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Fábrica de munições no Irã é atingida por ataque de drone


EUA negaram participação na explosão, que foi registrada em vídeo. Teerã vive momento de tensão com o Ocidente por conta de atividade nuclear e rumores de fornecimento de armas para a Rússia. Momento em que um drone bombardeia uma fábrica de munições em Isfahan, no Irã, em 29 de janeiro de 2023.
Reprodução
Uma forte explosão atingiu uma fábrica da indústria militar perto da cidade de Isfahan, no centro do Irã, durante a noite, no que Teerã disse no domingo ter sido um ataque de drones.
Ninguém havia reivindicado autoria até a última atualização desta notícia.
A explosão ocorreu em meio a tensões com o Ocidente sobre a atividade nuclear de Teerã e o fornecimento de armas para a guerra da Rússia na Ucrânia. O Irã vive ainda meses de manifestações antigovernamentais por todo o país.
Os Estados Unidos negaram participação no ataque.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amirabdollahian, disse que o ataque “covarde” visava criar “insegurança” no Irã. O Ministério da Defesa disse que a explosão causou apenas danos menores e nenhuma vítima.
“Tais ações não afetarão a determinação de nossos especialistas em progredir em nosso trabalho nuclear pacífico”, disse Amirabdollahian a repórteres.
Um vídeo da mídia iraniana mostrou um flash de luz na fábrica, que a agência oficial de notícias IRNA descreveu como uma fábrica de munição. As imagens também mostraram veículos de emergência e caminhões de bombeiros fora do complexo.
“Por volta das 23:30 na noite de sábado, um ataque malsucedido foi realizado usando micro veículos aéreos (MAVs) em um dos locais de oficina do ministério”, disse o Ministério da Defesa em um comunicado transmitido pela TV estatal.
Ele disse que um drone foi abatido “e os outros dois foram pegos em armadilhas de defesa e explodiram. Isso causou apenas pequenos danos ao telhado de um prédio de oficinas. Não houve vítimas”.
O ataque “não afetou nossas instalações e missão… e tais medidas cegas não terão impacto na continuação do progresso do país”, afirmou o comunicado.
Separadamente, a IRNA relatou no início do domingo um grande incêndio em uma fábrica de óleo de motor em uma zona industrial perto da cidade de Tabriz, no noroeste, mas não há informações sobre a causa desse incêndio.
A República Islâmica do Irã já acusou, no passado, o governo de Israel de planejar ataques usando agentes dentro do território iraniano. Em julho, Teerã disse ter prendido uma equipe de sabotagem formada por militantes curdos que trabalhavam para Israel e que planejavam explodir um centro “sensível” da indústria de defesa em Isfahan.
Um porta-voz militar israelense se recusou a comentar quando perguntado se seu país tinha uma conexão com o ataque de drone.
Membros do governo israelense dizem constantemente que poderiam atacar o Irã se a diplomacia não conseguir conter os programas de mísseis nucleares ou balísticos de Teerã, mas tem uma política de não comentar sobre incidentes específicos.
Na Ucrânia, que acusa o Irã de fornecer centenas de drones à Rússia para atacar alvos civis em cidades ucranianas distantes do front, um assessor sênior do presidente Volodymyr Zelensky vinculou o incidente diretamente à guerra no país.
“A lógica da guerra é inexorável e assassina. Ela cobra estritamente dos autores e cúmplices”, afirmou Mykhailo Podolyak. “Noite explosiva no Irã – produção de drones e mísseis, refinarias de petróleo. Avisei a vocês”.

Fonte: G1 Mundo

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Estudantes afegãs não podem fazer vestibular para universidade, diz ministério


Uma carta do ministério foi endereçada a instituições das províncias do norte do Afeganistão, onde os exames devem ocorrer a partir do final de fevereiro. Instituições que não observarem as regras enfrentarão ações legais. Mulheres afegãs esperam em frente a um banco em Cabul em 20 de setembro de 2021
Bulent Kilic/AFP
O Ministério do Ensino Superior, administrado pelo Talibã, ordenou que as universidades privadas no Afeganistão não permitam que mulheres façam exames de admissão à universidade no próximo mês, ressaltando política de restringir o acesso feminino à educação superior.
Uma carta do ministério foi endereçada a instituições das províncias do norte do Afeganistão, incluindo Cabul, onde os exames devem ocorrer a partir do final de fevereiro. A carta afirma que as instituições que não observarem as regras enfrentarão ações legais.
Em dezembro, o Ministério da Educação Superior disse às universidades para não permitirem o ingresso de mulheres “até novo aviso”. Dias depois, o governo impediu que a maioria das funcionárias de ONGs trabalhassem. A maioria das escolas de ensino médio para meninas também foi fechada pelas autoridades.
As restrições ao trabalho e à educação das mulheres foram condenadas internacionalmente. Diplomatas ocidentais sinalizaram que o Talibã precisa mudar de rumo em suas políticas em relação às mulheres para ter uma chance de reconhecimento internacional formal e uma flexibilização de seu isolamento econômico.
O país está em meio a uma crise econômica, em parte devido a sanções que afetam seu setor bancário e a um corte no financiamento de desenvolvimento, com agências humanitárias alertando que dezenas de milhões precisam de ajuda urgente.
No entanto, um relatório do Banco Mundial desta semana afirmou que o governo do Talibã, que disse estar focado em mais autossuficiência econômica, manteve a arrecadação de receita forte no ano passado e as exportações aumentaram.

Fonte: G1 Mundo

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Primeiro-ministro britânico destitui ministro por escândalo fiscal


Anúncio foi feito após investigação solicitada pelo premiê. Caso acontece em meio a acusações de corrupção por parte da oposição. Nadhim Zahawi, ex-ministro britânico.
Justin Tallis / AFP
O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, destituiu neste domingo (29) o ministro sem pasta Nadhim Zahawi, que também é presidente do Partido Conservador. A acusação é de violação do código ministerial por falta de transparência fiscal.
Sunak escreveu que “está claro que houve uma grave violação do código ministerial. Como resultado, eu o informei sobre minha decisão de destituí-lo de sua posição no governo de Sua Majestade”, afirmou o primeiro-ministro.
Depois das revelações da imprensa de que Zahawi pagou milhões de libras ao fisco britânico para resolver um litígio, o primeiro-ministro solicitou na segunda-feira uma investigação a seu conselheiro independente de ética.
O conselheiro de ética Laurie Magnus concluiu que Zahawi deveria ter declarado a investigação fiscal da qual era alvo e deveria ter atualizado sua declaração de interesses depois de solucionar a questão com o fisco.
Magnus criticou as “omissões” de Zahawi, que “não levou em consideração de modo suficiente” os princípios da vida pública, que consistem em ser “aberto, honesto e um líder exemplar com seu próprio comportamento”.
No ano passado, Zahawi pagou o que devia à Receita, incluindo as multas, durante um breve período em que foi ministro das Finanças, no governo do ex-primeiro-ministro Boris Johnson.
Depois, com a nomeação de Sunak no fim de outubro, Zahawi se tornou presidente do Partido Conservador e ministro sem pasta do governo.
Gato é atropelado de forma deliberada por trem em Paris, e caso gera revolta
Dez crianças morrem em naufrágio no Paquistão
Terremoto de magnitude 5,9 deixa dois mortos e centenas de feridos no Irã
Rishi Sunak durante seu primeiro discurso como premiê britânico
Alastair Grant/AP
“Negligência”
O caso estava relacionado com a venda de uma participação do instituto de pesquisas YouGov, que Zahawi fundou em 2000, avaliada em 27 milhões de libras esterlinas (33,4 milhões de dólares no câmbio atual), para uma empresa de investimentos, Balshore Investments, registrada em Gibraltar e vinculada à família Zahawi.
Zahawi alegou uma “negligência” e não um ato deliberado na gestão do caso. Depois de ameaçar um processo contra a imprensa por difamação, em sua resposta ao primeiro-ministro Rishi Sunak, ele expressou preocupação com o comportamento de vários meios de comunicação.
Aos 55 anos, Nadhim Zahawi, nascido em Bagdá, filho de pais curdos e que chegou ao Reino Unido ainda criança, fez uma grande fortuna antes de entrar para a política. No governo, entre outros cargos, ele supervisionou a campanha de vacinação contra a covid-19.
Depois de 13 anos no poder, os conservadores viram sua reputação abalada por escândalos de conflito de interesses. O cenário provocou o aumento das acusações de corrupção por parte da oposição trabalhista, que atualmente lidera as pesquisas de intenção de voto.
No ano passado, o próprio Sunak, quando era ministro das Finanças, se viu envolvido em um escândalo fiscal.
A imprensa revelou que sua esposa, a bilionária Akshata Murty, de nacionalidade indiana, se beneficiou de um status tributário que permitia evitar o pagamento de impostos ao Tesouro do Reino Unido sobre seus rendimentos no exterior.
Sunak foi exonerado de ter violado o código ministerial, mas sua esposa teve que renunciar ao status tributário, em um contexto econômico difícil para a maioria dos britânicos, que enfrenta uma inflação de dois dígitos.

Fonte: G1 Mundo

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Gato é atropelado de forma deliberada por trem em Paris, e caso gera revolta


Animal escapou de bolsa e ficou embaixo de trem parado. Funcionários foram alertados autorizaram o trem a andar, segundo dona e testemunhas. Ministro criticou atitude, e ONG denunciou operadora ferroviária da França. Imagem de arquivo mostra trem de alta velocidade da França em estação de Paris.
Martin Bureau/AFP
O atropelamento de um gato por um trem de alta velocidade em Paris está gerando uma forte reação na França. A dona do animal, testemunhas e até o ministro de Interior do país afirmaram que o animal foi atropelado de forma deliberada.
Segundo os relatos, o gato escapou da mala de viagem em que estava e se refugiou debaixo de um trem de alta velocidade que estava parado na estação de Montparnasse. A dona do animal avisou então a funcionários da SNCF, a operadora de trens da França, mas afirmou que eles rejeitaram os pedidos para resgatar.
Mesmo com pedidos e sob protestos, os funcionários autorizaram que o trem partisse, atropelando e matando o gato.
O caso aconteceu no início de janeiro mas veio à tona nesta semana, após uma ONG de proteção animal, a 30 Millions d´Amis, entrar com um processo contra a operadora de trens.
A denúncia gerou revolta no país, e, na sexta-feira (27), o ministro do Interior da França, Gerald Darmanin anunciou uma operação de fiscalização do cumprimento de normas de proteção aos animais em estações de todo o país.
Darmanin disse ter ficado “particularmente chocado com o episódio”, em entrevista sobre o caso.
“Eles nos disseram que era apenas um gato”, relatou a dona do animal, segundo a ONG 30 Million d’Amis. “Parecia que estávamos falando com um parede”.
A SNCF disse lamentar o episódio mas alegou não ser visível se o animal ainda estava debaixo do trem, e alertou sobre os riscos de choque elétrico ao caminhar nos trilhos da linha de alta velocidade.

Fonte: G1 Mundo

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Dez crianças morrem em naufrágio no Paquistão


Vítimas participavam de excursão de escola em lago no oeste do país. Horas antes, um ônibus caiu de uma ponte na mesma região, e 41 pessoas morreram. Homens observam ônibus que caiu de ponte e depois explodiu no oeste do Paquistão, em 29 de janeiro de 2023.
Muhammad Saleem/ AP
Cinquenta e uma pessoas morreram neste domingo (28) em dois acidentes no oeste do Paquistão: em um intervalo de algumas horas, um ônibus caiu de uma ponte, provocando a morte de 41 passageiros, e um naufrágio matou dez crianças.
Sobre o naufrágio, o chefe da polícia local, Mir Rauf, informou que:
As crianças morreram após a embarcação em que estavam naufragar no lago Tandam, na província de Khyber Pakhtunkhwa;
Elas participavam de uma excursão escolar;
O barco transportava entre 25 e 30 alunos;
Nove crianças ainda estavam desaparecidas até a última atualização desta notícia;
As vítimas tinha entre sete e 14 anos.
Poucas horas antes, ao menos 41 pessoas morreram em um acidente de ônibus:
O veículo colidiu com um pilar na lateral da pista quando atravessava uma ponte e caiu;
Ao chocar com o solo, o ônibus explodiu;
O acidente ocorreu ao norte da cidade de Bela, no distrito de Lasbela, na província do Baluchistão.
Apenas três pessoas sobreviveram, mas uma delas não resistiu aos ferimentos e morreu poucas horas depois;
As outras duas se encontram em estado crítico;
O veículo havia saído da capital da província, Quetta, e seguia para a cidade portuária de Karachi, a uma distância de 700 quilômetros;
A principal suspeita é que o motorista tenha dormido ao volante.
A polícia anunciou uma investigação para determinar o que provocou o acidente. Exames de DNA devem permitir a identificação das vítimas, que ficaram “muito mutiladas”, disse o funcionário.
Mortes nas estradas
O número de mortes nas estradas do Paquistão é elevado devido ao péssimo estado das rodovias, à falta de segurança no trânsito e à direção perigosa.
Os ônibus circulam com mais passageiros que o limite autorizado, e o uso de cinto de segurança não é comum.
Em novembro, um micro-ônibus caiu em um barranco no sul do país e 20 pessoas morreram, incluindo 11 menores de idade.
Em agosto, na região de Multan, capital da província de Punjab, uma colisão entre um ônibus e um caminhão-tanque, que transportava gasolina, também provocou 20 mortes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 27.000 pessoas morreram nas rodovias do Paquistão em 2018, última estatística conhecida.
Os naufrágios com muitas vítimas fatais também são comuns no país, onde muitas embarcações navegam em péssimo estado e lotadas de passageiros.

Fonte: G1 Mundo

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Como a filha de Cleópatra transformou sua trágica herança num reinado triunfante


Após a morte de seus pais, Cleópatra Selene foi levada a Roma, onde sua mãe era odiada. Mas ela conseguiu fazer um reinado de sucesso e prosperidade na antiga Mauritânia. ‘A morte de Cleópatra’, de Alessandro Turchi (1578-1649)
Getty Images via BBC
Cleópatra, a lendária rainha egípcia, era odiada pelos romanos.
Ela era, afinal, tida como o “monstro fatal” que seduziu Marco Antônio e o atraiu para uma aliança malfadada.
Todo o sórdido episódio atingiu seu clímax no início de 30 a.C, quando, com as forças de Otaviano, futuro imperador de Roma, aproximando-se da capital egípcia de Alexandria, o casal tirou a própria vida.
Apesar de sua morte trágica, Roma continuou a nutrir um ódio ardente por Cleópatra. No entanto, a admiração pelo Egito era imensa
Era possível perceber isto nos afrescos ornamentados das muralhas da cidade e até mesmo em enormes pirâmides, como a imponente tumba de Gaius Cestius Epulo, no sul da cidade.
Única filha de Cleópatra e Marco Antônio, Cleópatra Selene 2ª deve ter ficado intrigada com essa contradição: o ódio por sua mãe e a grande admiração pelo Egito que ela governou.
Cleópatra Selene nasceu em 40 a.C. e foi criada no Palácio Real de Alexandria. Tnha cerca de 10 anos quando seus pais morreram. Ela, seu irmão gêmeo, Alexander Helios, e seu irmão mais novo, Ptolomeu Philadelphus, foram levados para Roma e depositados na casa de Otávia, irmã de Otaviano e ex-esposa de seu pai, Marco Antônio.
Embora o biógrafo de Otaviano, Suetônio, afirmasse que o (futuro) imperador era uma figura paterna gentil, insistindo que os menores fossem cuidados como se fossem seus próprios filhos, havia sem dúvida uma dimensão política nessa decisão.
Manter o controle das crianças significava neutralizar qualquer ameaça potencial ao poder de Roma sobre o Egito.
O Sol e a Lua
Esse controle se expressou pela primeira vez no Triplo Triunfo de Otávio, um evento organizado para celebrar os êxitos militares de Otaviano, no verão do ano 29 a.C.
O terceiro e último dia do triunfo comemorou a conquista do Egito e, na ausência da mãe, as crianças passaram por uma efígie dela entrelaçada com as cobras que supostamente a mataram.
Os gêmeos de Cleópatra e Marco Antônio, Alexander Helios e Cleópatra Selene
BBC
Cleópatra Selene vestiu-se de Lua e Alexandre Helios de Sol, em referência aos nomes celestiais dados a eles por Marco Antônio, para garantir que as multidões ao longo da rota processional os reconhecessem.
Felizmente para eles, ao contrário de outros inimigos de Roma, como Vercingetorix da Gália, a participação na celebração não culminou em sua execução ritual.
Mas o que fazer com uma princesa que não possuía mais um reino?
Otaviano garantiu que os outros filhos sobreviventes de Marco Antônio fossem criados como romanos tradicionais: Iullus Antonius, filho de Marco Antônio com sua terceira esposa, Fúlvia, ascendeu ao cursus honorum (carreira política) e foi eleito cônsul.
Antônia, a Maior, e Antônia, a Menor, as duas filhas de Marco Antônio com Otávia (sua quarta esposa), casaram-se com romanos respeitados. Os imperadores Calígula, Cláudio e Nero estão entre seus descendentes.
Mas a situação de Cleópatra Selene era mais delicada. Afinal, Marco Antônio a havia declarado rainha de Creta e Cirenaica (parte da atual Líbia) em 34 a.C. E técnicamente ela poderia ser considerada a rainha legítima do Egito após a morte de sua mãe.
Busto de bronze de Juba 2°, descoberto no Marrocos, de 25 a.Cc- 23 a.C. Exposto hoje no Museu Arqueológico de Rabat.
Getty Images via BBC
Otaviano acabou encontrando uma solução por meio de um de seus pupilos, Gaius Julius Juba.
Assim como Cleópatra Selene, Juba 2° foi o último descendente de uma família real deposta.
Seu pai, Juba 1°, tinha sido rei da Numídia (uma região ao norte do Saara), mas havia apoiado o perdedor na guerra civil entre Júlio César e Pompeu, o Grande. Após a derrota de Pompeu, Juba 1° fez o mesmo que Cleópatra- cometeu suicídio e Roma confiscou seu reino, seu tesouro e sua descendência.
Como Cleópatra Selene, Juba 2° havia sido exibido em uma procissão militar: o Quádruplo Triunfo de Júlio César em 46 a.C. Ele era um menino na época, e o biógrafo de César, Plutarco, o descreveu como “o cativo mais feliz já capturado”.
Cleópatra Selene e Juba se casaram por volta de 25 a.C. antes de serem enviados para a Mauritânia (atual Marrocos e Argélia), que era um “reino cliente” de Roma- como eram chamadas as regiões que decidiram se aliar aos romanos.
Uma rainha atuante
A Mauritânia era o único reino cliente de Roma no oeste do império.
Era um vasto território, abençoado com consideráveis ​​recursos naturais que incluíam muitos dos luxos pelos quais os romanos ansiavam, como tinta púrpura, cidra e animais exóticos, bem como alimentos básicos como grãos e peixes.
Cleopátra Selene fez um reinado de sucesso
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Foi povoado por muitos grupos tribais diferentes, que hoje são conhecidos coletivamente como “berberes”. Havia também colônias gregas e romanas localizadas ao longo da costa mediterrânea da região.
Enquanto no coração do império romano se esperava que as mulheres exercessem apenas um poder discreto, as rainhas nas regiões periféricas, como a Mauritânia, eram muito mais atuantes.
Era tão natural para elas se envolverem em todos os aspectos da administração diária de seus reinos que seus súditos teriam se sentido ofendidos se não participassem plenamente.
E Cleópatra Selene cresceu vendo sua mãe fazer exatamente isso: não apenas governando seu reino e recebendo embaixadores de todo o antigo Mediterrâneo, mas também visitando e se correspondendo com outras mulheres poderosas, como a rainha Amanirenas, que presidia a vizinha Kush.
Portanto, não é surpreendente que ela não tenha mostrado nenhuma inclinação para se afastar e permitir que Juba assumisse a liderança.
Afinal, Cleópatra Selene tinha a linhagem de maior prestígio que remontava a Ptolomeu, general de Alexandre, o Grande, e também podia se orgulhar de uma conexão direta com a família imperial por meio de suas meias-irmãs e avó paterna, Julia.
Assim, o casal governou junto, fato que as moedas cunhadas deixam claro: Juba e o escrito latino Rex Iuba (Rei Juba) apareciam de um lado, e Cleópatra Selene e o escrito grego Kleopatra Basilissa (Rainha Cleópatra) do outro.
Cleópatra Selene também emitiu suas próprias moedas, repletas não apenas de referências a si mesma por meio de luas crescentes, mas também de motivos egípcios, como crocodilos, íbis e a coroa e o sistro da deusa Ísis.
Em uma emissão de moeda, ela se apresentou como “Rainha Cleópatra, filha da Rainha Cleópatra”, evidenciando o orgulho que tinha por sua mãe.
Moedas de Juba e Cleópatra Selene
BBC
Sempre cautelosos e discretos, o casal deu à capital da Mauritânia, Lol, um novo nome: Cesareia, em homenagem a Otaviano.
Mas eles encontraram uma maneira de homenagear Cleópatra e a cultura egípcia dentro dos muros da cidade. Embarcaram, por exemplo, em um pródigo programa de construção para tornar a capital uma sede adequado à sua dinastia incipiente. Nesse processo, claramente se inspiraram na antiga casa de Cleópatra Selene.
Construíram um farol semelhante ao famoso farol de Alexandria, além de um grande palácio, um fórum, um teatro e um anfiteatro. Eles também plantaram um bosque sagrado, importaram obras de arte egípcias, reformaram antigos templos e ergueram novos.
Deuses e deusas egípcios logo se tornaram populares na Mauritânia, e havia um templo de Ísis ao qual Juba dedicou crocodilos.
Com o tempo, Cesareia se transformou em uma corte altamente sofisticada e multicultural, habitada por prolíficos estudiosos gregos, romanos, egípcios e africanos, além de artesãos talentosos e criativos.
Em seus próprios escritos, Juba incluiu anedotas sobre o Egito, Alexandria e o Nilo que provavelmente vieram de Cleópatra Selene. Era uma forma de a rainha aproveitar as memórias de sua mãe e de sua vida anterior, de uma forma aceitável para os leitores romanos.
Brilho que perdurou
Cleópatra Selene e Juba transformaram, por todos os meios, suas infâncias turbulentas (derrota, cativeiro, suicídios de seus pais) em um triunfo.
Mas, por volta da virada do primeiro milênio, essa história de sucesso chegou a um fim repentino com a morte prematura da rainha.
As tumbas de Juba e Cleópatra Selene estão no Mausoléu Real da Mauritânia, na província de Tipaza, na Argélia.
Getty Images via BBC
Embora não saibamos a data precisa de sua morte, um poema composto pelo poeta da corte Crinagoras de Mitilene pode fornecer uma pista:
“A própria Lua, que surgiu no início da tarde, extinguiu sua luz, velando seu luto com a noite, pois ela viu sua homônima, a bela Selene, descer morta ao sombrio Hades”.
Em seu poema, Crinagoras parece indicar que a morte de Cleópatra Selene coincidiu com um eclipse lunar.
Isso levou os historiadores a propor duas datas possíveis para a morte da rainha da Mauritânia, com base em eclipses lunares visíveis em Cesareia e Roma: 23 de março de 5 a.C. e em 4 de maio de 3 d.C.
A rainha foi enterrada em um magnífico mausoléu, cujos restos ainda podem ser vistos na Argélia hoje.
Juba continuou a governar a Mauritânia por duas décadas após a morte de sua esposa. Ptolomeu, filho do casal, foi nomeado co-governante em 21 d.C.
Mesmo após sua morte, Cleópatra Selene permaneceu uma figura importante no reino.
Busto de Cleópatra Selene pode ser visto no Museo Arqueológico de Cherchell, na Argélia.
BBC
Um tesouro depositado perto de Tânger contém moedas que podem ser datadas do período 11-17 d.C. e inclui não apenas aquelas emitidas por Cleópatra Selene e Juba juntos, mas também aquelas emitidas apenas pela rainha.
Isso indica que seus antigos súditos ainda os usavam décadas após sua morte, e que Juba e Ptolomeu conseguiram estabilizar seu reinado conjunto graças em parte ao brilho duradouro de sua esposa e mãe.
Cleópatra Selene teve um imenso impacto em seu reino e no resto do mundo romano durante sua vida, mesmo além. Então, por que ela é tão pouco conhecida hoje?
Paradoxalmente, a resposta pode estar no seu sucesso.
Os historiadores romanos estavam obcecados com o que estava acontecendo no centro do império. Eles só mencionavam reinos clientes quando havia problemas.
O fato de não terem escrito muito sobre a Mauritânia indica que as coisas estavam indo bem por lá.
Ao contrário de sua mãe e de outras rainhas-clientes romanas como Boudica, Cleópatra Selene parece ter tido um sucesso discreto, em vez de um fracasso ruidoso.
Reportagem originalmente publicada em – https://www.bbc.com/portuguese/geral-64445211
* Jane Draycott é professora de história antiga da Universidade de Glasgow. Seu último livro, “A filha de Cleópatra”, foi publicado em 2022. A reportagem original em ingês da BBC HistoryExtra pode ser acessada aqui.

Fonte: G1 Mundo

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Após ataques em Jerusalém, Israel revoga direitos de ‘famílias terroristas’ e debate armar civis


Governo anunciou medidas na noite de sábado (28) em reação aos ataques dos dois últimos dias em Jerusalém. Atentados foram reação a operação israelense na Cisjordânia que terminou com nove mortos. Ataque terrorista em sinagoga deixa 7 mortos em Jerusalém
O gabinete de Segurança de Israel anunciou, na noite de sábado (28), medidas contra “famílias terroristas” após dois ataques em Jerusalém Oriental. Um deles, na noite de sexta-feir (27).
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia prometido uma resposta “forte” e “sólida” a esses ataques perpetrados por dois palestinos de Jerusalém Oriental, parte da Cidade Santa ocupada e anexada por Israel.
Sete civis, incluindo um casal e um menino de 14 anos, morreram em um dos atentados, na noite de sexta-feira (27), em Neve Yaacov.
Ao final de uma reunião, na noite de sábado, o gabinete de Segurança israelense anunciou:
A revogação dos direitos à Segurança Social de “famílias de terroristas que apoiam o terrorismo”;
Um projeto de lei que visa revogar as “carteiras de identidade israelenses” para esta mesma categoria de famílias – a proposta será discutida na segunda-feira (30) no Conselho de Ministros;
Facilitar a obtenção de licenças para a compra de armas a civis israelenses (leia mais abaixo).
Netanyahu voltou ao poder em dezembro com o apoio de partidos judeus de extrema direita e ultraortodoxos, e essas medidas provavelmente se aplicarão principalmente aos palestinos com nacionalidade israelense (árabes israelenses, de acordo com a classificação dada por Israel) e palestinos de acordo com o estatuto de residente de Jerusalém Oriental.
Ataques não reivindicados
Na noite de sexta-feira, um palestino de 21 anos atirou contra pessoas que passavam perto de uma sinagoga no bairro de assentamento de Neve Yaacov, matando sete pessoas antes de ser baleado.
Já na manhã de sábado, um palestino de 13 anos atirou e feriu dois israelenses em Silwan, a poucos passos das muralhas da Cidade Velha.
Nenhum desses dois ataques foi reivindicado.
Profissionais do serviço de emergência perto de mortos em Jerusalém, em 27 de janeiro de 2023
Ahmad Gharabli / AFP
Três das vítimas do tiroteio em Neve Yaacov foram enterradas durante a noite de sábado: Asher Natan, um adolescente de 14 anos, e Eli e Natalie Mizrahi, um casal baleado enquanto tentava ajudar as primeiras vítimas do ataque, de acordo com o depoimento de um vizinho.
Este novo episódio de violência ocorre em um cenário de escalada repentina após a morte, na quinta-feira (26), de nove palestinos, incluindo combatentes e uma idosa de 60 anos, em uma invasão do exército israelense em Jenin, na Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel desde 1967.
As forças israelenses foram colocadas em alerta máximo, e o Exército anunciou que fortalecerá suas tropas na Cisjordânia, já que os pedidos de contenção se multiplicaram no exterior.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, é esperado em Jerusalém e Ramallah na segunda (30) e terça-feira (31) para discutir medidas para a desescalada de violência.
Civis armados
O gabinete de Segurança de Israel também decidiu facilitar a obtenção de licenças para armas.
“Quando os civis têm armas, eles podem se defender”, declarou o ministro de extrema direita da Segurança Interna, Itamar Ben Gvir.
Novo ataque em Jerusalém deixa dois feridos
No bairro palestino de Silwan, o agressor, armado com uma pistola, feriu um pai e seu filho soldado, de 47 e 23 anos respetivamente, de acordo com informações da polícia e os serviços de salvamento, antes de ser ferido por civis armados e depois detido.
O ataque a Neve Yaacov, perpetrado na noite do Dia Mundial da Memória do Holocausto, gerou indignação na Europa e nos Estados Unidos, além da condenação de governos árabes ligados a Israel, como Egito, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.
A imprensa israelense e palestina identificaram o agressor como Khayri Alqam, alguém amplamente elogiado em nas redes sociais em língua árabe.
Temor de nova Intifada
Chamando o ataque de um crime “particularmente hediondo”, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas ( ONU), Antonio Guterres, disse estar “profundamente preocupado com a escalada da violência”.
A Autoridade Palestina se absteve de condenar os casos e julgou que Israel era “totalmente responsável pela perigosa escalada”.
A operação militar israelense em Jenin, na Cisjordânia, na quinta-feira, foi apresentada por Israel como uma ação preventiva contra uma célula do grupo armado palestino Jihad Islâmica. A noite seguinte foi marcada por disparos de foguetes de Gaza contra Israel e ataques israelenses neste microterritório. Não houve vítimas.
O deputado israelense da oposição, Mickey Levy, afirmou temer “o que aconteceu há 20 anos (começar a) acontecer agora” em uma referência à Segunda Intifada, a revolta palestina de 2000 a 2005.
Em Tel Aviv, algumas dezenas de milhares de pessoas, muito menos do que nos dois sábados anteriores, se manifestaram contra o governo e seu contestado projeto de reforma do sistema judiciário. Os manifestantes marcaram um minuto de silêncio em memória das vítimas de Neve Yaacov.

Fonte: G1 Mundo

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Quais são os 10 países mais ricos do mundo?


Uma daquelas perguntas fáceis de fazer, mas difíceis de responder. Apelamos a informações do Fundo Monetário Internacional para termos alguma ideia, por mais vaga que seja. Brasil, que já chegou a ser considerada a sexta maior economia do mundo, hoje está fora do top 10
Getty Images via BBC
Responder à pergunta do título não é fácil.
Pode-se ter alguma ideia de quais são, mas não muito precisa. E, afinal, de que tipo de riqueza estamos falando?
Bom, a medida que costuma ser usada é o Produto Interno Bruto, ou PIB, que é a soma da produção de bens e serviços de um país em um determinado período e é tomado como indicador para refletir a riqueza de uma região.
É um dos indicadores mais conhecidos e usados na economia e, entre outras coisas, ajuda os governos a saber quanto vão receber de impostos e, portanto, quanto podem gastar em serviços como saúde e educação.
Então, embora muitos critiquem usar PIB como medida de riqueza, vamos com esse, pelo menos por enquanto, para matar a curiosidade.
Em contagem regressiva, com os dados de outubro de 2022 do Fundo Monetário Internacional e do Visual Capitalist, aqui estão eles (veja se algum te surpreende):
10. Itália, com US$ 1,997 trilhão
9. Rússia, com US$ 2,113 trilhões
8. Canadá, com US$ 2,2 trilhões
7. França, com US$ 2,778 trilhões
6. Reino Unido, com US$ 3,199 trilhões
5. Índia, com US$ 3,469 trilhões
4. Alemanha, com US$ 4,031 trilhões
3. Japão, com US$ 4,301 trilhões
E agora, um grande salto de US$ 14 trilhões e alguns bilhões!
2. China, com US$ 18,321 trilhões
E o último, quase US$ 8 tri a mais!
1. Estados Unidos, com US$ 25.035 trilhões
Mas o que esses números nos dizem?
Algo, mas, de nenhuma maneira, tudo. Como apontam alguns dos críticos do PIB, a chave está na terceira palavra de seu nome.
Na década de 1930, a intenção do PIB era encontrar uma forma de medir a economia como . o para ter uma ferramenta que o ajudasse a sair da Grande Depressão
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Nem mesmo seu criador, o economista americano Simon Kuznets, se orgulhava dela.
Sua intenção, na década de 1930, era encontrar uma forma de medir a economia como um todo para ter uma ferramenta que ajudasse países a sair da Grande Depressão.
A ideia era avaliar o que realmente era produtivo, ou seja, encontrar o que realmente trazia bem-estar. Mas antes que conseguisse encontrar uma medida mais adequada que o PIB, estourou a Segunda Guerra Mundial e as prioridades mudaram: a questão urgente não era o bem-estar, mas a vida, e armas eram necessárias para defendê-la.
Para o influente economista britânico John Maynard Keynes, era essencial saber o que a economia podia produzir e qual era o mínimo que as pessoas precisavam consumir, para saber quanto sobrava para financiar a guerra.
Outro tipo de cálculo era necessário, então o foco dessa medida mudou.
E assim ficou.
Após a guerra, os Estados Unidos precisavam saber como estavam os beneficiários de sua ajuda à reconstrução, então todos começaram a usar o PIB.
Foi então ampliado graças às Nações Unidas e tornou-se o padrão global.
Por cabeça
A medida de bem-estar econômico que Kuznets queria criar acabou sendo uma medida de atividade na economia.
A diferença é que tem muita coisa que não é boa para a sociedade, mas é boa para a economia. Então produzir, por exemplo, algo que salve a vida de crianças conta tanto quanto produzir balas para armas que as matam.
Também não mede qualidade, apenas quantidade.
Kuznets queria fazer algo muito diferente. Aqui está ele, em 1971, recebendo o Prêmio Nobel de Economia.
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Quando você paga uma passagem de trem, por exemplo, que conta no cálculo do PIB, não conta se o trem que você está pegando está em ruínas, cheio de gente, com um serviço ruim e sujo. Ou se é um trem bala, que chegou no horário e está bem conservado.
Além disso, também não diz nada sobre a distribuição da riqueza: um país pode ter um PIB alto, mas também muita desigualdade.
Observe o quanto a lista muda se a medida for o PIB per capita, que mede a relação entre a renda nacional (via PIB em um determinado período) e o número de habitantes do local.
Embora também não reflita a realidade, dá, segundo os especialistas, uma ideia mais próxima do bem-estar socioeconômico.
Segundo o mapa atual do FMI (2023), os 10 mais ricos desse ranking são…
Luxemburgo
Singapura
Irlanda
Catar
Macau
Suíça
Noruega
Emirados Árabes Unidos
Brunei
Estados Unidos
Nenhum dos países da primeira lista aparece nela, exceto os Estados Unidos, que, apesar de ter a maior economia do mundo, respondendo por cerca de 20% do PIB global, está em 10º lugar.
Sobre o número 1…
Luxemburgo, um dos menores países do planeta, tanto em área quanto em população, é o país mais rico do mundo de acordo com esse ranking específico.
É o maior centro bancário do mundo: mais de 200 bancos e 1.000 fundos de investimento operam em sua capital.
Com uma das forças de trabalho mais educadas e entre as mais altamente qualificadas do mundo, atendendo às demandas de corporações multinacionais, Luxemburgo é enriquecido por uma mistura de indústrias e uma economia de importação e exportação baseada em serviços financeiros.
Também possui pequenas e médias empresas, além de um pequeno, mas próspero setor agrícola.
Seu alto desempenho se deve, em parte, pelo fato de que cidadãos de países vizinhos como França, Alemanha e Bélgica, trabalham no país, mas não moram nele. Portanto, contribuem para o crescimento do PIB, mas não são incluídos no cálculo per capita.
Luxemburgo atrai empresários estrangeiros com impostos preferenciais. Segundo os jornais Le Monde e Süddeutsche Zeitung, 90% das empresas registradas no país são de propriedade de estrangeiros.
E, para os funcionários, altos salários.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Pesquisa Econômica de Luxemburgo, o salário mínimo no país é de US$ 2.488 (R$ 12.648) mensais. Portanto, qualquer trabalhador não qualificado pode contar com esse valor.
A hora de US$ 14,40 (R$ 73,26) é quase o dobro do salário mínimo federal de US$ 7,25 (R$ 36,89) nos EUA, o país que lidera a lista acima, e perde apenas para o salário mínimo da Austrália (US$ 14,54 por hora, ou R$ 73,98), o mais alto de 2022.
O salário médio é de US$ 5.380 (R$ 27.370) por mês, mas especialistas que trabalham em bancos, seguradoras, setor de energia e tecnologia da informação ganham muito mais do que isso.
E a América Latina?
Bem, você tem que descer um pouco nessas listas para encontrar um país da região da América Latina e Caribe.
No PIB per capita, os primeiros a aparecer são a Guiana sul-americana e a ilha caribenha de Aruba, seguidas – quatro posições depois – por Porto Rico. Panamá, Trinidad e Tobago, Chile e Uruguai aparecem posteriormente… Mas aí já estamos na posição 66.
Nas listas em que os países latino-americanos aparecem no top 10 estão as de “Os mais ricos em recursos naturais”, com o Brasil e a Venezuela nas posições 7 e 10, respectivamente (com Rússia e Estados Unidos no topo).
E, claro, muitas vezes nas listas de países mais bonitos.
Esta reportagem foi inicialmente publicada em – https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64286109

Fonte: G1 Mundo

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China: geração Z pessimista representa um desafio para Xi pós-covid


Protestos recentes mostraram insatisfação da juventude chinesa perante governo do presidente que, em 2022, começou seu terceiro mandato. Para muitos jovens, cenário econômico causa desesperança e é motivo para sair do país. Pessoas seguram bandeiras do Partido Comunista da China enquanto visitam uma exposição no Memorial do Primeiro Congresso Nacional do Partido Comunista da China, antes do 100º aniversário de fundação do partido, em Xangai, China, em 22 de junho de 2021.
REUTERS/Aly Song
No primeiro fim de semana após o fim das restrições da covid-19 em dezembro de 2022, dezenas de jovens chineses se acotovelaram no escuro em um show de heavy metal em uma pequena casa de shows de Xangai que cheirava a suor e bebidas destiladas.
Foi o tipo de liberdade que os jovens chineses exigiram no fim de novembro em protestos contra a política de covid-zero que se tornou a maior manifestação de raiva pública na China continental desde que o presidente Xi Jinping assumiu o poder em 2013.
Após três anos de bloqueios, testes, dificuldades econômicas e isolamento, muitos da geração Z da China – os 280 milhões nascidos entre 1995 e 2010 – encontraram uma nova voz política, repudiando seus estereótipos de guerreiros nacionalistas digitais ou de preguiçosos apolíticos.
Pacificar uma geração que enfrenta um nível de desemprego juvenil quase recorde e um dos crescimentos econômicos mais lentos em quase meio século apresenta um desafio de formulação de políticas para Xi, que está apenas começando seu terceiro mandato. Melhorar os meios de subsistência dos jovens sem abandonar o modelo de crescimento liderado pelas exportações do país apresenta conflitos inerentes a um governo que prioriza a estabilidade social.
Esta geração é a mais pessimista de todas as faixas etárias na China, mostram as pesquisas. Embora os protestos tenham conseguido acelerar o fim das restrições da covid, os obstáculos que a juventude chinesesa enfrentaa para alcançar melhores padrões de vida serão mais difíceis de superar, dizem analistas.
“À medida que o caminho para a juventude se torna mais estreito e difícil, suas esperanças para o futuro evaporam”, disse Wu Qiang, ex-professor de política da Universidade de Tsinghua, que agora é comentarista independente em Pequim.
Os jovens não têm mais “confiança cega e adulação” em relação aos líderes chineses, acrescentou.
Alguns jovens chineses que falaram com a Reuters refletiram o sentimento de frustração.
“Se eles não mudassem a política, então mais pessoas protestariam, então eles tiveram que mudar”, disse Alex, 26 anos, que se recusou a dar seu sobrenome por medo de represálias das autoridades, em uma entrevista antes do concerto em Xangai.
“Mas não acho que os jovens voltarão a pensar que nada de ruim acontece na China.”
“Pessimismo estudado”
Os jovens, especialmente nas cidades, costumam estar na vanguarda dos protestos em todo o mundo: foram os estudantes que lideraram os protestos de 2022. Embora contidos pela repressão militar, as manifestações foram o maior levante pró-democracia da China em 1989.
Mas a Geração Z da China tem suas próprias características que representam um dilema para Xi, disseram alguns analistas.
Nos últimos anos, alguns jovens chineses chamaram a atenção internacional por sua ferocidade em atacar opiniões críticas sobre a China online, incluindo as políticas de covid de Pequim. Eles ficaram conhecidos como “rosinhas”, um termo associado à cor de um site nacionalista, e fizeram comparações com os diplomatas agressivos do “guerreiro lobo” da China e os Guardas Vermelhos da Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung.
Com a economia desacelerando sob o peso das restrições pandêmicas, surgiu uma contratendência, mas não exatamente do tipo liberal do Ocidente, que pressiona contra o crescente nacionalismo. Muitos jovens chineses têm optado pelo “tang ping”, um termo usado para descrever pessoas que rejeitaram a corrida corporativa, adotando um estilo de vida minimalista e fazendo apenas o suficiente para sobreviver.
Não há dados sobre quantos chineses estão inclinados a essas perspectivas. Entretanto, um fator unificador se formou antes dos protestos: o crescente descontentamento com as perspectivas econômicas.
Uma pesquisa com 4.000 chineses realizada pela consultoria Oliver Wyman descobriu que a geração Z é a mais negativa sobre as perspectivas econômicas da China de todas as faixas etárias. Seus pares nos Estados Unidos, por outro lado, são mais otimistas do que a maioria das gerações anteriores, de acordo com um estudo da McKinsey.
Cerca de 62% da geração Z da China se preocupa com a segurança no emprego e 56% se preocupa com as perspectivas de um estilo de vida melhor, muito mais do que as gerações mais velhas, de acordo com a pesquisa Wyman realizada em outubro e divulgada em dezembro de 2022.
Nos Estados Unidos, segundo o estudo da McKinsey, 45% dos jovens de 18 a 24 anos se preocupam com a estabilidade no emprego. Eles, no entanto, pontuaram melhor no medidor de percepções de oportunidades econômicas futuras do que todos os grupos, exceto o daqueles com idade entre 25 e 34 anos.
No início da era Xi, uma década atrás, as coisas pareciam melhores.
Em 2015, um estudo do Pew Research Center descobriu que sete em cada dez chineses nascidos no final da década de 1980 tinham sentimentos positivos em relação à sua situação econômica. E impressionantes 96% sentiam que seu padrão de vida era melhor do que o que seus pais tinham na mesma idade.
“É um pessimismo estudado. É baseado nos fatos e na realidade que eles estão testemunhando. Não acho que esses protestos teriam acontecido dez anos atrás, mas essa geração jovem acredita que eles deveriam ser ouvidos de uma forma que as gerações mais velhas não acreditavam”, disse Zak Dychtwald, fundador da empresa de pesquisa Young China Group, que examina as tendências entre os jovens chineses.
Ele disse que mais distúrbios parecem improváveis ​​no curto prazo, mas o Partido Comunista está sob pressão para oferecer “alguma esperança e direção” à juventude do país em uma reunião legislativa que acontecerá em março. Para Dychtwald, o fracasso em entregar tais soluções pode reacender os protestos a longo prazo.
Concertando a juventude
Em um discurso de Ano Novo, Xi reconheceu a necessidade de melhorar as perspectivas da juventude chinesa, sem mencionar os protestos contra sua abordagem de zero covid.
“Uma nação só prosperará quando seus jovens prosperarem”, disse Xi, sem entrar em detalhes sobre possíveis políticas.
Para o Partido Comunista da China, obcecado pela estabilidade, dar à geração Z mais atuação política é impensável.
Em vez disso, analistas dizem que os formuladores de políticas chinesas precisam criar empregos bem remunerados para os jovens e garantir que eles prosperem economicamente, como a geração de seus pais, que aceitou liberdades limitadas em troca do sucesso prometido.
Contudo, conseguir isso é mais difícil em uma economia mais lenta, e algumas das políticas que poderiam melhorar os padrões de vida dos chineses mais jovens estão em conflito com outras prioridades da segunda maior economia do mundo: garantir que os motores por trás de sua expansão de 15 vezes nas últimas duas décadas continuem funcionando.
Por exemplo, tender às expectativas da geração Z de salários mais altos tornaria as exportações chinesas menos competitivas. Enquanto isso, tornar mais acessível o acesso à moradia pode significar permitir que um setor responsável por um quarto da atividade econômica da China nos últimos anos entre em colapso.
A repressão do segundo mandato de Xi à tecnologia e outras indústrias do setor privado também levou à perda de empregos e menos oportunidades para os jovens.
Apesar de todo o discurso do governo sobre “prosperidade comum”, nivelar o campo de jogo para esta nova geração parece impossível, de acordo com Fang Xu, sociólogo urbano da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.
“Seus pais conseguiram acumular uma quantidade enorme de riqueza do mercado imobiliário, do empreendedorismo privado, e esse salto provavelmente não se repetirá”, disse Fang.
“Nivelar o campo de jogo significa desvalorizar o mercado imobiliário o suficiente para que não seja impossível para os jovens comprar uma casa, mas isso seria um grande golpe para as gerações mais velhas.”
Desejo de partir
Dado o risco de prisão, a maioria dos que participaram dos protestos contra as restrições da covid-19 está se escondendo. Não está claro quais são suas esperanças e planos ou como eles variam. Mas alguns jovens se sentem motivados a perseguir suas ambições em outro lugar.
A estudante universitária Deng, de 19 anos, que falou à Reuters sob condição de anonimato por causa da sensibilidade da situação, tem poucas esperanças de que ela conseguirá prosperar na China.
“Se eu quiser ficar na China, tenho duas opções: ficar em Xangai para trabalhar e aceitar um emprego de escritório comum, ou ouvir meus pais, voltar para minha cidade natal, fazer um exame de funcionário público, [optar pelo] tang ping”, contou Deng.
Dados da gigante da internet Baidu mostram que, durante o bloqueio de dois meses dos 25 milhões de residentes de Xangai em 2023, as pesquisas online para estudar no exterior foram cinco vezes a média de 2021. Outro pico ocorreu durante os protestos de novembro.
Nem Deng nem Alex veem muito espaço para mais dissidências no futuro próximo.
“Você pode aceitar o sistema ou deixar a China. Você não pode mudar o sistema aqui, as autoridades são muito poderosas”, afirmou Alex.

Fonte: G1 Mundo

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Terremoto de magnitude 5,9 deixa dois mortos e centenas de feridos no Irã

Um terremoto de magnitude 5,9 foi detectado na noite de sábado (28) no noroeste do Irã, perto da fronteira com a Turquia, deixando ao menos dois mortos e centenas de feridos, reportou um veículo estatal.
O terremoto sacudiu a cidade de Khoy na província do Azerbaijão ocidental às 21h44 locais (15h14 de Brasília), reportou o Centro Sismológico da Universidade de Teerã.
“Até agora, este sismo deixou 580 feridos e dois mortos”, disse o governador da província, Mohammad Sadegh Motamedian, citado pela agência de notícias Irna.
“O ministro do Interior e o chefe da Cruz Vermelha Internacional estão a caminho de Khoy”, acrescentou.
O Irã se situa nos limites de várias placas tectônicas importantes e tem uma atividade sísmica frequente.
Em 18 de janeiro, um terremoto de magnitude 5,8 perto de Khoy deixou centenas de feridos.
O terremoto mais letal registrado no Irã foi de magnitude 7,4 em 1990, no qual morreram 40.000 pessoas no norte do país. Outras 300.000 pessoas ficaram feridas e cerca de 500.000 ficaram desabrigadas.

Fonte: G1 Mundo