados e sanfona), Domingos Teixeira (violão e guitarra), Rodrigo Scofield (bateria) e Rodrigo Villa (contrabaixo), o grupo Gafieirando apresenta duas músicas inéditas no álbum – “Do balacobaco” (Sombra) e “Todo santo dia” (Chico Alves e Mauro Aguiar) – entre temas em homenagem ao trombonista Zé da Velha (1941 – 2025), celebrado em “O trombone do Zé” (Silvério Pontes e Daniela Spielmann), e ao clarinetista Paulo Moura (1932 – 2006), saudado com “Clarinete do Moura” (Silvério Pontes e Daniela Spielmann).
O repertório do álbum “Gafieirando” também inclui abordagens das músicas “Fibra” (Paulo Moura e Eloir de Moraes, 1971), “Gafieira carioca” (Zé Menezes) e “Reencontro” (Silvério Pontes).
Como o Gafieirando surgiu da expansão do Daniela Spielmann Trio, grupo formado em 2016, os músicos consideram que o álbum celebra os 10 anos de atuação do coletivo na cena carioca.

Fonte: G1 Entretenimento

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ENTRETERIMENTO

Rodrigo Santos canta Nelson Motta em álbum com Chico Chico, Frejat, Moska, Sandra Sá, Luiz Caldas e Leila Pinheiro


Nelson Motta (à esquerda) tem 16 músicas reunidas por Rodrigo Santos em álbum previsto para 23 de setembro
Leo Aversa / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Quando Rodrigo Santos entrou em cena na primeira metade dos anos 1980, como baixista e/ou vocalista de grupos como Prisma e Front, Nelson Motta vivia fase áurea como compositor, parceiro letrista de Lulu Santos em sucessos que surfavam na onda do pop rock que se ergueu no mar da música brasileira a partir de 1982.
O tempo correu, Rodrigo Santos ganhou projeção nacional em 1992 ao ser admitido como baixista da banda Barão Vermelho – na qual permaneceu até 2017 – e, paralelamente ao trabalho com o grupo carioca, iniciou em 2007 discografia solo que, quase 20 anos depois, encontra a obra de Nelson Motta em 2026.
O cantor se prepara para lançar no fim de setembro – a data prevista é 23 de setembro – um álbum em que aborda 16 músicas com letras de Nelson Motta, com ênfase no cancioneiro pop assinado pelo compositor e jornalista entre 1977 e 1984. O álbum se chama “Rodrigo canta Nelson” e, além da edição digital, também será lançado no formato físico de LP duplo.
Com produção musical orquestrada por Rodrigo Santos com dois músicos que integravam a banda Front, Nani Dias e Ricardo Palmeira, o songbook com músicas de Nelson Motta vem recheado de convidados. O feat com Paula Toller no bolero havaiano “Como uma onda (Zen surfismo)” (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983) já foi lançado em single disponibilizado em 12 de agosto.
Na próxima quarta-feira, 2 de setembro, será lançado o single com a gravação de “Perigosa” (Roberto de Carvalho, Nelson Motta e Rita Lee, 1977) , sucesso das Frenéticas revivido por Rodrigo com a voz de Chico Chico e a guitarra de Andy Summers.
O repertório do álbum “Rodrigo canta Nelson” abarca outro grande hit das Frenéticas, “Dancin’ days” (Ruban e Nelson Motta, 1978), regravado pelo artista com Fernanda Abreu, pioneira cantora do pop brasileiro de pista.
Da parceria de Nelson Motta com Lulu Santos, cancioneiro que influenciou o caminho pop que seria seguido por Rodrigo Santos, o cantor aborda “De repente, Califórnia” (1981), “Palestina” (1982), “Certas coisas” (1984) e “Tudo azul” (1984) em feats com Rogério Flausino, Sandra Sá, Paulinho Moska e Luiz Caldas, respectivamente.
Contudo, a seleção de Rodrigo também extrapola a fase em que Nelson Motta e Lulu Santos acumularam tesouros da juventude. A balada “Vênus e marte” (2011), música da parceria de Motta com Erasmo Carlos (1941 – 2022), reaparece em registro com a voz e a guitarra de Roberto Frejat, colega de Rodrigo no Barão Vermelho.
Outra música da parceria de Nelson com Erasmo, “Noturno carioca” (2009) – canção ambientada em clima de bossa nova – ganha a voz de Leila Pinheiro, cantora identificada com o gênero. Já “Coisas do Brasil” (Guilherme Arantes e Nelson Motta, 1986) – sucesso na voz de Leila em regravação de 1993 – é cantada por Rodrigo Santos com Fernanda Takai.
O repertório do álbum “Rodrigo canta Nelson” também inclui “Ladeira”, única parceria de Nelson Motta com a banda Jota Quest.

Fonte: G1 Entretenimento

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ENTRETERIMENTO

Jota Quest se equilibra bem no balanço de Tim Maia em álbum com groove, energia boa, reverência, raridades e hits


