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Sandra Sá tem ‘voz ancestral’ incluída em música do quinto álbum de estúdio do grupo Black Pantera, ‘Continental’


O trio Black Pantera faz feat com Sandra Sá em ‘Quanto canto’, música do ainda inédito quinto álbum de estúdio da banda, ‘Continental’
Hugo Brito / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Quinto álbum de estúdio do grupo mineiro Black Pantera, “Continental” chega ao mundo digital em 21 de agosto com a voz de Sandra Sá, cantora carioca projetada em 1980 como representante feminina da dinastia funk e soul aberta no Brasil por nomes como Cassiano (1943 – 2021), Tim Maia (1942 – 1998) e Tony Tornado na virada dos anos 1960 para a década de 1970.
Sandra faz feat com a banda mineira de thrash metal e hardcore punk na música “Quando canto”, composição que integra a inédita safra autoral reunida por Chaene da Gama (baixo e voz), Charles Gama (voz e guitarra) e Rodrigo Pancho (bateria e percussão) no álbum “Continental”.
“Quando gravamos a música, sentimos que caberia uma voz, uma voz ancestral, uma voz poderosa. Aí pensamos em Sandra, ela ouviu a música e topou na hora. É uma honra imensa ter uma artista do calibre de Sandra Sá no álbum do Black Pantera”, celebra o baixista e vocalista Chaene da Gama.
Gravado pelo grupo em janeiro deste ano de 2026, no estúdio Tambor, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o álbum “Continental” apresenta músicas que versam sobre questões ancestrais, abordadas pelo trio a partir das vivências dos integrantes da banda.
Além de “Quando canto”, o repertório inclui músicas como “Start the game” – lançada em 13 de julho como primeiro single do álbum “Continental” – e “Hórus”, faixa escolhida para ser o segundo single e já em rotação desde ontem, 31 de julho.
O título “Hórus” faz referência ao Olho de Hórus, símbolo egípcio associado ao espelho da alma e à proteção contra o mau-olhado – significado perceptível em versos antenados como “Todos os passos, todos os atos / O peso dos meus erros é multiplicado / Dia após dia / Sonhando com a minha queda / Zica, sai pra lá / Quem me guarda nunca erra / Em nome do Pai / Do Filho e do Preto Santo / Amém, Axé”.
Além do toque potente do trio, a gravação de “Hórus” foi feita com Rodrigo Tavares (Hammond e teclados) como músico convidado.

Fonte: G1 Entretenimento

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Sinfonia brasileira do MPB4 atraca no porto seguro da orquestra da Petrobras em álbum valorizado pelos arranjos


MPB4 lança álbum com o registro de concerto apresentado em outubro de 2024 e gravado meses depois na sala de ensaios da sinfônica da Petrobras
Daniel Ebendinger / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: MPB4 sinfônico
Artista: MPB4 e Orquestra Petrobras Sinfônica
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ Incursões de sinfônicas pelo universo da música popular brasileira já são recorrentes na discografia nacional. No mundo fonográfico digital desde ontem, 31 de julho, o álbum “MPB4 sinfônico” registra o concerto que marcou o encontro do grupo fluminense com a Orquestra Petrobras Sinfônica em outubro de 2024 como parte das comemorações dos 60 anos do conjunto aglutinado em 1962 – no politizado ambiente universitário de Niterói (RJ) – e profissionalizado em 1964.
Gravado meses depois, já em 2025, na sala de ensaios da orquestra carioca na Fundição Progresso (RJ), o álbum alinha 14 músicas que soam como boa amostra da trajetória igualmente engajada deste grupo que é uma das mais completas traduções do universo da MPB, rótulo dado a uma música produzida a partir dos anos 1960 por artistas de formação geralmente universitária, como Chico Buarque – cantor e compositor de carreira indissociável do MPB4 até meados dos anos 1970 e, por isso mesmo, autor de seis das 14 músicas do álbum “MPB4 sinfônico” – e Gilberto Gil.
A propósito, Gil é o parceiro de Chico em “Cálice” (1973), reouvida na sinfonia em tom sacro e por vezes até meio fúnebre no arranjo de Itamar Assiere, em registro que se afina com o tom apropriadamente lamentoso de “Angélica” (Miltinho e Chico Buarque, 1977). Pianista, Assiere integra o naipe de arranjadores do álbum “MPB4 sinfônico” ao lado de Gilson Santos, Jaime Alem e Paulo Malaguti Pauleira.
Com o toque da orquestra regida pelo maestro Felipe Prazeres, Aquiles Reis (voz), Dalmo Medeiros (voz e viola caipira), Miltinho (voz e violão) e Paulo Malaguti Pauleira (voz e teclados) rebobinam um repertório que geralmente se ajusta bem à moldura sinfônica, incluindo standards como “O cio da terra” (Chico Buarque e Milton Nascimento, 1977).
É fato que todas as 14 músicas já foram mais bem gravadas pelo MPB4 ao longo de discografia de vigor concentrado nos anos 1960 e 1970. Ainda assim, há muitas belezas na sinfonia brasileira do grupo em álbum valorizado pelos arranjos.
Com arranjo de Paulo Malaguti, “Porto” (Dori Caymmi, 1975) ganha melancolia na introdução com os toques de violinos, oboés e trompas ouvidos antes dos vocais do quarteto. Já “Notícias do Brasil (Os pássaros trazem)” (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) – música que somente entrou na discografia do MPB4 há dois anos em gravação feita com Milton Nascimento para o álbum “60 anos de MPB” (2024) – ganha ares épicos no arranjo de Itamar Assiere enquanto o samba-canção “Última forma” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1972) tem as cicatrizes da desilusão amorosa acarinhadas pelas cordas.
Aliás, na mesma linha sofrida de “Última forma”, o MPB4 remói “Cicatrizes” (Miltinho e Paulo César Pinheiro), samba que batizou o antológico álbum de 1972 em que apareceu “Última forma”.
Com inventivo arranjo de Gilson Santos, “O ronco da cuíca” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975) – samba lançado na voz de Simone – evolui cheia de quebras, caindo de forma inusual no suingue sinfônico em orquestração que evidencia as percussões de Pedro Moita e Tiago Calderano.
E eis que, após parceria de Ivan Lins e Vitor Martins (“Velas içadas”, de 1979) e após músicas de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) como “Samba do avião” (1962) e “Falando de amor” (1979), chega “Roda viva” (Chico Buarque, 1967) no arremate do álbum editado pela gravadora Biscoito Fino.
E aí não tem como a sinfonia do MPB4 se desviar do arranjo original criado para o festival de 1967 por Antônio José Waghabi Filho (14 de novembro de 1943 – 8 de agosto de 2012), o Magro, responsável pela identidade vocal do MPB4, grupo que encontra um porto seguro no toque sinfônico da orquestra da Petrobras.
Capa do álbum ‘MPB4 sinfônico’, de MPB4 & Orquestra Petrobras Sinfônica
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Barca dos Corações Partidos ancora em cena com espetáculo norteado pela obra afetuosa e política de Gonzaguinha


Obra de Gonzaguinha (1945 – 1991) é o mote do próximo espetáculo do grupo teatral Barca dos Corações Partidos
Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Foi a partir de espetáculo sobre Luiz Gonzaga (1912 – 1989), encenado em 2012, que surgiu o grupo teatral carioca Barca dos Corações Partidos – Cia Brasileira de Movimento e Som.
Após se consolidar com montagens como a de “Jacksons do Pandeiro” (2020), espetáculo baseado na trajetória de Jackson do Pandeiro (1919 – 1982), um dos pilares musicais da nação nordestina, a Barca ancora em cena neste segundo semestre de 2026 com espetáculo norteado pela vida e obra de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (22 de setembro de 1945 – 29 de abril de 1991), o Gonzaguinha, filho de Luiz Gonzaga.
O título do espetáculo, “É Gonzaguinha”, alude ao samba “É”. lançado em 1988 pelo cantor e compositor carioca e propagado na trilha sonora da novela “Vale tudo” (1988 / 1989).
Criado no Morro do Estácio, berço de bambas seminais, Gonzaguinha construiu obra sólida, calcada no amor e na política, entre sambas e boleros, gêneros recorrentes no cancioneiro do artista.
Imagem promocional do espetáculo ‘É Gonzaguinha’, da Barca dos Corações Partidos
Reprodução / Facebook Barca dos Corações Partidos

Fonte: G1 Entretenimento

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Rock in Rio anuncia venda extraordinária de ingressos para todos os dias da edição de 2026


Rock in Rio divulga atrações para os dias 6 e 13 de setembro
O Rock in Rio anunciou uma nova venda de ingressos para todos os dias da edição de 2026. A venda começará no dia 6 de agosto, às 12h, pelo site da Ticketmaster.
Segundo a organização, essa será a última chance de compra para qualquer data do evento. Os ingressos disponibilizados nesta etapa são remanescentes da venda geral feita em junho, além de bilhetes referentes a compras não finalizadas ou transações canceladas.
O ingresso custa R$ 870 a inteira, R$ 435 a meia-entrada e R$ 739,50 para clientes Itaú.
VEJA PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO ROCK IN RIO 2026
Dia 4 de setembro
Palco Mundo
Foo Fighters se apresenta no The Town 2023
Luiz Gabriel Franco/g1
Foo Fighters
Rise Against
The Hives
Nova Twins
Palco Sunset
Capital Inicial convida Dado Villa-Lobos
Hot Milk
Detonautas convidam Biquini
Di Ferrero
New Dance Order
Steve Angello
Giu x Carola
Atkö
Cat Dealers
Espaço Favela
Rodrigo do CN
Hitmaker
GBZ7N
Palco Supernova
Diogo Defante
Venere Vai Venus
Rock in Gil com Larissa luz
Chady
Palco Global Village
Giovana Moraes
Leela
Paulinho Moska
Dia 5 de setembro
Palco Mundo
Avenged Sevenfold fecha Palco Mundo no primeiro final de semana de Rock in Rio
Stephanie Rodrigues/g1
Avenged Sevenfold
Bring Me The Horizon
MGK
Sepultura
Palco Sunset
Bad Omens
Poppy
Black Pantera convida Nervosa
Malvada convida Day Limns
New Dance Order
James Hype
Volkoder
Camina Jun x Eli Iwasa
Victor Lou
Espaço Favela
Major RD
Canto Cego
Quantum
Palco Supernova
Zerobadass
Mc Taya
Lvcas
Supercombo
Palco Global Village
Korzus
Noturnall + Russell Allen
Rhegia
Dia 6 de setembro
Palco Mundo
Calvin Harris
Reprodução/Instagram
Calvin Harris
Black Eyed Peas
Nelly
Barão Vermelho Encontro Formação Original convida Fernando Magalhães
Palco Sunset
Ne-Yo
Jota Quest toca Tim Maia
BaianaSystem
Calema
New Dance Order
Meduza
Casa Bonita / Brisotti & Viot
Liu
Sofi Tukker
Espaço Favela
Xamã
Rael
Budah
Palco Supernova
João Gordo & Asteroides Trio em “Blitzrieg Psycho Bop Ramones 50”
Matanza Ritual
Bayside Kings
O Escritório
Palco Global Village
Mohamed Ramadan
Mãeana
Bento Gil convida Flor Gil
Dia 7 de setembro
Palco Mundo
Elton John durante a apresentação no festival Glastonbury, no domingo (25)
Oli Scarf/AFP
Elton John
Gilberto Gil
Jon Batiste
Luísa Sonza convida Roberto Menescal
Palco Sunset
Laufey
Péricles canta Motown
Roupa Nova convida Guilherme Arantes
Vanessa da Mata convida Rubel
New Dance Order
Fatboy Slim
Aline Rocha
Leo Janeiro & Simo Not Simon
Max Styler
Espaço Favela
Belo
Mart’nália
Tiee
Palco Supernova
Maui
Melly
Zeca Veloso
Alee
Palco Global Village
João Bosco
Joyce Moreno, Leila Pinheiro e Fernanda Takai
Wanda Sá
Dia 11 de setembro
Palco Mundo
Stray Kids
Divulgação
Stray Kids
Alok – Keep Art Human
Hwasa
Nexz
Palco Sunset
Jamiroquai
PJ Morton
Os Garotin convidam Duquesa
Jota.Pê convida Luedji Luna e Zaynara
New Dance Order
Neelix & Vegas
Omiki
Departamento
Anna
Espaço Favela
MC Cabelinho convida TZ da Coronel
Puterrier & MC Carol
Caio Luccas
Palco Supernova
Muse Maya
Isa Buzzi
Ananda
NandaTsunami
Palco Global Village
Soulidifield
Rio Bronx
Lambateria com Félix Robatto
Dia 12 de setembro
Palco Mundo
Maroon 5 no The Town 2023
Reprodução/Multishow
Maroon 5
Demi Lovato
J Balvin
Pedro Sampaio
Palco Sunset
Mumford & Sons
João Gomes ao lado da Orquestra Brasileira
Gilsons convida Daniela Mercury e Olodum
Criolo, Amaro & Dino
New Dance Order
Alok Pres. Rave The World
Alok & Family – Ekanta, Swarup
Gabe
Adam Sellouk
Bhaskar
Espaço Favela
Timbalada
Priscila Senna
Soul de Brasileiro
Palco Supernova
Celo Dut
Yago Oproprio
Milo J
Delacruz
Palco Global Village
Mestrinho
Hamilton de Holanda
Badi Assad
Dia 13 de setembro
Palco Mundo
Twenty One Pilots se apresenta no Lollapalooza 2023
Rafael Leal/g1
Twenty One Pilots
Halsey
Lola Young
Ivete Sangalo
Palco Sunset
Zara Larsson
Marina Sena convida Céu
Joelma convida Viviane Batidão
Carol Biazin convida Joyce Alane
New Dance Order
John Summit
Roddy Lima
Illusionize
Dawn Patrol / Maz, Andot, Riascode, Bakka
Espaço Favela
Dennis
Suel
Marvvila
Palco Supernova
Ar Baby
Bruna Black
Sant
Lourena
Palco Global Village
Kynnie
Luci Alves
Haley Smalls

Fonte: G1 Entretenimento

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Governo Trump usa música de Bad Bunny em vídeo com prisões feitas pelo ICE


Trump detona show de Bad Bunny
Montagem/g1
A conta oficial da Casa Branca no TikTok postou um vídeo de deportações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) com uma música de Bad Bunny como trilha.
Na publicação, feita nesta sexta-feira (31), o governo Trump utiliza a introdução de “La MuDANZA”, do álbum mais recente do cantor, “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”.
No trecho, o artista porto-riquenho diz: Aplausos para mamãe e papai porque eles arrasaram de verdade.
O vídeo adapta a frase pedindo aplausos para o presidente Donald Trump. Na sequência, aparecem pequenos trechos de detenções realizadas pelo ICE.
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O cantor já se manifestou publicamente contra o ICE e a política imigratória do governo republicano. Em um dos discursos no Grammy neste ano, em que ele levou três prêmios, chegou a dizer, no palco: “Fora, Ice”.
Bad Bunny também foi destaque no Super Bowl deste ano. Com Lady Gaga e Ricky Martin entre os convidados, a apresentação foi repleta de simbolismo e mensagens sobre a cultura latino-americana.
Trump não gostou. Sem citar o nome do artista, o republicano chamou o show de “bagunça”.
“Absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, disse em postagem nas redes sociais.
Agora no g1

Fonte: G1 Entretenimento

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Martinho da Vila cita Sinhô ao gravar samba de Claudio Jorge e Nei Lopes em álbum com música inéditas


Martinho da Vila apronta álbum somente com músicas inéditas
Leo Aversa / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Em abril, nas brechas da turnê que vem apresentando com a filha Mart’nália pelo Brasil, Martinho da Vila começou a gravar álbum com músicas inéditas. O repertório prevê uma parceria do compositor com Gilberto Gil.
Fora da lavra autoral de Martinho, uma das músicas do disco é “Biometria”, samba composto por Claudio Jorge e Nei Lopes em setembro de 2020. “Biometria” ganha a voz de Martinho com arranjo de Rildo Hora.
♪ Eis a letra do samba “Biometria”, que menciona o pioneiro sambista Sinhô (1888 – 1930) em vários versos:
“Biometria” (Claudio Jorge e Nei Lopes)
“Dona Maria foi votar pela democracia
Mas na hora da biometria
A impressão não foi legal (nem digital)
Aí o voto
No formato que inventaram
Acabou saindo muito caro
E a baiana se deu mal
Roubaram, pintaram, bordaram
Superfaturaram sem nenhum pudor
Fundaram uma mediocracia
Dizendo que agiam em nome do Sinhô
Que era aquele mulato maneiro
Pianeiro e compositor
Que pra ela, baiana de classe,
Pediu que jurasse pelo Redentor
E antes que ele avançasse
E aí penetrasse
A catedral do amor
Dona Maria fugiu pra Bahia
E nunca mais votou…
Em nome do Sinhô, Ioiô
Em nome de Sinhá, Iaiá
Dona Maria voltou pra Bahia
E não quis mais votar
Em nome de Sinhá, Iaiá
Em nome do Sinhô, Ioiô
Dona Maria se foi pra Bahia
E nunca mais votou”

Fonte: G1 Entretenimento

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Manolo Solo, ator espanhol de ‘O Labirinto do Fauno’, morre aos 62 anos


Manolo Solo em The Good Boss (2021)
Divulgação
O ator espanhol Manolo Solo morreu na madrugada desta quinta-feira (30), aos 62 anos. A informação foi confirmada pela Academia de Cinema da Espanha.
Solo ganhou projeção internacional ao interpretar Garcés, um dos soldados do cruel capitão Vidal, em “O Labirinto do Fauno” (2006), filme dirigido por Guillermo del Toro e vencedor de três Oscars.
Agora no g1
Manolo Solo venceu o prêmio Goya de Melhor Ator Coadjuvante, principal premiação do cinema espanhol, pelo papel de Triana no filme “Tarde para la ira”, de 2016. Em “Biutiful”, indicado ao Oscar de melhor filme internacional, o ator viveu médico que atende o protagonista Uxbal, interpretado por Javier Bardem.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Lauana Prado dá à luz primeiro filho, Dom, em São Paulo


Lauana Prado dá à luz primeiro filho
Reprodução
Lauana Prado deu à luz Dom, seu primeiro filho. Segundo a assessoria da cantora, ele nasceu na manhã desta sexta-feira (31), em São Paulo. Mamãe e bebê passam bem.
“O bebê veio ao mundo em São Paulo, por volta das 7h30, na 38ª semana de gestação, marcando um dos momentos mais especiais da vida da artista Dom nasceu saudável, por meio de uma cesariana, pesando 2,995 kg. O nome escolhido para o bebê também carrega um significado especial. De origem latina, ‘Dom’ deriva de Dominus e significa ‘Senhor’ ou ‘Dono’, estando associado a força, liderança e autoridade”, afirmou a assessoria da cantora em comunicado.
Lauana anunciou a gravidez em uma publicação no Instagram, em janeiro.
Dom foi concebido por meio da fertilização in vitro (FIV), técnica de reprodução assistida escolhida por Lauana após o congelamento de embriões. De acordo com a assessoria da artista, para a fecundação, “a cantora recorreu a um banco internacional de sêmen e, após quatro tentativas de coleta, conseguiu embriões viáveis. O embrião que deu origem à gestação foi transferido para o útero em novembro do ano passado e, semanas depois, o primeiro ultrassom confirmou o desenvolvimento saudável da gravidez.”
Há cerca de um mês, a cantora oficializou sua união com Tati Dias em uma cerimônia intimista à beira-mar, em Ubatuba, no litoral de São Paulo. Realizada no fim de junho, a celebração reuniu familiares e amigos próximos e marcou o início de uma nova fase na vida do casal. Pouco antes do anúncio da gestação, Lauana e Tati haviam anunciado o fim do noivado, mas reataram semanas depois. As duas estão juntas desde 2024 e haviam anunciado o noivado em junho de 2025.
Há duas semanas, Lauana gravou o projeto audiovisual “Cantos da Casa”, com canções em um clima intimista.
O repertório tem bons modões, do jeito que a cantora gosta… e uma música especial, “Dom”, que leva o nome do filho dela.
“É um registro histórico que vai permear a minha vida por anos e vou poder mostrar para [o meu filho]”, disse ao g1.
“‘Dom’ é uma música que ia nascer de qualquer forma. No momento em que eu descobri que eu tava grávida, eu queria muito já registrar musicalmente uma declaração sobre como isso tem sido para mim. Acho que ‘Dom’ fala muito sobre isso e não deixa tão literal o amor materno, mas ele traduz de maneira muito real o que eu tenho vivido diante da minha gestação””, contou Lauana.
Grávida de 8 meses, Lauana Prado grava audiovisual e dedica música ao filho

Fonte: G1 Entretenimento

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João Bosco percorre alamedas na memória com a exuberância do álbum ‘Amigos novos e antigos – Parte I’


João Bosco lança hoje, 31 de julho, EP com seis das 17 faixas do álbum ‘Amigos novos e antigos’
Victor Correa / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: João Bosco
Artista: Amigos novos e antigos – Parte I
Cotação: ★ ★ ★ ★ ★
♬ Dois fatores valorizam o álbum revisionista de duetos com que João Bosco celebra os 80 anos completados em 13 de julho. O primeiro é que o cantor, compositor e violonista mineiro nunca tinha gravado um disco calcado em feats – e o time de convidados das 17 faixas inclui nomes do quilate de Anitta, Bruna Black, Caetano Veloso, Cesar Camargo Mariano, Chico Buarque, Hamilton de Holanda, Ivete Sangalo, Jota.Pê, Mart’nália, Mestrinho, Tiago Iorc e Zeca Pagodinho.
O segundo fator é que, ao reformatar a obra sob a direção artística da filha Julia Bosco, idealizadora do projeto em parceria com o pai, João chamou o trombonista Rafael Rocha para dividir a produção musical e os arranjos do álbum intitulado “Amigos novos e antigos”.
Os arranjos de cordas e sobretudo os de metais criados por Rafael Rocha – ele mesmo um dos amigos recentes por ser expoente da nova geração de músicos e arranjadores da música brasileira – deram um sopro de novidade às músicas, afastando o perigo do déjà vu. Pelo menos é o que se conclui com a audição da primeira amostra do álbum, um EP com seis das 17 faixas, apresentado hoje, sexta-feira, 31 de julho (o álbum completo tem lançamento previsto para 25 de setembro).
Ideal, o título do álbum “Amigos novos e antigos” reproduz o nome da composição de João Bosco e Aldir Blanc (1946 – 2020) lançada em 1974 por Maria Alcina e regravada no ano seguinte por Vanusa (1947 – 2020) como música-título do álbum em que a cantora tentou se aproximar do universo da MPB.
E por falar em Maria Alcina, a cantora mineira foi a intérprete original de “Kid Cavaquinho” (João Bosco e Aldir Blanc, 1974), invocado samba que ora desliza macio em salão de gafeira, conduzido pelos sopros de Rafael Rocha, em gravação que junta Bosco com Mart’nália, cantora esperta, sagaz, talhada para esse samba que exige astúcia dos intérpretes.
João Bosco programa o lançamento do álbum completo para 25 de setembro
Leo Aversa / Divulgação
“Kid Cavaquinho” abre o EP “Amigos novos e antigos – Parte I”, seguido por outro samba, “Nação” (João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, 1982), exuberante na anti-exaltação do Brasil da fome da boca do lixo. Em “Amigos novos e antigos – Parte I ”, Hamilton de Holanda dá a esse Brasil o contorno ágil e expressivo do bandolim de 10 cordas do músico. Somente após o segundo dos quase seis minutos da gravação é que Bosco começa a cantar “Nação”, redesenhando o samba como o único intérprete capaz de encarar o antológico registro original da cantora Clara Nunes (1942 – 1983).
Única faixa do EP sem convidados, “Boca de sapo” (João Bosco e Aldir Blanc, 1979) é reaberta com o gagabirô do canto de Bosco, evocando a África contida na voz de Clementina de Jesus (1901 – 1987), cantora com a qual Bosco gravou o samba em 1979.
Com a ginga carioca aprendida pelo mineiro na vivência no Rio de Janeiro (RJ), João Bosco também repõe na panela “Siri recheado e o cacete” (João Bosco e Aldir Blanc, 1980) com o tempero de Zeca Pagodinho, escolha sagaz porque a crônica de Aldir nesse samba dialoga com o universo também cronista do pagode carioca da geração Fundo de Quintal da década de 1980 em que Zeca emergiu em 1983 como partideiro de alta sagacidade. Os sopros são a pimenta da iguaria.
Já “Perfeição” (João Bosco e Francisco Bosco, 2009) – grande surpresa da seleção dessa primeira parte – vem embalada por cordas condizentes com o clima ameno dessa composição em que Bosco também se mostra herdeiro da bossa de outro João, o gênio baiano João Gilberto (1931 – 2019).
Convidado da faixa, Tiago Iorc se ambienta naturalmente no clima à beira-mar de “Perfeição” no momento mais surpreendente de “Amigos novos e antigos – Parte I”.
Arrematando o EP, João Bosco reconstrói “Casa de marimbondo” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975) com os teclados de Cesar Camargo Mariano. Assim como na faixa com Hamilton de Holanda, a voz de Bosco é ouvida somente por volta do segundo minuto da gravação, cujo arranjo é naturalmente calcado nas teclas virtuosas de Mariano.
Enfim, a julgar por essa primeira parte, o álbum “Amigos novos e antigos” resulta exuberante, com sons e cantos afinados percorrendo alamedas na memória da pele e da música atemporal do octogenário João Bosco.
Capa do álbum ‘Amigos novos e antigos – Parte I’, de João Bosco
Victor Correa / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Maior equívoco do filme ‘A Odisseia’ é misoginia do diretor Christopher Nolan, diz especialista em mitologia grega


Penélope é interpretada por Anne Hathaway no filme. Segundo Cláudio Moreno, na epopeia ela é uma mulher poderosa e inteligente
Universal Studios
Poucas obras carregam o peso simbólico de A Odisseia. Séculos depois de ser escrita, a jornada de Odisseu — nome grego do herói que ficou conhecido como Ulisses na tradução para o latim — continua sendo revisitada em diferentes linguagens e ganhou uma nova adaptação para o cinema pelas mãos de Christopher Nolan.
O filme de Nolan estreou com a maior bilheteria da carreira do diretor. Mas, para Cláudio Moreno, professor, autor de crônicas sobre o mundo antigo (reunidas nas coletâneas Um Rio que Vem da Grécia, 100 Lições para Viver Melhor – Histórias da Grécia Antiga e Noites Gregas), a adaptação deixa de lado justamente uma das dimensões mais importantes do poema atribuído a Homero: a força e a complexidade de suas personagens femininas.
“Homero, quem quer que seja Homero, fez na Odisseia um livro com mulheres poderosas”, afirma Moreno, que também apresenta o podcast Noites Gregas, em que conta histórias da mitologia grega.
“O mundo feminino foi muito mal contemplado ali [na adaptação de Nolan], sabendo que havia grandes personagens.”
A Odisseia é um poema épico que acompanha o retorno de Ulisses a Ítaca após a Guerra de Troia. O que deveria ser uma viagem de poucos dias se transforma em uma jornada de dez anos, marcada por monstros, deuses, tentações e desafios que colocam à prova a inteligência e a capacidade de sobrevivência do herói.
O poema já foi recontado diversas vezes ao longo dos séculos e reúne, segundo Moreno, uma das narrativas mais universais da humanidade.
“Um homem que quer voltar para encontrar sua mulher, seu filho, seu lar, seu cachorro e a si mesmo. E é impedido por vários obstáculos. Então, nessa sequência, há, na Odisseia, uma narrativa perfeita”, destaca.
“É como uma pedra jogada no fundo do rio que rolou 400 anos. Não tem aresta, não tem falha, não tem nada.”
Embora o protagonista da epopeia seja um homem, Moreno destaca que as mulheres ocupam papel central na história. A tentativa de voltar para casa e recuperar o reino é atravessada pelas estratégias, pelos conselhos e pelos conflitos com deusas, ninfas e mortais.
Personagens como Penélope, Circe, Calipso, Atena e Nausícaa, presentes na obra escrita há quase três mil anos, não são figuras secundárias: elas representam poder, inteligência, conhecimento, além de desempenharem papéis decisivos na construção da narrativa.
Contudo, segundo Moreno, suas histórias foram apagadas no filme de Nolan.
Em entrevista à BBC News Brasil, o especialista em mitologia grega criticou as escolhas feitas por Nolan na adaptação e afirmou que o filme privilegiou a ação e o espetáculo visual em detrimento de elementos que considera essenciais da obra original.
Para o professor, há vários equívocos no filme, mas o maior deles “é a misoginia do Nolan”.
“O Nolan deixou fora muita coisa, o que seria natural com o filme daquele tamanho. Mas o que ele deixou fora é importantíssimo”, afirma.
“Pra mim, o maior equívoco é a misoginia de Nolan, ele não faz bons personagens femininos.”
Cláudio Moreno é especialista em cultura clássica. Para ele, obra de Nolan no cinema apagou a história das mulheres de A Odisseia
Reprodução/Youtube Noites Gregas
A crítica de Moreno dialoga com um debate antigo sobre a forma como Christopher Nolan constrói suas personagens femininas.
Ao longo da carreira, o diretor foi alvo de críticas de espectadores e críticos que apontam que suas personagens mulheres — embora frequentemente interpretadas por grandes atrizes — costumam ter menos espaço narrativo e profundidade psicológica do que os protagonistas masculinos.
Em filmes como A Origem, Batman: O Cavaleiro das Trevas e Oppenheimer, alguns críticos observaram que determinadas personagens femininas acabam funcionando principalmente em relação à trajetória dos homens ao seu redor — como figuras ligadas à motivação, à perda ou ao apoio emocional — em vez de terem seus próprios conflitos e arcos dramáticos plenamente desenvolvidos.
A seguir, os principais pontos da crítica do especialista sobre as figuras femininas de A Odisseia.
Penélope: a mulher que sustenta o reino
Penélope com os pretendentes, 1509. Pintura do artista Bernardino (1909)
Print Collector/Getty Images/BBC
Penélope (interpretada no filme pela atriz Anne Hathaway) está longe de ser apenas a esposa que espera o retorno de Ulisses, segundo Moreno.
Na epopeia de Homero, ela é uma mulher poderosa, que sustenta sozinha o reino de Ítaca durante os 20 anos em que o marido permanece ausente — dez lutando na Guerra de Troia e outros dez tentando voltar para casa.
Em uma sociedade profundamente patriarcal, diz o professor, a personagem consegue adiar a pressão de pretendentes — que querem que ela se case de novo —e preservar o trono graças à própria inteligência.
“É inteligentíssima, espertíssima. O próprio Ulisses, quando volta, tem que dar um jeito de convencê-la de que ele é Ulisses, porque ela vai propor uma série de provas”, destaca.
Para o especialista, a relação entre os dois também ajuda a explicar a força da personagem, que foi apagada no filme.
Ele explica que durante a Guerra de Troia, era comum que os guerreiros mantivessem concubinas nos acampamentos, para satisfazer seus desejos sexuais. Mas esse não era o caso de Ulisses “porque ele é fiel a Penélope”, pontua.
É somente depois de ser lançado pelos deuses em sua longa viagem de volta que o herói passa a se envolver com outras figuras femininas.
“Quando ele sai do mundo humano e os ventos levam ele para o outro lado, ele vai passar uma espécie de peregrinação por três mulheres, que compõem, na verdade, o encontro dele com o mundo feminino, todas diferentes.”
Circe: a feiticeira que revela o caminho de volta
Ulisses e Circe, 1630, pintura do artista Jacob Jordaens
Fine Art Images/Heritage Images via Getty Images
Em A Odisseia, Circe é uma das personagens femininas mais poderosas da narrativa. Feiticeira, ela é capaz de despertar o lado animal dos homens — simbolizado pela transformação dos companheiros de Ulisses em porcos —, mas sua relação com o herói vai muito além desse episódio.
Na avaliação de Moreno, a adaptação de Nolan reduz a personagem a uma figura raivosa e perde a complexidade que Homero lhe atribui.
“No filme é uma coisa incompreensível. É uma vizinha braba, furiosa, de mal com a vida.”
Circe é interpretada pela atriz Samantha Morton no filme.
Segundo o professor, na obra original Circe reconhece em Ulisses o homem anunciado por antigas profecias e acaba se apaixonando por ele. Os dois vivem juntos por um período, mas a relação é marcada pela independência de ambos, e não pela submissão.
“Claro que ela é uma mulher poderosa, uma mulher independente. As paixões duram um ano, dois, depois a fila anda. Ela mesma diz: ‘Olha, Ulisses, volta’. Como um casal altamente moderno, cada um segue para o seu lado, numa boa.”
Ele lembra, inclusive, que a feiticeira desempenha um papel decisivo na jornada do herói. É ela quem o orienta sobre como chegar ao mundo dos mortos e prosseguir em sua viagem de volta para Ítaca.
“Ela ajuda muito, fala sobre o mundo dos mortos, tem que passar lá”, pontua. “Mas no filme, é um desastre.”
Calipso: a que oferece a imortalidade
Circe oferecendo uma taça a Ulisses,1891. Obra de John William Waterhouse
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Depois de deixar a ilha de Circe e visitar o mundo dos mortos, Ulisses chega à ilha de Calipso. Na epopeia, a ninfa se apaixona pelo herói, cuida dele e deseja que ele permaneça ao seu lado.
Segundo Moreno, Calipso é “uma mulher ardente, apaixonada” e a relação entre os dois é marcada por uma inversão dos papéis tradicionais.
“Ele é um escravo sexual. Ela exige o cumprimento das suas obrigações matrimoniais.”
Mas o filme reduz essa complexidade.
“Calipso [interpretada pela atriz Charlize Theron] parece uma enfermeira, uma cuidadora. Fica sendo uma enfermeira atraente, mas muito séria, muito preocupada com o enfermo. A Calipso perde o brilho”, afirma o professor.
Para ele, uma das cenas mais importantes da Odisseia ficou de fora da adaptação: na tentativa de convencer Ulisses a permanecer em sua ilha, Calipso lhe oferece aquilo que todo mortal deseja — a imortalidade, sem velhice e sem doença.
Mas o herói recusa.
“Ele diz: ‘Não, eu quero voltar para casa’. Ele recusa a imortalidade. Não tem outro personagem na literatura grega que faça isso.”
Na avaliação de Moreno, a escolha reforça o amor de Ulisses por Penélope e desfaz a imagem de um herói movido apenas pelo desejo.
“Vai valorizando a Penélope. Evidentemente, vai tirando essa imagem que muitos têm de que Ulisses era um cachorro.”
Outra passagem que, segundo ele, desaparece no filme ocorre quando Zeus ordena, por meio de Hermes, que Calipso liberte Ulisses. A ninfa reage com indignação e protagoniza o que Moreno considera uma das primeiras cenas de revolta feminina da literatura ocidental.
“Ela recebe uma ordem de Zeus para soltar Ulisses. Ela fica furiosa e, na Odisseia, tem uma cena inédita de revolta feminina: ‘Vocês, homens, fazem o que querem…’.”
“No filme, nada. Está tudo morno.”
Atena: a deusa poderosa reduzida a uma figura secundária
Odisseu, ajudado por Atena disfarçada de uma jovem, chega ao palácio de Alcínoo. Ilustração de Antoine Calbet para A Odisseia”, 1897
Bridgeman via Getty Images/BBC
Atena é a divindade que acompanha toda a jornadade de Ulisses, protegendo o herói e intercedendo a seu favor.
É descrita por Moreno como uma das “figuras mais poderosas e interessantes do Olimpo”, mas que foi totalmente esvaziada na adaptação.
“Atena, coitada da Atena, a deusa dos olhos brilhantes. No filme [interpretada por Zendaya], ela é uma mocinha tímida, ingênua, olhando meio assustada. É uma pálida Atena.”
Ele destaca que na epopeia, é ela quem convence Zeus a permitir o retorno de Ulisses. A pedido dele, Hermes leva a Calipso a ordem para libertar o herói, dando início ao último trecho de sua viagem de volta para casa.
Nausícaa: a que foi cortada do filme
Na epopeia, Atena aparece em um sonho para Nausícaa e aconselha que ela vá ao rio lavar roupas para que pudesse encontrar Ulisses
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O maior exemplo de como a adaptação de Nolan esvazia o papel das mulheres é a ausência de Nausícaa no filme, segundo Moreno.
Na Odisseia, a jovem princesa encontra Ulisses depois do naufrágio na ilha dos feácios, acolhe o herói e lhe oferece a possibilidade de começar uma nova vida.
“A Nausícaa oferece para Ulisses uma comunidade maravilhosa, um reino maravilhoso”, explica Moreno.
Segundo o professor, a princesa se apaixona pelo herói, enquanto o próprio pai sugere que gostaria de tê-lo como genro.
Mas, mesmo diante da oportunidade de permanecer em um reino próspero e recomeçar a vida, Ulisses decide partir.
“Ele se despede numa cena delicadíssima e volta para Ítaca.”
Para Moreno, retirar Nausícaa da adaptação “foi o maior crime de todos” e elimina o último teste vivido por Ulisses antes de chegar em casa.
O que Nolan deixou pelo caminho
Atores Matt Damon e Zendaya interpretam Ulisses e Atena no filme, mas a forma como são retratados alteram a ‘essência de Odisseia’ segundo Moreno
Universal Studios
As mudanças promovidas por Nolan vão além das personagens femininas e alteram a essência da Odisseia, avalia Cláudio Moreno.
Segundo ele, o filme privilegia a dimensão visual da jornada de Ulisses — as batalhas, os cenários e os efeitos especiais — em detrimento dos elementos que dariam profundidade à obra original.
“Virou uma história de aventura, de maravilhosas paisagens, efeitos. Mas pouca coisa ele acrescentou. Na verdade, ele desperdiçou. Ele fez uma viagem junto com Ulisses, não pegando o que era importante”, afirma.
O professor reconhece que um filme de grande orçamento precisa lidar com as exigências do cinema comercial e com as expectativas do público, mas diz que, ao adaptar a epopeia, Nolan teria perdido justamente os aspectos que tornam a obra única.
“Aquilo que a Odisseia tem de coisas importantes sobre a vida, sobre tudo, tudo ele apagou”, afirma Moreno.
Entre os elementos que, de acordo com ele, ficaram pelo caminho está a dimensão humana do personagem.
Segundo Moreno, a jornada de Ulisses não é apenas uma sequência de aventuras, mas uma transformação marcada por perdas, escolhas e aprendizados.
O professor cita como exemplo a passagem pelo mundo dos mortos, um dos episódios centrais do poema, em que Ulisses encontra figuras do passado e confronta as consequências da guerra.
“Quem pode ir ao mundo dos mortos? E que lições ele trouxe de lá?”, questiona.
Para ele, o filme também erra ao tentar transformar Ulisses em um personagem movido pelo arrependimento da guerra. Segundo ele, essa leitura é incompatível com o contexto da epopeia.
“Podia ser até um filme pacifista, mas Ulisses jamais serviria como um líder pacifista. A luta para ele não era uma maldade, era a vida dele.”
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Fonte: G1 Entretenimento