Capa do álbum ‘Jota Quest & Tim Maia – Dance enquanto é tempo’
Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Jota Quest & Tim Maia – Dance enquanto é tempo
Artistas Jota Quest e Tim Maia
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ Nos aplicativos de áudio desde a noite de quinta-feira, 27 de agosto, o álbum “Jota Quest & Tim Maia – Dance enquanto é tempo” é um disco em que o grupo mineiro de soul pop canta o repertório do cantor carioca com o próprio Tim Maia.
Voz fundamental na construção do universo do funk e soul brasileiros, em movimento feito entre o fim da década de 1960 e o início dos anos 1960, Sebastião Rodrigues Maia (28 de setembro de 1942 – 15 de março de 1998) pavimentou caminho seguido pelo Jota Quest há 30 anos.
Sintomaticamente, o ponto de partida da trilha de sucesso da banda de Rogério Flausino (voz), Marco Túlio Lara (guitarra), Marcio Buzelin (teclados), PJ (baixo) e Paulinho Fonseca (bateria) foi o lançamento da segunda versão do álbum “J. Quest” (1996), editada em 1996 com regravação de funk de autoria de Tim e Paulo Ricardo, “Dance enquanto o tempo” (1976), lançada 20 anos antes por Tim.
Três décadas depois daquele disco de 1996, a música “Dance enquanto o tempo” reaparece no título – mas não no repertório – do álbum lançado pelo Jota Quest neste ano de 2026, lembrando o vínculo do quinteto com Tim Maia. Neste álbum de 2026, valorizado pela azeitada produção musical de PJ, baixista da banda, o Jota Quest se escora em Tim Maia.
Em maior ou menor grau, a voz do cantor é ouvida em dez das 16 músicas do álbum, o que justifica o nome de Tim Maia aparecer no título. A rigor, trata-se quase de um trabalho conjunto, que une postumamente a banda com o ator com o aval do filho de Tim, Carmelo Maia, creditado como coprodutor.
Como o primeiro single do álbum sinalizou em 4 de dezembro do ano passado, há quase nove meses, ao apresentar a gravação do funk-disco “Acenda o farol” (1978) o Jota Quest canta Tim Maia – com ou sem o cantor – com extrema reverência, várias vezes na fronteira do cover, como comprova a abordagem da balada “Você” (1969).
Ainda assim, seria injusto negar os méritos de álbum calcado na exuberância do groove dessa banda formada por grandes instrumentistas, músicos cujo virtuosismo que salta aos ouvidos com a mixagem de João Milliet e a masterização de Chris Gehringer, ambas primorosas.
Seja mergulhando com a rapper Negri Li na vibe festiva de “O descobridor dos sete mares” (Michel e Gilson Mendonça, 1983), seja caindo com o próprio Tim Maia no samba-soul “Gostava tanto de você” (Edson Trindade, 1973), o Jota Quest se equilibra bem no balanço do Síndico.
O groove aliciante da intro “Seroma” (2026) – tema inédito composto pela banda com base sobre a qual ouve-se a voz de Tim salpicar informações de caráter biográfico – dá a pista certeira do suingue do álbum.
A energia de “Jota Quest & Tim Maia – Dance enquanto é tempo” é boa. E os convidados ajudam a dar frescor a músicas mais ou menos batidas, caso de “Imunização Racional (Que beleza)” (1975), hit da controvertida fase Racional de Tim Maia, revivido pelo Jota Quest com o jovial trio Os Garotin e com Carlinhos Brown (na percussão). O molho de Thiaguinho também dá outro tempero ao samba-soul “Réu confesso” (1973), ainda que o balanço evoque o arranjo original da gravação original de Tim.
É justo reconhecer que o Jota Quest soube ir além dos greatest hits de Tim Maia na seleção do repertório, ainda que não tenha evitado sucessos óbvios como “Azul da cor do mar” (1970), “Primavera” (Cassiano e Silvio Roachel, 1970) – faixa, aliás, com jeito de cover – e “Não quero dinheiro (Só quero amar)” (1971), outro cover, mas infalível em qualquer pista (fala de Tim é ouvida na introdução da faixa, mas quem canta é somente o vocalista Rogério Flausino).
Sem falar em “Vale tudo” (1983), funk também irresistível, revisitado pelo Jota Quest em feat com Tim Maia e com atualizações na letra politicamente incorreta (“Agora vale tudo”, sublinha Flausino).
Música composta por Tim em tributo a Minas Gerais, estado natal do Jota Quest, o funk “Vou com gás”(1979) – ouvido em feat virtual de Tim com Rogério Flausino – é grata surpresa do álbum “Jota Quest & Tim Maia – Dance enquanto é tempo”.
Outra bem-vinda raridade é “Estrela do meu show”, versão em português – escrita pelo próprio Tim – de “You’re a the star of my show” (Allen Jones, Bertram Brown, Terry Bartlett, William Sumlin e Vince Ricari Williams), música do repertório da banda norte-americana de soul e R&B Kwick. Tim lançou “Você é a estrela do meu show” – com o você no título, pronome suprimido pelo Jota – em single obscuro de 1981. “Estrela do meu show” brilha muito no toque do Jota Quest.
Samba-soul de Tim em parceria com Hyldon, “I don’t know what to do with myself” (1971) tenta harmonizar o canto de Flausino com a voz suave de Mãeana, convidada surpreendente, enquanto a lembrança de “Sossego” (1978) traz Tony Tornado – um dos arquitetos do funk brasileiro – em gravação feita com a adesão de Lincoln Tornado, filho de Tony. “Sossego” é o maior sucesso do álbum de 1978 em que Tim Maia, atento aos sinais, inseriu o funk no universo da disco music, então dominante no universo pop.
Encerrado com o funk “Racional culture” (Beto Cajueiro, 1976), faixa na qual o Jota Quest rebobina versos falados por Tim Maia na gravação do álbum “Tim Maia Racional vol. 2” (1976), o álbum “Jota Quest & Tim Maia – Dance enquanto é tempo” oferece munição para detratores do quinteto em uma ou outra faixa. Contudo, o saldo é positivo porque o groove da banda anima o baile do início ao fim. A festa é boa!
A banda Jota Quest assina com Tim Maia (1942 – 1998) o álbum em que apresenta o inédito tema autoral ‘Seroma’ entre 15 músicas do repertório do cantor
Fernando Young / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento